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domingo, 20 de novembro de 2022

Morre Hebe de Bonafini, líder histórica das Mães da Praça de Maio

 A presidente histórica da Associação das Mães da Praça de Maio, Hebe de Bonafini, morreu hoje aos 93 anos no Hospital Italiano de La Plata, onde estava internada desde o dia 12, informou a família. 

Defensora radical dos direitos humanos, lutou até o fim da vida para esclarecer os desaparecimentos durante a última ditadura cívico-militar da Argentina (1976-83). Duríssima em suas críticas, inclusive de aliados, nunca se calou, nem na ditadura nem na democracia.

Ela será cremada. As cinzas serão jogadas num espaço verde diante da Casa Rosada, onde estão as de Azucena Villaflor, fundadora e presidente das Mães da Praça de Maio sequestrada pela ditadura em 10 de dezembro de 1977, Dia Internacional dos Direitos Humanos. Nesta data, em 1948, as Nações Unidas aprovaram sua Declaração Universal dos Direitos do Homem.

Em 30 de novembro de 1976, oito meses depois do golpe militar de 24 de março, durante o "processo de reorganização nacional", Néstor, filho de Azucena, e sua noiva, Raquel Mangin, foram sequestrados e desapareceram.

MÃES PROTESTAM

Ao recorrer às autoridades sem sucesso, ela tem contato com outras mães na mesma situação, entre elas Hebe de Bonafini. Em 30 de abril de 1977, 14 mães protestam na Praça de Maio, em frente à Casa Rosada, sede do governo argentino, contra o silêncio da ditadura diante do desaparecimento de seus filhos.

Quando os militares as advertem a não se concentrar, elas decidem circular pela praça em silêncio.  A primeira marcha é num sábado. Depois, passa a se repetir toda quinta-feira às três e meia da tarde. Com o tempo, as mães passam a usar lenços de cabeça brancos com os nomes dos filhos desaparecidos.

FAMIGERADA ESMA

Azucena Villaflor foi sequestrada e levada para a famigerada Escola de Mecânica da Armada (ESMA), o principal centro de detenção e tortura da guerra suja dos militares argentinos contra a esquerda. 

Os corpos dela e de outros sequestrados apareceram dias depois em praias do Rio da Prata. Os restos mortais só foram identificados em 2005. A autópsia revelou que a causa da morte foi impacto ao bater na água após ser jogada viva de um avião.

Pelo menos 5 mil dos 30 mil mortos pela última ditadura cívico-militar argentina passaram por aquele prédio na Avenida Figueroa Alcorta, uma das principais de Buenos Aires, onde fica o Estádio Monumental de Núñez, do River Plate, o maior do país.

Quem passava de carro e via as luzes acesas à noite sabia o que estava acontecendo na ESMA, onde mulheres que deram à luz tiveram de limpar o chão da sela com um pano de chão sujo, foram mortas e tiveram seus filhos roubados.  

Mais de 500 crianças foram sequestradas e adotadas por aliados do regime, tema do filme A História Oficial, de Luiz Puenzo, ganhador do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 1986. As Avós da Praça de Maio encontraram 130 netos até hoje.

DONA DE CASA VAI À LUTA

Hebe de Bonafini nasceu em 4 de dezembro de 1928 num bairro operário de Ensenada, que fica junto a La Plata, capital da Província de Buenos Aires. Aos 14 anos, casou com Humberto Alfredo Bonafini. O casal teve três filhos: Jorge Omar, Raúl Alfredo e María Alejandra.

Jorge Omar desapareceu em La Plata em 8 de fevereiro de 1977. Raúl Alfredo teve o mesmo destino em 6 de dezembro do mesmo ano, em Berazategui. Em 25 de maio de 1978, pouco antes da Copa do Mundo na Argentina, a repressão sequestrou a nora María Elena Bugnone Cepeda, mulher de Jorge Omar.

Presidente da Associação das Mães da Praça de Maio, Bonafini foi lutadora incansável na busca dos desaparecidos e seus filhos, os netos da Praça de Maio. Os militares as chamavam de Loucas da Praça de Maio.

"Antes que meu filho fosse sequestrado, até 7 de fevereiro de 1977, eu era uma mulher como as outras, uma dona de casa a mais da cidadezinha onde me criei. Em 8 de fevereiro, virei Hebe de Bonafini. A questão econômica, a situação política do país me eram totalmente alheias, indiferentes. Mas desde que desapareceu meu filho, o amor que eu sentia por ele, o afã de buscar até encontrá-lo, por rogar, por pedir, por exigir que o entregassem a mim; o encontro e a ânsia compartilhada com outras mães que sofriam a mesma angústia que eu me levaram a saber e a valorizar muitas coisas que não sabia e não me interessava em saber", declarou ela numa igreja em Madri em outubro de 1982.

