Mostrando postagens com marcador Mohamed Javad Zarif. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Mohamed Javad Zarif. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 27 de novembro de 2020

Assassinato de cientista nuclear dificulta reaproximação EUA-Irã

 O principal cientista nuclear do Irã, Mohsen Fakhrizadeh, conhecido como "pai da bomba atômica iraniana",  foi assassinado hoje num ataque a seu carro quando viajava no Norte do país. Ao que tudo indica, a responsabilidade é de Israel, que se negou a comentar o caso. 

Em aliança com o governo Donald Trump, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu tenta bloquear qualquer chance de reaproximação entre o governo Joe Biden e a República Islâmica.

"Terroristas mataram um eminente cientista iraniano hoje", lamentou o ministro do Exterior, Mohamed Javad Zarif no Twitter. "Esta covardia - com sérias indicação de participação de Israel - mostra o desespero dos mercadores da guerra."

Fakhrizadeh foi alvo de uma emboscada quando passava de carro pela cidade de Absard, na região de Damavand, noticiou a televisão iraniana. A mudança de governo nos EUA reduz a capacidade de retaliação do Irã, onde setores mais moderados do regime fundamentalista apostam numa melhoria das relações com Biden.

Durante visita recente a Israel, o secretário de Estado americano, Mike Pompeo, voltou a atacar o Irã ao lado de Netanyahu, que agradeceu a Trump, entre outras medidas, a retirada dos Estados Unidos do acordo nuclear fechado em 2015 pelas grandes potências do Conselho de Segurança das Nações Unidas (EUA, China, França, Reino Unido e Rússia) e a Alemanha com o Irã para congelar por 10 anos o programa nuclear militar iraniano.

É impossível que os EUA não soubessem do ataque. Na campanha, Biden admitiu a possibilidade de retomar o acordo negociado pelo governo Barack Obama quando o presidente eleito era vice-presidente. Ao que se sabe, o Irã ainda não desenvolveu a capacidade de fabricar armas nucleares.

Depois da derrota, Trump pediu a assessores que lhe apresentassem opções para atacar a central nuclear iraniana de Natanz antes de deixar o poder. De acordo com o jornal The New York Times, foi dissuadido pelo vice-presidente Mike Pence e o secretário Mike Pompeo.

Em 3 de janeiro, depois que milícias xiitas iraquianas financiadas, armadas e treinadas pelo Irã atacaram bases dos EUA no Iraque, o governo Trump matou com um míssil o principal general iraniano, Kassem Suleimani, comandante da Forças Quods, o braço armado da Guerra Revolucionária Iraniana para ações no exterior. Apesar das ameaças, a retaliação do Irã foi moderada para evitar uma guerra.

Um bombardeio americano agora deflagraria uma nova guerra. O Irã poderia contra-atacar bases americanas no Oriente Médio. Mas o país está enfraquecido. Tem a pior epidemia da doença do coronavírus de 2019 na região e a econômica enfrente uma crise duríssima por causa das sanções dos EUA.

Por outro lado, Trump prometeu acabar com as "guerras intermináveis" dos EUA. Está retirando parte dos soldados americanos do Iraque e do Afeganistão.

Ao mesmo tempo, Netanyahu sabe que o governo Trump está chegando ao fim. No governo Biden, não terá carta branca para atacar quando quiser.

segunda-feira, 20 de janeiro de 2020

Irã faz nova ameaça de fabricar a bomba atômica

O Irã ameaça abandonar o Tratado de Não Proliferação Nuclear, se o caso sobre as violações do acordo nuclear de 2015 for levado ao Conselho de Segurança das Nações Unidas. É mais uma ameaça da fabricar armas atômicas.

Em mais uma tentativa de romper o cerco econômico imposto pelas sanções dos Estados Unidos, a República Islâmica ameaçou mais uma vez hoje que pode fazer a bomba atômica.

Três países europeus signatários do Acordo de Viena, de 2015, para congelar por dez anos o programa nuclear iraniano acionaram em 14 de janeiro deste ano um mecanismo para pressionar o Irã a respeitar os termos do acordo, abandonado em 8 de maio de 2018 pelos Estados Unidos. 

A Alemanha, a França e o Reino Unido afirmaram que não estão aderindo à estratégia de pressão máxima adotada pelo governo Donald Trump. Querem que o Irã volte a respeitar os limites de quantidade de urânio enriquecido, teor de enriquecimento e número de centrífugas em atividade. Também gostariam que o acordo servisse de base para a renegociação exigida pelos Estados Unidos, que não mostram a menor intenção de ceder.

