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sexta-feira, 20 de março de 2026

Ataques à produção de petróleo e gás escalam guerra no Oriente Médio

Depois de 20 dias e mais de 15 mil ataques, a guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã sofre uma nova escalada com bombardeios a instalações de petróleo e gás capazes de causar impacto sobre a economia mundial muito além do fim das hostilidades. A Agência Internacional de Energia declarou que é a pior crise energética da história.

É uma guerra ilegal porque não havia uma ameaça iminente aos EUA e não foi autorizada pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas.

Mais de 3 mil pessoas morreram no Irã e mais de mil no Líbano, a segunda frente desta guerra, onde Israel enfrenta a milícia extremista xiita Hesbolá (Partido de Deus), financiada, treinada e armada pelo Irã. Mais de 70 pessoas morreram no Iraque e mais de 30 nas monarquias petroleiras do Golfo e 25 em Israel, além de 13 soldados norte-americanos.

Os EUA e Israel vencem militarmente, mas estão longe de atingir o principal objetivo político, derrubar a ditadura dos aiatolás e da Guarda Revolucionária. Se o regime sobreviver, ganhou politicamente.

Nos últimos dias, o presidente Donald Trump insultou aliados da Europa e o Japão por se negarem a garantir a segurança da navegação no Estreito de Ormuz, por onde passam 20% do petróleo consumido no mundo. Eles não foram consultados nem avisados. Não querem ser alvos fáceis em uma guerra que não apoiam.

Se o estreito ficar fechado por mais um mês, os preços do petróleo, que subiram mais de 80% neste ano, podem chegar a US$ 150 por barril ou até mais se o bloqueio iraniano se prolongar.

Uma derrota no Oriente Médio fatalmente levaria Trump a perder a maioria no Congresso nas eleições de 3 de novembro. Mau perdedor e enfraquecido, o presidente norte-americano pode abandonar a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), retomar sua guerra comercial e até mesmo iniciar novas guerras ou aventuras militares.

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sexta-feira, 17 de outubro de 2025

Hoje na História do Mundo: 17 de Outubro

AL CAPONE NA CADEIA

    Em 1931, o gângster Al Capone é sentenciado a 11 anos de prisão e multa de US$ 80 mil, no fim de uma carreira de crimes como o mafioso mais famoso da história dos Estados Unidos.

Filho de imigrantes italianos, Alphonse Gabriel Capone nasce no Brooklyn, em Nova York, em 1899. Expulso da escola aos 14 anos, entra para uma gangue e recebe o apelido de Scarface (Cicatriz na face) depois de sofrer um corte no queixo numa briga.

Em 1920, Capone se muda para Chicago, onde administra os negócios do mafioso Johnny Torrio, que incluem jogo, prostituição e contrabando de álcool durante a Lei Seca (1920-33). Quando Torrio deixa os negócios depois ser alvo de uma tentativa de homicídio, Capone toma conta a organização mafiosa.

A Lei Seca, que proíbe a fabricação, distribuição e venda de bebidas alcoólicas, cria um negócio clandestino que rende milhões de dólares de lucro para o crime organizado.

Ao eliminar seus adversários numa série de batalhas de gangues e assassinatos, entre eles o Massacre do Dia de São Valentin, em 14 de fevereiro de 1929, quando seus capangas matam sete rivais, Al Capone torna-se o poderoso chefão da máfia de Chicago.

Em 1930, Capone está no topo da lista de procurados pelo FBI (Federal Bureau of Investigation), a polícia federal dos EUA, mas consegue ficar livre por subornar policiais, intimidar testemunhas e mudar de esconderijo.

Seu maior inimigo é o policial federal Elliot Ness, líder de um grupo de agentes conhecidos como Intocáveis. Eles acabam com o negócio de bebidas alcoólicas do chefão, mas só conseguem uma condenação por evasão fiscal.

Al Capone começa a cumprir pena numa penitenciária federal de Atlanta, na Geórgia. Sob suspeita de manipular o sistema, é transferido para a prisão de segurança máxima da Ilha de Alcatraz, em São Francisco da Califórnia.

Ele é solto em 1939 por bom comportamento depois de ficar um ano num hospital com sífilis e morre em 1947 aos 48 anos em Palm Islands, na Flórida, sem pagar por todos os seus crimes.

PERÓN VOLTA NOS BRAÇOS DO POVO

    Em 1945, nove dias depois de ser demitido e preso num golpe militar, sob intensa pressão popular liderada pelos sindicatos, o vice-presidente e ministro do Trabalho, coronel Juan Domingo Perón, reassume os cargos e faz seu primeiro discurso na sacada da Casa Rosada, sede do governo da República Argentina, diante de 300 mil pessoas, com transmissão de rádio para todo o país, ao lado de sua segunda mulher, María Eva Duarte de Perón, a Evita.

É o Dia da Lealdade, marco fundador do movimento peronista. Quatro meses depois, em 24 de fevereiro de 1946, Perón é eleito com 52,5% dos votos para um mandato de seis anos. Reeleito em 11 de novembro de 1951 com 62% dos votos, quando as mulheres votam pela primeira vez na Argentina, tem o mandato interrompido por um golpe militar em 16 de setembro de 1955.

Perón vai para o exílio e só volta em 20 de junho de 1973 para ser eleito para um terceiro mandato em 23 de setembro, tendo como vice sua terceira mulher, María Estela Martínez de Perón, a Isabelita

Ele toma posse em 12 de outubro e governa até a morte, em 1º de julho de 1974. Deixa o país no caos, à beira da guerra civil, com uma presidente fraca, derrubada pelo golpe de 24 de março de 1976, marco do início da guerra suja da ditadura militar contra as esquerdas, em que morrem 30 mil argentinos .

OPEP EMBARGA PETRÓLEO

    Em 1973, sob a liderança da Arábia Saudita, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) decide parar de exportar petróleo para os Estados Unidos e outros países que apoiaram Israel na Guerra do Yom Kippur, deflagrando a primeira crise do petróleo.

A proposta é reduzir a venda em 5% ao mês até a retirada total dos territórios árabes ocupados por Israel na Guerra dos Seis Dias, em 1967: a Península do Sinai e a Faixa de Gaza, do Egito; a Cisjordânia, da Jordânia; e as Colinas do Golã, da Síria.

