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domingo, 18 de janeiro de 2026

Hoje na História do Mundo: 18 de Janeiro

SEGUNDO REICH

    Em 1871, nasce o Império Alemão, sob a liderança do chanceler (primeiro-ministro) Otto von Bismarck, o Marechal de Ferro, depois de vitórias da Prússia em guerras contra a Dinamarca (1864), a Áustria-Hungria (1866) e a França (1870-71).

Na França, a derrota na Guerra Franco-Prussiana causa a queda do Segundo Império (1852-70), de Napoleão III, e a revolta da Comuna de Paris, em 18 de março de 1871, uma das mais importantes insurreições populares do século 19, quando as massas populares tomam a capital da França, na primeira experiência de criar um poder operário de caráter socialista.

A Alemanha toma as províncias da Alsácia e da Lorena. A ascensão da Alemanha, que no fim do século 19 torna-se a maior economia da Europa, e a pretensão da França de recuperar esses territórios são causas da Primeira Guerra Mundial (1914-18), que marca o fim do que o historiador britânico Eric Hobsbawm chama de Era dos Impérios.

Com a derrota na Primeira Guerra Mundial, o Império Alemão ou Segundo Reich acaba. O Primeiro Reich é o Sacro Império Romano-Germânico, fundado pelo imperador Carlos Magno em 800. Surge a República de Weimar, que acaba com a ascensão de Adolf Hitler ao poder, em 1933, e seu Terceiro Reich.

CONQUISTA DO POLO SUL

    Em 1912, o explorador britânico Robert Falcon Scott chega ao Polo Sul numa expedição com mais quatro homens e descobre que o norueguês Roald Amundsen chegara um mês antes, em 14 de dezembro de 1911. Scott e seu grupo morrem na volta ao acampamento.

Scott nasce em Devonport, no condado de Devon, na Inglaterra, em 6 de junho de 1868. Ele entra para a Marinha Real 1880 e se torna primeiro-tenente em 1887. Comanda uma expedição à Antártida em 1901-4.

Em junho de 1910, Scott embarca numa segunda expedição à Antártida. Quer estudar a região do Mar de Ross e chegar ao Polo Sul. Consegue, mas não é o primeiro e morre na volta. O último registro em seu diário é em 29 de março.

ROMPIDO CERCO DE LENINGRADO

    Em 1944, depois de dois anos e quatro meses, quase 900 dias, o Exército Vermelho da União Soviética rompe o Cerco de Leningrado, um dos episódios marcantes da Segunda Guerra Mundial (1939-45), com a morte de cerca de um milhão de pessoas na antiga capital da Rússia, berço das revoluções de 1917.

O cerco começa em 8 de setembro de 1941, com a participação da Itália e da Finlândia, dois meses depois da invasão da União Soviética pela Alemanha Nazista. A conquista de Leningrado é um dos objetivos centrais da Operação Barbarossa.

Ao invadir a URSS, os exércitos nazistas e aliados atacam em três frentes. Uma marcha para o Norte, rumo a Leningrado, outra para o Centro em direção a Moscou e a terceira para o Sul rumo à Ucrânia.

Como há muita fome na cidade cercada, os pais não deixam os filhos menores e jovens sair de casa. Há  um mercado negro de carne humana em Leningrado.

No começo de 1944, os soviéticos mobilizam 1 milhão de soldados, o dobro do número de inimigos. As últimas unidades alemãs se rendem em 27 de janeiro de 1944.

A libertação de Leningrado, depois da ganhar as batalhas de Stalingrado e Kursk, em 1943, é decisiva no avanço do Exército Vermelho rumo a Berlim até a vitória final, em 8 de maio de 1945.

FIM DA GUERRA CIVIL EM SERRA LEOA

    Em 2002, depois de 11 anos e mais de 50 mil mortes, com uma intervenção militar britânica, termina a Guerra Civil de Serra Leoa, na África Ocidental, marcada por atrocidades, inclusive o uso de crianças como soldados, mutilações, tortura e execuções brutais. Cerca de 2,5 milhões fogem de casa.

O conflito começa em 23 de maio de 1991, quando a guerra civil na vizinha Libéria se propaga a Serra Leoa. O presidente Joseph Momoh envia tropas para a fronteira para impedir a invasão dos rebeldes da Frente Patriótica Nacional da Libéria (NPEL), liderada por Charles Taylor, e seus aliados da Frente Unida Revolucionária (RUF), liderada pelo ex-cabo do Exército serra-leonês Foday Sankoh. 

No primeiro ano da guerra, a RUF toma o Sul e o Leste da Libéria, uma região rica em diamantes, os Diamantes de Sangue do filme de 2006 com Leonardo di Caprio. O fracasso do presidente Momoh no combate aos rebeldes e o impacto sobre a produção de diamantes levam a um golpe de Estado. 

Em abril de 1992, o capitão Valentine Strasser toma o poder sob a alegação de que o governo não dá condições aos militares para vencer os rebeldes e cria o Conselho Governante Nacional Provisório com ele próprio como chefe de Estado. 

A guerra civil se agrava. A RUF ocupa mais território e controla uma parte maior do comércio de diamantes. É o período com mais atrocidades, cometidas tanto pelo governo quanto pelos rebeldes, do recrutamento de menores à força a mutilações de braços, pernas, orelhas e lábios. A escravidão e a violência sexual são generalizadas.

Uma empresa privada de mercenários sul-africanos é contratada em março de 1995 para enfrentar a RUF. Strasser cai num golpe em janeiro de 1996 por dúvida se ele entregaria o poder aos civis. 

