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sábado, 11 de abril de 2026

Hoje na História do Mundo: 11 de Abril

NAPOLEÃO VAI PARA O EXÍLIO EM ELBA

    Em 1814, o imperador Napoleão Bonaparte, um dos maiores generais de todos os tempos, abdica ao trono da França e vai para o exílio na Ilha de Elba, no Mar Mediterrâneo.

Napoleão nasce em Ajácio, na Córsega, em 15 de agosto de 1769, dois anos depois que a ilha passa ao domínio da França. Depois de fazer a escola militar, ele ascende nas Forças Armadas com a Revolução Francesa de 1789, que expurga os oficiais de origem aristocrática. Os generais precisavam ter quatro gerações de nobreza. Em 1795, Napoleão é promovido a general e leva o Exército da França a uma série de vitórias militares na Europa.

Ele toma um poder num golpe militar em 12 de dezembro de 1799. Torna-se primeiro cônsul da França, acaba com a revolução e vira ditador.

Em 1804, Napoleão obriga o papa a coroá-lo imperador. Com mais vitórias militares, conquista uma grande parte da Europa e promove reformas de longo impacto, impondo reformas judiciárias, constituições e o direito de voto para todos os homens, acabando com os resquícios de feudalismo.

No Código Napoleônico, até hoje a base do Direito Civil na França e nos países latinos, inclusive no Brasil, consolida as liberdades conquistadas pela Revolução Francesa como a tolerância religiosa.

Em 1812, comete seu maior erro estratégico. Invade a Rússia com o Grande Exército, de mais de 600 mil homens. A França vence a Batalha de Borodino, em 7 de setembro, mas é uma vitória de Pirro. As baixas francesas ficam perto das russas. Uma semana depois, Napoleão entra em Moscou.

Os russos abandonam e incendeiam Moscou, deixando os franceses sem comida e abrigo. A retirada, durante o outono no Hemisfério Norte, é catastrófica. Toda a Europa se une contra Napoleão. Ele se oferece para abdicar em favor de seu filho, mas a proposta é rejeitada.

Com 700 homens, Napoleão foge do exílio em 26 de fevereiro de 1815, volta a Paris, retoma o poder e reina por 110 dias, até a derrota final na Batalha de Waterloo, na Bélgica, em 18 de junho do mesmo ano. Em 22 de junho, abdica em favor de seu filho, sai de Paris e tenta fugir para os Estados Unidos, mas é capturado pela Marinha Real britânica.

No exílio na Ilha de Santa Helena, no Oceano Atlântico, Napoleão escreve um livro sobre Júlio César, um de seus grandes heróis, e aprende inglês para ler jornais, já que jornais franceses não chegam à ilha. Ele morre em 5 de maio de 1821.

JOSÉ MARTÍ INVADE CUBA

    Em 1895, o poeta e ensaísta cubano José Martí, herói da independência de Cuba, entra em ilha como líder de uma força invasora que luta contra o colonialismo da Espanha.

José Julián Martí y Pérez nasce em Havana em 28 de janeiro de 1853. Cresce na capital cubana. Aos 15 anos, publica vários poemas. Aos 16 anos, funda o jornal La Patria Libre. Durante uma revolta nacionalista em 1868, fica do lado dos patriotas. É preso e condenado a seis meses de trabalhos forçados. Em 1871, é deportado para a Espanha.

Lá, continua seus estudos e se forma em direito na Universidade de Saragoça em 1874. Nos próximos anos, vive na França, no México e na Guatemala, onde escreve e trabalha como professor. Volta a Cuba em 1878.

Por causa das atividades políticas, é exilado mais uma vez na Espanha em 1879. Vai para a França, Nova York e a Venezuela, onde funda a Revista Venezolana em 1881. A publicação provoca a ira do ditador venezuelano Antonio Guzmán Blanco. No mesmo ano, volta para Nova York, onde continua escrevendo artigos, ensaios e poemas.

Sua coluna no jornal argentino La Nación o torna famoso em toda a América Latina. O livro Versos Libres mostra uma poética singular tendo como tema a liberdade. Nos ensaios Nuestra América (1881), Emerson (1882), Whitman (1887) e Bolívar (1893), expressa suas visões sobre a América Latina e os Estados Unidos.

Em 1892, Martí rejeita o título de presidente e é eleito delegado do Partido Revolucionário Cubano. Em Nova York, planeja a invasão de Cuba. Vai para São Domingos, capital da República Dominica, em 31 de janeiro de 1895. Junto com o líder revolucionário Máximo Gómez e outros patriotas, invade Cuba em 11 de abril. 

José Martí morre numa batalha em Dois Rios, na província do Oriente, em 19 de maio, aos 42 anos. Cuba conquista a independência depois da Guerra Hispano-Americana (1898), em que os EUA derrotam a Espanha. É o fim do imperalismo espanhol, que começa com a Descoberta da América em 1492, e um marco do início do imperialismo norte-americano, Os EUA tomam as Filipinas e Porto Rico.

Depois da morte de Martí, são publicadas coletâneas de seus textos políticos: Dentro do Monstro: escritos sobre os EUA e o imperialismo norte-americano (1975), Nossa América: escritos sobre a América Latina e a luta pela independência de Cuba (1978) e Sobre a Educação (1979).

TRUMAN DEMITE GENERAL MacARTHUR

    Em 1951, o presidente Harry Truman afasta o general Douglas MacArthur do comando das forças dos Estados Unidos e das Nações Unidas na Guerra da Coreia (1950-53) por insubordinação e por não querer travar uma guerra limitada. MacArthur queria usar armas nucleares.

MacArthur nasce em Little Rock, no Arkansas, em 26 de janeiro de 1880. Ele se forma na Academia Militar de West Point com distinção e louvor em 1903. Passa vários meses numa força dos EUA que ocupa Veracruz, no México, em 1914, durante a Revolução Mexicana. Comanda brigada e uma divisão em operações de combate na França da Primeira Guerra Mundial (1914-18).

Em 1930, MacArthur é nomeado comandante do Exército. Passa a Grande Depressão tentando evitar o sucateamento das Forças Armadas. Vai para a reserva em dezembro de 1937.

Um pouco antes da entrada dos EUA na Segunda Guerra Mundial, em julho de 1941, MacArthur é convocado. No dia do bombardeio a Pearl Harbor, 7 de dezembro de 1941, o Japão também ataca as Filipinas, na época uma colônia norte-americana. Vai para a Austrália em março de 1942 como comandante das forças aliadas no Sudoeste do Oceano Pacífico.

Os EUA atacam primeiro a Nova Guiné e Papua, também ocupadas pelo Império do Japão. Suas forças invadem as Filipinas no outono de 1944. Com a vitória, MacArthur é governador militar durante a ocupação do Japão pelos EUA (1945-51). 

