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domingo, 28 de maio de 2023

Hoje na História do Mundo: 28 de Maio

ANISTIA PARA PRESOS POLÍTICOS
    Em 1961, o advogado britânico Peter Benenson publica na primeira página no jornal The London Observer o artigo Os Prisioneiros Esquecidos e lança o Apelo pela Anistia 1961.

A campanha pede a libertação de todos os prisioneiros de consciência, presos políticos detidos pela manifestação pacífica de suas ideias. 

Benenson é inspirado por dois estudantes portugueses presos por fazerem um brinde à liberdade durante a ditadura salazarista. O movimento deu origem à organização não governamental Anistia Internacional. 

sábado, 28 de maio de 2022

Hoje na História do Mundo: 28 de Maio

ANISTIA PARA PRESOS POLÍTICOS
    Em 1961, o advogado britânico Peter Benenson publicA na primeira página no jornal The London Observer o artigo Os Prisioneiros Esquecidos, lançando o Apelo pela Anistia 1961. 

A campanha pede a libertação de todos os prisioneiros de consciência, presos políticos detidos pela manifestação pacífica de suas ideias. 

Benenson é inspirado por dois estudantes portugueses presos por fazerem um brinde à liberdade durante a ditadura salazarista. O movimento deu origem à organização não governamental Anistia Internacional.

sexta-feira, 28 de maio de 2021

Hoje na História do Mundo: 28 de Maio

    Em 1961, o advogado britânico Peter Benenson publicou na primeira página no jornal The London Observer o artigo Os Prisioneiros Esquecidos, lançando o Apelo pela Anistia 1961. A campanha pedia a libertação de todos os prisioneiros de consciência, presos políticos detidos pela manifestação pacífica de suas ideias. Benenson foi inspirado por dois estudantes portugueses presos por fazerem um brinde à liberdade durante a ditadura salazarista. O movimento deu origem à organização não governamental Anistia Internacional.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

Manifestantes protestam contra prisões políticas na Rússia

A oposição à ditadura de Vladimir Putin organizou manifestações em Moscou e São Petersburgo, as duas maiores cidades da Rússia, no domingo em protesto contra as prisões políticas, noticiou o jornal The Moscow Times. Pelo menos sete pessoas foram presas em São Petersburgo e duas em Moscou.

Os protestos contra Putin tem sido relativamente poucos e calmos nos últimos meses. Uma onda de manifestações na primeira e no verão que se aproximam aumentaria a pressão sobre o Kremlin, que costuma reagir com uma mistura de repressão e concessões.

Desde a aprovação de uma lei em 2015 para proibir as atividades de entidades "indesejáveis", o governo Putin reprime as atividades de organizações não governamentais e entidades que recebem ajuda do exterior.

domingo, 20 de maio de 2018

Oposição da Venezuela denuncia coação na eleição presidencial

Na mais escandalosa fraude eleitoral desde a redemocratização da América Latina no fim da Guerra Fria, o ditador Nicolás Maduro armou uma farsa para desgovernar a Venezuela por mais seis anos. O regime chavista vetou os principais candidatos da oposição, antecipou a data da eleição presidencial e botou Maduro dez vezes na cédula de votação.

Hoje a ditadura exigiu que os eleitores provassem sua lealdade ao regime chavista para continuar recebendo benefícios sociais em meio à pior crise econômica da história contemporânea da América Latina, denunciou a oposição consentida, citada pelo jornal Tal Cual.

O governo proibiu a presença de jornalistas nas zonas de votação para evitar a divulgação de imagens de lugares vazios. As fotos dos jornais da Venezuela mostram zonas eleitorais vazias e até mesmo um mesário dormindo. As seções eleitorais ficaram abertas além da hora, mas tudo indica que o boicote defendido pela oposição deu resultado.

Como parte da farsa, numa cena patética, o próprio ditador foi filmado acenando para uma multidão inexiste na saída de sua seção eleitoral, revelou o jornal El Nacional.

