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quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Hoje na História do Mundo: 29 de Janeiro

 O CORVO

    Em 1845, o escritor norte-americano Edgar Allan Poe publica no jornal New York Mirror o poema O Corvo, na descrição da Enciclopédia Britânica "uma evocação melancólica de um amor perdido", um dos poemas mais importantes da literatura dos Estados Unidos, traduzido para o português por Fernando Pessoa e Machado de Assis.

PRIMEIRO AUTOMÓVEL

    Em 1886, o engenheiro mecânico alemão Karl Benz registra a patente do primeiro automóvel com motor de combustão interna.

Karl funda a Benz & Co. em 1883 para fabricar motores estacionários de combustão interna. O primeiro carro, o Motorwagen, é projetado e construído em 1885, com três rodas. Está hoje num museu em Munique, na Alemanha. A patente só é registrada em 1886.

A empresa fabrica o primeiro carro de quatro rodas em 1893 e o primeiro carro de corrida em 1899. Em 1923, a Benz se funde com a Daimler Motoren Gesellschaft para formar a Daimler-Benz, fabricante dos automóveis Mercedes Benz, uma marca que é sinônimo de luxo.

LEI SECA

    Em 1919, a Emenda nº 18 à Constituição dos Estados Unidos é ratificada e entra em vigor no ano seguinte, proibindo a fabricação, transporte e venda de bebidas alcoólicas.

O movimento contra as bebidas alcoólicas começa no início do século 19 e ganha força no fim do século 19. A emenda é aprovada em dezembro de 1917 e ratificada por três quartos dos estados, como exige a Constituição dos EUA, em janeiro de 1919.

Nove meses depois, a Lei Volstead regulamenta sua aplicação, inclusive a criação de uma unidade especial do Departamento do Tesouro. A Lei Seca entra em vigor em 17 de janeiro de 1920. A proibição não funciona e cria um mercado negro em que prospera o crime organizado.

Em 5 de dezembro de 1933, a 21ª Emenda acaba com a proibição.

DR. FANTÁSTICO

    Em 1964, entra em cartaz o filme Dr. Fantástico (Dr. Strangelove) ou Como Aprendi a Parar de me Preocupar e Amar a Bomba, do diretor norte-americano Stanley Kubrick, uma farsa e um clássico sobre a corrida armamentista nuclear da Guerra Fria entre os Estados Unidos e a União Soviética.

O roteiro tem um general frustrado com sua impotência sexual que planeja lançar um ataque nuclear contra a URSS, enquanto um grupo eclético de políticos e militares tenta evitar o holocausto nuclear. O personagem é inspirado em Herman Kahn, um estrategista norte-americano que considerava possível ganhar uma guerra termonuclear.

A ideia original é fazer um filme dramático sobre a Guerra Fria baseado no livro Alerta Vermelho, de Peter George, mas Kubrick prefere transformar numa farsa satírica. A cena de um major da Força Aérea cavalgando um míssil nuclear entra para a história do cinema.

O lançamento seria em 22 de novembro de 1963, dia do assassinato do presidente John Kennedy. É adiado para janeiro de 1964. Uma menção a Dallas, onde ocorreu o crime, é substituída por Vegas.

EIXO DO MAL

    Em 2002, no seu primeiro Discurso sobre o Estado da União, a prestação de contas anual do presidente ao Congresso dos Estados Unidos, George Walker Bush acusa o Irã, o Iraque e a Coreia do Norte de fazerem parte de um "eixo do mal", preparando a opinião pública norte-americana para a invasão do Iraque um ano depois.

A Coreia do Norte e o Irã aceleraram seus programas de armas nucleares. Para desafiar os EUA ou resistir aos EUA, é preciso ter armas de destruição em massa, como concluiu o ministro da Defesa da Índia que explodiu a bomba atômica em 1998, Jaswant Singh, ao ver a Guerra do Golfo de 1991.

Meses depois dos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001 e do início da guerra contra Al Caeda e o regime dos Talebã, no Afeganistão, Bush, o filho, sugere que esses países estão desenvolvendo armas de destruição em massa que podem cair em poder de extremistas.

Os EUA invadem o Iraque em 20 de março de 2003 e derrubam a ditadura de Saddam Hussein, mas as armas de destruição em massa nunca são encontradas. Não passam de um pretexto para a invasão. 

quarta-feira, 17 de dezembro de 2025

Hoje na História do Mundo: 17 de Dezembro

 AVIÃO QUE NÃO DECOLA

    Em 1903, os irmãos Orville e Wilbur Wright realizam o primeiro voo de um aparelho mais pesado do que o ar, em Kitty Hawk, na Carolina do Norte, no que é considerado o primeiro voo de avião da história.

A diferença em relação ao 14 bis, criado pelo brasileiro Alberto Santos Dumont, que faz o primeiro voo em 23 de outubro de 1906, é que é o primeiro a decolar. O avião dos irmãos Wright é catapultado, fica 12 segundos no ar e percorre 36 metros.

AR PURO

    Em 1963, entra em vigor uma das primeiras leis ambientais dos Estados Unidos. A Lei do Ar Puro autoriza os governos federal e estaduais a pesquisar a regulamentar a poluição do ar.

A Lei de Controle da Poluição do Ar, de 1955, destina US$ 15 bilhões para estudar o impacto da contaminação do ar no país. Deixa evidente a necessidade de uma legislação mais específica para atacar o problema.