"Agora, vou me dando conta de que todas as estas coisas com que muita gente não se preocupa são importantíssimas porque delas depende o futuro de um país inteiro, a felicidade ou a desgraça de muitíssimas famílias", acrescentou.

POPSTARS

Quando o roqueiro inglês Sting tocou na Argentina, em 1987, chamou as Mães para o palco no Estádio Monumental de Núñez e cantou a música They Dance Alone, composta em sua homenagem. Elas viraram popstars.

Em 1988, a banda de rock irlandesa U-2 visitou a Associação das Mães da Praça de Maio e as convidou a subir ao palco. Hebe foi ao show e presenteou o líder do grupo, Bono Vox, com um lenço com o nome dos filhos desaparecidos.

JUSTIÇA

A aliança com o kirchnerismo vem desde que o governo Néstor Kirchner (2003-7) revogou, em 21 de agosto de 2003, as Leis de Obediência Devida e Ponto Final e mais tarde os indultos de Carlos Menem (1989-99) aos comandantes das juntas militares. Em 2005, a Corte Suprema considerou as leis inconstitucionais e reabriu os processos contra sequestradores, torturadores e assassinos da ditadura. Em 2010, confirmou a inconstitucionalidade dos indultos.

Desde então, 1.065 pessoas foram condenadas em 269 sentenças. Há 364 casos em andamento, 17 nas fases finais dos processos.

CONTROVÉRSIAS

Visceralmente antinorte-americana, responsabiliza os EUA pela ditadura militar. Estava em Cuba em 11 de setembro de 2001 e festejou o ataque às Torres Gêmeas "pelo bloqueio, pelos meus filhos". Foi alvo de críticas ferozes. Não recuou.

Depois de criticar o cardeal Mario Bergoglio, então arcebispo de Buenos Aires, quando foi eleito papa Francisco, ela pediu desculpas em audiência privada no Vaticano e reconheceu seu trabalho para os pobres: "Ele é peronista", concluiu com orgulho.

Há até um escândalo de corrupção, o desvio de 206 milhões de um total de 748 milhões de pesos argentinos que os governos Néstor e Cristina Kirchner deram à Fundação Madres da Praça de Maio para construção de habitações populares no projeto Sonhos Compartilhados.

O juiz Martínez de Giorgio a considerou "partícipe de fraude contra o Estado". Em agosto de 2016, Hebe se negou a depor e declarou estar pronta para ser presa porque só o que lhe interessava eram "os filhos e os 30 mil desaparecidos." 

A investigação é sobre Sergio Shoklender, procurador da fundação acusado de obter financiamento ilegal do Ministério do Planejamento Federal na gestão de Julio De Vido, um expoente do kirchnerismo hoje preso e processado por corrupção. Em seu depoimento, Hebe de Bonafini avalizou todas as ações de Shoklender. O caso não foi julgado até hoje.

HOMENAGENS OFICIAIS

O presidente Alberto Fernández decretou luto oficial por três dias e, através do Twitter da Casa Rosada, se despediu "com profunda dar e respeito a Hebe de Bonafini, Mãe da Praça de Maio e incansável lutadora pelos direitos humanos."

Nas suas redes, disse: "Exigindo verdade e justiça junto com as Mães e Avós, enfrentou os genocidas quando o sentido comum coletivo ia em outra direção." 

Elas foram a grande resistência ao massacre no pior período da ditadura, desmoralizada pela derrota para o Reino Unido na Guerra das Malvinas (1982), quando militares assassinos como o tenente de navio Alfredo Astiz, o Anjo da Morte, acusado de matar a adolescente sueco-argentina Dagmar Hagelin com um tiro pelas costas, se renderam aos britânicos sem disparar um tiro.

A vice-presidente Cristina Kirchner escreveu: "Queridíssima Hebe, Mãe da Praça de Maio, símbolo mundial da luta pelos direitos humanos, orgulho da Argentina. Deus te chamou no Dia da Soberania Nacional... não deve ser casualidade. Simplesmente obrigado para sempre."

A Secretaria de Direitos Humanos da Argentina destacou que "Hebe compartilhou com as Mães um destino que as uniu na luta contra a impunidade dos crimes do terrorismo do Estado, resistindo diante do silêncio e do esquecimento. Sua vida e sua obra, seu exemplo de compromisso e entrega às causas populares constituem um legado que nos acompanhará para sempre, nos guiando no caminho da defesa dos direitos humanos, da memória, da verdade e da justiça, e também na luta contra a impunidade e o neoliberalismo."

domingo, 6 de novembro de 2022

Visita de Fernández a Lula tem a ver com luta interna peronista

 Ao visitar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva um dia depois da reeleição, o presidente da Argentina, Alberto Fernández, ajudou a romper o isolamento diplomático a que o governo Jair Bolsonaro relegou o Brasil. Mas também se cacifa para disputar a candidatura peronista à reeleição em 2023.

