Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
segunda-feira, 30 de março de 2026
Trump está entre a fuga e uma escalada na guerra
quinta-feira, 4 de dezembro de 2025
Hoje na História do Mundo: 4 de Dezembro
ÚNICO PAPA INGLÊS
Em 1154, Adriano IV torna-se o único papa inglês da história da Igreja Católica.
Nicholas Breakspear nasce por volta de 1100 na Abadia de Langley, perto da cidade de Saint Albans, no condado de Hertford, na Inglaterra.
Em 1150, o papa Eugênio II o nomeia cardeal e bispo de Albano, na Itália. Dois anos depois, é enviado para reorganizar a hierarquia da Igreja na Escandinávia. É tão bem-sucedido que na volta, em 1154, é eleito papa.
No ano seguinte, Adriano IV coroa Frederico Barbarossa como o imperador Frederico I do Sacro Império Romano-Germânico depois que este captura e entrega Arnoldo de Bréscia, que lidera uma revolta em Roma. Mas a relação entre os dois é tumultuada. O conflito entre a Igreja e o imperador continua no pontificado de Alexandre III.
Adriano IV se nega a reconhecer a coroação de Guilherme I, o Mau, como rei da Sicília. Os sicilianos reagam e atacam Benevento, uma possessão papal, e a levar a guerra à Campânia. Campânia. Adriano IV marcha para Benevento e recebe o apoio de João de Salisbury, secretário do arcebispo da Cantuária em troca de uma bula papal que dá a Irlanda ao rei Henrique II, da Inglaterra. É o início do conflito secular entre a Inglaterra e a Irlanda que só acaba com o acordo de paz na Irlanda do Norte, em 1998.
Com a pacificação da Sicília, em junho de 1156, Adriano IV concorda com a investidura de Guilherme, o que irrita o imperador Frederico I. Adriano IV morre em 1º de setembro de 1159 em Anagni, perto de Roma, na Itália.
IVÃ, O TERRÍVEL
Em 1533, aos três anos de idade, o futuro czar Ivã IV, o Terrível, é nomeado grão-príncipe do Principado de Moscou depois da morte do pai, o grão-príncipe Basílio III, com a mãe como regente até morrer em 1538.
Ivã IV é o primeiro czar da Rússia. É o césar. A Rússia Kievana ou Principado de Kiev adota o cristianismo ortodoxo como religião oficial em 988, num acordo com o Império Bizantino, o Império Romano do Oriente, mas acaba com a invasão mongol, que toma Kiev em 1240 e domina a região até 1480.
Quando os turcos do Império Otomano tomam Constantinopla, em 29 de maio de 1453, e acabam com o Império Bizantino, Moscou reivindica a posição de Terceira Roma, o novo centro do cristianismo oriental.TERRY ANDERSON LIBERTADO
Em 1991, o jornalista norte-americano Terry Anderson, chefe do escritório da agência de notícias Associated Press no Líbano, é solto depois de 2.454 dias (seis anos e meio) sequestrado por extremistas muçulmanos em Beirute.
Anderson cobria a Guerra Civil Libanesa (1975-90). Em 16 de março de 1985, é capturado no setor oeste de Beirute, onde os muçulmanos são maioria, ao sair de uma quadra de tênis. Os sequestradores o levam para a Zona Sul da capital libanesa, onda a maioria é xiita.
Durante a Guerra Civil Libanesa, 92 estrangeiros são sequestrados, entre eles 17 norte-americanos. Os sequestros são realizados pela milícia fundamentalista xiita Hesbolá (Partido de Deus), fundado em 1982 em reação à invasão israelense ao Líbano.
Vários norte-americanos são sequestrados pouco depois que a Justiça do Kuwait condena 17 xiitas pelos atentados a bomba contra os quartéis-generais dos Fuzileiros Navais dos EUA e da Legião Estrangeira da França em Beirute, em 23 de outubro de 1983.
Em 1990, quando a a Guerra Civil Libanesa chega ao fim, os EUA melhoram as relações com o Irã e a Síria. Isto ajuda a libertação dos reféns.
MISSÃO CONTRA A FOME
Em 1992, depois de perder a eleição presidencial, diante da fome na região do Chifre da África, o presidente George Bush manda 28 mil soldados dos Estados Unidos para a Somália em missão humanitária.
Bush justifica a Operação Restaurar a Esperança para salvar mais de um milhão de vidas somalianas. Em 1992, uma guerra civil entre clãs que vem desde a queda do ditador Mohamed Siad Barre, em 26 de janeiro de 1991, e uma das piores secas do século na África deixam um quarto da população da Somália à beira da fome.
As Nações Unidas iniciam uma missão humanitária para distribuir alimentos e remédios em agosto de 1992, sem sucesso. Como os capacetes azuis da ONU não conseguem controlar a guerra civil, milhares de toneladas de alimentos se deterioram em armazéns portuários.
Cinco dias depois do anúncio de Bush, os primeiros fuzileiros navais desembarcam em Mogadíscio. Os EUA conseguem distribuir ajuda humanitária enquanto não intervêm na guerra civil somaliana. Em maio de 1993, já no governo Bill Clinton (1993-2001), os EUA entregam formalmente o comando da missão à ONU.
Em 5 de junho de 1993, quando restam 4,3 mil soldados norte-americanos na Somália, 24 soldados paquistaneses da ONU morrem numa emboscada dos rebeldes liderados pelo general Mohamed Farah Aidid, o senhor da guerra no controle da região de Mogadíscio.
As forças dos EUA e da ONU começam então uma caçada a Aidid, com 400 soldados de elite da Força Delta enviados especialmente para capturar o senhor da guerra mais procurado da Somália.
Dois meses depois, em 3 a 4 de outubro, 18 soldados norte-americanos são mortos e 84 feridos na Batalha de Mogadíscio, retratada no filme Falcão Negro em Perigo. A batalha dura 17 horas. É o combate mais violento dos EUA desde a Guerra do Vietnã (1955-75). Cerca de mil somalianos morrem.
