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quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

Hoje na História do Mundo: 11 de Fevereiro

 NASCE THOMAS EDISON

    Em 1847, nasce em Milan, no estado de Ohio, Thomas Alva Edison, o maior inventor de todos os tempos, que registra 1.093 patentes nos Estados Unidos e 2 mil no mundo inteiro. 

Edison recebe pouca educação formal, como acontece com a maioria dos norte-americanos na época. Com problemas de audição desde a infância, começa a trabalhar como operador de telégrafo aos 16 anos e logo usa sua engenhosidade para aperfeiçoar o sistema.

A partir de 1869, Edison torna-se inventor em tempo integral. Em 1876, ele se muda para um laboratório em Menlo Park, em Nova Jérsei, onde inventa o fonógrafo no ano seguinte tentando criar uma máquina para gravar conversas telefônicas.  Passa a ser conhecido como o Gênio de Menlo Park.

É o primeiro grande sucesso. Edison e sua equipe inventam a lâmpada de filamento incandescente em 1879 e precursores da câmera e do projetor de cinema nos anos 1880.

Sua maior contribuição é no campo da eletricidade. Edison desenvolve um sistema de distribuição de luz e energia, cria em Nova York a primeira usina de energia elétrica, inventa a bateria alcalina e o trem movido a energia elétrica. Ao todo, registra 1.093 patentes nos EUA e mais de 2 mil contando as invenções patenteadas no exterior.

O fonógrafo vai sendo aperfeiçoado na maneira de gravar e reproduzir até o surgimento disco musical de 78 rotações por minutos em 1915. Cada lado toca por 4 minutos e 30 segundos em média. 

Em 1948, a Columbia Records lança o LP (long playing) de 33,3 rpm, com cerca de 30 minutos de gravação de cada lado. 

A gravação estereofônica, em dois canais de som distintos, surge em 1958 e cria o som de alta fidelidade. 

TRATADO DE LATRÃO

    Em 1929, o ditador fascista Benito Mussolini e o representante do Vaticano Pietro Gasparri assinam o Tratado de Latrão, em que a Itália reconhece a soberania papal sobre a Cidade do Vaticano, um enclave de 45 hectares dentro de Roma.

Pelo tratado, o Vaticano reconhece a existência da Itália, com capital em Roma. Desde 1985, o catolicismo deixa de ser a religião oficial da Itália. Com isso, a educação religiosa para de ser obrigatória em escolas públicas.

REVOLUÇÃO ISLÂMICA

    Em 1979, semanas depois da fuga do xá Reza Pahlevi, a Revolução Islâmica toma o poder no Irã e impõe uma ditadura teocrática do fundamentalismo xiita.

O xá assume poderes ditatoriais depois do primeiro golpe articulado pela CIA (Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos) durante a Guerra Fria, em 19 de agosto de 1953, contra o primeiro-ministro Mohammed Mossadegh, que nacionalizara a companhia petrolífera Anglo-Iranian Oil.

Durante 26 anos, o xá é um aliado dos EUA durante a Guerra Fria, com uma ditadura secularista, pró-ocidental e anticomunista. Em 1963, Pahlevi adota um programa de modernização da sociedade iraniana que enfrenta forte oposição do clero muçulmano. Depois de ser preso duas vezes, em 1964, o aiatolá Ruhollah Khomeini foge para o exílio na Turquia, no Iraque e na França.

A onda de protestos contra o regime começa em outubro de 1977 e se transforma numa grande campanha de desobediência civil. No fim de 1978 , manifestações e greves no setor petrolífero, base da economia iraniana, paralisam o país.

Pahlevi foge do país em 16 de janeiro e deixa no poder o primeiro-ministro Shapour Bakhtiar, oriundo da oposição. Seu governo convida Khomeini a voltar ao Irã, o que acontece em 1º de fevereiro. 

NELSON MANDELA LIVRE

    Em 1990, Nelson Mandela, o líder da luta da maioria negra contra o regime segregacionista do apartheid, é libertado depois de 27 anos de prisão e começa a negociar o fim da ditadura da minoria branca na África do Sul. 

Até sua imagem era proibida no país. A pneumonia que o mata em 5 de dezembro de 2013 é resultado das condições desumanas na prisão da Ilha de Robben, onde fica 16 anos.

Influenciado pelas ideias do líder pacifista da independência da Índia, o Mahatma Gandhi, baseadas na resistência pacífica e desobediência civil do naturalista norte-americano Henry David Thoreau, Mandela entra nos anos 1940 para a Liga Jovem do Congresso Nacional Africano (CNA). Depois da morte de 69 negros no Massacre de Sharpeville, em 1960, o CNA parte para a luta armada.

Nelson Mandela se torna líder do braço armado do CNA, Umkhonto we Sizwe (Lança da Nação). Quando volta de treinamento militar no exterior, é preso, em 1962, e condenado à morte em 1964. A sentença depois é reformada para prisão perpétua. Durante o julgamento, ele declara estar lutando contra a ditadura da minoria branca e promete lutar contra uma ditadura da maioria negra.

Nos momentos mais violentos da guerra civil não declarada da África do Sul, o regime racista apela a Mandela, que sempre insiste que presos não podem negociar.

Diante da grande pressão internacional, do boicote internacional à economia sul-africana e do fim da Guerra Fria, ao tomar posse, em 1989, o último presidente branco da África do Sul, Frederik de Klerk, anuncia a intenção de libertar Mandela e negociar o fim do apartheid. Ambos ganham o Prêmio Nobel da Paz em 1993.

Depois de negociações tensas e difíceis, em 27 de abril de 1994, Mandela assume como o primeiro presidente eleito democraticamente da África do Sul. Convida para a posse um de seus carcereiros. Fiel à democracia, ao contrário da maioria dos líderes africanos, deixa o governo depois do primeiro mandato.

