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quarta-feira, 6 de novembro de 2024

Economia derrotou Kamala Harris

 A grande razão da vitória do ex-presidente Donald Trump foi o descontentamento do eleitor dos Estados Unidos com o governo Joe Biden e especialmente com a economia. Sob o impacto da pandemia, a inflação subiu a 9,1% ao ano, o maior nível em 41 anos. Agora, está em 2,4%. Os preços pararam de subir tanto, mas não caíram. O custo de vida subiu cerca de 20% e a vice-presidente Kamala Harris foi punida por isso e o Partido Democrata por abraçar o neoliberalismo desde o governo Bill Clinton (1993-2001).

Nesta quarta-feira, Kamala telefonou para cumprimentar Trump e prometeu uma transição de poder pacífica, ao contrário do que o ex-presidente fez em 2021, quando mandou seus partidários atacar o Congresso para impedir a certificação da vitória de Biden. Os dois prometeram trabalhar juntos para unir o país. Biden também ligou para Trump e o convidou a ir à Casa Branca para negociar a transição.

Mais tarde, Kamala fez um discurso para os militantes democratas e insistou na mensagem: "Quando a gente luta, nós ganhamos, mas a luta pode levar tempo. (...) O importante é não desistir de tentar criar um mundo melhor."

Foi também uma vitória do fascismo, do racismo, do machismo e da ignorância. A grande clivagem foi entre os com e sem diploma de curso superior. É um sintoma do declínio relativo dos EUA, onde as eleições sempre foram vencidas pelo centro, atraindo os votos de eleitores independentes, que não votam sempre no mesmo.

Trump conseguiu convencer a maioria do eleitorado de que é um defensor da classe trabalhadora, quando toda sua vida empresarial e política indica exatamente o contrário. É um bilionário. Vai governar para bilionários como Elon Musk.

Suas propostas econômicas de cortar impostos para os ricos e grandes empresas vão aumentar a dívida pública e, se aplicar o tarifaço prometido na campanha, certamente vai gerar inflação.

Em política externa, Trump deve ser isolacionista, o que assusta os aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), e cortar a ajudar militar à Ucrânia, talvez por força de seu relacionamento com o ditador da Rússia, Vladimir Putin. O jornalista Bob Woodward, um dos que descobriu o Escândalo de Watergate, acredita que Putin deve saber se segredos de Trump e vai continuar manobrando para manipular o ex-presidente.

Este é o maior ano eleitoral da história. Cerca de 4 bilhões de pessoas foram ou vão às urnas. A grande maioria tem punido os governos do dia.

Para o Brasil, a grande lição é que, se Trump tivesse sido condenado pela tentativa de golpe de 6 de janeiro de 2021, estaria inelegível. Assim é preciso processar o ex-presidente Jair Bolsonaro e os militares golpistas que o apoiam para impedir que voltem.

Trump volta à Casa Branca prometendo vingança

 Com vitórias em todos os estados-chaves, o ex-presidente Donald Trump está eleito presidente dos Estados Unidos. Vence não só no Colégio Eleitoral, mas no voto popular, o que era totalmente inesperado. Trump melhorou sua votação entre negros e latinos, e conquistou votos em toda parte, inclusive nos cinco bairros de Nova York.

O grande derrotado é o presidente Joe Biden, que insistiu em ser candidato, apesar da idade avançada, ao contrário do que havia prometido na campanha de 2020. Nos primeiros anos de governo, ele escondeu a vice-presidente Kamala Harris.

Nenhum partido manteve o poder nos EUA com um presidente com apenas 41% de aprovação. A vitória de Trump dá um ânimo à extrema direita e à ascensão do neofascismo em escala global. O grande vencedor é o ditador da Rússia, Vladimir Putin.

As políticas ambientais de Biden também devem ser anuladas. Trump já disse que é preciso acabar com a mentira do aquecimento global. O negócio dele é gás e petróleo

O grande argumento da campanha de Trump foi a economia. Há uma semana, o jornal conservador The Wall Street Journal, porta-voz do centro financeiro de Nova York, que apoia Trump, afirmou que o próximo governo vai herdar uma economia formidável, mas 72% dos norte-americanos acreditam que o país estava indo na direção errada.

Trump vendeu a ideia de que é mais competente na economia, mas é um empresário que faliu seis vezes, declarou os maiores prejuízos de 1990 e 1991 em todo o país e ficou 10 anos sem pagar imposto de renda federal sob a alegação de que não ganhou dinheiro.

O ex-presidente é uma ameaça à mais antiga democracia do mundo. É o único presidente que não reconheceu a derrota e tentou dar um golpe de Estado para ficar no poder. Incentivou a invasão do Congresso para tentar impedir a certificação da vitória de Biden em 6 de janeiro de 2021.