Fernández vive às turras com sua vice-presidente, Cristina Kirchner, que é quem manda de fato na Argentina. Com a nomeação de Sergio Massa como superministro da Economia, ficou em terceiro plano em seu próprio governo. 

Quando veio a São Paulo, Fernández não só posou como presidente como se apresentou como o maior amigo argentino de Lula, mais do que Cristina, que já foi criticada pelo futuro presidente do Brasil. Meu comentário:

quinta-feira, 10 de junho de 2021

Alberto Fernández reforça o complexo argentino de Nova Zelândia

 Ao dizer que os mexicanos descendem dos índios, os brasileiros vieram da selva e os argentinos chegaram de barco, citando erradamente o intelectual mexicano Octavio Paz, o presidente Alberto Fernández reforça o que um embaixador chamou de Complexo de Nova Zelândia (ou Austrália). É da música Chegamos nos barcos, do compositor argentino Lito Nebbia.

 Por causa da riqueza que tinham no início do século passado e de uma população majoritariamente branca, a elite argentina se vê como uma ilha branca e europeia perdida nos mares do Sul, cercada por um oceano de negros, índios e mestiços. 

 O racismo de Fernández, um peronista moderado que chegou ao poder indicado pela ex-presidente e atual vice-presidente Cristina Kirchner, ignora a Argentina de Mercedes Sosa, a cantora de voz inigualável que tinha claramente traços indígenas, assim como Diego Armando Maradona, e que os negros eram 30% a 40% da população de Buenos Aires no século passado. Esquece que os espanhóis também chegaram de navio ao México, com pólvora, cavalos e pestes que destruíram o Império Asteca, e rebatizaram o país como Vice-Reino da Nova Espanha.

 O presidente Domingo Faustino Sarmiento, feroz na sua crítica ao caudilhismo de Juan Manuel de Rosas no livro Facundo, incentivou a imigração europeia para branquear a população e é acusado de promover um "genocídio camuflado".

 Sarmiento segregou a população negra, dizimada por doenças como a cólera e a febre amarela, além de servir de bucha de canhão na Guerra do Paraguai e na "conquista do deserto", a campanha militar para assumir o controle do Sul do país, povoado por indígenas. A palavra deserto sugere que eram terras despovoadas. 

 O tango, a marca registrada da cultura argentina, teria origem africana e mestiça, com raízes no reino africano do Kongo. Era desprezado como inferior pela elite portenha até fazer sucesso em Paris. A palavra sol na língua kikongo é ntango. O poeta, compositor e trovador negro Gabino Ezeiza foi uma espécie de tutor de Carlos Gardel, um dos maiores ícones da cultura argentina. Inseriu a milonga no meio de suas trovas. 

 No censo de 2010, pouco menos de 150 mil argentinos (0,37% da população) se identificaram como negros. Eles enfrentam discriminação. Têm grande dificuldade de serem reconhecidos como argentinos. 

 A declaração de Fernández não ajuda em nada a integração latino-americana no momento em que o presidente Jair Bolsonaro e o ministro da Economia, Paulo Guedes, querem esvaziar o Mercosul fazendo acordos comerciais fora do bloco.

sábado, 3 de abril de 2021

Brasil passa de 330 mil mortes por covid-19

 Mais 1.931 mortes e 40.242 casos novos da doença do coronavírus de 2019 foram notificadas hoje no Brasil. O país soma 12.952.621 casos confirmados e 230.297 óbitos desde o início da pandemia. A média diária de mortes dos últimos sete dias caiu para 2,8 mil, com alta de 24% em duas semanas. A morte está em alta em 12 estados e no Distrito Federal.

No mundo, são 130.648.736 casos confirmados e 2.844.897 mortes, com 105,5 milhões de pacientes recuperados, muitos com sequelas de longo prazo, cerca de 22,2 milhões com sintomas leves e 97.387 estão em estado grave.

Os Estados Unidos, o país mais atingido, registraram mais 63.840 contágios e 748 mortes neste sábado, com alta de 19% nos casos e queda de 22% nas mortes nas últimas duas semanas. Ao todo, tem 30.670.439 casos confirmados e 554.779 óbitos.

Mais de 670 milhões de doses de vacinas foram aplicadas no mundo até agora, sendo 164,1 milhões nos EUA, onde 104,2 milhões receberam a primeira dose e 59,9 milhões (18% da população americana) estão plenamente imunizados, e 24,5 milhões no Brasil, onde 19,2 milhões tomaram a primeira dose e 5,3 milhões (2,5% da população brasileira) as duas doses necessárias à imunização.

Mesmo depois de tomar duas doses da vacina russa Sputnik-V, o presidente da Argentina, Alberto Fernández, revelou na madrugada de sábado que pegou covid-19. Os médicos esperam que tenha um caso suave.

