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quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

Hoje na História do Mundo: 28 de Janeiro

MORTE DE CARLOS MAGNO

    Em 814, o imperador Carlos Magno, fundador do Sacro Império Romano-Germânico, morre em Aachen, a capital imperial.

Carlos Magno nasce em 2 de abril de 742, antes do casamento dos pais, o rei Pepino, o Breve, e Berta de Laon. É neto de Carlos Martel, imperador do Império Merovíngio, fundado por Clóvis I, o primeiro a unir todas as tribos dos francos, considerado o primeiro rei da França. Ao vencer a Batalha de Poitiers em 732, Martel contém a invasão muçulmana que toma a Península Ibérica.

Com a morte do pai, em 768, Carlos Magno se torna rei dos francos, mas o reino é dividido com o irmão, Carlomano. Quando este morre, em 774, Carlos Magno se torna rei dos lombardos. No Natal de 800, é coroado "imperador dos romanos" pelo Papa Leão III na Basílica de São Pedro, em Roma. É o primeiro imperador do Sacro Império Romano-Germânico, o Primeiro Reich.

Ao unir a maior parte da Europa Ocidental e Central, torna-se o primeiro imperador a governar uma grande parte do continente desde a queda do Império Romano do Ocidente, em 476. Por isso, é chamado de Pai da Europa e precursor da União Europeia.

QUEDA DE PARIS

    Em 1871, depois de quatro meses de cerco, o recém-unificado Império da Alemanha toma a capital da França no fim da Guerra Franco-Prussiana.

A Guerra Franco-Prussiana (1870-71) tem origem nos conflitos em busca de um equilíbrio de forças na Europa depois das Guerras Revolucionárias e Napoleônicas (1792-1815). A França e a Prússia são inimigas nessas guerras.

A ascensão de Napoleão III é uma das causas. Ele é o primeiro presidente da Segunda República Francesa (1848-52) e primeiro e único imperador do Segundo Império (1852-70), depois do golpe de 2 de dezembro de 1851. 

No fim da Guerra da Crimeia (1853-56), que opõe a França, o Reino Unido e o Império Otomano (turco) à Rússia, o Tratado de Paris desmilitariza o Mar Negro, criando condições para a unificação da Alemanha, conquistada depois de vitórias da Prússia na Guerra dos Ducados de Elba (1864) contra a Dinamarca, na Guerra Austro-Prussiana (1866) e na Guerra Franco-Prussiana.

Quando a Espanha fica sem monarca com a abdicação de Isabel II na Revolução de 1868, as Cortes, o parlamento espanhol, oferecem a coroa ao príncipe Leopoldo de Hohenzollern, primo do rei Guilherme I, da Prússia. 

Com medo de um cerco, o imperador francês Napoleão III pressiona o Reino da Prússia a impedir que Leopoldo se torne rei da Espanha. O rei da Prússia cede, mas Napoleão III exige mais garantias de que jamais Leopoldo seria monarca espanhol.

O chanceler (primeiro-ministro) prussiano, Otto von Bismarck, tem interesse numa guerra com a França para consolidar a unificação da Alemanha. Ele manipula o Telegrama Ems, uma descrição de Guilherme I sobre seu encontro com o embaixador francês. 

Revoltado, Napoleão III declara guerra à Alemanha em 19 de julho de 1870. Com novas armas, inclusive a primeira metralhadora, os generais franceses confiam na vitória.

Como a França é vista como agressora, Bismarck vê uma oportunidade de unir os estados germânicos do Sul (Baviera, Baden e Württemberg) à Confederação do Norte da Alemanha, liderada pela Prússia. Em 18 dias, as forças alemãs mobilizam 380 mil soldados sob o comando do general Helmuth von Moltke, um grande estrategista, chefe do Estado-Maior.

Logo, a Prússia toma a região da Alsácia e a cidade de Metz. Um exército francês sob o comando de Napoleão III e do general Patrice Mac-Mahon tenta resgatar o general François-Achille Bazaine, capturado em Metz. É cercado na Batalha de Sedan, em 31 de agosto de 1870. Em 2 de setembro, Napoleão III, Mac-Mahon e 83 mil franceses se rendem.

Napoleão III abdica e vai para o exílio na Inglaterra, onde morre em 9 de janeiro de 1873.

O Cerco de Paris começa em 19 de setembro de 1870. Com a cidade sitiada e ameaçada pela fome, os alemães iniciam um bombardeio de artilharia à capital francesa em janeiro de 1871. 

Em 18 de janeiro, é proclamada a fundação do Império Alemão. A partir de 25 de janeiro, os alemães passam a usar canhões de grande calibre. No dia 28, a França se rende.

A Guerra Franco-Prussiana acaba com o Segundo Império da França e unifica a Alemanha, que toma as províncias da Alsácia e da Lorena, que a França recupera na Primeira Guerra Mundial (1914-18). É uma das causas da Primeira Guerra Mundial, o conflito que molda o século 20. 

A derrota da França causa a Comuna de Paris, uma das insurreições populares mais importantes do século 19, a primeira vez que o operariado tenta tomar o poder com um projeto socialista.

NASCE JACKSON POLLOCK

    Em 1912, o pintor Jackson Pollock, expoente do expressionismo abstrato, um movimento caracterizado pela livre associação de gestos num método conhecido como "pintura em ação" nasce em Cody, no estado de Wyoming, nos Estados Unidos. Ele andava sobre as telas salpicando-as com gotas de tinta numa técnica de gotejamento.