Por mais inacreditável que pareça, um criminoso condenado será o próximo presidente dos EUA. Trump concorreu principalmente para não ir para a cadeia – e conseguiu. Serão quatro anos de caos, sangue, suor e lágrimas.

sábado, 2 de novembro de 2024

Republicanos dependem cada vez mais do Colégio Eleitoral

Quando os país da pátria escreveram a Constituição dos Estados Unidos, em 1787, era o primeiro país a eleger seu chefe de Estado. Então, criaram o Colégio Eleitoral para a elite ter a palavra final e evitar que um tresloucado chegasse à Presidência. 

Hoje é exatamente este sistema que ameaça levar Donald Trump, um notório fascista, de volta à Casa Branca. Com a mudança demográfica, é cada vez mais improvável que o Partido Republicano ganhe no voto popular. Isto estimula o autoritarismo e ameaça a mais antiga democracia do mundo.

O Colégio Eleitoral tem 538 delegados, o número de deputados e senadores do Congresso, que tem 435 deputados e 100 senadores. Os outros três são representantes do Distrito de Colúmbia, onde fica a capital. Eles têm direito a voz, mas não a voto na Câmara dos Representantes. Ganham quem conquistar pelo menos 270 votos no Colégio Eleitoral.

Na eleição de Jimmy Carter, em 1976, 40 estados poderiam eleger um republicano ou democrata. Com a polarização política do país, especialmente depois que Ronald Reagan atrelou o Partido Republicano à direita religiosa, este número foi diminuindo. Hoje, acredita-se que a eleição será decidida em sete estados-chaves ou estados-pêndulos, que podem ir para um lado ou para outro.

Duas vezes, no século 19, o vencedor não ganhou no voto popular. Isto só voltou a acontecer no ano 2000, quando George W. Bush ganhou a eleição na Flórida, governada por seu irmão Jeb Bush, que organizava a votação, por uma diferença de 537 votos, com fortes suspeitas de fraude.

Desde então, os republicanos só venceram no voto popular com o mesmo Bush, em 2004, quando o país estava em guerra, o que tende a favorecer o presidente, com uma campanha de notícias falsas questionando a medalha de honra que o candidato democrata, John Kerry, ganhou pela Guerra do Vietnã.

Com a mudança demográfica e o aumento da população não branca, cada vez mais os republicanos dependem do Colégio Eleitoral e isto alimenta o autoritarismo e o fascismo.

quarta-feira, 11 de setembro de 2024

Kamala vence debate e ganha apoio de Taylor Swift

 No primeiro e talvez único debate entre os dois candidatos à Presidência dos Estados Unidos em 5 de novembro, a vice-presidente Kamala Harris conseguiu colocar o ex-presidente Donald Trump na defensiva, acusando-o de racismo e extremismo, apresentando-se como mais presidencial. Uma pesquisa da rede de televisão CNN lhe deu a vitória por 63% a 37%.

Assim que o debate acabou, a cantora e compositora Taylor Swift, que tem 200 milhões de seguidores nas redes sociais, anunciou o apoio a Kamala, importante na era em que a campanha se faz na rede mundial de computadores.

O debate começou com o tema que mais preocupa os eleitores, a economia. Desde o início, Trump colocou o problema da imigração ilegal, mas derrapou na questão do aborto. Perdeu a compostura quando Kamala disse que as pessoas estavam saindo mais cedo dos comícios do candidato republicano.

Trump começou a gritar e mentir. Falou, por exemplo, que o vice-presidente de Kamala, Tim Walz, é a favor não só de aborto até o nono mês da gravidez como o assassinato de recém-nascidos. Os mediadores deixaram claro que isso é proibido em todos os EUA. Trump também disse que imigrantes haitianos estão roubando e matando cães e gatos de estimação para comer em Springfield, na Pensilvânia, o estado mais decisivo nesta eleição.

Até como comandante em chefe, Kamala foi melhor do que Trump, que parecia velho e cansado. Ela o acusou de ser leniente com ditadores e desrespeitoso com os aliados. Talvez o melhor momento de Trump tenha sido no final, quando perguntou: se tem tantos planos, por que não fez durante os três anos e meio em que é vice-presidente.

A estratégia do ex-presidente é atacar o governo Joe Biden na economia, imigração ilegal e de ser um líder fraco por causa das guerras na Ucrânia e no Oriente Médio, e associar Kamala a um presidente impopular. Ela afirmou que "claramente não sou Biden" para se apresentar como novidade e não como a continuação de um governo mal avaliado, principalmente por causa da inflação e da alta no custo de vida.