Os principais candidatos da oposição seriam:
• o ex-governador Henrique Capriles, derrotado nas duas últimas eleições presidenciais e banido da vida pública por 15 anos em 2017;
• Leopoldo López, preso desde 2014, hoje em prisão domiciliar, foi condenado a 13 anos e 9 meses de prisão pela acusação de incitar à violência que causou 43 mortes durante manifestações de protesto; e
• Freddy Guevara, o vereador mais votado da história da Venezuela, hoje deputado da Assembleia Nacional eleita democraticamente, também acusado de instigar a violência, está refugiado na Embaixada do Chile em Caracas.

Outro líder político importante, o ex-prefeito de Caracas Antonio Ledezma fugiu da prisão domiciliar em 17 de novembro de 2017, foi para a Colômbia e se exilou na Espanha, onde mantém a luta pela democracia na Venezuela.

Mesmo assim, há pesquisas indicando a vitória do dissidente chavista Henri Falcón, que denunciou a coação em massa do eleitorado, junto com o outro candidato de oposição, o pastor evangélico Javier Bertussi.

Perto dos locais de votação foram instalados os chamados Pontos Vermelhos. Sob toldos vermelhos, funcionários públicos e militantes chavistas escaneavam os carnês da pátria dos eleitores, usados para ter acesso aos programas sociais. Quem votar hoje terá direito a um "bônus" no valor equivalente a oito dólares.

Para ganhar benefícios neste valor, o eleitor precisava fotografar o voto e enviar via Internet para um endereço indicado. Dentro das cabines de votação, agentes do governo "orientavam" os eleitores sobre como votar em Maduro para não perder as vantagens.

Os Estados Unidos, a União Europeia, o Parlamento Europeu, a Organização dos Estados Americanos (OEA) e o Grupo de Lima, do qual o Brasil faz parte, não vão reconhecer o resultado da eleição na Venezuela.

Em várias cidades do mundo, como Bogotá, Miami e Madri, venezuelanos no exílio denunciaram a farsa eleitoral madurista, noticiou o jornal venezuelano La Patilla. Cerca de 300 pessoas se concentraram diante do Consulado da Venezuela em Miami, onde vive a maior comunidade venezuelana nos Estados Unidos.

"Não há saída eleitoral. Nós, venezuelanos, não podemos sozinhos", afirmou o ex-prefeito de Chacao Ramón Muchacho, para em seguida pedir intervenção humanitária para salvar vidas." A multidão, em coro, pediu "intervenção militar". Até o meio da tarde, só oito dos 19 mil venezuelanos registrados haviam votado em Miami.

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

Juíza decreta prisão de todo o governo deposto da Catalunha

A juíza Carmen Lamela decretou hoje a prisão incondicional, sem direito a fiança, do ex-vice-governador da Catalunha, Oriol Junqueras, e dos ex-conselheiros (secretários de governo) Jordi Turull, Raúl Romeva, Josep Rull, Dolors Bassa, Meritxell Borrás, Joaquim Forn e Carles Mundó. 

A única exceção é o ex-conselheiro Santi Vila, apontado como provável futuro governador regional depois das eleições de 21 de dezembro. Ele poderá ficar solto se pagar 50 mil euros (R$ 190 mil) de fiança, noticiou o jornal La Vanguardia, de Barcelona.

Ao justificar a decisão, a juíza alegou haver alto risco de que continuem cometendo crimes, alta probabilidade de destruição de provas e risco de que fujam da Espanha, a exemplo do que fizeram o ex-governador Carles Puigdemont e quatro secretários que estão em Bruxelas na Bélgica. Há um mandado de prisão europeu de prisão contra eles.

Todos são acusados de rebelião, sedição e malversação de fundos públicos na tentativa de promover a independência da Catalunha. A pena para rebelião é de até 30 anos de prisão.

A mesma juíza mandou prender dois líderes de movimentos sociais pela independência da Catalunha, Jordi Sànchez, da Assembleia Nacional Catalã (ANC), e Jordi Cuixart, da Òmnium, por destruir carros da polícia e impedir o trabalho da Guarda Civil durante a preparação do plebiscito ilegal realizado em 10 de outubro. Eles são considerados presos políticos pelo movimento separatista.

