Antes do fim da apuração de três dias, a imprensa governamental havia antecipado o resultado. Agora, é oficial: com 97,08% dos votos válidos, o ditador, marechal Abdel Fattah al-Sissi, responsável pelo golpe de Estado de 3 de julho de 2013, foi reeleito presidente do Egito para um segundo mandato de quatro anos.
Sem qualquer adversário de oposição, o marechal gostaria de superar o índice de comparecimento às urnas de 2014 (47%), mas a eleição sem qualquer disputa desestimulou o eleitorado. Só 41,5% dos eleitores egípcios foram às urnas.
O ditador foi logo cumprimentado pelo Departamento de Estado americano, em mais um sinal do pouco apreço do governo Donald Trump pela democracia. A agora subsecretária de Estado para Diplomacia e Questões Públicas, Heather Nauert, declarou que os Estados Unidos "estão impacientes para continuar a trabalhar com o presidente Abdel Fattah al-Sissi" e manter "sua parceria forte com o Egito".
Depois da queda do ditador Hosni Mubarak, em fevereiro de 2011, nas revoltas da chamada Primavera Árabe, a única oposição organizada do Egito, a Irmandade Muçulmana, venceu as eleições democráticas e tentou consolidar com uma série de manobras denunciadas pelos movimentos que derrubaram Mubarak.
No golpe de 2013, diante de uma série de manifestações de protesto contra o crescente autoritarismo da Irmandade Muçulmana, o então comandante do Exército, general Al-Sissi depôs Mohamed Mursi, o primeiro presidente eleito democraticamente da história do Egito. Em 2014, foi eleito presidente com 96,9% dos votos válidos
Foi a volta do controle absoluto do chamado Estado profundo, uma aliança entre as Forças Armadas, os serviços de segurança e o empresariado, que governa o Egito desde a Revolução dos Coronéis, que depôs o rei Faruk em 1952. Suas forças sempre estiveram prontas para reassumir o controle.
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
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segunda-feira, 2 de abril de 2018
sexta-feira, 24 de novembro de 2017
Atentado terrorista contra mesquita mata 235 pessoas no Egito
Pelo menos 235 foram mortas e outras 130 saíram feridas do pior atentado terrorista da história moderna do Egito, cometido numa mesquita da Península do Sinai. As principais suspeitas recaem sobre a organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante. O ditador Abdel Fattah al-Sissi prometeu uma "resposta brutal".
Nenhum grupo reivindicou a autoria do atentado até agora, mas as características apontam para o Estado Islâmico. Os terroristas eram cerca de 30. Eles explodiram duas bombas dentro da mesquita e metralharam quem tentava fugir da mesquita da cidade Ber al-Abed, que fica a 40 quilômetros a oeste de Alarixe, a capital e maior cidade da província do Sinai do Norte.
Até ambulâncias que socorriam os feridos foram baleadas. Há cinco anos há grupos jihadistas em atividade na região. Há dois anos, o grupo Ansar Beit al Makdis passou a se chamar de Província do Sinai do Estado Islâmico.
Houve vários atentados terroristas no Sinai desde 2013, mas os principais alvos eram cristãos coptas, que são cerca de 10% da população egípcia. O mais famoso foi a derrubada de um avião da empresa russa Metrojet que ia de Charm al-Cheikh, no Egito, para São Petersburgo, na Rússia, em 31 de outubro de 2015, um mês depois do início da intervenção russa na guerra civil da Síria. Todas as 22 pessoas a bordo morreram.
No mês passado, o Estado Islâmico assaltou um banco em Alarixe e realizou dois ataque fatais. Pelo menos 16 policiais morreram num ataque a um esconderijo dos terroristas no Deserto do Saara, a sudoeste do Cairo.
Desta vez, o alvo foi mesquita era sufista, uma corrente mística do Islã que os jihadistas consideram uma versão degenerada e herética porque seus rituais têm cantos e danças.
O wahabismo, a versão ultrapuritana do islamismo pregada oficialmente e exportada pela Arábia Saudita, surgiu no século 18, quando Mohamed Wahab tentou revigorar e purificar a religião voltando a suas raízes do século 7, na época do profeta Maomé.