A lei de 1963 é emendada em 1967, 1970, 1977 e 1990. Na opinião da prestigiosa revista Scientific American, é um modelo da legislação necessária. Mas a supermaioria conservadora da Suprema Corte decide, em junho de 2022, que a Agência de Proteção Ambiental não tem autoridade para limitar as emissões de gases de efeito estufa dos estados com base em decretos. Isso só pode ser feito, de acordo com a decisão, por lei aprovada pelo Congresso.

Os ministros são a favor do estado da Virgínia Ocidental, grande produtor de carvão, o mais poluente dos combustíveis fósseis, dificultando a ação do governo federal para conter o aquecimento global.

PRIMAVERA ÁRABE

    Em 2010, o engenheiro desempregado Mohamed Bouazizi, que ganha a vida como camelô vendendo frutas e legumes, tem a mercadoria e a balança confiscadas pelo fiscal Faida Hamdi e se autoimola em Sidi Bouzid, na Tunísia. Sua morte, em 4 de janeiro de 2011, deflagra a onda de protestos e revoluções conhecida como Primavera Árabe.

Depois do confisco, Bouazizi vai até a delegacia de polícia para tentar recuperar sua balança elétrica. Sem sucesso, tenta uma audiência com o governador regional. Quando não consegue, por volta de 11h30, joga combustível sobre a cabeça e a roupa, e toca fogo.

Ao saber a imolação, seu primo Ali Bouazizi vai até o local e filma Mohamed ao ser colocado numa ambulância e os protestos com a situação. Publica as imagens no Facebook e manda para a televisão árabe Al Jazira, que bota a reportagem no ar naquela noite.

No dia seguinte, uma onda de protestos se espalha pela Tunísia. Primeiro, o ditador Zine El Abidine Ben Ali manda reprimir as manifestações. Em 28 de dezembro, visita Bouazizi no hospital. O fiscal, que o teria esbofeteado, é preso.

Com a morte de Bouazizi, os protestos se intensificam. Dez dias mais tarde, em 14 de janeiro, depois de ficar 23 anos no poder, Ben Ali foge para a Arábia Saudita. A Primavera Árabe se espalha pelo Egito, o Bahrein, o Iêmen, a Líbia e a Síria. 

No Egito, a revolução começa em 25 de janeiro, com protestos contra a brutalidade policial, o estado de emergência em vigor há décadas, a falta de liberdade, a censura, a corrupção, o desemprego, a inflação e os baixos salários.

A Primavera Árabe é um produto da Grande Recessão (2008-9), a crise econômico-financeira deflagrada pela falência de banco de investimentos norte-americano Lehman Brothers, em 15 de setembro de 2008. A economia egípcia crescia em média 8% ao ano no início do século. O ditador Hosni Mubarak, no poder há quase 30 anos, cai em 11 de fevereiro.

Quatro dias depois, começa a guerra civil na Líbia, que não termina com a fuga do ditador Muamar Kadafi, em agosto, e sua morte, em 20 de outubro, em meio a uma intervenção militar internacional liderada pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) com autorização do Conselho de Segurança das Nações Unidas. 

A Líbia está até hoje em guerra civil, assim como o Iêmen. Na Síria, onde cerca de 618 mil pessoas foram mortas, de acordo com o Observatório Sírio dos Direitos Humanos, uma organização não governamental ligada à oposição, a guerra civil parece ter terminado com a queda do ditador Bachar Assad em 8 de dezembro de 2024.

Só na Tunísia a Primavera Árabe levou a uma democratização do país, mas o autoritarismo está de volta com a eleição em 2019 do presidente Kais Saied. Em 25 de julho de 2021, ele demite o primeiro-ministro, fecha o Parlamento e acaba com a imunidade parlamentar.

MORRE O QUERIDO LÍDER    

    Em 2011, o ditador da Coreia do Norte, Kim Jong Il, morre do coração quando viaja pelo interior do país e é sucedido pelo filho Kim Jong Un, depois de suceder o pai, o Grande Líder Kim Il Sung, fundador do país e de um comunismo dinástico.

Kim Jong Il nasce em 1941 numa base militar soviética em Khabarovsk, na Rússia, onde seu pai articula a resistência contra o Japão. Ao virar líder, a história oficial afirma que ele nasceu em 16 de fevereiro de 1942 no Monte Paektu, sobre o qual surgiram uma nova estrela e um duplo arco-íris.

Querido Líder, que de acordo com a história oficial do regime stalinista norte-coreano "nunca defecou", chega ao poder em 1994 e mantém a ditadura impiedosa no país mais fechado do mundo.

Como a Coreia do Norte perde seu patrocinador com o fim da União Soviética em 1991, é um período de miséria, escassez, fome e falta de energia. Kim Jong Il faz os primeiros testes nucleares, o primeiro em 9 de outubro de 2006 e um total de seis desde então.

Kim II é sucedido por Kim III, Kim Jong Un, meses depois da queda e morte do ditador Muamar Kadafi, que acaba com os programas de armas de destruição em massa e se aproxima do Ocidente durante a guerra contra o terrorismo, mas vira alvo de uma intervenção militar da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) na Líbia.

Com medo de seguir o destino de Kadafi, Kim Jong Un acelera o programa nuclear, faz mais quatro testes e desenvolve mísseis de longo alcance, capazes de atingir o território continental dos EUA.

