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quinta-feira, 2 de outubro de 2025

Hoje na História do Mundo: 2 de Outubro

DARWIN VOLTA À INGLATERRA

    Em 1836, o naturalista Charles Darwin chega a Falmouth, na Cornualha, no Sudoeste da Inglaterra, depois de cinco anos de viagem a bordo do navio Beagle em que coleta espécimens e faz observações que servem de base à sua Teoria da Evolução das Espécies através da seleção natural e da seleção sexual, que seria apresentada no livro A Origem das Espécies.

O objetivo da expedição é fazer um levantamento cartográfico da costa da América do Sul, inclusive a longitude do Rio de Janeiro. A viagem é retardada pelo mau tempo. Sob o comando do capitão Robert FitzRoy, o Beagle zarpa em 27 de dezembro de 1831. Passa pela Ilha da Madeira e as Ilhas Canárias. O diário começa no Arquipélago de Cabo Verde.

Da África, passa pelos Rochedos de São Pedro e Paulo e Fernando de Noronha. Chega ao Brasil em Salvador, onde fica maravilhado pela floresta tropical e chocado pela escravidão, abolida no Reino Unido em 1807 e no Império Britânico em 1834.

Durante toda a viagem, Darwin desce várias vezes na terra para mandar cartas e coleções para a Inglaterra. Ele explora a Patagônia com gaúchos e os vê laçando emas com boleadeiras. Encontra ossos gigantes de espécies extintas. Chega às Ilhas Malvinas em 1833, pouco depois de serem ocupadas pelos ingleses, causa da guerra de 1982.

Em 13 de agosto de 1833, Darwin conhece o general, caudilho e ditador argentino Juan Manuel de Rosas, governador da Província de Buenos Aires, que trava uma guerra de extermínio contra os índios da Patagônia, e fica indignado com brutalidade do que talvez seja o caudilho mais importante da história da América Latina.

O Beagle dá a volta pelo Sul do continente. No Chile, Darwin vai Valdívia, Concepción e Valparaíso, onde compra cavalos para chegar até Mendoza, na Argentina, na Cordilheira dos Andes. Depois, para em Lima e uma semana depois, em 15 de setembro de 1835, chega às Ilhas Galápagos, no Equador, onde se impressiona com as tartarugas-gigantes, que lhe parecem antediluvianas.

A expedição deixa Galápagos em 20 de outubro e segue rumo ao Taiti, à Austrália e à Nova Zelândia. Darwin está impactado com o contado com homens que considera selvagens, os fueguinos da Terra do Fogo e os maoris da Nova Zelândia, que vê como inferiores aos taitianos, vivendo em casas "sujas e imundas". Com uma visão imperialista, vê benefício nas fazendas dos colonos. Gosta mais da Austrália, onde chega em 12 de janeiro de 1836, especialmente da cidade de Sídnei.

Em Albany, na Austrália, o biólogo participa de uma dança aborígene, que descreve "uma cena rude e bárbara" com "tudo se movimentando numa harmonia horrível", mas gosta dos aborígenes, "bem-humorados" e "com espírito elevado".

O Beagle chega em 1º de abril de 1836 à Ilha dos Cocos, no Oceano Índico, que tem uma economia baseada no coco. Em 31 de maio, Darwin desembarca no Cabo da Boa Esperança, onde sabe por carta da irmã que suas cartas sobre a geologia da América do Sul foram publicadas.

Darwin deixa a Cidade do Cabo em 18 de junho, passa pela Ilha de Santa Helena, volta a Salvador e vai a Olinda e Recife, onde fica mais uma vez revoltado com a escravidão. Com ironia, "comemora" o fato de que o Brasil, um país escravocrata, seja o único país onde é maltratado.

Na etapa final da viagem, o Beagle sai de Pernambuco em 19 de agosto de 1836, reabastece no Arquipélago dos Açores e chega à Inglaterra em 2 de outubro.

FASCISTAS INVADEM ETIÓPIA

    Em 1935, o imperador Hailé Salassié ordena a mobilização do Exército diante de informações de que a Itália Fascista de Benito Mussolini está prestes a invadir a Etiópia. É o início da Segunda Guerra Ítalo-Etíope.

A Etiópia é um dos poucos países independentes em uma África dominada pelo imperialismo europeu em 1934. Um incidente na fronteira com a Somália, colonizada pela Itália, serve de pretexto para a invasão fascista em 3 de outubro de 1935.

Sob o comando de Emilio de Bono, depois substituído pelos generais Rodolfo Graziani e Pietro Badoglio, os italianos vencem o mal equipado e mal treinado Exército da Etiópia, mas enfrentam uma resistência feroz e usam armas químicas. Conseguem uma vitória decisiva no Lago Achangui, em 9 de abril de 1936 e tomam Adis Abeba em 5 de maio.

Hailé Salassié foge para o exílio e viaja pelo mundo pedindo apoio à independência de seu país, o que o torna num herói africano cultuado, por exemplo, pelos rastafarianos da Jamaica, apesar de ser um ditador cruel e sanguinário. Sua pregação inspira movimentos nacionalistas que lutam pela independência da África depois da Segunda Guerra Mundial (1939-45).

A pedido da Etiópia, a Liga das Nações condena a invasão e aprova sanções contra a Itália que se mostram totalmente inócuas. A conquista da Etiópia pela itália, as invasões da Manchúria e da China pelo Japão e a anexação da Áustria e da Tcheco-Eslováquia pela Alemanha Nazista são exemplos do fracasso da Liga, de como não consegue evitar a Segunda Guerra Mundial.

FIM DO LEVANTE DE VARSÓVIA

    Em 1944, os últimos rebeldes poloneses se rendem à Alemanha Nazista, que ocupa a Polônia desde o início da Segunda Guerra Mundial (1939-45).

Dois meses antes, sabendo do avanço do Exército Vermelho, que está derrotando as forças nazistas na frente oriental, a resistência polonesa inicia uma rebelião. 

O Levante de Varsóvia começa em 1º de agosto e dura 63 dias. Durante pelo menos 40 dias, a resistência domina a situação. É a maior empreitada militar de uma resistência na Europa durante a Segunda Guerra Mundial. 

O Exército Vermelho estaciona a 10 quilômetros do centro da capital polonesa e não intervém a favor dos rebeldes. Stalin quer o controle absoluto do território conquistado, sem dividir com a resistência.

PRIMEIRO NEGRO NA SUPREMA CORTE

    Em 1967, o presidente da Suprema Corte dos Estados Unidos, Earl Warren, dá posse a Thurgood Marshall, primeiro juiz negro do supremo tribunal norte-americano.

Como chefe da assessoria jurídica da Associação Nacional para o Avanço das Pessoas de Cor (NAACP), Marshall defende mais de uma dúzia de causas na Suprema Corte contestando a discriminação racial, especialmente nas escolas. É um dos arquitetos da legislação que acaba com a discriminação legal nos EUA nos anos 1960s.

MORRE TOM PETTY

    Em 2017, o cantor e compositor de rock Tom Petty morre aos 66 anos em Santa Mônica, na Califórnia, de uma overdose involuntária por mistura de opioides, sedativos e antidepressivos, entre eles provavelmente fentanil, a droga que mais mata hoje nos Estados Unidos.

