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sábado, 10 de janeiro de 2026

Hoje na História do Mundo: 10 de Janeiro

 PANFLETO REVOLUCIONÁRIO

    Em 1776, o revolucionário britânico Tom Paine publica Senso Comum, um livro de 50 páginas que defende que a guerra dos colonos norte-americanos contra o Império Britânico leve à independência dos Estados Unidos no que chama de Revolução Americana.

Thomas Paine nasce em 29 de janeiro de 1737 em Thetford, na Inglaterra, filho de mãe anglicana e pai quaker. Sua vida na Inglaterra é marcada por sucessivos fracassos, entre eles dois casamentos que não dão certo. Ele trabalha como fiscal de impostos. É demitido ao pedir aumento alegando que o salário é uma fonte de corrupção.

Em Londres, ele conhece Benjamin Franklin, que o aconselha a tentar a sorte nos EUA e lhe dá cartas de apresentação.

A Guerra da Independência dos EUA (1775-83) começa com as batalhas de Lexington e Concord, em 19 de abril de 1775, como uma revolta contra aumentos de impostos pela coroa britânica para financiar as dívidas contraídas durante a Guerra dos Sete Anos (1756-63), que também foi uma das causas da Revolução Francesa de 1789.

Seis meses depois da publicação de Senso Comum, em 4 de julho de 1776, o Congresso Continental declara a independência. Sua introdução é um dos textos mais importantes da Revolução Americana: 

"Estes são os tempos que testam as almas dos homens. O soldado de verão e o patriota do sol, nesta crise, se afastarão do serviço de seu país; mas aquele que o apoia agora merece o amor e o agradecimento do homem e da mulher. 

"A tirania, como o inferno, não é facilmente conquistada; mas temos esse consolo conosco: quanto mais difícil o conflito, mais glorioso o triunfo. O que obtemos muito barato, estimamos muito levianamente: É só carência que dá a tudo seu valor. O Céu sabe como colocar um preço adequado em seus bens; e seria realmente estranho se um artigo tão celestial como a liberdade não devesse ser altamente avaliado. 

"A Grã-Bretanha, com um exército para impor sua tirania, declarou que tem o direito não apenas de taxar, mas de "nos obrigar em todos os casos", e se ser obrigado dessa maneira não é escravidão, então não existe escravidão na Terra."  

Em 1787, Paine volta à Europa. Revoltado com Reflexões sobre a Revolução na França, do conservador britânico Edmund Burke, escreve outro livro, Direitos do Homem, em defesa da Revolução Francesa, publicado em 1791. Quando Burke responde, publica, em 17 de fevereiro de 1792, Direitos do Homem: Parte II

É a única pessoa que luta pela independência dos EUA e pela Revolução Francesa. É eleito deputado da Assembleia Nacional da França. É a favor do fim da monarquia, mas não da execução do rei e dos monarquistas. É a favor de banir e não de matar os inimigos do novo regime.

No Período do Terror, quando os extremistas liderados por Maximiliano Robespierre tomam o poder, Paine é preso de 28 de dezembro de 1793 a 4 de novembro de 1794. Solto, é readmitido na Convenção Nacional.

Tom Paine morre em 1809 em Nova York. Os obituários não reconhecem sua importância histórica. Em 30 de janeiro de 1937, o jornal The Times, de Londres, resgata sua memória e o chama de "Voltaire inglês".

Seu pensamento se resume numa frase: "Minha pátria é o mundo, os humanos são meus irmãos e minha religião é fazer o bem."

ERA DO PETRÓLEO

    Em 1901, o petróleo jorra numa perfuração em Spindletop Hill, perto de Beaumont, no Texas, nos Estados Unidos, cobrindo a terra até uma distância de dezenas de metros, num marco do início da indústria petrolífera e da era do petróleo.

O lençol petrolífero está a 300 metros de profundidade. O poço jorra 100 mil barris por dia. Até então, o petróleo é usado como lubrificante e para fazer querosene para iluminação. Passa a ser a principal fonte de combustível, inclusive para invenções que revolucionaram os transportes como o automóvel e o avião. Os meios de transporte movidos a carvão, como trens e navios, passam para o combustível líquido.

LIGA DAS NAÇÕES INSTALADA

    Em 1920, a Liga ou Sociedade das Nações é instalada em Genebra, na Suíça, como a primeira organização de caráter universal dedicada à paz mundial, resultado da Conferência de Versalhes (1919) depois da Primeira Guerra Mundial (1914-18).
A criação da Liga das Nações é um dos 14 pontos do plano de paz proposto pelo presidente dos Estados Unidos, Woodrow Wilson. Os EUA são a maior economia do mundo desde o fim do século 19. Com a guerra, torna-se a maior potência mundial.

Para convencer os norte-americanos a ir à guerra, Wilson diz que é "a guerra para acabar com todas as guerras" e criar um mundo seguro para a democracia, rompendo um isolacionismo histórico que vem desde a independência, o que não impediu os EUA de intervir militarmente nos países vizinhos.

Por causa desse isolacionismo, o Senado dos EUA, que tem o dever constitucional de aprovar acordos internacionais, rejeita a Convenção da Liga das Nações sob a alegação de que reduziria a soberania nacional.

Sem o país mais poderoso do mundo e sem uma regra clara para usar a força para impedir novas guerras, a Liga não impede o Japão de ocupar a Manchúria em 1931 e o resto da China em 1937, nem a Itália de invadir a Etiópia em 1935 nem a Alemanha de anexar a Áustria em 1938 e a Tcheco-Eslováquia em 1938 e 1939, e assim evitar a Segunda Guerra Mundial (1939-45). Em 1945, ela é substituída pela ONU e desaparece oficialmente em 1946.