Em dezembro, a OPEP impõe um embargo total aos EUA e outros aliados de Israel, agravando a situação dos países dependentes do petróleo importado, inclusive o Brasil.

A OPEP é fundada em 1960 pela Arábia Saudita, o Irã, o Iraque, o Kuwait e a Venezuela para aumentar os preços do petróleo, mas tem pouca influência no preço, que fica entre 2 e 3 dólares por barril. Quando começa a Guerra do Yom Kippur, com uma invasão dos territórios ocupados por Israel no Egito e na Síria, a OPEP está reunida em Viena, na Áustria.

Os EUA, principais aliados de Israel, fazem então a maior ponte aérea militar da história. Entregam 22.325 toneladas de equipamento às forças israelenses no campo de batalha. O ditador do Egito, Anuar Sadat, desabafa: "Posso entrar em guerra contra Israel, mas não contra os EUA."

Com a vitória de Israel praticamente assegurada, os países árabes decidem usar o petróleo como arma de guerra. Em dezembro, impõem um embargo total aos EUA. Os preços do petróleo quadruplicam para US$ 12 por barril, causando escassez, racionamento e fila nos postos de gasolina.

Este aumento de preços viabiliza a exploração de petróleo no mar e a Petrobrás se torna uma das empresas mais eficientes na tecnologia de produção offshore

Mesmo assim, como o Brasil importa 75% do petróleo que consome, a crise do petróleo acaba com o modelo econômico da ditadura militar, com o milagre econômico que faz a economia do país crescer acima de 10% no início dos anos 1970, no período mais duro da repressão.

Em 1974, o ditador Ernesto Geisel anuncia a "distensão, lenta, gradual e segura", que leva ao fim do Ato Institucional nº 5 (AI-5) em 1978 e à anistia parcial em 1979.

A Revolução Islâmica no Irã, em fevereiro de 1979, gera uma segunda crise do petróleo. As sucessivas crises do petróleo estão na origem da hiperinflação brasileira, que só é debelada em 1994 com o Plano Real.

FORD EXPLICA PERDÃO A NIXON

    Em 1974, o presidente Gerald Ford justifica perante o Congresso a decisão de perdoar o ex-presidente Richard Nixon por quaisquer crimes cometidos no exercício da Presidência dos Estados Unidos.

Ao assumir a presidência em 9 de agosto de 1974, no dia da renúncia de Nixon, Ford declara que "o longo pesadelo nacional acabou". Fala do Escândalo de Watergate, uma invasão da sede do Partido Democrata em Washington pela equipe de encanadores da Casa Branca para instalar equipamentos de escuta durante a campanha eleitoral de 1972, que implicou o presidente e seus principais assessores.

Diante da iminência de um processo de impeachment por abuso de poder e obstrução de justiça, depois de perder o apoio do Partido Republicano quando gravações provam as tentativas de atrapalhar as investigações, Nixon renuncia, mas isso não acaba com os inquéritos abertos no Congresso, que podem resultar em processos criminais.

Ford é o único presidente não eleito numa chapa presidencial da história dos EUA. O vice-presidente Spiro Agnew havia renunciado em meio a escândalos de corrupção. Ford era o presidente da Câmara e, por isso, o primeiro na linha sucessória.

Um mês depois de assumir, em 8 de setembro, Ford perdoa Nixon. Ao se explicar, alega que é importante para pacificar o país e enterrar de vez Watergate, com o propósito de "mudar o foco nacional... para desviar nossa atenção de um presidente que caiu para as necessidades urgentes da nação".

"As paixões geradas" por um processo contra Nixon, acrescenta Ford, "perturbariam seriamente a cicatrização das feridas do passado".

O novo presidente afirma que, "em geral, o povo americano quer poupar o ex-presidente de um processo criminal" e que livrar Nixon "não vai causar o esquecimento do mal dos crimes cometidos em Watergate nem das lições que aprendemos."

TERREMOTO ABALA SÃO FRANCISCO

    Em 1989, o Terremoto de Loma Prieta, de 7,1 graus de magnitude na escala aberta de Richter, um dos mais destrutivos da história dos EUA, atinge a área da Baía de São Francisco, mata 67 pessoas e deixa prejuízos de US$ 5 bilhões.

São Francisco fica perto da Falha de Santo André, que corre ao longo da costa da Califórnia, no encontro das placas tectônicas do Pacífico e da América do Norte.

Uma das partidas das finais do campeonato nacional de beisebol dos EUA, entre San Francisco Giants e Oakland Athletics, está prestes a começar quando a terra treme, com epicentro nas Montanhas de Santa Cruz. O estádio de Candlestick Park resiste, mas o resto da cidade sofre.

Na Ponte da Baía, entre São Francisco e Oakland, e na Via Expressa Nimitz, uma pista desaba sobre a outra. Das 67 mortes, 41 ocorrem na Via Expressa Nimitz. A destruição também é grande em Watsonville, onde mais de 10% das casas são totalmente destruídas, Palo Alto e Daly City.

O terremoto contribui para a profunda recessão que atinge a Califórnia, uma das maiores economias do mundo, nos anos 1990. A cidade havia passado pelo Grande Terremoto de São Francisco, de 7,9 graus na escala Richter, em 18 de abril de 1906, quando mais de 3 mil pessoas morrem, 80% da cidade são arrasados e 225 mil ficam sem teto.

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quinta-feira, 2 de outubro de 2025

Hoje na História do Mundo: 2 de Outubro

DARWIN VOLTA À INGLATERRA

    Em 1836, o naturalista Charles Darwin chega a Falmouth, na Cornualha, no Sudoeste da Inglaterra, depois de cinco anos de viagem a bordo do navio Beagle em que coleta espécimens e faz observações que servem de base à sua Teoria da Evolução das Espécies através da seleção natural e da seleção sexual, que seria apresentada no livro A Origem das Espécies.

O objetivo da expedição é fazer um levantamento cartográfico da costa da América do Sul, inclusive a longitude do Rio de Janeiro. A viagem é retardada pelo mau tempo. Sob o comando do capitão Robert FitzRoy, o Beagle zarpa em 27 de dezembro de 1831. Passa pela Ilha da Madeira e as Ilhas Canárias. O diário começa no Arquipélago de Cabo Verde.