EUA E CUBA REATAM RELAÇÕES DIPLOMÁTICAS

    Em 2014, depois de 53 anos, os Estados Unidos e Cuba anunciam o reatamento de relações diplomáticas.

Os EUA impõem um embargo econômico a Cuba, proibindo exportações, com a exceção de alimentos e medicamentos, em outubro fr 1960 por cauda da estatização da propriedades de norte-americanos pela revolução liderada por Fidel Castro e rompem com Cuba em 3 de janeiro de 1961, poucos dias antes do fim do governo Dwight Eisenhower (1953-61).

No início do governo John Kennedy (1961-63), há a fracassada Invasão da Baía dos Porcos, quando exilados cubanos tentam derrubar Fidel numa operação com o apoio da CIA (Agência Central de Inteligência), numa articulação atribuída a Richard Nixon, vice-presidente de Eisenhower.

Em 3 de fevereiro de 1962, Kennedy amplia o embargo econômico a praticamente todo o comércio, o que persiste até hoje. O regime comunista culpa esse embargo pela crise econômica permanente.

No pior momento das relações bilaterais, a Crise dos Mísseis Soviéticos em Cuba quase deflagra uma guerra nuclear. Em 14 de outubro de 1962, um avião espião U-2 dos EUA fotografa obras para a construção de silos para os mísseis da União Soviética, que lança o primeiro satélite artificial da Terra, o Sputnik, em 4 de outubro de 1957, mas não desenvolve a tecnologia de mísseis intercontinentais como os EUA e fica atrás na corrida nuclear. Os mísseis em Cuba equilibrariam a balança. 

Dois dias depois, o presidente Kennedy recebe as fotos já analisadas pelos serviços de inteligência. Em 22 de outubro, decreta um bloqueio aeronaval a Cuba para impedir a chegada de novos mísseis e ameaça abordar navios soviéticos que tentem furar o cerco.

Quando os EUA se preparam para invadir Cuba, a URSS recua e concordar em retirar os mísseis em troca de um acordo tácito com para que os EUA não invadam Cuba. A Crise dos Mísseis acaba em 27 de outubro de 1962. Um telefone vermelho com uma linha direta para desarmar crises entre as superpotências é instalado na Casa Branca e no Kremlin.

Os EUA tentam matar Fidel mais de 600 vezes. O regime comunista cubano resiste com ajuda da URSS. Entra numa crise grave com o fim da URSS em 1991, o Período Especial, com racionamento rigoroso.

Em 23 de outubro de 1992, com a aprovação da Lei da Democracia em Cuba, mais conhecida como Lei Torricelli, o embargo passa a ser lei aprovada pelo Congresso dos EUA, o que significa que só o Congresso pode revogá-la. Endurece o embargo ao proibir filiais de empresas norte-americanas sediadas no exterior de comerciar com Cuba e impor restrições à ajuda humanitária. 

A Lei da Liberdade em Cuba e Solidariedade Democrática, mais conhecida como Lei Helms Burton. de 1996, torna o embargo ainda pior ao punir empresas que "trafiquem" com o que foi propriedade de norte-americanos e seus donos e executivos.

As negociações para o reatamento são intermediadas pelo Canadá e pelo papa Francisco. As embaixadas são reabertas oficialmente em julho de 2015. Em março de 2016, o presidente Barack Obama faz uma visita histórica a Havana e se encontra com o ditador Raúl Castro.

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terça-feira, 8 de julho de 2025

Hoje na História do Mundo: 8 de Julho

 CAMINHO DAS ÍNDIAS

    Em 1497, o navegador português Vasco da Gama zarpa de Lisboa com uma frota de quatro navios em busca do caminho marítimo para a Índia contornando o Sul da África.

A frota de Vasco da Gama dá a volta no Cabo da Boa Esperança, no extremo sul da África, dobrado por Bartolomeu Dias, em 1488. Em Malinde, na costa oriental da África, encontra um mercador indiano que a guia até a Índia, onde chega em 20 de maio de 1498. 

Durante a viagem, ao se afastar da costa da África para evitar as calmarias, Vasco da Gama teria visto aves e plantas aquáticas num sinal de que haveria terra por perto e teria dito isto a Pedro Álvares Cabral, que em 1500 descobre o Brasil para os portugueses.

Em Calicute, Vasco da Gama enfrenta a hostilidade de mercadores muçulmanos e tem de lutar para voltar a Portugal, onde chega em setembro de 1499. Ele volta à Índia em 1502 para vingar um massacre de portugueses. Em 1524, é enviado como vice-rei da Índia, onde contrai malária e morre na cidade de Cochim, em 24 de dezembro de 1524.

ALMIRANTE PERRY AMEAÇA O JAPÃO

    Em 1853, o almirante Matthew Perry entra na Baía de Tóquio com uma esquadra de quatro navios e ameaça bombardear a cidade para abrir o Japão ao comércio internacional.


 
Depois de dar um tempo para as autoridades japonesas examinarem o assunto, Perry volta em março de 1854 com nove navios.

Sem condições de reagir, os japoneses aceitam certas exigências do presidente Millard Fillmore (1853-50). Os Estados Unidos se tornam o primeiro país a estabelecer relações com o Japão depois de dois séculos em que o país se fecha para estrangeiros.