Paul Jackson Pollock é o mais novo de cinco filhos de Stella May McClure, de origem escocesa, e de LeRoy Pollock, de origem escocesa e irlandesa. O sobrenome original do pai era McCoy, antes de ser adotado por em 1890 pela família Pollock depois da morte de seus pais.

Quando ele tem 11 meses, a família sai de Cody e passa 18 anos na Califórnia e no Arizona. Em 1928, eles vão para Los Angeles onde Pollock se matricula na Escola Secundária de Artes Manuais, onde sofre influência de Frederick John de St. Vrain Schwankovsky, um pintor e ilustrador membro da Sociedade Teosófica, uma seita que promove a espirtualidade oculta e metafísica.

Schwankovsky ensina desenho e pintura a Pollock, e o apresenta aos movimentos da arte moderna da Europa e à literatura teosófica. Esta experiência o prepara para seguir a teoria do psicanalista suíço Carl Jung e a explora as imagens do inconsciente na pintura.

Em 1930, Jackson Pollock segue o irmão Charles e vai para Nova York, onde entra para a Liga dos Estudantes de Arte. Depois de alguns anos na miséria durante a Grande Depressão (1929-39), ele consegue um emprego no Projeto de Arte Federal. Isto lhe dá segurança e oportunidade para desenvolver sua arte.

Com problema de alcoolismo, Pollock começa um tratamento psiquiátrico em 1937. No ano seguinte, tem uma crise de saúde mental. É hospitalizado durante quatro meses. Depois deste problema, sua arte se torna semiabstrata e mostra influência dos pintores espanhóis Pablo Picasso e Joan Miró e do muralista mexicano José Clemente Orozco.

Depois do fim do Projeto de Arte Federal, Peggy Guggenheim o contrata em julho de 1943 para sua galeria Arte deste Século, em Nova York, onde ele desenvolve seu estilo totalmente pessoal. Ele pinta Mural para a entrada da casa de Guggenheim. Por sugestão do amigo Marcel Duchamp, Pollock pinta uma tela para ser portátil. O crítico Clement Greenberg observa: "Isto é uma arte extraordinária. Pollock é o maior pintor que este país já produziu."

Em 1947, Pollock usa pela primeira vez a técnica de gotejamento sobre a tela criada por Max Ernst. Coloca a tela no chão e não usa pincéis. 

É descrito por seus contemporâneos como gentil e contemplativo quando sóbrio e violento quando bebia. A morte vem num acidente quando Pollock dirige embriagado. Em 11 de agosto de 1956, seu conversível sai da estrada em Springs, no estado de Nova York, fere uma passageira, Ruth Kligman, com quem ele tem um caso, e mata sua amiga Edith Metzger.

EXPLOSÃO DA CHALLENGER

    Em 1986, a nave ou ônibus espacial norte-americano Challenger explode no ar um minuto e 13 segundos depois do lançamento, matando os sete tripulantes, diante de um público atônito em Cabo Canaveral, na Flórida, e no mundo inteiro pela televisão.

A espaçonave se desintegra a uma altitude de 14 km sobre o Oceano Atlântico às 11h39 pela hora local. É o primeiro acidente fatal em voo do programa espacial dos Estados Unidos.

É o décimo voo da nave Challenger e o 25º do programa de ônibus espaciais da NASA (Administração Nacional de Aeronáutica e Espaço), a agência espacial dos EUA. 

A causa do acidente é um problema com os anéis de vedação de uma junta dos foguetes propulsores de combustível sólido. O combustível vaza e causa a explosão.

A missão ia lançar no espaço um satélite de comunicações e observar a passagem do Cometa de Halley. Entre os mortos, está a professora Christa McAuliffe, convidada numa homenagem aos professores, o que aumenta o interesse popular pelo voo trágico.

domingo, 18 de janeiro de 2026

Hoje na História do Mundo: 18 de Janeiro

SEGUNDO REICH

    Em 1871, nasce o Império Alemão, sob a liderança do chanceler (primeiro-ministro) Otto von Bismarck, o Marechal de Ferro, depois de vitórias da Prússia em guerras contra a Dinamarca (1864), a Áustria-Hungria (1866) e a França (1870-71).

Na França, a derrota na Guerra Franco-Prussiana causa a queda do Segundo Império (1852-70), de Napoleão III, e a revolta da Comuna de Paris, em 18 de março de 1871, uma das mais importantes insurreições populares do século 19, quando as massas populares tomam a capital da França, na primeira experiência de criar um poder operário de caráter socialista.

A Alemanha toma as províncias da Alsácia e da Lorena. A ascensão da Alemanha, que no fim do século 19 torna-se a maior economia da Europa, e a pretensão da França de recuperar esses territórios são causas da Primeira Guerra Mundial (1914-18), que marca o fim do que o historiador britânico Eric Hobsbawm chama de Era dos Impérios.

Com a derrota na Primeira Guerra Mundial, o Império Alemão ou Segundo Reich acaba. O Primeiro Reich é o Sacro Império Romano-Germânico, fundado pelo imperador Carlos Magno em 800. Surge a República de Weimar, que acaba com a ascensão de Adolf Hitler ao poder, em 1933, e seu Terceiro Reich.

CONQUISTA DO POLO SUL

    Em 1912, o explorador britânico Robert Falcon Scott chega ao Polo Sul numa expedição com mais quatro homens e descobre que o norueguês Roald Amundsen chegara um mês antes, em 14 de dezembro de 1911. Scott e seu grupo morrem na volta ao acampamento.