Da África, passa pelos Rochedos de São Pedro e Paulo e Fernando de Noronha. Chega ao Brasil em Salvador, onde fica maravilhado pela floresta tropical e chocado pela escravidão, abolida no Reino Unido em 1807 e no Império Britânico em 1834.

Durante toda a viagem, Darwin desce várias vezes na terra para mandar cartas e coleções para a Inglaterra. Ele explora a Patagônia com gaúchos e os vê laçando emas com boleadeiras. Encontra ossos gigantes de espécies extintas. Chega às Ilhas Malvinas em 1833, pouco depois de serem ocupadas pelos ingleses, causa da guerra de 1982.

Em 13 de agosto de 1833, Darwin conhece o general, caudilho e ditador argentino Juan Manuel de Rosas, governador da Província de Buenos Aires, que trava uma guerra de extermínio contra os índios da Patagônia, e fica indignado com brutalidade do que talvez seja o caudilho mais importante da história da América Latina.

O Beagle dá a volta pelo Sul do continente. No Chile, Darwin vai Valdívia, Concepción e Valparaíso, onde compra cavalos para chegar até Mendoza, na Argentina, na Cordilheira dos Andes. Depois, para em Lima e uma semana depois, em 15 de setembro de 1835, chega às Ilhas Galápagos, no Equador, onde se impressiona com as tartarugas-gigantes, que lhe parecem antediluvianas.

A expedição deixa Galápagos em 20 de outubro e segue rumo ao Taiti, à Austrália e à Nova Zelândia. Darwin está impactado com o contado com homens que considera selvagens, os fueguinos da Terra do Fogo e os maoris da Nova Zelândia, que vê como inferiores aos taitianos, vivendo em casas "sujas e imundas". Com uma visão imperialista, vê benefício nas fazendas dos colonos. Gosta mais da Austrália, onde chega em 12 de janeiro de 1836, especialmente da cidade de Sídnei.

Em Albany, na Austrália, o biólogo participa de uma dança aborígene, que descreve "uma cena rude e bárbara" com "tudo se movimentando numa harmonia horrível", mas gosta dos aborígenes, "bem-humorados" e "com espírito elevado".

O Beagle chega em 1º de abril de 1836 à Ilha dos Cocos, no Oceano Índico, que tem uma economia baseada no coco. Em 31 de maio, Darwin desembarca no Cabo da Boa Esperança, onde sabe por carta da irmã que suas cartas sobre a geologia da América do Sul foram publicadas.

Darwin deixa a Cidade do Cabo em 18 de junho, passa pela Ilha de Santa Helena, volta a Salvador e vai a Olinda e Recife, onde fica mais uma vez revoltado com a escravidão. Com ironia, "comemora" o fato de que o Brasil, um país escravocrata, seja o único país onde é maltratado.

Na etapa final da viagem, o Beagle sai de Pernambuco em 19 de agosto de 1836, reabastece no Arquipélago dos Açores e chega à Inglaterra em 2 de outubro.

FASCISTAS INVADEM ETIÓPIA

    Em 1935, o imperador Hailé Salassié ordena a mobilização do Exército diante de informações de que a Itália Fascista de Benito Mussolini está prestes a invadir a Etiópia. É o início da Segunda Guerra Ítalo-Etíope.

A Etiópia é um dos poucos países independentes em uma África dominada pelo imperialismo europeu em 1934. Um incidente na fronteira com a Somália, colonizada pela Itália, serve de pretexto para a invasão fascista em 3 de outubro de 1935.

Sob o comando de Emilio de Bono, depois substituído pelos generais Rodolfo Graziani e Pietro Badoglio, os italianos vencem o mal equipado e mal treinado Exército da Etiópia, mas enfrentam uma resistência feroz e usam armas químicas. Conseguem uma vitória decisiva no Lago Achangui, em 9 de abril de 1936 e tomam Adis Abeba em 5 de maio.

Hailé Salassié foge para o exílio e viaja pelo mundo pedindo apoio à independência de seu país, o que o torna num herói africano cultuado, por exemplo, pelos rastafarianos da Jamaica, apesar de ser um ditador cruel e sanguinário. Sua pregação inspira movimentos nacionalistas que lutam pela independência da África depois da Segunda Guerra Mundial (1939-45).

A pedido da Etiópia, a Liga das Nações condena a invasão e aprova sanções contra a Itália que se mostram totalmente inócuas. A conquista da Etiópia pela itália, as invasões da Manchúria e da China pelo Japão e a anexação da Áustria e da Tcheco-Eslováquia pela Alemanha Nazista são exemplos do fracasso da Liga, de como não consegue evitar a Segunda Guerra Mundial.

FIM DO LEVANTE DE VARSÓVIA

    Em 1944, os últimos rebeldes poloneses se rendem à Alemanha Nazista, que ocupa a Polônia desde o início da Segunda Guerra Mundial (1939-45).

Dois meses antes, sabendo do avanço do Exército Vermelho, que está derrotando as forças nazistas na frente oriental, a resistência polonesa inicia uma rebelião. 

O Levante de Varsóvia começa em 1º de agosto e dura 63 dias. Durante pelo menos 40 dias, a resistência domina a situação. É a maior empreitada militar de uma resistência na Europa durante a Segunda Guerra Mundial. 

O Exército Vermelho estaciona a 10 quilômetros do centro da capital polonesa e não intervém a favor dos rebeldes. Stalin quer o controle absoluto do território conquistado, sem dividir com a resistência.

PRIMEIRO NEGRO NA SUPREMA CORTE

    Em 1967, o presidente da Suprema Corte dos Estados Unidos, Earl Warren, dá posse a Thurgood Marshall, primeiro juiz negro do supremo tribunal norte-americano.

Como chefe da assessoria jurídica da Associação Nacional para o Avanço das Pessoas de Cor (NAACP), Marshall defende mais de uma dúzia de causas na Suprema Corte contestando a discriminação racial, especialmente nas escolas. É um dos arquitetos da legislação que acaba com a discriminação legal nos EUA nos anos 1960s.

MORRE TOM PETTY

    Em 2017, o cantor e compositor de rock Tom Petty morre aos 66 anos em Santa Mônica, na Califórnia, de uma overdose involuntária por mistura de opioides, sedativos e antidepressivos, entre eles provavelmente fentanil, a droga que mais mata hoje nos Estados Unidos.

Thomas Earl Petty nasce em Gainesville, na Flórida, em 20 de outubro de 1950. Aos 10 anos, um tio o apresenta a Elvis Presley durante uma filmagem na Flórida. Dois anos depois, começa a tocar guitarra. Ele larga a escola no ensino médio para viajar com sua banda Mudcrutch.

Quando chega a Los Angeles, a banda se dissolve. Surgem Tom Petty and the Heartbreakers, que lançam um álbum do mesmo nome em 1976, sem grande sucesso nos Estados Unidos. Mas a música Breakdown estoura no Reino Unido.

Em 1986, os Heartbrakers tocam na turnê de Bob Dylan. Tom Petty, Dylan, o ex-beatle George Harrison, Roy Orbison e Jeff Lynne formam o supergrupo Traveling Wilburys, que ganha um Prêmio Grammy em 1989. Ele lança dois álbuns solo de grande sucesso, Full Moon Fever Wildflowers (1994), que vendeu milhões de cópias.

O divórcio de sua mulher de mais de 20 anos, em 1966, é um grande abalo psicológico. Tom Petty começa a usar heroína. Nesta época, ele lança seu álbum mais intimista, Echo (1999). Petty casa de novo em 2001, com show de Little Richard no casamento. Em 2002, Tom Petty and the Heartbreaks entram para o Rock and Roll Hall of Fame.

Outro marco da carreira com os Heartbreakers é fazer o show do intervalo do Super Bowl, a final do campeonato nacional de futebol norte-americano, a maior audiência da televisão nos EUA

Em outubro de 2017, quando os Heartbreakers festejam 40 anos, Tom Petty morre. Tem uma parada cardíaca total por overdose involuntária com uma mistura de opioides, sedativos e antidepressivos, provavelmente fentanil, a droga que matou 72 mil norte-americanos num ano.

 

JAMAL KHASHOGGI ESQUARTEJADO

   Em 2018, o jornalista saudita residente nos Estados Unidos Jamal Khashoggi entra no Consulado da Arábia Saudita em Istambul, na Turquia, para pegar um documento que precisa para se casar. É torturado, esquartejado e morto, ao que tudo indica por seguranças do príncipe herdeiro Mohamed ben Salman, o homem-forte da ditadura teocrática do país.

O corpo nunca é encontrado. Uma tropa de choque saudita chega a Istambul para cometer o crime e volta para a Arábia Saudita no mesmo dia.

A morte de Khashoggi provoca uma reação internacional que isola a monarquia saudita num primeiro momento. O então presidente norte-americano Donald Trump, que fez sua primeira viagem ao exterior como presidente à Arábia Saudita, declara acreditar que o príncipe herdeiro é inocente. 

O presidente Joe Biden inicialmente trata MbS como um pária. Com a Guerra da Ucrânia e a crise energética causada pelas sanções econômicas à Rússia, tenta negociar com o príncipe saudita um aumento na produção de petróleo. MbS opta por se associar a Moscou para aumentar os preços, que rondam os US$ 100 por barril. 

terça-feira, 23 de setembro de 2025

Hoje na História do Mundo: 23 de Setembro

 DESCOBERTA DE NETUNO

    Em 1846, o astrônomo Johann Gottfried Galle é o primeiro ser humano a observar o planeta Netuno, cuja existência havia sido matematicamente prevista por Urban-Jean-Joseph Le Verrier e John Couch Adams.


O planeta é batizado com o nome do deus romano do mar, Netuno (Poseidon na mitologia grega), filho de Cronos, o Tempo (Saturno para os romanos), e irmão de Zeus, Júpiter na mitologia romana. Júpiter, deus do céu e da terra, Netuno, rei dos mares, e Plutão, o deus dos infernos, governam o mundo.

Netuno é o oitavo e último planeta do Sistema Solar desde que Plutão foi rebaixado a planeta-anão. Está a 4,5 bilhões de quilômetros do Sol. Com 50 mil km de diâmetro, é um dos quatro planetas-gigantes, ao lado de Júpiter, Saturno e Urano. Com densidade 25% maior, tem mais massa do que Urano. Tem 14 luas, mas só duas são conhecidas antes da missão da Voyager 2, em 1989.

É mais um planeta azul, formado principalmente por hidrogênio, hélio, água e compostos voláteis. Não tem superfície sólida. O calor que vem do interior deixa a temperatura um pouco mais alta do que em Urano. Talvez seja responsável fenômenos atmosféricos. Os ventos de Netuno são os mais velozes do Sistema Solar. Por causa da distância, só pode ser observado por telescópio.

A órbita de Netuno é um círculo quase perfeito. Assim, a distância em relação ao Sol praticamente não varia ao longo da revolução em torno do Sol, que leva quase 164 anos.

BILLY THE KID PRESO

    Em 1875, Billy the Kid, um dos mais famosos pistoleiros do Faroeste dos Estados Unidos, é preso pela primeira vez, por furtar roupas de uma lavanderia.

Ele foge da cadeia e vira uma lenda no Velho Oeste, onde ganha a reputação de marginal e assassino, acusado por 21 homicídios.

William Henry McCarty nasce por volta de 1860 em Indiana ou Nova York. Não se sabe ao certo nem quando nem onde. Ele não se relaciona com o pai. Mora com a mãe em Indiana, no Kansas, no Colorado e no Novo México.

Depois de morte da mãe, em 1864, começa uma vida de crimes que termina em 14 de julho de 1881, quando o xerife Pat Garrett o mata em Forte Summer, no Novo México.

REINO DA ARÁBIA SAUDITA

    Em 1932, por decreto real do sultão Abdulaziz ben Abdul Rahman, os reinos de Hejaz e Nadj e dependências se unem para formar o Reino da Arábia Saudita.

A região de Hejaz, no Oeste do país, ao longo do Mar Vermelho, é o berço do Islã. É onde ficam as cidades sagradas de Meca e Medina. A Hégira, a fuga de Maomé de Meca para Medina, em 622, é o marco de fundação do islamismo. Essas duas cidades são as mais importantes da religião muçulmana.