Desde 1639, só a China e a Holanda comerciavam com o Japão e apenas na ilha de Dejima, em Nagasáki, a segunda cidade bombardeada com uma bomba atômica, em 9 de agosto de 1945.

Em 31 de março de 1854, o almirante assina o Tratado de Kanagawa, pelo qual o Japão abre os portos de Shimoda e Hakodate, e permite a instalação de um consulado norte-americano no país.

A pressão dos EUA acaba com o xogunato. É o fim da Idade Média japonesa, em 1868, com a Restauração Meiji, que restitui os poderes do imperador. 

Para não ser colonizado pelo Ocidente, o Império do Japão se ocidentaliza e se torna uma potência que vence a China na Guerra Sino-Japonesa (1894-95), a Rússia na Guerra do Pacífico (1904-5) e enfrenta o colonialismo ocidental na Ásia durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45).

MacARTHUR COMANDA GUERRA DA COREIA

    Em 1950, o presidente Harry Truman nomeia o general Douglas MacArthur comandante militar dos Estados Unidos na Guerra da Coreia (1950-53), um dia depois que o Conselho de Segurança das Nações Unidas recomenda que as forças internacionais sejam colocadas sob o comando militar norte-americano.

A Coreia é ocupada pelo Japão em 1910. Com a derrota japonesa na Segunda Guerra Mundial, os EUA ocupam o Sul da Península Coreana. A União Soviética declara guerra ao Japão em 9 de agosto de 1945, dia da explosão da bomba atômica em Nagasaki, e invade o Norte da Coreia.

A península é dividida oficialmente em 1948, quando nascem a Coreia do Norte e a Coreia do Sul. Em 25 de junho de 1950, o Norte, comunista, invade o Sul para tentar reunificar a Coreia. Como a União Soviética estava boicotando a ONU por causa da não admissão da República Popular da China, os EUA obtêm um mandato do Conselho de Segurança, que têm até hoje, para reunificar a Península Coreana.

A Guerra da Coreia termina em 27 de julho de 1953. Até hoje, não foi assinado um acordo de paz.

GOLPE NA GUATEMALA

    Em 1954, o coronel Carlos Castillo Armas toma o poder na Guatemala no segundo golpe de Estado articulado pela CIA (Agência Central de Inteligência dos EUA) durante a Guerra Fria, o primeiro na América Latina. 

A história é contada no livro de ficção Weekend in Guatemala, do escritor guatemalteco Miguel Ángel Asturias, ganhador do Prêmio Nobel de Literatura em 1967.

O golpe derruba o presidente nacionalista Jacobo Árbenz, que fizera uma reforma agrária e estatizara propriedades da companhia bananeira United Fruit, que muda de nome para Chiquita Brands para tentar apagar a imagem associada a golpes de Estado.

Depois da Colômbia, a Guatemala é o país com o maior número de mortos na América Latina durante a Guerra Fria, entre 150 e 200 mil. A democracia só é restaurada plenamente no país em 1984, mas a corrupção é endêmica até hoje.

O primeiro golpe militar apoiado pelos EUA na Guerra Fria é em 1953, no Irã, contra o primeiro-ministro Mohamed Mossadegh, que nacionalizara o petróleo iraniano.

Ao falar sobre o golpe militar de 1964 no Brasil num curso sobre a história da política externa brasileira, o embaixador Gélson Fonseca disse acreditar que a principal causa do apoio dos EUA foi econômica. Os EUA temeriam especialmente Leonel Brizola, que havia estatizado empresas transnacionais quando era governador do Rio Grande do Sul.

MORTE DO GRANDE LÍDER

    Em 1994, morre o Grande Líder Kim Il Sung, fundador da Coreia do Norte.


 Kim luta nos anos 1930 contra a ocupação japonesa e é escolhido pela União Soviética, onde faz treinamento político e militar. Ele luta pelo Exército Vermelho na Segunda Guerra Mundial (1939-45), funda a Coreia do Norte em 1948 e inicia a Guerra da Coreia, em 25 de junho de 1950, tentando reunificar o país sob o regime comunista.

Com a intervenção militar dos Estados Unidos e depois da China, a guerra termina num impasse, sem mudar a divisão da Coreia. Nas próximas quatro décadas, Kim isola o país com sua política de autossuficiência (Juche), causando fome e falta de energia, problemas que o país tem até hoje.

Depois da morte, numa sucessão dinástica num regime comunista, é sucedido pelo filho e Querido Líder Kim Jong Il, que explode a primeira bomba atômica do país em 2006. Ao morrer, em 2011, ascende ao poder seu filho Kim Jong Un, neto do Grande Líder, que acelera os programas de mísseis e de armas nucleares – e ameaça bombardear os EUA.

O presidente Donald Trump faz três encontros de cúpula com o jovem Kim. Legitima o ditador na expectativa de desnuclearizar a Península Coreana, mas as negociações não avançam. 

quarta-feira, 25 de junho de 2025

Hoje na História do Mundo: 25 de Junho

 MAIOR VITÓRIA INDÍGENA 

    Em 1876, as tribos Sioux lideradas por Touro Sentado e Cavalo Doido vencem o 7º Regimento de Cavalaria do Exército dos Estados Unidos, comandado pelo coronel George Custer, perto do Rio Little Big Horn, no Sul do estado de Montana.

