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quinta-feira, 30 de abril de 2026

Hoje na História do Mundo: 30 de Abril

POSSE DE WASHINGTON

    Em 1789, George Washington, o comandante do Exército Continental na Guerra da Independência (1775-83), toma posse no Salão Federal em Nova York como primeiro presidente dos Estados e fala sobre "um novo governo livre".

Sua família é rica, mas perde a fortuna na Revolução Puritana na Inglaterra. John Washington, bisavô do presidente, emigra para os EUA em 1657. Augustine, o pai de George Washington, estuda na Inglaterra e trabalha como marujo até se fixar na Virgínia para administrar suas propriedades.

George Washington nasce em 22 de fevereiro de 1732 no Condado de Westmoreland, na Colônia da Virgínia. Estuda matemática, inclusive trigonometria, geografia, talvez um pouco de latim e lê os clássicos ingleses.

Aos 14 anos, Washington anota num caderno uma série de preceito morais, Regras de Civilidade e Comportamento Decente em Companhia e em Conversa. Mas aprende mais na vida prática. Domina a produção de tabaco e a criação de animais.

Com a morte do pai, ele vai morar com um tio que herda uma fazenda and Little Hunting Creek que pertenceu a John Washington, o primeiro da família a morar nos EUA.

Washington recebe treinamento militar. Na Guerra Franco-Indígena (1754-63), exerce funções de comando no Regimento da Virgínia. É uma guerra entre os impérios Britânico e Francês. Ambos têm aliados indígenas. Os algonquinos e os hurões lutam ao lado da França, enquanto os iroqueses se aliam ao Reino Unido.

Mais tarde, é eleito para a Câmara dos Burgueses da Virgínia e é enviado como delegado ao Congresso Continental, que o nomeia comandante do Exército Continental. Ele lidera das forças norte-americanas, aliadas da França, na guerra contra o Império Britânico. Com o reconhecimento da independência dos EUA pelo Tratado de Paris (1783), Washington abandona as funções militares.

Na Presidência, cria um governo forte e bem financiado. Fica neutro na rivalidade entre entre os ministros Thomas Jefferson e Alexander Hamilton. Reeleito em 1792, firma em 1794 o Tratado de Amizade, Comércio e Navegação com o Reino Unido.

Ele estabelece os princípios da Presidência dos EUA, de ser chamado de Senhor Presidente e governar com um ministério. Seu Discurso de Despedida é um dos documentos fundadores da política externa dos EUA. Defende a neutralidade do país, o não envolvimento em guerras externas, especialmente na Europa, e o comércio com todos.

Washington tenta integrar os índios à sociedade norte-americana, mas não hesita em reprimir revoltas indígenas. Dono de escravos, é a favor da escravidão para não ameaçar a União, mas liberta seus escravos no testamento. Ele morre em Monte Vernon em 14 de dezembro de 1799.

NASCE WILLIE NELSON

    Em 1933, o cantor, compositor e violonista Willie Nelson, um dos maiores nomes da música sertaneja nos Estados Unidos, nasceu em Abott, no Texas.

Com a morte do pai e o abandono da mãe, William Hugh Nelson e a irmã, Roberta Nelson, são criados pelos avós. Willie toca violão e Bobbie, piano.

A família se muda em 1960 para Nashville, no Tennessee, um dos grandes centros da músca country, onde ele lança Hello Walls, um de seus maiores sucessos. A canção On the Road Again é das mais tocadas no início dos anos 1980 e vira tema do filme Forrest Gump.

Ao todo, ele grava 67 álbuns. Em 1993, Willie Nelson entra para o Country Music Hall of Fame.

TV ESTREIA NOS EUA

    Em 1939, a National Broadcasting Company (NBC), a mais antiga rede de telerradiodifusão nos Estados Unidos, faz a primeira transmissão de televisão no país na abertura da Feira Mundial de Nova York e começa o serviço regular.

A partir de 1951, a NBC transmite de costa a costa, unindo o país. Historicamente, fica em segundo lugar em audiência, atrás da Columba Broadcasting System (CBS), mas mantém a liderança tecnológica e desenvolve o sistema de TV colorida adotado como padrão pela Comissão Federal de Comunicação em 1953.

No mesmo ano, faz a primeira transmissão em cores de costa a costa. Em 1956, introduz o videotape.

SUICÍDIO DE HITLER

    Em 1945, com a Segunda Guerra Mundial (1939-45) perdida e o Exército Vermelho da União Soviética avançando em direção a Berlim, o ditador nazista Adolf Hitler se mata em sua fortaleza subterrânea na capital da Alemanha, tomando uma cápsula cianeto e dando um tiro na cabeça.

A guerra começa a virar com a rendição do 6º Exército da Alemanha no fim da Batalha de Stalingrado, em 2 de fevereiro de 1943. A partir daí, na frente oriental, o Exército Vermelho marcha rumo a Berlim.

Os aliados ocidentais começam a invadir a Europa dominada pelo nazifascismo em 10 de julho de 1943 pela Sicília, na Itália. Em 6 de junho de 1944, desembarcam na Normandia, na França.

Diante da derrota inevitável, em julho de 1944, oficiais alemães liderados pelo coronel Claus von Stauffenberg tentam matar o Führer, mas o atentado fracassa e o regime nazista executa 4 mil alemães.

Com a aproximação do Exército Vermelho, em janeiro de 1945, Hitler se refugia no seu bunker, situado no subsolo, 17 metros abaixo da Chancelaria, a sede do governo alemão. A fortaleza subterrânea tem 18 peças, água corrente e energia elétrica independentes.

Lá, Hitler despacha regularmente com seus principais subordinados, Heinrich Himmler, ministro do Interior, comandante militar da SS, a tropa de choque do Partido Nazista, e da polícia política Gestapo, e comandante do Exército da Reserva; e Joseph Goebbels, o ministro da Propaganda nazista e sucessor de Hitler.

Um dia antes do suicídio, Hitler se casa com sua amante, Eva Braun.

QUEDA DE SAIGON

    Em 1975, o Exército do Vietnã do Norte toma Saigon, a capital do Vietnã do Sul, rebatizada como Cidade de Ho Chi Minh. É o fim da Guerra do Vietnã (1955-75).

Depois de uma série de expedições militares do Segundo Império Francês (1852-70) e da Terceira República Francesa (1870-1940) realizadas de 1858 a 1885, a França domina os territórios do Vietnã, do Laos e do Camboja e forma a Indochina Francesa em 1887.

Durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45), o Império do Japão invade o Vietnã em setembro de 1940. Quando o Japão se rende oficialmente, em 2 de setembro de 1945, Ho Chi Minh proclama a independência do Vietnã. A França não aceita, o que leva à Primeira Guerra da Indochina (1946-54).

Com a vitória do Vietnã na Batalha de Dien Bien Phu, a França se rende. Há uma negociação de paz em Genebra, na Suíça, que divide o país em Vietnã do Norte e Vietnã do Sul. O país seria reunificado com eleições. 

Quando fica evidente que os comunistas liderados por Ho Chi Minh venceriam as eleições, em plena Guerra Fria, os EUA pressionam para impedir sua realização. Isto causa a Segunda Guerra da Indochina ou Guerra do Vietnã, do Norte comunista, apoiado pela União Soviética e a China, contra o Sul capitalista, aliado dos EUA e das outras potências ocidentais.

Os EUA começam a enviar assessores militares no Governo Dwight Eisenhower (1953-61). No fim do Governo John Kennedy (1961-63), já são 2.800 assessores militares e muitos se envolvem em combates.

Em 2 de agosto de 1964, dois contratorpedeiros dos EUA que realizam operações anfíbias secretas no Golfo de Tonkin são atacados pelo Vietnã do Norte. Dois dias mais tarde, os EUA anunciam um segundo ataque em 4 de agosto, que não houve.

No dia seguinte, esse relato falso sobre o Incidente do Golfo de Tonkin chega ao Congresso, que em 10 de agosto aprova a Resolução do Golfo de Tonkin, que autoriza o presidente Lyndon Johnson a usar a força militar no Sudeste Asiático para combater a ameaça comunista sem uma declaração formal de guerra.

Ao todo, 2,594 milhões de norte-americanos lutam no Vietnã. No pico, em 30 de abril de 1969, há 543.482 soldados dos EUA no país. Morrem 58.200 norte-americanos e cerca de 2 milhões de civis e 1,1 milhão de combatentes vietnamitas na Guerra do Vietnã.

Os EUA assinam os Acordos de Paz de Paris, em 27 de janeiro de 1973, e retiram suas forças de combate, mas a guerra continua até queda de Saigon.

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segunda-feira, 20 de abril de 2026

Hoje na História do Mundo: 20 de Abril

 CROMWELL DISSOLVE O PARLAMENTO

    Em 1653, o ditador Oliver Cromwell dissolve o Parlamento Manco ou Parlamento Residual da Inglaterra, substituído pelo Pequeno Parlamento ou Assembleia Nomeada, que seria fechado no mesmo ano com a instauração do Protetorado, com Cromwell como Lorde Protetor, o que o torna definitivamente um ditador.

O Parlamento Manco, última fase do Longo Parlamento, convocado pelo rei em novembro de 1640, começa quando o coronel Thomas Pride faz um grande expurgo, em 13 de dezembro de 1648, destituindo 121 deputados que são contra o julgamento e a execução do rei Carlos I no auge da Guerra Civil Inglesa entre um rei católico e um Parlamento com maioria protestante.. 

Esse parlamento reduzido aprova em 4 de janeiro de 1649 a criação de um Supremo Tribunal de Justiça para processar o rei. Carlos I contesta a autoridade do tribunal numa audiência em 20 de janeiro. É condenado à morte por traição. 

A execução é adiada para dar tempo à aprovação de uma lei tornando crime proclamar um novo rei. Todo o poder fica com a Câmara dos Comuns, representante do povo. O rei é decapitado em Whitehall, no Centro de Londres, em 31 de janeiro de 1649.

Em 6 de fevereiro do mesmo ano, a Câmara dos Lordes é abolida. No dia seguinte, é abolida a monarquia. Em 14 de fevereiro, é criado o Conselho de Estado. Em abril, nasce a Comunidade da Inglaterra. Com o controle da Câmara dos Comuns, Cromwell acumula poderes. Em 1653, dissolve o Parlamento, instaura o Protetorado e se torna Lorde Protetor da Inglaterra, do País de Gales, da Escócia e da Irlanda. 

Com a morte de Cromwell em 3 de setembro de 1653 e o fim do Protetorado, o Parlamento é restaurado em maio de 1659, dissolvido em outubro e reconvocado em dezembro de 1659 com a inclusão dos expurgados em 1648 para finalmente se dissolver. Uma Convenção Parlamentar eleita inicia negociações para a restauração da monarquia sob Carlos II, filho de Carlos I, em 1660. 

NASCIMENTO DE HITLER

    Em 1889, nasce em Braunau, na Áustria, Adolf Hitler, líder do Partido Nazista, chanceler (primeiro-ministro) e ditador da Alemanha, o grande genocida, o pior tirano de todos os tempos e o maior responsável pela Segunda Guerra Mundial (1939-45), com uma visão de mundo baseada na supremacia da raça ariana e na expansão territorial através da guerra.

Hitler passa a maior parte da infância em Linz, na Áustria. Aluno medíocre, não passa do ensino médio. Sonha em ser pintor, mas é reprovado em duas tentativas de entrar para a Academia de Artes de Viena.

Em 1913, Hitler se muda para Munique, na Alemanha. Por falta de vigor físico, é rejeitado para o serviço militar na Áustria. Quando estoura a Primeira Guerra Mundial (1914-18), consegue entrar para um regimento de infantaria da Baviera. 

Ele participa da Primeira Batalha de Ypres, na Bélgica. É condecorado duas vezes por bravura. No fim da guerra, está hospitalizado por ter sofrido um ataque com armas químicas.

A guerra, a disciplina militar e a camaradagem com os companheiros de armas compensam a frustração da vida civil. Hitler vê a guerra e o heroísmo como a exaltação do espírito humano.

Em setembro de 1919, ele entra para o pequeno Partido Alemão dos Trabalhadores, que em 1920 muda de nome para Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães (Nazista). Torna-se responsável pela propaganda do partido.

O ressentimento pela derrota da Alemanha, as duras condições impostas ao país pela Conferência de Paz de Versalhes (1919) e a crise econômica decorrente causam grande descontentamento. Deixam um terreno fértil para a demagogia populista.

Sua personalidade carismática e liderança dinâmica atraem membros do partido como Alfred Rosenberg, Rudolf Hess, Herman Göring e Julius Streicher.

A primeira tentativa de tomar o poder é o Golpe de Cervejaria de Munique, deflagrado em 8 de novembro de 1923. Hitler é preso e condenado por traição a 5 anos de cadeia. Na prisão, escreve o livro Mein Kampf (Minha Luta), o manual da propaganda nazista. É solto em 20 de dezembro de 1924, depois de cumprir apenas nove meses de detenção.

Suas ideias incluem uma visão desigual e hierárquica de povos, países e indivíduos numa ordem natural imutável com a raça ariana e o povo alemão no topo como líderes e guias da humanidade. No centro de seu pensamento estão o pangermanismo, o antissemitismo e o anticomunismo.

O maior inimigo do nazismo não é a democracia liberal, que está em crise na Alemanha com o fracasso da República de Weimar. É o marxismo, que para Hitler inclui a social-democracia e o comunismo, e o povo judeu, para Hitler a encarnação de todo o mal.

Seu antissemitismo é evidente desde 1919, quando escreve que "o objetivo final deve ser a remoção de todos os judeus. Em Mein Kampf, Hitler descreve o judeu como "destruidor da cultura", "ameaça" e "parasita da nação".

A Grande Depressão (1929-39) da economia gera a instabilidade política que leva os nazistas ao poder. 

Depois de eleições em que o Partido Nazista conquista 33% dos votos em 6 de novembro de 1932, Hitler é nomeado chanceler (primeiro-ministro) em 30 de janeiro, quando a taxa de desemprego está em 34%. Menos de um mês depois, em 27 de fevereiro, há o incêndio do parlamento. Os nazistas são suspeitos e acusam os comunistas. É o grande golpe da ascensão de Hitler ao poder total.

O primeiro campo de concentração, Dachau, é criado em 22 de março de 1933. Até 1945, os nazistas operam mais de mil campos de concentração.

A Lei Habilitante é aprovada em 23 de março de 1933 pelo Partido Nazista, pelo Partido Nacional Popular da Alemanha e pelo Partido de Centro. Dá os primeiros poderes ditatoriais a Hitler, permitindo que o governo crie leis e assine tratados com outros países sem a aprovação do Reichstag, censure a imprensa e proíba partidos políticos.

Entre 10 de maio e 21 de junho de 1933, os nazistas organizam grandes queimas de livros justificadas pela "necessidade de purificação radical da literatura alemã de elementos estranhos que possam alienar a cultura alemã".

Nos seus primeiros anos do poder, a Alemanha vence a depressão econômica com uma política agressiva de industrialização e rearmamento. O desemprego cai de 34% em janeiro de 1933 para 13,5% em julho de 1934.

Com a morte do presidente Paul von Hindenburg, em 2 de agosto de 1934, o regime nazista convoca um plebiscito para unificar os cargos de presidente e primeiro-ministro na figura do Führer (Líder). Em 19 de agosto, os alemães aprovam a ditadura de Adolf Hitler com quase 90% dos votos.

Em setembro de 1935, são aprovadas as Leis de Pureza Racial de Nurembergue. Desde o século 19, os judeus eram aceitos como membros da sociedade alemã com plenos direitos e cidadãos iguais aos outros.

A Lei de Cidadania do Reich determina que só pessoas com "sangue ou ascendência alemã" podem ser cidadãos. Os judeus são "súditos do Estado", não cidadãos. A Lei de Proteção do Sangue e da Honra Alemãs proíbe o casamento e as relações sexuais entre judeus, acusados de serem "poluidores raciais", e não judeus.

De 11 a 13 de março de 1938, a Alemanha Nazista anexa a Áustria, país de origem de Hitler. Em 30 de setembro de 1938, Hitler toma a região dos Sudetos, na Tcheco-Eslováquia, onde há uma grande população de origem alemã, com a conivência da França e do Reino Unido no Pacto de Munique, uma tentativa de evitar a guerra na Europa. A invasão da Boêmia e da Morávia, em 15 de março de 1939, completa a anexação da Tcheco-Eslováquia.

A Segunda Guerra Mundial começa em 1º de setembro de 1939 com a invasão da Polônia pela Alemanha. Dias antes, em 23 de agosto, Hitler e o ditador Josef Stalin fazem o Pacto Germano-Soviético, um acordo de não agressão que Hitler usa para dividir a Polônia e garantir a paz na frente oriental enquanto toma a Europa Ocidental.

A derrota na Batalha da Inglaterra, um combate aéreo travado de 10 de julho a 31 de outubro de 1940, impede Hitler de invadir o Reino Unido.

Em 22 de junho de 1941, Hitler rompe o pacto de não agressão com Stalin e ordena a invasão da União Soviética. No fim daquele ano, em 7 de dezembro, o Império do Japão, aliado da Alemanha, ataca a Frota do Pacífico dos Estados Unidos em Pearl Harbor, no Havaí. Os EUA entram na guerra.

A Conferência de Wannsee, um subúrbio de Berlim, adota em 20 de janeiro de 1942 a "solução final" para a questão judaica, uma tentativa de exterminar os judeus da Europa. Cerca de 11 milhões de pessoas morrem no Holocausto, 6 milhões de judeus, 60% dos judeus europeus, 1,5 milhão de ciganos, socialistas, comunistas, negros e opositores do regime nazista.

Em meados de 1942, o Exército nazista domina grande parte da Europa continental, o Norte da África e quase um quarto da URSS. Com a derrota nas batalhas de Moscou (1941-42), Stalingrado (1942-43) e Kursk (1943), a Alemanha Nazista para de avançar. O Afrika Korps, o exército alemão no Norte da África, se rende em 12 de maio de 1943.

Em 9 de julho de 1943, os aliados invadem a Sicília e começam a acabar com a ditadura de Benito Mussolini na Itália, o principal aliado de Hitler.

A Invasão da Normandia, em 6 de junho de 1944, abre uma nova frente de combate na Europa Ocidental. Na frente oriental, o Exército Vermelho da URSS avança rumo a Berlim. 

Em 20 de julho de 1944, Hitler sobrevive a um atentado na Toca do Lobo, seu esconderijo secreto na Prússia Oriental, na Operação Valquíria, uma conspiração para dar um golpe de Estado liderada pelo coronel Claus von Stauffenberg.

A Batalha de Ardenne, de 16 de dezembro de 1944 a 25 de janeiro de 1945, é a última grande contraofensiva alemã na frente ocidental, uma tentativa de deter o avanço das forças norte-americanas.

O Exército Vermelho ganha a corrida rumo a Berlim. Toma a capital da Alemanha em 8 de maio de 1945, fim da guerra na Europa. Hitler se suicida oito dias antes, em 30 de abril, um seu bunker em Berlim. As bombas atômicas de Hiroxima e Nagasáki, em 6 e 9 de agosto de 1945, levam à rendição do Japão e ao fim da Segunda Guerra Mundial.

RÁDIO ISOLADO

    Em 1902, quatro anos depois de descobrir os elementos radioativos rádio e polônio, o casal Marie e Pierre Curie consegue isolar sais de rádio de um minério em seu laboratório.

Maria Salomea Sklodowska nasce em Varsóvia, na Polônia, então parte do Império Russo, em 7 de novembro de 1867. Aos 24 anos, em 1891, ela segue a irmã mais velha, Bronislawa, e vai estudar na Universidade de Paris, onde se forma em física e química.

Na França, ela passa a ser chamada de Marie. Em 1894, quando obtém o segundo diploma, conhece Pierre Curie, instrutor da Escola Superior de Física e Química Industriais de Paris, apresentado pelo físico polonês Józef Kowalski, que sabia que Marie estava procurando um espaço maior para seu laboratório. Pierre lhe oferece o espaço.

A paixão pela ciência aproxima os dois. Pierre Curie a pede em casamento. Marie recusa. Quer voltar para a Polônia. De volta a Varsóvia, ela percebe que não pode fazer carreira em seu país, onde o acesso à universidade lhe é negado por ser mulher.

Por carta, Pierre Curie a convence a voltar para Paris para fazer um doutorado. Eles se casam em 26 de julho de 1895 sem cerimônia religiosa. Uma piada na época era que Marie era "a grande descoberta de Pierre".

No mesmo ano, Wilhelm Roentgen descobre os raios-X, mas não o fenômeno que os causa. Em 1896, Henri Becquerel percebe que o urânio emite raios semelhantes aos raios-X. Ela decide investigar o fenômeno para sua tese.

Marie Curie levanta a hipótese de que a radiação não seja resultado da interação entre moléculas, venha do próprio átomo. 

Entre suas realizações, estão a teoria da radioatividade, palavra que ela criou, técnicas para isolar isótopos radioativos e a descoberta de dois elementos químicos, o polônio e o rádio.

Ela é a primeira mulher a ganhar o Prêmio Nobel e a primeira professora da Universidade de Paris. Divide o Nobel de Física de 1903 com Becquerel e o marido pela descoberta da radioatividade. É também a primeira pessoa a ganhar duas vezes o Nobel. Ganha o prêmio de Química em 2011 pela descoberta do rádio e do polônio.

FIM DO IMPÉRIO OTOMANO

    Em 1924, a Grande Assembleia Nacional da Turquia aprova uma Constituição plenamente republicana e conclui a dissolução do Império Otomano, que durante seis séculos é o centro das interações entre Europa e Ásia. O general Mustafá Kemal, que proclama a república seis meses antes, é o primeiro presidente. Em 20 de novembro de 1934, ele adota o sobrenome de Atatürk, o Pai dos Turcos.

O Império Otomano é fundado pelo sultão Osmã I em 1299. Em 29 de maio de 1453, o imperador Mehmet II toma Constantinopla. É o fim do Império Romano do Ocidente e da Idade Média. O Império Otomano atinge o auge nos séculos 16 e 17, quando é uma das maiores potências mundiais. 

Os otomanos chegam a cercar Viena, a capital do Sacro Império Romano-Germânico, duas vezes. O Primeiro Cerco Otomano a Viena, de 27 de setembro a 14 de outubro de 1529, é um marco do fim da invencibilidade turca.

No mar, uma aliança de potências católicas sob a liderança de Felipe II, da Espanha, vence os otomanos na Batalha de Lepanto, na costa da Grécia, em 7 de outubro de 1571.

A derrota na Batalha de Viena, em 12 de setembro de 1683, depois de dois meses do Segundo Cerco Otomano a Viena, marca o início do recuo na Europa.

Nos séculos 17 e 18, o Império Otomano perde a supremacia militar sobre os europeus. Em 1821, a Grécia se torna o primeiro país dos Bálcãs e proclamar a independência, conquistada em 1830. Com uma reforma modernizante, a Tanzimat (1839-76), que significa reestruturação, o império recupera seus poderes ao longo do século 19. 

Depois de derrotas nas  Guerras dos Bálcãs (1912-13), os otomanos se aliam aos impérios Alemão e Austro-Húngaro na Primeira Guerra Mundial (1914-18). A Revolta Árabe (1916-18), apoiada pelo Império Britânico a conselho do major Thomas Edward Lawrence, o Lawrence da Arábia, vence o Império Otomano nas províncias árabes.

Os impérios Alemão, Austro-Húngaro e Otomano, derrotados, desaparecem no fim da guerra, assim como o Império Russo, vencido pela Alemanha e dissolvido pela Revolução de Fevereiro de 1917 na Rússia.

A partilha do Império Otomano no Tratado de Sèvres, de 10 de agosto de 1920, dá a origem ao que são hoje 40 países, inclusive a República Turca de Chipre do Norte, não reconhecida internacionalmente. Com a ocupação de Constantinopla, o movimento nacionalista turco luta pela independência de 1919 a 1922 sob a liderança de Mustafá Kemal. A monarquia acaba em 1º de novembro de 1922.

O Tratado de Lausanne reconhece a República da Turquia em 24 de julho de 1923. A Grande Assembleia Nacional proclama oficialmente a independência em 29 de outubro do mesmo ano. O califado é abolido em 3 de março de 1924.

MAIOR VAZAMENTO DE PETRÓLEO

    Em 2010, uma explosão na plataforma de petróleo Horizonte de Águas Profundas, no Golfo do México, a 66 quilômetros da costa da Louisiana, nos Estados Unidos, mata 11 funcionários, fere outros 17 e causa o maior vazamento acidental de petróleo da história, superado apenas para guerra ecológica do ditador do Iraque, Saddam Hussein, contra o Kuwait no fim da Guerra do Golfo Pérsico de 1991.

A plataforma, operada para companhia BP, antiga British Petroleum, afunda dois dias depois. O poço na sua base só é selado em 19 de setembro, depois de um vazamento de 4,9 milhões de barris, 780 mil metros cúbicos de petróleo.

O petróleo bruto chega à Baia de Tampa e ao Panhandle, na Flórida. Em 2013, 2,2 mil toneladas de material oleoso são removidas das praias da Louisiana, o dobro de 2012. O ambiente marinho, a vida selvagem e as indústrias de pesca e do turismo são abaladas fortemente.

Em abril de 2016, a BP faz um acordo com o Departamento da Justiça dos EUA para pagar multas no valor de US$ 20,8 bilhões. Em 2018, os custos de limpeza, encargos e penalidades chegam a US$ 65 bilhões.

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segunda-feira, 23 de março de 2026

Hoje na História do Mundo: 23 de Março

PRIMEIRO ELEVADOR

    Em 1857, o inventor norte-americano Elisha Otis instala a primeiro elevador em prédio comercial numa loja de departamentos em Nova York.

Otis, descendente de imigrantes ingleses, nasce em Halifax, no estado de Vermont, em 3 de agosto de 1811. De 1838 a 1845, ele constrói navios e carruagens. Em 1852, Otis é enviado para dirigir uma nova fábrica e instalar o maquinário em Yonkers, no estado de Nova York.

Lá, Otis projeta e constrói o primeiro elevador com uma trava de segurança para evitar a queda se a corrente ou corda que o puxa se romper. No ano seguinte, ele pede demissão e abre sua própria loja em Yonkers. A demanda é pequena.

Em 1854, uma demonstração no Chrystal Palace em Nova York atrai a atenção. O primeiro elevador em prédio comercial é instalado na empresa E. V. Haughwout & Co.

FUNDAÇÃO DO PARTIDO FASCISTA

   Em 1922, um grupo de pouco mais de 100 pessoas, veteranos de guerra, sindicalistas e intelectuais futuristas liderados por Benito Mussolini, se reúne na Aliança Industrial e Comercial de Milão, na Praça do Santo Sepulcro, para fundar o Partido Nacional Fascista com o objetivo de "declarar guerra ao socialismo por ser contra o nacionalismo".

Inicialmente, Mussolini chama do grupo de Fasci de Combatimento, algo como Fraternidade de Combate. Três anos e meio mais tarde, dois dias depois da Marcha sobre Roma, realizada em 28 de outubro de 1922, o rei Vítor Emanuel III nomeia Mussolini primeiro-ministro da Itália.

Em 3 de janeiro de 1925, Mussolini se declara ditador da Itália e adota o título de Duce (Líder). O Fascismo se alia ao Nazismo de Adolf Hitler, que leva o mundo à Segunda Guerra Mundial (1939-45).

Mussolini cai quando os aliados invadem a Itália, mas é libertado pelos nazistas e forma a República Social Italiana na região do Norte do país sob o controle do nazifascismo. É executado pela resistência italiana no fim da guerra, em 28 de abril de 1945, e pendurado de cabeça para baixo em Milão.

O partido Irmãos da Itália, da primeira-ministra Giorgia Meloni, é herdeiro político do Fascismo. Seu símbolo é uma chama tricolor nas cores da Itália. É o mesmo símbolo do Movimento Social Italiano, fundado em 1946 pelos herdeiros de Mussolini. 

PODERES ESPECIAIS PARA HITLER

    Em 1933, o Reichstag, o parlamento da Alemanha, aprova a Lei Habilitante, também chamada de Lei de Concessão de Poderes Especiais ou Lei para Sanar a Aflição do Povo e da Nação, seu verdadeiro nome. A lei dá poderes especiais a Adolf Hitler para reagir a uma suposta conspiração comunista que seria responsável pelo incêndio do Reichstag em 27 de fevereiro.

Depois de eleições em que o Partido Nacional-Socialista Trabalhista da Alemanha (Nazista) conquista 33% dos votos em 6 de novembro de 1932, Hitler é nomeado chanceler (primeiro-ministro). Menos de um mês depois, há o incêndio do parlamento. Os nazistas são suspeitos e acusam os comunistas. É o grande golpe da ascensão de Hitler ao poder total.

A Lei Habilitante é aprovada pelo Partido Nazista, pelo Partido Nacional Popular da Alemanha e pelo Partido de Centro. Dá os primeiros poderes ditatoriais a Hitler, permitindo que o governo prenda sem autorização judicial, proíba partidos políticos, censure a imprensa, crie leis sem aprovação do Parlamento e assine tratados com outros países sem a aprovação do Reichstag.

Com a morte do presidente Paul von Hindenburg, em 2 de agosto de 1934, o regime nazista convoca um plebiscito para unificar os cargos de presidente e primeiro-ministro na figura do Führer (Líder). Em 19 de agosto, os alemães aprovam a ditadura de Adolf Hitler com quase 90% dos votos.

DIREITOS HUMANOS

    Em 1976, entra em vigor a Convenção ou Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos, que incorpora os direitos consagrados pela Declaração Universal dos Direitos Humanos, aprovada pelas Nações Unidas em 10 de dezembro de 1948.

A convenção é aberta para adesões em 19 de dezembro de 1966. Reconhece o direito à vida; a não ser submetido a tortura ou penas ou tratamentos cruéis, desumanos e degradantes; a não ser submetido à escravidão ou ao tráfico de escravos; à liberdade e à segurança pessoal; à livre circulação; à igualdade perante tribunais e cortes de justiça; à liberdade de pensamento, de consciência, de religião e de expressão; e de não ser discriminado por raça, cor, sexo, língua, religião, opinião política ou de outra natureza, origem nacional ou social, situação econômica, nascimento ou qualquer condição.

GUERRA NAS ESTRELAS

    Em 1983, durante a Guerra Fria, o presidente Ronald Reagan anuncia que os Estados Unidos vão desenvolver a Iniciativa de Defesa Estratégica, um programa de tecnologia antimísseis para proteger o país de ataques de mísseis nucleares.

O projeto é logo chamado de Guerra nas Estrelas, referência à série de filmes de grande sucesso dos anos 1970. A União Soviética, que não consegue competir com os EUA em tecnologia da informação. protesta.

A iniciativa viola o Tratado de Mísseis Antibalísticos (ABM), de 1972, que proíbe o desenvolvimento e a instalação de sistemas de defesa antimísseis. Também é conhecido como "destruição mutuamente assegurada" (MAD, que significa louco em inglês), a garantia do equilíbrio do terror nuclear na Guerra Fria.

Aumenta a pressão sobre a URSS, o que leva a negociações de desarmamento e controle de armas depois da ascensão do reformista Mikhail Gorbachev à liderança do Partido Comunista, em 11 de março de 1985, e ao fim da Guerra Fria.  

PRIMEIRA ELEIÇÃO DIRETA EM TAIWAN

    Em 1996, Lee Teng-hui vence a primeira eleição presidencial direta em Taiwan e recebe um mandato para democratizar a ilha que a China considera uma província rebelde e ameaça invadir.
Lee nasce em 15 de janeiro de 1923 perto de Tan-shui, em Taiwan. Ele estuda na Universidade de Quioto, no Japão, e na Universidade Nacional de Taiwan, fez mestrado economia agrícola na Universidade Estadual de Iowa e doutorado na Universidade Cornell, nos Estados Unidos.

Em 1978, Lee é eleito prefeito de Taipé. Depois, é governador da província de Taiwan (1981-84) antes de se tornar vice-presidente de Chiang Ching-kuo, em 1984. Depois da morte de Chiang, em 1988, Lee assume a presidência do país e do partido do governo, o Kuomintang (KMT), que trava uma guerra civil contra o Partido Comunista até a vitória da revolução liderada por Mao Tsé-tung, em 1º de outubro de 1949, quando o então líder do KMT, Chiang Kai-shek, foge para Taiwan.

Durante a campanha eleitoral, a República Popular da China faz testes de mísseis para intimidar a democracia taiwanesa. O regime comunista chinês ameaça invadir a ilha se Taiwan declarar a independência. Lee adota uma política de "diplomacia flexível" em relação à China continental e levanta as restrições de viagem e comércio.

A tensão nas relações bilaterais continua e se agrava em 1999, quando Lee anuncia que os contatos serão feito de Estado para Estado. O mandato de Lee termina em 2000, quando o KMT perde as eleições e o controle de Taiwan pela primeira vez para o Partido Democrático Progressista (PDP), mais favorável à independência, que está no poder atualmente.

O KMT segue a política dos Três Nãos: não à guerra, não à independência e não à unificação.
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sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

Hoje na História do Mundo: 30 de Janeiro

 CARLOS I EXECUTADO

    Em 1649neva em Whitehall, no centro de Londres, quando o rei Carlos I é decapitado por traição durante a Guerra Civil Inglesa (1642-51).

A execução é o ápice de uma crise entre os monarquistas católicos e o Parlamento de maioria protestante durante a Guerra Civil Inglesa.

Em 27 de janeiro de 1649, a Alta Corte ou Tribunal Superior de Justiça condena Carlos I, rei da Inglaterra, da Escócia e da Irlanda, por "deter um poder tirânico e ilimitado para governar por sua vontade e por negar os direitos e liberdades do povo". A pena é a morte por degola.

Carlos I é decapitado numa estrutura armada na frente da Banquet House, em Whitehall, diante de uma multidão que enfrenta o frio para ver o regicídio. O rei faz um discurso final declarando-se inocente e um "mártir do povo", mas só quem está perto dele ouve.

Com a execução do rei, começa o breve período da República na história da Inglaterra, sob a liderança tirânica de Oliver Cromwell. Com a morte de Cromwell, em 1658, seu filho o substitui, mas a monarquia é restaurada em 1660, com a ascensão ao trono de Carlos II, filho de Carlos I.

HITLER CHANCELER

    Em 1933, depois da vitória do Partido Nazista sem maioria absoluta, o presidente Paul von Hindenburg nomeia Adolf Hitler chanceler (primeiro-ministro) da Alemanha, cargo que ocupa até a morte, no fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45).

Hitler nasce em 20 de abril de 1898 em Braunau, na Áustria. Pintor medíocre, luta na Primeira Guerra Mundial (1914-18) como cabo do Exército da Alemanha. Em 1919, entra para o Partido Trabalhista Alemão, que no ano seguinte muda de nome para Partido Nacional-Socialista Trabalhista Alemão.

Em 8 a 9 de novembro de 1923, os nazistas tentam o Golpe da Cervejaria de Munique para tomar o poder na Baviera. Hitler é preso, mas o julgamento o transforma em celebridade. Num ano de cadeia, ele escreve Mein Kampf (Minha Luta), o grande manual do nazismo.

Decidido a chegar ao poder pela via democrática, Hitler faz uma vigorosa campanha ultranacionalista, denunciando a injustiça do Tratado de Versalhes (1919), antissemita e anticomunista.

O colapso da Bolsa de Nova York, em outubro de 1929, também atinge a economia alemã. Se o desemprego chega a 25% nos Estados Unidos em 1932, na Alemanha vai a quase 30% Enquanto os norte-americanos elegem Franklin Roosevelt e seu New Deal (Novo Pacto), nas eleições de 31 de julho de 1932, os nazistas conquistam o maior número de cadeiras no Reichstag, 230 de 585, com 37% dos votos.

Em 6 de novembro de 1932, há outra eleição antecipada. Com 33% dos votos, os nazistas elegem 196 deputados, mas continuaram sendo o maior partido no Parlamento. São as últimas eleições livres na Alemanha.

Um mês depois de Hitler ser nomeado primeiro-ministro, em 27 de fevereiro, os nazistas tocam fogo no Parlamento e acusam os comunistas. É o grande golpe de Hitler. Ele aproveita o episódio para obter poderes especiais, perseguir adversários políticos e conquistar maioria absoluta na Câmara.

Com a morte de Hindenburg, em 2 de agosto de 1934, Hitler acumula os dois cargos, de presidente e primeiro-ministro, chefe de Estado e de governo. Em 19 de agosto, com quase 90% dos votos, um referendo o transforma no Führer, um ditador com poderes absolutos.

PIOR NAUFRÁGIO DA HISTÓRIA

    Em 1945, um submarino soviético põe a pique o navio alemão Wilhelm Gustloff matando quase 9 mil pessoas no pior desastre marítimo da história.

O Gustloff é fabricado para o programa Força através da Alegria, que promove atividades de lazer para os trabalhadores alemães. Tem 208,5 metros e pesa mais de 25 mil toneladas. É batizado em homenagem ao líder do Partido Nazista da Suíça, assassinado em 4 de fevereiro de 1936. O ditador nazista Adolf Hitler participa do lançamento, em 5 de maio de 1937.

Em 10 de maio de 1938, serve como local de votação para alemães e austríacos residentes no Reino Unido participarem do referendo sobre a anexação da Áustria pela Alemanha. Faz parte da frota que leva soldados da Legião do Condor de volta à Alemanha no fim da Guerra Civil Espanhola (1936-39), em maio de 1939.

No começo da Segunda Guerra Mundial (1939-45), é um navio-hospital no Mar Báltico. A partir de novembro de 1940, serve como quartel da 2ª Divisão de Treinamento de Submarinos.

Quando o Exército Vermelho da União Soviética avança pela Prússia Oriental, o almirante Karl Dönitz prepara a evacuação de 2 milhões de alemães na Operação Hannibal, muito maior do que a Retirada de Dunquerque, quando os britânicos fogem da França para fugir do avanço das forças alemães de 26 de maio a 4 de junho de 1940.

O navio começa a embarcar refugiados em 25 de janeiro. Em 29 de janeiro, há 7.956 refugiados registrados. A estimativa é que mais 2 mil pessoas embarcam. O Gustloff zarpa em 30 de janeiro. Por medo de que os motores do navio, parado há anos, tenham problemas, o capitão Friedrich Petersen decide viajar a no máximo 10 nós por hora (22 km/h). Ele ignora o conselho do comandante da 2ª Divisão de Treinamento de Submarinos para ir a 15 nós por hora (28 km/h) para escapar dos submarinos inimigos.

Apesar do grande número de civis, o Gustloff leva cerca de mil soldados e equipamentos militares, o que o torna um alvo de guerra. Às 21h16 pela hora local, três torpedos do submarino soviético S-13 atingem o Gustloff, que afunda em uma hora. O navio tem barcos salva-vidas para 5 mil pessoas, mas um torpedo atinge o local onde está a tripulação, encarregada de realizar o salvamento. Nove navios resgatam 1.239 sobreviventes. 

ASSASSINATO DA GRANDE ALMA

    Em 1948, um fundamentalista hindu mata o herói da independência da Índia, Mohandas Karamchand Gandhi, o Mahatma (Grande Alma), aos 78 anos.

Advogado nacionalista e anti-imperialista, Gandhi lidera a luta pela independência da Índia com uma campanha não violenta de resistência e desobediência civil contra o Império Britânico.

Gandhi nasce em Porbandar, na Índia, em 2 de outubro de 1869, estuda direito em Londres e vai para a África do Sul, onde a comunidade indiana luta por direitos civis e ele aplica pela primeira vez os princípios da resistência não violenta do norte-americano Henry David Thoreau, que conhece através do escritor russo Leon Tolstoy. De volta à Índia, em 1921, vira líder do Congresso Nacional Indiano.

Apesar de defender o pluralismo religioso, Gandhi não consegue evitar a divisão do subcontinente indiano entre Índia e Paquistão, em agosto de 1947, quando ambos se tornam independentes do Império Britânico.

Mahatma acaba de fazer suas orações quando é morto por Nathuram Vinayak Godse, um ultranacionalista hindu membro da organização paramilitar Rashtryia Swayamsevak Sangh (RSS) em que o atual primeiro-ministro Narendra Modi inicia sua atividade política.

Modi está acabando com o legado de Gandhi de uma Índia pluralista com 900 povos que falam línguas diferentes e professam uma enorme variedade de religiões.

DOMINGO SANGRENTO

    Em 1972, atiradores de elite do Exército do Reino Unido atiram contra uma manifestação pacífica em Londonderry de católicos nacionalistas e republicanos contra o domínio britânico da Irlanda do Norte e matam 13 pessoas desarmadas (outra morre meses depois), no Domingo Sangrento ou Massacre de Bogside, o pior em 30 anos de guerra civil.

Quando a República da Irlanda se torna independente, em 1922, seis dos nove condados da província do Úlster, de maioria protestante, formam a Irlanda do Norte, que permanece sendo parte do Reino Unido.

A minoria católica e republicana sente-se discriminada dentro do Reino Unido. Quer fazer parte da Irlanda. A revolta aumenta na onda dos movimentos de libertação nacional dos anos 1960 e leva à guerra civil na Irlanda do Norte e à intervenção militar britânica em 1969.

O Exército Republicano Irlandês (IRA) Provisório é a maior força do lado católico, republicano e nacionalista irlandês na guerra contra o Reino Unido. 

O serviço secreto militar britânico suspeita que o IRA vai se infiltrar na manifestação em Bogside e pode usar a multidão como escudo humano para atacar as forças de segurança. Atiradores de elite da força de paraquedistas do Exército Real vão para o alto dos prédios em missão especial que não é do conhecimento de agentes que estão policiando a manifestação no solo.

A marcha encontra vários bloqueios armados pelos soldados britânicos. Jovens manifestantes jogam pedras nos soldados, que respondem com balas de borracha, gás lacrimogênio e canhões d'água. Quando a multidão vê os paraquedistas no alto dos prédios, ataca com pedradas.

No meio da confusão, com tiros de balas de borracha disparados em terra, os atiradores disparam contra a multidão com munição letal. Os primeiros inquéritos acobertam o crime, alegando que os soldados atiraram em manifestantes armados que jogavam bombas.

Depois de 12 anos de investigação presidida por Lorde Mark Oliver Saville, o Relatório Saville conclui em 2010 que as mortes foram "injustas" e "injustificáveis". Nenhuma vítima estava armada nem representava qualquer perigo e nenhuma bomba foi jogada. 

O então primeiro-ministro britânico, David Cameron, pede desculpas. Ninguém nunca é punido pelo Domingo Sangrento da Irlanda do Norte.