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sexta-feira, 27 de novembro de 2020

Assassinato de cientista nuclear dificulta reaproximação EUA-Irã

 O principal cientista nuclear do Irã, Mohsen Fakhrizadeh, conhecido como "pai da bomba atômica iraniana",  foi assassinado hoje num ataque a seu carro quando viajava no Norte do país. Ao que tudo indica, a responsabilidade é de Israel, que se negou a comentar o caso. 

Em aliança com o governo Donald Trump, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu tenta bloquear qualquer chance de reaproximação entre o governo Joe Biden e a República Islâmica.

"Terroristas mataram um eminente cientista iraniano hoje", lamentou o ministro do Exterior, Mohamed Javad Zarif no Twitter. "Esta covardia - com sérias indicação de participação de Israel - mostra o desespero dos mercadores da guerra."

Fakhrizadeh foi alvo de uma emboscada quando passava de carro pela cidade de Absard, na região de Damavand, noticiou a televisão iraniana. A mudança de governo nos EUA reduz a capacidade de retaliação do Irã, onde setores mais moderados do regime fundamentalista apostam numa melhoria das relações com Biden.

Durante visita recente a Israel, o secretário de Estado americano, Mike Pompeo, voltou a atacar o Irã ao lado de Netanyahu, que agradeceu a Trump, entre outras medidas, a retirada dos Estados Unidos do acordo nuclear fechado em 2015 pelas grandes potências do Conselho de Segurança das Nações Unidas (EUA, China, França, Reino Unido e Rússia) e a Alemanha com o Irã para congelar por 10 anos o programa nuclear militar iraniano.

É impossível que os EUA não soubessem do ataque. Na campanha, Biden admitiu a possibilidade de retomar o acordo negociado pelo governo Barack Obama quando o presidente eleito era vice-presidente. Ao que se sabe, o Irã ainda não desenvolveu a capacidade de fabricar armas nucleares.

Depois da derrota, Trump pediu a assessores que lhe apresentassem opções para atacar a central nuclear iraniana de Natanz antes de deixar o poder. De acordo com o jornal The New York Times, foi dissuadido pelo vice-presidente Mike Pence e o secretário Mike Pompeo.

Em 3 de janeiro, depois que milícias xiitas iraquianas financiadas, armadas e treinadas pelo Irã atacaram bases dos EUA no Iraque, o governo Trump matou com um míssil o principal general iraniano, Kassem Suleimani, comandante da Forças Quods, o braço armado da Guerra Revolucionária Iraniana para ações no exterior. Apesar das ameaças, a retaliação do Irã foi moderada para evitar uma guerra.

Um bombardeio americano agora deflagraria uma nova guerra. O Irã poderia contra-atacar bases americanas no Oriente Médio. Mas o país está enfraquecido. Tem a pior epidemia da doença do coronavírus de 2019 na região e a econômica enfrente uma crise duríssima por causa das sanções dos EUA.

Por outro lado, Trump prometeu acabar com as "guerras intermináveis" dos EUA. Está retirando parte dos soldados americanos do Iraque e do Afeganistão.

Ao mesmo tempo, Netanyahu sabe que o governo Trump está chegando ao fim. No governo Biden, não terá carta branca para atacar quando quiser.

segunda-feira, 18 de novembro de 2019

EUA reconhecem colônias israelenses na Cisjordânia ocupada

A Carta da Organização das Nações Unidas proíbe expressamente a guerra de conquista, a anexação de territórios conquistados em conflitos armados. Mesmo assim, o governo Donald Trump decidiu hoje não considerar mais ilegais as colônias israelenses na Cisjordânia ocupada, mudando a política dos Estados Unidos nos últimos 40 anos.

O anúncio foi feito pelo secretário de Estado, Mike Pompeo, que alegou que a política americana sobre a colonização dos territórios árabes ocupados na Guerra dos Seis Dias, em 1967, foi inconsistente, "não ajudou a causa da paz" e ignorou a "realidade no terreno".

É mais um presente de Trump ao primeiro-ministro linha-dura de Israel, Benjamin Netanyahu. Depois de duas eleições em que nenhuma aliança conseguiu maioria absoluta, o líder da oposição, Benny Gantz, tem até quarta-feira para formar um novo governo. Caso contrário, haverá novas eleições e Netanyahu vai creditar o reconhecimento das colônias a suas políticas.