A data de nascimento Mandela, 18 de julho de 1918, é transformada pela ONU em Dia Internacional Nelson Mandela pela liberdade, justiça e democracia.

QUEDA DE MUBARAK

    Em 2011, durante a Primavera Árabe, cai Hosni Mubarak, ditador do Egito desde o assassinato de Anuar Sadat, em 6 de outubro de 1981.

A Primavera Árabe é uma onda de revoltas populares contra ditaduras que começa na Tunísia quando o engenheiro desempregado Mohamed Abouazizi, que trabalha como camelô, tem a mercadoria e a balança roubadas por um fiscal e se autoimola diante da Prefeitura de Ben Arous.

Quando ele morre, 18 dias depois, em 4 de janeiro, a revolta toma conta das ruas. Em 14 de janeiro, o ditador Zine el-Abidine ben Ali renuncia e foge do país depois de ficar 23 anos no poder.

Em 25 de janeiro, a revolta chega ao Egito, o maior e mais populoso país árabe. A polícia reprime com violência as manifestações. Pelo menos 846 pessoas morrem e mais de 6 mil saem feridas. Mais de 90 delegacias de polícia são incendiadas até que o Conselho Superior das Forças Armadas depõe Mubarak.

O Egito realiza suas primeiras eleições democráticas e a Irmandade Muçulmana, o mais antigo grupo fundamentalista islâmico, vence. Controla o Parlamento e elege o presidente Mohamed Mursi. Ele governa de 30 de junho de 2012 a 3 de julho de 2013, quando é deposto pelo atual ditador, marechal Abdel Fatah al-Sissi.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2025

Hoje na História do Mundo: 11 de Fevereiro

NASCE THOMAS EDISON

    Em 1847, nasce em Milan, no estado de Ohio, Thomas Alva Edison, o maior inventor de todos os tempos, que registra 1.093 patentes nos Estados Unidos e 2 mil no mundo inteiro. 

Edison recebe pouca educação formal, como acontece com a maioria dos norte-americanos na época. Com problemas de audição desde a infância, começa a trabalhar como operador de telégrafo aos 16 anos e logo usa sua engenhosidade para aperfeiçoar o sistema.

A partir de 1869, Edison torna-se inventor em tempo integral. Em 1876, ele se muda para um laboratório em Menlo Park, em Nova Jérsei, onde inventa o fonógrafo no ano seguinte tentando criar uma máquina para gravar conversas telefônicas.  Passa a ser conhecido como o Gênio de Menlo Park.

É o primeiro grande sucesso. Edison e sua equipe inventam a lâmpada de filamento incandescente em 1879, precursores da câmera e do projetor de cinema nos anos 1880.

Sua maior contribuição é no campo da eletricidade. Edison desenvolve um sistema de distribuição de luz e energia, criou em Nova York a primeira usina de energia elétrica, inventou a bateria alcalina e o trem movido a energia elétrica. Ao todo, registra 1.093 patentes nos EUA mais de 2 mil contando as invenções patenteadas no exterior.

O fonógrafo vai sendo aperfeiçoado na maneira de gravar e reproduzir até o surgimento disco musical de 78 rotações por minutos em 1915. Cada lado toca por 4 minutos e 30 segundos em média. 

Em 1948, a Columbia Records lança o LP (long playing) de 33,3 rpm, com cerca de 30 minutos de gravação de cada lado. 

A gravação estereofônica, em dois canais de som distintos, surge em 1958 e cria o som de alta fidelidade. 

TRATADO DE LATRÃO

    Em 1929, o ditador fascista Benito Mussolini e o representante do Vaticano Pietro Gasparri assinam o Tratado de Latrão, em que a Itália reconhece a soberania papal sobre a Cidade do Vaticano, um enclave de 45 hectares dentro de Roma.

Pelo tratado, o Vaticano reconhece a existência da Itália, com capital em Roma. Desde 1985, o catolicismo deixa de ser a religião oficial da Itália. Com isso, a educação religiosa para de ser obrigatória em escolas públicas.

REVOLUÇÃO ISLÂMICA

    Em 1979, semanas depois da fuga do xá Reza Pahlevi, a Revolução Islâmica toma o poder no Irã e impõe uma ditadura teocrática do fundamentalismo xiita.

O xá assume poderes ditatoriais depois do primeiro golpe articulado pela CIA (Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos) durante a Guerra Fria, em 19 de agosto de 1953, contra o primeiro-ministro Mohammed Mossadegh, que nacionalizara a companhia petrolífera Anglo-Iranian Oil.

Durante 26 anos, o xá é um aliado dos EUA durante a Guerra Fria, com uma ditadura secularista, pró-ocidental e anticomunista. Em 1963, Pahlevi adota um programa de modernização da sociedade iraniana que enfrenta forte oposição do clero muçulmano. Depois de ser preso duas vezes, em 1964, o aiatolá Ruhollah Khomeini foge para o exílio na Turquia, no Iraque e na França.

A onda de protestos contra o regime começa em outubro de 1977 e se transforma numa grande campanha de desobediência civil. No fim de 1978 , manifestações e greves no setor petrolífero, base da economia iraniana, paralisam o país.

Pahlevi foge do país em 16 de janeiro e deixa no poder o primeiro-ministro Shapour Bakhtiar, oriundo da oposição. Seu governo convida Khomeini a voltar ao Irã, o que acontece em 1º de fevereiro. 

NELSON MANDELA LIVRE

    Em 1990, Nelson Mandela, o líder da luta da maioria negra contra o regime segregacionista do apartheid, é libertado depois de 27 anos de prisão e começa a negociar o fim da ditadura da minoria branca na África do Sul. 

Até sua imagem era proibida no país. A pneumonia que o mata em 5 de dezembro de 2013 é resultado das condições desumanas na prisão da Ilha de Robben, onde fica 16 anos.

