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quarta-feira, 5 de março de 2025

Trump marca data para tarifaço e ameaça tomar Groenlândia à força

No mais longo discurso de um presidente dos Estados Unidos no Congresso, em 99 minutos, Donald Trump mentiu, se autoelogiou, exaltou o ataque do bilionário Elon Musk à máquina do Estado e falou para sua base. Num sectarismo que aprofunda a divisão do país em que apostou para se reeleger, descreveu um cenário de violência, decadência e catástrofe econômica no governo Joe Biden. O deputado democrata Al Green foi expulso do plenário por protestar contra o discurso, algo inédito.

De concreto, prometeu um novo tarifaço para 2 de abril, citando o Brasil entre os alvos, prometeu mais uma vez retomar o Canal do Panamá, sem dizer se basta uma empresa dos EUA assumir o controle dos portos de entrada e saída, ameaçou dominar a Groenlândia "de um jeito ou de outro" e anunciou que o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, enviou mensagem dizendo estar pronto para negociar a paz depois de ser humilhado na Casa Branca na sexta-feira passada.

A popularidade ds presidente dos EUA está em queda: 59% dos eleitores independentes não aprovam o governo; 45% acreditam que o país não está na direção correta e 39% acham que sim; e 52% entendem que Trump não está se dedicando aos maiores problemas do país, especialmente a alta no custo de vida.

Trump repetiu os temas de sempre: imigração, cortar "desperdício, fraude e abuso", guerras culturais contra o politicamente correto e ataques a Joe Biden. Falou que o Departamento de Eficiência Governamental (Doge) chefiado por Musk encontrou problemas de "centenas de bilhões de dólares" sem mencionar provas. Musk fala em US$ 105 bilhões, mas a página do Doge registra apenas US$ 18,6 bilhões.

O presidente também defendeu a pena de morte para assassinos de policiais e a criação de um sistema de defesa antimísseis. Pouco disse sobre o que mais preocupa os eleitores, a inflação e o custo de vida.

"Os EUA estão de volta. Seis semanas atrás, proclamei o início de uma idade de ouro" e disse que desde então fez "um esforço rápido e incansável para criar essa nova era", arrancando os primeiros protestos dos democratas, que levantaram discos dizendo "Falso", "Trump mente" e "Musk rouba". Os líderes democratas se negaram a participar do cortejo na entrada do presidente.

No seu estilo hiperbólico, grandiloquente e mentiroso, Trump afirmou que recebeu um mandato como não se via há décadas. Em realidade, não teve maioria absoluta.

Em 43 dias, Trump baixou mais de 100 decretos e mais de 400 iniciativas. Declarou que é o governo mais bem-sucedido, à frente de George Washington (1789-97), ignorando os 100 primeiros dias de Franklin Roosevelt (1933-45) na luta contra a Grande Depressão (1929-39).

ATAQUE À MAQUINA PÚBLICA

Trump se vangloriou de congelar as contratações, as regulamentações e a ajuda externa do governo federal dos EUA. "Acabei com o Novo Pacto Social Verde e com o Acordo de Paris, que nos custa trilhões de dólares. Saí da corrupta Organização Mundial da Saúde (OMS) e do antinorte-americano Conselho de Direitos Humanos da ONU."

Quando voltou ao Acordo de Paris sobre Mudança do Clima, em 2021, Biden prometeu US$ 11,4 bilhões. Ao falar em trilhões, Trump mostra mais uma vez que não tem o menor compromisso com a verdade.

Depois de atacar as ambiciosas políticas ambientais de Biden, Trump partiu para as guerras culturais tão a gosto da extrema direita: "Acabei com toda a censura e trouxe a liberdade de expressão de volta", enquanto ameaça prender jornalistas Ele foi excluído do Twitter e do Facebook por fomentar o assalto ao Capitólio em 6 de janeiro de 2021, numa tentativa de golpe de Estado sem precedentes na história dos EUA.

"Renomeei o Golfo do México como Golfo da América. Renomeei o Monte McKinley. Acabei com a tirania da diversidade, equidade e inclusão no governo e no setor privado. (...) Removi a teoria crítica sobre raça das escolas. Decidi que só existem dois gêneros: masculino e feminino. Proibi homens de disputar esportes femininos." Trump proibiu os tratamentos para mudança de gênero antes dos 19 anos.

É o que ele chama de "revolução do senso comum". Não há mais nenhum negro e nenhuma mulher no Estado-Maior das Forças Armadas dos EUA, só generais brancos.

Por causa das campanhas antivacinas, das quais o secretário da Saúde, Robert Kennedy Jr., é um dos principais responsáveis, há hoje mais casos de sarampo no Texas do que atletas transgêneros no país inteiro.

Ao prometer reduzir o custo de vida, se limitou a acenar com uma redução nos preços de energia com maior exploração de gás e petróleo.

Para defender a devassa e virtual destruição da Agência dos EUA para o Desenvolvimento Internacional (USAID), Trump chegou a dizer que financiava camundongos transgêneros. Com menos de 0,7% do orçamento federal, a agência era responsável por 40% da ajuda humanitária no mundo.

Numa das grandes mentiras da noite, Trump teve a cara de pau de dizer que há mais de 4,7 milhões pessoas de mais de 100 anos recebendo benefícios previdenciários, inclusive um de 360 anos. Na verdade, a Previdência Social paga benefícios a 89 mil centenários.

"Vamos equilibrar o orçamento federal, o que não se faz há 24 anos", prometeu o presidente. Na campanha eleitoral de 2000, a discussão era o que fazer com o superávit de US$ 100 bilhões. O então vice-presidente Albert Gore Jr. queria fortalecer a Previdência Social. O candidato vencedor, George Walker Bush, preferiu dar cortes de impostos para os ricos.

