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quinta-feira, 22 de maio de 2025

Trump acusa África do Sul de genocídio que não há

Em mais um ataque a um chefe de Estado estrangeiro na Casa Branca, o presidente Donald Trump acusou ontem a África do Sul por um suposto genocídio totalmente inexistente da minoria branca. O presidente Cyril Ramaphosa reagiu com bom humor e deu uma lição rápida sobre seu país a Trump, que insistiu nas mentiras e notícias falsas como de costume. Chegou a apresentar imagens de corpos ensacados de um massacre na República Democrática do Congo como fazendeiros brancos sul-africanos.

O governo Trump usou a alegação para receber como refugiados nos Estados Unidos em 12 de maio 59 sul-africanos que supostamente estariam sendo discriminados e perseguidos na África do Sul. Na verdade, o que existe é uma nova lei de terras que permite expropriar fazendas sem indenização para distribuir a maioria negra, que é 80% da população e têm apenas 4% das terras privadas, enquanto os brancos, que são 7%, detém 72% das terras.

A questão mostra que Trump é um supremacista branco, que rejeita refugiados de países em situação trágica como o Sudão, mas abre as portas para os brancos. Uma das razões do sucesso de Trump é o medo que os brancos têm de deixar de ser a maioria da população.

domingo, 28 de novembro de 2021

Variante ômicron chega a cinco continentes

A Austrália, a Áustria, o Canadá, a Dinamarca, a Holanda e a Índia revelaram hoje que diagnosticaram casos da variante ômicron do coronavírus de 2019. De 61 casos positivos identificados em dois voos que chegaram à Holanda vindo da África do Sul, 13 são da variante ômicron. 

Cinco países europeus (Alemanha, Bélgica, Itália, Reino Unido e República Tcheca), Israel e Hong Kong já haviam anunciado casos. Como o vírus saiu do Sul da África, as restrições de viagens a países daquela região perderam o sentido.

"Tem de testar e botar em quarentena todos os que vêm do exterior e tornar isso obrigatório para quem chega do Sul da África", sugeriu a médica intensivista sino-americana Leana Wen, comentarista da CNN norte-americana e do jornal The Washington Post. "E oferecer a dose de reforço para toda a população. Temos de mudar o conceito e só considerar plenamente vacinado quem recebeu a dose extra."

A variante ômicron já é responsável pela maioria dos cerca de 2,3 mil casos diários na província de Gauteng, onde ficam a capital, Pretória, e a maior e mais rica cidade da África do Sul, Joanesburgo, anunciou o presidente Cyril Ramaphosa, lamentando o fechamento do espaço aéreo de vários países a voos saindo do Sul da África.

Há três dúvidas importantes em relação a uma nova variante: se é mais contagiosa, mais letal e se ilude as vacinas existentes hoje. As respostas saem em duas a três semanas. Os especialistas esperam que as vacinas continuem dando alguma proteção. 

A presidente da Associação Médica da África do Sul, Angelique Coetzee, declarou que os 30 pacientes que tratou até agora com a nova variante apresentaram apenas sintomas leves e não precisaram de hospitalização, mas este número de casos é insuficiente para levar a conclusões definitivas.

Com a subnotificação dos fins de semana, o Brasil notificou neste domingo mais 78 mortes e 3.422 diagnósticos positivos de covid-19. O país soma agora 22.078.741 casos confirmados e 614.314 vidas perdidas na pandemia. A média diária de mortes dos últimos sete dias caiu 11% em duas semanas para 227. A média diária de casos novos dos últimos sete dias baixou 14% para 9.101.

No mundo, já são 261.460.688 casos confirmados e 5.199.349 mortes. Mais de 236 milhões de pacientes se recuperaram, cerca de 20,26 milhões enfrentam casos suaves ou médios e 83.880 estão em estado grave.

Os Estados Unidos registraram no domingo mais 21.565 casos e 87 mortes, com a subnotificação do feriadão do Dia Nacional de Ações de Graças. A média diária de casos novos dos últimos sete cresceu 4% em duas semanas para 83.979. A média diária de mortes dos últimos sete dias recuou 10% em duas semanas para 961.

Mais de 7,9 bilhões de doses de vacinas foram aplicadas até agora no mundo; 54,1% da população mundial tomaram ao menos uma dose, mas só 5,7% nos países pobres.

A China lidera a vacinação com mais de 2,48 bilhões de doses aplicadas, seguida pela Índia (1,2 bilhão), a União Europeia (632,7 milhões) e os EUA. O Brasil deu a primeira dose a 158,76 milhões, 132,79 milhões (62,25% da população brasileira)  completaram a vacinação e 15,86 milhões tomaram a dose de reforço.

Com 62% de votos a favor, os suíços aprovaram em referendo a Lei Anticovid, em vigor desde setembro, com várias medidas contra a doença, inclusive a exigência de certificado de vacina para entrar em restaurantes e outros lugares fechados. A proposta só perdeu em dois dos 26 cantões da Suíça,

A participação de 66% é quarta maior em referendos, prática comum na política da Suíça, desde que as mulheres conquistaram tardiamente o direito de voto, em 1971. Como só os homens votavam e as leis suíças são referendadas pelo voto popular, as mulheres demoraram a ter o direito de votar.

quinta-feira, 5 de setembro de 2019

África do Sul fecha embaixada e consulado na Nigéria para evitar retaliação

Depois de uma série de ataques retaliatórios contra empresas sul-africanas na Nigéria por causa de ataques a nigerianos na África do Sul, o governo sul-africano anunciou hoje o fechamento temporário de suas representações diplomáticas naquele país.

A Nigéria e a África do Sul são as maiores economias da África. A integração econômica do continente depende do bom relacionamento entre elas. Os dois governos estão tomando providências para evitar o agravamento da situação.

Desde o último fim de semana, pelo menos sete pessoas foram mortas e dezenas foram feridas na África do Sul numa onda de violência xenofóbica na província de Gauteng, onde ficam a capital do país, Pretória, e a maior cidade e principal centro econômico, Joanesburgo. Meu comentário:
Ao participar de reunião do Fórum Econômico Mundial na África do Sul, o presidente Ramaphosa defendeu a integração econômica no Acordo de Livre Comércio Continental Africano como caminho para o desenvolvimento e a paz social. O vice-presidente da Nigéria, Yemi Osinbajo, que deveria participar, não foi em protesto contra os ataques a nigerianos.
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quinta-feira, 9 de maio de 2019

CNA ganha eleições sem emoção na África do Sul

Com 70% dos votos apurados, o Congresso Nacional Africano (CNA) recebeu 57% votos nas eleições de 8 de maio na África do Sul. Ficou abaixo dos 62% das eleições anteriores, de 2014, noticiou a televisão pública britânica BBC

O partido mantém o poder desde o fim do regime segregacionista branco do apartheid, em 1994, quando Nelson Mandela virou presidente. Mas esse foi o pior resultado.

Em segundo lugar, ficou a Aliança Democrática (AD), com 22%. Em terceiro lugar, vem os Combatentes pela Liberdade Econômica (EEF, do inglês), com 10%.

O índice de comparecimento às urnas foi de 65%, abaixo dos 73% de 2014. Cerca 26,7 milhões de eleitores votaram em 48 partidos. Seis milhões de pessoas não se registraram para votar desta vez. Os resultados finais saem no sábado.

Vinte e cinco anos depois do fim do apartheid, a África do Sul ainda é um dos países mais desiguais do mundo. Os 10% mais ricos ficam com dois terços da renda e mais da metade dos 57 milhões de habitantes vive na miséria.

O desemprego, hoje em 27%, a situação econômica da maioria negra e a corrupção generalizada do governo Jacob Zuma (2009-17) diminuíram o prestígio do CNA.

A ascensão ao poder de Cyril Ramaphosa, que seria o vice-presidente preferido por Mandela, no ano passado, deu uma esperança de recuperação da economia e da política sul-africanas, mas o longo tempo de monopólio do poder criou muitas oportunidades de enriquecimento ilícito para a burocracia do partido.

terça-feira, 4 de dezembro de 2018

África do Sul sai da recessão

Com crescimento de 2,2% no terceiro trimestre de 2018, a África do Sul saiu recessão, com resultados positivos nos setores industrial, agrícola e de transportes, noticiou hoje a agência Reuters.