Depois da discussão feroz, a campanha democrata propôs a realização de mais um debate. Trump alegou ser uma manobra de quem perdeu, mas foi ele que foi à sala de imprensa dar explicações aos jornalistas. Normalmente isso é feito por assessores.

sexta-feira, 30 de agosto de 2024

Kamala Harris não comete erros mas é vaga na primeira entrevista

 A pouco mais de dois meses da eleição presidencial nos Estados Unidos, a vice-presidente Kamala Harris não cometeu erros, mostrou confiança, firmeza e um tom presidencial ontem na primeira entrevista como candidata oficial do Partido Democrata. Sobre as mudanças de posição, afirmou que "meus valores não mudaram". Ela prometeu convidar membros do Partido Republicano para seu ministério numa tentativa de acabar com a brutal divisão do país estimulada pelo ex-presidente Donald Trump.

Em 27 minutos, ao lado do candidato a vice-presidente, o governador de Minnesota, Tim Walz, Kamala respondeu a todas as perguntas com seriedade, acusou Trump de pressionar a bancada republicana no Congresso para derrubar um projeto bipartidário para aumentar a segurança na fronteira e criar uma economia com oportunidades para todos. Não explicou como pretende fazer isso.

Os dois candidatos à Casa Branca devem se enfrentar num debate na rede de televisão ABC em 10 de setembro.

sexta-feira, 23 de agosto de 2024

Kamala Harris sai da convenção como favorita à Casa Branca

 Com um discurso firme, corajoso e confiante, a vice-presidente Kamala Harris aceitou oficialmente esta noite a candidatura do Partido Democrata à Presidência dos Estados Unidos em 5 de novembro. Nestes 74 dias, muito pode acontecer. A eleição está longe de estar ganha, mas as últimas pesquisas dão ligeira vantagem a Harris e, com o entusiasmo que sua candidatura gerou ao substituir o idoso presidente Joe Biden, Kamala sai da eletrizante convenção nacional do partido como favorita.

A primeira mulher negra e a primeira de origem asiática a ser vice-presidente e agora candidata à Casa Branca falou de sua vida pessoal de filha de uma biomédica indiana que foi para os EUA sonhando em descobrir a cura do câncer de seio e de um economista jamaicano, da vida difícil depois que os pais se separaram de um conselho da mãe: "Nunca reclame da injustiça. Faça alguma coisa a respeito."

Kamala disse que estudou direito para defender o povo. Como promotora e procuradora, enfrentou predadores sexuais, grandes bancos, cartéis do tráfico de armas e de drogas, e defendeu veteranos de guerra e trabalhadores demitidos.

Aos 58 anos, 20 a menos do que o ex-presidente Donald Trump, Kamala se apresentou como a renovação e o futuro, tentando captar o voto jovem e da maioria que não queria uma repetição da disputa entre Biden e Trump, e como a candidata que vai defender a democracia e trabalhar para todos. Foi também uma convenção família com casais fazendo gestos de afeto e carinho no palco.

Ao criticar o Projeto 2025, um plano para o segundo governo Trump feito pela ultraconservadora Heritage Foundation, ela acusou o ex-presidente de querer proibir o aborto nacionalmente, de propor um novo corte de impostos para os ricos, de vetar projeto bipartidário para aumentar a segurança na fronteira com o México e pelo ataque ao Congresso em 6 de janeiro de 2021 para impedir a certificação da vitória de Joe Biden, num golpe de Estado sem precedentes na história dos EUA.

Em política externa, Kamala prometeu manter a ajuda militar à Ucrânia e a Israel, defender o fim da guerra entre Israel e o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas), reconhecer os direitos nacionais do povo palestino e ser firme com ditaduras como o Irã e a Coreia do Norte, onde disse que "Kim Jong Un torce por Trump porque sabe que ele é manipulável e gostaria de ser um autocrata".

"Na luta entre democracia e tirania, sei onde os EUA devem estar", afirmou Kamala diante de uma plateia entusiasmada no fim de uma convenção com discursos importantes de Joe Biden, dos ex-presidentes Bill Clinton e Barack Obama, das ex-primeiras-damas Hillary Clinton e Michelle Obama, da jovem deputada Alexandria Ocasio Cortez, de republicanos dissidentes e da Oprah Winfrey, a maior apresentadora de televisão dos EUA. 

domingo, 21 de julho de 2024

Biden desiste da candidatura à reeleição e apoia Kamala

 Sob pressão do Partido Democrata depois de um debate desastroso e de gafes numa entrevista coletiva em que pretendia mostrar que tem condições de governar os Estados Unidos até os 86 anos, o presidente Joe Biden anunciou hoje que não vai disputar a reeleição em 5 de novembro. Em nota, ele destacou as principais realização de seu governo. Biden apoia a candidatura de sua vice-presidente, Kamala Harris.