PRIMEIRA ASSSEMBLEIA GERAL DA ONU

    Em 1946, a Assembleia Geral das Nações Unidas se reúne pela primeira vez, em Londres, no Reino Unido.
A Assembleia Geral é o único órgão da ONU em que todos os países-membros estão representados. É uma espécie de parlamento mundial, mas suas decisões não são de cumprimento obrigatório, ao contrário do que acontece com o Conselho de Segurança, onde cinco grandes potências vencedoras da Segunda Guerra Mundial (1939-45) tem direito de veto: EUA, China, França, Reino Unido e Rússia.

Isto não reflete mais a realidade do mundo atual, mas é muito difícil da mudar porque diluiria o poder dos cinco grandes e, se hoje é difícil chegar a um consenso com cinco membros com poder de veto, seria mais difícil com mais membros permanentes.

Antes dos EUA entrarem na guerra, em 14 de agosto de 1941, o presidente norte-americano, Franklin Delano Roosevelt, e o primeiro-ministro britânico, Winston Churchill, assinam a Carta do Atlântico, estabelecendo os princípios de uma nova ordem internacional liberal para o pós-guerra.

Entre esses princípios, estão a proibição de conquista de territórios à força, a necessidade de consentimento das populações para ajustes territoriais, reconhecimento do direito de autodeterminação dos povos, liberdade de navegação nos mares, fim das barreiras comerciais, cooperação econômica e desarmamento dos países agressores.

Em 24 de setembro de 1941, os aliados europeus aderem aos princípios da Carta do Atlântico.

Depois que os EUA entram na guerra, em 1º de janeiro de 1942, os aliados do mundo inteiro na luta contra o nazifascismo fazem a Declaração das Nações Unidas com base nos mesmos princípios.

A ONU é resultado de negociações entre três grandes líderes asiáticos, Roosevelt, Churchill e o ditador soviético Josef Stalin em uma série de conferências, em Moscou, Teerã, Dumbarton Oaks, Ialta e São Francisco. 

A Carta da ONU é assinada por 50 países em 26 de junho de 1945 em São Francisco. Quando a organização é instalada, em 24 de outubro do mesmo ano, são 51 países porque a Polônia recupera a independência.

EUA REATAM COM VATICANO

    Em 1984, os Estados Unidos e o Vaticano reatam relações diplomáticas depois de 117 anos de rompimento.
Os EUA mantêm relações consulares com os Estados Pontifícios de 1797, no governo George Washington (1789-97) e o papado de Pio VI (1775-99), a 1867, no governo Andrew Johnson (1865-69) e pontificado de Pio IX (1846-79).

As relações são cortadas quando o Congresso dos EUA aprova uma lei que proíbe o financiamento de missões diplomáticas norte-americanas na Santa Sé por causa do sentimento anticatolicismo no país, fundado por refugiados protestantes das guerras religiosas na Europa.

Esse anticatolicismo é agravado na época pela condenação e enforcamento de Mary Surratt por participar da conspiração para matar o presidente Abraham Lincoln (1861-65). Seu filho, John Surratt, acusado de conspirar com John Wilkes Booth, recebe asilo da Igreja Católica e foge para a Itália, onde trabalha como zuavo papal, soldado do regimento de infantaria que protege o Vaticano.

Desde o início do governo Ronald Reagan (1981-89), o presidente norte-americano percebe que o papa polonês João Paulo II (1978-2005) é anticomunista e será útil na Guerra Fria contra a União Soviética. Os dois países anunciam o reatamento em 10 de janeiro de 1984. Desta vez, não há oposição.

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sábado, 29 de novembro de 2025

Hoje na História do Mundo: 29 de Novembro

 MASSACRE DE SAND CREEK

    Em 1864, o Exército dos Estados Unidos, sob o comando do coronel John Chivington, faz um ataque de surpresa contra um acampamento de índios cheyennes e arapahos rendidos e parcialmente desarmados no Sudeste do Território do Colorado. Entre 69 e 600 indígenas são mortos no Massacre de Sand Creek.

Pelo Tratado de Forte Laramie, de 1851, os EUA reconhecem como território indígena uma grande área que vai do Rio Platte Norte ao Rio Arkansas e das Montanhas Rochosas ao Oeste do Kansas.

A descoberta de ouro nas Montanhas Rochosas do Colorado, então parte do Território do Kansas, deflagra a Corrida do Ouro do Pico Pike. Uma onda de migrantes invade as terras indígenas.

Em 1861, no Tratado de Forte Wise, os EUA reduzem a área indígena a 7,7% do tamanho original do Tratado de Forte Laramie. 

Os guerreiros não aceitaram. No fim de 1863, formam uma aliança para expulsar os brancos de suas terras. Na primavera e no verão de 1864, sioux, comanches, cheyennes, kiowas e arapahos atacam os colonos.

Em 12 de abril, o 1º Regimento de Cavalaria do Colorado contra-ataca. Um mês depois, Urso Magro, que esteve com o presidente Abraham Lincoln na Casa Branca e recebeu a Medalha da Paz é baleado e morto quando recebe os cavalarianos pacificamente.

Revoltados, os índios realizam 32 ataques contra os colonos. Os índios são obrigados a se reassentar em Sand Creek, mas alguns rejeitam. 

Os cheyennes acampam perto de Forte Lyon. Chaleira Preta hasteia uma bandeira dos EUA e uma bandeira branca em sinal de paz. Lobo Solitário tenta negociar a paz, mas é morto junto com outros 160 indígenas. Para o coronel Chivington, o negócio é matar tantos cheyennes quanto possível.

