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quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

Hoje na História do Mundo: 11 de Fevereiro

 NASCE THOMAS EDISON

    Em 1847, nasce em Milan, no estado de Ohio, Thomas Alva Edison, o maior inventor de todos os tempos, que registra 1.093 patentes nos Estados Unidos e 2 mil no mundo inteiro. 

Edison recebe pouca educação formal, como acontece com a maioria dos norte-americanos na época. Com problemas de audição desde a infância, começa a trabalhar como operador de telégrafo aos 16 anos e logo usa sua engenhosidade para aperfeiçoar o sistema.

A partir de 1869, Edison torna-se inventor em tempo integral. Em 1876, ele se muda para um laboratório em Menlo Park, em Nova Jérsei, onde inventa o fonógrafo no ano seguinte tentando criar uma máquina para gravar conversas telefônicas.  Passa a ser conhecido como o Gênio de Menlo Park.

É o primeiro grande sucesso. Edison e sua equipe inventam a lâmpada de filamento incandescente em 1879 e precursores da câmera e do projetor de cinema nos anos 1880.

Sua maior contribuição é no campo da eletricidade. Edison desenvolve um sistema de distribuição de luz e energia, cria em Nova York a primeira usina de energia elétrica, inventa a bateria alcalina e o trem movido a energia elétrica. Ao todo, registra 1.093 patentes nos EUA e mais de 2 mil contando as invenções patenteadas no exterior.

O fonógrafo vai sendo aperfeiçoado na maneira de gravar e reproduzir até o surgimento disco musical de 78 rotações por minutos em 1915. Cada lado toca por 4 minutos e 30 segundos em média. 

Em 1948, a Columbia Records lança o LP (long playing) de 33,3 rpm, com cerca de 30 minutos de gravação de cada lado. 

A gravação estereofônica, em dois canais de som distintos, surge em 1958 e cria o som de alta fidelidade. 

TRATADO DE LATRÃO

    Em 1929, o ditador fascista Benito Mussolini e o representante do Vaticano Pietro Gasparri assinam o Tratado de Latrão, em que a Itália reconhece a soberania papal sobre a Cidade do Vaticano, um enclave de 45 hectares dentro de Roma.

Pelo tratado, o Vaticano reconhece a existência da Itália, com capital em Roma. Desde 1985, o catolicismo deixa de ser a religião oficial da Itália. Com isso, a educação religiosa para de ser obrigatória em escolas públicas.

REVOLUÇÃO ISLÂMICA

    Em 1979, semanas depois da fuga do xá Reza Pahlevi, a Revolução Islâmica toma o poder no Irã e impõe uma ditadura teocrática do fundamentalismo xiita.

O xá assume poderes ditatoriais depois do primeiro golpe articulado pela CIA (Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos) durante a Guerra Fria, em 19 de agosto de 1953, contra o primeiro-ministro Mohammed Mossadegh, que nacionalizara a companhia petrolífera Anglo-Iranian Oil.

Durante 26 anos, o xá é um aliado dos EUA durante a Guerra Fria, com uma ditadura secularista, pró-ocidental e anticomunista. Em 1963, Pahlevi adota um programa de modernização da sociedade iraniana que enfrenta forte oposição do clero muçulmano. Depois de ser preso duas vezes, em 1964, o aiatolá Ruhollah Khomeini foge para o exílio na Turquia, no Iraque e na França.

A onda de protestos contra o regime começa em outubro de 1977 e se transforma numa grande campanha de desobediência civil. No fim de 1978 , manifestações e greves no setor petrolífero, base da economia iraniana, paralisam o país.

Pahlevi foge do país em 16 de janeiro e deixa no poder o primeiro-ministro Shapour Bakhtiar, oriundo da oposição. Seu governo convida Khomeini a voltar ao Irã, o que acontece em 1º de fevereiro. 

NELSON MANDELA LIVRE

    Em 1990, Nelson Mandela, o líder da luta da maioria negra contra o regime segregacionista do apartheid, é libertado depois de 27 anos de prisão e começa a negociar o fim da ditadura da minoria branca na África do Sul. 

Até sua imagem era proibida no país. A pneumonia que o mata em 5 de dezembro de 2013 é resultado das condições desumanas na prisão da Ilha de Robben, onde fica 16 anos.

Influenciado pelas ideias do líder pacifista da independência da Índia, o Mahatma Gandhi, baseadas na resistência pacífica e desobediência civil do naturalista norte-americano Henry David Thoreau, Mandela entra nos anos 1940 para a Liga Jovem do Congresso Nacional Africano (CNA). Depois da morte de 69 negros no Massacre de Sharpeville, em 1960, o CNA parte para a luta armada.

Nelson Mandela se torna líder do braço armado do CNA, Umkhonto we Sizwe (Lança da Nação). Quando volta de treinamento militar no exterior, é preso, em 1962, e condenado à morte em 1964. A sentença depois é reformada para prisão perpétua. Durante o julgamento, ele declara estar lutando contra a ditadura da minoria branca e promete lutar contra uma ditadura da maioria negra.

Nos momentos mais violentos da guerra civil não declarada da África do Sul, o regime racista apela a Mandela, que sempre insiste que presos não podem negociar.

Diante da grande pressão internacional, do boicote internacional à economia sul-africana e do fim da Guerra Fria, ao tomar posse, em 1989, o último presidente branco da África do Sul, Frederik de Klerk, anuncia a intenção de libertar Mandela e negociar o fim do apartheid. Ambos ganham o Prêmio Nobel da Paz em 1993.

Depois de negociações tensas e difíceis, em 27 de abril de 1994, Mandela assume como o primeiro presidente eleito democraticamente da África do Sul. Convida para a posse um de seus carcereiros. Fiel à democracia, ao contrário da maioria dos líderes africanos, deixa o governo depois do primeiro mandato.

