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sábado, 10 de janeiro de 2026

Hoje na História do Mundo: 10 de Janeiro

 PANFLETO REVOLUCIONÁRIO

    Em 1776, o revolucionário britânico Tom Paine publica Senso Comum, um livro de 50 páginas que defende que a guerra dos colonos norte-americanos contra o Império Britânico leve à independência dos Estados Unidos no que chama de Revolução Americana.

Thomas Paine nasce em 29 de janeiro de 1737 em Thetford, na Inglaterra, filho de mãe anglicana e pai quaker. Sua vida na Inglaterra é marcada por sucessivos fracassos, entre eles dois casamentos que não dão certo. Ele trabalha como fiscal de impostos. É demitido ao pedir aumento alegando que o salário é uma fonte de corrupção.

Em Londres, ele conhece Benjamin Franklin, que o aconselha a tentar a sorte nos EUA e lhe dá cartas de apresentação.

A Guerra da Independência dos EUA (1775-83) começa com as batalhas de Lexington e Concord, em 19 de abril de 1775, como uma revolta contra aumentos de impostos pela coroa britânica para financiar as dívidas contraídas durante a Guerra dos Sete Anos (1756-63), que também foi uma das causas da Revolução Francesa de 1789.

Seis meses depois da publicação de Senso Comum, em 4 de julho de 1776, o Congresso Continental declara a independência. Sua introdução é um dos textos mais importantes da Revolução Americana: 

"Estes são os tempos que testam as almas dos homens. O soldado de verão e o patriota do sol, nesta crise, se afastarão do serviço de seu país; mas aquele que o apoia agora merece o amor e o agradecimento do homem e da mulher. 

"A tirania, como o inferno, não é facilmente conquistada; mas temos esse consolo conosco: quanto mais difícil o conflito, mais glorioso o triunfo. O que obtemos muito barato, estimamos muito levianamente: É só carência que dá a tudo seu valor. O Céu sabe como colocar um preço adequado em seus bens; e seria realmente estranho se um artigo tão celestial como a liberdade não devesse ser altamente avaliado. 

"A Grã-Bretanha, com um exército para impor sua tirania, declarou que tem o direito não apenas de taxar, mas de "nos obrigar em todos os casos", e se ser obrigado dessa maneira não é escravidão, então não existe escravidão na Terra."  

Em 1787, Paine volta à Europa. Revoltado com Reflexões sobre a Revolução na França, do conservador britânico Edmund Burke, escreve outro livro, Direitos do Homem, em defesa da Revolução Francesa, publicado em 1791. Quando Burke responde, publica, em 17 de fevereiro de 1792, Direitos do Homem: Parte II

É a única pessoa que luta pela independência dos EUA e pela Revolução Francesa. É eleito deputado da Assembleia Nacional da França. É a favor do fim da monarquia, mas não da execução do rei e dos monarquistas. É a favor de banir e não de matar os inimigos do novo regime.

No Período do Terror, quando os extremistas liderados por Maximiliano Robespierre tomam o poder, Paine é preso de 28 de dezembro de 1793 a 4 de novembro de 1794. Solto, é readmitido na Convenção Nacional.

Tom Paine morre em 1809 em Nova York. Os obituários não reconhecem sua importância histórica. Em 30 de janeiro de 1937, o jornal The Times, de Londres, resgata sua memória e o chama de "Voltaire inglês".

Seu pensamento se resume numa frase: "Minha pátria é o mundo, os humanos são meus irmãos e minha religião é fazer o bem."

ERA DO PETRÓLEO

    Em 1901, o petróleo jorra numa perfuração em Spindletop Hill, perto de Beaumont, no Texas, nos Estados Unidos, cobrindo a terra até uma distância de dezenas de metros, num marco do início da indústria petrolífera e da era do petróleo.

O lençol petrolífero está a 300 metros de profundidade. O poço jorra 100 mil barris por dia. Até então, o petróleo é usado como lubrificante e para fazer querosene para iluminação. Passa a ser a principal fonte de combustível, inclusive para invenções que revolucionaram os transportes como o automóvel e o avião. Os meios de transporte movidos a carvão, como trens e navios, passam para o combustível líquido.

LIGA DAS NAÇÕES INSTALADA

    Em 1920, a Liga ou Sociedade das Nações é instalada em Genebra, na Suíça, como a primeira organização de caráter universal dedicada à paz mundial, resultado da Conferência de Versalhes (1919) depois da Primeira Guerra Mundial (1914-18).
A criação da Liga das Nações é um dos 14 pontos do plano de paz proposto pelo presidente dos Estados Unidos, Woodrow Wilson. Os EUA são a maior economia do mundo desde o fim do século 19. Com a guerra, torna-se a maior potência mundial.

Para convencer os norte-americanos a ir à guerra, Wilson diz que é "a guerra para acabar com todas as guerras" e criar um mundo seguro para a democracia, rompendo um isolacionismo histórico que vem desde a independência, o que não impediu os EUA de intervir militarmente nos países vizinhos.

Por causa desse isolacionismo, o Senado dos EUA, que tem o dever constitucional de aprovar acordos internacionais, rejeita a Convenção da Liga das Nações sob a alegação de que reduziria a soberania nacional.

Sem o país mais poderoso do mundo e sem uma regra clara para usar a força para impedir novas guerras, a Liga não impede o Japão de ocupar a Manchúria em 1931 e o resto da China em 1937, nem a Itália de invadir a Etiópia em 1935 nem a Alemanha de anexar a Áustria em 1938 e a Tcheco-Eslováquia em 1938 e 1939, e assim evitar a Segunda Guerra Mundial (1939-45). Em 1945, ela é substituída pela ONU e desaparece oficialmente em 1946.

PRIMEIRA ASSSEMBLEIA GERAL DA ONU

    Em 1946, a Assembleia Geral das Nações Unidas se reúne pela primeira vez, em Londres, no Reino Unido.
A Assembleia Geral é o único órgão da ONU em que todos os países-membros estão representados. É uma espécie de parlamento mundial, mas suas decisões não são de cumprimento obrigatório, ao contrário do que acontece com o Conselho de Segurança, onde cinco grandes potências vencedoras da Segunda Guerra Mundial (1939-45) tem direito de veto: EUA, China, França, Reino Unido e Rússia.

Isto não reflete mais a realidade do mundo atual, mas é muito difícil da mudar porque diluiria o poder dos cinco grandes e, se hoje é difícil chegar a um consenso com cinco membros com poder de veto, seria mais difícil com mais membros permanentes.

Antes dos EUA entrarem na guerra, em 14 de agosto de 1941, o presidente norte-americano, Franklin Delano Roosevelt, e o primeiro-ministro britânico, Winston Churchill, assinam a Carta do Atlântico, estabelecendo os princípios de uma nova ordem internacional liberal para o pós-guerra.

Entre esses princípios, estão a proibição de conquista de territórios à força, a necessidade de consentimento das populações para ajustes territoriais, reconhecimento do direito de autodeterminação dos povos, liberdade de navegação nos mares, fim das barreiras comerciais, cooperação econômica e desarmamento dos países agressores.

Em 24 de setembro de 1941, os aliados europeus aderem aos princípios da Carta do Atlântico.

Depois que os EUA entram na guerra, em 1º de janeiro de 1942, os aliados do mundo inteiro na luta contra o nazifascismo fazem a Declaração das Nações Unidas com base nos mesmos princípios.

A ONU é resultado de negociações entre três grandes líderes asiáticos, Roosevelt, Churchill e o ditador soviético Josef Stalin em uma série de conferências, em Moscou, Teerã, Dumbarton Oaks, Ialta e São Francisco. 

A Carta da ONU é assinada por 50 países em 26 de junho de 1945 em São Francisco. Quando a organização é instalada, em 24 de outubro do mesmo ano, são 51 países porque a Polônia recupera a independência.

EUA REATAM COM VATICANO

    Em 1984, os Estados Unidos e o Vaticano reatam relações diplomáticas depois de 117 anos de rompimento.
Os EUA mantêm relações consulares com os Estados Pontifícios de 1797, no governo George Washington (1789-97) e o papado de Pio VI (1775-99), a 1867, no governo Andrew Johnson (1865-69) e pontificado de Pio IX (1846-79).

As relações são cortadas quando o Congresso dos EUA aprova uma lei que proíbe o financiamento de missões diplomáticas norte-americanas na Santa Sé por causa do sentimento anticatolicismo no país, fundado por refugiados protestantes das guerras religiosas na Europa.

Esse anticatolicismo é agravado na época pela condenação e enforcamento de Mary Surratt por participar da conspiração para matar o presidente Abraham Lincoln (1861-65). Seu filho, John Surratt, acusado de conspirar com John Wilkes Booth, recebe asilo da Igreja Católica e foge para a Itália, onde trabalha como zuavo papal, soldado do regimento de infantaria que protege o Vaticano.

Desde o início do governo Ronald Reagan (1981-89), o presidente norte-americano percebe que o papa polonês João Paulo II (1978-2005) é anticomunista e será útil na Guerra Fria contra a União Soviética. Os dois países anunciam o reatamento em 10 de janeiro de 1984. Desta vez, não há oposição.

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sábado, 3 de janeiro de 2026

Trump captura Maduro e ameaça controlar a Venezuela

Depois de poucas semanas de cerco, forças de operações especiais do Exército dos Estados Unidos capturaram na madrugada de hoje em Caracas o ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, e sua mulher, Cilia Flores. Os dois já estão em Nova York, onde serão processados por terrorismo e tráfico de drogas. 

A ação é ilegal à luz do direito internacional. Trump declarou que vai governar a Venezuela e controlar as reservas de petróleo do país, as maiores do mundo, até "uma transição segura, apropriada e judiciosa."

Desde agosto, os EUA enviaram forças militares para o Mar do Caribe perto da costa da Venezuela. Depois de atacar pequenos barcos que acusou de tráfico de drogas, Trump ordenou um bloqueio a navios petroleiros sancionados que entram e saem da Venezuela.O petróleo é fundamental para a economia venezuelana, que tem as maiores reservas mundiais, 303 bilhões de barris.

Na madrugada hoje, 150 aviões de guerra participaram da operação, que começou com bombardeio de sistemas de defesa antiaérea e arsenais das Forças Armadas da Venezuela. Uma grande explosão atingiu o Forte Tiúna, em Caracas, onde estava o ditador venezuelano. Trump disse que a captura de Maduro em si durou apenas 47 segundos.

Vários países, inclusive o Brasil, o México e a Colômbia, condenaram o ataque. A China alertou para o risco de desestabilização da América Latina. A União Europeia pediu uma transição pacífica e democrática.

Trump conquistou uma vitória tática importante que não garante o sucesso de sua estratégia para a América Latina. O grande problema das intervenções militares é o dia seguinte. O recado é que os EUA pretendem usar a força onde e quando quiserem.
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terça-feira, 2 de dezembro de 2025

Trump e Rubio querem derrubar regimes da Venezuela e de Cuba

O presidente Donald Trump reuniu o Conselho de Segurança Nacional dos Estados Unidos nesta noite para discutir os próximos passos do que parece uma tentativa de derrubar o ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, e por tabela o regime comunista de Cuba.

Trump deu um ultimato em 21 de novembro. Pressionou Maduro a renunciar em uma semana. O ditador venezuelano aceitou, em princípio, a ideia de ir para o exílio, mas exigiu anistia para si, a familía e mais de 100 altos dirigentes venezuelanos.

Em agosto, os EUA começaram a enviar navios de guerra para perto da costa da Venezuela sob o pretexto de combater o tráfico de drogas. O maior navio de guerra do mundo, o porta-aviões Gerald Ford, chegou em novembro. Hoje, há 11 navios da Marinha com 15 mil soldados dos EUA a bordo.

É uma força-tarefa formidável. Indica que os objetivos de Trump e do secretário de Estado, Marco Rubio, de origem cubana, vão muito além do narcotráfico. A Venezuela não é um dos países mais importantes no tráfico de drogas para os EUA. Mas é pouco provável uma invasão em larga escala, com uma operação terrestre. Morreriam muitos norte-americanos, o que provocaria uma forte reação interna nos EUA, inclusive dos partidários de Trump, que são isolacionistas. Não querem o país envolvido em guerras no exterior.

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domingo, 20 de abril de 2025

Hoje na História do Mundo: 20 de Abril

CROMWELL DISSOLVE O PARLAMENTO

    Em 1653, o ditador Oliver Cromwell dissolve o Parlamento Manco ou Parlamento Residual da Inglaterra, substituído pelo Pequeno Parlamento ou Assembleia Nomeada, que seria fechado no mesmo ano com a instauração do Protetorado, com Cromwell como Lorde Protetor, o que o torna definitivamente um ditador.

O Parlamento Manco, última fase do Longo Parlamento, convocado pelo rei em novembro de 1640, começa quando o coronel Thomas Pride faz um grande expurgo, em 13 de dezembro de 1648, destituindo 121 deputados que são contra o julgamento e a execução do rei Carlos I no auge da Guerra Civil Inglesa entre um rei católico e um Parlamento com maioria protestante.. 

Esse parlamento reduzido aprova em 4 de janeiro de 1649 a criação de um Supremo Tribunal de Justiça para processar o rei. Carlos I contesta a autoridade do tribunal numa audiência em 20 de janeiro. É condenado à morte por traição. 

A execução é adiada para dar tempo à aprovação de uma lei tornando crime proclamar um novo rei. Todo o poder fica com a Câmara dos Comuns, representante do povo. O rei é decapitado em Whitehall, no Centro de Londres, em 31 de janeiro de 1649.

Em 6 de fevereiro do mesmo ano, a Câmara dos Lordes é abolida. No dia seguinte, é abolida a monarquia. Em 14 de fevereiro, é criado o Conselho de Estado. Em abril, nasce a Comunidade da Inglaterra. Com o controle da Câmara dos Comuns, Cromwell acumula poderes. Em 1653, dissolve o Parlamento, instaura o Protetorado e se torna Lorde Protetor da Inglaterra, do País de Gales, da Escócia e da Irlanda. 

Com a morte de Cromwell em 3 de setembro de 1653 e o fim do Protetorado, o Parlamento é restaurado em maio de 1659, dissolvido em outubro e reconvocado em dezembro de 1659 com a inclusão dos expurgados em 1648 para finalmente se dissolver. Uma Convenção Parlamentar eleita inicia negociações para a restauração da monarquia sob Carlos II, filho de Carlos I, em 1660. 

NASCIMENTO DE HITLER

    Em 1889, nasce em Braunau, na Áustria, Adolf Hitler, líder do Partido Nazista, chanceler (primeiro-ministro) e ditador da Alemanha, o grande genocida, o pior tirano de todos os tempos e o maior responsável pela Segunda Guerra Mundial (1939-45), com uma visão de mundo baseada na supremacia da raça ariana e na expansão territorial através da guerra.

Hitler passa a maior parte da infância em Linz, na Áustria. Aluno medíocre, não passa do ensino médio. Sonha em ser pintor, mas é reprovado em duas tentativas de entrar para a Academia de Artes de Viena.

Em 1913, Hitler se muda para Munique, na Alemanha. Por falta de vigor físico, é rejeitado para o serviço militar na Áustria. Quando estoura a Primeira Guerra Mundial (1914-18), consegue entrar para um regimento de infantaria da Baviera. 

Ele participa da Primeira Batalha de Ypres, na Bélgica. É condecorado duas vezes por bravura. No fim da guerra, está hospitalizado por ter sofrido um ataque com armas químicas.

A guerra, a disciplina militar e a camaradagem com os companheiros de armas compensam a frustração da vida civil. Hitler vê a guerra e o heroísmo como a exaltação do espírito humano.

Em setembro de 1919, ele entra para o pequeno Partido Alemão dos Trabalhadores, que em 1920 muda de nome para Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães (Nazista). Torna-se responsável pela propaganda do partido.

O ressentimento com a derrota da Alemanha, as duras condições impostas ao país pela Conferência de Paz de Versalhes (1919) e a crise econômica decorrente causam grande descontentamento. Deixam um terreno fértil para a demagogia populista.

Sua personalidade carismática e liderança dinâmica atraem membros do partido como Alfred Rosenberg, Rudolf Hess, Herman Göring e Julius Streicher.

A primeira tentativa de tomar o poder é o Golpe de Cervejaria de Munique, deflagrado em 8 de novembro de 1923. Hitler é preso e condenado por traição a 5 anos de cadeia. Na prisão, escreve o Mein Kampf (Minha Luta), o manual da propaganda nazista. É solto em 20 de dezembro de 1924, depois de cumprir apenas nove meses de detenção.

Suas ideias incluem uma visão desigual e hierarquica de povos, países e indivíduos numa ordem natural imutável com a raça ariana e o povo alemão no topo como líderes e guias da humanidade. No centro de seu pensamento estão o pangermanismo, o antissemitismo e o anticomunismo.

O maior inimigo do nazismo não é a democracia liberal, que está em crise na Alemanha com o fracasso da República de Weimar. É o marxismo, que para Hitler inclui a social-democracia e o comunismo, e o povo judeu, para Hitler a encarnação de todo o mal.

Seu antissemitismo é evidente desde 1919, quando escreve que "o objetivo final deve ser a remoção de todos os judeus. Em Mein Kampf, Hitler descreve o judeu como "destruidor da cultura", "ameaça" e "parasita da nação".

A Grande Depressão (1929-39) da economia gera a instabilidade política que leva os nazistas ao poder. 

Depois de eleições em que o Partido Nazista conquista 33% dos votos em 6 de novembro de 1932, Hitler é nomeado chanceler (primeiro-ministro) em 30 de janeiro, quando a taxa de desemprego está em 34%. Menos de um mês depois, em 27 de fevereiro, há o incêndio do parlamento. Os nazistas são suspeitos e acusam os comunistas. É o grande golpe da ascensão de Hitler ao poder total.

O primeiro campo de concentração, Dachau, é criado em 22 de março de 1933. Até 1945, os nazistas operam mais de mil campos de concentração.

A Lei Habilitante é aprovada em 23 de março de 1933 pelo Partido Nazista, pelo Partido Nacional Popular da Alemanha e pelo Partido de Centro. Dá os primeiros poderes ditatoriais a Hitler, permitindo que o governo crie leis e assine tratados com outros países sem a aprovação do Reichstag, censure a imprensa e proíba partidos políticos.

Entre 10 de maio e 21 de junho de 1933, os nazistas organizam grandes queimas de livros justificadas pela "necessidade de purificação radical da literatura alemã de elementos estranhos que possam alienar a cultura alemã".

Nos seus primeiros anos do poder, a Alemanha vence a depressão econômica com uma política agressiva de industrialização e rearmamento. O desemprego cai de 34% em janeiro de 1933 para 13,5% em julho de 1934.

Com a morte do presidente Paul von Hindenburg, em 2 de agosto de 1934, o regime nazista convoca um plebiscito para unificar os cargos de presidente e primeiro-ministro na figura do Führer (Líder). Em 19 de agosto, os alemães aprovam a ditadura de Adolf Hitler com quase 90% dos votos.

Em setembro de 1935, são aprovadas as Leis de Pureza Racial de Nurembergue. Desde o século 19, os judeus eram aceitos como membros da sociedade alemã com plenos direitos e cidadãos iguais aos outros.

A Lei de Cidadania do Reich determina que só pessoas com "sangue ou ascendência alemã" podem ser cidadãos. Os judeus são "súditos do Estado", não cidadãos. A Lei de Proteção do Sangue e da Honra Alemãs proíbe o casamento e as relações sexuais entre judeus, acusados de serem "poluidores raciais", e não judeus.

De 11 a 13 de março de 1938, a Alemanha Nazista anexa a Áustria, país de origem de Hitler. Em 30 de setembro de 1938, Hitler toma a região dos Sudetos, na Tcheco-Eslováquia, onde há uma grande população de origem alemã, com a conivência da França e do Reino Unido no Pacto de Munique, uma tentativa de evitar a guerra na Europa. A invasão da Boêmia e da Morávia, em 15 de março de 1939, completa a anexação da Tcheco-Eslováquia.

A Segunda Guerra Mundial começa em 1º de setembro de 1939 com a invasão da Polônia pela Alemanha. Dias antes, em 23 de agosto, Hitler e o ditador Josef Stalin fazem o Pacto Germano-Soviético, um acordo de não agressão que Hitler usa para dividir a Polônia e garantir a paz na frente oriental enquanto toma a Europa Ocidental.

A derrota na Batalha da Inglaterra, um combate aéreo travado de 10 de julho a 31 de outubro de 1940, impede Hitler de invadir o Reino Unido.

Em 22 de junho de 1941, Hitler rompe o pacto de não agressão com Stalin e ordena a invasão da União Soviética. No fim daquele ano, em 7 de dezembro, o Império do Japão, aliado da Alemanha, ataca a Frota do Pacífico dos Estados Unidos em Pearl Harbor, no Havaí. Os EUA entram na guerra.

A Conferência de Wannsee, um subúrbio de Berlim, adota em 20 de janeiro de 1942 a "solução final" para a questão judaica, uma tentativa de exterminar os judeus da Europa. Cerca de 11 milhões de pessoas morrem no Holocausto, 6 milhões de judeus, 60% dos judeus europeus, 1,5 milhão de ciganos, socialistas, comunistas, negros e opositores do regime nazista.

Em meados de 1942, o Exército nazista domina grande parte da Europa continental, o Norte da África e quase um quarto da URSS. Com a derrota nas batalhas de Moscou (1941-42), Stalingrado (1942-43) e Kursk (1943), a Alemanha Nazista para de avançar. O Afrika Korps, o exército alemão no Norte da África, se rende em 12 de maio de 1943.

Em 9 de julho de 1943, os aliados invadem a Sicília e começam a acabar com a ditadura de Benito Mussolini na Itália, o principal aliado de Hitler.

A Invasão da Normandia, em 6 de junho de 1944, abre uma nova frente de combate na Europa Ocidental. Na frente oriental, o Exército Vermelho da URSS avança rumo a Berlim. 

Em 20 de julho de 1944, Hitler sobrevive a um atentado na Toca do Lobo, seu esconderijo secreto na Prússia Oriental, na Operação Valquíria, uma conspiração para dar um golpe de Estado liderada pelo coronel Claus von Stauffenberg.

A Batalha de Ardenne, de 16 de dezembro de 1944 a 25 de janeiro de 1945, é a última grande contraofensiva alemão na frente ocidental, uma tentativa de deter o avanço das forças norte-americanas.

O Exército Vermelho ganha a corrida rumo a Berlim. Toma a capital da Alemanha em 8 de maio de 1945, fim da guerra na Europa. Hitler se suicida oito dias antes, em 30 de abril, um seu bunker em Berlim.

RÁDIO ISOLADO

    Em 1902, quatro anos depois de descobrir os elementos radioativos rádio e polônio, o casal Marie e Pierre Curie consegue isolar sais de rádio de um minério em seu laboratório.

Maria Salomea Sklodowska nasce em Varsóvia, na Polônia, então parte do Império Russo, em 7 de novembro de 1867. Aos 24 anos, em 1891, ela segue a irmã mais velha, Bronislawa, e vai estudar na Universidade de Paris, onde se forma em física e química.

Na França, ela passa a ser chamada de Marie. Em 1894, quando obtém o segundo diploma, conhece Pierre Curie, instrutor da Escola Superior de Física e Química Industriais de Paris, apresentado pelo físico polonês Józef Kowalski, que sabia que Marie estava procurando um espaço maior para seu laboratório. Pierre lhe oferece o espaço.

A paixão pela ciência aproxima os dois. Pierre Curie a pede em casamento. Marie recusa. Quer voltar para a Polônia. De volta a Varsóvia, ela percebe que não pode fazer carreira em seu país, onde o acesso à universidade lhe é negado por ser mulher.

Por carta, Pierre Curie a convence a voltar para Paris para fazer um doutorado. Eles se casam em 26 de julho de 1895 sem cerimônia religiosa. Uma piada na época era que Marie era "a grande descoberta de Pierre".

No mesmo ano, Wilhelm Roentgen descobre os raios-X, mas não o fenômeno que os causa. Em 1896, Henri Becquerel percebe que o urânio emite raios semelhantes aos raios-X. Ela decide investigar o fenômeno para sua tese.

Marie Curie levanta a hipótese de que a radiação não seja resultado da interação entre moléculas, venha do próprio átomo. 

Entre suas realizações, estão a teoria da radioatividade, palavra que ela criou, técnicas para isolar isótopos radioativos e a descoberta de dois elementos químicos, o polônio e o rádio.

Ela é a primeira mulher a ganhar o Prêmio Nobel e a primeira professora da Universidade de Paris. É também a primeira pessoa a ganhar duas vezes o Nobel. Ganha o prêmio de Química em 2011.

FIM DO IMPÉRIO OTOMANO

    Em 1924, a Grande Assembleia Nacional da Turquia aprova uma Constituição plenamente republicana e conclui a dissolução do Império Otomano, que durante seis séculos é o centro das interações entre Europa e Ásia. O general Mustafá Kemal, que proclama a república seis meses antes, é o primeiro presidente. Em 20 de novembro de 1934, ele adota o sobrenome de Atatürk, o Pai dos Turcos.

O Império Otomano é fundado pelo sultão Osmã I em 1299. Em 29 de maio de 1453, o imperador Mehmet II toma Constantinopla. É o fim do Império Romano do Ocidente e da Idade Média. O Império Otomano atinge o auge nos séculos 16 e 17, quando é uma das maiores potências mundiais. 

Os otomanos chegam a cercar Viena, a capital do Sacro Império Romano-Germânico, duas vezes. O Primeiro Cerco Otomano a Viena, de 27 de setembro a 14 de outubro de 1529, é um marco do fim da invencibilidade turca.

No mar, uma aliança de potências católicas sob a liderança de Felipe II, da Espanha, vence os otomanos na Batalha de Lepanto, na costa da Grécia, em 7 de outubro de 1571.

A derrota na Batalha de Viena, em 12 de setembro de 1683, depois de dois meses do Segundo Cerco Otomano a Viena, marca o início do recuo na Europa.

Nos séculos 17 e 18, o Império Otomano perde a supremacia militar sobre os europeus. Em 1821, a Grécia se torna o primeiro país dos Bálcãs e proclamar a independência, conquistada em 1830. Com uma reforma modernizante, a Tanzimat (1839-76), que significa reestruturação, o império recupera seus poderes ao longo do século 19. 

Depois de derrotas nas  Guerras dos Bálcãs (1912-13), os otomanos se aliam aos impérios Alemão e Austro-Húngaro na Primeira Guerra Mundial (1914-18). A Revolta Árabe (1916-18), apoiada pelo Império Britânico a conselho do major Thomas Edward Lawrence, o Lawrence da Arábia, 

Os impérios Alemão, Austro-Húngaro e Otomano, derrotados, desaparecem no fim da guerra, assim como o Império Russo, vencido pela Alemanha e dissolvido pela Revolução de Fevereiro de 1917 na Rússia.

A partilha do Império Otomano no Tratado de Sèvres, de 10 de agosto de 1920, dá a origem ao que são hoje 40 países, inclusive a República Turca de Chipre do Norte, não reconhecida internacionalmente. Com a ocupação de Constantinopla, o movimento nacionalista turco luta pela independência de 1919 a 1922 sob a liderança de Mustafá Kemal. A monarquia acaba em 1º de novembro de 1922.

O Tratado de Lausanne reconhece a República da Turquia em 24 de julho de 1923. A Grande Assembleia Nacional proclama oficialmente a independência em 29 de outubro do mesmo ano. O califado é abolido em 3 de março de 1924.

MAIOR VAZAMENTO DE PETRÓLEO

    Em 2010, uma explosão na plataforma de petróleo Horizonte de Águas Profundas, no Golfo do México, a 66 quilômetros da costa da Louisiana, nos Estados Unidos, mata 11 funcionários, fere outros 17 e causa o maior vazamento acidental de petróleo da história, superado apenas para guerra ecológica do ditador do Iraque, Saddam Hussein, contra o Kuwait no fim da Guerra do Golfo Pérsico de 1991.

A plataforma, operada para companhia BP, antiga British Petroleum, afunda dois dias depois. O poço na sua base só é selado em 19 de setembro, depois de um vazamento de 4,9 milhões de barris, 780 mil metros cúbicos.

O petróleo bruto chega à Baia de Tampa e ao Panhandle, na Flórida. Em 2013, 2,2 mil toneladas de material oleoso são removidas das praias da Louisiana, o dobro de 2012. O ambiente marinho, a vida selvagem e as indústrias de pesca e do turismo são abaladas fortemente.

Em abril de 2016, a BP faz um acordo com o Departamento da Justiça dos EUA para pagar multas no valor de US$ 20,8 bilhões. Em 2018, os custos de limpeza, encargos e penalidades chegam a US$ 65 bilhões.

segunda-feira, 24 de março de 2025

Hoje na História do Mundo: 24 de Março

NAT KING COLE EM PRIMEIRO

    Em 1945, a revista norte-americana Billboard lança sua lista de álbuns mais vendidos e o cantor e pianista Nat King Cole é o primeiro a ficar em primeiro lugar.

Cole nasce em 17 de março de 1919 em Montgomery, no estado do Alabama, e cresce em Chicago. Aos 12 anos, toca órgão e canta na igreja onde o pai é pastor. Cinco anos depois, ele cria seu primeiro grupo de jazz.

Em 1937, começa a tocar em grupo de jazz de Los Angeles. Logo, forma o Nat King Cole Trio. A popularidade de Cole o torna o primeiro negro norte-americano a apresentar um programa de televisão. 

O Nat King Cole Show estreia na rede NBC em 1956, mas é cancelado um ano depois por falta de patrocinadores porque as empresas não querem associar suas marcas a um negro. O racismo da época o impede de ter um sucesso ainda maior, mas não evita que trabalhe em vários filmes de Hollywood.

GUERRA SUJA ARGENTINA

    Em 1976, um golpe militar derruba a presidente María Estela Martínez de Perón, a Isabelita, viúva de Juan Domingo Perón, e dá início ao "Processo de Reorganização Nacional", uma guerra suja contra a esquerda na Argentina que mata um total estimado de 30 mil pessoas.

A primeira junta militar é formada pelo general Jorge Rafael Videla, comandante do Exército; almirante Emilio Eduardo Massera, comandante da Marinha; e general-brigadeiro Orlando Ramón Agosti, comandante da Força Aérea. A desculpa para a repressão é o combate à guerrilha.

Depois da morte de Perón por causas naturais em 1º de julho de 1974, ele é sucedido por Isabelita, que não tem o carisma nem o talento político de sua segunda mulher María Eva Duarte de Perón, a Evita.

Fraca politicamente, Isabelita é assessorada por um grupo de assessores militares que lança, em 5 de fevereiro de 1975, a Operação Independência, de combate às guerrilhas esquerdistas. Eles dividem o país em cinco regiões militares e dão autonomia aos comandantes para desencadear a repressão e eliminar os guerrilheiros.

A repressão vai muito além dos guerrilheiros. Tenta eliminar toda uma corrente de pensamento, num politicídio, com prisões ilegais, sequestros, desaparecimento de pessoas e execuções sumárias, inclusive os voos da morte, em que opositores era drogados e jogados no mar.

Pela Escola de Mecânica da Armada (ESMA), o principal centro de detenção e tortura, passam 5 mil pessoas que são mortas. Cerca de 500 bebês filhos de presos assassinados são sequestrados e adotados por famílias ligadas ao regime.

Em 30 de abril de 1977, Azucena Villaflor e outras mães de desaparecidos protestam na Plaza de Mayo, diante da Casa Rosada, a sede do governo. Nasce o movimento das Mães da Praça de Maio, que dá origem ao movimento das Avós da Praça de Maio, que consegue recuperar mais de 130 netos.

A ditadura sanguinária começa a cair em 2 de abril de 1982, quando o general-presidente Leopoldo Fortunato Galtieri, que dera um golpe dentro do golpe, manda invadir as Ilhas Malvinas, possessão do Império Britânico, que as chama de Falklands.

O general delinquente não imagina que a primeira-ministra britânica, Margaret Thatcher, envie uma força-tarefa que derrota e humilha os militares argentinos. Eles massacram seu próprio povo, mas fracassam em sua aventura militar.

Depois de 10 semanas e das mortes de 649 argentinos e 258 britânicos (3 civis), a Argentina se rende em 14 de junho. Os militares continuam no poder até 10 de dezembro de 1983, quando entregam o poder ao presidente Raúl Alfonsín (1983-89).

Alfonsín manda investigar o desaparecimento de pessoas e o relatório enviado à Justiça serve de ponto de partida para o Julgamento das Juntas, dos nove comandantes das três juntas militares que governaram a Argentina depois do golpe, concluído em 1985.

Sob a pressão de revoltas de militares de baixo escalão, o governo Alfonsín cede e aprova as leis Ponto Final e de Obediência Devida, para julgar somente as juntas pelos crimes da ditadura. Em 8 de outubro de 1989, assume o presidente Carlos Menem (1989-99), que indulta os comandantes no fim de dezembro de 1990.

Em 2003, no governo Néstor Kirchner (2003-7), as leis que acabam com os processos e os indultos são anulados e as investigações reabertas. Desde então, mais de 1,7 mil repressores são condenados.

No 49º aniversário do golpe, o presidente neofascista Javier Milei tenta apagar a memória e responsabilizar os guerrilheiros de esquerda pela guerra suja argentina.

ARCEBISPO ASSASSINADO

    Em 1980, Dom Óscar Romero, arcebispo de San Salvador, um crítico das violações dos direitos humanos pela ditadura e os grupos paramilitares de El Salvador durante a guerra civil contra a Frente Farabundo Martí de Libertação Nacional (FMLN), é assassinado durante a missa de domingo. Ele é canonizado em 2018.

Óscar Arnulfo Romero Galdámez é considerado conservador antes de ser nomeado arcebispo, em 1977, mas denuncia a ditadura do general Carlos Humberto Romero, que não tinha relação de parentesco com ele, e se nega a apoiar a junta militar que substitui o general deposto.

Sua defesa dos pobres, as grandes vítimas da violência política, provoca ameaças de morte. Sua defesa dos direitos humanos vale a indicação de deputados dos Estados Unidos e do Reino Unido ao Prêmio Nobel da Paz de 1979.

Depois do fim da Guerra Civil Salvadorenha (1979-92), a Comissão da Verdade de El Salvador conclui que Dom Romero foi morto por um esquadrão da morte liderado pelo ex-major Roberto D'Aubuisson.

PETRÓLEO NO MAR DO ALASCA

    Em 1989, o navio-tanque Exxon Valdez, da companhia petrolífera Exxon, bate num recife na Enseada Príncipe William, no sul do estado do Alasca, e derrama 41,6 milhões de litros de petróleo no mar, no pior acidente da indústria petrolífera na história dos Estados Unidos.

As tentativas de conter o vazamento são inúteis. O petróleo bruto se espalha até uma distância de 160 quilômetros, poluindo mais de 1,1 mil km de costa e matando milhares de aves e mamíferos.

Mais tarde, sabe-se que o capitão Joseph Hazelwood estava bebendo na hora do acidente e mandou um marinheiro sem qualificação pilotar o petroleiro. 

Em março de 1990, ele é condenado por contravenção penal a mil horas de trabalho comunitário e multa de US$ 50 mil. A pena é anulada em julho de 1992 com base numa lei federal que livra de processo quem relatar um vazamento de petróleo.

O Serviço Nacional de Segurança dos Transportes dos EUA impõe à Exxon uma multa de US$ 100 milhões e US$ 1 bilhão a serem pagos em 10 anos para despoluir o meio ambiente. A Exxon e o estado do Alasca rejeitam o acordo e a questão é encerrada com o pagamento pela empresa de apenas US$ 25 milhões.

GUERRA DO KOSSOVO

    Em 1999, a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) inicia uma campanha de bombardeios aéreos de 78 dias contra a Iugoslávia, reduzida a Sérvia e Montenegro, e a posições militares sérvias que perseguiam a maioria de origem albanesa na província do Kossovo.

A região ocupa um lugar especial da história da Sérvia. Na Batalha do Kossovo, em 15 de junho de 1389, o Império Otomano derrota o rei Lazar e conquista a Sérvia, que só recupera a independência em 1867. Quando retoma o Kossovo, em 1913, a província é povoada por albaneses.

Em 1974, o ditador da Iugoslávia, Josip Broz Tito, dá autonomia ao Kossovo dentro da Sérvia. Com a morte de Tito, em 1980, e o declínio da ideologia comunista, em 1987, Slobodan Milosevic é eleito líder da Liga Comunista da Sérvia com a promessa de restaurar o controle sobre o Kossovo.

Eleito presidente da Sérvia em 1989, Milosevic acaba com a autonomia do Kossovo em 1990. Com o renascimento do nacionalismo sérvio, a Croácia e a Eslovênia declaram independência em 1991. O Exército Federal da Iugoslávia intervém. A guerra da Eslovênia acaba logo, mas a da Croácia se arrasta por anos.

Em 1992, a independência da Bósnia-Herzegovina deflagra a pior das guerras que dividiram a Iugoslávia, que dura mais de três anos e mata mais de 100 mil pessoas. A Iugoslávia fica reduzida a Sérvia e Montenegro.

O Exército de Libertação do Kossovo nasce em 1996 para lutar contra a dominação sérvia. Chega a controlar a metade da província quando a Sérvia reage e inicia uma campanha de purificação étnica que leva à intervenção da OTAN, a aliança militar liderada pelos EUA, que não perde nenhum soldado em combate durante a campanha aérea.

Milosevic cai em outubro de 2000 numa revolta popular na Sérvia. É preso e entregue ao Tribunal Penal Internacional para Crimes de Guerra na Antiga Iugoslávia. Morre em 11 de março de 2006, antes do fim do processo em que era acusados de mais de 60 crimes de genocídio, crimes de guerra e crimes contra a humanidade.

GENOCIDA DA BÓSNIA

    Em 2016, o Tribunal Penal Internacional para a Antiga Iugoslávia, com sede em Haia, na Holanda, condena a 40 anos de prisão por crimes de guerra, inclusive genocídio, o psiquiatra Radovan Karadzic, líder da autoproclamada República Sérvia durante a Guerra da Independência da Bósnia-Herzegovina (1992-95). Em 2019, a pena é ampliada para prisão perpétua.

A Bósnia tem a população mais dividida religiosa etnicamente da antiga Iugoslávia: 44% bósnios muçulmanos; 31% sérvios, que são cristãos ortodoxos; e 16% croatas, que são católicos. 

Com o apoio do presidente da Sérvia, Slobodan Milosevic, do Exército Federal da Iugoslávia e do comandante militar sérvio-bósnio, general Ratko Mladic, os sérvios cercam Sarajevo, a capital do país, e fazem uma campanha de "limpeza étnica" para expulsar quem não é sérvio das áreas sob seu controle.

Em 1995, o tribunal o acusa crimes guerra e crimes contra a vida, inclusive genocídio, assassinato, tortura, estupro e limpeza étnica. O caso mais notório foi o Massacre de Srebrenica, de 11 a 25 de julho de 1995, quando pelo menos 8.373 bósnios muçulmanos, toda a população masculina adulta da cidade, morre.

Karadzic foge para a Sérvia depois da guerra e trabalha numa clínica de medicina alternativa em Belgrado até ser preso em julho de 2008 e enviado ao tribunal de Haia.

sexta-feira, 10 de janeiro de 2025

Hoje na História do Mundo: 10 de Janeiro

 PANFLETO REVOLUCIONÁRIO

    Em 1776, o revolucionário britânico Tom Paine publica Senso Comum, um livro de 50 páginas que defende que a guerra dos colonos norte-americanos contra o Império Britânico leve à independência dos Estados Unidos no que chama de Revolução Americana.

Thomas Paine nasce em 29 de janeiro de 1737 em Thetford, na Inglaterra, filho de mãe anglicana e pai quaker. Sua vida na Inglaterra é marcada por sucessivos fracassos, entre eles dois casamentos que não dão certo. Ele trabalha como fiscal de impostos. É demitido ao pedir aumento alegando que o salário é uma fonte de corrupção.

Em Londres, ele conhece Benjamin Franklin, que o aconselha a tentar a sorte nos EUA e lhe dá cartas de apresentação.

A Guerra da Independência dos EUA (1775-83) começa com as batalhas de Lexington e Concord, em 19 de abril de 1775, como uma revolta contra aumentos de impostos pela coroa britânica para financiar as dívidas contraídas durante a Guerra dos Sete Anos (1756-63), que também foi uma das causas da Revolução Francesa de 1789.

Seis meses depois da publicação de Senso Comum, em 4 de julho de 1776, o Congresso Continental declara a independência. Sua introdução é um dos textos mais importantes da Revolução Americana: 

"Estes são os tempos que testam as almas dos homens. O soldado de verão e o patriota do sol, nesta crise, se afastarão do serviço de seu país; mas aquele que o apoia agora merece o amor e o agradecimento do homem e da mulher. 

"A tirania, como o inferno, não é facilmente conquistada; mas temos esse consolo conosco: quanto mais difícil o conflito, mais glorioso o triunfo. O que obtemos muito barato, estimamos muito levianamente: É só carência que dá a tudo seu valor. O Céu sabe como colocar um preço adequado em seus bens; e seria realmente estranho se um artigo tão celestial como a liberdade não devesse ser altamente avaliado. 

"A Grã-Bretanha, com um exército para impor sua tirania, declarou que tem o direito não apenas de taxar, mas de "nos obrigar em todos os casos", e se ser obrigado dessa maneira não é escravidão, então não existe escravidão na Terra."  

Em 1787, Paine volta à Europa. Revoltado com Reflexões sobre a Revolução na França, do conservador britânico Edmund Burke, escreve outro livro, Direitos do Homem, em defesa da Revolução Francesa, publicado em 1791. Quando Burke responde, publica, em 17 de fevereiro de 1792, Direitos do Homem: Parte II

É a única pessoa que luta pela independência dos EUA e pela Revolução Francesa. É eleito deputado da Assembleia Nacional da França. É a favor do fim da monarquia, mas não da execução do rei e dos monarquistas. É a favor de banir e não de matar os inimigos do novo regime.

No Período do Terror, quando os extremistas liderados por Maximiliano Robespierre tomam o poder, Paine é preso de 28 de dezembro de 1793 a 4 de novembro de 1794. Solto, é readmitido na Convenção Nacional.

Tom Paine morre em 1809 em Nova York. Os obituários não reconhecem sua importância histórica. Em 30 de janeiro de 1937, o jornal The Times, de Londres, resgata sua memória e o chama de "Voltaire inglês".

Seu pensamento se resume numa frase: "Minha pátria é o mundo, os humanos são meus irmãos e minha religião é fazer o bem."

ERA DO PETRÓLEO

    Em 1901, o petróleo jorra numa perfuração em Spindletop Hill, perto de Beaumont, no Texas, nos Estados Unidos, cobrindo a terra até uma distância de dezenas de metros, num marco do início da indústria petrolífera e da era do petróleo.

O lençol petrolífero está a 300 metros de profundidade. O poço jorra 100 mil barris por dia. Até então, o petróleo é usado como lubrificante e para fazer querosene para iluminação. Passa a ser a principal fonte de combustível, inclusive para invenções que revolucionaram os transportes como o automóvel e o avião. Os meios de transporte movidos a carvão, como trens e navios, passam para o combustível líquido.

LIGA DAS NAÇÕES INSTALADA

    Em 1920, a Liga ou Sociedade das Nações é instalada em Genebra, na Suíça, como a primeira organização de caráter universal dedicada à paz mundial, resultado da Conferência de Versalhes (1919) depois da Primeira Guerra Mundial (1914-18).
A criação da Liga das Nações é um dos 14 pontos do plano de paz proposto pelo presidente dos Estados Unidos, Woodrow Wilson. Os EUA são a maior economia do mundo desde o fim do século 19. Com a guerra, torna-se a maior potência mundial.

Para convencer os norte-americanos a ir à guerra, Wilson diz que é "a guerra para acabar com todas as guerras" e criar um mundo seguro para a democracia, rompendo um isolacionismo histórico que vem desde a independência, o que não impediu os EUA de intervir militarmente nos países vizinhos.

Por causa desse isolacionismo, o Senado dos EUA, que tem o dever constitucional de aprovar acordos internacionais, rejeita a Convenção da Liga das Nações sob a alegação de que reduziria a soberania nacional.

Sem o país mais poderoso do mundo e sem uma regra clara para usar a força para impedir novas guerras, a Liga não impede o Japão de ocupar a Manchúria em 1931 e o resto da China em 1937, nem a Itália de invadir a Etiópia em 1935 nem a Alemanha de anexar a Áustria em 1938 e a Tcheco-Eslováquia em 1938 e 1939, e assim evitar a Segunda Guerra Mundial (1939-45). Em 1945, ela é substituída pela ONU e desaparece oficialmente em 1946.

PRIMEIRA ASSSEMBLEIA GERAL DA ONU

    Em 1946, a Assembleia Geral das Nações Unidas se reúne pela primeira vez, em Londres, no Reino Unido.
A Assembleia Geral é o único órgão da ONU em que todos os países-membros estão representados. É uma espécie de parlamento mundial, mas suas decisões não são de cumprimento obrigatório, ao contrário do que acontece com o Conselho de Segurança, onde cinco grandes potências vencedoras da Segunda Guerra Mundial (1939-45) tem direito de veto: EUA, China, França, Reino Unido e Rússia.

Isto não reflete mais a realidade do mundo atual, mas é muito difícil da mudar porque diluiria o poder dos cinco grandes e, se hoje é difícil chegar a um consenso com cinco membros com poder de veto, seria mais difícil com mais membros permanentes.

Antes dos EUA entrarem na guerra, em 14 de agosto de 1941, o presidente norte-americano, Franklin Delano Roosevelt, e o primeiro-ministro britânico, Winston Churchill, assinam a Carta do Atlântico, estabelecendo os princípios de uma nova ordem internacional liberal para o pós-guerra.

Entre esses princípios, estão a proibição de conquista de territórios à força, a necessidade de consentimento das populações para ajustes territoriais, reconhecimento do direito de autodeterminação dos povos, liberdade de navegação nos mares, fim das barreiras comerciais, cooperação econômica e desarmamento dos países agressores.

Em 24 de setembro de 1941, os aliados europeus aderem aos princípios da Carta do Atlântico.

Depois que os EUA entram na guerra, em 1º de janeiro de 1942, os aliados do mundo inteiro na luta contra o nazifascismo fazem a Declaração das Nações Unidas com base nos mesmos princípios.

A ONU é resultado de negociações entre três grandes líderes asiáticos, Roosevelt, Churchill e o ditador soviético Josef Stalin em uma série de conferências, em Moscou, Teerã, Dumbarton Oaks, Ialta e São Francisco. 

A Carta da ONU é assinada por 50 países em 26 de junho de 1945 em São Francisco. Quando a organização é instalada, em 24 de outubro do mesmo ano, são 51 países porque a Polônia recupera a independência.

EUA REATAM COM VATICANO

    Em 1984, os Estados Unidos e o Vaticano reatam relações diplomáticas depois de 117 anos de rompimento.
Os EUA mantêm relações consulares com os Estados Pontifícios de 1797, no governo George Washington (1789-97) e o papado de Pio VI (1775-99), a 1867, no governo Andrew Johnson (1865-69) e pontificado de Pio IX (1846-79).

As relações são cortadas quando o Congresso dos EUA aprova uma lei que proíbe o financiamento de missões diplomáticas norte-americanas na Santa Sé por causa do sentimento anticatolicismo no país, fundado por refugiados protestantes das guerras religiosas na Europa.

Esse anticatolicismo é agravado na época pela condenação e enforcamento de Mary Surratt por participar da conspiração para matar o presidente Abraham Lincoln (1861-65). Seu filho, John Surratt, acusado de conspirar com John Wilkes Booth, recebe asilo da Igreja Católica e foge para a Itália, onde trabalha como zuavo papal, soldado do regimento de infantaria que protege o Vaticano.

Desde o início do governo Ronald Reagan (1981-89), o presidente norte-americano percebe que o papa polonês João Paulo II (1978-2005) é anticomunista e será útil na Guerra Fria contra a União Soviética. Os dois países anunciam o reatamento em 10 de janeiro de 1984. Desta vez, não há oposição.