O que Trump pretende fazer? Dar mais cortes de impostos para bilionários e multimilionários. A estimativa é que reduzam a arrecadação em pelo menos US$ 5 trilhões em 10 anos. Assim, a dívida pública dos EUA, que está hoje em US$ 36 trilhões, vai aumentar. 

Musk calculou que o país gaste US$ 1 trilhão por ano com os juros da dívida, mais do que o orçamento do Departamento da Defesa (Pentágono) para 2025, que é de US$ 850 bilhões. Trump ameaçou perseguir deputados e senadores que votarem contra os cortes de impostos para que não se reelejam.

"Há 100 anos a burocracia federal cresce e atrapalha os negócios. Centenas de milhares não aparecem para trabalhar. O governo dos burocratas não eleitos acabou", continuou Trump. A Casa Branca diz que só 6% dos funcionários federais se apresentam para trabalhar, o que é uma mentira. Paralisaria a máquina pública.

REINDUSTRIALIZAÇÃO

Outra proposta é reindustrializar os EUA com energia barata e altas tarifas sobre produtos importados enquanto oferece isenções de impostos para quem abrir fábricas no país: "É nossa hora de impor tarifas", anunciou citando como alvos, além do México, do Canadá e da China, já supertarifados, a União Europeia, o Brasil e a Índia. A ideia é usar a reciprocidade, cobrando as mesmas tarifas que outros países cobram sobre importações dos EUA.

Em relação ao México e ao Canadá, que prometeram na terça-feira retaliar o tarifaço de Trump, o presidente acusou-os pela imigração ilegal e o tráfico de droga fentanil. A imigração ilegal através da fronteira do Canadá é mínima e lá só foram aprendidos 20 quilos de fentanil no ano passado, 500 vezes menos do que na fronteira com o México. Isto indica que o objetivo dos tarifaços é equilibrar a balança comercial, que registrou um déficit de US$ 918,4 bilhões no ano passado.

Ele admitiu que a guerra comercial vai trazer "alguns distúrbios", mas alegou que a estratégia protecionista já resultou em promessas de investimentos de US$ 1,3 trilhão. Pelo discurso de Trump, os tarifaços não são apenas uma jogada para negociar, como sugeriu  o secretário do Comércio, Howard Lutnick. Devem ser de longo prazo.

SEGURANÇA

Ao abordar a imigração ilegal, outro tema favorito do presidente fascistoide, começou com uma grande mentira: "21 milhões entraram no país nos últimos quatro anos", descritos mais uma vez como traficantes, estupradores e assassinos. A estimativa é que haja 11 milhões de imigrantes ilegais nos EUA. Trump levou a mãe e a irmã de uma joven assassinada para dizer que "a morte de Laken Riley não foi em vão." A mãe foi aplaudida e chorou. Faz parte do circo desses discursos presidenciais.

"Não precisávamos de uma nova lei para garantir a segurança na fronteira. Tudo o que precisávamos era de um novo presidente. A invasão de imigrantes destruiu várias cidades." Citou como exemplo Springfield, no estado de Ohio. Durante a campanha, acusou refugiados haitianos de comer cães e gatos de estimação na cidade, uma mentira.

Trump prometeu ir à guerra contra os cartéis mexicanos do tráfico de drogas e atribuiu à guerra comercial a deportação de 29 traficantes entregues pelo México ao governo norte-americano. Insistiu que está fazendo a maior deportação de ilegais da história, mas os números são muito inferiores ao que pretendia.

A fim de aumentar a segurança nas cidades, acenou com uma reforma do sistema de justiça que na verdade tenta blindá-los de futuros processos: "Nosso sistema de justiça foi virado de cabeça para baixo por lunáticos para instrumentalizar a Justiça contra adversários políticos como eu", um criminoso condenado por forjar documentos de suas empresas para encobrir a compra do silêncio de uma atriz pornô com quem teve um caso. 

Outros três processos, dois por tentar fraudar a eleição de 2020 e tentar um golpe, e o terceiro por levar para casa documentos secretos e ultrassecretos, foram extintos pela reeleição.

"Para aumentar a segurança nacional, vamos retomar o Canal do Panamá", reiterou Trump. Não explicou se basta uma empresa norte-americana assumir o controle dos portos de entrada e saída do canal, que estavam com chineses, ou se planeja reassumir o controle total.

"Também tenho uma mensagem para o povo da Groenlândia. Vocês têm o direito de escolher seu futuro e se quiserem se unir a nós", prometeu um futuro de segurança e riqueza, mas acrescentou uma ameaça: "De um jeito ou de outro, vamos conseguir. Vamos proteger vocês e torná-los ricos. É fundamental para a segurança do mundo."

O presidente anunciou que o terrorista do Estado Islâmico que atacou a retirada norte-americana do Afeganistão foi preso com a ajuda do Paquistão e está sendo enviado para responder processo nos EUA. Cerca de 170 civis e 13 militares norte-americanos morreram no ataque. Trump negociou a paz com a Milícia dos Taleban sem exigir desarmamento nem acordo com o governo afegão apoiado pelos EUA.

Sobre o Oriente Médio, elogiou os Acordos de Abraão de reconhecimento de Israel por quatro países árabes (Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Marrocos e Sudão). Nenhum deles estava em guerra com Israel. Não falou no projeto para expulsar os palestinos e transformar a Faixa de Gaza num empreendimento imobiliário. Os aliados árabes já apresentaram um plano alternativo.

Trump insistiu na mentira de que os EUA deram mais ajuda à Ucrânia do que a Europa, no valor de US$ 350 bilhões, mesmo depois de ser corrigido na Casa Branca pelo presidente da França, Emmanuel Macron, que esclareceu que a Europa deu 60% do total da ajuda. Os EUA deram pouco mais de US$ 100 bilhões.

"Hoje recebi uma carta do presidente [Volodymyr] Zelensky dizendo que a Ucrânia está pronta para negociar a paz", anunciou Trump. Na verdade, só repetiu uma mensagem publicada na rede social X pelo líder ucraniano, humilhado na sexta-feira passada na Casa Branca por não querer assinar um acordo para ceder a metade da riqueza mineral do país sem garantias de segurança contra um possível futuro ataque da Rússia.

Aliás, ele praticamente não falou da China e da Rússia, maiores inimigas dos EUA.

REAÇÃO DEMOCRATA

A resposta do Partido Democrata, feita pela senadora por Michigan Elissa Slotkin, se concentrou em três pontos: a economia, a classe média e a democracia – ameaçadas por Trump.

"Seus planos não ajudam a maioria dos norte-americanos a avançar. Ele está cortando impostos para os bilionários. As tarifas vão aumentar os preços. A dívida pública vai aumentar. Ele pode provocar uma recessão, advertiu a senadora.

Ela acusou Musk de citar a Previdência Social como grande fonte de fraudes, enquanto demite quem cuida das armas nucleares, controladores de voo e pesquisadores do combate ao câncer. Slotkin acrescentou que de nada adianta reforçar a segurança na fronteira sem mudar o sistema de imigração e alertou que a democracia está ameaçada.

Ao concluir, disse que "é fácil ficar exausto, mas não dá". Propôs que os cidadãos se organizem cobrem mais dos políticos e ajam. "Os maiores movimentos vêm de baixo para cima. Vivemos momentos de instabilidade o passado. Precisamos de cidadãos engajados e líderes com princípios."

O grande desafio dos democratas é resistir como possível até as eleições de 2026, quando Trump deve perder a maioria na Câmara e virar um "pato manco", expressão que os norte-americanos usam para se referir a políticos em fim de mandato. Será uma longa travessia para os EUA e o resto do mundo.

quarta-feira, 15 de janeiro de 2025

Israel e Hamas chegam a acordo com trégua e troca de reféns

Depois de um ano e três meses ou 467 dias de guerra, os Estados Unidos e o Catar anunciaram hoje um acordo para um cessar-fogo e troca de reféns israelenses por prisioneiros palestinos na guerra entre Israel e o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas).

Pode ser o fim da mais longa guerra árabe-israelense, que começou em 7 de outubro de 2023 com o ataque terrorista do Hamas, o pior contra judeus desde o Holocausto cometido pela Alemanha Nazista na Segunda Guerra Mundial (1939-45).

A primeira etapa do acordo começa no domingo, com a libertação de três reféns. O cessar-fogo ainda não começou. Desde o anúncio, pelo menos 73 palestinos foram mortos. A trégua deve durar seis semanas. Neste período, serão soltos 33 reféns em troca de mais de mil prisioneiros palestinos, dos quais pelo menos 250 são considerados terroristas e acusados de crimes de sangue. Israel se retira das áreas urbanas

No 16º dia, começam as negociações sobre a segunda etapa, que prevê um cessar-fogo definitivo e a retirada total de Israel em troca de todos os outros reféns vivos, todos homens, a serem trocados por prisioneiros palestinos. Na terceira etapa, o Hamas entrega os corpos dos reféns mortos e começa a reconstrução da Faixa de Gaza.

Esse plano de paz foi apresentado em 31 de maio pelo presidente dos EUA, Joe Biden, com base numa proposta de Israel. Em 10 de junho, foi aprovado pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas com a Resolução nº 2735. Até agora, não se concretizava porque o Hamas exigia o fim da guerra e o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, queria continuar a guerra. Mas não resistiu à pressão do presidente eleito, Donald Trump, que toma posse na segunda-feira e não quis herdar uma guerra no Oriente Médio.

A questão central é qual será o futuro de Gaza. Biden, os aliados europeus dos EUA e de Israel, os países árabes e o chamado Sul Global defendem a criação de um Estado palestino para acabar com a guerra árabe-israelense. Netanyahu passou toda a carreira política lutando contra isso. Trump tentou ignorar a questão palestina no primeiro governo, mas gosta de posar como herói. Tem uma oportunidade.
NOTA: Na manhã desta quinta-feira, o primeiro-ministro Netanyahu acusou o Hamas de rejeitar alguns pontos do acordo e fazer novas exigências, e cancelou a reunião do gabinete de segurança do governo israelense para aprovar o acordo, que precisa mesmo da aprovação do Parlamento, onde vários deputados de oposição devem votar a favor de um acordo para libertar os reféns e acabar com a guerra. O Hamas reiterou que vai cumprir tudo o que foi acertado e anunciado pelos mediadores, EUA, Egito e Catar.

quarta-feira, 6 de novembro de 2024

Economia derrotou Kamala Harris

 A grande razão da vitória do ex-presidente Donald Trump foi o descontentamento do eleitor dos Estados Unidos com o governo Joe Biden e especialmente com a economia. Sob o impacto da pandemia, a inflação subiu a 9,1% ao ano, o maior nível em 41 anos. Agora, está em 2,4%. Os preços pararam de subir tanto, mas não caíram. O custo de vida subiu cerca de 20% e a vice-presidente Kamala Harris foi punida por isso e o Partido Democrata por abraçar o neoliberalismo desde o governo Bill Clinton (1993-2001).

Nesta quarta-feira, Kamala telefonou para cumprimentar Trump e prometeu uma transição de poder pacífica, ao contrário do que o ex-presidente fez em 2021, quando mandou seus partidários atacar o Congresso para impedir a certificação da vitória de Biden. Os dois prometeram trabalhar juntos para unir o país. Biden também ligou para Trump e o convidou a ir à Casa Branca para negociar a transição.

Mais tarde, Kamala fez um discurso para os militantes democratas e insistou na mensagem: "Quando a gente luta, nós ganhamos, mas a luta pode levar tempo. (...) O importante é não desistir de tentar criar um mundo melhor."

Foi também uma vitória do fascismo, do racismo, do machismo e da ignorância. A grande clivagem foi entre os com e sem diploma de curso superior. É um sintoma do declínio relativo dos EUA, onde as eleições sempre foram vencidas pelo centro, atraindo os votos de eleitores independentes, que não votam sempre no mesmo.

Trump conseguiu convencer a maioria do eleitorado de que é um defensor da classe trabalhadora, quando toda sua vida empresarial e política indica exatamente o contrário. É um bilionário. Vai governar para bilionários como Elon Musk.

Suas propostas econômicas de cortar impostos para os ricos e grandes empresas vão aumentar a dívida pública e, se aplicar o tarifaço prometido na campanha, certamente vai gerar inflação.

Em política externa, Trump deve ser isolacionista, o que assusta os aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), e cortar a ajudar militar à Ucrânia, talvez por força de seu relacionamento com o ditador da Rússia, Vladimir Putin. O jornalista Bob Woodward, um dos que descobriu o Escândalo de Watergate, acredita que Putin deve saber se segredos de Trump e vai continuar manobrando para manipular o ex-presidente.

Este é o maior ano eleitoral da história. Cerca de 4 bilhões de pessoas foram ou vão às urnas. A grande maioria tem punido os governos do dia.

Para o Brasil, a grande lição é que, se Trump tivesse sido condenado pela tentativa de golpe de 6 de janeiro de 2021, estaria inelegível. Assim é preciso processar o ex-presidente Jair Bolsonaro e os militares golpistas que o apoiam para impedir que voltem.

domingo, 21 de julho de 2024

Biden desiste da candidatura à reeleição e apoia Kamala

 Sob pressão do Partido Democrata depois de um debate desastroso e de gafes numa entrevista coletiva em que pretendia mostrar que tem condições de governar os Estados Unidos até os 86 anos, o presidente Joe Biden anunciou hoje que não vai disputar a reeleição em 5 de novembro. Em nota, ele destacou as principais realização de seu governo. Biden apoia a candidatura de sua vice-presidente, Kamala Harris.

Quando se candidatou em 2020 para barrar a reeleição do então presidente Donald Trump, Biden declarou que cumpriria um mandato e abriria caminho para novas lideranças democrata, especialmente para Kamala Harris, a primeira mulher vice-presidente e a primeira de origem africana ou asiática. Ela é filha de pai jamaicano e mãe indiana.

Biden pegou gosto pelo cargo e deu pouco espaço a Harris nesses três anos e meio. A idade avançada, a fragilidade física, o debate e as gafes enterraram a candidatura. Agora, Kamala Harris pode ser a primeira mulher presidente e a primeira de origem africana ou asiática.

Desde o início do primeiro debate presidencial, em 27 de junho, o desempenho calamitoso de Biden alarmou os caciques do Partido Democrata. A recuperação de um mau debate é possível, mas a percepção do eleitorado de que o presidente está velho demais não tem solução.

No fim da conferência de cúpula da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), em 11 de julho, Biden deu uma entrevista de uma hora e meia para tentar desfazer as dúvidas a respeito de sua capacidade para governar. Mostrou um bom domínio dos temas em debate, mas apresentou o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, como "presidente Putin" e chamou Trump de vice-presidente quando queria falar de Kamala Harris. Depois, deu duas entrevista à televisão sem dirimir as dúvidas sobre sua saúde.

A questão dominou o noticiário político nos EUA até a tentativa de assassinato do ex-presidente Donald Trump, em 13 de julho. O fracasso do atirador suscitou alegações de interferência divina por partidários do candidato republicano. Mas, em vez de fazer o discurso de aceitação pregando a conciliação e a união nacional, Trump foi o extremista de sempre, o único presidente dos EUA até hoje a não reconhecer a derrota e tentar dar um golpe de Estado para não entregar o poder.

O Partido Democrata precisa agora encontrar uma fórmula para escolher o candidato. Como vice-presidente, Harris tem a vantagem de poder usar o dinheiro arrecadado pela campanha de Biden. Mas há outros nomes fortes sendo citados, como a governadora de Michigan, Gretchen Withmer; os governadores da Califórnia, Gavin Newsom, da Pensilvânia, Josh Shapiro, de Maryland, Wes Moore, e de Illinois, Jay Robert Pritzker; o senador Sherrod Brown; e o deputado Dean Phillips.

Como o casal Bill e Hillary Clinton, os presidentes dos diretórios estaduais do Partido Democrata em todos os 50 estados apoiaram Harris, tudo indica que ela será a candidata, mas o ex-presidente Barack Obama, a ex-presidente da Câmara Nancy Pelosi e os líderes no Senado e na Câmara ainda não endossaram a candidatura.

O comitê executivo da direção nacional do partido ficou de anunciar uma decisão na quarta-feira.

Pode haver uma eleição primária virtual ou deixar a decisão para a Convenção Nacional do Partido Democrata, a ser realizada de 19 a 22 de agosto em Chicago, mas uma mudança total de planos e o reinício da campanha a menos de três meses e meio da eleição seria um risco enorme. Mais importante será a unidade do partido para evitar a ameaça à democracia que representaria uma volta de Trump ao poder. Como observou um prefeito do partido, os democratas tem de decidir se se unem para ganhar ou brigam entre si para perder.

quinta-feira, 27 de junho de 2024

Biden mostra fraqueza e levanta dúvida sobre candidatura

 O fraco desempenho do presidente Joe Biden no primeiro debate antes da eleição presidencial de 5 de novembro nos Estados Unidos acendeu uma luz vermelha no Partido Democrata. Altos líderes do partido cogitam ir à Casa Branca para convencer Biden a abandonar a disputa.

O ex-presidente Donald Trump (2017-21) mentiu pelo menos 30 vezes, mas olhou para a câmera e insistiu nas mentiras para dar aparência de verdade, de acordo com o manual de propaganda nazista. Biden foi inseguro, incompetente e mentiu nove vezes. Hesitou e gaguejou, falou mecanicamente sem olhar para a câmera.

A economia foi o tema inicial. É o grande argumento de concorrência de Trump, que compara seu governo antes da pandemia com o governo Biden. Os indicadores econômicos são bons. A inflação caiu e o desemprego é baixo, mas o custo de vida não voltou ao período pré-pandemia.

Outra questão importante foi a imigração ilegal. Trump mentiu que entraram 18 milhões de pessoas no país e Biden não contestou, disse que havia um projeto bipartidário no Congresso que Trump matou para usar o tema na campanha.

O ex-presidente afirmou que "o mundo inteiro está explodindo sob Biden", que a guerra da Ucrânia não teria começado e que o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) não teria atacado Israel se ele estivesse na Casa Branca. Prometeu acabar com a guerra na Ucrânia antes de tomar posse.

Como Trump é aliado de Putin, a Ucrânia teme que corte a ajuda financeira para forçar o país a aceitar um acordo nos termos impostos pela Rússia. Biden perdeu a oportunidade de lembrar que os encontros de cúpula com Kim Jong Un legitimaram o ditador da Coreia do Norte sem trazer qualquer progresso às relações bilaterais e ao desarmamento nuclear.

Trump negou qualquer responsabilidade pelo ataque ao Capitólio em 6 de janeiro de 2021. Atribuiu a culpa à então presidente da Câmara, deputada democrata Nancy Pelosi, que teria rejeitado uma ajuda de 10 mil soldados da Guarda Nacional que só Trump poderia ter convocado.

Além de contar vantagem, o ex-presidente não nenhuma resposta decisiva sobre os temas em debate. Praticamente não houve discussão de propostas políticas. Mas Trump ganhou a batalha da comunicação. E Biden mostrou debilidade física e mental para ocupar um cargo de tamanha responsabilidade. Se o debate era para dirimir as dúvidas sobre a saúde de Biden, que tem 81 anos, o resultado foi o contrário.

Na história recente, o único presidente que não concorreu à reeleição foi Lyndon Johnson (1993-69), impopular por causa da Guerra do Vietnã. 

domingo, 14 de abril de 2024

Irã contra-ataca Israel com mais de 300 drones e mísseis

Em resposta ao bombardeio ao Consulado Iraniano em Damasco, na Síria, em 1º de abril, o Irã disparou neste sábado mais de 300 drones, mísseis balísticos e mísseis de cruzeiro contra o território israelense. As Forças de Defesa de Israel afirmaram que 99% foram abatidos. Só há notícia de uma pessoa gravemente ferida, uma criança de 7 anos.

É o primeiro ataque direto do território iraniano contra Israel. Pode transformar a guerra indireta entre os dois países que vem desde a Revolução Islâmica no Irã em 1979 numa guerra aberta capaz de atrair os Estados Unidos e levar a uma conflagração geral no Oriente Médio com forte impacto sobre a economia mundial.

Nem os EUA nem o Irã tem interesse numa guerra direta que abalaria as chances de reeleição do presidente Joe Biden e colocaria um risco a ditadura teocrática dos aiatolás e da Guarda Revolucionária Iraniana. 

A missão do Irã nas Nações Unidas anunciou o fim do ataque na noite de ontem pelo horário de Brasília, mas, com certeza, Israel vai retaliar. O objetivo é restaurar a dissuasão e evitar novos ataques. Os possíveis alvos são milícias aliadas ao Irã no Líbano, na Síria, no Iraque e no Iêmen e o território iraniano

O governo israelense decide neste domingo sua próxima ação. Como o território de Israel foi atacado, o novo ataque tende a incluir o território iraniano. Se for maximalista, ataca as instalações nucleares do Irã, já que uma bomba atômica iraniana é considerada hoje a maior ameaça à existência de Israel. Mesmo que não seja, há o risco de uma escalada no conflito rumo a uma guerra que possivelmente envolveria os EUA.

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terça-feira, 26 de março de 2024

ONU aprova resolução que prevê cessar-fogo na Faixa de Gaza

 Depois de quase seis meses de guerra entre Israel e o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) na Faixa de Gaza, o Conselho de Segurança das Nações Unidas aprovou finalmente a primeira resolução pedindo um cessar-fogo imediato e duradouro, a libertação imediata e incondicional dos reféns e o aumento da ajuda humanitária.

A grande novidade foi que desta vez os Estados Unidos não vetaram, como haviam feito com três projetos de resolução anteriores, isolando Israel num recado ao primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, que suspendeu o envio de uma delegação a Washington.

Aumenta o fosso entre os governos Joe Biden e Netanyahu. O presidente dos EUA está insatisfeito com o grande número de civis inocentes mortos, a destruição da infraestrutura de Gaza e as restrições de Israel à entrada de ajuda humanitária.

sexta-feira, 22 de março de 2024

Conselho de Segurança vota proposta de cessar-fogo dos EUA

Depois de vetar três projetos de resolução desde o início da guerra, os Estados Unidos apresentaram uma proposta a ser votada hoje pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas determinando "um cessar-fogo imediato e sustentado", para proteger os civis, permitir a entrada de ajuda humanitária apoiar a libertação dos reféns. A Rússia sempre pode vetar, mas ficaria com o ônus de impedir a trégua.

A mudança de posição do presidente Joe Biden reflete crescentes divergências com o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. Há semanas, os EUA pedem proteção a civis inocentes, mais ajuda humanitária e uma trégua que deveria entrar em vigor em 10 de março para facilitar a libertação dos reféns sequestrados no ataque terrorista de 7 de outubro. As negociações para uma trégua foram retomadas hoje no Catar.