Thomas Earl Petty nasce em Gainesville, na Flórida, em 20 de outubro de 1950. Aos 10 anos, um tio o apresenta a Elvis Presley durante uma filmagem na Flórida. Dois anos depois, começa a tocar guitarra. Ele larga a escola no ensino médio para viajar com sua banda Mudcrutch.

Quando chega a Los Angeles, a banda se dissolve. Surgem Tom Petty and the Heartbreakers, que lançam um álbum do mesmo nome em 1976, sem grande sucesso nos Estados Unidos. Mas a música Breakdown estoura no Reino Unido.

Em 1986, os Heartbrakers tocam na turnê de Bob Dylan. Tom Petty, Dylan, o ex-beatle George Harrison, Roy Orbison e Jeff Lynne formam o supergrupo Traveling Wilburys, que ganha um Prêmio Grammy em 1989. Ele lança dois álbuns solo de grande sucesso, Full Moon Fever Wildflowers (1994), que vendeu milhões de cópias.

O divórcio de sua mulher de mais de 20 anos, em 1966, é um grande abalo psicológico. Tom Petty começa a usar heroína. Nesta época, ele lança seu álbum mais intimista, Echo (1999). Petty casa de novo em 2001, com show de Little Richard no casamento. Em 2002, Tom Petty and the Heartbreaks entram para o Rock and Roll Hall of Fame.

Outro marco da carreira com os Heartbreakers é fazer o show do intervalo do Super Bowl, a final do campeonato nacional de futebol norte-americano, a maior audiência da televisão nos EUA

Em outubro de 2017, quando os Heartbreakers festejam 40 anos, Tom Petty morre. Tem uma parada cardíaca total por overdose involuntária com uma mistura de opioides, sedativos e antidepressivos, provavelmente fentanil, a droga que matou 72 mil norte-americanos num ano.

 

JAMAL KHASHOGGI ESQUARTEJADO

   Em 2018, o jornalista saudita residente nos Estados Unidos Jamal Khashoggi entra no Consulado da Arábia Saudita em Istambul, na Turquia, para pegar um documento que precisa para se casar. É torturado, esquartejado e morto, ao que tudo indica por seguranças do príncipe herdeiro Mohamed ben Salman, o homem-forte da ditadura teocrática do país.

O corpo nunca é encontrado. Uma tropa de choque saudita chega a Istambul para cometer o crime e volta para a Arábia Saudita no mesmo dia.

A morte de Khashoggi provoca uma reação internacional que isola a monarquia saudita num primeiro momento. O então presidente norte-americano Donald Trump, que fez sua primeira viagem ao exterior como presidente à Arábia Saudita, declara acreditar que o príncipe herdeiro é inocente. 

O presidente Joe Biden inicialmente trata MbS como um pária. Com a Guerra da Ucrânia e a crise energética causada pelas sanções econômicas à Rússia, tenta negociar com o príncipe saudita um aumento na produção de petróleo. MbS opta por se associar a Moscou para aumentar os preços, que rondam os US$ 100 por barril. 

sábado, 30 de agosto de 2025

Hoje na História do Mundo: 30 de Agosto

 WASHINGTON REJEITA RECONCILIAÇÃO

    Em 1776, o comandante do Exército Continental, George Washington, recusa uma segunda proposta de reconciliação com o Império Britânico enviada através de carta do general William Howe.

Howe desembarca em Long Island com uma força superior à dos rebeldes americanos e conquista uma grande vitória na Batalha de Brooklyn Heights, em 27 de agosto. Entre outras razões, Washington rejeita a proposta porque a carta não o chama de general. 

As negociações são retomadas em 11 de setembro por Benjamin Franklin e John Adams. São rompidas quando os britânicos se negam a aceitar a independência dos EUA. Os rebeldes tomam Nova York em 15 de setembro e mantêm o controle sobre a cidade até o fim da Guerra da Independência (1775-83).

PRIMEIRA REVOLTA DE ESCRAVOS

    Em 1800, um escravo chamado Gabriel mobiliza mil homens nos arredores de Richmond, na Virgínia, na primeira grande rebelião de escravizados nos Estados Unidos.

Seis dias antes, o escravo Ben Woolfolk se encontra com outros escravizados na Ponte Littlepage para recrutar aliados para a revolta. O líder é Gabriel, um escravo de Henry Thomas Prosser. O plano é marchar até Richmond, capturar o governador James Monroe e outros líderes brancos e forçá-los a aceitar a igualdade política, econômica e social.

Fortes chuvas adiam o início da rebelião. Dois escravizados, Tom e Pharoak, denunciam a conspiração a Mosby Sheppard, que avisa o governador. Monroe convoca uma milícia que prende muitos rebeldes. Vários julgamentos levam à execução de Gabriel e pelo menos outros 25 escravos.

LENIN BALEADO

    Em 1918, durante um comício numa fábrica em Moscou, Fanya Kaplan, do Partido Social Revolucionário, atira três vezes no líder comunista Vladimir Illitch Ulianov (Lenin), que é ferido gravemente por duas balas, mas sobrevive.

Lenin nasce em Ulianovsk em 22 de abril de 1870. Filho de uma família da classe média, vira revolucionário após a execução do irmão mais velho, Alexander Ulianov, em 8 de maio de 1887, sob a acusação de participar de uma conspiração do grupo Vontade Popular para assassinar o czar Alexandre III.

Expulso da Universidade Imperial de Kazan por participar de protestos contra o regime czarista, em 1893, Lenin entra para o Partido Operário Social-Democrata Russo. Preso por sedição em 1897, é condenado a três anos de exílio interno em Shushenskoye, onde se casa na igreja com Nádia Krupskaya em 10 de julho de 1898.

Depois do exílio, vai em julho de 1900 para a Suíça, onde se torna um teórico marxista. Adota o pseudônimo de Lenin em dezembro de 1901. No ano seguinte, lança o panfleto Que Fazer?, em que defende a necessidade de criar um partido de vanguarda para fazer a revolução proletária. Em abril de 1902, foge para Londres, onde conhece Leon Trotsky, o outro grande líder da Revolução Comunista.

Em 1903, com uma divisão no partido, passa a liderar a facção bolchevique (maioria), a ala mais radical do partido, em oposição aos mencheviques, mais moderados, liderados por Julius Martov, embora na verdade os bolcheviques sejam minoria. 

Martov defende o direito dos militantes de se expressar contra a direção do partido, enquanto Lenin é a favor de uma liderança forte, com controle total sobre a base. É o princípio do centralismo democrático, que ajuda no futuro a ascensão de Josef Stalin. Uma vez tomada uma decisão, a discussão acaba e todos os membros do partidos são obrigados a segui-la.

Com a derrota da Rússia para o Japão na Guerra do Pacífico (1904-5), 1,5 milhão de manifestantes marcham pacificamente até o palácio imperial em São Petersburgo para exigir reformas como o voto direto. São rechaçados a bala. Pelo menos 930 pessoas são mortas, 4 mil de acordo com os rebeldes.

