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sexta-feira, 8 de julho de 2022

Ex-primeiro-ministro Shinzo Abe é morto a tiros no Japão

O ex-primeiro-ministro que governou o Japão por mais tempo, Shinzo Abe, foi baleado duas vezes e morto hoje de manhã em Nara, a primeira capital japonesa, ao discursar num comício do Partido Liberal-Democrata (PLD), que domina a política do país há décadas, durante a campanha para as eleições de domingo para o Senado.

A polícia prendeu como suspeito um homem desempregado de 41 anos identificado como Tetsuya Yamagami. De 2002 a 2005, ele serviu na Força Marítima de Auto-Defesa, a Marinha do Japão, a quarta maior do mundo.

Num país onde as armas são controladas com rigor, a arma do crime parece ser de fabricação caseira. Em 2021, houve apenas uma morte por arma de fogo no Japão. Desde 2017, foram 14 mortes no país, de 125,8 milhões de habitantes.

"Este é um crime hediondo e brutal totalmente imperdoável", desabafou o atual primeiro-ministro japonês, Fumio Kichida. Os assassinatos no país são raríssimos.Sua política econômica tinha três eixos: uma política monetária com juros baixos, gastos públicos para aumentar a demanda e movimentar a economia e reformas estruturais. As reformas não avançaram.

Abe foi um chefe de governo conservador. Governou durante dois períodos, de 26 de setembro de 2006 a 26 de setembro de 2007, e de 26 de dezembro de 2012 a 16 de setembro de 2020.

Com a Abeconomia, tentou vencer a estagnação com deflação que caracteriza a economia do Japão desde os anos 1990. Sua política econômica tinha três eixos: uma política monetária do Banco do Japão com juros baixos, gastos públicos para aumentar a demanda e movimentar a economia, e reformas estruturais. As reformas não avançaram.

Ele foi um dos principais articuladores da Parceria Transpacífica (TPP), um acordo de comércio e investiimentos negociado no governo Barack Obama (2009-17) e abandonado pelo presidente Donald Trump (2017-21) no primeiro dia de governo. Abe queria resgatar a TTP.

Outra grande preocupação era transformar o Japão num país normal, sem os limites impostos pela derrota na Segunda Guerra Mundial. Isto significa revogar o artigo 9 da Constituição imposta pelos Estados Unidos, que proíbe o Japão de usar a guerra para resolver conflitos internacionais.

O país não pode projetar seu poderio militar no exterior nem ter armas nucleares. Desde 1992, participou de missões de paz da ONU.

Em julho de 2014, o governo Abe adotou uma interpretação mais livre da Constituição e autorizou as Forças de Auto-Defesa de defender um país aliado em caso de guerra. Em setembro de 2015, a Dieta, o parlamento japonês, aprovou o envio de equipamentos militares a países em guerra.

Depois de deixar o governo alegando razões de saúde, Abe continuava em campanha para tornar o Japão num país igual aos outros, responsável pela sua própria segurança, sem a tutela dos EUA.

O ex-primeiro-ministro foi um dos primeiros a usar a expressão Indo-Pacífico. Era a favor d uma aliança com os EUA, a Índia e a Austrália para contrabalançar o crescente poderio chinês. Meu comentário:
Sob o impacto do assassinato de Abe, o PLD venceu as eleições de domingo, 10 de julho, para o Senado. Agora, o governo tem a maioria de dois terços necessária para mudar a Constituição.

quarta-feira, 12 de maio de 2021

Pandemia era evitável e não deveria ter matado milhões de pessoas

A pandemia do coronavírus de 2019 poderia ter sido evitada, sem causar milhões de mortes, concluiu um painel independente criado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) sob a presidência da  ex-primeira-ministra da Nova Zelândia Helen Clark e a ex-presidente da Libéria Ellen Johnson Sirleaf. A tragédia chegou onde está por sucessivos erros políticos e falta de liderança.

O maior problema foi "a ausência de uma liderança global", concluiu o relatório. Não houve preparação consistente, uma mobilização maior e mais rápida de recursos e uma OMS mais efetiva. A resposta fragmentada dos governos nacionais exacerbou as desigualdades.

No mundo inteiro, já são 160.457.476 casos confirmados e 3.331.604 milhões de mortes. Mais de 138,5 milhões de doentes sobreviveram, 18,5 milhões apresentam sintomas leves e 106.054 estão em estado grave.

A Índia, o país mais atingido no momento, notificou mais 362.727 casos novos e 4.120 mortes na quarta-feira, elevando os totais para 23.703.665 casos confirmados e 258.317 mortes.

Os Estados Unidos tiveram mais 35.538 casos, com queda de 30% em duas semanas à medida que a vacinação avança, e 848 mortes, 10 por cento a menos do que duas semanas atrás. Na Espanha, as mortes caíram 90% desde o início da vacinação.

Nesta quarta-feira, o Brasil registrou mais 2.545 mortes e 76.638 casos novos. O país soma agora 15.361.686 casos confirmados e 428.256 óbitos. A média diária de mortes dos últimos sete dias caiu mais um pouco para 1.944, 23% a menos do que duas semanas atrás. Está acima de mil há 112 dias. A média diária de contágios está em 60.764, com alta de 1% em duas semanas.

Mais de 1,38 bilhões de vacinas foram aplicadas até agora no mundo, sendo mais de 350 milhões na China e 271,6 milhões nos EUA, onde 154 milhões de pessoas tomaram a primeira dose e 117,6 milhões (35,5% da população americana) estão plenamente vacinadas.