Seu próximo alvo é Sand Creek. Com mais de 260 soldados, o Exército ataca o acampamento. O Massacre de Sand Creek também é conhecido como Massacre de Chivington.

VOO SOBRE O POLO SUL

    Em 1929, o norte-americano Robert Byrd, pioneiro da aviação, é o primeiro piloto a sobrevoar o Polo Sul.

Byrd nasce em Winchester, na Virgínia, em 25 de outubro de 1888 e se forma na Academia Naval dos Estados Unidos em 1912. Sua relação com os polos começa em 1924, quando ele comanda um destacamento da aviação naval em uma expedição ao Oeste da Groenlândia, na região ártica.

Em 9 de maio de 1926, num voo de 15 horas e meia, Byrd sai da Baía do Rei, na Noruega, sobrevoa o Polo Norte e volta. Ele é considerado herói nacional e ganha uma medalha de ouro do Congresso.

Byrd treina Charles Lindbergh, que faz o primeiro voo solo sobre o Oceano Atlântico, em 1927.

Quando resolve explorar a Antártida, recebe o apoio financeiro de magnatas como John Davidson Rockefeller Jr. e Edsel Ford. Com orçamento de US$ 400 mil, Byrd chefia a maior mais bem-equipada expedição realizada até então no continente gelado.

A partir de uma base bem instalada, a Pequena América, situada na plataforma de gelo Ross, em frente ao Mar de Ross, Byrd e três companheiros sobrevoam o Polo Sul.

DIVISÃO DA PALESTINA

    Em 1947, sob a presidência do chanceler brasileiro Oswaldo Aranha, a Assembleia Geral das Nações Unidas aprova a Resolução 181, que divide o território histórico da Palestina para a criação de um país para o povo judeu e um país árabe.

Os países árabes vizinhos não aceitam. Quando termina o mandato dado ao Império Britânico pela Liga das Nações para administrar e Palestina, o Estado de Israel é fundado, em 15 de maio de 1948, o Egito, a Arábia Saudita, a Transjordânia, o Iraque, a Síria, o Líbano e o Iêmen invadem.

Israel vence a Guerra da Independência, que vai até 10 de março de 1949, com um total de 6.373 mortes do lado israelense e estimativas de 7 a 20 mil mortes de árabes. Surge a diáspora palestina. Mais de 700 mil palestinos expulsos de sua casas pela criação de Israel se tornam um povo sem pátria e sem direitos. Surge o povo palestino. 

MORTE DE GEORGE HARRISON

    Em 2001, George Harrison, o cantor, compositor e solista de guitarra dos Beatles, morre de câncer de pulmão aos 58 anos.

George, o "beatle quieto", nasce em Liverpool em 25 de fevereiro de 1943. É o mais jovem da formação clássica da banda. Seguidor do hinduísmo, introduz a cítara entre os instrumentos músicais do grupo em canções como Norwegian Wood (This Bird has Flown).

Embora a maioria das canções dos beatles sejam assinadas por John Lennon e Paul McCartney, desde 1965, todos os álbuns da banda têm músicas de George, como TaxmanWhile my Guitar Gentle WeepsHere Comes the Sun e Something.

Depois da dissolução dos Beatles, em 1970, George lança o álbum triplo All Things Must Past, a sua maneira de assimilar o fim da banda. É um grande sucesso. My Sweet Lord é seu compacto simples de maior sucesso.

Em 1971, ele organiza com o citarista indiano Ravi Shankar o Concerto para Bangladesh a fim de arrecadar dinheiro para o novo país independente, Bangladesh ou a República de Bengala, o antigo Paquistão Oriental, no fim de uma guerra entre a Índia e o Paquistão.

Em 1988, George participa do supergrupo Traveling Wilburys com Bob Dylan, Jeff Lynne, Roy Orbison e Tom Petty. A revista Rolling Stone o coloca em 11º lugar entre os 100 maiores guitarristas de todos os tempos. Ele entra para o Rock and Roll Hall of Fame em 1988 como membro dos Beatles e em 2004 pela carreira solo.

Depois da morte, suas cinzas são jogadas nos rios Ganges e Yamuna.

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sexta-feira, 10 de janeiro de 2025

Hoje na História do Mundo: 10 de Janeiro

 PANFLETO REVOLUCIONÁRIO

    Em 1776, o revolucionário britânico Tom Paine publica Senso Comum, um livro de 50 páginas que defende que a guerra dos colonos norte-americanos contra o Império Britânico leve à independência dos Estados Unidos no que chama de Revolução Americana.

Thomas Paine nasce em 29 de janeiro de 1737 em Thetford, na Inglaterra, filho de mãe anglicana e pai quaker. Sua vida na Inglaterra é marcada por sucessivos fracassos, entre eles dois casamentos que não dão certo. Ele trabalha como fiscal de impostos. É demitido ao pedir aumento alegando que o salário é uma fonte de corrupção.

Em Londres, ele conhece Benjamin Franklin, que o aconselha a tentar a sorte nos EUA e lhe dá cartas de apresentação.

A Guerra da Independência dos EUA (1775-83) começa com as batalhas de Lexington e Concord, em 19 de abril de 1775, como uma revolta contra aumentos de impostos pela coroa britânica para financiar as dívidas contraídas durante a Guerra dos Sete Anos (1756-63), que também foi uma das causas da Revolução Francesa de 1789.

Seis meses depois da publicação de Senso Comum, em 4 de julho de 1776, o Congresso Continental declara a independência. Sua introdução é um dos textos mais importantes da Revolução Americana: 

"Estes são os tempos que testam as almas dos homens. O soldado de verão e o patriota do sol, nesta crise, se afastarão do serviço de seu país; mas aquele que o apoia agora merece o amor e o agradecimento do homem e da mulher. 