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2020

Argentina está perto de acordo com FMI para renegociar dívida

A Argentina e o Fundo Monetário Internacional (FMI) chegaram a um acordo para reestruturar a dívida do país, anunciou hoje o jornal Clarín. O governo Alberto Fernández não confirmou os detalhes, mas declarou que há avanços nas negociações com a metade dos investidores em títulos da dívida pública argentina. 

De acordo com a reportagem, a Argentina terá um período de carência de quatro anos sem pagar a dívida para permitir a recuperação da economia do país, a dívida será reduzida em 15 por cento do valor de face e o governo peronista vai se comprometer com um programa de responsabilidade fiscal para equilibrar as contas públicas.

Se o acordo com o FMI for confirmado, será uma garantia para a renegociação com os credores privados da Argentina. O governo Fernández ainda precisa convencer os Estados Unidos, principal acionista do Fundo. Ainda está claro se os credores privados vão aceitar a oferta. 

Antes mesmo de tomar posse em 10 de dezembro, o novo presidente prometeu honrar as dívidas, mas pediu um prazo para reorganizar a economia do país e retomar o crescimento econômico para poder pagar. Meu comentário:

quarta-feira, 18 de dezembro de 2019

Agitação social tende a aumentar na América Latina em 2020

A expectativa para 2020 é mais protestos e manifestações nos países da América Latina. Com a desaceleração da economia mundial e o impacto sobre os preços dos produtos primários, a desigualdade social e a corrupção, estão criadas as condições para mais revoltas nas ruas.

Desde 21 de novembro, as grandes manifestações de protestos que atingiram vários países da América Latina neste ano, como Venezuela, Equador, Peru, Chile e Bolívia, chegaram à Colômbia.

Como o presidente conservador Iván Duque não mostra a menor intenção de ceder, a expectativa para 2020 é de mais protestos populares e de um aumento da violência política em zonas rurais, uma vez que o atual governo linha-dura não implementa o acordo de paz com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, as FARC, e abandou as negociações com o Exército de Libertação Nacional, o ELN, enquanto os antigos grupos paramilitares de direita aderiram ao crime organizado, mas atacam sindicalistas e ativistas de esquerda. Meu comentário:

terça-feira, 10 de dezembro de 2019

Fernández assume pedindo unidade e mais prazo para pagar dívida

Ao tomar posse hoje como presidente de uma Argentina profundamente abalada por mais uma crise econômica, o peronista Alberto Fernández fez um apelo à união nacional e pediu mais prazo aos credores para saldar as dívidas do país, alegando não ter condições de fazê-lo sem a retomada do crescimento.

"Venho convocar à unidade de toda a Argentina em prol da construção de um novo contrato social cidadão", declarou o novo presidente no início do discurso de posse, esclarecendo que este contrato social deve ser "fraterno e solidário": "Fraterno porque chegou a hora de abraçar o diferente. Solidário porque nessa emergência social é tempo de começar pelos últimos para depois chegar a todos. Este é o espírito do tempo que hoje inauguramos...para pôr a Argentina de pé."

Para isto, acrescentou, é preciso "recuperar uma série de equilíbrios sociais, econômicos e produtivos que hoje não temos."

Uma prioridade será um programa de combate à fome. "Sem pão, na vida só se padece. Sem pão, não há democracia nem liberdade." Outra será recuperar as economias familiares, as pequenas empresas e as fábricas endividadas.

A inflação de mais de 50% ao ano é a maior desde 1991. O índice de desemprego passa de 10%. É o maior desde 2006. Há mais de 1,2 milhão de jovens que não estudam nem trabalham. O desemprego entre os jovens é de 30%. O dólar passou de 9,60 a 63 pesos nos quatro anos do governo Mauricio Macri. E a economia não para de encolher e 40,8% dos moradores de cidades estão na pobreza.

"Vamos encarar o problema da dívida externa. Não há pagamentos de dívida sustentáveis se o país não cresce, é simples assim. Para poder pagar, é preciso crescer primeiro", discursou Fernández. Durante a campanha, o ministro da Economia, Daniel Martínez, acenou com a expectativa de pedir uma moratória de dois anos para pagar a dívida.

"Buscaremos uma relação construtiva e cooperativa com o FMI (Fundo Monetário Internacional) e com nossos credores. Resolver o problema da dívida insustentável que a Argentina tem hoje não é uma questão de ganhar uma disputa. O país tem vontade de pagar, mas carece de capacidade para fazê-lo. O governo que sai tomou uma enorme dívida sem gerar mais produção para obter os dólares para pagá-la", criticou o novo líder argentino.

Fernández também prometeu uma ação de emergência na saúde pública.

O Índice Merval, da Bolsa de Valores de Buenos Aires, terminou o dia em queda de 4,81%.

segunda-feira, 9 de dezembro de 2019

Presidente argentino aposta em diálogo com credores sem abandonar política social

O peronista de esquerda toma posse amanhã, 10 de dezembro, como presidente da Argentina para um mandato de quatro anos com a ex-presidente Cristina Kirchner como vice. Assim, as duas perguntas que os argentinos, os economistas e os analistas internacionais se fizeram nos últimos meses foram: quem vai mandar e qual será a política econômica?


A Argentina vai voltar ao populismo demagógico e fiscal de Cristina ou Fernández será mais pragmático? Terá de ser para enfrentar a crise econômica legada pelo governo Maurício Macri, quando o índice de pobreza entre os argentinos urbanos subiu de 30 para 40,8 por cento. 

O país está em recessão, a inflação anual ronda 70% e os juros, a pedido de Fernández foram reduzidos para 68% ao ano. Meu comentário:

sábado, 7 de dezembro de 2019

Ex-presidente Evo Morales viaja a Cuba e deve morar na Argentina

O ex-presidente da Bolívia Evo Morales viajou ontem para Cuba e pode deixar o México, onde recebeu asilo político depois de renunciar em 10 de novembro sob pressão de uma revolta popular e das forças de segurança em razão de uma fraude na eleição presidencial de 20 de outubro de 2019, e se instalar na Argentina, noticiou hoje o jornal espanhol El País.

Morales se declara vítima de um golpe de Estado. Ele deixou a Cidade do México num voo comercial e disse ao governo mexicano se tratar de uma viagem temporária. A ex-ministra da Saúde Gabriela Montaño, que acompanha o ex-presidente, informou que Morales vai consultar médicos cubanos que o atenderam na Bolívia.

Com a nova eleição presidencial ainda sem data marcada na Bolívia, Morales pretende ir para a vizinha Argentina, onde terá melhores condições de articular a candidatura do Movimento ao Socialismo (MAS).

Seu plano seria ir para Buenos Aires a tempo de assistir à posse do presidente peronista Alberto Fernández e da vice-presidente Cristina Kirchner em 10 de dezembro. O próprio Fernández teria recomendado a Evo Morales que espere a posse do novo governo para poder lhe dar garantias de segurança.

O ex-vice-presidente Álvaro García Linera, que também obteve asilo do governo esquerdista mexicano de Andrés Manuel López Obrador, recebeu vários convites para dar aulas em universidades. Pode ficar no México.

terça-feira, 29 de outubro de 2019

Volta do peronismo renova dúvidas sobre a economia da Argentina

O peronismo volta ao poder na Argentina num momento de crise econômica e turbulência política na América Latina, com protestos violentos no Chile, no Equador, no Haiti, na Nicarágua e na Venezuela. Em princípio, o governo terá de ser mais pragmático do que ideológico. A grande dúvida é como a esquerda vai enfrentar a situação econômica.

A vitória da chapa peronista, formada por Alberto Fernández e Cristina Fernández de Kirchner, que não são parentes, era mais do que esperada desde as eleições primárias de 11 de agosto. A vantagem de apenas sete pontos percentuais ficou muito abaixo dos 15 pontos da primária.

O presidente Mauricio Macri conseguiu reduzir a dimensão da derrota. Sua aliança elegeu apenas um deputado a menor do que a coalizão vencedora, a Frente para Todos. Isso o qualifica como líder da oposição. 

Mas Macri foi o grande perdedor no último domingo. As reformas que propôs para, nas suas palavras, transformar a Argentina num país normal, fracassaram. O atual presidente entrega o país, em 10 de dezembro, em situação muito pior do que recebeu.

A inflação anual ronda os 60%, a economia recuou 3,8% em 12 meses, a taxa básica de juros está em 70% ao ano, o peso argentino caiu 80% durante o governo Macri, o desemprego passa de 10% ao ano, 35,4% dos argentinos vivem na miséria e agora ainda têm mais uma dívida de 57 bilhões de dólares com o Fundo Monetário Internacional, o FMI. Com estes números, nenhum governo se reelege em país democrático.

Alberto Fernández recebe uma das piores heranças econômicas do mundo. Em situação pior, só consigo pensar na Venezuela e no Zimbábue. Meu comentário:

domingo, 27 de outubro de 2019

Alberto Fernández é eleito presidente da Argentina no primeiro turno

Com 98% das urnas apuradas, a chapa peronista da Frente para Todos, formada pelo ex-ministro Alberto Fernández e a ex-presidente Cristina Kirchner, ganhou a eleição presidencial deste domingo na Argentina com 48,1% contra 40,38% para o atual presidente, Mauricio Macri e a coalizão Juntos pela Mudança, noticiaram os jornais argentinos Clarín e La Nación.

A margem da vitória ficou bem abaixo dos 49,5% a 33% registrados em 11 de agosto nas eleições primárias abertas, simultâneas a obrigatórias (PASO), que davam poucas esperanças de reeleição de Macri. Pela singular lei eleitoral argentina, ganha no primeiro turno quem obtiver mais de 45% dos votos ou mais de 40% e uma vantagem de dez pontos percentuais sobre o segundo colocado.

Axel Kicillof, ex-ministro da Economia de Cristina Kirchner, venceu a eleição para governador da província de Buenos Aires com 52,07% dos votos contra 38,63% para a governadora María Eugenia Vidal, uma das estrelas do macrismo.

A grande vitória do macrismo foi para a Prefeitura de Buenos Aires, onde Horacio Rodríguez Larreta obteve uma ampla vitória de 55% a 35,46% sobre o peronista Matías Lammens. Sua grande derrota foi na Grande Buenos Aires, na região metropolitana da capital argentina, onde Fernández tirou quase toda sua vantagem.

Com o fracasso de suas propostas políticas liberais, Macri entrega a Argentina em situação pior do que recebeu, com inflação de 60% ao ano, queda no produto interno bruto de 3,8% em 12 meses, desvalorização do peso em 50% neste ano, uma dívida de US$ 57 bilhões com o Fundo Monetário Internacional (FMI) e 35,4% dos argentinos vivendo na miséria, 15 milhões a mais do que no ano passado.

A expectativa agora se volta para a reação do mercado. Há uma possibilidade de que amanhã seja feriado bancário para evitar a especulação financeiras em cima dos resultados. Fernández tem fama de ser mais pragmático do que Cristina.

Uma das questões é se Fernández vai conseguir se descolar da liderança da Cristina, se vai usar a cadeira presidencial na Casa Rosada para assumir o controle do peronista.

A história política do país registra várias traições do gênero, inclusive de Néstor Kirchner a Eduardo Duhalde, o presidente interino que bancou a candidatura do marido da Cristina pela ala esquerdista do peronismo, em 2003.

Outra é o que o governo Fernández vai propor para renegociar a dívida sem trair sua promessa de campanha de não infligir mais sacrifícios ao povo argentino nem alienar seu eleitores.

Nos discurso da vitória, Cristina saudou a reeleição de Evo Morales na Bolívia e Fernández pediu "Lula livre", descrevendo-o como um preso político.

Amanhã, Fernández toma o café da manhã com Macri para discutir a transição, especialmente como evitar o agravamento da crise econômica. Cristina não ajudou muito. Há pouco a vice-presidente eleita declarou que os presidentes governam do primeiro ao último dia. Tenta assim se eximir de responsabilidade por uma provável reação negativa do mercado com a volta do kirchnerismo ao poder. Na prática, sabota a transição.

Para evitar a especulação, o Banco Central da República Argentina limitou temporariamente em US$ 200 por mês a quantidade de dólares que se pode comprar legalmente.

segunda-feira, 30 de setembro de 2019

Petróleo, Brexit, guerra comercial, OMC e Argentina marcam fim de ano

A ameaça ao suprimento de petróleo do Oriente Médio, a tentativa do primeiro-ministro Boris Johnson de tirar o Reino Unido da União Europeia de qualquer maneira, a guerra comercial entre os Estados Unidos e China, a ameaça de paralisação da Organização Mundial do Comércio (OMC) e a provável volta do peronismo ao poder na Argentina serão temas importantes da agenda internacional no 4º trimestre de 2019, prevê a empresa de consultoria e análise estratégica americana Stratfor.


Alvo de uma verdadeira guerra econômica do presidente Donald Trump, o Irã está desafiando os Estados Unidos e a Arábia Saudita. A República Islâmica foi responsabilizada pelos Estados Unidos, a França e o Reino Unido pelos bombardeios de 14 de setembro contra instalações petrolíferas sauditas. Foi a maior das provocações, depois de vários ataques a navios petroleiros no Oriente Médio desde maio. 

Esse ataque acabou com a possibilidade de um encontro dos presidentes Donald Trump e Hassan Rouhani durante a reunião anual da Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, na semana passada. Também mostrou a vulnerabilidade do setor de petróleo da Arábia Saudita, limitando as possibilidades de uma resposta militar. 

A Europa e a Ásia devem continuar tentando mediar um acordo entre Estados Unidos e Irã, que exige um alívio imediato das sanções econômicas do governo. Mas o risco de um novo choque de queda na oferta internacional do petróleo, com uma consequente disparada nos preços, não pode ser afastado. Meu comentário:

sexta-feira, 30 de agosto de 2019

Argentina pede moratória de dívidas de US$ 101 bilhões

Em mais uma crise econômica profunda, a Argentina quer mais tempo para pagar as dívidas com o Fundo Monetário Internacional (FMI) e os credores privados, num total de US$ 101 bilhões, mais de R$ 400 bilhões.