Quando se candidatou em 2020 para barrar a reeleição do então presidente Donald Trump, Biden declarou que cumpriria um mandato e abriria caminho para novas lideranças democrata, especialmente para Kamala Harris, a primeira mulher vice-presidente e a primeira de origem africana ou asiática. Ela é filha de pai jamaicano e mãe indiana.

Biden pegou gosto pelo cargo e deu pouco espaço a Harris nesses três anos e meio. A idade avançada, a fragilidade física, o debate e as gafes enterraram a candidatura. Agora, Kamala Harris pode ser a primeira mulher presidente e a primeira de origem africana ou asiática.

Desde o início do primeiro debate presidencial, em 27 de junho, o desempenho calamitoso de Biden alarmou os caciques do Partido Democrata. A recuperação de um mau debate é possível, mas a percepção do eleitorado de que o presidente está velho demais não tem solução.

No fim da conferência de cúpula da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), em 11 de julho, Biden deu uma entrevista de uma hora e meia para tentar desfazer as dúvidas a respeito de sua capacidade para governar. Mostrou um bom domínio dos temas em debate, mas apresentou o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, como "presidente Putin" e chamou Trump de vice-presidente quando queria falar de Kamala Harris. Depois, deu duas entrevista à televisão sem dirimir as dúvidas sobre sua saúde.

A questão dominou o noticiário político nos EUA até a tentativa de assassinato do ex-presidente Donald Trump, em 13 de julho. O fracasso do atirador suscitou alegações de interferência divina por partidários do candidato republicano. Mas, em vez de fazer o discurso de aceitação pregando a conciliação e a união nacional, Trump foi o extremista de sempre, o único presidente dos EUA até hoje a não reconhecer a derrota e tentar dar um golpe de Estado para não entregar o poder.

O Partido Democrata precisa agora encontrar uma fórmula para escolher o candidato. Como vice-presidente, Harris tem a vantagem de poder usar o dinheiro arrecadado pela campanha de Biden. Mas há outros nomes fortes sendo citados, como a governadora de Michigan, Gretchen Withmer; os governadores da Califórnia, Gavin Newsom, da Pensilvânia, Josh Shapiro, de Maryland, Wes Moore, e de Illinois, Jay Robert Pritzker; o senador Sherrod Brown; e o deputado Dean Phillips.

Como o casal Bill e Hillary Clinton, os presidentes dos diretórios estaduais do Partido Democrata em todos os 50 estados apoiaram Harris, tudo indica que ela será a candidata, mas o ex-presidente Barack Obama, a ex-presidente da Câmara Nancy Pelosi e os líderes no Senado e na Câmara ainda não endossaram a candidatura.

O comitê executivo da direção nacional do partido ficou de anunciar uma decisão na quarta-feira.

Pode haver uma eleição primária virtual ou deixar a decisão para a Convenção Nacional do Partido Democrata, a ser realizada de 19 a 22 de agosto em Chicago, mas uma mudança total de planos e o reinício da campanha a menos de três meses e meio da eleição seria um risco enorme. Mais importante será a unidade do partido para evitar a ameaça à democracia que representaria uma volta de Trump ao poder. Como observou um prefeito do partido, os democratas tem de decidir se se unem para ganhar ou brigam entre si para perder.

sábado, 2 de dezembro de 2023

Israel bombardeia Sul de Gaza num prenúncio de ofensiva

 As Forças de Defesa de Israel bombardearam hoje 400 alvos, inclusive nas cidades de Khan Yunes e Rafá, no Sul da Faixa de Gaza. Depois de assumir o controle do Norte, o Exército de Israel deve avançar rumo ao Sul na próxima fase da guerra. 

A expectativa é que sejam os combates mais duros até agora porque os terroristas e os líderes do Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) recuaram no início da guerra.

Sob pressão dos Estados Unidos, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu disse que criou lugares seguros para civis junto com agências internacionais. A vice-presidente Kamala Harris e o secretário da Defesa, Lloyd Austin, reforçaram a mensagem do presidente Joe Biden.

Milhares de israelenses se manifestaram na que agora é chamada de Praça dos Reféns, em Talavive, para exigir que o governo Netanyahu dê prioridade à libertação dos reféns. Se a prioridade for destruir o Hamas, a vida dos reféns estará em risco.

Um líder do Hamas declarou que não vai haver mais negociações para a troca de reféns por palestinos presos em Israel enquanto não houver um cessar-fogo total em Gaza. Meu comentário:

segunda-feira, 19 de dezembro de 2022

Câmara acusa Trump de crimes pelo assalto ao Capitólio

 A comissão especial da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos acusou hoje o ex-presidente Donald Trump de cometer quatro crimes em relação à invasão do Capitólio em 6 de janeiro de 2021:

• obstrução de um procedimento oficial do Congresso, a certificação da vitória de Joe Biden e Kamala Harris na eleição de 3 de novembro de 2020;

• conspiração para fraudar os EUA ao tentar anular o resultado da eleição;

• incitar, auxiliar, ajudar ou proteger uma insurreição;

• e conspiração para fazer declarações falsas.

