Mostrando postagens com marcador KMT. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador KMT. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 23 de março de 2026

Hoje na História do Mundo: 23 de Março

PRIMEIRO ELEVADOR

    Em 1857, o inventor norte-americano Elisha Otis instala a primeiro elevador em prédio comercial numa loja de departamentos em Nova York.

Otis, descendente de imigrantes ingleses, nasce em Halifax, no estado de Vermont, em 3 de agosto de 1811. De 1838 a 1845, ele constrói navios e carruagens. Em 1852, Otis é enviado para dirigir uma nova fábrica e instalar o maquinário em Yonkers, no estado de Nova York.

Lá, Otis projeta e constrói o primeiro elevador com uma trava de segurança para evitar a queda se a corrente ou corda que o puxa se romper. No ano seguinte, ele pede demissão e abre sua própria loja em Yonkers. A demanda é pequena.

Em 1854, uma demonstração no Chrystal Palace em Nova York atrai a atenção. O primeiro elevador em prédio comercial é instalado na empresa E. V. Haughwout & Co.

FUNDAÇÃO DO PARTIDO FASCISTA

   Em 1922, um grupo de pouco mais de 100 pessoas, veteranos de guerra, sindicalistas e intelectuais futuristas liderados por Benito Mussolini, se reúne na Aliança Industrial e Comercial de Milão, na Praça do Santo Sepulcro, para fundar o Partido Nacional Fascista com o objetivo de "declarar guerra ao socialismo por ser contra o nacionalismo".

Inicialmente, Mussolini chama do grupo de Fasci de Combatimento, algo como Fraternidade de Combate. Três anos e meio mais tarde, dois dias depois da Marcha sobre Roma, realizada em 28 de outubro de 1922, o rei Vítor Emanuel III nomeia Mussolini primeiro-ministro da Itália.

Em 3 de janeiro de 1925, Mussolini se declara ditador da Itália e adota o título de Duce (Líder). O Fascismo se alia ao Nazismo de Adolf Hitler, que leva o mundo à Segunda Guerra Mundial (1939-45).

Mussolini cai quando os aliados invadem a Itália, mas é libertado pelos nazistas e forma a República Social Italiana na região do Norte do país sob o controle do nazifascismo. É executado pela resistência italiana no fim da guerra, em 28 de abril de 1945, e pendurado de cabeça para baixo em Milão.

O partido Irmãos da Itália, da primeira-ministra Giorgia Meloni, é herdeiro político do Fascismo. Seu símbolo é uma chama tricolor nas cores da Itália. É o mesmo símbolo do Movimento Social Italiano, fundado em 1946 pelos herdeiros de Mussolini. 

PODERES ESPECIAIS PARA HITLER

    Em 1933, o Reichstag, o parlamento da Alemanha, aprova a Lei Habilitante, também chamada de Lei de Concessão de Poderes Especiais ou Lei para Sanar a Aflição do Povo e da Nação, seu verdadeiro nome. A lei dá poderes especiais a Adolf Hitler para reagir a uma suposta conspiração comunista que seria responsável pelo incêndio do Reichstag em 27 de fevereiro.

Depois de eleições em que o Partido Nacional-Socialista Trabalhista da Alemanha (Nazista) conquista 33% dos votos em 6 de novembro de 1932, Hitler é nomeado chanceler (primeiro-ministro). Menos de um mês depois, há o incêndio do parlamento. Os nazistas são suspeitos e acusam os comunistas. É o grande golpe da ascensão de Hitler ao poder total.

A Lei Habilitante é aprovada pelo Partido Nazista, pelo Partido Nacional Popular da Alemanha e pelo Partido de Centro. Dá os primeiros poderes ditatoriais a Hitler, permitindo que o governo prenda sem autorização judicial, proíba partidos políticos, censure a imprensa, crie leis sem aprovação do Parlamento e assine tratados com outros países sem a aprovação do Reichstag.

Com a morte do presidente Paul von Hindenburg, em 2 de agosto de 1934, o regime nazista convoca um plebiscito para unificar os cargos de presidente e primeiro-ministro na figura do Führer (Líder). Em 19 de agosto, os alemães aprovam a ditadura de Adolf Hitler com quase 90% dos votos.

DIREITOS HUMANOS

    Em 1976, entra em vigor a Convenção ou Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos, que incorpora os direitos consagrados pela Declaração Universal dos Direitos Humanos, aprovada pelas Nações Unidas em 10 de dezembro de 1948.

A convenção é aberta para adesões em 19 de dezembro de 1966. Reconhece o direito à vida; a não ser submetido a tortura ou penas ou tratamentos cruéis, desumanos e degradantes; a não ser submetido à escravidão ou ao tráfico de escravos; à liberdade e à segurança pessoal; à livre circulação; à igualdade perante tribunais e cortes de justiça; à liberdade de pensamento, de consciência, de religião e de expressão; e de não ser discriminado por raça, cor, sexo, língua, religião, opinião política ou de outra natureza, origem nacional ou social, situação econômica, nascimento ou qualquer condição.

GUERRA NAS ESTRELAS

    Em 1983, durante a Guerra Fria, o presidente Ronald Reagan anuncia que os Estados Unidos vão desenvolver a Iniciativa de Defesa Estratégica, um programa de tecnologia antimísseis para proteger o país de ataques de mísseis nucleares.

O projeto é logo chamado de Guerra nas Estrelas, referência à série de filmes de grande sucesso dos anos 1970. A União Soviética, que não consegue competir com os EUA em tecnologia da informação. protesta.

A iniciativa viola o Tratado de Mísseis Antibalísticos (ABM), de 1972, que proíbe o desenvolvimento e a instalação de sistemas de defesa antimísseis. Também é conhecido como "destruição mutuamente assegurada" (MAD, que significa louco em inglês), a garantia do equilíbrio do terror nuclear na Guerra Fria.

Aumenta a pressão sobre a URSS, o que leva a negociações de desarmamento e controle de armas depois da ascensão do reformista Mikhail Gorbachev à liderança do Partido Comunista, em 11 de março de 1985, e ao fim da Guerra Fria.  

PRIMEIRA ELEIÇÃO DIRETA EM TAIWAN

    Em 1996, Lee Teng-hui vence a primeira eleição presidencial direta em Taiwan e recebe um mandato para democratizar a ilha que a China considera uma província rebelde e ameaça invadir.
Lee nasce em 15 de janeiro de 1923 perto de Tan-shui, em Taiwan. Ele estuda na Universidade de Quioto, no Japão, e na Universidade Nacional de Taiwan, fez mestrado economia agrícola na Universidade Estadual de Iowa e doutorado na Universidade Cornell, nos Estados Unidos.

Em 1978, Lee é eleito prefeito de Taipé. Depois, é governador da província de Taiwan (1981-84) antes de se tornar vice-presidente de Chiang Ching-kuo, em 1984. Depois da morte de Chiang, em 1988, Lee assume a presidência do país e do partido do governo, o Kuomintang (KMT), que trava uma guerra civil contra o Partido Comunista até a vitória da revolução liderada por Mao Tsé-tung, em 1º de outubro de 1949, quando o então líder do KMT, Chiang Kai-shek, foge para Taiwan.

Durante a campanha eleitoral, a República Popular da China faz testes de mísseis para intimidar a democracia taiwanesa. O regime comunista chinês ameaça invadir a ilha se Taiwan declarar a independência. Lee adota uma política de "diplomacia flexível" em relação à China continental e levanta as restrições de viagem e comércio.

A tensão nas relações bilaterais continua e se agrava em 1999, quando Lee anuncia que os contatos serão feito de Estado para Estado. O mandato de Lee termina em 2000, quando o KMT perde as eleições e o controle de Taiwan pela primeira vez para o Partido Democrático Progressista (PDP), mais favorável à independência, que está no poder atualmente.

O KMT segue a política dos Três Nãos: não à guerra, não à independência e não à unificação.
ESTE BLOG DEPENDE DA AJUDA DE SEUS LEITORES. CONTRIBUIÇÕES VIA PIX PELO CNPJ 25.182.225/0001-37

domingo, 23 de março de 2025

Hoje na História do Mundo: 23 de Março

 PRIMEIRO ELEVADOR

    Em 1857, o inventor norte-americano Elisha Otis instala a primeiro elevador em prédio comercial numa loja de departamentos em Nova York.

Otis, descendente de imigrantes ingleses, nasce em Halifax, no estado de Vermont, em 3 de agosto de 1811. De 1838 a 1845, ele construiu navios e carruagens. Em 1852, Otis é enviado para dirigir uma nova fábrica e instalar o maquinário, em Yonkers, no estado de Nova York.

Lá, Otis projeta e constrói o primeiro elevador com uma trava de segurança para evitar a queda se a corrente ou corda que o puxa se romper. No ano seguinte, ele pede demissão e abre sua própria loja em Yonkers. A demanda é pequena.

Em 1854, uma demonstração no Chrystal Palace em Nova York atrai a atenção. O primeiro elevador em prédio comercial é instalado na empresa E. V. Haughwout & Co.

FUNDAÇÃO DO PARTIDO FASCISTA

   Em 1922, um grupo de pouco mais de 100 pessoas, veteranos de guerra, sindicalistas e intelectuais futuristas liderados por Benito Mussolini, se reúne na Aliança Industrial e Comercial de Milão, na Praça do Santo Sepulcro para fundar o Partido Nacional Fascista com o objetivo de "declarar guerra ao socialismo por ser contra o nacionalismo".

Inicialmente, Mussolini chama do grupo de Fasci de Combatimento, algo como Fraternidade de Combate. Três anos mais tarde, dois dias depois da Marcha sobre Roma, realizada em 28 de outubro de 1922, o rei Vítor Emanuel III nomeia Mussolini primeiro-ministro da Itália.

Em 3 de janeiro de 1925, Mussolini se declara ditador da Itália e adota o título de Duce (Líder). O Fascismo se alia ao Nazismo de Adolf Hitler, que leva o mundo à Segunda Guerra Mundial (1939-45).

Mussolini cai quando os aliados invadem a Itália, mas é libertado pelos nazistas e forma a República Social Italiana na região do Norte do país sob o controle do nazifascismo. É executado pela resistência italiana no fim da guerra, em 28 de abril de 1945.

O partido Irmãos da Itália, da primeira-ministra Giorgia Meloni, é herdeiro político do Fascismo. Seu símbolo é uma chama tricolor nas cores da Itália. É o mesmo símbolo do Movimento Social Italiano, fundado em 1946 pelos herdeiros de Mussolini. 

PODERES ESPECIAIS PARA HITLER

    Em 1933, o Reichstag, o parlamento da Alemanha, aprova a Lei Habilitante, também chamada de Lei de Concessão de Poderes Especiais ou Lei para Sanar a Aflição do Povo e da Nação, seu verdadeiro nome. A lei dá poderes especiais a Adolf Hitler para reagir a uma suposta conspiração comunista que seria responsável pelo incêndio do Reichstag em 27 de fevereiro.

Depois de eleições em que o Partido Nacional-Socialista Trabalhista da Alemanha (Nazista) conquista 33% dos votos em 6 de novembro de 1932, Hitler é nomeado chanceler (primeiro-ministro). Menos de um mês depois, há o incêndio do parlamento. Os nazistas são suspeitos e acusam os comunistas. É o grande golpe da ascensão de Hitler ao poder total.

A Lei Habilitante é aprovada pelo Partido Nazista, pelo Partido Nacional Popular da Alemanha e pelo Partido de Centro. Dá os primeiros poderes ditatoriais a Hitler, permitindo que o governo prenda sem autorização judicial, proíba partidos políticos, censure a imprensa, crie leis sem aprovação do Parlamento e assine tratados com outros países sem a aprovação do Reichstag.

Com a morte do presidente Paul von Hindenburg, em 2 de agosto de 1934, o regime nazista convoca um plebiscito para unificar os cargos de presidente e primeiro-ministro na figura do Führer (Líder). Em 19 de agosto, os alemães aprovam a ditadura de Adolf Hitler com quase 90% dos votos.

DIREITOS HUMANOS

    Em 1976, entra em vigor a Convenção ou Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos, que incorpora os direitos consagrados pela Declaração Universal dos Direitos Humanos, aprovada pelas Nações Unidas em 10 de dezembro de 1948.

A convenção é aberta para adesões em 19 de dezembro de 1966. Reconhece o direito à vida; a não ser submetido a tortura ou penas ou tratamentos cruéis, desumanos e degradantes; a não ser submetido à escravidão ou ao tráfico de escravos; à liberdade e à segurança pessoal; à livre circulação; à igualdade perante tribunais e cortes de justiça; à liberdade de pensamento, de consciência, de religião e de expressão; e de não ser discriminado por raça, cor, sexo, língua, religião, opinião política ou de outra natureza, origem nacional ou social, situação econômica, nascimento ou qualquer condição.

GUERRA NAS ESTRELAS

    Em 1983, durante a Guerra Fria, o presidente Ronald Reagan anuncia que os Estados Unidos vão desenvolver a Iniciativa de Defesa Estratégica, um programa de tecnologia antimísseis para proteger o país de ataques de mísseis nucleares.

O projeto é logo chamado de Guerra nas Estrelas, referência à série de filmes de grande sucesso dos anos 1970. A União Soviética, que não consegue competir com os EUA em tecnologia da informação. protesta.

A iniciativa viola o Tratado de Mísseis Antibalísticos (ABM), de 1972, que proibia o desenvolvimento e a instalação de sistemas de defesa antimísseis, também conhecido como "destruição mutuamente assegurada" (MAD, que significa louco em inglês), o que garantia o equilíbrio do terror nuclear na Guerra Fria.

Aumenta a pressão sobre a URSS, o que levaria a negociações de desarmamento e controle de armas depois da ascensão do reformista Mikhail Gorbachev à liderança do Partido Comunista, em 11 de março de 1985, e ao fim da Guerra Fria.  

PRIMEIRA ELEIÇÃO DIREITA EM TAIWAN

    Em 1996, Lee Teng-hui vence a primeira eleição presidencial direta em Taiwan e recebe um mandato para democratizar a ilha que a China considera uma província rebelde e ameaça invadir.
Lee nasce em 15 de janeiro de 1923 perto de Tan-shui, em Taiwan. Ele estuda na Universidade de Quioto, no Japão, e na Universidade Nacional de Taiwan, fez mestrado economia agrícola na Universidade Estadual de Iowa e doutorado na Universidade Cornell, nos Estados Unidos.

Em 1978, Lee foi eleito prefeito de Taipé. Depois, é governador da província de Taiwan (1981-84) antes de se tornar vice-presidente de Chiang Ching-kuo, em 1984. Depois da morte de Chiang, em 1988, Lee assume a presidência do país e do partido do governo, o Kuomintang (KMT), que travou uma guerra civil contra o Partido Comunista até a vitória da revolução liderada por Mao Tsé-tung, em 1º de outubro de 1949, quando o então líder do KMT, Chiang Kai-shek, foge para Taiwan.

Durante a campanha eleitoral, a República Popular da China faz testes de mísseis para intimidar a democracia taiwanesa. O regime comunista chinês ameaça invadir a ilha se Taiwan declarar a independência. Lee adota uma política de "diplomacia flexível" em relação à China continental e levanta as restrições de viagem e comércio.

A tensão nas relações bilaterais continua e se agravam em 1999, quando Lee anuncia que os contatos serão feito de Estado para Estado. O mandato de Lee termina em 2000, quando o KMT perdeu as eleições e o controle de Taiwan pela primeira vez.

domingo, 16 de outubro de 2022

Hoje na História do Mundo: 16 de Outubro

 RAINHA GUILHOTINADA

    Em 1793, durante o Período do Terror (1793-94) da Revolução Francesa (1789-99), nove meses depois da execução do marido, o rei Luís XVI, a rainha Maria Antonieta é guilhotinada.

Ela rejeita se confessar com um padre aliado da revolução e pede desculpas por pisar no pé do carrasco, que, como de costume, mostra a cabeça degolada.

Filha do imperador Francisco I, do Sacro Império Romano-Germânico, e de Maria Teresa da Áustria, Maria Antonieta Josefa Ana da Áustria casa aos 14 anos com o Delfim da França em 1770, que ainda não tinha 16 anos, para fortalecer as relações entre os dois países. Aos 16 anos, vira rainha. A França está exaurida pela derrota na Guerra dos Sete Anos (1756-63) e invernos rigorosos reduzem a produção agrícola e causam fome.

Enquanto o povo passa fome, Maria Antonieta leva uma vida de luxo e riqueza nos palácios. Diante da fome, enquanto o povo nas ruas clamara por "pão e liberdade", uma frase atribuída a ela, talvez pela propaganda revolução, prima pela insensibilidade: "Se não tem pão, que comam brioches."

O rei e a rainha da França são presos em 20 junho de 1791, quando tentavam fugir para a Áustria vestido como membros da nobreza russa. A revolução abole a monarquia em 1792. Sem luxos, a rainha fica numa cela de um antigo palácio real, a Conciergerie, com duas cadeiras, uma mesa e um catre. Passa o tempo lendo As Viagens do Capitão Cook, o navegador britânico que iniciou a colonização da Austrália

Luís XVI e Maria Antonieta são condenados por traição à pátria. O rei é guilhotinado em 21 de janeiro de 1793. Antes da execução da rainha, os cabelos são cortados. O verdugo, Henri Sanson, filho do executor do rei, fica com uma mecha. Ela mesma se ajoelha e o carrasco arruma a posição da cabeça antes de soltar a lâmina.

INÍCIO DA LONGA MARCHA

    Em 1934, durante a guerra civil na China, perseguidos e massacrados pelos nacionalistas do Kuomintang (KMT), os comunistas começam a Longa Marcha, uma fuga de 368 dias por mais de 9 mil quilômetros.

A China foi um dos temas do debate entre Leon Trotsky e Josef Stalin na luta pelo poder dentro do Partido Comunista da União Soviética depois de morte de Vladimir Lenin, em 1924. Como a China não tinha indústria nem operariado, Stalin, vencedor na disputa, manda o Partido Comunista chinês fazer uma política de frente popular em aliança com a burguesia, representada pelo KMT.

A guerra civil chinesa começa em 1927, quando Stalin consolida o poder em Moscou, o que leva os comunistas a proclamar em 1931 a fundação da República Soviética da China, com base província Jiangxi, sob a liderança de Mao Tsé-tung.

O KMT lança então uma campanha implacável, com cinco cercos à área controlada pelos comunistas, e causa morte de fome de centenas de milhares de camponeses.

Aos comunistas, só resta a fuga. Eles rompem o cerco num ponto mais fraco e iniciam a Longa Marcha, que termina em 20 de outubro de 1935 diante da Grande Muralha.

Em 1937, o Japão, que já ocupava a Manchúra, invade as principais cidades da China e assume o controle do país. Depois da Segunda Guerra Mundial (1939-45), a guerra civil civil chinesa recomeça. Os comunistas, fortalecidos pela guerra de guerrilhas travada contra o Império do Japão, tomam o poder em 1º de outubro de 1949 e, sob a liderança de Mao, fundam a República Popular da China. Os nacionalistas do KMT fogem para Taiwan, que os comunistas ameaçam invadir.

NAZISTAS EXECUTADOS

    Em 1946, dez altos funcionários do regime nazista condenados pelo Tribunal de Crimes de Guerra de Nurembergue por crimes contra a humanidade, crimes contra a paz e crimes contra a humanidades são executados na forca.

Entre os condenados, estão Herman Göring, comandante da Luftwaffe, a Força Aérea da Alemanha, presidente do Reichstag (Parlamento), chefe da Gestapo, a polícia política do regime e sucessor designado de Adolf Hitler; Joachin von Ribbentrop, ministro do Exterior da Alemanha; Wilhelm Frick, ministro do Interior; e Alfred Rosenberg, governador dos territórios conquistados no Leste.

Outros, inclusive Rudolf Hess, que chegou a ser apontado como sucessor de Hitler, foram condenados a penas de 10 anos a prisão perpétua.

Göring se suicidou na véspera da execução.

PODER NEGRO NO PÓDIO

    Em 1968, ao receber as medalhas de ouro e bronze dos 200 metros rasos na Olimpíada de 1968, na Cidade do México, enquanto toca o Hino dos Estados Unidos, os corredores norte-americanos Tommie Smith e John Carlos erguem o punho cerrado numa saudação ao Poder Negro.

É o ano do assassinato do reverendo Martin Luther King Jr., líder da luta pacífica pelos direitos civis dos negros norte-americanos. Antes dos Jogos Olímpicos, há um massacre da estudantes na capital do México.

Smith e Carlos, militantes do movimento negro, sentem-se compelidos a fazer o gesto de rebeldia. Pagam caro. São vilificados na imprensa dos EUA e expulsos dos Jogos pelo Comitê Olímpico Internacional (COI). Mas os dois tiveram carreiras de sucesso como atletas e ativistas.

"Foi um grito de liberdade e pelos direitos humanos", declarou Smith. "Tínhamos de ser vistos porque não éramos ouvidos."

sexta-feira, 1 de outubro de 2021

Hoje na História do Mundo: 1º de Outubro

PARQUE NACIONAL DE YOSEMITE

    Em 1890, o Congresso dos Estados Unidos cria o Parque Nacional de Yosemite, na Serra Nevada, na Califórnia, depois de uma campanha liderada pelo ecologista John Muir.

Os índios são os únicos habitantes do Vale de Yosemite até 1849, quando a Corrida do Ouro na Califórnia atrai garimpeiros, mineiros e colonos, o que causa danos ambientais na região.

Para acabar com a exploração econômica da área, em 1864, o presidente Abraham Lincoln declara que Yosemite e suas sequoias gigantes são um bem público. É a primeira vez que o governo dos EUA protege uma área para desfrute do público, lançando as bases para a criação do sistema de parques nacionais.

O Parque Nacional de Yellowstone, criado em 1872, é o primeiro do país.

LAWRENCE DA ARÁBIA TOMA DAMASCO

    Em 1918, um exército árabe-britânico articulado pelo coronel Thomas Edward Lawrence, o Lawrence da Arábia, toma Damasco do Império Otomano (turco) e conclui a libertação da Arábia durante a Primeira Guerra Mundial (1914-18).

Arabista formado na Universidade de Oxford, Lawrence trabalha como oficial de inteligência do Exército Real britânico no Egito a partir de 1914. Quando começa a Revolta Árabe (1916-18) contra o Império Otomano, aliado da Alemanha e do Império Austro-Húngaro na guerra, Lawrence convence seus superiores a apoiar a rebelião do emir de Meca, Hussein ibn Ali. É enviado oficial de ligação do Exército Real para unir as tribos árabes com o apoio da França e do Reino Unido.

Em julho de 1917, os árabes tomam o porto de Ácaba, perto da Península do Sinai, e se juntam aos britânicos para marchar rumo a Jerusalém. Lawrence é promovido a coronel. Preso numa ação de inteligência, é torturado e abusado sexualmente até conseguir escapar.

Forças australianas sob o comando do general Henry Chauvel atacam Damasco primeiro, mas seguem perseguindo os turcos em fuga quando as tropas de Lawrence chegam.

Lawrence é a favor da unidade da Arábia. Com as diversas facções árabes se dividiram, volta para a Inglaterra desiludido e rejeita medalhas do rei George V por entender que o Império Britânico fomentou a divisão dos árabes na velha política de dividir para reinar.

NAZISTAS SENTENCIADOS À MORTE

    Em 1946, 12 altos funcionários do regime nazista de Adolf Hitler pegam pena de morte por enforcamento no Tribunal de Crimes de Guerra de Nurembergue, na Alemanha, entre eles Hermann Göring, fundador da polícia política Gestapo (Geheim Staatpolizei) e comandante da Luftwaffe, a Força Aérea alemã; Joachin von Ribbentrop, ministro do Exterior; e Wilhelm Frick, ministro do Interior.

O Julgamento de Nurembergue, realizado por um tribunal internacional com representantes dos Esstados Unidos, da União Soviética, da França e do Reino Unido, dura 10 meses. 

Outros sete condenados recebem penas e 10 anos a prisão perpétua, inclusive Rudolf Hess, vice de Hitler de 1933 a 1941. Três réus são absolvidos.

Os criminosos de guerra nazista são enforcados em 16 de outubro. Göring se mata na véspera ingerindo veneno.

COMUNISMO NA CHINA

    Em 1949, sob a liderança de Mao Tsé-tung, o Partido Comunista toma o poder e funda a República Popular da China com a vitória sobre os nacionalistas do Kuomintang (KMT), liderados por Chiang Kai-shek, que fogem para Taiwan.

A China, o Império do Centro, terra de poetas, artistas e filósofos, era o centro do mundo na Ásia desde antes da Cristo. Criou a imprensa e a pólvora antes da Europa, mas não usou estas tecnologias para dominar o mundo. 

Ao contrário, a China se fechou e, como a Índia e o Japão, na participou da Revolução Comercial e ficou para trás com a Revolução Industrial. Humilhada pelo Império Britânico nas Guerras do Ópio (1839-42 e 1856-60), para abrir o país ao livre comércio, inclusive de ópio, e vencida pelo Japão na Primeira Guerra Sino-Japonesa (1894-95), o Império Chinês entra em declínio terminal e cai em 1912.

É uma era de anarquia, com as cidades costeiras dominadas pelo imperialismo ocidental e o interior dividido entre senhores da guerra. A China tem a menor renda por habitante do mundo: US$ 100 por ano. Neste contexto, Mao é um dos fundadores do Partido Comunista, em 1921.

Por ordem do ditador soviético Josef Stalin, o PC chinês faz aliança com os nacionalistas do KMT numa política de frente popular. Depois de massacres, os comunistas fogem durante um ano por 9 mil quilômetros na Longa Marcha (1934-35).

Com invasão da China continental pelo Japão, na Segunda Guerra Sino-Japonesa (1937-45), de certa forma a Segunda Guerra Mundial começa na Ásia antes da Europa. Depois de se tornar a grande força de resistência à invasão japonesa durante a guerra, o PC vence a guerra civil contra o KMT.

quinta-feira, 1 de agosto de 2019

China impõe restrições a viagens a Taiwan

No pior momento das relações bilaterais em duas décadas, a República Popular da China aumenta os esforços para intimidar Taiwan. Vai proibir o turismo individual à ilha que considera uma província rebelde. As viagens de negócios e o turismo em grupos está autorizado.

Se a proibição for prorrogada até o fim do ano, a expectativa é que menos 700 mil chineses do continente visitem Taiwan. Em 2017, último ano de que há números disponíveis, houve 2,7 milhões de visitas de chineses à ilha.

Em 2015, antes das relações através do Estreito de Taiwan se deteriorarem, foram 4,2 milhões de visitas. O turismo representa 5% do produto interno bruto taiwanês.

O regime comunista chinês também tenta influir no resultado da eleição presidencial de 11 de janeiro de 2020 em favor do histórico partido nacionalista Kuomintang (KMT), que lutou na guerra civil contra o Partido Comunista, mas hoje é mais próximo do governo de Beijim do que o Partido Democrático Progressista (PDP), da presidente Tsai Ing-wen.

Enquanto o PDP flerta com a independência, o KMT adota a política dos três nãos: não à guerra, não à independência e não à unificação.

A pressão aumenta com a anunciada venda de US$ 2 bilhões em armas dos Estados Unidos para Taiwan. Navios de guerra americanos têm passado pelo Estreito de Taiwan, que separa a China e a ilha a uma distância de 100 quilômetros.

Taiwan autorizou visitas de grupos da China continental em 2008 e viagens individuais em 2011, inicialmente de três cidades e hoje de 47 cidades chinesas. A China é hoje o país que mais envia turistas ao exterior. Em 2017, foram 130 milhões.

O governo passou a usar o turismo como arma contra a Coreia do Sul e Taiwan, sem grandes resultados. Em 2016, a China restringiu viagens de grupos, mas não conseguiu impedir a vitória de Tsai Ing-wen.

sexta-feira, 29 de junho de 2018

Departamento de Estado pede fuzileiros navais em Taiwan

O Departamento de Estado solicitou o envio de fuzileiros navais para proteger a representação diplomática dos Estados Unidos em Taiwan, a ilha que a República Popular da China considera uma província rebelde, revelou hoje a rede de televisão americana CNN.

A presença de fuzileiros navais americanos em Taiwan certamente será considerada em Beijim como um desafio ao regime comunista chinês. Será mais um ponto de atrito entre a China e os EUA, ao lado dos conflitos comerciais, da Coreia do Norte e do Mar do Sul da China.

Taiwan é a ilha para onde os nacionalistas comandados por Chiang Kai-shek fugiram quando a revolução comunista liderada por Mao Tsé-tung tomou o poder, em 1º de outubro de 1949, criando na prática duas chinas com a República da China em Taiwan.

O regime comunista sempre adotou a política de que só existe uma China. Quando os EUA se reaproximaram da China com as visitas do assessor de segurança nacional Henry Kissinger, em 1971, e do presidente Richard Nixon, em 1972, Mao condicionou o estabelecimento de relações diplomáticas com os EUA ao rompimento dos EUA com Taiwan. O regime exige o mesmo de todo país que quiser manter relações com a China.

A República Popular da China também tomou de Taiwan a vaga da China como membro permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas, em 1971.

Quando um partido favorável à independência estava prestes a vencer a eleição presidencial de 1996 em Taiwan, a China fez testes de mísseis ameaçadores. O então presidente americano, Bill Clinton, mandou uma força-tarefa de porta-aviões para o Estreito de Taiwan, de 180 quilômetros, que separa a ilha da China continental.

A China considerou uma humilhação. Desde aquela época, desenvolveu sistemas de mísseis, satélites e porta-aviões para desafiar a supremacia militar dos EUA no Leste de Ásia, que vem desde a Segunda Guerra Mundial.

Em Taiwan, com a democratização do país, as novas gerações têm um desejo crescente pela independência, considerada totalmente inaceitável pela ditadura comunista chinesa.

O Kuomintang (KMT), o partido de Chiang Kai-shek, que governou Taiwan na maior parte de sua história de relativa independência adota a política dos três nãos: não à unificação, não à independência e não à guerra. Defende a manutenção do status quo ambíguo, como quer a o regime comunista chinês, apostando numa reunificação até 2050.

Com a volta do Partido Democrático Progressista (PDP) ao poder, em 2016, aumenta a inquietação em Beijim sobre a independência de Taiwan. Há décadas, o regime comunista tenta controlar a ilha rebelde com um misto de intimidação militar e incentivos econômicos. Recentemente, aumentou a pressão militar.

Ao chegar à Casa Branca, o presidente Donald Trump, que não respeita protocolos nem políticas que não lhe agradem, recebeu cumprimentos pelo telefone da presidente taiwanesa, Tsai Ing-wen, para revolta da China. Foi a primeira vez que isto aconteceu desde o reatamento oficial entre os dois países, em 1978.

Como a estratégia de negociações de Trump é desestabilizar a outra parte, Taiwan volta a ser uma carta importante na disputa geopolítica entre os EUA e a China, que cada vez mais constrói uma máquina de guerra à altura do seu crescente poderio econômico e quer acabar com a hegemonia americana no Leste da Ásia.

Os EUA têm vários aliados ao redor da China, o Japão, a Coreia do Sul, as Filipinas e a Tailândia. Com Taiwan, assumiu o compromisso de garantir a segurança da ilha. Está reforçando a cooperação militar com a Índia, a Indonésia e o Vietnã. Se tivesse o controle de Taiwan, o regime comunista chinês teria acesso desimpedido ao Oceano Pacífico.

Sem uma declaração de independência de Taiwan, é improvável que a China invada Taiwan antes de 2030, quando terá acumulado grande poderio militar. A reunificação continuará sendo um objetivo central do regime comunista, mas ele deve seguir, ao menos por enquanto, as lições de Sun Tzu no clássico  A Arte da Guerra: a maior vitória é derrotar o inimigo fora do campo de batalha, sem disparar um tiro.

terça-feira, 12 de junho de 2018

URSS: ascensão de Stalin levou a uma era de terror

O fracasso de mais uma revolução na Alemanha fortaleceu a tese de Stalin de desistir da revolução mundial para se concentrar na defesa da URSS e do “socialismo num país só”, tese aprovada no 14º Congresso do PC, em 1925.
Em 1924, no prefácio de seu livro As Lições de Outubro, Trotsky critica a atitude de Stalin em relação à revolta alemã e a indecisão de Kamenev e Zinoviev em 1917.
Em 1925, a aliança Stalin-Zinoviev se rompeu. No verão de 1926, Stalin e Bukharin lutavam contra a Oposição Unida de Trotsky, Kamenev e Zinoviev na batalha decisiva pelo controle do partido, perdida conferência do partido de outubro de 1926, quando Kamenev foi excluído do Politburo.

REVOLUÇÃO CHINESA

A China foi um tema importante do debate do PC da URSS. Stalin não acreditava em revolução socialista num país agrário e atrasado como a China do início do século 20. 
Trotsky via oportunidade para testar sua teoria da revolução permanente. Foi contra a política de fusão com o Kuomintang (KMT), o partido nacionalista liderado por Chiang Kai-shek, imposta por Stalin ao Partido Comunista chinês, para formar uma “frente popular”.
No meio da chamada Expedição do Norte (1926-28) para derrotar os senhores da guerra e unificar a China, em 12 de abril de 1927, o KMT massacrou os comunistas em Xangai, matando pelo menos 300 pessoas. Os expurgos e massacres se espalharam por todo o país. 
Era o início de uma longa guerra civil chinesa que seria interrompida pela invasão do Japão em 1937 e retomada depois do fim da Segunda Guerra Mundial, em 1945, para terminar com a vitória comunista em 1º de outubro de 1949. 
Sob pressão do KMT, em 1934, o Exército Popular de Libertação de Mao Tsé-tung e Chu Enlai, com 100 mil guerrilheiros, iniciou a Longa Marcha, uma fuga de 16 de outubro de 1934 a 20 de outubro de 1935 por 10 mil km para manter sua capacidade de combate.
Na origem do conflito entre as duas superpotências comunistas durante a Guerra Fria, está a política de aliança com a classe dominante que Stalin impôs ao PC  chinês para formar uma “frente popular”.

EXPURGO DE TROTSKY

Trotsky e Zinoviev foram expurgados em 12 de novembro de 1927. Trotsky foi enviado para o exílio interno em Alma Ata, no Casaquistão, em 31 de janeiro de 1928, e expulso da URSS em 1929.
Depois de passar pela Turquia, França e Noruega, em setembro de 1936, Trotsky foi para o México, a convite do pintor muralista Diego Rivera. Com o aumento da repressão stalinista, toda sua família foi morta na URSS, com a exceção de sua filha Nina. 

ASSASSINATO

O próprio Trotsky foi assassinado pelo agente stalinista Ramón Mercader em 21 de agosto de 1940, em sua casa em Coyoacán, na periferia da Cidade do México, história contada no filme O Assassinato de Trotsky (1972), com Richard Burton como Trotsky e Alain Delon no papel do assassino.
No exílio, Trotsky escreveu vários livros, inclusive A Revolução Traída: a falsificação stalinista da História, uma denúncia do regime brutal que tomara conta da URSS. Em 1938, criou a Quarta Internacional na esperança de salvar o movimento comunista do stalinismo.
Trotsky previu que a burocratização destruiria a revolução socialista e os burocratas do partido seriam a nova burguesia. É mais ou menos o que aconteceu com o fim da URSS. Quem tinha privilégios dentro do sistema se beneficiou das privatizações e enriqueceu de um dia para o outro. Virou oligarca.

INDÚSTRIA PESADA

Vencida a batalha pelo controle do partido, Stalin lançou em 1928 o 1º Plano Quinquenal de Desenvolvimento para substituir a nova política econômica de Lenin pelo planejamento central e construir uma economia socialista. A meta central era criar uma indústria pesada e de defesa.
Desde que leu Minha Luta, o livro em que Adolfo Hitler expõe a ideologia nacional-socialista (nazista), Stalin considerava inevitável uma nova guerra com a Alemanha. Tendo em vista o medíocre desempenho do Exército Imperial czarista na Primeira Guerra Mundial, e especialmente sua incapacidade tecnológica e industrial para travar uma guerra moderna, o ditador soviético considerava urgente industrializar a URSS.
Na Primeira Guerra Mundial, a Rússia contara com seus aliados na Tríplice Entente (França e Reino Unido), mas até munição faltara. Durante a Guerra Civil, eles tinham apoiado as forças anticomunistas. Com o “socialismo num só país”, a URSS teria de garantir sua própria defesa.

COLETIVIZAÇÃO

Em 1929, Stalin acrescentou ao plano a coletivização da agricultura com a criação das fazendas coletivas, os colcozes, destruindo na prática os kulaks, os agricultores enriquecidos que formavam uma pequena burguesia rural. Como eram proprietários de terras, foram declarados “inimigos de classe”.
Oskulaks, que tinham de entregar a produção ao Estado durante a Guerra Civil, tinham voltado ao mercado com a nova política econômica. Mais uma vez, poderiam ser presos se vendessem a produção excedente.
Em 30 de janeiro de 1930, o Politburo do Comitê Central do PC decidiu acabar com os kulaks. “Esta classe deve ser esmagada numa batalha aberta, deve ser privada de suas fontes de existência e desenvolvimento”, decretou Stalin.

FOME

A coletivização da agricultura causou a grande fome de 1932-33. Em 1932, a produção de grãos caiu 32%. Como tinham de entregar seus animais ao Estado antes de entrar nas fazendas coletivas, a maioria dos camponeses preferia matá-los e vender o que fosse possível no mercado negro.
O rebanho bovino caiu de 33,2 milhões em 1928 para 27,8 milhões em 1941, o de porcos de 27,7 para 27,5 milhões e o de ovelhas de 114,6 para 91,6 milhões no mesmo período. Com a Segunda Guerra Mundial, só no fim dos anos 1950s, depois da morte de Stalin, o rebanho soviético recuperou os níveis de 1928.
Ao todo, a repressão política e a fome mataram de 6 a 8 milhões de soviéticos de 1930 a 1933, pelo menos 3 milhões na Ucrânia, onde a revolta contra Stalin era tanta que os nazistas foram recebidos como libertadores na Segunda Guerra Mundial.
Cerca de 24 milhões de camponeses deixaram o campo. Mais de 1,8 milhão foram enviados para campos de trabalhos forçados na Sibéria.

TERROR

Depois da guerra contra os pequenos proprietários rurais, de 1934 a 1939, Stalin lançou uma nova fase do terrorismo de Estado soviético, com um grande expurgo de funcionários públicos, membros do partido e das Forças Armadas, e uma vigilância constante de tudo e de todos.
O Estado que tinha nascido para acabar com os conflitos sociais e se extinguir transformava-se num dos Estados mais poderosos, arbitrários e implacáveis da História.
Em 1º de dezembro de 1934, o líder bolchevique Serguei Kirov foi morto. O assassino, o jovem militante do partido Leonid Nicolaiev e 13 supostos cúmplices foram condenados e mortos.
Stalin usou o caso como pretexto para denunciar uma suposta conspiração para matar a liderança soviética e iniciar uma perseguição implacável a seus adversários reais e imaginários.

PROCESSOS DE MOSCOU

Kamenev e Zinoviev, os ex-companheiros de Stalin na troika, foram julgados considerados moralmente cúmplices da morte de Kirov. Acusados em 1936 de trotskismo e de formar uma organização terrorista para tentar matar Stalin, eles negaram qualquer ligação com Trotsky.
Sob promessa de garantia de vida para eles e suas famílias, eles admitiram confessar os crimes de que eram acusados e fazer uma autocrítica em público.
Todos os 16 réus do caso Zinoviev-Trotsky foram condenados à morte em 24 de agosto de 1936 pelo Colégio Militar da Suprema Corte da URSS, presidido pelo juiz Vassili Ulrikh, sendo Andrei Vichinsky o procurador-geral. Foram executados nos porões da prisão Lubianka, em Moscou.
No segundo dos processos de Moscou, 17 réus, entre eles Nikolai Bukharin, Grigori Sokolnikov e o marechal Mikhail Tukhachevsky, foram julgados de 23 a 30 de janeiro de 1937 por supostas ligações com um Centro Trotskista Antissoviético. Treze foram fuzilados e os outros enviados a campos de trabalhos forçados.

EXPURGOS

Ao fazer a autocrítica, um dos réus, Karl Radek, um bolchevique nascido na Áustria, acusou “uma terceira organização da escola trotskista”, dando pretexto para uma ampla onda de expurgos e perseguições políticas.
Dos 139 candidatos a membros do Comitê Central eleito no 17º Congresso do PC, em 1934, 115 foram presos. Dos 1.966 delegados presentes no congresso, 1.108 foram presos.
O terceiro grande processo julgou, em março de 1938, 21 réus por pertencer a um suposto “bloco de direitistas e trotskistas” liderado por Nikolai Bukharin, ex-líder da Internacional Comunista, o ex-primeiro-ministro Alexei Rikov e Genrikh Yagoda, ex-chefe do NKVD. Os principais acusados foram fuzilados.
No auge da perseguição, em 1937 e 1938, a polícia política stalinista NKVD (Comissariado do Povo para Assuntos Internos) prendeu mais de 1,5 milhão de pessoas, das quais 681.692 foram mortas, numa média de mais de mil execuções por dia, revelaram documentos desclassificados depois do fim da URSS.

GUERRA CIVIL ESPANHOLA

A URSS estabeleceu relações com os EUA em 1933 e entrou para a Liga das Nações em 1934. Quando começou a Guerra Civil Espanhola (1936-39), Moscou apoiou ativamente o governo republicano contra os falangistas de Francisco Franco, que por sua vez tinham a ajuda da Alemanha.
Moscou forneceu centenas de tanques e aviões de combate, além de milhares de assessores militares e de mobilizarem pelo menos 40 mil voluntários das Brigadas Internacionais através da Internacional Comunista. Como stalinistas e anarquistas chegaram a lutar entre si nas ruas de Barcelona, Stalin foi acusado também de trair a revolução espanhola.

CONSTITUIÇÃO

Em 1936, uma nova Constituição estabelecia o regime comparado a uma escala rolante. Se o cidadão cumprisse fielmente as ordens e ficasse quieto no seu lugar, sua ascensão estaria garantida pelo desenvolvimento do socialismo.
No papel, garantia o direito à liberdade religiosa e ao sufrágio secreto, direto e universal. Stalin dizia que numa eleição não importa o voto, importa o resultado. O PC era a “vanguarda do povo trabalhador na sua luta para fortalecer e desenvolver a sociedade socialista” e, portanto, o único partido legal.

sábado, 25 de junho de 2016

China corta contato direto com Taiwan

O regime comunista da China rompeu a comunicação direta com o governo de Taiwan porque a nova presidente Tsai Ing-wen não se comprometeu oficialmente com o princípio imposto por Beijim de que só existe uma China.

Ao contrário de seu predecessor Ma Ying-jeou, do partido nacionalista Kuomintang (KMT), Tsai, do Partido Progressista Democrático (PPD), mais favorável à independência, não aceitou oficialmente a ideia de que a China e Taiwan são uma só nação.

Esse princípio foi estabelecido em 1992 numa tentativa de melhorar as relações através do Estreito de Taiwan. Tsai declarou que não pretende mudar o status quo, mas o regime comunista chinês está hostilizando e intimidando Taiwan, que considera uma província rebelde, em várias frentes.

sábado, 7 de novembro de 2015

Líderes da China e Taiwan se encontram pela primeira vez

Num encontro histórico e inédito, o dirigente supremo da China, Xi Jinping, e o presidente de Taiwan, Ma Ying-jeou, se reuniram hoje em Cingapura. O regime comunista chinês considera Taiwan uma província rebelde desde que os nacionalistas derrotados na revolução de 1949 fugiram para lá.

Não houve acordos nem declaração conjunta, mas o significado simbólico é enorme. Os líderes do Partido Comunista da China e do Kuomintang não se encontravam desde que Mao Tsé-tung esteve com Chiang Kai-shek em agosto de 1949, antes da queda de Beijim, em 1º de outubro daquele ano.

A República Popular da China adota uma política externa de que só existe uma China. Não mantém relações com os países que ainda hoje reconhecem Taiwan como a República da China.

Xi declarou que não se deve permitir que os que pregam a independência de Taiwan dividam o país. Estava se referindo ao Partido Democrático Progressista, favorito para a eleição presidencial taiwanesa de 16 de janeiro de 2016. Taiwan pediu mais espaço em organizações internacionais.

Ma está no final do segundo mandato. Elegeu-se e reelegeu-se com a política dos três nãos: não à independência, para não provocar uma intervenção militar chinesa; não à unificação, que acabaria com a soberania e a relativa independência de Taiwan; e não à guerra, resultado inevitável de uma declaração de independência, que a ilha não tem como ganhar.

De volta o governo desde 2008, o KMT foi acusado de fortalecer os laços econômicos com a China continental. Deve perder as próximas eleições.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

China e Taiwan iniciam negociação histórica

A China enviou hoje a Taiwan o primeiro negociador de alto nível em quase 60 anos de conflito iniciando uma negociação histórica.

O regime comunista chinês considera a ilha uma província rebelde e ameaça invadi-la, se Taiwan declarar a independência. Foi para lá que fugiu o governo nacionalista de Chiang Kai-shek e de seu partido, o Kuomintang (KMT), diante da vitória da revolução comunista liderada por Mao Tsé-tung, em 1º de outubro de 1949.

Desde então, os dois países são inimigos. Em 1971, quando o então assessor de Segurança Nacional, Henry Kissinger, iniciou a reaproximação entre os Estados Unidos e a China, o governo comunista chinês passou a ocupar a vaga da China no Conselho de Segurança das Nações Unidas. Passou a excluir Taiwan de todas as organizações internacionais sob o argumento de que "só existe uma China".

Em 1996, quando um partido favorável à independência ganhou a eleição presidencial em Taiwan, a China chegou a disparar mísseis para intimidar a ilha. Os EUA deslocaram parte da Frota do Pacífico para o Estreito de Taiwan. Hoje, a China já tem uma força naval de águas profundas para enfrentar esses desafios.

Com a abertura econômica na China continental, a partir das reformas lançadas por Deng Xiaoping em 1978, as relações melhoraram. O regime de Beijim precisava de capital externo para promover a industrialização e a modernização do país. A diáspora chinesa, em Taiwan, Hong Kong, Cingapura, Macau, Malásia e Indonésia, era uma boa fonte.

A melhoria das relações foi uma das promessas de Ma Ying-jeou, o atual líder do KMT, eleito no início do ano para presidir Taiwan com uma plataforma eleitoral com três nãos: "Não à independência, não à guerra e não à unificação!"

Esse é o significado histórico das negociações iniciadas hoje quando o representante chinês Chen Yunlin e o negociador taiwanês Chiang Pin-kung apertaram as mãos no Grand Hotel, em Taipé.

Desde junho, há vôos turísticos diretos entre a ilha e o continente. Agora, a idéia é "intensificar a cooperação econômica para o benefício da população dos dois lados do estreito".

Os acordos podem ser assinados já nesta terça-feira. A missão chinesa fica em Taiwan até sexta-feira.

sábado, 22 de março de 2008

Oposição pró-China vence eleição em Taiwan

Com a promessa de melhorar as relações econômicas com a China, o partido nacionalista Kuomintang (KMT), que governou Taiwan durante a maior parte de sua história independente, venceu a eleição presidencial deste sábado, 22 de março de 2008, em Taiwan, antes conhecida como Formosa. A China considera a ilha uma província rebelde e ameaça invadi-la, se Taiwan declarar a independência.

O presidente eleito, Ma Yang-jeou, baseou sua campanha nos três nãos: não à independência, não à reunificação, não à guerra. Obteve 58% dos votos válidos, contra 42% para Frank Hsieh, do Partido Progressista Democrático (PPD), que governava Taiwan há oito anos.

As chances de Hsieh teriam aumentado nos últimos dias por causa da violenta repressão chinesa às manifestações pela liberdade do Tibete, que teriam provocado mais de cem mortes, um número não-confirmado por fontes independentes.

Se Hsieh ganhasse, o PPD pretendia pedir associação às Nações Unidas para tentar romper o isolamento internacional de Taiwan. Seria um gesto meramente simbólico. A proposta seria fatalmente rejeitada pelo regime comunista chinês, que insiste, tanto no caso de Taiwan como no do Tibete, que "só existe uma China".

Como membro permanente do Conselho de Segurança, a China é uma das cinco grandes potências com direito de veto na ONU.

sexta-feira, 21 de março de 2008

Conflito no Tibete influencia eleição em Taiwan

O partido nacionalista Kuomintang, de oposição, a favor de relações amistosas com a China, tinha a eleição presidencial do sábado praticamente garantida em Taiwan. Mas a violenta repressão chinesa contra os protestos no Tibete reduziu a vantagem do candidato do KMT, Ma Ying-jeou.

Nos últimos dias, embora as pesquisas estejam proibida nesta reta final, o candidato do Partido Progressista Democrático, Frank Hsieh, encurtou diferença em relação a Ma. O PPD adverte que Taiwan pode ser o novo Tibete. Pretende pedir associação às Nações Unidas. Mas o veto chinês é certo.

A China considera Taiwan uma província rebelde e ameaça declarar guerra se o país, não reconhecido por nenhum que mantém relações com Beijim, declarar independência. Um pilares do regime comunista chinês é o mantra de que "só existe uma China".

Taiwan, antes conhecida pelo nome português, Formosa, foi onde o líder anticomunista Chiang Kai-shek se refugiou depois da vitória da revolução comunista chinesa, em 1º de outubro de 1949.

sábado, 12 de janeiro de 2008

Oposição vence eleições legislativas em Taiwan

O partido nacionalista chinês Kuomintang (KMT), que um dia governou toda a China e é favorável a uma reaproximação com a China continental, elegeu neste sábado, 12 de janeiro de 2008, 81 dos 113 deputados do Parlamento de Taiwan, a ilha que o regime comunista chinês considera uma província renegada.

Foi a pior derrota da história do Partido Democrático Progressista (PDP). O partido do presidente Chen Shui-bian, que já flertou com a independência, considerada inaceitável pelo governo de Beijim, conquistou apenas 27 cadeiras.

Antes mesmo do resultado final, o atual líder do KMT, Wu Poh-hsiung, prometeu "não abusar do poder que a maioria nos deu, que utilizaremos para estabilizar a sociedade e unir o povo, respeitando a minoria no Parlamento".

Sob o nome oficial de República da China, reivindicando a soberania sobre toda a China, o KMT governou Taiwan durante 51 anos, desde que Chiang Kai-shek fugiu do continente diante da vitória da Revolução Comunista liderada por Mao Tsé-tung, em 1º de outubro de 1949, até a derrota para Chen, em 2000.