A Índia aplicou na quarta-feira pouco menos de 1,9 milhão de doses, chegando a 177,2 milhões. No Reino Unido, foram mais de 54 milhões de doses e 55,9 milhões no Brasil, onde 37,2 milhões de pessoas receberam a primeira dose e 18,7 milhões tomaram as duas doses necessárias à imunização. Meu comentário:

sábado, 13 de fevereiro de 2021

Senado absolve Trump da acusação de incitar à invasão do Congresso

Depois de desistir de convocar testemunhas, o que chegou a ser anunciado por cedo,  por 57 a 43, o Senado dos Estados Unidos acaba de absolver o ex-presidente Donald John Trump da acusação de incitar à insurreição e ao assalto ao Capitólio em 6 de janeiro, quando sete pessoas morreram. Foi o segundo julgamento de impeachment de Trump. 

Nos dois casos, o ex-presidente foi salvo por senadores republicanos. Como o impeachment exige 67 votos, dois terços do Senado e a bancada democrata tem 50 senadores, eram necessários os votos de pelo menos 17 republicanos e só sete votaram contra Trump desta vez. Isso significa que reconhecem sua liderança sobre o partido.

Em 5 de fevereiro de 2020, Trump foi absolvido da denúncia de abuso de poder e obstrução do Congresso por pressionar o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, a investigar Hunter Biden, filho do então pré-candidato à Casa Branca e hoje presidente Joe Biden.

Como Trump já deixou o governo, os deputados e senadores do Partido Democrata queriam uma condenação para tornar o ex-presidente inelegível para cargos federais por toda a vida. Também pretendiam mostrar à nação mais detalhes do ataque ao Congresso no mês passado.

Ao lamentar a absolvição, o líder da maioria democrata no Senado, Chuck Schumer, declarou que os republicanos aceitam o uso da força para tentar mudar o resultado de uma eleição. Ele manifestou a esperança de que Trump seja condenado nos julgamentos da opinião pública e da história.

Por outro lado, o líder da minoria republicana, Mitch McConnell, está criticando o ex-presidente como se fosse a favor do impeachment. Ele acusou Trump de ser responsável por mentir ao alegar que a eleiç!ao foi roubada, pela invasão do Congresso e por não tomar medidas rapidamente para proteger o Capitólio e os congressistas.

"Não há nenhuma dúvida de que o presidente Donald Trump é prática e moralmente responsável por provocar os acontecimentos daquele dia. Não há dúvida. As pessoas que assaltaram este prédio acreditavam estar agindo de acordo com os desejos e as instruções de seu presidente", afirmou McConnell.

A multidão enfurecida que atacou o Capitólio foi insuflada por "mentiras selvagens" porque Trump "estava com raiva porque perdeu a eleição", observou o líder da minoria republicana. "O líder do mundo livre não pode passar semanas usando o maior megafone do mundo para berrar que forças sombrias estão roubando o país e depois fingir surpresa com o que aconteceu.

O líder republicano está convencido de "Trump parecia determinado a mudar a decisão dos eleitores ou incendiar as instituições ao sair."

"Ao que se sabe, ele assistia à televisão alegremente enquanto o ataque se desenrolava", acrescentou McConnell.  "O vice-presidente estava claramente em perigo. (...) Mesmo quando pediu a paz, com policiais feridos e vidro quebrado no chão do Congresso, ele insistiu na eleição roubada e elogiou os manifestantes. (...) Uma pessoa e só uma é responsável, mas a Constituição nos deu um dever. Este Senado não é um supremo tribunal moral. Nossa missão é proteger o país. Se Trump estivesse no cargo, eu examinaria detalhadamente a denúncia da Câmara."

Em seguida, alegou que constitucionalmente o ex-presidente não poderia ter sido processado porque já deixou a Casa Branca. McConnell argumentou que a Constituição só permite julgar em processo de impeachment quem ainda estiver no crime. Uma boa desculpa para justificar um voto covarde.

McConnell controlava o Congresso no governo Trump como líder da maioria. Não tomou nenhuma medida para iniciar o julgamento. No fundo, gostaria de se livrar de Trump para reformar o Partido Republicano. Faltou coragem. Nada indica que o ex-presidente aceite seus argumentos. Resta ver se continuará sendo líder da minoria.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2021

Advogados negam culpa de Trump pelo assalto ao Congresso

A defesa de Donald Trump no julgamento do segundo impeachment no Senado alegou hoje que o ex-presidente convocou seus seguidores para uma luta pacífica e não pode ser responsabilizado pelo ataque ao Capitólio, sede do Congresso dos Estados Unidos.

Como deputados do Partido Democrata fizeram ao acusar, os três defensores de Trump também usaram um vídeo. Para descaracterizar a linguagem do ex-presidente como de incitação à insurreição, apresentaram uma montagem com líderes democratas usando repetidas vezes a palavra "luta" em contextos completamente diferente.

Trump sempre incitou seus seguidores a agredir possíveis adversários infiltrados em seus comícios, aplaudiu quando jornalistas foram agredidos, além de cortejar o apoio político de milícias e grupos armados de extrema direita.

Uma coisa é lutar politicamente para vencer a eleição e chegar ao poder. Outra, completamente diferente, é mobilizar seguidores fanáticos para mudar o resultado de uma eleição perdida. A defesa alegou "cultura do cancelamento constitucional". A votação final deve ser realizada neste sábado à noite. Meu comentário:

terça-feira, 9 de fevereiro de 2021

Trump enfrenta segundo impeachment com expectativa de absolvição

 O segundo julgamento de Donald Trump num processos de impeachment, desta vez por incitar à insurreição e ao ataque ao Congresso em 6 de janeiro, começa hoje no Senado dos Estados Unidos, em Washington. A expectativa é que o ex-presidente seja absolvido. 