Influenciado pelas ideias do líder pacifista da independência da Índia, o Mahatma Gandhi, baseadas na resistência pacífica e desobediência civil do naturalista norte-americano Henry David Thoreau, Mandela entra nos anos 1940 para a Liga Jovem do Congresso Nacional Africano (CNA). Depois da morte de 69 negros no Massacre de Sharpeville, em 1960, o CNA parte para a luta armada.

Nelson Mandela se torna líder do braço armado do CNA, Umkhonto we Sizwe (Lança da Nação). Quando volta de treinamento militar no exterior, é preso, em 1962, e condenado à morte em 1964. A sentença depois é reformada para prisão perpétua. Durante o julgamento, ele declara estar lutando contra a ditadura da minoria branca e promete lutar contra uma ditadura da maioria negra.

Nos momentos mais violentos da guerra civil não declarada da África do Sul, o regime racista apela a Mandela, que sempre insiste que presos não podem negociar.

Diante da grande pressão internacional, do boicote internacional à economia sul-africana e do fim da Guerra Fria, ao tomar posse, em 1989, o último presidente branco da África do Sul, Frederik de Klerk, anuncia a intenção de libertar Mandela e negociar o fim do apartheid. Ambos ganham o Prêmio Nobel da Paz em 1993.

Depois de negociações tensas e difíceis, em 27 de abril de 1994, Mandela assume como o primeiro presidente eleito democraticamente da África do Sul. Convida para a posse um de seus carcereiros. Fiel à democracia, ao contrário da maioria dos líderes africanos, deixa o governo depois do primeiro mandato.

A data de nascimento Mandela, 18 de julho de 1918, é transformada pela ONU em Dia Internacional Nelson Mandela pela liberdade, justiça e democracia.

QUEDA DE MUBARAK

    Em 2011, durante a Primavera Árabe, cai Hosni Mubarak, ditador do Egito desde o assassinato de Anuar Sadat, em 6 de outubro de 1981.

A Primavera Árabe é uma onda de revoltas populares contra ditaduras que começa na Tunísia quando o engenheiro desempregado Mohamed Abouazizi, que trabalha como camelô, tem a mercadoria e a balança roubadas por um fiscal e se autoimola diante da Prefeitura de Ben Arous.

Quando ele morre, 18 dias depois, em 4 de janeiro, a revolta toma conta das ruas. Em 14 de janeiro, o ditador Zine el-Abidine ben Ali, renuncia e foge do país depois de ficar 23 anos no poder.

Em 25 de janeiro, a revolta chega ao Egito, o maior e mais populoso país árabe. A polícia reprime com violência as manifestações. Pelo menos 846 pessoas morrem e mais de 6 mil saem feridas. Mais de 90 delegacias de polícia são incendiadas até que o Conselho Superior das Forças Armadas depõe Mubarak.

O Egito realiza suas primeiras eleições democráticas e a Irmandade Muçulmana, o mais antigo grupo fundamentalista islâmico, vence. Controla o Parlamento e elege o presidente Mohamed Mursi. Ele governa de 30 de junho de 2012 a 3 de julho de 2013, quando é deposto pelo atual ditador, marechal Abdel Fatah al-Sissi.

quinta-feira, 26 de setembro de 2019

Egito prende 2 mil pessoas para conter protestos contra o ditador

Mais de 2 mil pessoas foram presas nos últimos dias no Egito. É uma tentativa do governo de acabar com as manifestações contra o ditador do país, marechal Abdel Fattah al-Sissi, que chegou ao poder num golpe de Estado em 2013 e prorrogou seu mandato até 2030.

Uma onda de manifestações da chamada Primavera Árabe provocou a queda do ditador Hosni Mubarak em 11 de fevereiro de 2011. Durante uma breve experiência democrática, Mohamed Mursi, da Irmandade Muçulmana, o mais antigo grupo fundamentalista islâmico do mundo, foi o primeiro e único líder do Egito eleito democraticamente. 

O autoritarismo e a intolerância da Irmandade Muçulmana deflagaram nova onda de protestos. A multidão voltou a tomar a Praça da Libertação, no centro do Cairo. Na prática, pediu uma intervenção militar.

Em 3 de julho de 2013, o comandante das Forças Armadas, marechal Al-Sissi, deu um golpe, acabou com a democracia e reimpôs o controle absoluto do chamado Estado profundo, formado pelas Forças Armadas, a polícia, os serviços secretos e empresários ligados ao regime. 

Mais de mil pessoas foram mortas logo depois do golpe. Os principais líderes da Irmandade Muçulmana foram presos e processados, inclusive Mursi, que morreu na prisão em 17 de junho deste ano.

Oito anos depois da Primavera Árabe, só a Tunísia, onde os protestos começaram, se tornou uma democracia. A Líbia, a Síria e o Iêmen estão até hoje em guerra civil. E o Egito voltou a ser uma ditadura ainda mais repressiva do que sob Mubarak. Mas o espírito da democracia sobrevive. Meu comentário:

segunda-feira, 17 de junho de 2019

Morre na prisão o único presidente eleito da história do Egito

O ex-presidente do Egito Mohamed Mursi, derrubado por um golpe militar em 3 de julho de 2013, morreu aos 67 hoje num tribunal do Cairo. Mursi, da Irmandade Muçulmana, o mais antigo grupo fundamentalista islâmico, foi eleito em 2012, depois da queda do ditador Hosni Mubarak na Primavera Árabe, em 11 de fevereiro de 2011. Sua morte deve provocar protestos dos islamistas.

Mursi sofria de diabetes e teve um colapso cardíaco depois de uma audiência no tribunal, onde respondia a processos. Sua deposição pelo atual ditador, marechal Abdel Fattah al-Sissi, marcou o fim da breve experiência democrática do Egito.

