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quarta-feira, 13 de novembro de 2019

Segunda vice-presidente do Senado assume Presidência da Bolívia

Mesmo sem quórum, a senadora da oposição Jeanine Áñez, vice-presidente do Senado assumiu ontem as presidências do Senado, da Assembleia Legislativa e interina da República da Bolívia, prometendo convocar nova eleição presidencial dentro de três meses para superar a crise que levou à renúncia do presidente Evo Morales depois de quase 14 anos no poder.

A Igreja Católica tenta mediar o conflito, assegura que não haverá perseguições políticas e dá garantias aos deputados e senadores do Movimento ao Socialismo (MaS) para que participem das sessões da Assembleia Legislativa Plurinacional, o parlamento boliviano.

O ex-presidente chegou hoje à Cidade do México com o ex-vice-presidente Álvaro García Linera num voo que se abasteceu no Paraguai depois que o Peru negou acesso e obteve autorização do Brasil e do Peru para passar por seus espaços aéreos. 

Como disse ontem à noite antes de sair da Bolívia, Morales prometeu voltar com mais força. Talvez consiga, especialmente por que o próximo governo dificilmente conseguirá manter a média de crescimento econômico, de quase 5 por cento sob Morales. Mas terá de esperar anos.

Em La Paz, a oposição a Morales tentou reunir a Assembleia Legislativa para aceitar oficialmente a renúncia do presidente e indicar um sucessor. Não houve quórum porque deputados e senadores do Movimento ao Socialismo não apareceram. Os partidários de Morales disseram que pretendiam comparecer, mas não tinham condições de segurança.

O centro de La Paz está tomado por apoiadores de Morales e também da oposição, especialmente do grupo mais extremista, liderado por Luis Fernando Macho Camacho, presidente do Comitê Cívico pró Santa Cruz. Os dois grupos se enfrentaram durante o dia.Meu comentário: 

quarta-feira, 3 de outubro de 2018

Iraque tem novo presidente próximo dos EUA e do Irã

Por 219 a 22, a Assembleia Nacional do Iraque elegeu ontem Barham Salih como oitavo presidente da história do país. Adel Abdul Mahdi foi nomeado primeiro-ministro e encarregado de formar um governo. O Iraque não tem governo desde as eleições de maio.

Salih, um curdo de 58 anos, veterano da política iraquiana, próximo dos Estados Unidos e do Irã, prometeu "defender a unidade e a segurança do Iraque" no ato de posse. O cargo é cerimonial. Quem manda de fato é o primeiro-ministro. Para isso, precisa formar um governo.

No novo regime criado pelos Estados Unidos depois da intervenção militar para derrubar o ditador Saddam Hussein, em 2003, o presidente é curdo, o primeiro-ministro é xiita e o presidente do parlamento é sunita.

Pela primeira vez, os dois grandes partidos curdos, o Partido Democrático do Curdistão (PDK) e a União Patriótica do Curdistão (UPK), não chegaram a um acordo para apresentar um candidato único.

Foi "a nona crise política a atingir Bagdá desde as eleições de maio", observou o boletim de notícias Arab News.

O presidente era o candidato do UPK e Fuad Hussein do PDK. Hussein acabou desistindo. A votação foi realizada assim mesmo, resultando na vitória de Salih por 219 a 22 votos.

segunda-feira, 28 de maio de 2018

Presidente veta ministro da Economia e Itália deve ter novas eleições

O primeiro-ministro designado pelos partidos vencedores das eleições de 4 de março, Giuseppe Conte, desistiu ontem de formar um novo governo depois que o presidente Sergio Mattarella vetou o indicado para ministro da Economia, Paolo Savona, de 81 anos, um economista eurocético contrário à união monetária europeia. A Itália deve ter novas eleições, provavelmente em 9 de setembro.

Pela lei italiana, o presidente, eleito indiretamente pelo Congresso, tem funções cerimoniais, mas precisa aprovar os nomes dos ministros a serem aprovados pela Câmara e o Senado. Conte, que não foi eleito, durou quatro dias. Enquanto a Liga, neofascista, aceita novas eleições, o Movimento 5 Estrelas, populista, pede o impeachment de Mattarella.

O jornal La Stampa, de Turim, vê um agravamento da crise crônica da política italiana: "Depois de 85 dias de impasses e tentativas infrutíferas de dar um governo ao país, o impasse político traz o risco de se tornar una crise institucional sem precedentes", comentou em editorial.