A condenação exige dois terços dos votos, de 67 senadores. Como o Partido Democrata tem 50 senadores, são necessários 17 votos republicanos. Até agora, só cinco republicanos indicaram que pretendem condenar.

Se for condenado, em outra votação, por maioria simples, Trump pode ser tornado inelegível para cargos eleitorais por toda a vida. Leia mais em Quarentena News e veja meu comentário:

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2021

Bolsonaro será investigado pelo fracasso na pandemia

 Depois de quase 230 mil mortes, a pedido do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), a Procuradoria-Geral da República (PGR) vai investigar se o presidente Jair Bolsonaro e o ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, colocaram a vida dos brasileiros em risco ao fracassar no combate à pandemia do coronavírus de 2019.

A PGR abriu inquérito sobre a responsabilidade do ministro no colapso do sistema de saúde de Manaus, quando vários pacientes morreram por falta de oxigênio nos hospitais, mas o procurador-geral Augusto Aras não havia incluído o presidente. A maioria dos políticos não acredita que Aras, um aliado do presidente que sonha com uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF), denuncie Bolsonaro.

No Congresso, o senador Randolfe Rodrigues, da Rede do Amapá, conseguiu 30 assinaturas para a abertura de uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) no Senado sobre a covid-19. A proposta era a abertura de uma CPI mista, com deputados e senadores, mas a vitória do bolsonarista Arthur Lira para a Presidência da Câmara enterrou a ideia.

Ao lado do presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), almirante Antônio Barra Torres, que anunciou publicamente vai tomar vacina contra o novo coronavírus, Bolsonaro declarou mais uma vez que não vai tomar. Mais uma vez, sabotou medidas do seu próprio governo para combater a pandemia e voltou a fazer propaganda da inútil cloroquina. Bolsonaro é incorrigível e o melhor que o Brasil faria seria se livrar do pior presidente da história.

Nesta quinta-feira, 15º dia seguido com média diária de mortes acima de mil, foram notificadas mais 1.291 mortes e 57.848 casos novos, elevando os totais no Brasil para 228.883 óbitos e 9.397.769 casos confirmados. A média diária de mortes dos últimos sete dias ficou em 1.030. É estável em nível alto.

No mundo inteiro, são 104 milhões 830 mil casos confirmados e 2.281.608 mortes. Mais de 77 milhões de pacientes se recuperam, cerca de 25,5 milhões apresentam sintomas leves e quase 106 mil estão em estado grave.

Com mais 3.843 mortes e 119 mil casos novos em 24 horas, os Estados Unidos somam 455.657 mortes e 26.716.500 casos confirmados. O número de casos novos caiu 30% em duas semanas e os de hospitalizações, 23%, mas a média de mortes continua estável. Cerca de 152 mil mortes, 30% do total, ocorreram em asilos e casas geriátricas. Os índios estão morrendo numa porcentagem duas vezes maior do que o resto da população americana. Um em cada 475 índios morreu de covid-19.

Uma pesquisa feita em Nova Déli estima que mais da metade dos cerca de 20 milhões de moradores da capital Índia pegaram o novo coronavírus. A Índia é o segundo país em número de casos confirmados, 10,8 milhões, e o quarto em mortes, 155 mil, atrás dos EUA, do Brasil e do México. Meu comentário:

quarta-feira, 13 de janeiro de 2021

Câmara dos EUA aprova segundo impeachment de Donald Trump

 Objetivo do Partido Democrata é tornar o atual presidente inelegível

Por 232 a 197 votos, com o apoio de 10 deputados republicanos, a Câmara dos Representantes dos Estados Unidos denunciou hoje o presidente Donald Trump por crime de responsabilidade ao incitar à insurreição que levou à invasão do Congresso em 6 de janeiro, quando cinco pessoas morreram. 

Trump será o primeiro presidente julgado duas vezes em processos de impeachment. Como ele deixa o cargo daqui a uma semana, o Partido Democrata quer torná-lo inelegível para cargos federais por toda a vida.

Leia mais em Quarentena News e veja o comentário no meu canal no You Tube:

terça-feira, 5 de janeiro de 2021

Mais de 14,5 milhões de pessoas foram vacinadas

 O Brasil sem vacina volta a registrar mais de mil mortes num dia, enquanto mais 14,56 milhões de pessoas receberam pelo menos uma dose da vacina contra a doença do coronavírus de 2019. Foram mais 1.186 mortes e 57.447 casos novos nesta terça-feira. O total de mortes chegou a 197.777 e o de casos confirmados passou de 7,8 milhões. A média de mortes dos últimos sete dias ficou em 723.

No mundo, já são mais de 86,412 milhões e quase 1,8 milhão de mortes. Os Estados Unidos somaram mais 2.048 mortes e mais de 182 mil casos novos em 24 horas. Têm até agora mais d 21 milhões de casos confirmados e 357.145 mortes.

A China deu um sinal de alerta com 63 casos na província de Hebei, perto de Beijim.

O Branco Mundial reduziu de 4,5% para 4% a previsão de crescimento para a economia internacional em 2021. A expectativa para o Brasil é de um avanço de 3%, depois de uma queda de cerca de 4,5% no ano passado.

A China construi fábricas na província de Xinjiang perto de campos de concentração onde interno 1 milhão de muçulmanos, o que pode ser um sinal de que haverá trabalhos forçados.

