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domingo, 21 de junho de 2026

Extrema direita vence por um ponto na Colômbia

Por menos de um ponto percentual, o candidato de extrema direita Abelardo de la Espriella, apoiado pelo governo Donald Trump, venceu o segundo turno da eleição presidencial na Colômbia ao derrotar o senador Iván Cepeda, apadrinhado pelo presidente esquerdista Gustavo Petro. Se o resultado oficial confirmar a vitória, vai governar o país por quatro anos a partir de 7 de agosto.


Com 99,99% das urnas apuradas, de acordo com a contagem preliminar, De la Espriella (na foto indo para a festa da vitória em veículo blindado) soma 12.959.515 votos (49,66%) contra 12.708.695 (48,70%) de Cepeda, pouco mais de 250 mil. É o segundo resultado mais apertado da história da Colômbia. O comparecimento às urnas foi de 63,6%, o maior desde 1998.

O presidente e seu candidato não reconheceram a derrota. Querem esperar o resultado oficial a ser divulgado nesta semana e tentam impugnar 33 mil urnas. O Ministério do Interior recebeu mais de 2,6 mil denúncias de irregularidades

No discurso da vitória, De la Espriella, do movimento Defensores da Pátria, declarou, em tom ultranacionalista: "A Colômbia nunca esteve vencida, a Colômbia estava apenas esperar o movimento de se levantar e esse momento chegou hoje para toda a pátria. Queridos reservistas e militares e da polícia, de suas casas, me ajudem a recitar a oração pátria: Colômbia, minha pátria, te levo com amor, Colômbia no meu coração, creio em teu destino e esperar te er sempre grande, respeitada e livre. Em ti, Colômbia, amo todo o que me é querido, tuas glórias, tua beleza, meu lar, a tumba dos meus antepassados, o fruto de meus esforços e a realização de meus sonhos."

Também bateu no peito e estendeu o braço direito numa saudação militar nazifascistoide. Ao mesmo tempo em que defendeu a reconciliação, De la Espriella fez uma advertência à oposição: "Terá todas as garantias para fazer oposição, sempre que for pelo marco constitucional e legal. Mas deixo muito claro, senador Iván Cepeda, que não lhe ocorra estimular a violência. Abstenha-se de semear o terror."

A esquerda defende uma política de pacificação com os últimos grupos guerrilheiros e inclusive com os cartéis do tráfico de drogas, enquanto a ultradireita aposta no uso da força contra guerrilheiros e criminosos comuns. A segurança pública foi tema central da campanha de De la Espriella, que promete construir dez prisões de segurança máxima sob a inspiração do presidente de El Salvador, Nayib Bukele, liberalizar a economia e se aproximar dos Estados Unidos.

Na campanha do Pacto Histórico, a frase mais ouvida é: "Aqui ninguém se rende." Como outros países do continente, a Colômbia está dividida. Petro, o primeiro presidente de esquerda da história do país, termina o mandato com 50% de aprovação e 44,5% de reprovação. Mas não conseguiu eleger o sucessor.

A questão é se a onda de direita e extrema direita é uma guinada ideológica baseada no conservadorismo social da América Latina ou apenas um reflexo do descontentamento popular  com os governos do dia que leva a uma alternância no poder entre direita e esquerda.

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domingo, 31 de maio de 2026

Extrema direita e esquerda vão ao segundo turno na Colômbia

O advogado Abelardo de la Espriella, do movimento de ultradireita Defensores da Pátria, venceu o primeiro turno da eleição presidencial na Colômbia com mais de 670 mil votos de vantagem e é favorito para o segundo turno, marcado para 21 de junho. É uma derrota para o presidente Gustavo Petro, o primeiro esquerdista a governar o país, que rejeitou o que chamou de "resultados preliminares".

Com todas as urnas apuradas, De la Espriella conquistou 10.361.499 votos (43,7%) contra 9.688.361 votos (40,9%) do filósofo Ivan Cepeda, do Movimento Político Pacto Histórico, do presidente Petro. Havia uma expectativa de que Cepeda sairia na frente no primeiro turno.

A terceira colocada foi Paloma Valencia Laserna, do Partido Centro Democrático, do ex-presidente Álvaro Uribe, com 1.639.685 votos (6,9%). Ela anunciou apoio a De la Espriella no segundo turno. Seus eleitores de direita tendem apoiar o vencedor do primeiro turno.

De la Espriella, de 47 anos, é admirador do presidente neofascista de El Salvador, Nayib Bukele – que conseguiu resultados expressivos no combate à criminalidade com políticas autoritárias e ditatoriais de um Estado policial –, e dos presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e da Argentina, Javier Milei. 

Foi advogado de Alex Saab, um empresário colombiano naturalizado venezuelano que foi ministro da Indústria e da Produção Nacional da Venezuela e é apontado como operador do dinheiro sujo do ex-ditador Nicolás Maduro. Saab foi preso e extraditado para os Estados Unidos, onde é acusado de lavar US$ 350 milhões.

Sua campanha prometeu reformas radicais. Teve como principais temas a segurança pública, o combate à corrupção, a defesa da livre iniciativa. De la Espriella propõe o fortalecimento das Forças Armadas, uma ofensiva militar contra grupos armados ilegais da guerrilha e do narcotráfico e um crescimento econômico de 5% ao ano, sua fórmula para reduzir a pobreza e a desigualdade social, com programas de educação, saúde, habitação e geração de empregos.

Cepeda, de 63 anos, liderava a maioria das pesquisas desde o lançamento de sua candidatura sete meses atrás. Filho do líder comunista Manuel Cepeda Vargas, assassinado em 1994 por paramilitares aliados ao governo na luta contra a esquerda e a guerrilha, viveu anos no exílio. Estudou filosofia na Bulgária, mas adotou ideias socialistas reformistas e democráticas, na contramão do stalinismo que dominava o Bloco Soviético.

Desde 2010, Cepeda se dedica a preservar a memória das vítimas da longa guerra civil colombiana, de 500 mil mortes, que começa com o assassinato do candidato liberal à Presidência Jorge Eliécer Gaitán, em 9 de abril de 1948, e a negociações de paz com grupos armados. Ele colaborou nas negociações com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) e defende a política de "paz total" do presidente Petro, com grupos guerrilheiros e máfias do narcotráfico.

Seu programa prevê a continuidade das reformas sociais do governo atual, maior participação do Estado na economia, combate à corrupção, luta contra a desigualdade com subsídios para os pobres, universidade gratuita, melhoria na cobertura de saúde e paz através do diálogo. Enfrenta a oposição dos que são contra negociações com grupos armados e dos empresários que criticam os gastos sociais, o desequilíbrio nas contas públicas e a intervenção estatal na economia.

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terça-feira, 21 de abril de 2026

Hoje na História do Mundo: 21 de Abril

FUNDAÇÃO DE ROMA

    Em 753 antes da Cristo, de acordo com a lenda, os gêmeos Rômulo e Remo, alimentados por uma loba depois de serem abandonados, fundam Roma.

O jornalista e historiador Indro Montanelli disse que a Loba era Acca Larentia, uma prostituta.

Os irmãos se desentendem. Rômulo mata Remo e se torna o primeiro dos sete reis de Roma. Em 509 AC, Roma se torna uma república. Em 27 AC, Otávio César Augusto é coroado imperador.

O Império Romano do Ocidente cai em 4 de setembro de 476, quando o rei bárbaro Flávio Odoacro derruba o imperador Rômulo Augusto.

O Império Romano do Oriente ou Império Bizantino cai em 29 de maio de 1453, quando o sultão Mehmet II, do Império Otomano (turco), conquista Constantinopla.

INDEPENDÊNCIA DO TEXAS

    Em 1836, o general Sam Houston leva 800 texanos à vitória contra 1,5 mil soldados do Exército do México sob o comando do general Antonio López de Santa Anna na Batalha de São Jacinto, garantindo a independência do Texas.