Hoje o ministro do Exterior iraniano, Mohamed Javad Zarif, ameaçou com a retirada do país do Tratado de Não Proliferação Nuclear. Este tratado desigual só autoriza cinco países a ter armas atômicas: os Estados Unidos, a China, a França, o Reino Unido e a Rússia, não por coincidência as cinco grandes potências com direito de veto no Conselho de Segurança da ONU. 

Os outros países que fizeram armas nucleares, Israel, a Índia, o Paquistão e a Coreia do Norte, abandonaram o Tratado de Não Proliferação Nuclear. Meu comentário:

quarta-feira, 8 de janeiro de 2020

Disparo de foguetes contra embaixada mantém ameaça aos EUA no Iraque

O ataque simbólico do Irã, sem matar nem ferir ninguém, reduziu a tensão no Oriente Médio, mas novos disparos de foguetes contra a embaixada mostram que o risco para os Estados Unidos no Iraque não acabou.

Em tom triunfalista e eleitoreiro, o presidente Donald Trump cantou vitória hoje na Casa Branca, dizendo que “o Irã parece estar recuando”. O novo ataque revela que o risco não está totalmente afastado.

Trump fala como herói para o eleitorado do Partido Republicano, mas sai derrotado politicamente do episódio, com o aumento da influência do Irã sobre o Iraque e o repúdio dos iraquianos à violação da soberania nacional. Trump perde, especialmente se as forças dos Estados Unidos saírem do Iraque.

Realmente, o ataque de ontem à noite com dezenas de mísseis contra duas bases militares onde há soldados americanos no Iraque parece ter sido calibrado para não matar ninguém. Visava a acalmar o público interno no Irã depois do assassinato do general Kassem Suleimani, comandante da tropa de elite da Guarda Revolucionária Iraniana, por um drone americano na semana passada perto do aeroporto de Bagdá.

O ministro do Exterior do Irã, Mohamed Javad Zarif, invocou o artigo 51 da Carta das Nações Unidas, que dá aos países o direito de reagir a agressões. Foi uma resposta fraca, destinada a evitar o contra-ataque “desproporcional” ameaçado por Trump.

A morte de seu general mais importante intimidou a República Islâmica. Trump deixou claro estar pronto para usar a força quando americanos forem mortos ou feridos. O Irã tem a tecnologia de mísseis mais avançada do Oriente Médio. Mostrou capacidade militar, mas evitou danos capazes de escalar um conflito contra um inimigo muito mais poderoso. Meu comentário:

sexta-feira, 3 de janeiro de 2020

EUA pedem a americanos que saiam do Iraque

Com medo de uma retaliação do Irã, os Estados Unidos apelaram a todos os cidadãos americanos para que saiam do Iraque depois que um ataque de drones ordenados pelo presidente Donald Trump matou ontem perto do aeroporto de Bagdá o comandante da Força Quods, tropa de elite da Guarda Revolucionária do Irã para ações no exterior.

O Supremo Líder Espitirual da Revolução Islâmica, aiatolá Ali Khamenei, homem-forte da ditadura teocrática iraniana, prometeu vingança e o ministro do Exterior, Mohamed Javad Zarif, responsabilizou os EUA por "todas as consequências do seu aventureirismo ilegal" ao elevar as tensões entre os dois países a um "nível extremamente perigoso" numa "escalada tola".

Em Washington, o Departamento da Defesa declarou que o ataque foi lançado "para deter futuros planos de ataque iranianos" e que "os EUA realizarão todas as ações necessárias para proteger nosso povo e nossos interesses."

Se agora o Departamento de Estado está recomendando aos americanos que saiam do Iraque e especialmente que não se aproximem da embaixada, onde os serviços consulares estão suspensos, está claro que os cidadãos americanos viraram alvos para aliados do Irã no Oriente Médio.

segunda-feira, 30 de dezembro de 2019

Milícias xiitas ameaçam responder a bombardeio americano no Iraque

A confrontação entre os Estados Unidos e o Irã esquenta no Iraque.

As milícias xiitas Kataib Hesbolá, as Brigadas do Partido de Deus, armadas, financiadas e treinadas pelo Irã, declararam que bombardeios aéreos realizados ontem pelos Estados Unidos contra bases do grupo no Iraque e na Síria mataram 25 milicianos e feriram outros 55. 

Um comandante da milícia, Abu Mahdi al-Muhandis, prometeu uma resposta muito dura. O primeiro-ministro iraquiano, Adel Abdel Mahdi, avisado meia hora antes, tentou impedir o ataque e condenou a ação do governo Donald Trump, alegando que cria o risco de uma escalada perigosa capaz de ameaçar a soberania e a integridade do Irã. 

