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quinta-feira, 27 de agosto de 2026

Zhu Rongji foi o grande executivo da reforma econômica da China

Se o supremo líder Deng Xiaoping foi o grande idealizador da abertura econômica da China, o grande responsável pela execução das reformas que transformaram o país na segunda maior economia do mundo disputando a supremacia mundial com os Estados Unidos foi o primeiro-ministro Zhu Rongji.

Zhu morreu em 12 de agosto aos 97 anos. Foi prefeito e líder do Partido Comunista em Xangai, onde a movimento dos estudantes por democracia e liberdade foi contido sem o massacre que houve em Beijim, presidente do Banco Popular da China, vice-primeiro-ministro e primeiro-ministro, encarregado da administração da economia de 1998 a 2003.

Além de ser decisivo para a China ser reconhecida como economia de mercado e entrar na Organização Mundial do Comércio (OMC) em 2001, elevou o crescimento chinês para dois dígitos. Em 2000, criou o Fórum de Desenvolvimento da China, onde os ministros do Conselho de Estado debatiam e defendiam a política econômica com especialista de fora do governo, acadêmicos, pesquisadores e líderes empresariais, inclusive dos EUA.

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quinta-feira, 6 de abril de 2023

Israel invade mesquita em Jerusalém no mês do Ramadã

Em pleno mês do Ramadã, sagrado para os muçulmanos, a polícia de Israel invadiu a mesquita de Al-Aqsa, em Jerusalém, um dos lugares mais sagrados do Islã, para perseguir manifestantes que atacavam com pedras, aumentando a tensão acirrada desde o início do ano, com a posse do governo mais extremista da história moderna de Israel.

Sob protesto das potências ocidentais, a comissária dos direitos das crianças do Kremlin, Maria Lvova Belova, participou de uma reunião informal do Conselho de Segurança das Nações Unidas. No mês passado, ela e o ditador Vladimir Putin tiveram a prisão decretada pelo Tribunal Penal Internacional pelo sequestro e deportação para a Rússia de crianças ucranianas.

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, foi à Polônia, um dos países que mais o apoiam na guerra contra a Rússia e um modelo de desenvolvimento que a Ucrânia pretende imitar.

Na Califórnia, o presidente da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, deputado republicano Kevin McCarthy, recebeu a presidente de Taiwan, a província que a China considera uma província rebelde. Para aliviar a tensão, o ex-presidente Ma Ying Jeou se tornou o primeiro líder taiwanês a visitar a China.

A Austrália e o Canadá ameaçam processar a empresa Open AI, responsável pelo Chat-GPT. O governo canadense está preocupado com a coleta, o uso e a revelação de informações privadas. Na Austrália, um prefeito exige a mudança no resultado de uma pesquisa que diz que ele foi preso por corrupção. Pode ser o primeiro processo por difamação contra uma inteligência artificial.

A ex-primeira-ministra Jacinda Ardern fez seu último discurso no Parlamento da Nova Zelândia. Estrela no combate à pandemia, vai deixar a política para trabalhar em organizações não governamentais.

O aquecimento global causa um aumento no número de casos de dengue, zika e chicungunha, alerta a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Com a guerra e a inflação renitente, o crescimento do comércio internacional deve cair para 1,7% neste ano, prevê a Organização Mundial do Comércio (OMC). Meu comentário:

domingo, 30 de maio de 2021

Média de mortes sobe pelo terceiro dia seguido no Brasil

Neste domingo, mais 950 mortes e 41.705 casos novos da doença do coronavírus de 2019 foram notificados no Brasil. O país soma agora 16.512.174 casos confirmados e 462.092 óbitos. A média diária de mortes dos últimos sete dias subiu pelo terceiro dia seguido, desta vez para 1.844, mas recuou 4% em duas semanas. A média de casos novos caiu 4% para 60.306.

Um estudo do Instituto Butantan de imunização em massa com a vacina chinesa CoronaVac na cidade paulista de Serrana apontou uma queda de 95% nas mortes e concluiu que a doença pode ser controlada com a vacinação e 75% da população.

No mundo, já são 170.354.142 casos confirmados e 3.541.800 mortes por covid-19. Cerca de 153 milhões de pacientes se recuperaram, 13,5 milhões apresentam casos leves ou suaves e 92.059 estão em estado grave.

A Índia, país mais afetado pela pandemia no momento, notificou mais 152.734 contágios, o menor número em 47 dias, e 3.128 mortes hoje. Oficialmente, tem 28.947.534 casos confirmados e 329.100 mortes, mas se acredita que haja uma grande subnotificação. Os verdadeiros números seriam duas a três vezes maiores.

Os Estados Unidos registraram mais 7.428 casos novos e 131 mortes neste domingo. Com o avanço da vacinação, a média diária de contágios caiu 39% em duas semanas para 20.055 e as mortes diminuíram 27% para 446.

A França tem menos e 3 mil pessoas em tratamento intensivo por covid-19. É a primeira vez que isto acontece desde janeiro.

A Argentina desistiu de sediar a Copa América, que está marcada para começar em 13 de junho. A Colômbia já havia desistido por causa de uma onda de manifestações contra o governo do presidente Iván Duque. Os dois países seriam sedes do torneio. 

Agora, a confederação sul-americana de futebol, a Conmebol, procura outro país para realizar a Copa América. O principal candidato é o Chile, onde a vacinação está mais adiantada. Mas não há uma definição. 

O Japão vai prorrogar o estado de emergência na região de Tóquio até 20 de junho, um mês e três dias antes do início dos Jogos Olímpicos, que enfrentam forte oposição dentro do país por causa dos riscos de entrada de novas variantes do coronavírus.

O Vietnã identificou uma nova variante com mutações das cepas da África do Sul e da Índia.

Mais de 1,94 bilhão de doses de vacinas foram aplicadas até agora no mundo, das quais 640 milhões na China; mais de 300 milhões nos EUA, onde 40,3% da população estão plenamente vacinados; mais de 240 milhões na União Europeia; mais de 213,1 milhões na Índia, que terá 120 milhões de doses em junho; e 67,29 milhões no Brasil, onde 45,23 milhões tomaram a primeira dose e 22,06 milhões (10,36% da população brasileira) receberam as duas doses necessárias à imunização.

A Organização Mundial do Comércio (OMC) vai reexaminar uma proposta apresentada em outubro do ano passado pela África do Sul e a Índia para suspender as patentes sobre vacinas contra a covid-19. Na época, os EUA foram contra. O governo Joe Biden mudou a posição, mas a Alemanha anunciou a intenção de vetar a quebra de patentes em nome da defesa da propriedade intelectual.

quarta-feira, 5 de maio de 2021

EUA apoiam suspensão de patentes de vacinas

Numa mudança surpreendente, os Estados Unidos anunciaram hoje que vão apoiar a quebra de patentes de vacinas contra a doença do coronavírus de 2019 para acelerar a fabricação e permitir assim o controle da pandemia no mundo inteiro.

"Esta é uma crise global e circunstâncias extraordinárias exigem medidas extraordinárias", declarou a representante comercial dos EUA, Katherine Tai, "Vamos participar ativamente das negociações da Organização Mundial do Comércio (OMC) para que isto aconteça."

Desde o fim do ano passado, um grupo de mais de 110 países em desenvolvimento liderados pela Índia e a África do Sul pressionam na OMC para que o direito de propriedade intelectual seja suspenso. Os EUA, a União Europeia e o Reino Unido vetaram a proposta. O governo Jair Bolsonaro ficou ao lado dos países ricos. 

As companhias farmacêuticas protestaram alegando que "a medida sem precedentes vai minar a resposta global e comprometer a seguranças. Suas ações caíram nas bolsas de valores.

Nesta quarta-feira, foram notificados no Brasil mais 2.791 mortes e 75.652 casos confirmados de covid-19. O país soma 14.936.464 casos confirmados e 414.645 óbitos na pandemia. A média diária de mortes dos últimos sete dias caiu para 2.329, com queda de 8% em duas semanas. Esta média cai há cinco dias, mas está acima de 2 mil mortes por dia há 50 dias. A média de casos novos está em 58.951.

A Índia registrou um novo recorde mundial de 412.262 diagnósticos positivos e um recorde nacional de 3.980 mortes por dia. O governo indiano admite que uma terceira onda de contaminação será inevitável depois que a atual for controlada. A Índia soma 21.977.410 casos confirmados e 239.168 mortes. Há 15 dias, o país tem mais de 300 mil casos novos por dia. Desde 28 de abril, há mais de 3 mil mortes por dia.

No mundo, já são 154.788.122 casos confirmados e 3.237.808 mortes. Mais de 133 milhões de pacientes sobreviveram, 18,44 milhões apresentam sintomas leves e 111.192 estão em estado grave.

Nos EUA, nesta quarta-feira, houve mais 45.085 casos novos, com queda de 26% em duas semanas, e 701 mortes. A média de casos novos, 46.603, é a menor em 7 meses, desde 6 de outubro. Mas a redução no ritmo de vacinação preocupa.

Cerca de 1,23 bilhão de doses de vacinas foram aplicadas no mundo, sendo 290 milhões na China e 255,9 milhões nos EUA, onde 148,6 milhões tomaram a primeira dose e 107,3 milhões (32,4% da população americana) estão plenamente vacinados.

Na Índia, foram administradas 162,5 milhões de doses, 52 milhões no Reino Unido e 50,4 milhões no Brasil, onde 33,4 milhões receberam a primeira dose e 17 milhões (pouco menos de 8% da população brasileira) tomaram as duas doses necessárias à imunização. Meu comentário:

terça-feira, 13 de outubro de 2020

EUA têm alta de 21% no contágio em duas semanas

Os Estados Unidos registraram mais de 54 mil casos novos da doença do coronavírus de 2019 nesta terça-feira. É uma alta de 21% em duas semanas. O contágio aumenta ou está elevado em 44 dos 50 estados americanos. O país tem 8 milhões de casos confirmados e 220 mil mortes. Cerca de 5,2 milhões de americanos se recuperaram.

Com mais 354 mortes e 12.220 casos novos registrados nesta terça-feira, o Brasil chegou a 151.063 mortes e 5,115 milhões de casos confirmados. Pelas previsões da Universidade de Washington em Seattle, deve atingir a marca de 180 mil mortes até o fim do ano. A média diária de mortes dos últimos sete dias caiu para 499. É a menor desde 7 de maio.

No mundo inteiro, já são mais de 38 milhões de casos e 1,09 milhão de mortes. Mais de 28,85 milhões de pacientes foram recuperados e pouco menos de 70 mil estão em estado grave. Meu comentário:

quinta-feira, 14 de maio de 2020

Brasil é o segundo país em novos casos e mortes por dia na pandemia

O Brasil chega a 203 mil casos registrados da covid-19, sendo 31 mil de profissionais de saúde, um recorde mundial. Com mais 13.761 novos casos, abaixo somente dos Estados Unidos, e mais 844 mortes num dia, novo recorde, o total de mortes chegou a 13.999. 

Em comparação, a Argentina, com uma população 4,7 vezes menor, teve um recorde de 23 mortes em 24 horas, elevando o total para 344 óbitos. 

Os Estados Unidos têm o maior número de novos casos. Foram mais 26,4 mil casos nesta quinta-feira. O total chegou a 1.457.593. Com mais 1.104 mortes em 24 horas, o total de óbitos está em 86.912. 

No mundo inteiro, são mais de 4,5 milhões de casos, mais de 303 mil mortes e mais de 1,705 milhão pacientes curados. O segundo país com o maior número de casos confirmados é a Espanha 272 mil. 

A estimativa é que 5% dos espanhóis tenham desenvolvido anticorpos contra o novo coronavírus, o que indica uma contaminação quase nove vezes maior, mas ainda está longe dos 60 por cento necessários para criar a chamada imunidade de rebanho, quando o ritmo de infecção cai porque muita gente criou anticorpos e não pega mais a doença. Meu comentário:

quarta-feira, 8 de abril de 2020

Total de casos confirmados da pandemia do coronavírus passa de 1,5 milhão

O total de casos confirmados da pandemia do novo coronavírus passa de 1,5 milhão de pessoas, com mais de 88 mil mortes e 329 mil pacientes curados. Os Estados Unidos têm mais de 400 mil casos registrados e mais de 1.900 mortes em 24 horas pelo segundo dia seguido.

A China reabre a cidade de Wuhan, berço da pandemia, depois de 76 dias. A Alemanha e a França, as duas maiores economias da União Europeia, entram em recessão. E a Organização Mundial do Comércio prevê uma queda de até 32 por cento no comércio internacional.

No mundo inteiro, o total de casos confirmado passa de 1,518 milhão, com 88.495 mortes, letalidade de 5,8 por cento. 

Depois da ameaça do presidente Donald Trump de cortar a contribuição dos Estados Unidos à Organização Mundial da Saúde, o diretor-geral Tedros Adhanom apelou aos governos que não politizem a pandemia para não aumentar o número de mortes. 

Os Estados Unidos têm 430.902 casos confirmados e 14.766 mortes, letalidade de 3,4 por cento. Só no estado de Nova York, foram 779 mortes num dia, elevando o total para 4.571. A boa notícia é que o isolamento físico e social está funcionando. A previsão do número de mortes caiu. Meu comentário:

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2020

Pressões variadas revelam limites da globalização

Depois de décadas de abertura comercial, com queda de tarifas e outras barreiras à movimentação de bens e serviços pressões políticas, econômicas, demográficas e tecnológicas estão reformatando a globalização da economia. Esta tendência deve se acentuar ao longo da década. 

A globalização veio para ficar, a não ser que haja uma catástrofe em grande escala. A complexidade das cadeias produtivas vai continuar, mas vai haver movimentos para fortalecer as cadeias produtivas locais e regionais, e um aumento do comércio intrarregional. 

Os grandes acordos comerciais são complexos e inflexíveis. Estão sendo substituídos por acordos bilaterais ou com poucos países. 

Durante décadas, desde o fim da Segunda Guerra Mundial, os Estados Unidos construíram o sistema multilateral de comércio para promover a abertura comercial, inicialmente para evitar a volta da Grande Depressão dos anos 1930. 

Com a entrada da China na Organização Mundial do Comércio, a OMC, em 2001, entrou no jogo um concorrente fortíssimo, com baixo custo de produção. Isso ajudou a manter os juros e a inflação baixos, mas provocou forte erosão na renda dos trabalhadores dos países ricos que viram suas fábricas migrar para a China e outros países. Meu comentário:

segunda-feira, 25 de novembro de 2019

Comércio internacional sofreu forte queda em setembro

Uma forte baixa no comércio global em setembro reduz as chances de uma retomada mais forte da economia internacional, abalada pela guerra comercial entre os Estados Unidos e a China, parte de uma confrontação estratégica pela supremacia mundial que deve durar décadas.

O volume global do comércio exterior caiu 1,3 por cento em setembro em relação a agosto, depois de uma pequena expansão de meio por cento em agosto. A queda de setembro anulou os ganhos dos dois meses anteriores, quando havia uma expectativa de que as duas maiores economias do mundo chegariam logo a um acordo preliminar.

“Enquanto as negociações permaneceram com perspectivas no máximo mistas, o comércio continuará travado”, comentou o economista Timme Spakman, do banco ING.

Em relação ao ano passado, o comércio em setembro foi 1,1 por cento menor do que em setembro de 2019. Foi o quarto mês seguido em que a comparação anual registrou queda.

Os principais responsáveis foram os Estados Unidos e a China. Em setembro, o volume de importações dos Estados Unidos caiu 2,1 por cento relação a agosto. Na China, a baixa foi de 6,9 por cento.Meu comentário:

segunda-feira, 30 de setembro de 2019

Petróleo, Brexit, guerra comercial, OMC e Argentina marcam fim de ano

A ameaça ao suprimento de petróleo do Oriente Médio, a tentativa do primeiro-ministro Boris Johnson de tirar o Reino Unido da União Europeia de qualquer maneira, a guerra comercial entre os Estados Unidos e China, a ameaça de paralisação da Organização Mundial do Comércio (OMC) e a provável volta do peronismo ao poder na Argentina serão temas importantes da agenda internacional no 4º trimestre de 2019, prevê a empresa de consultoria e análise estratégica americana Stratfor.


Alvo de uma verdadeira guerra econômica do presidente Donald Trump, o Irã está desafiando os Estados Unidos e a Arábia Saudita. A República Islâmica foi responsabilizada pelos Estados Unidos, a França e o Reino Unido pelos bombardeios de 14 de setembro contra instalações petrolíferas sauditas. Foi a maior das provocações, depois de vários ataques a navios petroleiros no Oriente Médio desde maio. 

Esse ataque acabou com a possibilidade de um encontro dos presidentes Donald Trump e Hassan Rouhani durante a reunião anual da Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, na semana passada. Também mostrou a vulnerabilidade do setor de petróleo da Arábia Saudita, limitando as possibilidades de uma resposta militar. 

A Europa e a Ásia devem continuar tentando mediar um acordo entre Estados Unidos e Irã, que exige um alívio imediato das sanções econômicas do governo. Mas o risco de um novo choque de queda na oferta internacional do petróleo, com uma consequente disparada nos preços, não pode ser afastado. Meu comentário:

terça-feira, 28 de maio de 2019

EUA evitam acusar a China de manipulação do câmbio

Apesar da guerra comercial entre os dois países, o Tesouro dos Estados Unidos decidiu hoje não qualificar a China como manipuladora do câmbio, mas a deixou numa lista de países em observação numa revisão geral do comércio exterior americano em busca de sinais de práticas comerciais desleais, noticiou o jornal britânico Financial Times.

O Tesouro manifesta preocupação "significativa" com várias práticas comerciais chinesas, mas evitou a acusação, indicando uma preocupação em evitar uma nova escalada no conflito comercial entre os dois países mais ricos do mundo.

No relatório, o governo americano anuncia um reexame geral dos critérios usados para decidir que países devem ter suas práticas econômicas e cambiais escrutinadas para identificar possíveis manipulações cambiais.

Foram citados 21 países, em comparação com 12 no relatório anterior. Nove estão na lista de observação do Tesouro americano: Cingapura, Irlanda, Itália, Malásia e Vietnã foram acrescentados à lista; Alemanha, China, Coreia do Sul e Japão já estavam nela.

Na semana passada, o Departamento do Comércio dos EUA adotou uma nova regra para penalizar países que "ajam para desvalorizar suas moedas em relação ao dólar, num subsídios a suas exportações."

Com seu nacionalismo e protecionismo, Trump luta para reduzir o déficit comercial dos EUA, até agora sem sucesso. No ano passado, o déficit no comércio de bens bateu um recorde a US$ 891,3 bilhões.

O foco do Tesouro será todos os países com saldo comercial com os EUA superior a US$ 40 bilhões por ano e não apenas seus 12 maiores parceiros comerciais, como era antes. Os 21 países sob exame negociaram US$ 3,5 trilhões com os EUA em 2018, mais de 80% do comércio exterior do país.

Durante a campanha eleitoral, Trump acusou a China de manipular o câmbio, mas até hoje o Tesouro não formalizou a denúncia. Neste momento em que os dois países negociam um acordo de paz na sua guerra comercial, uma acusação dessas escalaria as tensões, exacerbadas desde que Trump aplicou tarifas de 25% sobre exportações chinesas no valor de US$ 200 bilhões anuais.

A China continua em observação porque o iuane (yuan) caiu 8% em relação ao dólar nos últimos 12 meses e, nas palavras do secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, tem "um saldo comercial bilateral extremamente grande e em expansão".

Em 2018, o déficit no comércio dos EUA com a China foi de US$ 419 bilhões. A maioria dos economistas atribui o déficit ao consumismo americano, mas Trump vê a economia como um jogo de soma zero, em que o ganho de uns é necessariamente a perda de outros. Então trava suas guerras comerciais, até agora sem sucesso na redução do déficit.

Há várias razões para discordar das práticas comerciais da China, que se tornou a fábrica do mundo absorvendo capital e tecnologia do mundo desenvolvido, com um custo de mão de obra baixíssimo que provocou o desemprego em muitos países ricos, inclusive nos EUA.

Como as práticas econômicas e comerciais da China afetam hoje todos os países do mundo, seria mais racional articular uma aliança e levar as questões para o painel de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC).

Mas Trump é contra alianças e contra as instituições internacionais criadas pelos EUA. Quebra um paradigma da política externa americana que vem desde a Segunda Guerra Mundial: mesmo sendo a maior potência mundial, os EUA agem em conjunto com aliados no plano internacional.

Trump quer resolver tudo no mano a mano, em negociações bilaterais, confiando na superioridade dos EUA. É mais caro, desgastante e gerador de conflitos.

sábado, 16 de fevereiro de 2019

Índia retira Paquistão da lista de parceiros comerciais

O ministro das Finanças da Índia, Arun Jaitley, confirmou que o governo indiano vai notificar a Organização Mundial do Comércio (OMC) para retirar o Paquistão da lista de nações mais favorecidas no comércio exterior, por razões de segurança nacional, noticiou ontem o jornal The Economic Times.

A decisão foi tomada um dia depois do um atentado terrorista com carro-bomba que matou 46 policiais e deixou outros 38 feridos em Pulwana, na região indiana da Caxemira, disputada pelo Paquistão desde a independência dos dois países do Império Britânico, em 1947. Foi o pior ataque a forças da Índia em 30 anos de insurgência muçulmana na região.

O terrorista suicida era um extremista muçulmano da Caxemira, mas o grupo responsável, Jaish-e-Mohamed (Exército de Maomé), tem sede no Paquistão. Daí a resposta da Índia, atacada meses antes das eleições gerais de abril e maio. Na Índia, a maior democracia do mundo, as eleições são realizadas em cinco dias diferentes.

Esta resposta indiana não terá grande impacto econômico. Os dois países, inimigos históricos, não têm um grande comércio bilateral. Mas a Índia está pressionando o Paquistão a punir do Exército de Maomé e seu líder, Massoud Azhar.

O jornal Economic Times aponta como mandante o novo chefe do poderoso serviço secreto militar do Paquistão (ISI), que usa grupos terroristas muçulmanos numa guerra indireta, general Assim Munir, ex-comandante e diretor de inteligência do Comando Norte das Forças Armadas paquistanesas.

O governo indiano pediu ao comitê de sanções do Conselho de Segurança das Nações Unidas que Azhar seja incluído na lista de terroristas internacionais.

sábado, 3 de novembro de 2018

China e Índia acertam cooperação e querem reforma da OMC

A China e a Índia, as duas grandes economias que mais crescem no mundo, chegaram a um acordo de cooperação econômica com foco em três frentes: urbanização, alta tecnologia e reforma da Organização Mundial do Comércio (OMC), noticiou ontem o jornal indiano The Economic Times.

Apesar da rivalidade histórica e geopolítica, a China e a Índia cooperam em setores como alta tecnologia e finanças internacionais para criar uma nova ordem mundial que supere o domínio do Ocidente. Como têm hoje a maioria das cidades mais poluídas do mundo, a urbanização é outro interesse comum.

Ambas pretendem reformar a OMC, ameaçada pelas guerras comerciais do presidente Donald Trump e sua preferência por negociações bilaterais em que possa usar a força dos Estados Unidos, em detrimento do sistema multilateral de comércio. Defendem uma ordem global baseada no multilateralismo.

Sob Trump, os EUA querem acabar com o mecanismo de solução de conflitos comerciais da OMC bloqueando indicações para o painel de apelações. Se novas nomeações não forem aprovadas até 10 de dezembro de 2019, o órgão para de funcionar por falta de quórum.

A União Europeia, o Canadá e o Japão também examinam possibilidades de reforma para atender às exigências de Washington.

Trump entende que a OMC não oferece os instrumentos necessários para enfrentar o desafio chinês. Desde que a China entrou para a OMC, em 2001, aumentou muito sua fatia do comércio internacional de produtos manufaturados, tornando-a a maior potência industrial do planeta.

Em 2016, a produção industrial da China, segunda maior economia do mundo foi de US$ 4,566 trilhões. A Índia, sexta maior economia do mundo, é a quinta maior potência industrial. depois dos EUA, do Japão e da Alemanha, com US$ 672 bilhões.

quarta-feira, 13 de junho de 2018

RÚSSIA: riquíssima em energia e recursos naturais

Décima segunda maior economia do mundo, com produto interno bruto estimado em 2017 em US$ 1,527 trilhão pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), a Rússia tem enormes recursos naturais, especialmente petróleo e gás natural.
Em 2017, cresceu 1,8%, depois de quedas de 0,2% em 2016 e de 2,8% em 2015, quando o país sentiu o impacto da forte baixa nos preços internacionais do petróleo e das sanções por causa da intervenção na Ucrânia e na anexação da Crimeia.
Os serviços respondem por 62,3% do PIB e 63% do emprego, a indústria por 32,4% da produção e 27,6% do emprego, enquanto a agricultura gera 4,7% da riqueza nacional e emprega 9,4% da mão de obra.
A renda per capita é de cerca de US$ 12 mil. A taxa de poupança interna foi de 26,6% do PIB em 2017. A carga fiscal em 2017 foi de 17,3% do PIB. A inflação em março de 2018 estava em 2,4% ao ano.
O índice de desemprego estava em 5,5% no fim de 2017. O salário mínimo é de 7,5 mil rublos por mês, cerca de US$ 126. O salário mensal médio subiu de US$ 80 no ano 2000 para US$ 967 em maio de 2013. Em março de 2018, estava em US$ 565. A alíquota do imposto de renda de pessoas físicas é de 13%.
Cerca de 13,3% dos russos viviam abaixo da linha da pobreza em 2015. Os 10% mais ricos eram responsáveis por 32,2% do consumo, e os 10% mais pobres por apenas 2,3%, em 2012.
O consumo doméstico é responsável por 52,4% do PIB, os gastos públicos por 17,8%, o investimento por 21,1%, as exportações por 25,6%, com um desconto de 19,4% por conta das importações.
A transição para a economia de mercado depois do fim da União Soviética foi bastante conturbada, com queda de 50% do PIB, desemprego e inflação elevados, o colapso do Estado e a erosão do valor de salários, aposentadorias e benefícios sociais.

CAPITALISMO SELVAGEM

As reformas econômicas da era pós-soviética privatizaram a maior parte da economia nos anos 1990s, com a exceção de setores estratégicos como energia e defesa.
No vácuo do colapso da máquina estatal soviética, um capitalismo selvagem levou a uma concentração brutal da riqueza nas mãos dos chamados “oligarcas”, na maioria ex-burocratas do Partido Comunista que compraram estatais por preços irrisórios, e ao empobrecimento generalizado do resto da população.

COLAPSO DO RUBLO

Num ambiente singular, em que as empresas não pagavam impostos, o valor dos salários e aposentadorias se evaporou, as companhias de serviços públicos não cobravam as contas, sob o impacto da Crise da Ásia de 1997, a Rússia parou de pagar a dívida pública em 17 de agosto de 1998.
Era uma crise anunciada. Desde o início daquele ano, a Bolsa de Valores de Moscou tinha caído 75%. O Banco Central queimara US$ 27 bilhões tentando manter a cotação do rublo em 7,1 por dólar. 
Antes da crise, US$ 5 bilhões enviados pelo FMI e o Banco Mundial foram roubados, como consta de documento do Banco Mundial Foreign Loans Diverted in Monster Money Laundering (Empréstimos Externos Desviados em Monstruosa Lavagem de Dinheiro), de 7/11/2010.
A economia russa foi ao colapso, ajudou a acelerar a fuga de capitais das economias até então consideradas emergentes, e a empurrar o Brasil para a desvalorização do real de janeiro de 1999. Mas a recuperação foi surpreendente.

RECUPERAÇÃO

O petróleo tinha caído abaixo de US$ 10 por barril com a queda no consumo causada pela crise asiática, uma das causas do colapso da Rússia (e da eleição de Hugo Chávez na Venezuela) em 1998, voltou a subir. Ficou em alta até julho de 2008, quando chegou ao recorde de US$ 147,50. E a maxidesvalorização do rublo de 7,1 para 31 por dólar encareceu as importações, revigorando a produção industrial.
Da moratória de agosto de 1998 até a crise de 2008, a Rússia viveu nove anos de crescimento ininterrupto, com média de 7% ao ano.

GRANDE RECESSÃO

A Grande Recessão de 2008-9 foi agravada pela guerra contra a ex-república soviética da Geórgia, em agosto de 2008. Ainda assim, o PIB cresceu 6% naquele ano. Com a queda nos preços e volumes de suas exportações de produtos primários, recuou 7,9% em 2009.
A Rússia saiu da recessão no terceiro trimestre de 2009. Nos últimos anos, cresceu 4,5% em 2010, 4,3% em 2011 e 3,4% em 2012. O ritmo atual de crescimento é de 1,2% ao ano. Alguns analistas já preveem que 3,5% será o máximo que o país poderá crescer sem reformas novas reformas liberalizantes.

OMC

Em 2012, depois de 15 anos de negociações, a Rússia entrou na Organização Mundial do Comércio (OMC).

AGRICULTURA

Com só 7% de terras cultiváveis, a agricultura contribui com 4,7% do PIB e 9,4% do emprego, com destaque para a produção de cereais, oleaginosas, carne, leite e derivados. 
Depois do fim da URSS, os colcozes, fazendas coletivas, e os sovcozes, fazendas estatais, continuaram funcionando como cooperativas. Só em 2001, a lei permitiu a propriedade individual da terra.

MINERAÇÃO

As indústrias de extração de carvão, gás, petróleo, metais e elementos químicos raros são importantes. 
A Rússia produz um sexto do minério de ferro extraído no mundo e de 10% a 20% de todos os metais preciosos, raros e não ferrosos. É grande produtora de chumbo, cobalto, cobre, cromo, manganês, níquel, ouro, platina, tungstênio, vanádio e zinco.

INDÚSTRIA

O setor manufatureiro mantém a tradição de indústria pesada da era soviética, com destaque para defesa, aviões de alta performance, naves e satélites espaciais, radares, estaleiros, equipamentos agrícolas e de telecomunicações, equipamentos de geração e transmissão de energia, equipamentos médicos e científicos.
Também são importantes os setores agroalimentício, químico e têxtil.
A produção industrial cresceu 1,1% em 2017.
A indústria responde por 32,4% do PIB e 27,6% do emprego. 

SERVIÇOS

Subdesenvolvidos na era soviética, os serviços passaram a representar mais da metade do PIB na virada do século, com destaque para o comércio e o turismo.
Os serviços são responsáveis por 62,3% do PIB e 63% do emprego. 
Cerca de 20 milhões de estrangeiros visitam a Rússia todos os anos, a maioria dos países vizinhos, especialmente das outras 14 ex-repúblicas soviéticas.

COMÉRCIO EXTERIOR

As exportações somaram US$ 357 bilhões em 2017, colocando a Rússia como 9ª maior exportadora mundial, com destaque para petróleo e derivados, gás natural, metais, madeiras e produtos de madeira, produtos químicos, armas e equipamentos de defesa, aviões, máquinas agrícolas e industriais.
Os maiores importadores de produtos russos foram a Holanda (10,5%), a China (10,3%), a Alemanha (7,8%), Turquia (5%) e Itália (4,4%).
As importações da Rússia totalizaram US$ 227 bilhões em 2017, com destaque para máquinas, veículos, produtos farmacêuticos, plásticos, semimanufaturados metálicos, carne, frutas e oleaginosas, instrumentos óticos, ferro e aço.
Os maiores exportadores para a Rússia foram a China (21,6%), a Alemanha (11%). EUA (6,3%)  e a Itália (5,5%).
O saldo comercial em 2017 foi de US$ 130 bilhões. O saldo em conta corrente, que também inclui o balanço de serviços e de transferências (doações), foi de US$ 81,3 bilhões. 
As reservas cambiais, de US$ 453,6 bilhões, eram as quintas maiores do mundo em março de 2018. A dívida externa estava em US$ 524,9 bilhões em março de 2018.

ENERGIA

A Rússia é grande exportadora de energia e a quinta maior produtora de eletricidade no mundo, com 1 trilhão de kWh em 2015.
É a terceira maior produtora de petróleo do mundo, depois dos EUA da Arábia Saudita, com uma produção de 11,24 milhões de barris por dia em 2016.
É a segunda maior produtora da gás natural, com 598,6 milhões de metros cúbicos em 2015, e a maior exportadora, com 197,7 milhões de metros cúbicos no mesmo ano.
Em 2016, além do petróleo e do gás natural, exportou 13,3 bilhões de kWh de energia elétrica.
Cerca de 70,2% da energia elétrica foram gerados por combustíveis fósseis em 2015. Outros 9,7% vieram da usinas nucleares e 19% de hidrelétricas.
A capacidade instalada, de 263,5 milhões de kW, é a 4ª maior do mundo, depois de China, EUA e Japão.

TRANSPORTES

 Em 2013, a Rússia tinha 1.218 aeroportos, o que a deixava em 5º lugar; o Brasil era o 2º, com 4.093. Dos aeroportos russos, 594 têm pistas pavimentadas.
A rede ferroviária russa era a 2ª do mundo em 2006, com 87.157 km, atrás dos EUA, com 225 mil km. Pela Ferrovia Transiberiana, passam as mais longas linhas de trem do planeta: Kiev-Vladivostok (11.085 km) e Moscou-Pyongyang (10.267 km).
A Rússia tem 1,283 milhão de quilômetros de estradas de rodagem, sendo 928 mil km pavimentados e 39 mil km de vias expressas. É a 8ª maior rede rodoviária do mundo, com 87 mil km; o Brasil tem a 4ª, com 1,581 milhão de km.
Há 102 mil km de hidrovias. A Marinha Mercante tinha 2.572 navios em 2017; era a 10ª do mundo; o Brasil era 28º.

TELECOMUNICAÇÕES

A Rússia tinha 32 milhões de telefones fixos em 2016, 9º lugar do mundo, enquanto o Brasil era o sexto com 41,8 milhões, e 231 milhões de telefones celulares ativos, 7º lugar do mundo, com o Brasil logo a frente com 244 milhões.
Em julho de 2016, 109 milhões de russos tinham acesso à Internet (76,4% da população, o que colocava o país em 7º lugar em número de usuários; o Brasil era o 5º, com 122,8 milhões.

CIÊNCIA

A ciência e a tecnologia se desenvolveram na Rússia a partir do reinado de Pedro I, o Grande (1672-1725), o czar modernizador e europeísta, que fundou a Academia de Ciências e a Universidade de São Petersburgo.
O matemático Nikolai Lobachevisky (1792-1856) foi chamado de “Copérnico da geometria”. O químico Dimitri Mendeleiev (1834-1907) criou a tabela periódica dos elementos. 
O fisiologista Ivan Pavlov (1849-1936) formulou a Teoria dos Reflexos Condicionados, sustentando que os seres humanos costumam repetir hábitos cotidianos automaticamente, por exemplo, ao ler ou dirigir, reagindo sem raciocinar. Ele dizia que o homem é um animal sujeito a reflexos condicionados e inibições.
Igor Sikorsky, que emigrou para os EUA em 1919, depois da revolução comunista, foi pioneiro no design de aviões e helicópteros.
Vladimir Zworykin (1888-1982), engenheiro que fugiu para os EUA em 1918, considerado o “pai da televisão”, inventou um sistema de receber imagens usando um tubo de raios catódicos. Em 1923, ele patenteou os “sistemas de televisão”.
Zworykin tinha fama de odiar o resultado prático de sua invenção: a programação da TV. “Jamais deixaria meus filhos assistirem”, é uma frase atribuída a ele. Qual sua parte favorita no aparelho? “O botão de desligar”.
Oleg Antonov (1906-84), Serguei Ilyushin (1894-1977), Mikhail Gurevitch (1893-1976), Artem Mikoyan (1905-70), Pavel Sukhoi (1895-1975) e Andrei Tupolev (1888-1972) foram projetistas dos aviões Antonov, Ilyushin, MiG, Sukhoi e Tupolev.
Mikhail Kalachnikov desenhou os fuzis de assalto Kalachnikov, AK-47 e AK-74, mais produzidos do que todos os outros fuzis de guerra juntos.
O físico Andrei Sakharov (1921-89), considerado o “pai da bomba atômica soviética”, se transformou num dissidente, defensor dos direitos humanos e das liberdades civis. O Prêmio Sakharov é o mais importante do Parlamento Europeu para direitos humanos.

quarta-feira, 30 de maio de 2018

EUA voltam a ameaçar a China com imposição de tarifas de importação

Depois de uma breve trégua de pouco mais de uma semana, os Estados Unidos voltaram a pressionar a China, ameaçando impor tarifas de importação sobre produtos chineses na tentativa de reduzir o déficit no comércio bilateral, que no ano passado chegou a US$ 375 bilhões.

Até meados de junho, os EUA vão apresentar uma lista de produtos importados no valor de US$ 50 bilhões por ano a serem taxados em 25%, sob a alegação de que a China leva vantagem sobre em propriedade intelectual e transferência de tecnologia. E vão continuar processando a China na Organização Mundial do Comércio (OMC).

Os EUA também vão restringir investimentos e exportações de setores de alta tecnologia para tentar retardar o desenvolvimento chinês num setor essencial para a manutenção da superioridade militar americana. O alvo principal é o programa Made in China 2025.

"Há muitos anos, a China usa práticas industriais e comerciais injustas - inclusive dumping, barreiras discriminatórias, transferência forçada de tecnologia, excesso de capacidade e subsídios à indústria - que favorecem firmas chinesas e tornam impossível a competição de empresas americanas no mesmo nível", declarou em nota a Casa Branca.

"Os custos destas políticas para a indústria americana continuam crescendo", acrescentou a nota:

  • O roubo de propriedade intelectual pela China custa bilhões de dólares a cada ano aos inovadores americanos.
  • A China é responsável por 87% dos produtos falsificados apreendidos ao tentar entrar nos EUA.
  • Beijim proibiu as importações de carne de aves, tirando de seu mercado os agricultores e fazendeiros americanos.
  • Os EUA cobram tarifa de 2,5% sobre carros importados da China, enquanto a China mantém uma tarifa de 25% sobre carros americanos.

A resposta chinesa será dada diretamente ao secretário do Comércio dos EUA, Wilbur Ross, que visita à China de 2 a 4 de junho.

sexta-feira, 4 de maio de 2018

EUA fazem exigências para evitar guerra comercial com a China

O governo Donald Trump apresentou hoje à China sua lista pesada de exigências para equilibrar o comércio entre os dois países e evitar uma guerra comercial entre as maiores economias do mundo, a começar por uma redução de 200 bilhões no saldo comercial chinês, que em 2017 chegou a US$ 375 bilhões.

A delegação americana acusou a China de roubo de tecnologia e propriedade intelectual. Exigiu o fim dos subsídios ao setor industrial dentro do programa Made in China 2025 (Fabricado na China 2025), que visa a tornar o país líder em tecnologias de ponta, num desafio à liderança tecnológica e militar dos EUA.

Um dos grandes objetivos não declarados da guerra comercial que Trump ameaça travar com a China é impedir que o país, que deve ultrapassar a economia americana entre 2020 e 2030, se torne uma superpotência tecnológica e militar capaz de superar os EUA. Pode dificultar e atrasar, mas dificilmente vai conseguir.

Dentro desta disputa tecnológica, os EUA vão restringir o investimento chinês nos EUA em vários setores de tecnologia de ponta e não aceitam retaliações, que com certeza virão. Ao mesmo tempo, querem mais facilidades para as empresas americanas investirem na China de olho no cobiçado mercado chinês.

Os EUA também querem a abertura do mercado chinês, com a redução de tarifas e a eliminação de barreiras não tarifárias aos produtos e serviços americanos, a "reciprocidade" cobrada por Trump. Ainda exigem que a China retire a reclamação contra os EUA na Organização Mundial do Comércio (OMC) porque Washington não trata a China como uma economia de mercado.

Não existe a menor chance da China aceitar estas exigências. Dentro do estilo de negociação de Trump, os EUA apresentaram uma lista maximalista na esperança de barganhar. A bola está com a China para continuar o jogo.

terça-feira, 3 de abril de 2018

EUA impõem tarifa de 25% a 1.333 produtos importados da China

O governo Donald Trump anunciou hoje que dentro de semanas vai começar a cobrar 25% de imposto de importação sobre 1.333 produtos chineses, robôs e máquinas industriais a carros elétricos, motores a jato e locomotivas, em retaliação que o presidente denuncia como décadas de roubo de propriedade intelectual dos Estados Unidos pela China, noticiou o jornal inglês Financial Times.

A lista cobre produtos pelos quais os americanos pagaram à China US$ 50 bilhões no ano passado. É o lance mais ofensivo dos EUA no comércio bilateral desde que a China entrou na Organização Mundial do Comércio (OMC). A China deve responder na mesma medida, alimentando o risco de uma guerra comercial entre as duas maiores economias do mundo.

"Esta ação protecionista unilateral viola seriamente os princípios e os valores fundamentais da OMC. Não serve os interesses da China, nem dos EUA e menos ainda da economia global", declarou em nota a embaixada chinesa em Washington.

O conflito começou com o anúncio de Trump de que imporia tarifas de 25% sobre o aço e de 15% sobre o alumínio importados. Em seguida, os EUA deram isenções a países aliados. A China respondeu aumentando as tarifas de importação de 128 produtos americanos, na maioria do setor agropecuário, visando diretamente estados conservadores que elegeram o atual presidente.

"A história sugere que é provável que haja negociações, o que vai provocar algum alívio aos investidores no curto prazo", comentou Tai Hui, estrategista do banco J P Morgan para a Ásia e o Pacífico. Mas, ressalva, "a tensão comercial sino-americana pode ter várias rodadas nos próximos anos. Isto pode levar os investidores a focar em setores e mercados asiáticos mais dependentes do consumo doméstico e menos expostos a disputas comerciais."

Por enquanto, "a escala atual da batalha tarifária é pequena para ter impacto material nos crescimentos chinês, americano ou global", previu Greg McKenna, estrategista da corretora AxiTrader.

sexta-feira, 2 de março de 2018

Trump inicia guerra comercial

Ao impor tarifas de 25% sobre as importações de aço e de 10% sobre as importações de alumínio, o presidente Donald Trump deflagrou uma guerra comercial em escala global. Os maiores parceiros comerciais dos Estados Unidos, a China, a União Europeia e o Canadá ameaçam impor tarifas retaliatórias sobre exportações americanas.

Diante da ameaça de um grande conflito comercial, o Índice Dow Jones, da Bolsa de Valores de Nova York, caiu 586 pontos. Teve uma recuperação, mas terminou o dia em queda de 380 pontos (1,5%). O índice amplo Standard & Poor's 500 e a bolsa de ações de alta tecnologia Nasdaq fecharam em queda de 1,3%.

O dia começou com boas notícias. O número de novos pedidos de seguro-desemprego caiu na semana encerrada em 24 de fevereiro em 10 mil para 210 mil. É o menor desde 1969. O índice dos gerentes de compras do Institute for Supply Management chegou a 60,8, a maior leitura desde maio de 2004.

Com o anúncio inesperado de Trump impondo tarifas pesadas em nome da "segurança nacional" e da proteção de empregos nos EUA, repudiadas pelos deputados e senadores liberais economicamente do Partido Republicano e pelas grandes empresas transnacionais americanas, o mercado desandou.

Em consequência, o Índice Dow Jones voltou a ficar negativo para o ano. A Nasdaq registra alta de 4%. "Os comerciantes estão focando na questão das tarifas, enquanto os investidores estão olhando para o aumento dos lucros, a inflação baixa e as taxas de juros bastante baixas."

O Brasil, onde o aço representa 3% das exportações, ameaça recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC) junto com outros países prejudicados. Mas Trump pode rejeitar a decisão e romper com a OMC, uma criação americana para promover o livre comércio e resolver conflitos comerciais, como ameaçou fazer tantas vezes, sob a alegação de que diminui a soberania dos EUA para negociar acordos internacionais.

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Globalização recua com a crise no Ocidente

Diante da aprovação da saída do Reino Unido na União Europeia no plebiscito de 23 de junho de 2016 e da vitória do nacionalismo de Donald Trump na eleição presidencial nos Estados Unidos, fica evidente a reação negativa das classes média e baixa com as perdas sofridas pelo processo de globalização econômica.

Enquanto a renda dos ricos que vendem para o mercado mundial cresce exponencialmente, a renda dos trabalhadores não registra aumentos significativos há décadas nos países ocidentais, fomentando reações nacionalistas e protecionistas que ameaçam a ordem internacional liberal construída sob a liderança dos EUA desde o fim da Segunda Guerra Mundial.

Desde a Grande Recessão, o crescimento do comércio internacional caiu sensivelmente. O valor das transações de bens e serviços subiu cerca de 60% de 2005 a 2015, mas sofreu uma forte queda no ano passado, depois de avanços medíocres de 2011, quando se agrava a crise da UE, a 2014, indicam dados da OMC (Organização Mundial do Comércio).

A principal causa da queda no ano passado foi a redução de 45% nos preços de energia. O comércio exterior sofreu uma baixa de quase 20% em 2009, no auge da crise econômica e financeira internacional. Recuperou-se nos anos seguintes, com avanços de 20% em 2010 e de mais de 15% em 2011. Ficou praticamente estagnado em 2012 e cresceu em média 2,2% em 2013 e 2014.

No ano passado, o valor das exportações caiu em mais de 10% e as importações um pouco abaixo disso.

A América do Norte, a Ásia e a Europa foram responsáveis por mais de 88% do comércio de bens entre os agora 164 países-membros da OMC nos últimos dez anos. As dez maiores potências comerciais são responsáveis por 52% do comércio internacional.

Mesmo assim, a participação dos países em desenvolvimento subiu de 33% em 2005 para 42% em 2015. O comércio entre países em desenvolvimento passou de 41% para 52% de seu comércio total. E a participação das economias em desenvolvimento chegou a 42% do comércio internacional de bens em 2015.

No setor de serviços, as dez maiores potências fizeram 53% das transações internacionais e os países em desenvolvimento 36%. A exportação de serviços somou US$ 4,68 trilhões em 2015.

Por ironia da história, com o sucesso da campanha nacionalista e protecionista do presidente eleito Donald Trump nos EUA, coube ao líder da China comunista, Xi Jinping, a defesa do livre comércio durante a reunião de cúpula anual do fórum Cooperação Econômica da Ásia e do Pacífico (APEC), realizada no fim de semana em Lima, no Peru.

As reuniões de cúpula da APEC começaram no governo Bill Clinton, em 1993, marcando uma virada dos EUA para o Oceano Pacífico, onde estão hoje as economias mais dinâmicas do mundo. O presidente Barack Obama tentou institucionalizar as regras do comércio na região com a Parceria Transpacífica (TTP). Diante da rejeição de Trump, o atual governo parou o processo de ratificação no Congresso dos EUA.

Trump promete renegociar os acordos comerciais dos EUA, que considera lesivos, e ameaça impor tarifas pesadas às importações da China, responsáveis pela maior parte do déficit comercial americano, que no ano passado foi de US$ 532 bilhões. Corre o risco de deflagrar uma guerra comercial de consequências negativas e imprevisíveis.

O presidente eleito ignora as lições da história. Ao mesmo tempo, a integração europeia, um projeto para suplantar os nacionalismos culpados por duas guerras mundiais, um modelo para uma globalização social-democrata em que os ricos financiem o desenvolvimento das regiões mais pobres, enfrenta sua pior crise.

No fim da Segunda Guerra Mundial, o presidente Franklin Delano Roosevelt lançou as bases da ordem internacional econômica liberal do pós-guerra na Conferência de Bretton Woods, em 1944, criando o Fundo Monetário Internacional (FMI), o Banco Mundial e o sistema multilateral de comércio.

Roosevelt sabia que o esforço de guerra havia sido decisivo para acabar com a Grande Depressão (1929-39), a maior crise da história do capitalismo. Temia a volta da depressão e conflitos comerciais capazes de deflagrar uma nova guerra mundial.

Assim, o FMI socorreria países em dificuldades com o balanço de pagamentos para que não abandonassem o comércio internacional. O Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento, hoje mais conhecido como Banco Mundial, financiou a recuperação no pós-guerra e depois passou a financiar o desenvolvimento.

A globalização não vai acabar porque é consequência do desenvolvimento das tecnologias de comunicações e de transportes. Só pode ser destruída por uma guerra nuclear de grandes proporções. Na era da Internet, o mundo está cada vez mais conectado.

Mas a volta do nacionalismo nos EUA de Trump, na China de Xi, na Rússia de Vladimir Putin, na Índia de Narendra Modi, no Reino Unido de saída da UE e a ascensão da extrema direita na Europa criam um mundo menos solidário, mais instável e perigoso.

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Visão retrógrada de Trump cria mundo mais perigoso

Os Estados Unidos historicamente tinham uma posição isolacionista. No Discurso de Despedida, seu primeiro presidente, George Washington, fez um alerta claro sobre a importância de não se envolver em guerras na Europa. Em 1917, depois de vários navios americanos serem torpedos pela Alemanha, o presidente Woodrow Wilson convenceu o país a entrar na "guerra para acabar com a todas as guerras". O presidente eleito Donald Trump promete resgatar esse isolacionismo sem sentido no mundo globalizado.

Wilson acreditava que o problema da guerra estava nas monarquias e na falta de democracia. Apresentou seu plano de paz de 14 pontos na Conferência de Versalhes, hoje chamada de "a paz para acabar com todas as pazes". Mas o Senado dos EUA, isolacionista, vetou a Convenção da Liga das Nações, proposta de Wilson,  a primeira organização de caráter universal dedicada à paz mundial.

Sem os EUA, a Liga nada fez contra as agressões do Japão, da Itália e da Alemanha. Mostrou-se impotente, enquanto a Grande Depressão (1929-39) minava o apoio ao liberalismo econômico.

Quando os EUA entraram na Segunda Guerra Mundial, em 1941, depois do ataques japonês a Pearl Harbor, no Havaí, o presidente Franklin Roosevelt articulou a Declaração das Nações Unidas, lançando o primeiro alicerce do que seria a ordem mundial no pós-guerra.

A recessão havia voltado em 1937 e 1938, com aumentos nas taxas de juros. A Grande Depressão só acabou com a aceleração da economia pelo esforço de guerra. Uma das maiores preocupações de Roosevelt era a volta da depressão depois da guerra.

Também estava claro para Roosevelt que a volta ao isolacionismo seria a volta a um mundo instável e imprevisível. Até hoje, os EUA mantêm forças na Europa, no Japão e na Coreia do Sul.

Para evitar a volta da recessão, os EUA patrocinaram a Conferência de Bretton Woods, em 1944, para criar a ordem econômica internacional do pós-guerra, assentada sobre o FMI, que visava a evitar que crises do balanço de pagamento levasse outros países a abandonar o comércio internacional (e a deixar de comprar produtos americanos); o Banco Mundial, inicialmente um banco de reconstrução do pós-guerra e depois um financiador do desenvolvimento (a injustiça econômica gera conflitos e guerras); e a Organização Internacional do Comércio.

Mais uma vez, o Senado dos EUA vetou, desta vez a Carta de Havana, que criava a OIC. O sistema multilateral de comércio foi construído a partir do Acordo Geral de Tarifas e Comércio (GATT). Em 1947, o comércio internacional movimentava US$ 57 bi. Na crise de 2008, eram US$ 9 tri. Durante décadas, os EUA promoveram rodadas de negociações para abrir os mercados da Europa, do Japão e dos países em desenvolvimento aos produtos industriais americanos.

Em 1994, no fim da Rodada Uruguai, nasce a Organização Mundial do Comércio (OMC), que além de fórum de negociações comerciais é um tribunal para solução de controvérsias, uma arquitetura criada pelos EUA. A entrada da China na OMC, em 2001, bagunçou o coreto. A ascensão irresistível da China acaba com a supremacia econômica dos EUA.

Por isso mesmo, interessa aos EUA a existência de um sistema multilateral de comércio baseado em regras e não no poder dos mais fortes. A OMC tem hoje mais de 150 países-membros. Para uma empresa transnacional, seguir as mesmas regras em 150 países é uma mão na roda.

A proposta de Trump é renegociar os acordos comerciais dos EUA mano a mano para impor o poderio econômico americano. Só que renegociar com mais de 100 países isoladamente é um pesadelo, como está percebendo o Reino Unido. Para as empresas, seria um inferno regulatório.

A OMC está em baixa. Numa crise, todos adotam medidas protecionistas, mas muito menos do que fariam sem uma organização internacional fiscalizando. Não há clima para liberalização comercial, como mostraram os ataques ao livre comércio durante a campanha eleitoral nos EUA.

O problema fundamental de Trump é ignorar as lições da história. Como disse o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, ex-primeiro-ministro da Polônia (que depende da OTAN para segurar a Rússia), "nenhum país pode ser grande isoladamente". 

Trump também ameaça não defender os aliados da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte), a aliança militar liderada pelos EUA, e sugeriu que Japão e Coreia do Sul façam suas próprias armas nucleares diante da chantagem atômica da Coreia do Norte. Ataca a não proliferação nuclear, uma das bases da política externa americana desde que outros países começaram a fazer a bomba.

No mundo globalizado, o isolamento não é uma opção. As empresas americanas espalhadas pelo mundo não vão repatriar fábricas e empregos. Em mais esta questão, Trump está na contramão da história. Suas ideias só podem acentuar o declínio relativo dos EUA. Uma superpotência nuclear decadente com um presidente paranoico é uma ameaça à paz mundial.

Assim, Trump ameaça destruir a ordem internacional que os EUA criaram no pós-guerra, a visão de mundo de Roosevelt, que rompeu o ciclo citado pelo Jaime. Como a ascensão de novas potências costuma provocar guerras, o nacionalismo rastaquera de Trump é um problema que vem da América profunda, o interior dos EUA que ignora o resto do mundo.

A derrota da ex-secretária de Estado Hillary Clinton, vista pelo eleitorado com representante do sistema político tão criticado, foi a derrota do internacionalismo liberal e da visão de mundo de Roosevelt e também da globalização econômica defendida pelo presidente Bill Clinton depois do fim da Guerra Fria. 

A decisão do eleitorado britânico de retirar o Reino Unido da União Europeia vai no mesmo sentido, é a revolta dos perdedores da globalização no mundo anglo-saxão, que desde 1776 prega o liberalismo econômico como forma de aumentar a riqueza das nações.

Na minha opinião, em vez da globalização neoliberal, precisamos de uma globalização social-democrata em que os países ricos financiem o desenvolvimento das regiões mais pobres, no modelo da integração europeia. O problema é que a UE vive sua mais profunda crise sem perspectiva de solução

Por sua vez, a China afirma ter aprendido as lições da Alemanha e da URSS, mas sua crescente agressividade com os vizinhos indica que grandes potências continuam a agir como grandes potências, ou seja, a abusar do poder.

O mundo de Trump é mais perigoso.