Nas eleições complementares do estado da Geórgia, um candidato democrata está eleito e o outro lídera a apuração. Se os dois ganharem, o governo Joe Biden pode ter maioria no senado.

Nesta quarta-feira, o Congresso dos EUA recebe os votos do Colégio Eleitoral e certifica a vitória de Biden e Kamala Harris. Acaba a tentativa de golpe do presidente Donald Trump. Meu comentário:

sexta-feira, 6 de novembro de 2020

Virada na Geórgia e na Pensilvânia praticamente dá vitória a Biden

Como esperado, o ex-vice-presidente Joe Biden assumiu hoje a liderança nas apurações dos estados da Geórgia e da Pensilvânia, e na prática consolidou a vitória na eleição presidencial nos Estados Unidos. Ele mantém a vantagem no Arizona e em Nevada.

Diante do resultado apertado, no momento a vantagem de Biden é de 1.564 votos, a Geórgia anunciou a recontagem dos votos. Os advogados do presidente Donald Trump devem concentrar seus esforços na Pensilvânia, onde ele tinha uma vantagem de 600 mil votos antes da contagem dos votos enviados pelo correio e agora perde por mais de quase 15 mil votos.
Com a vitória do Partido Democrata, a senadora Kamala Harris será a primeira mulher de origem africana ou indiana numa chapa presidencial vencedora nos EUA. Como Biden faz 78 anos em dezembro, desde já, Harris é candidata à Casa Branca em 2024.
Nas outras eleições, o Partido Democrata está prestes a manter a maioria na Câmara dos Representantes, mas perdeu seis cadeiras. No Senado, como nenhum candidato conseguiu maioria absoluta, de acordo com a lei da Geórgia, haverá duas eleições complementares em 5 de janeiro.
Se os democratas vencerem, o Senado ficará dividido exatamente ao meio, 50 a 50. Como presidente do Senado, a vice-presidente terá o voto decisivo.

segunda-feira, 2 de novembro de 2020

Colégio Eleitoral elegeu Trump e é sua única esperança

No século 21, EUA foram governados oito anos por presidentes sem mandato popular 

A eleição presidencial nos Estados Unidos não é nacional nem direta. Como o país é uma federação, cada estado realiza sua eleição, que escolhe delegados para um Colégio Eleitoral de 538 membros. Este número reproduz o número de deputados que cada estado tem na Câmara de Representantes, num total de 435, e no Senado (100), e mais três pelo Distrito de Colúmbia, onde fica a capital, Washington. Os representantes do DC têm direito a voz mas não a voto no Congresso.

Como 48 dos 50 estados dão todos os delegados ao partido vencedor, em cinco vezes, o ganhador no voto popular não foi eleito presidente. Três vezes foram no século 18, quando a democracia era novidade e a elite dirigente se reservou um papel de árbitro final do processo para evitar que um maluco chegasse à Casa Branca. Mas, desde o início do século 20, os EUA foram governados oito anos por presidentes que perderam a eleição.

O presidente Donald Trump sofreu a maior derrota e só o Colégio Eleitoral pode reelegê-lo. Meu comentário explicando como funciona o sistema eleitoral:

sexta-feira, 18 de setembro de 2020

Ministra mais liberal da Suprema Corte dos EUA morre aos 87 anos

O presidente Donald Trump terá uma nova chance de nomear um juiz conservador para a Suprema Corte dos Estados Unidos, acabando com o frágil equilíbrio. Morreu aos 87 anos Ruth Bader Ginsburg, a ministra mais liberal do supremo tribunal americano.

Ícone feminista e liberal, foi a segunda mulher a assumir o cargo, nomeada pelo presidente Bill Clinton em 1993. Ginsburg perdeu uma longa batalha contra cânceres no fígado, pulmão, pâncreas e intestino grosso. Sua morte ameaça o direito ao aborto, garantido por uma decisão da Suprema Corte de 1973.

Quando morreu o ultraconservador Antonin Scalia, em fevereiro de 2016, de quem Ginsburg era grande amiga pessoal, apesar da divergência de ideias, o líder da maioria republicana no Senado, Mitch McConnell, se negou a examinar a indicação do então presidente Barack Obama, Merrick Garland, alegando que estava no fim do mandato. 

Contra quase todas as expectativas, Trump derrotou Hillary Clinton e indicou dois ministros conservadores, Neil Gorsuch e Brett Kavanagh. Agora, é altamente improvável que McConnell adote a mesma posição. 

O último pedido da juíza Ginsburg foi que seu substituto só fosse indicado pelo próximo presidente. Só será atendida se alguns senadores republicanos resolverem honrar sua memória e bloquear uma nomeação ainda neste governo.

Pela Constituição dos EUA, cabe ao Senado aprovar a nomeação. No momento, o Partido Republicano tem uma maioria de 53 a 47. Como o vice-presidente acumula a Presidência do Senado, será necessário que quatro republicanos votem contra uma indicação de Trump. Se a votação empatar, o vice Mike Pence daria o voto de Minerva.

Com as nomeações de Gorsuch e Kavanagh, o presidente da Suprema Corte, o conservador John Roberts, nomeado pelo presidente George W. Bush, passou a ser o fiel da balança, votando várias vezes com os ministros liberais em defesa do equilíbrio do tribunal, que tinha cinco ministros conservadores e quatro liberais. Um novo indicado por Trump mudaria esta divisão para 6-3. Roberts não conseguiria mais manter o equilíbrio entre as duas correntes.