O poderoso partido xiita iraquiano Dawa declarou que o Iraque não é o lugar para um acerto de contas entre Estados Unidos e Irã. O ministro do Exterior do Irã, Mohamed Javad Zarif, chamou o ataque de terrorismo. Meu comentário:
Na sexta-feira, a China, o Irã e a Rússia iniciaram manobras militares conjuntas, num desafio à presença militar dos EUA no Oriente Médio.

quinta-feira, 19 de setembro de 2019

Ministro do Exterior do Irã ameaça com "guerra total" se país for atacado

O Irã insiste em negar qualquer responsabilidade pelo ataque contra instalações petroleiras sauditas no sábado passado. Se os Estados Unidos ou a Arábia Saudita atacarem o país, haverá uma "guerra total", advertiu hoje o ministro do Exterior iraniano, Mohamed Javad Zarif.  Mas o país quer o fim das sanções econômicas, não uma guerra que ameaçaria a ditadura dos aiatolás.

"Não queremos a guerra, não queremos nos engajar num conflito armado", declarou o chanceler iraniano, falando em "grande número de baixas", "mas não vamos pestanejar em defender nosso território."

Zarif afirmou que o ataque foi feito pelos rebeldes hutis na luta contra a intervenção militar saudita na guerra civil do Iêmen. Os governos americanos e sauditas não acreditam que os hutis bombardeassem o petróleo saudita sem autorização do Irã.

Como o presidente Donald Trump também não quer uma guerra a um ano da reeleição, o secretário de Estado americano, Mike Pompeo, convidou a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos para patrulhar o Golfo Pérsico e garantir a navegação dos navios petroleiros.

Desde maio, quando fez um ano que Trump abandonou acordo nuclear das grandes potências do Conselho de Segurança das Nações e a Alemanha com o Irã para congelar o programa nuclear iraniano, a Guarda Revolucionária Iraniana atacou vários navios-tanque no Golfo Pérsico.

A República Islâmica tenta desesperadamente se livrar das sanções impostas pelos EUA, que tentam impedir o país de exportar petróleo, sua maior riqueza. O objetivo de Trump é negociar um novo tratado que, além das armas nucleares, também proíba o Irã de desenvolver mísseis de médio e longo alcances e de interferir política e militarmente em outros países do Oriente Médio.

Por sua vez, o Irã exige o fim pelo menos parcial das sanções econômicas como precondição para retomar o diálogo. O presidente da França, Emmanuel Macron, propôs a abertura de uma linha de crédito de US$ 15 bilhões para aliviar a pressão sobre a economia iraniana.

Havia até a possibilidade de um encontro entre os presidentes Trump e Hassan Rouhani em Nova York na próxima semana, durante a reunião anual da Assembleia Geral da ONU. O ataque à Arábia Saudita bombardeou o encontro, vetado pelo Supremo Líder Espiritual da Revolução Islâmica, o ditador do Irã, aiatolá Ali Khamenei.

Os EUA e a Arábia Saudita temem novos ataques à indústria do petróleo, o que poderia abalar ainda mais o mercado internacional e provocar uma recessão mundial. O Irã ameaça, mas quer mesmo se livrar das sanções. Só negociações podem resolver o problema.

quarta-feira, 31 de julho de 2019

EUA impõem sanções ao ministro do Exterior do Irã

O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciou hoje sanções contra o ministro do Exterior do Irã, Mohamed Javad Zarif, congelando seus bens e restringindo suas viagens aos Estados Unidos. O chanceler iraniano acaba de realizar uma viagem de uma semana aos EUA em que fez duras críticas à política do presidente Donald Trump em relação a seu país.

Ao sancionar Zarif, o governo americano pune um moderado que foi o principal negociar da República Islâmica para fechar o acordo de 2015 com as grandes potências do Conselho de Segurança das Nações Unidas (EUA, China, França, Reino Unido e Rússia) e a Alemanha para congelar por dez anos a parte militar do programa nuclear iraniano.

Fica mais difícil reabrir as negociações, como gostaria Trump, para incluir também a proibição de desenvolver tecnologia de mísseis e de interferir política e militarmente em outros países do Oriente Médio.

