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segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Hoje na História do Mundo: 16 de Fevereiro

 TUMBA DO FARAÓ MENINO

    Em 1923, o arqueólogo britânico Howard Carter tira o lacre no Vale dos Reis da câmara mortuária de Tutancâmon, o faraó menino, que governa o Egito de 1333-23 antes de Cristo e morre aos 19 anos.

Durante seu reinado, Tutancâmon restaura a arte e a religião tradicionais do Egito Antigo, marginalizadas por seu antecessor, Akhenaton, que venera o deus Aton. Mas Tutancâmon é conhecido pela preservação de sua tumba, que não é saqueada. Sua descoberta é uma grande contribuição à egiptologia.

PRIMEIRA KNESSET

    Em 1949, a Knesset (Assembleia, em hebraico), o parlamento unicameral de Israel, eleito em 25 de janeiro, realiza sua primeira sessão, em Jerusalém.

Israel não tem Constituição. A Knesset ratifica a Lei de Transição. Depois, aprova leis básicas sobre a própria Knesset (1958), sobre as terras de Israel (1960), sobre o presidente (1964), eleito indiretamente pelo parlamento para um mandato de cinco anos podendo ser reeleito uma vez, e sobre o governo (1968).

Antes do início da guerra contra o grupo terrorista Movimento de Resistência Islâmica (Hamas), o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu tenta aprovar uma reforma judiciária para dar à Knesset o direito de anular decisões da Suprema Corte. Quer se livrar de três processos por corrupção que podem levá-lo para a cadeia. A Suprema Corte derruba a reforma em 1º de janeiro de 2024.

PRIMEIRO-MINISTRO FIDEL CASTRO

    Em 1959, um mês e meio depois da fuga do ditador Fulgencio Batista e da vitória da Revolução Cubana, o comandante Fidel Castro toma posse como primeiro-ministro, se torna presidente em 1976 e fica no poder em Havana até 2006, quando sofre uma hemorragia intestinal.

Fidel Alejandro Castro Ruz nasce em 13 de agosto de 1926. Filho de um fazendeiro, vira um esquerdista e anti-imperialista quando estuda direito na Universidade de Havana. Depois de participar de rebeliões contra governos de direita na Colômbia e na República, Fidel lança sua revolução no assalto ao Quartel de Moncada, em Santiago de Cuba, em 26 de julho de 1953.

No julgamento, Fidel diz talvez sua frase mais célebre: "A história me absolverá." Preso durante um ano, ele sai e vai para o México onde forma o Movimento 26 de Julho com o irmão Raúl Castro e o médico e revolucionário argentino Ernesto Che Guevara.

Em 1956, um grupo de 82 guerrilheiros sai do México no navio Granma para desembarcar na Praya das Coloradas. Depois de fortes perdas nos primeiros combates, 21 guerrilheiros conseguem se refugiar na Sierra Maestra. Em fevereiro de 1958, já são 400 homens acantonados nas montanhas.

As forças do ditador Fulgencio Batista têm 50 mil, mas o governo cubano só consegue mobilizar 10 mil homens e lança uma ofensiva aérea e terrestre contra os guerrilheiros de abril a agosto de 1958. O fracasso desta ação militar é decisivo para a vitória da Revolução Cubana em 1º de janeiro de 1959.

No poder, sob pressão dos Estados Unidos, Fidel adota um regime socialista autoritário de caráter stalinista e se alia à União Soviética durante a Guerra Fria. Depois da fracassada tentativa de invasão da Baía dos Porcos, em abril de 1961, Cuba se aproxima ainda mais de Moscou. Isto leva à tentativa de instalar mísseis nucleares soviéticos na ilha, causa da Crise dos Mísseis, em outubro de 1962, no momento mais tenso da Guerra Fria. Nunca o mundo esteve tão perto de uma guerra nuclear. 

Ao transferir oficialmente por motivos de saúde os cargos de presidente e primeiro-ministro de Cuba ao irmão Raúl Castro, em 2008, 49 anos depois da posse, Fidel comenta que não pode se apegar a cargos. Ele morre aos 90 anos em 25 de novembro de 2016, em Havana.

PROTOCOLO DE QUIOTO

    Em 2005, entra em vigor o Protocolo de Quioto, um documento adicional à Convenção das Nações Unidas sobre Mudança do Clima para combater o aquecimento global diminuindo as emissões de 41 países desenvolvidos e da União Europeia. O objetivo é reduzir as emissões de seis gases que agravam o efeito estufa em 5,2% em relação a 1990. 

O acordo é fechado em Quioto, o antiga capital imperial do Japão, em 11 de dezembro de 1997. Um dos grandes negociadores é o então vice-presidente Al Gore, mas o Senado dos Estados Unidos, na época o maior poluidor mundial (hoje é a China), não ratifica o Protocolo de Quioto sob o argumento de que daria uma vantagem competitiva a países em desenvolvimento, não submetidos à mesma regra, no caso, a China.

O Protocolo de Quioto caduca em 2012. Para substituí-lo, as Conferências da ONU sobre Mudança do Clima aprovam o Acordo de Paris, em 2015. É o primeiro acordo em que todos os países se comprometem a estabelecer metas voluntárias de redução de emissões. O grande problema é que não existe nenhuma penalidade pelo não cumprimento das metas.

LÍDER DA OPOSIÇÃO RUSSA MORRE

    Em 2024, Alexei Navalny, o principal líder da oposição à ditadura de Vladimir Putin, morre aos 47 anos numa prisão do Arquipélago Gulag da era soviética situada ao norte do Círculo Polar Ártico, onde a temperatura nesta época do ano está abaixo de menos 20 graus. Agora, uma investigação de vários países europeus conclui que ele morre envenenado por um veveno de sapo que é considerado arma biológica e só pode ser manipulado por serviços secretos sofisticados.

Navalny nasce em Butin, na Rússia, em 4 de junho de 1976. Em 1998, se forma na Faculdade de Direito da Universidade Russa da Amizade entre os povos. Advogado, Ganha prestígio com um blogue em que denuncia a corrupção e a vida de luxo e riqueza da oligarquia que orbita ao redor do Kremlin. Um vídeo sobre um palacete de US$ 1 bilhão no Mar Negro que seria de Putin tem mais de 130 milhões de visualizações. 

Em 2010, Navalny consegue reunir 150 mil pessoas em Moscou na maior manifestação contra Putin. Essa mobilização ameaça Putin, na época primeiro-ministro.

O ano seguinte, 2011, é o ano da Primavera Árabe, uma onda de revoltas por democracia e liberdade no mundo árabe contra governos corruptos e ditatoriais. Com sua visão conspiratória do mundo, Putin vê a mão invisível do Ocidente por trás das revoltas, assim como havia visto nas "revoluções coloridas" nas ex-repúblicas soviéticas da Geórgia e da Ucrânia. 

Putin aumenta a repressão às manifestações antes das eleições parlamentares de 2011 e volta à Presidência em 2012 para não mais sair. 

Navalny é candidato a prefeito de Moscou em 2013, fica em segundo lugar, mas não pôde concorrer à Presidência da Rússia por força de condenação em 2014 por "fraude" e "desvio de recursos" num processo forjado em que pegou três anos e meio de prisão, mas teve direito a suspensão da pena. 

Em 20 de agosto de 2020, é envenado quando faz campanha eleitoral no interior da Rússia. Seu voo de Tomsk para Moscou é obrigado a fazer um pouso de emergência em Omsk para salvá-lo.

Sob pressão da Alemanha, dois dias depois a ditadura de Putin autoriza que ele seja levado para tratamento em Berlim. Os médicos alemães identificam a droga novichok, um agente nervoso, uma arma química desenvolvida pela União Soviética nos anos 1970. 

Ao voltar à Rússia, Navalny é preso sob a acusação de violar os termos de sua liberdade condicional, embora tenha saído da Rússia desacordado. A suspensão da pena é revogada e a sentença é de nove anos em regime fechado por "fraude" e "desacato ao tribunal".

Em agosto de 2023, Navalny é condenado de novo, desta vez a 19 anos de prisão por "extremismo" por criar sua fundação anticorrupção, na verdade, por fazer oposição à invasão da Ucrânia.

Em dezembro de 2023, Navalny desaparece por quase três semanas e reaparece numa nova prisão a 2 mil quilômetros de Moscou, ao norte do Círculo Polar Ártico, a Colônia Penal nº 3, mais conhecida como Lobo Polar, parte do Arquipélago Gulag, as prisões e campos de trabalhos forçados do stalinismo.

Como Navalny é silenciado, no fim do comentário, gravado há dois anos, cito suas propostas para o fim da guerra na Ucrânia.

domingo, 16 de fevereiro de 2025

Hoje na História do Mundo: 16 de Fevereiro

 TUMBA DO FARAÓ MENINO

    Em 1923, o arqueólogo britânico Howard Carter tira o lacre no Vale dos Reis da câmara mortuária de Tutancâmon, o faraó menino, que governa o Egito de 1333-23 antes de Cristo e morre aos 19 anos.

Durante seu reinado, Tutancâmon restaura a arte e a religião tradicionais do Egito Antigo, marginalizadas por seu antecessor, Akhenaton, que venera o deus Aton. Mas Tutancâmon é conhecido pela preservação de sua tumba, que não é saqueada. Sua descoberta é uma grande contribuição à egiptologia.

PRIMEIRA KNESSET

    Em 1949, a Knesset (Assembleia, em hebraico), o parlamento unicameral de Israel, eleito em 25 de janeiro, realiza sua primeira sessão, em Jerusalém.

Israel não tem Constituição. A Knesset ratifica a Lei de Transição. Depois, aprova leis básicas sobre a própria Knesset (1958), sobre as terras de Israel (1960), sobre o presidente (1964), eleito indiretamente pelo parlamento para um mandato de cinco anos podendo ser reeleito uma vez, e sobre o governo (1968).

Antes do início da guerra contra o grupo terrorista Movimento de Resistência Islâmica (Hamas), o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu tentou aprovar uma reforma judiciária para dar à Knesset o direito de anular decisões da Suprema Corte. Quer se livrar de três processos por corrupção que podem levá-lo para a cadeia. A Suprema Corte derruba a reforma em 1º de janeiro de 2024.

PRIMEIRO-MINISTRO FIDEL CASTRO

    Em 1959, um mês e meio depois da fuga do ditador Fulgencio Batista e da vitória da Revolução Cubana, o comandante Fidel Castro toma posse como primeiro-ministro, se torna presidente em 1976 e fica no poder até 2006 em Havana, quando sofre uma hemorragia intestinal.

Fidel Alejandro Castro Ruz nasce em 13 de agosto de 1926. Filho de um fazendeiro, vira um esquerdista e anti-imperialista quando estuda direito na Universidade de Havana. Depois de participar de rebeliões contra governos de direita na Colômbia e na República, Fidel lança sua revolução no assalto ao Quartel de Moncada, em Santiago de Cuba, em 26 de julho de 1953.

No julgamento, Fidel diz talvez sua frase mais célebre: "A história me absolverá." Preso durante um ano, ele sai e vai para o México onde forma o Movimento 26 de Julho com o irmão Raúl Castro e o médico e revolucionário argentino Ernesto Che Guevara.

Em 1956, um grupo de 82 guerrilheiros sai do México no navio Granma para desembarcar na Praya das Coloradas. Depois de fortes perdas nos primeiros combates, 21 guerrilheiros conseguem se refugiar na Sierra Maestra. Em fevereiro de 1958, já são 400 homens acantonados nas montanhas.

As forças do ditador Fulgencio Batista têm 50 mil, mas o governo cubano só consegue mobilizar 10 mil homens e lança uma ofensiva aérea e terrestre contra os guerrilheiros de abril a agosto de 1958. O fracasso desta ação militar é decisivo para a vitória da Revolução Cubana em 1º de janeiro de 1959.

No poder, sob pressão dos Estados Unidos, Fidel adota um regime socialista autoritário de caráter stalinista e se alia à União Soviética durante a Guerra Fria. Depois da fracassada tentativa de invasão da Baía dos Porcos, em abril de 1961, Cuba se aproxima ainda mais de Moscou. Isto leva à tentativa de instalar mísseis nucleares soviéticos na ilha, causa da Crise dos Mísseis, em outubro de 1962, no momento mais tenso da Guerra Fria. Nunca o mundo esteve tão perto de uma guerra nuclear. 

Ao transferir oficialmente por motivos de saúde os cargos de presidente e primeiro-ministro de Cuba ao irmão Raúl Castro, em 2008, 49 anos depois da posse, Fidel comenta que não pode se apegar a cargos. Ele morre aos 90 anos em 25 de novembro de 2016, em Havana.

PROTOCOLO DE QUIOTO

    Em 2005, entra em vigor o Protocolo de Quioto, um documento adicional à Convenção das Nações Unidas sobre Mudança do Clima para combater o aquecimento global diminuindo as emissões de 41 países desenvolvidos e da União Europeia. O objetivo é reduzir as emissões de seis gases que agravam o efeito estufa em 5,2% em relação a 1990. 

O acordo é fechado em Quioto, o antiga capital imperial do Japão, em 11 de dezembro de 1997. Um dos grandes negociadores é o então vice-presidente Al Gore, mas o Senado dos Estados Unidos, na época o maior poluidor mundial (hoje é a China), não ratifica o Protocolo de Quioto sob o argumento de que daria uma vantagem competitiva a países em desenvolvimento, não submetidos à mesma regra, no caso, a China.

O Protocolo de Quioto caduca em 2012. Para substituí-lo, as Conferências da ONU sobre Mudança do Clima aprovam o Acordo de Paris, em 2015. É o primeiro acordo em que todos os países se comprometem a estabelecer metas voluntárias de redução de emissões. O grande problema é que não existe nenhuma penalidade pelo não cumprimento das metas.

LÍDER DA OPOSIÇÃO RUSSA MORRE

    Em 2024, Alexei Navalny, o principal líder da oposição à ditadura de Vladimir Putin, morre aos 47 anos numa prisão do Arquipélago Gulag da era soviética situada ao norte do Círculo Polar Ártico, onde a temperatura nesta época do ano está abaixo de menos 20 graus

Navalny nasce em Butin, na Rússia, em 4 de junho de 1976. Em 1998, se forma na Faculdade de Direito da Universidade da Russa da Amizade entre os povos. Advogado, Ganha prestígio com um blogue em que denuncia a corrupção e a vida de luxo e riqueza da oligarquia que orbita ao redor do Kremlin. Um vídeo sobre um palacete de US$ 1 bilhão no Mar Negro que seria de Putin tem mais de 130 milhões de visualizações. 

Em 2010, Navalny consegue reunir 150 mil pessoas em Moscou na maior manifestação contra Putin. Essa mobilização ameaça Putin, na época primeiro-ministro.

O ano seguinte, 2011, é o ano da Primavera Árabe, uma onda de revoltas por democracia e liberdade no mundo árabe contra governos corruptos e ditatoriais. Com sua visão conspiratória do mundo, Putin vê a mão invisível do Ocidente por trás das revoltas, assim como havia visto nas "revoluções coloridas" nas ex-repúblicas soviéticas da Geórgia e da Ucrânia. 

Putin aumenta a repressão às manifestações antes das eleições parlamentares de 2011 e volta à Presidência em 2012 para não mais sair. 

Navalny é candidato a prefeito de Moscou em 2013, fica em segundo lugar, mas não pôde concorrer à Presidência da Rússia por força de condenação em 2014 por "fraude" e "desvio de recursos" num processo forjado em que pegou três anos e meio de prisão, mas teve direito a suspensão da pena. 

Em 20 de agosto de 2020, é envenado quando faz campanha eleitoral no interior da Rússia. Seu voo de Tomsk para Moscou é obrigado a fazer um pouso de emergência em Omsk para salvá-lo.

Sob pressão da Alemanha, dois dias depois a ditadura de Putin autoriza que ele seja levado para tratamento em Berlim. Os médicos alemães identificam a droga novichok, um agente nervoso, uma arma química desenvolvida pela União Soviética nos anos 1970. 

Ao voltar à Rússia, Navalny é preso sob a acusação de violar os termos de sua liberdade condicional, embora tenha saído da Rússia desacordado. A suspensão da pena é revogada e a sentença é de nove anos em regime fechado por "fraude" e "desacato ao tribunal".

Em agosto de 2023, Navalny é condenado de novo, desta vez a 19 anos de prisão por "extremismo" por criar sua fundação anticorrupção, na verdade, por fazer oposição à invasão da Ucrânia.

Em dezembro de 2023, Navalny desaparece por quase três semanas e reaparece numa nova prisão a 2 mil quilômetros de Moscou, ao norte do Círculo Polar Ártico, a Colônia Penal nº 3, mais conhecida como Lobo Polar, parte do Arquipélago Gulag, as prisões e campos de trabalhos forçados do stalinismo.

Como Navalny foi silenciado, no fim do comentário cito suas propostas para o fim da guerra na Ucrânia.

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2024

Hoje na História do Mundo: 16 de Fevereiro

TUMBA DO FARAÓ MENINO

    Em 1923, o arqueólogo britânico Howard Carter tira o lacre no Vale dos Reis da câmara mortuária de Tutancâmon, o faraó menino, que governa o Egito de 1333-23 antes de Cristo e morre aos 19 anos.

Durante seu reinado, Tutancâmon restaura a arte e a religião tradicionais do Egito Antigo, marginalizadas por seu antecessor, Akhenaton, que coloca o deus Aton. Mas Tutancâmon é conhecido pela preservação de sua tumba, que não é saqueada. Sua descoberta é uma grande contribuição à egiptologia.

PRIMEIRA KNESSET

    Em 1949, a Knesset (Assembleia, em hebraico), o parlamento unicameral de Israel, eleito em 25 de janeiro, realiza sua primeira sessão, em Jerusalém.

Israel não tem Constituição. A Knesset ratifica a Lei de Transição. Depois, aprova leis básicas sobre a própria Knesset (1958), sobre as terras de Israel (1960), sobre o presidente (1964), eleito indiretamente pelo parlamento para um mandato de cinco anos podendo ser reeleito uma vez, e sobre o governo (1968).

Antes do início da guerra contra o grupo terrorista Movimento de Resistência Islâmica (Hamas), o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu tentou aprovar uma reforma judiciária para dar à Knesset o direito de anular decisões da Suprema Corte. Quer se livrar de três processos por corrupção que podem levá-lo para a cadeia. A Suprema Corte derruba a reforma em 1º de janeiro de 2024.

PRIMEIRO-MINISTRO FIDEL CASTRO

    Em 1959, um mês e meio depois da fuga do ditador Fulgencio Batista e da vitória da Revolução Cubana, o comandante Fidel Castro toma posse como primeiro-ministro, se torna presidente em 1976 e fica no poder até 2006 em Havana, quando sofre uma hemorragia intestinal.

Fidel Alejandro Castro Ruz nasce em 13 de agosto de 1926. Filho de um fazendeiro, vira um esquerdista e anti-imperialista quando estuda direito na Universidade de Havana. Depois de participar de rebeliões contra governos de direita na Colômbia e na República, Fidel lança sua revolução no assalto ao Quartel de Moncada, em Santiago de Cuba, em 26 de julho de 1953.

No julgamento, Fidel diz talvez sua frase mais célebre: "A história me absolverá." Preso durante um ano, ele sai e vai para o México onde forma o Movimento 26 de Julho com o irmão Raúl Castro e o médico e revolucionário argentino Ernesto Che Guevara.

Em 1956, um grupo de 82 guerrilheiros sai do México no navio Granma para desembarcar na Praya das Coloradas. Depois de fortes perdas nos primeiros combates, 21 guerrilheiros conseguem se refugiar na Sierra Maestra. Em fevereiro de 1958, já são 400 homens acantonados nas montanhas.

As forças do ditador Fulgencio Batista têm 50 mil, mas o governo cubano só consegue mobilizar 10 mil homens e lança uma ofensiva aérea e terrestre contra os guerrilheiros de abril a agosto de 1958. O fracasso desta ação militar é decisivo para a vitória da Revolução Cubana em 1º de janeiro de 1959.

No poder, sob pressão dos Estados Unidos, Fidel adota um regime socialista autoritário de caráter stalinista e se alia à União Soviética durante a Guerra Fria. Depois da fracassada tentativa de invasão da Baía dos Porcos, em abril de 1961, Cuba se aproxima ainda mais de Moscou. Isto leva à tentativa de instalar mísseis nucleares soviéticos na ilha, causa da Crise dos Mísseis, em outubro de 1962, no momento mais tenso da Guerra Fria. Nunca o mundo esteve tão perto de uma guerra nuclear. 

Ao transferir oficialmente por motivos de saúde os cargos de presidente e primeiro-ministro de Cuba ao irmão Raúl Castro, em 2008, 49 anos depois da posse, Fidel comenta que não pode se apegar a cargos. Ele morre aos 90 anos em 25 de novembro de 2016, em Havana.

PROTOCOLO DE QUIOTO

    Em 2005, entra em vigor o Protocolo de Quioto, um documento adicional à Convenção das Nações Unidas sobre Mudança do Clima para combater o aquecimento global diminuindo as emissões de 41 países desenvolvidos e da União Europeia. O objetivo é reduzir as emissões de seis gases que agravam o efeito estufa em 5,2% em relação a 1990. 

O acordo é fechado em Quioto, o antiga capital imperial do Japão, em 11 de dezembro de 1997. Um dos grandes negociadores é o então vice-presidente Al Gore, mas o Senado dos Estados Unidos, na época o maior poluidor mundial (hoje é a China), não ratifica o Protocolo de Quioto sob o argumento de que daria uma vantagem competitiva a países em desenvolvimento, não submetidos à mesma regra, no caso, a China.

O Protocolo de Quioto caduca em 2012. Para substituí-lo, as Conferências da ONU sobre Mudança do Clima aprovam o Acordo de Paris, em 2015. É o primeiro acordo em que todos os países se comprometem a estabelecer metas voluntárias de redução de emissões. O grande problema é que não existe nenhuma penalidade pelo não cumprimento das metas.

quarta-feira, 20 de julho de 2022

Europa arde em meio a recuo no combate ao aquecimento global

O aquecimento global está torrando o Hemisfério Norte.  O calor provoca incêndios em Portugal, na Espanha (piores dos últimos 15 anos), na França e na Grécia, em meio a uma crise de inflação, energia e alimentos gerada pela guerra da Rússia na Ucrânia. Isto atrasa a implementação de políticas para conter o aumento da temperatura da Terra e seus efeitos. 

Vinte e um países europeus estão em estado de alerta. Aeroportos fecharam porque a pista amoleceu. Algumas estradas de ferro foram interditadas. Na Península Ibérica, a temperatura chegou a 47 graus centígrados.

Mais de 60 cidades francesas tiveram temperaturas de mais de 40ºC. O presidente Emmanuel Macron vai quarta-feira à região da Gironda, onde há incêndios florestais.

Na Inglaterra, pela primeira vez, os termômetros passaram de 40ºC. Na Escócia, marcou 34,8ºC. 

Na China, 31 cidades estão em estado de alerta numa onda de calor que pode chegar a 40ªC. 

Dezenas de cidades grandes registraram mais de 40ºC nos Estados Unidos, onde a política ambiental do governo Joe Biden está sendo prejudicada pela Suprema Corte e por seu próprio partido. Veja mais meu canal no YouTube. Meu comentário:
 

sexta-feira, 20 de setembro de 2019

Jovens protestam no mundo inteiro contra o aquecimento global


Mais de 4 milhões de estudantes não foram às aulas hoje. Fizeram greve para chamar a atenção dos adultos para a falta de ação contra o aquecimento global e a mudança do clima causados pelo aumento da concentração de gases carbônicos na atmosfera em consequência da poluição industrial.

A líder do movimento, a jovem sueca Greta Thunberg, de apenas 16 anos, cruzou o Oceano Atlântico num barco que não emite carbono. Ela foi a grande estrela da manifestação que reuniu 250 mil pessoas em Nova York. Dois dias antes, prestou depoimento no Congresso dos Estados Unidos. 

Em vez de fazer uma exposição inicial, sua declaração foi o último relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima, criado em 1988 pela Organização das Nações Unidas. O painel reúne centenas de cientistas de mais de 100 países.

O último relatório advertiu para o risco de um aumento da temperatura média da Terra acima de um grau centígrado e meio em relação ao início da Revolução Industrial, na segunda metade do século 18. Meu comentário:

sábado, 12 de dezembro de 2015

ONU aprova primeiro acordo universal contra aquecimento global

No fim de duas semanas de negociações, os representantes de 195 países acabam de aprovar por aclamação em Paris o primeiro acordo universal para combater o aquecimento global. O objetivo é manter o aumento da temperatura média do planeta "bem abaixo" de dois graus centígrados em comparação com a era pré-industrial e fazer esforços para limitar a alta em 1,5ºC.

Mais de 180 países apresentaram metas voluntárias de controle das emissões de gás carbônico, o principal vilão do agravamento do efeito estufa. De cinco em cinco anos, esses compromissos serão avaliados.

A partir de 2020, os países desenvolvidos se comprometem em dar uma ajuda anual de US$ 100 bilhões para financiar a transição dos países em desenvolvimento para uma economia com baixo consumo de carbono, com menor queima de combustíveis fósseis como carvão e petróleo.

A acordo de Paris é resultado de um longo processo de negociações que começou em 1992 na Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (Rio-92), quando foi aprovada a Convenção da ONU sobre Mudança do Clima.

Desde 1995, ONU realiza conferência anuais sobre mudança do clima. Esta é a 21º CoP (Conferência das Partes da Convenção do Clima). Em 1997, foi aprovado o Protocolo de Quioto, o primeiro tratado internacional para conter as emissões de gases de efeito estufa, mas só se aplicava aos países industrializados.

Além de não dar resultado, o Protocolo de Quioto expirou em 2012. Neste período, o extraordinário desenvolvimento industrial da China tornou este país o maior emissor de gases poluentes. Era necessário então um acordo que englobasse todos os países.

Como líder de um bloco de 136 países em desenvolvimento, a China insistiu na questão da "responsabilidade comum, mas diferenciada", já que os países de industrialização recente não podem ser acusados pelo aumento da concentração de gás carbônico na atmosfera.

Outra questão delicada é o financiamento da ações contra o aquecimento global. Esse compromisso dos países ricos de dar US$ 100 bilhões por ano a partir de 2020 para financiar o combate à mudança do clima vem da CoP-15, realizada em 2009 em Copenhague, na Dinamarca. Foi reafirmado em Paris.

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Sandy é consequência do aquecimento global

Com 1,6 mil quilômetros de diâmetro, Sandy é o maior furacão já registrado no Oceano Atlântico, uma megatempestade formada pela água cada vez mais quente na região do Mar do Caribe que não se dispersou por causa de uma zona de alta pressão criada por uma massa de ar frio polar. Já matou pelo menos 10 pessoas nos EUA, três no Canadá e 67 nos países caribenhos (Cuba, Haiti e Jamaica).

Sandy é um exemplo dos fenômenos climáticos maiores e mais violentos provocados pela mudança do clima devida ao aquecimento global. O encontro de uma grande massa de ar quente com uma grande massa de ar frio tornou-o mais radical.

O clima da Terra sempre variou. O último período glacial durou 1 milhão de anos e terminou há 25 mil anos. A espécie humana e seus antepassados estão por aqui há 7 milhões de anos, então suportaram fortes variações de temperatura e climas hostis. Mas a civilização surgiu e se desenvolveu neste meio ambiente benigno do período Holoceno ou Recente.

Quando se fala do aquecimento global como problema ambiental, a questão é se o planeta está esquentando pela ação do homem. E os céticos que rejeitam essa tese alegam que os fenômenos da natureza são muito maiores do que a humanidade. A atividade humana não seria responsável pelo agravamento do efeito estufa.

Os gases que formam a atmosfera da Terra retêm parte do calor irradiado pelo Sol, criando uma estufa. Isso deixou a temperatura média do planeta em 16 graus centígrados. Sem o efeito estufa, a temperatura média seria de -18ºC (GRIBBEN, 1998), possivelmente incapaz de sustentar a vida na escala atual.

O problema ambiental é o agravamento do efeito estufa. Esta é a principal questão ecológica hoje porque envolve o mundo inteiro e exige uma solução global que está muito distante.

Hoje o mundo se divide em 194 países ou estados nacionais, cada um com seus próprios interesses, da gigantesca China, segundo maior país do mundo, com a maior população, segunda maior economia do mundo e hoje o maior poluidor, a algumas ilhas ameaçadas pela elevação do nível dos mares.

Um dos riscos é o degelo das calotas polares, que por sua vez geraria mais dióxido de carbono e metano, alimentando o processo de aquecimento global.

No século passado, o nível dos mares subiu entre 10 e 20 centímetros, dependendo da região. Neste século, pode subir de 30cm até um metro, o suficiente para fazer causar grandes estragos para as populações litorâneas. Mas, se todo o gelo da Antártida derreter, a alta pode chegar a quatro metros.

Só no Brasil, o prejuízo pode chegar a R$ 200 bilhões, alerta o prof. Paulo Rosman, da Coordenação de Programas de Pós-Graduação em Engenharia (Coppe) da UFRJ, citado por TRIGUEIRO em Mundo Sustentável 2 (S. Paulo: Globo, 2012, p. 317-345), sem falar nos danos à agricultura e à geração de energia hidrelétrica.

ANTECEDENTES HISTÓRICOS
Já no ano de 852 houve registro em Londres da ocorrência de doenças respiratórias atribuídas à queima de carvão para calefação.

A primeira lei contra a poluição do ar causada pela queima de combustíveis fósseis foi aprovada em 1273 em Londres. Que combustíveis fósseis eram usados naquela época?

Em 1661, John Evelyn advertiu para os efeitos nocivos causados pela queima de carvão.

Em 1769, James Watt adaptou a máquina a vapor movida a carvão para uso industrial, dando início à Revolução Industrial na Inglaterra.

O Barão Jean-Baptiste-Joseph Fourier foi o primeiro a fazer uma analogia entre a atmosfera da Terra e uma estufa, descrevendo pela primeira vez o efeito estufa, em 1827. O irlandês John Tyndal aprofundou a tese de Fourier, afirmando que o dióxido de carbono e o vapor d’água ajudavam a atmosfera a reter o calor.

Tyndal acreditava que a composição de gases da atmosfera poderia alterar a temperatura do planeta.

Em 1860, a concentração de dióxido de carbono na atmosfera era de 275 partes por milhão; em 1996, era de 360ppm. Naquele ano, a humanidade jogou 5,5 gigatoneladas de carbono na atmosfera.

Antes da era industrial, a atmosfera tinha 550 bilhões de toneladas de carbono na forma de dióxido de carbono; hoje, são mais de 750 bilhões de toneladas.

A tese de que o aumento da concentração de gás carbônico na atmosfera levaria ao aquecimento global foi proposta pela primeira vez em 1896 pelo químico sueco Svante Arrhenius, um dos pais da química moderna, formulador da teoria sobre ácidos e bases, e ganhador do Prêmio Nobel de Química em 1903.

Hoje se sabe que Vênus tem uma grande concentração de gás carbônico na atmosfera e muito calor. Em contraste, Marte é um planeta árido e gelado.

Em 1938, o meteorologista britânico G. D. Callendar tentou em vão convencer a Royal Geographical Society de que o aumento da temperatura registrado desde 1880 era resultado da maior concentração de gás carbônico.

Em 1957, como parte do Ano Geofísico Internacional, foi instalada no Havaí a primeira estação para medir a concentração de gás carbônico na atmosfera. Uma pesquisa acadêmica concluiu que os oceanos não estavam absorvendo gás carbônico como se acreditava.

No governo Lyndon Johnson (1963-69), a Casa Branca realizou em 1965 uma pesquisa sobre a queima de combustíveis fósseis e o aumento sustentado da concentração de gás carbônico na atmosfera. Em 1970, o Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT, do inglês) fez um simpósio em Cambridge, nos EUA.

CIÊNCIA DA MUDANÇA DO CLIMA
O primeiro encontro internacional de cientistas para discutir a mudança do clima foi realizado em Wijk, na Suécia, em 1971.

Em 1972, a Suécia sediou, em Estocolmo, a Conferência das Nações Unidas sobre o Ambiente Humano.

Em 1975, o Serviço Atmosférico Nacional (NAS) dos EUA destacou a necessidade de mais pesquisas sobre mudança do clima. Em 1977, pede “ação imediata”.

A 1ª Conferência Mundial sobre o Clima é realizada em Genebra, na Suíça, pela Organização Meteorológica Mundial, em 1979.

Em 1982, o NAS divulgou um relatório advertindo que a duplicação da concentração de dióxido de carbono na atmosfera para aumentar a temperatura média do planeta de 1,5ºC a 4,5ºC. Um consenso começava a se formar na comunidade científica.

Estimativas posteriores sugerem que o aquecimento global pode ser ainda mais grave, com um possível aumento de temperatura de oito a dez graus (LASHOF, 1989).

 A Conferência Internacional para Avaliar o Papel do Gás Carbônico e Outros Gases de Efeito Estufa nas Variações do Clima e Impactos Associados, realizada em Villach, na Áustria, concluiu em 1985 que há um processo de aquecimento global causado pelo homem.

O Relatório Brundtland, Nosso Futuro Comum, foi divulgado pela Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento  em 1987. Lança o conceito de desenvolvimento sustentável, aquele que não compromete o bem-estar das futuras gerações.

Em junho de 1988, a Conferência sobre a Mudança da Atmosfera: Implicações sobre a Segurança foi realizada em Toronto, no Canadá. Concluiu que a humanidade está “conduzindo uma experiência global sem controle e sem intenção cujas consequências finais seriam menos danosas apenas do que uma guerra nuclear”.

A Conferência de Toronto propôs uma redução até 2005 em 20% do nível de emissões de 1988.

Em novembro de 1988, o Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima (IPCC , do inglês) fez sua primeira reunião, na sede da ONU em Genebra, na Suíça. Em 1990, o IPCC previu que haveria um aumento de um grau centígrado em relação àquele ano e de dois graus em relação à era pré-industrial até 2025 e de 3ºC em relação a hoje e de 4ºC em relação à era pré-industrial até o fim do século 21.

De qualquer forma, os ecossistemas serão submetidos a enormes pressões neste século. Além disso, o ritmo do aquecimento do planeta pode se acelerar, tornando-se até 50 vezes mais rápido do que num processo natural. E, em segundo lugar, com o agravamento do efeito estufa, os desastres meteorológicos – incêndios, secas, furacões e enchentes – podem se tornar mais frequentes e mais violentos

CONVENÇÃO DO CLIMA
Em dezembro de 1988, a Assembleia Geral da ONU pediu à Organização Meteorológica Mundial e ao Programa de Meio Ambiente da ONU para propor medidas para mitigar o aquecimento global e para uma convenção internacional sobre mudança do clima.

Ao fazer planos para congelar as emissões de gás carbônico nos níveis de 1989-90, a Holanda tornou-se o primeiro país a estabelecer metas para conter o aquecimento global.

A primeira reunião do comitê internacional de negociação sobre uma Convenção Quadro sobre Mudança do Clima foi realizada em Washington, nos EUA, em 1991, seguida de encontros em Genebra e Nairóbi. Em maio de 1992, os negociadores chegaram a um acordo em Nova York.

Apesar da oposição dos EUA e dos países exportadores de petróleo, a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (Rio-92) aprovou a Convenção Quadro sobre Mudança do Clima, que entraria em vigor em março de 1994.

O presidente George Bush, pai, declarou que não faria nada capaz de reduzir a lucratividade e a produtividade das empresas americanas. Usou o mesmo discurso para rejeitar também a Convenção sobre Diversidade Biológica. Sinalizava assim a oposição dos EUA ao Protocolo de Quioto.

PROTOCOLO DE QUIOTO
O vice-presidente Al Gore, que veio à Rio-92 fazer sombra a Bush, se empenhou pessoalmente pela aprovação do protocolo em 1997 na antiga capital do Japão. O acordo de Quioto propunha uma redução em média de 5% nas emissões de gases de efeito estufa de 1990 e seu congelamento em 37 países desenvolvidos.

Como o aquecimento global é resultado da poluição industrial, os países industrializados há mais tempo têm maior responsabilidade. Os países em desenvolvimento não estavam submetidos a nenhuma obrigação.

Mas o maior poluidor do mundo naquela época, os EUA, nunca ratificou o Protocolo de Quioto. O presidente Bill Clinton assinou o acordo no último dia de seu governo, jogando a bomba no colo de George W. Bush.

Pela Constituição dos EUA, todos os acordos internacionais precisam ser aprovados pelo Senado. Nunca houve condições políticas para aceitar a imposição externa de um limite para a emissão de gases pelos americanos.

Gore ganhou um Oscar em 2007 pelo filme documentário Uma Verdade Inconveniente, mas não conseguiu se eleger presidente nem mobilizar os americanos para pressionar o Senado ou poluir menos.

De 1990 a 2010, as emissões dos EUA cresceram 13% e as da Europa, 1%.

Em 2007, o IPCC apresentou as seguintes conclusões:
• Há pelo menos três décadas, o aquecimento global atinge todas as regiões da Terra, com alta média de 0,5ºC a 1ºC no Equador e de até 4ºC nos polos. Nas latitudes médias, a elevação já é da ordem de 2ºC. Na Europa, as estações mais quentes estariam começando 15 dias mais cedo.
• Os ciclos de vida de inúmeras espécies e ecossistemas está sendo perturbado.
• Para limitar o aumento da temperatura em 2ºC até 2100, seria necessário reduzir as atuais emissões de gases de efeito estufa pela metade até 2050 e em um quarto até 2100.
• Estes modelos não consideram algumas incertezas capazes de agravar o aquecimento e acelerar a elevação do nível dos mares, como o derretimento total das calotas polares.

Desde a aprovação da Convenção Quadro sobre Mudança do Clima, na Rio-92, houve 17 conferências das partes, ou seja, dos signatários da convenção. A 18ª Conferência sobre Mudança do Clima será realizada de 26 de novembro a 7 de dezembro de 2012 em Doha, no Catar, uma das monarquias petroleiras que no princípio rejeitava a tese da mudança do clima sob ação do homem.

Seu objetivo será negociar um acordo para substituir o Protocolo de Quioto, que expira no fim deste ano. Diante do fracasso das negociações até aqui, uma das propostas é prorrogar o acordo atual, mas o Canadá, o Japão e a Rússia já anunciaram que não pretendem aceitá-la.

A maior esperança era a 15ª Conferência sobre Mudança do Clima, realizada em Copenhague, na Dinamarca, em dezembro de 2009, com a presença de chefes de Estado como os presidentes Barack Obama, Hu Jintao e Luiz Inacio da Silva, e os primeiros-ministros da Europa e do Japão.

Se Quioto fracassou pela ausência do maior poluidor, os EUA, na Conferência de Copenhague, Obama não tinha a menor condição de propor algo mais do que uma tímida redução em relação aos níveis de 2005 que mesmo assim não foi aceita pelo Senado.

Ao mesmo tempo, o mundo mudou. O maior poluidor hoje é a China, que está interessada em aumentar sua eficiência energética e controlar a poluição, mas não aceita a imposição de limites externos a seu desenvolvimento.

Os grandes países emergentes, especialmente a China, a Índia, o Brasil e a Indonésia, não querem aceitar imposições dos países ricos, que inicialmente poluíram sem limites e depois exportaram suas fábricas sujas para o Terceiro Mundo. E os países ricos não querem fazer concessões unilaterais, especialmente para a China, segunda maior economia do mundo.

Sem a China e os EUA, maiores poluidores mundiais, o máximo que os países-membros da ONU concordaram em Copenhague foi em continuar negociando. Sem os grandes emergentes, os EUA, o Canadá, o Japão e a Rússia, só a União Europeia parece interessada em reduzir as emissões de gases de efeito estufa.

Como a UE responde por apenas 11% das emissões, pode ser um bom exemplo, mas não vai resolver o problema sozinha.

Em meio a uma crise econômica, e esta é a pior desde a Grande Depressão (1929-39), todo mundo está preocupado com crescimento e emprego – e não com a proteção ao meio ambiente.

Por isso, não houve avanços significativos na Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20) nem há expectativa de progresso nos próximos anos nas negociações globais sobre mudança do clima. Mas muitos governos regionais e municipais, organizações não governamentais e cidadãos conscientes estão tomando medidas para reduzir a queima de combustíveis fósseis, inclusive nos EUA.

BIBLIOGRAFIA:
BARBAULT, Robert – Ecologia Geral. Petrópolis: Vozes, 2011.
BRENTON, Tony – The Greening of Machiavelli. Londres: Earthscan, 1994.
GRUBB, Michael and others – The Earth Summit Agreements. Londres: Easthscan, 1993.
ROWLANDS, Ian – The Politics of Global Atmospheric Change. Manchester: Manchester University, 1995.
TRIGUEIRO, André - Mundo Sustentável 2. S. Paulo: Globo, 2012.