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sábado, 6 de junho de 2020

França mata líder da Al Caeda no Magreb Islâmico

O Exército da França matou na última quarta-feira no Mali o comandante da rede terrorista Al Caeda no Magreb Islâmico, Abdelmalek Droukbel, anunciou ontem à noite no Twitter a ministra dos Exércitos, Florence Party. 
Desde o início do século, ele estava escondido nas florestas impenetráveis de Akfadu, na Cabília, uma região montanhosa do Norte da Argélia, e nos montes de Tebassa, na fronteira com a Tunísia.

A partir de 2013, o Norte do Mali passou a ser o principal teatro de operações das forças militares francesas no combate ao terrorismo na região do Sahel, ao sul do Deserto do Saara. Droukbel foi localizado depois de uma troca de informações entre os serviços secretos da França e dos Estados Unidos.

Com satélites e aviões-espiões, os EUA fazem uma vigilância aérea na região, que virou o principal foco do terrorismo no mundo depois da derrota do Estado Islâmico no Iraque e na Síria. 

Abdelmalek Droukbar estava com um pequeno grupo quando foi atacado por um comando de operações especiais da França. O corpo foi "identificado formalmente", declarou o porta-voz do Estado-Maior francês, Frédéric Barbry.

A ação foi realizada ao norte do Adrar de Ifogahs, um maciço montanhoso da região de Kidal, no Norte do Mali, a 80 quilômetros a leste da vila de Tessalit, com helicópteros e forças terrestres.

Droukbel nasceu em 20 de abril de 1970 na vila de Zayane, situada a cerca de 50 km de Argel, a capital da Argélia. Estudava engenharia quando começou a guerra civil argelina, em 26 de dezembro de 1991, depois que o governo cancelou o segundo turno das eleições parlamentares diante da iminente vitória da Frente Islâmica de Salvação), um grupo fundamentalismo muçulmano.

Como era simpatizante da FIS, Droukbel foi para a clandestinidade, aderiu ao Grupo Islâmico Armado (GIA) e subiu dentro do movimento islamista até se tornar membro do Conselho de Comando do Grupo Salafista pela Pregação e o Combate (GSPC), que nasceu em 1998 das cinzas do GIA. Por esta posição, foi condenado à morte cinco vezes.

No verão de 2004, Droubkar se tornou comandante. Sem condições de se estabelecer no Norte da Argélia, a região mais povoada do país, perto do Mar Mediterrâneo, a GPSC passou a atuar mais no Sul. Durante a verão de 2015, atacou quartéis do Exército da Mauritânia.

Seis meses depois, Droukbar aderiu à rede Al Caeda e adotou o nome de guerra de Abu Mussab al-Wadud, em homenagem ao então líder da Caeda no Iraque, Abu Mussab al-Zarkawi, morto em 7 de junho de 2006 por forças americanas. Sua missão era aglutinar grupos terroristas do Sahel a Al Caeda.

"Não fazia muito tempo que Droukbar estava no Mali", contou uma fonte oficial da França ao jornal Le Monde. "Sem saber que se tratava de um movimento sob pressão dos acontecimentos na Argélia o se deliberadamente dentro da sua lógica de desenvolvimento, tínhamos informações há um mês que o estado-maior da Caeda havia descido para o Norte do Mali. Isto expôs Drokbel."

Com as eleições legislativas de abril, a crise política e a pandemia da covid-19, a emergência de saúde pública tirou o foco do governo malinês do controle de segurança no Norte do país, facilitando as ações de grupos terroristas.

Há dez anos, o governo central de Bamako perdeu o controle sobre o Norte, o que levou à intervenção militar da França com o apoio das Nações Unidas a partir do início de 2013.

O conflito pela supremacia no movimento jihadista se repete no Sahel, com a aparição do Estado Islâmico do Grande Saara. Nas últimas semanas, os grupos ligados a Al Caeda estariam levando vantagem.

O principal foco do terrorismo no Sahel é a tríplice fronteira entre o Mali, Burkina Fasso e o Níger, três dos países mais pobres do mundo, sem recursos para enfrentar os jihadistas sem a ajuda das grandes potências.

A violência dos extremistas muçulmanos se propagou para outros países da região, Costa do Marfim, Gana, Togo e Benin. Na Nigéria, o grupo terrorista Boko Haram trava uma guerra civil desde 2009, com ramificações por Camarões, Chade e Níger.

Desde 2015, uma dissidência do Boko Haram aderiu ao Estado Islâmico e se apresenta como o Estado Islâmico da África Ocidental, mas Al Caeda está mais enraizada nas miseráveis populações locais.

No Mali, os dois jihadistas mais procurados são Iyad Ag Ghali, um ex-líder do povo tuaregue, hoje comandante do Grupo de Apoio ao Islã e aos Muçulmanos (GSIM, do francês), e seu aliado Amadou Koufa.

Mesmo sem reivindicar, eles são os principais suspeitos do sequestro do líder da oposição no Mali, Soumaila Cissé, ex-ministro das Finanças, três vezes candidato à Presidência, quando fazia campanha para as eleições parlamentares de abril.

Apesar de ter sido um dos chefes da Caeda de maior longevidade, o impacto da morte de Drokbar é mais simbólico. A história das organizações jihadistas indica que elas sobrevivem à morte de seus líderes. Como acontece com os cartéis do tráfico de drogas na América Latina, o corte de cabeças não muda a realidade que os gerou.

Ele foi o último argelino a comandar Al Caeda no Magreb Islâmico, o que implica uma reorganização do grupo. Para o coronel Barbry, "este tipo de operação é apenas uma etapa da solução do problema, que passa pelo desenvolvimento da região e da diplomacia. Temos de festejar este sucesso, mas continuar a pressionar o Estado Islâmico no Grande Saara."

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Ataque terrorista a hotel no Mali termina com 27 mortos

O ataque ao Hotel Radisson Blu em Bamako, no Mali, acabou há pouco. Pelo menos 27 pessoas foram mortas, inclusive cinco terroristas, confirmou um representante das Nações Unidas. Todos os reféns sobreviventes foram libertados, anunciaram autoridades deste país da África Ocidental citadas pela Agência France Presse (AFP).

Com o apoio da rede terrorista Al Caeda no Magreb Islâmico, os rebeldes da milícia extremista muçulmana Al-Mourabitoun (As Sentinelas), liderada pelo argeliano Mokhtar Belmokhtar, invadiram o hotel às sete da manhã (5h em Brasília) e tomaram cerca de 170 reféns. Vários foram libertados depois de provar que eram muçulmanos recitando trechos do Corão, o livro sagrado do islamismo.

Pelo menos dois terroristas foram mortos. Um dos reféns mortos foi identificado como o belga Geoffrey Dieudonné, assessor do parlamento regional da Federação Valônia-Bruxelas. Ele estava no Mali em missão da Francofonia Parlamentar, uma aliança de países que falam francês. Participava de um seminário para melhorar a formação dos assessores parlamentares malineses

Se for confirmada a responsabilidade de grupos ligados à rede Al Caeda, fica evidente uma competição com o Estado Islâmico do Iraque e do Levante pela liderança do movimento jihadista.

O grupo Ansar Dine, ligado a Al Caeda no Magreb, ameaçou atacar a França semanas atrás. Seu líder elogiou o ataque ao jornal satírico Charlie Hebdo, em Paris, em 7 de janeiro de 2015. Pode estar associado ao ataque ao hotel no Mali.

Ao abrir o 2º Fórum Internacional de Dacar sobre a Segurança na África, o presidente do Senegal, Macky Sall, declarou que é preciso mudar as missões de manutenção da paz da ONU na África para missões de imposição da paz: "Precisamos combater, em vez de apenas manter a paz."

Todo dia os capacetes azuis da ONU são alvo de milícias extremistas muçulmanos no Norte do Mali, onde 55 foram mortos neste ano. É a maior perda de soldados da ONU em 2015.

terça-feira, 15 de julho de 2014

Al Caeda no Magreb retira apoio a Estado Islâmico

A rede terrorista Al Caeda no Magreb Islâmico retirou o apoio à proclamação do Estado Islâmico do Iraque e do Levante de criar um califado extremista no Oriente Médio e reafirmou a lealdade ao líder máximo d'al Caeda, Ayman al-Zawahiri lugar-tenente e sucessor de Ossama ben Laden.

Em declaração divulgada na Internet, Al Caeda no Magreb Islâmico admitiu a possibilidade de aceitar a criação do emirado islâmico, chamado no Ocidente de Jihadistão, "mas não na sua forma atual".

O clérigo extremista jordaniano Abu Katada, ligado ideologicamente a Al Caeda, também rejeitou a criação do Estado Islâmico.