Em tese, a estratégia de pressão máxima adotada pelos EUA visa a trazer o Irã de volta à mesa de negociações. Na prática, enfraquece os setores mais moderados do regime dos aiatolás, enquanto fortalece a Guarda Revolucionária Iraniana, declarada grupo terrorista pelos EUA em abril.

quinta-feira, 18 de julho de 2019

EUA derrubam drone iraniano e Irã admite captura de petroleiro

O presidente Donald Trump anunciou hoje que os Estados Unidos derrubaram um drone iraniano hoje no Estreito de Ormuz, na entrada do Golfo Pérsico. O Irã nega, mas revela que a Guarda Revolucionária Iraniana capturou um navio petroleiro na região. E o ministro do Exterior iraniano propõem inspeções mais rigorosas às instalações nucleares do país em troca das sanções impostas pelo governo americano.

Trump descreveu a aproximação do drone de um navio de guerra americano como “a última de muitas ações hostis e provocações do Irã. O Departamento da Defesa dos Estados Unidos, o Pentágono, afirmou que o navio USS Boxer estava em águas internacionais e reagiu quando a aeronave não tripulada se aproximou a uma distância perigosa.

Um barco iraniano chegou a menos de 500 metros do USS Boxer. Quando o drone ficou entre os dois, foi abatido. 

Para aumentar ainda mais a pressão sobre o Irã, o Pentágono anunciou hoje o envio de 500 soldados americanos para a Arábia Saudita. 

Também hoje, a televisão iraniana mostrou imagem de um navio-tanque estrangeiro capturado há quatro dias pela Guarda Revolucionária, sob a alegação de estar contrabandeando 1 milhão de litros de petróleo. 

Aparentemente o Irã quer retaliar a recente apreensão de um petroleiro iraniano pela Marinha Real britânica perto do Estreito de Gibraltar, na entrada do Mar Mediterrâneo. O navio vinha do Oceano Atlântico com destino à Síria.Diante do aumento da tensão no Oriente Médio, o preço do barril de petróleo subiu pouco mais de 1%. Meu comentário:

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019

Irã busca apoio da China contra sanções dos EUA

Sob pressão das sanções e de um cerco diplomático do governo Donald Trump, a República Islâmica do Irã busca o apoio da China. O ministro do Exterior iraniano, Javad Zarif, se encontrou ontem em Beijim com o colega chinês, Wang Yi, que agradeceu os esforços para aumentar a "confiança estratégica" entre os dois países.

É uma missão de alto nível. Também fazem parte da delegação do Irã o presidente do Majlis (Parlamento), Ari Larijani, os ministros das Finanças e do Petróleo, e o presidente do Banco Central.

Para Teerã, é muito importante manter as relações comerciais com a China, a maior importadora de petróleo iraniano no ano passado.

O regime comunista chinês tradicionalmente é contra sanções que não sejam impostas através de um consenso internacional. Antes do acordo negociado em 2015 para congelar o programa nuclear militar do Irã, apoiava as sanções adotadas pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas. Mas Trump abandonou o acordo com maio de 2018.

Assim, as empresas chinesas temem as possíveis retaliações dos EUA, como restrições de acesso ao mercado americano e a proibição de operar em dólares. O governo americano está processando a companhia chinesa de equipamentos de telecomunicações Huawei sob a acusação de violar as sanções ao Irã.

Em novembro do ano passado, os EUA isentaram das sanções importações de petróleo iraniano pela China até o limite de 360 mil barris por dia, cerca da metade do que os chineses compravam antes do governo Trump reimpor as sanções.

A viagem deve servir para os dois países negociarem meios de permitir à China pagar as importações de produtos iranianos, mas há um sério risco de retaliações dos EUA.

domingo, 23 de setembro de 2018

Atiradores atacam parada militar e matam 25 pessoas no Irã

Quatro atiradores atacaram ontem uma parada militar na cidade de Ahvaz, no Sudoeste do Irã, matando 25 pessoas, inclusive 12 membros da Guarda Revolucionária Iraniana, o braço armado da República Islâmica. As forças de segurança mataram os agressores.

Dois grupos reivindicaram a autoria do ataque, a organização terrorista sunita Estado Islâmico e a Resistência Nacional Ahvaz, um grupo árabe sunita de oposição que usa o nome da capital e maior cidade da província do Cuzistão. Nenhum apresentou prova concreta de suas alegações.

O regime fundamentalista xiita iraniano acusou no passado a Arábia Saudita de apoiar um movimento separatista de árabes sunitas. Ontem, o ministro do Exterior do Irã, Mohamed Javad Zarif, atribuiu o atentado a "os patrocinadores do terrorismo na região e seus mestres dos EUA".