Depois da queda, o ex-presidente foi condenado a 45 anos de prisão, a 20 anos por incitar as forças de segurança a atacar manifestantes em 2012 e a 25 anos por espionagem a favor do Catar, aliado da Irmandade Muçulmana, declarada grupo terrorista pelo novo governo egípcio.

Um de seus maiores aliados, o ditador da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, o chamou de mártir: "Que Alá dê a nosso mártir, nosso irmão Mursi, sua misericórdia. Outro aliado importante, o emir do Catar, xeque Tamin ben Hamad al-Thani, manifestou "profunda tristeza".

Com o golpe, mais de 1,4 mil manifestantes da Irmandade Muçulmana foram mortos e 15 mil presos. Centenas de islamistas foram condenados nos últimos anos sob acusação de terrorismo. Os mesmos ativistas que derrubaram Mubarak na esperança de democratizar o país saíram às ruas para denunciar o autoritarismo de Mursi e da Irmandade Muçulmana, convidando os militares a dar o golpe de 2013.

O regime hoje é ainda mais repressivo do que no tempo de Mubarak. A Primavera Árabe só democratizou a Tunísia. A Líbia, a Síria e o Iêmen estão até hoje em guerra civil.

segunda-feira, 2 de abril de 2018

Ditador do Egito é reeleito com 97% dos votos

Antes do fim da apuração de três dias, a imprensa governamental havia antecipado o resultado. Agora, é oficial: com 97,08% dos votos válidos, o ditador, marechal Abdel Fattah al-Sissi, responsável pelo golpe de Estado de 3 de julho de 2013, foi reeleito presidente do Egito para um segundo mandato de quatro anos.

Sem qualquer adversário de oposição, o marechal gostaria de superar o índice de comparecimento às urnas de 2014 (47%), mas a eleição sem qualquer disputa desestimulou o eleitorado. Só 41,5% dos eleitores egípcios foram às urnas.

O ditador foi logo cumprimentado pelo Departamento de Estado americano, em mais um sinal do pouco apreço do governo Donald Trump pela democracia. A agora subsecretária de Estado para Diplomacia e Questões Públicas, Heather Nauert, declarou que os Estados Unidos "estão impacientes para continuar a trabalhar com o presidente Abdel Fattah al-Sissi" e manter "sua parceria forte com o Egito".

Depois da queda do ditador Hosni Mubarak, em fevereiro de 2011, nas revoltas da chamada Primavera Árabe, a única oposição organizada do Egito, a Irmandade Muçulmana, venceu as eleições democráticas e tentou consolidar com uma série de manobras denunciadas pelos movimentos que derrubaram Mubarak.

No golpe de 2013, diante de uma série de manifestações de protesto contra o crescente autoritarismo da Irmandade Muçulmana, o então comandante do Exército, general Al-Sissi depôs Mohamed Mursi, o primeiro presidente eleito democraticamente da história do Egito. Em 2014, foi eleito presidente com 96,9% dos votos válidos

Foi a volta do controle absoluto do chamado Estado profundo, uma aliança entre as Forças Armadas, os serviços de segurança e o empresariado, que governa o Egito desde a Revolução dos Coronéis, que depôs o rei Faruk em 1952. Suas forças sempre estiveram prontas para reassumir o controle.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Egito reprime homenagens à revolução traída

Cinco anos atrás, em 25 de janeiro de 2011, uma multidão se concentrou na Praça da Libertação, no centro do Cairo, e só saiu de lá em 11 de fevereiro, quando o então ditador do Egito, Hosni Mubarak, renunciou depois de quase 30 anos no poder. 

Era o auge da chamada Primavera Árabe, que geraria o caos na Líbia e na Síria. Agora o governo surgido do golpe militar de 3 de julho de 2013 faz o possível para a data e as bandeiras de luta serem esquecidas.

Hoje o trânsito fluía sem problemas ao redor da praça onde o povo derrubou o regime que governava o Egito desde a Revolução dos Coronéis, que derrubou a monarquia 1952. Mais de 180 mil soldados e policiais foram mobilizados para que nada acontecesse.

A Irmandade Muçulmana, que liderou o breve governo democrático, governou autocraticamente, foi derrubada, declarada terrorista e proibida, convocou 35 marchas de protesto que na prática não aconteceram. Os liberais e esquerdistas que tomaram a praça e fizeram a Revolução de 25 de Janeiro em busca de democracia, liberdade e igualdade nem se mexeram. Foram os grandes derrotados.

Em 8 de janeiro, o Ministério da Religião incluiu no sermão oficial lido em todas as mesquitas um decreto religioso (fatwa) denunciando todos os que convocaram protestos de "implicar os egípcios em atos de violência e terrorismo em favor dos inimigos da pátria".

O sermão chamava a atenção para o caos nos países vizinhos "para que não se esqueçam as graças que os egípcios estão desfrutando no momento, inclusive segurança e estabilidade". Politiza as mesquitas, uma das acusações à Irmandade quando o grupo estava no poder.

Nas últimas semanas, a polícia deu buscas em 5 mil residências no Cairo para reprimir manifestações e revistou sistematicamente pessoas nos arredores da praça central da capital egípcia e seus cafés.

"Sempre há informantes nos cafés. Os pessoas sabem que estão sendo vigiadas e ouvidas", comentou o ativista Mohamed Abdel Rahman, condenado em 2014 por violar a lei que proíbe manifestações. "Agora, eles podem parar as pessoas nos cafés, no metrô, pedir identidade, o número do telefone e a senha no Facebook."

O serviço secreto também fez buscas e apreensões em centros culturais, considerados possíveis focos de dissenso. "Revistaram tudo: os computadores, as gavetas, tudo", contou Yasser Gerab, diretor da casa de exposições e espetáculos Townhouse, fechada desde 28 de fevereiro.

A advogada Yasmine Hossam al-Din está defendendo cerca de 800 pessoas acusadas genericamente: "A polícia abre um caso, dizendo que uma pessoas é acusada de terrorismo. Isso dá 10 a 15 anos de prisão. E não há como eu ou qualquer outro advogado provar o contrário porque os juízes são indicados politicamente - eles apoiam Sissi."

De uma cela na cadeia onde cumpre pena de cinco anos, o blogueiro Alaa Abdel Fattah resume a frustração dos revolucionários: "Tudo o que posso dizer é que perdi minhas palavras."

Ele reconhece agora que "o momento revolucionário era frágil e precário. No entanto, não posso me livrar desse sentimento puro de esperança, da impressão de que tudo é possível. Apesar das derrotas, nossos sonhos não param de crescer".

Na realidade, havia duas instituições organizadas no Egito em 2011: o regime das Forças Armadas, com suas amplas ramificações pela sociedade e a economia do país; e a Irmandade Muçulmana, o mais antigo grupo fundamentalista islâmico do mundo, fundado em 1928 por Hassan al-Bana para reislamizar os muçulmanos, que estariam corrompidos pelo secularismo e o colonialismo ocidental.

"Em 2013, começamos a perder a batalha em meio a uma polarização deletéria entre um Estado pseudo-laico furiosamente militarizado e uma forma de islamismo paranoica de um sectarismo brutal", analisa Alaa Abdel Fattah.

Na sua opinião, o massacre de pelo menos 630 pessoas fuziladas pela polícia de 14 a 16 de agosto de 2013 na Praça Rabia, depois do golpe de Al-Sissi, foi "o primeiro crime contra a humanidade da história da república".

Preso sem julgamento há dois anos e meio sob a alegação de usar violência contra a polícia na Praça Rabia em agosto de 2013, Dia Abdul Rahman, de 29 anos, sonha "em ir ao tribunal, mesmo que não tenhamos cometido nenhum crime, em vez de ficar jogado na cadeia sem processo. Não temos valor nenhum para as autoridades.

Três meses depois, o blogueiro estava de volta na prisão. Desde 2014, os revolucionários lançaram uma campanha de defesa dos direitos humanos, libertação de todos os presos políticos e revogação da lei antimanifestações. No fundo de sua cela, Fattah ainda acredita que "um outro mundo é possível".

De volta à ditadura militar, o Egito enfrenta uma inflação de 11% com desemprego de 35% entre os jovens. O custo da corrupção em 2015 foi estimado em US$ 77 bilhões. Mais de 1,1 mil greves paralisaram a produção em diversos setores no ano passado.

O Estado Islâmico do Iraque e do Levante representa uma nova ameaça terrorista na Península do Sinai, onde derrubou um avião de passageiros russo matando em 31 de outubro de 2015 as 224 pessoas a bordo, que voltavam do balneário de Charm al-Cheikh, no Mar Vermelho. Foi mais um duro golpe na indústria do turismo. As praias estão vazias.

Como o Egito é um líder do mundo árabe, o fracasso da chamada Primavera Árabe no país atrasa o processo de democratização do Oriente Médio. Pela primeira vez, o povo egípcio foi sujeito de sua própria história, mas o autoritarismo se impôs.

Desde sua eleição para a Presidência, em junho de 2014, com 96,4% dos votos, o marechal e líder golpista Abdel Fattah al-Sissi reprime toda forma de dissidência. No discurso oficial do governo, houve uma revolução em fevereiro de 2011 e outra em julho de 2013. Al-Sissi liderou o golpe chamado de segunda revolução.

A revolução é assim uma sombra sobre seu governo.

segunda-feira, 6 de julho de 2015

Egito prende mais 63 ativistas da Irmandade Muçulmana

As forças de segurança do Egito prenderam mais 63 ativistas da Irmandade Muçulmana sob a acusação de incitar à violência e cometer atos violentos, noticiou hoje o Middle East Monitor, citando como fonte o Ministério do Interior egípcio.

Mais antigo movimento fundamentalista islâmico do mundo, fundado em 1928 por Hassan al-Bana para reislamizar os muçulmanos, a Irmandade era o único grupo político organizado no Egito quando a revolução da Primavera Árabe derrubou o ditador Hosni Mubarak, em 11 de fevereiro de 2011.

Mesmo sem ter liderado a revolução, a Irmandade Muçulmana conquistou maioria no Parlamento e a Presidência do Egito com a eleição direta Mohamed Mursi em junho de 2012. Pouco mais de um ano depois, em 3 de julho de 2013, Mursi foi deposto num golpe militar liderado pelo atual ditador, marechal Abdel Fattah al-Sissi, e a Irmandade foi declarada um grupo terrorista.

Desde então, mais de mil ativistas e 600 soldados e policiais foram mortos numa guerra civil latente. Mursi e outros membros da cúpula do movimento foram condenados à morte e aguardam recurso. Na semana passada, um grupo que se apresenta como a Província do Sinai do Estado Islâmico lançou um grande ataque contra postos e bases militares no Norte da Península do Sinai.

sábado, 16 de maio de 2015

Egito condena à morte o ex-presidente Mursi

O ex-presidente Mohamed Mursi, único líder eleito democraticamente da história do Egito, e outros 105 militantes da Irmandade Muçulmana foram condenados hoje à pena de morte na forca por "homicídio e tentativa de homicídio" no ataque à prisão de Natroun, em 2011, noticia o jornal egípcio Ahram.

Mursi já havia sido condenado a 20 anos de prisão por incitar à violência, prisões arbitrárias e tortura durante conflitos entre islamitas e opositores a seu governo, em dezembro de 2012.

Ele foi eleito presidente em junho de 2012, depois da revolução que derrubou o ditador Hosni Mubarak, em 11 de fevereiro de 2011, na chamada Primavera Árabe. Foi deposto em 3 de julho de 2013 por um golpe militar liderado pelo ditador Abdel Fattah al-Sissi.

A nova decisão será submetida à revisão do Grande Mufti do Egito, a mais alta autoridade religiosa do país. Ele tem até 2 de junho para se pronunciar. Se e pena for confirmada depois de recursos a tribunais superiores, será o primeiro presidente do Egito a ser executado.

"Este veredito é político, é um crime de homicídio que está para ser cometido e deve ser impedido pela comunidade internacional", declarou no exílio em Istambul o ex-ministro Amir Darrag, um dos fundadores do Partido da Justiça e Liberdade, o braço político da Irmandade.

Outros dirigentes da Irmandade Muçulmana, inclusive o supremo líder espiritual, Mohamed Badie, foram condenados à morte. O grupo foi banido como uma "organização terrorista".

Na denúncia, a promotoria acusou Mursi e seus companheiros de danificar e incendiar a prisão, homicídio, tentativa de homicídio, libertação de presos e roubo de armas. Mais de 800 islamitas se infiltraram no Egito vindo da Faixa de Gaza para atacar três prisões. Eles mataram vários policiais e sequestraram quatro.

Entre os presos soltos, havia militantes da Irmandade Muçulmana, do Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) palestinos e da milícia fundamentalista xiita libanesa Hesbolá (Partido de Deus), além de criminosos comuns.

Em outro caso, de espionagem, Mursi e outros 35 ativistas da Irmandade Muçulmana foram acusados de conspirar com forças estrangeiras, inclusive o Hamas, o Hesbolá e a Guarda Revolucionária do Irã, para desestabilizar o Egito.

As decisões do Grande Mufti não são de cumprimento obrigatório pela Justiça, mas costumam pesar. Em março de 2014, um tribunal de Mínia proferiu 529 sentenças de morte por homicídio e tentativa de homicídio. Depois da revisão, 37 foram mantidas e 492 convertidas em prisão perpétua.

No mês seguinte, o mesmo tribunal condenou 683 réus à morte. Só 183 foram confirmadas pela autoridade religiosa. Ambos os processos foram anulados por um tribunal de recursos e terão de começar de novo.

Agora, a Aliança Nacional de Apoio à Legitimidade, que defende a volta ao poder da Irmandade Muçulmana, "rejeita o princípio de processar o presidente eleito Mohamed Mursi". Em nota, acrescentou que as acusações de espionagem devem ser dirigidas aos "líderes do golpe militar" que "comprometeram a segurança do Egito diante de Israel".

A reaproximação com o Irã, o apoio ao Hamas e o clima de anarquia na Península do Sinai, onde proliferavam grupos jihadistas, levaram os Estados Unidos e Israel a apoiar o golpe militar.

O Hamas repudiou as condenações como "desafortunadas e chocantes", baseadas em "informações falsas". Na Turquia, o presidente Recep Tayyip Erdogan, um dos poucos líderes nacionais que apoiava Mursi e a Irmandade Muçulmana, também protestou: "O presidente do Egito eleito pelo povo foi infelizmente condenado à morte. O Egito está voltando a ser o velho Egito", lamentou, em comício em Istambul. Erdogan acusou o Ocidente de "fazer vistas grossas" para o golpe de 2013.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Filhos de Mubarak saem da cadeia no Egito

Com a volta da ditadura militar ao Egito, o ex-ditador Hosni Mubarak e seus filhos tiveram suas condenações a quatro anos de prisão por corrupção e desvio de dinheiro público revogadas na semana passada. Depois de quatro anos, Gamal e Alaa Mubarak saíram da cadeia, mais um sinal do fim da revolução deflagrada pela chamada Primavera Árabe, que levou à queda de Mubarak em 11 de fevereiro de 2011.

A libertação foi adiada por alguns dias por temor de reações populares contra a absolvição dos principais símbolos do capitalismo de compadres que dominou o Egito sob Mubarak e está de volta com o marechal-presidente Abdel Fattah al-Sissi, responsável pelo golpe militar que derrubou o presidente democraticamente eleito Mohamed Mursi, em 3 de julho de 2013.

Pelo menos 20 pessoas foram mortas ontem em confrontos com a polícia durante manifestações para marcar o quarto aniversário do início da revolução derrubou Mubarak.

domingo, 25 de janeiro de 2015

Vinte morrem no aniversário da revolução no Egito

Pelo menos 20 pessoas morreram hoje em confrontos com as forças de segurança no Egito no Cairo, em Alexandria, Damanhur e Giza durante manifestações convocadas para festejar o quarto aniversário do início da revolução que derrubou o ditador Hosni Mubarak em 11 de fevereiro de 2011.

A polícia já espera protestos e reforçou a segurança. Alguns manifestantes alegaram que o presidente legítimo do país é Mohamed Mursi, da Irmandade Muçulmana, o primeiro e único chefe de Estado eleito democraticamente na história do Egito, derrubado por um golpe militar instigado por nova revolta popular contra seus métodos autoritários, em 3 de julho de 2013.

Desde então, o país é governado pelo marechal Abdel Fattah al-Sissi, eleito presidente em eleições convocadas para dar uma aparência de democracia a um regime que se parece cada vez mais com a ditadura de Mubarak. Absolveu o ex-ditador e hoje reprime tanto a oposição islamita quanto os liberais e socialistas que tomaram há quatro anos a Praça da Libertação, no centro do Cairo, sonhando com democracia e liberdade.

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Absolvição de Mubarak mostra que Egito voltou à ditadura

Ao revogar hoje a última condenação do ex-ditador Hosni Mubarak, derrubado por uma revolta popular em fevereiro de 2011, o Tribunal Superior de Justiça do Egito não deixa dúvidas: o país voltou a ser a ditadura militar que era antes da chamada Primavera Árabe.

Em maio de 2014, Mubarak havia sido condenado a três anos de prisão por desviar dinheiro público no valor de US$ 17 milhões, destinado a reformar palácios presidenciais, para obras nas residências da família. Seus dois filhos foram condenados a 4 anos de detenção no mesmo processo.

Como está velho e doente aos 86 anos, o ex-ditador cumpre pena num hospital militar no distrito de Maadi, noticiou a agência Reuters. Em novembro, ele havia sido absolvido da acusação de responsabilidade pelas 852 mortes ocorridas durante a revolução que o derrubou.

Agora, sem nenhuma condenação pendente, pode ser posto em liberdade a qualquer momento para revolta dos manifestantes que ocuparam a Praça da Libertação, no centro do Cairo, durante semanas, para exigir sua queda, muitos dos quais estão presos.

A era Mubarak (1981-2011) é vista como um tempo de autoritarismo e corrupção, mas hoje os egípcios têm mais do mesmo. Sua queda levou à primeira eleição presidencial livre da história do Egito, vencida por Mohamed Mursi, da Irmandade Muçulmana, em junho de 2012.

No poder, a Irmandade Muçulmana mostrou-se autoritária, discriminatória, anticristã e antidemocrática, rompendo com os compromissos da revolução que depôs Mubarak. Um ano depois, os manifestantes voltaram a tomar a Praça da Libertação, desta vez contra Mursi e a Irmandade Muçulmana.

Em 3 de julho de 2013, o comandante das Forças Armadas, marechal Abdel Fattah al-Sissi, deu um golpe de Estado, expurgou os islamitas e colocou a Irmandade Muçulmana na ilegalidade. Mais de mil islamitas foram mortos.

Para dar uma aparência de democracia à volta da ditadura militar que governou o Egito desde que a Revolução dos Coronéis derrubou o rei Faruk, em 1952, Al-Sissi foi eleito presidente em maio de 2014. A absolvição de Mubarak e a prisão em massa de oposicionistas islamitas e liberais deixa claro que é só uma aparência.

quarta-feira, 21 de maio de 2014

Ex-presidente do Egito é condenado por corrupção

A Justiça do Egito condenou hoje o ex-presidente Hosni Mubarak a três anos de prisão por corrupção. Seus filhos Gamal e Alaa também foram condenados pelo mesmo motivo nesta quarta-feira no Cairo, a quatro anos de prisão cada um. Os três foram multados em US$ 2,9 milhões e devem devolver US$ 17,6 milhões aos cofres públicos.

Hosni Mubarak, hoje com 86 anos, foi deposto pela revolução da chamada Primavera Árabe em 11 de fevereiro de 2011 depois de ficar quase 30 anos no poder. Ele e os filhos foram acusados de desviar milhões de dólares.

Na sentença, o juiz Ossama Chahin afirmou que Mubarak "tinha o dever de conter a si mesmo e aos filhos impedindo-os de roubar dinheiro público. (...) Em vez disso, deu a si mesmo a aos filhos uma licença para desviar fundos públicos, ajudando a si mesmos sem supervisão ou consideração. Portanto, eles merecem ser punidos." Os condenados podem recorrer a tribunais superiores.

Em outro processo, um tribunal da cidade de Mansura sentenciou 155 ativistas da Irmandade Muçulmana denunciados por atos de violência política a penas de até 25 anos de cadeia; 75 são fugitivos e foram julgados à revelia.

A Irmandade venceu as eleições parlamentares e presidencial, mas foi derrubada em 3 de julho de 2013 por um golpe de Estado liderado pelo marechal Abdel Fattah al-Sissi, favorito para vencer a eleição presidencial de 26 e 27 de maio de 2014. Desde então, foi declarada um grupo terrorista e seus ativistas têm sido perseguidos.

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Governo do Egito renuncia

Todos os ministros do Egito pediram demissão hoje, abrindo caminho para a ascensão do comandante das Forças Armadas, marechal Abdel Fattah al-Sissi, à Presidência em eleição prevista para abril. Como vice-primeiro-ministro e ministro da Defesa, ele precisava se desincompatibilizar

O presidente interino do governo formado pelos militares depois do golpe de 3 de julho de 2013, Adli Mansour, pediu ao primeiro-ministro Hazem el-Beblawi, um pau mandado da era Mubarak (1981-2011), para que continue administrando o país até a nomeação de um novo chefe de governo, informou o jornal egípcio Al-Ahram.

As Forças Armadas, que mandam no Egito desde a queda da monarquia, em 1952, estão tentando criar um governo supostamente civil dominado pelos militares depois de uma breve experiência democrática depois da revolução que derrubou o ditador Hosni Mubarak, em 11 de fevereiro de 2011. Tanto as eleições parlamentares quanto a presidencial foram vencidas pelo movimento islamita Irmandade Muçulmana, que depois do golpe foi declarado terrorista e ilegal.

Dois anos depois da revolução, os militares estão de volta e mesmo os militantes secularistas que lutaram pela democracia no Egito estão sendo perseguidos pelo renitente Estado policial. Não acredito que os democratas desistam, mas terão fazer outra revolução.

sábado, 25 de janeiro de 2014

Aniversário da revolução tem 29 mortos no Egito

Pelo menos 29 pessoas morreram hoje em confrontos no segundo aniversário da Revolução de 25 de Fevereiro, que derrubaria o ditador Hosni Mubarak em 11 de fevereiro de 2011, informa a televisão pública britânica BBC.

No Cairo, houve manifestações rivais da Irmandade Muçulmana e de partidários do governo militar liderado pelo general Abdel Fattah al-Sissi, que derrubou o presidente Mohamed Mursi em 3 de julho de 2013. Desde então, mais de mil pessoas foram mortas. A Irmandade foi declarada um grupo terrorista e banida.

sábado, 18 de janeiro de 2014

Constituição do Egito foi aprovada com 61% de abstenção

A nova Constituição do Egito foi aprovada por 98,1% dos eleitores que foram às urnas na terça e na quarta-feira, mas a abstenção foi de 61,4%, anunciou hoje oficialmente a Comissão Nacional Eleitoral.

O referendo constitucional foi a primeira votação popular desde o golpe contra o presidente Mohamed Mursi, em 3 de julho de 2013. Seu movimento político, a Irmandade Muçulmana, colocada na ilegalidade sob acusação de terrorismo, defendeu o boicote, mas a participação foi maior do que no referendo de 2012 sobre a Constituição proposta pelos islamitas, quando não votaram 67% dos eleitores inscritos.

Com a vitória do regime golpista, aumenta a possibilidade de que o comandante supremo das Forças Armadas, general Abdel Fattah al-Sissi, seja candidato na eleição presidencial a ser convocada em breve.

Diante do autoritarismo de Mursi e das manobras da Irmandade para impor um modelo político baseado no direito islâmico, liberais e esquerdistas que derrubaram o ditador Hosni Mubarak em 11 de fevereiro de 2011, apoiaram a intervenção das Forças Armadas em julho passado. O risco é de volta da ditadura militar.

Desde a queda de Mursi, mais de mil pessoas foram mortas em conflitos com as forças de segurança e milhares foram presas.

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Justiça do Egito manda soltar ex-ditador Mubarak

Um tribunal do Egito ordenou hoje a libertação imediata do ex-ditador Hosni Mubarak (1981-2011), sob a alegação que se esgotou o prazo para que ele fique preso em julgamento.

Mubarak está detido praticamente desde que foi derrubado, em 11 de fevereiro de 2011.

domingo, 21 de julho de 2013

Egito recebe US$ 2 bilhões da Arábia Saudita

O Banco Central do Egito recebeu hoje um empréstimo de US$ 2 bilhões com juro zero da Arábia Saudita, informou o jornal estatal Al Ahram.

A Arábia Saudita, Kuwait e os Emirados Árabes Unidos ofereceram US$ 12 bilhões ao país depois do golpe contra o presidente Mohamed Mursi, da Irmandade Muçulmana. O objetivo é melhorar uma situação econômica dramática que foi uma das causas da queda do ditador Hosni Mubarak, em 11 de fevereiro de 2011, e só se agravou desde então.

sábado, 30 de junho de 2012

Islamita toma posse como presidente do Egito

Um dia depois de prestar um juramento simbólico diante da multidão reunida na Praça da Libertação, no centro do Cairo, Mohamed Mursi, candidato da Irmandade Muçulmana, o maior e mais antigo grupo fundamentalista islâmico do mundo, tomou posse hoje como primeiro presidente eleito democraticamente da História do Egito.

No discurso de posse, Mursi prometeu criar "um novo Egito, a segunda república", declarando encerrado o período de governos militares iniciado com a derrubada da monarquia pela Revolução dos Coronéis, liderada por Gamal Abdel Nasser, em 1952.

"Hoje o povo do Egito começa uma nova vida, com liberdade e democracia de verdade", afirmou o novo presidente egípcio.

Primeiro islamita eleito para presidir um país árabe, ele se comprometeu a atingir os ideais da revolução que derrubou o ditador Hosni Mubarak em 11 de fevereiro de 2011 construindo as instituições da democracia sob a inspiração de princípios islâmicos.

Mursi reafirmou o compromisso com os acordos internacionais, inclusive o tratado de paz com Israel, mas deu apoio aos "direitos legítimos" do povo palestino.

Seu maior desafio, observa o jornal The New York Times, será tomar o poder real das mãos dos militares.

terça-feira, 19 de junho de 2012

Mubarak está em estado crítico num hospital do Egito

A saúde do ex-ditador Hosni Mubarak piorou rapidamente hoje. Ele foi internado às pressas num hospital do Cairo, aumentando a incerteza no Egito, onde tanto o ex-primeiro-ministro Ahmed Chafik quanto o candidato da Irmandade Muçulmana, Mohamed Mursi, se proclamam vencedores da eleição presidencial.

Sua "morte clínica" ou "morte cerebral" chegou a ser anunciada pela agência de notícias estatal Middle East News Agency (MENA). Mas não foi confirmada. Aos 84 anos, Mubarak sofreu um acidente vascular cerebral e um ataque cardíaco que o deixaram em coma.

A notícia chegou rapidamente à Praça da Libertação, no centro da capital egípcia, onde centenas de milhares de manifestantes protestavam contra o Conselho Supremo das Forças Armadas, que reduziu os poderes do futuro presidente e reservou para si todos os poderes legislativos, inclusive de redigir a nova Constituição.

Há 15 dias, Mubarak foi condenado à prisão perpétua como responsável pelas mais de 800 mortes de manifestantes ocorridas durante os 18 dias da revolução que o derrubou, em 11 de fevereiro de 2011.

sábado, 2 de junho de 2012

Ex-ditador do Egito é condenado à prisão perpétua

O ex-ditador Hosni Mubarak foi condenado à prisão perpétua hoje pela Justiça do Egito por seu papel na morte de mais de 850 de manifestantes que protestaram contra seu governo na revolução que levou à sua queda, em 11 de fevereiro de 2011, na chamada Primavera Árabe. Seus advogados vão recorrer.

Imediatamente uma multidão tomou contra da Praça da Libertação, no centro do Cairo, revoltada porque o ex-ditador não pegou pena de morte e tanto ele como os filhos foram absolvidos das denúncias de corrupção.

Partidários do antigo regime protestaram, alegando que um presidente e ex-comandante militar não deveria receber uma sentença tão dura nem ser tratado com desrespeito. "Mubarak garantiu a paz durante 30 anos", disse um homem leal ao antigo regime nas ruas da capital.

Houve violência e confronto, num Egito revolucionário, com sede de justiça e de vingança.