Depois da descoberta de ouro em Dakota do Sul, o Exército dos EUA entra na região, ignorando os tratados vigentes. Muitos sioux e cheyennes abandonam as reservas e se juntam a Touro Sentado e Cavalo Doido em Montana.

Na primavera de 1876, há 10 mil índios acampados junto ao Rio Little Big Horn, desafiando ordens do governo norte-americano de voltar para suas reservas. Três colunas do Exército são enviadas para atacar os indígenas. Em 17 de junho, 1,2 mil nativos rechaçam a primeira ofensiva do Exército.

Cinco dias depois, o general Alfred Terry manda o coronel Custer e o 7º Regimento da Cavalaria. Na manhã de 25 de junho, Custer chega perto do acampamento e decide atacar, sem esperar os reforços que estão a caminho. Ao meio-dia, Custer entra no Vale de Little Big Horn com 600 homens. Os índios logo percebem o ataque.

Enquanto Touro Sentado, mais velho, organiza a retaguarda para proteger mulheres e crianças, Cavalo Doido parte para um contra-ataque frontal. Custer e um batalhão de 200 homens enfrentam 3 mil indígenas. Em um hora, o coronel e todos os seus soldados morrem.

A Batalha de Little Big Horn é a maior vitória dos índios e a maior derrota do Exército nas guerras indígenas dos EUA. A morte de Custer e seus homens reforça a imagem de "selvagens" dos nativos.

Cinco anos depois, quase todos os cheyennes e sioux estão confinados em reservas. Em 29 de dezembro de 1890, eles são massacrados num acampamento junto ao Riacho de Wounded Knee, no estado de Dakota do Sul. Pelo menos 150 homens, mulheres e crianças indígenas morrem.

ZEBRA NA COPA DE 1950

    Em 1950, um time de amadores dos Estados Unidos derrota a Inglaterra por 1-0 em Belo Horizonte na primeira Copa do Mundo no Brasil, numa das maiores zebras da história do futebol. Os ingleses se consideram os reis do futebol e disputam sua primeira Copa do Mundo.

O gol é marcado por Joe Gaetjens, nascido no Haiti. Mais tarde, ele volta à sua terra natal e desaparece durante a ditadura de François Duvalier, o Papa Doc (1957-71).

INÍCIO DA GUERRA DA COREIA

     Em 1950, a Coreia do Norte invade a Coreia do Sul no começo da Guerra da Coreia.


Os Estados Unidos e aliados reagem e entram na guerra com um mandato do Conselho de Segurança das Nações Unidas para reunificar a Península Coreana. A União Soviética, que criara a Coreia do Norte, não veta. Está boicotando a ONU por causa da não admissão da República Popular a China.

Os EUA repelem a invasão norte-coreana e invadem a Coreia do Norte, levando o 4º Exército da China, comandado por Lin Piao, a entrar na guerra, em outubro de 1950, e a empurrar as forças americanas e aliadas de volta para o Sul, restaurando a situação anterior ao conflito armado. A partir daí, há um equilíbrio de forças, um impasse, até o fim dos combates, em 27 de julho de 1953.

Dentro da Guerra da Coreia, há uma guerra entre EUA e China. A China ganha, ao atingir seu objetivo político de restaurar o status quo pré-guerra, evitando a presença de um aliado dos EUA junto à sua fronteira. Os dois países nunca mais entram em guerra. 

Agora que a China também se torna uma superpotência e disputa a supremacia mundial, o risco de conflito aumenta. O maior desafio das relações internacionais nos próximos anos e décadas será acomodar a ascensão da China e o declínio relativo dos EUA. 

Cerca de 5 milhões de pessoas morrem na Guerra da Coreia. Até hoje, não há um acordo de paz definitivo. Os EUA mantêm 28,5 mil soldados na Coreia do Sul e, desde 2006, a Coreia do Norte possui armas nucleares. O presidente Donald Trump tenta um diálogo direto com o ditador Kim Jong Un, sem sucesso. O atual ditador é neto do Grande Líder Kim Il Sung, que começou a guerra.

TERROR NA ARÁBIA SAUDITA

    Em 1996, um atentado terrorista com um caminhão-bomba carregado com 11 toneladas de explosivos atinge as Torres Khobar, um complexo habitacional de soldados da Força Aérea dos Estados Unidos em Darã, na Arábia Saudita, matando 19 militares e ferindo outros 498.


É a pior ação terrorista contra militares norte-americanos desde o ataque com caminhão-bomba contra o quartel-general dos fuzileiros navais em Beirute, no Líbano, que matou 241 soldados em 23 de outubro de 1983.

Os EUA acusam a milícia fundamentalista xiita libanesa Hesbolá, apoiada pelo Irã, pelo ataque às Torres Khobar. Em julho de 2020, a Justiça norte-americana condena o Irã a pagar US$ 879 milhões, R$ 4,2 bilhões pelo câmbio atual sem correção monetária, de indenização aos sobreviventes.

SENTENCIADO ASSASSINO DE FLOYD

    Em 2021, a Justiça dos Estados Unidos sentencia o ex-policial branco Derek Chauvin a 22 anos e meio de prisão pelo assassinato do segurança negro George Floyd, em Mineápolis, em 25 de maio de 2020.


Durante 9 minutos e 25 segundos, o policial pressiona o pescoço de Floyd, algemado e caído de bruços no chão, enquanto a vítima reclama: "Eu não consigo respirar."

