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terça-feira, 8 de agosto de 2023

Cúpula da Amazônia quer coordenar políticas para floresta

Os oito países da Bacia Amazônica (Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana, Peru, Suriname e Venezuela) participam hoje e amanhã em Belém, no Pará, de uma reunião de cúpula da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica para coordenar as políticas regionais e a ação internacional para preservar a maior floresta tropical do planeta e evitar que vire savana.

Há muitas divergências. O Brasil e a Colômbia querem desmatamento zero em 2030; outros países, não. O presidente colombiano, Gustavo Petro, é contra a lavra de gás e petróleo na região. Lula é a favor exploração na foz do Rio Amazonas.

A Declaração de Belém pede que os países ricos doem os US$ 100 bilhões por ano prometidos para financiar a transição energética para uma economia com menos queima de combustíveis fósseis e mitigar o impacto do aquecimento global. Critica a União Europeia por querer incluir cláusulas ambientais refutadas como protecionismo. E reconhece os direitos dos povos indígenas e dos que lutam pelo meio ambiente.

Os povos indígenas estão em Belém com um documento próprio. Exigem a demarcação e titulação de suas terras até 2025, preservação de pelo menos 20% da floresta e desmatamento zero. O limite, além do qual a floresta perderia a capacidade de se regenerar, é estimado pelos cientistas em 20% a 25%. Meu comentário:

terça-feira, 13 de junho de 2023

UE quer fechar acordo com o Mercosul neste ano

 A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, declarou ontem em visita à Brasília que espera concluir até o fim do ano o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia (UE). O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reclamou de um protocolo adicional que prevê sanções unilaterais se o Brasil não cumprir as metas do Acordo de Paris sobre Mudança do Clima.

O acordo UE-Mercosul está sendo negociado desde 1995. Foi fechado em 2019. Depende agora da ratificação por todos os países envolvidos. O maior risco de veto vem da França, que tem um setor agrícola forte e altamente protecionista que teme a concorrência do Mercosul. Mas a Argentina e o Brasil querem alterar partes para preservar e ampliar o setor industrial.

Na Europa, há uma grande preocupação com a preservação da Floresta Amazônica, que é fundamental para combater o aquecimento global. O Brasil teme que a questão ambiental seja usada para mascarar o protecionismo econômico. Meu comentário:

quarta-feira, 16 de novembro de 2022

Lula promete desmatamento zero e aliança global contra fome

 Em discurso na 27ª Conferência das Partes da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, em Charm al-Cheikh, no Egito, o presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva, prometeu zerar o desmatamento no Brasil até 2030, cobrou medidas concretas dos países ricos, defendeu "uma nova governança global", com multilateralismo, uma ampliação do Conselho de Segurança da ONU e o fim do direito de veto das grandes potências.

Ao participar da conferência, Lula rompe o isolamento diplomático a que o governo Jair Bolsonaro relegou o Brasil e promete retomar o protagonismo do país nas negociações sobre o clima. Ele anunciou que o Brasil quer sediar a CoP-30, em 2025, na Amazônia. Bolsonaro se recusou a organizar a CoP-25, em 2019, alegando que o custo de R$ 500 milhões era muito elevado.

"Não há segurança climática para o mundo sem a Amazônia", alertou Lula.

ALIANÇA CONTRA A FOME

O presidente eleito propôs "uma aliança mundial contra a insegurança alimentar, a fome e a desigualdade com total responsabilidade climática." Agradeceu ao convite do Egito, que chamou de "berço da civilização", e observou que foi dirigido ao país porque "o mundo tem pressa de ver o Brasil participando novamente das discussões sobre o futuro do planeta."

Além de defender o multilateralismo, uma das marcas da política externa brasileira, Lula criticou o gasto de "trilhões em guerras que só trazem destruição e mortes, enquanto 900 milhões de pessoas em todo o mundo não têm o que comer." 

CRISES MUNDIAIS

Ele citou múltiplas crises internacionais, "crescentes tensões geopolíticas, a volta do risco de guerra nuclear, crise de abastecimento de alimentos e energia, erosão da biodiversidade e aumento intolerável das desigualdades."

Tempos difíceis exigem liderança, acrescentou Lula, "e os acordos já finalizados têm de sair do papel", numa referência ao Acordo de Paris, de 2015, em que 194 países se comprometem a adotar metas voluntárias de redução das emissões dos gases que agravam o efeito estufa.

FINANCIAMENTO

"Para isso", cobrou Lula, "é preciso tornar disponíveis recursos para que os países em desenvolvimento, em especial os mais pobres, possam enfrentar as consequências de um problema criado em grande medida pelos países mais ricos, mas que atinge de maneira desproporcional os mais vulneráveis."

Na CoP-15, realizada em Copenhague, na Dinamarca, em 2009, os países ricos se comprometeram a dar US$ 100 bilhões por ano a partir de 2020 para financiar a transição energética para uma economia com baixo consumo de combustíveis fósseis. Não cumpriram a promessa.

AMAZÔNIA

A eleição foi importante para "conter o avanço da extrema direita autoritária e antidemocrática e do negacionismo climático no mundo". Estavam em jogo, disse Lula, "não apenas a paz e o bem-estar do povo brasileiro, mas também a sobrevivência da Amazônia e, portanto, do nosso planeta."

"O Brasil já mostrou ao mundo o caminho para derrotar o desmatamento e o aquecimento global. Entre 2004 e 2012, reduzimos a taxa de devastação da Amazônia em 83%, enquanto o PIB agropecuário cresceu 75%", destacou o presidente eleito. O crescimento real no período foi de 70,3%.

DESGOVERNO

Em seguida, descreveu o governo atual como "desastroso" no "combate ao desemprego e às desigualdades, na luta contra a pobreza e a fome, no descaso com uma pandemia que matou 700 mil brasileiros, no desrespeito aos direitos humanos, na sua política externa, que isolou o país do resto do mundo, e também na devastação ambiental."

"Quero dizer que o Brasil está de.volta" para reatar os laços com o mundo, combater a fome, cooperar com os países pobres, "estreitar as relações com nossos irmãos latino-americanos e caribenhos", para lutar por um comércio justo e a paz entre os povos, e "ajudar a construir uma ordem mundial pacífica assentada no diálogo, no multilateralismo e na multipluralidade".

UM SÓ PLANETA

Se no discurso da vitória Lula falou que não existem dois brasis, na CoP advertiu que "não existem dois planetas Terra. Somos uma única espécie", que deveria construir "um mundo mais justo e solidário".

Para assinalar a emergência da questão climática, o futuro presidente citou estimativa da Organização Mundial da Saúde (OMS) de que o aquecimento global vai causar 250 mil mortes a mais por ano entre 2030 e 2050, com custo de 2 a 4 bilhões de dólares por ano. E lembrou que o 1% mais rico é o maior responsável pelas emissões de gases de efeito estufa.

"Por isso, a luta contra o aquecimento global é indissociável da luta contra a pobreza" e a desigualdade, continuou Lula. Em seu governo, prometeu acabar com o desmatamento e preservar todos os biomas, fortalecer os órgãos de fiscalização e punir os responsáveis por quaisquer atividades ilegais: garimpo, mineração, extração de madeira, ocupação indevida e queimadas.

Um dos objetivos é criar o Ministério dos Povos Originários para que os índios sejam os primeiros guardiães da natureza. 

RIQUEZA SUSTENTÁVEL

"Vamos provar mais uma vez que é possível gerar riqueza sem provocar mais mudança climática", "tendo a natureza como aliada estratégica". Ele agradeceu à Noruega e à Alemanha a reativação do Fundo Amazônia e disse estar aberto à cooperação internacional para proteger o meio ambiente, "sob a liderança do Brasil", sem comprometer a soberania nacional.

Também mencionou um acordo com a República Democrática do Congo e a Indonésia, os dois outros países mais florestas tropicais para criar uma aliança para buscar recursos para a preservação.

O governo Lula vai convocar uma reunião de cúpula dos países do Tratado de Cooperação Amazônica (1978), o Pacto Amazônico, que reúne todos os países da região; o Brasil tem 60% da área.

Em sua primeira apresentação perante o mundo como presidente reeleito do Brasil, Lula reafirma as credenciais de sua política externa, o multilateralismo, o não alinhamento, a busca de uma ordem mundial baseada no direito internacional, a solidariedade, a cooperação, o combate à fome e à desigualdade em escala global, e a retomada do protagonismo nas negociações ambientais.

Para recuperar a autoridade moral, o Brasil terá primeiro de pôr ordem na casa, de conter a destruição da Amazônia e fazer um combate decisivo à desigualdade estrutural.

segunda-feira, 7 de novembro de 2022

Conferência do Clima acontece em mundo mais conturbado

Mais de cem líderes nacionais e 197 países devem participar da 27ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (CoP-27), realizada de 6 a 18 de novembro de 2022 em Charm el-Cheikh, no Egito. 
A CoP-27 acontece sob o impacto da guerra da Rússia contra a Ucrânia, que aumentou a tensão geopolítica, tornou a segurança energética uma prioridade máxima, acima do controle das emissões de gases carbônicos, da pandemia, da inflação, do risco de recessão e de uma crise mundial de alimentos.

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quarta-feira, 20 de julho de 2022

Europa arde em meio a recuo no combate ao aquecimento global

O aquecimento global está torrando o Hemisfério Norte.  O calor provoca incêndios em Portugal, na Espanha (piores dos últimos 15 anos), na França e na Grécia, em meio a uma crise de inflação, energia e alimentos gerada pela guerra da Rússia na Ucrânia. Isto atrasa a implementação de políticas para conter o aumento da temperatura da Terra e seus efeitos. 

Vinte e um países europeus estão em estado de alerta. Aeroportos fecharam porque a pista amoleceu. Algumas estradas de ferro foram interditadas. Na Península Ibérica, a temperatura chegou a 47 graus centígrados.

Mais de 60 cidades francesas tiveram temperaturas de mais de 40ºC. O presidente Emmanuel Macron vai quarta-feira à região da Gironda, onde há incêndios florestais.

Na Inglaterra, pela primeira vez, os termômetros passaram de 40ºC. Na Escócia, marcou 34,8ºC. 

Na China, 31 cidades estão em estado de alerta numa onda de calor que pode chegar a 40ªC. 

Dezenas de cidades grandes registraram mais de 40ºC nos Estados Unidos, onde a política ambiental do governo Joe Biden está sendo prejudicada pela Suprema Corte e por seu próprio partido. Veja mais meu canal no YouTube. Meu comentário:
 

domingo, 19 de junho de 2022

Gustavo Petro será primeiro esquerdista a governar a Colômbia

 O economista e senador Gustavo Petro, de 62 anos, ecologista, ex-prefeito de Bogotá e ex-ativista do movimento guerrilheiro M-19, é o primeiro esquerdista a ser eleito presidente da Colômbia.

Ele toma posse em 7 de agosto para um mandato de quatro anos. Quer formar uma aliança de esquerda na América Latina com os presidentes do Chile, Gabriel Boric; do México, Andrés Manuel López Obrador; e do Brasil, se Luiz Inácio Lula da Silva for reeleito em outubro.

Com 100% das urnas apuradas, ele vence o segundo turno com 11.281.013 votos (50,44%) contra 10.580.412 (47,31%) para o ex-prefeito de Bucaramanga Rodolfo Hernández, um engenheiro e magnata de 77 anos de extrema direita, informa o jornal colombiano El Espectador.

No discurso da vitória, Petro defendeu "uma política do amor, não uma mudança para os vingarmos, para construir mais ódios". Prometeu "uma democracia de verdade, uma democracia popular, uma democracia multicolorida" para transformar "a Colômbia numa potência mundial da vida", com paz, justiça social e justiça ambiental.

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quinta-feira, 22 de abril de 2021

Bolsonaro mente e mendiga na cúpula do clima convocada por Biden

Mais 2.070 mortes e 50.023 casos da doença do coronavírus de 2019 foram notificados nesta quinta-feira no Brasil, elevando o total para 14.172.139 casos confirmados e 383.757 mortes. A média diária de mortes dos últimos sete dias caiu um pouco mais, para 2.543, com queda de 13% em duas semanas.

Mas hoje eu vou mudar de assunto para falar sobre um assunto que vai exigir grande cooperação internacional e pode ter consequências ainda mais desastrosas do que a pandemia - a crise climática -  e especificamente sobre a conferência de cúpula virtual sobre mudança do clima convocada pelo presidente Joe Biden. Numa guinada da política ambiental dos Estados Unidos, Biden prometeu reduzir pela metade até 2030 a emissão dos gases que agravam o efeito estufa e causam o aquecimento global.

O presidente Jair Bolsonaro, um dos 40 chefes de Estado e de governo convidados, adotou um tom moderado e tentou convencer o mundo de que o Brasil está fazendo sua parte. Mas mentiu ao dizer que reforçou o combate à destruição da Floresta Amazônica e pediu US$ 10 bilhões por ano para fazer o que tem a obrigação de fazer, enquanto não usa US$ 3 bilhões do Plano Amazônia por discordar dos países que o financiam. Meu comentário:

quarta-feira, 30 de setembro de 2020

Trump ataca em debate caótico e Biden ameaça Brasil se destruir Amazônia

O mundo entra no quarto trimestre de 2020 em compasso de espera, observa a empresa de consultoria e análise estratégica Stratfor. Espera o resultado da eleição do presidente dos Estados Unidos, o homem mais poderoso do mundo. Espera uma avaliação mais precisa do impacto econômico da pandemia. E espera uma vacina para neutralizar o coronavírus de 2019.

Nesta terça-feira, houve o primeiro debate entre os principais candidatos à Casa Branca na eleição de 3 de novembro. Praticamente não houve debate. Foi mais um bate-boca e uma troca de insultos. O presidente Donald Trump desrespeitou as regras acertadas pelas duas campanhas. Cada candidato falaria por dois minutos de cada vez, sem interrupções.

Durante todo o tempo, Trump interrompeu o candidato da oposição, o ex-vice-presidente Joe Biden. O adversário o chamou de palhaço, mentiroso e de pior presidente da história, e o mandou calar a boca. Trump se negou a condenar os supremacistas brancos e a violência da extrema direita. Mais uma vez, não se comprometeu a aceitar o resultado. Meu comentário:

terça-feira, 22 de setembro de 2020

Bolsonaro nega na ONU responsabilidade por pandemia e queimadas

 Declaração voltada para seguidores não tem a menor credibilidade internacional

Em discurso previsível e sem qualquer novidade, o presidente Jair Bolsonaro rejeitou hoje, ao abrir a sessão de pronunciamentos de líderes nacionais na reunião anual da Assembleia Geral das Nações Unidas, a responsabilidade pelas maiores tragédias de seu governo: a morte de 138 mil brasileiros na pandemia do coronavírus de 2019 e as queimadas que destroem grandes áreas da Amazônia e do Pantanal. 

Bolsonaro culpou governadores e prefeitos pelo fracasso no combate à covid-19 e índios e caboclos pelas queimadas, absolvendo desmatadores, grileiros, mineiros e fazendeiros pela destruição da natureza.

Foi um discurso para o público interno. Mais uma vez, o presidente apelou para a mentira como arma política, pregando para convertidos. Nenhum estrangeiro deve ter sido convencido por suas alegações descoladas da realidade, do discurso de vítima de uma conspiração internacional contra a agricultura brasileira.

Leia mais em Quarentena News.

terça-feira, 24 de setembro de 2019

Discurso raivoso de Bolsonaro na ONU isola ainda mais o Brasil

Ao abrir os debates gerais da reunião anual da Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, o presidente Jair Bolsonaro repetiu hoje a costumeira ladainha de teorias conspiratórias, paranoia, mentiras e ataques a inimigos reais ou imaginários para justificar suas políticas de extrema direita. Para o ex-secretário de Assuntos Estratégicos no governo Michel Temer, Hussein Kalout, "foi o discurso mais agressivo já proferido por um presidente brasileiro" na ONU.

A Organização das Nações Unidas é a segunda organização internacional de caráter universal dedicada a garantir a paz mundial. Substituiu a Liga das Nações, criada depois da Primeira Guerra Mundial, que fracassou ao não impedir a Segunda Guerra Mundial. A guerra no Oceano Pacífico ainda não havia acabado quando a ONU foi fundada. 

A Carta da ONU foi aprovada em 25 de junho de 1945 e assinada no dia seguinte por 50 países. Quando foi instalada, em 24 de outubro de 1945, eram 51 países. A Polônia, invadida pela Alemanha nazista no primeiro dia da guerra, em 1º de setembro de 1939, havia recuperado sua independência. Hoje, a ONU tem 193 países-membros.

A ONU tem como objetivos: manter a paz e a segurança internacionais; desenvolver relações amistosas entre as nações com base na igualdade, na autodeterminação dos povos e da soberania nacional; e promover a cooperação internacional para resolver problemas internacionais de caráter econômico, social, cultural e humanitário.

Se não conseguiu acabar com a guerra, a ONU é um foro permanente para negociações internacionais. A Assembleia Geral é um parlamento mundial. Não houve mais guerras entre grandes potências. As organizações econômicas internacionais, o Fundo Monetário Internacional, o FMI, o Banco Mundial e a Organização Mundial do Comércio, a OMC, contribuíram para debelar crises econômicas. E a ONU foi uma grande agência de descolonização e até hoje é essencial na promoção do desenvolvimento da África.

Desde 1949, é tradição que o Brasil seja o primeiro a falar nos debates da Assembleia Geral. Isso vem do tempo da Guerra Fria, quando o Brasil não fazia parte do bloco soviético nem da aliança militar liderada pelos Estados Unidos. Meu comentário:

quarta-feira, 28 de agosto de 2019

Não há risco de internacionalização da Amazônia


Apesar da pressão internacional por causa das queimadas, não existe maior risco de internacionalização da Amazônia, o que seria inaceitável para o Brasil por uma questão de soberania nacional. As Forças Armadas treinam guerra de guerrilhas na Amazônia para qualquer eventualidade

Entre as ideias levantadas pelo presidente da França, Emmanuel Macron, diante do aumento dos incêndios na maior floresta tropical do mundo, ele falou em criação de um status internacional da Amazônia. É um absurdo total e completo. Não tem a menor chance de acontecer.

O discurso é antigo e obsoleto. No século 19, depois da Guerra Civil Americana e da abolição da escravatura nos Estados Unidos, o sargento Mattew Mauri, sugeriu ocupar o vale amazônico para transferir para lá 2 milhões de negros americanos. Meu comentário: 


terça-feira, 27 de agosto de 2019

Bolsonaro erra mais uma vez ao rejeitar ajuda do G-7

A guerrinha fria com a França não apaga o fogo das queimadas na Amazônia e ameaça o acordo de livre comércio do Mercosul com a União Europeia. Hoje, o presidente Jair Bolsonaro exigiu uma retratação do presidente da França, Emmanuel Macron, que o chamou de mentiroso.

Com a Floresta Amazônica em chamas, não se despreza uma ajuda de 20 milhões de dólares, cerca de 83 milhões de reais, por infantilidade, birra ou pensamento paranoico. 

No primeiro momento, o presidente justificou a falta de ação de governo por falta de recursos. Diante da forte reação internacional e de setores do agronegócio e da indústria interessados no acordo comercial, mobilizou as Forças Armadas para combater os incêndios. Meu comentário:

quinta-feira, 22 de agosto de 2019

Destruir a Floresta Amazônica empobrece o Brasil e ameaça o agronegócio

A Amazônia arde, o mundo protesta e o governo brasileiro até agora foge de sua responsabilidade, culpando todo o mundo, menos a si mesmo e a seus aliados fazendeiros e madeireiros. Hoje à noite, o governo Jair Bolsonaro anunciou a criação de um gabinete de crise. O presidente alega não ter dinheiro, mas desprezou US$ 300 milhões do Fundo Amazônia. 

A Floresta Amazônica é a maior floresta tropical do planeta. Cerca de 40% das florestas tropicais da Terra ficam na região. O Brasil tem 60% da Amazônia, cerca de 5 milhões de quilômetros quadrados, dos quais 4 milhões são cobertos pela floresta. 

Por causa da floresta tropical úmida, o Brasil tem a maior diversidade biológica do mundo. É uma riqueza incalculável porque nem todas as espécies de plantas e animais foram catalogadas. Entre as árvores e bichos da floresta, podem estar escondidas substâncias capazes de curar doenças que hoje são incuráveis, como o câncer e a aids.

O grande valor está em manter a floresta em pé, não em derrubar as árvores para plantar soja e criar gado. Se as grandes potências industriais democráticas querem proteger a Amazônia, deveria incluir o Brasil no Grupo dos Sete (G-7). Meu comentário:

quinta-feira, 4 de julho de 2019

França lidera resistência ao acordo UE-Mercosul

Maior potência agrícola da União Europeia, a França será o principal centro da rejeição ao acordo de livre comércio assinado com o Mercado Comum do Sul (Mercosul). O acordo está sendo criticado até mesmo dentro da bancada do governo Emmanuel Macron, majoritária na Assembleia Nacional.

A estimativa é que os consumidores europeus vão economizar 4 bilhões de euros, mais de R$ 17 bilhões de reais, em impostos de importação a serem eliminados. Mas agricultores, ecologistas e sindicalistas temem danos ao meio ambiente e à qualidade da comida.

O grande temor está na abertura do mercado agrícola, fortemente protegido até há pouco pela política agrícola comum. Com esta abertura, o Mercosul vai poder exportar para a UE todo ano 159 mil toneladas de carne bovina, 180 mil toneladas de carne de frango, 45 mil toneladas de mel, 180 mil toneladas de açúcar e 60 mil toneladas de arroz.

Os europeus veem risco para a segurança alimentar e não veem garantias de avanços ambientais com as contrapartidas de preservação da natureza oferecidas pelo bloco sul-americano. Meu comentário:

A resistência francesa está hoje na manchete de Le Monde, o jornal mais importante da França. Em editorial, o jornal disse que pode ser uma oportunidade para a Europa fazer ouvir sua voz e aplicar seus padrões. 

Ao assinar o acordo, durante a reunião do Grupo dos Vinte (G-20) em Osaka, no Japão, o presidente Emmanuel Macron afirmou que todas as preocupações da França foram contempladas. Anteontem, em Bruxelas, a capital da União Europeia, Macron advertiu contra o "neoprotecionismo".

Mas o presidente francês está vulnerável depois da revolta dos coletes amarelos, que nasceu no interior, em zonas rurais, onde os moradores não queriam pagar mais pelo óleo diesel, frustrando os planos do governo para reduzir o consumo de combustíveis fósseis e o aquecimento global.

Os críticos alegam que o imperativo econômico da Comissão Europeia, órgão executivo da União Europeia, é negociar acordos de livre comércio para criar mais oportunidades para as exportações do bloco. Mas toda negociação exige concessões.

A comissária europeia de Comércio, a sueca Cecilia Malmström, que negociou o acordo, alega que o desafio da mudança do clima não será vencido sem comércio e desenvolvimento sustentável.

Além da questão econômica, o acordo tem objetivos políticos como manter o Brasil no Acordo de Paris sobre Mudança do Clima e pressionar o governo Jair Bolsonaro a adotar políticas sociais e ambientais dentro dos padrões europeus.

A maior resistência está no setor agrícola europeu. Para o presidente da Federação Nacional Bovina da França, Bruno Dufayet, “os criadores do Mercosul já são ultracompetitivos. Qual o interesse em reduzir as tarifas de importação quando sabemos que sua produção não atende aos critérios impostos na Europa?”

Os escândalos sanitários e de corrupção denunciados no Brasil nos últimos anos são citados pelos inimigos do acordo, especialmente o escândalo da JBS, maior exportadora mundial de carne bovina.

A Comissão Europeia afirma que “as normas europeias de segurança alimentar não vão mudar e deverão ser respeitadas em todas as importações.” Assim, os produtos agrícolas tratados com pesticidas proibidos na Europa estariam excluídos, assim como transgênicos e as carnes de animais que receberam hormônios.

Hoje, mais de 90% da soja e quase 90% do milho produzidos no Brasil são transgênicos. Mas a maioria dos portes dos países-membros não estão capacitados a fazer os controles alfandegários necessários. Um relatório de dezembro do ano passado constatou que “nenhum exame sobre presença de hormônios em carnes importadas foi realizada nas fronteiras da França; os exames sobre antibióticos só foram feitos nas carnes de ovelha e de cavalo”.

Com o aumento das cotas de importação, os riscos de fraude serão muito maiores.

A agricultura intensiva do Mercosul usa grandes quantidades de produtos químicos e farmacêuticos. Desde janeiro, o governo Bolsonaro aprovou 239 novos agrotóxicos, inclusive várias substâncias proibidas na Europa, como a atrazina, um herbicida.

Os pecuaristas brasileiros são os maiores consumidores de antibióticos para animais depois da China e dos Estados Unidos. O risco é de deterioração da qualidade da comida servida aos europeus.

Na opinião da diretora da organização não governamental Foodwatch, o Observatório da Comida, Karine Jacquemart, o acordo tornará “mais difícil estabelecer novas normas na Europa, novas exigências de etiquetagem ou regras mais estritas para certos insumos”. Os países do Mercosul poderiam recorrer à Organização Mundial do Comércio, a OMC, o que levaria a um “rebaixamento das normas ao longo do tempo”.

A questão ambiental é talvez a maior preocupação dos europeus. O acordo foi vendido como uma maneira de forçar o governo Bolsonaro a não sair do Acordo de Paris. O Brasil prometeu reduzir a emissão de gases de efeito estufa até 2025 em 37% em relação a 2005, a acabar com o desmatamento ilegal na Amazônia até 2030 e a replantar 12 milhões de hectares de florestas.

Os críticos do acordo argumentam que os mecanismos de fiscalização dos aspectos ambientais são frágeis. Em caso de não cumprimento, o acordo prevê apenas “consultas governamentais”. Se elas não derem resultado, será criada um “painel de especialistas independentes”, que faria apenas recomendações.

Entre 1985 e 2017, o Brasil destruiu uma área da Floresta Amazônica do tamanho da França. No mês passado, o primeiro da estação em que chove menos na região desde a posse de Bolsonaro, o desmatamento aumentou em 88 por cento.

Para Mathildé Dupré, do Instituto Veblen, especializado na economia da transição ecológica, “tendo em conta a política catastrófica do Brasil para o clima e a biodiversidade, é injustificável oferecer ao país vantagens comerciais. É preciso, ao contrário, bloquear o acesso ao mercado europeu como soja e carne bovina que contribuam com o desmatamento.”

A Comissão Europeia fez um estudo sobre o impacto do acordo na emissão de gases de efeito estufa ainda não divulgado. Samuel Leré, da Fundação Nicolas Hulot para a Natureza e o Homem, “na hora da emergência climática, a prioridade é utilizar as trocas comerciais para estimular a transição ecológica e não de assinar um acordo com um país cujas políticas vão contra este objetivo.”

As críticas injustificadas do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Sales, ao Fundo Amazônia e a tentativa de usar o dinheiro doado pela Noruega e a Alemanha para indenizar desmatadores deixam claro o desinteresse do atual governo brasileiro com a destruição da floresta. O Fundo Amazônia pode acabar.

As declarações do presidente falando em psicose ambientalista, do ministro do Meio Ambiente, da ministra da Agricultura, Tereza Cristina Dias, e do ministro de Segurança Institucional, general Augusto Heleno, afirmando que o Brasil preserva a natureza, conspiram contra a aprovação final do acordo, que depende da ratificação pelo Parlamento Europeu e por todos os parlamentos nacionais dos 32 países envolvidos.

O Brasil é o país que mais desmata e que mais mata os defensores da floresta.

quinta-feira, 22 de novembro de 2018

Brasil tem de zerar desmatamento da Amazônia

O mundo precisa da Amazônia. Não vai conter o aquecimento global sem a grande floresta tropical brasileira, que está perto de chegar ao limite além do qual será praticamente impossível a regeneração. Está na hora de zerar o desmatamento, alertaram ontem os participantes do painel Mudança do Clima e Meio Ambiente nos Diálogos do Amanhã, uma conferência realizada pelo Cebri (Centro Brasileiro de Relações Internacionais), o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e Fundação Konrad Adenauer.

"A Amazônia está no limite", advertiu a ex-ministra do Meio Ambiente Izabella Teixeira, moderadora do painel sobre o clima. "Temos de evitar o segundo arco do desmatamento."

Nos anos 1950s, só 2% do cerrado eram desmatados; hoje, são 50%. O desmatamento da Amazônia está em 27%. Se chegar a 40%, será irreversível, previu Thelma Krug, vice-presidente do Painel Internacional sobre Mudanças Climáticas (IPCC).

"A Amazônia é crucial", alertou Thelma Krug. O último relatório do IPCC recomenda que o aumento da temperatura média do planeta deve ser contido em 1,5ºC acima da era pré-industrial para evitar impactos desastrosos.

"Hoje, a temperatura está um grau centígrado acima da era pré-industrial", declarou a vice-presidente do IPCC. "Com 1ºC, estamos sentindo impactos atribuídos à mudança do clima como os incêndios na Califórnia. Limitar o aquecimento a 1,5ºC não é impossível, mas requer mudanças sem precedentes. Todo aumento de temperatura é importante. Tem impactos sobre a saúde, morbidade e mortalidade, mais diante muito quentes."

A expectativa do IPCC é que as emissões de gás carbônico sejam zeradas em 2050, com cortes nos clorofluorcarbonetos e no metano, outros gases que agravam o efeito estufa. "Até o final do século, a temperatura média passa de 1,5%. Depois, desce, com reflorestamento em larga escala e bioenergia", previu Krug.

Esta é a previsão otimista. No momento, as contribuições nacionalmente determinadas (NDCs), as metas voluntárias previstas pelo Acordo do Clima assinado em 12 de dezembro de 2015 em Paris, apontam um aumento de 3,2ºC.

"A cooperação internacional é um elemento crítico para os países em desenvolvimento, em capacitação e tecnologia. Até 2050, 75% a 80% da geração de eletricidade precisam vir de fontes renováveis", observou Thelma Krug.

Há um papel para os bancos de desenvolvimento, notou o superintendente de Gestão Pública e Socioambiental do BNDES, Gabriel Visconti: "Os técnicos do BNDES se apresentam para criar uma economia de baixo carbono."

O Brasil tem de parar de desmatar: "É preciso construir uma nova governança. Não dá mais para expandir a fronteira agrícola", afirmou André Guimarães, membro da Coalizão Clima, Florestas e Agricultura e pesquisador do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam).

A agricultura brasileira é muito importante. Somando a agroindústria e os serviços de distribuição, o agronegócio responde por 23,5% do produto interno bruto e 20% do emprego, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.

"A maior parte da agricultura não é irrigada. Depende da chuva. O mundo tem liquidez. É comprador de serviços ambientais. Ou vemos como oportunidade ou vamos pagar um alto preço", acrescentou Guimarães.

"Cerca de 20% da água doce estão na Amazônia", disse o pesquisador. "Não tem como chegar a 1,5ºC ou 2ºC sem a floresta. Cada árvore bombeia mil litros de água por dia para a atmosfera. São 400 bilhões de árvores."

Essa evaporação cria uma corrente de vapor d'água que bate na Cordilheira dos Andes e desde para o Centro-Sul do Brasil, irrigando a agricultura do Centro-Oeste e do Sudeste. Se olharmos o mapa do mundo, regiões nesta latitude são desérticas, do Chile à Austrália, passando pela África. Sem a máquina de fabricar chuva da Amazônia, o agronegócio acaba.

"Somos uma ilha com a maior parte da população no litoral", comentou o o embaixador do Reino Unido, Vijay Rangajaran. Se as calotas polares derreterem e o nível dos oceanos se elevar, as populações litorâneas e ribeirinhas terão de recuar numa escala sem precedentes. "O Brasil, a China e a Índia são países-chaves."

"O mundo precisa da Amazônia", concluiu o embaixador britânico, mais do que a Amazônia precisa do mundo, não só para conter o aquecimento global, mas como banco genético e riqueza natural de onde podem sair substâncias capazes de virar medicamentos para doenças hoje incuráveis.

Falta convencer os ruralistas e o futuro ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, que vê o aquecimento global como uma conspiração marxista para favorecer a China.

segunda-feira, 24 de setembro de 2018

EUA são país que mais reduz emissões, diz ex-ministra do Meio Ambiente

Nenhum candidato vai mudar a consciência de uma sociedade decidida a combater a mudança do clima e outros problemas ambientais, declarou a ex-ministra do Meio Ambiente Izabella Teixeira ao participar na 15ª Conferência do Forte de Copacabana, realizada no Rio de Janeiro em 21 de setembro pela Fundação Konrad Adenauer, o Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri) e a Delegação da União Europeia no Brasil.

O exemplo é claro: "Durante muitos anos, tentamos engajar os Estados Unidos e a China. Nos EUA, as empresas e os estados estão mudando. É o país que mais reduz as emissões", afirmou Izabella Teixeira.

Em sua visão mesquinha, Trump disse: "Tenho de pensar em Pittsburgh, não em Paris." As mudanças no mundo exigem tempo, comentou a ex-ministra.

A Amazônia tem uma função global, mas isso não significa que será invadida e ocupada se não for transformada em pastagem, a visão da ditadura militar, com suas agrovilas, de derrubar a floresta, transformar os índios em "cidadãos brasileiros", destruindo a natureza e a função ecológica da Amazônia como uma máquina de fabricar chuvas e um refrigerador da atmosfera.

Na matriz energética brasileira, notou Izabella Teixeira, "80% da energia elétrica são gerados por hidrelétricas e há um grande potencial residual a explorar, especialmente na Amazônia. A energia eólica vem em segundo lugar."

Uma das grandes fontes de emissões do Brasil é o desmatamento, que pode e deve ser drasticamente reduzido.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Brasil, Espanha e Austrália monitoram biodiversidade da Amazônia

Uma equipe de cientistas do Brasil, da Espanha e da Austrália desenvolveram em conjunto o sistema de controle remoto mais sofisticado usado até hoje para monitorar a perda da diversidade biológica na Floresta Amazônica. 

O projeto de alta tecnologia Providência, iniciado nesta semana, reúne o Laboratório de Aplicações Bioacústicas da Universidade Politécnica da Catalunha, da Espanha; o Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá e a Universidade Federal do Amazonas, do Brasil; e a Organização Federal para Pesquisa Industrial e Científica (CSIRO), da Austrália.

Uma rede sem fio de sensores distribuídos por toda a Amazônia vai vigiar constantamente a vida sob a cobertura vegeral da floresta. A Fundação Gordon e Betty Moore, criada por Gordon Moore, fundador da empresa de informática Intel, deu um financiamento de US$ 1,4 milhão.

As espécies amazônicas estão desaparecendo num ritmo mais rápido do que os cientistas conseguem catalogá-las. "Os satélites e os drones fornecem uma grande quantidade de dados sobre as principais mudanças na cobertura florestal, o desmatamento e o uso da terra, mas estes métodos pouco revelam sob o que acontece sob a copa das árvores", declarou Emiliano Ramalho, coordenador do projeto e de biodiversidade no Instituto Mamirauá.

"A avaliação da biodiversidade é difícil em zonas distantes utilizando os métodos tradicionais. Os investigadores devem viajar fisicamente através da selva e percorrer áreas perigosas para identificar as espécies que veem e ouvem. O resultado não é muito confiável nem exaustivo e muito limitado em termos de coleta de informações", explicou Alberto Elfes, pesquisador do CSIRO e diretor do projeto na Austrália.

Ramalho acrescentou que a experiência poderá ser reproduzida em outras regiões: "Nossa inovação tecnológica para monitorar a biodiversidade na Amazônia se inscreve numa escala nunca alcançada: combina várias tecnologias, inclusive sons, imagens visuais e imagens térmicas para levar a cabo a detecção e a identificação dos animais. Além da Amazônia, estas tecnologias serão de grande valor para pesquisas a diversidade em bosques tropicais no mundo."

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Metade das espécies de árvores da Amazônia corre risco de extinção

Cerca de 8,7 mil das 15 mil espécies de árvores catalogadas na Amazônia estão ameaçadas de extinção, adverte a Rede da Diversidade das Árvores Amazônicas, da qual faz parte o Instituto de Pesquisas para o Desenvolvimento, com sede em Paris.

No mundo inteiro, a estimativa é que 40 mil espécies de árvores tropicais corram risco de extinção, elevando para 22% o total de espécies vegetais em perigo, alerta uma nova pesquisa feita por 160 cientistas publicada na revista acadêmica Science Advances.

Uma em cada duas espécies de árvores da Amazônia pode desaparecer por causa do desmatamento, adverte o estudo. A ameaça paira sobre 36% a 57% das árvores amazônicas, com consequências desastrosas para a biodiversidade, a economia da região e até o regime de chuvas e a agricultura no Sul, Sudeste e Centro-Oeste do Brasil.

A expectativa dos cientistas é que um terço da Floresta Amazônica seja destruída até 2050. Desde os anos 1970s, 20% foram desmatados. Algumas espécies serão extintas antes de serem identificadas e estudadas.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Metade das árvores da Amazônia corre risco de extinção

Uma em cada duas espécies de árvores da Floresta Amazônica está ameaçada de desaparecer, adverte o consórcio internacional Rede de Diversidade das Árvores da Amazônia, do qual fazem parte 160 cientistas e o Instituto de Pesquisas para o Desenvolvimento, um órgão público da França.

De acordo com diferentes previsões sobre o desmatamento da Amazônia, de 36% a 57% das espécies de árvores da floresta correm perigo, cerca de 8,7 mil das 15 mil espécies registradas num primeiro inventário sobre a vida na Bacia Amazônica, publicado há dois anos. Entre elas, está a imponente castanheira.

Se essa mesma proporção de espécies ameaçadas for projetada para a escala planetária, são cerca de 40 mil espécies de árvores tropicais e 22% das espécies vegetais do planetas ameaçadas.

Os pesquisadores estimam que 20% da Floresta Amazônica foram destruídos desde 1970. Até 2050, a maior floresta tropical do planeta pode perder mais 30%.

A expectativa é que seja possível preservar a Amazônia em parques nacionais e reservas indígenas, mas é uma floresta tropical úmida assentada sobre um solo pobre. Se o desmatamento diminuir a massa de umidade que a floresta produz, talvez não possível sustentar a vida com a mesma exuberância.

Sem umidade abundante, a vegetação rasteira pode secar tornando-se combustível para incêndios florestais.

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Mundo discute mudança do clima sem esperança de acordo pra valer

Os chefes de Estado e de governo de cerca de 150 países se reúnem de hoje a 11 de dezembro de 2015 em Paris na 21ª Conferência das Partes (CoP-21) da Convenção das Nações Unidas sobre Mudança do Clima. O objetivo é chegar a um acordo para conter o aumento da temperatura média do planeta em dois graus centígrados até o fim do século 21. Mas, na melhor das hipóteses, não será um tratado de cumprimento obrigatório.

Desde o início da Revolução Industrial, na segunda metade do século 18, a temperatura média da Terra subiu 0,85ºC por causa do aumento da concentração na atmosfera de gases carbônicos produzidos pelo homem, principalmente através de queima de combustíveis fósseis como gás, carvão e petróleo.

Em 1896, o químico sueco Svante Arrhenius, que viria a ganhar o Prêmio Nobel de Química em 1903, previu que a atividade humana mudaria o clima do planeta.

A atmosfera da Terra funciona como uma espécie de estufa retendo parcialmente o calor dos raios do sol. Sem o efeito estufa, a temperatura média do planeta seria de -16ºC. Com o efeito estufa, fica em torno de 16ºC, o que favoreceu o desenvolvimento de diversas formas de vida.

O aquecimento global causado pelo homem ameaça romper o delicado equilíbrio da natureza. Deve provocar derretimento de geleiras, aumento do nível dos mares, extinção ou migração de seres vivos, e fenômenos climáticos como furacões, tornados, secas e enchentes mais violentos.

Depois da aprovação da Convenção do Clima durante a Conferência da ONU sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento realizada no Rio de Janeiro em 1992, a partir de 1995 são realizadas todos os anos conferências das partes para tomar as medidas contra o aquecimento global.

Em 1997, foi aprovado o Protocolo de Quioto, pelo qual 37 países ricos e desenvolvidos se comprometeram a reduzir suas emissões de gases estufa em 5% em relação aos níveis de 1990. Essa meta não foi cumprida. O protocolo expirou em 2012 sem nenhum acordo que o substituísse.

Cerca de 10 mil delegados de 195 países e da União Europeia participam da Conferência de Paris, realizada no distrito de Le Bourget, sob a proteção de 2,8 mil policiais e soldados. Outros 6,3 mil agentes de segurança patrulham a capital francesa.

Com as manifestações proibidas por causa do estado de emergência contra o terrorismo, grupos mais radicais desafiaram a polícia da França, jogando inclusive as velas deixadas na Praça da República em homenagem aos mortos em 13 de novembro. Pelo menos 174 ativistas do movimento antiglobalização foram presos.

Um problema central no debate sobre mudança do clima é o argumento dos países em desenvolvimento e de desenvolvimento recente não consideram responsáveis por séculos de Revolução Industrial. Por isso, em Quioto, não foi imposta nenhuma obrigação aos países mais pobres para não comprometer o desenvolvimento.

Com crescimento econômico sem precedentes, nas últimas décadas, a China superou os EUA. É hoje o país mais poluidor da atmosfera, com cerca de 25% dos gases de efeito estufa, em comparação com 12% para os EUA.

Se em 1992, o então presidente americano George W. H. Bush rejeitou qualquer compromisso capaz de reduzir a competitividade da economia dos EUA, hoje Washington exige que grandes países em desenvolvimento como a China e a Índia participem de um acordo.

Na CoP-15, realizada em Copenhague, na Dinamarca, em 2009, os países ricos se comprometeram a dar US$ 100 bilhões por ano a partir de 2020 para promover a transição para uma economia de baixo carbono e mitigar os efeitos do aquecimento global. O total deste ano foi estimado em US$ 62 bilhões pelo ministro do Exterior da França, Laurent Fabius, presidente da CoP-21.

O presidente chinês, Xi Jinping, já declarou a intenção de reduzir a emissão de gases carbônicos até 2030. Até lá, falta muito tempo. Com os altíssimos índices de poluição das grandes cidades da China e da Índia, talvez seja possível convencer esses países a tomar medidas sérias antes disso.

Outra questão é que o Partido Republicano dos EUA nega qualquer responsabilidade humana pela mudança do clima. Como a oposição conservadora tem maioria no Senado, um acordo impondo metas de redução de emissões certamente será rejeitado.

Por isso, o secretário de Estado americano, John Kerry, deixou claro que os EUA não vão aceitar nenhum tratado, nenhum acordo que imponha metas de cumprimento obrigatório.

É mais provável portanto que as partes da Convenção do Clima apresentem propostas voluntárias de redução de emissões. Até agora, 183 países, responsáveis por 95% das emissões, fizeram promessas de reduzi-las, anunciou o ministro do Exterior da França, Laurent Fabius.

A presidente Dilma Rousseff chega a Paris no momento em que o Brasil enfrenta seu pior acidente ecológico com a ruptura da barragem da mineradora Samarco, parceria da Vale com a anglo-australiana BHP Billiton, em Mariana, no estado de Minas Gerais, e o desmatamento na Amazônia cresceu 16%. De agosto de 2014 a julho de 2015, a floresta perdeu 5.831 quilômetros quadrados.