Os dois maiores partidos políticos do país, o Partido Popular (PP), de Rajoy, e o Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), o maior da oposição, pediram respeito à decisão em nome da independência do Poder Judiciário.

Com certeza, as prisões vão inflamar o movimento pela independência e agravar a tensão, no fim da primeira semana de intervenção do governo central espanhol na Catalunha.

quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Oposição e presos políticos da Venezuela ganham prêmio da UE

O Parlamento Europeu deu hoje o Prêmio Andrei Sákharov à oposição e aos presos políticos da ditadura chavista na Venezuela por sua coragem na luta contra o regime repressivo de Caracas. É o prêmio de direitos humanos mais importante da União Europeia, uma homenagem a um dos mais famosos dissidentes da União Soviética, dado a quem combate tiranias.

A homenagem é à Assembleia Nacional, dominada pela oposição, que teve os poderes usurpados pela Assembleia Nacional Constituinte fraudulenta convocada pelo ditador Nicolás Maduro para anular o resultado das urnas, e às centenas de presos políticos, especialmente os ex-prefeitos Antonio Ledezma e Leopoldo López.

"Este prêmio apoia a luta das forças democráticas pela democracia na Venezuela", declarou o eurodeputado e ex-primeiro-ministro belga Guy Verhofstadt, da bancada liberal do Parlamento Europeu. Ele fez um apelo "à comunidade internacional a se juntar à luta pela liberdade do povo venezuelano."

Em 2016, foram agraciadas duas mulheres da minoria étnica yazidi que fugiram da escravidão sexual imposta pela organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante.

O prêmio foi criado em 1988 em homenagem ao físico e dissidente soviético Andrei Sákharov, ganhador do Prêmio Nobel da Paz 1975. Ele foi o maior adversário interno da ditadura comunista soviética em sua penúltima fase, antes da abertura promovida por Mikhail Gorbachev.

No passado, ganharam o líder negro sul-africano Nelson Mandela, vários dissidentes chineses e cubanos, o jornalista liberal saudita Raif Badawi, e as organizações não governamentais Mães da Praça de Maio e Repórteres sem Fronteiras (RsF).

terça-feira, 19 de setembro de 2017

OEA condena morte de preso político na Venezuela

A Organização dos Estados Americanos (OEA) protestou ontem contra a ditadura de Nicolás Maduro por causa da morte de um preso político na Venezuela no domingo passado. Carlos Andrés García estava detido há nove meses.

"Condenamos a flagrante violação dos direitos humanos pelo regime da Venezuela, que causou a morte do vereador Andrés García", declarou no Twitter o secretário-geral da OEA, o ex-ministro do Exterior do Uruguai Luis Almagro, horas depois da morte.

Em 8 de agosto, o Alto Comissariado da ONU para Direitos Humanos denunciou os "crimes contra a humanidade" cometidos pelo governo Maduro na repressão à onda de manifestações de protesto iniciada em abril. Pelo menos 124 pessoas morreram, mais de 160 de acordo com a oposição.

García não recebeu tratamento médico e uma ordem judicial para libertá-lo por razões humanitárias foi ignorada.

Desde as manifestações de fevereiro de 2014, o número de presos políticos chegou a cerca de 600, acusa a organização de defesa dos direitos humanos Foro Legal.

terça-feira, 1 de agosto de 2017

Dólar sobe mais 7,7% com prisão de oposicionistas na Venezuela

Com a prisão dos líderes oposicionistas Antonio Ledezma e Leopoldo López e o agravamento da crise política na Venezuela, a cotação do dólar no mercado paralelo chegou hoje a 11.185,95 bolívares. O euro vale 13.087,54.

Ontem, depois das eleições de uma Assembleia Nacional Constituinte convocada para usurpar o poder da Assembleia Nacional eleita democraticamente, onde a oposição tem maioria de dois terços, e consolidar o poder do ditador Nicolás Maduro, a moeda americana valia 10.389,79 bolívares e o euro, 12.156,05 bolívares.

A Venezuela vive a pior crise econômica de sua história, com queda de 30% do produto interno bruto desde 2013 e 82% da população caindo na probreza. O desabastecimento é generalizado e a inflação deve chegar a 1.200% ao ano em 2017.

Venezuela bota na cadeia dois líderes da oposição

Dois líderes da oposição na Venezuela, os ex-prefeitos Antonio Ledezma e Leopoldo López, que estavam em prisão domiciliar, foram presos na madrugada de hoje pelo Serviço Bolivarista de Inteligência Nacional (Sebin), o serviço secreto do regime chavista, denunciaram parentes e oposicionistas.

As prisões acontecem dois dias depois das eleições para uma Assembleia Nacional Constituinte convocada sob medida pelo ditador Nicolás Maduro para usurpar os poderes da Assembleia Nacional eleita democraticamente, hoje dominada pela oposição.

"Acabam de levar Leopoldo de casa", escreveu no Twitter Lilian Tintori, a mulher de López. "Não sabemos onde está nem para onde o levaram. Maduro é responsável se algo lhe acontecer."

As famílias divulgaram na Internet vídeos do momento das prisões. López, líder do partido direitista Vontade Popular, foi preso em 2014 sob a acusação de fomentar a violência em manifestações de rua nas quais 43 pessoas morreram. Em 2015, ele foi condenado a 13 anos e nove meses de prisão.

Ledezma, da Aliança Bravo Povo (ABP) foi preso em fevereiro de 2015 so a acusação de conspiração e formação de quadrilha. Depois de ficar dois meses na prisão militar de Ramo Verde, por motivos de saúde, foi mandado para prisão domiciliar.

Na semana passada, ambos divulgaram mensagens pedindo ao eleitorado venezuelano que não votasse na Constituinte e participasse dos protestos de rua, e à sociedade internacional para que não reconheça a manobra ditatorial de Maduro.

quinta-feira, 15 de junho de 2017

Trump vai reduzir abertura em relação a Cuba

CAMBRIDGE-MA, EUA - O presidente Donald Trump deve anunciar amanhã sua política para Cuba. Deve restringir o turismo, a remessa de dinheiro e qualquer negócio com empresas ligadas às Forças Armadas, mas não reverter totalmente o reatamento realizado pelo governo Barack Obama, noticiou o boletim de notícias The Hill.

Em discurso em Miami, na Flórida, onde se concentra a maior comunidade cubano-americana, o presidente deve anunciar "marcos de referência" nas relações entre os dois países, exigindo a libertação de todos os presos políticos e a realização de eleições diretas na ilha, governada há 58 anos pela ditadura dos irmãos Fidel e Raúl Castro.

Trump não vai ressuscitar a polícia conhecida como "pé seco, pé molhado", revogada por Obama, pela qual cubanos que colocassem o pé em terra tinham direito de asilo automático nos Estados Unidos. As visitas individuais de americanos serão proibidas. Em grupo, as visitas serão permitidas. Os voos comerciais entre os dois países também serão mantidos.

terça-feira, 7 de março de 2017

Usbequistão liberta jornalista preso há 18 anos

Um dos jornalistas presos há mais tempo no mundo, Muhammad Bekjanov, foi solto no mês passado depois de ficar 18 anos na cadeia na ex-república soviética do Usbequistão, informou a organização não governamental de defesa da liberdade de imprensa Repórteres sem Fronteiras (RsF).

Bekjanov tem hoje 62 anos. Ele foi torturado repetidamente depois da prisão, em 1999, e deveria ter sido libertado em 2012, quando sua pena foi ampliada. Durante um ano, não poderá sair do país.

Como editor do Erk, o principal jornal de oposição usbeque, Bekjanov colocou em discussão temas considerados tabus como a situação da economia, o uso de trabalhos forçados na lavoura de algodão e a catástrofe ecológica do Mar Aral. Seu irmão, o poeta Muhammad Salikh, foi o único adversário do presidente Islam Karimov em 1991.

Karimov, no poder desde a era soviética, aproveitou uma série de ataques a bomba para calar a oposição, acusando-a de cumplicidade. Bekjanov e outros ativistas pela democracia foram presos e condenados. Ele pegou 15 anos de cadeia.

Dias antes da data em que deveria ser solto, a pena foi arbitrariamente aumentada em quatro anos e oito meses.

Em 2016, o Usbequistão ficou em 166º lugar entre 180 países no Índice de Liberdade de Imprensa dos RsF. Com a morte de Karimov, em agosto de 2016, alguns presos políticos foram soltos, mas ainda há jornalistas, ativistas dos direitos humanos, oposicionistas e líderes da sociedade civil presos injustamente.

sábado, 31 de dezembro de 2016

Venezuela solta seis presos políticos

O regime chavista da Venezuela libertou hoje seis presos políticos, inclusive o ex-governador Manuel Rosales, que perdeu uma eleição presidencial para o finado caudilho Hugo Chávez, noticiou a agência Reuters citando tuítes escritos por Rosales.

A oposição acusa o governo de manter na cadeia cerca de 100 presos políticos que não cometeram crime algum. O mais famoso é o ex-prefeito Leopoldo López, condenado por "incitar à violência" durante uma onda de protestos em que 43 foram mortas, em fevereiro de 2014. Não há qualquer provca concreta contra ele.

Rosales estava preso desde que voltou do exílio no Peru em 2015. Desde outubro deste ano, estava em prisão domiciliar. Os outros cinco presos políticos libertados estavam detidos desde as manifestações de protesto de 2014.

Sob a Presidência de Chávez (1999-2013), a popularidade do caudilho e o fracassado golpe de Estado contra ele em 2002 marginalizaram a oposição. Desde que Chávez foi substituído pelo arqui-incompetente Nicolás Maduro, a Venezuela afundou numa crise política e econômica sem precedentes, agravada pela queda nos preços do petróleo.

O produto interno bruto caiu 18% em dois anos, a inflação ronda os 700% ao ano e os venezuelanos têm dificuldades para encontrar a maioria dos produtos essenciais. Para agravar ainda mais o caos econômico, Maduro ordenou a retirada de circulação das notas de 100 bolívares, a mais valiosa do país, a pretexto de combater máfias colombianas que estariam atacando a economia da Venezuela.

A oposição tentou convocar um referendo para revogar o mandato de Maduro. Esbarrou na Comissão Nacional Eleitoral e no Tribunal Supremo de Justiça, dominados pelo chavismo. Se o referendo for realizado em 2017 e Maduro perder, será substituído por um vice-presidente nomeado por ele.

terça-feira, 23 de agosto de 2016

Condenação de López é fim da democracia na Venezuela, diz chefe da OEA

A confirmação de sentença condenatória ao líder da oposição Leopoldo López é o "marco" do fim da democracia e do Estado de Direito na Venezuela, afirmou ontem o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), o ex-ministro do Exterior do Uruguai Luis Almagro.

Em carta aberta a López, preso desde fevereiro de 2014 sob a acusação de incitar à violência, Almagro o chama de "amigo" e descreve o regime chavista venezuelano como uma "tirania":

"Nenhum foro regional ou sub-regional pode ignorar que hoje na Venezuela não há democracia nem Estado de Direito", acusa o ex-chanceler uruguaio. "Estou convencido de que não existem razões jurídicas, políticas, morais ou éticas para não se pronunciar e não condenar um governo que desqualificou a si próprio."

Na sua visão, o governo do presidente Nicolás Maduro "tem presos políticos que são torturados", "ignora a separação de poderes", "sofre uma profunda crise humanitária e ética" e "desconhece o direito constitucional de revogar o mandato do presidente".

Sob Maduro, acrescentou Almagro, "impera a intimidação política". Ele citou como exemplos as prisões de López e do ex-prefeito de Caracas Antonio Ledezma, a cassação do mandato da deputada María Corina Machado e a agressão ao deputado Julio Borges.

Tudo isso acontece sob a pior crise econômica da história recente da Venezuela, com queda prevista de 8% do produto interno bruto em 2016 depois de baixa de 10% no ano passado, desabastecimento de 80% dos produtos normalmente encontrados em supermercados e uma inflação que deve chegar a 720% neste ano. O país tem ainda um dos maiores índices de homicídios do mundo fora de zonas em guerra.

Desde que assumiu a Secretaria Geral da OEA, em maio do ano passado, Almagro é um dos maiores críticos do regime chavista. O ex-chanceler uruguaio no governo José Mujica denunciou o processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff como um golpe parlamentar, mas não pediu o afastamento do Brasil da OEA.

Em maio, o secretário-geral acusou a Venezuela de violar a cláusula democrática, que permite suspender um país temporariamente das atividades da organização regional.

sexta-feira, 6 de maio de 2016

Rapper angolano Luaty Beirão inicia nova greve de fome

O rapper e ativista pela democracia Luaty Beirão, preso político condenado a cinco anos e seis meses por "atos preparatórios de rebelião e associação da malfeitores" por lutar contra a ditadura de José Eduardo dos Santos, iniciou ontem uma nova greve de fome em protesto contra sua transferência forçada para o Hospital São Paulo, em Luanda.

Luaty Beirão e outros 16 ativistas foram presos quando discutiam, em junho de 2015, um capítulo do livro Ferramentas para Destruir o Ditador e Evitar uma Nova Ditadura: filosofia política da libertação para Angola, do acadêmico Domingos da Cruz.

Doze dos 16 condenados, inclusive Nélson Dibango, Albano Evaristo Bingo Bingo e Luaty Beirão, rejeitaram a transferência para o hospital-prisão: "Eu não quero ir para um sítio só porque supostamente tem melhores condições para nós quando a maior parte dos reclusos vive encarcerada em condições precárias", declarou Beirão em seu perfil no Facebook, citado pelo jornal português Público.

Com a recusa, o rapper luso-angolano foi levado à força na quarta-feira da cadeia de Viana para o hospital, informaram parentes de Beirão: "Disseram-nos que ele não quer receber ninguém e que está nu. Não aceitou receber comida e está deitado no chão. Não sabemos de mais pormenores."

Em entrevista à Rede Angola, a mulher dele, Mónica Beirão, confirmou que o músico não quer falar com ninguém. O porta-voz oficial dos serviços prisionais angolanos, Menezes Cassoma, justificou a transferência alegando que os presos políticos reclamavam das condições da prisão de Viana. Não confirmou nem a nudez nem a greve de fome.

terça-feira, 5 de abril de 2016

Cuba prendeu 498 dissidentes durante a visita de Obama

A Comissão de Direitos Humanos e Reconciliação Nacional de Cuba denunciou ontem 1.416 prisões arbitrárias por motivos políticos no mês de março, sendo 498 durante a visita que o presidente do Estados Unidos, Barack Obama, fez à ilha nos dias 20 a 22.

"Nos dias da visita histórica e amistosa do presidente Barack Obama a Cuba, o governo da ilha, em vez de garantir uma atmosfera de tranquilidade pública, deflagrou uma onda de repressão política e incontáveis ações de intimidação", acusou a Comissão de Direitos Humanos.

O número de presos em março foi o maior desde novembro de 2015, quando houve 1.447 detenções arbitrárias.

Além das prisões, houve 76 casos de agressão física a dissidentes no mês passado. Desde o início do ano, houve 3.971 prisões políticas em Cuba. O regime comunista acusa os dissidentes de serem "mercenários" e "contrarrevolucionários".

Na entrevista coletiva, ao lado de Obama, o ditador cubano, Raúl Castro, negou a existência de presos políticos na ilha, prometendo libertar todos "antes do início da noite" se alguém lhe entregasse uma lista.

segunda-feira, 21 de março de 2016

Raúl Castro nega existência de presos políticos em Cuba

Durante entrevista coletiva hoje em Havana ao lado do presidente Barack Obama, o ditador Raúl Castro negou que existam presos políticos em Cuba: "Dê-me uma lista e eles estarão soltos antes que chegue a noite."

Na conversa reservada dos dois líderes, Raúl afirmou que as relações bilaterais não serão normalizadas até que os Estados Unidos devolvam a Baía de Guantânamo, onde o governo americano mantém uma base militar desde a guerra contra a Espanha, em 1898, que levou à independência de Cuba. Na entrevista, insistiu também na revogação do embargo econômico em vigor desde 1962.

O presidente americano manifestou a certeza de que o novo relacionamento levará ao fim do embargo econômico à ilha. Como depende do Congresso, hoje dominado pela oposição conservadora, não fez previsão de data. E declarou: "O futuro de Cuba será definido pelos cubanos."

Ao ser questionado sobre a situação dos direitos humanos em Cuba, Raúl apontou problemas sociais nos EUA, como a falta de saúde e educação gratuitas para todos, a pobreza e a discriminação racial. A declaração de Raúl negando a existência de presos políticos no país foi reproduzida pelo jornal venezuelano El Nacional.

Obama admitiu que as diferenças de mais de 50 anos entre os dois países não serão resolvidas numa visita e defendeu o reatamento como benéfico para os dois povos: "É um novo dia nas relações entre EUA e Cuba."

Amanhã, ele se reúne com dissidentes, inclusive da Comissão de Direitos Humanos e Reconciliação Nacional e do grupo dissidente das Damas de Branco, que teve várias militantes detidas no domingo, e faz um discurso a ser transmitido ao vivo pela televisão estatal cubana.

Depois, Obama viaja para a Argentina, num sinal de apoio dos EUA ao novo presidente, Mauricio Macri.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Colômbia pode oferecer asilo político a Maduro

A Colômbia está examinando a possibilidade de dar asilo político ao presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, admitiu a deputada colombiana María Fernanda Cabal, citada pelo jornal venezuelano El Nacional.

De acordo com a deputada, a União das Nações Sul-Americanas (Unasul) está procurando um lugar seguro para Maduro se ele deixar o poder. Com o colapso iminente da economia venezuelana, Maduro está sob pressão tanto da Assembleia Nacional, dominada pela oposição, quanto do chavismo.

Como o Tribunal Supremo de Justiça derrubou uma decisão do Parlamento que anulava seu decreto de emergência econômica, Maduro tem mais uma chance de enfrentar a pior crise econômica da história da Venezuela. Mas ele insiste em acusar os Estados Unidos e a elite venezuelana de uma "guerra econômica", ignorando sua responsabilidade pela crise.

Maduro, escolhido a dedo pelo finado caudilho Hugo Chávez e pelo ditador cubano Fidel Castro, é o símbolo maior da agonia, da corrupção e da incompetência do chavismo e de seu "socialismo do século 21".

Ontem, a Assembleia Nacional aprovou em primeira votação a anistia para presos políticos. Maduro já avisou que não aceita.

O governo venezuelano repudiou a notícia sobre o possível asilo de Maduro alegando que partiu de deputados uribistas, aliados do ex-presidente colombiano Álvaro Uribe (2002-10), um linha dura e inimigo histórico do chavismo.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Ganhadora do Nobel da Paz desafia Irã a soltar presos políticos

Diante da euforia com o acordo nuclear histórico do Irã com as grandes potências das Nações Unidas, a advogada defensora dos direitos humanos Chirin Ebadi, ganhadora do Prêmio Nobel da Paz de 2003, lançou um desafio ao presidente Hassan Rouhani: liberte os presos políticos do país.

No sábado, os Estados Unidos e a União Europeia suspenderam as sanções ao Irã depois que a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) certificou que a república islâmica está cumprindo o acordo. O Irã soltou quatro iraniano-americanos presos e os EUA libertaram sete iranianos.

Aproveitando a oportunidade, Ebadi enviou a seguinte carta aberta ao presidente:

"Senhor Rouhani, respeitável presidente do Irã,

"A entrada em vigor do acordo nuclear e o início do levantamento das sanções são um passo importante e eu espero que o povo iraniano possa se beneficiar de suas consequências mesmo se os bilhões de dólares gastos em programas errôneos deixarem um profundo desgosto nos iranianos.

"Uma nova era se abre com a suspensão das sanções econômicas. O que me levou a vos escrever esta carta é a boa notícia da libertação de quatro iraniano-americanos detidos pela República Islâmica sob pretextos sem fundamento. Estou feliz que a animosidade que reinava durante anos na política externa iraniana - com efeitos negativos sobre as situações econômica e política do Irã - tenha chegado ao fim e que o fruto desta reconciliação seja a libertação de prisioneiros políticos, em outras palavras, de reféns das relações bilaterais. No entanto, no Irã, os prisioneiros políticos e ideológicos são privados de um julgamento justo, na ausência de tribunais imparciais. Para falar a verdade, eles são reféns dos agentes dos serviços secretos.

"Atualmente, uma questão se põe para muitos cidadãos: quando chegará enfim o momento de uma reconciliação com o povo iraniano para que os reféns do Ministério da Informação - o estudante Omid Kavakebi, o advogado Abdolfattah Soltani, a militante pelos direitos civis Narguess Mohammadi e dezenas de outros presos - sejam libertados?

"O poder iraniano se reconcilia com seu inimigo de 35 anos [os EUA] e fico surpresa de ver que não se reconcilia com seu próprio povo. Se o Conselho de Segurança Nacional pode libertar um jornalista [Jason Rezaian, correspondente do jornal The Washington Post] tomado como refém para festejar a reconciliação com os americanos, por que não libertar um professor universitário [o ex-primeiro-ministro e ex-candidato a presidente Hossein Mussavi, em prisão domiciliar desde 2011]? Fico desolada porque os prisioneiros que só tem a nacionalidade iraniana devem ficar na prisão de maneira injusta.

"Senhor Presidente, o senhor esqueceu o juramento de defender a Constituição? Que os prisioneiros políticos e ideológicos do Irã devem ser julgados publicamente diante de um júri?

"Espero que chegue o dia da reconciliação com o povo iraniano e que possamos testemunhar a abertura das portas das prisões e a libertação de todos os presos políticos e ideológicos."

quarta-feira, 10 de junho de 2015

Maduro não vai a encontro da Celac com UE

Sob intensa pressão internacional para libertar os presos políticos do regime chavista, o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, cancelou sua participação num encontro de cúpula de líderes da União Europeia (UE) e da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) marcada para hoje em Bruxelas na Bélgica.

Na semana passada, Maduro suspendeu uma viagem a Roma, onde se encontraria com o papa Francisco, supostamente por causa de uma greve de fome de oposicionistas venezuelanos instalados perto do Vaticano para fazer a Santa Sé pressionar o governo da Venezuela a soltar seus presos políticos.

Uma tentativa frustrada foi feita nos últimos dias pelo ex-primeiro-ministro espanhol Felipe González, que ficou dois dias em Caracas, mas não recebeu autorização para o ex-prefeito de Chacao Leopoldo López e o prefeito da região metropolitana da capital, Antonio Ledezma, ambos presos sob vagas acusações de conspiração.

Com o fracasso do "socialismo do século 21", a inflação na Venezuela chegou a 100% ao ano. É a maior do mundo. Com o dólar a 415,59 bolívares, a economia afunda a olhos vistos e Maduro insiste em culpar uma suposta "guerra econômica" movida pelo eixo Bogotá-Madri-Miami.

O ex-presidente da Costa Rica Oscar Arias, ganhador do Prêmio Nobel da Paz em 1987, disse que não vai à Venezuela porque sabe que não terá acesso aos presos políticos do chavismo.