Três dias depois, Clinton anuncia a retirada total. Os últimos soldados dos EUA deixam a Somália em 25 de março de 1994. Fica uma força de paz da ONU de 20 mil homens que sai em 1995 sem pacificar o país.
A última missão da ONU começa em 2014. Foi prorrogada várias vezes, com nomes diferentes. A mais recente inicia em 1º de novembro de 2024.
Por causa da tragédia na Somália, o presidente Clinton decide não intervir em Ruanda, onde um genocídio mata cerca de 800 mil pessoas de 7 de abril a 15 de julho de 1994, no que ele considera seu maior erro de política externa.
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quarta-feira, 4 de dezembro de 2024
Hoje na História do Mundo: 4 de Dezembro
IVÃ, O TERRÍVEL
Em 1533, aos três anos de idade, o futuro czar Ivã IV, o Terrível, é nomeado grão-príncipe do Principado de Moscou depois da morte do pai, o grão-príncipe Basílio III, com a mãe como regente até morrer em 1538.
Ivã IV é o primeiro czar da Rússia. É o césar. A Rússia Kievana ou Principado de Kiev adota o cristianismo ortodoxo como religião oficial em 988, num acordo com o Império Bizantino, o Império Romano do Oriente, mas acaba com a invasão mongol, que toma Kiev em 1240 e domina a região até 1480.
Quando os turcos do Império Otomano tomam Constantinopla, em 29 de maio de 1453, e acabam com o Império Bizantino, Moscou reivindica a posição de Terceira Roma, o novo centro do cristianismo oriental.TERRY ANDERSON LIBERTADO
Em 1991, o jornalista norte-americano Terry Anderson, chefe do escritório da agência de notícias Associated Press no Líbano, é solto depois de 2.454 dias (seis anos e meio) sequestrado por extremistas muçulmanos em Beirute.
Anderson cobria a Guerra Civil Libanesa (1975-90). Em 16 de março de 1985, é capturado no setor oeste de Beirute, onde os muçulmanos são maioria, ao sair de uma quadra de tênis. Os sequestradores o levam para a Zona Sul da capital libanesa, onda a maioria é xiita.
Durante a Guerra Civil Libanesa, 92 estrangeiros são sequestrados, entre eles 17 norte-americanos. Os sequestros são realizados pela milícia fundamentalista xiita Hesbolá (Partido de Deus), fundado em 1982 em reação à invasão israelense ao Líbano.
Vários norte-americanos são sequestrados pouco depois que a Justiça do Kuwait condena 17 xiitas pelos atentados a bomba contra os quartéis-generais dos Fuzileiros Navais dos EUA e da Legião Estrangeira da França em Beirute, em 23 de outubro de 1983.
Em 1990, quando a a Guerra Civil Libanesa chega ao fim, os EUA melhoram as relações com o Irã e a Síria. Isto ajuda a libertação dos reféns.
MISSÃO CONTRA A FOME
Em 1992, depois de perder a eleição presidencial, diante da fome na região do Chifre da África, o presidente George Bush manda 28 mil soldados dos Estados Unidos para a Somália em missão humanitária.
Bush justifica a Operação Restaurar a Esperança para salvar mais de um milhão de vidas somalianas. Em 1992, uma guerra civil entre clãs que vem desde a queda do ditador Mohamed Siad Barre, em 26 de janeiro de 1991, e uma das piores secas do século na África deixam um quarto da população da Somália à beira da fome.
As Nações Unidas iniciam uma missão humanitária para distribuir alimentos e remédios em agosto de 1992, sem sucesso. Como os capacetes azuis da ONU não conseguem controlar a guerra civil, milhares de toneladas de alimentos se deterioram em armazéns portuários.
Cinco dias depois do anúncio de Bush, os primeiros fuzileiros navais desembarcam em Mogadíscio. Os EUA conseguem distribuir ajuda humanitária enquanto não intervêm na guerra civil somaliana. Em maio de 1993, já no governo Bill Clinton (1993-2001), os EUA entregam formalmente o comando da missão à ONU.
Em 5 de junho de 1993, quando restam 4,3 mil soldados norte-americanos na Somália, 24 soldados paquistaneses da ONU morrem numa emboscada dos rebeldes liderados pelo general Mohamed Farah Aidid, o senhor da guerra no controle da região de Mogadíscio.
As forças dos EUA e da ONU começam então uma caçada a Aidid, com 400 soldados de elite da Força Delta enviados especialmente para capturar o senhor da guerra mais procurado da Somália.
Dois meses depois, em 3 a 4 de outubro, 18 soldados norte-americanos são mortos e 84 feridos na Batalha de Mogadíscio, retratada no filme Falcão Negro em Perigo. A batalha dura 17 horas. É o combate mais violento dos EUA desde a Guerra do Vietnã (1955-75). Cerca de mil somalianos morrem.
Três dias depois, Clinton anuncia a retirada total. Os últimos soldados dos EUA deixam a Somália em 25 de março de 1994. Fica uma força de paz da ONU de 20 mil homens que sai em 1995 sem pacificar o país.
A última missão da ONU começa em 2014. Foi prorrogada várias vezes, com nomes diferentes. A mais recente inicia em 1º de novembro de 2024.
Por causa da tragédia na Somália, o presidente Clinton decide não intervir em Ruanda, onde um genocídio mata cerca de 800 mil pessoas de 7 de abril a 15 de julho de 1994, no que ele considera seu maior erro de política externa.
terça-feira, 19 de março de 2024
Mais de um milhão enfrentam fome aguda em Gaza, diz a ONU
Com mais de um milhão de palestinos sob risco de fome aguda, a Faixa de Gaza está na pior crise de insegurança alimentar da história das Nações Unidas, advertiu um novo relatório. A União Europeia e a Jordânia acusam Israel de usar a fome como arma de guerra, o que é crime. As organizações não governamentais Human Rights Watch e Oxfam pediram aos Estados Unidos que parem de fornecer armas a Israel.
Os EUA confirmaram ontem a morte de Marwan Issa, subcomandante das Brigadas al-Qassam, o braço armado do Movimento de Resistência Islâmica (Hamas), considerado o número três do grupo terrorista e um dos organizadores do ataque terrorista de 7 de outubro, quando pelo menos 1.139 israelenses e estrangeiros foram mortos e 257 sequestrados, e a guerra começou. Desde então, pelo menos 31.819 palestinos foram mortos em Gaza.