O risco para Israel é de um isolamento internacional ainda maior. Biden quer o fim da guerra e negociações para criar um país para o povo palestino. Netanyahu quer prolongar a guerra, enfraquecer Biden para ajudar o ex-presidente Donald Trump e adiar sua queda inevitável.

NOTA: A China e a Rússia vetaram a resolução proposta pelos EUA. O embaixador russo alegou que era muito politizada e não impedia Israel de realizar uma invasão terrestre da cidade de Rafá.

terça-feira, 19 de março de 2024

Mais de um milhão enfrentam fome aguda em Gaza, diz a ONU

 Com mais de um milhão de palestinos sob risco de fome aguda, a Faixa de Gaza está na pior crise de insegurança alimentar da história das Nações Unidas, advertiu um novo relatório. A União Europeia e a Jordânia acusam Israel de usar a fome como arma de guerra, o que é crime. As organizações não governamentais Human Rights Watch e Oxfam pediram aos Estados Unidos que parem de fornecer armas a Israel.

Os EUA confirmaram ontem a morte de Marwan Issa, subcomandante das Brigadas al-Qassam, o braço armado do Movimento de Resistência Islâmica (Hamas), considerado o número três do grupo terrorista e um dos organizadores do ataque terrorista de 7 de outubro, quando pelo menos 1.139 israelenses e estrangeiros foram mortos e 257 sequestrados, e a guerra começou. Desde então, pelo menos 31.819 palestinos foram mortos em Gaza.

Israel fez novo ataque ao Hospital al-Chifa, o maior da Faixa de Gaza, sob a alegação de que era um quartel-general do Hamas. Pelo menos 20 palestinos foram mortos, entre eles Faiq Mabhouch, chefe de segurança do grupo terrorista em Gaza.

A esperança de um acordo para uma trégua com troca de reféns por presos aumentou porque o Hamas abandonou a exigência de um cessar-fogo definitivo, mas o Catar, que media as negociações, observou que as posições ainda são distante e uma invasão terrestre da cidade de Rafá causaria nova estagnação.

O governo Joe Biden pressiona Israel a não invadir Rafá, mas o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu insiste que o ataque por terra é necessário para eliminar os últimos batalhões do Hamas.

sexta-feira, 8 de março de 2024

Biden alerta para ameaças à democracia e à liberdade

Num Discurso sobre o Estado da União agressivo, em tom de campanha, o presidente Joe Biden apresentou ontem à noite no Congresso as propostas da luta pela reeleição em 5 de novembro. O foco principal foi na economia e nas ameaças à democracia e à liberdade nos Estados Unidos e no mundo.

Biden começou pela guerra da Rússia contra a Ucrânia e aproveitou para fazer o primeiro de mais de dez ataques ao ex-presidente Donald Trump, seu adversário em novembro, acusando-o de se curvar ao ditador russo, Vladimir Putin. A bancada trumpista resiste a aprovar uma ajuda de US$ 61 bilhões ao governo ucraniano.

No dia em que a Suécia se tornou o 32º país-membro, Biden proclamou que a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) está mais forte do que nunca. "Se os EUA abandonarem a Ucrânia, a Europa estará ameaçada", previu o presidente norte-americano. Se alguém aqui nesta câmara acredita que Putin vai parar na Ucrânia, eu garanto que não vai."

O presidente defendeu o direito ao aborto, um tema que favorece o Partido Democrata desde que a Suprema Corte com maioria conservadora, inclusive três juízes nomeados por Trump, revogaram a decisão que garantia o direito constitucional ao aborto.

Ao falar da economia, atribuiu os problemas à pandemia e destacou os dados positivos sobre crescimento, emprego, salários e inflação. O problema é que o custo de vida aumentou. Os preços sobem menos, não recuaram e a alta dos juros para combater a inflação encareceu o crédito.

A economia e a idade, 81 anos, são as maiores vulnerabilidades de Biden. No momento, as pesquisas favorecem Trump, uma desgraça para a humanidade. 

segunda-feira, 4 de março de 2024

Israel concorda com trégua mas não vai à negociação

 Israel concordou em princípio com um cessar-fogo de seis semanas, anunciaram os Estados Unidos de semana, mas o governo Benjamin Netanyahu não enviou uma delegação para as negociações realizadas no Cairo porque o grupo terrorista Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) não entregou uma lista com os nomes dos reféns vivos.

O Hamas quer um cessar-fogo permanente e o fim da guerra, mas estaria disposto a aceitar uma trégua temporária. Israel quer continuar a guerra até destruir a máquina militar do Hamas. Só aceita uma trégua temporária.

Num sinal do crescente desentendimento entre os governos dos EUA e de Israel, o ex-primeiro-ministro, ex-ministro da Defesa e ex-comandante militar israelense, general Benny Gantz, visita Washington hoje e amanhã sem a autorização de Netanyahu. Isso indica que os EUA procuram outro interlocutor em Israel. Gantz fazia oposição e aderiu ao gabinete de guerra para formar um governo de união nacional.

Os EUA querem uma trégua antes do início do Ramadã, o mês sagrado do calendário muçulmano, que neste ano começa na noite de 10 de março. Um cessar-fogo é fundamental para levar ajuda em grande escala para combater a tragédia humanitária na Faixa de Gaza.

sexta-feira, 1 de março de 2024

Putin renova chantagem atômica ao Ocidente

 No discurso anual ao Parlamento da Rússia, o ditador Vladimir Putin ameaçou usar armas nucleares se os países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), a aliança militar ocidental, enviarem tropas à Ucrânia como admitiu o presidente da França, Emmanuel Macron.

Macron alertou os europeus de que precisam se preparar para a guerra, especialmente se Donald Trump for reeleito presidente dos Estados Unidos. Pressionou o Congresso norte-americano a aprovar uma ajuda militar de US$ 61 bilhões à Ucrânia. Cutucou Putin. Respondeu às críticas da Alemanha de que a França pouco contribui com o esforço de guerra da Ucrânia. E mobilizou seu partido para as eleições para o Parlamento Europeu, em junho.

Outros líderes ocidentais, como o presidente norte-americano, Joe Biden, e o chanceler (primeiro-ministro) alemão, Olaf Scholz, descartaram a possibilidade de enviar tropas. A Alemanha não fornece nem mísseis com alcance de 500 quilômetros, que podem ser usados para atacar o território russo.

quinta-feira, 29 de fevereiro de 2024

Total de mortos na guerra em Gaza passa de 30 mil

Enquanto as negociações para uma trégua avançam lentamente, o total de mortos na guerra de Israel na Faixa de Gaza ultrapassou 30 mil, mais da metade mulheres e menores de idade.

A última proposta em discussão é de uma trégua de seis semanas em que 40 reféns israelenses, mulheres, menores, doentes e idosos seriam trocados por 400 prisioneiros palestinos. Na primeira trégua, no fim de novembro, 110 reféns foram trocados por 240 presos. Agora, os grupos terroristas exigiram 10 presos por refém. 

Israel pode vetar alguns nomes da lista apresentada pelos terroristas, mas deve se retirar de áreas de Gaza para permitir a volta da população. O problema é que a maioria das casas foi destruída ou danificada.

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, quer uma trégua logo, se possível o início do fim da guerra. Biden venceu na terça-feira a eleição primária no estado de Michigan, que tem uma grande comunidade árabe

A Suprema Corte dos EUA decidiu examinar se o ex-presidente Donald Trump tem direito a imunidade por atos cometidos no exercício do cargo. É uma jogada de Trump para adiar julgamentos, se possível até depois da eleição de 5 de novembro.

A declaração do presidente Emmanuel Macron de que não se pode descartar o envio de tropas à Ucrânia "porque a Rússia não pode vencer" provocou forte reação do Kremlin, que declarou que isso iniciaria uma guerra com a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). Macron indicou que a Europa deve se preparar para a guerra e que o inimigo é o ditador russo, Vladimir Putin.

terça-feira, 27 de fevereiro de 2024

Biden espera trégua em Gaza dentro de uma semana

Em tom exageradamente otimista, o presidente Joe Biden previu que uma trégua entre Israel e o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) comece dentro de uma semana para a troca de reféns israelenses por presos palestinos. As negociações estão realizadas agora no Catar. As duas partes reduziram as exigências.

Como parte de uma reforma da Autoridade Nacional Palestina para que assuma o governo da Faixa de Gaza depois da guerra, o governo palestino na Cisjordânia renunciou coletivamente.

No sábado, os israelenses fizeram o maior protesto contra o governo Benjamn Netanyahu desde o início da guerra, pedindo a libertação dos reféns, o fim da guerra e a realização de eleições para formar um novo governo.

Nos EUA, um soldado da Força Aérea se autoimolou diante da Embaixada de Israel em Washington num protesto contra a guerra.

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2024

EUA, ONU e TPI se opõem a ofensiva de Israel contra Rafá

 Os Estados Unidos, as Nações Unidas e o Tribunal Penal Internacional (TPI) pressionam Israel a não realizar uma invasão terrestre a Rafá, uma cidade cuja população aumentou cinco vezes desde o início da guerra com a fuga de civis palestinos de outras regiões da Faixa de Gaza. Dezenas de milhares de vidas inocentes estão sob ameaça.

O presidente Joe Biden cobrou medidas de proteção da população civil. Quer uma trégua de um mês e meio, inclusive para evitar a ofensiva contra Rafá, mas a delegação israelense deixou as negociações no Cairo. Israel cogita instalar cidades de lona, de barracas, ao longo da costa do Mar Mediterrâneo. 

Além do risco de nova tragécia em grande escala, a ONU alerta que Rafá é a principal entrada de ajuda humanitária para os civis de Gaza. E avisa que não vai participar de nenhuma manobra de evacuação ou remoção forçada da população

Já o Tribunal Penal Internacional "manifesta preocupação" e está atento a possíveis crimes de guerra. Adverte que "todas as guerras têm regras e as leis que não podem ser interpretadas de modo a se tornarem vazias ou sem sentido."

Ontem, falei o impacto das políticas do governo Donald Trump (2017-21) sobre a instabilidade no Oriente Médio e a atual guerra. Hoje, comentou a ameaça de abandonar os aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN).

terça-feira, 13 de fevereiro de 2024

Israel matou 67 palestinos para resgatar dois reféns

 A operação de forças especiais, atentes secretos e soldados do Exército de Israel que libertou dois reféns na cidade de Rafá com forte cobertura da Força Aérea matou 67 palestinos, noticiou o jornal liberal israelense Haaretz.

Desde o início da guerra, com o ataque terrorista liderado pelo Movimento de Resistência Islâmica (Hamas), que matou 1.139 israelenses e estrangeiros em Israel, pelo menos 28.430 palestinos foram mortos na Faixa de Gaza.

O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu ordenou uma operação terrestre para eliminar quatro batalhões do Hamas em Rafá, onde há mais de um milhão de palestinos, no que pode ser uma nova tragédia humanitária.

Depois da crítica do presidente Joe Biden na semana passada de que Israel foi “além do limite”, o supercomissário de exterior da União Europeia, Josep Borrell, comentou que “a comunidade internacional entende que está morrendo gente demais” e que “talvez seja a hora de pensar sobre o fornecimento de armas”. Biden falou em condicionar a ajuda militar a Israel a um relatório sobre o respeito ao direito internacional.

A milícia extremista xiita libanesa Hesbolá (Partido de Deus) anunciou a morte de cinco membros do grupo num bombardeio de Israel ao Sul do Líbano. Israel e o Hesbolá trocam fogo de artilharia, mísseis, drones e bombas desde 8 de outubro, mas evitam uma guerra aberta. Israel intensificou os ataques para pressionar o Hesbolá a sair da sua fronteira norte.

O Reino Unido impões sanções a quatro colonos israelenses acusados de violência contra palestinos na Cisjordânia. Pelo menos 390 palestinos foram mortos na Cisjordânia durante esta guerra.

Se o presidente Joe Biden pede contenção a Israel e a criação de um Estado palestino, seu provável adversário na eleição de 5 de novembro, o ex-presidente Donald Trump, um aliado incondicional de Israel que acusa Biden de fraqueza e rendição, se apresenta como o líder forte capaz de garantir a paz e a segurança. Mas a política externa de Trump tem responsabilidade pela atual guerra no Oriente Médio.

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2024

Israel anuncia resgate de dois reféns em Rafá

Num raro sucesso no resgate de reféns, Israel anunciou a libertação de dois argentinos na cidade de Rafá. A operação envolveu o serviço secreto interno (Shin Bet), o Exército e forças especiais depois de ondas de bombardeio da Força Aérea ao Batalhão Shabura do Movimento de Resistência Islâmica (Hamas).

Até agora, só três reféns foram soltos em operações militares. Durante uma trégua de uma semana no fim de novembro, 110 reféns foram trocados por 240 prisioneiros palestinos.

Para fazer pressão por uma trégua, as Brigadas al-Qassam, braço armado do Hamas, alertaram para riscos para a vida dos reféns, dos bombardeios à falta de medicamentos. Israel, por sua vez, intensifica os ataques a Rafá, a cidade mais ao sul da Faixa de Gaza, para onde fugiram mais de um milhão de pessoas.

Durante conversa telefônica de 45 minutos, o presidente Joe Biden pressionou o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu a fazer um plano para proteger civis na invasão de Rafá e a chegar a um acordo para uma trégua que permita troca reféns por presos.

Diante da impopularidade de Netanyahu, o general Benny Gantz, ex-comandante militar e ex-vice-primeiro-ministro é o favorito para ser o próximo chefe de governo de Israel.

sábado, 10 de fevereiro de 2024

Biden ameaça cortar ajuda militar a Israel

 Os Estados Unidos deram um prazo de 45 dias para Israel apresentar um relatório sobre medidas para proteger civis e evitar crimes de guerra, sob a ameaça do presidente Joe Biden de cortar a ajuda militar, noticiou o jornal conservador israelense Jerusalem Post.

 Israel tem mais duas semanas para apresentar relatório à Corte Internacional de Justiça dentro do processo em que é acusado pela África do Sul de cometer "atos de genocídio" na Faixa de Gaza.

A grande preocupação é com a ofensiva rumo a Rafá, no extremo sul de Gaza, que está sob intenso bombardeio nos últimos dias em preparação de um avanço por terra do Exército de Israel. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu ordenou a retirada dos civis e a destruição de quatro batalhões do Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) que estariam aquartelados na cidade.

Netanyahu insiste numa "vitória total", com a eliminação do Hamas, mas a inteligência dos EUA estima que só um terço dos milicianos do grupo terrorista tenham sido mortos até agora. A destruição da máquina militar do Hamas exigiria muito meses mais, talvez anos.

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2024

Guerra de Israel contra Hamas foi "além do limite", diz Biden

A guerra de Israel contra o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) foi "além do limite", declarou o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, na crítica mais dura ao aliado histórico desde o início do conflito.

O Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca não apoia a ofensiva israelense contra Rafá, a cidade para onde foi a maior parte dos palestinos que fugiram da guerra. Ao ordenar o ataque, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu declarou que Rafá e dois campos de refugiados próximos são as únicas áreas da Faixa de Gaza que Israel não domina.

Ao comentar a ofensiva israelense, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, manifestou o receio de que seja uma "enorme tragédia".

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2024

EUA impõe sanções a colonos israelenses na Cisjordânia

Numa medida sem precedentes, o presidente Joe Biden impõs sanções a quatro colonos israelenses acusados de violência contra palestinos na Cisjordânia ocupada. A decisão tenta melhorar a imagem do presidente dos Estados Unidos diante de setores do eleitorado importantes para sua reeleição em 5 de novembro.

O direito internacional proíbe a guerra de conquista e a colonização de territórios ocupados. Há hoje cerca de 700 mil colonos israelenses na Cisjordânia, com amplo apoio do governo Benjamin Netanyahu. O primeiro-ministro de Israel considerou a medida desnecessárias sob o argumento de que os quatro estão sendo processados em Israel e que a maioria dos colonos cumprei a lei.

As colônias ilegais são uma questão central das negociações de paz entre israelenses e palestinos, ao lado da criação do Estado palestino, da segurança de Israel, do status de Jerusalém e do direito de retorno dos palestinos expulsos de suas terras desde a Guerra de Independência de Israel, em 1948.

O primeiro-ministro do Catar anunciou que o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas), grupo responsável pelo ataque terrorista de 7 de outubro a Israel, aceitou em princípio a proposta de trégua para troca de reféns israelenses em poder dos terroristas por prisioneiros palestinos e o aumento da ajuda humanitária à Faixa de Gaza.

Diante da ameaça de retaliação pela morte de três soldados norte-americanos num bombardeio de uma milícia apoiada pelo Irã, o presidente Ebrahim Raïsi afirmou que o Irã não quer a guerra, mas dará uma "resposta forte" a qualquer ataque. A Guarda Revolucionária Iraniana retirou seus altos comandantes da Síria.

Além de pressionar a milícia responsável a declarar uma trégua, o Irã reduziu o enriquecimento de urânio, reportou a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). As duas medidas ajudam a aliviar a tensão com os EUA, mas não devem evitar a retaliação.


A diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristlina Giorgieva, alertou que a guerra ameaça a economia mundial.