Quando começa a Guerra da Coreia, ele é nomeado comandante das forças da ONU. Como a União Soviética está boicotando a ONU em protesto contra a não admissão da República Popular da China (Taiwan ocupou a cadeira da China até 1971), não houve veto no Conselho de Segurança. Até hoje, os EUA tem um mandato da ONU para unificar à força a Península da Coreia. Por isso, a Coreia do Norte diz que os EUA são o verdadeiro inimigo e a Coreia do Sul apenas um país-fantoche.

Depois da invasão norte-coreana que dá início à guerra em 25 de junho de 1950, os EUA contra-atacam. As forças de MacArthur invadem o Norte. Aí o 4º Exército da China, sob o comando de Lin Piao, cruza o Rei Yalu, entra na guerra e empurra as forças lideradas pelos EUA para o sul do Paralelo 38º Norte, o marco da divisa entre as duas Coreias.

Há uma guerra entre os EUA e a China dentro da Guerra da Coreia, e a China vence no sentido de que obtém seu objetivo político, evitar que os EUA e aliados tenham forças junto a sua fronteira.

A guerra entra num impasse. MacArthur é afastado. Muito popular, em 1944, 1948 e 1952, conservadores do Partido Republicano tentam lançar a candidatura de MacArthur à Casa Branca. Ele Vira presidente do conselho da Remington Rand Corporation em 1952 e passa o resto da vida no setor privado. Morre aos 84 em Washington em 5 de abril de 1964.

JULGAMENTO DE EICHMANN

    Em 1961, começa em Jerusalém o julgamento do carrasco nazista Adolf Eichmann, que dura oito meses e termina com a única sentença de morte imposta até hoje pela Justiça de Israel.

Eichmann nasce em Solingen, na Alemanha, em 19 de março de 1906. Durante a Primeira Guerra Mundial (1914-18), a família se muda para Linz, na Áustria. Ele trabalha como caixeiro viajante para uma companhia de petróleo e perde o emprego durante a Grande Depressão (1929-39).

Em abril de 1932, Eichmann entra para o Partido Nazista. Em novembro, se torna membro da SS, a força paramilitar do partido. De janeiro a outubro de 1934, ele serve na unidade da SS no campo de concentração de Dachau. Depois, vai para o escritório central do serviço secreto da SS, em Berlim, onde trabalha na seção encarregada da questão judaica.

Ele sobe na hierarquia da SS. Quando a Alemanha Nazista anexa a Áustria, em março de 1938, é enviado para livrar Viena de judeus. Um ano depois, com a anexação da Tcheco-Eslováquia, vai a Praga com a mesma missão.

Quando Heinrich Himmler cria o Escritório Central de Segurança do Reich, em 1939, Eichmann é transferido para sua seção de questões judaicas. Na Conferência do Lago Wannsee, em Berlim, em 20 de janeiro de 1942, os líderes nazistas aprovam a "solução final" para os judeus da Alemanha e dos países conquistados, o genocídio cometido no Holocausto. Eichmann é o principal executor.

Cabe a ele identificar, reunir e transportar todos os judeus da Europa ocupada para centros de extermínio como o campo de concentração de Auschwitz-Birkenau. Seis milhões, 60% dos judeus da Europa, morrem no Holocausto.

No fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45), os Estados Unidos prendem Eichmann, mas em 1946 ele consegue escapar. Depois de alguns anos vivendo na Alemanha com identidade falsa, ele foge para a Argentina em 1958 através da Áustria e da Itália.

Em 11 de maio de 1960, o serviço secreto de Israel sequestra Eichmann perto de Buenos Aires e nove dias depois o leva para Israel. O julgamento por juízes judeus num Estado judeu que não existia na época do Holocausto suscita dúvidas sobre legalidade e legitimidade. Há propostas para que Eichmann seja processado por um tribunal internacional, mas Israel faz questão de realizar o julgamento, inclusive como educação sobre o Holocausto.

No tribunal, ele alega que não é antissemita, mas apenas um burocrata obediente que cumpria rigorosamente as ordens. Em 15 de dezembro de 1961, o julgamento termina com a condenação de Eichmann, que é enforcado em 31 de maio de 1962.

Agora, por iniciativa do governo de extrema direita, a Knesset, o Parlamento de Israel, acaba de aprovar uma lei discriminatória que cria a pena de morte por terrorismo, mas só para palestinos. Israelenses condenados pelos mesmos delitos, como os colonos da Cisjordânia, não estão sujeitos à pena capital.

FUGA DE IDI AMIN

    Em 1979, quando as forças da Tanzânia se aproximam de Kampala, Idi Amin Dada, o protótipo do ditador africano cruel e brutal, que se torna conhecido como o Carniceiro de Uganda, foge.

Idi Amin nasce em 1924 ou 1925 e tem pouca educação formal. Em 1946, ele entra para o exército colonial britânico como auxiliar de cozinheiro. Ele alega ter lutado na Birmânia durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45), mas só entra para o exército depois do fim da guerra. Luta contra a Revolta dos Mau Mau (1952-56) no Quênia, um episódio trágico da descolonização da África.

Quando Uganda se torna independente, em 1962, Idi Amin se aproxima do primeiro-ministro e presidente Milton Obote. Ele se torna comandante do Exército e da Força Aérea, dá um golpe em 25 de janeiro de 1971 e impõe uma tirania.

Em 1972, expulsa os asiáticos de Uganda, na maioria indianos, o que tem forte impacto negativo na economia. Muçulmano, hostiliza Israel, se aproxima da Líbia e dos palestinos. Envolve-se diretamente no sequestro de um avião francês desviado para Entebe, em 1976, quando comandos israelenses invadem o país para resgatar os reféns.

Cerca de 300 mil pessoas morrem sob a ditadura de Idi Amin, comparado pelo senador Paulo Brossard ao ditador brasileiro Ernesto Geisel (1974-79) no discurso Carranca não é autoridade.

Em outubro de 1978, Idi Amin ordena um ataque à vizinha Tanzânia. Com o apoio da oposição em Uganda, o Exército da Tanzânia vence a guerra. Quando as forças tanzanianas se aproximam de Kampala, a capital de Uganda, em 11 de abril de 1979, Idi Amin foge para a Líbia e depois para a Arábia Saudita, onde morre em 16 de agosto de 2003.

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quinta-feira, 19 de março de 2026

Hoje na História do Mundo: 19 de Março

 CONJURAÇÃO DE AMBOISE

    Em 1560, uma conspiração de aristocratas huguenotes (protestantes) contra a poderosa família católica Guise fracassa na França.

Com a ascensão do rei Francisco II ao trono da França com apenas 14 anos, a família Guise se torna muito poderosa, o que gera inimizade dentro da própria nobreza. 

A conspiração é articulada. A cara do movimento é um nobre huguenote conhecido como La Renaudie. Por trás, está Luís I de Bourbon, príncipe de Condé. Os Guise ficam sabendo quando a corte está em Blois e levam o rei para Amboise.

La Renaudie adia os planos. Os conspiradores se dividem em pequenos grupos e se infiltram na Floresta de Amboise. Como são traídos, o inimigo os espera. Em 19 de março, La Renaudie e outros conspiradores atacam o Castelo de Amboise. O assédio é repelido, La Renaudie morre e vários conspiradores são presos.

A vingança da família Guise é cruel e impiedosa. Por uma semana, há tortura, enforcamentos, esquartejamentos e corpos jogados no Rio Loire. Condé é condenado à morte, mas a morte do rei Francisco II, em dezembro, o salva.

NEVADA LEGALIZA O JOGO

    Em 1931, o estado de Nevada legaliza o jogo e abre o caminho para a instalação de cassinos, especialmente na cidade de Las Vegas.

Única grande cidade do Oeste dos Estados Unidos fundada no século 20, Las Vegas evolui de uma cidadezinha construída ao redor de uma estação ferroviária no início do século passado para a cidade que mais crescia no país no fim do século, com seus cassinos e hotéis cinematográficos que atraem dezenas de milhões de turistas por ano.

Las Vegas é mais procurada do que atrações turísticas como o Grand Canyon e o Parque Nacional de Yellowstone.

Com uma população de 648 mil pessoas e mais de 2,8 milhões na região metropolitana, Las Vegas é a maior e mais rica cidade de Nevada. É a cidade de um milhão de luzes, com sua arquitetura exuberante e exagerada, de uma riqueza ostensiva e brega.

INDEPENDÊNCIA DA ARGÉLIA

    Em 1962, autoridades da França e líderes da Frente de Libertação Nacional (FLN) da Argélia assinam os Acordos de Evian, que acabam com uma guerra de oito anos e dão independência ao país do Norte da África.

A Guerra da Independência da Argélia foi uma das principais guerra de descolonização da segunda metade do século 20, marcada por uma guerra de guerrilhas e crimes de guerra cometidos pelos dois lados. Começa em 1º de novembro de 1954, o Dia de Todos os Santos Vermelho.

A brutalidade do Exército da França alienou os argelinos, que aderiram à revolução, acabou com o apoio à guerra colonial na França Metropolitana e abalou o prestígio internacional do país. A Quarta República (1946-58) acaba e dá lugar à Quinta República, sob a égide do general Charles de Gaulle.

Depois de uma onda de manifestações pela independência nas principais cidades argelinas, em 1960, e de uma resolução das Nações Unidas sobre o direito à independência, o então presidente De Gaulle inicia negociações com a FLN.

DYLAN LANÇA PRIMEIRO ÁLBUM

    Em 1962, o cantor e compositor norte-americano Bob Dylan, que foi do folk ao rock e é considerado o maior poeta da história do rock, lança seu primeiro álbum, Bob Dylan. Ele ganha o Prêmio Nobel de Literatura de 2016.

Robert Allen Zimmerman nasce em Dulluth, no estado de Minnesota, nos Estados Unidos, em 24 de maio de 1941, numa família judaica. Ele cresce na cidade mineira de Hibbing, no mesmo estado. 

Sob influência da música de Woodie Guthrie, Hank Williams, Little Richard, Elvis Presley e Johnny Ray, Bob compra seu primeiro violão aos 14 anos, em 1955. Antes de entrar para a Universidade de Minnesota em Mineápolis, em 1959, ele toca piano na banda do pop star Bobby Vee.

Quando está na faculdade, descobre o bairro boêmio de Mineápolis, Dinkytown. Fã da poesia beat e de Woodie Guthrie, toca música folclórica  e adota o nome de Dylan em homenagem ao poeta galês Dylan Thomas.

Para encontrar Guthrie, que está hospitalizado em Nova Jérsei, Dylan se muda para Nova York em janeiro de 1961 e começa a tocar na noite no Greenwich Village, o bairro beat the Manhattan. Logo arregimenta um grupo de fãs e é contratado para tocar harmônica numa gravação de Harry Belafonte.

Uma crítica laudatória de Robert Shelton no jornal The New York Times de um show em setembro de 1961 rende um contrato com a Columbia Records. O primeiro álbum é recebido com críticas positivas e negativas, como o lamento de um caubói do Meio-Oeste com voz rouca.

O segundo álbum, Freewhelin' Bob Dylan, lançado em maio de 1963, o coloca como uma voz da contracultura, um rebelde com causa. Seu primeiro sucesso, Blowin' in the Wind, lhe dá o status de grande artista.

Em 1963, Dylan faz seu primeiro concerto em Nova York. Em maio, quando é proibido de tocar Talkin' John Birch Paranoid Blues no programa de televisão Ed Sullivan Show, onde os Beatles haviam aparecido pela primeira vez em rede nacional de televisão nos EUA, ele rejeita a censura e se retira, mas perde uma grande oportunidade.

No verão daquele ano, por indicação da cantora Joan Baez, que namora de 1961 a 1965, Dylan se apresenta no Newport Folk Festival e é coroado rei da música folclórica dos EUA. 

Em 28 de agosto de 1963, Dylan e Joan Baez cantam na Marcha sobre Washington, em que o reverendo Martin Luther King Jr., líder da luta pacífica pelos direitos civis dos negros, faz o famoso discurso Eu Tenho um Sonho. Seu próximo álbum, The Times They Are A-Changin', de 1964, consolida sua fama de cantor rebelde de músicas de protesto. Em Another Side of Bob Dylan, ele começa a desafiar esse rótulo.

A grande mudança vem em Bringing It All Back Home (1965) quando Dylan introduz instrumentos elétricos para desesperdo dos puristas do folk. A banda de folk rock The Byrds chega ao topo das paradas de sucessos com uma versão de Mr. Tambourine Man com uma guitarra de 12 cordas.

Em junho de 1965, Dylan grava seu maior sucesso, Like a Rolling Stone, e se consolida como um dos maiores músicos e poetas da história do rock.

ARGENTINA SE MOBILIZA PARA TOMAR MALVINAS

    Em 1982, depois de um conflito entre trabalhadores argentinos e cientistas britânicos na Ilha Geórgia do Sul, a Argentina mobiliza as Forças Armadas para invadir as Ilhas Malvinas, que os britânicos chamam de Falklands.

Durante a última ditadura militar (1976-83), em 2 de abril de 1982, a Argentina invade as Ilhas Malvinas. O ditador Leopoldo Galtieri supõe que o Reino Unido não vai lutar por "umas ilhotas". Mas a primeira-ministra Margaret Thatcher não aceita o que seria uma humilhação para uma grande potência e envia uma força-tarefa que retoma as ilhas.

A Argentina se rende em 14 de junho depois da morte de 649 argentinos e 258 britânicos. O tenente de navio Alfredo Astiz, torturador assassino acusado pela morte de duas freiras franceses e de Dagmar Hagelin, uma menina sueco-argentina de 17 anos morta com um tiro pelas costas, é o governador militar da Geórgia do Sul. Rende-se sem disparar um tiro. É preso pelos britânicos. Thatcher o entrega à Argentina, apesar dos pedidos de extradição da França e da Suécia.

Desmoralizada, a ditadura militar argentina cai em 1983.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2025

Doutrina Trump quer impor suas políticas ao mundo

A nova Estratégia de Segurança Nacional dos Estados Unidos, anunciada na semana passada, abandona 80 anos de política externa baseada em alianças e num sistema internacional multilateral e consolida as ideias e visões de mundo do presidente Donald Trump.
A Doutrina Trump quer conciliar a hegemonia dos EUA com um recuo dos compromissos internacionais que o país assumiu desde a Segunda Guerra Mundial (1939-45), o que é impossível. É uma regressão à Era dos Impérios, a um mundo dividido em esferas de influência das superpotências militares: EUA, China e Rússia.

Em 29 páginas, o documento traz uma lista de desejos, exalta a supremacia dos EUA e cita os instrumentos que o país tem para atingir seus objetivos. Divide o mundo em cinco regiões: América, Ásia, Europa, Oriente Médio e África.

Enquanto na Ásia Trump espera que os países atuem como aliados voluntários de uma ampla aliança informal para conter a China, na Europa e na América, exige uma submissão total aos interesses econômicos e militares dos EUA.

Há um desprezo pela Europa, descrita como uma civilização decadente sob ameaça de extinção, assolada pela imigração de povos não europeus. Isso significa que imigrantes não brancos corrompem os valores das sociedades ocidentais. Este racismo explícito é uma das raízes do trumpismo, causado pelo medo de que em algumas décadas os brancos de origem europeia deixem de ser maioria nos EUA.

Só três parágrafos são dedicados à África, desprezada e discriminada por esta visão racista. À noite, em comício na Pensilvânia em que deveria exaltar a superioridade de sua economia, Trump voltou a se referir a países africanos como "buracos de merda", uma semana depois de chamar os somalianos norte-americanos de "lixo".

Na América Latina, a proposta é resgatar a Doutrina Monroe, enunciada no início do século 19 para evitar intervenções militares europeias e tentativa de recolonizar países do continente. Os objetivos são combater o tráfico de drogas, a imigração ilegal e a crescente influência da China. Mas não diz como pretende fazer isso numa região em que a China é a maior parceira comercial da maioria dos países.

O Corolário Trump da Doutrina Monroe não é doutrina nem estratégia, mas vai aumentar a presença militar dos EUA na América Latina.

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quinta-feira, 4 de dezembro de 2025

Hoje na História do Mundo: 4 de Dezembro

ÚNICO PAPA INGLÊS

    Em 1154, Adriano IV torna-se o único papa inglês da história da Igreja Católica.

Nicholas Breakspear nasce por volta de 1100 na Abadia de Langley, perto da cidade de Saint Albans, no condado de Hertford, na Inglaterra.

Em 1150, o papa Eugênio II o nomeia cardeal e bispo de Albano, na Itália. Dois anos depois, é enviado para reorganizar a hierarquia da Igreja na Escandinávia. É tão bem-sucedido que na volta, em 1154, é eleito papa.

No ano seguinte, Adriano IV coroa Frederico Barbarossa como o imperador Frederico I do Sacro Império Romano-Germânico depois que este captura e entrega Arnoldo de Bréscia, que lidera uma revolta em Roma. Mas a relação entre os dois é tumultuada. O conflito entre a Igreja e o imperador continua no pontificado de Alexandre III.

Adriano IV se nega a reconhecer a coroação de Guilherme I, o Mau, como rei da Sicília. Os sicilianos reagam e atacam Benevento, uma possessão papal, e a levar a guerra à Campânia. Campânia. Adriano IV marcha para Benevento e recebe o apoio de João de Salisbury, secretário do arcebispo da Cantuária em troca de uma bula papal que dá a Irlanda ao rei Henrique II, da Inglaterra. É o início do conflito secular entre a Inglaterra e a Irlanda que só acaba com o acordo de paz na Irlanda do Norte, em 1998.

Com a pacificação da Sicília, em junho de 1156, Adriano IV concorda com a investidura de Guilherme, o que irrita o imperador Frederico I. Adriano IV morre em 1º de setembro de 1159 em Anagni, perto de Roma, na Itália.

IVÃ, O TERRÍVEL

    Em 1533, aos três anos de idade, o futuro czar Ivã IV, o Terrível, é nomeado grão-príncipe do Principado de Moscou depois da morte do pai, o grão-príncipe Basílio III, com a mãe como regente até morrer em 1538.

Ivã IV é o primeiro czar da Rússia. É o césar. A Rússia Kievana ou Principado de Kiev adota o cristianismo ortodoxo como religião oficial em 988, num acordo com o Império Bizantino, o Império Romano do Oriente, mas acaba com a invasão mongol, que toma Kiev em 1240 e domina a região até 1480.

Quando os turcos do Império Otomano tomam Constantinopla, em 29 de maio de 1453, e acabam com o Império Bizantino, Moscou reivindica a posição de Terceira Roma, o novo centro do cristianismo oriental.

Seu reinado, que vai até 1584, é marcado pelo nascimento da Rússia czarista e pela expansão imperial para subjugar povos não eslavos. Ele trava longas e malsucedidas guerras com a Polônia e a Suécia, e cria um reino de terror ao tentar impor disciplina militar, centralização administrativa e enquadrar os boiardos, o mais alto escalão da nobreza feudal.

FIM DO LED ZEPPELIN

    Em 1980, pouco mais de dois meses depois da morte do baterista John Bonham, a banda de rock britânica Led Zeppelin anuncia sua dissolução.

O Led Zeppelin nasce em 1968 como New Yardbirds por iniciativa de Jimmy Page, que é o último guitarrista solo da lendária banda Yardbirds, que teve guitarristas como Eric Clapton e Jeff Beck. Os três estão entre os maiores guitarristas da história.

A nova banda de Page tem John Paul Jones no contrabaixo e nos teclados, Bonham na bateria e o cantor Robert Plant. Tem influência rock, do rock psicodélico, do blues, do folclore norte-americano e das músicas celta, árabe e indiana. É considerada pioneira do heavy metal. Stairway to Heaven é considerada por muitos a melhor música da história do rock.

Ao lado dos Beatles, dos Rolling Stones, The Who e Pink Floyd, o Led Zeppelin está entre as cinco maiores bandas de rock and roll, todas britânicas, embora não haja unanimidade a esse respeito. Bonham morre em 25 de setembro de 1980, depois de tomar 40 doses de vodca em 24 horas.

TERRY ANDERSON LIBERTADO

     Em 1991, o jornalista norte-americano Terry Anderson, chefe do escritório da agência de notícias Associated Press no Líbano, é solto depois de 2.454 dias (seis anos e meio) sequestrado por extremistas muçulmanos em Beirute.

Anderson cobria a Guerra Civil Libanesa (1975-90). Em 16 de março de 1985, é capturado no setor oeste de Beirute, onde os muçulmanos são maioria, ao sair de uma quadra de tênis. Os sequestradores o levam para a Zona Sul da capital libanesa, onda a maioria é xiita.

Durante a Guerra Civil Libanesa, 92 estrangeiros são sequestrados, entre eles 17 norte-americanos. Os sequestros são realizados pela milícia fundamentalista xiita Hesbolá (Partido de Deus), fundado em 1982 em reação à invasão israelense ao Líbano.

Vários norte-americanos são sequestrados pouco depois que a Justiça do Kuwait condena 17 xiitas pelos atentados a bomba contra os quartéis-generais dos Fuzileiros Navais dos EUA e da Legião Estrangeira da França em Beirute, em 23 de outubro de 1983.

Em 1990, quando a a Guerra Civil Libanesa chega ao fim, os EUA melhoram as relações com o Irã e a Síria. Isto ajuda a libertação dos reféns.

MISSÃO CONTRA A FOME

    Em 1992, depois de perder a eleição presidencial, diante da fome na região do Chifre da África, o presidente George Bush manda 28 mil soldados dos Estados Unidos para a Somália em missão humanitária.

Bush justifica a Operação Restaurar a Esperança para salvar mais de um milhão de vidas somalianas. Em 1992, uma guerra civil entre clãs que vem desde a queda do ditador Mohamed Siad Barre, em 26 de janeiro de 1991, e uma das piores secas do século na África deixam um quarto da população da Somália à beira da fome.

As Nações Unidas iniciam uma missão humanitária para distribuir alimentos e remédios em agosto de 1992, sem sucesso. Como os capacetes azuis da ONU não conseguem controlar a guerra civil, milhares de toneladas de alimentos se deterioram em armazéns portuários.

Cinco dias depois do anúncio de Bush, os primeiros fuzileiros navais desembarcam em Mogadíscio. Os EUA conseguem distribuir ajuda humanitária enquanto  não intervêm na guerra civil somaliana. Em maio de 1993, já no governo Bill Clinton (1993-2001), os EUA entregam formalmente o comando da missão à ONU.

Em 5 de junho de 1993, quando restam 4,3 mil soldados norte-americanos na Somália, 24 soldados paquistaneses da ONU morrem numa emboscada dos rebeldes liderados pelo general Mohamed Farah Aidid, o senhor da guerra no controle da região de Mogadíscio.

As forças dos EUA e da ONU começam então uma caçada a Aidid, com 400 soldados de elite da Força Delta enviados especialmente para capturar o senhor da guerra mais procurado da Somália.

Dois meses depois, em 3 a 4 de outubro, 18 soldados norte-americanos são mortos e 84 feridos na Batalha de Mogadíscio, retratada no filme Falcão Negro em Perigo. A batalha dura 17 horas. É o combate mais violento dos EUA desde a Guerra do Vietnã (1955-75). Cerca de mil somalianos morrem.

Três dias depois, Clinton anuncia a retirada total. Os últimos soldados dos EUA deixam a Somália em 25 de março de 1994. Fica uma força de paz da ONU de 20 mil homens que sai em 1995 sem pacificar o país.

A última missão da ONU começa em 2014. Foi prorrogada várias vezes, com nomes diferentes. A mais recente inicia em 1º de novembro de 2024.

Por causa da tragédia na Somália, o presidente Clinton decide não intervir em Ruanda, onde um genocídio mata cerca de 800 mil pessoas de 7 de abril a 15 de julho de 1994, no que ele considera seu maior erro de política externa.

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segunda-feira, 10 de novembro de 2025

Hoje na História do Mundo: 10 de Novembro

  FUZILEIROS NAVAIS

    Em 1775, durante a Guerra da Independência dos Estados Unidos (1775-83), o Congresso Continental aprova uma resolução para criar "dois batalhões de fuzileiros navais", soldados de infantaria embarcados na recém-criada Marinha para desembarcar em operações de assalto anfíbio.

A data é comemorada como o nascimento do Corpo dos Fuzileiros Navais, uma das armas das Forças Armadas dos EUA. 

Depois do fim da guerra, tanto a Marinha quanto os batalhões de fuzileiros navais são desmobilizados. Mas os conflitos no mar com a França revolucionária levam à recriação da Marinha em maio de 1798. Dois meses depois, em 11 de julho, o Corpo de Fuzileiros Navais torna-se uma força permanente, sob o controle do Departamento da Marinha.

Além da quase guerra com a França, os fuzileiros navais combatem a pirataria no Oceano Atlântico e invadem o Marrocos. Até hoje, os marines participaram de mais de 300 invasões norte-americanas. Os EUA têm hoje cerca de 170 mil fuzileiros navais e mais 33 mil reservistas da arma.

"DR. LIVINGSTONE, EU PRESUMO"

    Em 1871, o jornalista britânico Henry Stanley encontra o Dr. David Livingstone, médico, cientista, missionário e abolicionista escocês, talvez o mais famoso dos exploradores africanos.

O Dr. Livingstone viaja por todo o Deserto do Kalahari, percorre o Rio Zambeze e descobre as espetaculares Cataratas de Vitória, em 16 de novembro de 1855, batizando-as em homenagem à Rainha da Inglaterra.

A área é preservada hoje como Parque Nacional Mosi-oa-Tunya (Fumo que Troveja), o nome local da cachoeira, na Zâmbia. Desde 1989, é patrimônio cultural da humanidade mantido pela Unesco (Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura).

Ao chegar à foz do Zambeze, no Oceano Índico, em 1842, o Dr. Livingstone se torna o primeiro ocidental a cruzar a África Meridional de costa a costa. Em 15 anos, atravessa duas vezes o Deserto de Kalahari, vai de Angola a Moçambique pelo Zambeze, descobre as cataratas de Vitória e é o primeiro europeu a atravessar o Lago Tanganica. Cruza o Quênia, a Tanzânia e Uganda.

Em 1866, o Dr. Livingstone sai do porto de Zanzibar, no Oceano Índico, para chegar ao Lago Niassa. Abandonado por guias africanos que roubam a comida e os medicamentos, enfraquecido pela malária, chega à aldeia Ujiji, no lago Tanganica.

Desaparecido há anos, é dado como morto na Inglaterra quando quando o jornal nova-iorquino New York Herald encarrega o repórter Henry Stanley de encontrá-lo, em março de 1871. Com um batalhão de 200 guias e carregadores, ele encontra o Dr. Livingstone entre 24 e 28 de outubro, de acordo com o diário do explorador, ou em 10 de novembro de 1871, de acordo com Stanley. 

Ao encontrar o explorador, Stanley diz uma frase que entrou para a história: “Dr. Livingstone, eu presumo?” A resposta: “Sim, eu me sinto muito grato por recebê-lo”. Stanley insiste para que volte para a Inglaterra, mas Livingstone tinha dedicado sua vida à África. Frágil e doente depois de muitas malárias, David Livingstone morre na aldeia do chefe chitambo, na Rodésia do Norte, hoje Zâmbia, em 1º de maio de 1873. 

 ESTADO NOVO

    Em 1937, o presidente Getúlio Vargas dá um golpe de Estado, fecha o Congresso, impõe uma Constituição outorgada e instaura a ditadura do Estado Novo, um período marcado pelo autoritarismo, o nacionalismo, a censura, a tortura e o anticomunismo, sob inspiração do nazifascismo europeu.

A desculpa para o golpe é o Plano Cohen, uma suposta conspiração comunista para tomar o poder no Brasil. Mais tarde, sabe-se que é  forjado pelo capitão Olímpio Mourão Filho, o mesmo que, como coronel, deflagra o golpe militar de 1964 ao marchar da guarnição de Juiz de Fora rumo ao Rio de Janeiro.

Em manifesto à nação, Vargas alega que o golpe visa a "ajustar o organismo político às necessidades econômicas do país".

A entrada do Brasil na Segunda Guerra Mundial (1939-45) ao lado dos Estados Unidos e os ataques de submarinos alemães a navios brasileiros no Oceano Atlântico afastam o Brasil do nazifascismo. 

Com o fim da guerra, Vargas cai e o país vive seu primeiro período democrático, sob a Constituição de 1946, até o golpe militar de 31 de março de 1964, início de uma ditadura de 21 anos.

SARO-WIWA ENFORCADO

    Em 1995, a ditadura do general Sani Abacha enforca o escritor e ativista nigeriano Ken Saro-Wiwa e outros oito militantes do Movimento pela Sobrevivência do Povo Ogôni.

O escritor pretexta inocência e afirma estar sendo condenado por criticar a exploração de petróleo nas terras da etnia ogôni pela empresa multinacional Shell, mas Abacha rejeita os pedidos de clemência e até mesmo de adiar a execução.

A ditadura acaba com a morte de Abacha, em 8 de junho de 1998, envenenado, possivelmente com Viagra falsificado, quando se divertia com duas prostitutas. Desde então, a Nigéria vive um período democrático.

RENÚNCIA DE EVO

    Em 2019,  o primeiro presidente indígena da Bolívia, Evo Morales, renuncia e foge para o México sob pressão de uma onda de violência depois que a Organização dos Estados Americanos (OEA) considera sua reeleição fraudulenta. Evo, ex-líder sindical dos produtores de coca, afirma ter sido vítima de um golpe de Estado.

No poder desde 2006, Morales, como fiel discípulo de Fidel Castro e Hugo Chávez, não tem a menor intenção de entregar o poder. Por força da Constituição aprovada por sua iniciativa, não pode concorrer a um terceiro mandato, mas alega, em 2014, que sua primeira eleição, em 2005, fora sob a Constituição anterior.

Em 2016, Evo Morales perde um plebiscito para acabar com limites à reeleição. Mesmo assim, recorre ao Tribunal Constitucional alegando, com base em decisão da Corte Interamericana de Direitos Humanos, o Tribunal de São José, em outro caso, que ser candidato é um direito humano fundamental.

Como dificilmente venceria no segundo turno, quanto toda a oposição se uniria ao redor de Mesa, Morales frauda a eleição e grita golpe quando a população revoltada sai às ruas. Depois de se negar a fazer qualquer concessão, em 30 de outubro, Morales aceita uma auditoria da OEA.

A missão da OEA suspeita desde a mudança abrupta no resultado depois de interrupções na apuração. A auditoria revela que houve seções eleitorais sem nenhuma abstenção, urnas em que todas as cédulas foram preenchidas pela mesma pessoa e irregularidades na transmissão dos resultados para o Tribunal Supremo Eleitoral.

Morales aceita, então, realizar nova eleição com novas autoridades eleitorais, como recomenda a OEA. A oposição exige que ele não se candidate à reeleição. Diante do impasse e do risco de aumento da violência, os comandantes das Forças Armadas e da Polícia e a poderosa Central Operária Boliviana (COB) sugerem a renúncia do presidente.

Tecnicamente, é um golpe de Estado porque comandantes militares não podem recomendar a renúncia do presidente. Na realidade, é um contragolpe, depois dos golpes de Morales ao forçar mais uma reeleição e fraudar a eleição.

A renúncia coletiva dele e dos presidentes da Câmara e do Senado é o terceiro golpe de Evo Morales contra as instituições e a democracia bolivianas. Deixa o Estado totalmente acéfalo, apostando no caos para tentar voltar ao poder como salvador da pátria, e fuge para o exílio no México.

Morales regressa do exílio e o MAS volta ao poder em 2020 com a eleição Luis Arce, seu ministro de Economia e Finanças. Hoje Morales trava uma guerra interna dentro do partido contra Arce para ser candidato à Presidência em 2025. 

Com a guerra interna, o MAS recebe apenas 3% dos votos na eleição presidencial deste ano. Rodrigo Paz Pereira, de centro-direita, é eleito no segundo turno.

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sexta-feira, 11 de abril de 2025

Hoje na História do Mundo: 11 de Abril

 NAPOLEÃO VAI PARA O EXÍLIO EM ELBA

    Em 1814, o imperador Napoleão Bonaparte, um dos maiores generais de todos os tempos, abdica ao trono da França e vai para o exílio na Ilha de Elba, no Mar Mediterrâneo.

Napoleão nasce em Ajácio, na Córsega, em 15 de agosto de 1769, dois anos depois que a ilha passa ao domínio da França. Depois de fazer a escola militar, ele ascende nas Forças Armadas com a Revolução Francesa de 1789, que expurga os oficiais de origem aristocrática. Em 1795, é promovido a general e leva o Exército da França a uma série de vitórias militares na Europa.

Ele toma um poder num golpe militar em 12 de dezembro de 1799. Torna-se primeiro cônsul da França, acaba com a revolução e vira ditador.

Em 1804, Napoleão obriga o papa a coroá-lo imperador. Com mais vitórias militares, conquista uma grande parte da Europa e promove reformas de longo impacto, impondo reformas judiciárias, constituições e o direito de voto para todos os homens, acabando com os resquícios de feudalismo.

No Código Napoleônico, até hoje a base do Direito Civil na França e nos países latinos, inclusive no Brasil, consolida as liberdades conquistadas pela Revolução Francesa como a tolerância religiosa.

Em 1812, comete seu maior erro estratégico. Invade a Rússia com o Grande Exército, de mais de 600 mil homens. A França vence a Batalha de Borodino, mas é uma vitória de Pirro. As baixas francesas ficam perto das russas.

Os russos abandonam e incendeiam Moscou, deixando os franceses sem comida e abrigo. A retirada, durante o outono no Hemisfério Norte, é catastrófica. Toda a Europa se une contra Napoleão. Ele se oferece para abdicar em favor de seu filho, mas a proposta é rejeitada.

Com 700 homens, Napoleão foge do exílio em 26 de fevereiro de 1815, volta a Paris, retoma o poder e reina por 110 dias, até a derrota final na Batalha de Waterloo, na Bélgica, em 18 de junho do mesmo ano. Em 22 de junho, abdica em favor de seu filho, sai de Paris e tenta fugir para os Estados Unidos, mas é capturado pela Marinha Real britânica.

No exílio na Ilha de Santa Helena, no Oceano Atlântico, Napoleão escreve um livro sobre Júlio César, um de seus grandes heróis, e aprende inglês para ler jornais, já que jornais franceses não chegam à ilha. Ele morre em 5 de maio de 1821.

JOSÉ MARTÍ INVADE CUBA

    Em 1895, o poeta e ensaísta cubano José Martí, herói da independência de Cuba, entra em ilha como líder de uma força invasora que luta contra o colonialismo da Espanha.

José Julián Martí y Pérez nasce em Havana em 28 de janeiro de 1853. Cresce na capital cubana. Aos 15 anos, publica vários poemas. Aos 16 anos, funda o jornal La Patria Libre. Durante uma revolta nacionalista em 1868, fica do lado dos patriotas. É preso e condenado a seis meses de trabalhos forçados. Em 1871, é deportado para a Espanha.

Lá, continua seus estudos e se forma em direito na Universidade de Saragoça em 1874. Nos próximos anos, vive na França, no México e na Guatemala, onde escreve e trabalha como professor. Volta a Cuba em 1878.

Por causa das atividades políticas, é exilado mais uma vez na Espanha em 1879. Vai para a França, Nova York e a Venezuela, onde funda a Revista Venezolana em 1881. A publicação provoca a ira do ditador venezuelano Antonio Guzmán Blanco. No mesmo ano, volta para Nova York, onde continua escrevendo artigos, ensaios e poemas.

Sua coluna no jornal argentino La Nación o torna famoso em toda a América Latina. O livro Versos Libres mostra uma poética singular tendo como tema a liberdade. Nos ensaios Nuestra América (1881), Emerson (1882), Whitman (1887) e Bolívar (1893), expressa suas visões sobre a América Latina e os Estados Unidos.

Em 1892, Martí rejeita o título de presidente e é eleito delegado do Partido Revolucionário Cubano. Em Nova York, planeja a invasão de Cuba. Vai para São Domingos, capital da República Dominica, em 31 de janeiro de 1895. Junto com o líder revolucionário Máximo Gómez e outros patriotas, invade Cuba em 11 de abril. 

José Martí morre numa batalha em Dois Rios, na província do Oriente, em 19 de maio, aos 42 anos. Cuba conquista a independência depois da Guerra Hispano-Americana (1898), em que os EUA derrotam a Espanha.

Depois da morte, são publicadas coletâneas de seus textos políticos: Dentro do Monstro: escritos sobre os EUA e o imperialismo norte-americano (1975), Nossa América: escritos sobre a América Latina e a luta pela independência de Cuba (1978) e Sobre a Educação (1979).

JULGAMENTO DE EICHMANN

    Em 1961, começa em Jerusalém o julgamento do carrasco nazista Adolf Eichmann, que dura oito meses e termina com a única sentença de morte imposta até hoje pela Justiça de Israel.

Eichmann nasce em Solingen, na Alemanha, em 19 de março de 1906. Durante a Primeira Guerra Mundial (1914-18), a família se muda para Linz, na Áustria. Ele trabalha como caixeiro viajante para uma companhia de petróleo e perde o emprego durante a Grande Depressão (1929-39).

Em abril de 1932, Eichmann entra para o Partido Nazista. Em novembro, se torna membro da SS, a força paramilitar do partido. De janeiro a outubro de 1934, ele serve na unidade da SS no campo de concentração de Dachau. Depois, vai para o escritório central do serviço secreto da SS, em Berlim, onde trabalha na seção encarregada da questão judaica.

Ele sobe na hierarquia da SS. Quando a Alemanha Nazista anexa a Áustria, em março de 1938, é enviado para livrar Viena de judeus. Um ano depois, com a anexação da Tcheco-Eslováquia, vai a Praga com a mesma missão.

Quando Heinrich Himmler cria o Escritório Central de Segurança do Reich, em 1939, Eichmann é transferido para sua seção de questões judaicas. Na Conferência do Lago Wannsee, em Berlim, em 20 de janeiro de 1942, os líderes nazistas aprovam a "solução final" para os judeus da Alemanha e dos países conquistados, o genocídio cometido no Holocausto. Eichmann é o principal executor.

Cabe a ele identificar, reunir e transportar todos os judeus da Europa ocupada para centros de extermínio como o campo de concentração de Auschwitz-Birkenau. Seis milhões, 60% dos judeus da Europa, morrem no Holocausto.

No fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45), os Estados Unidos prendem Eichmann, mas em 1946 ele consegue escapar. Depois de alguns anos vivendo na Alemanha com identidade falsa, ele foge para a Argentina em 1958 através da Áustria e da Itália.

Em 11 de maio de 1960, o serviço secreto de Israel sequestra Eichmann perto de Buenos Aires e nove dias depois o leva para Israel. O julgamento por juízes judeus num Estado judeu que não existia na época do Holocausto suscita dúvidas sobre legalidade e legitimidade. Há propostas para que Eichmann seja processado por um tribunal internacional, mas Israel faz questão de realizar o julgamento, inclusive como educação sobre o Holocausto.

No tribunal, ele alega que não é antissemita, mas apenas um burocrata obediente que cumpria rigorosamente as ordens. Em 15 de dezembro de 1961, o julgamento termina com a condenação de Eichmann, que é enforcado em 31 de maio de 1962.

FUGA DE IDI AMIN

    Em 1979, quando as forças da Tanzânia se aproximam de Kampala, Idi Amin Dada, o protótipo do ditador africano cruel e brutal, que se torna conhecido como o Carniceiro de Uganda, foge.

Idi Amin nasce em 1924 ou 1925 e tem pouca educação formal. Em 1946, ele entra para o exército colonial britânico como auxiliar de cozinheiro. Ele alega ter lutado na Birmânia durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45), mas só entra para o exército depois do fim da guerra. Luta contra a Revolta dos Mau Mau (1952-56) no Quênia, um episódio trágico da descolonização da África.

Quando Uganda se torna independente, em 1962, Idi Amin se aproxima do primeiro-ministro e presidente Milton Obote. Ele se torna comandante do Exército e da Força Aérea, dá um golpe em 25 de janeiro de 1971 e impõe uma tirania.

Em 1972, expulsa os asiáticos de Uganda, na maioria indianos, o que tem forte impacto negativo na economia. Muçulmano, hostiliza Israel, se aproxima da Líbia e dos palestinos. Envolve-se diretamente no sequestro de um avião francês desviado para Entebe, em 1976, quando comandos israelenses invadem o país para resgatar os reféns.

Cerca de 300 mil pessoas morrem sob a ditadura de Idi Amin, comparado pelo senador Paulo Brossard ao ditador brasileiro Ernesto Geisel (1974-79) no discurso Carranca não é autoridade.

Em outubro de 1978, Idi Amin ordena um ataque à vizinha Tanzânia. Com o apoio da oposição em Uganda, o Exército da Tanzânia vence a guerra. Quando as forças tanzanianas se aproximam de Kampala, a capital de Uganda, em 11 de abril de 1979, Idi Amin foge para a Líbia e depois para a Arábia Saudita, onde morre em 16 de agosto de 2003.

quarta-feira, 19 de março de 2025

Hoje na História do Mundo: 19 de Março

 CONJURAÇÃO DE AMBOISE

    Em 1560, uma conspiração de aristocratas huguenotes (protestantes) contra a poderosa família católica Guise fracassa na França.

Com a ascensão do rei Francisco II ao trono da França com apenas 14 anos, a família Guise se torna muito poderosa, o que gera inimizade dentro da própria nobreza. 

A conspiração é articulada. A cara do movimento é um nobre huguenote conhecido como La Renaudie. Por trás, está Luís I de Bourbon, príncipe de Condé. Os Guise ficam sabendo quando a corte está em Blois e levam o rei para Amboise.

La Renaudie adia os planos. Os conspiradores se dividem em pequenos grupos e se infiltram na Floresta de Amboise. Como são traídos, o inimigo os espera. Em 19 de março, La Renaudie e outros conspiradores atacam o Castelo de Amboise. O assédio é repelido, La Renaudie morre e vários conspiradores são presos.

A vingança da família Guise é cruel e impiedosa. Por uma semana, há tortura, enforcamentos, esquartejamentos e corpos jogados no Rio Loire. Condé é condenado à morte, mas a morte do rei Francisco II, em dezembro, o salva.

NEVADA LEGALIZA O JOGO

    Em 1931, o estado de Nevada legaliza o jogo e abre o caminho para a instalação de cassinos, especialmente na cidade de Las Vegas.

Única grande cidade do Oeste dos Estados Unidos fundada no século 20, Las Vegas evolui de uma cidadezinha construída ao redor de uma estação ferroviária no início do século passado para a cidade que mais crescia no país no fim do século, com seus cassinos e hotéis cinematográficos que atraem dezenas de milhões de turistas por ano.

Las Vegas é mais procurada do que atrações turísticas como o Grand Canyon e o Parque Nacional de Yellowstone.

Com uma população de 648 mil pessoas e mais de 2,8 milhões na região metropolitana, Las Vegas é a maior e mais rica cidade de Nevada. É a cidade de um milhão de luzes, com sua arquitetura exuberante e exagerada, de uma riqueza ostensiva e brega.

INDEPENDÊNCIA DA ARGÉLIA

    Em 1962, autoridades da França e líderes da Frente de Libertação Nacional (FLN) da Argélia assinam os Acordos de Evian, que acabam com uma guerra de oito anos e dão independência ao país do Norte da África.

A Guerra da Independência da Argélia foi uma das principais guerra de descolonização da segunda metade do século 20, marcada por uma guerra de guerrilhas e crimes de guerra cometidos pelos dois lados. Começa em 1º de novembro de 1954, o Dia de Todos os Santos Vermelho.

A brutalidade do Exército da França alienou os argelinos, que aderiram à revolução, acabou com o apoio à guerra colonial na França Metropolitana e abalou o prestígio internacional do país. A Quarta República (1946-58) acaba e dá lugar à Quinta República, sob a égide do general Charles de Gaulle.

Depois de uma onda de manifestações pela independência nas principais cidades argelinas, em 1960, e de uma resolução das Nações Unidas sobre o direito à independência, o então presidente De Gaulle inicia negociações com a FLN.

DYLAN LANÇA PRIMEIRO ÁLBUM

    Em 1962, o cantor e compositor norte-americano Bob Dylan, que foi do folk ao rock e é considerado o maior poeta da história do rock, lança seu primeiro álbum, Bob Dylan. Ele ganha o Prêmio Nobel de Literatura de 2016.

Robert Allen Zimmerman nasce em Dulluth, no estado de Minnesota, nos Estados Unidos, em 24 de maio de 1941, numa família judaica. Ele cresce na cidade mineira de Hibbing, no mesmo estado. 

Sob influência da música de Woodie Guthrie, Hank Williams, Little Richard, Elvis Presley e Johnny Ray, Bob compra seu primeiro violão aos 14 anos, em 1955. Antes de entrar para a Universidade de Minnesota em Mineápolis, em 1959, ele toca piano na banda do pop star Bobby Vee.

Quando está na faculdade, descobre o bairro boêmio de Mineápolis, Dinkytown. Fã da poesia beat e de Woodie Guthrie, toca música folclórica  e adota o nome de Dylan em homenagem ao poeta galês Dylan Thomas.

Para encontrar Guthrie, que está hospitalizado em Nova Jérsei, Dylan se muda para Nova York em janeiro de 1961 e começa a tocar na noite no Greenwich Village, o bairro beat the Manhattan. Logo arregimenta um grupo de fãs e é contratado para tocar harmônica numa gravação de Harry Belafonte.

Uma crítica laudatória de Robert Shelton no jornal The New York Times de um show em setembro de 1961 rende um contrato com a Columbia Records. O primeiro álbum é recebido com críticas positivas e negativas, como o lamento de um caubói do Meio-Oeste com voz rouca.

O segundo álbum, Freewhelin' Bob Dylan, lançado em maio de 1963, o coloca como uma voz da contracultura, um rebelde com causa. Seu primeiro sucesso, Blowin' in the Wind, lhe dá o status de grande artista.

Em 1963, Dylan faz seu primeiro concerto em Nova York. Em maio, quando é proibido de tocar Talkin' John Birch Paranoid Blues no programa de televisão Ed Sullivan Show, onde os Beatles haviam aparecido pela primeira vez em rede nacional de televisão nos EUA, ele rejeita a censura e se retira, mas perde uma grande oportunidade.

No verão daquele ano, por indicação da cantora Joan Baez, que namora de 1961 a 1965, Dylan se apresenta no Newport Folk Festival e é coroado rei da música folclórica dos EUA. 

Em 28 de agosto de 1963, Dylan e Joan Baez cantam na Marcha sobre Washington, em que o reverendo Martin Luther King Jr., líder da luta pacífica pelos direitos civis dos negros, faz o famoso discurso Eu Tenho um Sonho. Seu próximo álbum, The Times They Are A-Changin', de 1964, consolida sua fama de cantor rebelde de músicas de protesto. Em Another Side of Bob Dylan, ele começa a desafiar esse rótulo.

A grande mudança vem em Bringing It All Back Home (1965) quando Dylan introduz instrumentos elétricos para desesperdo dos puristas do folk. A banda de folk rock The Byrds chega ao topo das paradas de sucessos com uma versão de Mr. Tambourine Man com uma guitarra de 12 cordas.

Em junho de 1965, Dylan grava seu maior sucesso, Like a Rolling Stone, e se consolida como um dos maiores músicos e poetas da história do rock.