Em março de 1996, o presidente eleito Ahmad Kabbah assume o governo de Serra Leoa. O governo civil assina com a RUF em retirada o Acordo de Abdijã. Um novo golpe militar, em maio de 1997, impõe o Conselho Revolucionário das Forças Armadas (AFRC), que se alia à RUF para tomar a capital, Freetown.

O novo chefe de Estado, Johnny Paul Koroma, anuncia o fim da guerra. Uma onda de saques, violência sexual e assassinatos assola o país. Uma força da Comunidade Econômica dos Países da África Ocidental (ECOWAS) intervém. Kabbah volta ao poder em 1998.

Sob pressão internacional, em março de 1999, o governo e a RUF assinam o Acordo de Paz de Lomé. Em troca da paz, Foday Sankoh vira vice-presidente e controla as minas de diamantes. Não dá certo. Em maio de 2000, os rebeldes avançam rumo a Freetown.

Quando a missão de paz da ONU é ameaçada, o Reino Unido intervém militarmente na antiga colônia para retomar o controle de Freetown e derrotar a RUF de uma vez por todas. Em 18 de janeiro de 2002, o presidente Kabbah proclama o fim da guerra.

Foday Sankoh é preso e entregue a um tribunal internacional. É denunciado por 17 acusações de crimes de guerra e contra a humanidade, mas morre de um acidente vascular cerebral em 29 de julho de 2003, antes de ser julgado.

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sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

Hoje na História do Mundo: 16 de Janeiro

 IVÃ O TERRÍVEL

    Em 1547, Ivã IV, o Terrível, é coroado czar e grão-príncipe da Rússia.

Ivã Vassilievich nasce em 25 de agosto de 1530 em Kolomenskoye, perto de Moscou. É filho do grão-príncipe Basílio III, do Principado de Moscou e o penúltimo monarca da Dinastia Rurique. Aos 3 anos, com a morte do pai, é proclamado grão-príncipe de Moscou. A mãe reina em seu nome até morrer, em 1538.

O período de 1538 a 1547 é marcado por conflitos violentos entre uma casta de nobres guerreiros conhecidos como boiardos que marcam Ivã. 

O título de czar vem de césar. Depois da tomada de Constantinopla pelos turcos do Império Otomano, em 29 de maio de 1453, e do fim do Império Romano do Oriente, a Rússia se apresenta como o centro do cristianismo oriental, a Terceira Roma.

Pouco depois da coroação, em fevereiro de 1547, ele se casa com Anastássia Romanovna, tia-avó do primeiro czar da Dinastia Romanov, que mandaria na Rússia de 1613 até o fim do Império Russo na Revolução de Fevereiro de 1917.

Ivã IV completa a construção da Rússia como um Estado centralizado. Trava, sem sucesso, guerras longas contra a Suécia e a Polônia. Para manter a disciplina militar e a administração centralizada, impõe um reino de terror.

Com medo da traição de aristocratas, Ivã sai de Moscou em 3 de dezembro de 1564 e vai para Alexandrov. Em 3 de janeiro de 1565, envia uma carta ao arcebispo de Moscou anunciando a intenção de renunciar. Uma delegação composta pelo clero, inclusive o arcebispo de Moscou, boiardos e comerciantes vai até ele pedir que volte. Ivã IV exige um poder ilimitado.

Em fevereiro de 1565, Ivã IV retorna e baixa um decreto para dividir o Principado de Moscou em dois: a Zémschina, sob administração czarista, e a Opríchnina, onde ele tem poderes absolutos. O sistema da Opríchnina dura até 1572. Em sete anos, se esforça para aniquilar seus inimigos e acabar com o sistema de governo. Seus homens são conhecidos como a "tropa satânica". Vestem-se de preto e tem um cachorro e uma vassoura como insígnia.

Violento e impiedoso, Ivã o Terrível tem acessos de raiva e surtos psicóticos. Num desses ataques, mata o filho mais velho e sucessor, Ivã (quadro). Ao morrer, 28 de março de 1584, deixa o trono para o filho mais moço, Teodoro I, que tem problemas mentais.

LEI SECA RATIFICADA

    Em 1919, a 18ª Emenda à Constituição dos Estados Unidos, proibindo "manufatura, venda ou transporte de licores e bebidas intoxicantes", está ratificada por 75% dos estados, condição necessária para entrar em vigor.

O objetivo expresso da lei é evitar problemas como violência e pobreza. O resultado é muito diferente.

A Lei Seca, a proibição de produzir, vender, distribuir e ingerir bebidas alcoólicas, entra em vigor em 17 de janeiro de 1920 e dura até 5 de dezembro de 1933, criando um mercado negro onde imperam gângsters como Al Capone, a corrupção e a impunidade.

FIM DA GUERRA EM EL SALVADOR

    Em 1992, depois de cerca de 75 mil mortes 12 anos, 3 meses e 1 dia, termina a guerra civil em El Salvador, com a assinatura no México do Acordo de Paz de Chapultec entre o governo e a Frente Farabundo Martí de Libertação Nacional (FMLN).

El Salvador tem uma longa história de concentração da riqueza nas mãos de uma oligarguia. A guerra civil começa com um golpe de Estado, em 15 de outubro de 1979, apoiado pelos Estados Unidos durante a Guerra Fria, três meses depois da vitória da Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN) na Revolução da Nicarágua. Os militares salvadorenhos temem que o país siga o mesmo destino.

O presidente Carlos Humberto Romero é deposto por uma junta militar com o coronel Álvaro Magaña como presidente. A FMLN tem o apoio da União Soviética, de Cuba e dos sandinistas da Nicarágua.

Em 24 de março de 1980, o arcebispo de San Salvador, Dom Óscar Romero, é assassinado durante a missa na catedral da cidade. A guerra é marcada por sequestros, tortura e assassinados cometidos por esquadrões da morte. Os rebeldes são responsáveis por 5% das violações dos direitos humanos. Um dos grandes assassinos é o major Roberto d'Aubuisson, suspeito da morte de Dom Romero.

Uma anistia aprovada em 1993 impede a punição desses crimes. Em 2016, a Corte Suprema de El Salvador declara a anistia inconstitucional.

PRIMEIRA MULHER PRESIDENTE AFRICANA

    Em 2006, Ellen Johnson Sirleaf, a primeira mulher eleita chefe de Estado na África, toma posse como presidente da Libéria.

Ellen nasce em 29 de outubro de 1938 em Monróvia, a capital do país. Em 1961, ela vai para os EUA estudar economia e administração de empresas. Depois de um mestrado em administração pública da Universidade de Harvard, ela entra no serviço público liberiano.

Em 1972-73, Ellen Johnson Sirleaf é a segunda no Ministéro das Finanças do presidente William Tolbert. De 1980-85, é ministra das Finanças da ditadura de Samuel Doe. Conhecida por sua integridade, entra em choque com os dois presidentes. Na ditadura, é presa duas vezes. Escapa por pouco da execução.

Durante a campanha eleitoral de 1985, Ellen luta por uma vaga no Senado denunciando a ditadura. É condenada a 10 anos de prisão e solta desde que saia do país. Fica 12 anos no Quênia e nos EUA, enquanto a Libéria mergulha numa guerra civil brutal.

Ela trabalha como economista do Banco Mundial. De 1992-97, dirige o Escritório Regional para a África do Programa das Nações para o Desenvolvimento (PNUD).

Em 1997, Ellen Johnson Sirleaf concorre à Presidência da Libéria contra o ditador Charles Taylor. O governo a acusa de traição e volta para o exílio. A guerra civil recomeça em 1999. Quando Taylor vai para o exílio, em 2003, ela volta para presidir a Comissão pela Boa Governança, que prepara o país para eleições democráticas.

Na segunda tentativa, em 2005, ela se elege presidente vencendo o ex-jogador de futebol George Weah no segundo turno e toma posse em janeiro.

Com 15 mil soldados da ONU no país e 80% de desemprego, os desafios são enormes. Em 2006, cria uma Comissão da Verdade e Reconciliação. Ela própria é citada por ter apoiado Taylor contra Doe no início da Primeira Guerra Civil Liberiana (1989-97).

Em 2011, Ellen Johnson Sirleaf divide o Prêmio Nobel da Paz com a também liberiana Leyman Gbowee e a iemenita Tawakkal Karman pela luta pelos direitos da mulher. Ela governa a Libéria até 2018 e entrega o poder a George Weah.

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segunda-feira, 8 de dezembro de 2025

Hoje na História do Mundo: 8 de Dezembro

 LENNON ASSASSINADO

    Em 1980, Mark Chapman, um fã desequilibrado, mata com quatro tiros à queima-roupa o ex-beatle John Lennon na entrada do Edifício Dakota, em Nova York, onde o músico morava com a mulher, a artista plástica japonesa Yoko Ono, e o filho Sean.

Chapman fica na cena do crime lendo O Apanhador no Campo de Centeio, de John David Salinger, um clássico da literatura norte-americana. É condenado à prisão perpétua. Todos os apelos para redução da pena são rejeitados até hoje.

Confira a última entrevista de Lennon, à revista Rolling Stone.

ADEUS ÀS ARMAS

    Em 1987, o presidente dos Estados Unidos, Ronald Reagan, e o líder da União Soviética, Mikhail Gorbachev, assinam na Casa Branca, em Washington, o Tratado sobre Forças Nucleares Intermediárias, o primeiro a eliminar toda uma classe de armas atômicas, os mísseis nucleares de curto e médio alcances, capazes de atingir alvos a distâncias entre 500 e 5,5 mil quilômetros.

A Segunda Guerra Fria começa com a invasão da URSS ao Afeganistão, em 26 de dezembro de 1979, depois da détente do início dos anos 1970. Agrava-se com a eleição do presidente linha-dura Ronald Reagan nos EUA, em 1980, o abate de um Boeing 747 do Korean Air no espaço aéreo soviético, em 1º de setembro de 1983. e a instalação de mísseis nucleares norte-americanos de curto e médio alcances na Europa, a partir de 1º de novembro de 1983.

O degelo inicia com a ascensão do reformista Mikhail Gorbachev à liderança do Partido Comunista da URSS, em 11 de março de 1985. Depois de uma série de encontros de cúpula, eles acertam a eliminação das forças nucleares intermediárias.

Em 2 de agosto de 2019, no governo Donald Trump (2017-21), os EUA abandonam o tratado que acusam a Rússia de violar desde julho de 2014. Dos acordos que acabam com a Guerra Fria, resta o Novo Tratado de Redução de Armas Estratégicas (New START), na versão renegociada pelos presidentes Barack Obama e Dimitri Medvedev, que entra em vigor em 5 de fevereiro de 2011 e é prorrogado até 2026. A Guerra da Ucrânia prejudica as negociações.

FIM DA UNIÃO SOVIÉTICA

    Em 1991, as repúblicas da Rússia, da Ucrânia e da Bielorrússia, o núcleo central eslavo da União Soviética, assinam o Acordo de Minsk para formar a Comunidade de Estados Independentes (CEI), acabando assim na prática com a pátria do comunismo.

A URSS nasce em 1922, no fim da guerra civil deflagrada pela Revolução Comunista de 1917 para acomodar como repúblicas vários países do antigo Império Russo. Com a morte de Vladimir Lenin, em 1924, ascende ao poder Josef Stalin, que impõe uma tirania ainda pior do que o regime czarista.

Com a indústria pesada desenvolvida pelo stalinismo e o apoio logístico dos aliados ocidentes, a URSS é a grande força de resistência ao nazifascismo. Mais de 80% das tropas da Alemanha são derrotadas na frente oriental pelo Exército Vermelho, que toma Berlim em 8 de maio de 1945, marco do fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45) na Europa.

No pós-guerra, o mundo é dividido entre capitalismo e comunismo, sob a liderança dos Estados Unidos e da URSS, numa confrontação total, estratégica, política, econômica, científica, tecnológica, militar e cultural pela supremacia mundial que acaba com a ascensão à liderança do Partido Comunista de Mikhail Gorbachev (1985-91).

Depois de uma fracassada tentativa de golpe da linha dura em agosto de 1991, os novos dirigentes eleitos pelo voto popular como Boris Yeltsin, primeiro presidente da Rússia, lideram a resistência e tomam o poder de Gorbachev. O Partido Comunista é colocado na ilegalidade. Por fim, as repúblicas eslavas decidem sair da URSS, que acaba oficialmente no fim do ano.

NAVE DA SPACEX VOLTA À TERRA

    Em 2010, a empresa SpaceX, do bilionário Elon Musk, lança a cápsula Dragon no primeiro voo teste e torna-se a primeira empresa privada a enviar uma nave ao espaço e recuperá-la na volta à Terra.

No segundo voo teste, em 8 de dezembro de 2010, a Dragon leva equipamentos e suprimentos à Estação Espacial Internacional. A SpaceX também a primeira empresa privada a enviar uma nave espacial tripulada à estação espacial, em 22 de maio de 2012.

Musk funda a empresa em 2002 para revolucionar a era espacial, tornar viáveis voos espaciais comerciais, enviar missões tripuladas a Marte e colonizar o Planeta Vermelho.

DITADURA DE ASSAD CAI

    Em 2024, depois de mais de 13 anos de guerra civil, no fim de uma ofensiva fulminante de 11 dias, os rebeldes extremistas muçulmanos do grupo Hayat Tahrir al-Sham (Organização para a Libertação do Levante) tomam as cidades mais importantes da Síria, inclusive a capital, Damasco. É o fim da ditadura de Bachar Assad, no poder desde o ano 2000.

O Comando Geral do Exército ordena a rendição e a dissolução das últimas unidades. Os rebeldes fazem um pronunciamento em cadeia nacional de rádio e televisão anunciando a queda do regime. Assume o poder o líder rebelde Abu Mohammed al-Julani, ligado a Al Caeda e antes do Estado Islâmico, que abandona o nome de guerra e volta a usar o nome batismo Ahmed Hussein al-Charaa. Hoje é o presidente interino da Síria.

A ditadura truculenta família Assad governava a Síria havia quase 54 anos. O pai do ditador deposto é ministro da Defesa e comandante da Força Aérea antes de tomar o poder num golpe em 1971. Aliado da União Soviética durante a Guerra Fria, luta ao lado dos Estados Unidos na Guerra do Golfo de 1991 para expulsar o Iraque de Saddam Hussein do Kuwait.

Bachar Assad estuda medicina na Universidade de Damasco e faz pós-graduação em oftalmologia em Londres, onde trabalha até a morte do irmão mais velho, em 1994, quando é convocado para voltar à Síria e assumir a posição de herdeiro. A esperança de que seja um reformista influenciado pela experiência no Ocidente dura pouco.

Quando a Primavera Árabe chega à Síria, em março de 2011, os protestos pacíficos são violetamente reprimidos. O ditador liberta os extremistas muçulmanos presos para alegar que combate terroristas. Logo, os grupos jihadistas, entre eles Al Caeda e o Estado Islâmico, se tornam as principais forças rebeldes.

Havia uma expectativa de que Bachar Assad cairia. A Guerra Civil Síria começa a mudar com a intervenção militar da Rússia, a partir de 30 de setembro de 2015. O apoio do Irã e da milícia extremista xiita libanesa Hesbolá (Partido de Deus) também é importante.

Em 2020, o regime controla dois terços do país. O Nordeste é dominado até hoje por uma milícia árabe-curda, as Forças Democráticas Sírias (FDS), principal força terrestre da guerra dos EUA contra o Estado Islâmico. Milícias ligadas a Al Caeda apoiadas pela Turquia resistem na província de Idlibe. De lá, partem os rebeldes que derrubam o regime.

Com a Rússia concentrada na guerra contra a Ucrânia e o Hesbolá debiitado pela guerra contra Israel, os rebeldes chegam à vitória.

Em 13 anos e 9 meses de guerra civil, pelo menos 618 mil sírios são mortos. Cerca de 6,6 milhões fogem do país. A onda de refugiados chega à Europa. É um dos principais fatores da ascensão de partidos de extrema direita no continente.

Depois de um ano, Al Charaa consegue o reconhecimento internacional, é recebido na Casa Braca, mas minorias como alauítas e curdos são alvo de massacres e se sentem inseguras. A Síria precisa de ajuda internacional para se reconstruir. Conta com o apoio das monarquias petroleiras árabes do Golfo Pérsico. Isso o afasta do Irã, grande sustentáculo da ditadura de Assad.

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sábado, 18 de janeiro de 2025

Hoje na História do Mundo: 18 de Janeiro

 IMPÉRIO ALEMÃO

    Em 1871, nasce o Império Alemão, sob a liderança do chanceler (primeiro-ministro) Otto von Bismarck, o Marechal de Ferro, depois de vitórias da Prússia em guerras contra a Dinamarca (1864), Áustria-Hungria (1866) e França (1870-71).

Na França, a derrota na Guerra Franco-Prussiana causa a queda do Segundo Império (1852-70), de Napoleão III, e a revolta da Comuna de Paris, em 18 de março de 1871, uma das mais importantes insurreições populares do século 19, quando as massas populares tomam a capital da França, na primeira experiência de criar um poder operário de caráter socialista.

A Alemanha toma as províncias da Alsácia e da Lorena. A ascensão da Alemanha, que no fim do século torna-se a maior economia da Europa, e a pretensão da França de recuperar esses territórios são causas da Primeira Guerra Mundial (1914-18), que marca o fim do que o historiador britânico Eric Hobsbawm chama de Era dos Impérios.

Com a derrota na Primeira Guerra Mundial, o Império Alemão acaba. Surge a República de Weimar, que acaba com a ascensão de Adolf Hitler ao poder, em 1933.

CONQUISTA DO POLO SUL

    Em 1912, o explorador britânico Robert Falcon Scott chega ao Polo Sul numa expedição com mais quatro homens e descobre que o norueguês Roald Amundsen chegara um mês antes, em 14 de dezembro de 1911. Scott e seu grupo morrem na volta ao acampamento.

Scott nasce em Devonport, no condado de Devon, na Inglaterra, em 6 de junho de 1868. Ele entra para a Marinha Real 1880 e se torna primeiro-tenente em 1887. Comanda uma expedição à Antártida em 1901-4.

Em junho de 1910, Scott embarca numa segunda expedição à Antártida. Quer estudar a região do Mar de Ross e chegar ao Polo Sul. Consegue, mas não é o primeiro e morre na volta. O último registro em seu diário é em 29 de março.

ROMPIDO CERCO DE LENINGRADO

    Em 1944, depois de dois anos e quatro meses, quase 900 dias, o Exército Vermelho da União Soviética rompe o Cerco de Leningrado, um dos episódios marcantes da Segunda Guerra Mundial (1939-45), com a morte de cerca de um milhão de pessoas na antiga capital da Rússia e berço das revoluções de 1917.

O cerco começa em 8 de setembro de 1941, com a participação da Itália e da Finlândia, dois meses depois da invasão da União Soviética pela Alemanha Nazista. A conquista de Leningrado é um dos objetivos da Operação Barbarossa.

Ao invadir a URSS, as forças dos exércitos nazistas e aliados atacam em três frentes. Uma marcha para o Norte, rumo a Leningrado, outra para o Centro em direção a Moscou e a terceira para o Sul rumo à Ucrânia.

Como há muita fome na cidade cercada, os pais não deixam os filhos menores e jovens sair de casa. Havia um mercado negro de carne humana em Leningrado.

No começo de 1944, os soviéticos mobilizam 1 milhão de soldados, o dobro do número de inimigos. As últimas unidades alemãs se rendem em 27 de janeiro de 1944.

A vitória em Leningrado, depois da ganhar as batalhas de Stalingrado e Kursk, em 1943, são decisivas para o avanço do Exército Vermelho rumo a Berlim até a vitória final, em 8 de maio de 1945.

FIM DA GUERRA CIVIL EM SERRA LEOA

    Em 2002, depois de 11 anos e mais de 50 mil mortes, com uma intervenção militar britânica, termina a Guerra Civil de Serra Leoa, na África Ocidental, marcada por atrocidades, inclusive o uso de crianças como soldados, mutilações, tortura e execuções brutais. Cerca de 2,5 milhões fogem de casa.

O conflito começa em 23 de maio de 1991, quando a guerra civil na vizinha Libéria se propaga a Serra Leoa. O presidente Joseph Momoh envia tropas para a fronteira para impedir a invasão dos rebeldes da Frente Patriótica Naconal da Libéria (NPEL), liderada por Charles Taylor, e seus aliados da Frente Unida Revolucionária (RUF), liderada pelo ex-cabo do Exército serra-leonês Foday Sankoh. 

No primeiro ano da guerra, a RUF toma o Sul e o Leste da Libéria, uma região rica em diamantes, os Diamantes de Sangue do filme de 2006 com Leonardo di Caprio. O fracasso do presidente Momoh no combate aos rebeldes e o impacto sobre a produção de diamantes levam a um golpe de Estado. 

Em abril de 1992, o capitão Valentine Strasser toma o poder sob a alegação de que o governo não dá condições aos militares para vencer os rebeldes e cria o Conselho Governante Nacional Provisório com ele próprio como chefe de Estado. 

A guerra civil se agrava. A RUF ocupa mais território e controla uma parte maior do comércio de diamantes. É o período com mais atrocidades, cometidas tanto pelo governo quanto pelos rebeldes, do recrutamento de menores à força a mutilações de braços, pernas, orelhas e lábios. A escravidão e a violência sexual são generalizadas.

Uma empresa privada de mercenários sul-africanos é contratada em março de 1995 para enfrentar a RUF. Strasser cai num golpe em janeiro de 1996 por dúvida se ele entregaria o poder aos civis. 

Em março de 1996, o presidente eleito Ahmad Kabbah assume o governo de Serra Leoa. O governo civil assina com a RUF em retirada o Acordo de Abdijã. Um novo golpe militar, em maio de 1997, impõe o Conselho Revolucionário das Forças Armadas (AFRC), que se alia à RUF para tomar a capital, Freetown.

O novo chefe de Estado, Johnny Paul Koroma, anuncia o fim da guerra. Uma onda de saques, violência sexual e assassinatos assola o país. Uma força da Comunidade Econômica dos Países da África Ocidental (ECOWAS) intervém. Kabbah volta ao poder em 1998.

Sob pressão internacional, em março de 1999, o governo e a RUF assinam o Acordo de Paz de Lomé. Em troca da paz, Foday Sankoh vira vice-presidente e controla as minas de diamantes. Não dá certo. Em maio de 2000, os rebeldes avançam rumo a Freetown.

Quando a missão de paz da ONU é ameaçada, o Reino Unido intervém militarmente na antiga colônia para retomar o controle de Freetown e derrotar a RUF de uma vez por todas. Em 18 de janeiro de 2002, o presidente Kabbah proclama o fim da guerra.

quinta-feira, 16 de janeiro de 2025

Hoje na História do Mundo: 16 de Janeiro

 IVÃ O TERRÍVEL

    Em 1547, Ivã IV, o Terrível, é coroado czar e grão-príncipe da Rússia.

Ivã Vassilievich nasce em 25 de agosto de 1530 em Kolomenskoye, perto de Moscou. É filho do grão-príncipe Basílio III, do Principado de Moscou e o penúltimo monarca da Dinastia Rurique. Aos 3 anos, com a morte do pai, é proclamado grão-príncipe de Moscou. A mãe reina em seu nome até morrer, em 1538.

O período de 1538 a 1547 é marcado por conflitos violentos entre uma casta de nobres guerreiros conhecidos como boiardos que marcam Ivã. 

O título de czar vem de césar. Depois da tomada de Constantinopla pelos turcos do Império Otomano, em 29 de maio de 1453, e do fim do Império Romano do Oriente, a Rússia se apresenta como o centro do cristianismo oriental, a Terceira Roma.

Pouco depois da coroação, em fevereiro de 1547, ele se casa com Anastássia Romanovna, tia-avó do primeiro czar da Dinastia Romanov, que manda na Rússia de 1613 até o fim do Império Russo na Revolução de Fevereiro de 1917.

Ivã IV completa a construção da Rússia como um Estado centralizado. Trava, sem sucesso, guerras longas contra a Suécia e a Polônia. Para manter a disciplina militar e a administração centralizada, impõe um reino de terror.

Com medo da traição de aristocratas, Ivã sai de Moscou em 3 de dezembro de 1564 e vai para Alexandrov. Em 3 de janeiro de 1565, envia uma carta ao arcebispo de Moscou anunciando a intenção de renunciar. Uma delegação composta pelo clero, inclusive o arcebispo de Moscou, boiardos e comerciantes vai até ele pedir que volte. Ivã IV exige um poder ilimitado.

Em fevereiro de 1565, Ivã IV retorna e baixa um decreto para dividir o Principado de Moscou em dois: a Zémschina, sob administração czarista, e a Opríchnina, onde ele tem poderes absolutos. O sistema da Opríchnina dura até 1572. Em sete anos, se esforça para aniquilar seus inimigos e acabar com o sistema de governo. Seus homens são conhecidos como a "tropa satânica". Vestem-se de preto e tem um cachorro e uma vassoura como insígnia.

Violento e impiedoso, Ivã o Terrível tem acessos de raiva e surtos psicóticos. Num desses ataques, mata o filho mais velho e sucessor, Ivã (quadro). Ao morrer, 28 de março de 1584, deixa o trono para o filho mais moço, Teodoro I, que tem problemas mentais.

LEI SECA RATIFICADA

    Em 1919, a 18ª Emenda à Constituição dos Estados Unidos, proibindo "manufatura, venda ou transporte de licores e bebidas intoxicantes", está ratificada por 75% dos estados, condição necessária para entrar em vigor.

O objetivo expresso da lei é evitar problemas como violência e pobreza. O resultado é muito diferente.

A Lei Seca, a proibição de produzir, vender, distribuir e ingerir bebidas alcoólicas, entra em vigor em 17 de janeiro de 1920 e dura até 5 de dezembro de 1933, criando um mercado negro onde imperam gângsters como Al Capone, a corrupção e a impunidade.

FIM DA GUERRA EM EL SALVADOR

    Em 1992, depois de cerca de 75 mil mortes em 12 anos, 3 meses e 1 dia, termina a guerra civil em El Salvador, com a assinatura no México do Acordo de Paz de Chapultec entre o governo e a Frente Farabundo Martí de Libertação Nacional (FMLN).

El Salvador tem uma longa história de concentração da riqueza nas mãos de uma oligarguia. A guerra civil começa com um golpe de Estado, em 15 de outubro de 1979, apoiado pelos Estados Unidos durante a Guerra Fria, três meses depois da vitória da Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN) na Revolução da Nicarágua. Os militares salvadorenhos temem que o país siga o mesmo destino.

O presidente Carlos Humberto Romero é deposto por uma junta militar com o coronel Álvoro Magaña como presidente. A FMLN tem o apoio da União Soviética, de Cuba e dos sandinistas da Nicarágua.

Em 24 de março de 1980, o arcebispo de San Salvador, Dom Óscar Romero, é assassinado durante a missa na catedral da cidade. A guerra é marcada por sequestros, tortura e assassinados cometidos por esquadrões da morte. Os rebeldes são responsáveis por 5% das violações dos direitos humanos. Um dos grandes assassinos é o major Roberto d'Aubuisson, suspeito da morte de Dom Romero.

Uma anistia aprovada em 1993 impediu a punição desses crimes. Em 2016, a Corte Suprema de El Salvador declarou a anistia inconstitucional.

PRIMEIRA MULHER PRESIDENTE AFRICANA

    Em 2006, Ellen Johnson Sirleaf, a primeira mulher eleita chefe de Estado na África, toma posse como presidente da Libéria.

Ellen nasce em 29 de outubro de 1938 em Monróvia, a capital do país. Em 1961, ela vai para os EUA estudar economia e administração de empresas. Depois de um mestrado em administração pública da Universidade de Harvard, ela entra no serviço público liberiano.

Em 1972-73, Ellen Johnson Sirleaf é a segunda no Ministéro das Finanças do presidente William Tolbert. De 1980-85, é ministra das Finanças da ditadura de Samuel Doe. Conhecida por sua integridade, entra em choque com os dois presidentes. Na ditadura, é presa duas vezes. Escapa por pouco da execução.

Durante a campanha eleitoral de 1985, Ellen luta por uma vaga no Senado denunciando a ditadura. É condenada a 10 anos de prisão e solta desde que saia do país. Ela fica 12 anos no Quênia e nos EUA, enquanto a Libéria mergulha numa guerra civil brutal.

Ellen trabalha como economista do Banco Mundial. De 1992-97, dirige o Escritório Regional para a África do Programa das Nações para o Desenvolvimento (PNUD).

Em 1997, Ellen Johnson Sirleaf concorre à Presidência da Libéria contra o ditador Charles Taylor. Quando o governo a acusa de traição, volta para o exílio. A guerra civil recomeça em 1999. Quando Taylor vai para o exílio, em 2003, ela volta para presidir a Comissão pela Boa Governança, que preparou o país para eleições democráticas.

Na segunda tentativa, em 2005, ela se elege presidente vencendo o ex-jogador de futebol George Weah no segundo turno e toma posse em janeiro.

Com 15 mil soldados da ONU no país e 80% de desemprego, os desafios são enormes. Em 2006, cria uma Comissão da Verdade e Reconciliação. Ela própria é citada por ter apoiado Taylor contra Doe no início da Primeira Guerra Civil Liberiana (1989-97).

Em 2011, Ellen Johnson Sirleaf divide o Prêmio Nobel da Paz com a também liberiana Leyman Gbowee e a iemenita Tawakkal Karman pela luta pelos direitos da mulher. Ela governa a Libéria até 2018 e entrega o poder a George Weah. 

terça-feira, 16 de janeiro de 2024

Hoje na História do Mundo: 16 de Janeiro

IVAN O TERRÍVEL

    Em 1547, Ivã IV, o Terrível, é coroado czar e grão-príncipe da Rússia.

Ivã Vassilievich nasce em 25 de agosto de 1530 em Kolomenskoye, perto de Moscou. É filho do grão-príncipe Basílio III, do Principado de Moscou e o penúltimo monarca da Dinastia Rurique. Aos 3 anos, com a morte do pai, é proclamado grão-príncipe de Moscou. A mãe reina em seu nome até morrer, em 1538.

O período de 1538 a 1547 é marcado por conflitos violentos entre uma casta de guerreiros conhecidos como boiardos que marcam Ivã. 

O título de czar vem de césar. Depois da tomada de Constantinopla pelos turcos do Império Otomano, em 29 de maio de 1453, e do fim do Império Romano do Oriente, a Rússia se apresenta como o centro do cristianismo oriental, a Terceira Roma.

Pouco depois da coroação, em fevereiro de 1547, ele se casa com Anastássia Romanovna, tia-avó do primeiro czar da Dinastia Romanov, que mandaria na Rússia de 1613 até o fim do Império Russo na Revolução de Fevereiro de 1917.

Ivã IV completa a construção da Rússia como um Estado centralizado. Trava, sem sucesso, guerras longas contra a Suécia e a Polônia. Para impor a disciplina militar e a administração centralizada, impõe um reino de terror.

Com medo da traição de aristocratas, Ivã sai de Moscou em 3 de dezembro de 1564 e vai para Alexandrov. Em 3 de janeiro de 1565, envia uma carta ao arcebispo de Moscou anunciando a intenção de renunciar. Uma delegação composta pelo clero, inclusive o arcebispo de Moscou, boiardos e comerciantes vai até ele pedir que volte. Ivã IV exige um poder ilimitado.

Em fevereiro de 1565, Ivã IV retorna e baixa um decreto para dividir o Principado de Moscou em dois: a Zémschina, sob administração czarista, e a Opríchnina, onde ele tem poderes absolutos. O sistema da Opríchnina dura até 1572. Em sete anos, se esforça para aniquilar seus inimigos e acabar com o sistema de governo. Seus homens são conhecidos como a "tropa satânica". Vestem-se de preto e tem um cachorro e uma vassoura como insígnia.

Violento e impiedoso, Ivã o Terrível tem acessos de raiva e surtos psicóticos. Num desses ataques, mata o filho mais velho e sucessor, Ivã (foto). Ao morrer, 28 de março de 1584, deixa o trono para o filho mais moço, Teodoro I, que tem problemas mentais.

LEI SECA RATIFICADA

    Em 1919, a 18ª Emenda à Constituição dos Estados Unidos, proibindo "manufatura, venda ou transporte de licores e bebidas intoxicantes", está ratificada por 75% dos estados, condição necessária para entrar em vigor.

O objetivo expresso da lei é evitar problemas como violência e pobreza. O resultado é muito diferente.

A Lei Seca, a proibição de produzir, vender, distribuir e ingerir bebidas alcoólicas, entra em vigor em 17 de janeiro de 1920 e dura até 5 de dezembro de 1933, criando um mercado negro onde imperam gângsters como Al Capone, a corrupção e a impunidade.

FIM DA GUERRA EM EL SALVADOR

    Em 1992, depois de cerca de 75 mil mortes 12 anos, 3 meses e 1 dia, termina a guerra civil em El Salvador, com a assinatura no México do Acordo de Paz de Chapultec entre o governo e a Frente Farabundo Martí de Libertação Nacional (FMLN).

El Salvador tem uma longa história de concentração da riqueza nas mãos de uma oligarguia. A guerra civil começa com um golpe de Estado, em 15 de outubro de 1979, apoiado pelos Estados Unidos durante a Guerra Fria, três meses depois da vitória da Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN) na Revolução da Nicarágua. Os militares saldorenhos temem que o país siga o mesmo destino.

O presidente Carlos Humberto Romero é deposto por uma junta militar com o coronel Álvoro Magaña como presidente. A FMLN tem o apoio da União Soviética, de Cuba e dos sandinistas da Nicarágua.

Em 24 de março de 1980, o arcebispo de San Salvador, Dom Óscar Romero, é assassinado durante a missa na catedral da cidade. A guerra é marcada por sequestros, tortura e assassinados cometidos por esquadrões da morte. Os rebeldes são responsáveis por 5% das violações dos direitos humanos. Um dos grandes assassinos é o major Roberto d'Aubuisson, suspeito da morte de Dom Romero.

Uma anistia aprovada em 1993 impediu a punição desses crimes. Em 2016, a Corte Suprema de El Salvador declarou a anistia inconstitucional.

segunda-feira, 17 de abril de 2023

Golpe dentro do golpe ameaça causar nova guerra civil no Sudão

Tiros e explosões abalam Cartum, a capital do Sudão, desde sábado, quando a maior força paramilitar do país, as Forças de Apoio Rápido (FAR), lideradas pelo vice-presidente, general Mohamed Hamdan Dagalo, conhecido popularmente como Hemedti, atacou o Exército, chefiado pelo general Abdel Fattah al-Burhan, num golpe dentro do golpe que os dois deram em 2021. 

Pelo menos 97 pessoas foram mortas. O Programa Mundial de Alimentos das Nações Unidas suspendeu temporariamente as atividades no país, onde um terço dos 45,66 milhões de habitantes precisam de ajuda para não passar fome. O Sudão é o 23º país mais pobre do mundo em renda média por habitante. A União Africana e os presidentes do Quênia, de Djibúti e do Sudão do Sul tentam mediar a paz.

A tentativa de golpe adia indefinidamente a promessa de devolver o poder aos civis. Há quatro anos, em 11 de abril de 2019, uma revolta popular provocou a queda do ditador Omar Bachir, que estava no poder há quase 30 anos e chegou a ter a prisão decretada pelo Tribunal Penal Internacional por causa do Genocídio de Darfur (2003-20). Cerca de 400 mil pessoas morreram no genocídio. As FAR participaram dos massacres. 

Os protestos acabaram em julho de 2019, quando as Forças pela Liberdade e a Mudança, a aliança dos grupos que organizavam as manifestações, fizeram um acordo com o Conselho Militar de Transição para criar o Conselho da Soberania do Sudão. Em 21 de agosto daquele ano, depois de uma declaração constitucional, assume um governo liderado pelo primeiro-ministro Abdalla Hamdok, um economista de 61 anos que trabalhara na Comissão Econômica da ONU para a África. 

Depois de um golpe fracassado em 21 de setembro de 2021, o general Burhan, comandante do Exército e presidente do Conselho Soberano de Transição, tomou o poder, dissolveu o conselho e impôs estado de emergência. O primeiro-ministro e outros ministros foram presos. 

Sob pressão dos Estados Unidos, da União Europeia e da União Africana, Hamdok voltou à chefia do governo em 21 de novembro de 2021, mas pediu demissão em 2 de janeiro de 2022 por causa do domínio total dos militares. 

Ontem, segundo dia de hostilidades do novo golpe, a ONU anunciou um cessar-fogo a partir das 16 h (11h em Brasília), mas a trégua durou pouco mais de uma hora. 

O Sudão tem a mais longa história de guerras civis da África independente. A Primeira Guerra Civil Sudanesa (1955-72) começou antes da independência do Império Britânico, em 1956. Opôs o governo dominado por muçulmanos do Norte do país a grupos cristãos e animistas do Sul que exigiam autonomia regional. Pelo menos 500 mil pessoas foram mortas, talvez 1 milhão. 

A mesma divisão do país levou à Segunda Guerra Civil Sudanesa (1983-2005), travada pelo Exército Popular de Libertação do Sudão do Sul contra o Exército do Sudão. Cerca de 2 milhões de pessoas morreram, somando mortos em combate, fome e doenças causadas pela guerra. 

O principal resultado foi a independência do Sudão do Sul, o mais novo país do mundo, em julho de 2011, depois de um referendo realizado em janeiro daquele ano. Assim, o Sudão deixou de ser o maior país da África. 

O novo país também caiu em guerra civil, em 15 de dezembro de 2013, quando o presidente Salva Kiir Mayardit, do povo dinka, a maior das 64 tribos do Sudão do Sul, acusou o ex-vice-presidente Riek Machar, do povo nuer, o segundo maior, de tramar um golpe de Estado. A Guerra Civil Sul-Sudanesa foi até 22 de fevereiro de 2020, quando os dois líderes políticos chegaram a um acordo para formar um governo de unidade nacional. Cerca de 400 mil pessoas morreram.