"A tirania, como o inferno, não é facilmente conquistada; mas temos esse consolo conosco: quanto mais difícil o conflito, mais glorioso o triunfo. O que obtemos muito barato, estimamos muito levianamente: É só carência que dá a tudo seu valor. O Céu sabe como colocar um preço adequado em seus bens; e seria realmente estranho se um artigo tão celestial como a liberdade não devesse ser altamente avaliado. 

"A Grã-Bretanha, com um exército para impor sua tirania, declarou que tem o direito não apenas de taxar, mas de "nos obrigar em todos os casos", e se ser obrigado dessa maneira não é escravidão, então não existe escravidão na Terra."  

Em 1787, Paine volta à Europa. Revoltado com Reflexões sobre a Revolução na França, do conservador britânico Edmund Burke, escreve outro livro, Direitos do Homem, em defesa da Revolução Francesa, publicado em 1791. Quando Burke responde, publica, em 17 de fevereiro de 1792, Direitos do Homem: Parte II

É a única pessoa que luta pela independência dos EUA e pela Revolução Francesa. É eleito deputado da Assembleia Nacional da França. É a favor do fim da monarquia, mas não da execução do rei e dos monarquistas. É a favor de banir e não de matar os inimigos do novo regime.

No Período do Terror, quando os extremistas liderados por Maximiliano Robespierre tomam o poder, Paine é preso de 28 de dezembro de 1793 a 4 de novembro de 1794. Solto, é readmitido na Convenção Nacional.

Tom Paine morre em 1809 em Nova York. Os obituários não reconhecem sua importância histórica. Em 30 de janeiro de 1937, o jornal The Times, de Londres, resgata sua memória e o chama de "Voltaire inglês".

Seu pensamento se resume numa frase: "Minha pátria é o mundo, os humanos são meus irmãos e minha religião é fazer o bem."

ERA DO PETRÓLEO

    Em 1901, o petróleo jorra numa perfuração em Spindletop Hill, perto de Beaumont, no Texas, nos Estados Unidos, cobrindo a terra até uma distância de dezenas de metros, num marco do início da indústria petrolífera e da era do petróleo.

O lençol petrolífero está a 300 metros de profundidade. O poço jorra 100 mil barris por dia. Até então, o petróleo é usado como lubrificante e para fazer querosene para iluminação. Passa a ser a principal fonte de combustível, inclusive para invenções que revolucionaram os transportes como o automóvel e o avião. Os meios de transporte movidos a carvão, como trens e navios, passam para o combustível líquido.

LIGA DAS NAÇÕES INSTALADA

    Em 1920, a Liga ou Sociedade das Nações é instalada em Genebra, na Suíça, como a primeira organização de caráter universal dedicada à paz mundial, resultado da Conferência de Versalhes (1919) depois da Primeira Guerra Mundial (1914-18).
A criação da Liga das Nações é um dos 14 pontos do plano de paz proposto pelo presidente dos Estados Unidos, Woodrow Wilson. Os EUA são a maior economia do mundo desde o fim do século 19. Com a guerra, torna-se a maior potência mundial.

Para convencer os norte-americanos a ir à guerra, Wilson diz que é "a guerra para acabar com todas as guerras" e criar um mundo seguro para a democracia, rompendo um isolacionismo histórico que vem desde a independência, o que não impediu os EUA de intervir militarmente nos países vizinhos.

Por causa desse isolacionismo, o Senado dos EUA, que tem o dever constitucional de aprovar acordos internacionais, rejeita a Convenção da Liga das Nações sob a alegação de que reduziria a soberania nacional.

Sem o país mais poderoso do mundo e sem uma regra clara para usar a força para impedir novas guerras, a Liga não impede o Japão de ocupar a Manchúria em 1931 e o resto da China em 1937, nem a Itália de invadir a Etiópia em 1935 nem a Alemanha de anexar a Áustria em 1938 e a Tcheco-Eslováquia em 1938 e 1939, e assim evitar a Segunda Guerra Mundial (1939-45). Em 1945, ela é substituída pela ONU e desaparece oficialmente em 1946.

PRIMEIRA ASSSEMBLEIA GERAL DA ONU

    Em 1946, a Assembleia Geral das Nações Unidas se reúne pela primeira vez, em Londres, no Reino Unido.
A Assembleia Geral é o único órgão da ONU em que todos os países-membros estão representados. É uma espécie de parlamento mundial, mas suas decisões não são de cumprimento obrigatório, ao contrário do que acontece com o Conselho de Segurança, onde cinco grandes potências vencedoras da Segunda Guerra Mundial (1939-45) tem direito de veto: EUA, China, França, Reino Unido e Rússia.

Isto não reflete mais a realidade do mundo atual, mas é muito difícil da mudar porque diluiria o poder dos cinco grandes e, se hoje é difícil chegar a um consenso com cinco membros com poder de veto, seria mais difícil com mais membros permanentes.

Antes dos EUA entrarem na guerra, em 14 de agosto de 1941, o presidente norte-americano, Franklin Delano Roosevelt, e o primeiro-ministro britânico, Winston Churchill, assinam a Carta do Atlântico, estabelecendo os princípios de uma nova ordem internacional liberal para o pós-guerra.

Entre esses princípios, estão a proibição de conquista de territórios à força, a necessidade de consentimento das populações para ajustes territoriais, reconhecimento do direito de autodeterminação dos povos, liberdade de navegação nos mares, fim das barreiras comerciais, cooperação econômica e desarmamento dos países agressores.

Em 24 de setembro de 1941, os aliados europeus aderem aos princípios da Carta do Atlântico.

Depois que os EUA entram na guerra, em 1º de janeiro de 1942, os aliados do mundo inteiro na luta contra o nazifascismo fazem a Declaração das Nações Unidas com base nos mesmos princípios.

A ONU é resultado de negociações entre três grandes líderes asiáticos, Roosevelt, Churchill e o ditador soviético Josef Stalin em uma série de conferências, em Moscou, Teerã, Dumbarton Oaks, Ialta e São Francisco. 

A Carta da ONU é assinada por 50 países em 26 de junho de 1945 em São Francisco. Quando a organização é instalada, em 24 de outubro do mesmo ano, são 51 países porque a Polônia recupera a independência.

EUA REATAM COM VATICANO

    Em 1984, os Estados Unidos e o Vaticano reatam relações diplomáticas depois de 117 anos de rompimento.
Os EUA mantêm relações consulares com os Estados Pontifícios de 1797, no governo George Washington (1789-97) e o papado de Pio VI (1775-99), a 1867, no governo Andrew Johnson (1865-69) e pontificado de Pio IX (1846-79).

As relações são cortadas quando o Congresso dos EUA aprova uma lei que proíbe o financiamento de missões diplomáticas norte-americanas na Santa Sé por causa do sentimento anticatolicismo no país, fundado por refugiados protestantes das guerras religiosas na Europa.

Esse anticatolicismo é agravado na época pela condenação e enforcamento de Mary Surratt por participar da conspiração para matar o presidente Abraham Lincoln (1861-65). Seu filho, John Surratt, acusado de conspirar com John Wilkes Booth, recebe asilo da Igreja Católica e foge para a Itália, onde trabalha como zuavo papal, soldado do regimento de infantaria que protege o Vaticano.

Desde o início do governo Ronald Reagan (1981-89), o presidente norte-americano percebe que o papa polonês João Paulo II (1978-2005) é anticomunista e será útil na Guerra Fria contra a União Soviética. Os dois países anunciam o reatamento em 10 de janeiro de 1984. Desta vez, não há oposição.

sexta-feira, 29 de novembro de 2024

Hoje na História do Mundo: 29 de Novembro

 MASSACRE DE SAND CREEK

    Em 1864, o Exército dos Estados Unidos, sob o comando do coronel John Chivington, faz um ataque de surpresa contra um acampamento de índios cheyennes e arapahos rendidos e parcialmente desarmados no Sudeste do Território do Colorado. Entre 69 e 600 indígenas são mortos no Massacre de Sand Creek.

Pelo Tratado de Forte Laramie, de 1851, os EUA reconhecem como território indígena uma grande área que vai do Rio Platte Norte ao Rio Arkansas e das Montanhas Rochosas ao Oeste do Kansas.

A descoberta de ouro nas Montanhas Rochosas do Colorado, então parte do Território do Kansas, deflagra a Corrida do Ouro do Pico Pike. Uma onda de migrantes invade as terras indígenas.

Em 1861, no Tratado de Forte Wise, os EUA reduzem a área indígena a 7,7% do tamanho original do Tratado de Forte Laramie. 

Os guerreiros não aceitaram. No fim de 1863, formam uma aliança para expulsar os brancos de suas terras. Na primavera e no verão de 1864, sioux, comanches, cheyennes, kiowas e arapahos atacam os colonos.

Em 12 de abril, o 1º Regimento de Cavalaria do Colorado contra-ataca. Um mês depois, Urso Magro, que esteve com o presidente Abraham Lincoln na Casa Branca e recebeu a Medalha da Paz é baleado e morto quando recebe os cavalarianos pacificamente.

Revoltados, os índios realizam 32 ataques contra os colonos. Os índios são obrigados a se reassentar em Sand Creek, mas alguns rejeitam. 

Os cheyennes acampam perto de Forte Lyon. Chaleira Preta hasteia uma bandeira dos EUA e uma bandeira branca em sinal de paz. Lobo Solitário tenta negociar a paz, mas é morto junto com outros 160 indígenas. Para o coronel Chivington, o negócio é matar tantos cheyennes quanto possível.

Seu próximo alvo é Sand Creek. Com mais de 260 soldados, o Exército ataca o acampamento. O Massacre de Sand Creek também é conhecido como Massacre de Chivington.

VOO SOBRE O POLO SUL

    Em 1929, o norte-americano Robert Byrd, pioneiro da educação, é o primeiro piloto a sobrevoar o Polo Sul.

Byrd nasce em Winchester, na Virgínia, em 25 de outubro de 1888 e se forma na Academia Naval dos Estados Unidos em 1912. Sua relação com os polos começa em 1924, quando ele comanda um destacamento da aviação naval em uma expedição ao Oeste da Groenlândia, na região ártica.

Em 9 de maio de 1926, num voo de 15 horas e meia, Byrd sai da Baía do Rei, na Noruega, sobrevoa o Polo Norte e volta. Ele é considerado herói nacional e ganha uma medalha de ouro do Congresso.

Byrd treina Charles Lindbergh, que faz o primeiro voo solo sobre o Oceano Atlântico, em 1927.

Quando resolve explorar a Antártida, recebe o apoio financeiro de magnatas como John Davidson Rockefeller Jr. e Edsel Ford. Com orçamento de US$ 400 mil, Byrd chefia a maior mais bem-equipada expedição realizada até então no continente gelado.

A partir de uma base bem instalada, a Pequena América, situada na plataforma de gelo Ross, em frente ao Mar de Ross, Byrd e três companheiros sobrevoam o Polo Sul.

DIVISÃO DA PALESTINA

    Em 1947, sob a presidência do chanceler brasileiro Oswaldo Aranha, a Assembleia Geral das Nações Unidas aprova a Resolução 181, que divide o território histórico da Palestina para a criação de um país para o povo judeu e um país árabe.

