Mostrando postagens com marcador trégua. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador trégua. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 25 de dezembro de 2025

Hoje na História do Mundo: 25 de Dezembro

 DATA DO NASCIMENTO DE JESUS

    Em 221, o historiador cristão Sexto Júlio Africano identifica esta data pela primeira vez como o dia do nascimento de Jesus, que já era comemorado antes.

Sexto Júlio Africano nasce em Jerusalém, na Judeia, parte do Império Romano, em 160. Ele viaja à Grécia e a Roma, e vai estudar em Alexandria. Escreve em grego, latim e hebraico. É uma influência importante para Eusébio da Cesareia e para os padres que escrevem a história da Igreja Católica.

A Suda, uma enciclopédia do Império Bizantino do século 10, o descreve como um "filósofo líbio". O historiador alemão Heinrich Gelzer diz que ele tinha ascendência romana e etíope.

IMPERADOR CARLOS MAGNO

    Em 800, Carlos Magno, rei dos francos, é coroado primeiro imperador do Sacro Império Romano-Germânico.

Carlos Magno nasce em 2 de abril em 742, 747 ou 748. Há dúvidas sobre o ano. É filho de Pepino, o Breve, e de Berta Laon. O pai se torna rei dos francos em 751 ao derrotar o último rei merovíngio. Carlos herda o trono com a morte do pai, em 768. Inicialmente, divide o poder com o irmão Carlomano I, que morre em 771. A partir daí, se torna no único governante.

Pela força da espada, Carlos Magno cria o primeiro império que domina boa parte da Europa Ocidental depois da queda do Império Romano do Ocidente, em 476. Por isso, é chamado de Pai da Europa e da União Europeia. Seguindo um acordo do pai com o Vaticano, vira defensor dos papas e intervém na Lombardia. Em 774, se torna rei dos lombardos.

No Natal de 800, o Papa Leão III o coroa imperador dos romanos na Antiga Basílica de São Pedro, em Roma. Ele reina até a morte, em 814. Está enterrado na Catedral de Aachen, a capital do Sacro império na época. 

CONQUISTA NORMANDA

    Em 1066, Guilherme, Duque da Normandia, é coroado rei da Inglaterra como Guilherme I, consolidando a Conquista Normanda.

Guilherme, o Bastardo, descendente de invasores vikings, nasce por volta de 1028 em Falaise, na Normandia. É considerado um dos grandes guerreiros da Idade Média. Nobre mais poderoso da França, muda a história da Inglaterra com a Invasão Normanda.

Filho ilegítimo de Roberto I, Duque da Normandia, que não tem outros filhos, Guilherme é seu sucessor. Com a morte do pai, em 1035, aos sete anos, Guilherme vira Duque da Normandia.

Em 1051, ele teria visitado o rei Eduardo, o Confessor, seu primo, que não tinha filhos e teria lhe prometido o trono da Inglaterra. Mas, no seu leito de morte, Eduardo muda de ideia e oferece o trono a Haroldo Godwinson, filho da família mais rica da Inglaterra, mais poderoso do que o próprio rei.

Quando Eduardo morre e Haroldo é proclamado sucessor, Guilherme não aceita e prepara a invasão. Haroldo II também enfrenta o rei Haroldo III, da Noruega, e o próprio irmão, Tostigo, que unem forças e invadem a Inglaterra vindo da Escócia.

Haroldo II vence e mata os dois na Batalha de Stamford Bridge, em 25 de setembro de 1066. Ao fazer isso, deixa desguarnecido o Canal da Mancha. Três dias depois, Guilherme desembarca em Pevensey com 7 a 12 mil homens, a metade arqueiros e cavaleiros.

Então, Haroldo marcha para o Sul com um exército de 5 a 13 mil homens, quase todos soldados de infantaria. A Batalha de Hastings começa às nove da manhã e vai até o anoitecer. A morte de Haroldo II sela a derrota dos anglo-saxões. Estima-se que tenham morrido 2 mil homens de cada lado. Nunca mais um anglo-saxão ocupa o trono da Inglaterra.

Guilherme I é coroado no Natal de 1066 na Abadia de Westminster, dando início à Dinastia Normanda. A Conquista Normanda é consolidada com a expropriação das terras dos ingleses, entregues a seus aliados do continente, e o expurgo dos ingleses da Igreja e de altos cargos governamentais. Muitos anglo-saxões fogem para a Escócia, a Irlanda e a Escandinávia.

A língua inglesa, uma mistura do francês antigo, do latim e de línguas germânicas dos anglo-saxões, é fruto da Conquista Normanda.

Outra consequência é a formação de um reino que ia da Inglaterra à Normandia, no Norte da França, e que mais tarde incluiria a Aquitânia, levando o rei da Inglaterra a reivindicar várias vezes a coroa francesa, como na Guerra dos Cem Anos (1337-1453).

Só em 1801, no início da era de Napoleão Bonaparte, o então Reino Unido da Grã-Bretanha e da Irlanda abre mão da reivindicação de soberania sobre a França, inclusive porque o imperador da França poderia reivindicar a coroa britânica. Napoleão só não invade a Inglaterra porque a Marinha Real britânica sob o comando do almirante Horácio Nelson vence os franceses nas batalhas de Abukir (1799) e Trafalgar (1805).

A França e o Reino Unido se tornam aliados ao formar a Entente Cordiale em 8 de abril de 1904.

 TRÉGUA DE NATAL

    Em 1914, durante a Primeira Guerra Mundial (1914-18), pouco depois da meia-noite, os soldados da Alemanha param de atirar e começam a cantar músicas de Natal ouvidas pelos inimigos da França, do Reino Unido e da Rússia. Ao amanhecer, saem desarmados das trincheiras e se aproximam das linhas aliadas desejando "Feliz Natal" nas línguas dos inimigos.

De início, os aliados temem uma emboscada. Vendo o inimigo desarmado, saem das trincheiras e cumprimentam os alemães. Eles trocam presentes como cigarros e doces, entoam canções natalinas e jogam futebol na terra de ninguém entre as trincheiras de um lado e outro.

Em 1915, a guerra atinge toda sua fúria e a trégua de Natal torna-se impensável.

GORBACHEV RENUNCIA

    Em 1991, o líder reformista Mikhail Gorbachev anuncia sua renúncia à Presidência da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), uma decisão que marca o fim da pátria do comunismo.

Quatro dias antes, 11 das 15 repúblicas soviéticas criam a Comunidade de Estados Independentes (CEI), tirando o poder que ele ainda tinha. A URSS está condenada desde que as três repúblicas eslavas (Rússia, Bielorrússia e Ucrânia), o núcleo central do país, assinam o Acordo de Minsk, a capital bielorrussa, em 8 de dezembro de 1991, para deixar a união.

No discurso de despedida, Gorbachev é profético. Manifesta "preocupação com o fato de que os cidadãos deste país estão deixando de ser cidadãos de uma grande potência e as consequências podem ser muito difíceis de lidar para todos nós." 

A fala alterna momentos de alegria e frustração, e defende seu legado. Gorbachev reivindica ter colocado a URSS no "caminho da democracia" e levado o regime comunista "rumo à economia de mercado". Afirma que os povos da URSS estão "vivendo em um novo mundo" com o "fim da Guerra Fria e da corrida armamentista".

Mikhail Sergueievich Gorbachev ascende à liderança do Partido Comunista da URSS em 11 de março de 1985, depois de uma longa era de estagnação econômica sob Leonid Brejnev (1964-82) e os breves governos de Iúri Andropov (1982-84) e Konstantin Chernenko (1984-85).

É uma mudança de gerações na URSS. Convencido da obsolescência do regime, promove uma abertura política, a glasnost (transparência), e uma reforma econômica, a perestroika (reestruturação).

Gorbachev estabelece o diálogo com o Ocidente e negocia com os presidentes dos Estados Unidos Ronald Reagan e George Bush acordos de desarmamento que acabam com a Guerra Fria, a confrontação estratégica, econômica, científica, tecnológica e militar entre as duas superpotências que dominam a segunda metade do século 20.

As reformas libertam presos políticos, acabam com a censura e permitem a investigação dos crimes cometidos pelo regime comunista. Desagradam tanto à velha guarda do regime quanto aos reformistas radicais como Boris Yeltsin, que querem de acelerar o processo.

Em agosto de 1991, quando está em férias na Crimeia, Gorbachev sobrevive a uma tentativa de golpe da linha-dura. Quem lidera a resistência é Yeltsin, primeiro presidente eleito democraticamente da história da Rússia. O líder soviético volta enfraquecido. O poder passa para Yeltsin, que tem a legitimidade do voto popular, coloca o Partido Comunista na ilegalidade e dissolve a URSS.

ESTE BLOG DEPENDE DA AJUDA DE SEUS LEITORES. CONTRIBUIÇÕES VIA PIX PELO CNPJ 25.182.225/0001-37

terça-feira, 26 de agosto de 2025

Putin ainda aposta em vitória total na Ucrânia

 Dez dias depois do fracassado encontro de cúpula em que tirou o ditador Vladimir Putin do isolamento, o presidente Donald Trump deu novo prazo de duas semanas para a Rússia aceitar um cessar-fogo e acabar com a guerra de agressão contra a Ucrânia. Mas nada indica que vá exercer uma pressão real sobre o Kremlin.

Trump saiu do encontro com Putin dizendo que o ditador russo estava disposto a se reunir com o presidente Volodymyr Zelensky e a aceitar que países ocidentais deem garantias de segurança à Ucrânia. Isso foi desmentido pelo ministro do Exterior russo, Serguei Lavrov.

A Ucrânia, por sua vez, reafirmou que não pretende ceder territórios ocupados numa guerra de agressão e de conquista, ilegal à luz do direito internacional e da Carta das Nações Unidas.

Putin é frio e calculista. Aposta que a Ucrânia não vai resistir muito mais tempo a uma guerra de atrito. Só aceita a paz se conseguir mais do que conquistou no campo de batalha, abrindo o caminho para uma futura ofensiva que lhe permite tomar todo o país vizinho. Caso contrário, só vai parar a guerra se concluir que tem mais a perder do que a ganhar.

segunda-feira, 23 de junho de 2025

Trump anuncia trégua entre Israel e Irã após ataque a base dos EUA

 Depois de um ataque iraniano com seis mísseis balísticos sem maiores consequências à base aérea de Al Udeid (foto), em Doha, no Catar, a maior instalação militar dos Estados Unidos no Oriente Médio, o presidente Donald Trump anunciou uma trégua entre Israel e o Irã. A resposta revela a debilidade estratégica do regime teocrático iraniano.

Em tom triunfalista e hiperbólico, Trump declarou numa rede social às 18h em Washington (19h em Brasília) que é o fim da Guerra dos Doze Dias: "Esta é uma guerra que poderia durar anos e destruir o Oriente Médio inteiro, mas não destruiu e nunca vai."

O Catar intermediou a negociação com o Irã depois de alertar que tinha o direito de responder ao ataque a seu território. Trump disse que o Irã avisou antes. Depois do bombardeio que não feriu ninguém, descrito em Teerã como "arrasador e poderoso", o Irã mandou um recado aos EUA através do Catar para dizer que não haveria mais ataques. A Casa Branca respondeu que não faria novos bombardeios e retomaria as negociações para um acordo nuclear.

O Irã queria o cessar-fogo e confirmou logo. Israel estava bombardeando Teerã, relutou um pouco e se preparou para se defender de novas barragens de mísseis antes da trégua entrar em vigor.

Como a trégua elimina o risco imediato de ataques a instalações petrolíferas ou de fechamento do Estreito de Ormuz, por onde passam 21% do petróleo consumido no mundo, os preços do petróleo caíram em cerca de US$ 10 para os níveis anteriores ao ataque de Israel em 13 de junho, abaixo de US$ 70 por barril.

Hoje foram reveladas imagens de caminhões perto da central nuclear de Fordo, bombardeada pelos EUA, num sinal de que o Irã retirou o urânio enriquecido e talvez alguns equipamentos antes do ataque.

Na manhã desta terça-feira, o ministro da Defesa israelense, Israel Katz, acusou o Irã de violar o cessar-fogo. Trump reagiu furioso. O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, declarou que "a guerra acabou". 

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou: "Conquistamos uma vitória histórica que vai resistir ao teste do tempo. Removemos duas ameaças existenciais: a ameaça de aniquilação por bombas nucleares e e ameaça de aniquilação por 20 mil mísseis balísticos [o Irã tinha cerca de 3 mil antes da guerra]. (...) Os EUA se juntaram ao nosso lado de maneira sem precedentes e destruíram a instalação subterrânea de enriquecimento [de urânio] de Fordo."

A primeira avaliação da inteligência norte-americana é que as instalações nucleares bombardeadas na sexta-feira não foram totalmente destruídas e atrasaram o programa nuclear do Irã em poucos meses.

quinta-feira, 20 de março de 2025

Planos de paz de Trump não avançam

A Rússia rejeitou a proposta de trégua do presidente Donald Trump, e Israel voltou a bombardear a Faixa de Gaza e retomou a operação terrestre na guerra contra o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas), que contra-atacou com foguetes. Mais de 400 pessoas morreram em Gaza. As Forças Armadas de Israel abateram um míssil dos hutis do Iêmen.

São duas guerras que Trump prometeu acabar durante a campanha e afirmou que nem teriam começado se ele fosse o presidente. Antes de tomar posse, Trump conseguiu pressionar o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, a aceitar uma proposta de trégua para troca de reféns israelenses por prisioneiros palestinos feita pelo governo Joe Biden em maio do ano passado. Mas as negociações para a segunda fase do acordo, que previam a libertação de todos os reféns e o fim da guerra fracassaram.

Diante do triunfalismo do Hamas nas cerimônias de troca de reféns por presos, mostrando determinação de continuar sendo uma força dominante na Faixa de Gaza, Netanyahu decidiu reiniciar a guerra para atingir o objetivo de destruir a máquina militar do Hamas.

Já o ditador russo, Vladimir Putin, para não admitir que rejeitou totalmente a proposta de Trump, prometeu parar os ataques contra a infraestrutura de energia da Ucrânia, mas nem isso fez. Putin quer conquistar nas negociações o que não conseguiu no campo de batalha. Confia em manipular Trump, que acredita ser capaz de conquistar um ex-agente da polícia política da União Soviética numa relação pessoal.

quarta-feira, 25 de dezembro de 2024

Hoje na História do Mundo: 25 de Dezembro

 DATA DO NASCIMENTO DE JESUS

    Em 221, o historiador cristão Sexto Júlio Africano identifica esta data pela primeira vez como o dia do nascimento de Jesus, que já era comemorado antes.

Sexto Júlio Africano nasce em Jerusalém, na Judeia, parte do Império Romano, em 160. Ele viaja à Grécia e a Roma, e vai estudar em Alexandria. Escreve em grego, latim e hebraico. É uma influência importante para Eusébio da Cesareia e para os padres que escrevem a história da Igreja Católica.

A Suda, uma enciclopédia do Império Bizantino do século 10, o descreve como um "filósofo líbio". O historiador alemão Heinrich Gelzer diz que ele tinha ascendência romana e etíope.

IMPERADOR CARLOS MAGNO

    Em 800, Carlos Magno, rei dos francos, é coroado primeiro imperador do Sacro Império Romano-Germânico.

Carlos Magno nasce em 2 de abril em 742, 747 ou 748. Há dúvidas sobre o ano. É filho de Pepino, o Breve, e de Berta Laon. O pai se torna rei dos francos em 751 ao derrotar o último rei merovíngio. Carlos herda o trono com a morte do pai, em 768. Inicialmente, divide o poder com o irmão Carlomano I, que morre em 771. A partir daí, se torna no único governante.

Pela força da espada, Carlos Magno cria o primeiro império que domina boa parte da Europa Ocidental depois da queda do Império Romano do Ocidente, em 476. Por isso, é chamado de Pai da Europa e da União Europeia. Seguindo um acordo do pai com o Vaticano, vira defensor dos papas e intervém na Lombardia. Em 774, se torna rei dos lombardos.

No Natal de 800, o Papa Leão III o coroa imperador dos romanos na Antiga Basílica de São Pedro, em Roma. Ele reina até a morte, em 814. Está enterrado na Catedral de Aachen, a capital do Sacro império na época. 

CONQUISTA NORMANDA

    Em 1066, Guilherme, Duque da Normandia, é coroado rei da Inglaterra como Guilherme I, consolidando a Conquista Normanda.

Guilherme, o Bastardo, descendente de invasores vikings, nasce por volta de 1028 em Falaise, na Normandia. É considerado um dos grandes guerreiros da Idade Média. Nobre mais poderoso da França, muda a história da Inglaterra com a Invasão Normanda.

Filho ilegítimo de Roberto I, Duque da Normandia, que não tem outros filhos, Guilherme é seu sucessor. Com a morte do pai, em 1035, aos sete anos, Guilherme vira Duque da Normandia.

Em 1051, ele teria visitado o rei Eduardo, o Confessor, seu primo, que não tinha filhos e teria lhe prometido o trono da Inglaterra. Mas, no seu leito de morte, Eduardo muda de ideia e oferece o trono a Haroldo Godwinson, filho da família mais rica da Inglaterra, mais poderoso do que o próprio rei.

Quando Eduardo morre e Haroldo é proclamado sucessor, Guilherme não aceita e prepara a invasão. Haroldo II também enfrenta o rei Haroldo III, da Noruega, e o próprio irmão, Tostigo, que unem forças e invadem a Inglaterra vindo da Escócia.

Haroldo II vence e mata os dois na Batalha de Stamford Bridge, em 25 de setembro de 1066. Ao fazer isso, deixa desguarnecido o Canal da Mancha. Três dias depois, Guilherme desembarca em Pevensey com 7 a 12 mil homens, a metade arqueiros e cavaleiros.

Então, Haroldo marcha para o Sul com um exército de 5 a 13 mil homens, quase todos soldados de infantaria. A Batalha de Hastings começa às nove da manhã e vai até o anoitecer. A morte de Haroldo II sela a derrota dos anglo-saxões. Estima-se que tenham morrido 2 mil homens de cada lado. Nunca mais um anglo-saxão ocupa o trono da Inglaterra.

Guilherme I é coroado no Natal de 1066 na Abadia de Westminster, dando início à Dinastia Normanda. A Conquista Normanda é consolidada com a expropriação das terras dos ingleses, entregues a seus aliados do continente, e o expurgo dos ingleses da Igreja e de altos cargos governamentais. Muitos anglo-saxões fogem para a Escócia, a Irlanda e a Escandinávia.

A língua inglesa, uma mistura do francês antigo, do latim e de línguas germânicas dos anglo-saxões, é fruto da Conquista Normanda.

Outra consequência é a formação de um reino que ia da Inglaterra à Normandia, no Norte da França, e que mais tarde incluiria a Aquitânia, levando o rei da Inglaterra a reivindicar várias vezes a coroa francesa, como na Guerra dos Cem Anos (1337-1453).

Só em 1801, no início da era de Napoleão Bonaparte, o então Reino Unido da Grã-Bretanha e da Irlanda abre mão da reivindicação de soberania sobre a França, inclusive porque o imperador da França poderia reivindicar a coroa britânica. Napoleão só não invade a Inglaterra porque a Marinha Real britânica sob o comando do almirante Horácio Nelson vence os franceses nas batalhas de Abukir (1799) e Trafalgar (1805).

A França e o Reino Unido se tornam aliados ao formar a Entente Cordiale em 8 de abril de 1904.

 TRÉGUA DE NATAL

    Em 1914, durante a Primeira Guerra Mundial (1914-18), pouco depois da meia-noite, os soldados da Alemanha param de atirar e começam a cantar músicas de Natal ouvidas pelos inimigos da França, do Reino Unido e da Rússia. Ao amanhecer, saem desarmados das trincheiras e se aproximam das linhas aliadas desejando "Feliz Natal" nas línguas dos inimigos.

De início, os aliados temem uma emboscada. Vendo o inimigo desarmado, saem das trincheiras e cumprimentam os alemães. Eles trocam presentes como cigarros e doces, entoam canções natalinas e jogam futebol na terra de ninguém entre as trincheiras de um lado e outro.

Em 1915, a guerra atinge toda sua fúria e a trégua de Natal torna-se impensável.

GORBACHEV RENUNCIA

    Em 1991, o líder reformista Mikhail Gorbachev anuncia sua renúncia à Presidência da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), uma decisão que marca o fim da pátria do comunismo.

Quatro dias antes, 11 das 15 repúblicas soviéticas criam a Comunidade de Estados Independentes (CEI), tirando o poder que ele ainda tinha. A URSS está condenada desde que as três repúblicas eslavas (Rússia, Bielorrússia e Ucrânia), o núcleo central do país, assinam o Acordo de Minsk, a capital bielorrussa, em 8 de dezembro de 1991, para deixar a união.

No discurso de despedida, Gorbachev é profético. Manifesta "preocupação com o fato de que os cidadãos deste país estão deixando de ser cidadãos de uma grande potência e as consequências podem ser muito difíceis de lidar para todos nós." 

A fala alterna momentos de alegria e frustração, e defende seu legado. Gorbachev reivindica ter colocado a URSS no "caminho da democracia" e levado o regime comunista "rumo à economia de mercado". Afirmou que os povos da URSS estavam "vivendo em um novo mundo" com o "fim da Guerra Fria e da corrida armamentista".

Mikhail Sergueievich Gorbachev ascende à liderança do Partido Comunista da URSS em 11 de março de 1985, depois de uma longa era de estagnação econômica sob Leonid Brejnev (1964-82) e os breves governos de Iúri Andropov (1982-84) e Konstantin Chernenko (1984-85).

É uma mudança de gerações na URSS. Convencido da obsolescência do regime, promove uma abertura política, a glasnost (transparência), e uma reforma econômica, a perestroika (reestruturação).

Gorbachev estabelece o diálogo com o Ocidente e negocia com os presidentes dos Estados Unidos Ronald Reagan e George Bush acordos de desarmamento que acabam com a Guerra Fria, a confrontação estratégica, econômica, científica, tecnológica e militar entre as duas superpotências que dominaram a segunda metade do século 20.

As reformas libertam presos políticos, acabam com a censura e permitem a investigação dos crimes cometidos pelo regime comunista. Desagradam tanto à velha guarda do regime quanto aos reformistas radicais como Boris Yeltsin, que gostariam de acelerar o processo.

Em agosto de 1991, quando está em férias na Crimeia, Gorbachev sobrevive a uma tentativa de golpe da linha-dura. Quem lidera a resistência é Yeltsin, primeiro presidente eleito democraticamente da história da Rússia. Volta enfraquecido e o poder passa para Yeltsin, primeiro presidente da Rússia eleito pelo voto popular, que coloca o Partido Comunista na ilegalidade e dissolve a URSS.

quinta-feira, 17 de outubro de 2024

Morte de Sinwar cria oportunidade de acabar guerra em Gaza

 Israel atingiu um de seus objetivos na guerra. Matou os três principais líderes do Movimento de Resistência Islâmica (Hamas): o líder político, Ismail Haniya; o comandante militar, Mohamed Deif; e agora o líder na Faixa de Gaza, Yahya Sinwar, principal responsável pelo ataque terrorista de 7 de outubro de 2023, morte anunciada hoje. 

É uma oportunidade para Israel declarar vitória e retomar as negociações para cessar-fogo e trocar reféns israelenses por presos palestinos, mas o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu insiste em continuar a guerra, a não ser que o Hamas se renda.

O chefe de governo de Israel festejou a morte como uma "vitória do bem contra o mal" e o fim do domínio do Hamas sobre Gaza. Ele afirmou que os milicianos que ainda mantêm reféns israelenses têm uma chance de libertá-los para salvar suas vidas. E acrescentou que a libertação dos reféns tornaria o fim da guerra mais próximo: "Esta guerra pode acabar amanhã, se o Hamas depuser as armas e entregar os reféns."

Sinwar foi morto na quarta-feira durante uma patrulha de rotina que viu suspeitos entrando num edifício, o bombardeou com tanques e fez uma inspeção com drones que localizaram o terrorista, mas sua identidade só foi descoberta no dia seguinte.

Nos Estados Unidos, o presidente Joe Biden, que há meses tenta negociar uma trégua para troca de reféns por presos, declarou que é um "bom dia" para Israel para os EUA e para o mundo, e uma oportunidade para um acordo de paz definitivo que dê "um futuro melhor a israelenses e palestinos": "É hora de acabar com a guerra e de trazer os reféns de volta para casa", disse Biden.

O presidente da França, Emmanuel Macron, também pediu um cessar-fogo em Gaza e o fim da ofensiva de Israel no Líbano, uma antiga colônia francesa.

A proposta defendida pelos EUA e países árabes aliados prevê uma trégua para a libertação dos reféns em troca de garantias de vida para os milicianos que os entregarem e do reinício das negociações no Cairo para acabar com a guerra.

segunda-feira, 4 de março de 2024

Israel concorda com trégua mas não vai à negociação

 Israel concordou em princípio com um cessar-fogo de seis semanas, anunciaram os Estados Unidos de semana, mas o governo Benjamin Netanyahu não enviou uma delegação para as negociações realizadas no Cairo porque o grupo terrorista Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) não entregou uma lista com os nomes dos reféns vivos.

O Hamas quer um cessar-fogo permanente e o fim da guerra, mas estaria disposto a aceitar uma trégua temporária. Israel quer continuar a guerra até destruir a máquina militar do Hamas. Só aceita uma trégua temporária.

Num sinal do crescente desentendimento entre os governos dos EUA e de Israel, o ex-primeiro-ministro, ex-ministro da Defesa e ex-comandante militar israelense, general Benny Gantz, visita Washington hoje e amanhã sem a autorização de Netanyahu. Isso indica que os EUA procuram outro interlocutor em Israel. Gantz fazia oposição e aderiu ao gabinete de guerra para formar um governo de união nacional.

Os EUA querem uma trégua antes do início do Ramadã, o mês sagrado do calendário muçulmano, que neste ano começa na noite de 10 de março. Um cessar-fogo é fundamental para levar ajuda em grande escala para combater a tragédia humanitária na Faixa de Gaza.

quinta-feira, 29 de fevereiro de 2024

Total de mortos na guerra em Gaza passa de 30 mil

Enquanto as negociações para uma trégua avançam lentamente, o total de mortos na guerra de Israel na Faixa de Gaza ultrapassou 30 mil, mais da metade mulheres e menores de idade.

A última proposta em discussão é de uma trégua de seis semanas em que 40 reféns israelenses, mulheres, menores, doentes e idosos seriam trocados por 400 prisioneiros palestinos. Na primeira trégua, no fim de novembro, 110 reféns foram trocados por 240 presos. Agora, os grupos terroristas exigiram 10 presos por refém. 

Israel pode vetar alguns nomes da lista apresentada pelos terroristas, mas deve se retirar de áreas de Gaza para permitir a volta da população. O problema é que a maioria das casas foi destruída ou danificada.

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, quer uma trégua logo, se possível o início do fim da guerra. Biden venceu na terça-feira a eleição primária no estado de Michigan, que tem uma grande comunidade árabe

A Suprema Corte dos EUA decidiu examinar se o ex-presidente Donald Trump tem direito a imunidade por atos cometidos no exercício do cargo. É uma jogada de Trump para adiar julgamentos, se possível até depois da eleição de 5 de novembro.

A declaração do presidente Emmanuel Macron de que não se pode descartar o envio de tropas à Ucrânia "porque a Rússia não pode vencer" provocou forte reação do Kremlin, que declarou que isso iniciaria uma guerra com a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). Macron indicou que a Europa deve se preparar para a guerra e que o inimigo é o ditador russo, Vladimir Putin.

terça-feira, 27 de fevereiro de 2024

Biden espera trégua em Gaza dentro de uma semana

Em tom exageradamente otimista, o presidente Joe Biden previu que uma trégua entre Israel e o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) comece dentro de uma semana para a troca de reféns israelenses por presos palestinos. As negociações estão realizadas agora no Catar. As duas partes reduziram as exigências.

Como parte de uma reforma da Autoridade Nacional Palestina para que assuma o governo da Faixa de Gaza depois da guerra, o governo palestino na Cisjordânia renunciou coletivamente.

No sábado, os israelenses fizeram o maior protesto contra o governo Benjamn Netanyahu desde o início da guerra, pedindo a libertação dos reféns, o fim da guerra e a realização de eleições para formar um novo governo.

Nos EUA, um soldado da Força Aérea se autoimolou diante da Embaixada de Israel em Washington num protesto contra a guerra.

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2024

Brasil condena ocupação "ilegal e inaceitável" de territórios palestinos

 Ao depor no processo em que a Corte Internacional de Justiça das Nações Unidas examina em Haia, na Holanda, a legalidade da ocupação de territórios árabes por Israel, o Brasil pediu ao tribunal que considere a "ocupação ilegal e inaceitável".

Com uma ampla maioria de 99 dos 120 deputados, o parlamento de Israel aprovou moção rejeitando o reconhecimento unilateral da independência de um Estado palestino, o que os Estados Unidos, a França e o Reino Unido cogitam fazer para pressionar Israel a fazer um acordo de paz definitivo.

Pela terceira vez, os EUA vetaram um projeto de resolução do Conselho de Segurança das ONU que pedia um cessar-fogo na Faixa de Gaza. A embaixadora norte-americana alegou que os EUA trabalham numa resolução que imponha uma trégua e a libertação de todos os reféns. Uma resolução sem prever as duas coisas atrapalharia as negociações realizadas no Cairo, a capital do Egito.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu hoje em Brasília o secretário de Estado norte-americano, Antony Blinken, que veio ao Brasil para uma reunião de ministro das Relações Exteriores do Grupo dos Vinte (G-20), que reúne as 19 maiores economias do mundo, a União Europeia e agora também a União Africana.

Blinken é judeu e o padrasto morreu no Holocausto, mas não comentou a crise diplomática entre o Brasil e Israel causada pela declaração de Lula comparando a guerra de Israel na Faixa de Gaza à morte de judeus pela Alemanha de Adolf Hitler.

terça-feira, 6 de fevereiro de 2024

EUA tentam destravar negociações sobre trégua e reféns

 O secretário de Estado norte-americano, Antony Blinken, chegou hoje ao Cairo para tentar encontrar uma solução para as negociações para uma trégua entre Israel e o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) com troca de reféns por presos. As posições de negociação são distante: o Hamas e outros grupos terrorista exigem o fim da guerra; Israel oferece uma trégua temporária.

As Nações Unidas autorizaram uma investigação independente da denúncia de Israel de que funcionários da Agência da ONU para Refugiados Palestinos participaram do ataque terrorista de 7 de outubro, que deflagrou a guerra. O inquérito deve ser concluído num mês.

Israel acredita que o líder do Hamas em Gaza, Yahya Sinwar, o homem mais procurado desta guerra, conseguiu fugir.

Um bombardeio de Israel ao Sul do Líbano matou três membros da milícia Amal e três milicianos do grupo extremista xiita Hesbolá (Partido de Deus).

Os rebeldes hutis do Iêmen atacam mais dois navios no Mar Vermelho.

Durante reunião do Conselho de Segurança da ONU, a China e a Rússia condenaram os bombardeios dos EUA ao Iraque e à Síria como violação da soberania nacional e da integridade territorial desses países. As EUA se vanlogriam de ter acertado 85% dos alvos no ataque para vingar a morte de três soldados norte-americanos na Jordânia.

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2024

Irã promete responder a "toda ameaça" dos EUA

 Num desafio aos Estados Unidos, o Irã declara que não quer a guerra, mas não vai fugir da luta. O presidente Joe Biden avisou que já decidiu como contra-atacar depois da morte de três soldados norte-americanos em ataque na Jordânia no domingo passado e prometeu punir quem armou a milícia responsável pelo bombardeio.

“Ouvimos ameaças de altos funcionários dos EUA de ataques ao Irã. Já nos testaram e nos conhecemos. Não vamos deixar nenhuma ameaça sem resposta. Não queremos a guerra, mas não temos medo dela”, declarou o comandante da Guarda Revolucionária Iraniana, general Hossein Salami.

Nem os EUA nem o Irã quer a guerra, mas o risco de acidentes, erros de cálculos e escaladas inesperadas sempre existe.

A estratégia de dissuasão de Washington não funcionou até agora porque as milícias financiadas, treinados e armadas pelo Irã ganham prestígio, apoio político e mais recursos ao enfrentar os EUA. Mas a trégua anunciada pelo grupo iraquiano Kataib Hesbolá (Batalhões do Partido de Deus), acusado pelo Pentágono pelo ataque, indica que sofreu pressões do Irã e do Iraque.

Essas milícias que ameaçam a segurança internacional, grupos armados não estatais, têm alguma autonomia, mas dependem de países para receber armas, dinheiro, cobertura diplomática e proteção.

A melhor maneira de conter o risco de uma grande conflagração no Oriente Médio é acabar com a guerra inicial entre Israel e o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas). O líder supremo do Hamas, Ismail Haniya, é esperado no Cairo para acelerar as negociações para um cessar-fogo e a troca de reféns israelenses por presos palestinos, a esperança de início do fim da guerra.

quarta-feira, 31 de janeiro de 2024

Biden tomou decisão de atacar e milícia suspeita anuncia trégua

 O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, avisou ontem que está pronto para contra-atacar depois da morte de três soldados norte-americanos numa base militar na Jordânia na madrugada de domingo e incluiu entre os alvos o país que fabricou o drone: o Irã. Deve bombardear bases da Guarda Revolucionária Iraniana, provavelmente em outros países, sem alvejar o território do Irã, e a milícia iraquiana responsável pelo ataque. Um porta-voz da Casa Branca falou em "múltiplas ações".

Em uma tentativa de se esquivar, a milícia que o Departamento da Defesa dos EUA considera responsável, o grupo Kataib Hesbolá (Batalhões do Partido de Deus) anunciou uma trégua, mas não será poupado. O objetivo dos EUA é reduzir a capacidade ofensiva do grupo e matar seus líderes.

Um cessar-fogo na Faixa de Gaza e a libertação dos reféns israelenses podem começar na próxima semana, noticiou o jornal árabe Al Araby al-Jadeed, editado em Londres. Mas pelo menos nas declarações oficiais, as diferenças ainda são grandes.

O líder máximo do Movimento de Resistência Islâmica (Hamas), Ismail Haniya, está examinando as propostas discutidas no fim de semana em Paris pelos EUA, Israel, o Egito e o Catar, mas insiste no fim da guerra, na retirada total de Israel e no fim do cerco a Gaza.

Por outro lado, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu rejeita o fim da guerra, a retirada de Israel e a libertação de milhares de prisioneiros palestinos, especialmente os mais perigosos, mas pode ser desautorizado pelos ex-comandantes militares Benny Gantz e Gadi Eisenkot, membros do gabinete de guerra.

domingo, 28 de janeiro de 2024

EUA esperam nova trégua entre Israel e Hamas em duas semanas

 As negociações para uma nova trégua de até 60 dias entre Israel e o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas), com a libertação de reféns israelenses e prisioneiros palestinos, estão mais perto de um acordo. 

Negociadores dos Estados Unidos, do Egito, de Israel e do Catar se reúnem hoje em Paris. A expectativa é que o acordo seja fechado dentro de duas semanas. Pode ser o início do fim da guerra.

Um anteprojeto prevê uma trégua de dois meses. Nos primeiros 30 dias, seriam libertados os idosos, as mulheres e os doentes. Numa segunda fase, de 30 mais dias, seriam soltos os soldados e os civis. Nas duas etapas, seria libertado num número não especificado de palestinos presos em Israel.

Nos últimos dias, o presidente Joe Biden falou com o primeiro-ministro do Catar, xeique Mohamed ben Abdulrahman al-Thani, e com o ditador do Egito, Abdel Fattah al-Sissi. Eles prometeram fazer todos os esforços para conseguir uma trégua longa, que também serviria para levar mais ajuda humanitária a toda a Faixa de Gaza.

Mais países suspenderam as contribuições à Agência das Nações Unidas para Refugiados Palestinos depois que 12 funcionários foram acusados de participar do ataque terrorista de 7 de outubro a Israel. O secretário-geral da ONU, António Guterres, e o diretor da agência, Philippe Lazzarini, fizeram um apelo para que não cortem a ajuda porque a agência tem milhares de funcionários e é fundamental para diminuir a tragédia humanitária na Faixa de Gaza.

sexta-feira, 26 de janeiro de 2024

Israel e Hamas acertam princípios uma trégua, diz jornal israelense

 Em negociações no Cairo, Israel e o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas), responsável pelo ataque terrorista de 7 de outubro, teriam chegado a um acordo sobre os "princípios básicos" de uma trégua de de 35 dias para libertar todos os reféns israelenses por prisioneiros palestinos, informou o jornal liberal israelense Haaretz. A notícia não foi confirmada.

Até agora, as posições de negociações pareciam inconciliáveis. O Hamas exigia o fim da guerra e Israel um cessar-fogo temporário. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, chegou a atacar o Catar, que negocia pelo Hamas.

Com 110 dias de guerra completados ontem, apesar dos esforços para evitar sua expansão, o conflito no Oriente Médio envolve diretamente 10 países e o povo palestino. Qualquer acordo durável exige um compromisso envolvendo Israel, o Egito, a Jordânia, o Catar, a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos, sob a liderança dos Estados Unidos, o aliado mais confiável de Israel.

O maior risco de ampliação conflito vem do Líbano, onde Israel bombardeou ontem um aeroporto a 20 quilômetros da fronteira sob o pretexto de que era usado pela milícia extremista xiita libanesa Hesbolá (Partido de Deus) e o Irã para atacar o território israelense. Israel deu um prazo até o fim do mês para a retirada do Hesbolá da fronteira. Quer estabelecer uma zona de segurança no Sul do Líbano.

Nesta sexta-feira, a Corte Internacional de Justiça das Nações Unidas (CIJ) deve anunciar se aceita a denúncia de genocídio apresentada pela África do Sul contra Israel e se vai tentar impor medidas preliminares, inclusive ordenar o fim da guerra, antes do julgamento de mérito, que pode levar anos.

terça-feira, 23 de janeiro de 2024

Israel propõe trégua de dois meses para libertar reféns

Numa tentativa de libertar todos os reféns, Israel propôs uma trégua de dois meses e a saída livre dos líderes do Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) da Faixa de Gaza. A trégua mais longa oferecida desde o início da guerra é uma tentativa do governo Benjamin Netanyahu de recuperar o apoio interno. O Hamas ainda não respondeu. Estava exigindo o fim da guerra e a libertação de todos os palestinos presos em Israel para soltar os reféns.

Enquanto oferece uma trégua, Israel trava a batalha mais violenta da guerra, em Khan Yunes, a maior cidade do Sul de Gaza. No dia mais sangrento da guerra neste ano, 21 soldados israelenses morreram quando instalavam explosivos para demolir dois edifícios no Centro do território palestino.

Na frente norte, Israel propôs uma trégua de 48 horas à milícia extremista xiita libanesa Hesbolá (Partido de Deus). Se o Hesbolá não aceitar, Israel ameaça intensificar a guerra. Um oficial da milícia disse ao jornal libanês L'Orient Le-Jour que Israel está blefando porque não condições de travar uma guerra de alta intensidade em duas frentes.

Os Estados Unidos e o Reino Unido fizeram um bombardeio com oito ondas de ataque no território do Iêmen à milícia huti Ansar Alá (Partidários de Deus), que ataca navios no Mar Vermelho e no Golfo de Áden.

segunda-feira, 25 de dezembro de 2023

Hoje na História do Mundo: 25 de Dezembro

DATA DO NASCIMENTO DE JESUS

    Em 221, o historiador cristão Sexto Júlio Africano identifica esta data pela primeira vez como o dia do nascimento de Jesus, que já era comemorado antes.

Sexto Júlio Africano nasce em Jerusalém, na Judeia, parte do Império Romano, em 160. Ele viaja à Grécia e a Roma, e vai estudar em Alexandria. Escreve em grego, latim e hebraico. É uma influência importante para Eusébio da Cesareia e para os padres que escrevem a história da Igreja Católica.

A Suda, uma enciclopédia do Império Bizantino do século 10, o descreve como um "filósofo líbio". O historiador alemão Heinrich Gelzer diz que ele tinha ascendência romana e etíope.

IMPERADOR CARLOS MAGNO

    Em 800, Carlos Magno, rei dos francos, é coroado primeiro imperador do Sacro Império Romano-Germânico.

Carlos Magno nasce em 2 de abril em 742, 747 ou 748. Há dúvidas sobre o ano. É filho de Pepino, o Breve, e de Berta Laon. O pai se torna rei dos francos em 751 ao derrotar o último rei merovíngio. Carlos herda o trono com a morte do pai, em 768. Inicialmente, divide o poder com o irmão Carlomano I, que morre em 771. A partir daí, se torna no único governante.

Pela força da espada, Carlos Magno cria o primeiro império que domina boa parte da Europa Ocidental depois da queda do Império Romano do Ocidente, em 476. Por isso, é chamado de Pai da Europa e da União Europeia. Seguindo um acordo do pai com o Vaticano, vira defensor dos papas e intervém na Lombardia. Em 774, se torna rei dos lombardos.

No Natal de 800, o Papa Leão III o coroa imperador dos romanos na Antiga Basílica de São Pedro, em Roma, e reina até a morte, em 814. Está enterrado na Catedral de Aachen, a capital do Sacro império. 

CONQUISTA NORMANDA

    Em 1066, Guilherme, Duque da Normandia, é coroado rei da Inglaterra como Guilherme I, consolidando a Conquista Normanda.

Guilherme, o Bastardo, descedente de invasores vikins, nasce por volta de 1028 em Falaise, na Normandia. É considerado um dos grandes guerreiros da Idade Média. Nobre mais poderoso da França, muda a história da Inglaterra com a invasão normanda.

Filho ilegítimo de Roberto I, Duque da Normandia, que não tem outros filhos, Guilherme é seu sucessor. Com a morte do pai, em 1035, aos sete anos, Guilherme vira Duque da Normandia.

Em 1051, ele teria visitado o rei Eduardo, o Confessor, seu primo, que não tinha filhos e teria lhe prometido o trono da Inglaterra. Mas, no seu leito de morte, Eduardo muda de ideia e oferece o trono a Haroldo Godwinson, filho da família mais rica da Inglaterra, mais poderoso do que o próprio rei.

Quando Eduardo morre e Haroldo é proclamado sucessor, Guilherme não aceita e prepara a invasão. Haroldo II também enfrenta o rei Haroldo III, da Noruega, e o próprio irmão, Tostigo, que unem forças e invadem a Inglaterra vindo da Escócia.

Haroldo II vence e mata os dois na Batalha de Stamford Bridge, em 25 de setembro. Ao fazer isso, deixa desguarnecido o Canal da Mancha. Três dias depois, Guilherme desembarca em Pevensey com 7 a 12 mil homens, a metade arqueiros e cavaleiros.

Então, Haroldo marcha para o Sul com um exército de 5 a 13 mil homens, quase todos soldados de infantaria. A Batalha de Hastings começa às nove da manhã e vai até o anoitecer. A morte de Haroldo II sela a derrota dos anglo-saxões. Estima-se que tenham morrido 2 mil homens de cada lado. Nunca mais um anglo-saxão ocupou o trono da Inglaterra.

Guilherme I é coroado no Natal de 1066 na Abadia de Westminster, dando início à Dinastia Normanda. A Conquista Normanda é consolidada com a expropriação das terras dos ingleses, entregues a seus aliados do continente, e o expurgo dos ingleses da Igreja e de altos cargos governamentais. Muitos anglo-saxões fogem para a Escócia, a Irlanda e a Escandinávia.

A língua inglesa, uma mistura do francês antigo, do latim e de línguas germânicas dos anglo-saxões, é fruto da Conquista Normanda.

Outra consequência é a formação de um reino que ia da Inglaterra à Normandia, no Norte da França, e que mais tarde incluiria a Aquitânia, levando o rei da Inglaterra a reivindicar várias vezes a coroa francesa, como na Guerra dos Cem Anos (1337-1453).

Só em 1801, no início da era de Napoleão Bonaparte, o então Reino Unido da Grã-Bretanha e da Irlanda abre mão da reivindicação de soberania sobre a França, inclusive porque o imperador da França poderia reivindicar a coroa britânica. Napoleão só não invade a Inglaterra porque a Marinha Real britânica sob o comando do almirante Horácio Nelson vence os franceses nas batalhas de Abukir (1799) e Trafalgar (1805).

A França e o Reino Unido se tornam aliados ao formar a Entente Cordiale em 8 de abril de 1904.

 TRÉGUA DE NATAL

    Em 1914, durante a Primeira Guerra Mundial (1914-18), pouco depois da meia-noite, os soldados da Alemanha param de atirar e começam a cantar músicas de Natal ouvidas pelos inimigos da França, do Reino Unido e da Rússia. Ao amanhecer, saem desarmados das trincheiras e se aproximam das linhas aliadas desejando "Feliz Natal" nas línguas dos inimigos.

De início, os aliados temem uma emboscada. Vendo o inimigo desarmado, saem das trincheiras e cumprimentam os alemães. Eles trocam presentes como cigarros e doces, entoam canções natalinas e jogam futebol na terra de ninguém entre as trincheiras de um lado e outro.

Em 1915, a guerra atinge toda sua fúria e a trégua de Natal torna-se impensável.

GORBACHEV RENUNCIA

    Em 1991, o líder reformista Mikhail Gorbachev anuncia sua renúncia à Presidência da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), uma decisão que marca o fim da pátria do comunismo.

Quatro dias antes, 11 das 15 repúblicas soviéticas criam a Comunidade de Estados Independentes (CEI), tirando o poder que ele ainda tinha. A URSS está condenada desde que as três repúblicas eslavas (Rússia, Bielorrússia e Ucrânia), o núcleo central do país, assinam o Acordo de Minsk, a capital bielorrussa, em 8 de dezembro de 1991, para deixar a união.

No discurso de despedida, Gorbachev é profético. Manifesta "preocupação com o fato de que os cidadãos deste país estão deixando de ser cidadãos de uma grande potência e as consequências podem ser muito difíceis de lidar para todos nós." 

A fala alterna momentos de alegria e frustração, e defende seu legado. Gorbachev reivindica ter colocado a URSS no "caminho da democracia" e levado o regime comunista "rumo à economia de mercado". Afirmou que os povos da URSS estavam "vivendo em um novo mundo" com o "fim da Guerra Fria e da corrida armamentista".

Mikhail Sergueievich Gorbachev ascende à liderança do Partido Comunista da URSS em 11 de março de 1985, depois de uma longa era de estagnação econômica sob Leonid Brejnev (1964-82) e os breves governos de Iúri Andropov (1982-84) e Konstantin Chernenko (1984-85).

É uma mudança de gerações na URSS. Convencido da obsolescência do regime, promove uma abertura política, a glasnost (transparência) e uma reforma econômica, a perestroika (reestruturação).

Ele estabelece o diálogo com o Ocidente e negocia com os presidentes dos Estados Unidos Ronald Reagan e George Bush acordos de desarmamento que acabam com a Guerra Fria, a confrontação, estratégica, econômica, científica, tecnológica e militar entre as duas superpotências que dominaram a segunda metade do século 20.

As reformas libertam presos políticos, acabam com a censura e permitem a investigação dos crimes cometidos pelo regime comunista. Desagradam tanto à velha guarda do regime quanto aos reformistas radicais como Boris Yeltsin, que gostariam de acelerar o processo.

Em agosto de 1991, quando está em férias, Gorbachev sobrevive a uma tentativa de golpe da linha-dura. Quem lidera a resistência é Yeltsin, primeiro presidente eleito democraticamente da história da Rússia. Volta enfraquecido e o poder passa para Yeltsin, primeiro presidente da Rússia eleito pelo voto popular, que coloca o Partido Comunista na ilegalidade e dissolve a URSS.

quinta-feira, 30 de novembro de 2023

Israel e Hamas prorrogam trégua por mais um dia

 Na última hora, depois da hora marcada para o fim da trégua, o cessar-fogo em vigor desde 24 de novembro, na guerra entre Israel e o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) foi prorrogado por mais um dia em troca da libertação de mais 10 reféns israelenses e 30 prisioneiros palestinos.

Quinze minutos antes do fim da trégua, às 7h00 pela hora local (2h00 em Brasília), o Exército de Israel comunicou que a "pausa operacional" iria continuar para dar mais tempo às negociações. Meia hora depois, os Estados Unidos, o Catar e Israel anunciaram a extensão para trégua por um sétimo dia.

O Hamas queria mais quatro dias de trégua, mas houve um desentendimento em torno dos critérios para escolher os reféns a serem soltos. O líder do Hamas em Gaza, Yahya Sinwar, o comandante do grupo terrorista nesta guerra, quer negociar a libertação de seus guerreiros por soldados israelense.

A violência sexual cometida pelos terroristas no ataque de 7 de outubro deve ser objeto de um inquérito rigoroso, pediu ontem o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres. 

Quando a trégua acabar, Israel pretende retomar a guerra. Os EUA pedem contenção, ações localizadas e não uma ocupação total da Faixa de Gaza, que Israel considera necessária para eliminar a ameaça do Hamas. Meu comentário:

sábado, 25 de novembro de 2023

Hamas atrasa libertação de reféns no segundo dia de trégua

No segundo dia de uma trégua frágil, com 50 dias de guerra, o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) atrasou a libertação dos reféns alegando que Israel não autorizou a entrada de um número suficiente de caminhões de ajuda humanitária. Também reclamou dos presos palestinos escolhidos por Israel para libertação. Israel se nega a soltar presos acusados de assassinato.

 
Depois de algumas horas de negociações, 13 reféns israelenses e quatro tailandeses foram libertados em troca de 39 prisioneiros palestinos, quase todos adolescentes de até 18 anos, anunciaram o Exército de Israel e o Catar, que negocia pelo Hamas, noticiou o jornal francês Le Monde.

Hoje, devem ser libertados mais reféns e presos. Ao todo, em quatro dias de trégua, 50 reféns sequestrados no ataque terrorista de 7 de outubro a Israel e 150 prisioneiros palestinos devem ser soltos. Israel ofereceu mais um dia de trégua para cada grupo adicional de 10 reféns libertados, mas, em princípio, o cessar-fogo em Gaza termina na manhã de terça-feira.

Enquanto isso, oito palestinos foram mortos em 24 horas na Cisjordânia ocupada. Descie o início da guerra, pelo menos 230 palestinos foram mortos na Cisjordânia. 

O total de mortos na Faixa de Gaza não é atualizado pelas autoridades de saúde do Hamas desde quarta-feira. Está em 14.854 mortos, dos quais 6.150 eram crianças. Mais de 1,200 pessoas morreram no ataque terrorista do início da guerra. Israel estimou em 1.500 o número de terroristas mortos ao repetir o ataque. Meu.comentário:

domingo, 25 de dezembro de 2022

Hoje na História do Mundo: 25 de Dezembro

 TRÉGUA DE NATAL

    Em 1914, durante a Primeira Guerra Mundial (1914-18), pouco depois da meia-noite, os soldados da Alemanha param de atirar e começam a cantar músicas de Natal ouvidas pelos inimigos da França, do Reino Unido e da Rússia. Ao amanhecer, saem desarmados das trincheiras e se aproximam das linhas aliadas desejando "Feliz Natal" nas línguas dos inimigos.

De início, os aliados temem uma emboscada. Vendo o inimigo desarmado, saem das trincheiras e cumprimentam os alemães. Eles trocam presentes como cigarros e doces, entoam canções natalinas e jogam futebol na terra de ninguém entre as trincheiras de um lado e outro.

Em 1915, a guerra atinge toda sua fúria e a trégua de Natal torna-se impensável.

GORBACHEV RENUNCIA

    Em 1991, o líder reformista Mikhail Gorbachev anuncia sua renúncia à Presidência da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), uma decisão que marca o fim da pátria do comunismo.

Quatro dias antes, 11 das 15 repúblicas soviéticas criam a Comunidade de Estados Independentes (CEI), tirando o poder que ele ainda tinha. A URSS está condenada desde que as três repúblicas eslavas (Rússia, Bielorrússia e Ucrânia), o núcleo central do país, fazem um acordo em Minsk, a capital bielorrussa, em 8 de dezembro de 1991, para deixar a união.

No discurso de despedida, Gorbachev é profético. Manifesta "preocupação com o fato de que os cidadãos deste país estão deixando de ser cidadãos de uma grande potência e as consequências podem ser muito difíceis de lidar para todos nós." 

A fala alterna momentos de alegria e frustração, e defende seu legado. Gorbachev reivindica ter colocado a URSS no "caminho da democracia" e levado o regime comunista "rumo à economia de mercado". Afirmou que os povos da URSS estavam "vivendo em um novo mundo" com o "fim da Guerra Fria e da corrida armamentista".

Mikhail Sergueievich Gorbachev ascende à liderança do Partido Comunista da URSS em 11 de março de 1985, depois de uma longa era de estagnação econômica sob Leonid Brejnev (1964-82) e os breves governos de Iúri Andropov (1982-84) e Konstantin Chernenko (1984-85).

É uma mudança de gerações na URSS. Convencido da obsolescência do regime, promove uma abertura política, a glasnost (transparência) e uma reforma econômica a perestroika (reestruturação).

Ele estabelece o diálogo com o Ocidente e negocia com os presidentes dos Estados Unidos Ronald Reagan e George Bush acordos de desarmamento que acabam com a Guerra Fria, a confrontação, estratégica, econômica, científica, tecnológica e militar entre as duas superpotências que dominou a segunda metade do século 20.

As reformas libertam presos políticos, acabam com a censura e permitem a investigação dos crimes cometidos pelo regime comunista. Desagradam tanto à velha guarda do regime quanto aos reformistas radicais como Boris Yeltsin, que gostariam de acelerar o processo.

Em agosto de 1991, quando está em férias, sobrevive a uma tentativa de golpe da linha-dura. Quem lidera a resistência é Yeltsin, primeiro presidente eleito democraticamente da história da Rússia. Gorbachev volta enfraquecido e o poder passa para Yeltsin, que coloca o Partido Comunista na ilegalidade e dissolve a URSS.