De acordo com o que defende Netanyahu, Pompeo disse que cabe à Justiça de Israel decidir questões sobre a legalidade das colônias. O secretário acrescentou que a partir de agora israelenses e palestinos têm amplo espaço para negociar o estatuto definitivo dos assentamentos judaicos: "Argumentos sobre quem está certo ou errado à luz do direito internacional não vai levar à paz."

No passado, os governos dos EUA consideram ilegais os assentamentos judaicos em terras ocupadas. Quando o governo Barack Obama tentava negociar a paz entre israelenses e palestinos, pressionou Israel a congelar a colonização. Mas sempre foi a política do partido Likud, de Netanyahu, ampliar a colonização para criar um fato consumado.

Antes das eleições israelenses de 9 de abril, Trump reconheceu a anexação por Israel das Colinas do Golã, que pertenciam à Síria até a guerra de 1967. O irmão de Netanyahu morreu lá no último dia de combate.

Sob pressão de quatro processos de corrupção, Netanyahu precisa do poder para não ser preso. Nas duas últimas eleições, o primeiro-ministro fez campanha prometendo anexar a Cisjordânia.

Hoje, Netanyahu afirmou que a decisão reflete uma "verdade histórica, que o povo judeu não é um colonizador estrangeiro na Judeia e na Samária", os nomes bíblicos da Cisjordânia. Gantz elogiou o anúncio, mas observou que o destino das colônias "deve ser definido por acordos que atendam às exigências de segurança e possam promover a paz."

A anexação total da Cisjordânia, ou deixando alguns bolsões de território palestino, cria vários problemas para Israel. Cerca de 2,5 milhões de palestinos vivem na Cisjordânia. Se virarem cidadãos de Israel, como a taxa de natalidade dos árabes é maior, dentro de alguns anos, os judeus seriam minoria.

Netanyahu aprovou uma Lei de Nacionalidade que torna os árabes cidadãos de segunda classe. A segregação criaria uma espécie de apartheid, a ditadura da maioria branca que havia na África do Sul. Seria um ultraje a um povo que foi discriminado ao longo da história até a fundação do Estado de Israel.

A política americana era baseada num parecer jurídico do Departamento de Estado de 1978 que concluiu que os assentamentos violavam o direito internacional. Ao tomar posse, em 1981, o presidente Ronald Reagan declarou que não acreditava que os assentamentos fossem ilegais, mas chamou a instalação de novas colônias uma "provocação desnecessária".

Ao reconhecer as colônias, os EUA abdicam de qualquer mediação nas negociações de paz. O porta-voz palestino Saeb Erekat condenou a mudança na política americana, descreveu a colonização dos territórios árabes como "um crime de guerra" e acusou Trump de "tentar incessantemente substituir o direito internacional pela lei da selva".

"Não podemos expressar horror e choque porque este é um padrão, mas isto não torna menos horrível", desabafou a ex-ministra palestina Hanan Ashrawi. "Manda um sinal claro de total desrespeito pelo direito internacional, pelo que é justo e certo, e pelas exigências para a paz.

Horas depois do anúncio, o Departamento de Estado emitiu um alerta aos americanos que estejam visitando Jerusalém, a Cisjordânia ou a Faixa de Gaza de que podem haver retaliação contra instalações, interesses e cidadãos dos EUA.

Mais uma decisão de Trump contribui para o projeto da direita israelense de enterrar a proposta de paz baseada na divisão do território histórico da Palestina em dois países, um árabe e um judeu, como decidiu a ONU em 1947. É a receita para uma guerra sem fim.

quinta-feira, 17 de outubro de 2019

Cessar-fogo na Síria é uma grande vitória para a Turquia

Ao afastar os curdos de sua fronteira, a trégua negociada pelos Estados Unidos na invasão da Turquia no Nordeste da Síria é uma grande vitória para o ditador Recep Tayyip Erdogan. A retirada americana dá a vitória final na guerra civil da Síria ao ditador Bachar Assad, à Rússia e ao Irã.

No nono dia da operação chamada cinicamente de Fonte da Paz, ao receber em Ancara o vice-presidente Mike Pence e o secretário de Estado americano, Mike Pompeo, o ditador Recep Tayyip Erdogan concordou em suspender por cinco dias a ofensiva militar da Turquia.

