Depois de três dias de votação, o ex-comandante do Conselho Supremo das Forças Armadas marechal Abdel Fattah al-Sissi, responsável pelo golpe militar de 3 de julho de 2013, foi declarado hoje vencedor da eleição presidencial no Egito com 93% dos votos.
As oposições muçulmana e secularista boicotaram a votação. Na prática, o pleito anula os resultados da revolução que acabou com a ditadura de Hosni Mubarak, em 11 de fevereiro de 2011, e restabelece o regime militar que governou o país desde 1952, quando a Revolução dos Coronéis derrubou o rei Faruk.
O único candidato oposicionista era o socialista Hamdin Sabahi.
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
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quinta-feira, 29 de maio de 2014
sábado, 28 de dezembro de 2013
Egito mata cinco e prende 265 irmãos muçulmanos
Pelo menos cinco membros da Irmandade Muçulmana, o maior movimento político do Egito, que foi declarado terrorista pelo governo, foram mortos em confrontos com as forças de segurança do país e 265 foram presos. Três policiais morreram, inclusive um chefe de polícia.
A Irmandade Muçulmana é um movimento fundamentalista muçulmano fundado pelo egípcio Hassan al-Bana em 1928 para reislamizar os muçulmanos depois de mais de um século de colonialismo ocidental. Não liderou as manifestações de massa que derrubaram o ditador Hosni Mubarak (1981-2011), mas foi a maior beneficiária.
Como única organização oposicionista organizada, a Irmandade e seu partido político conquistaram a maioria dos votos nas eleições parlamentares pós-revolução e elegeram Mohamed Mursi como primeiro presidente escolhido democraticamente da História do Egito.
Depois de um ano de governo autoritário, Mursi foi derrubado por um golpe militar em 3 de julho de 2013. Desde então, há um clima de permanente tensão entre o regime militar e os irmãos muçulmanos, que se consideram os representantes legítimos do povo egípcio.
Ao deslegitimar a Irmandade Muçulmana como um grupo terrorista, o governo militar sabe que não tem como suprimir uma corrente de opinião tão forte no país.
O problema é que os militares, que mandam no Egito desde que a Revolução dos Coronéis depôs o rei Faruk, em 1952, e levou Gamal Abdel Nasser ao poder, têm interesses políticos e econômicos. Marcam posição para defender os seus feudos.
A Irmandade Muçulmana é um movimento fundamentalista muçulmano fundado pelo egípcio Hassan al-Bana em 1928 para reislamizar os muçulmanos depois de mais de um século de colonialismo ocidental. Não liderou as manifestações de massa que derrubaram o ditador Hosni Mubarak (1981-2011), mas foi a maior beneficiária.
Como única organização oposicionista organizada, a Irmandade e seu partido político conquistaram a maioria dos votos nas eleições parlamentares pós-revolução e elegeram Mohamed Mursi como primeiro presidente escolhido democraticamente da História do Egito.
Depois de um ano de governo autoritário, Mursi foi derrubado por um golpe militar em 3 de julho de 2013. Desde então, há um clima de permanente tensão entre o regime militar e os irmãos muçulmanos, que se consideram os representantes legítimos do povo egípcio.
Ao deslegitimar a Irmandade Muçulmana como um grupo terrorista, o governo militar sabe que não tem como suprimir uma corrente de opinião tão forte no país.
O problema é que os militares, que mandam no Egito desde que a Revolução dos Coronéis depôs o rei Faruk, em 1952, e levou Gamal Abdel Nasser ao poder, têm interesses políticos e econômicos. Marcam posição para defender os seus feudos.
sexta-feira, 16 de agosto de 2013
Governo militar do Egito autoriza polícia a atirar
Num clima de guerra civil, depois de mais de 600 mortes, o regime militar que tomou o poder no Egito há um mês e meio autorizou hoje as forças de segurança a atirar contra quem atacar policiais ou prédios públicos nesta sexta-feira, em que a Irmandade Muçulmana convocou grandes manifestações de protestos contra o golpe e os massacres subseqüentes.
Em meio ao caos, aumentaram os ataques, saques e incêndios de igrejas cristãs. Com quase 90 milhões de habitantes, o Egito é o maior país árabe em população. A maioria é muçulmana, mas 10% são cristãos.
O primeiro-ministro islamita da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, pediu calma no Egito, e acusou a Europa e os Estados Unidos de tolerarem o massacre. A Dinamarca foi o primeiro país a cortar a ajuda ao desenvolvimento egípcio. Nos EUA, o presidente Barack Obama suspendeu manobras militares conjuntas, mas não suspendeu a ajuda militar de US$ 1,3 bilhão por ano.
Em meio ao caos, aumentaram os ataques, saques e incêndios de igrejas cristãs. Com quase 90 milhões de habitantes, o Egito é o maior país árabe em população. A maioria é muçulmana, mas 10% são cristãos.
O primeiro-ministro islamita da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, pediu calma no Egito, e acusou a Europa e os Estados Unidos de tolerarem o massacre. A Dinamarca foi o primeiro país a cortar a ajuda ao desenvolvimento egípcio. Nos EUA, o presidente Barack Obama suspendeu manobras militares conjuntas, mas não suspendeu a ajuda militar de US$ 1,3 bilhão por ano.
domingo, 24 de junho de 2012
Irmão muçulmano é eleito presidente do Egito
Depois de um adiamento de três dias que levantou suspeitas, o candidato da Irmandade Muçulmana, Mohamed Mursi, foi declarado vencedor da eleição presidencial no Egito há cerca de duas horas.
Mursi, de 62 anos, um engenheiro formado nos Estados Unidos, recebeu mais de 13 milhões de votos, 51,7% dos votos válidos, contra 48,2% para seu adversário, o ex-primeiro-ministro Ahmed Chafik, um brigadeiro reformado da Força Aérea do Egito, homem do regime militar que governa o país desde que a Revolução dos Coronéis, liderada por Gamal Abdel Nasser, derrubou a monarquia, em 1952.
O presidente eleito representa o mais antigo grupo fundamentalista islâmico da História, fundado em 1928 por Hassan al-Bana para "reislamizar" a umma, o conjunto de todos os muçulmanos, que estariam corrompidos pela influência do colonialismo europeu. Seu desafio será governar para todos.
É uma mudança dramática para o maior país árabe. Há decadas, os islamitas desafiaram os governos autoritários do Oriente Médio e do Norte da África. Eram apresentados como um mal maior. Como única oposição organizada, beneficiaram-se da abertura democrática decorrente das revoluções da Primavera Árabe.
No poder, terão de assumir as responsabilidades e o desgaste de governar e atender às expectativas de um país em desenvolvimento com 80 milhões de habitantes. Os militares, que reduziram o poder do presidente por decreto há uma semana, mostram a intenção de manter o controle da máquina estatal e sua influência econômica nos mais diferentes setores de atividade. Eles se comprometeram a dar posse ao novo presidente até o fim deste mês.
Em seu discurso da vitória, Mursi prometeu respeitar os direitos das mulheres e das minorias religiosas, e governador para todos os egípcios.
O governo de Israel acaba de dizer que aceita o resultado democrática e espera manter um relacionamento construtivo com base no acordo de paz assinado entre os dois países.
Mursi, de 62 anos, um engenheiro formado nos Estados Unidos, recebeu mais de 13 milhões de votos, 51,7% dos votos válidos, contra 48,2% para seu adversário, o ex-primeiro-ministro Ahmed Chafik, um brigadeiro reformado da Força Aérea do Egito, homem do regime militar que governa o país desde que a Revolução dos Coronéis, liderada por Gamal Abdel Nasser, derrubou a monarquia, em 1952.
O presidente eleito representa o mais antigo grupo fundamentalista islâmico da História, fundado em 1928 por Hassan al-Bana para "reislamizar" a umma, o conjunto de todos os muçulmanos, que estariam corrompidos pela influência do colonialismo europeu. Seu desafio será governar para todos.
É uma mudança dramática para o maior país árabe. Há decadas, os islamitas desafiaram os governos autoritários do Oriente Médio e do Norte da África. Eram apresentados como um mal maior. Como única oposição organizada, beneficiaram-se da abertura democrática decorrente das revoluções da Primavera Árabe.
No poder, terão de assumir as responsabilidades e o desgaste de governar e atender às expectativas de um país em desenvolvimento com 80 milhões de habitantes. Os militares, que reduziram o poder do presidente por decreto há uma semana, mostram a intenção de manter o controle da máquina estatal e sua influência econômica nos mais diferentes setores de atividade. Eles se comprometeram a dar posse ao novo presidente até o fim deste mês.
Em seu discurso da vitória, Mursi prometeu respeitar os direitos das mulheres e das minorias religiosas, e governador para todos os egípcios.
O governo de Israel acaba de dizer que aceita o resultado democrática e espera manter um relacionamento construtivo com base no acordo de paz assinado entre os dois países.
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