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quarta-feira, 19 de agosto de 2026

Hoje na História do Mundo: 19 de Agosto

FRAGATA CONSTITUTION VENCE A MARINHA REAL

    Em 1812, durante a Guerra de 1812-15, em que o Império Britânico tenta recolonizar os EUA, a fragata USS Constitution ganha uma batalha naval contra a fragata Guerrière na costa da Nova Escócia, hoje parte do Canadá.

Feito de aço, o navio Constitution resiste ao bombardeio da Marinha Real. É uma das sete fragatas encomendadas em 1794 para proteger a marinha mercante norte-americana dos piratas do Oceano Atlântico. Com 62 metros e 50 canhões, é lançado ao mar em 21 de outubro de 1797.

Quando começa a Guerra de 1812-15, seis navios britânicos cercam o Constitution, que consegue escapar e encontra o Guerrière num confronto mano a mano a uns mil quilômetros de Boston. 

A batalha dura duas horas. O Constitution sai quase ileso, enquanto o navio inimigo perde o mastro e fica fora de combate. A vitória estimula a jovem república a enfrentar o maior império que o mundo já viu.

PRIMEIRA CORRIDA DE INDIANÁPOLIS

    Em 1909, é realizada a primeira corrida de automóveis no Autódromo de Indianápolis, onde é disputada uma das provas mais famosas do mundo, as 500 Milhas de Indianápolis.

O autódromo é construído numa área de 131 hectares situada a 8 km da capital do estado de Indiana para ser uma pista de provas da nascente indústria automobilística. A corrida cria uma competição direta entre diferentes marcas para ver qual é o melhor carro.

A primeira corrida, de apenas 8 km, é vencida pelo engenheiro austríaco Louis Schwitzer a uma velocidade média de 91,8 km/h, diante de 12 mil espectadores.

A pista, de pedregulhos e piche, revela-se um desastre. Rachada em alguns trechos, provoca acidentes que causam a morte de dois pilotos, dois mecânicos e dois espectadores.

Para atrair mais público, em 1911, os organizadores decidem realizar uma corrida longa, de 500 milhas (800 km). Desde então, as 500 Milhas de Indianápolis são disputadas todos os anos, menos em 1917-18 e 1942-45, quando os EUA estavam nas guerras mundiais.

TODO PODER A HITLER

    Em 1934, com quase 90% dos votos num referendo, Adolf Hitler confirma a unificação dos cargos de presidente e chanceler (primeiro-ministro) da Alemanha e assume poderes absolutos como Führer (Guia).

Artista plástico fracassado, Hitler luta como cabo na Primeira Guerra Mundial (1914-18). Sobrevive a bombardeios e a um ataque com armas químicas. Ao recobrar a consciência, no hospital, sabe que a Alemanha perdeu a guerra.

Líder do Partido Nacional-Socialista Trabalhista Alemão (Nazista), Hitler tenta dar um golpe de Estado na Baviera, o Golpe da Cervejaria, em 1923, em Munique. Preso, por sugestão de Rudolf Hess, escreve na cadeia o livro Mein Kampf (Minha Luta), seu manifesto político.

Os nazistas chegam ao poder em 30 de janeiro de 1933. Em 27 de fevereiro, incendeiam o Reichstag, o parlamento alemão, e acusam os comunistas. Hitler pede poderes especiais e ataca todas as outras correntes políticas.

Com a morte do presidente alemão, o marechal Paul von Hindenburg, em 2 de agosto de 1934, Hitler  unifica a chefia do Estado com a chefia de governo e convoca um plebiscito para confirmar seu poder absoluto.

GRANDE EXPURGO STALINISTA

    Em 1936, começa o primeiro julgamento do Grande Expurgo de velhos bolcheviques vistos pelo ditador Josef Stalin como críticos e rivais reais ou em potencial, em que seria condenado Lev Kamenev, que forma com Stalin e Grigory Zinoviev a primeira troika quando Vladimir Lenin fica doente em 1922.

O assassinato do rival e possível sucessor Serguei Kirov, em 1º de dezembro de 1934, serve de pretexto para o ditador iniciar a perseguição sistemática em grande escala a seus possíveis inimigos. Ao todo, pelo menos 750 mil pessoas são mortas no Grande Expurgo.

GOLPE CONTRA MOSSADEGH

    Em 1953, no primeiro golpe articulado pela CIA (Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos) durante a Guerra Fria, os militares do Irã derrubam o primeiro-ministro Mohammed Mossadegh, um nacionalista de esquerda que estatiza a companhia petrolífera Anglo-Iranian Oil, e restauram o poder do xá Reza Pahlevi.

Mossadegh, nomeado primeiro-ministro em 28 de abril de 1951, ataca as companhias britânicas que exploram o petróleo iraniano. Defende a expropriação e a nacionalização dos campos de petróleo. Isso o coloca em choque com a elite. Em 16 de julho de 1952, o xá o demite, mas é forçado a recuar sob pressão popular. Cinco dias depois, Mossadegh reassume a chefia do governo.

Com o golpe, o Irã passa a ser um firme aliado dos EUA na Guerra Fria, uma república secularista e ocidentalizada. É o país que mais recebe ajuda militar norte-americana até a Revolução Islâmica, em 1979, causada por um longo descontentamento contra a ditadura do xá, cuja polícia política, a Savak, é acusada por dezenas de milhares de mortes.

URSS CONDENA PILOTO ESPIÃO DOS EUA 

    Em 1960, a União Soviética condena a 10 anos de prisão o piloto norte-americano Francis Gary Powers, abatido ao fazer um voo de espionagem num avião U-2.