A colonização do Texas começa depois que o presidente Thomas Jefferson compra em 1803 da França de Napoleão Bonaparte o território da Louisiana, que se estendia ao longo do Vale do Rio Mississípi. 

Moses Austin consegue autorização do governo imperial espanhol para assentar 300 famílias numa área de 81 mil hectares no Tejas. Quando o México se torna independente da Espanha, em 1821, Stephen Austin renova a autorização com o novo governo.

Em 1832, a população de colonos norte-americanos na região chega a 20 mil. A instabilidade política no México leva a um golpe do general Santa Anna em 1833. Stephen Austin vai à Cidade do México apresentar as reivincações dos colonos. É preso sob a acusação de fomentar uma rebelião.

Libertado em 1835, Austin volta ao Texas, que forma um governo provisório e declara independência do México em 1836. David Burnet é o presidente interino, Sam Houston o comandante militar e Stephen Austin o embaixador nos EUA, encarregado de obter apoio estratégico e recrutar voluntários.

O Cerco do Álamo, perto de Santo Antônio, pelo Exército do México de 23 de fevereiro a 6 de março de 1836 é uma das batalhas marcantes da Guerra da Independência do Texas. Entre 180 e 250 defensores do Álamo morrem na batalha. Sobrevivem as mulheres, as crianças, os escravizados e funcionários não combatentes.

"Relembrem o Álamo!", passa a ser o grito de guerra dos rebeldes texanos. Os inimigos se encontram junto ao Rio São Jacinto, perto de onde hoje fica Houston, a quarta maior cidade dos EUA. Houston lança um ataque de surpresa e conquista a vitória em 18 minutos.

A Revolução Texana é mais do que uma guerra entre colonos anglo-europeus e soldados mexicanos. É uma luta contra um governo central distante, corrupto e tirânico. Sam Houston é o primeiro presidente da República do Texas e Stephen Austin é secretário de Estado. Hoje os dois são homenageados como nomes de cidades. Houston é a capital até 1839, quando Austin passa a ser.

MORTE DO BARÃO VERMELHO

    Em 1918, a Força Aérea Real britânica abate e mata numa batalha perto de Amiens, na França, Manfred, Barão de Richthofen, mais conhecido como o Barão Vermelho, considerado o melhor piloto da Primeira Guerra Mundial (1914-18), com 80 vitórias.

Manfred Alfred Freiherr von Richthofen nasce em Breslau em 2 de maio de 1892. Ele começa a carreira militar na cavalaria. Em 1915, passa à força aérea do Exército Imperial da Alemanha e, no ano seguinte, da esquadrilha Jasta 2. Seu sucesso como piloto de avião de caça o leva a comandar uma unidade de caças em 1917.

O Barão Vermelho é um herói nacional na Alemanha temido pelos inimigos quando perde a última batalha.

EXTREMA DIREITA NO SEGUNDO TURNO

    Em 2002, o candidato da Frente Nacional, de extrema direita, Jean-Marie Le Pen, conquista 16,86% dos votos, supera o primeiro-ministro socialista Lionel Jospin, que recebe 16,18% dos votos, fica em segundo lugar e vai para o segundo turno da eleição presidencial na França com o presidente Jacques Chirac.

Filho de um marinheiro, Jean-Marie nasce 20 de junho de 1928 em Trinité-sur-Mer, uma cidade litorânea da região da Bretanha. Ele estuda direito na Universidade de Paris. Em 1954, entra para a Legião Estrangeira e serve nas guerras da independência da Argélia e da Indochina Francesa, hoje dividida em Camboja, Laos e Vietnã.

Em 1956, Le Pen é o mais jovem deputado eleito para a Assembleia Nacional da França. Um dos fundadores da Frente Nacional, em 1972, lidera o partido até 2011 com um discurso ultranacionalista e antissemita. Chega a dizer que as câmaras de gás dos campos de concentração nazistas na Segunda Guerra Mundial (1939-45) são um episódio menor da história. É condenado por negar o Holocausto.

Com estas ideias extremistas, a Frente Nacional é marginalizada dentro do sistema político francês. No segundo turno das eleições legislativas, todos os partidos, da direita republicana representada pelo gaullismo até a esquerda, se unem para barrar o acesso da extrema direita à Assembleia Nacional.

A naturalização, a aceitação da extrema direita como parte do sistema político francês, começa com a chegada de Le Pen ao segundo turno em 2002. Mais uma vez, quase todos os partidos, inclusive o Partido Socialista (PS) e o Partido Comunista Francês (PCF), apoiam o presidente Chirac, reeleito no segundo turno com 82,21% dos votos contra 17,79% para Jean-Marie Le Pen. Mas um tabu é quebrado.

Em 2007, o gaulista Nicolas Sarkozy vence a socialista Ségolène Royal no segundo turno. Em 2012, o socialista François Hollande derrota Sarkozy. Mas em 2017 e 2022, o atual presidente Emmanuel Macron, enfrenta no segundo turno Marine Le Pen, filha de Jean-Marie, que hoje é a favorita para as próximas eleições presidenciais, em 2027.

A Frente Nacional, rebatizada como Reunião ou Reagrupamento Nacional (RN), conquista 18,68% dos votos nas eleições parlamentares de 2022. Sua bancada na Assembleia Nacional cresce de 8 para 89 deputados. Fica atrás da bancada governista (245 cadeiras) e da Nova União Popular Ecológica e Social (NUPES), uma aliança esquerdista da França Insubmissa com o PS, o PCF e a Europa Ecologia-Os Verdes (131 cadeiras).

Nas eleições legislativas de junho e julho de 2024, antecipadas depois do bom desempenho da extrema direita nas eleições para o Parlamento Europeu em junho do ano passado, o bloco centrista aliado do presidente Emmanuel Macron fez um acordo informal com a Nova Frente Popular (NFP), de esquerda, para barrar a ascensão da extrema direita ao poder, mas não fizeram aliança para governar.

A NFP fez a maior bancada na Assembleia Nacional (180 cadeiras), à frente da bancada macronista (159) e da RN (142). Como são 577 deputados, todas ficaram longe da maioria absoluta (289). 

O resultado é um governo fraco e indeciso, o que aumenta as chances da extrema direita na eleição presidencial de 2027. Sua líder, Marine Le Pen, está inelegível, condenada por corrupção ao desviar 4,4 milhões de euros do Parlamento Europeu. O Tribunal de Recursos de Paris promete julgar o caso em 2026. No momento, Le Pen lidera as pesquisas.

MORTE DO PRÍNCIPE DO ROCK

    Em 2016, o genial cantor, compositor, guitarrista, baterista, tecladista, produtor e bailarino Prince Nelson Rogers, que cria um gênero inovador com a fusão do funk, rhythm and blues, soul, jazz, rock and roll e pop, uma das maiores estrelas da música popular nos anos 1980 e 1990, morre acidentalmente de uma dose excessiva de fentanil, um poderoso opioide, a droga que mais mata hoje nos Estados Unidos.

Prince nasce em Mineápolis, no estado de Minnesota, em 7 de junho de 1958 e se torna uma dos músicos mais talentosos de sua geração. Como o cantor e compositor Steve Wonder, é um dos poucos músicos com excelente desempenho em todos os instrumentos que tocava, gravando discos com vários instrumentos tocados por ele. Aos 7 anos, aprende a tocar piano. Aos 14 anos, entra na primeira banda.

Seu estilo absolutamente original, andrógino e sensual mistura a arte de Jimi Hendrix, Little Richard e Michael Jackson. Ele começa a carreira com funk e soul para o mercado afro-americano sob o impacto da música para discoteca. Depois incorpora elementos do jazz, punk, heavy metal, dos Beatles e do hip-hop.

O álbum Purple Rain (1984), o mais vendido de seus 39 discos, com mais de 21 milhões de cópias, o torna um ícone da música dos anos 1980 e lhe dá um Oscar de melhor trilha sonor e um Grammy. Em 2004, ele entra para o Rock and Roll Hall of Fame.

