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sexta-feira, 2 de fevereiro de 2024

EUA impõe sanções a colonos israelenses na Cisjordânia

Numa medida sem precedentes, o presidente Joe Biden impõs sanções a quatro colonos israelenses acusados de violência contra palestinos na Cisjordânia ocupada. A decisão tenta melhorar a imagem do presidente dos Estados Unidos diante de setores do eleitorado importantes para sua reeleição em 5 de novembro.

O direito internacional proíbe a guerra de conquista e a colonização de territórios ocupados. Há hoje cerca de 700 mil colonos israelenses na Cisjordânia, com amplo apoio do governo Benjamin Netanyahu. O primeiro-ministro de Israel considerou a medida desnecessárias sob o argumento de que os quatro estão sendo processados em Israel e que a maioria dos colonos cumprei a lei.

As colônias ilegais são uma questão central das negociações de paz entre israelenses e palestinos, ao lado da criação do Estado palestino, da segurança de Israel, do status de Jerusalém e do direito de retorno dos palestinos expulsos de suas terras desde a Guerra de Independência de Israel, em 1948.

O primeiro-ministro do Catar anunciou que o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas), grupo responsável pelo ataque terrorista de 7 de outubro a Israel, aceitou em princípio a proposta de trégua para troca de reféns israelenses em poder dos terroristas por prisioneiros palestinos e o aumento da ajuda humanitária à Faixa de Gaza.

Diante da ameaça de retaliação pela morte de três soldados norte-americanos num bombardeio de uma milícia apoiada pelo Irã, o presidente Ebrahim Raïsi afirmou que o Irã não quer a guerra, mas dará uma "resposta forte" a qualquer ataque. A Guarda Revolucionária Iraniana retirou seus altos comandantes da Síria.

Além de pressionar a milícia responsável a declarar uma trégua, o Irã reduziu o enriquecimento de urânio, reportou a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). As duas medidas ajudam a aliviar a tensão com os EUA, mas não devem evitar a retaliação.


A diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristlina Giorgieva, alertou que a guerra ameaça a economia mundial.

quinta-feira, 30 de março de 2023

Carta aberta pede pausa no desenvolvimento da inteligência artificial

Mais de mil especialistas em informática, o bilionário Elon Musk, um dos homens mais ricos do mundo, o historiador Yuval Harari, que escreveu uma história do homem, Steve Wozniak, cofundador da Apple, querem uma pausa de seis meses no desenvolvimento da inteligência artificial – e alertam para “grandes riscos para a humanidade” em razão das “dramáticas perturbações econômicas e políticas” que a inteligência artificial vai causar, “especialmente para a democracia”.

A história do desenvolvimento tecnológico indica que não haverá pausa alguma porque tecnologia é poder. A inteligência artificial é estratégica hoje para empresas e países, que não querem dar vantagens a concorrentes ou possíveis inimigos.

No 400º dia de guerra na Ucrânia, o diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Rafael Grossi, visitou a maior usina nuclear da Europa, que está em área de intensa atividade militar. O presidente Volodymyr Zelensky convidou o ditador da China, Xi Jinping, a visitar a Ucrânia e a Alemanha aprovou uma ajuda de 12 bilhões de euros, cerca de 67 bilhões de reais, ao governo ucraniano.

O ex-presidente Mauricio Macri anunciou que não será candidato à Presidência da Argentina na eleição deste ano, em que a oposição é favorita por causa de uma inflação 102,5% ao ano.

Com dores no peito e infecção respiratória, o Papa Francisco, de 86 anos, foi hospitalizado em Roma. Ao completar 10 anos de pontificado, em 13 de março, o papa admitiu se aposentar se sentir que não tem condições de saúde para cumprir sua missão, que inclui viajar pelo mundo. Talvez Francisco não tenha condições de participar das cerimônias da Páscoa. Meu boletim:

terça-feira, 7 de março de 2023

Guerra termina quando Putin entender que não tem como ganhar, afirma Scholz

A invasão da Ucrânia pela Rússia é uma agressão imperialista e só vai terminar quando o ditador Vladimir Putin entender que não tem como vencer, afirmou o chanceler (primeiro-ministro) da Alemanha, Olaf Scholz, em entrevista a Fareed Zakaria na televisão norte-americana CNN.

A Coreia do Sul anunciou um plano para indenizar coreanos obrigados pelo Japão a fazer trabalhos forçados durante a Segunda Guerra Mundial com dinheiro de uma fundação estatal, sem cobrar dos japoneses. É uma medida para normalizar as relações entre os dois países.

Ao mostrar imagens inéditas do assalto ao Congress dos Estados Unidos em 6 de janeiro de 2021, quando o presidente Donald Trump tentou dar um golpe para anular a eleição de Joe Biden, o apresentador Tucker Carlson, da Fox News, alegou que não houve nenhuma insurreição mortal, mas um protesto "predominantemente pacífico".

Seis pessoas morreram, cem policiais saíram feridos, mil arruaceiros foram presos e 500 confessaram a culpa. Carlson tenta reescrever a história para ajudar o Partido Republicano e a candidatura de Trump.

Uma nova crise envolve o programa nuclear do Irã. A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) encontrou urânio enriquecido a 83,7% numa instalação nuclear iraniana. Para fazer a bomba atômica, o Irã precisa ser enriquecido a 90%. O Irã está perto.

A França entra hoje numa greve geral contra a reforma previdenciária do presidente Emmanuel Macron capaz de paralisar o país por dias. Meu comentário:

terça-feira, 3 de março de 2020

Irã acelera enriquecimento de urânio e fica mais perto da bomba atômica

A República Islâmica do Irã acelerou o enriquecimento de urânio e pode ter a quantidade necessária para fazer uma arma nuclear dentro de meses. 

A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), órgão do sistema Nações Unidas, divulgou hoje seu relatório trimestral sobre as atividades nucleares do Irã, inclusive um segundo documento com detalhes sobre as manobras da República Islâmica para encobrir atividades nucleares do passado. 

É o primeiro relatório desde que o Irã decidiu, em janeiro, negar acesso aos inspetores da AIEA a três instalações não fiscalizadas antes. Meu comentário:

quinta-feira, 11 de julho de 2019

AIEA iencontra material radioativo em instalação nuclear clandestina do Irã


A Agência Internacional de Energia Atômica encontrou traços de material radioativo numa instalação nuclear descoberta pelo Mossad, o serviço de espionagem de Israel, uma violação do acordo de 2015, noticiou hoje o Canal 13 da televisão israelense. A agência das Nações Unidas não divulgou a informação.

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, revelou a existência de uma instalação nuclear em Turcuzabade em discurso na Assembleia Geral da ONU em setembro do ano passado. Fiscais da Agência Internacional de Energia Atômica inspecionaram o local em abril. Havia uma expectativa de que contassem o que viram em junho, mas não mencionaram a central de Turcuzabade.

Como a fiscalização demorou, havia o temor de que a República Islâmica houvesse limpado o sítio, eliminando indícios comprometedores. Em ocasiões anteriores, o regime teocrático iraniano deixou vestígios. Se a notícia for confirmada, dará razão aos Estados Unidos, que no governo Donald Trump rompeu o acordo nuclear de 2015 e impôs sanções severas que estão sufocando a economia iraniana.

O produto interno bruto caiu 6% e a inflação passa de 50% ao ano. Em reação, o Irã ameaçou fechar o Estreito de Ormuz, entrada do Golfo Pérsico, por onde passa um quinto do petróleo exportado no mundo, atacou seis navios petroleiros em maio e junho, e derrubou uma aeronave não tripulada dos Estados Unidos.

Além do mais, o Irã voltou a enriquecer urânio, o estoque de urânio enriquecido passa do limite de 300 quilos estabelecido pelo acordo e o teor do urânio enriquecido passou dos 3,67% autorizados pelo acordo. Está em 4,5% e o governo iraniano anunciou a intenção de chegar a 20%, o teor usado em equipamentos de medicina nuclear.

Para ser usado como explosivo em armas atômicas, o urânio precisa ser enriquecido a 90%. O Irã ainda estaria longe de fabricar uma bomba, mas poderia fazer isso em um ano, estimam os especialistas. Com 250 quilos de urânio enriquecido a 20%, o Irã pode produzir 25 quilos de urânio enriquecido a 90%, suficiente para fabricar a bomba nuclear. Meu comentário:

terça-feira, 2 de julho de 2019

Irã estoura limite de urânio enriquecido que pode armazenar

O estoque de urânio enriquecido do Irã ultrapassou os 300 quilos, limite do que pode armazenar com base no acordo nuclear assinado em 2015 e abandonado pelos Estados Unidos no ano passado, revelou hoje o ministro do Exterior da República Islâmica, Mohamed Javad Zarif. A informação foi confirmada pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), que até agora certificava que o regime dos aiatolás estava cumprindo o acordo.

Em maio, quando fez um ano da saída do governo Donald Trump do acordo, o presidente do Irã, Hassan Rouhani, anunciou a intenção de reduzir seus compromissos em relação ao acordo e retomar o enriquecimento de urânio.

Pelo acordo, a ditadura teocrática iraniana só pode enriquecer a um teor de urânio-235 de 3,67%, usado em usinas atômicas de geração de energia elétrica. Em estado natural, o urânio-235 é apenas 0,7% das jazidas deste elemento químico, o de mais alto número atômico encontrado na Terra.

O estouro do limite significa que o ritmo de enriquecimento quadruplicou em maio.

Antes do acordo, o Irã estava enriquecendo urânio a um teor de 20% para uso em equipamentos de medicina nuclear. Ameaça voltar a fazer isso a partir da próxima semana. Os especialistas entendem que não teria dificuldade de pular daí para um teor de 90% de urânio-235, a carga explosiva das bombas atômicas mais simples, e de fabricar uma arma nuclear.

O Irã criticou o sistema de pagamentos criado em janeiro pela Alemanha, a França e o Reino Unido para permitir negócios com o país sem passar pelo dólar. Mesmo com este sistema, a maioria das empresas europeias não deve fazer negócios com o Irã por medo das sanções impostas pelos EUA, que podem excluir essas empresas não só do mercado consumidor americano, mas também de transações financeiras realizadas em dólares.

Sob pressão da guerra econômica deflagrada por Trump, a economia iraniana deve encolher 6% em 2019 e a inflação deve chegar a 50%. O presidente americano acusou o Irã hoje de "estar brincando com fogo".

Trump quer renegociar o acordo para incluir regras ainda mais rígidas para proibir o Irã de ter armas nucleares e mísseis de longo e médio alcances, e de interferir em outros países do Oriente Médio apoiando grupos armados como o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) palestino e a milícia fundamentalista xiita libanesa Hesbolá (Partido de Deus).

Em resposta, o Irã atacou navios petroleiros na região do Golfo Pérsico, derrubou um avião-espião americano não tripulado e aumentou o enriquecimento de urânio. Tenta aumentar seu poder de barganha.

Trump gostaria de se reunir com o Supremo Líder Espiritual da Revolução Islâmica, aiatolá Ali Khamenei, o homem-forte da ditadura teocrática iraniana. Marginalizou o presidente Hassan Rouhani, um aiatolá da ala mais moderada do regime, responsável pelo acordo firmado em 2015 com as cinco grandes potências do Conselho de Segurança das Nações Unidas (EUA, China, França, Reino Unido e Rússia) e a Alemanha para congelar por dez anos o programa nuclear militar iraniano.

Khamenei não aceita aparecer em público ao lado de Trump, como faz o ditador norte-coreano Kim Jong Un, sem um reatamento das relações diplomáticas entre os EUA e o Irã, o que hoje é totalmente impensável.

A lição que o Irã tira da bajulação de Trump a Kim é a mesma aprendida pela Índia durante a Guerra do Golfo de 1991: para ser respeitado pelos EUA, é preciso ter armas nucleares. Os EUA e aliados derrubaram Saddam Hussein, no Iraque, e Muamar Kadafi, na Líbia, que não tinham armas atômicas. A Coreia do Norte tem e Trump acaba de se tornar o primeiro presidente americano no exercício do cargo a pisar em seu território.

terça-feira, 5 de junho de 2018

Irã relança programa de enriquecimento de urânio

Em reação à saída dos Estados Unidos do acordo nuclear firmado em 2015 com as grandes potências do Conselho de Segurança das Nações Unidas (EUA, China, França, Reino Unido e Rússia) e Alemanha, o Irã avisa hoje a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) o lançamento de um programa para aumentar sua capacidade de produção de hexafluoreto de urânio.

Quando o presidente Donald Trump retirou os EUA do acordo, em 8 de maio, o Irã anunciou a intenção de enriquecer urânio em escala industrial. Ontem, o porta-voz da Organização de Energia Atômica do Irã, Behruz Kamalvandi, revelou que o país comunica hoje formalmente à AIEA a decisão de acelerar seu programa nuclear.

Em discurso transmitido pela televisão, o Supremo Líder Espiritual da Revolução Islâmica, aiatolá Ali Khamenei, declarou ter ordenado preparativos para aumentar a capacidade de enriquecimento de urânio, se o acordo for totalmente rompido.

"É o que o Supremo Líder quis dizer, que devemos acelerar certos processos ligados à nossa capacidade nucler para poder chegar mais rápido em caso de necessidade", observou Kamalvandi.

O Irã faz pressão sobre os outros signatários para que mantenham o acordo. Talvez a China e a Rússia façam isso e ocupem o espaço de empresas ocidentais. O problema para as companhias europeias e mesmo chinesas e russas é que as sanções dos EUA atingem as empresas com negócios no Irã.

Se fizerem negócios com o Irã, as empresas são excluídas do mercado consumidor e do mercado financeiro dos EUA. Não podem operar em dólar. A maioria prefere ficar com o mercado americano.

Enquanto o Irã relança o enriquecimento de urânio, o primeiro-ministro linha-dura de Israel, Benjamin Netanyahu, viaja pela Europa em busca de apoio para isolar o Irã política e diplomaticamente. Na segunda-feira, esteve com a chanceler (primeira-ministra) Angela Merkel, em Berlim. Hoje, encontra o presidente Emmanuel Macron, em Paris.

Em Berlim, Netanyahu advertiu para o risco de uma nova onda de refugiados como os sírios se a Alemanha não fizer nada para conter a crescente influência do Irã no Oriente Médio. A chanceler reconheceu que a influência iraniana na Síria, no Iêmen e no Líbano é "preocupante", admitindo ser necessário "restringir fortemente as atividades regionais" do Irã.

Merkel é a favor de preservar o acordo nuclear. Netanyahu foi quem mais incentivou Trump a romper o acordo. Hoje Macron fará a mesma defesa, dentro da política comum europeia para o Oriente Médio. Têm pouca chance de sucesso.

segunda-feira, 30 de abril de 2018

Netanyahu acusa Irã de manter um programa nuclear clandestino

Em pronunciamento no Estado-Maior das Forças de Defesa de Israel, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu acusou uma hora atrás o Irã de manter um programa nuclear cladestino, afirmando ter "provas conclusivas" de que a república islâmica está violando o acordo assinado em 2015 com as grandes potências do Conselho de Segurança das Nações Unidas e a Alemanha.