O Domingo Sangrento, 22 de janeiro de 1905, deflagra a Revolução de 1905, a primeira grande revolta popular contra o czar Nicolau II, o Sanguinário. Mais de 2 milhões de operários entram em guerra. Durante a revolução, são organizados conselhos operários, os sovietes. Trotsky volta do exílio e lidera o Soviete de São Petersburgo. Lenin também regressa.

Nicolau II cede. No Manifesto de Outubro, autoriza o funcionamento de partidos políticos e cria um parlamento, a Duma. Com o fim da guerra contra o Japão, as tropas voltam e reprimem violentamente o movimento. Muitos rebeldes são presos ou exilados. Os sovietes são declarados ilegais. A maior parte das reformas é abandonada, mas a Duma sobrevive.

Lenin vai para o Grão-Ducado da Finlândia, parte do império czarista. Quando o czar dissolve a Segunda Duma e manda a Okrana, a polícia política, prender os revolucionários, foge para a Suíça. Os bolcheviques mudam a sede da facção para Paris. Lenin se muda para lá em dezembro de 1908, mas não gosta da capital francesa, que descreve como "um buraco sujo".

Quando estoura a Primeira Guerra Mundial (1914-18), em 28 de julho de 1914, Lenin está em Cracóvia, na Galícia, uma região polonesa do Império Austro-Húngaro, inimigo da Rússia. É preso e solto por ser anticzarista. Vai então para a Suíça, onde faz campanha em 1916 para que os socialistas repudiem a "guerra imperialista" e a transformem numa "guerra civil" continental dos trabalhadores contra a aristocracia e a a burguesia.

Em 1917, lança sua grande obra sobre relações internacionais, Imperialismo: última etapa do capitalismo, em que defende a tese do elo mais fraco. O sistema capitalista não se romperia nos países mais industrializados como a França, como previa Karl Marx, mas na parte mais fraca. Assim, justifica a revolução na Rússia, um país de industrialização tardia.

Com a queda do czarismo na Revolução de Fevereiro (março pelo calendário atual), Lenin recebe autorização da Alemanha para cruzar seu território e voltar à Rússia, o que o leva a ser acusado de ser agente alemão porque os comunistas assinam a Paz de Brest-Litovsk, em 3 de março de 1918, depois da Revolução Bolchevique, a Revolução de Outubro.

Ao chegar à Estação Finlândia de Petrogrado, rebatizada porque São Petersburgo é um nome de origem alemã, Lenin repudia o governo provisório e defende uma revolução proletária continental. Em seguida, lança as Teses de Abril, com três palavras-chaves: paz, terra e pão. Paz para acabar com "a guerra burguesa do capitalismo", reforma agrária e alimentos para todos.

Os preparativos finais da Revolução Comunista são realizados no Instituto Smolny, sede do Comitê Militar Revolucionário, onde estudei. Na madrugada de 25 de outubro de 1917 (7 de novembro pelo calendário atual), os bolcheviques invadem o Palácio de Inverno, derrubam o governo provisório de Alexander Kerensky e tomam o poder. 

No dia seguinte à tomada do poder, Lenin se torna presidente do Conselho dos Comissários do Povo da República Socialista Federativa Soviética da Rússia. Em janeiro de 1918, Lenin dissolve a Assembleia Constituinte, onde os bolcheviques não têm maioria. 

Em março, Lenin expulsa os mencheviques e muda o nome do partido para Partido Comunista. No ano seguinte, funda a Terceira Internacional, a Internacional Comunista (Comintern), para promover uma revolução mundial.

Com a proibição dos outros partidos políticos e a dissolução da Constituinte, Fanya Kaplan considera Lenin um traidor da revolução. Na saída de um comício do líder comunista na fábrica de armas Foice e Martelo, ela dispara três tiros e acerta dois. Presa, é executada em 3 de setembro de 1918 pela Cheka (Comissão Extraordinária de Todas as Rússias), a polícia política do novo regime.

A tentativa de assassinato deflagra uma onda de retaliações dos bolcheviques contra os sociais-revolucionários e outros partidos, aprofundando a guerra civil que acontece depois das revoluções de 1917.

Com a fundação da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, em 30 de dezembro de 1922, Lenin se torna presidente do Comissariado do Povo da URSS, cargo que ocupa até a morte, em 21 de janeiro de 1924.

PRIMEIRO JUIZ NEGRO NA SUPREMA CORTE

    Em 1967, Thurgood Marshall é confirmado como o primeiro juiz negro do supremo tribunal dos Estados Unidos.


Marshall nasce em 2 de julho de 1908 em Baltimore, no estado de Maryland. Sob influência do pai, estuda direito na Universidade Lincoln e na Faculdade de Direito da Universidade Howard, em Washington, a primeira a admitir negros.

Como advogado, se especializa em defender causas envolvendo a questão racial. Torna-se conhecido como Sr. Direitos Humanos em tribunais federais e na Suprema Corte durante o movimento pelos direitos civis dos negros. No caso mais famoso, Brown versus Board of Education, a Suprema Corte acaba com a segregação racial nas escolas, em 1955.

Em 1961, o presidente John Kennedy o nomeia juiz do Tribunal Federal de Recursos da Segunda Região, que inclui os estados de Nova York, Connecticut e Vermont. Depois da morte de Kennedy, o presidente Lyndon Johnson o nomeia advogado-geral da União, em 1965.

Thurgood Marshall chega à Suprema Corte com um longo histórico de luta pelos direitos dos negros. Durante 24 anos, até se aposentar por motivos de saúde, amplia o legado de luta pelos direitos civis.

HO CHI MINH RESPONDE A NIXON

    Em 1969, chega a Paris, onde se realizam as negociações de paz sobre a Guerra do Vietnã (1955-75), uma carta do líder comunista Ho Chi Minh ao presidente Richard Nixon acusando os Estados Unidos de travar uma "guerra de agressão" contra o Vietnã do Norte "violando nossos direitos nacionais". 


Ho nasce em Kiem Lan em 19 de maio de 1890 com o nome de Nguyen Sinh Cung. Depois de viver em Londres, começa a se interessar em política quando mora na França, de 1919 a 1923, e é influenciado por ideias socialistas. Torna-se político, escritor, poeta, revolucionário e líder da luta pela independência do Vietnã.

De Paris, vai para Moscou, onde trabalha na Internacional Comunista (Comintern). Em novembro de 1924, se muda para Cantão, na China. Aos 36 anos, se casa no mesmo lugar onde Chu Enlai casara, com uma chinesa de 21 anos, Zeng Xueming, porque "preciso de uma mulher que me ensine a língua e cuide da casa".

Quando o líder nacionalista chinês Chiang Kai-shek dá um golpe e começa a perseguir os comunistas, em 1927, Ho volta a Moscou e vai para a Crimeia, onde se cura de uma tuberculose antes de voltar a Paris. Passa pela Bélgica, Alemanha, Suíça e Itália antes de ir para Bangkok, na Tailândia, como agente do Comintern no Sudeste Asiático, em julho de 1928.

No fim de 1929, vai para a Índia e da lá para Xangai, na China, e Hong Kong, onde funda, em 1930, o Partido Comunista do Vietnã e o Partido Comunista da Indochina. Preso em Hong Kong em junho de 1931, escapa de ser deportado para a Indochina Francesa com um advogado de defesa britânico, Frank Loseby.

Libertado, vai para Xangai e volta à União Soviética, onde estuda e leciona no Instituto Lenin. Sob a acusação de ter "tendências nacionalistas", é afastado da liderança do partido durante o Grande Expurso Stalinista (1936-38).

Em 1938, volta à China como assessor militar do Exército Vermelho Chinês. Vai para o Vietnã em 1941 para liderar o movimento de libertação nacional. Com a ocupação japonesa a partir de setembro de 1940, conduz uma guerra de guerrilhas contra o governo colaboracionista francês de Vichy e o Império do Japão.

Depois da ocupação da França, a potência colonial, pela Alemanha Nazista, em junho de 1940, ele funda na China em 1941 o Viet Minh, a Liga pela Independência do Vietnã, para se contrapor também à invasão japonesa durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45).

No fim da guerra, em 2 de setembro de 1945, quando o Japão assina a rendição, Ho Chi Minh proclama a independência do Vietnã. A França não aceita. Em 19 de dezembro de 1946, começa a Primeira Guerra da Indochina, que termina em 1º de agosto de 1954 com a vitória vietnamita na Batalha de Bien Dien Phu.

Os Acordos de Paz de Genebra dividem o país em Vietnã do Norte, comunista, e o Vietnã do Sul, anticomunista, em 1954. As eleições de 1955 devem reunificar o país. Quando os Estados Unidos percebem que os comunistas venceriam, em plena Guerra Fria, suspendem as eleições.

Em 1º de novembro de 1955, começa a Segunda Guerra da Indochina ou Guerra do Vietnã (1955-75). O governo Dwight Eisenhower (1953-61) envia os primeiros assessores militares norte-americanos. No fim do governo John Kennedy (1961-63), há mais de 2,8 mil assessores, alguns participando de combates.

A intervenção militar dos EUA começa oficialmente depois do Incidente do Golfo de Tonquim, em 2 de agosto de 1964, forjado pelo governo Lyndon Johnson (1963-69) para obter autorização do Congresso para declarar guerra ao Vietnã do Norte.

No auge da intervenção, os EUA têm mais de 500 mil soldados no Vietnã. O fracasso na luta contra o Vietcongue, os guerrilheiros comunistas em ação no Vietnã do Sul, e a rejeição à guerra pela opinião pública levam o presidente Richard Nixon (1969-74) a acelerar as negociações de paz iniciadas em 1968. 

Na resposta a Nixon, Ho Chi Minh diz que, "na sua carta, você expressa o desejo de agir por uma paz justa. Para isto, os EUA devem parar com a guerra de agressão e retirar suas tropas do Vietnã do Sul, respeitar o direito da população do Sul e da nação vietnamita de decidir por elas mesmo, sem interferência estrangeira." 

Ho alerta que "quanto mais longa for a guerra maiores serão o ônus e os pesares para o povo norte-americano" e defende o plano de paz de 10 pontos da Frente de Libertação Nacional. Exige o "fim da guerra de agressão e a retirada das forças norte-americanas”.

Com o acordo paz, assinado em 27 de janeiro de 1973, os EUA retiram suas tropas de combate da guerra, que termina em 30 de abril de 1975 com uma fuga espetacular dos norte-americanos da embaixada em Saigon, hoje Cidade de Ho Chi Minh, quando os tanques norte-vietnamitas tomavam a capital do Vietnã do Sul para reunificar o país.

Mais de 58,2 mil norte-americanos e cerca de 2 milhões de vietnamitas morrem na Guerra do Vietnã.

PRIMEIRO ASTRONAUTA NEGRO

    Em 1983, Guion Bluford Jr. se torna o primeiro astronauta de origem africana ao participar de uma missão do ônibus espacial Challenger.

Bluford Jr. nasce na Filadélfia em 22 de novembro de 1942 e se forma em engenharia aeroespacial na Universidade Estadual da Pensilvânia. Ele entra para a Força Aérea e se torna piloto em janeiro de 1966. Faz parte de mais três missões no espaço, todas do ônibus espacial Discovery, em 1985, 1991 e 1992. Ao todo, fica 28 dias no espaço.

sexta-feira, 13 de junho de 2025

Hoje na História do Mundo: 13 de Junho

 MORTE DE ALEXANDRE O GRANDE

    Em 323 antes de Cristo, morre aos 33 anos na Babilônia, hoje parte do Iraque, Alexandre, o Grande, da Macedônia, um dos maiores generais de todos os tempos.

Filho de Felipe II, da Macedônia, Alexandre é discípulo de Aristóteles. 

Aos 16 anos, Alexandre Magno lidera as primeiras tropas em combate. Depois da morte do pai, invade o Oriente Médio. Em 330 antes de Cristo, havia derrotado o Império Persa e conquistado todo o Oriente Médio. Em 327 AC, tomara o Afeganistão, a Ásia Central e o Norte da Índia.

REVOLTA CAMPONESA SAQUEIA LONDRES

     Em 1381, durante a Revolta Camponesa, um exército camponês liderado por Wat Tyler invade, saqueia e incendeia Londres. Vários prédios públicos são destruídos, prisioneiros libertados e um juiz decapitado.

A Revolta Camponesa tem sua origem na pior pandemia da história, a Peste Negra (1346-53), segunda pandemia da peste bubônica, quando morrem 30% a 60% da população da Europa, com estimativas de mortes variando de 70 a 200 milhões de pessoas. 

A escassez de mão de obra força uma alta de salários, mas o Parlamento Britânico resiste à mudança do sistema feudal, aprova leis para conter os salários e estimula os proprietários de terra a exercer seus direitos de senhorio e manter a servidão. Quando o Parlamento aprova uma lei restringindo o direito de voto ao aumentar o valor de um imposto cobrado por pessoa, em 30 de maio de 1381, estoura a Revolta Camponesa.

Wat Tyler, líder rebelde do Condado de Kent, marcha sobre Londres com seu exército camponês depois de tomar Maidstone, Rochester e a Cantuária no caminho depois que a corte rejeita seu pedido de uma audiência com o rei Ricardo II.

No dia seguinte, o rei, de apenas 14 anos, se reúne com líderes camponeses em Mile End e aceita acabar com a servidão e com as restrições no mercado de trabalho. Mas a revolta prossegue. Tyler toma a Torre de Londres, na única vez que a fortaleza é conquistada, e executa o arcebispo da Cantuária.

Quando o rei encontra Tyler em Smithfield, em 15 de junho, o líder rebelde faz novas exigências, inclusive confiscar as propriedades da Igreja. Irritado com a arrogância de Tyler, o prefeito de Londres, William Walworth, o ataca e mata a golpes de espada.

O rei suspende as concessões, mobiliza um exército de 4 mil homens e derrota a rebelião. Até novembro, pelo menos 1,5 mil rebeldes são mortos.

PRIMEIRO JUIZ NEGRO DA SUPREMA CORTE 

   Em 1967, o presidente Lyndon Johnson nomeia o juiz federal Thurgood Marshall como primeiro ministro negro da Suprema Corte dos Estados UnidosO Senado aprova a indicação por 69 a 11.

Bisneto de escravos, Marshall nasce em Baltimore, no estado de Maryland, em 2 de julho de 1908. Ele se forma em direito em 1933, sob a tutela do advogado defensor dos direitos civis Charles Houston. 

Três anos depois, começa a trabalhar no setor jurídico da Associação Nacional para o Avanço das Pessoas de Cor (NAACP). De 1938 a 1961, como principal advogado da NAACP, ele defende 32 causas junto à Suprema Corte.

NY TIMES PUBLICA PAPÉIS DO PENTÁGONO 

   Em 1971, o jornal The New York Times publica os Papéis do Pentágono, ou A História do Processo de Tomada de Decisões dos EUA sobre o Vietnã, uma análise sobre o envolvimento do país na Guerra do Vietnã.

Os documentos dos governos John Kennedy (1961-63) e Lyndon Johnson (1963-69) são furtados por Daniel Ellsberg, um ex-analista do Departamento da Defesa que vira ativista contra a guerra. O governo Richard Nixon (1969-74) tenta proibir a publicação. Em 30 de junho, a Suprema Corte decide que o jornal tem o direito de publicar.

CÚPULA DAS COREIAS

    No ano 2000, o presidente da Coreia do Sul, Kim Dae Jung, se encontra com ditador da Coreia do Norte, Kim Jong Il, na primeira reunião de cúpula dos dois países.

O Japão ocupa a Coreia de 1910 até o fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45). A União Soviética declara guerra ao Japão em 9 de agosto de 1945, dia em que os Estados Unidos jogam a bomba atômica em Nagasáki, invade o Norte da Península Coreana e as Ilhas Kurilas do Sul. Os EUA, que derrotam o Japão, ocupam o Sul.

Com o país dividido no início da Guerra Fria, o Norte se transforma na República Popular Democrática da Coreia, comunista, aliada da URSS, sob a liderança de Kim il Sung, líder da guerrilha comunista contra a ocupação japonesa. O Sul vira a República da Coreia, capitalista, aliada dos EUAAmbas reivindicam a soberania sobre toda a Península Coreana.

Em 25 de junho de 1950, a Coreia do Norte invade o Sul e começa a Guerra da Coreia (1950-53), que termina com a restauração do status quo anterior à guerra, sem que nenhum dos lados consiga unificar o país. A guerra acaba com um armistício. Até hoje, não há um acordo de paz definitivo.

Kim Dae Jung é o grande líder da democratização da Coreia do Sul, sequestrado pela ditadura militar num plano para matá-lo, é condenado à morte por traição. Com a redemocratização, é o primeiro líder da oposição eleito presidente, em 1998.

Sua política do Brilho do Sul, uma tentativa de melhorar as relações entre as duas Coreias, leva à reunião de cúpula com Kim Jong Il.

Em 2006, sob Kim Jong Il, a Coreia do Norte faz sua primeira explosão atômica e vira uma potência nuclear, agravando ainda mais a situação na Península Coreana, a última fronteira da Guerra Fria.

quarta-feira, 2 de outubro de 2024

Hoje na História do Mundo: 2 de Outubro

DARWIN VOLTA À INGLATERRA

    Em 1836, o naturalista Charles Darwin chega a Falmouth, na Cornualha, no Sudoeste da Inglaterra, depois de cinco anos de viagem a bordo do navio Beagle em que coleta espécimens e faz observações que servem de base à sua Teoria da Evolução das Espécies através da seleção natural e da seleção sexual, que seria apresentada no livro A Origem das Espécies.

O objetivo da expedição é fazer um levantamento cartográfico da costa da América do Sul, inclusive a longitude do Rio de Janeiro. A viagem é retardada pelo mau tempo. Sob o comando do capitão Robert FitzRoy, o Beagle zarpa em 27 de dezembro de 1831. Passa pela Ilha da Madeira e as Ilhas Canárias. O diário começa no Arquipélago de Cabo Verde.

Da África, passa pelos Rochedos de São Pedro e Paulo e Fernando de Noronha. Chega ao Brasil em Salvador, onde fica maravilhado pela floresta tropical e chocado pela escravidão, abolida no Reino Unido em 1807 e no Império Britânico em 1834.

Durante toda a viagem, Darwin desce várias vezes na terra para mandar cartas e coleções para a Inglaterra. Ele explora a Patagônia com gaúchos e os vê laçando emas com boleadeiras. Encontra ossos gigantes de espécies extintas. Chega às Ilhas Malvinas em 1833, pouco depois de serem ocupadas pelos ingleses, causa da guerra de 1982.

Em 13 de agosto de 1833, Darwin conhece o general, caudilho e ditador argentino Juan Manuel de Rosas, governador da Província de Buenos Aires, que trava uma guerra de extermínio contra os índios da Patagônia, e fica indignado com brutalidade do que talvez seja o caudilho mais importante da história da América Latina.

O Beagle dá a volta pelo Sul do continente. No Chile, Darwin vai Valdívia, Concepción e Valparaíso, onde compra cavalos para chegar até Mendoza, na Argentina, na Cordilheira dos Andes. Depois, para em Lima e uma semana depois, em 15 de setembro de 1835, chega às Ilhas Galápagos, no Equador, onde se impressiona com as tartarugas-gigantes, que lhe parecem antediluvianas.

A expedição deixa Galápagos em 20 de outubro e segue rumo ao Taiti, à Austrália e à Nova Zelândia. Darwin está impactado com o contado com homens que considera selvagens, os fueguinos da Terra do Fogo e os maoris da Nova Zelândia, que vê como inferiores aos taitianos, vivendo em casas "sujas e imundas". Com uma visão imperialista, vê benefício nas fazendas dos colonos. Gosta mais da Austrália, onde chega em 12 de janeiro de 1836, especialmente da cidade de Sídnei.

Em Albany, na Austrália, o biólogo participa de uma dança aborígene, que descreve "uma cena rude e bárbara" com "tudo se movimentando numa harmonia horrível", mas gosta dos aborígenes, "bem-humorados" e "com espírito elevado".

O Beagle chega em 1º de abril de 1836 à Ilha dos Cocos, no Oceano Índico, que tem uma economia baseada no coco. Em 31 de maio, Darwin desembarca no Cabo da Boa Esperança, onde sabe por carta da irmã que suas cartas sobre a geologia da América do Sul foram publicadas.

Darwin deixa a Cidade do Cabo em 18 de junho, passa pela Ilha de Santa Helena, volta a Salvador e vai a Olinda e Recife, onde fica mais uma vez revoltado com a escravidão. Com ironia, "comemora" o fato de que o Brasil, um país escravocrata, seja o único país onde é maltratado.

Na etapa final da viagem, o Beagle sai de Pernambuco em 19 de agosto de 1836, reabastece no Arquipélago dos Açores e chega à Inglaterra em 2 de outubro.

FASCISTAS INVADEM ETIÓPIA

    Em 1935, o imperador Hailé Salassié ordena a mobilização do Exército diante de informações de que a Itália Fascista de Benito Mussolini está prestes a invadir a Etiópia. É o início da Segunda Guerra Ítalo-Etíope.

A Etiópia é um dos poucos países independentes em uma África dominada pelo imperialismo europeu em 1934. Um incidente na fronteira com a Somália, colonizada pela Itália, serve de pretexto para a invasão fascista em 3 de outubro de 1935.

Sob o comando de Emilio de Bono, depois substituído pelos generais Rodolfo Graziani e Pietro Badoglio, os italianos vencem o mal equipado e mal treinado Exército da Etiópia, mas enfrentam uma resistência feroz e usam armas químicas. Conseguem uma vitória decisiva no Lago Achangui, em 9 de abril de 1936 e tomam Adis Abeba em 5 de maio.

Hailé Salassié foge para o exílio e viaja pelo mundo pedindo apoio à independência de seu país, o que o torna num herói africano cultuado, por exemplo, pelos rastafarianos da Jamaica, apesar de ser um ditador cruel e sanguinário. Sua pregação inspira movimentos nacionalistas que lutam pela independência da África depois da Segunda Guerra Mundial (1939-45).

A pedido da Etiópia, a Liga das Nações condena a invasão e aprova sanções contra a Itália que se mostram totalmente inócuas. A conquista da Etiópia pela itália, as invasões da Manchúria e da China pelo Japão e a anexação da Áustria e da Tcheco-Eslováquia pela Alemanha Nazista são exemplos do fracasso da Liga, de como não consegue evitar a Segunda Guerra Mundial.

FIM DO LEVANTE DE VARSÓVIA

    Em 1944, os últimos rebeldes poloneses se rendem à Alemanha Nazista, que ocupa a Polônia desde o início da Segunda Guerra Mundial (1939-45).

Dois meses antes, sabendo do avanço do Exército Vermelho, que está derrotando as forças nazistas na frente oriental, a resistência polonesa inicia uma rebelião. 

O Levante de Varsóvia começa em 1º de agosto e dura 63 dias. Durante pelo menos 40 dias, a resistência domina a situação. É a maior empreitada militar de uma resistência na Europa durante a Segunda Guerra Mundial. 

O Exército Vermelho estaciona a 10 quilômetros do centro da capital polonesa e não intervém a favor dos rebeldes. Stalin quer o controle absoluto do território conquistado, sem dividir com a resistência.

PRIMEIRO NEGRO NA SUPREMA CORTE

    Em 1967, o presidente da Suprema Corte dos Estados Unidos, Earl Warren, dá posse a Thurgood Marshall, primeiro juiz negro do supremo tribunal norte-americano.

Como chefe da assessoria jurídica da Associação Nacional para o Avanço das Pessoas de Cor (NAACP), Marshall defende mais de uma dúzia de causas na Suprema Corte contestando a discriminação racial, especialmente nas escolas. É um dos arquitetos da legislação que acaba com a discriminação legal nos EUA nos anos 1960s.

MORRE TOM PETTY

    Em 2017, o cantor e compositor de rock Tom Petty morre aos 66 anos em Santa Mônica, na Califórnia, de uma overdose involuntária por mistura de opioides, sedativos e antidepressivos, entre eles provavelmente fentanil, a droga que mais mata hoje nos Estados Unidos.

Thomas Earl Petty nasce em Gainesville, na Flórida, em 20 de outubro de 1950. Aos 10 anos, um tio o apresenta a Elvis Presley durante uma filmagem na Flórida. Dois anos depois, começa a tocar guitarra. Ele larga a escola no ensino médio para viajar com sua banda Mudcrutch.

Quando chega a Los Angeles, a banda se dissolve. Surgem Tom Petty and the Heartbreakers, que lançam um álbum do mesmo nome em 1976, sem grande sucesso nos Estados Unidos. Mas a música Breakdown estoura no Reino Unido.

Em 1986, os Heartbrakers tocam na turnê de Bob Dylan. Tom Petty, Dylan, o ex-beatle George Harrison, Roy Orbison e Jeff Lynne formam o supergrupo Traveling Wilburys, que ganha um Prêmio Grammy em 1989. Ele lança dois álbuns solo de grande sucesso, Full Moon Fever Wildflowers (1994), que vendeu milhões de cópias.

O divórcio de sua mulher de mais de 20 anos, em 1966, é um grande abalo psicológico. Tom Petty começa a usar heroína. Nesta época, ele lança seu álbum mais intimista, Echo (1999). Petty casa de novo em 2001, com show de Little Richard no casamento. Em 2002, Tom Petty and the Heartbreaks entram para o Rock and Roll Hall of Fame.

Outro marco da carreira com os Heartbreakers é fazer o show do intervalo do Super Bowl, a final do campeonato nacional de futebol norte-americano, a maior audiência da televisão nos EUA

Em outubro de 2017, quando os Heartbreakers festejam 40 anos, Tom Petty morre. Tem uma parada cardíaca total por overdose involuntária com uma mistura de opioides, sedativos e antidepressivos, provavelmente fentanil, a droga que matou 72 mil norte-americanos num ano.

 

JAMAL KHASHOGGI ESQUARTEJADO

   Em 2018, o jornalista saudita residente nos Estados Unidos Jamal Khashoggi entra no Consulado da Arábia Saudita em Istambul, na Turquia, para pegar um documento que precisa para se casar. É torturado, esquartejado e morto, ao que tudo indica por seguranças do príncipe herdeiro Mohamed ben Salman, o homem-forte da ditadura teocrática do país.

O corpo nunca é encontrado. Uma tropa de choque saudita chega a Istambul para cometer o crime e volta para a Arábia Saudita no mesmo dia.

A morte de Khashoggi provoca uma reação internacional que isola a monarquia saudita num primeiro momento. O então presidente norte-americano Donald Trump, que fez sua primeira viagem ao exterior como presidente à Arábia Saudita, declara acreditar que o príncipe herdeiro é inocente. 

O presidente Joe Biden inicialmente trata MbS como um pária. Com a Guerra da Ucrânia e a crise energética causada pelas sanções econômicas à Rússia, tenta negociar com o príncipe saudita um aumento na produção de petróleo. MbS opta por se associar a Moscou para aumentar os preços, que rondam os US$ 100 por barril.

sexta-feira, 30 de agosto de 2024

Hoje na História do Mundo: 30 de Agosto

WASHINGTON REJEITA RECONCILIAÇÃO

    Em 1776, o comandante do Exército Continental, George Washington, recusa uma segunda proposta de reconciliação com o Império Britânico enviada através de carta do general William Howe.

Howe desembarca em Long Island com uma força superior à dos rebeldes americanos e conquista uma grande vitória na Batalha de Brooklyn Heights, em 27 de agosto. Entre outras razões, Washington rejeita a proposta porque a carta não o chamava de general. 

As negociações são retomadas em 11 de setembro por Benjamin Franklin e John Adams. São rompidas quando os britânicos se negam a aceitar a independência dos EUA. Os rebeldes tomam Nova York em 15 de setembro e mantêm o controle sobre a cidade até o fim da Guerra da Independência (1775-83).

PRIMEIRA REVOLTA DE ESCRAVOS

    Em 1800, um escravo chamado Gabriel mobiliza mil homens nos arredores de Richmond, na Virgínia, na primeira grande rebelião de escravos nos Estados Unidos.

Seis dias antes, o escravo Ben Woolfolk se encontra com outros escravos na Ponte Littlepage para recrutar aliados para a revolta. O líder é Gabriel, um escravo de Henry Thomas Prosser. O plano é marchar até Richmond, capturar o governador James Monroe e outros líderes brancos e forçá-los a aceitar a igualdade política, econômica e social.

Fortes chuvas adiam o início da rebelião. Dois escravos, Tom e Pharoak, denunciam a conspiração a Mosby Sheppard, que avisa o governador. Monroe convoca uma milícia que prende muitos rebeldes. Vários julgamentos levam à execução de Gabriel e pelo menos outros 25 escravos.

LENIN BALEADO

    Em 1918, durante um comício numa fábrica em Moscou, Fanya Kaplan, do Partido Social Revolucionário, atira três vezes no líder comunista Vladimir Illitch Ulianov (Lenin), que é ferido gravemente por duas balas, mas sobrevive.

Lenin nasce em Ulianovsk em 22 de abril de 1870. Filho de uma família da classe média, vira revolucionário após a execução do irmão mais velho, Alexander Ulianov, em 8 de maio de 1887, sob a acusação de participar de uma conspiração do grupo Vontade Popular para assassinar o czar Alexandre III.

Expulso da Universidade Imperial de Kazan por participar de protestos contra o regime czarista, em 1893, entra para o Partido Operário Social-Democrata Russo. Preso por sedição em 1897, Lenin é condenado a três anos de exílio interno em Shushenskoye, onde se casa na igreja com Nádia Krupskaya em 10 de julho de 1898.

Depois do exílio, vai em julho de 1900 para a Suíça, onde se torna um teórico marxista. Adota o pseudônimo de Lenin em dezembro de 1901. No ano seguinte, lança o panfleto Que Fazer?, em que defende a necessidade de criar um partido de vanguarda para fazer a revolução proletária. Em abril de 1902, foge para Londres, onde conhece Leon Trotsky, o outro grande líder da Revolução Comunista.

Em 1903, com uma divisão no partido, passa a liderar a facção bolchevique (maioria), a mais radical do partido, em oposição aos mencheviques, mais moderados, liderados por Julius Martov, embora na verdade os bolcheviques fossem minoria. 

Martov defende o direito dos militantes de se expressar contra a direção do partido, enquanto Lenin é a favor de uma liderança forte, com controle total sobre a base. É o princípio do centralismo democrático, que ajuda no futuro a ascensão de Josef Stalin. Uma vez tomada uma decisão, a discussão acaba e todos os membros do partidos são obrigados a segui-la.

Com a derrota da Rússia para o Japão na Guerra do Pacífico (1904-5), 1,5 milhão de manifestantes marcham pacificamente até o palácio imperial em São Petersburgo para exigir reformas como o voto direto. São rechaçados a bala. Pelo menos 930 pessoas são mortas, 4 mil de acordo com os rebeldes.

O Domingo Sangrento, 22 de janeiro de 1905, deflagra a Revolução de 1905, a primeira grande revolta popular contra o czar Nicolau II, o Sanguinário. Mais de 2 milhões de operários entram em guerra. Durante a revolução, são organizados conselhos operários, os sovietes. Trotsky volta do exílio e lidera o Soviete de São Petersburgo. Lenin também regressa.

Nicolau II cede. No Manifesto de Outubro, autoriza o funcionamento de partidos políticos e cria um parlamento, a Duma. Com o fim da guerra contra o Japão, as tropas voltam e reprimem violentamente o movimento. Muitos rebeldes são presos ou exilados. Os sovietes são declarados ilegais. A maior parte das reformas é abandonada, mas a Duma sobrevive.

Lenin vai para o Grão-Ducado da Finlândia, parte do império czarista. Quando o czar dissolve a Segunda Duma e manda a Okrana, a polícia política, prender os revolucionários, foge para a Suíça. Os bolcheviques mudam a sede da facção para Paris. Lenin se muda para lá em dezembro de 1908, mas não gosta da capital francesa, que descreve como "um buraco sujo".

Quando estoura a Primeira Guerra Mundial (1914-18), em 28 de julho de 1914, Lenin está em Cracóvia, na Galícia, uma região polonesa do Império Austro-Húngaro, inimigo da Rússia. É preso e solto por ser anticzarista. Vai então para a Suíça, onde faz campanha em 1916 para que os socialistas repudiem a "guerra imperialista" e a transformem numa "guerra civil" continental dos trabalhadores contra a aristocracia e a a burguesia.

Em 1917, lança sua grande obra sobre relações internacionais, Imperialismo: última etapa do capitalismo, em que defende a tese do elo mais fraco. O sistema capitalista não se romperia nos países mais industrializados como a França, como previa Karl Marx, mas na parte mais fraca, para justificar a revolução na Rússia, um país de industrialização tardia.

Com a queda do czarismo na Revolução de Fevereiro (março pelo calendário atual), Lenin recebe autorização da Alemanha para cruzar seu território e voltar à Rússia, o que o leva a ser acusado de ser agente alemão porque os comunistas assinam a Paz de Brest-Litovsk, em 3 de março de 1918, depois da Revolução Bolchevique.

Ao chegar à Estação Finlândia de Petrogrado, rebatizada porque São Petersburgo é um nome de origem alemã, Lenin repudia o governo provisório e defende uma revolução proletária continental. Em seguida, lança as Teses de Abril, com três palavras-chaves: paz, terra e pão. Paz para acabar com "a guerra burguesa do capitalismo", reforma agrária e alimentos para todos.

Os preparativos finais da Revolução Comunista são realizados no Instituto Smolny, sede do Comitê Militar Revolucionário, onde estudei. Na madrugada de 25 de outubro de 1917 (7 de novembro pelo calendário atual), os bolcheviques invadem o Palácio de Inverno, derrubam o governo provisório de Alexander Kerensky e tomam o poder. 

No dia seguinte à tomada do poder, Lenin se torna presidente do Conselho dos Comissários do Povo da República Socialista Federativa Soviética da Rússia. Em janeiro de 1918, Lenin dissolve a Assembleia Constituinte, onde os bolcheviques não têm maioria. 

Em março, Lenin expulsa os mencheviques, muda o nome do partido para Partido Comunista. No ano seguinte, funda a Terceira Internacional, a Internacional Comunista (Comintern), para promover uma revolução mundial.

Com a proibição dos outros partidos políticos e a dissolução da Constituinte, Fanya Kaplan considera Lenin um traidor da revolução. Na saída de um comício do líder comunista na fábrica de armas Foice e Martelo, ela dispara três tiros e acerta dois. Presa, é executada em 3 de setembro de 1918 pela Cheka (Comissão Extraordinária de Todas as Rússias), a polícia política do novo regime.