Powers sai do Paquistão em 1º de maio a bordo de um avião espião sofisticado U-2, fabricado pela Lockheed, uma grande empresa do complexo industrial militar. Pretende sobrevoar a URSS por mais de 3 mil quilômetros até a Noruega. É abatido no meio do caminho, em Sverdlovsk. Consegue saltar de paraquedas, mas é capturado ao chegar ao solo.

O líder soviético, Nikita Kruschev, anuncia em 5 de maio o abate do avião dos EUA. Dois dias depois, revela que o piloto sobreviveu. Em 16 de maio, os líderes dos EUA, da URSS, do Reino Unido e da França fazem uma reunião de cúpula em Paris com foco na redução da tensão entre as duas Alemanhas.

A cúpula fracassa na primeira sessão, quando o presidente Dwight Eisenhower se nega a pedir desculpas pela espionagem de Powers. Kruschev retira o convite para Eisenhower visitar a URSS.

Um ano e meio depois da condenação, Powers é libertado numa troca de prisioneiros de guerra realizada numa ponte sobre o Lago Wannsee, na fronteira entre Berlim Ocidental e Berlim Oriental. Os EUA soltam Rudolf Abel, agente do KGB (Comitê de Defesa do Estado), a polícia política soviética, condenado cinco anos antes por espionagem.

BEATLES INICIAM TURNÊ NOS EUA

    Em 1964, seis meses depois de conquistar os Estados Unidos com uma apresentação no programa de televisão Ed Sullivan Show, The Beatles começam a primeira turnê no país por São Francisco da Califórnia.

O empresário Brian Epstein subestima o apelo do grupo. Em vez do estádio Candlestick Park, faz o show no Cow Palace, um ginásio de esportes para 17 mil pessoas. 

Às 21h, os quatro fabulosos garotos de Liverpool entram no palco com Twist and Shout. Depois, tocam You Can’t Do That, All My Loving, She Loves You, Things We Said Today, Roll Over Beethoven, Can’t Buy me Love, If I Fell, I Want to Hold Your Hand, Boys, A Hard Day’s Night, Long Tall Sally.

O público lota o local acanhado. Há tumulto. A polícia intervém. Com a limusine cercada de fãs em histeria, John, Paul, George e Ringo saem escondidos numa ambulância. É o início da Beatlemania. O último show dos Beatles acontece em São Francisco em 29 de fevereiro de 1966 no Candlestick Park.

YELTSIN DESAFIA O GOLPE

    Em 1991, o primeiro presidente eleito da história da Rússia, Boris Yeltsin, sobe num tanque em Moscou e desafia o golpe da velha guarda do Partido Comunista contra Mikhail Gorbachev, que fracassa dois dias depois e provoca o fim da União Soviética.

Veja o que ele disse: "Cidadãos da Rússia, na noite de 18 para 19 de agosto de 1991, o presidente legalmente eleito do país foi removido do poder. 

"Independentemente das razões dadas para seu afastamento, estamos lidando com um golpe direitista, reacionário e inconstitucional. Apesar de todas as dificuldades e graves provações que estão sendo experimentadas pelo povo, o processo democrático no país está adquirindo um alcance cada vez maior e um caráter irreversível. 

"Os povos da Rússia estão se tornando senhores do seu destino. Os poderes incontroláveis dos órgãos constitucionais têm sido consideravelmente limitados, e isto inclui os órgãos do partido. 

"A liderança da Rússia adotou uma posição resoluta em relação ao Tratado da União em busca da unidade da União Soviética e da unidade da Rússia. Nossa posição nesta questão permitiu uma aceleração considerável na preparação deste tratado, para coordená-lo com todas as repúblicas e marcar a data de assinatura para 20 de agosto. A assinatura de amanhã foi cancelada.

"Estes acontecimentos geraram o levante de forças reacionárias ameaçadoras, levando-as a tentativas irresponsáveis e aventureiras de resolver os problemas políticos e econômicos mais complicados pelo uso da força. Tentativas de golpe foram tentadas antes. 

"Nós consideramos que tais métodos de uso da força são inaceitáveis. Eles desacreditam a União perante olhos do mundo inteiro, minam nosso prestígio na comunidade internacional e nos levam de volta à Guerra Fria e ao isolamento internacional da União Soviética. Tudo isto nos força a proclamar que a ascensão ao poder do assim chamado comitê é ilegal.

"Em consequência, nós proclamamos que todas as decisões e instruções deste comitê são ilegais. Temos a confiança de que os órgãos do poder local vão inabalavelmente aderir às leis constitucionais e aos decretos do presidente da Rússia. Apelamos a todos os cidadãos da Rússia a dar a rejeição apropriada e exigir o retorno do país à normalidade constitucional.

"Sem dúvida, é essencial dar ao presidente do país, Gorbachev, uma oportunidade de se dirigir ao povo. Hoje ele foi proibido. Eu não consegui me comunicar com ele. Nós exigimos a convocação imediata de uma sessão extraordinária do Congress dos Deputados do Povo da União. Estamos absolutamente confiantes de que nossos concidadãos não vão sancionar a tirania e a ilegalidade dos golpistas, que perderam toda vergonha e consciência. Fazemos um apelo aos militares para que manifestem elevado dever cívico e não tomem parte no golpe reacionário.

"Até que estas exigências sejam atendidas, apelamos a uma greve geral ilimitada."

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terça-feira, 18 de agosto de 2026

Hoje na História do Mundo: 18 de Agosto

MORTE DE GÊNGIS KHAN

    Em 1227, o líder mongol Gêngis Khan, fundador do segundo maior império da história, morre no campo de batalha em combate contra o reino chinês de Xi Xia.

Com mais de 60 anos e a saúde abalada, talvez morra por causa de uma queda do cavalo no ano anterior.

Ele nasce com o nome de Temujin em 1162, filho de um chefe menor. O pai morre no início da adolescência. Temujin tem de se virar com a família na estepe selvagem. No fim da adolescência, é um grande guerreiro.

Quando uma tribo rival sequestra sua mulher, Temujin organiza uma força militar. Faz alianças e derrota tribos inimigas. A nobreza das tribos conquistadas é sumariamente executada. Os massacres lhe dão a fama de chefe cruel a impiedoso da “horda”.

Em 1206, líder de uma grande confederação mongol, recebe o título de Gêngis Khan, Chefe ou Líder Universal.

O Grande Khan organiza seu exército com o número 10 como base: 10 homens formam um esquadrão, 10 esquadrões formam uma companhia, 10 companhias foram um regimento e 10 regimentos formam uma força de 10 mil homens a cavalo, a metade de arqueiros.

Seu exército chega a ter 250 mil homens montados que usam catapultas e desviam rios para inundar o território inimigo. Os massacres eliminam qualquer resistência.

Sob seu comando, os mongóis conquistam o Norte da China até Beijim, a Ásia Central, a Índia, a Pérsia e a região central da Rússia. No auge, por volta de 1270, depois da morte de Gêngis Khan, o Império Mongol tem 24 milhões de quilômetros quadrados. É o segundo maior da história, atrás apenas do Império Britânico, que chega a 35,5 milhões de km2 em 1920.

MULHERES CONQUISTAM DIREITO A VOTO

    Em 1920, no fim de uma batalha política na Assembleia Legislativa do Tennessee, a Emenda nº 19 à Constituição dos Estados Unidos, que dá o direito de voto às mulheres, é ratificada.

A luta pelos direitos das mulheres começa em 1848, na Convenção das Cataratas de Sêneca, organizada por Elizabeth Cady Stanton e Lucretia Mott. Logo, o direito de voto se torna a principal reivindicação do movimento. As militantes são conhecidas como suffragettes. Lutam pelo sufrágio universal.

Mas a conquista não se estende às mulheres negras. Os homens e as mulheres negras enfrentam restrições, hostilidade e violência quando tentam se registrar para votar e na hora do voto até a aprovação da Lei de Direitos Civis, em 1964, e da Lei dos Direitos de Voto, em 1965. 

Recentemente, a supermaioria conservadora da Suprema Corte enfraquece essas leis sob o argumento de que não há mais discriminação racial nos EUA.

CHEIA DO YANGTZÉ MATA MILHÕES NA CHINA

    Em 1931, o Rio Yangtzé, o maior da China e terceiro do mundo, atinge o nível máximo, numa enchente que mata 3,7 milhões de pessoas. É a maior catástrofe natural do século 20.

Terceiro mais longo rio do mundo, depois do Nilo e do Amazonas, com 6,3 mil km, o Yangtzé atravessa o Sul da China, uma das regiões de maior densidade populacional da Terra, que depende do rio para se abastecer de água e irrigar o solo.

Chove muito acima do normal em abril. As chuvas torrenciais voltam em julho. No início de agosto, a área alagada tem 1.295 km2. A água continua subindo e mais chuva destrói as plantações de arroz, causando fome em cidades como Nanquim e Wuhan.

Com o rio poluído, há epidemias de tifo e desinteria. A maioria das mortes é resultado da fome e das doenças.

HITLER SUSPENDE PROGRAMA DE EUTANÁSIA

    Em 1941, diante de protestos na Alemanha, o ditador nazista Adolf Hitler suspende a execução sistemática de doentes mentais e deficientes.

O Dr. Viktor Brack, chefe do Departamento de Eutanásia do regime nazista, cria em 1939 o programa T.4. Começa matando sistematicamente crianças com alguma “deficiência mental”. Eles eram levadas para o Departamento Psiquiátrico Especial da Juventude e assassinadas.

Depois, passa a ser exigido um atestado de doença mental, esquizofrenia ou incapacidade para o trabalho de crianças não judias. As judias eram executadas sumariamente.

A matança provoca a revolta de médicos e religiosos, que escrevem a Hitler denunciando a barbárie. Depois de mais de 50 mil mortes, o Führer acaba com o programa de eutanásia na Alemanha. Ele é retomado na Polônia ocupada.

O carrasco nazista Heinrich Himmler, comandante da SS, a organização paramilitar do Partido Nazista, lamenta que a SS não execute. Seria o grande executor do Holocausto, o massacre de 11 milhões de pessoas na Segunda Guerra Mundial (1939-45), inclusive 6 milhões de judeus e 1,5 milhão de ciganos, além de comunistas, socialistas, negros, dissidentes do regime nazista e prisioneiros de guerra.

A tentativa de exterminar o povo judeu no Holocausto, com a morte de 6 milhões de judeus, mais de 60% dos judeus da Europa, gerou o conceito de genocídio, descrito na Convenção para Prevenção e Combate ao Crime de Genocídio, aprovada pela ONU em 9 de dezembro de 1948, como a tentativa de “destruir, no todo ou em parte, um grupo nacional, étnico, racial ou religioso”. Não inclui grupo político porque o ditador soviético Josef Stalin veta.

Há outras questões como a fome ou tornar a vida de um grupo insuportável de modo que queira emigrar ou fugir dali que podem caracterizar crime de genocídio, o que se discute agora na guerra de Israel contra o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) na Faixa de Gaza.

GOLPE CONTRA GORBACHEV

    Em 1991, a linha-dura do Partido Comunista da União Soviética dá um golpe contra o presidente Mikhail Gorbachev, responsável pela abertura política (glasnost) e econômica (perestroika) do regime, que está de férias na sua dacha (casa de campo) na Crimeia.

Com a desculpa de que Gorbachev está doente, os golpistas, liderados pelo vice-presidente Guenadi Ianaiev, declaram estado de emergência e tentam assumir o controle do governo. Colocam o último líder soviético em prisão domiciliar e o pressionam a renunciar. Gorbachev se nega.

A luta contra o golpe é liderada por Boris Yeltsin, eleito presidente da Rússia diretamente em 12 de junho de 1991 com 57% dos votos. O golpe desaba em três dias. Gorbachev retoma o cargo com o poder abalado. Yeltsin se torna o líder mais poderoso do país. A URSS, pátria do comunismo, acaba no fim do ano.

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terça-feira, 19 de agosto de 2025

Hoje na História do Mundo: 19 de Agosto

 FRAGATA CONSTITUTION VENCE A MARINHA REAL

    Em 1812, durante a Guerra de 1812-15, em que o Império Britânico tenta recolonizar os EUA, a fragata USS Constitution ganha uma batalha naval contra a fragata Guerrière na costa da Nova Escócia, hoje parte do Canadá.

Feito de aço, o navio Constitution resiste ao bombardeio da Marinha Real. É uma das sete fragatas encomendadas em 1794 para proteger a marinha mercante norte-americana dos piratas do Oceano Atlântico. Com 62 metros e 50 canhões, é lançado ao mar em 21 de outubro de 1797.

Quando começa a Guerra de 1812-15, seis navios britânicos cercam o Constitution, que consegue escapar e encontra o Guerrière num confronto mano a mano a uns mil quilômetros de Boston. 

A batalha dura duas horas. O Constitution sai quase ileso, enquanto o navio inimigo perde o mastro e fica fora de combate. A vitória estimula a jovem república a enfrentar o maior império que o mundo já viu.

PRIMEIRA CORRIDA DE INDIANÁPOLIS

    Em 1909, é realizada a primeira corrida de automóveis no Autódromo de Indianápolis, onde é disputada uma das provas mais famosas do mundo, as 500 Milhas de Indianápolis.

O autódromo é construído numa área de 131 hectares situada a 8 km da capital do estado de Indiana para ser uma pista de provas da nascente indústria automobilística. A corrida cria uma competição direta entre diferentes marcas para ver qual é o melhor carro.

A primeira corrida, de apenas 8 km, é vencida pelo engenheiro austríaco Louis Schwitzer a uma velocidade média de 91,8 km/h, diante de 12 mil espectadores.

A pista, de pedregulhos e piche, revela-se um desastre. Rachada em alguns trechos, provoca acidentes que causam a morte de dois pilotos, dois mecânicos e dois espectadores.

Para atrair mais público, em 1911, os organizadores decidem realizar uma corrida longa, de 500 milhas (800 km). Desde então, as 500 Milhas de Indianápolis são disputadas todos os anos, menos em 1917-18 e 1942-45, quando os EUA estavam nas guerras mundiais.

TODO PODER A HITLER

    Em 1934, com quase 90% dos votos num referendo, Adolf Hitler confirma a unificação dos cargos de presidente e chanceler (primeiro-ministro) da Alemanha e assume poderes absolutos como Führer (Guia).

Artista plástico fracassado, Hitler luta como cabo na Primeira Guerra Mundial (1914-18). Sobrevive a bombardeios e a um ataque com armas químicas. Ao recobrar a consciência, no hospital, sabe que a Alemanha perdeu a guerra.

Líder do Partido Nacional-Socialista Trabalhista Alemão (Nazista), Hitler tenta dar um golpe de Estado na Baviera, o Golpe da Cervejaria, em 1923, em Munique. Preso, por sugestão de Rudolf Hess, escreve na cadeia o livro Mein Kampf (Minha Luta), seu manifesto político.

Os nazistas chegam ao poder em 30 de janeiro de 1933. Em 27 de fevereiro, incendeiam o Reichstag, o parlamento alemão, e acusam os comunistas. Hitler pede poderes especiais e ataca todas as outras correntes políticas.

Com a morte do presidente alemão, o marechal Paul von Hindenburg, em 2 de agosto de 1934, Hitler  unifica a chefia do Estado com a chefia de governo e convoca um plebiscito para confirmar seu poder absoluto.

GRANDE EXPURGO STALINISTA

    Em 1936, começa o primeiro julgamento do Grande Expurgo de velhos bolcheviques vistos pelo ditador Josef Stalin como críticos e rivais reais ou em potencial, em que seria condenado Lev Kamenev, que forma com Stalin e Grigory Zinoviev a primeira troika quando Vladimir Lenin fica doente em 1922.

O assassinato do rival e possível sucessor Serguei Kirov, em 1º de dezembro de 1934, serve de pretexto para o ditador iniciar a perseguição sistemática em grande escala a seus possíveis inimigos. Ao todo, pelo menos 750 mil pessoas são mortas no Grande Expurgo.

GOLPE CONTRA MOSSADEGH

    Em 1953, no primeiro golpe articulado pela CIA (Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos) durante a Guerra Fria, os militares do Irã derrubam o primeiro-ministro Mohammed Mossadegh, um nacionalista de esquerda que estatiza a companhia petrolífera Anglo-Iranian Oil, e restauram o poder do xá Reza Pahlevi.

Mossadegh, nomeado primeiro-ministro em 28 de abril de 1951, ataca as companhias britânicas que exploram o petróleo iraniano. Defende a expropriação e a nacionalização dos campos de petróleo. Isso o coloca em choque com a elite. Em 16 de julho de 1952, o xá o demite, mas é forçado a recuar sob pressão popular. Cinco dias depois, Mossadegh reassume a chefia do governo.

Com o golpe, o Irã passa a ser um firme aliado dos EUA na Guerra Fria, uma república secularista e ocidentalizada. É o país que mais recebe ajuda militar norte-americana até a Revolução Islâmica, em 1979, causada por um longo descontentamento contra a ditadura do xá, cuja polícia política, a Savak, é acusada por dezenas de milhares de mortes.

URSS CONDENA PILOTO ESPIÃO DOS EUA 

    Em 1960, a União Soviética condena a 10 anos de prisão o piloto norte-americano Francis Gary Powers, abatido ao fazer um voo de espionagem num avião U-2.

Powers sai do Paquistão em 1º de maio a bordo de um avião espião sofisticado U-2, fabricado pela Lockheed, uma grande empresa do complexo industrial militar. Pretende sobrevoar a URSS por mais de 3 mil quilômetros até a Noruega. É abatido no meio do caminho, em Sverdlovsk. Consegue saltar de paraquedas, mas é capturado ao chegar ao solo.

O líder soviético, Nikita Kruschev, anuncia em 5 de maio o abate do avião dos EUA. Dois dias depois, revela que o piloto sobreviveu. Em 16 de maio, os líderes dos EUA, da URSS, do Reino Unido e da França fazem uma reunião de cúpula em Paris com foco na redução da tensão entre as duas Alemanhas.

A cúpula fracassa na primeira sessão, quando o presidente Dwight Eisenhower se nega a pedir desculpas pela espionagem de Powers. Kruschev retira o convite para Eisenhower visitar a URSS.

Um ano e meio depois da condenação, Powers é libertado numa troca de prisioneiros de guerra realizada numa ponte sobre o Lago Wannsee, na fronteira entre Berlim Ocidental e Berlim Oriental. Os EUA soltam Rudolf Abel, agente do KGB (Comitê de Defesa do Estado), a polícia política soviética, condenado cinco anos antes por espionagem.

BEATLES INICIAM TURNÊ NOS EUA

    Em 1964, seis meses depois de conquistar os Estados Unidos com uma apresentação no programa de televisão Ed Sullivan Show, The Beatles começam a primeira turnê no país por São Francisco da Califórnia.

O empresário Brian Epstein subestima o apelo do grupo. Em vez do estádio Candlestick Park, faz o show no Cow Palace, um ginásio de esportes para 17 mil pessoas. 

Às 21h, os quatro fabulosos garotos de Liverpool entram no palco com Twist and Shout. Depois, tocam You Can’t Do That, All My Loving, She Loves You, Things We Said Today, Roll Over Beethoven, Can’t Buy me Love, If I Fell, I Want to Hold Your Hand, Boys, A Hard Day’s Night, Long Tall Sally.

O público lota o local acanhado. Há tumulto. A polícia intervém. Com a limusine cercada de fãs em histeria, John, Paul, George e Ringo saem escondidos numa ambulância. É o início da Beatlemania. O último show dos Beatles acontece em São Francisco em 29 de fevereiro de 1966 no Candlestick Park.

YELTSIN DESAFIA O GOLPE

    Em 1991, o primeiro presidente eleito da história da Rússia, Boris Yeltsin, sobe num tanque em Moscou e desafia o golpe da velha guarda do Partido Comunista contra Mikhail Gorbachev, que fracassa dois dias depois e provoca o fim da União Soviética.

Veja o que ele disse: "Cidadãos da Rússia, na noite de 18 para 19 de agosto de 1991, o presidente legalmente eleito do país foi removido do poder. 

"Independentemente das razões dadas para seu afastamento, estamos lidando com um golpe direitista, reacionário e inconstitucional. Apesar de todas as dificuldades e graves provações que estão sendo experimentadas pelo povo, o processo democrático no país está adquirindo um alcance cada vez maior e um caráter irreversível. 

"Os povos da Rússia estão se tornando senhores do seu destino. Os poderes incontroláveis dos órgãos constitucionais têm sido consideravelmente limitados, e isto inclui os órgãos do partido. 

"A liderança da Rússia adotou uma posição resoluta em relação ao Tratado da União em busca da unidade da União Soviética e da unidade da Rússia. Nossa posição nesta questão permitiu uma aceleração considerável na preparação deste tratado, para coordená-lo com todas as repúblicas e marcar a data de assinatura para 20 de agosto. A assinatura de amanhã foi cancelada.

"Estes acontecimentos geraram o levante de forças reacionárias ameaçadoras, levando-as a tentativas irresponsáveis e aventureiras de resolver os problemas políticos e econômicos mais complicados pelo uso da força. Tentativas de golpe foram tentadas antes. 

"Nós consideramos que tais métodos de uso da força são inaceitáveis. Eles desacreditam a União perante olhos do mundo inteiro, minam nosso prestígio na comunidade internacional e nos levam de volta à Guerra Fria e ao isolamento internacional da União Soviética. Tudo isto nos força a proclamar que a ascensão ao poder do assim chamado comitê é ilegal.

"Em consequência, nós proclamamos que todas as decisões e instruções deste comitê são ilegais. Temos a confiança de que os órgãos do poder local vão inabalavelmente aderir às leis constitucionais e aos decretos do presidente da Rússia. Apelamos a todos os cidadãos da Rússia a dar a rejeição apropriada e exigir o retorno do país à normalidade constitucional.

"Sem dúvida, é essencial dar ao presidente do país, Gorbachev, uma oportunidade de se dirigir ao povo. Hoje ele foi proibido. Eu não consegui me comunicar com ele. Nós exigimos a convocação imediata de uma sessão extraordinária do Congress dos Deputados do Povo da União. Estamos absolutamente confiantes de que nossos concidadãos não vão sancionar a tirania e a ilegalidade dos golpistas, que perderam toda vergonha e consciência. Fazemos um apelo aos militares para que manifestem elevado dever cívico e não tomem parte no golpe reacionário.

"Até que estas exigências sejam atendidas, apelamos a uma greve geral ilimitada."

segunda-feira, 18 de agosto de 2025

Hoje na História do Mundo: 18 de Agosto

 MORTE DE GÊNGIS KHAN

    Em 1227, o líder mongol Gêngis Khan, fundador do segundo maior império da história, morre no campo de batalha em combate contra o reino chinês de Xi Xia.

Com mais de 60 anos e a saúde abalada, talvez morra por causa de uma queda do cavalo no ano anterior.

Ele nasce com o nome de Temujin em 1162, filho de um chefe menor. O pai morre no início da adolescência. Temujin tem de se virar com a família na estepe selvagem. No fim da adolescência, é um grande guerreiro.

Quando uma tribo rival sequestra sua mulher, Temujin organiza uma força militar. Faz alianças e derrota tribos inimigas. A nobreza das tribos conquistadas é sumariamente executada. Os massacres lhe dão a fama de chefe cruel a impiedoso da “horda”.

Em 1206, líder de uma grande confederação mongol, recebe o título de Gêngis Khan, Chefe ou Líder Universal.

O Grande Khan organiza seu exército com o número 10 como base: 10 homens formam um esquadrão, 10 esquadrões formam uma companhia, 10 companhias foram um regimento e 10 regimentos formam uma força de 10 mil homens a cavalo, a metade de arqueiros.

Seu exército chega a ter 250 mil homens montados que usam catapultas e desviam rios para inundar o território inimigo. Os massacres eliminam qualquer resistência.

Sob seu comando, os mongóis conquistam o Norte da China até Beijim, a Ásia Central, a Índia, a Pérsia e a região central da Rússia. No auge, por volta de 1270, depois da morte de Gêngis Khan, o Império Mongol tem 24 milhões de quilômetros quadrados. É o segundo maior da história, atrás apenas do Império Britânico, que chega a 35,5 milhões de km2 em 1920.

MULHERES CONQUISTAM DIREITO A VOTO

    Em 1920, no fim de uma batalha política na Assembleia Legislativa do Tennessee, a Emenda nº 19 à Constituição dos Estados Unidos, que dá o direito de voto às mulheres, é ratificada.

A luta pelos direitos das mulheres começa em 1848, na Convenção das Cataratas de Sêneca, organizada por Elizabeth Cady Stanton e Lucretia Mott. Logo, o direito de voto se torna a principal reivindicação do movimento. As militantes são conhecidas como suffragettes. Lutam pelo sufrágio universal.

Mas a conquista não se estende às mulheres negras. Os homens e as mulheres negras enfrentam restrições, hostilidade e violência quando tentam se registrar para votar e na hora do voto até a aprovação da Lei de Direitos Civis, em 1964, e da Lei dos Direitos de Voto, em 1965. 

Recentemente, a supermaioria conservadora da Suprema Corte enfraquece essas leis sob o argumento de que não há mais discriminação racial nos EUA.

CHEIA DO YANGTZÉ MATA MILHÕES NA CHINA

    Em 1931, o Rio Yangtzé, o maior da China e terceiro do mundo, atinge o nível máximo, numa enchente que mata 3,7 milhões de pessoas. É a maior catástrofe natural do século 20.

Terceiro mais longo rio do mundo, depois do Nilo e do Amazonas, com 6,3 mil km, o Yangtzé atravessa o Sul da China, uma das regiões de maior densidade populacional da Terra, que depende do rio para se abastecer de água e irrigar o solo.

Chove muito acima do normal em abril. As chuvas torrenciais voltam em julho. No início de agosto, a área alagada tem 1.295 km2. A água continua subindo e mais chuva destrói as plantações de arroz, causando fome em cidades como Nanquim e Wuhan.

Com o rio poluído, há epidemias de tifo e desinteria. A maioria das mortes é resultado da fome e das doenças.

HITLER SUSPENDE PROGRAMA DE EUTANÁSIA

    Em 1941, diante de protestos na Alemanha, o ditador nazista Adolf Hitler suspende a execução sistemática de doentes mentais e deficientes.

O Dr. Viktor Brack, chefe do Departamento de Eutanásia do regime nazista, cria em 1939 o programa T.4. Começa matando sistematicamente crianças com alguma “deficiência mental”. Eles eram levadas para o Departamento Psiquiátrico Especial da Juventude e assassinadas.

Depois, passa a ser exigido um atestado de doença mental, esquizofrenia ou incapacidade para o trabalho de crianças não judias. As judias eram executadas sumariamente.

A matança provoca a revolta de médicos e religiosos, que escrevem a Hitler denunciando a barbárie. Depois de mais de 50 mil mortes, o Führer acaba com o programa de eutanásia na Alemanha. Ele é retomado na Polônia ocupada.

O carrasco nazista Heinrich Himmler, comandante da SS, a organização paramilitar do Partido Nazista, lamenta que a SS não executasse o programa. Seria o grande executor do Holocausto, o massacre de 11 milhões de pessoas na Segunda Guerra Mundial (1939-45), inclusive 6 milhões de judeus e 1,5 milhão de ciganos, além de comunistas, socialistas, negros, dissidentes do regime nazista e prisioneiros de guerra.

A tentativa de exterminar o povo judeu no Holocausto, com a morte de 6 milhões de judeus, mais de 60% dos judeus da Europa, gerou o conceito de genocídio, descrito na Convenção para Prevenção e Combate ao Crime de Genocídio, aprovada pela ONU em 9 de dezembro de 1948, como a tentativa de “destruir, no todo ou em parte, um grupo nacional, étnico, racial ou religioso”. Não inclui grupo político porque o ditador soviético Josef Stalin vetou.

Há outras questões como a fome ou tornar a vida de um grupo insuportável de modo que queira emigrar ou fugir dali que podem caracterizar crime de genocídio, o que se discute agora na guerra de Israel contra o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) na Faixa de Gaza.

GOLPE CONTRA GORBACHEV

    Em 1991, a linha-dura do Partido Comunista da União Soviética dá um golpe contra o presidente Mikhail Gorbachev, responsável pela abertura política (glasnost) e econômica (perestroika) do regime, que está de férias na sua dacha (casa de campo) na Crimeia.

Com a desculpa de que Gorbachev está doente, os golpistas, liderados pelo vice-presidente Guenadi Ianaiev, declaram estado de emergência e tentam assumir o controle do governo. Colocam o último líder soviético em prisão domiciliar e o pressionam a renunciar. Gorbachev se nega.

A luta contra o golpe é liderada por Boris Yeltsin, eleito presidente da Rússia diretamente em 12 de junho de 1991 com 57% dos votos. O golpe desaba em três dias. Gorbachev retoma o cargo com o poder abalado. Yeltsin se torna o líder mais poderoso do país. A URSS, pátria do comunismo, acaba no fim do ano. 

segunda-feira, 19 de agosto de 2024

Hoje na História do Mundo: 19 de Agosto

FRAGATA CONSTITUTION VENCE A MARINHA REAL

    Em 1812, durante a guerra em que o Império Britânico tenta recolonizar os EUA, a fragata USS Constitution ganha uma batalha naval contra a fragata Guerrière na costa da Nova Escócia, hoje parte do Canadá.

Feito de aço, o navio Constitution resiste ao bombardeio da Marinha Real. É uma das sete fragatas encomendadas em 1794 para proteger a marinha mercante norte-americana dos piratas do Oceano Atlântico. Com 62 metros e 50 canhões, é lançado ao mar em 21 de outubro de 1797.

Quando começa a Guerra de 1812, que vai até 1815, seis navios britânicos cercam o Constitution, que consegue escapar e encontra o Guerrière num confronto mano a mano a uns mil quilômetros de Boston. 

A batalha dura duas horas. O Constitution sai quase ileso, enquanto o navio inimigo perde o mastro e fica fora de combate. A vitória estimula a jovem república a enfrentar o maior império que o mundo já viu.

PRIMEIRA CORRIDA DE INDIANÁPOLIS

    Em 1909, é realizada a primeira corrida de automóveis no Autódromo de Indianápolis, onde é disputada uma das provas mais famosas do mundo, as 500 Milhas de Indianápolis.

O autódromo é construído numa área de 131 hectares situada a 8 km da capital do estado de Indiana para ser uma pista de provas da nascente indústria automobilística. A corrida cria uma competição direta entre diferentes marcas para ver qual é o melhor carro.

A primeira corrida, de apenas 8 km, é vencida pelo engenheiro austríaco Louis Schwitzer a uma velocidade média de 91,8 km/h, diante de 12 mil espectadores.

A pista, de pedregulhos e piche, revela-se um desastre. Rachada em alguns trechos, provoca acidentes que causam a morte de dois pilotos, dois mecânicos e dois espectadores.

Para atrair mais público, em 1911, os organizadores decidiram realizar uma corrida longa, de 500 milhas (800 km). Desde então, as 500 Milhas de Indianápolis são disputadas todos os anos, menos em 1917-18 e 1942-45, quando os EUA estavam nas guerras mundiais.

TODO PODER A HITLER

    Em 1934, com quase 90% dos votos num referendo, Adolf Hitler confirma a unificação dos cargos de presidente e chanceler (primeiro-ministro) da Alemanha e assume poderes absolutos como Führer (Guia).

Artista plástico fracassado, Hitler luta como cabo na Primeira Guerra Mundial (1914-18). Sobrevive a bombardeios e a um ataque com armas químicas. Ao recobrar a consciência, no hospital, sabe que a Alemanha perdeu a guerra.

Líder do Partido Nacional-Socialista Trabalhista Alemão (Nazista), tenta dar um golpe de Estado na Baviera, o Golpe da Cervejaria, em 1923. Preso, por sugestão de Rudolf Hess, escreve na cadeia o livro Mein Kampf (Minha Luta), seu manifesto político.

Os nazistas chegam ao poder em 30 de janeiro de 1933. Em 27 de fevereiro, incendeiam o Reichstag, o parlamento alemão, e acusam os comunistas. Hitler pede poderes especiais e ataca todas as outras correntes políticas.

Com a morte do presidente alemão, o marechal Paul von Hindenburg, em 2 de agosto de 1934, Hitler  unifica a chefia do Estado com a chefia de governo e convoca um plebiscito para confirmar seu poder absoluto.

GRANDE EXPURGO STALINISTA

    Em 1936, começa o primeiro julgamento do Grande Expurgo de velhos bolcheviques vistos pelo ditador Josef Stalin como críticos e rivais reais ou em potencial, em que seria condenado Lev Kamenev, que formou com Stalin e Grigory Zinoviev a primeira troika quando Vladimir Lenin ficou doente em 1922.

O assassinato do rival e possível sucessor Serguei Kirov, em 1º de dezembro de 1934, serve de pretexto para o ditador iniciar a perseguição sistemática em grande escala a seus possíveis inimigos. Ao todo, pelo menos 750 mil pessoas são mortas no Grande Expurgo.

GOLPE CONTRA MOSSADEGH

    Em 1953, no primeiro golpe articulado pela CIA (Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos) durante a Guerra Fria, os militares do Irã derrubam o primeiro-ministro Mohammed Mossadegh, um nacionalista de esquerda que nacionalizou a companhia petrolífera Anglo-Iranian Oil, e restauram o poder do xá Reza Pahlevi.

Mossadegh, nomeado primeiro-ministro em 28 de abril de 1951, ataca as companhias britânicas que exploram o petróleo iraniano. Defende a expropriação e a nacionalização dos campos de petróleo. Isso o coloca em choque com a elite. Em 16 de julho de 1952, o xá o demite, mas é forçado a recuar sob pressão popular. Cinco dias depois, Mossadegh reassume a chefia do governo.

O Irã passa a ser um firme aliado dos EUA na Guerra Fria, uma república secularista e ocidentalizada. É o país que mais recebe ajuda militar norte-americana até a Revolução Islâmica, em 1979, causada por um longo descontentamento contra a ditadura do xá, cuja polícia política, a Savak, é acusada por dezenas de milhares de mortes.

URSS CONDENA PILOTO ESPIÃO DOS EUA 

    Em 1960, a União Soviética condena a 10 anos de prisão o piloto norte-americano Francis Gary Powers, abatido ao fazer um voo de espionagem num avião U-2.

Powers sai do Paquistão em 1º de maio a bordo de um avião espião sofisticado U-2, fabricado pela Lockheed, uma grande empresa do complexo industrial militar. Pretende sobrevoar a URSS por mais de 3 mil quilômetros até a Noruega. É abatido no meio do caminho, em Sverdlovsk. Consegue saltar de paraquedas, mas é capturado ao chegar ao solo.

O líder soviético, Nikita Kruschev, anuncia em 5 de maio o abate do avião dos EUA. Dois dias depois, revela que o piloto sobreviveu. Em 16 de maio, os líderes dos EUA, da URSS, do Reino Unido e da França fazem uma reunião de cúpula em Paris com foco na redução da tensão entre as duas Alemanhas.

A cúpula fracassa na primeira sessão, quando o presidente Dwight Eisenhower se nega a pedir desculpas pela espionagem de Powers. Kruschev retira o convite para Eisenhower visitar a URSS.

Um ano e meio depois da condenação, Powers é libertado numa troca de prisioneiros de guerra realizada numa ponte sobre o Lago Wannsee, na fronteira entre Berlim Ocidental e Berlim Oriental. Os EUA soltam Rudolf Abel, agente do KGB (Comitê de Defesa do Estado), a polícia política soviética, condenado cinco anos antes por espionagem.

BEATLES INICIAM TURNÊ NOS EUA

    Em 1964, seis meses depois de conquistar os Estados Unidos com uma apresentação no programa de televisão Ed Sullivan Show, The Beatles começam a primeira turnê no país por São Francisco da Califórnia.

O empresário Brian Epstein subestima o apelo do grupo. Em vez do estádio Candlestick Park, faz o show no Cow Palace, um ginásio de esportes para 17 mil pessoas. 

Às 21h, os quatro fabulosos garotos de Liverpool entram no palco com Twist and Shout. Depois, tocam You Can’t Do That, All My Loving, She Loves You, Things We Said Today, Roll Over Beethoven, Can’t Buy me Love, If I Fell, I Want to Hold Your Hand, Boys, A Hard Day’s Night, Long Tall Sally.

O público lota o local acanhado. Há tumulto. A polícia intervém. Com a limusine cercada de fãs em histeria, John, Paul, George e Ringo saem escondidos numa ambulância. É o início da Beatlemania. O último show dos Beatles acontece em São Francisco em 29 de fevereiro de 1966.

YELTSIN DESAFIA O GOLPE

    Em 1991, o primeiro presidente eleito da história da Rússia, Boris Yeltsin, sobe num tanque em Moscou e desafia o golpe da velha guarda do Partido Comunista contra Mikhail Gorbachev, que fracassa dois dias depois e provoca o fim da União Soviética.

Veja o que ele disse: "Cidadãos da Rússia, na noite de 18 para 19 de agosto de 1991, o presidente legalmente eleito do país foi removido do poder. 

"Independentemente das razões dadas para seu afastamento, estamos lidando com um golpe direitista, reacionário e inconstitucional. Apesar de todas as dificuldades e graves provações que estão sendo experimentadas pelo povo, o processo democrático no país está adquirindo um alcance cada vez maior e um caráter irreversível. 

"Os povos da Rússia estão se tornando senhores do seu destino. Os poderes incontroláveis dos órgãos constitucionais têm sido consideravelmente limitados, e isto inclui os órgãos do partido. 

"A liderança da Rússia adotou uma posição resoluta em relação ao Tratado da União em busca da unidade da União Soviética e da unidade da Rússia. Nossa posição nesta questão permitiu uma aceleração considerável na preparação deste tratado, para coordená-lo com todas as repúblicas e marcar a data de assinatura para 20 de agosto. A assinatura de amanhã foi cancelada.

"Estes acontecimentos geraram o levante de forças reacionárias ameaçadoras, levando-as a tentativas irresponsáveis e aventureiras de resolver os problemas políticos e econômicos mais complicados pelo uso da força. Tentativas de golpe foram tentadas antes. 

"Nós consideramos que tais métodos de uso da força são inaceitáveis. Eles desacreditam a União perante olhos do mundo inteiro, minam nosso prestígio na comunidade internacional e nos levam de volta à Guerra Fria e ao isolamento internacional da União Soviética. Tudo isto nos força a proclamar que a ascensão ao poder do assim chamado comitê é ilegal.

"Em consequência, nós proclamamos que todas as decisões e instruções deste comitê são ilegais. Temos a confiança de que os órgãos do poder local vão inabalavelmente aderir às leis constitucionais e aos decretos do presidente da Rússia. Apelamos a todos os cidadãos da Rússia a dar a rejeição apropriada e exigir o retorno do país à normalidade constitucional.

"Sem dúvida, é essencial dar ao presidente do país, Gorbachev, uma oportunidade de se dirigir ao povo. Hoje ele foi proibido. Eu não consegui me comunicar com ele. Nós exigimos a convocação imediata de uma sessão extraordinária do Congress dos Deputados do Povo da União. Estamos absolutamente confiantes de que nossos concidadãos não vão sancionar a tirania e a ilegalidade dos golpistas, que perderam toda vergonha e consciência. Fazemos um apelo aos militares para que manifestem elevado dever cívico e não tomem parte no golpe reacionário.

"Até que estas exigências sejam atendidas, apelamos a uma greve geral ilimitada."