Persa e xiita, o Irã é o maior rival regional da Arábia Saudita, árabe e sunita, no Oriente Médio. As tensões entre os dois países aumentaram nos últimos anos. Apoiam lados opostos nas guerras civis da Síria e do Iêmen, e nos conflitos políticos no Bahrein, no Iraque e no Líbano.

terça-feira, 26 de junho de 2018

EUA pressionam aliados a parar de importar petróleo do Irã

Depois de abandonar o acordo nuclear assinado em 2015, o governo Donald Trump está pressionando os aliados dos Estados Unidos a suspender todas as importações de petróleo do Irã a partir de 4 de novembro, noticiou hoje a agência Bloomberg.

Desde a ruptura do acordo negociado no governo Barack Obama, o cancelamento de projetos de investimento acentuou os problemas da economia iraniana, com aumento de preços e uma desvalorização do real que provocaram uma greve na última segunda-feira no Grande Bazar de Teerã.

Ao deixar o acordo firmado entre o Irã, as grandes potências do Conselho de Segurança das Nações Unidas (EUA, China, França, Reino Unido e Rússia) e a Alemanha, o governo Trump não impôs sanções só à República Islâmica. Toda empresa que fizer negócios com o Irã deve ser excluída do mercado americano e proibida de operar em dólares.

Os EUA tentam aumentar o cerco ao regime fundamentalista iraniano. A volta das sanções terá forte impacto sobre a frágil economia do Irã. Foi a expectativa de aproximação com o Ocidente e de consequente recuperação da economia que levou o presidente Hassan Rouhani, considerado um moderado na república dos aiatolás, a negociar um congelamento do programa nuclear por dez anos.

Trump rompeu o acordo, ignorando o próprio Departamento da Defesa dos EUA, que considerava o regime de inspeções suficientemente rigoroso. O secretário de Estado, Mike Pompeo, fez exigências inaceitáveis para Teerã com o fim da interferência em outros países do Oriente Médio e do apoio a grupos extremistas muçulmanos que lutam contra Israel, como o libanês Hesbolá (Partido de Deus) e o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) palestino.

Para os analistas, os EUA de Trump adotaram a posição do governo linha-dura de Benjamin Netanyahu em Israel. Não consideram o Irã confiável em qualquer negociação. Querem a mudança de regime, com o fim da república islâmica.

Por outro lado, o vice-presidente iraniano, Mohamed Javad Zarif, exigiu em contrapartida o fim do apoio a Israel e das intervenções militares dos EUA no Oriente Médio e a retirada total das forças americanas do Afeganistão.

A expectativa é de acirramento do conflito e agravamento das sanções e da crise econômica do Irã.

quinta-feira, 21 de junho de 2018

Irã exige fim do apoio a Israel e retirada do Afeganistão para negociar com EUA

Diante das 12 exigências dos Estados Unidos, inclusive abandonar o programa nuclear e parar de influenciar outros países do Oriente Médio, o primeiro-ministro Mohamed Javad Zarif apresentou uma lista de 15 demandas do Irã para reabrir as negociações entre os dois países. A República Islâmica exige o fim da venda de armas à região, do apoio a Israel e a retirada das tropas americanas do Afeganistão.

O presidente Donald Trump retirou em 8 de maio os EUA do acordo negociado pelos grandes potências do Conselho de Segurança e a Alemanha para congelar por 10 anos programa nuclear militar do Irã, evitando que a República Islâmica faça a bomba atômica.

Tanto os EUA quanto o Irã afirmam que as novas exigências são inaceitáveis. Trump alegou que o acordo não era suficientemente amplo por não limitar o programa de mísseis e a interferência iraniana em outros países do Oriente Médio

domingo, 22 de abril de 2018

Irã ameaça retomar enriquecimento de urânio

A República Islâmica do Irã não está tentando fazer a bomba atômica, mas, se os Estados Unidos abandonarem o acordo nuclear assinado em 2015 com as grandes potências do Conselho de Segurança das Nações Unidas, vai retomar o enriquecimento de urânio "vigorosamente", advertiu o ministro do Exterior iraniano, Mohamed Javad Zarif. O urânio enriquecido é a carga das bombas atômicas mais simples.

Diante do aumento da tensão entre Israel e o Irã dentro da guerra civil da Síria, aumentou a expectativa de que o presidente Donald Trump, aconselhado pelo novo assessor de Segurança Nacional, John Bolton, decertifique o acordo, que congela o programa nuclear iraniano por uma década.

Há duas semanas, o presidente Hassan Rouhani declarou que os EUA "lamentariam" o fim do acordo. O Irã reagiria "em uma semana".

Trump quer "remediar as terríveis lacunas" que vê no texto acordo, enquanto a Alemanha, a China, a França, o Reino Unido e a Rússia querem mantê-lo como está. Sabem das dificuldades de renegociar um acordo, especialmente com um líder instável como o atual presidente americano.

Os EUA de Trump exigem um regime de inspeções mais rigoroso e o fim da limitação dos prazos de 10 a 15 anos para o Irã retomar as atividades nucleares. A decisão de manter ou não os EUA no acordo deve ser anunciada até 12 de maio.

Até o fim de abril, o presidente da França, Emmanuel Macron; a primeira-ministra do Reino Unido, Theresa May; e a chanceler (primeira-ministra) da Alemanha, Angela Merkel; vão a Washington tentar persuadir Trump.

"Tentar apaziguar Trump, penso, será um exercício fútil", observou o chanceler iraniano. "Para o Irã, é importante receber os benefícios do acordo e, em hipótese alguma, o país aceitar uma aplicação unilateral." Se os EUA abandonarem o acordo, é "altamente improvável" que o Irã continue a respeitá-lo com os outros signatários.

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Presidente da Turquia visita Irã na próxima semana

Em mais um sinal do rearranjo político do Oriente Médio deflagrado pela guerra civil da Síria e pelo recuo estratégico dos Estados Unidos, o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, vai a Teerã na próxima semana.

O foco central da viagem será fortalecer a cooperação entre Turquia, Irã e Rússia depois da visita do ministro do Exterior iraniano, Mohamed Javad Zarif, a Ancara na semana passada. Os limites desta cooperação estão na divergência de objetivos estratégicos.

A Rússia e o Irã são os principais aliados da ditadura de Bachar Assad, que Ergodan tenta derrubar indiretamente desde o início da guerra civil na Síria, há cinco anos e meio.

Desde a fracassada tentativa de golpe de Estado de 15 de julho, Erdogan exige a extradição de um clérigo muçulmano turco exilado nos EUA que responsabiliza pela rebelião e iniciou uma violenta repressão contra todos os adversários do governo, mesmo os que repudiaram o golpe.

Isso afasta Erdogan dos EUA e da União Europeia, então ele se aproxima de regimes autoritários indicando um distanciamento em relação ao Ocidente.

sábado, 16 de janeiro de 2016

EUA e UE suspendem sanções econômicas ao Irã

A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) certificou oficialmente hoje que o Irã está cumprindo o acordo firmado em 14 de julho de 2015 com as grandes potências do Conselho de Segurança das Nações Unidas e a Alemanha para desarmar o programa nuclear iraniano. Em consequência, os Estados Unidos e a União Europeia levantaram as sanções econômicas à república islâmica.

É o fim do isolamento econômico do país, mas a situação será reavaliada para garantir o cumprimento do acordo.

De imediato, o fim das sanções dará ao Irã acesso a US$ 100 bilhões congelados no exterior. O país voltará a vender petróleo no mercado internacional, aumentando ainda mais o excesso de oferta que causou uma queda de 70% nos preços desde junho de 2014.

"É o primeiro dia de um mundo mais seguro", festejou o secretário de Estado americano, John Kerry, principal negociador dos EUA.

Horas antes, o regime dos aiatolás anunciou a libertação de quatro americanos, entre eles o correspondente do jornal The Washington Post Jason Rezaian. Em troca, os EUA soltaram sete presos iranianos.

Na semana passada, dez marinheiros de dois barcos-patrulha detidos ao invadir águas territoriais iranianas foram libertados em 24 horas, depois de cinco telefonemas de Kerry ao ministro do Exterior do Irã, Mohamed Javad Zarif.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Irã solta dez soldados da Marinha dos EUA

Pouco antes do amanhecer hoje no Golfo Pérsico, 10 militares da Marinha dos Estados Unidos detidos ontem pela Guarda Revolucionária do Irã por invadir o mar territorial iraniano, foram libertados e zarparam em seus dois barcos. O Pentágono confirmou que eles foram embarcados em navios da Marinha americana.

"Concluímos que a passagem dos americanos por nossas águas territoriais não foi hostil nem um ato de espionagem", declarou à televisão iraniana o almirante Ali Fadavi, comandante das forças navais da Guarda Revolucionária. A agência de notícias iraniana Fars disse que os EUA pediram desculpas, mas não há indicações de que isso tenha ocorrido.

Navios de guerra dos EUA e do Irã passam perto uns dos outros perto da Ilha Farsi, onde há uma base naval iraniana. A rápida libertação dos marinheiros americanos é consequência da reaproximação entre os dois países desde a assinatura de um acordo para desarmar o programa nuclear iraniano.

A Guarda Revolucionária é contra o acordo nuclear, mas se submeteu à orientação política do presidente Hassan Rouhani de melhorar as relações com Washington. O secretário de Estado americano, John Kerry, falou por telefone com o ministro do Exterior iraniano, Mohamed Javad Zarif, para pedir a libertação dos marinheiros.

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Irã condena correspondente do jornal The Washington Post

A República Islâmica do Irã condenou hoje o chefe do escritório do jornal The Washington Post em Teerã, Jason Rezaian, acusado de espionagem e de fazer propaganda contra o regime fundamentalista, mas não esclareceu por qual acusação ele foi considerado culpado.

O veredito foi amplamente repudiado por parentes, amigos e colegas de Rezaian. A televisão estatal e a agência de notícias Estudantes Iranianos citaram como fonte Gholam Hossein Mohseni-Ejei, porta-voz do Tribunal Revolucionário de Teerã, um linha dura que criticou o ministro do Exterior, Mohamed Javad Zarif por apertar a mão do presidente Barack Obama.

Filho de um emigrante iraniano que chegou aos Estados Unidos em 1959, Rezaian nasceu no Marin County, na Califórnia, e tem dupla nacionalidade. Foi morar no Irã, onde trabalhava para a imprensa dos EUA. Estava no Post desde 2012.

Em 22 de julho de 2014, a polícia invadiu sua casa e prendeu Rezaian e sua mulher, levando-os para uma prisão onde são detidos intelectuais e dissidentes do regime dos aiatolás. A mulher foi solta dois meses depois, mediante pagamento de fiança.

Seu processo se enquadra na resistência de setores mais conservadores do regime fundamentalista iraniano em relação aos EUA. Faz parte do plano de sabotagem do acordo nuclear firmado pelo Irã com as cinco grandes potências do Conselho de Segurança das Nações Unidas para desarmar o programa nuclear do país e evitar que faça a bomba atômica.

Em 20 de abril de 2015, Rezaian foi formalmente acusado de espionagem e "propaganda contra a ordem estabelecida". Hoje, o porta-voz do Tribunal Revolucionário não deu mais detalhes sobre a condenação.

quinta-feira, 2 de abril de 2015

Irã e União Europeia anunciam acordo nuclear

Depois de oito dias de negociações intensivas, o ministro do Exterior do Irã, Mohamed Javad Zarif, e a comissária de Relações Exteriores da União Europeia, Federica Mogherini, anunciaram há pouco um acordo preliminar para desarmar o programa nuclear iraniano, impedindo o país de fazer a bomba atômica, informa a televisão pública britânica BBC.

"Decidimos tomar medidas para garantir a todos que o nosso programa nuclear é totalmente pacífico", declarou o chanceler iraniano. "Nenhuma das nossas instalações nucleares será fechada. O povo iraniano não aceitaria isso."

A "capacidade de enriquecer urânio e os estoques iranianos" serão limitados e as sanções serão suspensas assim que a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) certificar o cumprimento do acordo, declarou Mogherini, ex-ministra do Exterior da Itália. Se o Irã violar o acordo, as sanções voltariam a ser impostas

Um acordo definitivo deve ser negociado até 30 de junho de 2015.

O sucesso das negociações já tinha sido festejado pelo presidente do Irã, Hassan Rouhani, um aiatolá moderado que se elegeu no primeiro turno da eleição de junho de 2013 com a promessa de melhorar as relações com os Estados Unidos para acabar com as sanções internacionais que pesam sobre a economia iraniana. Mas quem manda de fato no país, o Supremo Líder Espiritual da Revolução Islâmica, aiatolá Ali Khamenei, ainda não falou.

A república islâmica sempre negou estar desenvolvendo armas nucleares. Afirma estar negociando para aliviar as sanções econômicas ao país e insiste no direito de uso pacífico da energia atômica.

Quem não gostou do acordo foi o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, que há um mês tentou convencer o Congresso dos EUA de que este acordo, em vez de impedir, abre caminho para o Irã fazer a bomba atômica: "Qualquer acordo precisa reduzir significativamente a capacidade nuclear do Irã e parar com seu terrorismo e suas agressões", escreveu o líder israelense no Twitter.

terça-feira, 31 de março de 2015

Negociação nuclear com o Irã é prorrogada até amanhã

As negociações das cinco grandes potências do Conselho de Segurança das Nações Unidas (EUA, China, França, Reino Unido e Rússia), a Alemanha e o Irã para desarmar o programa nuclear iraniano, que deveriam chegar a um acordo preliminar hoje, foram estendidas até quarta-feira, em Lausanne, na Suíça, informou o jornal The Washington Post. É um sinal de que os dois lados acreditam num acordo.

"Fizemos progressos suficientes nos últimos dias para valer a pena continuar até quarta-feira", declarou a porta-voz do Departamento de Estado americano. "Ainda há muitas questões difíceis."

Apesar da reaproximação entre os Estados Unidos e o Irã, há muitos pontos de desacordo. No fim de semana, o ministro do Exterior e principal negociar iraniano, Mohamed Javad Zarif, recuou da proposta de enviar todo o urânio enriquecido no Irã para armazenamento na Rússia.

O Irã insiste no direito de usar a energia nuclear para fins pacíficos, enquanto os países árabes vizinhos e Israel não confiam no regime fundamentalista iraniano. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, discursou contra o acordo no Congresso dos EUA, em 3 de março, lembrando que a Coreia do Norte fez vários acordos, violou todos e fez a bomba atômica. Nesta reta final das negociações, a França e o Reino Unido defendem os interesses dos países mais céticos.

No passado, o regime iraniano mentiu ao esconder seus dois principais centros de enriquecimento de urânio, em Fordo e Natanz.

Pela proposta em discussão, o Irã seria autorizado a conservar 6 mil das 19 mil centrífugas que têm hoje. A república islâmica exige ainda o direito de continuar fazendo pesquisas atômicas. Já estaria a um ano da capacidade nuclear militar. Um acordo congelaria o programa por dez anos.

Outro aspecto fundamental é a fiscalização. Na semana passada, o diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), o japonês Yukiya Amano, acusou a república dos aiatolás de rejeitar inspeções de surpresa.

Em troca do desarmamento nuclear, o Irã exige o fim imediato das sanções internacionais que pesam sobre a economia do país. Até agora, as grandes potências só concordam com uma retirada gradual das sanções, se a ditadura teocrática iraniana cumprir o acordo, que tem apoio popular de 59% nos EUA.

O prazo final para um acordo definitivo é 30 de junho de 2015. Com ou sem acordo, há o risco de uma corrida armamentista nuclear no Oriente Médio. Outros candidatos a potências regionais, como a Arábia Saudita, o Egito e a Turquia não vão querer ficar atrás do Irã, que financia milícias xiitas no Iêmen, no Iraque, no Líbano e na Síria.

terça-feira, 3 de março de 2015

Obama: discurso de Netanyahu não propõe nada de novo

Em breve entrevista na Casa Branca, o presidente Barack Obama repudiou o discurso do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, convocando hoje o Congresso dos Estados Unidos, dominado pela oposição conservadora, a rejeitar um possível acordo negociado entre as cinco grandes potências do Conselho de Segurança das Nações Unidas, a Alemanha e o Irã para impedir que o programa nuclear iraniano faça armas atômicas.

"Não há nada de novo no discurso do primeiro-ministro Netanyahu, nenhuma proposta alternativa viável", declarou o presidente dos EUA. "A questão é como impedir o Irã de ter armas nucleares. Como vimos, as sanções econômicas não foram suficientes para parar o programa nuclear iraniano. Nem uma guerra seria melhor do que o nosso acordo. Se eles violarem o acordo, será muito mais fácil perceber se tivermos um regime de inspeções."

A duas semanas das eleições gerais em Israel, Netanyahu falou no Congresso dos EUA e acusou o acordo de "garantir que o Irã terá essas armas". Oficialmente, foi convidado pelo presidente da Câmara, o deputado republicano John Boehner, mas a imprensa israelense diz que a ideia partiu de Bibi, o apelo do primeiro-ministro.

Netanyahu acusou não só os EUA, mas a China, a Rússia, a França, o Reino Unido e a Alemanha de agir de maneira irresponsável, ameaçando a segurança internacional e a sobrevivência de Israel.

Em Genebra, na Suíça, onde chefia a delegação do Irã, o ministro do Exterior, Mohamed Javad Zarif, declarou à TV americana CNN que "o medo e o conflito não servem a ninguém" mas afirmou que o discurso não interfere nas negociações.

Ao defender posições mais duras no discurso, o primeiro-ministro linha-dura de Israel afirmou que o Irã, pressionado por sanções econômicas e a queda nos preços do petróleo, tem mais interesse num acordo do que as grandes potências. Seria mais suscetível a pressões.