A tentativa de assassinato deflagra uma onda de retaliações dos bolcheviques contra os sociais-revolucionários e outros partidos, aprofundando a guerra civil que acontece depois das revoluções de 1917.

Com a fundação da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, em 30 de dezembro de 1922, Lenin se torna presidente do Comissariado do Povo da URSS, cargo que ocupa até a morte, em 21 de janeiro de 1924.

PRIMEIRO JUIZ NEGRO NA SUPREMA CORTE

    Em 1967, Thurgood Marshall é confirmado como o primeiro juiz negro do supremo tribunal dos Estados Unidos.


Marshall nasce em 2 de julho de 1908 em Baltimore, no estado de Maryland. Sob influência do pai, estuda direito na Universidade Lincoln e na Faculdade de Direito da Universidade Howard, em Washington, a primeira a admitir negros.

Como advogado, se especializa em defender causas envolvendo a questão racial. Torna-se conhecido como Sr. Direitos Humanos em tribunais federais e na Suprema Corte durante o movimento pelos direitos civis dos negros. No caso mais famoso, Brown versus Board of Education, a Suprema Corte acaba com a segregação racial nas escolas, em 1955.

Em 1961, o presidente John Kennedy o nomeia juiz do Tribunal Federal de Recursos da Segunda Região, que inclui os estados de Nova York, Connecticut e Vermont. Depois da morte de Kennedy, o presidente Lyndon Johnson o nomeia advogado-geral da União, em 1965.

Thurgood Marshall chega à Suprema Corte com um longo histórico de luta pelos direitos dos negros. Durante 24 anos, até se aposentar por motivos de saúde, ampliado o legado de luta pelos direitos civis.

HO CHI MINH RESPONDE A NIXON

    Em 1969, chega a Paris, onde se realizam as negociações de paz sobre a Guerra do Vietnã (1955-75), uma carta do líder comunista Ho Chi Minh ao presidente Richard Nixon acusando os Estados Unidos de travar uma "guerra de agressão" contra o Vietnã do Norte "violando nossos direitos nacionais". 


Ho nasce em Kiem Lan em 19 de maio de 1890 com o nome de Nguyen Sinh Cung. Depois de viver em Londres, começa a se interessar em política quando mora na França, de 1919 a 1923, e é influenciado por ideias socialistas. Torna-se político, escritor, poeta, revolucionário e líder da luta pela independência do Vietnã.

De Paris, vai para Moscou, onde trabalha na Internacional Comunista (Comintern). Em novembro de 1924, se muda para Cantão, na China. Aos 36 anos, se casa no mesmo lugar onde Chu Enlai casara, com uma chinesa de 21 anos, Zeng Xueming, porque "preciso de uma mulher que me ensine a língua e cuide da casa".

Quando o líder nacionalista chinês Chiang Kai-shek dá um golpe e começa a perseguir os comunistas, em 1927, Ho volta a Moscou e vai para a Crimeia, onde se cura de uma tuberculose antes de voltar a Paris. Passa pela Bélgica, Alemanha, Suíça e Itália antes de ir para Bangkok, na Tailândia, como agente do Comintern no Sudeste Asiático, em julho de 1928.

No fim de 1929, vai para a Índia e da lá para Xangai, na China, e Hong Kong, onde funda, em 1930, o Partido Comunista do Vietnã e o Partido Comunista da Indochina. Preso em Hong Kong em junho de 1931, escapa de ser deportado para a Indochina Francesa com um advogado de defesa britânico, Frank Loseby.

Libertado, vai para Xangai e volta à União Soviética, onde estuda e leciona no Instituto Lenin. Sob a acusação de ter "tendências nacionalistas", é afastado da liderança do partido durante o Grande Expurso Stalinista (1936-38).

Em 1938, volta à China como assessor militar do Exército Vermelho Chinês. Vai para o Vietnã em 1941 para liderar o movimento de libertação nacional. Com a ocupação japonesa, conduz uma guerra de guerrilhas contra o governo colaboracionista francês de Vichy e o Império do Japão.

Depois da ocupação da França, a potência colonial, pela Alemanha Nazista, em junho de 1940, ele funda na China em 1941 o Viet Minh, a Liga pela Independência do Vietnã, para se contrapor também à invasão japonesa durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45).

No fim da guerra, em 2 de setembro de 1945, quando o Japão assina a rendição, Ho Chi Minh proclama a independência do Vietnã. A França não aceita. Em 19 de dezembro de 1946, começa a Primeira Guerra da Indochina, que vai até 1º de agosto de 1954, depois da vitória vietnamita na Batalha de Bien Dien Phu.

Os Acordos de Paz de Genebra dividem o país em Vietnã do Norte, comunista, e o Vietnã do Sul, anticomunista, em 1954. As eleições de 1955 devem reunificar o país. Quando os Estados Unidos percebem que os comunistas venceriam, em plena Guerra Fria, suspendem as eleições.

Em 1º de novembro de 1955, começa a Segunda Guerra da Indochina ou Guerra do Vietnã (1955-75). O governo Dwight Eisenhower (1953-61) envia os primeiros assessores militares norte-americanos. No fim do governo John Kennedy (1961-63), há mais de 2,8 mil assessores, alguns participando de combates.

A intervenção militar dos EUA começa oficialmente depois do Incidente do Golfo de Tonquim, em 2 de agosto de 1964, forjado pelo governo Lyndon Johnson (1963-69) para obter a aprovação do Congresso para declarar guerra ao Vietnã do Norte.

No auge da intervenção, os EUA têm mais de 500 mil soldados no Vietnã. O fracasso na luta contra o Vietcongue, os guerrilheiros comunistas em ação no Vietnã do Sul, e a rejeição à guerra pela opinião pública levam o presidente Richard Nixon (1969-74) a acelerar as negociações de paz iniciadas em 1968. 

Na carta, Ho Chi Minh alerta que "quanto mais longa for a guerra maiores serão o ônus e os pesares para o povo norte-americano" e defende o plano de paz de 10 pontos da Frente de Libertação Nacional. Exige o "fim da guerra de agressão e a retirada das forças norte-americanas”.

Com o acordo paz, assinado em 27 de janeiro de 1973, os EUA retiram suas tropas de combate da guerra, que termina em 30 de abril de 1975 com uma fuga espetacular dos norte-americanos da embaixada em Saigon, hoje Cidade de Ho Chi Minh, quando os tanques norte-vietnamitas tomavam a capital do Vietnã do Sul para reunificar o país.

Mais de 58 mil norte-americanos e cerca de 2 milhões de vietnamitas morrem na Guerra do Vietnã.

PRIMEIRO ASTRONAUTA NEGRO

    Em 1983, Guion Bluford Jr. se torna o primeiro astronauta de origem africana ao participar de uma missão do ônibus espacial Challenger.

Bluford Jr. nasce na Filadélfia em 22 de novembro de 1942 e se forma em engenharia aeroespacial na Universidade Estadual da Pensilvânia. Ele entra para a Força Aérea e se torna piloto em janeiro de 1966. Faz parte de mais três missões no espaço, todas do ônibus espacial Discovery, em 1985, 1991 e 1992. Ao todo, fica 28 dias no espaço.