Os países árabes vizinhos não aceitam. Quando termina o mandato dado ao Império Britânico pela Liga das Nações para administrar e Palestina, o Estado de Israel é fundado, em 15 de maio de 1948, o Egito, a Arábia Saudita, a Transjordânia, o Iraque, a Síria, o Líbano e o Iêmen invadem.

Israel vence a Guerra da Independência, que vai até 10 de março de 1949, com um total de 6.373 mortes do lado israelense e estimativas de 7 a 20 mil mortes de árabes. Surge a diáspora palestina. Mais de 700 mil palestinos expulsos de sua casas pela criação de Israel se tornam um povo sem pátria e sem direitos. Surge o povo palestino. 

MORTE DE GEORGE HARRISON

    Em 2001, George Harrison, o cantor, compositor e solista de guitarra dos Beatles, morre de câncer de pulmão aos 58 anos.

George, o "beatle quieto", nasce em Liverpool em 25 de fevereiro de 1943. É o mais jovem da formação clássica da banda. Seguidor do hinduísmo, introduz a cítara entre os instrumentos músicais do grupo em canções como Norwegian Wood (This Bird has Flown).

Embora a maioria das canções dos beatles sejam assinadas por John Lennon e Paul McCartney, desde 1965, todos os álbuns da banda têm músicas de George, como TaxmanWhile my Guitar Gentle WeepsHere Comes the Sun e Something.

Depois da dissolução dos Beatles, em 1970, George lança o álbum triplo All Things Must Past, a sua maneira de assimilar o fim da banda. É um grande sucesso. My Sweet Lord é seu compacto simples de maior sucesso.

Em 1971, ele organiza com o citarista indiano Ravi Shankar o Concerto para Bangladesh a fim de arrecadar dinheiro para o novo país independente, Bangladesh ou a República de Bengala, o antigo Paquistão Oriental, no fim de uma guerra entre a Índia e o Paquistão.

Em 1988, George participa do supergrupo Traveling Wilburys com Bob Dylan, Jeff Lynne, Roy Orbison e Tom Petty. A revista Rolling Stone o coloca em 11º lugar entre os 100 maiores guitarristas de todos os tempos. Ele entra para o Rock and Roll Hall of Fame em 1988 como membro dos Beatles e em 2004 pela carreira solo.

Depois da morte, suas cinzas são jogadas nos rios Ganges e Yamuna.

quarta-feira, 29 de novembro de 2023

Hoje na História do Mundo: 29 de Novembro

 MASSACRE DE SAND CREEK

    Em 1864, o Exército dos Estados Unidos, sob o comando do coronel John Chivington, faz um ataque de surpresa contra um acampamento de índios cheyennes e arapahos rendidos e parcialmente desarmados no Sudeste do Território do Colorado. Entre 69 e 600 indígenas são mortos no Massacre de Sand Creek.

Pelo Tratado de Forte Laramie, de 1851, os EUA reconhecem como território indígena uma grande área que vai do Rio Platte Norte ao Rio Arkansas e das Montanhas Rochosas ao Oeste do Kansas.

A descoberta de ouro nas Montanhas Rochosas do Colorado, então parte do Território do Kansas, deflagra a Corrida do Ouro do Pico Pike. Uma onda de migrantes invade as terras indígenas.

Em 1861, no Tratado de Forte Wise, os EUA reduzem a área indígena a 7,7% do tamanho original do Tratado de Forte Laramie. 

Os guerreiros não aceitaram. No fim de 1863, formam uma aliança para expulsar os brancos de suas terras. Na primavera e no verão de 1864, sioux, comanches, cheyennes, kiowas e arapahos atacam os colonos.

Em 12 de abril, o 1º Regimento de Cavalaria do Colorado contra-ataca. Um mês depois, Urso Magro, que esteve com o presidente Abraham Lincoln na Casa Branca e recebeu a Medalha da Paz é baleado e morto quando recebe os cavalarianos pacificamente.

Revoltados, os índios realizam 32 ataques contra os colonos. Os índios são obrigados a se reassentar em Sand Creek, mas alguns rejeitam. 

Os cheyennes acampam perto de Forte Lyon. Chaleira Preta hasteia uma bandeira dos EUA e uma bandeira branca em sinal de paz. Lobo Solitário tenta negociar a paz, mas é morto junto com outros 160 indígenas. Para o coronel Chivington, o negócio é matar tantos cheyennes quanto possível.

Seu próximo alvo é Sand Creek. Com mais de 260 soldados, o Exército ataca o acampamento. O Massacre de Sand Creek também é conhecido como Massacre de Chivington.

VOO SOBRE O POLO SUL

    Em 1929, o norte-americano Robert Byrd, pioneiro da educação, é o primeiro piloto a sobrevocar o Polo Sul.

Byrd nasce em Winchester, na Virgínia, em 25 de outubro de 1888 e se forma na Academia Naval dos Estados Unidos em 1912. Sua relação com os polos começa em 1924, quando ele comanda um destacamento da aviação naval em uma expedição ao Oeste da Groenlândia, na região ártica.

Em 9 de maio de 1926, num voo de 15 horas e meia, Byrd sai da Baía do Rei, na Noruega, sobrevoa o Polo Norte e volta. Ele é considerado herói nacional e ganha uma medalha de ouro do Congresso.

Byrd treina Charles Lindbergh, que faz o primeiro voo solo sobre o Oceano Atlântico, em 1927.

Quando resolve explorar a Antártida, recebe o apoio financeiro de magnatas como John Davidson Rockefeller Jr. e Edsel Ford. Com orçamento de US$ 400 mil, Byrd chefia a maior mais bem-equipada expedição realizada até então no continente gelado.

A partir de uma base bem instalada, a Pequena América, situada na plataforma de gelo Ross, em frente ao Mar de Ross, Byrd e três companheiros sobrevoaram o Polo Sul.

DIVISÃO DA PALESTINA

    Em 1947, sob a presidência do chanceler brasileiro Oswaldo Aranha, a Assembleia Geral das Nações Unidas aprova a divisão do território histórico da Palestina para a criação de um país para o povo judeu e um país árabe.

Os países árabes vizinhos não aceitam. Quando termina o mandato dado ao Império Britânico pela Liga das Nações para administrar e Palestina, o Estado de Israel é fundado, em 15 de maio de 1948, o Egito, a Arábia Saudita, a Transjordânia, o Iraque, a Síria, o Líbano e o Iêmen invadem.

Israel vence a Guerra da Independência, que vai até 10 de março de 1949, com um total de 6.373 mortes do lado israelense e estimativas de 7 a 20 mil mortes de árabes. Surge a diáspora palestina. Mais de 700 mil palestinos expulsos de sua casas pela criação de Israel se tornam um povo sem pátria e sem direitos. Surge o povo palestino.

sexta-feira, 27 de outubro de 2023

Israel expande operações miitares terrestres na Faixa de Gaza

 O Exército de Israel intensificou as ações terrestres na Faixa de Gaza e o bombardeio aéreo é sem precedentes. Tem como principais alvos uma rede de túneis e instalações subterrâneas. Como a tendência é de ampliar a ofensiva, talvez seja o início da esperada invasão por terra do território palestino dominado pelo Movimento de Resistência Islâmica (Hamas). Israel não nega nem confirma.

Todas as telecomunicações foram cortadas, inclusive a Internet. Gaza está isolada. As agências de ajuda internacional, inclusive das Nações Unidas, não conseguem contato com seus funcionários.

A Assembleia Geral da ONU aprovou uma resolução condenado a guerra e pedindo uma trégua humanitária de emergência que leve a um cessar-fogo definitivo e um aumento da ajuda humanitária. Meu comentário:

terça-feira, 29 de novembro de 2022

Hoje na História do Mundo: 29 de Novembro

DIVISÃO DA PALESTINA

    Em 1947, sob a presidência do chanceler brasileiro Oswaldo Aranha, a Assembleia Geral das Nações Unidas aprova a divisão do território histórico da Palestina para a criação de um país para o povo judeu e um país árabe.

Os países árabes vizinhos não aceitam. Quando o Estado de Israel é fundado, em 14 de maio de 1948, o Egito, a Arábia Saudita, a Transjordânia, o Iraque, a Síria, o Líbano e o Iêmen invadem no dia seguinte.

Israel vence a Guerra da Independência, que vai até 10 de março de 1949, com um total de 6.373 mortes do lado israelense e estimativas de 7 a 20 mil mortes. Surge a diáspora palestina. Os palestinos expulsos de sua casas pela criação de Israel se tornam um povo sem pátria e sem direitos.

terça-feira, 22 de setembro de 2020

Trump acusa China no dia em que EUA chegam a 200 mil mortes

Em discurso na Assembleia Geral das Nações Unidas no dia em que os Estados Unidos chegaram a 200 mil mortes, o presidente Donald Trump acusou a China pela pandemia do coronavírus de 2019. O ditador chinês, Xi Jinping, prometeu ajuda financeira e distribuição de vacinas a países em desenvolvimento. Em contraste com o isolacionismo de Trump, Xi se apresentou como líder do multilateralismo e criticou as tentativas de desconectar as grandes economias do mundo.

Pouco antes, ao abrir a sessão de pronunciamentos de líderes nacionais na assembleia da ONU, como é tradição, o presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, negou responsabilidade pela morte de 138 mil brasileiros e pelas queimadas que destroem grandes áreas da Amazônia e do Pantanal. 

Bolsonaro culpou governadores e prefeitos pelo fracasso no combate à covid-19 e índios e caboclos pelos incêndios, absolvendo desmatadores, grileiros, mineiros e fazendeiros pela destruição da natureza. Meu comentário:

Bolsonaro nega na ONU responsabilidade por pandemia e queimadas

 Declaração voltada para seguidores não tem a menor credibilidade internacional

Em discurso previsível e sem qualquer novidade, o presidente Jair Bolsonaro rejeitou hoje, ao abrir a sessão de pronunciamentos de líderes nacionais na reunião anual da Assembleia Geral das Nações Unidas, a responsabilidade pelas maiores tragédias de seu governo: a morte de 138 mil brasileiros na pandemia do coronavírus de 2019 e as queimadas que destroem grandes áreas da Amazônia e do Pantanal. 

Bolsonaro culpou governadores e prefeitos pelo fracasso no combate à covid-19 e índios e caboclos pelas queimadas, absolvendo desmatadores, grileiros, mineiros e fazendeiros pela destruição da natureza.

Foi um discurso para o público interno. Mais uma vez, o presidente apelou para a mentira como arma política, pregando para convertidos. Nenhum estrangeiro deve ter sido convencido por suas alegações descoladas da realidade, do discurso de vítima de uma conspiração internacional contra a agricultura brasileira.

Leia mais em Quarentena News.

segunda-feira, 21 de setembro de 2020

Trump se dá nota máxima na pandemia com 200 mil mortes nos EUA

No dia em que os Estados Unidos estão prestes a chegar a 200 mil mortes pela doença do novo coronavírus, o jornalista Bob Woodward divulgou uma entrevista em que o presidente Donald Trump se dá nota máxima no combate à pandemia. Os EUA têm o maior número absoluto de mortes e de casos confirmados (6,834 milhões) e o oitavo maior número de mortes por habitante.

Em mais uma manipulação, sob pressão da Casa Branca, o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos EUA mudou um alerta que destacava que o novo coronavírus pode ficar suspenso no ar e se propagar por uma distância maior do que dois metros. Nesta segunda-feira, o CDC alegou que um rascunho foi publicado por erro no portal da agência na Internet. 

A Organização Mundial da Saúde (OMS) pediu explicações, sublinhando que a ciência não mudou para justificar a alteração no texto. Um estudo publicado na revista médica New England Journal of Medicine, considerada a melhor do mundo, afirmou que o vírus pode ficar no ar por até três horas.

O Brasil registrou na segunda-feira mais 455 mortes e 15.821 casos novos de covid-19. O total de mortes subiu para 137.350 em 4,56 milhões de casos confirmados. Pela primeira vez desde 10 de agosto, a média diária de mortes nos últimos sete dias subiu. Está em 748.

Nesta terça-feira, o presidente Jair Bolsonaro vai o primeiro discurso da abertura da sessão da discursos de líderes nacionais da reunião anual da Assembleia Geral das Nações Unidas, que será virtual por causa da pandemia. 

Na contramão da verdade, mentindo como de costume, Bolsonaro vai elogiar a ação do governo contra as queimadas e contra a pandemia, dois fracassos retumbantes. Meu comentário:

terça-feira, 24 de setembro de 2019

Discurso raivoso de Bolsonaro na ONU isola ainda mais o Brasil

Ao abrir os debates gerais da reunião anual da Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, o presidente Jair Bolsonaro repetiu hoje a costumeira ladainha de teorias conspiratórias, paranoia, mentiras e ataques a inimigos reais ou imaginários para justificar suas políticas de extrema direita. Para o ex-secretário de Assuntos Estratégicos no governo Michel Temer, Hussein Kalout, "foi o discurso mais agressivo já proferido por um presidente brasileiro" na ONU.

A Organização das Nações Unidas é a segunda organização internacional de caráter universal dedicada a garantir a paz mundial. Substituiu a Liga das Nações, criada depois da Primeira Guerra Mundial, que fracassou ao não impedir a Segunda Guerra Mundial. A guerra no Oceano Pacífico ainda não havia acabado quando a ONU foi fundada. 

A Carta da ONU foi aprovada em 25 de junho de 1945 e assinada no dia seguinte por 50 países. Quando foi instalada, em 24 de outubro de 1945, eram 51 países. A Polônia, invadida pela Alemanha nazista no primeiro dia da guerra, em 1º de setembro de 1939, havia recuperado sua independência. Hoje, a ONU tem 193 países-membros.

A ONU tem como objetivos: manter a paz e a segurança internacionais; desenvolver relações amistosas entre as nações com base na igualdade, na autodeterminação dos povos e da soberania nacional; e promover a cooperação internacional para resolver problemas internacionais de caráter econômico, social, cultural e humanitário.

Se não conseguiu acabar com a guerra, a ONU é um foro permanente para negociações internacionais. A Assembleia Geral é um parlamento mundial. Não houve mais guerras entre grandes potências. As organizações econômicas internacionais, o Fundo Monetário Internacional, o FMI, o Banco Mundial e a Organização Mundial do Comércio, a OMC, contribuíram para debelar crises econômicas. E a ONU foi uma grande agência de descolonização e até hoje é essencial na promoção do desenvolvimento da África.

Desde 1949, é tradição que o Brasil seja o primeiro a falar nos debates da Assembleia Geral. Isso vem do tempo da Guerra Fria, quando o Brasil não fazia parte do bloco soviético nem da aliança militar liderada pelos Estados Unidos. Meu comentário:

quarta-feira, 18 de setembro de 2019

Reação fraca de Trump encoraja novos ataques do Irã


O secretário de Estado americano, Mike Pompeo, descreveu hoje os ataques contra instalações petrolíferas da Arábia Saudita como “um ato de guerra”. Um ato de guerra mereceria uma resposta militar, mas presidente Donald Trump sabe que isso deflagraria uma guerra no Oriente Médio ou novo ataque a campos de petróleo e refinarias sauditas. 

Uma guerra causaria mortes de soldados americanos e a pior imagem para um presidente em campanha é a volta para casa de soldados mortos em caixões enrolados na bandeira. Novos ataques ao petróleo saudita abalariam o mercado internacional de energia. Poderiam causar uma nova recessão mundial. Nos dois casos, a reeleição de Trump estaria em perigo.

Pompeo declarou que os Estados Unidos estão articulando uma aliança para impedir futuros ataques. Trump afirmou ter muitas opções antes da guerra. O Pentágono, o Departamento da Defesa dos Estados Unidos, estaria examinando a possibilidade de fazer ataques cibernéticos contra o Irã.

O presidente falou em “aumentar substancialmente as sanções”. Não deu detalhes. Com sua guerra econômica e sua estratégia de “pressão máxima” para impedir o Irã de exportar petróleo, até agora, só conseguiu provocar a República Islâmica a perturbar a produção e a exportação de petróleo do Golfo Pérsico, primeiro com ataques a petroleiros e agora com o bombardeio na Arábia Saudita.

No Irã, o Supremo Líder Espiritual da Revolução Islâmica e homem-forte da ditadura teocrática iraniana, aiatolá Ali Khamenei, vetou a possibilidade de um encontro de Trump com o presidente Hassan Rouhani na próxima semana, em Nova York, durante a reunião anual da Assembleia Geral das Nações Unidas. 

Seria o primeiro encontro entre os líderes dos dois países desde a Revolução Islâmica, que derrubou em 1979 o xá Reza Pahlevi, aliado de Washington. Meu comentário: