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segunda-feira, 4 de setembro de 2023

Golpes militares marcam o fim da França-África

Desde 1990, dois terços dos golpes de Estado ocorridos na África foram em antigas colônias da França. Nos últimos cinco anos, oito foram em ex-colônias francesas. É o fim do arranjo negociado pelo general e presidente Charles de Gaulle com as elites políticas e econômicas locais para manter a influência da França depois da independência, em 1960.

Com a exceção do Gabão, as outras ex-colônias da França estão entre os países mais pobres do mundo, apesar de serem ricos em minérios, enfrentam o terrorismo de extremistas muçulmanos e estão numa das regiões mais atingidas pelo aquecimento global.

O Gabão é rico em petróleo e tem uma renda per capita quatro vezes acima da média da África Subsaariana. Há quase 56 anos, era um feudo da família Bongo. O líder do golpe, general Brice Oligui Nguema, primo do presidente deposto, foi empossado hoje pelo supremo tribunal do país. Prometeu anistia para presos políticos, eleições livres e uma nova Constituição, mas não marcou data. Meu comentário:

sábado, 6 de junho de 2020

França mata líder da Al Caeda no Magreb Islâmico

O Exército da França matou na última quarta-feira no Mali o comandante da rede terrorista Al Caeda no Magreb Islâmico, Abdelmalek Droukbel, anunciou ontem à noite no Twitter a ministra dos Exércitos, Florence Party. 
Desde o início do século, ele estava escondido nas florestas impenetráveis de Akfadu, na Cabília, uma região montanhosa do Norte da Argélia, e nos montes de Tebassa, na fronteira com a Tunísia.

A partir de 2013, o Norte do Mali passou a ser o principal teatro de operações das forças militares francesas no combate ao terrorismo na região do Sahel, ao sul do Deserto do Saara. Droukbel foi localizado depois de uma troca de informações entre os serviços secretos da França e dos Estados Unidos.

Com satélites e aviões-espiões, os EUA fazem uma vigilância aérea na região, que virou o principal foco do terrorismo no mundo depois da derrota do Estado Islâmico no Iraque e na Síria. 

Abdelmalek Droukbar estava com um pequeno grupo quando foi atacado por um comando de operações especiais da França. O corpo foi "identificado formalmente", declarou o porta-voz do Estado-Maior francês, Frédéric Barbry.

A ação foi realizada ao norte do Adrar de Ifogahs, um maciço montanhoso da região de Kidal, no Norte do Mali, a 80 quilômetros a leste da vila de Tessalit, com helicópteros e forças terrestres.

Droukbel nasceu em 20 de abril de 1970 na vila de Zayane, situada a cerca de 50 km de Argel, a capital da Argélia. Estudava engenharia quando começou a guerra civil argelina, em 26 de dezembro de 1991, depois que o governo cancelou o segundo turno das eleições parlamentares diante da iminente vitória da Frente Islâmica de Salvação), um grupo fundamentalismo muçulmano.

Como era simpatizante da FIS, Droukbel foi para a clandestinidade, aderiu ao Grupo Islâmico Armado (GIA) e subiu dentro do movimento islamista até se tornar membro do Conselho de Comando do Grupo Salafista pela Pregação e o Combate (GSPC), que nasceu em 1998 das cinzas do GIA. Por esta posição, foi condenado à morte cinco vezes.

No verão de 2004, Droubkar se tornou comandante. Sem condições de se estabelecer no Norte da Argélia, a região mais povoada do país, perto do Mar Mediterrâneo, a GPSC passou a atuar mais no Sul. Durante a verão de 2015, atacou quartéis do Exército da Mauritânia.

Seis meses depois, Droukbar aderiu à rede Al Caeda e adotou o nome de guerra de Abu Mussab al-Wadud, em homenagem ao então líder da Caeda no Iraque, Abu Mussab al-Zarkawi, morto em 7 de junho de 2006 por forças americanas. Sua missão era aglutinar grupos terroristas do Sahel a Al Caeda.

"Não fazia muito tempo que Droukbar estava no Mali", contou uma fonte oficial da França ao jornal Le Monde. "Sem saber que se tratava de um movimento sob pressão dos acontecimentos na Argélia o se deliberadamente dentro da sua lógica de desenvolvimento, tínhamos informações há um mês que o estado-maior da Caeda havia descido para o Norte do Mali. Isto expôs Drokbel."

Com as eleições legislativas de abril, a crise política e a pandemia da covid-19, a emergência de saúde pública tirou o foco do governo malinês do controle de segurança no Norte do país, facilitando as ações de grupos terroristas.

Há dez anos, o governo central de Bamako perdeu o controle sobre o Norte, o que levou à intervenção militar da França com o apoio das Nações Unidas a partir do início de 2013.

O conflito pela supremacia no movimento jihadista se repete no Sahel, com a aparição do Estado Islâmico do Grande Saara. Nas últimas semanas, os grupos ligados a Al Caeda estariam levando vantagem.

O principal foco do terrorismo no Sahel é a tríplice fronteira entre o Mali, Burkina Fasso e o Níger, três dos países mais pobres do mundo, sem recursos para enfrentar os jihadistas sem a ajuda das grandes potências.

A violência dos extremistas muçulmanos se propagou para outros países da região, Costa do Marfim, Gana, Togo e Benin. Na Nigéria, o grupo terrorista Boko Haram trava uma guerra civil desde 2009, com ramificações por Camarões, Chade e Níger.

Desde 2015, uma dissidência do Boko Haram aderiu ao Estado Islâmico e se apresenta como o Estado Islâmico da África Ocidental, mas Al Caeda está mais enraizada nas miseráveis populações locais.

No Mali, os dois jihadistas mais procurados são Iyad Ag Ghali, um ex-líder do povo tuaregue, hoje comandante do Grupo de Apoio ao Islã e aos Muçulmanos (GSIM, do francês), e seu aliado Amadou Koufa.

Mesmo sem reivindicar, eles são os principais suspeitos do sequestro do líder da oposição no Mali, Soumaila Cissé, ex-ministro das Finanças, três vezes candidato à Presidência, quando fazia campanha para as eleições parlamentares de abril.

Apesar de ter sido um dos chefes da Caeda de maior longevidade, o impacto da morte de Drokbar é mais simbólico. A história das organizações jihadistas indica que elas sobrevivem à morte de seus líderes. Como acontece com os cartéis do tráfico de drogas na América Latina, o corte de cabeças não muda a realidade que os gerou.

Ele foi o último argelino a comandar Al Caeda no Magreb Islâmico, o que implica uma reorganização do grupo. Para o coronel Barbry, "este tipo de operação é apenas uma etapa da solução do problema, que passa pelo desenvolvimento da região e da diplomacia. Temos de festejar este sucesso, mas continuar a pressionar o Estado Islâmico no Grande Saara."

quarta-feira, 4 de março de 2020

Congresso dos EUA quer manter forças no Sahel

A aliança entre Al Caeda e o Estado Islâmico na região do Sahel, na África, ameaça alguns dos países pobres do mundo. O Congresso dos Estados Unidos e a França tentam impedir o governo Donald Trump de retirar as forças americanas da região. 

Deputados e senadores americanos quere aprovar uma lei para impedir o presidente Donald Trump de retirar forças dos Estados Unidos que combatem o terrorismo dos extremistas muçulmanos na África. 

A preocupação é com os jihadistas, que estão ganhando espaço na África Oriental e na região do Sahel da África Ocidental. Com a nova doutrina de segurança nacional feita pelo governo Donald Trump, a prioridade deixa de ser a guerra contra o terrorismo deflagrada pelo então presidente George W. Bush depois dos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos. 

Trump está mais preocupado com a competição estratégica com a China e a Rússia. Meu comentário:

terça-feira, 25 de fevereiro de 2020

Cooperação Al Caeda-Estado Islâmico aumenta ameaça do terror no Sahel

A rede Al Caeda (A Base) e o grupo Estado Islâmico estão coordenando operações terroristas e dividindo esferas de influência no Mali, no Níger e em Burkina Fasso, noticiou o jornal americano The Washington Post. Esta tríplice fronteira é considerada hoje a região mais crítica no combate ao jihadismo na região do Sahel, na África Ocidental.

De acordo com agentes franceses, os dois grupos estão se tornando mais organizados e mais ágeis na sua guerra contra países pobres e fracos, "realizando ataques com um profissionalismo que não tínhamos visto".

A coordenação entre a Jamaat Nusrat al-Islam Muslimen (Grupo de Apoio ao Islã e aos Muçulmanos), ligada à Caeda , e o Estado Islâmco no Grande Saara vai piorar a situação de segurança na região, com a possibilidade de atentados e sequestros, abrindo caminho para operações de maior envergadura.

Esta cooperação não significa que os dois grandes movimentos jihadistas, que romperam durante a guerra civil da Síria. Foi em janeiro de 2014, depois que o sucessor de Ossama ben Laden como líder d'al Caeda, o médico egípcio Ayman al-Zawahiri, mandou dissolver o Estado Islâmico do Iraque e do Levante para que a organização liderada por Abu Baker al-Baghdadi limitasse suas operações ao Iraque.

Al-Baghdadi não aceitou, alegando não reconhecer as fronteiras traçadas pelo imperialismo ocidental a partir do Acordo Sykes-Picot (1916), em que os Impérios Britânico e Francês dividiram o Oriente Médio entre si com a dissolução do Império Otomano (turco) no fim da Primeira Guerra Mundial (1914-18).

Não houve uma reconciliação entre os dois movimentos. Eles têm inimigos comuns num teatro de operações específico. A situação do Sahel é a mais grave da guerra contra o terrorismo. Países miseráveis, com problemas étnicos, são terreno fértil para recrutamento de jovens para movimentos extremistas.

A França mantém soldados na região desde a intervenção militar no Mali, em janeiro de 2013. Hoje, são 5.100 militares franceses, mas os Estados Unidos ameaçaram reduzir seu contingente que combate o terrorismo na África, focado hoje principalmente na Somália.

domingo, 2 de fevereiro de 2020

França envia mais 600 soldados para o combate ao terror no Sahel

Até o fim de fevereiro, a França vai mandar mais 600 soldados para participar da Operação Barkhane, que combate o terrorismo de extremistas muçulmanos na região do Sahel, ao sul do Deserto do Saara, anunciou hoje a ministra dos Exércitos da França, Florence Parly. Eles vão se juntar a outros 4,5 mil militares franceses que já estão na região.

A expectativa era que a França enviasse 2,2 mil soldados. O grosso dos reforços vai combater milícias jihadists na região de tríplice fronteira entre o Mali, Burkina Fasso e o Níger. O resto vai atuar diretamente no seio das Forças Armadas do Grupo dos Cinco do Sahel (Mauritânia, Mali, Burkina Fasso, Níger e Chade).

Junto com os 600 reforços, serão enviados cerca de cem veículos (blindados leves e pesados e veículos de transporte). Em novembro, a França perdeu 13 soldados num acidente entre dois helicópteros de combate.

Os grupos jihadistas intensificaram as ações terroristas no Sahel, uma região árida e pobre onde o aquecimento global agrava a miséria e a fome, com jovens homens sem futuro que são facilmente atraídos com promessas dos extremistas.

A intervenção militar francesa no Sahel começou em janeiro de 2013, quando grupos jihadistas e tuaregues marchavam em direção a Bamako, a capital do Mali. Conseguiu recuperar territórios do Norte do país, mas não acabar com as milícias.

Daqui a seis meses, a Operação Barkhane passará por nova avaliação. Numa reunião de cúpula no mês passado, a França e o G5 Sahel fizeram um apelo aos Estados Unidos para que não retirem suas forças do Sahel. Há cerca de 5 mil soldados americanos combatendo o terrorismo na África, a maioria na Somália, que fica no Leste do Sahel.

Um dos objetivos da França é mobilizar outros países europeus para que se engajem na guerra contra o terror na África. Como os EUA devem reduzir seu contingente, o comandante-em-chefe do Estado Maior Conjunto das Forças Armadas americanas, general Stephen Townsend, apelou aos europeus a que "aceitem o desafio e façam mais para ajudar a França no Sahel".

domingo, 26 de janeiro de 2020

Macron reúne gabinete de segurança para definir estratégia no Sahel

O presidente Emmanuel Macron vai se encontrar na quarta-feira com seus principais assessores de segurança e defesa para discutir a estratégia de combate ao terrorismo muçulmano na região do Sahel, na África, ao sul do Deserto do Saara.

Durante reunião de cúpula com o Grupo dos Cinco (G5) do Sahel (Mauritânia, Burkina Fasso, Mali, Níger e Chade), Macron prometeu enviar mais 2,2 mil soldados franceses para se juntar a um contingente de 4,5 mil militares da França que estão hoje na região, do tamanho da Europa.

A intervenção militar francesa não tem sido suficiente para reduzir a ofensiva jihadista, que explora a miséria e os conflitos étnicos da região e se beneficia com o tráfico de armas para a guerra civil na Líbia, que vive em estado de anarquia desde a queda do ditador Muamar Kadafi, em 2011.

Como os Estados Unidos pretendem retirar as forças estacionadas na África para dar mais ênfase à concorrência estratégica da China e da Rússia do que ao combate ao terrorismo dos extremistas muçulmanos, a responsabilidade da França vai aumentar.

segunda-feira, 13 de janeiro de 2020

França e países africanos apelam a EUA para não deixar do Sahel

A França e cinco países da África pediram hoje aos Estados Unidos que não abandonem a luta contra o terrorismo dos extremistas muçulmanos na região do Sahel, ao sul do Deserto do Saara.

Em reunião de cúpula na cidade de Pau, no Sul da França, o presidente Emmanuel Macron e os líderes de cinco países do Sahel (Burkina Fasso, Chade, Mali, Mauritânia e Níger) resolveram reforçar a cooperação militar na luta contra o extremismo muçulmano.

O Grupo dos Cinco decidiu “manifestar o desejo de manter o engajamento da França no Sahel”, apesar do sentimento antifrancês nas antigas colônias africanas. Também considera crucial o apoio dos Estados Unidos, que anunciaram a intenção da retirar suas forças da região numa revisão estratégica e da doutrina de segurança nacional. 

Macron prometeu enviar mais 2.200 soldados da França, que já tem 4,5 mil tropas na Operação Barkhane, patrulhando uma área do tamanho da Europa. Meu comentário:

quinta-feira, 26 de dezembro de 2019

EUA consideram retirar forças que combatem terrorismo na África Ocidental

Em mais um recuo estratégico de sérias consequências para o combate ao terrorismo dos extremistas muçulmanos e à liderança dos Estados Unidos, o Departamento da Defesa, o Pentágono, está cogitando reduzir significativamente as forças americanas estacionadas na África Ocidental e considera até mesmo a possibilidade de uma retirada total, noticiou na véspera do Natal o jornal The New York Times

Uma redução drástica ou uma retirada total das tropas americanas e sobrecarregar ainda mais as forças da França e dos países africanos miseráveis que combatem o jihadismo na região do Sahel, ao sul do Deserto do Saara. 

A medida faz parte revisão estratégica e da doutrina de segurança nacional dos EUA feita pelo governo Trump. Há cerca de 200 mil soldados americanos no exterior. O objetivo é abandonar o combate a grupos terroristas geograficamente distantes, que em tese não representam uma ameaça direta aos EUA, e se concentrar na competição estratégica com grandes potências, no caso, a China e a Rússia.

Desta maneira, o governo Donald Trump pode abandonar uma base de drones recém-construída no Níger a um custo de 110 milhões de dólares, mais de 344 milhões de reais, e suspender a ajuda às forças da França que combatem o terrorismo em Burkina Fasso, no Mali e no Níger. Meu comentário:

sábado, 2 de novembro de 2019

Jihadistas matam 53 soldados do Exército do Mali

Pelo menos 53 soldados e um civil foram mortos num ataque de terroristas muçulmanos na sexta-feira à noite a um posto militar no Nordeste do Mali, um país da África Ocidental sem saída para o mar onde atuam várias milícias jihadistas, especialmente na região do Sahel, ao sul do Deserto do Saara.

"A situação agora está sob controle", declarou o ministro da Comunicação, Yaya Sangare. Os jihadistas, armados com armas pesadas, chegaram em motocicletas e caminhonetes, divididos em três grupos que iniciaram o ataque de três pontos diferentes.

O Exército do Mali precisou de várias horas para retomar o controle do posto militar depois da chegada de reforços. Este tipo de ataque tem sido comum no país. Os milicianos tomam instalações militares em operações de guerrilha e recuam horas depois.

Com as derrotas da rede Al Caeda e do Estado Islâmico, o jihadismo tenta se estabelecer em outras regiões do planeta como o Sahel, onde ficam países pobres com milhões de miseráveis que podem ser recrutados para sua "guerra santa".

O ataque foi atribuído à Província do Estado Islâmico na África Ocidental, uma dissidência do grupo terrorista nigeriano Boko Haram.

quinta-feira, 30 de maio de 2019

Terrorismo islâmico ameaça países pobres da África

Com a derrota da rede terrorista Al Caeda e do Estado Islâmico em seus países de origem, os grupos jihadistas tentam se estabelecer em outras regiões, especialmente na região do Sahel, que fica ao sul do Deserto do Saara, na África.

Uma mistura de miséria, desesperança, corrupção e governos fracos atrai os terroristas, enquanto a guerra civil sem fim na Líbia desde a queda do ditador Muamar Kadafi, em 2011, aumenta o fluxo de armas, mercenários e jihadistas na região.

A França interveio militarmente no Mali em 2013. Conseguiu conter uma rebelião da tribo dos tuaregues, mas não estabilizar o Sahel, mesmo com o apoio dos EUA.

As potências ocidentais precisam fazer novos planos e se preparar para uma guerra longa com batalhas sangrentas. Meu comentário:


domingo, 19 de março de 2017

Líder do Boko Haram ameaça tomar a África Ocidental

Para desmentir e desafiar o Exército de Nigéria, que anunciou a derrota militar do grupo, o líder da milícia jihadista Boko Haram, Abubakar Shekau, prometeu lutar até conquistar vários países da África Ocidental e impor a lei islâmica, noticiou o jornal nigeriano The Daily Post.

Em vídeo divulgado na última sexta-feira, Shekau ameaçou derrubar os governos do Benin, de Camarões, do Chade, do Mali, do Níger e da Nigéria. A gravação apresentava armas, munições, insígnias e outros objetos que supostamente pertenciam a soldados camaroneses.

A gravação, de 27 minutos, foi enviada a jornalistas de Abuja, a capital nigeriana, por um jornalista com contato no Boko Haram, cujo nome significa repúdio à educação ocidental. Há três dias, a milícia divulgara outro vídeo anunciado ter matado três homens que acusou de serem espiões do governo.

Ao aderir a luta armada para impor a lei islâmica no Nordeste da Nigéria, em 2009, o Boko Haram deflagrou uma guerra civil com um total de mortos estimado hoje em 15 mil. Em 7 de maio de 2015, Shekau declarou lealdade ao Estado Islâmico do Iraque e do Levante, seu líder Abubaker al-Baghdadi e o califado por ele proclamado.

Desde então, o Boko Haram se apresenta como a Província do Estado Islâmico na África Ocidental. É a segunda maior organização terrorista não estatal em número de mortos, atrás apenas do Estado Islâmico em violência e malignidade.

terça-feira, 27 de setembro de 2016

Jihadista pega 9 anos de prisão por destruir mausoléus no Mali

Em decisão histórica, o Tribunal Penal Internacional (TPI) condenou hoje pela primeira vez um acusado de crimes contra o patrimônio histórico, artístico e cultural da humanidade. 

O jihadista arrependido Ahmad al-Faki al-Mahdi foi condenado a nove anos de prisão por destruir mausoléus e a porta de uma mesquita do século 14 no Mali, um país do Leste da África.

"Considerando especialmente sua participação direta em numerosos incidentes e seu papel de porta-voz" de grupos extremistas muçulmanos que ocuparam o Norte do Mali em 2012, o júri presidido pelo juiz Raul Pangalangan o declarou culpado.

De 30 de junho a 11 de julho de 2012, Al-Mahdi liderou ataques contra nove mausoléus e contra a porta da mesquita de Sidi Yahia. O salafismo, a base ideológica da "guerra santa islâmica", considera idolatria qualquer obra de arte que tenha imagens de homens e animais, assim como a veneração de mortos, daí a destruição dos túmulos sufistas.

Timbuktu era um importante centro comercial na rota das caravanas que circulavam entre o Egito e o Golfo da Guiné. Tem uma das mais importantes bibliotecas da Idade Média, manuscritos que foram ameaçados pelos jihadistas que dominaram o Norte do Mali até uma intervenção militar da França no início de 2013.

terça-feira, 23 de agosto de 2016

Jihadista confessa destruição do patrimônio histórico de Timbuktu

O líder de uma "brigada moralista" da rede terrorista Al Caeda acusado de destruir santuários muçulmanos centenários na cidade de Timbuktu, no Mali, tornou-se ontem o primeiro réu a confessar a culpa por crime contra o patrimônio histórico e cultural da humanidade.

Em processo no Tribunal Penal Internacional, Ahmad al-Faki al-Mahdi pode ser condenado a até 30 anos de prisão por arrasar deliberadamente nove dos 16 mausoléus islâmicos de Timbuktu e a porta entalhada de uma mesquita durante o período de dez meses, de março de 2012 a janeiro de 2013, em que a cidade foi tomada por rebeldes tuaregues e grupos aliados à rede terrorista Al Caeda no Magrebe Islâmico.

Timbuktu era um ponto de parada importante na rota das caravanas que cruzavam o Deserto do Saara entre o Golfo da Guiné e o Egito. No Tinha vários monumentos tombados pela Unesco (Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura).

Quando os jihadistas tomaram o poder, atacaram as mesquitas e mausoléus com representações da seres humanos e animais, que os salafistas repudiam como idolatria. Vários manuscritos da biblioteca da cidade, uma das mais importantes do fim da Idade Média, foram removidos secretamente para serem salvos.

No processo, Al-Mahdi colaborou com o tribunal, mostrou arrependimento e fez um apelo aos extremistas muçulmanos para que não repitam seus crimes. Sua pena deve ser reduzida para 10 anos de prisão.

sábado, 23 de julho de 2016

Conflito no Mali mata 20 pessoas em dois dias

Uma milícia ligada ao governo e os rebeldes tuaregues entraram em choque na cidade de Kidal, no Norte do Mali, na quinta-feira, 21 de julho de 2016. Em dois dias, cerca de 20 pessoas morreram, noticiou a agência Reuters citando fontes médicas.

A violência explodiu dois dias depois que as duas partes haviam assinado um acordo de cessar-fogo na cidade.

Depois de um golpe de Estado em 21 de março de 2012, os tuaregues tomaram a maior parte do Norte do Mali em aliança com milícias jihadistas como Al Caeda no Magrebe Islâmico, provocando uma intervenção militar da França em janeiro de 2013, quando os rebeldes ameaçavam marchar até a capital, Bamako.

quinta-feira, 24 de março de 2016

Líder rebelde do Mali admite crime contra patrimônio histórico

O comandante rebelde Ahmad al-Faki al-Mahdi declarou aos juízes do Tribunal Penal Internacional (TPI) que está pronto para confessar culpa por crimes de guerra, declarou hoje o procurador-geral do tribunal, Fatou Bensouda, citado pela agência Reuters.

Al-Mahdi é a primeira pessoa denunciada pelo TPI pelo crime de danificar o patrimônio histórico e cultural da humanidade. É acusado de liderar extremistas muçulmanos que destruíram mesquitas e mausoléus da cidade de Timbuktu.

O TPI começou a investigar crimes de guerra no Mali, um país pobre da África Ocidental, em 2012, quando grupos jihadistas ocuparam o Norte do país em aliança com milícias tuaregues.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Presidente de Burkina Fasso assume Ministério da Defesa

O novo presidente de Burkina Fasso, Roch Mar Christian Kaboré, apresentou hoje o novo ministério, reservando para si o cargo de ministro da Defesa, noticiou o boletim de notícias sul-africano News24.

Seu antecessor, Blaise Compaoré, que governou de 1987 até ser deposto numa revolta popular em outubro de 2014, também foi ministro da Defesa. No governo Compaoré, Burkina Fasso exerceu um importante papel de mediação de conflitos na África Ocidental, na Costa do Marfim, na Guiné e no Mali.

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Ataque terrorista a hotel no Mali termina com 27 mortos

O ataque ao Hotel Radisson Blu em Bamako, no Mali, acabou há pouco. Pelo menos 27 pessoas foram mortas, inclusive cinco terroristas, confirmou um representante das Nações Unidas. Todos os reféns sobreviventes foram libertados, anunciaram autoridades deste país da África Ocidental citadas pela Agência France Presse (AFP).

Com o apoio da rede terrorista Al Caeda no Magreb Islâmico, os rebeldes da milícia extremista muçulmana Al-Mourabitoun (As Sentinelas), liderada pelo argeliano Mokhtar Belmokhtar, invadiram o hotel às sete da manhã (5h em Brasília) e tomaram cerca de 170 reféns. Vários foram libertados depois de provar que eram muçulmanos recitando trechos do Corão, o livro sagrado do islamismo.

Pelo menos dois terroristas foram mortos. Um dos reféns mortos foi identificado como o belga Geoffrey Dieudonné, assessor do parlamento regional da Federação Valônia-Bruxelas. Ele estava no Mali em missão da Francofonia Parlamentar, uma aliança de países que falam francês. Participava de um seminário para melhorar a formação dos assessores parlamentares malineses

Se for confirmada a responsabilidade de grupos ligados à rede Al Caeda, fica evidente uma competição com o Estado Islâmico do Iraque e do Levante pela liderança do movimento jihadista.

O grupo Ansar Dine, ligado a Al Caeda no Magreb, ameaçou atacar a França semanas atrás. Seu líder elogiou o ataque ao jornal satírico Charlie Hebdo, em Paris, em 7 de janeiro de 2015. Pode estar associado ao ataque ao hotel no Mali.

Ao abrir o 2º Fórum Internacional de Dacar sobre a Segurança na África, o presidente do Senegal, Macky Sall, declarou que é preciso mudar as missões de manutenção da paz da ONU na África para missões de imposição da paz: "Precisamos combater, em vez de apenas manter a paz."

Todo dia os capacetes azuis da ONU são alvo de milícias extremistas muçulmanos no Norte do Mali, onde 55 foram mortos neste ano. É a maior perda de soldados da ONU em 2015.

Terroristas tomam hotel no Mali e fazem 170 reféns

Pelo menos três pessoas morreram hoje num ataque de extremistas muçulmanos ao Hotel Radisson Blu em Bamako, a capital do Mali, na África Ocidental. Cerca de 170 pessoas foram tomadas como reféns. Uma parte foi libertada numa operação militar e policial em andamento, mas 124 hóspedes e 13 funcionários ainda estariam sob o controle dos terroristas.

Os rebeldes invadiram o hotel por volta das sete da manhã pela hora local (5h em Brasília) usando um carro com placas diplomáticas. Às 9h30 (7h30 em Brasília), o prédio foi cercado pelas forças de segurança. O grupo jihadista Al-Mourabitoun (As Sentinelas), ligado à rede terrorista Al Caeda, reivindicou a responsabilidade pelo ataque em mensagem no Twitter.

Al-Mourabitoun é uma milícia extremista muçulmana constituída principal por árabes e tuaregues das regiões de Gao, Kidal e Timbuktu, no Norte do Mali. Foi formado pela fusão do Movimento pela Unidade e Jihad no Norte da África e a Brigada dos Homens Mascarados, liderada pelo argeliano Mokhtar Belmokhtar.

A França interveio militarmente no Mali em janeiro de 2013, depois de um golpe militar, em 21 de março de 2012, de oficiais revoltados com a falta de apoio governamental à guerra civil no Norte do país. A partir de abril de 2012, uma aliança de grupos rebeldes tomou as principais cidades do norte do Mali. Quando eles marcharam rumo ao Sul, Paris interveio.

Assim, o ataque terrorista pode ser mais uma resposta violenta a uma ação militar francesa no exterior. Uma força de elite de 50 homens partiu da França para apoiar as autoridades malinesas.

Sétimo maior país da África em território, o Mali fica na África Ocidental ao sul da Argélia e não tem saída para o mar. Cerca de metade dos 12,3 milhões de habitantes vive na miséria.

No passado, o atual território do Mali fez parte de três grandes impérios da África Ocidental: o Império de Gana, que floresceu entre os séculos 8 e 11; o Império do Mali, que atingiu o auge no século em meados do século 14, quanto Timbuktu tinha uma das principais bibliotecas do mundo; e o Império Songai.

O Mali passou ao controle do Império da França no século 19 como parte do Sudão Francês. Conquistou a independência em 1960, depois da formar brevemente uma federação com o Senegal.

Com a guerra civil que derrubou o ditador Muamar Kadafi na Líbia em 2011, um grande número de armas entrou em circulação no Norte da África alimentando os grupos guerrilheiros locais. Do Marrocos à Somália, há uma intensa atividade jihadista na região do Sahel, ao sul do Deserto do Saara. É um celeiro de terroristas e mais uma preocupação para a Europa.

terça-feira, 18 de agosto de 2015

ONU cria zona de segurança ao redor de cidade do Norte do Mali

A missão de paz das Nações Unidas no Mali vai criar uma zona de segurança de 20 quilômetros de raio ao redor da cidade de Kidal, no Norte do país, noticiou o sítio de notícias sul-africano News 24.

O objetivo é proteger a zona para impedir combates entre os rebeldes separatistas tuaregues, que lutam pela independência de um país que chamam de Azawade, na região do Sahel, ao sul do Deserto do Saara.

De acordo com um porta-voz do governo, os combates na área cessaram, mas pelo menos dez pessoas foram mortas na última onda de violência.

Os rebeldes do Movimento Nacional de Libertação de Azawade e a milícia pró-governamental Plataforma assinaram um acordo de paz em junho. Assim, o governo tenta pacificar o Norte do Mali para o Exército se concentrar na luta contra extremistas muçulmanos no Oeste do país.

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Rebeldes matam dez em ataque a vila no Norte do Mali

Homens armados atacaram no sábado a vila de Gaberi, no Norte do Mali, na região do Sahel, na África, revelou ontem um porta-voz do Exército do país citado pela agência Reuters. As suspeitas recaem sobre terroristas islâmicos.

Um dia antes, extremistas muçulmanos tinham tomado reféns num hotel usado por soldados da força de paz das Nações Unidas e jornalistas estrangeiros na região central do Mali. O sequestro terminou com 12 mortes.

Antes de tomar o hotel, os jihadistas atacaram o quartel de Gurma Rarus, perto da cidade de Timbuktu.

A ONU negociou uma paz instável entre o governo central, com sede em Bamako, no Sul, e os rebeldes separatistas do Movimento Nacional de Libertação de Azawade, da etnia tuaregue, no Norte do Mali. O Exército não reafirmou sua autoridade sobre a região desde que ela foi ocupada pelos rebeldes em abril de 2012.

Vários grupos jihadistas, inclusive a rede terrorista Al Caeda no Magrebe Islâmico, aproveitam a situação para se infiltrar na região.