As imagens feitas por uma menor de idade correm o mundo e causam uma onda de protestos contra o racismo e a violência policial em dezenas de países do mundo inteiro. Ao proferir a sentença, o juiz Peter Cahill considera agravantes a "grande crueldade" de Chauvin e a presença de menores assistindo a tudo. 

sexta-feira, 13 de junho de 2025

Hoje na História do Mundo: 13 de Junho

 MORTE DE ALEXANDRE O GRANDE

    Em 323 antes de Cristo, morre aos 33 anos na Babilônia, hoje parte do Iraque, Alexandre, o Grande, da Macedônia, um dos maiores generais de todos os tempos.

Filho de Felipe II, da Macedônia, Alexandre é discípulo de Aristóteles. 

Aos 16 anos, Alexandre Magno lidera as primeiras tropas em combate. Depois da morte do pai, invade o Oriente Médio. Em 330 antes de Cristo, havia derrotado o Império Persa e conquistado todo o Oriente Médio. Em 327 AC, tomara o Afeganistão, a Ásia Central e o Norte da Índia.

REVOLTA CAMPONESA SAQUEIA LONDRES

     Em 1381, durante a Revolta Camponesa, um exército camponês liderado por Wat Tyler invade, saqueia e incendeia Londres. Vários prédios públicos são destruídos, prisioneiros libertados e um juiz decapitado.

A Revolta Camponesa tem sua origem na pior pandemia da história, a Peste Negra (1346-53), segunda pandemia da peste bubônica, quando morrem 30% a 60% da população da Europa, com estimativas de mortes variando de 70 a 200 milhões de pessoas. 

A escassez de mão de obra força uma alta de salários, mas o Parlamento Britânico resiste à mudança do sistema feudal, aprova leis para conter os salários e estimula os proprietários de terra a exercer seus direitos de senhorio e manter a servidão. Quando o Parlamento aprova uma lei restringindo o direito de voto ao aumentar o valor de um imposto cobrado por pessoa, em 30 de maio de 1381, estoura a Revolta Camponesa.

Wat Tyler, líder rebelde do Condado de Kent, marcha sobre Londres com seu exército camponês depois de tomar Maidstone, Rochester e a Cantuária no caminho depois que a corte rejeita seu pedido de uma audiência com o rei Ricardo II.

No dia seguinte, o rei, de apenas 14 anos, se reúne com líderes camponeses em Mile End e aceita acabar com a servidão e com as restrições no mercado de trabalho. Mas a revolta prossegue. Tyler toma a Torre de Londres, na única vez que a fortaleza é conquistada, e executa o arcebispo da Cantuária.

Quando o rei encontra Tyler em Smithfield, em 15 de junho, o líder rebelde faz novas exigências, inclusive confiscar as propriedades da Igreja. Irritado com a arrogância de Tyler, o prefeito de Londres, William Walworth, o ataca e mata a golpes de espada.

O rei suspende as concessões, mobiliza um exército de 4 mil homens e derrota a rebelião. Até novembro, pelo menos 1,5 mil rebeldes são mortos.

PRIMEIRO JUIZ NEGRO DA SUPREMA CORTE 

   Em 1967, o presidente Lyndon Johnson nomeia o juiz federal Thurgood Marshall como primeiro ministro negro da Suprema Corte dos Estados UnidosO Senado aprova a indicação por 69 a 11.

Bisneto de escravos, Marshall nasce em Baltimore, no estado de Maryland, em 2 de julho de 1908. Ele se forma em direito em 1933, sob a tutela do advogado defensor dos direitos civis Charles Houston. 

Três anos depois, começa a trabalhar no setor jurídico da Associação Nacional para o Avanço das Pessoas de Cor (NAACP). De 1938 a 1961, como principal advogado da NAACP, ele defende 32 causas junto à Suprema Corte.

NY TIMES PUBLICA PAPÉIS DO PENTÁGONO 

   Em 1971, o jornal The New York Times publica os Papéis do Pentágono, ou A História do Processo de Tomada de Decisões dos EUA sobre o Vietnã, uma análise sobre o envolvimento do país na Guerra do Vietnã.

Os documentos dos governos John Kennedy (1961-63) e Lyndon Johnson (1963-69) são furtados por Daniel Ellsberg, um ex-analista do Departamento da Defesa que vira ativista contra a guerra. O governo Richard Nixon (1969-74) tenta proibir a publicação. Em 30 de junho, a Suprema Corte decide que o jornal tem o direito de publicar.

CÚPULA DAS COREIAS

    No ano 2000, o presidente da Coreia do Sul, Kim Dae Jung, se encontra com ditador da Coreia do Norte, Kim Jong Il, na primeira reunião de cúpula dos dois países.

O Japão ocupa a Coreia de 1910 até o fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45). A União Soviética declara guerra ao Japão em 9 de agosto de 1945, dia em que os Estados Unidos jogam a bomba atômica em Nagasáki, invade o Norte da Península Coreana e as Ilhas Kurilas do Sul. Os EUA, que derrotam o Japão, ocupam o Sul.

Com o país dividido no início da Guerra Fria, o Norte se transforma na República Popular Democrática da Coreia, comunista, aliada da URSS, sob a liderança de Kim il Sung, líder da guerrilha comunista contra a ocupação japonesa. O Sul vira a República da Coreia, capitalista, aliada dos EUAAmbas reivindicam a soberania sobre toda a Península Coreana.

Em 25 de junho de 1950, a Coreia do Norte invade o Sul e começa a Guerra da Coreia (1950-53), que termina com a restauração do status quo anterior à guerra, sem que nenhum dos lados consiga unificar o país. A guerra acaba com um armistício. Até hoje, não há um acordo de paz definitivo.

Kim Dae Jung é o grande líder da democratização da Coreia do Sul, sequestrado pela ditadura militar num plano para matá-lo, é condenado à morte por traição. Com a redemocratização, é o primeiro líder da oposição eleito presidente, em 1998.

Sua política do Brilho do Sul, uma tentativa de melhorar as relações entre as duas Coreias, leva à reunião de cúpula com Kim Jong Il.

Em 2006, sob Kim Jong Il, a Coreia do Norte faz sua primeira explosão atômica e vira uma potência nuclear, agravando ainda mais a situação na Península Coreana, a última fronteira da Guerra Fria.

quinta-feira, 12 de junho de 2025

Hoje na História do Mundo: 12 de Junho

 PROCLAMAÇÃO DE INDEPENDÊNCIA DAS FILIPINAS

    Em 1898, durante a Guerra Hispano-Americana, os rebeldes liderados por Emilio Aguinaldo proclamam a independência das Filipinas depois de mais de 300 anos de colonização pelo Império Espanhol, mas os Estados Unidos promovem a independência de Cuba e anexam as Filipinas e Porto Rico ao vencer a Espanha.

A ocupação das Filipinas pelos espanhóis em 1565 é a primeira violação do Tratado de Tordesilhas (1494), antes de Portugal avançar na América para conquistar a Amazônia, o Mato Grosso e a maior parte do que é hoje o Sul do Brasil.

CHICK COREA NASCE

    Em 1941, o pianista de jazz com formação clássica, tecladista, compositor e líder de banda Chick Corea nasce em Chelsea, no estado de Massachusetts.


Armando Anthony Chick Corea desenvolve seu estilo de tocar piano sob a influência de Bill Evans, Horace Silver, Herbie Hancock e McCoy Tyner. Ele toca com Stan Getz e Miles Davis, entre outros músicos, antes de formar suas próprias bandas.

INDIANA JONES ESTREIA

    Em 1981, o filme de ação e aventura Indiana Jones e os Caçadores da Arca Perdida, dirigido por Steven Spielberg, com produção de George Lucas e Harrison Ford no papel principal, estreia e faz um estrondoso sucesso de bilheteria, o que leva a uma série de filmes com o personagem.

Indiana Jones é um arqueólogo. Precisa encontrar a Arca da Aliança, uma relíquia bíblica que guarda os Dez Mandamentos. Como a arca torna as pessoas invencíveis, os nazistas entram na luta para assumir o controle de objeto tão precioso.

O filme fatura mais de US$ 384 milhões na bilheteria. Ganha Óscars de direção de arte, sonoplastia, edição de som e efeitos especiais.

REAGAN LANÇA REPTO A GORBACHEV

    Em 1987, diante do Muro de Berlim, o presidente norte-americano Ronald Reagan desafia o líder soviético Mikhail Gorbachev a derrubar o grande símbolo da divisão do mundo durante a Guerra Fria.
Na frente do muro, em discurso no Portão de Brandemburgo, em Berlim Ocidental, Reagan pede a queda do muro erguido pelo regime comunista da Alemanha Oriental na noite de 12 para 13 de agosto de 1961 e reconstruído várias vezes para torná-lo mais sólido e inexpugnável.

No fim da Segunda Guerra Mundial, as forças aliadas ocupam a Alemanha. As partes tomadas pelos EUA, a França e o Reino Unido formam a Alemanha Ocidental, capitalista e democrática. A União Soviética impõe o stalinismo aos países da Europa Oriental e transforma sua parte da Alemanha em Alemanha Oriental.

Com o desenvolvimento do lado ocidental e a estagnação e repressão do lado oriental, os alemães-orientais começaram a "votar com os pés", fugindo para a Alemanha Ocidental até a construção do muro. Durante décadas, o Muro de Berlim foi a cicatriz viva da Guerra Fria. 

Em 9 de novembro de 1989, em meio às revoluções liberais na Europa Oriental, permitidas pela abertura democrática de Gorbachev no Bloco Soviético, o muro é aberto e depois demolido. Em 3 de outubro de 1990, a Alemanha é reunificada.

TERROR EM BOATE GAY

    Em 2016, um terrorista ataca a boate gay Pulse, na cidade de Orlando, na Flórida, com uma arma de guerra matando 49 pessoas e ferindo outras 53.
 
Na época, é a pior matança da história dos EUA. Omar Mateen, de 29 anos, muçulmano, alega agir em nome da organização terrorista Estado Islâmico. É cercado, baleado e morto pela polícia.

DEVOLVIDO EM COMA

    Em 2017, o estudante norte-americano Otto Wambier, de 22 anos, preso um ano e cinco meses antes na Coreia do Norte, é devolvido aos EUA em estado de coma e morre dias depois.
 
Wambier fazia uma excursão à Coreia do Norte. É detido por roubar um cartaz de propaganda no corredor de um hotel. Num julgamento de apenas uma hora, é condenado pelo regime comunista norte-coreano a 15 anos de trabalhos forçados.

