PRIMEIRO ELEVADOR
Aumenta a pressão sobre a URSS, o que leva a negociações de desarmamento e controle de armas depois da ascensão do reformista Mikhail Gorbachev à liderança do Partido Comunista, em 11 de março de 1985, e ao fim da Guerra Fria.
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
PRIMEIRO ELEVADOR
Aumenta a pressão sobre a URSS, o que leva a negociações de desarmamento e controle de armas depois da ascensão do reformista Mikhail Gorbachev à liderança do Partido Comunista, em 11 de março de 1985, e ao fim da Guerra Fria.
Benenson é inspirado por dois estudantes portugueses presos por fazerem um brinde à liberdade durante a ditadura salazarista. O movimento dá origem à organização não governamental Anistia Internacional.
BOMBA PAQUISTANESA
Em 1998, o Paquistão faz uma série de explosões nucleares subterrâneas e se torna o sétimo país do mundo a fabricar a bomba atômica.
O Paquistão começa a desenvolver armas nucleares em 20 de janeiro de 1972, quando o primeiro-ministro Zulfikar ali Bhutto reúne cientistas e engenheiros, e pede que façam a bomba em três anos para garantir a sobrevivência do país depois da derrota em 1971 na Guerra da Independência de Bangladesh.Sem apoio suficiente de aliados como a China e os EUA, o Paquistão perde 150 mil quilômetros quadrados de território e cerca da metade da população para um novo país, Bangladesh. Sente-se isolado internacionalmente.
Quando a arqui-inimiga Índia faz sua primeira explosão atômica, Buda Sorridente, em 1974, o Paquistão acelera o programa nuclear, que ganha impulso em 1974, com a adesão Abdul Qadir Khan, considerado o pai da bomba atômica paquistanesa. Em 1984, o Paquistão atinge a capacidade nuclear.
Depois que a Índia faz dois testes nucleares em maio de 1998, o Paquistão decide assumir publicamente a condição de potência atômica.
PRIMEIRO ELEVADOR
Aumenta a pressão sobre a URSS, o que levaria a negociações de desarmamento e controle de armas depois da ascensão do reformista Mikhail Gorbachev à liderança do Partido Comunista, em 11 de março de 1985, e ao fim da Guerra Fria.
O ex-presidente dos Estados Unidos Jimmy Carter (1977-81) morreu hoje aos 100 anos. Por causa das crises do petróleo e da ocupação da Embaixada dos EUA no Irã depois da Revolução Islâmica, Carter governou por apenas um mandato.
Perdeu a reeleição para Ronald Reagan em 1980, mas nunca parou de promover a democracia e os direitos humanos. Ele negociou o histórico acordo de paz entre Israel e o Egito, e ganhou o Prêmio Nobel da Paz de 2002. O Centro Carter observa e fiscaliza eleições em vários países.
Carter foi uma resposta aos governos de Richard Nixon (1969-74), que renunciou para não sofrer impeachment por causa do Escândalo de Watergate, e uma punição ao presidente Gerald Ford (1974-77), que perdoou Nixon e foi derrotado por Carter em 1976. Ao tomar posse, Carter perdoou os desertores da Guerra do Vietnã (1955-75).
Quando Leonel Brizola recebeu um aviso para sair do Uruguai, em 1977, em plena Operação Condor, depois das mortes suspeitas dos ex-presidentes João Goulart, Juscelino Kubitschek e do ex-governador Carlos Lacerda em 1976, o presidente Carter o acolheu nos EUA.
Conservador, batista, produtor de amendoim na Geórgia, um estado do Sul onde foi governador, Carter talvez tenha sido o mais religioso de todos os presidentes dos EUA. Fazia sua orações diariamente na Casa Branca, mas nunca manipulou a fé por objetivos políticos, o que seria feito por seu sucessor, Ronald Reagan, que atraiu a direita religiosa, que tradicionalmente não votava, para o Partido Republicano.
Sua política de direitos humanos, um instrumento de propaganda na Guerra Fria contra a União Soviética, ignorou crimes cometidos por ditadores aliados como o Xá do Irã, Ferdinando Marcos nas Filipinas e Suharto na Indonésia. Mas serviu para expor e irritar as ditaduras militares da América Latina, que tinham o apoio explícito de Henry Kissinger, o secretário de Estado de Nixon e Ford. Apesar da hipocrisia da superpotência ao excluir aliados, teve um impacto nos países sob ditaduras, principalmente na América Latina.
Benenson é inspirado por dois estudantes portugueses presos por fazerem um brinde à liberdade durante a ditadura salazarista. O movimento dá origem à organização não governamental Anistia Internacional.
BOMBA PAQUISTANESA
Em 1998, o Paquistão faz uma série de explosões nucleares subterrâneas e se torna o sétimo país do mundo a fabricar a bomba atômica.
O Paquistão começa a desenvolver armas nucleares em 20 de janeiro de 1972, quando o primeiro-ministro Zulfikar ali Bhutto reúne cientistas e engenheiros, e pede que façam a bomba em três anos para garantir a sobrevivência do país depois da derrota em 1971 na Guerra da Independência de Bangladesh.Sem apoio suficiente de aliados como a China e os EUA, o Paquistão perde 150 mil quilômetros quadrados de território e cerca da metade da população para um novo país, Bangladesh. Sente-se isolado internacionalmente.
Quando a arqui-inimiga Índia faz sua primeira explosão atômica, Buda Sorridente, em 1974, o Paquistão acelera o programa nuclear, que ganha impulso em 1974, com a adesão Abdul Qadir Khan, considerado o pai da bomba atômica paquistanesa. Em 1984, o Paquistão atinge a capacidade nuclear.
Depois que a Índia faz dois testes nucleares em maio de 1998, o Paquistão decide assumir publicamente a condição de potência atômica.
A jornalista e ativista dos direitos humanos Narges Mohammadi, presa em Teerã e condenada a 31 anos de prisão e 154 chibatadas, ganhou hoje o Prêmio Nobel da Paz de 2023 "por seu combate contra a opressão das mulheres no Irã e sua luta pela promoção dos direitos humanos e da liberdade para todos", anunciou em Oslo a presidente do comitê norueguês do Nobel, Berit Reiss Andersen.
"Ela apoia a luta das mulheres pelo direito de ter vidas plenas e dignas", acrescentou o comitê. "Esta luta, em todo o Irã, tem sido alvo de perseguição, prisão, tortura e até a morte." Em nota divulgada pela irmã, ela promete continuar lutando até a libertação das mulheres no Irã.
Narges Mohammadi, de 51 anos, é vice-presidente do Centro dos Defensores dos Direitos Humanos (CDDH), dirigido pela advogada Shirin Ebadi, laureada com o Prêmio Nobel da Paz de 2003. A rádio e televisão pública britânica BBC a considerou no ano passado uma das 100 mulheres mais influentes do mundo. A Organização das Nações Unidas exigiu hoje sua libertação imediata.
O prêmio vem depois de uma onda de protestos pela defesa dos direitos das mulheres iranianas deflagrada pela morte sob tortura, em 16 de setembro do ano passado, de Mahsa Asimi, uma estudante de 22 anos presa pela polícia da moralidade por não usar corretamente o véu muçulmano. Pelo menos 551 manifestantes foram mortos e milhares presos.
Narges nasce em Zanjan, no Irã, em 21 de abril de 1972. Ela estuda física na Universidade Internacional Imã Khomeini e se torna engenheira. Durante a faculdade, escreve no jornal universitário e é presa duas vezes em reuniões do Grupo de Estudantes Iluminados, um movimento estudantil.
Ela passa a trabalhar como jornalista e publica um livro de ensaios políticos, As Reformas, a Estratégia e as Táticas. Em 2003, entra para a organização de defesa dos direitos humanos de Shirin Ebadi.
PROCESSOS
Os problemas com os tribunais revolucionários da ditadura teocrática dos aiatolás e da Guarda Revolucionária do Irã começam em 1998, quando Nasges é presa durante um por críticas ao regime fundamentalista xiita iraniano, que hoje tem um dos juízes da morte, Ebrahim Raisi, como presidente. Esses juízes são responsáveis pelas execuções de mil e 30 mil presos politicos em 1988, na maioria esquerdistas.
Em abril de 2010, ela é intimada a se apresentar a um tribunal revolucionário. É presa, libertada sob fiança e presa de novo. Com uma doença semelhante à epilepsia, é solta e hospitalizada.
Em julho de 2011, é condenada por "agir contra a segurança nacional, ser ligada ao CDDH e fazer propaganda contra o regime". A sentença de 11 anos de cadeia a acusa de tentar derrubar o regime ao defender os direitos humanos. Em março de 2012, um tribunal de recursos mantém a condenação, mas reduz a pena para 6 anos.
O governo britânico, a organização de defesa dos direitos humanos Anistia Internacional e a ONG Repórteres sem Fronteiras protestaram contra a sentença. Presa em 26 de abril, ela sai em 12 de julho.
Num discurso comovente diante do túmulo de Sattar Beheshti, em 31 de outubro de 2014, Narges protesta: "Como é que os membros do Parlamento estão sugerindo um Plano para a Promoção da Virtude e Prevenção do Vício, mas ninguém se pronunciou há dois anos, quando um ser humano inocente chamado Sattar Beheshti morreu sob tortura nas mãos de seu inquisidor?" O vídeo viraliza.
Em 5 de maio de 2015, ela é presa de novo e depois condenada a dez anos de reclusão por criar e dirigir "um movimento pelos direitos humanos que faz campanha pela abolição da pena de morte", cinco anos por "reunião e conluio contra a segurança nacional" e "um ano por fazer "propaganda contra o sistema" ao dar entrevistas à mídia estrangeira e se encontrar com uma representante da União Europeia.
ABUSO SEXUAL, TORTURA E MAUS-TRATOS
Na prisão, ela faz greve de fome em 2019 e pega covid-19 em 2020. É solta em 8 de outubro de 2020. Em 27 de fevereiro de 2021, ela divulga um vídeo denunciado abusos sexuais e maus-tratos que as mulheres são submetidas nas prisões iranianas.
Ao escrever o prefácio do Relatório Anual de Direitos Humanos sobre a Pena de Morte, em março de 2021, Narges disse: "A execução de pessoas como Navid Afkari e Ruhollah Zam no ano passado foram as execuções mais ambíguas no Irã. A pena de morte para Ahmadreza Djalali é uma das sentenças mais errôneas e as razões para a emissão dessas sentenças de morte precisam ser cuidadosamente examinadas.
"Essas pessoas foram condenadas à morte após serem mantidas em confinamento solitário e submetidas a horríveis torturas psicológicas e mentais, por isso não considero o processo judicial justo ou justo. Os vejo manter os réus em confinamento solitário, forçando-os a fazer confissões falsas que são usadas como prova chave na emissão dessas sentenças.
"É por isso que estou particularmente preocupada com as recentes prisões no Sistão, Baluchistão e Curdistão, e espero que as organizações anti-pena de morte prestem atenção especial aos detidos porque temo que enfrentaremos outra onda de execuções no próximo ano."
Em maio de 2021, um tribunal penal de Teerã a condena a dois anos e meio de reclusão, 80 chicotadas e duas multas "por espalhar propaganda contra o sistema".
Durante os protestos pela morte sob tortura da jovem Mahsa Amini, em dezembro do ano passado, Narges voltou a denunciar em reportagem da BBC os abusos a que as mulheres presas são submetidas.
Em janeiro deste ano, Narges deu mais detalhes do que acontece na prisão de Evin: de 58 prisioneiras, 57 passaram 8.350 dias no confinamento solitário no total e 56 dessas mulheres são condenadas a um total de 275 anos de cadeia.
"NÃO VOU PARAR NUNCA"
Narges Mohammadi é a 19ª mulher a ganhar o Nobel da Paz em 122 anos de prêmio e a quinta pessoa laureada enquanto está presa. Vai receber 11 milhões de coroas suecas, cerca de R$ 5 milhões. Como outros laureados em anos anteriores, pode não participar da cerimônia de premiação por estar presa.
Há dois dias, ela recebeu a visita de uma irmã na prisão e mandou um recado para o caso de ganhar o Nobel da Paz: "Não vou parar nunca de lutar pela instauração da democracia, da liberdade e da igualdade. É certo que o Prêmio Nobel da Paz vai me tornar mais resistente. , mais determinada, mais otimista e mais entusiasmada nesta via, e ele vai acelerar meu passo.
"Ficarei no Irã. Continuarei minha luta cívica pelos oprimidos e contra as instituições repressivas mesmo que tenha de passar o resto da vida na prisão. Ao lado de todas as mães corajosas do irã, continuarei a me bater por contra as incessantes discriminações, tiranias e opressões sexistas deste governo religioso repressivo até a libertação das mulheres."
Depois de ficar preso durante 14 anos, seu marido, Taghi Rahmani, vive exilado em Paris com os dois filhos gêmeos do casal, Ali e Kiana. Ela preferiu ficar para continuar a luta. À agência de notícias Reuters, ele afirmou hoje: "Mais importante é que este prêmio, de fato, um prêmio para a mulher, a vida e a liberdade”, o lema do movimento contra o suplício de Mahsa Asimi.
Sob o impacto da guerra da Rússia contra a Ucrânia, no ano passado, o Nobel da Paz premiou a organização não governamental russa Memorial, que documenta abusos cometidos desde o regime comunista, fechada pela ditadura de Vladimir Putin, o Centro pelas Liberdades Civis da Ucrânia e o oposicionista bielorrusso Ales Bialiatski.
Agora, neste ano, resta apenas o Prêmio Nobel de Economia, a ser anunciado na segunda-feira em Estocolmo, na Suécia.
A presidente histórica da Associação das Mães da Praça de Maio, Hebe de Bonafini, morreu hoje aos 93 anos no Hospital Italiano de La Plata, onde estava internada desde o dia 12, informou a família.
Defensora radical dos direitos humanos, lutou até o fim da vida para esclarecer os desaparecimentos durante a última ditadura cívico-militar da Argentina (1976-83). Duríssima em suas críticas, inclusive de aliados, nunca se calou, nem na ditadura nem na democracia.
Ela será cremada. As cinzas serão jogadas num espaço verde diante da Casa Rosada, onde estão as de Azucena Villaflor, fundadora e presidente das Mães da Praça de Maio sequestrada pela ditadura em 10 de dezembro de 1977, Dia Internacional dos Direitos Humanos. Nesta data, em 1948, as Nações Unidas aprovaram sua Declaração Universal dos Direitos do Homem.
Em 30 de novembro de 1976, oito meses depois do golpe militar de 24 de março, durante o "processo de reorganização nacional", Néstor, filho de Azucena, e sua noiva, Raquel Mangin, foram sequestrados e desapareceram.
MÃES PROTESTAM
Ao recorrer às autoridades sem sucesso, ela tem contato com outras mães na mesma situação, entre elas Hebe de Bonafini. Em 30 de abril de 1977, 14 mães protestam na Praça de Maio, em frente à Casa Rosada, sede do governo argentino, contra o silêncio da ditadura diante do desaparecimento de seus filhos.
Quando os militares as advertem a não se concentrar, elas decidem circular pela praça em silêncio. A primeira marcha é num sábado. Depois, passa a se repetir toda quinta-feira às três e meia da tarde. Com o tempo, as mães passam a usar lenços de cabeça brancos com os nomes dos filhos desaparecidos.
FAMIGERADA ESMA
Azucena Villaflor foi sequestrada e levada para a famigerada Escola de Mecânica da Armada (ESMA), o principal centro de detenção e tortura da guerra suja dos militares argentinos contra a esquerda.
Os corpos dela e de outros sequestrados apareceram dias depois em praias do Rio da Prata. Os restos mortais só foram identificados em 2005. A autópsia revelou que a causa da morte foi impacto ao bater na água após ser jogada viva de um avião.
Pelo menos 5 mil dos 30 mil mortos pela última ditadura cívico-militar argentina passaram por aquele prédio na Avenida Figueroa Alcorta, uma das principais de Buenos Aires, onde fica o Estádio Monumental de Núñez, do River Plate, o maior do país.
Quem passava de carro e via as luzes acesas à noite sabia o que estava acontecendo na ESMA, onde mulheres que deram à luz tiveram de limpar o chão da sela com um pano de chão sujo, foram mortas e tiveram seus filhos roubados.
Mais de 500 crianças foram sequestradas e adotadas por aliados do regime, tema do filme A História Oficial, de Luiz Puenzo, ganhador do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 1986. As Avós da Praça de Maio encontraram 130 netos até hoje.
DONA DE CASA VAI À LUTA
Hebe de Bonafini nasceu em 4 de dezembro de 1928 num bairro operário de Ensenada, que fica junto a La Plata, capital da Província de Buenos Aires. Aos 14 anos, casou com Humberto Alfredo Bonafini. O casal teve três filhos: Jorge Omar, Raúl Alfredo e María Alejandra.
Jorge Omar desapareceu em La Plata em 8 de fevereiro de 1977. Raúl Alfredo teve o mesmo destino em 6 de dezembro do mesmo ano, em Berazategui. Em 25 de maio de 1978, pouco antes da Copa do Mundo na Argentina, a repressão sequestrou a nora María Elena Bugnone Cepeda, mulher de Jorge Omar.
Presidente da Associação das Mães da Praça de Maio, Bonafini foi lutadora incansável na busca dos desaparecidos e seus filhos, os netos da Praça de Maio. Os militares as chamavam de Loucas da Praça de Maio.
"Antes que meu filho fosse sequestrado, até 7 de fevereiro de 1977, eu era uma mulher como as outras, uma dona de casa a mais da cidadezinha onde me criei. Em 8 de fevereiro, virei Hebe de Bonafini. A questão econômica, a situação política do país me eram totalmente alheias, indiferentes. Mas desde que desapareceu meu filho, o amor que eu sentia por ele, o afã de buscar até encontrá-lo, por rogar, por pedir, por exigir que o entregassem a mim; o encontro e a ânsia compartilhada com outras mães que sofriam a mesma angústia que eu me levaram a saber e a valorizar muitas coisas que não sabia e não me interessava em saber", declarou ela numa igreja em Madri em outubro de 1982.
"Agora, vou me dando conta de que todas as estas coisas com que muita gente não se preocupa são importantíssimas porque delas depende o futuro de um país inteiro, a felicidade ou a desgraça de muitíssimas famílias", acrescentou.
POPSTARS
Quando o roqueiro inglês Sting tocou na Argentina, em 1987, chamou as Mães para o palco no Estádio Monumental de Núñez e cantou a música They Dance Alone, composta em sua homenagem. Elas viraram popstars.
Em 1988, a banda de rock irlandesa U-2 visitou a Associação das Mães da Praça de Maio e as convidou a subir ao palco. Hebe foi ao show e presenteou o líder do grupo, Bono Vox, com um lenço com o nome dos filhos desaparecidos.
JUSTIÇA
A aliança com o kirchnerismo vem desde que o governo Néstor Kirchner (2003-7) revogou, em 21 de agosto de 2003, as Leis de Obediência Devida e Ponto Final e mais tarde os indultos de Carlos Menem (1989-99) aos comandantes das juntas militares. Em 2005, a Corte Suprema considerou as leis inconstitucionais e reabriu os processos contra sequestradores, torturadores e assassinos da ditadura. Em 2010, confirmou a inconstitucionalidade dos indultos.
Desde então, 1.065 pessoas foram condenadas em 269 sentenças. Há 364 casos em andamento, 17 nas fases finais dos processos.
CONTROVÉRSIAS
Visceralmente antinorte-americana, responsabiliza os EUA pela ditadura militar. Estava em Cuba em 11 de setembro de 2001 e festejou o ataque às Torres Gêmeas "pelo bloqueio, pelos meus filhos". Foi alvo de críticas ferozes. Não recuou.
Depois de criticar o cardeal Mario Bergoglio, então arcebispo de Buenos Aires, quando foi eleito papa Francisco, ela pediu desculpas em audiência privada no Vaticano e reconheceu seu trabalho para os pobres: "Ele é peronista", concluiu com orgulho.
Há até um escândalo de corrupção, o desvio de 206 milhões de um total de 748 milhões de pesos argentinos que os governos Néstor e Cristina Kirchner deram à Fundação Madres da Praça de Maio para construção de habitações populares no projeto Sonhos Compartilhados.
O juiz Martínez de Giorgio a considerou "partícipe de fraude contra o Estado". Em agosto de 2016, Hebe se negou a depor e declarou estar pronta para ser presa porque só o que lhe interessava eram "os filhos e os 30 mil desaparecidos."
A investigação é sobre Sergio Shoklender, procurador da fundação acusado de obter financiamento ilegal do Ministério do Planejamento Federal na gestão de Julio De Vido, um expoente do kirchnerismo hoje preso e processado por corrupção. Em seu depoimento, Hebe de Bonafini avalizou todas as ações de Shoklender. O caso não foi julgado até hoje.
HOMENAGENS OFICIAIS
O presidente Alberto Fernández decretou luto oficial por três dias e, através do Twitter da Casa Rosada, se despediu "com profunda dar e respeito a Hebe de Bonafini, Mãe da Praça de Maio e incansável lutadora pelos direitos humanos."
Nas suas redes, disse: "Exigindo verdade e justiça junto com as Mães e Avós, enfrentou os genocidas quando o sentido comum coletivo ia em outra direção."
Elas foram a grande resistência ao massacre no pior período da ditadura, desmoralizada pela derrota para o Reino Unido na Guerra das Malvinas (1982), quando militares assassinos como o tenente de navio Alfredo Astiz, o Anjo da Morte, acusado de matar a adolescente sueco-argentina Dagmar Hagelin com um tiro pelas costas, se renderam aos britânicos sem disparar um tiro.
A vice-presidente Cristina Kirchner escreveu: "Queridíssima Hebe, Mãe da Praça de Maio, símbolo mundial da luta pelos direitos humanos, orgulho da Argentina. Deus te chamou no Dia da Soberania Nacional... não deve ser casualidade. Simplesmente obrigado para sempre."
A Secretaria de Direitos Humanos da Argentina destacou que "Hebe compartilhou com as Mães um destino que as uniu na luta contra a impunidade dos crimes do terrorismo do Estado, resistindo diante do silêncio e do esquecimento. Sua vida e sua obra, seu exemplo de compromisso e entrega às causas populares constituem um legado que nos acompanhará para sempre, nos guiando no caminho da defesa dos direitos humanos, da memória, da verdade e da justiça, e também na luta contra a impunidade e o neoliberalismo."