Em 21 de abril de 2016, Prince é encontrado morto em sua mansão em Paisley Park, em Chanhassem, em Minnesota. Como não deixa descendentes, sua fortuna de US$ 400 milhões é dividida entre os seis irmãos.

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segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

Socialista vence extrema direita em Portugal

O candidato socialista moderado António José Seguro obteve uma grande vitória no segundo turno da eleição presidencial em Portugal no domngo, com 30 pontos de vantagem sobre o candidato da extrema direita André Ventura graças ao apoio de uma aliança antifascista. Vai cumprir um mandato de 5 anos a partir de 9 de março.

Com quase 100% das urnas apuradas, Seguro, do Partido Socialista (PS), tem 66,6% dos votos válidos contra 33,4% para Ventura, do Chega. É a maior vitória numa eleição presidencial no país. No ano passado, o ultradireitista Chega fez a segunda maior bancada no parlamento.

"Os vencedores desta noite são os portugueses e a democracia", declarou o presidente eleito no discurso da vitória. "A resposta que o povo português deu hoje, o seu compromisso com a liberdade, a democracia e o futuro do nosso país deixa-me naturalmente comovido e orgulhoso da nossa nação."

Seguro nasceu em Panamacor, uma vila da região de Castelo Branco, no Interior de Portugal, em 11 de março de 1962. Depois de anos de militância, ele fez licenciatura em relações internacionais na Universidade Autônoma de Lisboa e depois mestrado em ciência política. 

Foi presidente do Fórum da Juventude da União Europeia (1985-89), líder da Juventude Socialista (1990-94), presidente do Conselho Nacional da Juventude e vice-presidente da União Internacional das Juventudes Socialistas..

Como deputado (1991-95), é um dos articuladores do governo do primeiro-ministro António Guterres ma Assembleia da República. Como deputado do Parlamento Europeu (1999-2001), é vice-presidente do Grupo Parlamentar Socialista, o segundo maior.

Em 2002, volta à Assembleia da República, onde lidera a bancada socialista (2004-5). Depois da derrota do PS nas eleições de 2011, Seguro foi eleito secretário-geral, líder do partido. Nas eleições regionais de 2013, o PS obtém uma de suas maiores vitórias. No ano seguinte, vence a aliança de centro-direita nas eleições para o Parlamento Europeu. Mas a liderança de seguro é desafiada e António Costa vence a disputa em 2014.

Seguro renuncia à liderança do partido, ao cargo de conselheiro do Estado e de deputado na Assembleia da República.

Desde 2023, criticava o governo do então primeiro-ministro socialista António Costa. Em 2024, cogita uma candidatura à Presidência e passa a fazer um comentário chamado Liberdade na CNN em Portugal. Em 3 de junho do ano passado, anunciou a candidatura. Foi o mais votado no primeiro turno, com 31,1% dos votos.

Em Portugal, o presidente é o chefe de Estado, um cargo mais decorativo. Cabe a ele, por exemplo, sancionar as leis aprovadas pela Assembleia da República, apelar ao Tribunal Constitucional para declarar uma lei inconstitucional e dissolver o parlamento numa crise política grave. Mas quem governa de fato é o primeiro-ministro. Desde junho de 2025, é o conservador Luís Montenegro, líder do Partido Social-Democrático (PSD).

O cordão sanitário funcionou. Mais uma vez, os partidos republicanos e democráticos se uniram para barrar a ascensão da extrema direita, a exemplo do que era a regra na Europa. 

Esta regra foi contestada há um ano pelo vice-presidente dos Estados Unidos, James Vance, Na Conferência sobre Segurança de Munique, ele acusou os europeus de excluir parte do eleitorado do proesso político ao se negar a fazer alianças com a extrema direita. É uma tentativa de não naturalizar o extremismo político.

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domingo, 16 de novembro de 2025

Esquerda vence primeiro turno mas ultradireita é favorita no Chile

A candidata da esquerda e do governo, Jeannette Jara, venceu o primeiro turno da eleição presidencial no Chile, mas a soma dos votos de quatro candidatos de direita e extrema direita ficou em torno de 70%. Isto torna o ultradireitista José Antonio Kast, alinhado ao presidente Donald Trump, franco favorito para o segundo turno, em 14 de dezembro. É sua terceira tentativa. Será a volta da extrema direita ao poder pelo voto depois da ditadura do general Augusto Pinochet (1973-90).

Com mais de 99,5% das urnas apuradas, Jara, do Partido Comunista, apoiada pelo presidente Gabriel Boric, lidera com 26,85% (3.463.178) dos votos, seguida por Kast, do Partido Republicano (PR), com 23,92% (3.085.775). A grande surpresa foi o populista de direita Franco Parisi, um economista que fez sucesso no rádio e na televisão, e conquistou 19,7% (2.540.655).

Parisi declarou que não vai apoiar ninguém no segundo turno: "Conquistem os votos... O PDG (Partido da Gente) não precisa de favores."

Já o "libertário" Johannes Kaiser, um extremista à direita de Kast, ficou em quarto com 13,94% (1.797.405) dos votos, superando a economista e ex-ministra Evelyn Matthei, candidata da direita tradicional, da União Democrática Independente, que teve 12,47% (1.608.687). Kaiser anunciou apoio a Kast e Matthei ligou para cumprimentar o agora favorito. Outros três candidatos tiveram votações irrisórias.

Um tema importante na campanha foi a segurança pública. O Chile tem um dos índices de homicídios mais baixos da América Latina, mas dobrou recentemente. O aumento de crimes atribuídos ao crime organizado (extorsão, sequestro, assassinato) alimentam a sensação de insegurança.

Tudo isso reforça o discurso político-linha dura. Outros eixos da campanha de Kast foram o combate à imigração ilegal e a promessa de cortar gastos públicos. Com certeza, terá o apoio de Donald Trump, um de seus modelos.

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segunda-feira, 18 de agosto de 2025

Direita vence eleição presidencial na Bolívia

Depois de 20 anos de domínio do Movimento ao Socialismo (MAS), liderado pelo ex-presidente Evo Morales, a direita volta ao poder na Bolívia. Dois candidatos de oposição, Rodrigo Paz Pereira (dir.) e o ex-presidente Jorge Tuto Quiroga (esq.), vão disputar o segundo turno, em 19 de outubro. Impedido de se candidatar, Morales fez campanha pelo voto nulo.

Com 92% das urnas apuradas, Paz Pereira, do Partido Democrata Cristão (PDC) liderava com 1.566.744 votos (32,09%) contra 1.314.281 de Quiroga (26,93%), da coalizão Livre. Samuel Doria Medina, da Unidade, é o terceiro com 972.444 (19,9%); seguido por Andrónico Rodríguez, da Aliança Popular, com 396.134 (8,11%); e Manfred Reyes Villa, da AFP Súmate, com 323.884 (6,63%). 

O  MAS, dividido entre as facções de Morales e do atual presidente Luis Arce, ficou em sexto lugar com a candidatura do presidente do Senado, Eduardo Del Castillo, que recebeu 153.538 votos (3,14%). O voto nulo defendido por Morales teve 19%.

A surpresa foi Rodrigo Paz, que aparecia em terceiro lugar nas pesquisas mais favoráveis. Filho do ex-presidente Jaime Paz Zamora (1989-93), ele nasceu no exterior quando a família estava no exílio durante uma ditadura militar. O favorito era Samuel Doria, que disputa a eleição presidencial pela quarta vez. Ficou em terceiro lugar e anunciou apoio a Rodrigo Paz.

Além da divisão da esquerda, a derrota do governo se deve à crise econômica, com o esgotamento das reservas em dólar, a queda das exportações de gás, que embalaram o crescimento dos governos de Morales, e uma inflação de 25% ao ano.

Em seu primeiro pronunciamento após a vitória no primeiro turno, Paz declarou que os bolivianos "não estão pedindo apenas uma mudança de governo, mas uma mudança do sistema político. É o início de uma grande transformação."

segunda-feira, 2 de junho de 2025

Extrema direita vence eleição presidencial na Polônia

 Numa dura derrota para as reformas do primeiro-ministro Donald Tusk, o candidato de ultradireita Karol Nawrocki, um historiador de 42 anos do partido Lei e Justiça (PiS), venceu o segundo turno da eleição presidencial na Polônia com 50,89% dos votos, derrotando o prefeito liberal de Varsóvia, Rafal Trzaskowski.

Ex-boxeador, ex-hooligan, brigão, blefador, admirador de Donald Trump, que o recebeu na Casa Branca, Nawrocki conseguiu se livrar dos aspectos negativos de sua personalidade revelados pela campanha eleitoral. Sua vitória é uma revanche contra a coalizão liderada por Tusk, que tirou a extrema direita do poder nas eleições parlamentares de outubro de 2023 depois de 8 anos de governos do PiS.

O governo polonês é formado por quem tem maioria no Parlamento, mas o presidente pode vetar legislação. Se Donald Tusk, ex-presidente do Conselho Europeu (2014-19), que reúne os chefes de governo da União Europeia e o presidente da França, tinha problemas com o atual presidente, Andrezj Duda, a situação agora deve ficar muito pior.

Nawrocki é doutrinário e já avisou que fará tudo para bloquear o governo Tusk, que tenta reconstrui a democracia na Polônia depois dos governos do PiS, que atacaram a liberdade de imprensa e a independência do Poder Judiciário, uma fórmula comum aos neofascistas como Trump, o primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, os ditadores da Rússia e da Turquia, e inclusive fascistas de esquerda como o venezuelano Hugo Chávez.

O novo chefe de Estado nasceu em Gdansk, cidade bombardeada pela Alemanha Nazista no início da Segunda Guerra Mundial (1939-45). Foi diretor do museu da cidade sobre a guerra e presidente do Instituto da Memória Nacional, onde se dedicou a reescrever a história com base na visão do PiS. Seu trabalho sobre a atuação da União Soviética na Polônia depois da guerra e a obsessão em derrubar os monumento soviéticos o colocou na lista da inimigos da Rússia.

Durante a campanha, Nawrocki afirmou ter apenas um apartamento, "como a maioria dos poloneses", mas foi revelado que comprou um segundo de uma pessoa de idade e debilitada. Também foi acusado pelo site Onet de participar de uma gangue de tráfico de prostitutas para um hotel onde trabalhou em Sopot, um balneário no Mar Báltico. Ele negou tudo e ameaçou processar os responsáveis, que mantiveram as alegações.

Suas relações com o crime organizado também são notórias. Em 2018, Nawrocki publicou sob o pseudônimo de Tadeusz Batyr a biografia de Nikodem Skotarczak, um gângster da era comunista. Ele escreveu em redes sociais que Batyr havia lhe pedido conselhos. Na verdade, é uma pessoa só.

Outro escândalo foi a participação em 2009 de uma briga de cerca de 140 arruaceiros (hooligantes) de torcidas de futebol rivais. Vários foram condenados por crimes como agressão violenta, tráfico de armas e drogas, e inclusive de um assassinato. Nawrocki não negou sua participação no que descreveu como "um combate nobre e viril".

Praticamente desconhecido dos poloneses até o lançamento de sua candidatura, em 25 de novembro do ano passado, Nawrocki buscou o apoio de Trump, com quem tirou fotos na Casa Branca em 30 de abril. A extrema direita trumpista reforçou o apoio com a participação da secretária de Segurança Interna dos Estados Unidos, Kristi Noem, numa reunião da Conferência de Ação Política Conservadora (CPAC) providencialmente organizada pelo trumpismo em 27 de maio em Rzeszow, no Sul da Polônia.

Crítico da União Europeia (UE), ele teve apoio no segundo turno de um extremista ainda mais à direita, Slawomir Mentzen, que fez oito exigências, entre elas vetar a entrada da Ucrânia na Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), não aumentar impostos e não restringir o acesso dos poloneses a armas de fogo.

"Com Nawrocki, o governo será paralisado e isto pode levar com o tempo à queda da coalizão no poder", prevê a cientista política Anna Materska Sosnowska. Seria uma chance para a volta do PiS ao poder nas próximas eleições parlamentares. Assim, é uma derrota para as forças que tentam conter o avanço das forças antidemocráticas na Europa e no mundo.

Há dois aspectos importantes neste resultado.

1. O governo tem uma pequena maioria no Parlamento, então não conseguiu derrubar os vetos do presidente e fazer as reformas prometidas para restaurar a democracia.

2. A Polônia, historicamente invadida e dominada por Alemanha e Rússia, faz da relação com os EUA um dos eixos centrais de sua política externa desde a queda do comunismo, em 1989. Como a extrema direita é anti-UE, o trumpismo pesou. Trump é inimigo da UE e o atual primeiro-ministro presidiu o Conselho Europeu. É a primeira eleição com vitória de aliado de Trump desde que ele voltou à Casa Branca em janeiro.

segunda-feira, 19 de maio de 2025

Candidato pró-Europa tem pequena vantagem na Polônia

 O prefeito de Varsóvia, Rafal Trzarkowski (foto), apoiado pelo governo, venceu no domingo o primeiro turno da eleição presidencial na Polônia, com 31,2% dos votos, mas é uma vantagem pequena sobre o oposicionista de extrema direita Karol Nawrocki, que teve 29,7%. Os dois se enfrentam no segundo turno em 1º de junho. A participação foi de 66,8%.

A eleição é fundamental para o governo pró-europeu do primeiro-ministro Donald Tusk, que já presidiu o Conselho Europeu, que reúne os chefes de governo da União Europeia. Além de questões que mobilizam a ultradireita, como aborto e direitos das minorias sexuais, os problemas mais importantes para a Polônia hoje são a guerra da Rússia contra a Ucrânia, dois países vizinhos, e o futuro da segurança da Europa quando o presidente Donald Trump ameaça retirar os Estados Unidos da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN).

"Este resultado mostra como devemos ser fortes, como devemos ser determinados", enfatizou Trzarkowski, de 55 anos, ao festejar a vitória parcial com seus partidários da Plataforma Cívica, um partido liberal de centro-direita fundado por Tusk em 2001 como dissidência do movimento Solidariedade, que derrubou o regime comunista.

Por sua vez, Nawrocki, de 42 anos, admirador de Trump, com quem esteve na Casa Branca, prometeu vencer o segundo turno para impedir a coalizão de governo de "monopolizar" o poder na Polônia. Ele é do partido ultranacionalista Lei e Justiça (PiS), fundado em 2001 pelos irmãos Jaroslaw e Lech Kaczynski, partido do atual presidente Andrzej Duda.

Em terceiro lugar, com 14,9%, ficou o extremista de direita Slawomir Mentzen, que pode ser o fiel da balança no segundo turno favorecendo Nawrocki porque suas ideias têm mais afinidade. Mentzen é um libertário eurocético radicalmente contra o aborto e a imigração. Acusa os refugiados ucranianos, cerca de um milhão, de explorar a Polônia.

Uma vitória do prefeito de Varsóvia dará ao governo autoridade para continuar a restauração do Estado de Direito, depois que governos do PiS atacaram a mídia, a liberdade de imprensa e a independência do Poder Judiciário, no modelo do autoritarismo do século 21.

"Temos a possibilidade de restaurar a ordem em nosso país", comentou o ex-presidente Lech Walesa, líder da luta contra o comunismo, ganhador do Prêmio Nobel da Paz de 1983. "Estamos num momento de grandes discussões sobre o futuro da Polônia, da Europa e do mundo."

Na Polônia, o chefe de Estado tem poderes limitados. Quem manda mesmo é o primeiro-ministro. Mas o presidente pode vetar, o que o atual presidente fez várias vezes para frustrar o governo Tusk.

"Com Nawrocki, o governo será paralisado e isto pode levar com o tempo à queda da coalizão no poder", prevê a cientista política Anna Materska Sosnowska. "Seria a volta dos populistas com uma força decuplicada no mais tardar em dois anos", nas próximas eleições parlamentares. Ela considera a eleição fundamental para a "tentativa de conter as tendências antidemocráticas e populistas através da Europa."

domingo, 18 de maio de 2025

Candidato pró-Europa vence na Romênia em derrota do trumpismo

Numa grande reviravolta na eleição mais importante na Romênia desde a queda do comunismo, em 1989, com mais de 90% das urnas apuradas, o prefeito centrista de Bucareste, Nicusor Dan, foi eleito presidente hoje no segundo turno. 

Por 54% a 46% dos votos válidos, ele venceu o candidato ultranacionalista George Simion, que saiu na frente no primeiro turno e agora denuncia fraude. A participação do eleitorado foi de 65%, em contraste com 53% no primeiro turno duas semanas atrás.

É mais um extremista de direita que perde sob a sombra do presidente dos Estados Unidos. Grande admirador de Donald Trump, Simion ganhou o primeiro turno com 41% dos votos e dava a vitória como certa.

Quando terminou a votação, às 21h (15h em Brasília), os dois candidatos cantaram vitória. Dan atribuiu o resultado "à comunidade de romenos que desejam uma mudança profunda" e prometeu: "A partir de amanhã, vamos reconstruir a Romênia." Seus partidários gritavam "Europa" e "unidade", contra o divisionismo e os discursos de ódio e antieuropeus da extrema direita.

No primeiro momento, Simion também declarou vitória diante de seus partidários dizendo ser "o novo presidente da Romênia". Mais tarde, reconheceu a derrota no Facebook e prometeu "continuar a luta".

Nicosur Dan nasceu em Fagaras, na província de Brasov, em 20 de dezembro de 1969. É matemático. Na juventude, ganhou duas vezes medalha de ouro nas Olimpíadas Internacionais de Matemática com notas perfeitas em 1987 e 1988. Doutor pela Escola Normal Superior de Paris em 1998, fundou uma faculdade de mesmo nome ao voltar à Romênia.

Em 2015, ele fundou a União Salve Bucareste para lutar contra a corrupção e pela preservação da capital romena, o que o lançou na política. Dan foi eleito deputado em 2016 e prefeito de Bucareste em 2020 e 2024. Venceu a eleição presidencial por ser considerado um bom prefeito.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, cumprimentou "calorosamente" o presidente eleito: "Os romenos foram às urnas em massa. Eles escolheram a promessa de uma Romênia aberta e próspera numa Europa forte."

Na vizinha Ucrânia, o presidente Volodymyr Zelensky também festejou o resultado "histórico" e destacou "a importância de ter na Romênia uma parceira confiável". Antieuropeu, o candidato derrotado é contra a ajuda à Ucrânia. Na campanha, defendeu a neutralidade.

Esta eleição presidencial romena foi bastante controvertida. Em 6 de dezembro de 2024, dois dias antes da data marcada para o segundo turno, o Tribunal Constitucional, a corte suprema do país, anulou o primeiro turno vencido pelo ultradireitista Calin Georgescu com 23% votos sob a alegação de que houve interferência externa significativa, principalmente da Rússia, e violação da lei eleitoral.

Além de ataques cibernéticos e notícias falsas atribuídas à Rússia, as investigações descobriram que a campanha Georgescu recebeu pelo menos um milhão de euros de financiamento ilegal.

A anulação do primeiro turno foi uma das razões que levou o vice-presidente dos EUA, James David Vance, a acusar a Europa de retrocesso na democracia ao censurar a liberdade de expressão e de tentar suprimir uma corrente de pensamento ignorando parte de seu eleitorado, em discurso na 61ª Conferência de Segurança de Munique. Estava defendendo a extrema direita em todo o continente e alienando aliados históricos. 

segunda-feira, 21 de abril de 2025

Hoje na História do Mundo: 21 de Abril

 FUNDAÇÃO DE ROMA

    Em 753 antes da Cristo, de acordo com a lenda, os gêmeos Rômulo e Remo, alimentados por uma loba depois de serem abandonados, fundam Roma.

O jornalista e historiador Indro Montanelli disse que a Loba era Acca Larentia, uma prostituta.

Os irmãos se desentendem. Rômulo mata Remo e se torna o primeiro dos sete reis de Roma. Em 509 AC, Roma se torna uma república. Em 27 AC, Otávio César Augusto é coroado imperador.

O Império Romano do Ocidente cai em 4 de setembro de 476, quando o rei bárbaro Flávio Odoacro derruba o imperador Rômulo Augusto.

O Império Romano do Oriente ou Império Bizantino cai em 29 de maio de 1453, quando o sultão Mehmet II, do Império Otomano (turco), conquista Constantinopla.

INDEPENDÊNCIA DO TEXAS

    Em 1836, o general Sam Houston leva 800 texanos à vitória contra 1,5 mil soldados do Exército do México sob o comando do general Antonio López de Santa Anna na Batalha de São Jacinto, garantindo a independência do Texas.

A colonização do Texas começa depois que o presidente Thomas Jefferson compra em 1803 da França de Napoleão Bonaparte o território da Louisiana, que se estendia ao longo do Rio Mississípi. 

Moses Austin consegue autorização do governo imperial espanhol para assentar 300 famílias numa área de 81 mil hectares no Tejas. Quando o México se torna independente da Espanha, em 1821, Stephen Austin renova a autorização com o novo governo.

Em 1832, a população de colonos norte-americanos na região chega a 20 mil. A instabilidade política no México leva a um golpe do general Santa Anna em 1833. Stephen Austin vai à Cidade do México apresentar as reivincações dos colonos. É preso sob a acusação de fomentar uma rebelião.

Libertado em 1835, Austin volta ao Texas, que forma um governo provisório e declara independência do México em 1836. David Burnet é o presidente interino, Sam Houston o comandante militar e Stephen Austin o embaixador nos EUA, encarregado de obter apoio estratégico e recrutar voluntários.

O Cerco do Álamo, perto de Santo Antônio, pelo Exército do México de 23 de fevereiro a 6 de março de 1836 é uma das batalhas marcantes da Guerra da Independência do Texas. Entre 180 e 250 defensores do Álamo morrem na batalha. Sobrevivem as mulheres, as crianças, os escravizados e funcionários não combatentes.

"Relembrem o Álamo!", passa a ser o grito de guerra dos rebeldes texanos. Os inimigos se encontram junto ao Rio São Jacinto, perto de onde hoje fica Houston, a quarta maior cidade dos EUA. Houston lança um ataque de surpresa e conquista a vitória em 18 minutos.

A Revolução Texana é mais do que uma guerra entre colonos anglo-europeus e soldados mexicanos. É uma luta contra um governo central distante, corrupto e tirânico. Sam Houston é o primeiro presidente da República do Texas e Stephen Austin é secretário de Estado. Hoje os dois são homenageados como nomes de cidades. Houston é a capital até 1839, quando Austin é aprovada.

MORTE DO BARÃO VERMELHO

    Em 1918, a Força Aérea Real britânica abate e mata numa batalha perto de Amiens, na França, Manfred, Barão de Richthofen, mais conhecido como o Barão Vermelho, considerado o melhor piloto da Primeira Guerra Mundial (1914-18), com 80 vitórias.


 
Manfred Alfred Freiherr von Richthofen nasce em Breslau em 2 de maio de 1892. Ele começa a carreira militar na cavalaria. Em 1915, passa à força aérea do Exército Imperial da Alemanha e, no ano seguinte, da esquadrilha Jasta 2. Seu sucesso como piloto de avião de caça o leva a comandar uma unidade de caças em 1917.

O Barão Vermelho é um herói nacional na Alemanha temido pelos inimigos quando perde a última batalha.

EXTREMA DIREITA NO SEGUNDO TURNO

    Em 2002, o candidato da Frente Nacional, de extrema direita, Jean-Marie Le Pen, conquista 16,86% dos votos, supera o primeiro-ministro socialista Lionel Jospin, que recebe 16,18% dos votos, fica em segundo lugar e vai para o segundo turno da eleição presidencial na França com o presidente Jacques Chirac.

Filho de um marinheiro, Jean-Marie nasce 20 de junho de 1928 em Trinité-sur-Mer, uma cidade litorânea da região da Bretanha. Ele estuda direito na Universidade de Paris. Em 1954, entra para a Legião Estrangeira e serve nas guerras da independência da Argélia e da Indochina Francesa, hoje dividida em Camboja, Laos e Vietnã.

Em 1956, Le Pen é o mais jovem deputado eleito para a Assembleia Nacional da França. Um dos fundadores da Frente Nacional, em 1972, lidera o partido até 2011 com um discurso ultranacionalista e antissemita. Chega a dizer que as câmaras de gás dos campos de concentração nazistas na Segunda Guerra Mundial (1939-45) são um episódio menor da história. É condenado por negar o Holocausto.

Com estas ideias extremistas, a Frente Nacional é marginalizada dentro do sistema político francês. No segundo turno das eleições legislativas, todos os partidos, da direita republicana representada pelo gaullismo até a esquerda, se unem para barrar o acesso da extrema direita à Assembleia Nacional.

A naturalização, a aceitação da extrema direita como parte do sistema político francês, começa com a chegada de Le Pen ao segundo turno em 2002. Mais uma vez, quase todos os partidos, inclusive o Partido Socialista (PS) e o Partido Comunista Francês (PCF), apoiam o presidente Chirac, reeleito no segundo turno com 82,21% dos votos contra 17,79% para Jean-Marie Le Pen. Mas um tabu é quebrado.

Em 2007, o gaulista Nicolas Sarkozy vence a socialista Ségolène Royal no segundo turno. Em 2012, o socialista François Hollande derrota Sarkozy. Mas em 2017 e 2022, o atual presidente Emmanuel Macron, enfrenta no segundo turno Marine Le Pen, filha de Jean-Marie, que hoje é a favorita para as próximas eleições presidenciais, em 2027.

A Frente Nacional, rebatizada como Reunião ou Reagrupamento Nacional (RN), conquista 18,68% dos votos nas eleições parlamentares de 2022. Sua bancada na Assembleia Nacional cresce de 8 para 89 deputados. Fica atrás da bancada governista (245 cadeiras) e da Nova União Popular Ecológica e Social (NUPES), uma aliança esquerdista da França Insubmissa com o PS, o PCF e a Europa Ecologia-Os Verdes (131 cadeiras).

Nas eleições legislativas de junho e julho de 2024, antecipadas depois do bom desempenho da extrema direita nas eleições para o Parlamento Europeu em junho do ano passado, o bloco centrista aliado do presidente Emmanuel Macron fez um acordo informal com a Nova Frente Popular (NFP), de esquerda, para barrar a ascensão da extrema direita ao poder, mas não fizeram aliança para governar.

A NFP fez a maior bancada na Assembleia Nacional (180 cadeiras), à frente da bancada macronista (159) e da RN (142). Como são 577 deputados, todas ficaram longe da maioria absoluta (289). 

O resultado é um governo fraco e indeciso, o que aumenta as chances da extrema direita na eleição presidencial de 2027. Mas sua líder, Marine Le Pen, está inelegível, condenada por corrupção ao desviar 4,4 milhões de euros do Parlamento Europeu. O Tribunal de Recursos de Paris promete julgar o caso em 2026. No momento, Le Pen lidera as pesquisas.

MORTE DO PRÍNCIPE DO ROCK

    Em 2016, o genial cantor, compositor, guitarrista, baterista, tecladista, produtor e bailarino Prince Nelson Rogers, que cria um gênero inovador com a fusão do funk, rhythm and blues, soul, jazz, rock and roll e pop, uma das maiores estrelas da música popular nos anos 1980 e 1990, morre acidentalmente de uma dose excessiva de fentanil, um poderoso opioide, a droga que mais mata hoje nos Estados Unidos.

Prince nasce em Mineápolis, no estado de Minnesota, em 7 de junho de 1958 e se torna uma dos músicos mais talentosos de sua geração. Como o cantor e compositor Steve Wonder, é um dos poucos músicos com excelente desempenho em todos os instrumentos que tocava, gravando discos com vários instrumentos tocados por ele. Aos 7 anos, aprende a tocar piano. Aos 14 anos, entra na primeira banda.

Seu estilo absolutamente original, andrógino e sensual mistura a arte de Jimi Hendrix, Little Richard e Michael Jackson. Ele começa a carreira com funk e soul para o mercado afro-americano sob o impacto da música para discoteca. Depois incorpora elementos do jazz, punk, heavy metal, dos Beatles e do hip-hop.

O álbum Purple Rain (1984), o mais vendido de seus 39 discos, com mais de 21 milhões de cópias, o torna um ícone da música dos anos 1980 e lhe dá um Oscar de melhor trilha sono e um Grammy. Em 2004, ele entra para o Rock and Roll Hall of Fame.

Em 21 de abril de 2016, Prince é encontrado morto em sua mansão em Paisley Park, em Chanhassem, em Minnesota. Como não deixa descendentes, sua fortuna de US$ 400 milhões é dividida entre os seis irmãos.

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2025

Presidente e candidata de Correa disputam segundo turno no Equador

O presidente conservador Daniel Noboa e a candidata esquerdista Luisa González vão disputar em 13 de abril o segundo turno da eleição presidencial no Equador. Uma pesquisa de boca de urna chegou a dar maioria absoluta para o presidente, mas o resultado final do primeiro turno foi apertado: 44.43% para Noboa e 44,17% para González.

Os dois disputaram o segundo turno da eleição presidencial de 2023, quando Noboa, da Ação Democrática Nacional (ADN), foi a grande surpresa. Não se esperava que chegasse ao segundo turno, quando teve 51,83% dos votos contra 48,17% para González, da Revolução Cidadã (RC), liderada pelo ex-presidente Rafael Correa. 

O ex-presidente está exilado na Bélgica para escapar de uma pena de 8 anos de prisão por corrupção por receber propina de empresas, inclusive da construtora brasileira Odebrecht, com provas obtidas na Operação Lava Jato.

A eleição de 2023 foi realizada sob estado de exceção, sob o impacto do assassinato do candidato Fernando Villavicencio pela máfia do tráfico de drogas Los Lobos, ligada ao Cartel de Jalisco Nova Geração, do México. 

Espremido entre os maiores produtores de cocaína do mundo, Colômbia e Peru, o Equador tem poucos recursos para enfrentar os traficantes. Isto levou o país a ter a maior taxa da homicídios da América do Sul e a sétima do mundo em 2022: 27 assassinatos para cada 100 mil habitantes. Em 2023, 8 mil pessoas foram mortas na guerra do tráfico.

Assim, a segurança foi o tema central da campanha em 2023 e de novo agora, à frente da crise econômica, do desemprego e do custo de vida. 

As eleições foram próximas porque a anterior foi para um mandato-tampão para concluir o período do presidente Guillermo Lasso, que dissolveu a Assembleia Nacional em 17 de maio de 2023 para escapar de um processo de impeachment, numa manobra conhecida como "morte cruzada", que força a realização de novas eleições presidencial e legislativas – e decidiu não concorrer.

No domingo, pouco mais de 11 milhões dos 13,7 milhões de eleitores equatorianos votaram para presidente, vice-presidente e os 100 deputados da Assembleia Nacional. Todos cumprem mandatos de quatro anos. Nenhum partido deve ter maioria absoluta no novo parlamento.

Daniel Noboa é filho de Álvaro Noboa, magnata do setor bananeiro e homem mais rico do Equador, que disputou a Presidência sem sucesso cinco vezes. Personalista, o atual presidente promete manter o "conflito armado interno". Concentrou a campanha nas redes sociais para atrair o eleitorado jovem de 18 a 30 anos. 

Noboa acusou os governos anteriores, de Lasso e Correa, de corrupção e ligação com o narcotráfico. Fala num "novo Equador". Encerrou sua participação no debate na televisão com a frase: "A velha política ao lixo."

Luisa González atacou as violações dos direitos humanos cometidas pelo governo na luta contra o narcotráfico. Em oposição ao personalismo de Noboa, na linha de seu padrinho político Correa, ela aposta na democracia participativa reconstituindo as assembleias comunitárias e na democratização do acesso à saúde e educação. 

Seu plano para a segurança pública tem foco na ação social para combater o crime, na reinserção social dos criminosos e na defesa dos direitos humanos. Ela também defende a geração de empregos através de "obras públicas comunitárias" e na transição energética para uma economia pós-petróleo. O Equador era membro da Organização dos Países Exportadores de Petróleo. Saiu em 2020.

Em política externa, González defende a integração regional através de organismos como a União das Nações Sul-Americanas (Unasul) e da Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), o que a aproxima do governo Lula.

Ela teve cerca de 4,1 milhões de votos no primeiro turno. De acordo com os analistas políticos da consultoria Celegdata, precisa de 4,7 milhões para vencer no segundo turno. Os outros candidatos de oposição a Noboa somaram 467 mil votos. Se González conquistar 90% desses eleitores, será a primeira mulher a presidir o Equador. 

O voto indígena será decisivo. Nos 10 anos antes da eleição de Correa, o Equador teve sete presidentes. Três foram derrubados pelo movimento indígena. Os índios são 13% da população e os mestiços 71%. Leónidas Iza, do Movimento Pachakutik, partido ligado à Confederação das Nacionalidades Indígenas do Equador (Conaie), teve 5,26% dos votos no primeiro turno. O movimento ainda não definiu sua posição para o segundo turno

A presidente do México, Claudia Sheinbaum, declarou apoio a ela. Os dois países romperam relações depois que a polícia equatoriana violou a imunidade diplomática e invadiu a embaixada mexicana em Quito para prender o ex-vice-presidente Jorge Glas, em 5 de abril do ano passado. Glas foi condenado duas vezes, a 6 e 8 anos de prisão, inclusive com provas colhidas pela Operação Lava Jato. Sheinbaum quer reatar as relações.

Com 18,2 milhões de habitantes, o Equador é um dos dois únicos países da América do Sul, ao lado do Chile, sem fronteira com o Brasil. É um dos 17 países megadiversos do mundo, com a maior diversidade biológica por metro quatro. As Ilhas Galápagos têm uma fauna única que influenciou o desenvolvimento da Teoria da Evolução das Espécies pelo naturalista britânico Charles Darwin. É o único país do mundo com uma Constituição que garante os direitos da natureza.

terça-feira, 14 de janeiro de 2025

Trump seria condenado se não fosse eleito, conclui procurador

 Se não tivesse sido reeleito em novembro do ano passado, o presidente Donald Trump seria condenado pela tentativa de fraudar o resultado da eleição presidencial de 2020, concluiu o procurador especial Jack Smith em seu relatório final, divulgado na madrugada de hoje pelo Departamento da Justiça dos Estados Unidos, noticiou o jornal The Washington Post.

John Luman Smith foi nomeado pelo secretário da Justiça do governo Joe Biden, Merrick Garland, em 18 de novembro de 2022 como procurador especial para realizar uma investigação independente sobre os dois casos federais em Trump era suspeito: levar para casa documentos sigilosos e incitar seus partidários a atacar o Congresso em 6 de janeiro de 2021 para impedir a certificação da vitória de Biden.

No caso dos documentos confidenciais, secretos e ultrassecretos, a denúncia de Smith, em junho de 2023, tinha 37 acusações, inclusive de violação da Lei de Espionagem, obstrução de justiça e fazer declarações falsas aos investigadores. A mansão de Mar-a-Lago foi alvo de uma operação de busca e apreensão, e encontrou documentos importantes para a segurança nacional dos EUA jogados pelo chão e até no banheiro.

Esse caso corria na Flórida, onde a juíza federal de primeira instância de Miami Aileen Cannon tentou arquivar o processo sob a alegação que a nomeação de Smith foi inconstitucional. 

Agora, diante de um recurso de Trump, ela só autorizou a divulgação do primeiro volume do relatório, com 137 páginas, relativo à tentativa de golpe para não entregar o poder, um processo que corria numa vara da Justiça Federal do Distrito de Colúmbia, onde fica Washington, a capital dos EUA. 

Cannon marcou a próxima audiência no caso dos documentos para 17 de janeiro. O ministro e procurador-geral recebeu a versão completa do relatório, em dois volumes, um sobre cada caso.

A investigação sobre a tentativa de golpe sem precedentes na história do país examinou as tentativas de Trump de mudar os resultados em estados-chaves; de apresentar outros grandes eleitores no Colégio Eleitoral, sem base no resultado das urnas; a pressão sobre o vice-presidente Mike Pence para não certificar a vitória de Biden; e a incitação de seus seguidores com a alegação falsa de que a eleição foi fraudada.

Smith destaca no relatório que, além de querer mudar o resultado da eleição que perdeu, Trump consistentemente encorajou "a violência contra supostos adversários". Cinco pessoas morreram em até 36 horas a partir do assalto ao Capitólio em 6 de janeiro de 2021 e quatro dos 140 policiais feridos no ataque se suicidaram.

Em 1º de agosto de 2023, um júri popular aceitou a denúncia de Smith com quatro acusações contra Trump: 

  • conspiração para fraudar os EUA ao tentar mudar o resultado da eleição;
  • obstrução de um procedimento oficial, a certificação da vitória de Biden;
  • conspiração para obstruir um procedimento oficial: e
  • conspiração contra os direitos dos cidadãos, ao tentar anular seus votos.
Para retardar o andamento dos processos, Trump recorreu à Suprema Corte, que decidiu em 2024 que o presidente tem direito a ampla imunidade no exercício de atos oficiais.

Como é praxe do Departamento da Justiça processar presidentes – eles só podem ser julgados pelo Congresso em processos de impeachment – com a eleição de Trump, o procurador especial pediu o arquivamento dos casos e pediu demissão em 10 de janeiro. 

Na segunda-feira à noite, a defesa de Trump fez mais um apelo à juíza para barrar a divulgação do relatório: "Nunca antes na história de nossa nação o Departamento de Justiça tentou interferir desta maneira num governo prestes a assumir, menos ainda às vésperas da posse com um relatório falso feito por um procurador desacredito que renunciou em desgraça", argumentam os advogados de Trump. 

"A Corte não deve permitir que o departamento faça isso até que o presidente Trump tenha uma oportunidade justa e ampla para ser ouvido nestas questões de tremendas consequências", apelou o presidente eleito, sem sucesso.

O relatório indica que o procurador acreditava ter provas suficientes para condenar Trump pela tentativa de golpe de 6 de janeiro de 2021.

"A visão do departamento de que a Constituição proíbe a denúncia e o julgamento de presidentes é categórica e não se volta para a gravidade dos crimes acusados, a força das provas do governo ou os méritos da procuradoria, que este escritório está totalmente a favor", escreveu Jack Smith. 

"De fato", acrescentou, "não fosse pela eleição e o iminente retorno de Trump à Presidência, o escritório avaliava que as provas admissíveis eram suficientes para obter e sustentar uma condenação num julgamento."

domingo, 24 de novembro de 2024

Frente Ampla vence segundo turno e volta ao poder no Uruguai

 O candidato Yamandú Orsi, da Frente Ampla, de esquerda, venceu hoje o segundo turno da eleição presidencial no Uruguai e vai governar o país de 2025 a 2030, a partir de março. 

De acordo com as projeções das pesquisas, Orsi teve entre 48,7% a 49,5% dos votos contra 45,9% a 46,7% de Álvaro Delgado, do Partido Nacional (blanco), de centro-direita, que teve o apoio do Partido Colorado. Meia hora atrás, o presidente Luis Alberto Lacalle Pou, blanco, telefone Orsi para cumprimentá-lo pela vitória.

A esquerda volta ao poder depois de governar o Uruguai por 15 anos desde o início do século, com Tabaré Vázquez (2005-10 e 2015-20) e José Mujica (2010-15), o principal cabo eleitoral de Orsi.

No país mais democrático da América Latina, pouco menos de duas horas após o fechamento das urnas, o presidente Lacalle Pou publicou a seguinte mensagem numa rede social: "Chamei Yamandú Orsi para felicitá-lo como presidente eleito do nosso país e me pôr às ordens para começar a transição quando entenda pertinente."

Dois senadores eleitos pelo Partido Colorado, Andrés Ojeda e Pedro Bordaberry, também cumprimentaram Orsi.

Além do ambiente político civilizado, o Uruguai tinha a maior média por habitante da América do Sul, estimada pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) em US$ 23.053. Foi ultrapassado pela Guaiana (US$ 28.921), que descobriu grandes jazidas de petróleo na região do Essequibo.

Yamandú Ramón Antonio Orsi Martínez, de 57 anos, será o primeiro presidente desde a redemocratização do Uruguai, em 1985, que não nasceu em Montevidéu, a capital deste pequeno país de pouco mais de 3,4 milhões de habitantes, dos quais 1,384 milhão moram nessa cidade. 

O voto é obrigatório e 2.727.120 cidadãos estavam aptos para votar. Só não é obrigado a votar quem estiver doente, inválido ou tenha alguma impossibilidade física, mas precisa apresentar atestado médico. Quem estiver viajando ou residindo no exterior deve comprovar uma destas condições.

Ex-bailarino de folclore e torcedor do Peñarol, Orsi se formou em história. Foi professor nos departamentos de Canelones. Florida e Maldonado. Entrou na política na Vertente Artiguista, um dos partidos que formam a Frente Ampla. Em 1990, foi para o Movimento de Participação Popular (MPP), o partido de Mujica, fundado um ano antes para a entrada na política dos ex-guerrilheiros do Movimento de Libertação Nacional os Tupamaros.

Em 2015, foi eleito governador do Departamento de Canelones com 58,8% dos votos válidos. Foi reeleito em 2020. 

Ao vencer a eleição primária da Frente Ampla em 30 de junho com mais da metade dos votos, convidou a adversária Carolina Cosse, ex-prefeita de Montevidéu, para ser candidata a vice-presidente com a proposta de "unir o Uruguai".

A vitória da Frente Ampla é uma boa notícia para o Mercosul. O presidente Lacalle Pou queria negociar bilateralmente o livre comércio, primeiro com os Estados Unidos e depois com a China, o que contraria a regra do bloco de negociar conjuntamente.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou que é "uma vitória para toda a América Latina": "Quero felicitar o povo uruguaio por realizar eleições democráticas e pacíficas e, em particular, ao presidente eleito Yamandú Orsi, a Frente Ampla e meu amigo Pepe Mujica por sua vitória nas eleições de hoje. Esta é uma vitória para toda a América Latina e o Caribe. Brasil e Uruguai seguirão trabalhando juntos no Mercosul e em outros fóruns por um desenvolvimento justo e sustentável, a paz e a integração regional."

NOTA: No fim da apuração, Orsi teve 1.196.798 votos (52,08% dos votos válidos) e Delgado 1.101.296 votos (47,92%). 

quarta-feira, 6 de novembro de 2024

Economia derrotou Kamala Harris

 A grande razão da vitória do ex-presidente Donald Trump foi o descontentamento do eleitor dos Estados Unidos com o governo Joe Biden e especialmente com a economia. Sob o impacto da pandemia, a inflação subiu a 9,1% ao ano, o maior nível em 41 anos. Agora, está em 2,4%. Os preços pararam de subir tanto, mas não caíram. O custo de vida subiu cerca de 20% e a vice-presidente Kamala Harris foi punida por isso e o Partido Democrata por abraçar o neoliberalismo desde o governo Bill Clinton (1993-2001).

Nesta quarta-feira, Kamala telefonou para cumprimentar Trump e prometeu uma transição de poder pacífica, ao contrário do que o ex-presidente fez em 2021, quando mandou seus partidários atacar o Congresso para impedir a certificação da vitória de Biden. Os dois prometeram trabalhar juntos para unir o país. Biden também ligou para Trump e o convidou a ir à Casa Branca para negociar a transição.

Mais tarde, Kamala fez um discurso para os militantes democratas e insistou na mensagem: "Quando a gente luta, nós ganhamos, mas a luta pode levar tempo. (...) O importante é não desistir de tentar criar um mundo melhor."

Foi também uma vitória do fascismo, do racismo, do machismo e da ignorância. A grande clivagem foi entre os com e sem diploma de curso superior. É um sintoma do declínio relativo dos EUA, onde as eleições sempre foram vencidas pelo centro, atraindo os votos de eleitores independentes, que não votam sempre no mesmo.

Trump conseguiu convencer a maioria do eleitorado de que é um defensor da classe trabalhadora, quando toda sua vida empresarial e política indica exatamente o contrário. É um bilionário. Vai governar para bilionários como Elon Musk.

Suas propostas econômicas de cortar impostos para os ricos e grandes empresas vão aumentar a dívida pública e, se aplicar o tarifaço prometido na campanha, certamente vai gerar inflação.

Em política externa, Trump deve ser isolacionista, o que assusta os aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), e cortar a ajudar militar à Ucrânia, talvez por força de seu relacionamento com o ditador da Rússia, Vladimir Putin. O jornalista Bob Woodward, um dos que descobriu o Escândalo de Watergate, acredita que Putin deve saber se segredos de Trump e vai continuar manobrando para manipular o ex-presidente.

Este é o maior ano eleitoral da história. Cerca de 4 bilhões de pessoas foram ou vão às urnas. A grande maioria tem punido os governos do dia.

Para o Brasil, a grande lição é que, se Trump tivesse sido condenado pela tentativa de golpe de 6 de janeiro de 2021, estaria inelegível. Assim é preciso processar o ex-presidente Jair Bolsonaro e os militares golpistas que o apoiam para impedir que voltem.

Trump volta à Casa Branca prometendo vingança

 Com vitórias em todos os estados-chaves, o ex-presidente Donald Trump está eleito presidente dos Estados Unidos. Vence não só no Colégio Eleitoral, mas no voto popular, o que era totalmente inesperado. Trump melhorou sua votação entre negros e latinos, e conquistou votos em toda parte, inclusive nos cinco bairros de Nova York.

O grande derrotado é o presidente Joe Biden, que insistiu em ser candidato, apesar da idade avançada, ao contrário do que havia prometido na campanha de 2020. Nos primeiros anos de governo, ele escondeu a vice-presidente Kamala Harris.

Nenhum partido manteve o poder nos EUA com um presidente com apenas 41% de aprovação. A vitória de Trump dá um ânimo à extrema direita e à ascensão do neofascismo em escala global. O grande vencedor é o ditador da Rússia, Vladimir Putin.

As políticas ambientais de Biden também devem ser anuladas. Trump já disse que é preciso acabar com a mentira do aquecimento global. O negócio dele é gás e petróleo

O grande argumento da campanha de Trump foi a economia. Há uma semana, o jornal conservador The Wall Street Journal, porta-voz do centro financeiro de Nova York, que apoia Trump, afirmou que o próximo governo vai herdar uma economia formidável, mas 72% dos norte-americanos acreditam que o país estava indo na direção errada.

Trump vendeu a ideia de que é mais competente na economia, mas é um empresário que faliu seis vezes, declarou os maiores prejuízos de 1990 e 1991 em todo o país e ficou 10 anos sem pagar imposto de renda federal sob a alegação de que não ganhou dinheiro.

O ex-presidente é uma ameaça à mais antiga democracia do mundo. É o único presidente que não reconheceu a derrota e tentou dar um golpe de Estado para ficar no poder. Incentivou a invasão do Congresso para tentar impedir a certificação da vitória de Biden em 6 de janeiro de 2021.

Por mais inacreditável que pareça, um criminoso condenado será o próximo presidente dos EUA. Trump concorreu principalmente para não ir para a cadeia – e conseguiu. Serão quatro anos de caos, sangue, suor e lágrimas.