Quando Wambier entra em coma por causa da tortura, a Coreia do Norte entra em contato com os EUA. De volta aos EUA, é hospitalizado no Centro Médico da Universidade de Cincinnati, no estado de Ohio. Exames de imagem mostram grandes lesões no cérebro. 

Os norte-coreanos alegam que ele contraiu botulismo e tomava remédios para dormir. Uma semana depois, Otto Wambier morre. Um mês depois da morte, os norte-americanos são proibidos de viajar à Coreia do Norte.

terça-feira, 3 de junho de 2025

Oposição liberal vence eleição na Coreia do Sul

 Num momento crítico por causa do impeachment do agora ex-presidente Yoon Suk Yeol, da guerra comercial do presidente Donald Trump e do realinhamento da Coreia do Norte com a Rússia, o líder da oposição liberal, deputado Lee Jae Myung, de 61 anos, foi eleito hoje presidente da Coreia do Sul. 

Os liberais defendem um relacionamento sem confrontação com a China e a Coreia do Norte. Querem manter o alinhamento automático com os Estados Unidos, mas não um conflito numa nova guerra fria, o que pode dificultar as negociações com Trump.

Lee, do Partido Democrático (PD), de centro-esquerda, conquistou 49,4% dos votos contra 41,2% do conservador Kim Moon Soo, do Partido do Poder Popular (PPP), que admitiu a derrota na manhã desta quarta-feira pela hora local.

Como Yoon foi afastado com menos de três anos de um mandato de cinco anos, Lee tomou posse nesta quarta-feira e não em dois meses, que seria o prazo normal. Seu partido controla a Assembleia Nacional. Assim, a expectativa é de estabilidade política interna.

Yoon afundou o país no caos ao apelar à lei marcial em 3 de dezembro do ano passado pela primeira vez desde a democratização do país, em 1987, e mandar o Exército cercar o parlamento. Dez dias depois, foi destituído num processo de impeachment confirmado em 4 de abril deste ano por unanimidade dos oito juízes do Supremo Tribunal de Justiça participantes do julgamento, como prevê a Constituição, que para isso exige maioria de dois terços.

No discurso da vitória, Lee prometeu restaurar a democracia depois da tentativa de golpe de seis meses atrás e do impeachment de Yoon, para quem perdeu a eleição anterior por menos de 1% em 2022, quando defendeu ideias consideradas radicais como uma renda mínima universal. Desta vez, marchou para o centro.

O novo presidente prometeu garantir que "os militares nunca mais vão usar as armas que lhes foram confiadas pelo povo para dar um golpe" e manter a aliança com os EUA, que vem desde a Guerra da Coreia (1950-53), como a base da política do país. Mas já se apresentou como o Bernie Sanders sul-coreano. A inspiração no senador socialista norte-americano pode atrapalhar a relação com Trump.

O primeiro grande desafio será negociar com Trump, que ameaçou em 2 de abril impor tarifas de 25% sobre as importações de produtos sul-coreanos e também quer que o país aumente os gastos militares para ajudar a contrabalançar o crescente poderio militar da China.

Os EUA mantêm forças militares no país desde a Guerra da Coreia. Hoje, têm em torno de 28,5 mil soldados, o que se tornou importante para Washington diante da nova guerra fria com a China.

Ao mesmo tempo e apesar de Trump, o novo governo vai tentar melhorar as relações com a China, a Rússia e especialmente a Coreia do Norte, sem esquecer do Japão, um inimigo histórico que virou aliado na Guerra Fria, embora ainda haja um grande ressentimento pela brutal ocupação japonesa (1910-45).

"Lee Jae Myung é mais simpático à China, mais pragmático, menos ideológico, portanto as relações com Beijim devem melhorar", comentou David Tizzard, professor da Universidade Feminina de Seul e colunista do jornal Korean Times. É um contraste com o discurso antichinês e anticomunista do PPP, mais focado na relação trilateral com os EUA e o Japão.

Seu partido estava no poder quando mediou três encontros de Trump com o ditador norte-coreano, Kim Jong Un, em 2018 e 2019, para tentar negociar a paz definitiva na Península Coreana, a última fronteira da Guerra Fria, até hoje em estado de guerra.

Outro desafio será combater a desaceleração da economia sul-coreana, hoje a 13ª maior do mundo, com produto interno bruto de 2025 previsto em US$ 1,79 trilhão pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). Na semana passada, o Banco da Coreia reduziu a expectativa de crescimento para este ano de 1,5% para 0,8%. A Bolsa de Valores de Seul atingiu na quarta-feira o maior índice em 10 meses.

Ex-operário, de família pobre, com uma lesão no braço em consequência de um acidente industrial, Lee conseguiu uma bolsa de estudos e se formou em direito. Depois de duas décadas como ativista social, ele entra no PD. Foi prefeito, governador da maior província sul-coreana e cumpria o segundo mandato como deputado. Em janeiro, foi alvo de uma tentativa de assassinato. A facada atingiu o pescoço e exigiu uma longa cirurgia. Passou a andar com colete a prova de bala sob a proteção de segurança.

A Coreia do Sul, hoje com 51,7 milhões de habitantes, foi o único país em desenvolvimento além de Cingapura, uma cidade-estado, a se tornar rico no século passado.