Scott nasce em Devonport, no condado de Devon, na Inglaterra, em 6 de junho de 1868. Ele entra para a Marinha Real 1880 e se torna primeiro-tenente em 1887. Comanda uma expedição à Antártida em 1901-4.

Em junho de 1910, Scott embarca numa segunda expedição à Antártida. Quer estudar a região do Mar de Ross e chegar ao Polo Sul. Consegue, mas não é o primeiro e morre na volta. O último registro em seu diário é em 29 de março.

ROMPIDO CERCO DE LENINGRADO

    Em 1944, depois de dois anos e quatro meses, quase 900 dias, o Exército Vermelho da União Soviética rompe o Cerco de Leningrado, um dos episódios marcantes da Segunda Guerra Mundial (1939-45), com a morte de cerca de um milhão de pessoas na antiga capital da Rússia, berço das revoluções de 1917.

O cerco começa em 8 de setembro de 1941, com a participação da Itália e da Finlândia, dois meses depois da invasão da União Soviética pela Alemanha Nazista. A conquista de Leningrado é um dos objetivos centrais da Operação Barbarossa.

Ao invadir a URSS, os exércitos nazistas e aliados atacam em três frentes. Uma marcha para o Norte, rumo a Leningrado, outra para o Centro em direção a Moscou e a terceira para o Sul rumo à Ucrânia.

Como há muita fome na cidade cercada, os pais não deixam os filhos menores e jovens sair de casa. Há  um mercado negro de carne humana em Leningrado.

No começo de 1944, os soviéticos mobilizam 1 milhão de soldados, o dobro do número de inimigos. As últimas unidades alemãs se rendem em 27 de janeiro de 1944.

A libertação de Leningrado, depois da ganhar as batalhas de Stalingrado e Kursk, em 1943, é decisiva no avanço do Exército Vermelho rumo a Berlim até a vitória final, em 8 de maio de 1945.

FIM DA GUERRA CIVIL EM SERRA LEOA

    Em 2002, depois de 11 anos e mais de 50 mil mortes, com uma intervenção militar britânica, termina a Guerra Civil de Serra Leoa, na África Ocidental, marcada por atrocidades, inclusive o uso de crianças como soldados, mutilações, tortura e execuções brutais. Cerca de 2,5 milhões fogem de casa.

O conflito começa em 23 de maio de 1991, quando a guerra civil na vizinha Libéria se propaga a Serra Leoa. O presidente Joseph Momoh envia tropas para a fronteira para impedir a invasão dos rebeldes da Frente Patriótica Nacional da Libéria (NPEL), liderada por Charles Taylor, e seus aliados da Frente Unida Revolucionária (RUF), liderada pelo ex-cabo do Exército serra-leonês Foday Sankoh. 

No primeiro ano da guerra, a RUF toma o Sul e o Leste da Libéria, uma região rica em diamantes, os Diamantes de Sangue do filme de 2006 com Leonardo di Caprio. O fracasso do presidente Momoh no combate aos rebeldes e o impacto sobre a produção de diamantes levam a um golpe de Estado. 

Em abril de 1992, o capitão Valentine Strasser toma o poder sob a alegação de que o governo não dá condições aos militares para vencer os rebeldes e cria o Conselho Governante Nacional Provisório com ele próprio como chefe de Estado. 

A guerra civil se agrava. A RUF ocupa mais território e controla uma parte maior do comércio de diamantes. É o período com mais atrocidades, cometidas tanto pelo governo quanto pelos rebeldes, do recrutamento de menores à força a mutilações de braços, pernas, orelhas e lábios. A escravidão e a violência sexual são generalizadas.

Uma empresa privada de mercenários sul-africanos é contratada em março de 1995 para enfrentar a RUF. Strasser cai num golpe em janeiro de 1996 por dúvida se ele entregaria o poder aos civis. 

Em março de 1996, o presidente eleito Ahmad Kabbah assume o governo de Serra Leoa. O governo civil assina com a RUF em retirada o Acordo de Abdijã. Um novo golpe militar, em maio de 1997, impõe o Conselho Revolucionário das Forças Armadas (AFRC), que se alia à RUF para tomar a capital, Freetown.

O novo chefe de Estado, Johnny Paul Koroma, anuncia o fim da guerra. Uma onda de saques, violência sexual e assassinatos assola o país. Uma força da Comunidade Econômica dos Países da África Ocidental (ECOWAS) intervém. Kabbah volta ao poder em 1998.

Sob pressão internacional, em março de 1999, o governo e a RUF assinam o Acordo de Paz de Lomé. Em troca da paz, Foday Sankoh vira vice-presidente e controla as minas de diamantes. Não dá certo. Em maio de 2000, os rebeldes avançam rumo a Freetown.

Quando a missão de paz da ONU é ameaçada, o Reino Unido intervém militarmente na antiga colônia para retomar o controle de Freetown e derrotar a RUF de uma vez por todas. Em 18 de janeiro de 2002, o presidente Kabbah proclama o fim da guerra.

Foday Sankoh é preso e entregue a um tribunal internacional. É denunciado por 17 acusações de crimes de guerra e contra a humanidade, mas morre de um acidente vascular cerebral em 29 de julho de 2003, antes de ser julgado.

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terça-feira, 28 de janeiro de 2025

Hoje na História do Mundo: 28 de Janeiro

 MORTE DE CARLOS MAGNO

    Em 814, o imperador Carlos Magno, fundador do Sacro Império Romano-Germânico, morre em Aachen, a capital imperial.