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Al Caeda no Magreb reivindica morte de franceses

A rede terrorista Al Caeda no Magreb Islâmico assumiu hoje a responsabilidade pela morte de dois jornalistas franceses da Rádio França Internacional sequestrados e mortos no Norte do Mali em 2 de novembro de 2013.

Claude Verlon e Ghislaine Dupont foram assassinados na cidade de Kidal depois de entrevistas um dos líderes das milícias islamitas que ocuparam o Norte do Mali há um ano e meio e foram alvo de uma intervenção militar francesa em 11 de janeiro deste ano.

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

França pagou 20 milhões de euros por reféns

Ao contrário do que afirmaram ontem, autoridades da França pagou resgate à rede terrorista Al Caeda no Magreb Islâmico pela libertação de quatro reféns sequestrados em 2010 no Norte do Mali e libertados ontem Níger, no Oeste da África.

O pagamento, de 20 milhões de euros, teria sido feito com o dinheiro de fundos secretos dos serviços de inteligência da França, informa o jornal francês Le Monde. Essa quantia é suficiente para financiar as atividades terroristas do grupo.

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Quatro reféns franceses são libertados no Níger

Depois de mais de mil dias de sequestro, quatro franceses, Thierry Dol, Daniel Larribe, Marc Féret e Pierre Legrand, foram libertados no Níger, um país do Leste da África, anunciou hoje o presidente da França, François Hollande. Eles tinham sido capturados pela rede terrorista Al Caeda no Magreb Islâmico.

domingo, 17 de março de 2013

Quinto soldado da França morre na intervenção no Mali

Um cabo do 1º Regimento da Infantaria da Marinha da França morreu em combate no Norte do Mali, anunciou hoje o presidente François Hollande, manifestando sua "grande tristeza".

É o quinto soldado francês morto desde o início da intervenção militar francesa no Norte do Mali, em 11 de janeiro de 2013.

A revolta dos tuaregues deflagrou um golpe de Estado. Em 22 de março de 2012, militares descontentes com a falta de recursos para enfrentar as guerrilhas do Deserto do Saara, derrubaram o governo em Bamako, a capital malinesa, que fica no Sul do país.

Isso enfraqueceu ainda mais o governo central do Mali. Em abril do ano passado, o Movimento Nacional de Libertação de Azawade (tuarege) tomou as principais cidades do Norte atuantes na região em aliança com grupos extremistas muçulmanos como a rede terrorista Al Caeda no Magreb Islâmico.

Quando esses grupos jihadistas, que incluem traficantes e contrabandistas numa aliança profana feita no submundo de uma região miserável da África, marcharam para o Sul a caminho de Bamako, a França interveio.

Hollande prometia iniciar a retirada em março e concluí-la em abril, transferindo o controle militar da região para uma força de paz das Nações Unidas formada por soldados africanos, principalmente da Comunidade Econômica dos Países da África Ocidental, liderada pela Nigéria.

sábado, 2 de março de 2013

Chade anuncia morte de veterano jihadista

O Exército do Chade anunciou neste sábado ter matado no Máli o veterano jihadista Moktar Belmoktar, responsável pela ocupação de um campo de exploração de gás na Argélia que deixou dezenas de mortos em janeiro de 2013, informa a televisão americana CNN.

Depois de romper com o ramo da rede terrorista Al Caeda no Magreb Islâmico, Belmoktar criou a Brigada al-Muthalimin, a Brigada dos Mascarados. O ataque ao campo de gás, onde havia vários empregados estrangeiros, foi uma resposta à invertenção militar da França para combater extremistas muçulmanos no Norte da África.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Líder da Al Caeda no Magreb Islâmico morre no Máli

As forças da França que interviram militarmente no Norte do Máli, ocupado em abril de 2012 por extremistas muçulmanos, mataram hoje Abdelhamid Abu Zeid, um dos chefes da rede terrorista Al Caeda no Magreb Islâmico (ACMI).

A notícia, divulgada inicialmente por uma televisão privada da Argélia, foi confirmada pelo jornal francês Le Monde.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

EUA ampliam presença militar na África

Os Estados Unidos assinaram na segunda-feira, 28 de janeiro de 2013, um acordo com o Níger para estabelecer uma presença militar permanente no Deserto do Saara e na região do Sahel, onde é cada vez maior a atividade de extremistas muçulmanos ligados à rede terrorista Al Caeda.

Assim, os americanos estarão perto do Norte do Máli, no momento alvo de uma intervenção militar francesa para combater jihadistas, e das jazidas de urânio do Níger.

O maior temor dos EUA hoje é que armas de destruição em massa caiam em poder de terroristas. O urânio, carga da bomba atômica, é um desses materiais sensíveis. As usinas nucleares da França, responsáveis por 80% da geração de energia elétrica no país, se abastecem com urânio do Níger.

Depois da intervenção no Máli, os EUA e a França devem criar um centro de informações no Níger, talvez com uma base de onde aeronaves americanas não tripuladas possam patrulhar o Saara e o Sahel.

Com a fuga dos extremistas muçulmanos, a França espera que uma força de países da Comunidade Econômica da África Ocidental (Ecowas, do inglês), uma organização regional liderada pela Nigéria, ajude o Exército do Máli a manter a integridade territorial do país.

Mas o objetivo maior da intervenção francesa é evitar que Al Caeda tenha bases e centros de treinamento na vastidão do deserto do Norte da África, de onde poderia lançar ataques contra a Europa e os EUA.

Depois da morte de Ossama ben Laden, seu sucessor, o médico egípcio Ayman al-Zawahiri teria reorientado Al Caeda para a África, onde haveria mais chance de penetração do extremismo muçulmano, especialmente em Estados em colapso como a Somália ou o Máli depois do golpe militar de março de 2012.

Não está claro quanto militares americanos serão baseados no Níger. No momento, há mais de 50. Algumas pistas de pouso próximas à fronteira com o Máli já foram escolhidas para operações com drones, as aeronaves não tripuladas, ou mesmo de comandos de elite. Estão mais perto da região que tinha sido tomada pelos salafistas do que o aeroporto da capital, Bamako.

Os EUA também querem a ajuda da Argélia, que enfrentou uma violenta guerra civil contra os islamistas com mais de 100 mil mortes, para combater Al Caeda no Magreb Islâmico. Seu governo costuma ser implacável com os rebeldes muçulmanos.

O comando militar americano para a África fica na Alemanha. A maior concentração de equipamento militar americano na África neste momento está em Camp Lemonnier, uma base militar francesa no Djibuti usada para lançar ataques de drones no Iêmen.

Além do pessoal que está no Níger, o governo Barack Obama enviou um batalhão com uns 100 homens para ajudar a combater o Exército de Libertação do Senhor, um grupo guerrilheiro acusado de graves violações dos direitos humanos.

sábado, 19 de janeiro de 2013

Argélia anuncia ataque final aos sequestradores

Forças especiais do Exército da Argélia atacaram hoje o campo de exploração de gás de In Amenas, no  Deserto do Saara, perto da fronteira da Líbia. Pelo relato oficial, sete reféns e onze terroristas foram mortos. O presidente da França, François Hollande, declarou que a operação ainda não terminou.

O balanço final de mortos ainda é incerto. O total de estrangeiros sequestrados pelos extremistas muçulmanos que exigem o fim da intervenção militar da França no Norte do Máli era de 132 e não de 41, como anunciado inicialmente.

Em entrevista à televisão pública britânica BBC, o professor George Joffe, da Universidade de Cambridge, na Inglaterra, alegou que o uso do adjetivo islamita deve ser feito com cuidado: "Não nego que eles tenham objetivos jihadistas, mas estão envolvidos numa série de atividades criminosas como extorsão mediante sequestro, contrabando de armas, drogas e até de cigarros".

O líder da Brigada Al-Muthalimin, Mokhtar Belmokhtar, responsável pela tomada de reféns, é conhecido como Sr. Marlboro.

Veterano da trágica guerra civil na Argélia, onde cerca de 100 mil pessoas foram mortas nos anos 90, Belmokhtar se beneficiou do aumento do tráfico de armas decorrente da rebelião contra Muamar Kadafi na Líbia e rompeu com Al Caeda no ano passado para liderar seu próprio grupo.

É uma indicação de que os jihadistas não passam no fundo de um bando de miseráveis. Isso significa que será necessário muito mais do que ações militares para estabilizar a região do Sahel, ao sul do Deserto do Saara, para evitar a presença da rede terrorista Al Caeda no Magreb Islâmico.

Para a Argélia, o ataque terrorista representa uma volta da guerra civil dos anos 90. Por esta razão, o governo decidiu usar a força decididamente. Ao mesmo tempo, a produção de gás e petróleo é o pilar de sustentação da economia argeliana. O país terá de coordenar suas ações de inteligência com os governos dos países que participam da exploração ou têm especialistas trabalhando lá.