É a primeira vez que um presidente é acusado de crimes pela Câmara. O relatório final da comissão, a ser apresentado na quinta-feira, será encaminhado ao Departamento da Justiça, que faz sua própria investigação sobre o assalto ao Capitólio e pode ou não aceitar as recomendações da Câmara. Hoje, foi divulgada uma síntese de 160 páginas.

Trump enfrenta processos por fraude fiscal no estado de Nova York e está vendo investigado pelo FBI (Federal Bureau of Investigation), a polícia federal dos EUA, por levar para sua residência no clube de Mar-a-Lago na Flórida documentos secretos e ultrassecretos do governo norte-americano que deveria ter entregue ao Arquivo Nacional no fim de seu governo.

Para se defender de todos estes processos, o ex-presidente lançou prematuramente sua candidatura à reeleição em 2024, mas depois de liderar o Partido Republicano em três derrotas eleitorais consecutivas, é provável que enfrente adversários dentro do próprio partido. O governador da Flórida, Ron DeSantis, está na frente nas pesquisas.

Ao abrir os trabalhos, a vice-presidente da comissão, a deputada republicana Liz Cheney, criticou a postura do então presidente Trump ao assistir o ataque de seus partidários ao Poder Legislativa pela televisão, em vez de ordenar ações para acabar com a revolta em Washington.

Depois de 3 horas e 7 minutos, o então presidente apelou aos seguidores que fossem para casa, dizendo que os amava. Só no dia seguinte, com relutância, condenou a violência que causou a morte de cinco pessoas.

"Ninguém que tenha se comportado daquela maneira naquela momento pode jamais servir de novo em qualquer posição de autoridade na nossa nação", declarou a filha do ex-vice-presidente Dick Cheney. "Ele é inapto para qualquer cargo."

Até hoje, Trump insiste na grande mentira que houve fraude na eleição de Joe Biden, apesar de 61 ações judiciais rejeitadas pela Justiça por falta de indícios concretos. O discurso golpista mobilizou grupos de extrema direita como Proud Boys e Oath Keepers.

Durante o ataque, os trumpistas estiveram a poucos metros de distância do vice-presidente Mike Pence, que ameaçavam enforcar. Como presidente do Senado, Pence presidia à reunião conjuntas das duas casas do Congresso interrompida durante o ataque ao Capitólio.

sábado, 20 de março de 2021

Média de mortes por covid-19 bate 23º recorde em 24 dias

 Mais um dia, mais um recorde do pior momento da pandemia do coronavírus de 2019. Neste sábado, foram notificados mais 2.331 mortes e 72.326 contágios. A média diária de mortes dos últimos sete dias subiu para 2.234, com alta de 49% em duas semanas. Em 24 dias, bateu recordes 23 vezes. A média e casos novos dos últimos sete dias ficou em 72.869.

O total de casos confirmados subiu para 11.949.335 e o de óbitos para 292.856. A morte está em alta em 21 estados e no Distrito Federal. A rede hospitalar está no limite da capacidade. Em dezenas de cidades, começam a faltar suprimentos essenciais como oxigênio e medicamentos para intubação. 

No Rio Grande do Sul, a polícia investiga a morte por falta de oxigênio de seis pacientes de um hospital de Campo Bom, na região metropolitana de Porto Alegre. Ainda não se sabe se faltou oxigênio ou se foi um problema no sistema de abastecimento.

Em outros lugares, faltam medicamentos essenciais como bloqueadores neuromusculares, obrigando os hospitais a usar produtos de segunda linha ou aumentar a dose de sedativos. Estes medicamentos servem para que o paciente não retire os tubos do ventilador mecânico por causa do desconforto. Sem eles, o tratamento intensivo perde qualidade e os pacientes sofrem mais.

O total de casos novos no mundo voltou a subir. Foram 553.480 na quinta-feira, sendo 16% no Brasil. As mortes no mesmo dia foram 10.204, 26% do total no mundo. Hoje, já são 122.735.445 casos confirmados e 2.708.549 óbitos. 

Mais de 99 milhões de pessoas se recuperaram. Muitos têm sequelas de longo prazo, a chamada covid longa, mas a Universidade de Colúmbia, nos Estados Unidos, investiga se as vacinas são capazes de amenizar os sintomas ou até de eliminar os problemas. Cerca de 21 mil pacientes apresentam sintomas leves e 89.245 estão em estado grave.

