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quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

Hoje na História do Mundo: 28 de Janeiro

MORTE DE CARLOS MAGNO

    Em 814, o imperador Carlos Magno, fundador do Sacro Império Romano-Germânico, morre em Aachen, a capital imperial.

Carlos Magno nasce em 2 de abril de 742, antes do casamento dos pais, o rei Pepino, o Breve, e Berta de Laon. É neto de Carlos Martel, imperador do Império Merovíngio, fundado por Clóvis I, o primeiro a unir todas as tribos dos francos, considerado o primeiro rei da França. Ao vencer a Batalha de Poitiers em 732, Martel contém a invasão muçulmana que toma a Península Ibérica.

Com a morte do pai, em 768, Carlos Magno se torna rei dos francos, mas o reino é dividido com o irmão, Carlomano. Quando este morre, em 774, Carlos Magno se torna rei dos lombardos. No Natal de 800, é coroado "imperador dos romanos" pelo Papa Leão III na Basílica de São Pedro, em Roma. É o primeiro imperador do Sacro Império Romano-Germânico, o Primeiro Reich.

Ao unir a maior parte da Europa Ocidental e Central, torna-se o primeiro imperador a governar uma grande parte do continente desde a queda do Império Romano do Ocidente, em 476. Por isso, é chamado de Pai da Europa e precursor da União Europeia.

QUEDA DE PARIS

    Em 1871, depois de quatro meses de cerco, o recém-unificado Império da Alemanha toma a capital da França no fim da Guerra Franco-Prussiana.

A Guerra Franco-Prussiana (1870-71) tem origem nos conflitos em busca de um equilíbrio de forças na Europa depois das Guerras Revolucionárias e Napoleônicas (1792-1815). A França e a Prússia são inimigas nessas guerras.

A ascensão de Napoleão III é uma das causas. Ele é o primeiro presidente da Segunda República Francesa (1848-52) e primeiro e único imperador do Segundo Império (1852-70), depois do golpe de 2 de dezembro de 1851. 

No fim da Guerra da Crimeia (1853-56), que opõe a França, o Reino Unido e o Império Otomano (turco) à Rússia, o Tratado de Paris desmilitariza o Mar Negro, criando condições para a unificação da Alemanha, conquistada depois de vitórias da Prússia na Guerra dos Ducados de Elba (1864) contra a Dinamarca, na Guerra Austro-Prussiana (1866) e na Guerra Franco-Prussiana.

Quando a Espanha fica sem monarca com a abdicação de Isabel II na Revolução de 1868, as Cortes, o parlamento espanhol, oferecem a coroa ao príncipe Leopoldo de Hohenzollern, primo do rei Guilherme I, da Prússia. 

Com medo de um cerco, o imperador francês Napoleão III pressiona o Reino da Prússia a impedir que Leopoldo se torne rei da Espanha. O rei da Prússia cede, mas Napoleão III exige mais garantias de que jamais Leopoldo seria monarca espanhol.

O chanceler (primeiro-ministro) prussiano, Otto von Bismarck, tem interesse numa guerra com a França para consolidar a unificação da Alemanha. Ele manipula o Telegrama Ems, uma descrição de Guilherme I sobre seu encontro com o embaixador francês. 

Revoltado, Napoleão III declara guerra à Alemanha em 19 de julho de 1870. Com novas armas, inclusive a primeira metralhadora, os generais franceses confiam na vitória.

Como a França é vista como agressora, Bismarck vê uma oportunidade de unir os estados germânicos do Sul (Baviera, Baden e Württemberg) à Confederação do Norte da Alemanha, liderada pela Prússia. Em 18 dias, as forças alemãs mobilizam 380 mil soldados sob o comando do general Helmuth von Moltke, um grande estrategista, chefe do Estado-Maior.

Logo, a Prússia toma a região da Alsácia e a cidade de Metz. Um exército francês sob o comando de Napoleão III e do general Patrice Mac-Mahon tenta resgatar o general François-Achille Bazaine, capturado em Metz. É cercado na Batalha de Sedan, em 31 de agosto de 1870. Em 2 de setembro, Napoleão III, Mac-Mahon e 83 mil franceses se rendem.

Napoleão III abdica e vai para o exílio na Inglaterra, onde morre em 9 de janeiro de 1873.

O Cerco de Paris começa em 19 de setembro de 1870. Com a cidade sitiada e ameaçada pela fome, os alemães iniciam um bombardeio de artilharia à capital francesa em janeiro de 1871. 

Em 18 de janeiro, é proclamada a fundação do Império Alemão. A partir de 25 de janeiro, os alemães passam a usar canhões de grande calibre. No dia 28, a França se rende.

A Guerra Franco-Prussiana acaba com o Segundo Império da França e unifica a Alemanha, que toma as províncias da Alsácia e da Lorena, que a França recupera na Primeira Guerra Mundial (1914-18). É uma das causas da Primeira Guerra Mundial, o conflito que molda o século 20. 

A derrota da França causa a Comuna de Paris, uma das insurreições populares mais importantes do século 19, a primeira vez que o operariado tenta tomar o poder com um projeto socialista.

NASCE JACKSON POLLOCK

    Em 1912, o pintor Jackson Pollock, expoente do expressionismo abstrato, um movimento caracterizado pela livre associação de gestos num método conhecido como "pintura em ação" nasce em Cody, no estado de Wyoming, nos Estados Unidos. Ele andava sobre as telas salpicando-as com gotas de tinta numa técnica de gotejamento.

Paul Jackson Pollock é o mais novo de cinco filhos de Stella May McClure, de origem escocesa, e de LeRoy Pollock, de origem escocesa e irlandesa. O sobrenome original do pai era McCoy, antes de ser adotado por em 1890 pela família Pollock depois da morte de seus pais.

Quando ele tem 11 meses, a família sai de Cody e passa 18 anos na Califórnia e no Arizona. Em 1928, eles vão para Los Angeles onde Pollock se matricula na Escola Secundária de Artes Manuais, onde sofre influência de Frederick John de St. Vrain Schwankovsky, um pintor e ilustrador membro da Sociedade Teosófica, uma seita que promove a espirtualidade oculta e metafísica.

Schwankovsky ensina desenho e pintura a Pollock, e o apresenta aos movimentos da arte moderna da Europa e à literatura teosófica. Esta experiência o prepara para seguir a teoria do psicanalista suíço Carl Jung e a explora as imagens do inconsciente na pintura.

Em 1930, Jackson Pollock segue o irmão Charles e vai para Nova York, onde entra para a Liga dos Estudantes de Arte. Depois de alguns anos na miséria durante a Grande Depressão (1929-39), ele consegue um emprego no Projeto de Arte Federal. Isto lhe dá segurança e oportunidade para desenvolver sua arte.

Com problema de alcoolismo, Pollock começa um tratamento psiquiátrico em 1937. No ano seguinte, tem uma crise de saúde mental. É hospitalizado durante quatro meses. Depois deste problema, sua arte se torna semiabstrata e mostra influência dos pintores espanhóis Pablo Picasso e Joan Miró e do muralista mexicano José Clemente Orozco.

Depois do fim do Projeto de Arte Federal, Peggy Guggenheim o contrata em julho de 1943 para sua galeria Arte deste Século, em Nova York, onde ele desenvolve seu estilo totalmente pessoal. Ele pinta Mural para a entrada da casa de Guggenheim. Por sugestão do amigo Marcel Duchamp, Pollock pinta uma tela para ser portátil. O crítico Clement Greenberg observa: "Isto é uma arte extraordinária. Pollock é o maior pintor que este país já produziu."

Em 1947, Pollock usa pela primeira vez a técnica de gotejamento sobre a tela criada por Max Ernst. Coloca a tela no chão e não usa pincéis. 

É descrito por seus contemporâneos como gentil e contemplativo quando sóbrio e violento quando bebia. A morte vem num acidente quando Pollock dirige embriagado. Em 11 de agosto de 1956, seu conversível sai da estrada em Springs, no estado de Nova York, fere uma passageira, Ruth Kligman, com quem ele tem um caso, e mata sua amiga Edith Metzger.

EXPLOSÃO DA CHALLENGER

    Em 1986, a nave ou ônibus espacial norte-americano Challenger explode no ar um minuto e 13 segundos depois do lançamento, matando os sete tripulantes, diante de um público atônito em Cabo Canaveral, na Flórida, e no mundo inteiro pela televisão.

A espaçonave se desintegra a uma altitude de 14 km sobre o Oceano Atlântico às 11h39 pela hora local. É o primeiro acidente fatal em voo do programa espacial dos Estados Unidos.

É o décimo voo da nave Challenger e o 25º do programa de ônibus espaciais da NASA (Administração Nacional de Aeronáutica e Espaço), a agência espacial dos EUA. 

A causa do acidente é um problema com os anéis de vedação de uma junta dos foguetes propulsores de combustível sólido. O combustível vaza e causa a explosão.

A missão ia lançar no espaço um satélite de comunicações e observar a passagem do Cometa de Halley. Entre os mortos, está a professora Christa McAuliffe, convidada numa homenagem aos professores, o que aumenta o interesse popular pelo voo trágico.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2025

Hoje na História do Mundo: 25 de Dezembro

 DATA DO NASCIMENTO DE JESUS

    Em 221, o historiador cristão Sexto Júlio Africano identifica esta data pela primeira vez como o dia do nascimento de Jesus, que já era comemorado antes.

Sexto Júlio Africano nasce em Jerusalém, na Judeia, parte do Império Romano, em 160. Ele viaja à Grécia e a Roma, e vai estudar em Alexandria. Escreve em grego, latim e hebraico. É uma influência importante para Eusébio da Cesareia e para os padres que escrevem a história da Igreja Católica.

A Suda, uma enciclopédia do Império Bizantino do século 10, o descreve como um "filósofo líbio". O historiador alemão Heinrich Gelzer diz que ele tinha ascendência romana e etíope.

IMPERADOR CARLOS MAGNO

    Em 800, Carlos Magno, rei dos francos, é coroado primeiro imperador do Sacro Império Romano-Germânico.

Carlos Magno nasce em 2 de abril em 742, 747 ou 748. Há dúvidas sobre o ano. É filho de Pepino, o Breve, e de Berta Laon. O pai se torna rei dos francos em 751 ao derrotar o último rei merovíngio. Carlos herda o trono com a morte do pai, em 768. Inicialmente, divide o poder com o irmão Carlomano I, que morre em 771. A partir daí, se torna no único governante.

Pela força da espada, Carlos Magno cria o primeiro império que domina boa parte da Europa Ocidental depois da queda do Império Romano do Ocidente, em 476. Por isso, é chamado de Pai da Europa e da União Europeia. Seguindo um acordo do pai com o Vaticano, vira defensor dos papas e intervém na Lombardia. Em 774, se torna rei dos lombardos.

No Natal de 800, o Papa Leão III o coroa imperador dos romanos na Antiga Basílica de São Pedro, em Roma. Ele reina até a morte, em 814. Está enterrado na Catedral de Aachen, a capital do Sacro império na época. 

CONQUISTA NORMANDA

    Em 1066, Guilherme, Duque da Normandia, é coroado rei da Inglaterra como Guilherme I, consolidando a Conquista Normanda.

Guilherme, o Bastardo, descendente de invasores vikings, nasce por volta de 1028 em Falaise, na Normandia. É considerado um dos grandes guerreiros da Idade Média. Nobre mais poderoso da França, muda a história da Inglaterra com a Invasão Normanda.

Filho ilegítimo de Roberto I, Duque da Normandia, que não tem outros filhos, Guilherme é seu sucessor. Com a morte do pai, em 1035, aos sete anos, Guilherme vira Duque da Normandia.

Em 1051, ele teria visitado o rei Eduardo, o Confessor, seu primo, que não tinha filhos e teria lhe prometido o trono da Inglaterra. Mas, no seu leito de morte, Eduardo muda de ideia e oferece o trono a Haroldo Godwinson, filho da família mais rica da Inglaterra, mais poderoso do que o próprio rei.

Quando Eduardo morre e Haroldo é proclamado sucessor, Guilherme não aceita e prepara a invasão. Haroldo II também enfrenta o rei Haroldo III, da Noruega, e o próprio irmão, Tostigo, que unem forças e invadem a Inglaterra vindo da Escócia.

Haroldo II vence e mata os dois na Batalha de Stamford Bridge, em 25 de setembro de 1066. Ao fazer isso, deixa desguarnecido o Canal da Mancha. Três dias depois, Guilherme desembarca em Pevensey com 7 a 12 mil homens, a metade arqueiros e cavaleiros.

Então, Haroldo marcha para o Sul com um exército de 5 a 13 mil homens, quase todos soldados de infantaria. A Batalha de Hastings começa às nove da manhã e vai até o anoitecer. A morte de Haroldo II sela a derrota dos anglo-saxões. Estima-se que tenham morrido 2 mil homens de cada lado. Nunca mais um anglo-saxão ocupa o trono da Inglaterra.

Guilherme I é coroado no Natal de 1066 na Abadia de Westminster, dando início à Dinastia Normanda. A Conquista Normanda é consolidada com a expropriação das terras dos ingleses, entregues a seus aliados do continente, e o expurgo dos ingleses da Igreja e de altos cargos governamentais. Muitos anglo-saxões fogem para a Escócia, a Irlanda e a Escandinávia.

A língua inglesa, uma mistura do francês antigo, do latim e de línguas germânicas dos anglo-saxões, é fruto da Conquista Normanda.

Outra consequência é a formação de um reino que ia da Inglaterra à Normandia, no Norte da França, e que mais tarde incluiria a Aquitânia, levando o rei da Inglaterra a reivindicar várias vezes a coroa francesa, como na Guerra dos Cem Anos (1337-1453).

Só em 1801, no início da era de Napoleão Bonaparte, o então Reino Unido da Grã-Bretanha e da Irlanda abre mão da reivindicação de soberania sobre a França, inclusive porque o imperador da França poderia reivindicar a coroa britânica. Napoleão só não invade a Inglaterra porque a Marinha Real britânica sob o comando do almirante Horácio Nelson vence os franceses nas batalhas de Abukir (1799) e Trafalgar (1805).

A França e o Reino Unido se tornam aliados ao formar a Entente Cordiale em 8 de abril de 1904.

 TRÉGUA DE NATAL

    Em 1914, durante a Primeira Guerra Mundial (1914-18), pouco depois da meia-noite, os soldados da Alemanha param de atirar e começam a cantar músicas de Natal ouvidas pelos inimigos da França, do Reino Unido e da Rússia. Ao amanhecer, saem desarmados das trincheiras e se aproximam das linhas aliadas desejando "Feliz Natal" nas línguas dos inimigos.

De início, os aliados temem uma emboscada. Vendo o inimigo desarmado, saem das trincheiras e cumprimentam os alemães. Eles trocam presentes como cigarros e doces, entoam canções natalinas e jogam futebol na terra de ninguém entre as trincheiras de um lado e outro.

Em 1915, a guerra atinge toda sua fúria e a trégua de Natal torna-se impensável.

GORBACHEV RENUNCIA

    Em 1991, o líder reformista Mikhail Gorbachev anuncia sua renúncia à Presidência da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), uma decisão que marca o fim da pátria do comunismo.

Quatro dias antes, 11 das 15 repúblicas soviéticas criam a Comunidade de Estados Independentes (CEI), tirando o poder que ele ainda tinha. A URSS está condenada desde que as três repúblicas eslavas (Rússia, Bielorrússia e Ucrânia), o núcleo central do país, assinam o Acordo de Minsk, a capital bielorrussa, em 8 de dezembro de 1991, para deixar a união.

No discurso de despedida, Gorbachev é profético. Manifesta "preocupação com o fato de que os cidadãos deste país estão deixando de ser cidadãos de uma grande potência e as consequências podem ser muito difíceis de lidar para todos nós." 

A fala alterna momentos de alegria e frustração, e defende seu legado. Gorbachev reivindica ter colocado a URSS no "caminho da democracia" e levado o regime comunista "rumo à economia de mercado". Afirma que os povos da URSS estão "vivendo em um novo mundo" com o "fim da Guerra Fria e da corrida armamentista".

Mikhail Sergueievich Gorbachev ascende à liderança do Partido Comunista da URSS em 11 de março de 1985, depois de uma longa era de estagnação econômica sob Leonid Brejnev (1964-82) e os breves governos de Iúri Andropov (1982-84) e Konstantin Chernenko (1984-85).

É uma mudança de gerações na URSS. Convencido da obsolescência do regime, promove uma abertura política, a glasnost (transparência), e uma reforma econômica, a perestroika (reestruturação).

Gorbachev estabelece o diálogo com o Ocidente e negocia com os presidentes dos Estados Unidos Ronald Reagan e George Bush acordos de desarmamento que acabam com a Guerra Fria, a confrontação estratégica, econômica, científica, tecnológica e militar entre as duas superpotências que dominam a segunda metade do século 20.

As reformas libertam presos políticos, acabam com a censura e permitem a investigação dos crimes cometidos pelo regime comunista. Desagradam tanto à velha guarda do regime quanto aos reformistas radicais como Boris Yeltsin, que querem de acelerar o processo.

Em agosto de 1991, quando está em férias na Crimeia, Gorbachev sobrevive a uma tentativa de golpe da linha-dura. Quem lidera a resistência é Yeltsin, primeiro presidente eleito democraticamente da história da Rússia. O líder soviético volta enfraquecido. O poder passa para Yeltsin, que tem a legitimidade do voto popular, coloca o Partido Comunista na ilegalidade e dissolve a URSS.

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terça-feira, 28 de janeiro de 2025

Hoje na História do Mundo: 28 de Janeiro

 MORTE DE CARLOS MAGNO

    Em 814, o imperador Carlos Magno, fundador do Sacro Império Romano-Germânico, morre em Aachen, a capital imperial.

Carlos Magno nasce em 2 de abril de 742, antes do casamento dos pais, o rei Pepino, o Breve, e Berta de Laon. É neto de Carlos Martel, imperador do Império Merovíngio, fundado por Clóvis I, o primeiro a unir todas as tribos dos francos, considerado o primeiro rei da França. Ao vencer a Batalha de Poitiers em 732, Martel contém a invasão muçulmana que toma a Península Ibérica.

Com a morte do pai, em 768, Carlos Magno se torna rei dos francos, mas o reino é dividido com o irmão, Carlomano. Quando este morre, em 774, Carlos Magno se torna rei dos lombardos. No Natal de 800, é coroado "imperador dos romanos" pelo Papa Leão III na Basílica de São Pedro, em Roma. É o primeiro imperador do Sacro Império Romano-Germânico.

Ao unir a maior parte da Europa Ocidental e Central, torna-se o primeiro imperador a governar uma grande parte do continente desde a queda do Império Romano do Ocidente, em 476. Por isso, é chamado de Pai da Europa e precursor da União Europeia.

QUEDA DE PARIS

    Em 1871, depois de quatro meses de cerco, o recém-unificado Império da Alemanha toma a capital da França no fim da Guerra Franco-Prussiana.

A Guerra Franco-Prussiana (1870-71) tem origem nos conflitos em busca de um equilíbrio de forças na Europa depois das Guerras Revolucionárias e Napoleônicas (1792-1815). A França e a Prússia são inimigas nessas guerras.

A ascensão de Napoleão III, primeiro presidente da Segunda República Francesa (1848-52) e primeiro e único imperador do Segundo Império (1852-70), depois do golpe de 2 de dezembro de 1851, é uma das causas.

No fim da Guerra da Crimeia (1853-56), que opõe a França, o Reino Unido e o Império Otomano (turco) à Rússia, o Tratado de Paris desmilitariza o Mar Negro, criando condições para a unificação da Alemanha, conquistada depois de vitórias da Prússia na Guerra dos Ducados de Elba (1864) contra a Dinamarca, na Guerra Austro-Prussiana (1866) e na Guerra Franco-Prussiana.

Quando a Espanha fica sem monarca com a abdicação de Isabel II na Revolução de 1868, as Cortes, o parlamento espanhol, oferecem a coroa ao príncipe Leopoldo de Hohenzollern, primo do rei Guilherme I, da Prússia. 

Com medo de um cerco, o imperador francês Napoleão III pressiona o Reino da Prússia a impedir que Leopoldo se torne rei da Espanha. O rei da Prússia cede, mas Napoleão III exige mais garantias de que jamais Leopoldo seria monarca espanhol.

O chanceler (primeiro-ministro) prussiano, Otto von Bismarck, tem interesse numa guerra com a França para consolidar a unificação da Alemanha. Ele manipula o Telegrama Ems, uma descrição de Guilherme I sobre seu encontro com o embaixador francês. 

Revoltado, Napoleão III declara guerra à Alemanha em 19 de julho de 1870. Com novas armas, inclusive a primeira metralhadora, os generais franceses confiam na vitória.

Como a França é vista como agressora, Bismarck vê uma oportunidade de unir os estados germânicos do Sul (Baviera, Baden e Württemberg) à Confederação do Norte da Alemanha, liderada pela Prússia. Em 18 dias, as forças alemãs mobilizam 380 mil soldados sob o comando do general Helmuth von Moltke, um grande estrategista, chefe do Estado-Maior.

Logo, a Prússia toma a região da Alsácia e a cidade de Metz. Um exército francês sob o comando de Napoleão III e do general Patrice Mac-Mahon tenta resgatar o general François-Achille Bazaine, capturado em Metz. É cercado na Batalha de Sedan, em 31 de agosto de 1870. Em 2 de setembro, Napoleão III, Mac-Mahon e 83 mil franceses se rendem.

Napoleão III abdica e vai para o exílio na Inglaterra, onde morre em 9 de janeiro de 1873.

O Cerco de Paris começa em 19 de setembro de 1870. Com a cidade situada a ameaçada pela fome, os alemães iniciam um bombardeio de artilharia à capital francesa em janeiro de 1871. 

Em 18 de janeiro, é proclamada a fundação do Império Alemão. A partir de 25 de janeiro, os alemães passam a usar canhões de grande calibre. No dia 28, a França se rende.

A Guerra Franco-Prussiana acaba com o Segundo Império da França e unifica a Alemanha, que toma as províncias da Alsácia e da Lorena, que a França recupera na Primeira Guerra Mundial (1914-18). É uma das causas da Primeira Guerra Mundial, o conflito que molda o século 20. 

A derrota da França causa a Comuna de Paris, uma das insurreições populares mais importantes do século 19, a primeira vez que o operariado tenta tomar o poder com um projeto socialista.

EXPLOSÃO DA CHALLENGER

    Em 1986, a nave ou ônibus espacial norte-americano Challenger explode no ar um minuto e 13 segundos depois do lançamento, matando os sete tripulantes, diante de um público atônito em Cabo Canaveral, na Flórida, e no mundo inteiro, que assiste pela televisão.

A espaçonave se desintegra a uma altitude de 14 km sobre o Oceano Atlântico às 11h39 pela hora local. É o primeiro acidente fatal em voo do programa espacial dos Estados Unidos.

É o décimo voo da nave Challenger e o 25º do programa de ônibus espaciais da NASA (Administração Nacional de Aeronáutica e Espaço), a agência espacial dos EUA. 

A causa do acidente é um problema com os anéis de vedação de uma junta dos foguetes propulsores de combustível sólido. O combustível vaza e causa a explosão.

A missão ia lançar no espaço um satélite de comunicações e observar a passagem do Cometa de Halley. Entre os mortos, está a professora Christa McAuliffe, convidada numa homenagem aos professores, o que aumenta o interesse popular pelo voo trágico.

quarta-feira, 25 de dezembro de 2024

Hoje na História do Mundo: 25 de Dezembro

 DATA DO NASCIMENTO DE JESUS

    Em 221, o historiador cristão Sexto Júlio Africano identifica esta data pela primeira vez como o dia do nascimento de Jesus, que já era comemorado antes.

Sexto Júlio Africano nasce em Jerusalém, na Judeia, parte do Império Romano, em 160. Ele viaja à Grécia e a Roma, e vai estudar em Alexandria. Escreve em grego, latim e hebraico. É uma influência importante para Eusébio da Cesareia e para os padres que escrevem a história da Igreja Católica.

A Suda, uma enciclopédia do Império Bizantino do século 10, o descreve como um "filósofo líbio". O historiador alemão Heinrich Gelzer diz que ele tinha ascendência romana e etíope.

IMPERADOR CARLOS MAGNO

    Em 800, Carlos Magno, rei dos francos, é coroado primeiro imperador do Sacro Império Romano-Germânico.

Carlos Magno nasce em 2 de abril em 742, 747 ou 748. Há dúvidas sobre o ano. É filho de Pepino, o Breve, e de Berta Laon. O pai se torna rei dos francos em 751 ao derrotar o último rei merovíngio. Carlos herda o trono com a morte do pai, em 768. Inicialmente, divide o poder com o irmão Carlomano I, que morre em 771. A partir daí, se torna no único governante.

Pela força da espada, Carlos Magno cria o primeiro império que domina boa parte da Europa Ocidental depois da queda do Império Romano do Ocidente, em 476. Por isso, é chamado de Pai da Europa e da União Europeia. Seguindo um acordo do pai com o Vaticano, vira defensor dos papas e intervém na Lombardia. Em 774, se torna rei dos lombardos.

No Natal de 800, o Papa Leão III o coroa imperador dos romanos na Antiga Basílica de São Pedro, em Roma. Ele reina até a morte, em 814. Está enterrado na Catedral de Aachen, a capital do Sacro império na época. 

CONQUISTA NORMANDA

    Em 1066, Guilherme, Duque da Normandia, é coroado rei da Inglaterra como Guilherme I, consolidando a Conquista Normanda.

Guilherme, o Bastardo, descendente de invasores vikings, nasce por volta de 1028 em Falaise, na Normandia. É considerado um dos grandes guerreiros da Idade Média. Nobre mais poderoso da França, muda a história da Inglaterra com a Invasão Normanda.

Filho ilegítimo de Roberto I, Duque da Normandia, que não tem outros filhos, Guilherme é seu sucessor. Com a morte do pai, em 1035, aos sete anos, Guilherme vira Duque da Normandia.

Em 1051, ele teria visitado o rei Eduardo, o Confessor, seu primo, que não tinha filhos e teria lhe prometido o trono da Inglaterra. Mas, no seu leito de morte, Eduardo muda de ideia e oferece o trono a Haroldo Godwinson, filho da família mais rica da Inglaterra, mais poderoso do que o próprio rei.

Quando Eduardo morre e Haroldo é proclamado sucessor, Guilherme não aceita e prepara a invasão. Haroldo II também enfrenta o rei Haroldo III, da Noruega, e o próprio irmão, Tostigo, que unem forças e invadem a Inglaterra vindo da Escócia.

Haroldo II vence e mata os dois na Batalha de Stamford Bridge, em 25 de setembro de 1066. Ao fazer isso, deixa desguarnecido o Canal da Mancha. Três dias depois, Guilherme desembarca em Pevensey com 7 a 12 mil homens, a metade arqueiros e cavaleiros.

Então, Haroldo marcha para o Sul com um exército de 5 a 13 mil homens, quase todos soldados de infantaria. A Batalha de Hastings começa às nove da manhã e vai até o anoitecer. A morte de Haroldo II sela a derrota dos anglo-saxões. Estima-se que tenham morrido 2 mil homens de cada lado. Nunca mais um anglo-saxão ocupa o trono da Inglaterra.

Guilherme I é coroado no Natal de 1066 na Abadia de Westminster, dando início à Dinastia Normanda. A Conquista Normanda é consolidada com a expropriação das terras dos ingleses, entregues a seus aliados do continente, e o expurgo dos ingleses da Igreja e de altos cargos governamentais. Muitos anglo-saxões fogem para a Escócia, a Irlanda e a Escandinávia.

A língua inglesa, uma mistura do francês antigo, do latim e de línguas germânicas dos anglo-saxões, é fruto da Conquista Normanda.

Outra consequência é a formação de um reino que ia da Inglaterra à Normandia, no Norte da França, e que mais tarde incluiria a Aquitânia, levando o rei da Inglaterra a reivindicar várias vezes a coroa francesa, como na Guerra dos Cem Anos (1337-1453).

Só em 1801, no início da era de Napoleão Bonaparte, o então Reino Unido da Grã-Bretanha e da Irlanda abre mão da reivindicação de soberania sobre a França, inclusive porque o imperador da França poderia reivindicar a coroa britânica. Napoleão só não invade a Inglaterra porque a Marinha Real britânica sob o comando do almirante Horácio Nelson vence os franceses nas batalhas de Abukir (1799) e Trafalgar (1805).

A França e o Reino Unido se tornam aliados ao formar a Entente Cordiale em 8 de abril de 1904.

 TRÉGUA DE NATAL

    Em 1914, durante a Primeira Guerra Mundial (1914-18), pouco depois da meia-noite, os soldados da Alemanha param de atirar e começam a cantar músicas de Natal ouvidas pelos inimigos da França, do Reino Unido e da Rússia. Ao amanhecer, saem desarmados das trincheiras e se aproximam das linhas aliadas desejando "Feliz Natal" nas línguas dos inimigos.

De início, os aliados temem uma emboscada. Vendo o inimigo desarmado, saem das trincheiras e cumprimentam os alemães. Eles trocam presentes como cigarros e doces, entoam canções natalinas e jogam futebol na terra de ninguém entre as trincheiras de um lado e outro.

Em 1915, a guerra atinge toda sua fúria e a trégua de Natal torna-se impensável.

GORBACHEV RENUNCIA

    Em 1991, o líder reformista Mikhail Gorbachev anuncia sua renúncia à Presidência da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), uma decisão que marca o fim da pátria do comunismo.

Quatro dias antes, 11 das 15 repúblicas soviéticas criam a Comunidade de Estados Independentes (CEI), tirando o poder que ele ainda tinha. A URSS está condenada desde que as três repúblicas eslavas (Rússia, Bielorrússia e Ucrânia), o núcleo central do país, assinam o Acordo de Minsk, a capital bielorrussa, em 8 de dezembro de 1991, para deixar a união.

No discurso de despedida, Gorbachev é profético. Manifesta "preocupação com o fato de que os cidadãos deste país estão deixando de ser cidadãos de uma grande potência e as consequências podem ser muito difíceis de lidar para todos nós." 

A fala alterna momentos de alegria e frustração, e defende seu legado. Gorbachev reivindica ter colocado a URSS no "caminho da democracia" e levado o regime comunista "rumo à economia de mercado". Afirmou que os povos da URSS estavam "vivendo em um novo mundo" com o "fim da Guerra Fria e da corrida armamentista".

Mikhail Sergueievich Gorbachev ascende à liderança do Partido Comunista da URSS em 11 de março de 1985, depois de uma longa era de estagnação econômica sob Leonid Brejnev (1964-82) e os breves governos de Iúri Andropov (1982-84) e Konstantin Chernenko (1984-85).

É uma mudança de gerações na URSS. Convencido da obsolescência do regime, promove uma abertura política, a glasnost (transparência), e uma reforma econômica, a perestroika (reestruturação).

Gorbachev estabelece o diálogo com o Ocidente e negocia com os presidentes dos Estados Unidos Ronald Reagan e George Bush acordos de desarmamento que acabam com a Guerra Fria, a confrontação estratégica, econômica, científica, tecnológica e militar entre as duas superpotências que dominaram a segunda metade do século 20.

As reformas libertam presos políticos, acabam com a censura e permitem a investigação dos crimes cometidos pelo regime comunista. Desagradam tanto à velha guarda do regime quanto aos reformistas radicais como Boris Yeltsin, que gostariam de acelerar o processo.

Em agosto de 1991, quando está em férias na Crimeia, Gorbachev sobrevive a uma tentativa de golpe da linha-dura. Quem lidera a resistência é Yeltsin, primeiro presidente eleito democraticamente da história da Rússia. Volta enfraquecido e o poder passa para Yeltsin, primeiro presidente da Rússia eleito pelo voto popular, que coloca o Partido Comunista na ilegalidade e dissolve a URSS.

domingo, 28 de janeiro de 2024

Hoje na História do Mundo: 28 de Janeiro

MORTE DE CARLOS MAGNO

    Em 814, o imperador Carlos Magno, fundador do Sacro Império Romano-Germânico, morre em Aachen, a capital imperial.

Carlos Magno nasce em 2 de abril de 742 antes do casamento dos pais, o rei Pepino, o Breve, e Berta de Laon. É neto de Carlos Martel, imperador do Império Merovíngio, fundado por Clóvis I, o primeiro a unir todas as tribos dos francos, considerado o primeiro rei da França. Ao vencer a Batalha de Poitiers em 732, Martel contém a invasão muçulmana que toma a Península Ibérica.

Com a morte do pai, em 768, Carlos Magno se torna rei dos francos, mas o reino é dividido com o irmão, Carlomano. Quando este morre, em 774, Carlos Magno se torna rei dos lombardos. No Natal de 800, é coroado "imperador dos romanos" pelo Papa Leão III na Basílica de São Pedro, em Roma. É o primeiro imperador do Sacro Império Romano-Germânico.

Ao unir a maior parte da Europa Ocidental e Central, torna-se o primeiro imperador a governar uma grande parte do continente desde a queda do Império Romano do Ocidente, em 476. Por isso, é chamado de Pai da Europa e precursor da União Europeia.

QUEDA DE PARIS

    Em 1871, depois de quatro meses de cerco, o recém-unificado Império da Alemanha toma a capital da França no fim da Guerra Franco-Prussiana.

A Guerra Franco-Prussiana (1870-71) tem origem nos conflitos em busca de um equilíbrio de poder na Europa depois das Guerras Revolucionárias e Napoleônicas (1792-1815). A França e a Prússia são inimigas nessas guerras.

A ascensão de Napoleão III, primeiro presidente da Segunda República Francesa (1848-52) e primeiro imperador do Segundo Império (1852-70), depois do golpe de 2 de dezembro de 1851, é uma das causas.

No fim da Guerra da Crimeia (1853-56), que opõe a França, o Reino Unido e o Império Otomano (turco) à Rússia, o Tratado de Paris desmilitariza o Mar Negro, criando condições para a unificação da Alemanha, conquistada depois de vitórias da Prússia na Guerra dos Ducados de Elba (1864) contra a Dinamarca, na Guerra Austro-Prussiana (1866) e na Guerra Franco-Prussiana.

Quando a Espanha fica sem monarca com a abdicação de Isabel II na Revolução de 1868, as Cortes, o parlamento espanhol, oferecem a coroa ao príncipe Leopoldo de Hohenzollern, primo do rei Guilherme I, da Prússia. 

Com medo de um cerco, o imperador francês Napoleão III pressiona o Reino da Prússia a impedir que Leopoldo se torne rei da Espanha. O rei da Prússia cede, mas Napoleão III exige mais garantias de que jamais Leopoldo seria monarca espanhol.

O chanceler (primeiro-ministro) prussiano, Otto von Bismarck, tem interesse numa guerra com a França para consolidar a unificação da Alemanha. Ele manipula o Telegrama Ems, uma descrição de Guilherme I sobre seu encontro com o embaixador francês. 

Revoltado, Napoleão III declara guerra à Alemanha em 19 de julho de 1870. Com novas armas, inclusive a primeira metralhadora, os generais franceses confiam na vitória.

Como a França é vista como agressora, Bismarck vê uma oportunidade de unir os estados germânicos do Sul (Baviera, Baden e Württemberg) à Confederação do Norte da Alemanha, liderada pela Prússia. Em 18 dias, as forças alemãs mobilizam 380 mil soldados sob o comando do general Helmuth von Moltke, um grande estrategista, chefe do Estado-Maior.

Logo, a Prússia toma a região da Alsácia e a cidade de Metz. Um exército francês sob o comando de Napoleão III e do general Patrice Mac-Mahon tenta resgatar o general François-Achille Bazaine, capturado em Metz. É cercado na Batalha de Sedan, em 31 de agosto de 1870. Em 2 de setembro, Napoleão III, Mac-Mahon e 83 mil franceses se rendem.

Napoleão III abdica e vai para o exílio na Inglaterra, onde morre em 9 de janeiro de 1873.

O Cerco de Paris começa em 19 de setembro de 1870. Com a cidade situada a ameaçada pela fome, os alemães iniciam um bombardeio de artilharia à capital francesa em janeiro de 1871. 

Em 18 de janeiro, é proclamada a fundação do Império Alemão. A partir de 25 de janeiro, os alemães passam a usar canhões de grande calibra. No dia 28, a França se rende.

A Guerra Franco-Prussiana acaba com o Segundo Império da França e unifica a Alemanha, que toma as províncias da Alsácia e da Lorena, que a França recupera na Primeira Guerra Mundial (1914-18). É assim uma das causas da Primeira Guerra Mundial, o conflito que moldou o século 20. 

A derrota da França causa a Comuna de Paris, uma das insurreições populares mais importantes do século 19, a primeira vez que o operariado tenta tomar o poder com um projeto socialista.

EXPLOSÃO DA CHALLENGER

    Em 1986, a nave ou ônibus espacial norte-americano Challenger explode no ar um minuto e 13 segundos depois do lançamento, matando os sete tripulantes, diante de um público atônito em Cabo Canaveral, na Flórida, e no mundo inteiro, que assistia pela televisão.

A espaçonave se desintegra a uma altitude de 14 km sobre o Oceano Atlântico às 11h39 pela hora local. É o primeiro acidente fatal em voo do programa espacial dos Estados Unidos.

É o décimo voo da nave Challenger e o 25º do programa de ônibus espaciais da NASA (Administração Nacional de Aeronáutica e Espaço), a agência espacial dos EUA. 

A causa do acidente é um problema com os anéis de vedação de uma junta dos foguetes propulsores de combustível sólido. O combustível vaza e causa a explosão.

A missão era lançar no espaço um satélite de comunicações e observar a passagem do Cometa de Halley. Entre os mortos, está a professora Christa McAuliffe, convidada numa homenagem aos professores, o que aumentou o interesse popular pelo voo trágico.

segunda-feira, 25 de dezembro de 2023

Hoje na História do Mundo: 25 de Dezembro

DATA DO NASCIMENTO DE JESUS

    Em 221, o historiador cristão Sexto Júlio Africano identifica esta data pela primeira vez como o dia do nascimento de Jesus, que já era comemorado antes.

Sexto Júlio Africano nasce em Jerusalém, na Judeia, parte do Império Romano, em 160. Ele viaja à Grécia e a Roma, e vai estudar em Alexandria. Escreve em grego, latim e hebraico. É uma influência importante para Eusébio da Cesareia e para os padres que escrevem a história da Igreja Católica.

A Suda, uma enciclopédia do Império Bizantino do século 10, o descreve como um "filósofo líbio". O historiador alemão Heinrich Gelzer diz que ele tinha ascendência romana e etíope.

IMPERADOR CARLOS MAGNO

    Em 800, Carlos Magno, rei dos francos, é coroado primeiro imperador do Sacro Império Romano-Germânico.

Carlos Magno nasce em 2 de abril em 742, 747 ou 748. Há dúvidas sobre o ano. É filho de Pepino, o Breve, e de Berta Laon. O pai se torna rei dos francos em 751 ao derrotar o último rei merovíngio. Carlos herda o trono com a morte do pai, em 768. Inicialmente, divide o poder com o irmão Carlomano I, que morre em 771. A partir daí, se torna no único governante.

Pela força da espada, Carlos Magno cria o primeiro império que domina boa parte da Europa Ocidental depois da queda do Império Romano do Ocidente, em 476. Por isso, é chamado de Pai da Europa e da União Europeia. Seguindo um acordo do pai com o Vaticano, vira defensor dos papas e intervém na Lombardia. Em 774, se torna rei dos lombardos.

No Natal de 800, o Papa Leão III o coroa imperador dos romanos na Antiga Basílica de São Pedro, em Roma, e reina até a morte, em 814. Está enterrado na Catedral de Aachen, a capital do Sacro império. 

CONQUISTA NORMANDA

    Em 1066, Guilherme, Duque da Normandia, é coroado rei da Inglaterra como Guilherme I, consolidando a Conquista Normanda.

Guilherme, o Bastardo, descedente de invasores vikins, nasce por volta de 1028 em Falaise, na Normandia. É considerado um dos grandes guerreiros da Idade Média. Nobre mais poderoso da França, muda a história da Inglaterra com a invasão normanda.

Filho ilegítimo de Roberto I, Duque da Normandia, que não tem outros filhos, Guilherme é seu sucessor. Com a morte do pai, em 1035, aos sete anos, Guilherme vira Duque da Normandia.

Em 1051, ele teria visitado o rei Eduardo, o Confessor, seu primo, que não tinha filhos e teria lhe prometido o trono da Inglaterra. Mas, no seu leito de morte, Eduardo muda de ideia e oferece o trono a Haroldo Godwinson, filho da família mais rica da Inglaterra, mais poderoso do que o próprio rei.

Quando Eduardo morre e Haroldo é proclamado sucessor, Guilherme não aceita e prepara a invasão. Haroldo II também enfrenta o rei Haroldo III, da Noruega, e o próprio irmão, Tostigo, que unem forças e invadem a Inglaterra vindo da Escócia.

Haroldo II vence e mata os dois na Batalha de Stamford Bridge, em 25 de setembro. Ao fazer isso, deixa desguarnecido o Canal da Mancha. Três dias depois, Guilherme desembarca em Pevensey com 7 a 12 mil homens, a metade arqueiros e cavaleiros.

Então, Haroldo marcha para o Sul com um exército de 5 a 13 mil homens, quase todos soldados de infantaria. A Batalha de Hastings começa às nove da manhã e vai até o anoitecer. A morte de Haroldo II sela a derrota dos anglo-saxões. Estima-se que tenham morrido 2 mil homens de cada lado. Nunca mais um anglo-saxão ocupou o trono da Inglaterra.

Guilherme I é coroado no Natal de 1066 na Abadia de Westminster, dando início à Dinastia Normanda. A Conquista Normanda é consolidada com a expropriação das terras dos ingleses, entregues a seus aliados do continente, e o expurgo dos ingleses da Igreja e de altos cargos governamentais. Muitos anglo-saxões fogem para a Escócia, a Irlanda e a Escandinávia.

A língua inglesa, uma mistura do francês antigo, do latim e de línguas germânicas dos anglo-saxões, é fruto da Conquista Normanda.

Outra consequência é a formação de um reino que ia da Inglaterra à Normandia, no Norte da França, e que mais tarde incluiria a Aquitânia, levando o rei da Inglaterra a reivindicar várias vezes a coroa francesa, como na Guerra dos Cem Anos (1337-1453).

Só em 1801, no início da era de Napoleão Bonaparte, o então Reino Unido da Grã-Bretanha e da Irlanda abre mão da reivindicação de soberania sobre a França, inclusive porque o imperador da França poderia reivindicar a coroa britânica. Napoleão só não invade a Inglaterra porque a Marinha Real britânica sob o comando do almirante Horácio Nelson vence os franceses nas batalhas de Abukir (1799) e Trafalgar (1805).

A França e o Reino Unido se tornam aliados ao formar a Entente Cordiale em 8 de abril de 1904.

 TRÉGUA DE NATAL

    Em 1914, durante a Primeira Guerra Mundial (1914-18), pouco depois da meia-noite, os soldados da Alemanha param de atirar e começam a cantar músicas de Natal ouvidas pelos inimigos da França, do Reino Unido e da Rússia. Ao amanhecer, saem desarmados das trincheiras e se aproximam das linhas aliadas desejando "Feliz Natal" nas línguas dos inimigos.

De início, os aliados temem uma emboscada. Vendo o inimigo desarmado, saem das trincheiras e cumprimentam os alemães. Eles trocam presentes como cigarros e doces, entoam canções natalinas e jogam futebol na terra de ninguém entre as trincheiras de um lado e outro.

Em 1915, a guerra atinge toda sua fúria e a trégua de Natal torna-se impensável.

GORBACHEV RENUNCIA

    Em 1991, o líder reformista Mikhail Gorbachev anuncia sua renúncia à Presidência da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), uma decisão que marca o fim da pátria do comunismo.

Quatro dias antes, 11 das 15 repúblicas soviéticas criam a Comunidade de Estados Independentes (CEI), tirando o poder que ele ainda tinha. A URSS está condenada desde que as três repúblicas eslavas (Rússia, Bielorrússia e Ucrânia), o núcleo central do país, assinam o Acordo de Minsk, a capital bielorrussa, em 8 de dezembro de 1991, para deixar a união.

No discurso de despedida, Gorbachev é profético. Manifesta "preocupação com o fato de que os cidadãos deste país estão deixando de ser cidadãos de uma grande potência e as consequências podem ser muito difíceis de lidar para todos nós." 

A fala alterna momentos de alegria e frustração, e defende seu legado. Gorbachev reivindica ter colocado a URSS no "caminho da democracia" e levado o regime comunista "rumo à economia de mercado". Afirmou que os povos da URSS estavam "vivendo em um novo mundo" com o "fim da Guerra Fria e da corrida armamentista".

Mikhail Sergueievich Gorbachev ascende à liderança do Partido Comunista da URSS em 11 de março de 1985, depois de uma longa era de estagnação econômica sob Leonid Brejnev (1964-82) e os breves governos de Iúri Andropov (1982-84) e Konstantin Chernenko (1984-85).

É uma mudança de gerações na URSS. Convencido da obsolescência do regime, promove uma abertura política, a glasnost (transparência) e uma reforma econômica, a perestroika (reestruturação).

Ele estabelece o diálogo com o Ocidente e negocia com os presidentes dos Estados Unidos Ronald Reagan e George Bush acordos de desarmamento que acabam com a Guerra Fria, a confrontação, estratégica, econômica, científica, tecnológica e militar entre as duas superpotências que dominaram a segunda metade do século 20.

As reformas libertam presos políticos, acabam com a censura e permitem a investigação dos crimes cometidos pelo regime comunista. Desagradam tanto à velha guarda do regime quanto aos reformistas radicais como Boris Yeltsin, que gostariam de acelerar o processo.

Em agosto de 1991, quando está em férias, Gorbachev sobrevive a uma tentativa de golpe da linha-dura. Quem lidera a resistência é Yeltsin, primeiro presidente eleito democraticamente da história da Rússia. Volta enfraquecido e o poder passa para Yeltsin, primeiro presidente da Rússia eleito pelo voto popular, que coloca o Partido Comunista na ilegalidade e dissolve a URSS.