Israel fez novo ataque ao Hospital al-Chifa, o maior da Faixa de Gaza, sob a alegação de que era um quartel-general do Hamas. Pelo menos 20 palestinos foram mortos, entre eles Faiq Mabhouch, chefe de segurança do grupo terrorista em Gaza.
A esperança de um acordo para uma trégua com troca de reféns por presos aumentou porque o Hamas abandonou a exigência de um cessar-fogo definitivo, mas o Catar, que media as negociações, observou que as posições ainda são distante e uma invasão terrestre da cidade de Rafá causaria nova estagnação.
O governo Joe Biden pressiona Israel a não invadir Rafá, mas o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu insiste que o ataque por terra é necessário para eliminar os últimos batalhões do Hamas.
segunda-feira, 4 de dezembro de 2023
Hoje na História do Mundo: 4 de Dezembro
IVÃ, O TERRÍVEL
Em 1533, aos três anos de idade, o futuro czar Ivã IV, o Terrível, é nomeado grão-príncipe do Principado de Moscou depois da morte do pai, o grân-príncipe Basílio III, com a mãe como regente até morrer em 1538.
Ivã IV é o primeiro czar da Rússia. É o césar. A Rússia Kievana ou Principado de Kiev adota o cristianismo ortodoxo como religião oficial em 988, num acordo com o Império Bizantino, o Império Romano do Oriente.
Quando os turcos do Império Otomano tomam Constantinoploa, em 29 de maio de 1453, e acabam com o Império Bizantino, Moscou reivindica a posição de Terceira Roma, o novo centro do cristianismo oriental.TERRY ANDERSON LIBERTADO
Em 1991, o jornalista norte-americano Terry Anderson, chefe do escritório da agência de notícias Associated Press no Líbano, é solto depois de 2.454 dias (seis anos e meio) sequestrado por extremistas muçulmanos em Beirute.
Anderson cobria a Guerra Civil Libanesa (1975-90). Em 16 de março de 1985, é capturado no setor oeste de Beirute, onde os muçulmanos são maioria, quando saía de uma quadra de tênis. Os sequestradores o levam para a Zona Sul da capital libanesa.
Durante a Guerra Civil Libanesa, 92 estrangeiros são sequestrados, entre eles 17 norte-americanos. Os sequestros são realizados pela milícia fundamentalista xiita Hesbolá (Partido de Deus), fundado em 1982 em reação à invasão israelense ao Líbano.
Vários norte-americanos são sequestrados pouco depois que a Justiça do Kuwait condena 17 xiitas pelos atentados a bomba contra os quartéis-generais dos Fuzileiros Navais dos EUA e da Legião Estrangeira da França em Beirute, em outubro de 1983.
Em 1990, quando a a Guerra Civil Libanesa chega ao fim, os EUA melhoram as relações com o Irã e a Síria. Isto ajuda a libertação dos reféns.
MISSÃO CONTRA A FOME
Em 1992, depois de perder a eleição presidente, diante da fome na região do Chifre da África, o presidente George Bush manda 28 mil soldados dos Estados Unidos para a Somália em missão humanitária.
Bush justifica a Operação Restaurar a Esperança para salvar mais 1 milhão de vidas somalianas. Em 1992, uma guerra civil entre clãs que vem desde a queda do ditador Mohamed Siad Barre, em 26 de janeiro de 1991, e uma das piores secas do século na África deixam um quarto da população da Somália à beira da fome.
As Nações Unidas iniciam uma missão humanitária para distribuir alimentos e remédios em agosto de 1992, sem sucesso. Como os capacetes azuis da ONU não conseguem controlar a guerra civil, milhares de toneladas de alimentos se deterioram em armazéns portuários.
Cinco dias depois do anúncio de Bush, os primeiros fuzileiros navais desembarcam em Mogadíscio. Os EUA conseguem distribuir ajuda humanitária enquanto não intervêm na guerra civil somaliana. Em maio de 1993, já no governo Bill Clinton (1993-2001), os EUA entregam formalmente o comando da missão à ONU.
Em 5 de junho de 1993, quando restam 4,3 mil soldados norte-americanos na Somália, 24 soldados paquistaneses da ONU morrem numa emboscada dos rebeldes liderados pelo general Mohamed Farah Aidid, o senhor da guerra que controlava a região de Mogadíscio.
As forças dos EUA e da ONU começam então uma caçada a Aidid, com 400 soldados de elite da Força Delta enviados especialmente para capturar o senhor da guerra mais procurado da Somália.
Dois meses depois, em 3 a 4 de outubro, 18 soldados norte-americanos foram mortos e 84 feridos na Batalha de Mogadíscio, retratada no filme Falcão Negro em Perigo. A batalha dura 17 horas. É o combate mais violento dos EUA desde a Guerra do Vietnã (1955-75). Cerca de mil somalianos morrem.
Três dias depois, Clinton anuncia a retirada total. Os últimos soldados dos EUA deixam a Somália em 25 de março de 1994. Fica uma força de paz da ONU de 20 mil homens que sai em 1995 sem pacificar o país.
A última missão da ONU começa em 2014. Em outubro de 2022, o Conselho de Segurança a prorrogou até 31 de outubro de 2023. No momento, uma seca causa escassez de alimentos e fome no Quênia, na Etiópia e da Somália.
segunda-feira, 11 de setembro de 2023
G-20 dá ênfase à economia em vez das questões de segurança
Apesar do boicote dos ditadores da China e da Rússia, a reunião de cúpula do Grupo dos Vinte (G-20) realizada no fim de semana em Nova Déli confirma o status da Índia como uma grande potência mundial comprometida com um mundo multipolar e o multilateralismo, que rejeita a ideia de mundo bipolar dominado pelos Estados Unidos e a China.
A Declaração de Nova Déli, Uma Terra, Uma Família, um Futuro, reflete as preocupações econômicas do Sul Global com o desenvolvimento, o combate à fome e à desigualdade social, o financiamento à transição para uma economia verde e a reforma das instituições internacionais para criar um mundo multipolar, em vez das questões geopolíticas e de segurança. Promete triplicar a geração de energia limpa até 2030.
Como os ditadores da China e da Rússia não foram, o Ocidente teve de ceder na linguagem sobre a guerra para garantir o sucesso da reunião, uma vitória da Índia. Com a ausência de seus maiores rivais, o presidente Joe Biden aproveitou para consolidar a parceria estratégica com a Índia, mas os países em desenvolvimento nunca tiveram uma voz tão forte no G-20.
O Brasil assume a presidência do G-20 em novembro e vai sediar a próxima reunião de cúpula de 12 a 14 de julho de 2024 no Rio de Janeiro. Deve manter a orientação adotada em Nova Déli. Em mais uma gafe internacional, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou que o ditador Vladimir Putin pode vir ao Brasil sem correr o risco de ser preso por ordem do Tribunal Penal Internacional (TPI). Depois, recuou. Meu comentário:
domingo, 4 de dezembro de 2022
Hoje na História do Mundo: 4 de Dezembro
TERRY ANDERSON LIBERTADO
Em 1991, o jornalista norte-americano Terry Anderson, chefe do escritório da agência de notícias Associated Press no Líbano, é solto depois de 2.454 dias (seis anos e meio) sequestrado por extremistas muçulmanos em Beirute.
Anderson cobria a Guerra Civil Libanesa (1975-90). Em 16 de março de 1985, é capturado no setor oeste de Beirute, onde os muçulmanos são maioria, quando saía de uma quadra de tênis. Os sequestradores o levam para a Zona Sul da capital libanesa.Durante a Guerra Civil Libanesa, 92 estrangeiros são sequestrados, entre eles 17 norte-americanos. Os sequestros são realizados pela milícia fundamentalista xiita Hesbolá (Partido de Deus), fundado em 1982 em reação à invasão israelense ao Líbano.
Vários norte-americanos são sequestrados pouco depois que a Justiça do Kuwait condena 17 xiitas pelos atentados a bomba contra os quartéis-generais dos Fuzileiros Navais dos EUA e da Legião Estrangeira da França em Beirute, em outubro de 1983.
Em 1990, quando a a Guerra Civil Libanesa chega ao fim, os EUA melhoram as relações com o Irã e a Síria. Isto ajuda a libertação dos reféns.
MISSÃO CONTRA A FOME
Em 1992, depois de perder a eleição presidente, diante da fome na região do Chifre da África, o presidente George Bush manda 28 mil soldados dos Estados Unidos para a Somália em missão humanitária.
Bush justifica a Operação Restaurar a Esperança para salvar mais 1 milhão de vidas somalianas. Em 1992, uma guerra civil entre clãs que vem desde a queda do ditador Mohamed Siad Barre, em 26 de janeiro de 1991, e uma das piores secas do século na África deixam um quarto da população da Somália à beira da fome.
As Nações Unidas iniciam uma missão humanitária para distribuir alimentos e remédios em agosto de 1992, sem sucesso. Como os capacetes azuis da ONU não conseguem controlar a guerra civil, milhares de toneladas de alimentos se deterioram em armazéns portuários.
Cinco dias depois do anúncio de Bush, os primeiros fuzileiros navais desembarcam em Mogadíscio. Os EUA conseguem distribuir ajuda humanitária enquanto não intervêm na guerra civil somaliana. Em maio de 1993, já no governo Bill Clinton (1993-2001), os EUA entregam formalmente o comando da missão à ONU.
Em 5 de junho de 1993, quando restam 4,3 mil soldados norte-americanos na Somália, 24 soldados paquistaneses da ONU morrem numa emboscada dos rebeldes liderados pelo general Mohamed Farah Aidid, o senhor da guerra que controlava a região de Mogadíscio.
As forças dos EUA e da ONU começam então uma caçada a Aidid, com 400 soldados de elite da Força Delta enviados especialmente para capturar o senhor da guerra mais procurado da Somália.
Dois meses depois, em 3 a 4 de outubro, 18 soldados norte-americanos foram mortos e 84 feridos na Batalha de Mogadíscio, retratada no filme Falcão Negro em Perigo. A batalha dura 17 horas. É o combate mais violento dos EUA desde a Guerra do Vietnã (1955-75). Cerca de mil somalianos morrem.
Três dias depois, Clinton anuncia a retirada total. Os últimos soldados dos EUA deixam a Somália em 25 de março de 1994. Fica uma força de paz da ONU de 20 mil homens que sai em 1995 sem pacificar o país.
A última missão da ONU começa em 2014. Em outubro de 2022, o Conselho de Segurança a prorrogou até 31 de outubro de 2023. No momento, uma seca causa escassez de alimentos e fome no Quênia, na Etiópia e da Somália.
quarta-feira, 13 de julho de 2022
UE sofre mais do que EUA e Sri Lanka entra em colapso com guerra
quinta-feira, 23 de junho de 2022
UE deve aprovar início de negociações para da Ucrânia
Em reunião de cúpula hoje e amanhã em Bruxelas, na Bélgica, a União Europeia (UE) deve aprovar o início dos processos de associação das ex-repúblicas soviéticas da Ucrânia e da Moldova, que devem levar anos. A Guerra da Ucrânia completa 120 dias sem perspectiva de paz. O secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), Jens Stoltenberg, acredita que a guerra deve durar anos.
No campo de batalha, a Rússia está prestes a tomar Sievierodonetsk e bombardeia intensamente Lissichansk, as duas principais regiões da província de Lugansk onde os ucranianos ainda resistem, mas só controla 60% da província de Donetsk. Estas duas regiões do Leste da Ucrânia, que Moscou reconheceu como repúblicas independentes antes da guerra, são há dois meses os principais alvos dos russos.
Ao mesmo tempo, na frente sul, as forças ucranianas resistem em Mikolaiv e bombardeiam a Ilha da Cobra, estrategicamente importantes para defender o porto de Odessa e o acesso ao Mar Negro. Sem saída para o mar, a Ucrânia sofreria um abraço de urso da Rússia capaz de sufocar sua economia. Os contra-ataques indicam que a Ucrânia recebeu novas armas de alta tecnologia de seus aliados ocidentais.
Um novo foco de tensão surgiu em Kaliningrado, uma região russa na costa do Mar Báltico espremida entre a Lituânia e a Polônia, dois países da OTAN. Por causa das sanções da UE, na sexta-feira passada, a Lituânia anunciou que não permitiria mais a passagem de mercadorias russas por seu território.
O Kremlin denunciou a medida como um bloqueio, mas não tem muitas opções de retaliação sem o risco de iniciar um conflito com a OTAN, que poderia levar a uma guerra nuclear. Uma possibilidade de reação é fazer ataques cibernéticos.
Como a Ásia, especialmente a China e a Índia, aumentaram a importação de petróleo russo a preços com desconto, o rublo é a moeda que mais se valorizou neste ano no mundo. Isto permite à Rússia manter o esforço de guerra, enquanto há uma fadiga na Europa por causa do impacto econômico do conflito. A maioria dos europeus quer a paz logo.
A Ucrânia denuncia o roubo de terras, empresas, equipamentos e safras agrícolas. Com a queda nas exportações ucranianas e as sanções à Rússia, há uma escassez de energia e alimentos que causa inflação e risco de desabastecimento e fome no mundo.
O crescimento de preços nos Estados Unidos e no Reino Unido é o maior em 40 anos. Com a pandemia, a guerra e o aquecimento global, mais 49 milhões de pessoas podem começar a passar fome no mundo nos próximos meses. Meu comentário:
quinta-feira, 9 de dezembro de 2021
Hoje na História do Mundo: 9 de Dezembro
VARÍOLA ERRADICADA
Em 1979, uma comissão internacional de cientistas declara que a varíola, uma doença com 30% de risco de vida, está erradicada. Agora, corre o risco de voltar por causa da insanidade e irracionalidade do movimento antivacinas.
A varíola é uma praga para a humanidade há milênios. O faraó Ramsés V, do Egito, teria morrido de varíola em 1145 antes de Cristo.
O conquistador espanhol Hernán Cortez toma Tenochtitlán, a capital do Império Asteca, em 13 de agosto de 1521, em meio a uma epidemia de varíola que atingiu sobretudo os índios, que acreditam que o deus dos espanhóis é superior ao deles, que não os protege.
O vírus atual, que seria de 1580, é combatido na China no século 16 com a inoculação de pequenas quantidades para causar casos leves capazes de gerar imunidade, um precursos das vacinas.
No fim do século 18, quando a vacina é uma das principais causas de mortes na Europa, o cientista inglês Edward Jenner, cria a vacina em 1796. Muitos países europeus tornam a vacinação obrigatória e a varíola declina nos séculos 19 e 20.
A partir de 1967, a Organização Mundial da Saúde (OMS) faz campanha para atacar os últimos focos da doença. O último caso é diagnosticado em 1977 na Somália. A erradicação da varíola, graças à vacina, é um dos grandes triunfos da medicina.
PRIMEIRA INTIFADA
Em 1987, jovens palestinos começam na Faixa de Gaza a Primeira Intifada (revolta das pedradas) contra a ocupação de territórios árabes por Israel depois de um acidente de um caminhão israelense que bate numa caminhonete em que morrem quatro palestinos.
Quando Israel manda forças especiais para conter a violência, a revolta se propaga para a Cisjordânia. Os dois territórios estão sob ocupação israelense desde a Guerra dos Seis Dias, em 1967.
Para fortalecer o movimento pela criação de uma pátria para o povo palestino, o rei Hussein, da Jordânia, abre mão da reivindicação de soberania sobre a Cisjordânia em julho de 1988.
Em 15 de novembro de 1988, no exílio na Tunísia, o líder da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), Yasser Arafat, declara a independência da Palestina, denuncia o terrorismo e reconhece o Estado de Israel, tentando criar condições para negociações de paz.
As negociações começam na Conferência de Madri, em 30 e 31 de outubro de 1991, depois que Israel evita responder aos ataques do Iraque de Saddam Hussein durante a Guerra do Golfo, em 1991. Ganham impulsa com as negociações secretas de Oslo, na Noruega, em 1993.
Em 13 de setembro de 1993, Arafat e o primeiro-ministro israelense, Yitzhak Rabin, apertam as mãos e assinam uma declaração de princípios nos jardins da Casa Branca. No ano seguinte, é criada a Autoridade Nacional Palestina. Arafat volta à Cisjordânia. Os palestinos assumem o controle sobre a Faixa de Gaza e a cidade histórica de Jericó.
O assassinato de Rabin por um extremista israelense, em 4 de novembro de 1995, em Telavive, desanda o processo da paz. A paz entre israelenses e palestinos é um sonho distante até hoje.
WALESA PRESIDENTE
Em 1990, o líder operário Lech Walesa, fundador do sindicato livre Solidariedade, se torna o primeiro presidente eleito diretamente da história da Polônia.
Walesa, nascido em 1943, era eletricista no Estaleiro Lenin, em Gdansk, de onde é demitido em 1976 como agitador. Em agosto de 1980, lidera uma greve que leva ao reconhecimento do sindicato pelo regime comunista polonês.
Um golpe liderado pelo general Jociech Jaruzelski, em 13 de dezembro de 1981, recoloca o Solidariedade na ilegalidade. Em 1983, Walesa ganha o Prêmio Nobel da Paz.
Com a abertura polícia promovida a partir de 1985 pelo líder do Partido Comunista da União Soviética, Mikhail Gorbachev, o Solidariedade volta a ser legalizado em abril de 1989 e obtém uma ampla vitória nas primeiras eleições parlamentares livres no Bloco Soviético, em 4 e 18 de junho de 1989. Tadeusz Mazowiech, aliado de Walesa, se torna primeiro-ministro e inicia as reformas liberalizantes para superar o regime comunista.
Na Presidência, Walesa se mostra menos hábil do que como líder sindical. Em 1995, perde a eleição presidencial para o ex-comunista Alexander Kwasniesk, da Aliança da Esquerda Democrática.
CHARLES E DIANA SE SEPARAM
Em 1992, o primeiro-ministro britânico, John Major, anuncia a separação dos príncipes de Gales, Charles e Diana, depois de anos de uma guerrinha particular do casal travada através da imprensa sensacionalista do Reino Unido.
É o fim de um casamento de sonho, transmitido ao vivo da Catedral de São Paulo, em Londres, em 29 de julho de 1981, para 1 bilhão de telespectadores de 79 países. Diana precisa fazer teste de virgindade para casar. O primeiro filho, o príncipe William, nasce em 1982, e o segundo, o príncipe Harry, em 1984.
O casal real se divorcia em agosto de 1996. Lady Di morre em acidente de automóvel como uma cinderela cuja carruagem se esborracha em Paris, a cidade romântica por excelência, quando fugia dos fotógrafos com o namorado egípcio, Dodi al-Fayed, em 31 de agosto de 1997. A tragédia da princesa do povo causa uma grande comoção no Reino Unido e obriga a família real a reconhecer sua importância para a monarquia.
EUA INTERVÊM NA SOMÁLIA
Em 1992, por ordem do presidente George Herbert Walker Bush (1989-93), derrotado por Bill Clinton um mês antes, os fuzileiros navais dos Estados Unidos chegam a Mogadíscio, na Somália, numa missão para levar garantir a ação humanitária das Nações Unidas ao país assolado pela fome, que está em estado de anarquia desde a queda do ditador Mohamed Siad Barre, em janeiro 1991.
A Somália cai em guerra civil. Em pouco menos de dois anos, 50 mil pessoas morrem na guerra e outras 300 mil de fome. Os EUA intervêm com a Operação Restaurar a Esperança na expectativa de acabar com o flagelo da fome.
A ajuda humanitária das Nações Unidas recomeça, mas as forças norte-americanas não conseguem controlar a ação dos senhores da guerra que disputam o poder na Somália. A violência continua e um ataque à missão da ONU mata 24 soldados do Paquistão.
Em reação, a ONU ordena a captura do general Mohamed Farah Aidid, o senhor da guerra que controla a região de Mogadíscio, a capital somaliana. Mas as forças dos EUA, já no governo Bill Clinton (1993-2001) estão lá para proteger a ajuda humanitária. Não têm equipamento para grandes ações ofensivas.
Durante uma tentativa de prender Aidid, em 3 de outubro de 1993, os rebeldes somalianos derrubam dois helicópteros de combate Falcão Negro e matam 18 soldados. Alguns são arrastados pelas ruas de Mogadíscio, numa humilhação para os EUA, que se retiram da Somália. A Batalha de Mogadíscio é encenada no filme Falcão Negro em Perigo.
Esta humilhação leva ao que Clinton considera o maior erro de política externa de seu governo. Os EUA não intervêm em Ruanda para impedir o genocídio da minoria tútsi. De 7 de abril a 15 de julho de 1994, cerca de 800 mil pessoas morrem neste pequeno país do Centro da África, no último genocídio do trágico século 20.
A maioria hutu, inclusive a milícia Interahamwe, responsável pelo genocídio, foge para o Zaire, onde entra em choque com os baniamulengue, da mesmo etnia dos tútsis, desestabilizando o país vizinho.
Isto leva o guerrilheiro Laurent Kabila, que lutara com Ernesto Che Guevara, que o considerava bêbado e mulherengo, incapaz de liderar uma revolução, a deixar seu refúgio, marchar até Kinshasa, derrubar o ditador Joseph Mobutu, em 1997, e mudar o nome do país para República Democrática do Congo.
A queda de Mobutu deflagra a Primeira Grande Guerra Mundial Africana (1997-2002), travada por nove países e pelo menos 25 grupos armados irregulares, com um total de mortes estimado em 5,4 milhões, em combate, de fome e de doenças. É o maior conflito armado do mundo depois da Segunda Guerra Mundial (1939-45).
RÚSSIA DOPADA
Em 2016, a Agência Mundial Antidoping (WADA) acusa a Rússia de dopagem sistemática de mais de mil atletas numa "conspiração institucional" para fraudar competições esportivas internacionais, inclusive as olimpíadas.
Um segundo relatório da WADA implica o Ministério dos Esportes e o Serviço Federal de Segurança (FSB) da Rússia, sucessor da temida polícia política soviética (KGB), do qual o ditador Vladimir Putin foi diretor-geral antes de se tornar primeiro-ministro e presidente.
A Rússia é suspensa de competições internacionais por quatro anos em 2019, pena depois reduzida para dois anos. Na Olimpíada de Tóquio, os atletas russos competem seu seus uniformes, sem bandeira e sem hino nacional.
sábado, 19 de dezembro de 2020
Reino Unido adota novos confinamentos por causa de mutação do coronavírus
O primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, anunciou hoje um novo confinamento no Sul e no Sudeste da Inglaterra para tentar conter a transmissão de uma mutação do coronavírus de 2019 que descreveu como 70% mais contaminante do que cepas anteriores. As medidas devem durar duas semanas.
"Parece que esta propagação está sendo alimentada por uma nova variante do vírus transmitida muito mais facilidade", justificou Johnson. "Nada indica que seja mais letal", mas o governo britânico teme que seja resistente à vacina que começou a aplicar em 8 de dezembro. Cerca de 62% dos novos contágios em Londres são pela nova cepa.
As academias de ginásticas e as lojas de produtos não essenciais serão fechadas. As festas de Natal foram limitadas ainda mais. O País de Gales também está sob ataque do vírus mutante. Na Irlanda do Norte, será imposto um confinamento a partir de 26 de dezembro.
O Reino Unido passou a marca de 2 milhões de casos confirmados. Tem 67.075 mortes até agora.
Com mais 678 mortes e 48.758 casos novos registrados neste sábado, o Brasil soma agora 186.365 óbitos e 7.212.670 casos confirmados da covid-19. A média diária de mortes dos últimos sete dias está em 746.
Totalmente alheio à realidade, o presidente Jair Bolsonaro declarou que não tem pressa de gastar os R$ 20 bilhões destinados à compra de vacinas porque "a pandemia realmente está chegando ao fim." Na sua opinião, "a pressa para a vacina não se justifica", disse, em conversa com o filho Eduardo Bolsonaro, citado pelo jornal Estado de São Paulo.
Nos Estados Unidos, houve 251.447 casos novos na sexta-feira, o segundo maior número, alta de 19% em duas semanas, e 2.815 mortes, alta de 26% em duas semanas. O país soma até agora 17.655.588 casos confirmados e 313.216 mortes.
A Itália anunciou um novo confinamento de 23 de dezembro a 7 de janeiro. A Alemanha e a Holanda suspenderam na quarta-feira todas as atividades não essenciais até o início de janeiro.
Pela primeira vez, a Suécia tornou obrigatório o uso de máscaras nos transportes públicos nas horas de maior movimento.
Ao receber hoje o Prêmio Nobel da Paz deste ano, o diretor-executivo do Programa Mundial de Alimentos (PMA), David Beasley, advertiu que "270 milhões de pessoas estão caminhando em direção à fome". O PMA foi agraciado neste ano.
sexta-feira, 9 de outubro de 2020
Programa Mundial de Alimentos ganha o Prêmio Nobel da Paz
O Programa Mundial de Alimentos das Nações Unidas (PMA), criado em 1961 e em ação desde 1963 para combater a fome no mundo, foi agraciado hoje com o Prêmio Nobel da Paz de 2020 por "seus esforços na luta contra a fome [inclusive como consequência da pandemia], sua contribuição pela melhoria das condições para a paz e por atuar como força motriz nos esforços visando a impedir o uso da fome como arma de guerra", anunciou hoje em Oslo a presidente do Comitê Norueguês do Nobel, Berit Reiss Andersen.
É a maior agência de ajuda humanitária do mundo. A cada ano, fornece alimentos a 90 milhões de pessoas em 80 países, inclusive 58 milhões de crianças. Tem sede em Roma, na Itália, junto com a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO, da sigla em inglês). Seu objetivo é erradicar a fome e a desnutrição dando ajuda alimentar para:
- Salvar vidas em campos de refugiados e outras situações de emergência;
- Melhorar a alimentação e a qualidade de vida dos povos mais vulneráveis; e
- Ajudar no desenvolvimento de recursos próprios e na autossutentabilidade de povos e de comunidades pobres.
"Até o momento em que tivermos uma vacina, o alimento é a melhor vacina contra o caos", declarou Andersen. "A pandemia do coronavírus contribuiu para um forte aumento no número de vítimas da fome no mundo", observou o comitê. "O PMA demonstrou uma capacidade impressionante de intensificar seus esforços diante da crise.
Ao prover segurança alimentar, o programa da ONU ajuda a manter a estabilidade e a paz. Na América Latina, na África e na Ásia, combinou a ação humanitária com os esforços pela paz, acrescentou o comitê.
Leia mais em Quarentena News.
terça-feira, 28 de julho de 2020
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quinta-feira, 23 de abril de 2020
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quinta-feira, 27 de fevereiro de 2020
Leste da África enfrenta praga de gafanhotos de proporções bíblicas
O espectro da fome em massa volta a rondar uma das regiões mais pobres do mundo. Uma praga de bilhões de gafanhotos do deserto como não se via há décadas arrasa a África Oriental, em países como Quênia, Etiópia, Uganda, Somália, Eritreia e Djibúti.
É mais um sintoma da emergência climática. Secas fortes e um grande número de ciclone criaram uma tempestade perfeita para levar as nuvens de gafanhotos irem da Península Arábica para o Leste da África devorando todo verde que encontram pelo caminho, noticiou a revista americana Foreign Policy.Nuvens de 2,4 milhões de quilômetros quadrados, com cerca de 192 bilhões de gafanhotos, foram localizadas no Nordeste do Quênia, perto da Somália. Algumas nuvens comem num dia o que daria para alimentar 35 mil pessoas. Com vento a favor, voam 160 quilômetros por dia.
A Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) pediu US$ 76 milhões para combater a praga. A Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID) ofereceu US$ 8 milhões.
terça-feira, 10 de dezembro de 2019
Fernández assume pedindo unidade e mais prazo para pagar dívida
"Venho convocar à unidade de toda a Argentina em prol da construção de um novo contrato social cidadão", declarou o novo presidente no início do discurso de posse, esclarecendo que este contrato social deve ser "fraterno e solidário": "Fraterno porque chegou a hora de abraçar o diferente. Solidário porque nessa emergência social é tempo de começar pelos últimos para depois chegar a todos. Este é o espírito do tempo que hoje inauguramos...para pôr a Argentina de pé."
Para isto, acrescentou, é preciso "recuperar uma série de equilíbrios sociais, econômicos e produtivos que hoje não temos."
Uma prioridade será um programa de combate à fome. "Sem pão, na vida só se padece. Sem pão, não há democracia nem liberdade." Outra será recuperar as economias familiares, as pequenas empresas e as fábricas endividadas.
A inflação de mais de 50% ao ano é a maior desde 1991. O índice de desemprego passa de 10%. É o maior desde 2006. Há mais de 1,2 milhão de jovens que não estudam nem trabalham. O desemprego entre os jovens é de 30%. O dólar passou de 9,60 a 63 pesos nos quatro anos do governo Mauricio Macri. E a economia não para de encolher e 40,8% dos moradores de cidades estão na pobreza.
"Vamos encarar o problema da dívida externa. Não há pagamentos de dívida sustentáveis se o país não cresce, é simples assim. Para poder pagar, é preciso crescer primeiro", discursou Fernández. Durante a campanha, o ministro da Economia, Daniel Martínez, acenou com a expectativa de pedir uma moratória de dois anos para pagar a dívida.
"Buscaremos uma relação construtiva e cooperativa com o FMI (Fundo Monetário Internacional) e com nossos credores. Resolver o problema da dívida insustentável que a Argentina tem hoje não é uma questão de ganhar uma disputa. O país tem vontade de pagar, mas carece de capacidade para fazê-lo. O governo que sai tomou uma enorme dívida sem gerar mais produção para obter os dólares para pagá-la", criticou o novo líder argentino.
Fernández também prometeu uma ação de emergência na saúde pública.
O Índice Merval, da Bolsa de Valores de Buenos Aires, terminou o dia em queda de 4,81%.
quinta-feira, 28 de março de 2019
Ditadura de Maduro declara inelegibilidade de Guaidó por 15 anos
De acordo com Amoroso, Guaidó não justificou em suas declarações de renda despesas realizadas na Venezuela e em outros países com dinheiro oriundo de outros países: "Ele fez mais de 24 viagens fora do território venezuelano a um custo superior a 310 milhões de bolívares [cerca de US$ 90 mil pelo câmbio do dia] sem justificar a origem destes fundos".
Como presidente da Assembleia Nacional eleita nas últimas eleições democráticas na Venezuela, em 6 de dezembro de 2015, Guaidó se declarou presidente interino em 23 de janeiro, sob a alegação de que o segundo mandato de Maduro é ilegítimo por ter resultado de uma eleição fraudulenta.
Mais de 50 países reconheceram Guaidó como presidente legítimo, inclusive o Brasil e outros 12 países da América Latina, os Estados Unidos, o Canadá e 16 das 28 nações da União Europeia. A China e a Rússia apoiam a ditadura de Maduro.
Nos últimos dias, a Rússia enviou aviões militares com cerca de soldados e equipamentos. Eles devem ajudar na segurança pessoal de Maduro e da cúpula do regime, tentando evitar um golpe dentro do chavismo. O presidente dos EUA, Donald Trump, exigiu a retirada imediata dos russos.
Com a queda à metade do produto interno bruto desde a posse de Maduro, há seis anos, uma inflação de 1.000.000% ao ano em 2018 e desabastecimento generalizado, 94% dos venezuelanos vivem na miséria e 24% (7 milhões) precisam de ajuda humanitária, revelou hoje um relatório das Nações Unidas.
Cerca de 3,7 milhões sofrem de desnutrição. Há surtos de doenças como tuberculose, difteria, malária e hepatite A, principalmente por causa da escassez de água potável. Com quedas frequentes na energia elétrica, Caracas e outras cidades ficam no escuro seguidamente. Em média, 5 mil pessoas fogem da Venezuela a cada dia. Mais de 4 milhões deixaram o país nos últimos anos.
quarta-feira, 2 de janeiro de 2019
Programa Mundial de Alimentos acusa hutis de roubar comida no Iêmen
Uma suspensão da ajuda de alimentos pode desestabilizar o controle dos hutis sobre Saná, a capital iemenita, que tomaram em setembro de 2014. A cidade tem sido palco de protestos frequentes por falta de combustíveis e alimentos.
Cerca de 12 milhões pessoas, pouco menos de metade da população do Iêmen, correm risco de passar fome, de acordo com a ONU. Até agora, as maiores críticas recaíam sobre a Arábia Saudita e aliados, que intervém militarmente na guerra civil iemenita desde 25 de março de 2015 e bloqueavam o porto de Hodeida.
Tanto o governo deposto e seus aliados sauditas, de um lado, e os hutis, xiitas zaiditas apoiados pelo Irã, tentam se eximir da culpa pela tragédia humanitária causada pela guerra civil.
quarta-feira, 14 de novembro de 2018
Maduro pede ajuda alimentar da ONU à Venezuela
Desde que sucedeu ao caudilho Hugo Chávez, em 2013, Maduro resistia a pedir ajuda internacional. Com a escassez generalizada da imensa maioria dos produtos vendidos em supermercados e mais de 80% dos venezuelanos abaixo da linha de pobreza, a pressão deve ter vindo de dentro do próprio regime chavista.
Talvez o pedido tenha sido encaminhado através de um negociador do Escritório de Washington para a América Latina (WOLA), uma organização não governamental que promove a democracia, os direitos humanos e a justiça social no subcontinente.
segunda-feira, 24 de setembro de 2018
"Erradiquem a pobreza, combatam a fome", diz embaixador marroquino
"A crise migratória mudou a política na Alemanha", admitiu diplomata Henning Speck, assessor de política externa e segurança da bancada da União Democrata-Crista (CDU), o partido da chanceler (primeira-ministra) Angela Merkel, e da União Social Cristã (CSU), sua aliada na Baviera.
Com a chegada de 1 milhão de refugiados em 2015, "o peso financeiro para as comunidades que os receberam foi enorme", declarou Speck, que defendeu uma harmonização dos sistemas de asilo político, a diplomacia preventiva e um planejamento de contingência para crises.
Loulichki lembrou crises de refugiados anteriores como a dos palestinos em 1948, quando foi criado o Estado de Israel, e das 800 mil pessoas que fugiram do Vietnã depois que a vitória da revolução comunista unificou o país, entre 1975 e 1995.
A solução é acabar com conflitos como as guerras civis da Síria e da Líbia, "a falta de democracia e de desenvolvimento econômico e social", preconizou o ex-embaixador do Marrocos, observando que "a migração é o estado normal dos seres humanos ao longo da história".
A África, acrescentou, tem 31% do total de refugiados no mundo. A maioria fica no continente. Nos últimos anos, entraram e média 25 mil africanos por ano na UE. Eles têm uma imagem negativa na Europa, associada "ao terrorismo, à doença e a invasões. Isto não ajuda.
Muito mais pobres do que a Alemanha, a Colômbia e a Jordânia receberam 1 milhão de refugiados cada uma, sírios no Oriente Médio, venezuelanos na América do Sul.
O pesquisador marroquina propôs "o respeito às obrigações internacionais" de conceder asilo, com um processo transparente de exame dos pedidos, e uma mudança na abordagem da segurança internacional para se concentrar no desenvolvimento e na responsabilidade de proteger os migrantes e refugiados.
"A Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) deve ter um papel mais ativo e as organizações não governamentais devem ser encorajadas e não criminalizadas", enfatizou o embaixador Loulichki, numa crítica ao partido de extrema direita Liga, que faz parte do atual governo da Itália com seu líder Matteo Salvino como ministro do Interior.