Neste período, os Estados Unidos devem colaborar com a retirada das Forças Democráticas Sírias, uma milícia árabe-curda aliada de Washington na guerra contra o Estado Islâmico para uma distância de 20 milhas, pouco mais de 30 quilômetros da fronteira. Quando os milicianos curdos, que a Turquia acusa de terrorismo, estiverem fora de uma zona de segurança junto à fronteira, haverá um cessar-fogo permanente, declarou Pence.

Onze dias depois da traição do presidente Donald Trump, que deixou os curdos à mercê do Exército da Turquia, o vice-presidente Pence declarou que “os Estados Unidos serão sempre gratos pela parceria com as Forças Democráticas Sírias na luta para derrotar o Estado Islâmico do Iraque e do Levante, mas também reconhecem a importância e o valor da criação de uma zona de segurança entre a população curda e a fronteira turca.”

Mas o governo turco afirmou que é apenas uma pausa. Para o ministro do Exterior da Turquia, Mevlut Cavusoglu, “não é um cessar-fogo porque um cessar-fogo só pode acontecer entre duas partes legítimas” e a operação tem como objetivo retirar “elementos terroristas” da região. Meu comentário:

quarta-feira, 18 de setembro de 2019

Reação fraca de Trump encoraja novos ataques do Irã


O secretário de Estado americano, Mike Pompeo, descreveu hoje os ataques contra instalações petrolíferas da Arábia Saudita como “um ato de guerra”. Um ato de guerra mereceria uma resposta militar, mas presidente Donald Trump sabe que isso deflagraria uma guerra no Oriente Médio ou novo ataque a campos de petróleo e refinarias sauditas. 

Uma guerra causaria mortes de soldados americanos e a pior imagem para um presidente em campanha é a volta para casa de soldados mortos em caixões enrolados na bandeira. Novos ataques ao petróleo saudita abalariam o mercado internacional de energia. Poderiam causar uma nova recessão mundial. Nos dois casos, a reeleição de Trump estaria em perigo.

Pompeo declarou que os Estados Unidos estão articulando uma aliança para impedir futuros ataques. Trump afirmou ter muitas opções antes da guerra. O Pentágono, o Departamento da Defesa dos Estados Unidos, estaria examinando a possibilidade de fazer ataques cibernéticos contra o Irã.

O presidente falou em “aumentar substancialmente as sanções”. Não deu detalhes. Com sua guerra econômica e sua estratégia de “pressão máxima” para impedir o Irã de exportar petróleo, até agora, só conseguiu provocar a República Islâmica a perturbar a produção e a exportação de petróleo do Golfo Pérsico, primeiro com ataques a petroleiros e agora com o bombardeio na Arábia Saudita.

No Irã, o Supremo Líder Espiritual da Revolução Islâmica e homem-forte da ditadura teocrática iraniana, aiatolá Ali Khamenei, vetou a possibilidade de um encontro de Trump com o presidente Hassan Rouhani na próxima semana, em Nova York, durante a reunião anual da Assembleia Geral das Nações Unidas. 

Seria o primeiro encontro entre os líderes dos dois países desde a Revolução Islâmica, que derrubou em 1979 o xá Reza Pahlevi, aliado de Washington. Meu comentário:

sábado, 14 de setembro de 2019

Rebeldes xiitas atacam instalações de petróleo na Arábia Saudita

Um bombardeio de drones atingiu hoje duas grandes instalações de petróleo, inclusive a maior refinaria do mundo, paralisando metade da produção da Arábia Saudita, segundo maior produtor e maior exportador mundial, com 10% do mercado. Os rebeldes hutis, do Iêmen, xiitas zaiditas apoiados pelo Irã, reivindicaram a autoria do ataque. 

O secretário de Estado americano, Mike Pompeo, acusou o Irã pelo que chamou de "um ataque sem precedentes contra o suprimento mundial de energia" e alegou que "não há evidências de que os ataques vieram do Iêmen". A Arábia Saudita não responsabilizou o Irã.

As instalações atacadas têm capacidade de processar 8,45 milhões de barris de petróleo bruto por dia. A empresa estatal Aramco, maior companhia de petróleo do mundo, anunciou um corte de produção de 5,7 milhões de barris por dia. Os Estados Unidos podem usar suas reservas para estabilizar o mercado.

Se realmente foram os hutis, será o maior ataque ao reino desde a intervenção militar saudita na guerra civil do Iêmen em favor do presidente deposto Abed Rabbo Mansur Hadi, iniciada em 25 de março de 2015.

Os bombardeios aéreos dos sauditas e seus aliados do Conselho de Cooperação do Golfo arrasaram o mais pobre dos países árabes. Com um bloqueio naval, provocou a pior crise humanitária hoje no mundo, com milhões ameaçados pela fome.

A milícia huti faz parte de uma rede de grupos xiitas alinhados ao Irã, que disputa a liderança regional e do islamismo com Arábia Saudita, sunita. Os EUA e a Arábia Saudita acusam o Irã de enviar técnicos para treinar os hutis em tecnologias de mísseis e de drones.

Um inquérito das Nações Unidas constatou que os hutis têm drones com raio de ação de quase 1,5 quilômetro. Os alvos atingidos na Arábia Saudita estão a cerca de 800 km da fronteira iemenita. Os hutis atacaram a infraestrutura saudita anteriormente, mas com mísseis balísticos de pouca precisão.

quinta-feira, 12 de setembro de 2019

Casa Branca articula encontro entre presidentes dos EUA e do Irã

O presidente Donald Trump está disposto a aceitar uma proposta da França para abrir uma linha de crédito de US$ 15 bilhões para aliviar as sanções a que a República Islâmica está submetida pelos Estados Unidos. O Japão colaboraria no relaxamento das sanções. Isto viabilizaria um encontro de Trump com o presidente do Irã, aiatolá Hassan Rouhani, durante a reunião anual da Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, no fim do deste mês.

Em troca, o Irã voltaria a cumprir o acordo nuclear assinado em 2015 com o governo Barack Obama, as outras grandes potências do Conselho de Segurança das Nações Unidas (China, França, Reino Unido e Rússia) e a Alemanha para congelar o programa nuclear militar iraniano e evitar que o país fabrique armas atômicas.

O acordo foi uma das grandes realizações de política externa de Obama. Afinal, os Estados Unidos e o Irã não mantêm relações diplomáticas desde a ocupação da embaixada americana em Teerã por 444 dias, a partir de 4 de novembro de 1979, nove meses depois da revolução islâmica, que derrubou o xá Reza Pahlevi, aliado de Washington, e levou o regime dos aiatolás ao poder.

Sob protesto do Irã, Trump abandonou o acordo em 8 de maio de 2018, sob a orientação do então conselheiro de segurança nacional da Casa Branca, o advogado e embaixador linha-dura John Bolton, que caiu há dois dias. 

Bolton queria mudança de regime em Teerã. Chegou a defender um bombardeio ao Irã depois de um ataque a um drone americano no Golfo Pérsico. Também era a favor do uso da força na Coreia do Norte e na Venezuela. Meu comentário:

terça-feira, 10 de setembro de 2019

Queda de Bolton sinaliza política externa mais moderada nos EUA

A queda do advogado linha-dura John Bolton do cargo de conselheiro de segurança nacional da Casa Branca sinaliza uma mudança na política externa dos Estados Unidos para uma orientação mais pragmática, com mais diplomacia e menos ameaças de uso da força. 

O próprio presidente Donald Trump admitiu que várias precisou conter Bolton, que já defendeu bombardeios contra o Irã e a Coreia do Norte para evitar que estes países tenham armas nucleares e uma intervenção militar para derrubar o regime chavista na Venezuela. 

“Eu discordava fortemente de muitas sugestões dele, assim como outras pessoas da administração e, por isso, pedi a John que renunciasse ao cargo”, escreveu o presidente no Twitter.

Com a saída do terceiro assessor de segurança nacional, o governo Trump pode ter uma política mais flexível em relação a estes países e nas negociações de paz com a milícia dos Talebã no Afeganistão.

Afinal, Trump precisa evitar novas guerras de sucessos em política externa para apresentar ao eleitorado na campanha da reeleição em 2020. Meu comentário:

quarta-feira, 7 de agosto de 2019

EUA fazem exigências para fechar novo acordo com o Irã

O secretário de Estado, Mike Pompeo, citou hoje quatro questões fundamentais para que os Estados Unidos façam um novo acordo com a República Islâmica do Irã: proibição de fabricar armas atômicas e de desenvolver tecnologia de mísseis, apoio a milícia e grupos terroristas e mudar o tratamento de cidadãos americanos presos naquele país.

Estas exigências foram delineadas pelo chefe da diplomacia americana em artigo publicado no jornal USA Today. Há enormes obstáculos para negociar tal acordo.

A ditadura teocrática iraniana anunciou na semana passada que seus depósitos de água pesada superaram o limite de 130 toneladas previsto no acordo nuclear assinado em 2015 com as grandes potências do Conselho de Segurança das Nações Unidas (EUA, China, França, Reino Unido e Rússia) e a Alemanha para congelar seu programa nuclear militar por 10 anos.

Em 8 de maio de 2018, contrariando os relatórios de inspeções da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e dos serviços secretos ocidentais, o presidente Donald Trump retirou os Estados Unidos do acordo e impôs duras sanções econômicas para impedir o Irã de exportar petróleo.

Sob pressão da guerra econômica do governo Trump, o produto interno bruto da economia iraniana deve cair 6% neste ano e a inflação está em cerca de 50% ao ano.

Nos últimos meses, o regime dos aiatolás anunciou a intenção de parar de cumprir partes do acordo. Estourou o limite dos estoques de urânio enriquecido imposto pelo acordo (130 kg) e anunciou a intenção de enriquecer urânio a 20%, teor usado em equipamentos de medicina nuclear, um passo para chegar aos 90% necessários para uma bomba atômica, e de reativar o reator de Arak.

Ao mesmo tempo, a Guarda Revolucionária Iraniana passou a atacar navios petroleiros no Golfo Pérsico, por onde passam 20% do petróleo exportado no mundo.

Há dois dias, o Irã deu o prazo de um mês aos países da Europa para resgatarem a economia do país, aliviando as sanções dos EUA. A União Europeia chegou a criar um sistema de pagamentos para não usar o mercado financeiro do dólar, mas as empresas europeias resistem, temendo as sanções cruzadas dos EUA com quem fizer negócios com o Irã.

quinta-feira, 18 de julho de 2019

EUA derrubam drone iraniano e Irã admite captura de petroleiro

O presidente Donald Trump anunciou hoje que os Estados Unidos derrubaram um drone iraniano hoje no Estreito de Ormuz, na entrada do Golfo Pérsico. O Irã nega, mas revela que a Guarda Revolucionária Iraniana capturou um navio petroleiro na região. E o ministro do Exterior iraniano propõem inspeções mais rigorosas às instalações nucleares do país em troca das sanções impostas pelo governo americano.

Trump descreveu a aproximação do drone de um navio de guerra americano como “a última de muitas ações hostis e provocações do Irã. O Departamento da Defesa dos Estados Unidos, o Pentágono, afirmou que o navio USS Boxer estava em águas internacionais e reagiu quando a aeronave não tripulada se aproximou a uma distância perigosa.

Um barco iraniano chegou a menos de 500 metros do USS Boxer. Quando o drone ficou entre os dois, foi abatido. 

Para aumentar ainda mais a pressão sobre o Irã, o Pentágono anunciou hoje o envio de 500 soldados americanos para a Arábia Saudita. 

Também hoje, a televisão iraniana mostrou imagem de um navio-tanque estrangeiro capturado há quatro dias pela Guarda Revolucionária, sob a alegação de estar contrabandeando 1 milhão de litros de petróleo. 

Aparentemente o Irã quer retaliar a recente apreensão de um petroleiro iraniano pela Marinha Real britânica perto do Estreito de Gibraltar, na entrada do Mar Mediterrâneo. O navio vinha do Oceano Atlântico com destino à Síria.Diante do aumento da tensão no Oriente Médio, o preço do barril de petróleo subiu pouco mais de 1%. Meu comentário:

sexta-feira, 21 de junho de 2019

EUA e Irã estão à beira de uma guerra potencialmente devastadora

O presidente Donald Trump suspendeu ontem à noite um bombardeio ao Irã quando os aviões de guerra dos Estados Unidos estavam a dez minutos dos alvos. Seria uma reação ao abate de um drone espião americano no Estreito de Ormuz, porta de entrada do Golfo Pérsico, por onde passa um terço do petróleo exportado por mar no mundo.

A República Islâmica alega que seu espaço aéreo foi invadido, mas evitou atacar um avião tripulado para poupar vidas. Trump também mostrou autocontrole ao evitar o ataque, apoiado pelo secretário de Estado, Mike Pompeo, o assessor de Segurança Nacional da Casa Branca, John Bolton, e a diretora-geral da Agência Central de Inteligência (CIA), Gina Haspel.

Trump declarou que as sanções econômicas contra o regime fundamentalista iraniano estão funcionando. Por isso, não tem pressa. A Europa tenta conter os EUA temendo uma conflagração capaz de incendiar o Oriente Médio. Meu comentário:

Trump aprova ataque ao Irã e depois recua

Até as sete horas da noite de ontem pelo horário de Washington (20h em Brasília), estava em andamento uma operação militar dos Estados Unidos para bombardear alvos dentro do Irã - instalações nucleares, radares e baterias de defesa antiaérea -, em retaliação ao abate de um drone espião americano no Estreito de Ormuz. 

Os aviões bombardeiros estavam no ar e os navios próximos prontos para atacar, mas nenhum míssil havia sido disparado quando o presidente Donald Trump deu a contraordem, noticiou o jornal The New York Times.

Ainda não está claro se o presidente cancelou a operação ou apenas adiou o ataque para um momento mais favorável por uma questão de logística ou estratégia. Mas o simples anúncio é uma ameaça e uma demonstração de força.

Os EUA alegam que o drone foi abatido em águas internacionais no Estreito de Ormuz. A República Islâmica do Irã afirma que o drone invadiu o espaço aéreo iraniano.

Apesar das vulnerabilidades, o Irã tem uma longa experiência em guerras indiretas através de milícias que financia e sustenta como o grupo fundamentalista xiita iraniano Hesbolá (Partido de Deus), a mais notória e supostamente mais poderosa.

Trump aplica uma estratégia de "pressão máxima" contra o Irã na expectativa de forçar o regime teocrático iraniano a voltar à mesa de negociações e abrir mão não só do programa nuclear militar, mas também da tecnologia de mísseis de médio e longo alcances e de interferir politicamente em outros países do Oriente Médio.

 Em 8 de maio do ano passado, o presidente americano rompeu o acordo nuclear de 2015, negociado pelo governo Barack Obama para congelar o programa militar nuclear iraniano. Um ano depois, o Irã anunciou que vai acumular urânio enriquecido além do limite estabelecido no acordo.

O governo americano parece totalmente incapaz de entrar num diálogo construtivo com o Irã, demonizado no discurso oficial da Casa Branca e do Departamento de Estado. A República Islâmica, do outro, não acredita que que os EUA negociem de boa fé.

No mês passado, quatro navios petroleiros foram alvo de bombas num porto dos Emirados Árabes Unidos. Na semana passada, outros dois foram atacados quando passavam pelo Golfo de Omã. EUA responsabilizou o Irã.

Com o aumento da tensão, os EUA enviaram mais mil soldados para o Oriente Médio um grupo naval liderado por um porta-aviões rumo ao Golfo Pérsico. Trump afirma não querer a guerra, apenas renegociar o acordo, mas chegou perto.

O secretário de Estado, Mike Pompeo, o assessor de Segurança Nacional da Casa Branca, John Bolton, e a diretora-geral da Agência Central de Inteligência (CIA), Gina Haspel, eram a favor do ataque abortado ontem à noite.

quinta-feira, 13 de junho de 2019

EUA acusam Irã por ataques a petroleiros no Golfo de Omã


O secretário de Estado americano, Mike Pompeo, responsabilizou o Irã pelos ataques contra dois petroleiros hoje no Golfo de Omã, depois de ataques contra quatro navios-tanques num porto dos Emirados Árabes Unidos no mês passado. 

Há duas semanas, em visita aos Emirados Árabes Unidos, o assessor de Segurança Nacional da Casa Branca, o linha-dura John Bolton, declarou estar “quase certo” de que foi o Irã ou aliados.

Pompeo afirmou hoje que esses ataques não provocados são uma clara ameaça à paz e à segurança internacionais e um assalto à liberdade de navegação. Meu comentário: