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quinta-feira, 20 de fevereiro de 2025

Neofascismo de Trump abala o mundo em um mês

Em 31 dias, o presidente Donald Trump abusou do poder, atacou a democracia em todas as frentes, exorbitou de seus poderes, nomeou um tecnofascista para depredar a máquina do Estado, acabou com o combate à corrupção e ao aquecimento global, desafiou a Justiça e a Constituição, perdoou os criminosos que atacaram o Congresso, perseguiu imigrantes, adversários políticos e jornalistas independentes, desrespeitou e insultou aliados dos EUA, conchavou com o maior inimigo do país, iniciou uma guerra comercial, ameaçou anexar o Canadá, comprar a Groenlândia, retomar o Canal do Panamá e ocupar a Faixa de Gaza, se autoproclamou rei e anunciou a intenção de concorrer a um terceiro mandato, o que é inconstitucional. 


 
No plano interno, a demolição do Estado está a cargo do homem mais rico do mundo. Elon Musk comanda um exército de tecnofascistas que querem substituir funcionários públicos estáveis por máquinas, eliminar agências independentes e tirar a comida, os medicamentos e as vacinas das crianças mais pobres do mundo.

Em desafio à Justiça, todos os condenados pelo assalto ao Capitólio em 6 de janeiro de 2021 foram perdoados. Um miliciano sentenciado a 22 anos quer ser candidato. Numa violação à Constituição, Trump tenta negar cidadania a filhos de imigrantes nascidos

O combate à corrupção acaba para não prejudicar os "negócios" das empresas norte-americanas no exterior. O aquecimento global é ignorado para baratear a energia com a intenção de reindustrializar o país. Outro elemento dessa estratégia é a guerra comercial com tarifaços para pressionar as empresas a abrir fábricas nos EUA.

A Rússia, inimiga histórica, está sendo bajulada com todas as concessões que o ditador Vladimir Putin sonhava, a ponto dos EUA vetarem uma condenação à invasão da Ucrânia numa declaração conjunto do Grupo dos Sete (maiores potências industrias do Ocidente e Japão).

terça-feira, 13 de junho de 2023

UE quer fechar acordo com o Mercosul neste ano

 A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, declarou ontem em visita à Brasília que espera concluir até o fim do ano o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia (UE). O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reclamou de um protocolo adicional que prevê sanções unilaterais se o Brasil não cumprir as metas do Acordo de Paris sobre Mudança do Clima.

O acordo UE-Mercosul está sendo negociado desde 1995. Foi fechado em 2019. Depende agora da ratificação por todos os países envolvidos. O maior risco de veto vem da França, que tem um setor agrícola forte e altamente protecionista que teme a concorrência do Mercosul. Mas a Argentina e o Brasil querem alterar partes para preservar e ampliar o setor industrial.

Na Europa, há uma grande preocupação com a preservação da Floresta Amazônica, que é fundamental para combater o aquecimento global. O Brasil teme que a questão ambiental seja usada para mascarar o protecionismo econômico. Meu comentário:

sexta-feira, 17 de junho de 2022

Hoje na História do Mundo: 17 de Junho

NOVA ALBION

    Em 1579, ao dar a volta ao mundo, o corsário Sir Francis Drake é o primeiro a reivindicar o que hoje é território dos Estados Unidos para a coroa da Inglaterra

Drake ancora um pouco ao norte da Baía de São Francisco, na Califórnia, e chama o território de Nova Albion.

Drake zarpa em 13 de dezembro de 1577 para atacar possessões espanholas no Oceano Pacífico, mas só um dos cinco navios passa pelo Cabo dos Chifres, o lugar mais perigoso da navegação mundial. 

O corsário da rainha Elizabeth I fica um mês na Califórnia reparando o navio e segue até onde hoje é o estado de Washington em busca de uma passagem do norte para o Oceano Atlântico. 

Sem sucesso, atravessa os oceanos Pacífico e Índico e dá a volta no Cabo da Boa Esperança para chegar a Plymouth, na Inglaterra, em 26 de setembro de 1580. 

A frota do português Fernão de Magalhães é a primeira a ar a volta ao mundo, em 1519-22, a serviço da coroa espanhola, mas ele morre em Cebu, nas Filipinas, em 27 de abril de 1521.

 ESTÁTUA DA LIBERDADE

    Em 1885, a Estátua da Liberdade, um presente da França aos Estados Unidos, chega desmontada ao porto de Nova York

São 350 peças de cobre e ferro embaladas em 200 caixas. Foi inaugurada no ano seguinte pelo presidente Grover Cleveland.

O projeto é do arquiteto francês Frederic-Auguste Bartholdi, que teria usado a mãe como modelo, e do engenheiro Gustave Eiffel, o mesmo da torre que é o símbolo de Paris.

A França é a mais antiga aliada dos EUA. Como inimiga do Império Britânico, apoia os colonos norte-americanos na Guerra da Independência. Em contrapartida, os americanos apoiam a Revolução Francesa e a proclamação da República.

Por ironia da história, um revolucionário britânico luta pela independência dos EUA e pela Revolução Francesa. Tom Paine escreve Semente do Homem, livro que levou 13 colônias a declarar independência, é deputado da Assembleia Nacional da França e o primeiro a falar em Revolução Americana, em 1795.

GUERRA COMERCIAL DEPRIMENTE

    Em 1930, o presidente Herbert Hoover sanciona a Lei de Tarifas Smoot-Hawley, que aumenta as tarifas de importação sobre mais de 20 mil produtos para proteger a economia dos Estados Unidos

As segundas tarifas mais altas da história americana, inferiores apenas às de 1828, deflagram uma guerra comercial. 

Ao agravar a crise financeira desencadeada pelo colapso da Bolsa de Valores de Nova York em 24 de outubro de 1939, o protecionismo e as retaliações de outros países causam uma queda de 67% no comércio exterior dos EUA e levaram à Grande Depressão (1929-39), principal causa econômica da Segunda Guerra Mundial.

FRANÇA FORMALIZA RENDIÇÃO

    Em 1940, a França formaliza a rendição à Alemanha nazista na Segunda Guerra Mundial (1939-45). 

O marechal Henri Pétain substitui Paul Reynaud como primeiro-ministro francês e anuncia a intenção de negociar um armistício com os nazistas. Herói da Primeira Guerra Mundial, Pétain chefia um governo colaboracionista durante a ocupação.

No dia seguinte, o general Charles de Gaulle faz um pronunciamento em Londres transmitido pela BBC conclamando os franceses a continuar lutando contra os nazistas. 

Os aliados invadem a região da Normandia, no Noroeste da França, em 6 de junho de 1944 e libertaram Paris em 25 de agosto do mesmo ano.

Pétain e Pierre Laval, um fascista que se torna o homem-forte do regime colaboracionista em 1942, fogem sob a cobertura dos nazistas, mas são presos e condenados à morte por traição. De Gaulle comuta a pena de Pétain para prisão perpétua. Ele morre em 1951.

INVASÃO DO EDIFÍCIO WATERGATE

    Em 1972cinco homens são presos sob a acusação da invadir a sede do Comitê Nacional do Partido Democrata, no Edifício Watergate, em Washington

É o início do Escândalo de Watergate, que derrubou o presidente Richard Nixon e faz hoje 50 anos.

Três são exilados cubanos, um cubano-americano e o outro um ex-agente da CIA (Agência Central de Inteligente). Com eles, são encontrados equipamentos sofisticados de telecomunicações que seriam usados para espionar o maior partido de oposição tendo em vista as eleições de 1972.

A presença de advogados caros chamou a atenção do repórter Carl Bernstein, do jornal The Washington Post. Com seu colega Bob Woodward, o Post descobre que os cinco faziam parte da turma de encanadores da Casa Branca, o que os leva ao presidente e vários ministros. 

Nixon cai por mentir e tentar obstruir a Justiça. Renuncia em 9 de agosto de 1974 para escapar de um processo de impeachment. 

Todos os ministros envolvidos são presos. Nixon recebe perdão do presidente Gerald Ford.

segunda-feira, 31 de agosto de 2020

Donald Trump: presidente da era da sociedade do espetáculo

Magnata nova-iorquino governa EUA com mentiras e como reality show

Quando foi eleito presidente, em 1980, Ronald Reagan descrevia os Estados Unidos como uma cidadezinha brilhando ao sol no alto de uma colina. Um paraíso com possibilidades ilimitadas. 

Durante a campanha de 2016, Donald Trump pintou um quadro caótico de um país sombrio com as cidades assoladas pela criminalidade e pela violência. Um inferno. Agora, dobrou a aposta. Joga com o medo para assustar a classe média branca para se apresentar como o candidato da segurança pública.

Ao lançar sua primeira candidatura à Casa Branca, em 16 de junho de 2015, Trump chamou os imigrantes mexicanos de traficantes, assassinos e estupradores, e os EUA de vítimas da exploração econômica. 

No discurso para aceitar a candidatura à reeleição, em 27 de agosto deste ano, qualificou os manifestantes que protestam contra o racismo desde o assassinato de George Floyd, em 25 de maio, de “incendiários, agitadores, arruaceiros, saqueadores, anarquistas” e aliados da oposição.

“Ninguém estará seguro nos EUA de Joe Biden”, advertiu o presidente em discurso nos jardins da Casa Branca violando a lei que proíbe manifestações políticas em prédios públicos, com o escudo da Presidência à frente e um mar de bandeiras atrás. Quatro anos atrás, fez a mesma promessa de restaurar a lei a ordem.

Leia mais em Quarentena News.

sexta-feira, 10 de abril de 2020

Pandemia chega a 100 mil mortes em 1,7 milhão de casos confirmados

O total de mortos pela pandemia do coronavirus no mundo inteiro passa de 100 mil e, nos Estados Unidos, de 18 mil. O total de casos confirmados no mundo está perto de 1,700 milhão, com 375 mil pacientes curados e mortalidade de 6 por cento.


Os EUA têm mais de 502 mil registrados. Com mais 1.953 mortes, o total chegou a 18.747, com letalidade de 3,7 por cento. O Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos acredita que a pandemia está chegando ao pico no país.

O governador de Nova York espera que a curva se estabilizou. A maior cidade americana abre valas comuns para enterrar os mortos. A boa notícia é diminui o número de doentes em terapia intensiva. 

Neste sábado, os EUA devem ultrapassar a Itália, que tem 18.849 óbitos, 102 a mais do que nos EUA. Em número de casos, a Itália é o terceiro país, com 147.577 casos confirmados, mortalidade de 12,77 por cento. 

A Espanha tem mais casos registrados do que a Itália. São 158.273 casos e 16.081 mortes, mortalidade de 10,16 por cento. 

Nestes dois países, os dois mais atingidos da Europa, tanto o número de mortes quanto o de novos casos confirmados caíram, num sinal de que a curva do contágio estaria se estabilizando. 

Com mais 987 mortes em 24 horas, a França tem agora 13.197 mortes em 124.869 casos confirmados, letalidade de 10,5 por cento. Depois de mais 980 mortes num dia, o Reino Unido está perto de 9 mil mortes em 73.758 casos, mortalidade de 12,14 por cento, abaixo apenas da Itália.

A China, onde o primeiro caso foi registrado em 17 de novembro, registrou três novas mortes. Oficialmente, tem quase 82 mil casos e 3,339 mortes, mortalidade de 4 por cento. Os médicos chineses não viram comprovação de que o tratamento com cloroquina dê resultado, como defendem os presidentes Donald Trump e Jair Bolsonaro.

O Brasil se aproxima dos 20 mil casos confirmados, com 1.074 mortes, sendo 104 na sexta-feira, e letalidade de 5,38 por cento. Meu comentário:

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2020

Pressões variadas revelam limites da globalização

Depois de décadas de abertura comercial, com queda de tarifas e outras barreiras à movimentação de bens e serviços pressões políticas, econômicas, demográficas e tecnológicas estão reformatando a globalização da economia. Esta tendência deve se acentuar ao longo da década. 

A globalização veio para ficar, a não ser que haja uma catástrofe em grande escala. A complexidade das cadeias produtivas vai continuar, mas vai haver movimentos para fortalecer as cadeias produtivas locais e regionais, e um aumento do comércio intrarregional. 

Os grandes acordos comerciais são complexos e inflexíveis. Estão sendo substituídos por acordos bilaterais ou com poucos países. 

Durante décadas, desde o fim da Segunda Guerra Mundial, os Estados Unidos construíram o sistema multilateral de comércio para promover a abertura comercial, inicialmente para evitar a volta da Grande Depressão dos anos 1930. 

Com a entrada da China na Organização Mundial do Comércio, a OMC, em 2001, entrou no jogo um concorrente fortíssimo, com baixo custo de produção. Isso ajudou a manter os juros e a inflação baixos, mas provocou forte erosão na renda dos trabalhadores dos países ricos que viram suas fábricas migrar para a China e outros países. Meu comentário:

segunda-feira, 25 de novembro de 2019

Comércio internacional sofreu forte queda em setembro

Uma forte baixa no comércio global em setembro reduz as chances de uma retomada mais forte da economia internacional, abalada pela guerra comercial entre os Estados Unidos e a China, parte de uma confrontação estratégica pela supremacia mundial que deve durar décadas.

O volume global do comércio exterior caiu 1,3 por cento em setembro em relação a agosto, depois de uma pequena expansão de meio por cento em agosto. A queda de setembro anulou os ganhos dos dois meses anteriores, quando havia uma expectativa de que as duas maiores economias do mundo chegariam logo a um acordo preliminar.

“Enquanto as negociações permaneceram com perspectivas no máximo mistas, o comércio continuará travado”, comentou o economista Timme Spakman, do banco ING.

Em relação ao ano passado, o comércio em setembro foi 1,1 por cento menor do que em setembro de 2019. Foi o quarto mês seguido em que a comparação anual registrou queda.

Os principais responsáveis foram os Estados Unidos e a China. Em setembro, o volume de importações dos Estados Unidos caiu 2,1 por cento relação a agosto. Na China, a baixa foi de 6,9 por cento.Meu comentário:

quarta-feira, 5 de junho de 2019

Guerra comercial EUA-China ameaça crescimento mundial

A débil recuperação da economia mundial pode sofrer um duro golpe, com queda de meio ponto percentual na taxa de crescimento por causa do conflito comercial entre os Estados Unidos e a China, advertiu hoje o Fundo Monetário Internacional (FMI).

As guerras comerciais causam queda no investimento, na produtividade e no crescimento. O nacionalismo econômico e o protecionismo do presidente Donald Trump afetam principalmente os países emergentes, que dependem das oportunidades oferecidas pela economia internacional.

Isso mostra a insensatez da política externa do presidente Jair Bolsonaro e de seu bizarro ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, de alinhamento automático com os EUA. Meu comentário:


segunda-feira, 13 de maio de 2019

China sobretaxa produtos dos EUA no valor de US$ 60 bilhões

As bolsas de valores caem no mundo inteiro diante do anúncio da China de que vai retaliar o tarifaço do presidente Donald Trump impondo taxas de 10% a 25% sobre 4.545 produtos dos Estados Unidos, importados num valor de US$ 60 bilhões por ano, a partir de 1º de junho, noticiou o jornal inglês Financial Times.

"O ajuste das tarifas é uma resposta ao unilateralismo e ao protecionismo comercial dos EUA", declarou em nota o Ministério das Finanças da China. "Para proteger o sistema multilateral de comércio e defender seus direitos e interesses legítimos, a China teve de ajustar as tarifas sobre alguns bens importados dos EUA."

As sobretaxas atingem vários setores da economia americana, da indústria pesada à agricultura, passando por produtos de consumo doméstico.

Para a maioria dos produtos sobretaxados, a tarifa sobe para 25%. Este grupo inclui alimentos como espinafre congelado e mel natural, substâncias como o sulfato de potássio, usado como fertilizante, e bens industriais como lâmpadas de LED.

Outras duas listas têm 1.078 produtos taxados em 20% e 974 itens tarifados em 10%. Entre eles, estão pasta de dentes, tecidos, roupas e máquinas para fabricar sapatos. Ficaram de fora 595 itens, inclusive lítio, aldeído fórmico, petróleo bruto, impressoras em três dimensões, aviões e instrumentos eletrônicos para dar a partida em carros, barcos e aviões.

Ao anunciar a retaliação, o Conselho de Estado da China declarou que "o lado chinês espera que os EUA voltem ao lado correto das consultas bilaterais comerciais e econômicas, e a trabalhar junto com a China para uma aproximação e tentar chegar a um acordo mutuamente benéfico na base do respeito mútuo."

Se não houver progresso nas negociações para acabar com a guerra comercial entre os dois países mais ricos do mundo, o governo Trump ameaça aumentar para 25% as alíquotas sobre outros produtos chineses, com um valor anual de importação de US$ 325 bilhões.

Isto cobriria quase todas as exportações chinesas para os EUA, que somaram US$ 539 bilhões em 2018. Os detalhes deste novo salvo na guerra comercial podem ser anunciados ainda hoje.

Na manhã desta segunda-feira, antes do anúncio, Trump advertiu a China a não retaliar e afirmou que será "gravemente atingida" se não chegar a um acordo porque as empresas americanas "serão forçadas a deixar a China e ir para outros países".

Minutos depois, a televisão estatal chinesa reagiu: "Se os EUA quiserem conversar ou lutar na próxima etapa, ou adotar outras ações, a China está totalmente preparada com sua caixa de ferramentas políticas para dar uma resposta ampla."

Em Nova York, as bolsas vivem o pior dia em quatro meses. Os índices Dow Jones e S&P 500 caem mais de 2,5%, enquanto a bolsa eletrônica Nasdaq, de ações de empresas de alta tecnologia, perde mais de 3%. A Bolsa de Valores de São Paulo opera em baixa de 2,5%.

Os preços do petróleo também estão em queda por causa do impacto da guerra comercial sobre a economia internacional. A soja está na sua pior cotação em dez anos. Vale US$ 292 por tonelada na Bolsa Mercantil de Chicago, informou a agência Bloomberg.

A escalada na guerra comercial fortalece os radicais dos dois lados e desacelera a economia mundial. "Os dois maiores riscos enfrentados hoje pelos mercados são uma guerra comercial e bancos centrais aumentando as taxas de juros depressa demais", avaliou a economista Kristina Hooper, estrategista para o mercado global da Invesco.

Apertem os cintos! A economia mundial passa por um período de fortes turbulências. A esperança é que Trump e o ditador Xi Jinping se encontrem na reunião de cúpula do Grupo dos 20 em 28 e 29 de junho, em Osaka, no Japão, e aliviem a tensão.

terça-feira, 25 de setembro de 2018

Trump rejeita globalismo e ataca o Irã e a Venezuela na ONU

Em seu segundo discurso na Assembleia Geral das Nações Unidas como presidente dos Estados Unidos, Donald Trump rejeitou hoje o globalismo, defendeu o "patriotismo" e sua política externa de "EUA, primeiro".

Com uma visão negocista das relações internacionais, Trump aproveitou esse parlamento mundial para deixar claro que os EUA não vão aceitar nenhuma limitação a seu poder, "vão sempre escolher a independência e a cooperação à governança global, ao controle e à dominação."

Em 35 minutos, defendeu sua visão isolacionista, que vai contra a política externa dos EUA no pós-guerra de gestão coletiva das crises internacionais através do multilateralismo: "Honro o direito de cada nação nesta sala de seguir seus próprios costumes, crenças e tradições. Os EUA não vão dizer a vocês como viver, trabalhar ou rezar. Só pedimos que honre nossa soberania."

Os EUA "nunca vão pedir desculpas por proteger seus cidadãos", afirmou Trump, no que pode ser interpretado dos pontos de vista econômico e militar, justificando a guerra comercial e o aumento do orçamento de defesa para mais de US$ 700 bilhões anuais.

"Os EUA não vão tolerar serem passados para trás", vociferou, pensando no déficit comercial, de US$ 566 bilhões no ano passado.

Ao criticar governos anteriores, Trump costuma dizer "os EUA viraram piada no resto do mundo". Desta vez, acertou. Quando disse que seu governo fez mais em dois anos do que a maioria dos governos da história do país, o plenário caiu na risada.

Também aproveitou a oportunidade para atacar os líderes do Irã, da Síria, da Venezuela e da China. O principal alvo foi o Irã. O presidente citou a retirada dos EUA do acordo nuclear firmado em 2015 pelas grandes potências do Conselho de Segurança da ONU e o Irã para desarmar o programa nuclear iraniano como um marco significativo de seu governo.

A partir de novembro, os EUA voltam a impor sanções ao Irã e estão pressionando o resto do mundo a fazer o mesmo. Mas os outros países signatários e a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) entendem que o regime teocrático iraniano estava cumprindo o acordo. A União Europeia já estuda meios para fugir das sanções cruzadas dos EUA.

No ano passado, o alvo era o ditador da Coreia do Norte, Kim Jong Un, o mais novo amigão de Trump, que chamou de "fogueteiro" num discurso tão forte que suscitou medo de que os EUA bombardeassem a Coreia do Norte. Hoje, agradeceu a Kim pela "coragem e os passos que deu".

Depois, Trump comentou que a mesma tática pode funcionar com o Irã. No discurso, responsabilizou a "ditadura corrupta do Irã" pela guerra civil da Síria: "Eles semeiam o caos, a morte e a destruição. Os EUA lançaram uma campanha de pressão econômica para negar ao regime os fundos para avançar com sua agenda sanguinária."

O governo Trump exige que o Irã, além de abandonar o desenvolvimento de armas atômicas, pare de fabricar mísseis de médio e longo alcances e de interferir em outros países da região.

Quando o presidente iraniano, Hassan Rouhani, falou, criticou o "nacionalismo extremado e o racismo". Sem nenhum incentivo para negociar no momento, o Irã aguarda o desenrolar as negociações entre os EUA e a Coreia do Norte para reavaliar a conveniência de retomar o diálogo com Washington.

Ignorante e incompetente em política externa, Trump joga para destruir a ordem internacional liberal criada depois da Segunda Guerra Mundial sob a inspiração do presidente Franklin Delano Roosevelt para resolver as crises internacionais em conjunto com os aliados num sistema multilateral.

Trump acredita que o multilateralismo limita o poder dos EUA, em vez de ampliá-lo. Prefere negociações bilaterais diretas em que pretende impor a supremacia americana. Sua visão de mundo despreza aliados tradicionais como a Europa, o Canadá e o Japão.

O mundo de Trump seria uma recriação da era dos impérios, anterior à Primeira Guerra Mundial, um mundo dividido em esferas de influência de grandes potências, EUA, China e Rússia, que levou a duas guerras mundiais. Como ele só acredita em poderio militar, a União Europeia, uma superpotência econômica, não pesa.

Na sua paixão indiscreta por homens-fortes e ditaduras, o presidente americano elogiou a Arábia Saudita, ignorando a tragédia causada pela intervenção militar saudita na guerra civil do Iêmen, o conflito mais mortal no mundo hoje.

terça-feira, 17 de julho de 2018

Obama critica Trump em homenagem a Mandela

Ao dar hoje a Aula Anual Nelson Mandela, na véspera do centenário de nascimento do herói negro sul-africano, em Joanesburgo, na África do Sul, o ex-presidente americano Barack Obama criticou indiretamente seu sucessor, Donald Trump, ao citar “aqueles que no poder procuram minar toda norma e instituição que dá sentido à democracia.”

Obama advertiu que, “de repente, a política do homem-forte está em ascensão, em que as eleições e uma pretensa democracia são mantidas, na forma.” Nestes tempos “estranhos e incertos”, acrescentou, “a cada dia, um novo ciclo de notícias traz mais manchetes perturbadoras e de virar a cabeça”.

“A política do medo, do ressentimento e da retração começou a aparecer e está em ação num ritmo que seria inimaginável dois anos atrás”, afirmou Obama. “Não estou sendo alarmista. Estou falando de fatos.”

Sem citar Trump, criticou o protecionismo econômico, a negação da mudança climática e o fechamento da fronteira. É possível cumprir a lei, argumentou Obama, sem desrespeitar e dividir famílias, como o atual governo dos Estados Unidos: “Quando se lida com crianças, temos de pensar nas nossas famílias.”

Outra crítica foi à mentira como forma de fazer política: “Assistimos ao desaparecimento total da vergonha pelos dirigentes políticos. Quando são pegos em flagrante mentira, mentem ainda mais.”

De acordo com o jornal sul-africano Mail & Guardian, Obama citou três lições de Mandela: “a igualdade econômica, o valor do indivíduo e a importância da democracia”. O presidente americano concluiu: “Madiba [Nelson Mandela] nos mostrou que aqueles que acreditam na democracia e na igualdade econômica devem lutar ainda mais.”

quinta-feira, 28 de junho de 2018

Crescimento dos EUA no primeiro trimestre é revisado para baixo

A maior economia do mundo cresceu nos primeiros três meses de 2018 num ritmo inferior ao estimado anteriormente, de 2% ao ano, com redução nos números sobre consumo pessoal e acumulação de estoques, anunciou hoje o Departamento do Comércio dos Estados Unidos. As leituras anteriores foram de 2,3% e 2,2% ao ano.

De qualquer jeito, houve uma desaceleração do crescimento, que foi de 2,9% ao ano no último trimestre de 2017, para o ritmo mais fraco em um ano.

"A desaceleração no crescimento real do produto interno bruto no primeiro trimestre reflete desacelerações no consumo pessoal, nas exportações, nos investimentos em imóveis residenciais e nos gastos públicos dos governos municipais, estaduais e federal

O principal motivo da queda no crescimento foi uma baixa no avanço do consumo pessoal de 4% ao ano no fim do ano passado para 0,9% ao ano entre janeiro e março. A acumulação de estoques caiu de US$ 20,2 bilhões na estimativa anterior para US$ 13,9 bilhões.

Apesar do mau resultado, a expectativa é de uma expansão maior no segundo trimestre, de até 4%, em função do aumento do consumo pessoal e da queda no déficit comercial por causa das políticas protecionistas do governo Donald Trump. A longo prazo, a previsão é de um impacto negativo do protecionismo sobre o crescimento americano, com risco de recessão.

sábado, 9 de junho de 2018

Trump propõe transformar G-7 em área de livre comércio

Em mais uma surpresa para os aliados dos Estados Unidos no Grupo dos Sete, que reúne as maiores potências industriais capitalistas (EUA, Japão, Alemanha, Reino Unido, França, Itália e Canadá), o presidente Donald Trump propôs fazer do G-7 uma zona de livre comércio, sem tarifas de importação nas transações entre os países-membros.

Foi uma surpresa porque Trump chegou à reunião de cúpula em Charlevoix, no Canadá, depois de anunciar a imposição de tarifas sobre as exportações de aço e alumínio dos aliados, no que pode facilmente virar uma guerra comercial.

"Sem tarifas, nem barreiras - é assim que deve ser. E sem subsídios", declarou o presidente americano antes de sair da reunião rumo a Cingapura, onde se encontra na terça-feira com o ditador da Coreia do Norte, Kim Jong Un. "Somos como aquele cofrinho de porquinho que todo o mundo está roubando. Isso vai acabar."

Em entrevista coletiva, Trump voltou a se queixar do protecionismo agrícola do Canadá e denunciou as políticas comerciais "brutais" da União Europeia: "Isso vai parar ou vamos parar de comerciar com eles."

O chefe da assessoria econômica da Casa Branca, Larry Kudlow, afirmou que a proposta de criar uma zona de livre comércio é resultado de uma "longa discussão" e não mais uma atitude impulsiva de Trump. Na sua opinião, é preciso "reduzir aquelas barreiras. De fato, ir para zero, sem tarifas, sem barreiras não tarifárias nem subsídios. Ao longo do caminho, vamos ter de limpar o sistema de comércio internacional."

Ao chegar ao poder, Trump retirou os EUA da Parceria Transpacífica (TPP), acertada pelo governo Barack Obama, e praticamente enterrou as negociações sobre uma Parceria Transatlântica de Comércio e Investimentos.

Antes de sair, Trump declarou ser contra uma iniciativa do Canadá para combater a poluição de plástico nos oceanos. O presidente americano deixou a reunião cedo neste sábado, antes do debate do G-7 sobre questões ambientais.

quinta-feira, 31 de maio de 2018

Trump sobretaxa aço e alumínio da UE, do Canadá e do México

Enquanto late mas não morde no conflito comercial com a China, o presidente Donald Trump preferiu sair atacando aliados dos Estados Unidos. Seu governo passa a cobrar a partir de amanhã tarifas de 25% sobre o aço e de 10% sobre o alumínio importados da União Europeia, do Canadá e do México, que imediatamente anunciaram retaliações.

"Hoje é um dia muito ruim para o comércio internacional", reagiu o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, ao anunciar a resposta da UE: aumento das tarifas de produtos tipicamente americanos, como bourbon, motocicletas e manteiga de amendoim.

No Canadá, o primeiro-ministro Justin Trudeau prometeu sobretaxas no valor de US$ 12,8 bilhões sobre produtos americanos. O México promete retaliar na mesma pedida das perdas que lhe forem impostas.

O governo Trump passou as últimas semanas negociando reduções no déficit comercial dos EUA com seus maiores parceiros comerciais, o que também inclui a China. Washington queria impor cotas.

A proposta de Trump foi considerada inaceitável por violar as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC), especialmente pelo México e o Canadá, sócios dos EUA no Acordo de Livre Comércio da América do Norte (Nafta).

Por enquanto, só Argentina e Coreia do Sul aceitaram as restrições de exportação exigidas pelos EUA. O Brasil e a Austrália ainda estão isentos das sobretaxas americanas. As empresas brasileiras estariam dispostas a aceitar as cotas.

Outros países, como Índia, Japão, Rússia e Turquia, nunca estiveram isentos das sobretaxas.

Era o que a Europa temia. A guerra comercial de Trump não começa com a China, a superpotência ascendente que ameaça a liderança mundial dos EUA, mas com os aliados. Com sua mentalidade negocista, Trump quer levar vantagem em tudo. Ataca primeiro os mais fracos, embora sejam aliados, a recuam diante da China.

Os EUA decidiram colocar em lista negra a companhia de equipamentos de telecomunicações chinesa ZTE, suspeita de colaborar com espionagem e de estar a serviço do aparato militar da China. Bastou um telefonema do ditador Xi Jinping para Trump mudar de ideia.

Há muita insatisfação dentro do próprio Partido Republicano. Os conservadores entendem que Trump está perdendo a guerra comercial com a China.

A longo prazo, uma guerra comercial tende a deixar o muito inteiro mais pobre, além do risco de deflagrar guerras de verdade.

A Grande Depressão (1929-39) começou com o colapso da Bolsa de Valores de Nova York, mas foi alimentada por uma guerra comercial. Em 1932, 25% dos americanos e 12,5% dos alemães estavam desempregados. Franklin Delano Roosevelt foi eleito presidente dos EUA. O Partido Nacional-Socialista Trabalhista Alemão (nazista) tornou-se o mais votado na Alemanha.

Trump não conhece história. Como observou Edward Luce, no Financial Times, quer retroceder a 1929.

quarta-feira, 16 de maio de 2018

UE e Zona do Euro cresceram 0,4% no primeiro trimestre

A União Europeia e a Zona do Euro registram um crescimento de 0,4% no primeiro trimestre de 2018 em relação ao trimestre anterior. Nos últimos 12 meses, a UE avançou 2,4% e a Eurozona, 2,5%, revelou hoje o Eurostat, o escritório oficial de estatísticas do bloco europeu.

No último trimestre de 2017, a UE, formada por 28 países, tinha crescido 0,6% e a Eurozona, de 19 países, 0,7%. Os maiores avanços foram registrados na Polônia (1,6%), na Hungria (1,2%) e na Finlândia (1,1%). Os piores desempenhos foram da Romênia (0%), Reino Unido (0,1%) e Alemanha, Dinamarca, França e Itália (todos com 0,3%).

Os EUA avançaram 0,7% no fim de 2017 e 0,6% no começo de 2018, na comparação trimestral. Com o fortalecimento da economia americana, o dólar está em alta no mundo inteiro.

A Europa começou o ano sob o risco de uma guerra comercial deflagrada pelas políticas protecionistas do governo Donald Trump, com o enfraquecimento da liderança da chanceler (primeira-ministra) alemã, Angela Merkel, depois das eleições do ano passado, a discordância da Alemanha ante as propostas de reforma da UE propostas pelo presidente da França, Emmanuel Macron, a expectativa de formação de um governo populista antieuropeu na Itália e o desafio da ascensão do ultranacionalismo na Polônia e na Hungria.

quarta-feira, 4 de abril de 2018

China responde a tarifaço de Trump com sobretaxas de US$ 50 bilhões

A China reagiu rapidamente às novas tarifas anunciadas ontem pelos Estados Unidos sobre 1.333 produtos chineses, taxando 106 categorias de produtos americanos importados dos EUA em 25%, num total de US$ 50 bilhões por ano. Entre os produtos visados, estão automóveis, produtos químicos e soja.

Os alvos principais da China são estados conservadores com grande produção agrícola onde Trump venceu a eleição presidencial. Depois de uma forte queda no primeiro momento, por medo de uma guerra comercial entre as duas maiores economias do mundo, a Bolsa de Valores de Nova York se recuperou e fechou em alta de 0,96%.

"A China nunca sucumbiu a pressões externas", declarou o vice-ministro das Finanças, Zhu Guangyao. "A pressão externa vai apenas fazer o povo chinês se concentrar mais no desenvolvimento econômico. A postura da China é clara. Não queremos uma guerra comercial porque prejudicaria os interesses dos dois países."

Até agora, os tarifaços são considerados insuficientes para ter um grande impacto no comércio bilateral entre os dois países, de quase US$ 650 bilhões no ano passado, com saldo de US$ 375 bilhões para a China.

"Devemos negociar da maneira profissional", comentou o professor Jie Zhao, pesquisador da Universidade Fudan, em Xangai, "e torná-la menos ideológica e emocional."

O conflito começou quando o presidente Trump decidiu cobrar imposto de importação de 25% sobre importações de aço e de 15% sobre as de alumínio e, em seguida, deu isenções a aliados dos EUA, inclusive o Brasil.

As autoridades chinesas responderam cobrando tarifas sobre 128 produtos importados dos EUA, sobretudo produtos primários. Ontem, Trump anunciou sobretaxas num valor total de US$ 50 bilhões, acusando a China de roubar a propriedade intelectual dos EUA há décadas.

Um dos objetivos de Trump seria travar uma guerra tecnológica surda para impedir a China de superar os EUA em alta tecnologia, parte do projeto chinês para se tornar a maior potência mundial. O regime comunista chinês tem um programa chamado Fabricado na China 2025 para se tornar líder mundial em aeronáutica, robótica e carros elétricos.

quinta-feira, 22 de março de 2018

China faz lista de 128 produtos dos EUA para impor tarifas retaliatórias

O Ministério do Comércio da China revelou na manhã desta sexta-feira ter feito uma lista de 128 produtos importados dos Estados Unidos para responder à decisão do presidente Donald Trump de sobretaxar as importações de produtos chineses em até US$ 60 bilhões por ano, informou a televisão americana CNBC, especializada em noticiário econômico.

Entre os produtos visados, estão alumínio reciclado, canos de aço, carne de porco, porcos vivos, soja e sorgo. O total deve chegar a US$ 3 bilhões, 20 vezes menos do que o tarifaço ameaçado por Trump.

A China acusou o governo Trump de causar "danos graves" ao sistema multilateral de comércio e à "ordem normal do comércio global. A nota do ministério pede a realização de negociações urgentes com os EUA para evitar um impacto ainda maior nas relações bilaterais.

Em Washington, o representante comercial dos EUA, Robert Lighthizer, vai divulgar em 15 dias uma lista de produtos chineses a serem sobretaxados. A partir daí, haverá um prazo de 30 dias para um debate público e possíveis negociações. Cerca de 1,3 mil produtos foram examinados.

A proposta inicial era impor tarifas de até 25% com um valor de até US$30 bilhões por ano. Trump interferiu pessoalmente para dobrar este valor para US$ 60 bilhões. A China não vai deixar barato. Alega ter aumentado a proteção à propriedade intelectual e promete abrir setores de sua economia ainda fechados ao capital estrangeiro.

"Não queremos uma guerra comercial", declarou o embaixador chinês nos EUA, Cui Tiankai. "Mas não estamos com medo. Se alguém nos impuser uma guerra comercial, com certeza vamos contra-atacar e retaliar."

Trump impõe tarifas de US$ 60 bilhões por ano à China

O presidente Donald Trump anunciou hoje a decisão de impor tarifas no valor de até US$ 60 bilhões por ano às importações da China, que acusou por décadas comércio desleal, roubo de propriedade intelectual e segredos comerciais dos Estados Unidos. 

A China declarou estar pronta para uma guerra comercial de longo prazo entre as duas maiores economias do mundo. Por medo do impacto do conflito, o Índice Dow Jones da Bolsa da Valores de Nova York caiu mais de 700 pontos (2,9%).

É a segunda medida protecionista adotada pelo presidente americano para combater o que chama de "agressão econômica". A primeira foi sobretaxar as importações de aço em 25% e de  alumínio em 10%. Em 15 dias, os EUA deverão apresentar a lista dos produtos chineses a serem sobretaxados.

Além das tarifas, os EUA vão restringir a compra de empresas de alta tecnologia e a transferência de tecnologia para os chineses. Há um grande avanço da China para superar os EUA em alta tecnologia e os americanos consideram essa supremacia essencial para manter a posição de maior potência mundial.

Trump chegou à Casa Branca decidido a reduzir o déficit comercial dos EUA, que no ano passado chegou a US$ 566 bilhões. Com a China, subiu de US$ 347 bilhões para US$ 375 bilhões. Diante destas cifras, o presidente cobrou do governo chinês um plano para reduzir o déficit em US$ 100 bilhões. Sem uma resposta concreta, partiu para a ação.

Ao contrário do que pensa a maioria dos economistas, o presidente afirmou que as tarifas "vão nos tornar numa nação mais rica e mais forte", reduzindo "o maior déficit comercial que qualquer país já teve na história da humanidade. Está fora de controle."

O presidente adota na política as mesmas táticas de confrontação que aprendeu no mundo dos negócios. Ataca, tenta minar o poder do outro lado e depois recua um pouco, dando a impressão de ceder.

Nas tarifas sobre o aço e o alumínio, Trump acenou com isenção para os aliados dos EUA, inclusive o Brasil. Austrália, Canadá e Coreia do Sul conseguiram oficialmente a isenção. O alvo da guerra comercial é a China e os EUA podem precisar de aliados.

"Não queremos uma guerra comercial", declarou o embaixador chinês nos EUA, Cui Tiankai. "Mas não estamos com medo. Se alguém nos impuser uma guerra comercial, com certeza vamos contra-atacar e retaliar."

A China se defende alegando que aumentou a proteção à propriedade intelectual e prometendo abrir sua economia ao investimento estrangeiro.

terça-feira, 6 de março de 2018

Principal assessor econômico de Trump sai por guerra comercial

A guerra comercial do presidente Donald Trump faz sua primeira vítima, na frente interna. O principal assessor econômico da Casa Branca, Gary Cohn, pediu demissão hoje por discordar da imposição de sobretaxas às importações de aço e alumínio. Cohn, ex-diretor do banco Goldman Sachs, é um defensor do liberalismo econômico.

É 21º alto funcionário da Casa Branca que cai fora do caótico governo Trump em pouco mais de um ano e um peso-pesado. Cohn presidia o Conselho Econômico Nacional e é considerado o maior responsável pela maior realização do atual governo, os cortes de impostos acusados de favorecerem os ricos e muito ricos.

"Gary era meu principal assessor econômico e fez um trabalho soberbo por nosso programa, especialmente na aprovação de um corte de impostos histórico e de reformas para a economia americana deslanchar uma vez mais", declarou Trump. "É um talento raro. Eu o agradeço pelo serviço dedicado ao povo americano."

Só no mês passado, saíram o secretário Rob Porter, acusado de espancamento por duas ex-mulheres, numa falha na verificação de seus antecedentes criminais, e a diretora de comunicações, Hope Kicks, que admitiu em depoimento ao Congresso dos Estados Unidos ter dito "pequenas mentiras" em defesa do presidente.

Cohn avisou na semana passada. Não ficaria se Trump insistisse em taxar o aço importado em 25% e o alumínio importado em 10%. Várias vozes dissidentes se insurgiram dentro do Partido Republicano, defensor do livre mercado.

Hoje o presidente da Câmara, deputado Paul Ryan, declarou que as tarifas deveriam ser aplicadas apenas a alguns países e citou a China.

Desde o anúncio, os maiores parceiros comerciais dos EUA, a China, a União Europeia e o Canadá, indicaram que pretendem retaliar. No fim de semana, Trump alegou no Twitter que "guerras comerciais são fáceis de ganhar". A maioria dos economistas aposta que todos perdem, a começar pelos EUA.

Os preços internos vão ficar mais altos e os ganhos na produção local serão muito menores do que as perdas, além do risco maior de uma guerra comercial capaz de destroçar o sistema multilateral de comércio construído pelos EUA no pós-guerra.

domingo, 28 de maio de 2017

Merkel: "Europeus devem tomar seu destino em suas próprias mãos"

Diante dos desentendimentos com o presidente Donald Trump nas reuniões de cúpula da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) e do Grupo dos Sete (EUA, Japão, Alemanha, França, Reino Unido, Itália e Canadá), a chanceler (primeira-ministra) alemã, Angela Merkel, declarou neste domingo que "os europeus devem tomar seu destino em suas próprias mãos". Os Estados Unidos e o Reino Unido não seriam mais parceiros confiáveis.

Merkel falou numa cervejaria da Baviera durante a campanha para as eleições parlamentares de setembro, em que busca um quarto mandato como chefe de governo da Alemanha, reportou a televisão americana CBS.

Ao lado do governador bávaro, Horst Seehofer, diante de 2,5 mil conservadores, a primeira-ministra, no poder desde 2005, advertiu os alemães de que "o tempo em que podíamos contar totalmente com os outros de certa forma acabou, como mostra a experiência dos últimos dias. Então tudo o que eu posso dizer é que nós, europeus, devemos tomar nosso destino nas nossas próprias mãos."

As principais divergências estão no protecionismo econômico do governo Trump, em sua relutância em reconhecer o papel do homem no aquecimento global e em seu desprezo por instituições centrais na ordem internacional liberal do pós-guerra criada pelos próprios EUA. Ele apoiou a saída do Reino Unido da União Europeia e se negou a reafirmar o compromisso com a defesa dos aliados da OTAN, embora tenha cobrado os gastos militares devidos por ele.

Trump disse ainda que "os alemães são muito ruins" por causa do saldo no comércio com os EUA. Também não quis se comprometer com o Acordo de Paris para reduzir a emissão dos gases que agravam o efeito estufa e aquecem a Terra acima dos padrões anteriores à Revolução Industrial. Prometeu definir sua posição oficial nesta semana.

Depois do encontro, Merkel descreveu as conversas sobre a mudança do clima como "muito difíceis, para não dizer muito insatisfatórias".