A proposta era uma bandeira da campanha da oposição peronista. Diante da fragorosa derrota do presidente Mauricio Macri para a chapa kirchnerista nas eleições primárias realizadas em 11 de agosto e da reação negativa dos mercados, o atual governo resolveu partir para a reestruturação da dívida. 

O novo ministro da Fazenda, Hernán Lacunza, justificou o novo pedido de moratória alegando problemas de liquidez em curto prazo e não dificuldades para pagar em longo prazo. Mas o problema mesmo é o fantasma da volta do peronismo kirchnerista. Meu comentário:
Depois de gastar US$ 3 bilhões na quinta e na sexta-feira para sustentar o peso, o governo argentino impôs o controle de capitais. O Banco Central vai exigir dos exportadores que repatriem o dinheiro de vendas ao exterior e todas as empresas, não somente os bancos, terão de pedir autorização para vender pesos em troca de moedas estrangeiras.

segunda-feira, 12 de agosto de 2019

Peronismo obtém grande vitória em eleições prévias na Argentina

O candidato peronista Alberto Fernández, da Frente de Todos, que tem a ex-presidente Cristina Kirchner como candidata a vice-presidente, conquistou mais de 47% dos votos na eleição prévia para a Presidência da Argentina realizada ontem, contra apenas 32% para o presidente Mauricio Macri, da aliança Juntos pela Mudança.

Pela lei do país, bastam 45% mais um dos votos válidos para ser eleito em primeiro turno. Fernández é assim o franco favorito para a eleição de 27 de outubro. A meta do kirchnerismo é ganhar no primeiro turno para evitar uma união contra si no segundo turno, previsto para 24 de novembro.

"Não viemos para restaurar nenhum regime e, sim, para criar uma nova Argentina em que se acabarão os rachas, as divisões e as vinganças", declarou Fernández diante de uma multidão eufórica. "Nunca fomos loucos governando. Vamos arrumar o que os outros estropiaram. Nosso objetivo é que os argentinos recuperem a felicidade."

Com a economia em profunda crise, a derrota do macrismo foi total. Na província de Buenos Aires, onde o governo contava com a popularidade da governadora María Eugenia Vidal, ela ficou nos mesmos 32% de Macri, enquanto o ex-ministro da Economia do governo Cristina Kirchner, Axel Kicillof, chegou perto dos 50%.

A grande expectativa é qual será a reação do mercado financeiro nesta segunda-feira. Como as últimas pesquisas se mostraram totalmente erradas e eram favoráveis a Macri, a Bolsa de Valores de Buenos Aires, os índices de confiança e os bônus da dívida pública se valorizaram, na expectativa de reeleição do presidente no segundo turno.

Macri tem o apoio dos Estados Unidos, do governo Jair Bolsonaro e do Fundo Monetário Internacional (FMI), que emprestou US$ 57 bilhões para conter a queda do peso. As pesquisas davam uma vantagem de 0,5 a 8 pontos percentuais a Fernández, o que colocaria o presidente como favorito no segundo turno.

A crise é brutal. O desemprego passa de 10%, o que não acontecia desde 2006. No ano passado, a inflação ficou em 47,6, a maior em 27 anos, e o produto interno bruto caiu 2,5%. Nos últimos 12 meses até junho, a inflação foi de 55,8%. No fim do primeiro trimestre, o PIB registrava baixa de 5,8%, depois da quatro trimestres em queda. A taxa básica de juros está em 64%.

O peso argentino caiu 51% em relação ao dólar em 2018 e mais 14% no início do ano.

Outra vítima da derrota de Macri pode ser o acordo de livre comércio da União Europeia com o Mercosul, que depende da aprovação pelos parlamentos de todos os países participantes. A oposição a Macri já se pronunciou contra o acordo, considerando-o lesivo aos interesses dos trabalhadores argentinos.

terça-feira, 4 de junho de 2019

Macri lidera pesquisas eleitorais na Argentina

Apesar da grave crise econômica, o presidente Mauricio Macri aparece na frente nas últimas pesquisas sobre a eleição presidencial deste ano na Argentina, com com cinco pontos percentuais de vantagem no segundo turno sobre a chapa Alberto Fernández-Cristina Fernández de Kirchner, noticiou o jornal Perfil.

A pesquisa realizada pela empresa Elypsis, única a acertar que o apoio a Macri levaria a um segundo turno em 2015, atribui o avanço do presidente à queda de 18% para 13% do número de indecisos.

Outra sondagem, do instituto Synopsis, aponta um empate técnico com 46,5% para Fernández-Fernández, 46,1% para Macri e 7,4% indecisos. Com a projeção da divisão dos indecisos, Macri ganha por 1,4 ponto percentual: 50,7% a 49,3%.

Com a governadora da província de Buenos Aires, María Eugenia Vidal, como candidata, a vitória do governo seria maior, fora da margem de erro, por 53,1% a 45,6%.

Se ninguém obtiver 45% dos votos ou 40% e vantagem de mais de dez pontos sobre o segundo colocado  no primeiro turno, em 27 de outubro, haverá segundo turno em 24 de novembro.

Com recessão e inflação que deve chegar a 40% neste ano, a crise abala as chances de reeleição do presidente, mas a volta de Cristina Kirchner não seduz o eleitorado argentino. Em outra pesquisa, apenas 10% disseram que Alberto Fernández mandaria num governo dos dois.

sábado, 18 de maio de 2019

Cristina Kirchner será candidata a vice-presidente da Argentina

Em vídeo de 12 minutos gravado em seu apartamento no aristocrático bairro da Recoleta, em Buenos Aires, a ex-presidente Cristina Fernández de Kirchner anunciou a intenção de se candidatar a vice-presidente na eleição presidencial de 27 de outubro na Argentina. 

O candidato a presidente seria seu ex-chefe de Gabinete, o equivalente a chefe da Casa Civil, Alberto Fernández, que não tem parentesco com sua líder.

O ex-assessor dava aula na Universidade de Buenos Aires na quarta-feira quando o telefone tocou. Cristina pedia para ele passar na casa dela mais tarde. Na noite daquela quarta-feira, o acordo foi selado, noticiou o jornal Clarín.

Num encontro a dois, Cristina fez a proposta: "Tenho um teto. Pode dar para ganhar, mas vai ser muito difícil para governar. Você terá de ser presidente. Eu vou te acompanhar."

Surpreso, Alberto Fernández alegou que tal decisão não poderia ser tomada "a quente". Pediu 24 horas "para meditar". A quinta-feira foi infernal para o kirchnerismo: a Justiça confirmou a audiência de um dos processos contra Cristina e houve panelaço antiperonismo.

Na sexta-feira, a decisão estava tomada. Era irreversível. Cristina estava relaxada "como se tivesse tirado de cima um peso enorme", comentou um alto funcionário do Partido Justicialista, peronista. A ex-presidente chamou Fernández, mostrou-lhe o vídeo e avisou que pretendia divulgá-lo hoje.

Falando como pré-candidato, Alberto Fernández tentou acalmar os mercados, temerosos da volta do kirchnerismo ao poder: "No me assusta o FMI (Fundo Monetário Internacional). Já negociamos com o Fundo. Temos de encontrar uma saída para os compromissos que a Argentina tem com o mundo. Temos de cumpri-los sem que isso represente mais penúria para os argentinos."

Com sua tacada de mestra, Cristina reforça o discurso de "humildade", "grandeza" e "renúncia", tentando sair do foco dos ataques durante a campanha.

A candidatura de Fernández atinge o movimento peronista não kirchnerista, que articulava uma chapa com o ex-ministro da Economia no governo Néstor Kirchner, Roberto Lavagna, e o deputado Sergio Massa, terceiro colocado na eleição presidencial de 2015, quando Mauricio Macri venceu o candidato de Cristina, o governador Daniel Scioli.

Também surpresa, a Casa Rosada reagiu rapidamente. Para o governo Macri, a polarização com o kirchnerismo continua e Fernández não pode ser apresentado como uma "renovação".

Nas últimas pesquisas, Cristina chegou a ter uma vantagem de até sete pontos percentuais para Macri, que perderia para Lavagna num segundo turno, a ser realizado em 24 de novembro. A pesquisa com Fernández ainda não saiu.

De certa forma, observa o chefe de redação do jornal Perfil, Javier Calvo, houve um resgate da fórmula "Cámpora no governo, Perón no poder", usada na eleição de Héctor Cámpora, em março da 1973, que preparou o retorno à Argentina do caudilho Juan Domingo Perón.

domingo, 23 de março de 2008

Argentina estuda suspender exportação de carne

Depois de dez dias de protesto no campo por causa do aumento das retenções das exportações agrícolas da Argentina, o governo Cristina Kirchner estuda suspender temporariamente as exportações de carne e talvez também de leite, se a greve dos produtores rurais continuar e houver um desabastecimento desses produtos no mercado interno, informou no sábado o jornal La Nación.

No domingo, o poderoso chefe da Casa Civil do governo argentino, Alberto Fernández, pediu aos governadores das províncias que negociam com o agronegócio para acabar com a greve. Em troca, oferece ajuda para aliviar os custos de insumos e fretes, através de subsídios diretos, benefícios fiscais ou crédito subsidiado.

O presidente da Federação Agrária Argentina, Eduardo Buzzi, confirmou a manutenção da greve por tempo indeterminado e declarou que não iria atrás do governo.

Buzzi reclamou no sábado que nem Fernández nem o ministro da Economia, Martín Lousteau, haviam entrado em contato ainda com as entidades promotoras do protesto no campo para negociar: "Os ministros falam na mídia e tentam manipular a opinião pública", disse o líder ruralista.

Leia mais em La Nación deste domingo.