Seus seguidores se intitulam salafistas, de salaf (predecessores pios), as três primeiras gerações de muçulmanos, que tomam como exemplo. O salafismo é a ideologia dos terroristas muçulmanos sunitas.
A matança aumenta a pressão sobre o marechal Al-Sissi, que tomou o poder num golpe de Estado em 3 de julho de 2013, derrubando o governo da Irmandade Muçulmana e o primeiro e único presidente eleito democraticamente da história do Egito, Mohamed Mursi, com a promessa de erradicar o terrorismo.
Durante o governo da Irmandade Muçulmana, o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) palestino, que domina a Faixa de Gaza, aproveitou da situação para aumentar o contrabando de armas e outras mercadorias. Depois do golpe, Al-Sissi combateu os milicianos jihadistas no Sinai e isolou Gaza, ajudando Israel na guerra de 2014 contra o Hamas.
No momento, o Egito articula a reconciliação entre o Hamas e a Fatah (Luta), que controla a Autoridade Nacional Palestina. Tinha planejado abrir a fronteira entre o Egito e Gaza durante quatro dias no mês passado. Cancelou a abertura diante dos sucessivos ataques terroristas no Sinai.
"Este ato odioso, que reflete a desumanidade de quem o perpetrou, não vai passar sem uma punição firme e definitiva", afirmou o ditador, que decretou luto oficial por três e convocou o conselho de segurança nacional para preparar a resposta.
Se realmente foi o Estado Islâmico, é mais um sinal de que, com a perda do território do califado proclamado em 2014, o grupo regride a uma organização terrorista clandestino. Sem condições de lutar em campo aberto e de conquistar e manter territórios, o Estado Islâmico prova que está vivo cometendo atentados brutais, uma tendência observada pelo menos desde os atentados de 13 de novembro de 2015 em Paris.
No início do mês, o marechal-presidente havia advertido que os milicianos do Estado Islâmico que estão fugindo do Iraque e da Síria chegariam ao Egito através da Líbia, que vive numa situação de anarquia, sem governo estável, desde a queda do ditador Muamar Kadafi, em agosto de 2011.
O Egito está virando um Afeganistão, um país em guerra permanente.
NOTA: No dia seguinte, o total de mortos subiu para 305.
Nenhum grupo reivindicou a autoria do atentado até agora, mas as características apontam para o Estado Islâmico. Os terroristas eram cerca de 30. Eles explodiram duas bombas dentro da mesquita e metralharam quem tentava fugir da mesquita da cidade Ber al-Abed, que fica a 40 quilômetros a oeste de Alarixe, a capital e maior cidade da província do Sinai do Norte.
Até ambulâncias que socorriam os feridos foram baleadas. Há cinco anos há grupos jihadistas em atividade na região. Há dois anos, o grupo Ansar Beit al Makdis passou a se chamar de Província do Sinai do Estado Islâmico.
Houve vários atentados terroristas no Sinai desde 2013, mas os principais alvos eram cristãos coptas, que são cerca de 10% da população egípcia. O mais famoso foi a derrubada de um avião da empresa russa Metrojet que ia de Charm al-Cheikh, no Egito, para São Petersburgo, na Rússia, em 31 de outubro de 2015, um mês depois do início da intervenção russa na guerra civil da Síria. Todas as 22 pessoas a bordo morreram.
No mês passado, o Estado Islâmico assaltou um banco em Alarixe e realizou dois ataque fatais. Pelo menos 16 policiais morreram num ataque a um esconderijo dos terroristas no Deserto do Saara, a sudoeste do Cairo.
Desta vez, o alvo foi mesquita era sufista, uma corrente mística do Islã que os jihadistas consideram uma versão degenerada e herética porque seus rituais têm cantos e danças.
O wahabismo, a versão ultrapuritana do islamismo pregada oficialmente e exportada pela Arábia Saudita, surgiu no século 18, quando Mohamed Wahab tentou revigorar e purificar a religião voltando a suas raízes do século 7, na época do profeta Maomé.
Seus seguidores se intitulam salafistas, de salaf (predecessores pios), as três primeiras gerações de muçulmanos, que tomam como exemplo. O salafismo é a ideologia dos terroristas muçulmanos sunitas.
A matança aumenta a pressão sobre o marechal Al-Sissi, que tomou o poder num golpe de Estado em 3 de julho de 2013, derrubando o governo da Irmandade Muçulmana e o primeiro e único presidente eleito democraticamente da história do Egito, Mohamed Mursi, com a promessa de erradicar o terrorismo.
Durante o governo da Irmandade Muçulmana, o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) palestino, que domina a Faixa de Gaza, aproveitou da situação para aumentar o contrabando de armas e outras mercadorias. Depois do golpe, Al-Sissi combateu os milicianos jihadistas no Sinai e isolou Gaza, ajudando Israel na guerra de 2014 contra o Hamas.
No momento, o Egito articula a reconciliação entre o Hamas e a Fatah (Luta), que controla a Autoridade Nacional Palestina. Tinha planejado abrir a fronteira entre o Egito e Gaza durante quatro dias no mês passado. Cancelou a abertura diante dos sucessivos ataques terroristas no Sinai.
"Este ato odioso, que reflete a desumanidade de quem o perpetrou, não vai passar sem uma punição firme e definitiva", afirmou o ditador, que decretou luto oficial por três e convocou o conselho de segurança nacional para preparar a resposta.
Se realmente foi o Estado Islâmico, é mais um sinal de que, com a perda do território do califado proclamado em 2014, o grupo regride a uma organização terrorista clandestino. Sem condições de lutar em campo aberto e de conquistar e manter territórios, o Estado Islâmico prova que está vivo cometendo atentados brutais, uma tendência observada pelo menos desde os atentados de 13 de novembro de 2015 em Paris.
No início do mês, o marechal-presidente havia advertido que os milicianos do Estado Islâmico que estão fugindo do Iraque e da Síria chegariam ao Egito através da Líbia, que vive numa situação de anarquia, sem governo estável, desde a queda do ditador Muamar Kadafi, em agosto de 2011.
O Egito está virando um Afeganistão, um país em guerra permanente.
NOTA: No dia seguinte, o total de mortos subiu para 305.
domingo, 17 de setembro de 2017
Egito condena ex-presidente a 25 anos de prisão por espionagem
O Superior Tribunal de Justiça do Egito condenou ontem o ex-presidente Mohamed Mursi a 25 anos de prisão, sob a acusação de espionagem para um governo estrangeiro, no caso, do Catar. Outros três réus, também membros da Irmandade Muçulmana, foram sentenciados à morte.
Durante o ano em que governou o Egito, da eleição de maio de 2012 ao golpe de 3 de julho de 2013, Mursi teria deixado vazar segredos de Estado para o Catar, que no momento está sendo isolado pelas monarquias petroleiras do Golfo Pérsico.
Mursi foi primeiro presidente eleito democraticamente da história do Egito. A eleição foi realizada mais de um ano depois da queda do ditador Hosni Mubarak, em 11 de fevereiro de 2011, na chamada Primavera Árabe.
Com seu autoritarismo, Mursi e a Irmandade Muçulmana, o mais antigo grupo fundamentalista muçulmano, fundado em 1928, foram rejeitados tanto pelas forças ao antigo regime quanto pelos revolucionários que se concentraram na Praça da Libertação, no centro do Cairo, a partir de 25 de janeiro de 2011.
Em 2013, as massas voltaram a ocupar a praça, daquela vez para pedir ao Exército que afastasse Mursi. O marechal Abdel Fattah al-Sissi derrubou os islamistas e virou ditador. O chamado Estado profundo (Forças Armadas, serviços secretos, burocratas e empresários beneficiados pelo regime) voltou a assumir o controle total do poder.
Em junho de 2016, um juiz de primeira instância condenou Mursi a 40 anos de prisão. Na revisão final, a sentença caiu para 25 anos. O tribunal manteve as penas de morte para o documentarista Ahmed Ali Abdo, o aeronauta da companhia aérea Egypt Air Mohamed Adel Kilani e o professor universitário Ahmed Ismail Thabet. Outro réu pegou prisão perpétua e dois foram condenados a 15 anos
O ex-presidente já cumpre uma pena de 20 anos pela morte de manifestantes durante protestos de rua em 2012
Durante o ano em que governou o Egito, da eleição de maio de 2012 ao golpe de 3 de julho de 2013, Mursi teria deixado vazar segredos de Estado para o Catar, que no momento está sendo isolado pelas monarquias petroleiras do Golfo Pérsico.
Mursi foi primeiro presidente eleito democraticamente da história do Egito. A eleição foi realizada mais de um ano depois da queda do ditador Hosni Mubarak, em 11 de fevereiro de 2011, na chamada Primavera Árabe.
Com seu autoritarismo, Mursi e a Irmandade Muçulmana, o mais antigo grupo fundamentalista muçulmano, fundado em 1928, foram rejeitados tanto pelas forças ao antigo regime quanto pelos revolucionários que se concentraram na Praça da Libertação, no centro do Cairo, a partir de 25 de janeiro de 2011.
Em 2013, as massas voltaram a ocupar a praça, daquela vez para pedir ao Exército que afastasse Mursi. O marechal Abdel Fattah al-Sissi derrubou os islamistas e virou ditador. O chamado Estado profundo (Forças Armadas, serviços secretos, burocratas e empresários beneficiados pelo regime) voltou a assumir o controle total do poder.
Em junho de 2016, um juiz de primeira instância condenou Mursi a 40 anos de prisão. Na revisão final, a sentença caiu para 25 anos. O tribunal manteve as penas de morte para o documentarista Ahmed Ali Abdo, o aeronauta da companhia aérea Egypt Air Mohamed Adel Kilani e o professor universitário Ahmed Ismail Thabet. Outro réu pegou prisão perpétua e dois foram condenados a 15 anos
O ex-presidente já cumpre uma pena de 20 anos pela morte de manifestantes durante protestos de rua em 2012
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sexta-feira, 30 de setembro de 2016
Movimento Hassam reinvindica ataque a subprocurador-geral do Egito
O Movimento Hassam, um grupo extremista nascido da Irmandade Muçulmana, reivindicou hoje a autoria de um atentado contra o subprocurador-geral do Egito, Zakaria Abdul Aziz. Nem o governo egípcio nem analistas internacionais acreditaram.
Um carro-bomba explodiu ontem quando a comitiva do subprocurador-geral passava pela Rua Ahmed Chawki, no Leste do Cairo. Pouco depois, o Movimento Hassam alegou na Internet ter sido responsável pelo ataque a Aziz, descrito como um dos capangas do ditador do Egito, marechal Abdel Fattah al-Sissi.
Aziz havia sido indicado para o Tribunal de Recursos do Cairo. Foi a segunda tentativa de assassinato de altas figuras públicas no Egito. O primeiro foi um ataque ao Grande Múfti Ali Goma, também reivindicado pelo Movimento Hassam.
Desde o início do ano, o movimento reivindicou cinco ataques contra autoridades próximas ao marechal Al-Sissi, no poder desde um golpe de Estado contra o presidente Mohamed Mursi, da Irmandade Muçulmana, depois do qual mais de mil ativistas islamistas foram mortos e outros tantos presos e condenados sob acusação de terrorismo.
Um carro-bomba explodiu ontem quando a comitiva do subprocurador-geral passava pela Rua Ahmed Chawki, no Leste do Cairo. Pouco depois, o Movimento Hassam alegou na Internet ter sido responsável pelo ataque a Aziz, descrito como um dos capangas do ditador do Egito, marechal Abdel Fattah al-Sissi.
Aziz havia sido indicado para o Tribunal de Recursos do Cairo. Foi a segunda tentativa de assassinato de altas figuras públicas no Egito. O primeiro foi um ataque ao Grande Múfti Ali Goma, também reivindicado pelo Movimento Hassam.
Desde o início do ano, o movimento reivindicou cinco ataques contra autoridades próximas ao marechal Al-Sissi, no poder desde um golpe de Estado contra o presidente Mohamed Mursi, da Irmandade Muçulmana, depois do qual mais de mil ativistas islamistas foram mortos e outros tantos presos e condenados sob acusação de terrorismo.
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sexta-feira, 7 de agosto de 2015
Arábia Saudita e Egito querem porta-helicópteros da França
As duas maiores potências do mundo árabe, a Arábia Saudita e o Egito, estão interessadas em adquirir os dois porta-helicópteros fabricados pela França que haviam sido encomendados pela Rússia, revelou hoje o jornal francês Le Monde.
Durante visita ao Egito ontem para assistir à inauguração de uma segunda via do Canal de Suez, o presidente François Hollande tratou do negócio com o ditador egípcio, marechal Abdel Fattah al-Sissi.
A venda à Rússia foi suspensa por causa das sanções econômicas e militares adotadas pelo Ocidente em retaliação contra a intervenção militar russa na Ucrânia. Hollande concordou em devolver 1,3 bilhão de euros já pagos pela Rússia, mas negociou o não pagamento da multa contratual.
Durante visita ao Egito ontem para assistir à inauguração de uma segunda via do Canal de Suez, o presidente François Hollande tratou do negócio com o ditador egípcio, marechal Abdel Fattah al-Sissi.
A venda à Rússia foi suspensa por causa das sanções econômicas e militares adotadas pelo Ocidente em retaliação contra a intervenção militar russa na Ucrânia. Hollande concordou em devolver 1,3 bilhão de euros já pagos pela Rússia, mas negociou o não pagamento da multa contratual.
Egito inaugura segunda via do Canal de Suez
Ao inaugurar o novo Canal de Suez, o ditador Abdel Fattah al-Sissi o descreveu ontem como "um presente do Egito para o mundo".
O objetivo do projeto faraônico é impulsionar a economia do país, em crise desde a Primavera Árabe, que levou à queda do ditador Hosni Mubarak, em 11 de fevereiro de 2011.
A segunda via tem 72 quilômetros de extensão. Por permitir a circulação em dois sentidos, o tempo de espera dos navios deve ser reduzido em 11 horas.
O governo do marechal Al-Sissi espera que até 2023 o canal renda 11,7 bilhões de euros, mais de R$ 45 bilhões. A Autoridade do Canal de Suez, comandada por um almirante, promete dobrar o tráfego entre Porto Saïd, no Mar Mediterrâneo, e Suez, no Mar Vermelho, até 2030.
O objetivo do projeto faraônico é impulsionar a economia do país, em crise desde a Primavera Árabe, que levou à queda do ditador Hosni Mubarak, em 11 de fevereiro de 2011.
A segunda via tem 72 quilômetros de extensão. Por permitir a circulação em dois sentidos, o tempo de espera dos navios deve ser reduzido em 11 horas.
O governo do marechal Al-Sissi espera que até 2023 o canal renda 11,7 bilhões de euros, mais de R$ 45 bilhões. A Autoridade do Canal de Suez, comandada por um almirante, promete dobrar o tráfego entre Porto Saïd, no Mar Mediterrâneo, e Suez, no Mar Vermelho, até 2030.
sábado, 14 de março de 2015
Egito afasta 41 juízes acusados de apoiar a Irmandade Muçulmana
Um tribunal disciplinar do Egito aposentou 41 juízes acusados de apoiar a Irmandade Muçulmana, declarada um grupo terrorista depois do golpe militar de 3 de julho de 2013, revelou a agência Reuters citando fontes judiciais não identificadas.
A maioria dos afastados asinou um manifesto condenando a deposição do presidente Mohamed Mursi, o único eleito democraticamente na história do Egito. Outros foram punidos por participar de um grupo chamado Juízes do Egito, que apoiava a Irmandade antes do golpe desfechado pelo atual presidente, marechal Abdel Fattah al-Sissi.
A maioria dos afastados asinou um manifesto condenando a deposição do presidente Mohamed Mursi, o único eleito democraticamente na história do Egito. Outros foram punidos por participar de um grupo chamado Juízes do Egito, que apoiava a Irmandade antes do golpe desfechado pelo atual presidente, marechal Abdel Fattah al-Sissi.
domingo, 8 de junho de 2014
Marechal Al-Sissi toma posse no Egito
Eleito com 96% dos votos numa votação altamente suspeita de 26 a 28 de maio de 2014, o ex-comandante supremo das Forças Armadas do Egito, marechal Abel Fattah al-Sissi, tomou posse hoje como novo presidente do país, encerrando o ciclo de reformas iniciado com a Primavera Árabe e a queda do ditador Hosni Mubarak, em 11 de fevereiro de 2011.
Em todos os sentidos, a posse do marechal representa a volta ao poder dos militares, que governaram o Egito desde que a Revolução dos Coronéis depôs a monarquia, em 1952, com breve interrupção nos últimos anos.
Com a queda de Mubarak, a Irmandade Muçulmana, o mais antigo grupo fundamentalista muçulmano do mundo, ganhou as eleições legislativas e a única eleição presidencial democrática da história egípcia, vencida por Mohamed Mursi no segundo turno, em junho de 2012.
Um golpe liderado por Al-Sissi derrubou Mursi em 3 de julho de 2013. Desde então, a Irmandade foi colocada na ilegalidade e mais de mil pessoas foram mortas em choques entre os islamitas e as forças de segurança do Egito.
Em todos os sentidos, a posse do marechal representa a volta ao poder dos militares, que governaram o Egito desde que a Revolução dos Coronéis depôs a monarquia, em 1952, com breve interrupção nos últimos anos.
Com a queda de Mubarak, a Irmandade Muçulmana, o mais antigo grupo fundamentalista muçulmano do mundo, ganhou as eleições legislativas e a única eleição presidencial democrática da história egípcia, vencida por Mohamed Mursi no segundo turno, em junho de 2012.
Um golpe liderado por Al-Sissi derrubou Mursi em 3 de julho de 2013. Desde então, a Irmandade foi colocada na ilegalidade e mais de mil pessoas foram mortas em choques entre os islamitas e as forças de segurança do Egito.
terça-feira, 3 de junho de 2014
Comissão eleitoral do Egito dá vitória a Al-Sissi com 97%
A Comissão Eleitoral do Egito anunciou hoje o resultado oficial da eleição presidencial realizada na segunda, terça e quarta-feira da semana passada. O marechal Abdel Fattah al Sissi, responsável pelo golpe militar de 3 de julho de 2013, foi declarado vencedor com 97% dos votos.
Com a vitória do marechal, são anuladas as conquistas da revolução que derrubou o ditador Hosni Mubarak em 11 de fevereiro de 2011. A ditadura militar que governou o Egito desde o fim da monarquia, em 1952, está de volta.
Com a vitória do marechal, são anuladas as conquistas da revolução que derrubou o ditador Hosni Mubarak em 11 de fevereiro de 2011. A ditadura militar que governou o Egito desde o fim da monarquia, em 1952, está de volta.
quinta-feira, 29 de maio de 2014
Marechal Al-Sissi é eleito no Egito com 93% dos votos
Depois de três dias de votação, o ex-comandante do Conselho Supremo das Forças Armadas marechal Abdel Fattah al-Sissi, responsável pelo golpe militar de 3 de julho de 2013, foi declarado hoje vencedor da eleição presidencial no Egito com 93% dos votos.
As oposições muçulmana e secularista boicotaram a votação. Na prática, o pleito anula os resultados da revolução que acabou com a ditadura de Hosni Mubarak, em 11 de fevereiro de 2011, e restabelece o regime militar que governou o país desde 1952, quando a Revolução dos Coronéis derrubou o rei Faruk.
O único candidato oposicionista era o socialista Hamdin Sabahi.
As oposições muçulmana e secularista boicotaram a votação. Na prática, o pleito anula os resultados da revolução que acabou com a ditadura de Hosni Mubarak, em 11 de fevereiro de 2011, e restabelece o regime militar que governou o país desde 1952, quando a Revolução dos Coronéis derrubou o rei Faruk.
O único candidato oposicionista era o socialista Hamdin Sabahi.
quarta-feira, 28 de maio de 2014
Oposição protesta contra extensão da votação no Egito
O único candidato oposicionista na eleição presidencial do Egito, Hamdin Sabahi, protestou ontem contra a prorrogação do prazo de votação até, por um terceiro, aparentemente porque o elevado índice de abstenção minaria a legitimidade do marechal Abdel Fattah al-Sissi, responsável pelo golpe de Estado de 3 de julho de 2013, que derrubou o único líder eleito democraticamente da história egípcia, Mohamed Mursi, da Irmandade Muçulmana.
Sabahi exigiu a contagem imediata dos votos depositados nas urnas na segunda e na terça-feira. Alega que a mudança no calendário eleitoral levanta "muitas dúvidas sobre a integridade do processo".
A Irmandade, o mais antigo grupo fundamentalista muçulmano do mundo, fundado em 1928, denunciou a eleição como "uma farsa sangrenta".
Sabahi exigiu a contagem imediata dos votos depositados nas urnas na segunda e na terça-feira. Alega que a mudança no calendário eleitoral levanta "muitas dúvidas sobre a integridade do processo".
A Irmandade, o mais antigo grupo fundamentalista muçulmano do mundo, fundado em 1928, denunciou a eleição como "uma farsa sangrenta".
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segunda-feira, 26 de maio de 2014
Egito vota para eleger marechal golpista
Dezenas de milhões de egípcios votam hoje e amanhã para escolher um novo presidente. O franco favorito é o marechal Abdel Fattah al-Sissi, ex-comandante do Exército, responsável pelo golpe que derrubou, em 3 de julho de 2013, o único presidente eleito democraticamente na história do país, Mohamed Mursi, da Irmandade Muçulmana, hoje declarada terrorista e ilegal.
Seu único adversário é o esquerdista Hamdin Sabahi.
Na prática, a volta de um general ao poder pouco mais de três anos depois da queda do ditador Hosni Mubarak é um retorno à ditadura militar que governou o Egito desde que a Revolução dos Coronéis derrubou o rei Faruk e proclamou a república, em 1952.
Além da Irmandade Muçulmana, o Movimento 6 de Abril, que liderou a revolta popular dos jovens na Primavera Árabe, também foi banida.
Seu único adversário é o esquerdista Hamdin Sabahi.
Na prática, a volta de um general ao poder pouco mais de três anos depois da queda do ditador Hosni Mubarak é um retorno à ditadura militar que governou o Egito desde que a Revolução dos Coronéis derrubou o rei Faruk e proclamou a república, em 1952.
Além da Irmandade Muçulmana, o Movimento 6 de Abril, que liderou a revolta popular dos jovens na Primavera Árabe, também foi banida.
terça-feira, 13 de maio de 2014
Clérigo muçulmano defende boicote à eleição no Egito
Um influente clérigo muçulmano nascido no Egito que vive no Catar, Yussef al-Karadawi, defendeu ontem um boicote à próxima eleição presidencial egípcia, acusando o principal candidato, o marechal Abdel Fattah al-Sissi tomou o poder ilegalmente num golpe de Estado em 3 de julho de 2013.
A Arábia Saudita, uma potência regional, está em conflito com o Catar, outra monarquia petroleiro do Golfo Pérsico, por causa do apoio catarino à Irmandade Muçulmana no Egito.
A Arábia Saudita, uma potência regional, está em conflito com o Catar, outra monarquia petroleiro do Golfo Pérsico, por causa do apoio catarino à Irmandade Muçulmana no Egito.
domingo, 30 de março de 2014
Egito convoca eleição presidencial
A comissão eleitoral do Egito convocou hoje para 26 e 27 de maio de 2014 a primeira eleição presidencial depois do golpe militar de 3 de julho de 2013, que derrubou Mohamed Mursi, do movimento fundamentalista Irmandade Muçulmana, primeiro presidente eleito democraticamente da história do país. O favorito é o líder do golpe, marechal Abdel Fattah al-Sissi.
Ontem, um tribunal egípcio condenou à morte dois partidários da Irmandade, neste caso acusado de atos de violência na cidade de Alexandria durante a reação ao golpe. O movimento foi considerado terrorista e declarado ilegal.
Em outro caso julgado na semana passada, a Justiça do Egito condenou à morte 529 pessoas na cidade de Mínia. A expectativa é que as sentenças sejam revogadas parcialmente. Foi o maior número de condenações à morte num mesmo processo já registrado pela organização de defesa dos direitos humanos Anistia Internacional, que faz campanha contra a pena de morte.
Al-Sissi deve se apresentar como o homem que tirou o Egito das garras da Irmandade Muçulmana. Tem o apoio da Arábia Saudita, mas o golpe desgastou as relações do país com os Estados Unidos, que dão uma ajuda anual bilionária. Pela lei americana, essa ajuda deveria ter sido suspensa por causa do golpe.
Na prática, o Egito volta a ser uma ditadura militar. É o regime que fez a paz com Israel em 1979. Por isso, recebe ajuda militar de Washington. Um governo da Irmandade Muçulmana, de onde nasceu o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas), principal fundamentalista palestino, fortaleceria o domínio do Hamas sobre a vizinha à Faixa de Gaza, ligada ao Egito por mais de mil túneis clandestinos para burlar o bloqueio israelense.
Ontem, um tribunal egípcio condenou à morte dois partidários da Irmandade, neste caso acusado de atos de violência na cidade de Alexandria durante a reação ao golpe. O movimento foi considerado terrorista e declarado ilegal.
Em outro caso julgado na semana passada, a Justiça do Egito condenou à morte 529 pessoas na cidade de Mínia. A expectativa é que as sentenças sejam revogadas parcialmente. Foi o maior número de condenações à morte num mesmo processo já registrado pela organização de defesa dos direitos humanos Anistia Internacional, que faz campanha contra a pena de morte.
Al-Sissi deve se apresentar como o homem que tirou o Egito das garras da Irmandade Muçulmana. Tem o apoio da Arábia Saudita, mas o golpe desgastou as relações do país com os Estados Unidos, que dão uma ajuda anual bilionária. Pela lei americana, essa ajuda deveria ter sido suspensa por causa do golpe.
Na prática, o Egito volta a ser uma ditadura militar. É o regime que fez a paz com Israel em 1979. Por isso, recebe ajuda militar de Washington. Um governo da Irmandade Muçulmana, de onde nasceu o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas), principal fundamentalista palestino, fortaleceria o domínio do Hamas sobre a vizinha à Faixa de Gaza, ligada ao Egito por mais de mil túneis clandestinos para burlar o bloqueio israelense.
segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014
Governo do Egito renuncia
Todos os ministros do Egito pediram demissão hoje, abrindo caminho para a ascensão do comandante das Forças Armadas, marechal Abdel Fattah al-Sissi, à Presidência em eleição prevista para abril. Como vice-primeiro-ministro e ministro da Defesa, ele precisava se desincompatibilizar
O presidente interino do governo formado pelos militares depois do golpe de 3 de julho de 2013, Adli Mansour, pediu ao primeiro-ministro Hazem el-Beblawi, um pau mandado da era Mubarak (1981-2011), para que continue administrando o país até a nomeação de um novo chefe de governo, informou o jornal egípcio Al-Ahram.
As Forças Armadas, que mandam no Egito desde a queda da monarquia, em 1952, estão tentando criar um governo supostamente civil dominado pelos militares depois de uma breve experiência democrática depois da revolução que derrubou o ditador Hosni Mubarak, em 11 de fevereiro de 2011. Tanto as eleições parlamentares quanto a presidencial foram vencidas pelo movimento islamita Irmandade Muçulmana, que depois do golpe foi declarado terrorista e ilegal.
Dois anos depois da revolução, os militares estão de volta e mesmo os militantes secularistas que lutaram pela democracia no Egito estão sendo perseguidos pelo renitente Estado policial. Não acredito que os democratas desistam, mas terão fazer outra revolução.
O presidente interino do governo formado pelos militares depois do golpe de 3 de julho de 2013, Adli Mansour, pediu ao primeiro-ministro Hazem el-Beblawi, um pau mandado da era Mubarak (1981-2011), para que continue administrando o país até a nomeação de um novo chefe de governo, informou o jornal egípcio Al-Ahram.
As Forças Armadas, que mandam no Egito desde a queda da monarquia, em 1952, estão tentando criar um governo supostamente civil dominado pelos militares depois de uma breve experiência democrática depois da revolução que derrubou o ditador Hosni Mubarak, em 11 de fevereiro de 2011. Tanto as eleições parlamentares quanto a presidencial foram vencidas pelo movimento islamita Irmandade Muçulmana, que depois do golpe foi declarado terrorista e ilegal.
Dois anos depois da revolução, os militares estão de volta e mesmo os militantes secularistas que lutaram pela democracia no Egito estão sendo perseguidos pelo renitente Estado policial. Não acredito que os democratas desistam, mas terão fazer outra revolução.
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