Leia mais no jornal The New York Times e na revista Rolling Stone.

domingo, 30 de agosto de 2020

Joe Biden: um homem decente para acabar com "período de trevas"

Ex-vice-presidente é a esperança democrata para derrotar Donald Trump

Depois de 32 anos, na terceira tentativa, o ex-senador e ex-vice-presidente Joe Biden será o candidato do Partido Democrata à Presidência dos Estados Unidos na eleição de 3 de novembro. Ele promete acabar com o “período de trevas”. 

É alguém com quem um americano comum de qualquer origem tomaria cerveja e jogaria conversa fora no boteco da esquina. Contrasta com a arrogância elitista e a falsidade do presidente Donald Trump, que desde que chegou a Casa Branca até 13 de julho mentiu 20 mil vezes, de acordo com o jornal The Washington Post.

No melhor discurso da convenção partidária que homologou sua candidatura, na semana passada, a ex-primeira-dama Michelle Obama o apresentou como um “homem profundamente decente guiado pela fé. Ele foi um tremendo vice-presidente. Sabe o que é preciso para resgatar nossa economia, bater a pandemia e liderar o país. Ele ouve, vai dizer a verdade e confiar na ciência. Vai fazer planos inteligentes e dirigir uma boa equipe.”

Leia mais Quarentena News.

quarta-feira, 25 de março de 2020

Congresso dos EUA aprova plano de US$ 2 trilhões para enfrentar pandemia

O Congresso dos Estados Unidos acaba de chegar a um acordo bipartidário aprovar a lei mais cara da história do país, um plano de US$ 2 trilhões, mais de R$ 10 trilhões de reais, para reforçar o sistema de saúde e ajudar os cidadãos e as empresas a enfrentar a pandemia do novo coronavírus. O presidente Donald Trump prometeu sancionar a lei assim que chegar à Casa Branca.

Serão US$ 250 bilhões para ajuda direta aos cidadãos que ganham menos de US$100 mil por ano, US$150 bilhões para estados e municípios, e US$130 bilhões para o sistema de saúde, inclusive para os laboratórios que estão pesquisando e desenvolvendo vacinas e tratamentos para a Covid-19, e US$ 50 bilhões para companhias aéreas.

As pequenas empresas vão receber US$ 350 bilhões para não falir. Os trabalhadores da pequenas empresas que não tiveram como pagar salários serão protegidos por um seguro-desemprego especial durante quatro meses, na expectativa de que voltem para o mesmo emprego quando a emergência de saúde pública acabar.

domingo, 22 de março de 2020

Europa tem duas vezes mais casos do coronavírus do que China

O número de casos da doença do novo coronavírus na Europa já é o dobro da China. São 336 mil casos no mundo inteiro e 14.632 mortes. Mais de 100 milhões de americanos, um terço da população dos Estados Unidos, são orientados a ficar em casa. O Brasil tem 25 mortes e 1.546 casos confirmados da Covid-19.

Aqui no Brasil, o Supremo Tribunal Federal (STF) suspendeu o pagamento da dívida do estado de São Paulo com a União, liberando R$ 1,2 bilhão que seriam pagos nesta segunda-feira para o combate à pandemia. 

O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, pediu à população que não se automedique com a hidroxicloroquina, que está sendo usada em tratamentos experimentais, inclusive nos EUA.

Hoje, o governo Donald Trump enviou hidroxicloroquina e azitromicina para o governo do estado de Nova York. O Nova York, Bill de Blasio, declarou que sem novos suprimentos o sistema de saúde da cidade estará sem condições de prestar os cuidados necessários.

A Itália teve 794 mortes no pior dia e hoje mais 651 mortes, elevando o total 5.476. Com mais de 59 mil casos, fica atrás apenas da China em número de casos.

Na China, onde a pandemia se originou, há mais de 81,5 mil casos, mas nenhum novo caso de transmissão interna, de acordo com o regime comunista. O total de mortos está em cerca de 3.267, com letalidade de 4%. 

Cerca de 43 mil chineses com o vírus não apresentaram qualquer sintoma: são os transmissores silenciosos, noticiou o jornal South China Morning Post, de Hong Kong.

Ontem, a cidade de Wuhan começou a desmantelar as barreiras internas à circulação de veículos sob aplausos do público, que voltou às ruas. Mas a cidade onde a pandemia se originou, provavelmente num mercado de carnes que vende carnes de 114 animais, ainda está fechada para fora. Wuhan entrou em confinamento obrigatório em 23 de janeiro.

A Espanha é a terceira em número de mortes, 1.772 para 28.768 casos, com mortalidade de 6,16%. Com mais de 33 mil infectados, os Estados Unidos ultrapassaram a Espanha em número de casos, mas tem menos mortes: 410. A mortalidade é de 1,23%.

Na entrevista coletiva diária da Casa Branca, o presidente Donald Trump anunciou o envio da Guarda Nacional aos estados mais atingidos, Nova York, Califórnia e Washington. Mas voltou a mentir para o povo americano, dando falsas esperanças, quando ainda não há um tratamento medicamentoso comprovadamente capaz de curar a doença. 

Narcisista patológico, ainda perdeu tempo falando de si, como perdeu dinheiro para ser presidente, o que é uma grande mentira.

Trump ganha dinheiro com a Presidência. Há pouco, uma delegação brasileira liderada pelo presidente Jair Bolsonaro se hospedou num de seus clubes de golfe. Delegações estrangeiras se hospedam na Trump Tower de Washington. 

No Senado dos EUA, os dois partidos não chegaram a um acordo para aprovar um plano de US$ 2 trilhões para sustentar a economia, com ajuda direta aos cidadãos e empréstimos a empresas para superar a crise. Um acusa o outro.

O quarto país em número de mortes é o Irã. Tem 21,6 mil casos e 1.685 mortes, com mortalidade de 7,79%.

A Alemanha é o quinto país em número de casos, atrás da China, da Itália, da Espanha e dos EUA. Com 94 mortes, tem a menor letalidade, 0,38%. A chanceler (primeira-ministra) Angela Merkel entrou em quarentena por ter mantido contato com um médico infectado. Merkel proibiu encontros de mais de duas pessoas

Em Paris, o Parlamento da França aprovou o “estado de emergência sanitária”, que permite restringir as liberdades públicas para impor confinamentos, proibir a circulação, isolar pessoas infectadas, fechar temporariamente estabelecimentos, impedir reuniões públicas, limitar a liberdade de empreender e ordenar a requisição de bens e serviços.

Com 12 mil casos confirmados, a França teve mais 112 mortes num dia, elevando o total de mortos para 674, o que dá uma taxa de mortalidade de 4,2%. É o terceiro país europeu em número de mortos. 

Todos os outros países têm menos de 10 mil casos cada.

Nota: estes índices de mortalidade foram calculados pela divisão direta do número de mortes pelo número de casos confirmados. Um modelo matemático mais sofisticado teria de estimar o número de casos assintomáticos não computados. Podemos estar vendo só a ponta do iceberg.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2020

Maioria republicana no Senado absolve Trump no processo de impeachment

Como era esperado, os senadores do Partido Republicano absolveram hoje o presidente Donald Trump no julgamento do processo de impeachment. Só um senador republicano, o ex-candidato a presidente Mitt Romney, condenou Trump por abuso de poder. Eram necessários os votos de pelo menos 20 senadores do partido para afastar o presidente.

O processo começou em setembro na Câmara dos Representantes, dominada pelo Partido Democrata, de oposição. Trump foi investigado por pressionar o novo presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, a investigar as atividades de Hunter Biden, filho do ex-vice-presidente Joe Biden, principal rival de Trump na eleição deste ano. Hunter dirigia uma empresa de gás no país.

Trump segurou uma ajuda militar de 391 milhões de dólares aprovada pelo Congresso para pressionar o líder ucraniano. Também queria um inquérito para acusar a Ucrânia e não à Rússia pela interferência indevida nas eleições de 2016 nos Estados Unidos.

Um agente secreto que teve acesso ao conteúdo de um telefonema de Trump e Zelensky em 25 de julho deu o alerta. O presidente exigia um anúncio oficial da abertura de investigações sobre Biden e o filho. Usou a máquina pública para conseguir um trunfo na campanha eleitoral deste ano.

Em 17 de dezembro, a maioria democrata na Câmara aprovou a denúncia contra o presidente com duas acusações: abuso de poder ao usar a máquina pública para pressionar o presidente da Ucrânia em benefício próprio e obstrução do Congresso ao se negar a entregar documentos e a autorizar assessores a depor. 

Pela Constituição dos Estados Unidos, basta maioria simples para a Câmara denunciar um presidente num processo de impeachment. Mas a condenação no Senado exige dois terços dos votos. Meu comentário:

quarta-feira, 18 de dezembro de 2019

Trump é o terceiro presidente dos EUA a sofrer processo de impeachment

Uma Câmara dos Representantes dominada pela oposição e dividida ao longo de linhas partidárias denunciou hoje o presidente Donald Trump por abuso de poder e obstrução do Congresso. O processo segue agora para julgamento no Senado, onde o Partido Republicano tem maioria e deve absolver o presidente.

A acusação de abuso de poder ao reter uma ajuda militar de US$ 391 milhões para pressionar o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, a investigar o ex-vice-presidente Joe Biden foi aprovada por 230 a 197 votos. Só dois democratas votaram contra.

A acusação de obstruir o Congresso por não entregar documentos da Casa Branca e proibir seus assessores de depor teve 229 votos a favor e 198 contra. Três democratas apoiaram o presidente por terem sido eleitos em distritos que costumam votar em republicanos.

No Senado, o líder da maioria governista, Mitch McConnell, anunciou que não será um "juiz imparcial". Ele não quer nem realizar um julgamento como prevê a Constituição. Depois de admitir que fará o que o advogado-geral da Casa Branca quiser, numa violação da independência dos poderes, McConnell deixou claro não ter interesse em ouvir testemunhas e examinar documentos.

Trump adotou a estratégia de não colaborar porque durante a investigação do procurador-especial Robert Mueller sobre a interferência da Rússia nas eleições americanas de 2016 os documentos e testemunhos pioraram sua situação.

O líder da minoria democrata no Senado, Chuck Schumer, exige a realização de um julgamento. Como a Constituição dos EUA é vaga a respeito do assunto, a bancada republicana pretende acelerar o processo para absolver o presidente antes que sua posição diante da opinião pública seja abalada.

Ao comentar a decisão de hoje, a presidente da Câmara, Nancy Pelosi, não esclareceu se pretende enviar o processo imediatamente ao Senado. Se McConnell não concordar com a realização de um verdadeiro julgamento, a Câmara pode segurar o processo até negociar os termos de sua tramitação.

Até hoje, nenhum presidente americano foi afastado do cargo num processo de impeachment. Em 1868, faltou um voto para tirar Andrew Johnson por 11 acusações de abuso de poder e ignorar decisões do Congresso.

Depois do Escândalo de Watergate, o presidente Richard Nixon renunciou em 1974 antes da votação na Câmara para evitar o impeachment por obstrução de justiça quando a bancada republicana no Senado retirou o apoio.

Em 1998, o presidente Bill Clinton foi absolvido no Senado das acusações de perjúrio (mentir sob juramento) e de obstrução de justiça.

Para afastar o presidente, são necessários dois terços dos votos ou 67 senadores. Como o Partido  Republicano têm maioria no Senado, é preciso pelo menos 20 senadores governistas abandonem Trump, que tem o apoio de 95% do eleitorado republicano.

Se a opinião pública não virar, o que é altamente improvável, Trump deve ser absolvido e vai se apresentar na campanha como vítima de uma "caça às bruxas". Neste caso, só nas urnas será possível saber se a decisão da deputada Nancy Pelosi de abrir o processo de impeachment terá o resultado pretendido.

sábado, 16 de novembro de 2019

Chile convoca plebiscito sobre Constituinte para superar a crise

Num acordo histórico, o Congresso do Chile decidiu ontem convocar um plebiscito a ser realizado em abril de 2020 para o eleitorado decidir se quer uma Assembleia Constituinte para substituir a atual Constituição, outorgada em 1980, durante a ditadura do general Augusto Pinochet (1973-90). 

É a tentativa de superar a pior crise política desde a redemocratização do país, com protestos violentos que já duram quase um mês e uma dura repressão, que levou o Exército às ruas pela primeira vez desde o fim da ditadura. Pelo menos 22 pessoas morreram e 2 mil foram feridas, das quais 197 perderam total ou parcialmente a visão.

"É uma resposta política maiúscula, que pena no Chile, se encarrega do problema e assume a responsabilidade", declarou o presidente do Senado, Jaime Quintana, do Partido pela Democracia, de centro-esquerda, ao lado de líderes dos principais partidos políticos chilenos, menos o Partido Comunista.

Foram necessárias horas de intensas negociações entre os principais partidos de oposição e coalizão de direita que apoia o presidente Sebastián Piñera para firmar o Acordo pela Paz e por uma nova Constituição. O plebiscito é necessário porque a Constituição pinochetista não prevê uma consulta popular para convocar uma Assembleia Constituinte.

Com voto facultativo (não obrigatório), o eleitor chileno terá de responder a duas perguntas: se quer ou não uma nova Constituição e como deveria ser feita a mudança, por uma comissão constitucional mista, com candidatos eleitos especialmente para isso e parlamentares, ou uma Assembleia Nacional Constituinte eleita exclusivamente para redigir uma nova carta magna.

Enquanto a direita prefere uma comissão mista, a esquerda quer uma Constituinte para realizar uma mudança mais profunda. O plebiscito será realizado junto com as eleições municipais e regionais, no fim de abril de 2020.

Se o projeto for aprovado no plebiscito, as eleições para a Constituinte ou a comissão mista ocorrerão em outubro de 2020, com sufrágio universal e voto facultativo.  No referendo para ratificar a nova Constituição, o voto será obrigatório.

As manifestações começaram em protesto contra um aumento de 30 pesos nas passagens do metrô de Santiago, o equivalente a R$ 0,17. Em 17 de outubro, a estação de metrô de San Joaquín foi o primeiro alvo de depredações.

No dia seguinte, dez estações foram incendiadas. As operações do metrô, o principal meio de transporte de Santiago, um local de democratização de uma cidade profundamente dividida, foram suspensas. Milhares de pessoas caminharam pela Alameda, a principal avenida da cidade para voltar para casa.

O presidente Piñera foi à televisão declarar que havia uma guerra contra o Chile, com gangues do crime organizado infiltradas no meio dos protestos para causar tamanha violência: "Estamos em guerra contra um inimigo poderoso e implacável que não respeita nada nem ninguém e está disposto a usar a violência e a delinquência sem nenhum limite."

Piñera decretou estado de emergência e toque de recolher em Santiago e outras cidades, e botou o Exército nas ruas para reprimir os manifestantes junto com a polícia. Nos primeiros nove dias, a resposta do governo foi uma repressão como não se via desde a era Pinochet. A maior manifestação reuniu 1,2 milhão de pessoas nas ruas de Santiago.

Ao todo, houve 5.629 detenções. Pelo menos 283 ações foram movidas contra os Carabineiros, a polícia militar do Chile, sendo cinco por homicídio, seis por tentativa de homicídio, 52 por violência sexual e cerca de 200 por tortura e maus tratos.

Uma frase da primeira-dama, Cecilia Morel, resumiu as causas da crise: "Vamos ter de diminuir nossos privilégios e compartilhar com os outros." Piñera é bilionário.

Outra frase descreve bem a situação: "Não são 30 pesos, são 30 anos." A ditadura de Pinochet terminou em março de 1990 e até hoje sua herança maldita não foi atacada.

Toda previdência no Chile é privada. O trabalhador faz sua própria poupança para a aposentadoria, no modelo de capitalização que o ministro da Economia, Paulo Guedes, queria implantar aqui na reforma da previdência, mas o Congresso não aceitou. Muitos aposentados não ganham o suficiente, provocando muitos suicídios de velhos.

A educação também é paga. Mesmo nas universidades públicas, é preciso pagar. Os estudantes tomam empréstimos bancários. Quando formados, usam até 10% do salário para pagar a dívida, sobre a qual incidem juros.

Há dois sistemas de saúde: só 20% podem pagar o privado; no sistema público, há longas filas de espera e hospitais mal equipados. O preço dos medicamentos pode ser até três vezes maior do que na vizinha Argentina.

O Chile tem a segunda maior renda per capita da América Latina, de pouco mais de US$ 16 mil por ano, mas o custo de vida é altíssimo. As ruas gritam contra a desigualdade social. É um dos países mais desiguais do continente. O Brasil é mais desigual ainda.

"Deixam você na porta do paraíso, mas não te deixam entrar", reclamou Juan Elgueta, um estudante de 23 anos.

quarta-feira, 13 de novembro de 2019

Segunda vice-presidente do Senado assume Presidência da Bolívia

Mesmo sem quórum, a senadora da oposição Jeanine Áñez, vice-presidente do Senado assumiu ontem as presidências do Senado, da Assembleia Legislativa e interina da República da Bolívia, prometendo convocar nova eleição presidencial dentro de três meses para superar a crise que levou à renúncia do presidente Evo Morales depois de quase 14 anos no poder.

A Igreja Católica tenta mediar o conflito, assegura que não haverá perseguições políticas e dá garantias aos deputados e senadores do Movimento ao Socialismo (MaS) para que participem das sessões da Assembleia Legislativa Plurinacional, o parlamento boliviano.

O ex-presidente chegou hoje à Cidade do México com o ex-vice-presidente Álvaro García Linera num voo que se abasteceu no Paraguai depois que o Peru negou acesso e obteve autorização do Brasil e do Peru para passar por seus espaços aéreos. 

Como disse ontem à noite antes de sair da Bolívia, Morales prometeu voltar com mais força. Talvez consiga, especialmente por que o próximo governo dificilmente conseguirá manter a média de crescimento econômico, de quase 5 por cento sob Morales. Mas terá de esperar anos.

Em La Paz, a oposição a Morales tentou reunir a Assembleia Legislativa para aceitar oficialmente a renúncia do presidente e indicar um sucessor. Não houve quórum porque deputados e senadores do Movimento ao Socialismo não apareceram. Os partidários de Morales disseram que pretendiam comparecer, mas não tinham condições de segurança.

O centro de La Paz está tomado por apoiadores de Morales e também da oposição, especialmente do grupo mais extremista, liderado por Luis Fernando Macho Camacho, presidente do Comitê Cívico pró Santa Cruz. Os dois grupos se enfrentaram durante o dia.Meu comentário: 

quinta-feira, 31 de outubro de 2019

Câmara dos EUA abre inquérito para o impeachment de Trump

Por 232 a 196 votos, uma Câmara de Representantes dividida ao longo de linhas partidárias aprovou hoje a abertura oficial do inquérito sobre possíveis crimes capazes de justificar a abertura de um processo de impeachment do presidente Donald Trump. Todos os republicanos e dois democratas votaram contra.

Dentro de duas semanas, as audiências devem passar a ser televisionadas. A comissão parlamentar de inquérito também poderá divulgar os depoimentos realizados em sessões secretas, motivo de protestos do Partido Republicano. 

Logo depois da votação, o presidente Trump foi para o Twitter alegar que é a maior caça às bruxas da história dos Estados Unidos. A bancada republicana repudiou a decisão, alegando ser uma tentativa de mudar o resultado da eleição de 2016. 

Os deputados governistas chegaram a citar a resistência da presidente da Câmara, a deputada democrata Nancy Pelosi, em abrir o processo de impeachment. Desde o início do ano, a oposição tem maioria na Câmara dos Estados Unidos e a ala mais radical do partido pedia a abertura do processo.

Tudo mudou quando um oficial de informações revelou que Trump havia pressionado o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, a investigar os negócios ucranianos de Hunter Biden, filho do ex-vice-presidente Joe Biden, principal adversário de Trump nas eleições do ano que vem. 

O presidente americano segurou uma ajuda militar de 391 milhões de dólares à Ucrânia e abusou do poder, usando a política externa dos Estados Unidos para forçar um chefe de Estado estrangeiro a investigar um adversário político, numa interferência direta na eleição presidencial americana. Meu comentário:

quinta-feira, 3 de outubro de 2019

Trump dobra a aposta e pede à China que investigue Joe Biden

Cada vez mais irritado com o inquérito sobre um possível processo da impeachment, o presidente Donald Trump dobra a aposta e pede à China e à Ucrânia que investiguem o ex-vice-presidente Joe Biden, seu principal adversário na eleição de 2020.

Apesar de ser alvo de investigação por pedir a ajuda de um governo estrangeiro para atacar um rival, interferindo na eleição nos Estados Unidos, o presidente sem limites surpreendeu mais uma vez pela arrogância, prepotência e desfaçatez.

Ontem, em uma entrevista coletiva patética na Casa Branca ao lado do presidente da Finlândia, Trump negou qualquer irregularidade. Insistiu que a conversa telefônica de 25 com o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, foi absolutamente normal, que corruptos são os democratas e parte da imprensa, que o presidente da comissão que o investiga é um traidor e que o agente que denunciou ameaças à segurança nacional dos Estados Unidos não passa de um espião.

Hoje de manhã, em mais um acesso de fúria, declarou: “A China deve iniciar uma investigação sobre os Biden porque o que aconteceu na China é tão ruim quanto o que aconteceu na Ucrânia.”


Mais estranho ainda, é ter feito um apelo à China, que está em plena guerra comercial com os Estados Unidos por causa dos tarifaços de Trump. A China tem interesse direto na derrota do presidente em 2020. E não foram só a China e a Ucrânia. Meu comentário: