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quinta-feira, 19 de março de 2026

Hoje na História do Mundo: 19 de Março

 CONJURAÇÃO DE AMBOISE

    Em 1560, uma conspiração de aristocratas huguenotes (protestantes) contra a poderosa família católica Guise fracassa na França.

Com a ascensão do rei Francisco II ao trono da França com apenas 14 anos, a família Guise se torna muito poderosa, o que gera inimizade dentro da própria nobreza. 

A conspiração é articulada. A cara do movimento é um nobre huguenote conhecido como La Renaudie. Por trás, está Luís I de Bourbon, príncipe de Condé. Os Guise ficam sabendo quando a corte está em Blois e levam o rei para Amboise.

La Renaudie adia os planos. Os conspiradores se dividem em pequenos grupos e se infiltram na Floresta de Amboise. Como são traídos, o inimigo os espera. Em 19 de março, La Renaudie e outros conspiradores atacam o Castelo de Amboise. O assédio é repelido, La Renaudie morre e vários conspiradores são presos.

A vingança da família Guise é cruel e impiedosa. Por uma semana, há tortura, enforcamentos, esquartejamentos e corpos jogados no Rio Loire. Condé é condenado à morte, mas a morte do rei Francisco II, em dezembro, o salva.

NEVADA LEGALIZA O JOGO

    Em 1931, o estado de Nevada legaliza o jogo e abre o caminho para a instalação de cassinos, especialmente na cidade de Las Vegas.

Única grande cidade do Oeste dos Estados Unidos fundada no século 20, Las Vegas evolui de uma cidadezinha construída ao redor de uma estação ferroviária no início do século passado para a cidade que mais crescia no país no fim do século, com seus cassinos e hotéis cinematográficos que atraem dezenas de milhões de turistas por ano.

Las Vegas é mais procurada do que atrações turísticas como o Grand Canyon e o Parque Nacional de Yellowstone.

Com uma população de 648 mil pessoas e mais de 2,8 milhões na região metropolitana, Las Vegas é a maior e mais rica cidade de Nevada. É a cidade de um milhão de luzes, com sua arquitetura exuberante e exagerada, de uma riqueza ostensiva e brega.

INDEPENDÊNCIA DA ARGÉLIA

    Em 1962, autoridades da França e líderes da Frente de Libertação Nacional (FLN) da Argélia assinam os Acordos de Evian, que acabam com uma guerra de oito anos e dão independência ao país do Norte da África.

A Guerra da Independência da Argélia foi uma das principais guerra de descolonização da segunda metade do século 20, marcada por uma guerra de guerrilhas e crimes de guerra cometidos pelos dois lados. Começa em 1º de novembro de 1954, o Dia de Todos os Santos Vermelho.

A brutalidade do Exército da França alienou os argelinos, que aderiram à revolução, acabou com o apoio à guerra colonial na França Metropolitana e abalou o prestígio internacional do país. A Quarta República (1946-58) acaba e dá lugar à Quinta República, sob a égide do general Charles de Gaulle.

Depois de uma onda de manifestações pela independência nas principais cidades argelinas, em 1960, e de uma resolução das Nações Unidas sobre o direito à independência, o então presidente De Gaulle inicia negociações com a FLN.

DYLAN LANÇA PRIMEIRO ÁLBUM

    Em 1962, o cantor e compositor norte-americano Bob Dylan, que foi do folk ao rock e é considerado o maior poeta da história do rock, lança seu primeiro álbum, Bob Dylan. Ele ganha o Prêmio Nobel de Literatura de 2016.

Robert Allen Zimmerman nasce em Dulluth, no estado de Minnesota, nos Estados Unidos, em 24 de maio de 1941, numa família judaica. Ele cresce na cidade mineira de Hibbing, no mesmo estado. 

Sob influência da música de Woodie Guthrie, Hank Williams, Little Richard, Elvis Presley e Johnny Ray, Bob compra seu primeiro violão aos 14 anos, em 1955. Antes de entrar para a Universidade de Minnesota em Mineápolis, em 1959, ele toca piano na banda do pop star Bobby Vee.

Quando está na faculdade, descobre o bairro boêmio de Mineápolis, Dinkytown. Fã da poesia beat e de Woodie Guthrie, toca música folclórica  e adota o nome de Dylan em homenagem ao poeta galês Dylan Thomas.

Para encontrar Guthrie, que está hospitalizado em Nova Jérsei, Dylan se muda para Nova York em janeiro de 1961 e começa a tocar na noite no Greenwich Village, o bairro beat the Manhattan. Logo arregimenta um grupo de fãs e é contratado para tocar harmônica numa gravação de Harry Belafonte.

Uma crítica laudatória de Robert Shelton no jornal The New York Times de um show em setembro de 1961 rende um contrato com a Columbia Records. O primeiro álbum é recebido com críticas positivas e negativas, como o lamento de um caubói do Meio-Oeste com voz rouca.

O segundo álbum, Freewhelin' Bob Dylan, lançado em maio de 1963, o coloca como uma voz da contracultura, um rebelde com causa. Seu primeiro sucesso, Blowin' in the Wind, lhe dá o status de grande artista.

Em 1963, Dylan faz seu primeiro concerto em Nova York. Em maio, quando é proibido de tocar Talkin' John Birch Paranoid Blues no programa de televisão Ed Sullivan Show, onde os Beatles haviam aparecido pela primeira vez em rede nacional de televisão nos EUA, ele rejeita a censura e se retira, mas perde uma grande oportunidade.

No verão daquele ano, por indicação da cantora Joan Baez, que namora de 1961 a 1965, Dylan se apresenta no Newport Folk Festival e é coroado rei da música folclórica dos EUA. 

Em 28 de agosto de 1963, Dylan e Joan Baez cantam na Marcha sobre Washington, em que o reverendo Martin Luther King Jr., líder da luta pacífica pelos direitos civis dos negros, faz o famoso discurso Eu Tenho um Sonho. Seu próximo álbum, The Times They Are A-Changin', de 1964, consolida sua fama de cantor rebelde de músicas de protesto. Em Another Side of Bob Dylan, ele começa a desafiar esse rótulo.

A grande mudança vem em Bringing It All Back Home (1965) quando Dylan introduz instrumentos elétricos para desesperdo dos puristas do folk. A banda de folk rock The Byrds chega ao topo das paradas de sucessos com uma versão de Mr. Tambourine Man com uma guitarra de 12 cordas.

Em junho de 1965, Dylan grava seu maior sucesso, Like a Rolling Stone, e se consolida como um dos maiores músicos e poetas da história do rock.

ARGENTINA SE MOBILIZA PARA TOMAR MALVINAS

    Em 1982, depois de um conflito entre trabalhadores argentinos e cientistas britânicos na Ilha Geórgia do Sul, a Argentina mobiliza as Forças Armadas para invadir as Ilhas Malvinas, que os britânicos chamam de Falklands.

Durante a última ditadura militar (1976-83), em 2 de abril de 1982, a Argentina invade as Ilhas Malvinas. O ditador Leopoldo Galtieri supõe que o Reino Unido não vai lutar por "umas ilhotas". Mas a primeira-ministra Margaret Thatcher não aceita o que seria uma humilhação para uma grande potência e envia uma força-tarefa que retoma as ilhas.

A Argentina se rende em 14 de junho depois da morte de 649 argentinos e 258 britânicos. O tenente de navio Alfredo Astiz, torturador assassino acusado pela morte de duas freiras franceses e de Dagmar Hagelin, uma menina sueco-argentina de 17 anos morta com um tiro pelas costas, é o governador militar da Geórgia do Sul. Rende-se sem disparar um tiro. É preso pelos britânicos. Thatcher o entrega à Argentina, apesar dos pedidos de extradição da França e da Suécia.

Desmoralizada, a ditadura militar argentina cai em 1983.

quarta-feira, 19 de março de 2025

Hoje na História do Mundo: 19 de Março

 CONJURAÇÃO DE AMBOISE

    Em 1560, uma conspiração de aristocratas huguenotes (protestantes) contra a poderosa família católica Guise fracassa na França.

Com a ascensão do rei Francisco II ao trono da França com apenas 14 anos, a família Guise se torna muito poderosa, o que gera inimizade dentro da própria nobreza. 

A conspiração é articulada. A cara do movimento é um nobre huguenote conhecido como La Renaudie. Por trás, está Luís I de Bourbon, príncipe de Condé. Os Guise ficam sabendo quando a corte está em Blois e levam o rei para Amboise.

La Renaudie adia os planos. Os conspiradores se dividem em pequenos grupos e se infiltram na Floresta de Amboise. Como são traídos, o inimigo os espera. Em 19 de março, La Renaudie e outros conspiradores atacam o Castelo de Amboise. O assédio é repelido, La Renaudie morre e vários conspiradores são presos.

A vingança da família Guise é cruel e impiedosa. Por uma semana, há tortura, enforcamentos, esquartejamentos e corpos jogados no Rio Loire. Condé é condenado à morte, mas a morte do rei Francisco II, em dezembro, o salva.

NEVADA LEGALIZA O JOGO

    Em 1931, o estado de Nevada legaliza o jogo e abre o caminho para a instalação de cassinos, especialmente na cidade de Las Vegas.

Única grande cidade do Oeste dos Estados Unidos fundada no século 20, Las Vegas evolui de uma cidadezinha construída ao redor de uma estação ferroviária no início do século passado para a cidade que mais crescia no país no fim do século, com seus cassinos e hotéis cinematográficos que atraem dezenas de milhões de turistas por ano.

Las Vegas é mais procurada do que atrações turísticas como o Grand Canyon e o Parque Nacional de Yellowstone.

Com uma população de 648 mil pessoas e mais de 2,8 milhões na região metropolitana, Las Vegas é a maior e mais rica cidade de Nevada. É a cidade de um milhão de luzes, com sua arquitetura exuberante e exagerada, de uma riqueza ostensiva e brega.

INDEPENDÊNCIA DA ARGÉLIA

    Em 1962, autoridades da França e líderes da Frente de Libertação Nacional (FLN) da Argélia assinam os Acordos de Evian, que acabam com uma guerra de oito anos e dão independência ao país do Norte da África.

A Guerra da Independência da Argélia foi uma das principais guerra de descolonização da segunda metade do século 20, marcada por uma guerra de guerrilhas e crimes de guerra cometidos pelos dois lados. Começa em 1º de novembro de 1954, o Dia de Todos os Santos Vermelho.

A brutalidade do Exército da França alienou os argelinos, que aderiram à revolução, acabou com o apoio à guerra colonial na França Metropolitana e abalou o prestígio internacional do país. A Quarta República (1946-58) acaba e dá lugar à Quinta República, sob a égide do general Charles de Gaulle.

Depois de uma onda de manifestações pela independência nas principais cidades argelinas, em 1960, e de uma resolução das Nações Unidas sobre o direito à independência, o então presidente De Gaulle inicia negociações com a FLN.

DYLAN LANÇA PRIMEIRO ÁLBUM

    Em 1962, o cantor e compositor norte-americano Bob Dylan, que foi do folk ao rock e é considerado o maior poeta da história do rock, lança seu primeiro álbum, Bob Dylan. Ele ganha o Prêmio Nobel de Literatura de 2016.

Robert Allen Zimmerman nasce em Dulluth, no estado de Minnesota, nos Estados Unidos, em 24 de maio de 1941, numa família judaica. Ele cresce na cidade mineira de Hibbing, no mesmo estado. 

Sob influência da música de Woodie Guthrie, Hank Williams, Little Richard, Elvis Presley e Johnny Ray, Bob compra seu primeiro violão aos 14 anos, em 1955. Antes de entrar para a Universidade de Minnesota em Mineápolis, em 1959, ele toca piano na banda do pop star Bobby Vee.

Quando está na faculdade, descobre o bairro boêmio de Mineápolis, Dinkytown. Fã da poesia beat e de Woodie Guthrie, toca música folclórica  e adota o nome de Dylan em homenagem ao poeta galês Dylan Thomas.

Para encontrar Guthrie, que está hospitalizado em Nova Jérsei, Dylan se muda para Nova York em janeiro de 1961 e começa a tocar na noite no Greenwich Village, o bairro beat the Manhattan. Logo arregimenta um grupo de fãs e é contratado para tocar harmônica numa gravação de Harry Belafonte.

Uma crítica laudatória de Robert Shelton no jornal The New York Times de um show em setembro de 1961 rende um contrato com a Columbia Records. O primeiro álbum é recebido com críticas positivas e negativas, como o lamento de um caubói do Meio-Oeste com voz rouca.

O segundo álbum, Freewhelin' Bob Dylan, lançado em maio de 1963, o coloca como uma voz da contracultura, um rebelde com causa. Seu primeiro sucesso, Blowin' in the Wind, lhe dá o status de grande artista.

Em 1963, Dylan faz seu primeiro concerto em Nova York. Em maio, quando é proibido de tocar Talkin' John Birch Paranoid Blues no programa de televisão Ed Sullivan Show, onde os Beatles haviam aparecido pela primeira vez em rede nacional de televisão nos EUA, ele rejeita a censura e se retira, mas perde uma grande oportunidade.

No verão daquele ano, por indicação da cantora Joan Baez, que namora de 1961 a 1965, Dylan se apresenta no Newport Folk Festival e é coroado rei da música folclórica dos EUA. 

Em 28 de agosto de 1963, Dylan e Joan Baez cantam na Marcha sobre Washington, em que o reverendo Martin Luther King Jr., líder da luta pacífica pelos direitos civis dos negros, faz o famoso discurso Eu Tenho um Sonho. Seu próximo álbum, The Times They Are A-Changin', de 1964, consolida sua fama de cantor rebelde de músicas de protesto. Em Another Side of Bob Dylan, ele começa a desafiar esse rótulo.

A grande mudança vem em Bringing It All Back Home (1965) quando Dylan introduz instrumentos elétricos para desesperdo dos puristas do folk. A banda de folk rock The Byrds chega ao topo das paradas de sucessos com uma versão de Mr. Tambourine Man com uma guitarra de 12 cordas.

Em junho de 1965, Dylan grava seu maior sucesso, Like a Rolling Stone, e se consolida como um dos maiores músicos e poetas da história do rock.

terça-feira, 19 de março de 2024

Hoje na História do Mundo: 19 de Março

CONJURAÇÃO DE AMBOISE

    Em 1560, uma conspiração de aristocratas huguenotes (protestantes) contra a poderosa família católica Guise fracassa na França.

Com a ascensão do rei Francisco II ao trono da França com apenas 14 anos, a família Guise se torna muito poderosa, o que gera inimizade dentro da própria nobreza. 

A conspiração é articulada. A cara do movimento é um nobre huguenote conhecido como La Renaudie. Por trás, está Luís I de Bourbon, príncipe de Condé. Os Guise ficam sabendo quando a corte está em Blois e levam o rei para Amboise.

La Renaudie adia os planos. Os conspiradores se dividem em pequenos grupos e se infiltram na Floresta de Amboise. Como são traídos, o inimigo os espera. Em 19 de março, La Renaudie e outros conspiradores atacam o Castelo de Amboise. O assédio é repelido, La Renaudie morre e vários conspiradores são presos.

A vingança da família Guise é cruel e impiedosa. Por uma semana, há tortura, enforcamentos, esquartejamentos e corpos jogados no Rio Loire. Condé é condenado à morte, mas a morte do rei Francisco II, em dezembro, o salva.

NEVADA LEGALIZA O JOGO

    Em 1931, o estado de Nevada legaliza o jogo e abre o caminho para a instalação de cassinos, especialmente na cidade de Las Vegas.

Única grande cidade do Oeste dos Estados Unidos fundada no século 20, Las Vegas evolui de uma cidadezinha construída ao redor de uma estação ferroviária no início do século passado para a cidade que mais crescia no país no fim do século, com seus cassinos e hotéis cinematográficos que atraem dezenas de milhões de turistas por ano.

Las Vegas é mais procurada do que atrações turísticas como o Grand Canyon e o Parque Nacional de Yellowstone.

Com uma população de 648 mil pessoas e mais de 2,8 milhões na região metropolitana, Las Vegas é a maior e mais rica cidade de Nevada. É a cidade de um milhão de luzes, com sua arquitetura exuberante e exagerada, de uma riqueza ostensiva e brega.

INDEPENDÊNCIA DA ARGÉLIA

    Em 1962, autoridades da França e líderes da Frente de Libertação Nacional (FLN) da Argélia assinam os Acordos de Evian, que acabam com uma guerra de oito anos e dão independência ao país do Norte da África.

A Guerra da Independência da Argélia foi uma das principais guerra de descolonização da segunda metade do século 20, marcada por uma guerra de guerrilhas e crimes de guerra cometidos pelos dois lados. Começa em 1º de novembro de 1954, o Dia de Todos os Santos Vermelho.

A brutalidade do Exército da França alienou os argelinos, que aderiram à revolução, acabou com o apoio à guerra colonial na França Metropolitana e abalou o prestígio internacional do país. A Quarta República (1946-58) acaba e dá lugar à Quinta República, sob a égide do general Charles de Gaulle.

Depois de uma onda de manifestações pela independência nas principais cidades argelinas, em 1960, e de uma resolução das Nações Unidas sobre o direito à independência, o então presidente De Gaulle inicia negociações com a FLN.

domingo, 19 de março de 2023

Hoje na História do Mundo: 19 de Março

INDEPENDÊNCIA DA ARGÉLIA

    Em 1962, autoridades da França e líderes da Frente de Libertação Nacional (FLN) da Argélia assinam os Acordos de Evian, que acabam com uma guerra de oito anos e dão independência ao país do Norte da África.

A Guerra da Independência da Argélia foi uma das principais guerra de descolonização da segunda metade do século 20, marcada por uma guerra de guerrilhas e crimes de guerra cometidos pelos dois lados. Começa em 1º de novembro de 1954, o Dia de Todos os Santos Vermelho..

A brutalidade do Exército da França alienou os argelinos, que aderiram à revolução, e o apoio à guerra colonial na França Metropolitana, e abalou o prestígio internacional do país. A Quarta República (1946-58) acaba e dá lugar à Quinta República, sob a égide do general Charles de Gaulle.

Depois de uma onda de manifestações pela independência nas principais cidades argelinas, em 1960, e de uma resolução das Nações Unidas sobre o direito à independência, o então presidente De Gaulle inicia negociações com a FLN.

sábado, 19 de março de 2022

Hoje na História do Mundo: 19 de Março

INDEPENDÊNCIA DA ARGÉLIA

    Em 1962, autoridades da França e líderes da Frente de Libertação Nacional da Argélia assinam os Acordos de Evian, que acabam com uma guerra de oito anos e dão independência ao país do Norte da África.

sábado, 6 de junho de 2020

França mata líder da Al Caeda no Magreb Islâmico

O Exército da França matou na última quarta-feira no Mali o comandante da rede terrorista Al Caeda no Magreb Islâmico, Abdelmalek Droukbel, anunciou ontem à noite no Twitter a ministra dos Exércitos, Florence Party. 
Desde o início do século, ele estava escondido nas florestas impenetráveis de Akfadu, na Cabília, uma região montanhosa do Norte da Argélia, e nos montes de Tebassa, na fronteira com a Tunísia.

A partir de 2013, o Norte do Mali passou a ser o principal teatro de operações das forças militares francesas no combate ao terrorismo na região do Sahel, ao sul do Deserto do Saara. Droukbel foi localizado depois de uma troca de informações entre os serviços secretos da França e dos Estados Unidos.

Com satélites e aviões-espiões, os EUA fazem uma vigilância aérea na região, que virou o principal foco do terrorismo no mundo depois da derrota do Estado Islâmico no Iraque e na Síria. 

Abdelmalek Droukbar estava com um pequeno grupo quando foi atacado por um comando de operações especiais da França. O corpo foi "identificado formalmente", declarou o porta-voz do Estado-Maior francês, Frédéric Barbry.

A ação foi realizada ao norte do Adrar de Ifogahs, um maciço montanhoso da região de Kidal, no Norte do Mali, a 80 quilômetros a leste da vila de Tessalit, com helicópteros e forças terrestres.

Droukbel nasceu em 20 de abril de 1970 na vila de Zayane, situada a cerca de 50 km de Argel, a capital da Argélia. Estudava engenharia quando começou a guerra civil argelina, em 26 de dezembro de 1991, depois que o governo cancelou o segundo turno das eleições parlamentares diante da iminente vitória da Frente Islâmica de Salvação), um grupo fundamentalismo muçulmano.

Como era simpatizante da FIS, Droukbel foi para a clandestinidade, aderiu ao Grupo Islâmico Armado (GIA) e subiu dentro do movimento islamista até se tornar membro do Conselho de Comando do Grupo Salafista pela Pregação e o Combate (GSPC), que nasceu em 1998 das cinzas do GIA. Por esta posição, foi condenado à morte cinco vezes.

No verão de 2004, Droubkar se tornou comandante. Sem condições de se estabelecer no Norte da Argélia, a região mais povoada do país, perto do Mar Mediterrâneo, a GPSC passou a atuar mais no Sul. Durante a verão de 2015, atacou quartéis do Exército da Mauritânia.

Seis meses depois, Droukbar aderiu à rede Al Caeda e adotou o nome de guerra de Abu Mussab al-Wadud, em homenagem ao então líder da Caeda no Iraque, Abu Mussab al-Zarkawi, morto em 7 de junho de 2006 por forças americanas. Sua missão era aglutinar grupos terroristas do Sahel a Al Caeda.

"Não fazia muito tempo que Droukbar estava no Mali", contou uma fonte oficial da França ao jornal Le Monde. "Sem saber que se tratava de um movimento sob pressão dos acontecimentos na Argélia o se deliberadamente dentro da sua lógica de desenvolvimento, tínhamos informações há um mês que o estado-maior da Caeda havia descido para o Norte do Mali. Isto expôs Drokbel."

Com as eleições legislativas de abril, a crise política e a pandemia da covid-19, a emergência de saúde pública tirou o foco do governo malinês do controle de segurança no Norte do país, facilitando as ações de grupos terroristas.

Há dez anos, o governo central de Bamako perdeu o controle sobre o Norte, o que levou à intervenção militar da França com o apoio das Nações Unidas a partir do início de 2013.

O conflito pela supremacia no movimento jihadista se repete no Sahel, com a aparição do Estado Islâmico do Grande Saara. Nas últimas semanas, os grupos ligados a Al Caeda estariam levando vantagem.

O principal foco do terrorismo no Sahel é a tríplice fronteira entre o Mali, Burkina Fasso e o Níger, três dos países mais pobres do mundo, sem recursos para enfrentar os jihadistas sem a ajuda das grandes potências.

A violência dos extremistas muçulmanos se propagou para outros países da região, Costa do Marfim, Gana, Togo e Benin. Na Nigéria, o grupo terrorista Boko Haram trava uma guerra civil desde 2009, com ramificações por Camarões, Chade e Níger.

Desde 2015, uma dissidência do Boko Haram aderiu ao Estado Islâmico e se apresenta como o Estado Islâmico da África Ocidental, mas Al Caeda está mais enraizada nas miseráveis populações locais.

No Mali, os dois jihadistas mais procurados são Iyad Ag Ghali, um ex-líder do povo tuaregue, hoje comandante do Grupo de Apoio ao Islã e aos Muçulmanos (GSIM, do francês), e seu aliado Amadou Koufa.

Mesmo sem reivindicar, eles são os principais suspeitos do sequestro do líder da oposição no Mali, Soumaila Cissé, ex-ministro das Finanças, três vezes candidato à Presidência, quando fazia campanha para as eleições parlamentares de abril.

Apesar de ter sido um dos chefes da Caeda de maior longevidade, o impacto da morte de Drokbar é mais simbólico. A história das organizações jihadistas indica que elas sobrevivem à morte de seus líderes. Como acontece com os cartéis do tráfico de drogas na América Latina, o corte de cabeças não muda a realidade que os gerou.

Ele foi o último argelino a comandar Al Caeda no Magreb Islâmico, o que implica uma reorganização do grupo. Para o coronel Barbry, "este tipo de operação é apenas uma etapa da solução do problema, que passa pelo desenvolvimento da região e da diplomacia. Temos de festejar este sucesso, mas continuar a pressionar o Estado Islâmico no Grande Saara."

quinta-feira, 19 de dezembro de 2019

Novo presidente da Argélia enfrenta desafios da economia e da legitimidade

Um novo presidente da Argélia tomou posse hoje, depois que uma onda de protestos forçou a queda do anterior. A oposição ainda discute como reagir.

O presidente Abdelmajid Tebboune assumiu o cargo hoje em Argel. Ele substitui Abdelaziz Bouteflika, que governou o país durante 20 anos e caiu em 2 de abril em meio a uma onda de manifestações de rua contra o continuísmo. 

Mesmo que as Forças Armadas e o governo interino tenham conseguido realizar a eleição presidencial, as manifestações de protesto devem continuar. Imediatamente, Tebboune propôs diálogo à oposição, mas as oposições estão divididas quanto a aceitar ou não. Todas as terças e sextas-feiras, há protestos para exigir uma reforma política e a libertação de todos os prisioneiros políticos.

Tebboune ganhou a eleição da quinta-feira passada, que teve a menor participação da história da Argélia, de menos de 40 por cento. O novo presidente recebeu 58 por cento pelo resultado oficial, visto com suspeita por boa parte do eleitorado. 

Desde a independência da França, em 1962, a Argélia é governada pela Frente de Libertação Nacional e as Forças Armadas. 

Em 1991, o regime suspendeu o segundo turno das eleições parlamentares, que seriam vencidas pela Frente Islâmica de Salvação, deflagrando uma violenta guerra civil que durou mais de dez anos em que cerca de 150 mil pessoas foram mortas. Meu comentário:

sexta-feira, 13 de dezembro de 2019

Novo presidente da Argélia carece de legitimidade

Com 58% dos votos pela contagem oficial, o ex-primeiro-ministro Abdelmajid Tebboune foi eleito ontem presidente da Argélia numa eleição com participação de apenas 41% dos eleitores, a menor da história do maior país da África. Milhares de pessoas saíram às ruas para protestar por desconfiar do resultado oficial.

A Argélia é o país mais rico do Norte da África em renda média por habitante. Rica em petróleo, tem um sistema político controlado até hoje pela Frente de Libertação Nacional (FLN), que liderou a guerra da independência, de 1954 a 1962.

Esta eleição presidencial, realizada sob a pressão das ruas, não muda o equilíbrio de forças dentro do regime nem resolve os problemas econômicos. A Argélia enfrenta uma insatisfação sem precedentes dos jovens, oposicionistas e ativistas, que vão se unir para desafiar o novo governo.

Qualquer dos cinco candidatos autorizados a concorrer seria rejeitado pelo movimento de protesto Hirak, criado em 16 de fevereiro deste ano para lutar contra um quinto mandato para o presidente Abdelaziz Bouteflika, por causa de suas ligações com o regime. O movimento exige um novo processo eleitoral e medidas concretas de combate à corrupção.

Se os argelianos continuarem saindo às ruas, os militares e o governo interino terão de decidir se usam a força para dispersar as manifestações, o que evitaram nos últimos dez meses.

Tebboune cita a prisão de seu filho meses atrás para se apresentar como adversário do sistema político, mas é considerado próximo do comandante das Forças Armadas e homem-forte do regime, general Ahmed Gaid Salah.

Outro desafio do novo governo será recuperar a economia, abalada desde a forte baixa nos preços do petróleo a partir de junho de 2014. As exportações de gás e petróleo caíram 12,5% neste ano.

O presidente eleito prometeu na campanha aumentar os salários baixos e diminuir a carga de impostos para os mais pobres. Para recuperar a economia, vai precisar atrair investimentos e reformar o setor de energia. A abertura ao capital estrangeiro e a promessa de cortar 9% dos gastos públicos em 2020 devem provocar reações negativas.

segunda-feira, 29 de abril de 2019

Líder da oposição volta ao Congo pedindo campanha para afastar Tshisekedi

O principal candidato derrotado na eleição presidencial da República Democrática do Congo, Martin Fayulu, supostamente vítima de uma fraude maciça, voltou ontem a Kinshasa e prometeu liderar uma onda de manifestações de protesto para derrubar o presidente Félix Tshisekedi.

"Eu disse a vocês que vocês são mais fortes do que as armas. Os amigos sudaneses e argelinos não recorreram às armas", declarou Fayulu, referindo-se às rebeliões populares na Argélia e no Sudão. "Nós precisamos nos entender para dizer a Félix Tshisekedi que renuncie. Ele precisa sair."

Também ontem, os seis líderes da coalizão Lamuka, que apoiou Fayulu na eleição presidencial de dezembro de 2018, decidiram transformá-la numa aliança permanente. Eles acusam o ex-presidente Joseph Kabila de continuar mandando no país por força de um acordo com Tshisekedi para apoiar sua eleição em troca de garantias de impunidade.

Quando o mesmo grupo se reuniu na Suíça antes da eleição para firmar o pacto oposicionista, Tshisekedi estava junto. Depois, retirou sua assinatura.

A decisão de criar uma aliança permanente mostra a unidade das oposições e a incapacidade de Tshisekedi de ampliar o apoio a seu governo, que vai continuar dependendo do grupo leal a Kabila para se manter no cargo.

quarta-feira, 10 de abril de 2019

Presidente interino da Argélia convoca eleição para 4 de julho

O presidente interino da Argélia, Abdelkader Bensalah, anunciou hoje a realização de eleição presidencial em 4 de julho. Ele substituiu Abdelaziz Bouteflika, afastado do cargo sob pressão de uma onda de manifestações de rua depois de ficar 20 anos no cargo.

A Frente de Libertação Nacional (FLN), que liderou a guerra de independência contra a França (1954-62), governa o país desde 1962. A oposição e os manifestantes temem mais uma manobra para manter o regime de partido único.

Bouteflika, que sofreu um acidente vascular cerebral em 2013 e não é visto em público desde aquela época, renunciou em 2 de abril. A Constituição da Argélia exige que o presidente interino convoque eleições dentro de 90 dias a partir da posse.

segunda-feira, 11 de março de 2019

Bouteflika retira candidatura e adia eleição presidencial na Argélia

Depois de semanas de protestos, em carta à população da Argélia, o presidente Abdelaziz Bouteflika desistiu de concorrer a um quinto mandato e adiou a eleição presidencial marcada para 18 de abril, informou há pouco o jornal francês Le Monde.

A eleição presidencial será realizada depois de uma conferência nacional para reformar o sistema político e apresentar um novo projeto de Constituição, anunciou Bouteflika, que sofreu um acidente vascular cerebral em 2013 e desde então não aparece em público. Durante a campanha para a eleição de 2014, não fez nenhum ato público.

Desde 22 de fevereiro, a Argélia enfrenta a maior onda de protestos desde o fim da brutal Guerra Civil Argelina (1991-2002), em que 100 a 150 mil pessoas foram mortas. Bouteflika está no poder desde 1999. Presidiu ao fim da guerra civil.

A Argélia é governada pela Frente de Libertação Nacional (FLN) desde a independência da França, em 1962. Em 1991, o regime anulou as eleições parlamentares que seriam vencidas pela Frente Islâmica de Salvação (FIS), deflagrando o início da guerra civil.

segunda-feira, 4 de março de 2019

Bouteflika promete convocar nova eleição daqui a um ano

Diante de uma onda de protestos contra o anúncio de que será candidato a um quinto mandato na eleição de 18 de abril de 2019, o presidente da Argélia, Abdelaziz Bouteflika, anunciou que, se for reeleito, vai convocar nova eleição daqui a um ano, informou a televisão árabe Al Jazira. A oposição afirma que ele fez a mesma proposta no passado e não cumpriu.

Este prazo de um ano daria tempo para o regime escolher um sucessor para Bouteflika com alguma viabilidade eleitoral. Mas a cólera das ruas pressiona para que o presidente não conquista um quinto mandato.

Bouteflika, de 82 anos, está no poder desde 1999. Presidiu assim ao fim da sangrenta Guerra Civil Argelina (1991-2002), iniciada quando o regime da Frente de Libertação Nacional (FLN) anulou as eleições parlamentares que seriam vencidas pela Frente Islâmica de Salvação (FIS).

O próprio Bouteflika estimou o total de mortos em 100 mil no ano 2000 e em 150 mil em 2005. A FLN governa o país desde a independência deste país do Norte da África da França, em 1962.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Argélia anuncia que evitou atentado contra show musical

As autoridades da Argélia anunciaram hoje ter frustrado uma conspiração terrorista para explodir uma bomba durante um show de música popular na província de Anaba, noticiou a televisão saudita Al Arabiya.

Vários suspeitos foram presos por planejar o ataque contra o show de Cheb Khaled marcado para hoje.

A Argélia foi um dos primeiros países a enfrentar uma insurreição jihadista, a partir de 1992, quando o governo anulou as eleições parlamentares que seriam vencidas pela Frente Islâmica de Salvação (FIS). A guerra civil durou dez anos e matou mais de cem mil pessoas.

Embora o governo ainda lute contra jihadistas, houve grandes avanços na segurança das fronteiras e das grandes cidades, especialmente depois do ataque contra o campo de gás de Amenas, em 2013, quando 32 rebeldes e 38 reféns, inclusive trabalhadores estrangeiros, foram mortos.

segunda-feira, 15 de junho de 2015

Líbia anuncia morte de líder terrorista argeliano

O comandante jihadista argeliano Mokhtar Belmokhtar, ligado à rede terrorista Al Caeda e responsável pela tomada de 800 reféns no campo de exploração de gás na Argélia, em 2013, foi morto por um bombardeio aéreo dos Estados Unidos, anunciou ontem o governo da Líbia reconhecido internacionalmente, informou o jornal inglês The Guardian.

O Departamento da Defesa dos EUA não confirmou a morte: "Estamos avaliando os resultados da operações e daremos informações adicionais no momento adequado", declarou em Washington o porta-voz do Pentágono, coronel Steve Warren. Ele admitiu que Belmokhtar era o alvo do ataque.

Belmokhtar era conhecido como o terrorista "incapturável", observou a televisão pública britânica BBC. Ele fez parte do contingente de guerrilheiros árabes que lutaram conta a invasão soviética ao Afeganistão nos anos 1980s. Foi um dos líderes da rede terrorista Al Caeda no Magreb até criar seu grupo, Al Murabiton, que atacou forças internacionais no Mali.

Em 2013, seu grupo tomou 800 reféns no campo de gás de In Amenas. Pelo menos 40 pessoas foram mortas quando as forças de segurança retomaram o campo.

sexta-feira, 5 de junho de 2015

OPEP mantém nível de produção de petróleo inalterado

Pela segunda vez em seis meses, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) decidiu manter sua produção em 30 milhões de barris por dia, sem reduzi-la para forçar uma alta nos preços internacionais, que caíram de cerca de US$ 110 há um ano para cerca de US$ 60, noticiou a agência de notícias Bloomberg. Nesta semana, a baixa foi de 5,9%.

A decisão do cartel liderado pela Arábia Saudita indica a intenção da OPEP de lutar para manter sua fatia do mercado diante do aumento da produção de novas fontes, especialmente do óleo e gás de xisto betuminoso, que levaram os Estados Unidos a voltar a disputar a liderança mundial.

Os analistas entendem que a viabilidade do óleo de xisto depende de um preço do barril entre US$ 60 e 70, o mesmo nível necessário para garantir a lucratividade da exploração da camada pré-sal no Brasil.

Grandes produtores dependentes do petróleo, como a Venezuela, a Rússia, a Argélia e a Nigéria, enfrentam sérias dificuldades para equilibrar o orçamento, mas a OPEP decidiu manter a pressão sobre os produtores de alto custo.

segunda-feira, 11 de maio de 2015

OPEP prevê petróleo abaixo de US$ 100 por barril por uma década

Numa avaliação pessimista, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) acredita que os preços do petróleo vão ficar abaixo de US$ 100 por barril nos próximos dez anos e analisa a possibilidade de cortar a produção para pressionar a alta, revela o rascunho de um relatório sobre a futura estratégia do cartel, informa o jornal The Wall Street Journal.

Na hipótese mais otimista, o cartel prevê que os preços do barril estejam em torno de US$ 76 em 2015, refletindo a preocupação dos países exportadores com o aumento da produção dos Estados Unidos e da exploração de óleo e gás natural do xisto betuminoso. Na pior das hipóteses, o barril custaria menos de US$ 40 daqui dez anos.

"Um preço de US$ 100 não está em nenhuma das hipóteses", observou um delegado que participou de um debate sobre a futura estratégia da OPEP em Viena na semana passada. É um problema a mais para o Brasil, que precisa de uma cotação em torno dos US$ 75 para ter lucro na exploração do petróleo na camada pré-sal.

Vários países exportadores em crise por causa de queda de 50% nos preços nos últimos 11 meses, entre eles Argélia, Irã e Venezuela, pressionaram a OPEP a restabelecer cotas de produção, abolidas em dezembro de 2011.

Os preços caíram de US$ 115 em junho de 2014 para menos de US$ 50 em janeiro de 2015. No momento, oscilam em torno de US$ 65. Pelos cálculos dos estrategistas da OPEP, só dois países-membros - o Catar e o Kuwait - podem financiar seus orçamentos com o barril a US$ 76. A Argélia precisa de um barril a US$ 130 e a Venezuela acima disso.

Por enquanto, a Arábia Saudita e o Iraque aumentam a produção para garantir suas fatias do mercado e o Irã deve fazer o mesmo se chegar a um acordo com as grandes potências do Conselho de Segurança das Nações Unidas e as sanções internacionais a seu programa nuclear forem suspensas.

Se os limites de produção foram reimpostos, a produção da OPEP vai cair para 32% do total mundial. Já foi superior a 50%.

domingo, 1 de março de 2015

Rebeldes tuaregues examinam proposta de paz do Mali

A principal coligação de rebeldes tuaregues, inclusive o Movimento Nacional de Libertação de Azawade (MNLA), pediu tempo ao governo do Mali para responder a uma proposta de paz aceita por vários pequenos grupos armados em ação no Norte do país, noticiou hoje a televisão árabe Al Jazira.

Um acordo dará mais autonomia e mais representação no governo central à região do Norte do Mali que os tuaregues chamam de Azawade.

Mais conhecidos como os nômades do Deserto do Saara, os tuaregues são na verdade um povo bérbere seminômade originário da região de Targa, no Sul da Líbia, que se espalhou pela Argélia, Burkina Fasso, Chade, Líbia, Mali, Níger e Nigéria.

Os rebeldes iniciaram a guerra pela independência de Azawade em 16 de janeiro de 2012. Em 22 de março daquele ano, um golpe de Estado de militares descontentes com a falta de recursos para combater os rebeldes derrubou o ditador Amadou Touré na capital, Bamako, que fica no Sul do país.

Com o colapso do governo central, os rebeldes tomaram o Norte do Mali com o apoio de grupos jihadistas como a rede terrorista Al Caeda no Magreb. A história desse período, a vida sob o jugo de extremistas muçulmanos, está no filme Timbuktu, que concorreu ao Oscar de melhor filme estrangeiro e não ganhou, mas levou sete Cesars na França.

Timbuktu é um patrimônio cultural da humanidade, uma cidade que ficava na rota das caravanas que cruzavam o Deserto do Saara rumo ao Egito. No seu apogeu, no fim da Idade Média e início da Idade Moderna, tinha uma das maiores bibliotecas do mundo, parcialmente destruída pelos jihadistas, assim como mesquitas históricas sufistas, uma corrente do islamismo repudiada pelos salafistas da rede Al Caeda.

Quando os rebeldes e os jihadistas avançaram rumo à capital, a França interveio militarmente em 11 de janeiro de 2013 em apoio ao governo central. Em junho, foi assinado um acordo de paz repudiado pelos rebeldes em setembro daquele mesmo ano.

As atuais negociações, realizadas na Argélia com mediação das Nações Unidas, são mais uma tentativa de pôr fim à guerra na região do Sahel, onde a miséria e o subdesenvolvimento criaram um ambiente fértil para o extremismo muçulmano, do Boko Haram, na Nigéria; a Al Chababe, na Somália.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Queda nos preços do petróleo ameaça cinco países exportadores

Pelo menos cinco países altamente dependentes das exportações de petróleo podem enfrentar grave instabilidade econômica com a queda nos preços internacionais do produto: a Rússia, o Irã, a Venezuela, a Argélia e a Nigéria.

Ao bloquear as propostas de corte na produção diária da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) abaixo do volume atual de 30 milhões de barris, a Arábia Saudita e as monarquias petroleiras árabes aliadas visavam sobretudo concorrer com a exploração de óleo de xisto betuminoso nos Estados Unidos. Mas acabaram atingindo em cheio os países mais dependentes do petróleo.

O Irã, que negocia o futuro de seu programa nuclear com as grandes potências do Conselho de Segurança das Nações Unidas, sob o peso de sanções internacionais, está ainda mais pressionado a aceitar as condições impostas pelos EUA.

Diante do fracasso das negociações nucleares, que deveriam ter sido concluídas em 24 da novembro de 2014, o rial iraniano sofreu forte valorização nos últimos dias, obrigando o governo a aumentar o preço do pão em 30% em 1º de dezembro.

Com a economia estagnada e o rublo em queda por causa da intervenção militar na Ucrânia, a Rússia tenta minimizar o impacto das sanções internacionais alegando para o público interno que será uma oportunidade para desenvolver a produção interna.

"O gás e o petróleo representam 52% das receitas orçamentárias", lembra Mikhail Krutikhine, especialista da empresa de consultoria RusEnergy, e o orçamento foi calculado com base num barril de petróleo a US$ 100. Está em torno de 70% e a Arábia Saudita acredita que chegue a US$ 60. "Quando o presidente Vladimir Putin assumiu, no ano 2000, a dependência era de apenas 8% a 9%. Várias jazidas de exploração difícil têm custo de produção acima dos preços atuais."

Pior ainda é a situação da Venezuela, com inflação de 80% ao ano e contração da economia em 3% ao ano, o dólar oficial em 6,30 bolívares e no mercado negro em 150 bolívares. Sua dependência de 96% da receita do petróleo e um orçamento baseado num barril a US$ 120, o regime chavista está à beira do colapso, dilacerado pelas divisões internas e pela incompetência do presidente Nicolás Maduro.

Para o candidato derrotado por Maduro em 2013, Henrique Capriles, a crise é "o produto da inépcia, da mediocridade e da maneira obtusa de governar de um grupo de privilegiados que destruiu o país". As eleições legislativas de 2015 serão uma oportunidade para a oposição.

Na Argélia, onde o gás e o petróleo representam 97% da receita das exportações e 40% do produto interno bruto, a queda nos preços é igualmente devastadora. "A Argélia aguenta um novo choque petrolífero?", pergunta o jornal El Watan. O orçamento previa que o preço do barril ficasse em US$ 110, bem acima dos atuais US$ 70.

Além da guerra civil movida pela milícia extremista muçulmana Boko Haram no Nordeste do país, a Nigéria enfrenta a queda nos preços do petróleo. Depois dos atentados de 11 de setembro de 2001, os EUA decidiram diversificar suas fontes de importação para diminuir a dependência do petróleo do Oriente Médio. A África Ocidental tornou-se importante.

Com a exploração do gás de xisto nos EUA, os maiores importadores de petróleo nigeriano hoje são o Brasil e a Índia. O petróleo representa 70% das receitas públicas e 97% das exportações da Nigéria. No último trimestre, a moeda nacional, a naira, perdeu 11% do valor.

Se o preço do petróleo continuar em baixa, o governo da Nigéria terá de fazer cortes orçamentários drásticos às vésperas da eleição presidencial de fevereiro de 2015, em que o atual presidente Goodluck Jonathan já se apresentou como candidato, apesar da crise política e econômica, e da impotência das forças de segurança no combate ao jihadismo.

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Refém francês é morto na Argélia

O turista francês Hervé Gourdel, de 55 anos, sequestrado no domingo passado na Argélia foi morto, confirmou hoje o presidente da França, François Hollande.

Um vídeo do assassinato foi divulgado na Internet pelo grupo extremista muçulmano Jund al Khalifah (Soldados do Califado), que exigia o fim dos bombardeios aéreos da França contra posições do Estado Islâmico em território do Iraque.

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Turista francês é sequestrado por jihadistas na Argélia

Um turista francês de 55 anos chamado Hervé Pierre Gourdel foi sequestrado por uma milícia extremista muçulmana no domingo, 21 de setembro de 2014, em Tzi Ouzou, a 100 quilômetros a leste de Argel, confirmou hoje o ministro do Exterior da Argélia.

O grupo Jund al-Khalifah (Soldados do Califado), que recentemente declarou lealdade ao Estado Islâmico do Iraque e do Levante, exige o fim dos bombardeios aéreos da França contra posições do grupo no Iraque. Deu prazo de 24 horas ao presidente François Hollande para suspender os ataques. Caso contrário, ameaça matar o refém.