Do outro lado do país, no Leste, ao longo do Golfo Pérsico, estão os campos de petróleo que fazem da Arábia Saudita o segundo maior produtor mundial e o maior exportador de petróleo.

A Dinastia Saud tem uma ligação histórica com o wahabismo, uma versão puritana e ultraconservadora do Islã dominante na Arábia Saudita. Com a riqueza do petróleo, a partir dos anos 1970, os sauditas exportam sua ideologia, que serve de base o jihadismo sunita d'al Caeda e do Estado Islâmico.

O regime é feudal. Não há Constituição escrita. A família real manda em tudo. A religião tem um papel importante no controle social. Há uma polícia religiosa.

Hoje, o país é governado pelo príncipe herdeiro Mohamed ben Salman, acusado de mandar esquartejar o jornalista saudita Jamal Khashoggi, que morava em Washington, no Consulado Saudita em Istambul, na Turquia, em 2 de outubro de 2018. 

É o homem que quer modernizar o país. Deixou as mulheres dirigir, mas aumentou a repressão contra as mulheres. Está investindo uma fortuna no futebol, atraindo craques como Cristiano Ronaldo e Neymar. Se suceder o pai, será o primeiro rei saudita que não é filho de Abdulaziz. 

MORTE DE FREUD

    Em 1939, morre em Londres o Dr. Sigmund Freud, neuropsiquiatra, fundador da psicanálise, um dos pensadores mais influentes do século 20.

Filho do segundo casamento de Jakob, um comerciante judeu, Freud nasce em 6 de maio de 1856 em Freiburgo, na Morávia, na época parte do Império Austro-Húngaro, hoje território da República Tcheca.

Em 1859, por razões econômicas, a família se muda para Leipzig e no ano seguinte para Viena, onde Freud vive por 78 anos até fugir da anexação da Áustria pela Alemanha Nazista, em 1938. Não gosta do antissemitismo da capital imperial, mas reconhece a importância política, histórica e cultural.

Sob a inspiração de uma leitura pública de um texto do escritor alemão Wolfgang Goethe, Freud estuda medicina na Universidade de Viena e, em 1882, faz residência no Hospital Geral de Viena. Em 1885, é nomeado professor assistente de neuropatologia. 

Nesta época, se interessa pelos efeitos farmacológicos da cocaína, mas as experiências fracassam.

Seu Projeto para uma Psicologia Científica, texto de 1895, mostra a intenção de encontrar bases fisiológicas e materiais para suas teorias da mente. A obra de Freud inclui teorias da mente humana, uma terapia para tratar os problemas mentais, e uma interpretação da cultura e da sociedade. Em 1896, cria o termo psicanálise.

Freud se associa ao Dr. Josef Breuer, que ao tratar de um caso de histeria, em vez de usar a hipnose, deixa a paciente falar livremente para tentar extrair algo útil ao diagnóstico e percebe que o simples ato de falar dava um certo alívio à paciente. Um ato catártico gera uma descarga e afrouxa os bloqueios emocionais que estão na raiz do comportamento patológico.

Só dez anos depois, ao examinar a livre associação de ideias, Freud se dá conta da importância de estimular esse fluxo do pensamento para tentar chegar às raízes inconscientes dos distúrbios mentais.

Com base em sua experiência clínica no tratamento da histeria, Freud conclui que os sentimentos recalcados têm natureza sexual. Trazer estes conflitos internos à consciência através da livre associação de ideias é a maneira de aliviar os sintomas, vistos como uma reação adaptativa do paciente à repressão dos desejos diante da realidade.

Em julho de 1897, Freud começa a desenvolver outro método: a interpretação dos sonhos, que considera "a estrada real para o conhecimento do inconsciente". O livro A Interpretação dos Sonhos, publicado em 1899, é uma de suas obras-primas. 

A partir de 1902, começa a se reunir na antessala do consultório de Freud o grupo que depois forma a Sociedade Psicanalística de Viena, com Carl Gustav Jung, Otto Rank, Ernest Jones, Alfred Adler, entre outros.

Em 1904, Freud lança Psicopatologia da Vida Cotidiana, uma exame sobre como erros comuns, esquecimentos, trocas de nome, geralmente têm um significado mais profundo. No ano seguinte, publica um ensaio sobre as relações do riso com o inconsciente.

Mas são os estudos de sexologia que dão projeção a Freud e provocam as reações mais fortes, como a existência de uma sexualidade infantil desde o nascimento, a começar pela fase oral, quando o bebê mama nos seios da mãe. Daí vem o conceito do Complexo de Édipo, o personagem do escritor grego Sófocles que mata o pai. A criança gostaria de se livrar do pai para ficar com a mãe só para ela.

Na teoria freudiana, a mente humana é formada pelo id, o substrato instintivo da psique, onde estão os desejos, os instintos de vida e de morte; o ego é a parte consciente, responsável por interpretar a realidade, a memória, as emoções e as percepções, pelas relações do indivíduo com o ambiente; o superego é o princípio do dever, desenvolvido a partir de 5 ou 6 anos, quando a criança começa a internalizar as normas e as obrigações sociais e aprende a se autorreprimir.

Freud também escreveu sobre cultura, a civilização e a religião. Considera Deus uma criação mítica com a sensação de fragilidade e desamparo das crianças em busca de um protetor onipotente. Civilização e seus Descontes, escrito durante a ascensão do nazifascismo na Europa e do início de sua luta contra um câncer na garganta, é um livro declaradamente pessimista, que vê a repressão como elemento central da civilização.

Em Eros e Civilização: una interpretação filosófica do pensamento de Freud, tendo observado os movimentos jovens dos anos 1960, o filósofo marxista Herbert Marcuse argumenta, reexaminando a obra de Freud, que é possível criar uma civilização não repressiva, uma sociedade não alienada, um princípio da realidade que não esteja em conflito permanente com o princípio do prazer.

TERCEIRA ELEIÇÃO DE PERÓN

    Em 1973, 18 anos depois de ser deposto por um golpe militar e fugido da Argentina e três meses depois de voltar ao país, com 62% dos votos, aos 67 anos, o general e líder populista Juan Domingo Perón é eleito presidente pela terceira vez, com sua terceira mulher, María Estela Martínez de Perón, a Isabelita, como vice-presidente.

O caos que tomava conta da Argentina ficou evidente Batalha de Ezeiza, quando grupos armados da direita e da esquerda peronistas se enfrentaram no aeroporto internacional de Buenos Aires, com 13 mortes, no dia da chegada do caudilho, 20 de junho de 1973.

No peronismo, cabiam correntes ideológicas da Aliança Anticomunista Argentina (AAA), a temida Triple A, de extrema direita, aos Montoneros, um grupo guerrilheiro de extrema esquerda.

Perón morre em 1º de julho de 1974 e Isabelita o sucede. Mas ela não era nem de longe a carismática María Eva Duarte de Perón, a Evita, segunda mulher do caudilho, que não foi candidata a vice na primeira reeleição, em 1951, por pressão dos militares e conservadores.

Outro golpe militar depõe Isabelita em 24 de março de 1976, início da ditadura mais sangrenta da história recente argentina, com total de mortes na guerra suja estimado em 30 mil, que só acaba 1983, depois da humilhante derrota para o Reino Unido na Guerra das Malvinas (1982).

quarta-feira, 25 de junho de 2025

Hoje na História do Mundo: 25 de Junho

 MAIOR VITÓRIA INDÍGENA 

    Em 1876, as tribos Sioux lideradas por Touro Sentado e Cavalo Doido vencem o 7º Regimento de Cavalaria do Exército dos Estados Unidos, comandado pelo coronel George Custer, perto do Rio Little Big Horn, no Sul do estado de Montana.

Depois da descoberta de ouro em Dakota do Sul, o Exército dos EUA entra na região, ignorando os tratados vigentes. Muitos sioux e cheyennes abandonam as reservas e se juntam a Touro Sentado e Cavalo Doido em Montana.

Na primavera de 1876, há 10 mil índios acampados junto ao Rio Little Big Horn, desafiando ordens do governo norte-americano de voltar para suas reservas. Três colunas do Exército são enviadas para atacar os indígenas. Em 17 de junho, 1,2 mil nativos rechaçam a primeira ofensiva do Exército.

Cinco dias depois, o general Alfred Terry manda o coronel Custer e o 7º Regimento da Cavalaria. Na manhã de 25 de junho, Custer chega perto do acampamento e decide atacar, sem esperar os reforços que estão a caminho. Ao meio-dia, Custer entra no Vale de Little Big Horn com 600 homens. Os índios logo percebem o ataque.

Enquanto Touro Sentado, mais velho, organiza a retaguarda para proteger mulheres e crianças, Cavalo Doido parte para um contra-ataque frontal. Custer e um batalhão de 200 homens enfrentam 3 mil indígenas. Em um hora, o coronel e todos os seus soldados morrem.

A Batalha de Little Big Horn é a maior vitória dos índios e a maior derrota do Exército nas guerras indígenas dos EUA. A morte de Custer e seus homens reforça a imagem de "selvagens" dos nativos.

Cinco anos depois, quase todos os cheyennes e sioux estão confinados em reservas. Em 29 de dezembro de 1890, eles são massacrados num acampamento junto ao Riacho de Wounded Knee, no estado de Dakota do Sul. Pelo menos 150 homens, mulheres e crianças indígenas morrem.

ZEBRA NA COPA DE 1950

    Em 1950, um time de amadores dos Estados Unidos derrota a Inglaterra por 1-0 em Belo Horizonte na primeira Copa do Mundo no Brasil, numa das maiores zebras da história do futebol. Os ingleses se consideram os reis do futebol e disputam sua primeira Copa do Mundo.

O gol é marcado por Joe Gaetjens, nascido no Haiti. Mais tarde, ele volta à sua terra natal e desaparece durante a ditadura de François Duvalier, o Papa Doc (1957-71).

INÍCIO DA GUERRA DA COREIA

     Em 1950, a Coreia do Norte invade a Coreia do Sul no começo da Guerra da Coreia.


Os Estados Unidos e aliados reagem e entram na guerra com um mandato do Conselho de Segurança das Nações Unidas para reunificar a Península Coreana. A União Soviética, que criara a Coreia do Norte, não veta. Está boicotando a ONU por causa da não admissão da República Popular a China.

Os EUA repelem a invasão norte-coreana e invadem a Coreia do Norte, levando o 4º Exército da China, comandado por Lin Piao, a entrar na guerra, em outubro de 1950, e a empurrar as forças americanas e aliadas de volta para o Sul, restaurando a situação anterior ao conflito armado. A partir daí, há um equilíbrio de forças, um impasse, até o fim dos combates, em 27 de julho de 1953.

Dentro da Guerra da Coreia, há uma guerra entre EUA e China. A China ganha, ao atingir seu objetivo político de restaurar o status quo pré-guerra, evitando a presença de um aliado dos EUA junto à sua fronteira. Os dois países nunca mais entram em guerra. 

Agora que a China também se torna uma superpotência e disputa a supremacia mundial, o risco de conflito aumenta. O maior desafio das relações internacionais nos próximos anos e décadas será acomodar a ascensão da China e o declínio relativo dos EUA. 

Cerca de 5 milhões de pessoas morrem na Guerra da Coreia. Até hoje, não há um acordo de paz definitivo. Os EUA mantêm 28,5 mil soldados na Coreia do Sul e, desde 2006, a Coreia do Norte possui armas nucleares. O presidente Donald Trump tenta um diálogo direto com o ditador Kim Jong Un, sem sucesso. O atual ditador é neto do Grande Líder Kim Il Sung, que começou a guerra.

TERROR NA ARÁBIA SAUDITA

    Em 1996, um atentado terrorista com um caminhão-bomba carregado com 11 toneladas de explosivos atinge as Torres Khobar, um complexo habitacional de soldados da Força Aérea dos Estados Unidos em Darã, na Arábia Saudita, matando 19 militares e ferindo outros 498.


É a pior ação terrorista contra militares norte-americanos desde o ataque com caminhão-bomba contra o quartel-general dos fuzileiros navais em Beirute, no Líbano, que matou 241 soldados em 23 de outubro de 1983.

Os EUA acusam a milícia fundamentalista xiita libanesa Hesbolá, apoiada pelo Irã, pelo ataque às Torres Khobar. Em julho de 2020, a Justiça norte-americana condena o Irã a pagar US$ 879 milhões, R$ 4,2 bilhões pelo câmbio atual sem correção monetária, de indenização aos sobreviventes.

SENTENCIADO ASSASSINO DE FLOYD

    Em 2021, a Justiça dos Estados Unidos sentencia o ex-policial branco Derek Chauvin a 22 anos e meio de prisão pelo assassinato do segurança negro George Floyd, em Mineápolis, em 25 de maio de 2020.


Durante 9 minutos e 25 segundos, o policial pressiona o pescoço de Floyd, algemado e caído de bruços no chão, enquanto a vítima reclama: "Eu não consigo respirar."

As imagens feitas por uma menor de idade correm o mundo e causam uma onda de protestos contra o racismo e a violência policial em dezenas de países do mundo inteiro. Ao proferir a sentença, o juiz Peter Cahill considera agravantes a "grande crueldade" de Chauvin e a presença de menores assistindo a tudo. 

terça-feira, 13 de maio de 2025

Trump vai à Arábia em busca de negócios e novo Oriente Médio

Na primeira viagem ao exterior desde que voltou à Presidência dos Estados Unidos, Donald Trump faz uma viagem de quatro dias a três ricas monarquias petroleiras do Golfo Pérsico em busca de acordos e promessas de investimentos de US$ 1 trilhão, além de um Boeing 747 no valor de US$ 400 milhões de presente. Quer criar um novo Oriente Médio aproximando países árabes aliados de Israel e fazendo um novo acordo nuclear com o Irã. Mas os negócios públicos e privados se misturam numa promiscuidade corrupta.

Como no primeiro governo, Trump escolheu fazer a primeira visita à Arábia Saudita e não a tradicionais aliados dos EUA. Ele não tem uma visão estratégica. Quer fazer negócios e atrair investimentos para apresentar como vitórias ao povo norte-americano. Não vai a Israel. Está irritado com o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, que retomou a guerra contra o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) por conveniência política interna.

A libertação de um refém israelense-norte-americano foi um tapa na cara de Bibi Netanyahu e sua estratégia de guerra sem fim. O Hamas está convencido de que só Trump tem força para obrigar Israel a fazer um acordo. Trump gostaria de anunciar um cessar-fogo definitivo durante a viagem.

Sob pressão dos ditadores da Arábia Saudita e da Turquia, Trump anunciou o fim das sanções dos EUA à Síria, uma grande mudança política em apoio ao líder jihadista que derrubou a ditadura de Bachar Assad. É uma oportunidade para Israel, mas depende da criação de um país para o povo palestino.

quinta-feira, 17 de outubro de 2024

Hoje na História do Mundo: 17 de Outubro

 AL CAPONE NA CADEIA

    Em 1931, o gângster Al Capone é sentenciado a 11 anos de prisão e multa de US$ 80 mil, no fim de uma carreira de crimes como o mafioso mais famoso da história dos Estados Unidos.

Filho de imigrantes italianos, Alphonse Gabriel Capone nasce no Brooklyn, em Nova York, em 1899. Expulso da escola aos 14 anos, entra para uma gangue e recebe o apelido de Scarface (Cicatriz na face) depois de sofrer um corte no queixo numa briga.

Em 1920, Capone se muda para Chicago, onde administra os negócios do mafioso Johnny Torrio, que incluem jogo, prostituição e contrabando de álcool durante a Lei Seca (1920-33). Quando Torrio deixa os negócios depois ser alvo de uma tentativa de homicídio, Capone toma conta a organização mafiosa.

A Lei Seca, que proíbe a fabricação, distribuição e venda de bebidas alcoólicas, cria um negócio clandestino que rende milhões de dólares de lucro para o crime organizado.

Ao eliminar seus adversários numa série de batalhas de gangues e assassinatos, entre eles o Massacre do Dia de São Valentin, em 14 de fevereiro de 1929, quando seus capangas matam sete rivais, Al Capone torna-se o poderoso chefão da máfia de Chicago.

Em 1930, Capone está no topo da lista de procurados pelo FBI (Federal Bureau of Investigation), a polícia federal dos EUA, mas consegue ficar livre por subornar policiais, intimidar testemunhas e mudar de esconderijo.

Seu maior inimigo é o policial federal Elliot Ness, líder de um grupo de agentes conhecidos como Intocáveis. Eles acabam com o negócio de bebidas alcoólicas do chefão, mas só conseguem uma condenação por evasão fiscal.

Al Capone começa a cumprir pena numa penitenciária federal de Atlanta, na Geórgia. Sob suspeita de manipular o sistema, é transferido para a prisão de segurança máxima da Ilha de Alcatraz, em São Francisco da Califórnia.

Ele é solto em 1939 por bom comportamento depois de ficar um ano num hospital com sífilis e morre em 1947 aos 48 anos em Palm Islands, na Flórida, sem pagar por todos os seus crimes.

PERÓN VOLTA NOS BRAÇOS DO POVO

    Em 1945, nove dias depois de ser demitido e preso num golpe militar, sob intensa pressão popular liderada pelos sindicatos, o vice-presidente e ministro do Trabalho, coronel Juan Domingo Perón, reassume os cargos e faz seu primeiro discurso na sacada da Casa Rosada, sede do governo da República Argentina, diante de 300 mil pessoas, com transmissão de rádio para todo o país, ao lado de sua segunda mulher, María Eva Duarte de Perón, a Evita.

É o Dia da Lealdade, marco inicial do movimento peronista. Quatro meses depois, em 24 de fevereiro de 1946, Perón é eleito com 52,5% dos votos para um mandato de seis anos. Reeleito em 11 de novembro de 1951 com 62% dos votos, quando as mulheres votam pela primeira vez na Argentina, tem o mandato interrompido por um golpe militar em 16 de setembro de 1955.

Perón vai para o exílio e só volta em 20 de junho de 1973 para ser eleito para um terceiro mandato em 23 de setembro, tendo como vice sua terceira mulher, María Estela Martínez de Perón, a Isabelita. Ele toma posse em 12 de outubro e governa até a morte, em 1º de julho de 1974. Deixa o país no caos, à beira da guerra civil, com uma presidente fraca, derrubada pelo golpe de 24 de março de 1976, marco do início da guerra suja da ditadura militar contra as esquerdas, em que morrem 30 mil argentinos .

OPEP EMBARGA PETRÓLEO

    Em 1973, sob a liderança da Arábia Saudita, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) decide parar de exportar petróleo para os Estados Unidos e outros países que apoiaram Israel na Guerra do Yom Kippur, deflagrando a primeira crise do petróleo.

A proposta é reduzir a venda em 5% ao mês até a retirada total dos territórios árabes ocupados por Israel na Guerra dos Seis Dias, em 1967: a Península do Sinai e a Faixa de Gaza, do Egito; a Cisjordânia, da Jordânia; e as Colinas do Golã, da Síria.

Em dezembro, a OPEP impõe um embargo total aos EUA e outros aliados de Israel, agravando a situação dos países dependentes do petróleo importado, inclusive o Brasil.

A OPEP é fundada em 1960 pela Arábia Saudita, o Irã, o Iraque, o Kuwait e a Venezuela para aumentar os preços do petróleo, mas tem pouca influência no preço, que fica entre 2 e 3 dólares por barril. Quando começa a Guerra do Yom Kippur, com uma invasão dos territórios ocupados por Israel no Egito e na Síria, a OPEP está reunida em Viena, na Áustria.

Os EUA, principais aliados de Israel, fazem então a maior ponte aérea militar da história. Entregam 22.325 toneladas de equipamento às forças israelenses no campo de batalha. O ditador do Egito, Anuar Sadat, protesta: "Posso entrar em guerra contra Israel, mas não contra os EUA."

Com a vitória de Israel praticamente assegurada, os países árabes decidem usar o petróleo como arma de guerra. Em dezembro, impõem um embargo total aos EUA. Os preços do petróleo quadruplicam para US$ 12 por barril, causando escassez, racionamento e fila nos postos de gasolina.

Este aumento de preços viabiliza a exploração de petróleo no mar e a Petrobrás se torna uma das empresas mais eficientes na tecnologia de produção offshore

Mesmo assim, como o Brasil importa 75% do petróleo que consome, a crise do petróleo acaba com o modelo econômico da ditadura militar, com o milagre econômico que faz a economia do país crescer acima de 10% no início dos anos 1970, no período mais duro da repressão.

Em 1974, o ditador Ernesto Geisel anuncia a "distensão, lenta, gradual e segura", que leva ao fim do Ato Institucional nº 5 (AI-5) em 1978 e à anistia parcial em 1979.

A Revolução Islâmica no Irã, em fevereiro de 1979, gera uma segunda crise do petróleo. As sucessivas crises do petróleo estão na origem da hiperinflação brasileira, que só é debelada em 1994 com o Plano Real.

FORD EXPLICA PERDÃO A NIXON

    Em 1974, o presidente Gerald Ford justifica perante o Congresso a decisão de perdoar o ex-presidente Richard Nixon por quaisquer crimes cometidos no exercício da Presidência dos Estados Unidos.

Ao assumir a presidência em 9 de agosto de 1974, no dia da renúncia de Nixon, Ford declara que "o longo pesadelo nacional acabou". Fala do Escândalo de Watergate, uma invasão da sede do Partido Democrata em Washington pela equipe de encanadores da Casa Branca para instalar equipamentos de escuta durante a campanha eleitoral de 1972, que implicou o presidente e seus principais assessores.

Diante da iminência de um processo de impeachment por abuso de poder e obstrução de justiça, depois de perder o apoio do Partido Republicano quando gravações provam as tentativas de atrapalhar as investigações, Nixon renuncia, mas isso não acaba com os inquéritos abertos no Congresso, que podem resultar em processos criminais.

Ford é o único presidente não eleito da história dos EUA. O vice-presidente Spiro Agnew havia renunciado em meio a escândalos de corrupção. Ford é o presidente da Câmara e, por isso, o primeiro na linha sucessória.

Um mês depois de assumir, em 8 de setembro, Ford perdoa Nixon. Ao se explicar, alega que é importante para pacificar o país e enterrar de vez Watergate, com o propósito de "mudar o foco nacional... para desviar nossa atenção de um presidente que caiu para as necessidades urgentes da nação".

"As paixões geradas" por um processo contra Nixon, acrescenta Ford, "perturbariam seriamente a cicatrização das feridas do passado".

O novo presidente afirma que, "em geral, o povo americano quer poupar o ex-presidente de um processo criminal" e que livrar Nixon "não vai causar o esquecimento do mal dos crimes cometidos em Watergate nem das lições que aprendemos."

TERREMOTO ABALA SÃO FRANCISCO

    Em 1989, o Terremoto de Loma Prieta, de 7,1 graus de magnitude na escala aberta de Richter, um dos mais destrutivos da história dos EUA, atinge a área da Baía de São Francisco, mata 67 pessoas e deixa prejuízos de US$ 5 bilhões.

São Francisco fica perto da Falha de Santo André, que corre ao longo da costa da Califórnia, no encontro das placas tectônicas do Pacífico e da América do Norte.

Uma das partidas das finais do campeonato nacional de beisebol dos EUA, entre San Francisco Giants e Oakland Athletics, está prestes a começar quando a terra treme, com epicentro nas Montanhas de Santa Cruz. O estádio de Candlestick Park resiste, mas o resto da cidade sofre.

Na Ponte da Baía, entre São Francisco e Oakland, e na Via Expressa Nimitz, uma pista desaba sobre a outra. Das 67 mortes, 41 ocorrem na Via Expressa Nimitz. A destruição também é grande em Watsonville, onde mais de 10% das casas foram totalmente destruídas, Palo Alto e Daly City.

O terremoto contribui para a profunda recessão que atinge a Califórnia, uma das maiores economias do mundo, nos anos 1990. A cidade havia passado pelo Grande Terremoto de São Francisco, de 7,9 graus na escala Richter, em 18 de abril de 1906, quando mais de 3 mil pessoas morrem, 80% da cidade são arrasados e 225 mil ficam sem teto.