O produto interno bruto, estimado em US$ 349 bilhões pelo Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional (FMI) no fim de 2017, caiu 2,6% no primeiro trimestre do ano e 0,4% no segundo trimestre. Nos 12 meses até setembro deste ano, houve uma alta de 1,1%

A recuperação da economia reduz a pressão sobre o presidente Cyril Ramaphosa, que substituiu em 15 de fevereiro Jacob Zuma, acusado de centenas de casos de corrupção. No ano como um todo, o avanço da economia deve ser fraco. Uma expansão mais significativa só virá no próximo ano.

Vinte e dois anos depois do fim do regime segregacionista branco do apartheid e da eleição de Nelson Mandela como o primeiro presidente negro do país, a África do Sul luta contra a corrupção, o desemprego elevado (27,5%), o declínio dos padrões educacionais e da infraestrutura, a concentração da terra nas mãos dos brancos e a precariedade do sistema político.

Desde 1994, o PIB sul-africano cresceu em média 2,78% ao ano, com um pico de 7,1% no último trimestre de 2006 e um recorde negativo de -2,6% no segundo trimestre de 2009, no auge da crise econômico financeiro deflagrada pela falência do banco de investimentos americano Lehman Brothers em setembro de 2008.

quinta-feira, 2 de agosto de 2018

África do Sul vai expropriar terras sem indenização

O presidente Cyril Ramaphosa anunciou ontem que o Congresso Nacional Africano (CNA), o partido do governo da África do Sul, vai propor uma emenda constitucional para permitir a expropriação de terras sem indenização.

Vinte e quatro anos depois do fim da ditadura segregacionista do apartheid, a minoria branca ainda detém a maior parte das melhores terras da África do Sul. A maioria da população apoia a desapropriação sem compensar os atuais donos.

Com a proposta, Ramaphosa tenta consolidar a posição do partido tendo em vista as eleições de fevereiro de 2019, que serão o primeiro grande teste de sua liderança. Em 15 de fevereiro deste ano, ele assumiu a Presidência em substituição a Jacob Zuma, que caiu em desgraça depois de mais de 700 acusações de corrupção.

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

Cyril Ramaphosa é eleito e empossado presidente da África do Sul

Em votação simbólica boicotada pela oposição na Assembleia Nacional, o Congresso Nacional Africano (CNA) elegeu hoje seu líder, Cyril Ramaphosa, como novo presidente da África do Sul em substituição a Jacob Zuma, que renunciou ontem sob a pressão de centenas de acusações de corrupção.

A alta cúpula do CNA exigiu a renúncia de Zuma na terça-feira, depois de uma reunião de 13 horas, ameaçando destituí-lo através de um voto de desconfiança do Parlamento, que elege o presidente sul-africano.

Zuma, um militante contra a ditadura de minoria branca e o regime segregacionista do apartheid, esteve preso com Nelson Mandela na prisão da ilha de Robben. Ele começou a cair em desgraça antes de virar líder do partido.

Um processo por corrupção na compra de armas quando ele era vice-presidente foi anulado por erros de procedimento da polícia em operações de busca e apreensão em escritórios de Zuma. Assim, pôde governar o segundo país mais rico da África por nove anos.

As oposições boicotaram a eleição de Ramaphosa. Queriam a dissolução da Assembleia Nacional e a antecipação das eleições gerais previstas para 2019.

Os desafios do novo presidente são promover uma campanha anticorrupção profunda dentro do seu próprio partido e retomar a luta pelo fim das consequências sociais do apartheid. Zuma sobreviveu a oito moções de desconfiança por causa de suas ligações com a militância do CNA.

Ramaphosa precisa mostrar que o partido de Mandela ainda é uma força para promover a emancipação da maioria negra e não virou mais um movimento de libertação nacional convertido em partido único, com monopólio do poder como em tantos outros países africanos.

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Jacob Zuma renuncia à Presidência da África do Sul

Sob pressão do Congresso Nacional Africano, diante de mais de 700 acusações de corrupção, Jacob Zuma renunciou hoje à Presidência da África do Sul. Ele será substituído pelo vice-presidente Cyril Ramaphosa, novo líder do partido, que deve ser eleito presidente amanhã pela Assembleia Nacional.

"Nenhuma vida deve ser perdida em meu nome. Tomei a decisão de renunciar com efeito imediato, embora discorde da liderança da minha organização", declarou Zuma. Sem pedir perdão pelos crimes cometidos, ele reafirmou que se considera inocente.

Durante seus nove anos no poder, a África do Sul cresceu em média 1,5%. No fim do ano passado, o índice de desemprego estava em 26%.

"Não estamos celebrando", comentou o subsecretário-geral do CNA, Jessie Duarte. "Temos de ter respeito por nosso camarada e poupá-lo da humilhação de um voto de desconfiança no Parlamento."

A renúncia poupou o CNA de revelar sua divisão na Assembleia Nacional e de necessitar de votos da oposição para afastar um presidente corrupto que sustentou durante nove anos, apesar de todos os escândalos. A Aliança Democrática, de oposição, quer saber por que o CNA demorou tanto tempo a se livrar de Zuma.

Como o regime sul-africano é parlamentarista, é a Assembleia Nacional que elege o presidente. Na prática, o CNA trocou seu líder. Hoje, o partido do governo tem uma ampla maioria de 249 dos 400 deputados sul-africanos. A AD tem 89 cadeiras e os Combatentes pela Liberdade Econômica, 25.

Durante a luta contra a ditadura da minoria branca e o regime segregacionista do apartheid, Ramaphosa era líder sindical, secretário-geral do Congresso dos Sindicatos da África do Sul (Cosatu). Chegou a ser cotado para vice de Nelson Mandela, o grande herói da maioria negra, mas foi preterido por Thabo Mbeki.

Antes de voltar à política como vice-presidente na chapa de Zuma, Ramaphosa se tornou um dos empresários negros mais ricos da África do Sul. Ele promete moralizar o governo e resgatar a integridade das instituições.

Ao depor Zuma, o CNA renova seu compromisso histórico com a democracia. Estava parecendo os movimentos que lutaram pela libertação de outros países africanos e os transformaram em ditaduras de partido único.

O CNA, um movimento de libertação nacional, mantém o monopólio de poder na África do Sul pós-apartheid. Mas terá de renová-lo nas urnas nas eleições gerais de 2019. A corrupção e o fantasma de Zuma vão pesar nas urnas.

terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

CNA exige a renúncia do presidente da África do Sul

O Congresso Nacional Africano (CNA) está exigindo a renúncia imediata do presidente Jacob Zuma, investigado em centenas de casos de corrupção. Até agora, ele resiste. Se não renunciar até amanhã, o maior partido da África do Sul pode ser obrigado a recorrer à Assembleia Nacional e ao apoio da oposição para derrubar Zuma, o que pode ocorrer na quinta-feira.

Aos enviados do partido, o presidente pediu mais três a seis meses. O partido rejeitou, alegando a necessidade de restaurar a integridade do governo sul-africano. Zuma pode ser afastado através de um voto de desconfiança no Parlamento, admitiu o secretário-geral do CNA, Ace Magashule.

Em realidade, o regime político da África do Sul é parlamentarista. É a Assembleia Nacional que elege o presidente. O CNA ainda reluta porque o afastamento de Zuma no Parlamento deixaria evidente a divisão do partido e a falta de disciplina interna. Basta maioria simples, mas isso pode exigir votos da oposição.

O destino de Zuma está selado desde que uma de suas mulheres perdeu, em dezembro do ano passado, a disputa pela liderança do partido para o vice-presidente Cyril Ramaphosa, que denunciou a "captura da máquina do Estado" pelos amigos do presidente.

Hoje de manhã, depois de 13 horas de reunião, o CNA decidiu encerrar o reinado de nove anos do arquicorrupto Zuma. Só de obras de sua mansão privada, a Suprema Corte da África do Sul exigiu a devolução de US$ 23 milhões (R$ 76 milhões) aos cofres públicos.

Quando derrubou o então presidente Thabo Mbeki da liderança do partido e da Presidência, Zuma se beneficiou de um erro de investigação da polícia federal sul-africana. Um processo sobre um negócio suspeito de compra de armas foi anulado por erros de procedimento em operações de busca e apreensão em escritórios do então vice-presidente.

Para o líder da organização Liderança Empresarial da África do Sul, Bonang Mohale, a recusa em renunciar mostra que Zuma é "movido por nada mais do que avareza, miopia e um egoísmo sem limites".

Ramaphosa era presidente do Congresso dos Sindicatos Sul-Africanos (Cosatu), a central sindical aliada ao CNA na luta contra o apartheid, o regime segregacionista da minoria branca. Quando os negros chegaram ao poder, em 1994, ele foi cotado para vice-presidente de Nelson Mandela, mas acabou preterido por Mbeki.

Nos anos em que esteve fora da política, o novo líder sul-africano enriqueceu no setor privado. Depois do Massacre de Marikana, em 16 de agosto de 2012, quando 34 mineiros foram metralhados e mortos e 78 saíram feridos. Foi a pior matança na África do Sul desde o Massacre de Sharpeville,com 69 mortes,  em 1960. Ramaphosa foi acusado de acobertar os responsáveis pela tragédia.

segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

Cyril Ramaphosa é o novo líder do Congresso Nacional Africano

Por 2.440 a 2.261 votos, o vice-presidente Cyril Ramaphosa foi eleito há pouco novo líder do Congresso Nacional Africano (CNA), o partido de Nelson Mandela, que governa a África do Sul desde o fim do regime segregacionista branco do apartheid, em 1994, noticiou a televisão pública britânica BBC. Ele deve ser eleito presidente do país depois das eleições gerais de 2019.

Quando acabou a ditadura da minoria branca, Ramaphosa era presidente do Congresso de Sindicatos da África do Sul (Cosatu), a mais poderosa central sindical sul-africana. Chegou a ser cotado como vice de Mandela, mas não foi o escolhido e trabalhou alguns anos na iniciativa privada, onde fez fortuna.

Na disputa pela liderança do CNA, Ramaphosa se apresentou como o candidato anticorrupção contra Nkosazana Dlamini-Zuma, mulher do presidente Jacob Zuma, envolvido em vários escândalos de corrupção. Sua vitória é uma derrota pessoal de Zuma.

A Suprema Corte da África do Sul condenou Zuma a devolver aos cofres públicos US$ 23 milhões usados ilegalmente em sua mansão. Mesmo assim, ele escapou de um processo de impeachment por causa da ampla maioria do CNA na Assembleia Nacional. Na última votação, 34 deputados do CNA foram a favor do impeachment, revelando uma profunda divisão interna do partido, refletida hoje nas urnas.

Ao povo sul-africano, Ramaphosa prometeu um novo pacto com investimentos pesados em educação, saúde e energia para resgatar a dívida social do apartheid. Outro desafio é a economia, que cresceu 0,8% ao ano em média nos últimos quatro anos. Sua carreira ficou manchada por acusações de ajudar a acobertar o Massacre de Marikana.

Em 16 de agosto de 2012, numa cena que lembrou os piores momentos da era do apartheid, a polícia abriu fogo contra uma multidão de mineiros em greve. Pelo menos 34 mineiros foram mortos, 78 saíram feridos e 250 foram presos. Foi a maior matança no país desde o Massacre de Sharpeville, em 1960, quando 69 negros foram mortos.

Por causa do Massacre de Sharpeville, o CNA aderiu à luta armada contra a ditadura da minoria branca. Mandela foi nomeado comandante militar da Lança da Nação, o braço armado do partido, o que o levaria à prisão em 1962 e à condenação à morte em 1964, depois convertida em prisão perpétua. Vinte e sete anos depois, em 1991, ele sairia da prisão para liderar a transição pacífica para a democracia.

Desde o fim das sanções internacionais impostas ao regime do apartheid, em 1996, o produto interno bruto sul-africano triplicou, chegando a US$ 294,1 bilhões em 2016 pelos cálculos do Fundo Monetário Internacional (FMI). É a terceira maior economia da África, depois da Nigéria e do Egito.

quinta-feira, 30 de março de 2017

Presidente da África do Sul afasta ministro que combatia corrupção

Sob a cortina de fumaça de uma grande reforma ministerial, o presidente Jacob Zuma demitiu o ministro das Finanças da África do Sul, Pravin Gordhan, que combatia a corrupção governamental. É a maior crise do Congresso Nacional Africano (CNA) desde que o partido de Nelson Mandela assumiu o poder em nome da maioria negra, em 1994, pondo fim a três séculos de ditadura da minoria branca.

Ao todo, oito ministros foram demitidos na calada da noite de quinta-feira, quase todos críticos do presidente Zuma, obrigado pela Suprema Corte a devolver US$ 23 milhões gastos ilegalmente em sua mansão, entre outros escândalos, como as relações com a bilionária família Gupta.

O ministro das Finanças estava em Londres fazendo uma turnê de promoção de investimentos na África do Sul e deveria ir a Nova York e Boston quando foi chamado de volta, em 27 de março.

Zuma citou informes do serviço secreto para acusar Gordhan de tramar sua queda. Ele cai depois de uma batalha de um ano contra a corrupção, o tráfico de influência e o compadrismo nas empresas estatais, e a influência da família Gupta, amiga do presidente, no governo. O ex-ministro do Interior Malusi Gigaba será o novo ministro das Finanças, o quinto a ocupar o cargo em dois anos.

A moeda sul-africana, o rand, caiu 4% em relação ao dólar. Gordhan lutava para manter o grau de investimento da África do Sul. Seus aliados podem apresentar uma moção de desconfiança no governo à Assembleia Nacional.

Na batalha com Gordhan, Zuma explora uma divisão ideológica mais profunda no CNA. A ala mais à esquerda quer aumentar os gastos públicos para promover a maioria negra excluída durante o regime segregacionista do apartheid, enquanto a ala mais liberal economicamente que prefere manter o equilíbrio macroeconômico na tentativa de atrair investimentos estrangeiros.

Maior economia da África, com 24% do produto interno bruto do continente pelo critério de paridade do poder de compra, equivalente a US$ 725 bilhões por ano, a África do Sul voltou a superar a Nigéria, abatida pela queda nos preços do petróleo. Mas está estagnada, com crescimento médio de 1,1% nos últimos três anos.

Em 2008, Zuma derrubou o então presidente e líder do CNA Thabo Mbeki, sob a alegação de que estava na hora de aplicar o programa de Empoderamento Econômico dos Negros. Agora, entre seus planos, está a desapropriação de terras de propriedade de brancos sem compensação, que recebeu o apoio imediato dos Combatentes pela Liberdade Econômica (EFF), partido de ultraesquerda chefiado por Julius Malema, ex-líder do setor jovem do CNA.

Três altos dirigentes do partido dominante, o secretário-geral Gwede Mantashe, o tesoureiro-geral Zweli Mkhize e o chefe do programa de Transformação Econômica, Enoch Godongwana, contradisseram o presidente. Afirmaram que a reforma agrária deve ser feita dentro da Constituição

A maioria negra continua sobrando e foi fuzilada como no tempo do apartheid no Massacre de Marikana, em 2012, com a cumplicidade do vice-presidente Cyril Ramaphosa, adversário de Zuma. O presidente pretende legar o poder a uma de suas mulheres, Nkosazana Dlamini-Zuma.

Antigo líder do superpoderoso Congresso dos Sindicatos (Cosatu) durante a luta contra a ditadura da minoria branca, preterido por Nelson Mandela, que escolheu Thabo Mbeki como sucessor, Ramaphosa se tornou milionário. Como vice-presidente, tentou abafar o inquérito sobre o incidente mais letal de uso da força pela polícia da África do Sul contra seu próprio povo desde o Massacre de Sharpeville, em 1960.

A dois anos das próximas eleições parlamentares, o CNA dá sinais de fadiga no poder e está dividido pelo populismo de Zuma. No ano passado, o presidente sobreviveu a um pedido de impeachment apresentado pela oposição por conta dos gastos abusivos em sua mansão por causa da ampla maioria do CNA. Dentro do partido, sua liderança é cada mais questionada.