Carlos Magno nasce em 2 de abril de 742, antes do casamento dos pais, o rei Pepino, o Breve, e Berta de Laon. É neto de Carlos Martel, imperador do Império Merovíngio, fundado por Clóvis I, o primeiro a unir todas as tribos dos francos, considerado o primeiro rei da França. Ao vencer a Batalha de Poitiers em 732, Martel contém a invasão muçulmana que toma a Península Ibérica.

Com a morte do pai, em 768, Carlos Magno se torna rei dos francos, mas o reino é dividido com o irmão, Carlomano. Quando este morre, em 774, Carlos Magno se torna rei dos lombardos. No Natal de 800, é coroado "imperador dos romanos" pelo Papa Leão III na Basílica de São Pedro, em Roma. É o primeiro imperador do Sacro Império Romano-Germânico.

Ao unir a maior parte da Europa Ocidental e Central, torna-se o primeiro imperador a governar uma grande parte do continente desde a queda do Império Romano do Ocidente, em 476. Por isso, é chamado de Pai da Europa e precursor da União Europeia.

QUEDA DE PARIS

    Em 1871, depois de quatro meses de cerco, o recém-unificado Império da Alemanha toma a capital da França no fim da Guerra Franco-Prussiana.

A Guerra Franco-Prussiana (1870-71) tem origem nos conflitos em busca de um equilíbrio de forças na Europa depois das Guerras Revolucionárias e Napoleônicas (1792-1815). A França e a Prússia são inimigas nessas guerras.

A ascensão de Napoleão III, primeiro presidente da Segunda República Francesa (1848-52) e primeiro e único imperador do Segundo Império (1852-70), depois do golpe de 2 de dezembro de 1851, é uma das causas.

No fim da Guerra da Crimeia (1853-56), que opõe a França, o Reino Unido e o Império Otomano (turco) à Rússia, o Tratado de Paris desmilitariza o Mar Negro, criando condições para a unificação da Alemanha, conquistada depois de vitórias da Prússia na Guerra dos Ducados de Elba (1864) contra a Dinamarca, na Guerra Austro-Prussiana (1866) e na Guerra Franco-Prussiana.

Quando a Espanha fica sem monarca com a abdicação de Isabel II na Revolução de 1868, as Cortes, o parlamento espanhol, oferecem a coroa ao príncipe Leopoldo de Hohenzollern, primo do rei Guilherme I, da Prússia. 

Com medo de um cerco, o imperador francês Napoleão III pressiona o Reino da Prússia a impedir que Leopoldo se torne rei da Espanha. O rei da Prússia cede, mas Napoleão III exige mais garantias de que jamais Leopoldo seria monarca espanhol.

O chanceler (primeiro-ministro) prussiano, Otto von Bismarck, tem interesse numa guerra com a França para consolidar a unificação da Alemanha. Ele manipula o Telegrama Ems, uma descrição de Guilherme I sobre seu encontro com o embaixador francês. 

Revoltado, Napoleão III declara guerra à Alemanha em 19 de julho de 1870. Com novas armas, inclusive a primeira metralhadora, os generais franceses confiam na vitória.

Como a França é vista como agressora, Bismarck vê uma oportunidade de unir os estados germânicos do Sul (Baviera, Baden e Württemberg) à Confederação do Norte da Alemanha, liderada pela Prússia. Em 18 dias, as forças alemãs mobilizam 380 mil soldados sob o comando do general Helmuth von Moltke, um grande estrategista, chefe do Estado-Maior.

Logo, a Prússia toma a região da Alsácia e a cidade de Metz. Um exército francês sob o comando de Napoleão III e do general Patrice Mac-Mahon tenta resgatar o general François-Achille Bazaine, capturado em Metz. É cercado na Batalha de Sedan, em 31 de agosto de 1870. Em 2 de setembro, Napoleão III, Mac-Mahon e 83 mil franceses se rendem.

Napoleão III abdica e vai para o exílio na Inglaterra, onde morre em 9 de janeiro de 1873.

O Cerco de Paris começa em 19 de setembro de 1870. Com a cidade situada a ameaçada pela fome, os alemães iniciam um bombardeio de artilharia à capital francesa em janeiro de 1871. 

Em 18 de janeiro, é proclamada a fundação do Império Alemão. A partir de 25 de janeiro, os alemães passam a usar canhões de grande calibre. No dia 28, a França se rende.

A Guerra Franco-Prussiana acaba com o Segundo Império da França e unifica a Alemanha, que toma as províncias da Alsácia e da Lorena, que a França recupera na Primeira Guerra Mundial (1914-18). É uma das causas da Primeira Guerra Mundial, o conflito que molda o século 20. 

A derrota da França causa a Comuna de Paris, uma das insurreições populares mais importantes do século 19, a primeira vez que o operariado tenta tomar o poder com um projeto socialista.

EXPLOSÃO DA CHALLENGER

    Em 1986, a nave ou ônibus espacial norte-americano Challenger explode no ar um minuto e 13 segundos depois do lançamento, matando os sete tripulantes, diante de um público atônito em Cabo Canaveral, na Flórida, e no mundo inteiro, que assiste pela televisão.

A espaçonave se desintegra a uma altitude de 14 km sobre o Oceano Atlântico às 11h39 pela hora local. É o primeiro acidente fatal em voo do programa espacial dos Estados Unidos.

É o décimo voo da nave Challenger e o 25º do programa de ônibus espaciais da NASA (Administração Nacional de Aeronáutica e Espaço), a agência espacial dos EUA. 

A causa do acidente é um problema com os anéis de vedação de uma junta dos foguetes propulsores de combustível sólido. O combustível vaza e causa a explosão.

A missão ia lançar no espaço um satélite de comunicações e observar a passagem do Cometa de Halley. Entre os mortos, está a professora Christa McAuliffe, convidada numa homenagem aos professores, o que aumenta o interesse popular pelo voo trágico.

sábado, 18 de janeiro de 2025

Hoje na História do Mundo: 18 de Janeiro

 IMPÉRIO ALEMÃO

    Em 1871, nasce o Império Alemão, sob a liderança do chanceler (primeiro-ministro) Otto von Bismarck, o Marechal de Ferro, depois de vitórias da Prússia em guerras contra a Dinamarca (1864), Áustria-Hungria (1866) e França (1870-71).

Na França, a derrota na Guerra Franco-Prussiana causa a queda do Segundo Império (1852-70), de Napoleão III, e a revolta da Comuna de Paris, em 18 de março de 1871, uma das mais importantes insurreições populares do século 19, quando as massas populares tomam a capital da França, na primeira experiência de criar um poder operário de caráter socialista.

A Alemanha toma as províncias da Alsácia e da Lorena. A ascensão da Alemanha, que no fim do século torna-se a maior economia da Europa, e a pretensão da França de recuperar esses territórios são causas da Primeira Guerra Mundial (1914-18), que marca o fim do que o historiador britânico Eric Hobsbawm chama de Era dos Impérios.

Com a derrota na Primeira Guerra Mundial, o Império Alemão acaba. Surge a República de Weimar, que acaba com a ascensão de Adolf Hitler ao poder, em 1933.

CONQUISTA DO POLO SUL

    Em 1912, o explorador britânico Robert Falcon Scott chega ao Polo Sul numa expedição com mais quatro homens e descobre que o norueguês Roald Amundsen chegara um mês antes, em 14 de dezembro de 1911. Scott e seu grupo morrem na volta ao acampamento.

Scott nasce em Devonport, no condado de Devon, na Inglaterra, em 6 de junho de 1868. Ele entra para a Marinha Real 1880 e se torna primeiro-tenente em 1887. Comanda uma expedição à Antártida em 1901-4.

Em junho de 1910, Scott embarca numa segunda expedição à Antártida. Quer estudar a região do Mar de Ross e chegar ao Polo Sul. Consegue, mas não é o primeiro e morre na volta. O último registro em seu diário é em 29 de março.

ROMPIDO CERCO DE LENINGRADO

    Em 1944, depois de dois anos e quatro meses, quase 900 dias, o Exército Vermelho da União Soviética rompe o Cerco de Leningrado, um dos episódios marcantes da Segunda Guerra Mundial (1939-45), com a morte de cerca de um milhão de pessoas na antiga capital da Rússia e berço das revoluções de 1917.

O cerco começa em 8 de setembro de 1941, com a participação da Itália e da Finlândia, dois meses depois da invasão da União Soviética pela Alemanha Nazista. A conquista de Leningrado é um dos objetivos da Operação Barbarossa.

Ao invadir a URSS, as forças dos exércitos nazistas e aliados atacam em três frentes. Uma marcha para o Norte, rumo a Leningrado, outra para o Centro em direção a Moscou e a terceira para o Sul rumo à Ucrânia.

Como há muita fome na cidade cercada, os pais não deixam os filhos menores e jovens sair de casa. Havia um mercado negro de carne humana em Leningrado.

No começo de 1944, os soviéticos mobilizam 1 milhão de soldados, o dobro do número de inimigos. As últimas unidades alemãs se rendem em 27 de janeiro de 1944.

A vitória em Leningrado, depois da ganhar as batalhas de Stalingrado e Kursk, em 1943, são decisivas para o avanço do Exército Vermelho rumo a Berlim até a vitória final, em 8 de maio de 1945.

FIM DA GUERRA CIVIL EM SERRA LEOA

    Em 2002, depois de 11 anos e mais de 50 mil mortes, com uma intervenção militar britânica, termina a Guerra Civil de Serra Leoa, na África Ocidental, marcada por atrocidades, inclusive o uso de crianças como soldados, mutilações, tortura e execuções brutais. Cerca de 2,5 milhões fogem de casa.

O conflito começa em 23 de maio de 1991, quando a guerra civil na vizinha Libéria se propaga a Serra Leoa. O presidente Joseph Momoh envia tropas para a fronteira para impedir a invasão dos rebeldes da Frente Patriótica Naconal da Libéria (NPEL), liderada por Charles Taylor, e seus aliados da Frente Unida Revolucionária (RUF), liderada pelo ex-cabo do Exército serra-leonês Foday Sankoh. 

No primeiro ano da guerra, a RUF toma o Sul e o Leste da Libéria, uma região rica em diamantes, os Diamantes de Sangue do filme de 2006 com Leonardo di Caprio. O fracasso do presidente Momoh no combate aos rebeldes e o impacto sobre a produção de diamantes levam a um golpe de Estado. 

Em abril de 1992, o capitão Valentine Strasser toma o poder sob a alegação de que o governo não dá condições aos militares para vencer os rebeldes e cria o Conselho Governante Nacional Provisório com ele próprio como chefe de Estado. 

A guerra civil se agrava. A RUF ocupa mais território e controla uma parte maior do comércio de diamantes. É o período com mais atrocidades, cometidas tanto pelo governo quanto pelos rebeldes, do recrutamento de menores à força a mutilações de braços, pernas, orelhas e lábios. A escravidão e a violência sexual são generalizadas.

Uma empresa privada de mercenários sul-africanos é contratada em março de 1995 para enfrentar a RUF. Strasser cai num golpe em janeiro de 1996 por dúvida se ele entregaria o poder aos civis. 

Em março de 1996, o presidente eleito Ahmad Kabbah assume o governo de Serra Leoa. O governo civil assina com a RUF em retirada o Acordo de Abdijã. Um novo golpe militar, em maio de 1997, impõe o Conselho Revolucionário das Forças Armadas (AFRC), que se alia à RUF para tomar a capital, Freetown.

O novo chefe de Estado, Johnny Paul Koroma, anuncia o fim da guerra. Uma onda de saques, violência sexual e assassinatos assola o país. Uma força da Comunidade Econômica dos Países da África Ocidental (ECOWAS) intervém. Kabbah volta ao poder em 1998.

Sob pressão internacional, em março de 1999, o governo e a RUF assinam o Acordo de Paz de Lomé. Em troca da paz, Foday Sankoh vira vice-presidente e controla as minas de diamantes. Não dá certo. Em maio de 2000, os rebeldes avançam rumo a Freetown.

Quando a missão de paz da ONU é ameaçada, o Reino Unido intervém militarmente na antiga colônia para retomar o controle de Freetown e derrotar a RUF de uma vez por todas. Em 18 de janeiro de 2002, o presidente Kabbah proclama o fim da guerra.

domingo, 28 de janeiro de 2024

Hoje na História do Mundo: 28 de Janeiro

MORTE DE CARLOS MAGNO

    Em 814, o imperador Carlos Magno, fundador do Sacro Império Romano-Germânico, morre em Aachen, a capital imperial.

Carlos Magno nasce em 2 de abril de 742 antes do casamento dos pais, o rei Pepino, o Breve, e Berta de Laon. É neto de Carlos Martel, imperador do Império Merovíngio, fundado por Clóvis I, o primeiro a unir todas as tribos dos francos, considerado o primeiro rei da França. Ao vencer a Batalha de Poitiers em 732, Martel contém a invasão muçulmana que toma a Península Ibérica.

Com a morte do pai, em 768, Carlos Magno se torna rei dos francos, mas o reino é dividido com o irmão, Carlomano. Quando este morre, em 774, Carlos Magno se torna rei dos lombardos. No Natal de 800, é coroado "imperador dos romanos" pelo Papa Leão III na Basílica de São Pedro, em Roma. É o primeiro imperador do Sacro Império Romano-Germânico.

Ao unir a maior parte da Europa Ocidental e Central, torna-se o primeiro imperador a governar uma grande parte do continente desde a queda do Império Romano do Ocidente, em 476. Por isso, é chamado de Pai da Europa e precursor da União Europeia.

QUEDA DE PARIS

    Em 1871, depois de quatro meses de cerco, o recém-unificado Império da Alemanha toma a capital da França no fim da Guerra Franco-Prussiana.

A Guerra Franco-Prussiana (1870-71) tem origem nos conflitos em busca de um equilíbrio de poder na Europa depois das Guerras Revolucionárias e Napoleônicas (1792-1815). A França e a Prússia são inimigas nessas guerras.

A ascensão de Napoleão III, primeiro presidente da Segunda República Francesa (1848-52) e primeiro imperador do Segundo Império (1852-70), depois do golpe de 2 de dezembro de 1851, é uma das causas.

No fim da Guerra da Crimeia (1853-56), que opõe a França, o Reino Unido e o Império Otomano (turco) à Rússia, o Tratado de Paris desmilitariza o Mar Negro, criando condições para a unificação da Alemanha, conquistada depois de vitórias da Prússia na Guerra dos Ducados de Elba (1864) contra a Dinamarca, na Guerra Austro-Prussiana (1866) e na Guerra Franco-Prussiana.

Quando a Espanha fica sem monarca com a abdicação de Isabel II na Revolução de 1868, as Cortes, o parlamento espanhol, oferecem a coroa ao príncipe Leopoldo de Hohenzollern, primo do rei Guilherme I, da Prússia. 

Com medo de um cerco, o imperador francês Napoleão III pressiona o Reino da Prússia a impedir que Leopoldo se torne rei da Espanha. O rei da Prússia cede, mas Napoleão III exige mais garantias de que jamais Leopoldo seria monarca espanhol.

O chanceler (primeiro-ministro) prussiano, Otto von Bismarck, tem interesse numa guerra com a França para consolidar a unificação da Alemanha. Ele manipula o Telegrama Ems, uma descrição de Guilherme I sobre seu encontro com o embaixador francês. 

Revoltado, Napoleão III declara guerra à Alemanha em 19 de julho de 1870. Com novas armas, inclusive a primeira metralhadora, os generais franceses confiam na vitória.

Como a França é vista como agressora, Bismarck vê uma oportunidade de unir os estados germânicos do Sul (Baviera, Baden e Württemberg) à Confederação do Norte da Alemanha, liderada pela Prússia. Em 18 dias, as forças alemãs mobilizam 380 mil soldados sob o comando do general Helmuth von Moltke, um grande estrategista, chefe do Estado-Maior.

Logo, a Prússia toma a região da Alsácia e a cidade de Metz. Um exército francês sob o comando de Napoleão III e do general Patrice Mac-Mahon tenta resgatar o general François-Achille Bazaine, capturado em Metz. É cercado na Batalha de Sedan, em 31 de agosto de 1870. Em 2 de setembro, Napoleão III, Mac-Mahon e 83 mil franceses se rendem.

Napoleão III abdica e vai para o exílio na Inglaterra, onde morre em 9 de janeiro de 1873.

O Cerco de Paris começa em 19 de setembro de 1870. Com a cidade situada a ameaçada pela fome, os alemães iniciam um bombardeio de artilharia à capital francesa em janeiro de 1871. 

Em 18 de janeiro, é proclamada a fundação do Império Alemão. A partir de 25 de janeiro, os alemães passam a usar canhões de grande calibra. No dia 28, a França se rende.

A Guerra Franco-Prussiana acaba com o Segundo Império da França e unifica a Alemanha, que toma as províncias da Alsácia e da Lorena, que a França recupera na Primeira Guerra Mundial (1914-18). É assim uma das causas da Primeira Guerra Mundial, o conflito que moldou o século 20. 

A derrota da França causa a Comuna de Paris, uma das insurreições populares mais importantes do século 19, a primeira vez que o operariado tenta tomar o poder com um projeto socialista.

EXPLOSÃO DA CHALLENGER

    Em 1986, a nave ou ônibus espacial norte-americano Challenger explode no ar um minuto e 13 segundos depois do lançamento, matando os sete tripulantes, diante de um público atônito em Cabo Canaveral, na Flórida, e no mundo inteiro, que assistia pela televisão.

A espaçonave se desintegra a uma altitude de 14 km sobre o Oceano Atlântico às 11h39 pela hora local. É o primeiro acidente fatal em voo do programa espacial dos Estados Unidos.

É o décimo voo da nave Challenger e o 25º do programa de ônibus espaciais da NASA (Administração Nacional de Aeronáutica e Espaço), a agência espacial dos EUA. 

A causa do acidente é um problema com os anéis de vedação de uma junta dos foguetes propulsores de combustível sólido. O combustível vaza e causa a explosão.

A missão era lançar no espaço um satélite de comunicações e observar a passagem do Cometa de Halley. Entre os mortos, está a professora Christa McAuliffe, convidada numa homenagem aos professores, o que aumentou o interesse popular pelo voo trágico.

quinta-feira, 18 de janeiro de 2024

Hoje na História do Mundo: 18 de Janeiro

IMPÉRIO ALEMÃO

    Em 1871, nasce o Império Alemão, sob a liderança do chanceler (primeiro-ministro) Otto von Bismarck, o Marechal de Ferro, depois de vitórias da Prússia em guerras contra a Dinamarca (1864), Áustria-Hungria (1866) e França (1870-71).

A derrota na Guerra Franco-Prussiana causa a queda do Segundo Império (1852-70), de Napoleão III, e a revolta da Comuna de Paris, em 18 de março de 1871, uma das mais importantes insurreições populares do século 19, quando as massas populares tomam a capital da França, na primeira tentativa de criar um poder operário de caráter socialista.

A Alemanha toma as províncias da Alsácia e da Lorena. A ascensão da Alemanha, que no fim do século torna-se a maior economia da Europa, e a pretensão da França de recuperar esses territórios são causas da Primeira Guerra Mundial (1914-1918), que marca o fim do que o historiador britânico Eric Hobsbawm chama de Era dos Impérios.

ROMPIDO CERCO DE LENINGRADO

    Em 1944, depois de dois anos e quatro meses, quase 900 dias, o Exército Vermelho rompe o Cerco de Leningrado, um dos episódios marcantes da Segunda Guerra Mundial (1939-45), com a morte de cerca de um milhão de pessoas na antiga capital da Rússia e berço das revoluções de 1917.

O cerco começa em 8 de setembro de 1941, com a participação da Itália e da Finlância, dois meses depois da invasão da União Soviética pela Alemanha Nazista. A conquista de Leningrado é um dos objetivos da Operação Barbarossa.

Ao invadir a URSS, as forças dos exércitos nazista e aliados atacam em três frentes. Uma marcha para o Norte, rumo a Leningrado, outra para o Centro em direção a Moscou e a terceira para o Sul rumo à Ucrânia.

Como há muita fome na cidade cercada, os pais não deixam os filhos menores e jovens sair de casa. Havia um mercado negro de carne humana em Leningrado.

No começo de 1944, os soviéticos mobilizam 1 milhão de soldados, o dobro do número de inimigos. As últimas unidades alemãs se rendem em 27 de janeiro de 1944.

A vitória em Leningrado, depois da ganhar as batalhas de Stalingrado e Kursk, em 1943, são decisivas para o avanço do Exército Vermelho rumo a Berlim até a vitória final, em 8 de maio de 1945. 

sábado, 7 de novembro de 2009

Alemanha, mãe pálida*

A Alemanha é hoje a maior economia europeia e quarta do mundo, segunda maior exportadora de produtos industriais, recentemente superada pela China por causa da crise. É um país moderno, pacífico e desenvolvido. A excelência de sua engenharia compensa os altos custos de produção.

A Alemanha reunificada (a Alemanha foi unificada por Bismarck em 1871, no fim da Guerra Franco-Prussiana) é a primeira filha do mundo pós-Guerra Fria, que dividiu a Alemanha.

Toda ascensão de grandes potências provoca tensões e guerras. A China promete não seguir o exemplo da Alemanha e da União Soviética.

A ascensão da Alemanha provocou duas guerras mundiais (1914-18 e 1939-45). Claro que os outros europeus não foram santos na grande guerra civil europeia, mas a Alemanha esteve no centro de tudo desde a unificação promovida pelo marechal de ferro original, Otto von Bismarck, em 1871, no fim da Guerra Franco-Prussiana.

Bismarck observou que estar no centro do continente e não ter fronteiras naturais era a vantagem e a desvantagem da Alemanha, um país vulnerável (não esqueçam que a Inglaterra é um navio que Deus na Mancha ancorou, como disse Castro Alves) e expansionista.

A Guerra Franco-Prussiana (1870-71) unifica uma série de reinos e principados como a Prússia, a Renânia e a Baviera, criando a Alemanha, sob hegemonia da autoritária Prússia , tomado as regiões francesas da Alsácia e da Lorena, que estão na origem da Primeira Guerra Mundial (1914-18).

Como se industrializou depois da Grã-Bretanha, a Alemanha adota o nacionalismo econômico, pregado por pensadores como Johann Fichte. Bismarck introduz a social-democracia, os direitos sociais e trabalhistas que estão até hoje no centro da economia social de mercado, o modelo econômico da União Europeia.

O Partido Social Democrata (SPD), um dos grandes do país, nasce do movimento operário e da social democracia alemã. Seu líder, Frank-Walter Steinmeier, era ministro do Exterior até ser derrotado nas eleições de setembro pela União Democrata Cristã (CDU) da primeira-ministra Angela Merkel. Foi a pior derrota do SPD desde as eleições de 1932, em plena Grande Depressão, que levaram os nazistas ao poder

Antes do final do século 19, a Alemanha já era a segunda maior economia do mundo, atrás apenas dos EUA, maiores e mais ricos em recursos naturais.

Mas os alemães eram os grandes pensadores, os grandes filósofos (Imanuel Kant, Josef Hegel, Karl Marx, Friedrich Nietzche, entre outros), desprezavam os americanos. O século 20 seria o século da Alemanha. Seria, se a Alemanha não tivesse se autodestruído em duas guerras mundiais.

A ascensão da Alemanha, inclusive como potência colonial, a partir da Conferência de Berlim (1884-85), quando os europeus fizeram a partilha da África, leva ao aumento da tensão e à formação da Tríplice Aliança (Alemanha, Império Austro-Húngaro e Itália), em 1882, e da Tríplice Entente (França, Grã-Bretanha e Rússia), em 1907.

Essas foram as alianças que travaram a Primeira Guerra Mundial de 28 de julho de 1918 a 11 de novembro de 1918. Esta guerra moldou o século 20. Foi responsável pela entrada dos EUA na cena internacional, a partir de 1917, e pela Revolução Russa, no mesmo ano.

Até março de 1918, a Alemanha tinha chance de ganhar, mas a entrada dos EUA e de seus recursos numa Europa arrasada decidiu a guerra.

Derrotada, a Alemanha foi submetida a dívidas de guerra e condições extremamente desfavoráveis na Conferência de Paz de Versalhes.

Para convencer o povo americano da necessidade de intervenção militar na Europa o presidente americano Woodrow Wilson dizia que era “a guerra para acabar com todas as guerras”.

Versalhes foi a paz para acabar com todas as pazes. Como o Congresso dos EUA rejeitou a Convenção da Liga das Nações, uma proposta de Wilson, os EUA retomaram sua posição isolacionista.

Humilhada e arrasada, a Alemanha deixa de ser um império (Wilson achava que a culpa da guerra era dos impérios e da aristocracia, da falta de democracia) e tenta uma breve experiência liberal na República de Weimar. Ela fracassa sob o peso de conflitos entre extremistas de direita e de esquerda depois de uma fracassada insurreição comunista, uma hiperinflação histórica de 30 mil por cento em 1923 e finalmente a Grande Depressão (1929-39).

Neste clima de anarquia e instalabilidade social, com o fantasma da revolução bolchevique, hiperinflação e depois a Grande Depressão, cria-se o cenário para a ascensão de um certo partido fundado numa cervejaria de Munique em 1919.

Em 27 de fevereiro de 1933, os nazistas incendiaram o Reichstag, o parlamento alemão (hoje aberto com uma cúpula projetada pelo Norman Foster para dar transparência), e botaram a culpa nos comunistas. Hitler, que havia sido nomeado chanceler (primeiro-ministro) em 30 de janeiro de 1933, pediu poderes especiais ao presidente, marechal Hindenburg, e iniciou uma caçada aos comunistas e depois aos outros partidos, aos judeus, aos homossexuais.

Nas eleições antecipadas de 5 de março de 1933, o Partido Trabalhista Nacional-Socialista Alemão conquistava 44% das cadeiras e, em aliança com outro partido nacionalista, maioria absoluta de 52%.

Os nazistas rejeitaram as restrições impostas por Versalhes e remilitarizaram na Alemanha, transformando-a mais uma vez numa poderosíssima máquina de guerra que enfrentou a União Soviética na frente oriental e a aliança atlântica no Ocidente. Para um país do tamanho da Alemanha, um feito e um custo terrível.

A Alemanha foi ocupada e dividida e assim foi seu status até a queda do Muro, quando finalmente as potências abriram mão de todos os seus direitos sobre território alemão, com a retirada das tropas soviéticas e a manutenção das forças dos aliados ocidentais da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte).

64 anos depois do fim da guerra, ainda há bases militares dos EUA na Alemanha. Mas quase ninguém parece se incomodar com isso.

* Este é o primeiro de uma série de artigos sobre a queda do Muro de Berlim e a reunificação da Alemanha. O título é de um filme sobre o nazismo.