Israel aumenta assim a pressão sobre os Estados Unidos, onde o presidente Donald Trump precisa decidir até 12 de maio se certifica que o Irã está cumprindo o acordo. Em comentário nos jardins da Casa Branca, ao receber o presidente da Nigéria, Muhammadu Buhari, Trump reafirmou que "é um mau acordo", mas não antecipou sua decisão.

Netanyahu anunciou que Israel conseguiu 55 mil páginas de documentos comprovando que o regime dos aiatolás construiu instalações clandestinas para esconder suas centrífugas e continuar desenvolvendo armas atômicas.

"Os dirigentes iranianos tem negado frequentemente terem tentado obter armas nucleares. Nesta tarde, estou aqui para dizer uma coisa: o Irã mente. Depois de assinar um acordo nuclear em 2015, o Irã intensificou os esforços para esconder seus arquivos secretos. Mesmo depois do acordo, o Irã continuou a preservar seu conhecimento em matéria de armas nucleares para uso futuro", denunciou o primeiro-ministro israelense.

Não é a análise dos principais serviços secretos da Europa e dos EUA e da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), que consideram positivo o acordo e entendam que o Irã está respeitando seus termos.

Em visita à Casa Branca na semana passada, o presidente da França, Emmanuel Macron, reconheceu que o acordo não limita o desenvolvimento de mísseis pelo Irã, mas propôs uma "ampliação do acordo", sob o argumento de que não faz sentido acabar com um acordo existente sem negociar outro que o substitua.

Macron deixou os EUA acreditando que Trump vai rejeitar o acordo. Na sexta-feira passada, a chanceler (primeira-ministra) da Alemanha, Angela Merkel, também foi a Washington defender o acordo. A declaração de Netanyahu tenta bombardear a posição europeia.

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Irã promete respeitar acordo nuclear

Em discurso na televisão para responder ao presidente Donald Trump, o presidente Hassan Rouhani afirmou há pouco que o Irã vai manter a cooperação com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e cumprir o acordo para desarmar seu programa nuclear, assinado em 2015 com as cinco grandes potências do Conselho de Segurança das Nações Unidas (EUA, China, França, Reino Unido, e Rússia) e a Alemanha.

O aiatolá apresentou uma longa lista de reclamações sobre interferência dos Estados Unidos nos assuntos internos do Irã, do golpe militar de 1953 e apoio à ditadura do xá Reza Pahlevi (1953-79) ao fornecimento de armas químicas a Saddam Hussein na Guerra Irã-Iraque (1980-88) e o abate de um avião de passageiros iraniano com 290 pessoas a bordo.

Rouhani também acusou Washington de apoiar uma ditadura tribalista na Arábia Saudita, responsabilizando o reino e aliados implicitamente pelo terrorismo sunita, e prometeu "continuar combatendo terroristas". É uma referência à guerra civil na Síria, onde o Irã apoia a ditadura de Bachar Assad, que alega estar enfrentando terroristas.

sábado, 23 de janeiro de 2016

Irã e China fazem acordos para elevar comércio para US$ 600 bi

Durante a primeira viagem do presidente Xi Jinping ao Oriente Médio, a China e o Irã assinaram hoje 17 acordos para fortalecer a cooperação mútua e aumentar o comércio bilateral para US$ 600 bilhões nos próximos dez anos, reportou a agência Reuters.

Ao comentar a visita, o Supremo Líder Espiritual da Revolução Islâmica, aiatolá Ali Khamenei, o homem-forte do regime teocrático iraniano, declarou que o Irã não deve confiar no Ocidente, mas procurar fortalecer sua economia e segurança ampliando os laços com Beijim.

Entre os acordos assinados, um faz parte da Iniciativa Cinturão e Estradas, uma série de obras de infraestrutura para abrir rotas comerciais na Eurásia. O projeto inclui a reconstrução do Caminho da Seda, usado pelo italiano Marco Polo para ir à China no século 13.

Há uma semana, as potências do Conselho de Segurança das Nações Unidas suspenderam as sanções internacionais contra o Irã, depois que a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) certificou que o país está cumprindo o acordo para desarmar seu programa nuclear.

Além de desbloquear US$ 100 bilhões congelados no exterior, o acordo reintegra o Irã ao mercado internacional, deflagrando uma série de visitas a Teerã e viagens ao exterior de líderes e empresários iranianos tentando ganhar dinheiro com a nova realidade.

Será um alívio para o presidente Hassan Rouhani, o principal arquiteto do acordo do lado iraniano, mas talvez chegue tarde demais para os reformistas terem sucesso nas eleições parlamentares de fevereiro, que vai eleger o novo Parlamento (Majlis) e a Assembleia dos Sábios, órgão supremo, com poderes para eleger e destituir o Supremo Líder.

A linha-dura não só criticou o acordo, minimizando sua importância, como conseguiu vetar as candidaturas de vários candidatos reformistas para tentar manter sua maioria. Caberá à nova Assembleia dos Sábios provavelmente escolher o sucessor de Khamenei, o herdeiro do aiatolá Ruhollah Khomeini.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Ganhadora do Nobel da Paz desafia Irã a soltar presos políticos

Diante da euforia com o acordo nuclear histórico do Irã com as grandes potências das Nações Unidas, a advogada defensora dos direitos humanos Chirin Ebadi, ganhadora do Prêmio Nobel da Paz de 2003, lançou um desafio ao presidente Hassan Rouhani: liberte os presos políticos do país.

No sábado, os Estados Unidos e a União Europeia suspenderam as sanções ao Irã depois que a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) certificou que a república islâmica está cumprindo o acordo. O Irã soltou quatro iraniano-americanos presos e os EUA libertaram sete iranianos.

Aproveitando a oportunidade, Ebadi enviou a seguinte carta aberta ao presidente:

"Senhor Rouhani, respeitável presidente do Irã,

"A entrada em vigor do acordo nuclear e o início do levantamento das sanções são um passo importante e eu espero que o povo iraniano possa se beneficiar de suas consequências mesmo se os bilhões de dólares gastos em programas errôneos deixarem um profundo desgosto nos iranianos.

"Uma nova era se abre com a suspensão das sanções econômicas. O que me levou a vos escrever esta carta é a boa notícia da libertação de quatro iraniano-americanos detidos pela República Islâmica sob pretextos sem fundamento. Estou feliz que a animosidade que reinava durante anos na política externa iraniana - com efeitos negativos sobre as situações econômica e política do Irã - tenha chegado ao fim e que o fruto desta reconciliação seja a libertação de prisioneiros políticos, em outras palavras, de reféns das relações bilaterais. No entanto, no Irã, os prisioneiros políticos e ideológicos são privados de um julgamento justo, na ausência de tribunais imparciais. Para falar a verdade, eles são reféns dos agentes dos serviços secretos.

"Atualmente, uma questão se põe para muitos cidadãos: quando chegará enfim o momento de uma reconciliação com o povo iraniano para que os reféns do Ministério da Informação - o estudante Omid Kavakebi, o advogado Abdolfattah Soltani, a militante pelos direitos civis Narguess Mohammadi e dezenas de outros presos - sejam libertados?

"O poder iraniano se reconcilia com seu inimigo de 35 anos [os EUA] e fico surpresa de ver que não se reconcilia com seu próprio povo. Se o Conselho de Segurança Nacional pode libertar um jornalista [Jason Rezaian, correspondente do jornal The Washington Post] tomado como refém para festejar a reconciliação com os americanos, por que não libertar um professor universitário [o ex-primeiro-ministro e ex-candidato a presidente Hossein Mussavi, em prisão domiciliar desde 2011]? Fico desolada porque os prisioneiros que só tem a nacionalidade iraniana devem ficar na prisão de maneira injusta.

"Senhor Presidente, o senhor esqueceu o juramento de defender a Constituição? Que os prisioneiros políticos e ideológicos do Irã devem ser julgados publicamente diante de um júri?

"Espero que chegue o dia da reconciliação com o povo iraniano e que possamos testemunhar a abertura das portas das prisões e a libertação de todos os presos políticos e ideológicos."

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

AIEA não vê sinais de produção de armas nucleares no Irã desde 2009

Até o fim de 2003,  o Irã estava fazendo esforços "coordenados" para desenvolver armas nucleares. Algumas dessas atividades foram mantidas além disso, mas, depois de cinco meses de investigações, a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), órgão das Nações Unidas, concluiu não haver desde 2009 "indícios confiáveis" de que o país queira fazer a bomba atômica.

Desde 2009, o Irã teria feito apenas estudos científicos, sem adquirir capacidades específicas para fazer armas nucleares. Diante dessa constatação, é provável que as grandes potências do Conselho de Segurança da ONU (China, EUA, França, Reino Unido e Rússia) concordem em suspender as sanções ao Irã com base no acordo assinado em julho de 2015.

Além de reduzir o número de centrífugas e o volume de urânio enriquecido em estoque, e de fechar instalações nucleares, a República Islâmica do Irã se comprometeu a abrir suas instalações nucleares a inspeções irrestritas da AIEA, encarregada de fiscalizar o cumprimento do acordo.

A AIEA fez uma ressalva às respostas dadas pelo regime dos aiatolás em relação à base militar de Parchin, onde satélites-espiões dos EUA registraram atividades suspeitas. O governo iraniano alegou que era apenas uma obra na estrada próxima.

É o suficiente para adversários do acordo, especialmente Israel e o Partido Republicano dos EUA, reiniciarem seus ataques.

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Irã começa a implementar acordo nuclear

A República Islâmica do Irã começou a desmontar milhares de centrífugas de enriquecimento de urânio como parte do acordo para desarmar seu programa nuclear firmado com as grandes potências do Conselho de Segurança das Nações Unidas (EUA, China, França, Reino Unido e Rússia) e a Alemanha, anunciou hoje o diretor da Organização de Energia Atômica do Irã, o ex-ministro do Exterior Ali Akbar Salehi.

O acordo está longe de ser consenso no regime fundamentalista iraniano. Em reação contra o início da implementação do acordo, 20 deputados da linha dura enviaram carta de protesto ao presidente Hassan Rouhani, principal responsável pela reaproximação com os Estados Unidos.

Pelo acordo, o Irã deve reduzir o total de centrífugas para 5 mil, se desfazer da maior parte do urânio enriquecido a baixos teores, fechar instalações nucleares e abrir todas a inspeções irrestritas da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) durante dez anos. Em troca, à medida que o acordo for implementado, as sanções internacionais contra a república dos aiatolás serão reduzidas.

A expectativa do presidente Barack Obama é que nos próximos dez anos o regime iraniano evolua rumo a uma abertura política. O diálogo estratégico entre os dois países iria muito além da questão nuclear. Mas o Supremo Líder Espiritual da Revolução Islâmica, aiatolá Ali Khamenei, quem manda de fato no país, vetou qualquer negociação com os EUA além do já acertado.

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Obama consegue apoio para aprovar acordo nuclear com o Irã

BOSTON, EUA - O presidente Barack Obama garantiu ontem o apoio de pelo menos 34 senadores do Partido Democrata, o mínimo necessário para aprovar o acordo para desarmar o programa nuclear do Irã, evitando que o país faça a bomba atômica, noticiou o jornal The Wall Street Journal.

O Senado deve votar a questão ainda neste mês. Se o governo perder, Obama vai vetar a decisão, que então só poderá ser derrubada por 67 senadores. Como são 100 ao todo, 34 votos bastam para manter o veto.

Um dos elementos centrais da política externa do governo Obama, o acordo foi negociado entre as cinco grandes potências com direito de veto nas Nações Unidas (EUA, China, França, Reino Unido e Rússia), a Alemanha e a República Islâmica do Irã. Prevê um congelamento por dez anos do programa nuclear iraniano a ser fiscalizado por um regime de inspeções da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

terça-feira, 14 de julho de 2015

Obama afirma que todas vias para bomba iraniana foram fechadas

Ao celebrar hoje o acordo firmado entre as grandes potências e o Irã para desarmar o programa nuclear iraniano, o presidente Barack Obama afirmou que o acordo está baseado não na confiança, mas na fiscalização. 

"Todos os caminhos para o Irã fazer a bomba atômica foram bloqueados", declarou o presidente dos Estados Unidos.

Os EUA negociaram de uma posição de força, com base em princípios, acrescentou Obama, que ameaçou vetar qualquer iniciativa do Congresso para derrubar o acordo.

No Irã, a população saiu às ruas para festejar o acordo. O presidente Hassan Rouhani falou em pronunciamento na TV que é o início de uma nova era nas relações do Irã com o mundo.

As maiores críticas vieram de Israel. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu considerou que houve um "mau acordo" capaz de deflagrar uma corrida armamentista nuclear no Oriente Médio. No momento, Israel é o único país da região com armas atômicas.

Outro grande aliado dos EUA, a Arábia Saudita, que apoia sunitas em conflitos contra xiitas sustentados pelo Irã no Bahrein, no Iêmen, no Iraque, no Líbano e na Síria, teme o fortalecimento do Irã. Próximos do Paquistão, único país muçulmano com armas nucleares, os sauditas já manifestaram interesse em adquirir a tecnologia.

A Turquia, outra candidata a potência regional, também cogita a opção nuclear. O risco de uma corrida armamentista na região mais explosiva do planeta não pode ser descartada.

Como no caso de Cuba, Obama aposta no engajamento político para ver se estimula pressões internas pela liberalização do regime. Enquanto o povo festeja nas ruas, dentro do regime a linha-dura vê um risco para a ditadura teocrática iraniana.

A República Islâmica do Irã se comprometeu a reduzir seus estoques de urânio enriquecido a baixos teores em 98% em 15 anos. Dois terços das centrífugas serão eliminadas, restando as 5.060 ativas no centro de processamento primário de Natanz.

Em troca, as sanções internacionais contra o regime fundamentalista iraniano serão removidas à medida que a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) certificar que a república dos aiatolás está cumprindo o acordo. A AIEA, órgão da ONU, poderá fazer inspeções sem aviso prévio em qualquer instalação nuclear, inclusive em áreas militares.

O Irã vai exportar mais petróleo e poderá usar o sistema financeiro internacional em seu comércio exterior. As sanções à venda de armas serão levantadas gradualmente.

quinta-feira, 28 de maio de 2015

França rejeita acordo nuclear sem inspeção de todas instalações do Irã

A França vai se opor a um acordo nuclear com a República Islâmica do Irã se os inspetores internacionais não tiverem acesso irrestrito a todas as instalações nucleares do país, inclusive militares, advertiu ontem o ministro do Exterior francês, Laurent Fabius, em depoimento na Assembleia Nacional.

Como o Irã alega que seu programa nuclear é pacífico e não tem objetivos militares, o Supremo Líder Espiritual da Revolução Islâmica, aiatolá Ali Khamenei, o ditador que manda de fato no país descartou a possibilidade de inspeções a instalações militares.

Na terça-feira, o diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) declarou à Agência France Presse que o Irã concordou em aplicar o protocolo adicional ao Tratado de Não Proliferação Nuclear que autoriza inspeções sem aviso prévio.

Além de Khamenei, o ministro do Exterior iraniano, Mohamed Javad Zarif, admitiu "algum acesso", mas não inspeções irrestritas, para "proteger nossos segredos econômicos e militares".

O Irã, as cinco grandes potências com direito de veto no Conselho de Segurança das Nações Unidas (EUA, China, França, Reino Unido e Rússia) e a Alemanha têm até 30 de junho de 2015 para chegar a um acordo definitivo que impeça o programa nuclear iraniano de fabricar a bomba atômica. Em troca, as sanções internacionais ao Irã seriam levantadas gradualmente.

domingo, 5 de abril de 2015

Comandante militar do Irã elogia acordo, negociadores e aiatolás

O comandante-em-chefe das Forças Armadas do Irã, general Hassan Firouzabadi, cumprimentou os negociadores iranianos, o presidente Hassan Rouhani e o Supremo Líder Espiritual da Revolução Islâmica, aiatolá Ali Khamenei, pelo acordo nuclear preliminar acertado em 2 de abril de 2015 com as grandes potências do Conselho de Segurança das Nações Unidas e a Alemanha, noticiou hoje a Agência France Presse (AFP).

Depois de 35 anos de desconfiança mútua entre os Estados Unidos e o regime fundamentalista iraniano, o acordo é visto com suspeita pela linha-dura da república dos aiatolás, assim como por Israel, pelos países árabes e pela oposição republicana nos EUA.

O apoio do maior chefe militar iraniano reflete o sentimento do alto comando das Forças Armadas, mas não da Guarda Revolucionária do Irã, o verdadeiro instrumento de defesa do regime teocrático e a maior interessada em armas atômicas.

A proposta aprovada em princípio prevê o congelamento parcial do programa nuclear iraniano durante dez anos, com rigorosa fiscalização da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), órgão da ONU, para impedir o país de fazer a bomba atômica. Em troca, serão suspensas progressivamente as sanções internacionais impostas ao Irã pela ONU, os EUA e a União Europeia.

Só uma central nuclear, em Natanz, vai poder continuar enriquecendo urânio, num teor máximo de 3,67%, que só serve para produção de energia em centrais atômicas. O número de centrífugas será reduzido de 19 mil para 6 mil, e o estoque de urânio enriquecido armazenado no Irã será reduzido de 10 mil para 300 quilos.

Um acordo definitivo precisa ser negociado até 30 de junho de 2015. Enquanto tudo não estiver acertado, nada estará valendo. O Irã se comprometeu a paralisar as atividades nucleares temporariamente durante as negociações. O país estaria a um ano de obter a capacidade para fazer armas atômicas.

Ao defender a negociação, o presidente Barack Obama alegou que a alternativa seria uma nova guerra no Oriente Médio, que mataria muita gente sem atingir o objetivo de colocar o programa nuclear iraniano sob supervisão internacional. Mesmo que todas as instalações nucleares do Irã fossem destruídas, o conhecimento científico necessário para fazer bombas atômicas seria preservado e o país teria redobradas razões para se armar.

quinta-feira, 2 de abril de 2015

Secretário de Estado dos EUA promete implementar acordo por fases

Para tentar acalmar os aliados árabes e Israel, que suspeitam do acordo nuclear das cinco grandes potências do Conselho de Segurança das Nações Unidas e da Alemanha com o Irã, o secretário de Estado americano, John Kerry, anunciou em Lausanne, na Suíça, que a implementação será gradual. A cada etapa, o cumprimento do acordo pelo Irã será avaliado, acrescentou o chefe da diplomacia dos Estados Unidos.

A intenção é reduzir e limitar o programa nuclear iraniano para impedir o país de fazer a bomba atômica, dando amplos poderes para a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), órgão das Nações Unidas, para inspecionar suas instalações. Em troca, a república islâmica exige o fim das sanções internacionais.

Os principais pontos do acordo são:
• A central nuclear iraniana de Natanz será a única autorizada a continuar enriquecendo urânio, mas a teores usados em usinas de produção de energia atômica, de no máximo 3,67%.
• Os estoques de urânio enriquecidos acima disso serão diluídos e o combustível nuclear usado será enviado ao exterior.
• O estoque de urânio que ficará no Iraque será reduzido de 10 mil para 300 quilos.
• O número total de centrífugas será reduzido de 19 mil para 6 mil.
• A usina nuclear subterrânea de Fordo será convertida numa instalação de pesquisas. Ela foi escondida pelo regime fundamentalista iraniano. Só foi descoberta pela espionagem dos EUA.
• O reator de água pesada de Arak, uma das grandes preocupações da França, será redesenhado para que não possa produzir plutônio, outra carga usada em armas atômicas, além do urânio enriquecido.
• Estas três centrais nucleares estarão sujeitas a inspeções rigorosas sem aviso prévio da AIEA.
• Quando o Conselho de Segurança da ONU, os EUA e a União Europeia se certificarem de que o acordo está sendo cumprido, as sanções internacionais serão suspensas

As negociações foram prorrogadas por dois dias porque os EUA exigem que os detalhes estivessem neste acordo preliminar. Até 30 de junho de 2015, precisa haver um acordo definitivo.

terça-feira, 31 de março de 2015

Negociação nuclear com o Irã é prorrogada até amanhã

As negociações das cinco grandes potências do Conselho de Segurança das Nações Unidas (EUA, China, França, Reino Unido e Rússia), a Alemanha e o Irã para desarmar o programa nuclear iraniano, que deveriam chegar a um acordo preliminar hoje, foram estendidas até quarta-feira, em Lausanne, na Suíça, informou o jornal The Washington Post. É um sinal de que os dois lados acreditam num acordo.

"Fizemos progressos suficientes nos últimos dias para valer a pena continuar até quarta-feira", declarou a porta-voz do Departamento de Estado americano. "Ainda há muitas questões difíceis."

Apesar da reaproximação entre os Estados Unidos e o Irã, há muitos pontos de desacordo. No fim de semana, o ministro do Exterior e principal negociar iraniano, Mohamed Javad Zarif, recuou da proposta de enviar todo o urânio enriquecido no Irã para armazenamento na Rússia.

O Irã insiste no direito de usar a energia nuclear para fins pacíficos, enquanto os países árabes vizinhos e Israel não confiam no regime fundamentalista iraniano. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, discursou contra o acordo no Congresso dos EUA, em 3 de março, lembrando que a Coreia do Norte fez vários acordos, violou todos e fez a bomba atômica. Nesta reta final das negociações, a França e o Reino Unido defendem os interesses dos países mais céticos.

No passado, o regime iraniano mentiu ao esconder seus dois principais centros de enriquecimento de urânio, em Fordo e Natanz.

Pela proposta em discussão, o Irã seria autorizado a conservar 6 mil das 19 mil centrífugas que têm hoje. A república islâmica exige ainda o direito de continuar fazendo pesquisas atômicas. Já estaria a um ano da capacidade nuclear militar. Um acordo congelaria o programa por dez anos.

Outro aspecto fundamental é a fiscalização. Na semana passada, o diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), o japonês Yukiya Amano, acusou a república dos aiatolás de rejeitar inspeções de surpresa.

Em troca do desarmamento nuclear, o Irã exige o fim imediato das sanções internacionais que pesam sobre a economia do país. Até agora, as grandes potências só concordam com uma retirada gradual das sanções, se a ditadura teocrática iraniana cumprir o acordo, que tem apoio popular de 59% nos EUA.

O prazo final para um acordo definitivo é 30 de junho de 2015. Com ou sem acordo, há o risco de uma corrida armamentista nuclear no Oriente Médio. Outros candidatos a potências regionais, como a Arábia Saudita, o Egito e a Turquia não vão querer ficar atrás do Irã, que financia milícias xiitas no Iêmen, no Iraque, no Líbano e na Síria.

terça-feira, 24 de março de 2015

Irã rejeita inspeções nucleares de surpresa e complica negociações

A uma semana do fim do prazo previsto para um acordo preliminar, o Irã rejeitou um pedido do diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Yukiya Amano, para realização de inspeções de supresa nas instalações nucleares do país, informou hoje o jornal libanês The Daily Star. As inspeções sem aviso prévio são uma das exigências das grandes potências que negociam o desarmamento do programa nuclear iraniano.

Em texto publicado hoje no sítio da televisão estatal do Irã, o porta-voz iraniano para a questão nuclear, Behrouz Kamalvandi, foi citado dizendo que as inspeções de surpresa são "ilegais".

As negociações das cinco grandes potências com direito de veto no Conselho de Segurança das Nações Unidas (China, EUA, França, Reino Unido e Rússia) e a Alemanha com a República Islâmica do Irã devem ser concluídas até 30 de junho de 2015. A expectativa é chegar a um acordo preliminar até 31 de março. Mas está cada vez mais difícil.

Como o Irã insiste no direito de enriquecer urânio para fins pacíficos, será autorizado a manter um número limitado de centrífugas e de reatores nucleares em atividade. Para ter a certeza de que não enriquecerá urânio ao teor necessário para fazer a bomba atômica nem produzirá plutônio, as grandes potências consideram essencial realizar inspeções de surpresa.

Apesar da recusa, o regime fundamentalista do Irã está interessado no acordo. As autoridades iranianas fecharam no mês passado um jornal semanal linha-dura de propriedade do deputado Hamid Rassai acusado de criticar o presidente Hassan Rouhani por "fazer concessões demais" nas negociações.

"O órgão de fiscalização da imprensa fechou o semanário Noh-e Day por publicar matérias que contradizem a política nuclear do país", noticiou uma agência oficial, citada pela Reuters.

Em janeiro, o jornal disse que "cada passo dado pelo [ministro do Exterior, Mohamed] Zarif durante a caminhada [com o secretário de Estado americano, John Kerry, ao redor do Lago Genebra] destruiu cem quilos da reserva de urânio enriquecido".

Desde novembro de 2013, o Irã congelou as atividades do programa nuclear para ajudar nas negociações. O maior objetivo iraniano é acabar com as sanções que pesam sobre a economia do país.

Ontem, foi revelado que o serviço secreto de Israel espionou os EUA em busca de elementos para bombardear as negociações. Como disse em 3 de março em discurso no Congresso americano, o primeiro-ministro linha-dura Benjamin Netanyahu não acredita na boa fé na república dos aiatolás e teme que um acordo facilite o caminho até a bomba atômica.