A data de nascimento Mandela, 18 de julho de 1918, é transformada pela ONU em Dia Internacional Nelson Mandela pela liberdade, justiça e democracia.

QUEDA DE MUBARAK

    Em 2011, durante a Primavera Árabe, cai Hosni Mubarak, ditador do Egito desde o assassinato de Anuar Sadat, em 6 de outubro de 1981.

A Primavera Árabe é uma onda de revoltas populares contra ditaduras que começa na Tunísia quando o engenheiro desempregado Mohamed Abouazizi, que trabalha como camelô, tem a mercadoria e a balança roubadas por um fiscal e se autoimola diante da Prefeitura de Ben Arous.

Quando ele morre, 18 dias depois, em 4 de janeiro, a revolta toma conta das ruas. Em 14 de janeiro, o ditador Zine el-Abidine ben Ali renuncia e foge do país depois de ficar 23 anos no poder.

Em 25 de janeiro, a revolta chega ao Egito, o maior e mais populoso país árabe. A polícia reprime com violência as manifestações. Pelo menos 846 pessoas morrem e mais de 6 mil saem feridas. Mais de 90 delegacias de polícia são incendiadas até que o Conselho Superior das Forças Armadas depõe Mubarak.

O Egito realiza suas primeiras eleições democráticas e a Irmandade Muçulmana, o mais antigo grupo fundamentalista islâmico, vence. Controla o Parlamento e elege o presidente Mohamed Mursi. Ele governa de 30 de junho de 2012 a 3 de julho de 2013, quando é deposto pelo atual ditador, marechal Abdel Fatah al-Sissi.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

Hoje na História do Mundo: 14 de Janeiro

 TRATADO DE MADRI

    Em 1526, o imperador Carlos V, do Sacro Império Romano-Germânico (Carlos I na Espanha) e o rei Francisco I, da França, capturado na Batalha de Pávia, em 24 de fevereiro de 1525, assinam o Tratado de Madri. Carlos V (imagem) mantém Francisco I prisioneiro até a conclusão do tratado, em que a França abre mão de reivindicações sobre territórios na Itália, abrindo caminho para o Império dos Habsburgo.

No fim de 1524, Francisco I invade a Lombardia e ocupa Milão. Então, cerca Pávia, que fica 40 quilômetros ao sul. Carlos V manda um exército para romper o cerco. O exército francês, de 28 mil homens, é aniquilado e Francisco I é capturado e enviado para Madri. Só volta à França após ceder às ambições de Carlos V.

Rei e imperador, Carlos V é o homem mais poderoso da Europa na época. Sonha com uma "monarquia universal". Além de seu império na América, a Espanha tem um império europeu, no que hoje é Bélgica e Países Baixos, no Sacro Império e em algumas cidades da Itália. Na Guerra dos Trinta Anos (1618-48), a Espanha perde seu império europeu e a França se torna a maior potência do continente.

INDEPENDÊNCIA DOS EUA

    Em 1784, o Congresso Continental ratifica o Segundo Tratado de Paris, negociado no fim da Guerra da Independência (1775-83), em que a França e o Reino Unido reconhecem os Estados Unidos como um país independente e soberano.

O Primeiro Tratado de Paris é assinado no fim da Guerra dos Sete Anos (1756-63), quando o Império Britânico conquista possessões do Império Francês na Índia e na América do Norte, menos no que hoje é a província do Quebec, no Canadá. Essa guerra é causa tanto da independência dos EUA (1776) quanto da Revolução Francesa (1789).

Os dois impérios ficam em situação difícil para financiar a guerra. O rei George III resolve aumentar os impostos e as 13 colônias norte-americanas se rebelam e formam os EUA. Na França, a insatisfação popular é agravada por invernos rigorosos e quebras de safra que causam fome e resultam na revolução.

O Segundo Tratado de Paris fixa a fronteira entre os EUA, na época apenas as 13 colônias da costa do Oceano Atlântico, e as possessões britânicas no resto da América do Norte, que viriam a formar o Canadá. Todos os prisioneiros de guerra são libertados. Os pescadores dos EUA ganham o direito de pescar ao largo da Terra Nova e no Golfo de São Lourenço.

"ESTRANGEIROS INIMIGOS"

    Em 1942, o presidente Franklin Delano Roosevelt decreta que todos os cidadãos de países inimigos na Segunda Guerra Mundial (1939-45) – alemães, italianos e japoneses – residentes nos Estados Unidos precisam se registrar no Departamento da Justiça.

O país ainda está em choque, depois do bombardeio japonês à Frota do Oceano Pacífico, estacionada em Pearl Harbor, no Havaí, em 7 de dezembro de 1941, que leva os EUA à guerra. 

O decreto regulamenta a Lei de Registro de Estrangeiros, de 1940. Serve de base legal para a internação em massa de 120 mil japoneses-americanos em campos de concentração durante a guerra, decretada em 19 de fevereiro de 1942.

DIANA ROSS AND THE SUPREMES

    Em 1970, a cantora e atriz Diana Ross fez o último show com o grupo The Supremes antes de partir para uma carreira solo.

A cantora e atriz Diana Ross nasce em Detroit, no estado de Michigan, em 26 de março de 1944, e começa sua carreira em 1959, que forma um grupo de pop e soul com amigas da vizinhança chamado de Primettes.

No ano seguinte, o grupo é rebatizado The Supremes depois de assinar um contrato com a gravadora Motown. Em 1967, o grupo muda de nome outra vez, para Diana Ross & The Supremes.


REVOLUÇÃO DE JASMIM

    Em 2011, depois de dias de manifestações de protestos contra a miséria, a fome e a repressão política, o ditador Zine el-Abidine Ben Ali renuncia à Presidência da Tunísia na Revolução de Jasmin, a primeira da Primavera Árabe.

Mohamed Bouazizi é um engenheiro desempregado que vende frutas e verduras nas ruas da cidade de Sidi Bouzid para sobreviver. Ganha em média US$ 75 por mês. 

Em 17 de dezembro de 2010, uma fiscal apreende suas mercadorias e balança, lhe dá um tapa no rosto e rasga uma cópia da lei que autoriza o trabalho de ambulante que Bouazizi levava consigo. Ele vai para a frente da prefeitura da cidade e se autoimola. Toca fogo na roupa.

Ben Ali vai visitá-lo no hospital, mas piora ainda mais a situação. Quando Bouazizi morre, 18 dias depois, em 4 de janeiro de 2011, a revolta popular explode. Mais de 5 mil pessoas participam do funeral. Ele deixa uma mensagem para a mãe pedindo desculpas por ter perdido a esperança.

A reação da ditadura é brutal. Dezenas de pessoas morrem. Ben Ali lamenta as mortes, promete baixar os preços dos alimentos e reduzir as restrições ao uso da Internet. Em 14 de janeiro, Ben Ali decreta estado de emergência, dissolve o Parlamento e convoca eleições, mas os manifestantes não cedem. Ele renuncia, depois de ficar 23 anos no poder, e foge para a Arábia Saudita, onde morre em 19 de setembro de 2019.

A Tunísia é o único país onde a Primavera Árabe leva à democracia, mas não dura muito. O presidente Kaïs Saïed, que chega ao poder em 23 de outubro de 2019, dissolve o Parlamento em 25 de julho de 2021 e assume poderes ditatoriais.

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quarta-feira, 17 de dezembro de 2025

Hoje na História do Mundo: 17 de Dezembro

 AVIÃO QUE NÃO DECOLA

    Em 1903, os irmãos Orville e Wilbur Wright realizam o primeiro voo de um aparelho mais pesado do que o ar, em Kitty Hawk, na Carolina do Norte, no que é considerado o primeiro voo de avião da história.

A diferença em relação ao 14 bis, criado pelo brasileiro Alberto Santos Dumont, que faz o primeiro voo em 23 de outubro de 1906, é que é o primeiro a decolar. O avião dos irmãos Wright é catapultado, fica 12 segundos no ar e percorre 36 metros.

AR PURO

    Em 1963, entra em vigor uma das primeiras leis ambientais dos Estados Unidos. A Lei do Ar Puro autoriza os governos federal e estaduais a pesquisar a regulamentar a poluição do ar.

A Lei de Controle da Poluição do Ar, de 1955, destina US$ 15 bilhões para estudar o impacto da contaminação do ar no país. Deixa evidente a necessidade de uma legislação mais específica para atacar o problema.

A lei de 1963 é emendada em 1967, 1970, 1977 e 1990. Na opinião da prestigiosa revista Scientific American, é um modelo da legislação necessária. Mas a supermaioria conservadora da Suprema Corte decide, em junho de 2022, que a Agência de Proteção Ambiental não tem autoridade para limitar as emissões de gases de efeito estufa dos estados com base em decretos. Isso só pode ser feito, de acordo com a decisão, por lei aprovada pelo Congresso.

Os ministros são a favor do estado da Virgínia Ocidental, grande produtor de carvão, o mais poluente dos combustíveis fósseis, dificultando a ação do governo federal para conter o aquecimento global.

PRIMAVERA ÁRABE

    Em 2010, o engenheiro desempregado Mohamed Bouazizi, que ganha a vida como camelô vendendo frutas e legumes, tem a mercadoria e a balança confiscadas pelo fiscal Faida Hamdi e se autoimola em Sidi Bouzid, na Tunísia. Sua morte, em 4 de janeiro de 2011, deflagra a onda de protestos e revoluções conhecida como Primavera Árabe.

Depois do confisco, Bouazizi vai até a delegacia de polícia para tentar recuperar sua balança elétrica. Sem sucesso, tenta uma audiência com o governador regional. Quando não consegue, por volta de 11h30, joga combustível sobre a cabeça e a roupa, e toca fogo.

Ao saber a imolação, seu primo Ali Bouazizi vai até o local e filma Mohamed ao ser colocado numa ambulância e os protestos com a situação. Publica as imagens no Facebook e manda para a televisão árabe Al Jazira, que bota a reportagem no ar naquela noite.

No dia seguinte, uma onda de protestos se espalha pela Tunísia. Primeiro, o ditador Zine El Abidine Ben Ali manda reprimir as manifestações. Em 28 de dezembro, visita Bouazizi no hospital. O fiscal, que o teria esbofeteado, é preso.

Com a morte de Bouazizi, os protestos se intensificam. Dez dias mais tarde, em 14 de janeiro, depois de ficar 23 anos no poder, Ben Ali foge para a Arábia Saudita. A Primavera Árabe se espalha pelo Egito, o Bahrein, o Iêmen, a Líbia e a Síria. 

No Egito, a revolução começa em 25 de janeiro, com protestos contra a brutalidade policial, o estado de emergência em vigor há décadas, a falta de liberdade, a censura, a corrupção, o desemprego, a inflação e os baixos salários.

A Primavera Árabe é um produto da Grande Recessão (2008-9), a crise econômico-financeira deflagrada pela falência de banco de investimentos norte-americano Lehman Brothers, em 15 de setembro de 2008. A economia egípcia crescia em média 8% ao ano no início do século. O ditador Hosni Mubarak, no poder há quase 30 anos, cai em 11 de fevereiro.

Quatro dias depois, começa a guerra civil na Líbia, que não termina com a fuga do ditador Muamar Kadafi, em agosto, e sua morte, em 20 de outubro, em meio a uma intervenção militar internacional liderada pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) com autorização do Conselho de Segurança das Nações Unidas. 

A Líbia está até hoje em guerra civil, assim como o Iêmen. Na Síria, onde cerca de 618 mil pessoas foram mortas, de acordo com o Observatório Sírio dos Direitos Humanos, uma organização não governamental ligada à oposição, a guerra civil parece ter terminado com a queda do ditador Bachar Assad em 8 de dezembro de 2024.

Só na Tunísia a Primavera Árabe levou a uma democratização do país, mas o autoritarismo está de volta com a eleição em 2019 do presidente Kais Saied. Em 25 de julho de 2021, ele demite o primeiro-ministro, fecha o Parlamento e acaba com a imunidade parlamentar.

MORRE O QUERIDO LÍDER    

    Em 2011, o ditador da Coreia do Norte, Kim Jong Il, morre do coração quando viaja pelo interior do país e é sucedido pelo filho Kim Jong Un, depois de suceder o pai, o Grande Líder Kim Il Sung, fundador do país e de um comunismo dinástico.

Kim Jong Il nasce em 1941 numa base militar soviética em Khabarovsk, na Rússia, onde seu pai articula a resistência contra o Japão. Ao virar líder, a história oficial afirma que ele nasceu em 16 de fevereiro de 1942 no Monte Paektu, sobre o qual surgiram uma nova estrela e um duplo arco-íris.

Querido Líder, que de acordo com a história oficial do regime stalinista norte-coreano "nunca defecou", chega ao poder em 1994 e mantém a ditadura impiedosa no país mais fechado do mundo.

Como a Coreia do Norte perde seu patrocinador com o fim da União Soviética em 1991, é um período de miséria, escassez, fome e falta de energia. Kim Jong Il faz os primeiros testes nucleares, o primeiro em 9 de outubro de 2006 e um total de seis desde então.

Kim II é sucedido por Kim III, Kim Jong Un, meses depois da queda e morte do ditador Muamar Kadafi, que acaba com os programas de armas de destruição em massa e se aproxima do Ocidente durante a guerra contra o terrorismo, mas vira alvo de uma intervenção militar da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) na Líbia.

Com medo de seguir o destino de Kadafi, Kim Jong Un acelera o programa nuclear, faz mais quatro testes e desenvolve mísseis de longo alcance, capazes de atingir o território continental dos EUA.

EUA E CUBA REATAM RELAÇÕES DIPLOMÁTICAS

    Em 2014, depois de 53 anos, os Estados Unidos e Cuba anunciam o reatamento de relações diplomáticas.

Os EUA impõem um embargo econômico a Cuba, proibindo exportações, com a exceção de alimentos e medicamentos, em outubro fr 1960 por cauda da estatização da propriedades de norte-americanos pela revolução liderada por Fidel Castro e rompem com Cuba em 3 de janeiro de 1961, poucos dias antes do fim do governo Dwight Eisenhower (1953-61).

No início do governo John Kennedy (1961-63), há a fracassada Invasão da Baía dos Porcos, quando exilados cubanos tentam derrubar Fidel numa operação com o apoio da CIA (Agência Central de Inteligência), numa articulação atribuída a Richard Nixon, vice-presidente de Eisenhower.

Em 3 de fevereiro de 1962, Kennedy amplia o embargo econômico a praticamente todo o comércio, o que persiste até hoje. O regime comunista culpa esse embargo pela crise econômica permanente.

No pior momento das relações bilaterais, a Crise dos Mísseis Soviéticos em Cuba quase deflagra uma guerra nuclear. Em 14 de outubro de 1962, um avião espião U-2 dos EUA fotografa obras para a construção de silos para os mísseis da União Soviética, que lança o primeiro satélite artificial da Terra, o Sputnik, em 4 de outubro de 1957, mas não desenvolve a tecnologia de mísseis intercontinentais como os EUA e fica atrás na corrida nuclear. Os mísseis em Cuba equilibrariam a balança. 

Dois dias depois, o presidente Kennedy recebe as fotos já analisadas pelos serviços de inteligência. Em 22 de outubro, decreta um bloqueio aeronaval a Cuba para impedir a chegada de novos mísseis e ameaça abordar navios soviéticos que tentem furar o cerco.

Quando os EUA se preparam para invadir Cuba, a URSS recua e concordar em retirar os mísseis em troca de um acordo tácito com para que os EUA não invadam Cuba. A Crise dos Mísseis acaba em 27 de outubro de 1962. Um telefone vermelho com uma linha direta para desarmar crises entre as superpotências é instalado na Casa Branca e no Kremlin.

Os EUA tentam matar Fidel mais de 600 vezes. O regime comunista cubano resiste com ajuda da URSS. Entra numa crise grave com o fim da URSS em 1991, o Período Especial, com racionamento rigoroso.

Em 23 de outubro de 1992, com a aprovação da Lei da Democracia em Cuba, mais conhecida como Lei Torricelli, o embargo passa a ser lei aprovada pelo Congresso dos EUA, o que significa que só o Congresso pode revogá-la. Endurece o embargo ao proibir filiais de empresas norte-americanas sediadas no exterior de comerciar com Cuba e impor restrições à ajuda humanitária. 

A Lei da Liberdade em Cuba e Solidariedade Democrática, mais conhecida como Lei Helms Burton. de 1996, torna o embargo ainda pior ao punir empresas que "trafiquem" com o que foi propriedade de norte-americanos e seus donos e executivos.

As negociações para o reatamento são intermediadas pelo Canadá e pelo papa Francisco. As embaixadas são reabertas oficialmente em julho de 2015. Em março de 2016, o presidente Barack Obama faz uma visita histórica a Havana e se encontra com o ditador Raúl Castro.

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terça-feira, 11 de fevereiro de 2025

Hoje na História do Mundo: 11 de Fevereiro

NASCE THOMAS EDISON

    Em 1847, nasce em Milan, no estado de Ohio, Thomas Alva Edison, o maior inventor de todos os tempos, que registra 1.093 patentes nos Estados Unidos e 2 mil no mundo inteiro. 

Edison recebe pouca educação formal, como acontece com a maioria dos norte-americanos na época. Com problemas de audição desde a infância, começa a trabalhar como operador de telégrafo aos 16 anos e logo usa sua engenhosidade para aperfeiçoar o sistema.

A partir de 1869, Edison torna-se inventor em tempo integral. Em 1876, ele se muda para um laboratório em Menlo Park, em Nova Jérsei, onde inventa o fonógrafo no ano seguinte tentando criar uma máquina para gravar conversas telefônicas.  Passa a ser conhecido como o Gênio de Menlo Park.

É o primeiro grande sucesso. Edison e sua equipe inventam a lâmpada de filamento incandescente em 1879, precursores da câmera e do projetor de cinema nos anos 1880.

Sua maior contribuição é no campo da eletricidade. Edison desenvolve um sistema de distribuição de luz e energia, criou em Nova York a primeira usina de energia elétrica, inventou a bateria alcalina e o trem movido a energia elétrica. Ao todo, registra 1.093 patentes nos EUA mais de 2 mil contando as invenções patenteadas no exterior.

O fonógrafo vai sendo aperfeiçoado na maneira de gravar e reproduzir até o surgimento disco musical de 78 rotações por minutos em 1915. Cada lado toca por 4 minutos e 30 segundos em média. 

Em 1948, a Columbia Records lança o LP (long playing) de 33,3 rpm, com cerca de 30 minutos de gravação de cada lado. 

A gravação estereofônica, em dois canais de som distintos, surge em 1958 e cria o som de alta fidelidade. 

TRATADO DE LATRÃO

    Em 1929, o ditador fascista Benito Mussolini e o representante do Vaticano Pietro Gasparri assinam o Tratado de Latrão, em que a Itália reconhece a soberania papal sobre a Cidade do Vaticano, um enclave de 45 hectares dentro de Roma.

Pelo tratado, o Vaticano reconhece a existência da Itália, com capital em Roma. Desde 1985, o catolicismo deixa de ser a religião oficial da Itália. Com isso, a educação religiosa para de ser obrigatória em escolas públicas.

REVOLUÇÃO ISLÂMICA

    Em 1979, semanas depois da fuga do xá Reza Pahlevi, a Revolução Islâmica toma o poder no Irã e impõe uma ditadura teocrática do fundamentalismo xiita.

O xá assume poderes ditatoriais depois do primeiro golpe articulado pela CIA (Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos) durante a Guerra Fria, em 19 de agosto de 1953, contra o primeiro-ministro Mohammed Mossadegh, que nacionalizara a companhia petrolífera Anglo-Iranian Oil.

Durante 26 anos, o xá é um aliado dos EUA durante a Guerra Fria, com uma ditadura secularista, pró-ocidental e anticomunista. Em 1963, Pahlevi adota um programa de modernização da sociedade iraniana que enfrenta forte oposição do clero muçulmano. Depois de ser preso duas vezes, em 1964, o aiatolá Ruhollah Khomeini foge para o exílio na Turquia, no Iraque e na França.

A onda de protestos contra o regime começa em outubro de 1977 e se transforma numa grande campanha de desobediência civil. No fim de 1978 , manifestações e greves no setor petrolífero, base da economia iraniana, paralisam o país.

Pahlevi foge do país em 16 de janeiro e deixa no poder o primeiro-ministro Shapour Bakhtiar, oriundo da oposição. Seu governo convida Khomeini a voltar ao Irã, o que acontece em 1º de fevereiro. 

NELSON MANDELA LIVRE

    Em 1990, Nelson Mandela, o líder da luta da maioria negra contra o regime segregacionista do apartheid, é libertado depois de 27 anos de prisão e começa a negociar o fim da ditadura da minoria branca na África do Sul. 

Até sua imagem era proibida no país. A pneumonia que o mata em 5 de dezembro de 2013 é resultado das condições desumanas na prisão da Ilha de Robben, onde fica 16 anos.

Influenciado pelas ideias do líder pacifista da independência da Índia, o Mahatma Gandhi, baseadas na resistência pacífica e desobediência civil do naturalista norte-americano Henry David Thoreau, Mandela entra nos anos 1940 para a Liga Jovem do Congresso Nacional Africano (CNA). Depois da morte de 69 negros no Massacre de Sharpeville, em 1960, o CNA parte para a luta armada.

Nelson Mandela se torna líder do braço armado do CNA, Umkhonto we Sizwe (Lança da Nação). Quando volta de treinamento militar no exterior, é preso, em 1962, e condenado à morte em 1964. A sentença depois é reformada para prisão perpétua. Durante o julgamento, ele declara estar lutando contra a ditadura da minoria branca e promete lutar contra uma ditadura da maioria negra.

Nos momentos mais violentos da guerra civil não declarada da África do Sul, o regime racista apela a Mandela, que sempre insiste que presos não podem negociar.

Diante da grande pressão internacional, do boicote internacional à economia sul-africana e do fim da Guerra Fria, ao tomar posse, em 1989, o último presidente branco da África do Sul, Frederik de Klerk, anuncia a intenção de libertar Mandela e negociar o fim do apartheid. Ambos ganham o Prêmio Nobel da Paz em 1993.

Depois de negociações tensas e difíceis, em 27 de abril de 1994, Mandela assume como o primeiro presidente eleito democraticamente da África do Sul. Convida para a posse um de seus carcereiros. Fiel à democracia, ao contrário da maioria dos líderes africanos, deixa o governo depois do primeiro mandato.

A data de nascimento Mandela, 18 de julho de 1918, é transformada pela ONU em Dia Internacional Nelson Mandela pela liberdade, justiça e democracia.

QUEDA DE MUBARAK

    Em 2011, durante a Primavera Árabe, cai Hosni Mubarak, ditador do Egito desde o assassinato de Anuar Sadat, em 6 de outubro de 1981.

A Primavera Árabe é uma onda de revoltas populares contra ditaduras que começa na Tunísia quando o engenheiro desempregado Mohamed Abouazizi, que trabalha como camelô, tem a mercadoria e a balança roubadas por um fiscal e se autoimola diante da Prefeitura de Ben Arous.

Quando ele morre, 18 dias depois, em 4 de janeiro, a revolta toma conta das ruas. Em 14 de janeiro, o ditador Zine el-Abidine ben Ali, renuncia e foge do país depois de ficar 23 anos no poder.

Em 25 de janeiro, a revolta chega ao Egito, o maior e mais populoso país árabe. A polícia reprime com violência as manifestações. Pelo menos 846 pessoas morrem e mais de 6 mil saem feridas. Mais de 90 delegacias de polícia são incendiadas até que o Conselho Superior das Forças Armadas depõe Mubarak.

O Egito realiza suas primeiras eleições democráticas e a Irmandade Muçulmana, o mais antigo grupo fundamentalista islâmico, vence. Controla o Parlamento e elege o presidente Mohamed Mursi. Ele governa de 30 de junho de 2012 a 3 de julho de 2013, quando é deposto pelo atual ditador, marechal Abdel Fatah al-Sissi.

terça-feira, 14 de janeiro de 2025

Hoje na História do Mundo: 14 de Janeiro

TRATADO DE MADRI

    Em 1526, o imperador Carlos V, do Sacro Império Romano-Germânico (Carlos I na Espanha) e o rei Francisco I, da França, capturado na Batalha de Pávia, em 24 de fevereiro de 1525, assinam o Tratado de Madri. Carlos V (imagem) mantém Francisco I prisioneiro até a conclusão do tratado, em que a França abre mão de reivindicações sobre territórios na Itália, abrindo caminho para o Império dos Habsburgo.

No fim de 1524, Francisco I invade a Lombardia e ocupa Milão. Então, cerca Pávia, que fica 40 quilômetros ao sul. Carlos V manda um exército para romper o cerco. O exército francês, de 28 mil homens, é aniquilado e Francisco I é capturado e enviado para Madri. Só volta à França após ceder às ambições de Carlos V.

Rei e imperador, Carlos V é o homem mais poderoso da Europa na época. Sonha com uma "monarquia universal". Além de seu império na América, a Espanha tem um império europeu, no que hoje é Bélgica e Países Baixos, no Sacro Império e em algumas cidades da Itália. Na Guerra dos Trinta Anos (1618-48), a Espanha perde seu império europeu e a França se torna a maior potência do continente.

INDEPENDÊNCIA DOS EUA

    Em 1784, o Congresso Continental ratifica o Segundo Tratado de Paris, negociado no fim da Guerra da Independência (1775-83), em que a França e o Reino Unido reconhecem os Estados Unidos como um país independente e soberano.

O Primeiro Tratado de Paris é assinado no fim da Guerra dos Sete Anos (1756-63), quando o Império Britânico conquista possessões do Império Francês na Índia e na América do Norte, menos no que hoje é a província do Quebec, no Canadá. Essa guerra é causa tanto da independência dos EUA (1776) quanto da Revolução Francesa (1789).

Os dois impérios ficam em situação difícil para financiar a guerra. O rei George III resolve aumentar os impostos e as 13 colônias norte-americanas se rebelam e formam os EUA. Na França, a insatisfação popular é agravada por invernos rigorosos e quebras de safra que causam fome e resultam na revolução.

O Segundo Tratado de Paris fixa a fronteira entre os EUA, na época apenas as 13 colônias da costa do Oceano Atlântico, e as possessões britânicas no resto da América do Norte, que viriam a formar o Canadá. Todos os prisioneiros de guerra são libertados. Os pescadores dos EUA ganham o direito de pescar ao largo da Terra Nova e no Golfo de São Lourenço.

"ESTRANGEIROS INIMIGOS"

    Em 1942, o presidente Franklin Delano Roosevelt decreta que todos os cidadãos de países inimigos na Segunda Guerra Mundial (1939-45) – alemães, italianos e japoneses – residentes nos Estados Unidos precisam se registrar no Departamento da Justiça.

O país ainda está em choque, depois do bombardeio japonês à Frota do Oceano Pacífico, estacionada em Pearl Harbor, no Havaí, em 7 de dezembro de 1941, que leva os EUA à guerra. 

O decreto regulamenta a Lei de Registro de Estrangeiros, de 1940. Serve de base legal para a internação em massa de 120 mil japoneses-americanos em campos de concentração durante a guerra, decretada em 19 de fevereiro de 1942.

DIANA ROSS AND THE SUPREMES

    Em 1970, a cantora e atriz Diana Ross fez o último show com o grupo The Supremes antes de partir para uma carreira solo.

A cantora e atriz Diana Ross nasce em Detroit, no estado de Michigan, em 26 de março de 1944, e começa sua carreira em 1959, que forma um grupo de pop e soul com amigas da vizinhança chamado de Primettes.

No ano seguinte, o grupo é rebatizado The Supremes depois de assinar um contrato com a gravadora Motown. Em 1967, o grupo muda de nome outra vez, para Diana Ross & The Supremes.


REVOLUÇÃO DE JASMIM

    Em 2011, depois de dias de manifestações de protestos contra a miséria, a fome e a repressão política, o ditador Zine el-Abidine Ben Ali renuncia à Presidência da Tunísia na Revolução de Jasmin, a primeira da Primavera Árabe.

Mohamed Bouazizi é um engenheiro desempregado que vende frutas e verduras nas ruas da cidade de Sidi Bouzid para sobreviver. Ganha em média US$ 75 por mês. 

Em 17 de dezembro de 2010, uma fiscal apreende suas mercadorias e balança, lhe dá um tapa no rosto e rasga uma cópia da lei que autoriza o trabalho de ambulante que Bouazizi levava consigo. Ele vai para a frente da prefeitura da cidade e se autoimola. Toca fogo na roupa.

Ben Ali vai visitá-lo no hospital, mas não piora ainda mais a situação. Quando Bouazizi morre, 18 dias depois, em 4 de janeiro de 2011, a revolta popular explode. Mais de 5 mil pessoas participam do funeral. Ele deixa uma mensagem para a mãe pedindo desculpas por ter perdido a esperança.

A reação da ditadura é brutal. Dezenas de pessoas morrem. Ben Ali lamenta as mortes, promete baixar os preços dos alimentos e reduzir as restrições ao uso da Internet. Em 14 de janeiro, Ben Ali decreta estado de emergência, dissolve o Parlamento e convoca eleições, mas os manifestantes não cedem. Ele renuncia, depois de ficar 23 anos no poder, e foge para a Arábia Saudita, onde morre em 19 de setembro de 2019.

A Tunísia é o único país onde a Primavera Árabe leva à democracia, mas não dura muito. O presidente Kaïs Saïed, que chega ao poder em 23 de outubro de 2019, dissolve o Parlamento em 25 de julho de 2021 e assume poderes ditatoriais.

terça-feira, 17 de dezembro de 2024

Hoje na História do Mundo: 17 de Dezembro

 AVIÃO QUE NÃO DECOLA

    Em 1903, os irmãos Orville e Wilbur Wright realizam o primeiro voo de um aparelho mais pesado do que o ar, em Kitty Hawk, na Carolina do Norte, no que é considerado o primeiro voo de avião da história.

A diferença em relação ao 14 bis, criado pelo brasileiro Alberto Santos Dumont, que faz o primeiro voo em 23 de outubro de 1906, é que é o primeiro a decolar. O avião dos irmãos Wright é catapultado, fica 12 segundos no ar e percorre 36 metros.

AR PURO

    Em 1963, entra em vigor uma das primeiras leis ambientais dos Estados Unidos. A Lei do Ar Puro autoriza os governos federal e estaduais a pesquisar a regulamentar a poluição do ar.

A Lei de Controle da Poluição do Ar, de 1955, destina US$ 15 bilhões para estudar o impacto da contaminação do ar no país. Deixa evidente a necessidade de uma legislação mais específica para atacar o problema.

A lei de 1963 é emendada em 1967, 1970, 1977 e 1990. Na opinião da prestigiosa revista Scientific American, é um modelo da legislação necessária. Mas a supermaioria conservadora da Suprema Corte decide, em junho de 2022, que a Agência de Proteção Ambiental não tem autoridade para limitar as emissões de gases de efeito estufa dos estados com base em decretos. Isso só pode ser feito, de acordo com a decisão, por lei aprovada pelo Congresso.

Os ministros são a favor do estado da Virgínia Ocidental, grande produtor de carvão, o mais poluente dos combustíveis fósseis, dificultando a ação do governo federal para conter o aquecimento global.

PRIMAVERA ÁRABE

    Em 2010, o engenheiro desempregado Mohamed Bouazizi, que ganha a vida como camelô vendendo frutas e legumes, tem a mercadoria confiscada pelo fiscal Faida Hamdi e se autoimola em Sidi Bouzid, na Tunísia. Sua morte, em 4 de janeiro de 2011, deflagra a onda de protestos e revoluções conhecida como Primavera Árabe.

Depois do confisco, Bouazizi vai até a delegacia de polícia para tentar recuperar sua balança elétrica. Sem sucesso, tenta uma audiência com o governador regional. Quando não consegue, por volta de 11h30, joga combustível sobre a cabeça e a roupa, e toca fogo.

Ao saber a imolação, seu primo Ali Bouazizi vai até o local e filma Mohamed ao ser colocado numa ambulância e os protestos com a situação. Publica as imagens no Facebook e manda para a televisão árabe Al Jazira, que bota a reportagem no ar naquela noite.

No dia seguinte, uma onda de protestos se espalha pela Tunísia. Primeiro, o ditador Zine El Abidine Ben Ali manda reprimir as manifestações. Em 28 de dezembro, visita Bouazizi no hospital. O fiscal, que o teria esbofeteado, é preso.

Com a morte de Bouazizi, os protestos se intensificam. Dez dias mais tarde, em 14 de janeiro, depois de ficar 23 anos no poder, Ben Ali foge para a Arábia Saudita. A Primavera Árabe se espalha pelo Egito, o Bahrein, o Iêmen, a Líbia e a Síria. 

No Egito, a revolução começa em 25 de janeiro, com protestos contra a brutalidade policial, o estado de emergência em vigor há décadas, a falta de liberdade, a censura, a corrupção, o desemprego, a inflação e os baixos salários.

A Primavera Árabe é um produto da Grande Recessão (2008-9), a crise econômico-financeira deflagrada pela falência de banco de investimentos norte-americano Lehman Brothers, em 15 de setembro de 2008. A economia egípcia crescia em média 8% ao ano no início do século. O ditador Hosni Mubarak, no poder há quase 30 anos, cai em 11 de fevereiro.

Quatro dias depois, começa a guerra civil na Líbia, que não termina com a fuga do ditador Muamar Kadafi, em agosto, e sua morte, em 20 de outubro, em meio a uma intervenção militar internacional liderada pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) com autorização do Conselho de Segurança das Nações Unidas. 

A Líbia está até hoje em guerra civil, assim como o Iêmen. Na Síria, onde cerca de 618 mil pessoas foram mortas, de acordo com o Observatório Sírio dos Direitos Humanos, uma organização não governamental ligada à oposição, a guerra civil parece ter terminado com a queda do ditador Bachar Assad em 8 de dezembro de 2024.

Só na Tunísia a Primavera Árabe levou a uma democratização do país, mas o autoritarismo está de volta com a eleição em 2019 do presidente Kais Saied. Em 25 de julho de 2021, ele demite o primeiro-ministro, fecha o Parlamento e acaba com a imunidade parlamentar.

MORRE O QUERIDO LÍDER    

    Em 2011, o ditador da Coreia do Norte, Kim Jong Il, morre do coração quando viaja pelo interior do país e é sucedido pelo filho Kim Jong Un, depois de suceder o pai, o Grande Líder Kim Il Sung, fundador do país e de um comunismo dinástico.

Kim Jong Il nasce em 1941 numa base militar soviética em Khabarovsk, na Rússia, onde seu pai articula a resistência contra o Japão. Ao virar líder, a história oficial afirma que ele nasceu em 16 de fevereiro de 1942 no Monte Paektu, sobre o qual surgiram uma nova estrela e um duplo arco-íris.

Querido Líder, que de acordo com a história oficial do regime stalinista norte-coreano "nunca defecou", chega ao poder em 1994 e mantém a ditadura impiedosa no país mais fechado do mundo.

Como a Coreia do Norte perde seu patrocinador com o fim da União Soviética em 1991, é um período de miséria, escassez, fome e falta de energia. Kim Jong Il faz os primeiros testes nucleares, o primeiro em 9 de outubro de 2006 e o segundo em 25 de maio de 2009.

Kim II é sucedido por Kim III, Kim Jong Un, meses depois da queda e morte do ditador Muamar Kadafi, que acaba com os programas de armas de destruição em massa e se aproxima do Ocidente durante a guerra contra o terrorismo, mas vira alvo de uma intervenção militar da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) na Líbia.

Com medo de seguir o destino de Kadafi, Kim Jong Un acelera o programa nuclear, faz mais quatro testes e desenvolve mísseis de longo alcance, capazes de atingir o território continental dos EUA.

domingo, 14 de janeiro de 2024

Hoje na História do Mundo: 14 de Janeiro

  INDEPENDÊNCIA DOS EUA

    Em 1784, o Congresso Continental ratifica o Segundo Tratado de Paris, negociado no fim da Guerra da Independência (1775-83), em que a França e o Reino Unido reconhecem os Estados Unidos como um país independente e soberano.

O Primeiro Tratado de Paris é assinado no fim da Guerra dos Sete Anos (1756-63), quando o Império Britânico conquista possessões do Império Francês na Índia e na América do Norte, menos no que hoje é a província do Quebec, no Canadá. Esta guerra é causa tanto da independência dos EUA (1776) quanto da Revolução Francesa (1789).

Os dois impérios ficam em situação difícil para financiar a guerra. O rei George III resolve aumentar os impostos e as 13 colônias norte-americanas se rebelam e formam os EUA. Na França, a insatisfação popular é agravada por invernos rigorosos e quebras de safra que causam fome.

O Segundo Tratado de Paris fixa a fronteira entre os EUA, na época apenas as 13 colônias da costa do Oceano Atlântico, e as possessões britânicas no resto da América do Norte, que viriam a formar o Canadá. Todos os prisioneiros de guerra são libertados. Os pescadores dos EUA ganham o direito de pescar ao largo da Terra Nova e no Golfo de São Lourenço.

"ESTRANGEIROS INIMIGOS"

    Em 1942, o presidente Franklin Delano Roosevelt decreta que todos os cidadãos de países inimigos na Segunda Guerra Mundial (1939-45) – alemães, italianos e japoneses – residentes nos Estados Unidos precisam se registrar no Departamento da Justiça.

O país ainda está em choque, depois do bombardeio japonês à Frota do Oceano Pacífico, estacionada em Pearl Harbor, no Havaí, em 7 de dezembro de 1941, que leva os EUA à guerra. 

O decreto regulamenta a Lei de Registro de Estrangeiros, de 1940. Serve de base legal para a internação em massa de 120 mil japoneses-americanos em campos de concentração durante a guerra, decretada em 19 de fevereiro de 1942.

REVOLUÇÃO DE JASMIM

    Em 2011, depois de dias de manifestações de protestos contra a miséria, a fome e a repressão política, o ditador Zine el-Abidine Ben Ali renuncia à Presidência da Tunísia na Revolução de Jasmin, a primeira da Primavera Árabe.

Mohamed Bouazizi é um engenheiro desempregado que vende frutas e verduras nas ruas da cidade de Sidi Bouzid para sobreviver. Ganha em média US$ 75 por mês. 

Em 17 de dezembro de 2010, uma fiscal apreende suas mercadorias e balança, lhe dá um tapa no rosto e rasga uma cópia da lei que autoriza o trabalho de ambulante que Bouazizi levava consigo. Ele vai para a frente da prefeitura da cidade e se autoimola. Toca fogo na roupa.

Ben Ali vai visitá-lo no hospital, mas não piora ainda mais a situação. Quando Bouazizi morre, 18 dias depois, em 4 de janeiro de 2011, a revolta popular explode. Mais de 5 mil pessoas participam do funeral. Ele deixa uma mensagem para a mãe pedindo desculpas por ter perdido a esperança.

A reação da ditadura é brutal. Dezenas de pessoas morrem. Ben Ali lamenta as mortes, promete baixar os preços dos alimentos e reduzir as restrições ao uso da Internet. Em 14 de janeiro, Ben Ali decreta estado de emergência, dissolve o Parlamento e convoca eleições, mas os manifestantes não cedem e ele renuncia, depois de ficar 23 anos no poder, e foge para a Arábia Saudita, onde morre em 19 de setembro de 2019.

A Tunísia é o único país onde a Primavera Árabe leva à democracia, mas não dura muito. O presidente Kaïs Saïed, que chega ao poder em 23 de outubro de 2019, dissolve o Parlamento em 25 de julho de 2021 e assume poderes ditatoriais.