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terça-feira, 19 de dezembro de 2017

Cidadãos e ERC lideram pesquisas eleitorais na Catalunha

O partido liberal de centro-direita Cidadãos, do bloco a favor da união com a Espanha, e a Esquerda Republicana da Catalunha (ERC), do lado independentista, devem ser os mais votados nas eleições regionais desta quinta-feira, 21 de dezembro de 2017. Como nenhum dos dois lados tem maioria, a decisão vai caber a um milhão de indecisos.

As eleições foram convocadas pelo primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, dentro da intervenção do governo central. Madri suspendeu a autonomia regional para impedir a independência catalã. O resultado tende a refletir a profunda divisão da Catalunha e não acabar com o impasse político

No passado, especialmente nos anos 1980s e 1990s, havia na prática um bipartidarismo na Catalunha em que as maiores agremiações políticas eram o Partido Socialista da Catalunha (PSC), contrário à independência e a Convergência e União (CiU), rebatizada como Partido Democrata Europeu Catalão (PDeCat) e agora como Juntos pela Catalunha. Eles costumavam ter juntos cerca de 75% dos votos.

Agora, as pesquisas indicam que os Cidadãos e a ERC, juntos, não chegarão a 50% dos votos. Assim, nenhum partido terá maioria absoluta no Parlament. De acordo com as últimas pesquisas, o ERC terá 23% dos votos, os Cidadãos 22%; Juntos pela Catalunha, 17%, e o PSC, 15,3%. Bem atrás, estão a aliança Catalunha em Comum-Podemos 7,9%, a Candidatura da Unidade Popular (CUP) 6,2% e o Partido Popular da Catalunha (PPC).

Os partidos lutaram até o fim pelas últimas cadeiras. A média das pesquisas dá 67 cadeiras, uma abaixo da maioria, para os partidos a favor da independência, ERC, Juntos pela Catalunha e a CUP, este último de extrema esquerda.

O líder nacional dos Cidadãos, Albert Rivera, fez um apelo ao voto útil, por acreditar que a decisão será por poucos votos: "Se votam no PSC, não sabe onde vai seu voto. Um voto nos Cidadãos vai parar o processo" de independência.

Por outro lado, o ex-secretário regional Carles Mundó declarou que "é importante que o ERC lidere o govern. Não é um partido improvisado há quatro dias, é um partido com história." Juntos pela Catalunha se constituiu como partido político uma semana antes do início da campanha eleitoral.

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

Juíza decreta prisão de todo o governo deposto da Catalunha

A juíza Carmen Lamela decretou hoje a prisão incondicional, sem direito a fiança, do ex-vice-governador da Catalunha, Oriol Junqueras, e dos ex-conselheiros (secretários de governo) Jordi Turull, Raúl Romeva, Josep Rull, Dolors Bassa, Meritxell Borrás, Joaquim Forn e Carles Mundó. 

A única exceção é o ex-conselheiro Santi Vila, apontado como provável futuro governador regional depois das eleições de 21 de dezembro. Ele poderá ficar solto se pagar 50 mil euros (R$ 190 mil) de fiança, noticiou o jornal La Vanguardia, de Barcelona.

Ao justificar a decisão, a juíza alegou haver alto risco de que continuem cometendo crimes, alta probabilidade de destruição de provas e risco de que fujam da Espanha, a exemplo do que fizeram o ex-governador Carles Puigdemont e quatro secretários que estão em Bruxelas na Bélgica. Há um mandado de prisão europeu de prisão contra eles.

Todos são acusados de rebelião, sedição e malversação de fundos públicos na tentativa de promover a independência da Catalunha. A pena para rebelião é de até 30 anos de prisão.

A mesma juíza mandou prender dois líderes de movimentos sociais pela independência da Catalunha, Jordi Sànchez, da Assembleia Nacional Catalã (ANC), e Jordi Cuixart, da Òmnium, por destruir carros da polícia e impedir o trabalho da Guarda Civil durante a preparação do plebiscito ilegal realizado em 10 de outubro. Eles são considerados presos políticos pelo movimento separatista.

Os dois maiores partidos políticos do país, o Partido Popular (PP), de Rajoy, e o Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), o maior da oposição, pediram respeito à decisão em nome da independência do Poder Judiciário.

Com certeza, as prisões vão inflamar o movimento pela independência e agravar a tensão, no fim da primeira semana de intervenção do governo central espanhol na Catalunha.

quarta-feira, 25 de outubro de 2017

Decisão sobre independência divide governo da Catalunha

A tensão aumenta no governo regional da Catalunha dois dias antes da reunião do Senado para aprovar a intervenção do governo central e impedir a divisão do país. Enquanto o governador Carles Puigdemont está decidido a proclamar a independência unilateralmente se Madri aplicar o artigo 115 da Constituição da Espanha para suspender a autonomia da Catalunha, alguns conselheiros (secretários) ameaçam pedir demissão.

Até agora, o movimento pela independência tenta evitar um choque direto com o governo central, embora não pareça nenhum outro resultado de negociações que não a independência. O primeiro-ministro conservador espanhol, Mariano Rajoy, também não cede, alegando que o governo regional catalão violou a lei ao organizar um plebiscito sobre a independência à revelia da Constituição.

O conselheiro Santi Vila estaria prestes a renunciar, informou o jornal La Vanguardia, de Barcelona. Seus colegas Meritxell Borras, Carles Mundó e Toni Comín fariam a mesma ameaça, embora este último negue pelo Twitter.

Puigdemont fala amanhã em sessão de emergência do Parlament, o parlamento catalão. Pode colocar em votação a declaração de independência unilateral ou simplesmente proclamá-la antes do Senado espanhol aprovar a intervenção do governo central. A intervenção vai limitar os poderes do Parlament até a realização, dentro de seis meses, de eleições na Catalunha.

Outra possibilidade é a mesa diretora do parlamento catalão não colocar na ordem do dia desta quinta-feira a declaração de independência. O objetivo, no caso, da ala moderada do movimento pela independência é deixar Madri tomar a iniciativa política com a intervenção e a repressão. A dura resposta de Madri acabaria fortalecendo a luta pela independência. Uma declaração unilateral de independência justificaria a intervenção.