"A escolha de Mattarella é incompreensível", reagiu o presidente do M5E, Luigi di Maio, citado pelo jornal italiano La Repubblica. "A verdade é que não querem o M5E no governo. Estão com muita raiva porque terminamos aqui. Quero o impeachment de Mattarella."

Em um comício em Fiumicino, Di Maio afirmou que "a democracia foi abolida. Savona é punido por um delito de opinião. Antes de voltar às urnas, é preciso denunciar Mattarella por alta traição e atentado contra as instituições. (...) Era uma coisa premeditada, derrubar o governo do M5E e da Liga. Difícil agora é ter confiança nas instituições e nas leis do Estado."

O presidente se defendeu alegando: "Não obstaculizei a formação do governo. Mas um chefe de Estado não pode sofrer imposições. Pedi para o Ministério da Economia a indicação de um influente expoente político da maioria, coerente com o programa político, que não seja visto como defensor de uma linha muitas vezes manifestada que pode provocar a saída da Itália do euro e provocar inquietude nos investidores italianos e estrangeiros."

Na sua opinião, o risco seria enorme: "A indicação de um ministro da Economia manda uma mensagem imediata aos operadores econômicos e financeiros. (...) É meu dever estar atento à proteção da poupança italiana, que garante a soberania da Itália."

Por isso, o presidente queria um ministro que, "além da estima e da consideração pessoal, não seja visto como defender de posições capazes de levar a saída da Itália do euro, coisa diferente de tornar a União Europeia melhor do ponto de vista italiano. Diante desta minha solicitação e de constatar a lamentável indisponibilidade de outra solução, o presidente designado do Conselho [de Ministros] abandonou o mandato."

Mattarella convocou para uma reunião na manhã desta segunda-feira, no Palácio Quirinal, Carlo Cottarelli foi alto funcionário do Fundo Monetário Internacional (FMI) e comissário de Despesas Públicas no governo Enrico Letta (2013-14), quando ficou conhecido como Senhor Tesoura.

Cottarelli é um tecnocrata. Deve ser encarregado de formar um governo provisório até as próximas eleições. Em artigo recente, criticou as promessas do M5E e da Liga, que orçou em 108 a 125 bilhões de euros.

"É um absurdo. Cottarelli não tem o apoio do Parlamento", protestou Di Maio. Em nota, o ex-primeiro-ministro Silvio Berlusconi, líder da direita tradicional, que virou aliada menor na aliança com a Liga, contra-atacou: "O M5E que fala em impeachment é como sempre irresponsável." Berlusconi está proibido de se candidatar em razão de condenações, mas pode voltar em breve.

O líder da Liga, antiga Liga Norte, Matteo Salvini, também reclamou: "Que dia brutal para a Itália e para a democracia. Estava tudo pronto, eu estava pronto para me ocupar da imigração e da segurança, mas nada, alguém hoje disse não. O governo da mudança não poderá nascer. Os senhores do spread e dos bancos, os ministros de Berlim, Paris e Bruxelas não estavam de acordo. Raiva? Muita. Medo? Zero. Vamos mudar este país juntos. Eu não vou largar [a luta]. Conto com vocês. Primeiro, os italianos."

Nas próximas eleições, o duelo será em torno do euro, o que permitiria até uma grande aliança do Partido Democrático, da esquerda tradicional, com a frente de direita liderada por Berlusconi. Seria difícil de imaginar no passado. Hoje, seria uma alternativa para barrar o M5E.

segunda-feira, 25 de dezembro de 2017

Rei pede a novo governo que respeite "pluralidade" da Catalunha

Em seu discurso de Natal, o rei Felipe VI pediu ao Parlament da Catalunha que forme um novo govern que respeite a pluralidade da região, a segunda mais rica da Espanha, onde um movimento nacionalista luta pela independência, noticiou o jornal La Vanguardia, de Barcelona.

O rei havia se pronunciado em 3 de outubro, dois dias depois do plebiscito ilegal e inconstitucional sobre a independência convocado pelo governo regional dissolvido pelo primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, ao suspender a autonomia regional e intervir na região.

Na véspera do Natal, Felipe VI insistiu em que "respeitar e preservar os princípios e valores de nosso Estado de Direito é imprescindível para garantir uma convivência que assegure a liberdade, a igualdade, a justiça e o pluralismo político."

O discurso de Natal do rei é o único feito totalmente no Palácio da Zarzuela, residência oficial dos reis da Espanha, com a revisão final no Palácio da Moncloa, sede do governo. Assim, foi menos imperativo e mais conciliador.

Felipe VI lembrou que, nos últimos 40 anos, depois da morte do ditador Francisco Franco, em 1975, "conseguimos tornar realidade um país novo e moderno, um país dos mais avançados do mundo" e "comprovado o compromisso muito sentido, firme e sincero dos espanhóis com uma Espanha democrática que construímos juntos".

Desta maneira, "implantamos definitivamente a democracia, inclusive superando há décadas a tentativa de involução de nossas liberdades e direitos", afirmou, numa referência à ditadura franquista (1936-75). Ele citou a adesão à União Europeia e a luta contra o terrorismo como uma "amostra da força de nossas convicções democráticas" - e mudanças "na educação e na cultura, na saúde e nos serviços sociais, na infraestrutura e nas comunicações, ou na defesa e na segurança do cidadão".

Em todos esses anos, "a convivência democrática, os direitos e as liberdades, o progresso e a modernização da Espanha, e também sua relevância e progresso internacionais andaram lado a lado." O rei descreveu esses avanços como "um triunfo de todos os espanhóis" e alertou para o risco da radicalização política.

"Como sabemos, o enfrentamento e a discórdia, incerteza, desânimo e empobrecimento moral, cívico e econômico de toda a sociedade", advertiu o rei, num apelo para que "renasçam a confiança, o prestígio e a melhor imagem da Catalunha".

 E concluiu: "A Espanha hoje é uma democracia madura, onde qualquer cidadão pode pensar, defender a contrastar livre e democraticamente suas ideias; mas não impor suas próprias ideias ante os direitos dos outros."

O movimento pela independência quer criar a República da Catalunha. Nas eleições de 21 de dezembro, os independentistas conquistaram uma maioria absoluta de 70 das 135 cadeiras do Parlament, mas ainda não formaram o novo govern. 

Seu principal líder, o ex-governador Carles Puigdemont, da aliança Juntos pela Catalunha, está refugiado na Bélgica e ameaçado de prisão se voltar à Espanha. O vice-governador Oriol Junqueras, da Esquerda Revolucionária da Catalunha (ERC), está preso em Madri. Ambos foram denunciados por "sedição, rebelião e traição à pátria".

quinta-feira, 30 de março de 2017

Presidente da África do Sul afasta ministro que combatia corrupção

Sob a cortina de fumaça de uma grande reforma ministerial, o presidente Jacob Zuma demitiu o ministro das Finanças da África do Sul, Pravin Gordhan, que combatia a corrupção governamental. É a maior crise do Congresso Nacional Africano (CNA) desde que o partido de Nelson Mandela assumiu o poder em nome da maioria negra, em 1994, pondo fim a três séculos de ditadura da minoria branca.

Ao todo, oito ministros foram demitidos na calada da noite de quinta-feira, quase todos críticos do presidente Zuma, obrigado pela Suprema Corte a devolver US$ 23 milhões gastos ilegalmente em sua mansão, entre outros escândalos, como as relações com a bilionária família Gupta.

O ministro das Finanças estava em Londres fazendo uma turnê de promoção de investimentos na África do Sul e deveria ir a Nova York e Boston quando foi chamado de volta, em 27 de março.

Zuma citou informes do serviço secreto para acusar Gordhan de tramar sua queda. Ele cai depois de uma batalha de um ano contra a corrupção, o tráfico de influência e o compadrismo nas empresas estatais, e a influência da família Gupta, amiga do presidente, no governo. O ex-ministro do Interior Malusi Gigaba será o novo ministro das Finanças, o quinto a ocupar o cargo em dois anos.

A moeda sul-africana, o rand, caiu 4% em relação ao dólar. Gordhan lutava para manter o grau de investimento da África do Sul. Seus aliados podem apresentar uma moção de desconfiança no governo à Assembleia Nacional.

Na batalha com Gordhan, Zuma explora uma divisão ideológica mais profunda no CNA. A ala mais à esquerda quer aumentar os gastos públicos para promover a maioria negra excluída durante o regime segregacionista do apartheid, enquanto a ala mais liberal economicamente que prefere manter o equilíbrio macroeconômico na tentativa de atrair investimentos estrangeiros.

Maior economia da África, com 24% do produto interno bruto do continente pelo critério de paridade do poder de compra, equivalente a US$ 725 bilhões por ano, a África do Sul voltou a superar a Nigéria, abatida pela queda nos preços do petróleo. Mas está estagnada, com crescimento médio de 1,1% nos últimos três anos.

Em 2008, Zuma derrubou o então presidente e líder do CNA Thabo Mbeki, sob a alegação de que estava na hora de aplicar o programa de Empoderamento Econômico dos Negros. Agora, entre seus planos, está a desapropriação de terras de propriedade de brancos sem compensação, que recebeu o apoio imediato dos Combatentes pela Liberdade Econômica (EFF), partido de ultraesquerda chefiado por Julius Malema, ex-líder do setor jovem do CNA.

Três altos dirigentes do partido dominante, o secretário-geral Gwede Mantashe, o tesoureiro-geral Zweli Mkhize e o chefe do programa de Transformação Econômica, Enoch Godongwana, contradisseram o presidente. Afirmaram que a reforma agrária deve ser feita dentro da Constituição

A maioria negra continua sobrando e foi fuzilada como no tempo do apartheid no Massacre de Marikana, em 2012, com a cumplicidade do vice-presidente Cyril Ramaphosa, adversário de Zuma. O presidente pretende legar o poder a uma de suas mulheres, Nkosazana Dlamini-Zuma.

Antigo líder do superpoderoso Congresso dos Sindicatos (Cosatu) durante a luta contra a ditadura da minoria branca, preterido por Nelson Mandela, que escolheu Thabo Mbeki como sucessor, Ramaphosa se tornou milionário. Como vice-presidente, tentou abafar o inquérito sobre o incidente mais letal de uso da força pela polícia da África do Sul contra seu próprio povo desde o Massacre de Sharpeville, em 1960.

A dois anos das próximas eleições parlamentares, o CNA dá sinais de fadiga no poder e está dividido pelo populismo de Zuma. No ano passado, o presidente sobreviveu a um pedido de impeachment apresentado pela oposição por conta dos gastos abusivos em sua mansão por causa da ampla maioria do CNA. Dentro do partido, sua liderança é cada mais questionada.

segunda-feira, 16 de maio de 2016

Ruanda expulsa mais de 1,3 mil burundeses

O governo de Ruanda, no Centro da África, expulsou mais de 1,3 mil cidadãos do vizinho Burúndi na semana passada, revelaram hoje funcionários burundeses citados pela agência Reuters.

Desde que o presidente Pierre Nkurunziza decidiu concorrer a um terceiro mandato, em abril de 2015, centenas de pessoas foram mortas e milhares fugiram do país. Muitos se refugiaram em Uganda, que tem uma composição étnica semelhante, com uma maioria do povo hutu e uma minoria tútsi.

Na semana passada, o governo ruandês mandou os burundeses irem para campos de refugiados ou voltarem para o Burúndi.

Com o aumento da violência, os países vizinhos, especialmente Ruanda, temem o extravasamento do conflito através das fronteiras. Em 1994, quando a Frente Patriótica Ruandesa (FPR) derrubou o governo da maioria hutu, os hutus em fuga cometeram um genocídio, massacrando 800 mil pessoas.

quinta-feira, 7 de abril de 2016

Venezuela decreta feriado na sexta-feira para poupar energia

À beira de um colapso econômico, a Venezuela, país com as maiores reservas mundiais de petróleo, decretou feriado para o funcionalismo público nas sextas-feiras durante 60 dias para poupar energia em mais um sinal de falência do regime chavista e seu "socialismo do século 21".

"Maduro apaga a Venezuela", afirmou o jornal La Patilla.

O presidente Nicolás Maduro ficou de se encontrar com o ministro da Eletricidade, Luis Motta Domínguez, para discutir medidas adicionais de racionamento de energia. Adiantou que a indústria terá de reduzir o consumo em 20%.

Para agravar ainda mais a situação, o barril de petróleo vale hoje um terço do preço de junho de 2014 e o fenômeno meteorológico El Niño provocou uma seca que afeta o abastecimento de água e energia. O ex-ministro da Eletricidade Hector Navarro advertiu que a usina Guri, maior hidrelétrica venezuelana, responsável por 60% da energia elétrica, pode parar de funcionar em 20 dias.

As crises política e econômica estão gerando uma situação explosiva na Venezuela. Nesta semana, o líder oposicionista Henry Ramos Allup, presidente da Assembleia Nacional, denunciou a articulação de um golpe militar contra Maduro dentro do próprio regime chavista.

Com a Venezuela rumando para a depressão econômica, o Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) está dividido. A facção central reúne a elite dirigente, Maduro, sua mulher, a procuradora-geral Cilia Flores, o ex-presidente da Assembleia Nacional Diosdado Cabello, o governador do estado de Arágua, Tareck Aissami, e o comandante da Guarda Nacional, Néstor Reverol.

Este núcleo central do regime é o que mais resiste ao diálogo com a oposição e a uma reforma econômica, que consideram uma cessão de poderes e uma traição ao finado caudilho Hugo Chávez. Cabello, Flores, Aissami e Reverol são suspeitos de envolvimento com o tráfico de cocaína para os Estados Unidos.

Qualquer mudança é vista por eles como uma ameaça existencial à revolução e a seu futuro político. Com a paralisia econômica do regime, a inflação chegou a 300% ao ano.

Outra facção chavista reúne governadores liderados por Francisco Arias Cárdenas, do estado de Zulia. Por causa da insatisfação popular com o governo, eles não querem a realização de eleições estaduais neste ano. Preferem a queda de Maduro por referendo revogatório ou renúncia a eleições em que a oposição seria franca favorita.

Entre os que defendem o referendo revogatório do presidente, um instrumento introduzido por Chávez na Constituição da República Bolivarista da Venezuela, está o ex-ministro do Interior Miguel Rodríguez Torres, demitido por Maduro em 2014.

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Tentativa de formar governo na Turquia fracassa

As negociações entre o Partido da Justiça e do Desenvolvimento (AKP), islamita moderado, e o Partido Popular Republicano (CHP), a maior da oposição, para formar um novo governo na Turquia fracassaram, admitiu hoje o primeiro-ministro Ahmet Davutoglu, noticiou o jornal turco Hürriyet.

O partido governista AKP quer formar uma aliança de curto prazo e convocar eleições antecipadas ainda em 2015, mas o CHP só aceita um acordo pelos quatro anos da atual legislatura. Também não houve acerto em questões de política externa e da educação, acrescentou Davutoglu.

Maior líder político do país, o presidente e ex-primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan precisava de maioria de dois terços para mudar a Constituição e criar uma presidência executiva para ter mais poderes. Mas o AKP não conseguiu nem maioria absoluta porque o Partido Democrático Popular (HDP), principal representante da minoria curda, obteve 13% dos votos, superou a barreira de 10% e entrou na Assembleia Nacional.

No mês passado, Erdogan entrou na guerra contra o Estado Islâmico do Iraque e do Levante, mas também atacou guerrilheiros curdos do Partido dos Trabalhadores do Curdistão. É uma jogada para minar a legitimidade do HDP, que não está envolvido na luta armada, para reduzir sua votação em eleições provavelmente antecipadas por causa da incapacidade de formar um governo com o atual parlamento, onde nenhum partido tem maioria absoluta.

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

EUA e França vão armar curdos do Iraque

Diante da ofensiva do Estado Islâmico do Iraque e do Levante (EIIL), os Estados Unidos e a França anunciaram a decisão de armar os curdos do Norte do Iraque. Enquanto a França deve fazer isso imediatamente, os EUA promete "acelerar o envio" quando o Iraque tiver um novo governo. Isso implica o afastamento do primeiro-ministro Nuri al-Maliki.

Na segunda-feira, o presidente Fuad Massum, um curdo, nomeou o xiita Haider al-Abadi, com o apoio do Irã e de várias facções xiitas. Hoje, Maliki denunciou "uma conspiração interna e externa" pela manobra.

Hoje, a televisão pública britânica BBC noticiou que o Supremo Líder Espiritual da Revolução Islâmica no Irã, aiatolá Ali Khamenei, apoia a remoção de Maliki e a nomeação de Abadi.

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Irã apoia primeiro-ministro designado do Iraque

O primeiro-ministro xiita Nuri al-Maliki ficou ainda mais isolado hoje no Iraque com o apoio do Irã ao primeiro-ministro designado Haider al-Abadi, que tem 30 dias para formar um governo. Hoje o presidente do Supremo Conselho de Segurança Nacional do Irã, Ali Chamkani

Ontem, Maliki ameaçou resistir à nomeação, alegando ter direito a um terceiro mandato, e mandou tanques saírem às ruas de Bagdá, gerando rumores de golpe de Estado. Quando sua base de apoio ruiu, fez um apelo às forças de segurança para não tomarem partido na crise política.

 "A rapidez do apoio internacional e dentro do Iraque mostra como Maliki se tornou impopular", comentou Hoshyar Zebari, um líder político curdo e ex-ministro do Exterior. "Houve um certo alívio do público e dos militares com o recuo, mas não sabemos o que ele tem na manga. Acredito que ele vá criar tantos problemas quanto possível no próximo mês."

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Tailândia ficou mais pobre no primeiro trimestre

Sob pressão de uma séria crise política interna, a economia da Tailândia encolheu 0,6% no primeiro trimestre de 2014 na comparação anual, revelou hoje o instituto oficial de estatísticas do país.

A última contração antes disso tinha sido de 9%, no quarto trimestre de 2011, quando uma enchente inundou várias regiões da Tailândia.

O problema agora é uma crise política que se arrasta desde o golpe contra o então primeiro-ministro Thaksin Shinawatra, em 2006, acusado de corrupção. Extremamente popular no interior do país, ele conseguiu eleger a irmã, Yingluck Shinawatra, afastada neste mês pelo Supremo Tribunal de Justiça por abuso de poder e corrupção ao nomear um primo.

A contração indica que a crise política abalou a economia do país. Pior ainda, ela não acabou. A oposição monarquista exige a queda de todo o governo e não apenas da primeira-ministra.

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Parlamento da Ucrânia liberta Yulia Timochenko

O Parlamento da Ucrânia (Rada) aprovou a libertação da ex-primeira-ministra Yulia Timochenko, condenada por corrupção e abuso de poder a sete anos de prisão. Sua libertação depende agora da assinatura do presidente do Parlamento e do presidente Viktor Yanukovitch, seu maior inimigo político.

Na mesma sessão de emergência, 332 dos 283 deputados presentes votaram a favor da destituição do ministro do Interior, Vitali Zakharchenko, responsável pelas forças de segurança que atacaram os manifestantes matando mais de cem pessoas nos últimos dias, e restauraram a Constituição de 2004, reduzindo os poderes do presidente.

A União Europeia sempre considerou o processo contra Timochenko como político e injusto. Por este motivo, nenhum líder europeu foi à Ucrânia durante a realização da Copa da Europa de seleções, disputada em 2012.

A Joana d'Arc da Revolução Laranja é uma líder carismática e populista que usa tranças amarradas sobre a cabeça no estilo da princesa Lea da série Guerra nas Estrelas.

A Revolução Laranja impediu a eleição fraudulenta de Yanukovitch em 2004, Timochenko foi primeira-ministra ucraniana de 24 de janeiro a 8 de setembro de 2005, sob a presidência de Viktor Yuchenko, seu aliado na revolução, e sob Yanukovitch, de 18 de dezembro de 2007 a 4 de março de 2010, quando perdeu a eleição presidencial e foi deposta da chefia de governo. Em 2011, foi condenada a sete anos de cadeia.

Hoje a polícia se retirou da Praça da Libertação, onde os manifestantes permanecem acampados.

Venezuela ameaça expulsar a CNN

Depois de acusar a televisão americana CNN de apresentar a crise política na Venezuela como uma guerra civil, o presidente Nicolás Maduro ameaçou ontem bloquear as transmissões da emissora e expulsar suas equipes do país. As redes de TV locais, controladas pelo regime chavista, praticamente não cobrem os protestos em que pelo menos seis pessoas morreram.

"Pedi ao ministro das Comunicações que notifique a CNN de que será aberto um processo administrativo para expulsá-la se não se corrigir. A CNN tem de parar de fazer propaganda de guerra", bradou o sucessor de Hugo Chávez, que a exemplo do caudilho morto culpa os Estados Unidos por todos os problemas venezuelanos.

Maduro acrescentou: "Fico no meu escritório assistindo à CNN 24 horas por dia. É uma programação de guerra. Eles querem mostrar ao mundo que a Venezuela está em estado de guerra civil enquanto as pessoas estão trabalhando".

Na semana passada, o governo obrigou as companhias venezuelanas de TV a cabo de excluir a transmissão da rede colombiana especializada em notícias NTN24, acusando-a de gerar "ansiedade" ao difundir imagens dos protestos da oposição.

As TVs venezuelanas, acusadas (com razão) de apoiar o golpe contra Chávez em abril de 2002, tiveram a licença cassada ou foram vendidas a grupos amigos do regime.

Manifestantes bloqueiam acesso a aeroporto de Kiev

Para impedir os deputados do partido do governo de sair da capital, cerca de 5 mil manifestantes que lutam para derrubar o presidente Viktor Yanukovitch bloquearam a estrada de acesso ao aeroporto internacional Borispil.

Nos últimos dias, os oposicionistas fecharam estradas de ferro para impedir o acesso de reforços às forças de segurança da capital e roubar armas.

segunda-feira, 11 de março de 2013

Crise econômica da Itália se agrava

O produto interno bruto, a soma de todas as riquezas produzidas pela Itália menos as exportações, caiu 0,9% no último trimestre de 2012, fechando o ano em baixa de 2,8%, revelou hoje o Istat (Instituto Nacional de Estatísticas). A primeira estimativa tinha apontado um recuo de 2,7%.

Sob o peso da crise das dívidas públicas da Zona do Euro e da incerteza política, o PIB italiano baixou nos últimos seis trimestre. No ano passado, foram menos 0,9% no primeiro, menos 0,7% no segundo, menos 0,2% no terceiro e menos 0,9% de novo no fim do ano. Isso indica um agravamento da recessão.

Na sexta-feira, a agência de classificação de risco Fitch rebaixou em um nível, de A- para BBB+, a nota de crédito da dívida pública da Itália citando como razões o aprofundamento da recessão e a crise política gerada pela incapacidade de formar um governo forte e estável depois das eleições de 24 e 25 de fevereiro.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Primeiro-ministro da Tunísia pede demissão

Sem conseguir formar um governo de união nacional como desejava, o primeiro-ministro Hamadi Jebali renunciou ao cargo hoje na Tunísia, agravando ainda mais a crise política deflagrada pelo assassinato do líder esquerdista e defensor dos direitos humanos Chokri Belaïd, baleado quando saia de casa em 6 de fevereiro de 2013.

Seu próprio partido, o Nahda, rejeitou a proposta de formação de um governo tecnocrático. Jebali queria antecipar as eleições como saída para a crise, informa o jornal The New York Times.

Belaïd era um dos principais críticos do atual governo tunisiano, formado pelos partidos religiosos muçulmanos que ganharam as eleições realizadas depois da primeira revolução da chamada Primavera Árabe, que derrubou o ditador Zine ben Ali em 14 de janeiro de 2011.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Problema da Argentina é mais político do que econômico

Durante a Conferência de Cúpula Ibero-Americana realizada em Madri, a presidente Dilma Rousseff teria defendido a presidente Cristina Kirchner, que não foi à Espanha, comentando em diversas oportunidades: "Você não sabe como é difícil presidir a Argentina hoje".

O país enfrenta hoje a primeira greve geral do governo Cristina, sinal de que a presidente perdeu o apoio dos sindicatos, uma das principais bases de sustentação do primeiro mandato, em que o líder dos caminhoneiros e secretário-geral da Confederação Geral do Trabalho (CGT), Hugo Moyano, era uma espécie de eminência parda.

Pela abundância de recursos naturais e população relativamente pequena, a Argentina tem tudo para ser um país rico. Tem capacidade para produzir alimentos para 350 milhões de pessoas.

Seu problema é mais político do que econômico. É ser governada por dois cadáveres, o general Juan Domingo Perón e sua segunda mulher, María Eva Duarte de Perón, a Evita.

A presidente Cristina Kirchner não foi à Espanha por causa da estatização da antiga empresa estatal Yacimientos Petrolíferos Fiscales (YPF), que havia sido comprada pela espanhola Repsol durante as privatizações do governo Carlos Menem (1989-99).

Como o país ainda não normalizou suas relações com o sistema financeiro internacional depois do calote de 2001, não tem acesso ao mercado. Não consegue dinheiro para investir. É o populismo kirchnerista atrapalhando a economia.

Enquanto a Argentina não se livrar do que o escritor Jorge Luis Borges chamava de "fenômeno incorrigível", o peronismo, ou pelo menos de seu monopólio de poder, seu futuro será olhar para o passado.