Os EUA têm o maior número absoluto de casos, cerca de 30 milhões, e de mortes, 542 mil. Com a menor circulação de pessoas durante o inverno e uma grande campanha de imunização, o contágio caiu de 300 mil casos em 8 de janeiro para 60.495 ontem. Mas ainda é um patamar muito elevado, observa o Dr. Anthony Fauci, principal infectologista americano. 

As mortes caíram de um pico de 5.463 em 12 de fevereiro para 1.513 ontem. Apesar do avanço na vacinação, estes números apontam a necessidade de manter as medidas de proteção para evitar uma nova onda de contaminação que favoreceria o surgimento de mutações capazes de desafiar as vacinas.

Mais de 440 milhões de doses de vacinas foram aplicadas até agora no mundo, sendo 122,4 milhões nos, EUA, onde 79,4 milhões de pessoas tomaram a primeira dose e 43 milhões, 12,9% da população, foram totalmente imunizadas, cerca de 70 milhões na China, 45 milhões na Índia, 35,5 milhões no Reino Unido e 15,8 milhões no Brasil, onde 11.721.837 pessoas tomaram a primeira dose e 4.140.109 as duas doses necessárias à imunização.

Um dia depois que o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, enviou mensagem à vice-presidente Kamala Harris, presidente do Congresso dos EUA, pedindo que o Brasil compre parte das 3 milhões de vacinas disponíveis naquele país, o Ministério das Relações Exteriores anunciou ter iniciado negociações com o governo Joe Biden em 13 de março. 

Outros países pediram antes. Das 7 milhões de doses da vacina da Universidade de Oxford e do laboratório AstraZeneca não utilizadas, 2,5 milhões serão enviadas ao México e 1,5 milhão ao Canadá. Não são doações. Os países prometeram devolver as vacinas dos EUA quando tiverem.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2021

Biden volta à OMS e ao Acordo de Paris sobre Mudança do Clima

 Em 17 decretos para desmontar políticas do governo anterior, o presidente Joe Biden levou os Estados Unidos de volta ao Acordo de Paris sobre Mudança do Clima e à Organização Mundial da Saúde (OMS), suspendeu a construção de um gasoduto vindo do Canadá e do muro na fronteira com o México, e renovou a esperança dos "sonhadores", jovens que entraram no país ilegalmente quando era menores de idade. Os 11 milhões de imigrantes ilegais que vivem nos EUA terão um caminho para tentar regularizar a situação.

Biden também tornou obrigatório o uso de máscaras em todas as propriedades do governo federal. Seu discurso proclamou a vitória da democracia e a reconciliação nacional. Talvez a marca mais importante da volta à normalidade é que a posse não foi organizada em torno dele. O destaque foi para a democracia e a coalizão multiétnica e multirracial que derrotou o supremacismo branco de Trump.

Além da união nacional, o vírus, a desigualdade social, o racismo e o aquecimento global serão os maiores desafios do governo Biden-Harris. Meu comentário:

terça-feira, 5 de janeiro de 2021

Mais de 14,5 milhões de pessoas foram vacinadas

 O Brasil sem vacina volta a registrar mais de mil mortes num dia, enquanto mais 14,56 milhões de pessoas receberam pelo menos uma dose da vacina contra a doença do coronavírus de 2019. Foram mais 1.186 mortes e 57.447 casos novos nesta terça-feira. O total de mortes chegou a 197.777 e o de casos confirmados passou de 7,8 milhões. A média de mortes dos últimos sete dias ficou em 723.

No mundo, já são mais de 86,412 milhões e quase 1,8 milhão de mortes. Os Estados Unidos somaram mais 2.048 mortes e mais de 182 mil casos novos em 24 horas. Têm até agora mais d 21 milhões de casos confirmados e 357.145 mortes.

A China deu um sinal de alerta com 63 casos na província de Hebei, perto de Beijim.

O Branco Mundial reduziu de 4,5% para 4% a previsão de crescimento para a economia internacional em 2021. A expectativa para o Brasil é de um avanço de 3%, depois de uma queda de cerca de 4,5% no ano passado.

A China construi fábricas na província de Xinjiang perto de campos de concentração onde interno 1 milhão de muçulmanos, o que pode ser um sinal de que haverá trabalhos forçados.

Nas eleições complementares do estado da Geórgia, um candidato democrata está eleito e o outro lídera a apuração. Se os dois ganharem, o governo Joe Biden pode ter maioria no senado.

Nesta quarta-feira, o Congresso dos EUA recebe os votos do Colégio Eleitoral e certifica a vitória de Biden e Kamala Harris. Acaba a tentativa de golpe do presidente Donald Trump. Meu comentário:

segunda-feira, 14 de dezembro de 2020

Colégio Eleitoral confirma vitória de Joe Biden

 Com os 55 votos eleitorais da Califórnia, Joe Biden e Kamala Harris foram confirmados oficialmente como vencedores da eleição de 3 de novembro. Em 20 de janeiro, tomam posse como presidente e vice-presidente dos Estados Unidos. Nada indica que o presidente Donald Trump vá aceitar o resultado.

Faltando apenas os quatro votos do Havaí no Colégio Eleitoral, Biden tem 302 votos contra 232 de Trump.

Até agora, só os ditadores da Rússia, Vladimir Putin, e da Coreia do Norte, Kim Jong Un, e os presidentes populistas do Brasil, Jair Bolsonaro, de extrema direita, e do México, Andrés Manuel López Obrador, populista de esquerda, cumprimentaram Biden.

Trump acaba de anunciar a renúncia do secretário da Justiça, William Barr, que declarou recentemente não ter encontrado provas da fraude eleitoral maciça que o atual presidente alega para negar a derrota.

domingo, 8 de novembro de 2020

Democracia liberal vence populismo de extrema direita nos EUA

 No discurso da vitória, horas atrás em Wilmingon, no estado de Delaware, onde iniciou a carreira política, Joe Biden falou pela primeira vez como presidente eleito. Prometeu "curar os Estados Unidos" e pediu que "a sombria era de demonização acabe aqui e agora". É uma tentativa de unir e reconciliar o país dividido pela polarização política do governo Donald Trump.

A maior vitória foi da democracia liberal, que estava em jogo, como observou a vice-presidente eleita, Kamala Harris, ao apresentar Biden nesta noite. Ela fez história como a primeira mulher vice-presidente e a primeira de origem africana ou indiana a ocupar o cargo. Agradeceu "às mulheres que lutaram por igualdade, liberdade e justiça, pelo direito de voto", por abrir o caminho para ela chegar lá. Meu comentário:

sábado, 7 de novembro de 2020

Biden promete curar os EUA e acabar com a era de demonização

 Em um discurso da vitória curto, falando pela primeira vez como presidente eleito, Joe Biden prometeu nesta noite em Wilmington, Delaware, onde mora, "curar os Estados Unidos" e propôs que e "era sombria de demonização acabe aqui", lembrando que adversários políticos não são inimigos.

Foi uma vitória da democracia liberal sobre o populismo de extrema direita encarnado nos EUA por Donald Trump. Leia mais em Quarentena News.

Biden mostra confiança na vitória e fala como presidente eleito

Em pronunciamento pouco depois da meia-noite pela hora de Brasília, o ex-vice-presidente Joe Biden declarou estar certo de que vai vencer a eleição presidencial nos Estados Unidos, mas evitou cantar a vitória antes do tempo como fez o presidente Donald Trump.

"Meus compatriotas americanos, não temos uma declaração final de vitória ainda, mas os números contam uma história clara e convincente: vamos ganhar esta corrida", afirmou Biden ao lado da candidata a vice-presidente, a senadora Kamala Harris.

No momento, a chapa democrata tem vantagem no Arizona, na Geórgia, em Nevada e na Pensilvânia, o que lhe daria mais 53 eleitores além dos 253 que já conquistou. Para ser eleito, um candidato precisa de pelo menos 270 votos no Colégio Eleitoral. Trump tem 213 votos e deve levar mais 15 na Carolina do Norte. Meu comentário:

sexta-feira, 6 de novembro de 2020

Virada na Geórgia e na Pensilvânia praticamente dá vitória a Biden

Como esperado, o ex-vice-presidente Joe Biden assumiu hoje a liderança nas apurações dos estados da Geórgia e da Pensilvânia, e na prática consolidou a vitória na eleição presidencial nos Estados Unidos. Ele mantém a vantagem no Arizona e em Nevada.

Diante do resultado apertado, no momento a vantagem de Biden é de 1.564 votos, a Geórgia anunciou a recontagem dos votos. Os advogados do presidente Donald Trump devem concentrar seus esforços na Pensilvânia, onde ele tinha uma vantagem de 600 mil votos antes da contagem dos votos enviados pelo correio e agora perde por mais de quase 15 mil votos.
Com a vitória do Partido Democrata, a senadora Kamala Harris será a primeira mulher de origem africana ou indiana numa chapa presidencial vencedora nos EUA. Como Biden faz 78 anos em dezembro, desde já, Harris é candidata à Casa Branca em 2024.
Nas outras eleições, o Partido Democrata está prestes a manter a maioria na Câmara dos Representantes, mas perdeu seis cadeiras. No Senado, como nenhum candidato conseguiu maioria absoluta, de acordo com a lei da Geórgia, haverá duas eleições complementares em 5 de janeiro.
Se os democratas vencerem, o Senado ficará dividido exatamente ao meio, 50 a 50. Como presidente do Senado, a vice-presidente terá o voto decisivo.

quarta-feira, 7 de outubro de 2020

Vice de Biden acusa governo Trump "pelo maior fracasso na história dos EUA"

Senadora Kamala Harris e vice-presidente Mike Pence fazem debate civilizado, sem nocaute

A morte de mais de 210 mil americanos na pandemia do novo coronavírus é "o maior da história do governo dos Estados Unidos", afirmou hoje a senadora Kamala Harris, do Partido Democrata. Foi o primeiro ataque ao vice-presidente Mike Pence no único debate dos candidatos a vice na eleição de 3 de novembro. Pence alegou que poderia ser muito pior, não fossem as medidas tomadas pelo governo Donald Trump.

Afinal, um debate civilizado, depois do primeiro de três debates previstos entre os candidatos à Presidência, em 29 de setembro, um fiasco. Trump interrompeu o vice-presidente 77 vezes. Foi chamado de palhaço, mentiroso, racista e pior presidente da história. Há mais dois debates programa entre eles, em 15 e 22 de outubro, dependendo da recuperação do presidente da covid-19.

Kamala Harris mostrou-se capaz de ser presidente, mas apostou na segurança. Sua chapa leva uma vantagem de 10 pontos percentuais na média das pesquisas. Primeira mulher negra, de origem africana e indiana, a disputar a eleição presidencial dos EUA por um grande partido, tentou não parecer uma mulher raivosa como Trump a descreveu quando foi indicada.

Pence deu o recado de Trump, a favor da polícia em defesa da lei e da ordem diante das acusações de racismo. Alertou que revogar impostos pode prejudicar a economia, que a pandemia poderia ser muito pior e que a recuperação está a caminho. Não respondeu se proibiria o aborto no estado de Indiana, onde foi governador, nem como pretende garantir a cobertura de pessoas com doenças preexistentes, uma das bases do programa de saúde do governo Barack Obama, que Trump tenta destruir desde que chegou à Casa Branca.

Harris não revelou se a chapa democrata pretende amplicar a Suprema Corte para neutralizar as nomeações de juízes conservadores pelo governo atual. Seus focos foram atacar o governo em relação à pandemia, à economia e ao desemprego.

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Brasil já é o quarto país com maior número de mortes por habitante

Com mais 733 mortes e 31.404 casos novos registrados nesta quarta-feira, o Brasil chega a 148.305 mortes e mais de 5 milhões de casos confirmados da pandemia do coronavírus de 2019. Já é o quarto país em número de mortes por habitante, tirando São Marinho, que é estatisticamente irrelevante, atrás apenas do Peru, da Bélgica e da Bolívia. A média diária de mortes dos últimos sete dias ficou em 631.

No mundo inteiro, são mais de 36 milhões de casos confirmados e quase 1,055 milhão de mortes. Mais de 27 milhões de pacientes se recuperaram e 67.426 estão em estado grave. Os Estados Unidos têm mais de 7,5 milhões de casos confirmados e quase 212 mil mortes.

Enquanto a Europa enfrenta uma segunda onda de contaminação cresce em mais da metade dos estados americanos, a China não tem um caso de transmissão local há mais de 50 dias. Houve 12 casos nos últios dias, todos importados. Há 213 pacientes em tratamento no país, só um grave. Meu comentário:

quarta-feira, 19 de agosto de 2020

Brasil, Índia e África do Sul terão maior dificuldade de recuperação, prevê consultoria

O Brasil, a Índia e a Africa do Sul devem ser os países do Grupo dos Vinte com maior dificuldade de recuperação da pandemia do coronavírus de 2019. O G-20 reúne os 19 países mais ricos do mundo e a União Europeia. 

Para a empresa britânica de consultoria estratégica e risco global Verisk Maplecroft, Brasil, Índia e África do Sul terão problemas por ineficiência da máquina do Estado e corrupção sistêmica, com ameaça de agitação social e protestos. 

Brasil, índia e África do Sul têm 10 por cento do produto mundial bruto, estimado em 87 trilhões de dólares ou 481 trilhões de reais no ano passado pelo Fundo Monetário Internacional.

Nesta quarta-feira, o Brasil registrou 1.170 mortes e mais de 48,5 mil casos novos, totalizando 111.189 mortes e 2,615 milhões de casos confirmados. No mundo, já são 22,5 milhões de casos confirmados, 790 mil mortes e mais de 15 milhões de pacientes recuperados. 

Os Estados Unidos têm mais de 5,5 milhões de casos confirmados e 173 mil mortes.

A Índia está em terceiro lugar em número de casos (2,8 milhões) e em quarto no número de mortes (54 mil), logo atrás do México, onde a covid-19 matou quase 58,5 mil pessoas. Meu comentário: