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quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

Hoje na História do Mundo: 19 de Fevereiro

EDISON PATENTEIA O FONÓGRAFO

    Em 1878, o norte-americano Thomas Alva Edison, o maior inventor de todos os tempos, com mais de 2 mil patentes, patenteia o fonógrafo.

Thomas Alva Edison nasce em Milan, no estado de Ohio, em 11 de fevereiro de 1847. Ele recebe pouca educação formal, como acontece com a maioria dos norte-americanos na época. Com problemas de audição desde a infância, começa a trabalhar como operador de telégrafo aos 16 anos e logo usa sua engenhosidade para aperfeiçoar o sistema.

A partir de 1869, Edison torna-se inventor em tempo integral. Em 1876, ele se muda para um laboratório em Menlo Park, em Nova Jérsei, onde inventa o fonógrafo no ano seguinte tentando criar uma máquina para gravar conversas telefônicas.  Passa a ser conhecido como o Gênio de Menlo Park.

O fonógrafo ou toca-discos é um instrumento que reproduz sons captando a vibração de uma agulha no sulco de um disco em rotação.

Os primeiros tipos aparecem nos anos 1850, mas a invenção é creditada a Edison. É o primeiro grande sucesso. Edison e sua equipe inventam a lâmpada de filamento incandescente em 1879, precursores da câmera e do projetor de cinema nos anos 1880.

Sua maior contribuição é no campo da eletricidade. Edison desenvolve um sistema de distribuição de luz e energia, criou em Nova York a primeira usina de energia elétrica, inventou a bateria alcalina e o trem movido a energia elétrica. Ao todo, registra 1.093 patentes nos EUA e mais de 2 mil contando as invenções patenteadas no exterior.

O fonógrafo vai sendo aperfeiçoado na maneira de gravar e reproduzir até o surgimento disco musical de 78 rotações por minutos em 1915. Cada lado toca por 4 minutos e 30 segundos em média. 

Em 1948, a Columbia Records lança o LP (long playing) de 33,3 rpm, com cerca de 30 minutos de gravação de cada lado. 

A gravação estereofônica, em dois canais de som distintos, surge em 1958 e cria o som de alta fidelidade.

JAPONESES INTERNADOS

    Em 1942, durante a Segunda Guerra Mundial, o presidente Franklin Delano Roosevelt baixa o Decreto 9.066, autorizando a internação de pessoas de origem japonesa nos Estados Unidos.

Milhares de japoneses se apresentam às autoridades e são enviados para 14 áreas restritas, centros de detenção ou campos de concentração. A medida é resultado de mais de um século de racismo e discriminação de asiáticos e do bombardeio aéreo japonês à Frota do Pacífico dos EUA, baseada em Pearl Harbor, no Havaí, em 7 de setembro de 1941, que leva os EUA a entrar na guerra.

Com a guerra contra o Japão, o Departamento da Guerra teme que os japoneses-norte-americanos cometam atos de sabotagem. Há uma divergência com o Departamento da Justiça, que é contra a remoção de civis inocentes.

Logo depois do ataque a Pearl Harbor, 1.200 líderes da comunidade japonesa são presos e suas contas bancárias congeladas. Há na época, 125 mil pessoas de origem japonesa no território continental dos EUA e 200 mil imigrantes no Havaí, muitos chegados há pouco. Cerca de 80 mil nascidos nos EUA se consideram norte-americanos.

ASSALTO A IWO JIMA

    Em 1945, depois de 74 dias de bombardeio aéreo às posições do Japão, fuzileiros navais dos Estados Unidos lançam uma operação de assalto anfíbio à ilha de Iwo Jima, no Oceano Pacífico, dando início a uma batalha épica e feroz que dura um mês e uma semana, até 26 de março, e termina com a morte de mais de 6 mil soldados norte-americanos e 18 mil japoneses.

A fotografia dos fuzileiros navais cravando a bandeira dos EUA pela primeira vez em território do Japão, no topo do Monte Suribachi, é uma das imagens-símbolo da Segunda Guerra Mundial (1939-45). Foi tema do filme A Conquista da Honra, de Clinton Eastwood, com o lado norte-americano na Batalha de Iwo Jima, enquanto Cartas de Iwo Jima dá a versão japonesa através das cartas dos soldados.

MORRE O PEQUENO TIMONEIRO

    Em 1997, morre o líder comunista reformista Deng Xiaoping, maior responsável pelas reformas econômicas que transformam a China numa superpotência e na segunda maior economia do mundo.

Filho de um proprietário rural, Deng nasceu em Guang'an, na província de Sichuã, em 22 de agosto de 1904. Ele estuda na França (1920-24), onde começa a militância comunista, e na União Soviética (1925-27).

De volta à China, entra para a luta armada. É um líder político e militar do Soviete de Jiangxi, um enclave comunista criado por Mao em 1931. Quando os nacionalistas do Kuomintang (KMT) massacram e perseguem os comunistas, Deng participa da Longa Marcha (1934-35).

Durante a resistência à invasão japonesa (1937-45), é comissário político junto a um dos exércitos guerrilheiros dos comunistas e comissário-chefe do 2º Exército durante a Guerra Civil Chinesa, que termina em 1º de outubro de 1949 com a vitória da revolução comunista.

Deng vira líder regional do partido no Sudoeste. Em 1952, é nomeado vice-primeiro-ministro e depois ministro das Finanças (1953-54), membro do Politburo (1955) e secretário-geral do Partido Comunista (1956-67). Mas cai em desgraça durante a Grande Revolução Cultural Proletária (1966-76) e é enviado para reeducação no interior.

A Guarda Vermelha de Mao persegue seu filho Deng Pufang, o prende, tortura e o joga pela janela do terceiro andar de um prédio da Universidade de Beijim. Durante muito tempo, depois de reabilitado, ele preside a Associação de Deficientes e Amputados da China.

Depois da Revolução Cultural, reabilitado, Deng Xiaoping vira comandante do Exército Popular de Libertação (EPL). Com o país e o partido destroçados, Deng entende que a única ideia capaz de unir o partido é modernização. Ele lança a política das quatro modernizações: agricultura, indústria, defesa, e ciência e tecnologia.

Em 13 de dezembro de 1978, Deng faz o grande discurso lançando as reformas econômicas que abrem mão da ortodoxia marxista para introduzir elementos da economia de mercado, a "economia de mercado socialista", inclusive com um de seus lemas: "Enriquecer é a glória". Outra de suas frases célebres é "não importa a cor do gato, desde que cace os ratos".

Esse pragmatismo reformista estimulou o debate interno no partido e na academia. Os anos 1980 são uma época de um renascimento cultural. 

A chance de uma abertura política é enterrada por Deng quando ele derruba o secretário-geral do PC Zhao Ziyang e apoia o primeiro-ministro linha-dura Li Peng ao autorizar o EPL a acabar à força com o movimento dos estudantes por liberdade e democracia no Massacre da Praça da Paz Celestial, em 4 de junho de 1989.

Com sanções internacionais, a economia sofre com esse terremoto político. Deng visita Shenzen, a cidade-símbolo dos reformas econômicas. em 1992, para relançar seu programa de modernização da China. Ele morre antes de ver o crescimento extraordinário chinês do início do século 21, com taxas acima de 10% ao ano que transformam a China na superpotência econômica que é hoje.

FIDEL CASTRO RENUNCIA

    Em 2008, Fidel Castro renuncia formalmente à Presidência de Cuba e é substituído pelo irmão, Raúl Castro.


 Fidel Alejandro Castro Ruz nasce em 13 de agosto de 1926. Filho de um fazendeiro, vira um esquerdista e anti-imperialista quando estuda direito na Universidade de Havana. Depois de participar de rebeliões contra governos de direita na Colômbia e na República Dominicana, Fidel lança sua revolução no assalto ao Quartel de Moncada, em Santiago de Cuba, em 26 de julho de 1953.

No julgamento, Fidel diz talvez sua frase mais célebre: "A história me absolverá." Preso durante um ano, ele sai e vai para o México onde forma o Movimento 26 de Julho com o irmão Raúl Castro e o médico e revolucionário argentino Ernesto Che Guevara.

Em 1956, um grupo de 82 guerrilheiros sai do México no navio Granma para desembarcar na Praya das Coloradas. Depois de fortes perdas nos primeiros combates, 21 guerrilheiros conseguem se refugiar na Sierra Maestra. Em fevereiro de 1958, já são 400 homens acantonados nas montanhas.

As forças do ditador Fulgencio Batista têm 50 mil, mas o governo cubano só consegue mobilizar 10 mil homens e lança uma ofensiva aérea e terrestre contra os guerrilheiros de abril a agosto de 1958. O fracasso desta ação militar é decisivo para a vitória da Revolução Cubana em 1º de janeiro de 1959.

No poder, sob pressão dos Estados Unidos, Fidel adota um regime socialista autoritário de caráter stalinista e se alia à União Soviética durante a Guerra Fria. Depois da fracassada tentativa de invasão da Baía dos Porcos, em abril de 1961, Cuba se aproxima ainda mais de Moscou. Isto leva à tentativa de instalar mísseis nucleares soviéticos na ilha, causa da Crise dos Mísseis, em outubro de 1962, no momento mais tenso da Guerra Fria. Nunca o mundo esteve tão perto de uma guerra nuclear. 

Ao transferir oficialmente por motivos de saúde os cargos de presidente e primeiro-ministro de Cuba ao irmão Raúl Castro, em 2008, 49 anos depois da posse, Fidel comenta que não pode se apegar a cargos. Ele morre aos 90 anos em 25 de novembro de 2016, em Havana.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2025

Hoje na História do Mundo: 19 de Dezembro

CONTO DE NATAL

    Em 1843, Um Conto de Natal, de Charles Dickens é publicado pela primeira vez e logo se transforma num clássico da literatura.

Durante uma noite de frio e neve, Londres se prepara para celebrar o Natal, menos o velho Ebenezer Scrooge, um negociante rico, pão-duro, rabugento e solitário. Ele recebe a visita redentora do fantasma de Jacob Marley, seu ex-sócio falecido, que lamenta ter passado a vida inteira se preocupando só com dinheiro.

Depois de receber visitas de outros fantasmas, Scrooge entende o espírito natalino e se torna uma pessoa generosa.

Dickens escreve Um Conto de Natal para chamar a atenção dos britânicos para as condições de vida dos trabalhadores pobres. Seu pai era um trabalhador com um salário razoável que cometia extravagâncias. Em 1824, quando Dickens tem 12 anos, o pai é preso por dívidas e ele vai trabalhar numa fábrica. O episódio marca profundamente a vida do autor.

GUERRA DA INDOCHINA

    Em 1946, o Viet Minh, o movimento nacionalista de esquerda liderado por Ho Chi Minh, inicia a Primeira Guerra da Indochina (1946-54) na luta pela independência da França.

O Império Francês toma a Indochina e a torna um protetorado em 1883. Durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45), o Império do Japão toma boa parte do Sudeste da Ásia. Quando o Japão se rende oficialmente, em 2 de setembro de 1945, Ho Chi Minh declara independência.

Como a França não aceita, o Viet Minh trava uma guerra de guerrilhas que termina com a vitória na Batalha de Dien Bien Phu, em 7 de maio de 1954. Um acordo de paz assinado em Genebra em 21 de julho de 1954 divide o Vietnã entre o Norte comunista e o Sul, apoiado pelos Estados Unidos.

Em 1955, haveria eleições para unificar o país. Diante da expectativa de vitória comunista, os EUA suspendem as eleições e começa a Segunda Guerra da Indochina ou Guerra do Vietnã (1955-75). Os EUA começam a enviar assessores militares ainda no governo Dwight Eisenhower (1953-61) e entram diretamente na guerra em 1964. Fazem um acordo de paz com o Vietnã do Norte e saem do conflito em 1973.

A guerra termina com a vitória do Vietnã do Norte, comunista, em 30 de abril de 1975.

PAZ NO ESPAÇO EXTERIOR

    Em 1966, a Assembleia Geral das Nações Unidas aprova o Tratado do Espaço Sideral ou do Espaço Exterior, um acordo internacional para proibir a militarização do espaço.

Os Estados Unidos e a União Soviética, as duas superpotências que dominam o mundo durante a Guerra Fria, encaminham suas propostas, que são conciliadas no texto aprovado pela Assembleia Geral. 

O Tratado sobre os Princípios que Regem a Atividade dos Estados na Exploração e Uso do Espaço Exterior, inclusive na Lua e outros corpos celestes, é aberto para assinatura em 27 de janeiro de 1967. Entra em vigor em 10 de outubro do mesmo ano.

REINO UNIDO ACEITA DEVOLVER HONG KONG

    Em 1984, a primeira-ministra britânica, Margaret Thatcher, e o líder chinês Deng Xiaoping chegam a um acordo para que o Reino Unido devolva Hong Kong à China em 1º de julho de 1997.

No início das negociações, a primeira-ministra britânica chegou a falar em prorrogar o Tratado de Nanquim (1842) e a Convenção de Beijim (1860), pelos quais o Império Britânico tomou a colônia no fim das Guerras do Ópio (1839-42 e 1856-60) sob o pretexto da abrir a China ao livre comércio, inclusive de ópio.

Depois de 22 rodadas de negociações ao longo de dois anos, Thatcher aceita ceder a que era considerada a última joia do Império Britânico. Em troca, Deng cria a fórmula "um país com dois sistemas", prometendo manter o sistema capitalista e as liberdades democráticas em Hong Kong durante pelo menos 50 anos.

Thatcher está entusiasmada com as reformas lançadas por Deng em 13 de dezembro de 1978 na esperança de que a abertura econômica e a adesão da China ao capitalismo levem a uma liberalização do regime comunista chinês. Mas o massacre do movimento dos estudantes pela paz e a democracia na Praça da Paz Celestial, em Beijim, em 4 de junho, acaba com a chance de uma abertura política.

Diante de ondas de protestos no território, que tem status de região administrativa especial da República Popular da China, o ditador Xi Jinping, no poder desde 2012, impôs uma Lei de Segurança Nacional que na prática acaba com a autonomia de Hong Kong e enterra a fórmula "um país com dois sistemas", criada também tendo em vista a reintegração de Taiwan, que Xi ameaça fazer à força.

MULHER NO PODER NA COREIA DO SUL

    Em 2012, Park Geun Hye é a primeira mulher eleita presidente da Coreia do Sul. Ela também se torna, em 2017, a primeira líder do país eleita democraticamente afastada num processo de impeachment.

Ela nasce em Daegu, na Coreia do Sul, em 2 de fevereiro de 1952, filha do ditador Park Chung Hee, que governa o país de 1961 até a morte, em 1979. Vai com a família para Seul nos anos 1950. Cresce na Casa Azul, o palácio presidencial sul-coreano.

Em 1974, ela vira primeira-dama depois que a mãe morre numa tentativa de assassinato do pai por um agente da Coreia do Norte. Cinco anos depois, o pai é assassinado pelo diretor da Agência Central de Inteligência da Coreia (KCIA), Kim Jae Kyu.

Park Geun Hye é eleita em 1998  deputada da Assembleia Nacional pelo conservador Grande Partido Nacional. É reeleita quatro vezes antes de se candidatar à Presidência. Na campanha, ela resgata o lema do pai, "vamos viver bem", pede desculpas aos que sofreram sob seu regime e promete retomar os altos índices de crescimento econômico.

Seu governo é marcado pelo naufrágio do ferryboat Sewol, com mais de 300 mortes, em abril de 3024, em que a guarda costeira é acusada de negligência no socorro às vítimas.

O escândalo que a derruba estoura em 2016. O maior jornal sul-coreano, Chosun Ilbo, revela que o governo ameaça grandes empresas com auditorias se não contribuírem para duas fundações, supostamente instituições beneficentes, sem fins lucrativos, ligadas a Choi Soon Sil, amiga, confidente, guia espiritual da presidente e líder de uma seita chamada Igreja da Vida Eterna. As empresas doam US$ 70 milhões às fundações.

Choi é presa em novembro de 2016. Em 9 de dezembro do mesmo ano, a Assembleia Nacional aprova o impeachment. Pela Constituição da Coreia do Sul, a Corte Suprema tem de confirmar o impeachment por dois terços dos votos. Em 10 de março de 2017, por unanimidade, o Supremo confirma a decisão dos deputados.

A ex-presidente é presa, processada e condenada a 24 anos de prisão e multa de US$ 17 milhões em 6 de abril de 2018. A sentença depois é ampliada para 33 anos de prisão. Em novo julgamento, em 2020, a pena é reduzida para 20 anos. Em 2021, o presidente Moon Jae In lhe dá o indulto presidencial. Park sai da cadeia em 31 de dezembro daquele ano.

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quarta-feira, 19 de fevereiro de 2025

Hoje na História do Mundo: 19 de Fevereiro

 EDISON PATENTEIA O FONÓGRAFO

    Em 1878, o norte-americano Thomas Alva Edison, o maior inventor de todos os tempos, com mais de 2 mil patentes, patenteia o fonógrafo.

Thomas Alva Edison nasce em Milan, no estado de Ohio, em 11 de fevereiro de 1847. Ele recebe pouca educação formal, como acontece com a maioria dos norte-americanos na época. Com problemas de audição desde a infância, começa a trabalhar como operador de telégrafo aos 16 anos e logo usa sua engenhosidade para aperfeiçoar o sistema.

A partir de 1869, Edison torna-se inventor em tempo integral. Em 1876, ele se muda para um laboratório em Menlo Park, em Nova Jérsei, onde inventa o fonógrafo no ano seguinte tentando criar uma máquina para gravar conversas telefônicas.  Passa a ser conhecido como o Gênio de Menlo Park.

O fonógrafo ou toca-discos é um instrumento que reproduz sons captando a vibração de uma agulha no sulco de um disco em rotação.

Os primeiros tipos aparecem nos anos 1850, mas a invenção é creditada a Edison. É o primeiro grande sucesso. Edison e sua equipe inventam a lâmpada de filamento incandescente em 1879, precursores da câmera e do projetor de cinema nos anos 1880.

Sua maior contribuição é no campo da eletricidade. Edison desenvolve um sistema de distribuição de luz e energia, criou em Nova York a primeira usina de energia elétrica, inventou a bateria alcalina e o trem movido a energia elétrica. Ao todo, registra 1.093 patentes nos EUA e mais de 2 mil contando as invenções patenteadas no exterior.

O fonógrafo vai sendo aperfeiçoado na maneira de gravar e reproduzir até o surgimento disco musical de 78 rotações por minutos em 1915. Cada lado toca por 4 minutos e 30 segundos em média. 

Em 1948, a Columbia Records lança o LP (long playing) de 33,3 rpm, com cerca de 30 minutos de gravação de cada lado. 

A gravação estereofônica, em dois canais de som distintos, surge em 1958 e cria o som de alta fidelidade.

JAPONESES INTERNADOS

    Em 1942, durante a Segunda Guerra Mundial, o presidente Franklin Delano Roosevelt baixa o Decreto 9.066, autorizando a internação de pessoas de origem japonesa nos Estados Unidos.

Milhares de japoneses se apresentam às autoridades e são enviados para 14 áreas restritas, centros de detenção ou campos de concentração. A medida é resultado de mais de um século de racismo e discriminação de asiáticos e do bombardeio aéreo japonês à Frota do Pacífico dos EUA, baseada em Pearl Habor, no Havaí, em 7 de setembro de 1941, que leva os EUA a entrar na guerra.

Com a guerra contra o Japão, o Departamento da Guerra teme que os japoneses-norte-americanos cometam atos de sabotagem. Há uma divergência com o Departamento da Justiça, que é contra a remoção de civis inocentes.

Logo depois do ataque a Pearl Harbor, 1.200 líderes da comunidade japonesa são presos e suas contas bancárias congeladas. Há na época, 125 mil pessoas de origem japonesa no território continental dos EUA e 200 mil imigrantes no Havaí, muitos chegados há pouco. Cerca de 80 mil nascidos nos EUA se consideram norte-americanos.

ASSALTO A IWO JIMA

    Em 1945, depois de 74 dias de bombardeio aéreo às posições do Japão, fuzileiros navais dos Estados Unidos lançam uma operação de assalto anfíbio à ilha de Iwo Jima, no Oceano Pacífico, dando início a uma batalha épica e feroz que dura um mês e uma semana, até 26 de março, e termina com a morte de mais de 6 mil soldados norte-americanos e 18 mil japoneses.

A fotografia dos fuzileiros navais cravando a bandeira dos EUA pela primeira vez em território do Japão, no topo do Monte Suribachi, é uma das imagens-símbolo da Segunda Guerra Mundial (1939-45). Foi tema do filme A Conquista da Honra, de Clinton Eastwood, com o lado norte-americano na Batalha de Iwo Jima, enquanto Cartas de Iwo Jima dá a versão japonesa através das cartas dos soldados.

MORRE O PEQUENO TIMONEIRO

    Em 1997, morre o líder comunista reformista Deng Xiaoping, maior responsável pelas reformas econômicas que transformam a China numa superpotência e na segunda maior economia do mundo.

Filho de um proprietário rural, Deng nasceu em Guang'an, na província de Sichuã, em 22 de agosto de 1904. Ele estuda na França (1920-24), onde começa a militância comunista, e na União Soviética (1925-27).

De volta à China, entra para a luta armada. É um líder político e militar do Soviete de Jiangxi, um enclave comunista criado por Mao em 1931. Quando os nacionalistas do Kuomintang (KMT) massacram e perseguem os comunistas, Deng participa da Longa Marcha (1934-35).

Durante a resistência à invasão japonesa (1937-45), é comissário político junto a um dos exércitos guerrilheiros dos comunistas e comissário-chefe do 2º Exército durante a Guerra Civil Chinesa, que termina em 1º de outubro de 1949 com a vitória da revolução comunista.

Deng vira líder regional do partido no Sudoeste. Em 1952, é nomeado vice-primeiro-ministro e depois ministro das Finanças (1953-54), membro do Politburo (1955) e secretário-geral do Partido Comunista (1956-67). Mas cai em desgraça durante a Grande Revolução Cultural Proletária (1966-76) e é enviado para reeducação no interior.

A Guarda Vermelha de Mao persegue seu filho Deng Pufang, o prende, tortura e o joga pela janela do terceiro andar de um prédio da Universidade de Beijim. Durante muito tempo, depois de reabilitado, ele preside a Associação de Deficientes e Amputados da China.

Depois da Revolução Cultural, reabilitado, Deng Xiaoping vira comandante do Exército Popular de Libertação (EPL). Com o país e o partido destroçados, Deng entende que a única ideia capaz de unir o partido é modernização. Ele lança a política das quatro modernizações: agricultura, indústria, defesa, e ciência e tecnologia.

Em 13 de dezembro de 1978, Deng faz o grande discurso lançando as reformas econômicas que abrem mão da ortodoxia marxista para introduzir elementos da economia de mercado, a "economia de mercado socialista", inclusive com um de seus lemas: "Enriquecer é a glória". Outra de suas frases célebres é "não importa a cor do gato, desde que cace os ratos".

Esse pragmatismo reformista estimulou o debate interno no partido e na academia. Os anos 1980 são uma época de um renascimento cultural. 

A chance de uma abertura política é enterrada por Deng quando ele derruba o secretário-geral do PC Zhao Ziyang e apoia o primeiro-ministro linha-dura Li Peng ao autorizar o EPL a acabar à força com o movimento dos estudantes por liberdade e democracia no Massacre da Praça da Paz Celestial, em 4 de junho de 1989.

Com sanções internacionais, a economia sofre com esse terremoto político. Deng visita Shenzen, a cidade-símbolo dos reformas econômicas. em 1992, para relançar seu programa de modernização da China. Ele morre antes de ver o crescimento extraordinário chinês do início do século 21, com taxas acima de 10% ao ano que transformam a China na superpotência econômica que é hoje.

FIDEL CASTRO RENUNCIA

    Em 2008, Fidel Castro renuncia formalmente à Presidência de Cuba e é substituído pelo irmão, Raúl Castro.


 Fidel Alejandro Castro Ruz nasce em 13 de agosto de 1926. Filho de um fazendeiro, vira um esquerdista e anti-imperialista quando estuda direito na Universidade de Havana. Depois de participar de rebeliões contra governos de direita na Colômbia e na República Dominicana, Fidel lança sua revolução no assalto ao Quartel de Moncada, em Santiago de Cuba, em 26 de julho de 1953.

No julgamento, Fidel diz talvez sua frase mais célebre: "A história me absolverá." Preso durante um ano, ele sai e vai para o México onde forma o Movimento 26 de Julho com o irmão Raúl Castro e o médico e revolucionário argentino Ernesto Che Guevara.

Em 1956, um grupo de 82 guerrilheiros sai do México no navio Granma para desembarcar na Praya das Coloradas. Depois de fortes perdas nos primeiros combates, 21 guerrilheiros conseguem se refugiar na Sierra Maestra. Em fevereiro de 1958, já são 400 homens acantonados nas montanhas.

As forças do ditador Fulgencio Batista têm 50 mil, mas o governo cubano só consegue mobilizar 10 mil homens e lança uma ofensiva aérea e terrestre contra os guerrilheiros de abril a agosto de 1958. O fracasso desta ação militar é decisivo para a vitória da Revolução Cubana em 1º de janeiro de 1959.

No poder, sob pressão dos Estados Unidos, Fidel adota um regime socialista autoritário de caráter stalinista e se alia à União Soviética durante a Guerra Fria. Depois da fracassada tentativa de invasão da Baía dos Porcos, em abril de 1961, Cuba se aproxima ainda mais de Moscou. Isto leva à tentativa de instalar mísseis nucleares soviéticos na ilha, causa da Crise dos Mísseis, em outubro de 1962, no momento mais tenso da Guerra Fria. Nunca o mundo esteve tão perto de uma guerra nuclear. 

Ao transferir oficialmente por motivos de saúde os cargos de presidente e primeiro-ministro de Cuba ao irmão Raúl Castro, em 2008, 49 anos depois da posse, Fidel comenta que não pode se apegar a cargos. Ele morre aos 90 anos em 25 de novembro de 2016, em Havana.

quinta-feira, 19 de dezembro de 2024

Hoje na História do Mundo: 19 de Dezembro

GUERRA DA INDOCHINA

    Em 1946, o Viet Minh, o movimento nacionalista de esquerda liderado por Ho Chi Minh, inicia a Primeira Guerra da Indochina (1946-54) na luta pela independência da França.

O Império Francês toma a Indochina e a torna um protetorado em 1883. Durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45), o Império do Japão toma boa parte do Sudeste da Ásia. Quando o Japão se rende oficialmente, em 2 de setembro de 1945, Ho Chi Minh declara independência.

Como a França não aceita, o Viet Minh trava uma guerra de guerrilhas que termina com a vitória na Batalha de Dien Bien Phu, em 7 de maio de 1954. Um acordo de paz assinado em Genebra em 21 de julho de 1954 divide o Vietnã entre o Norte comunista e o Sul, apoiado pelos Estados Unidos.

Em 1955, haveria eleições para unificar o país. Diante da expectativa de vitória comunista, os EUA suspendem as eleições e começa a Segunda Guerra da Indochina ou Guerra do Vietnã (1955-75). Os EUA começam a enviar assessores militares ainda no governo Dwight Eisenhower (1953-61) e entram diretamente na guerra em 1964. Fazem um acordo de paz com o Vietnã do Norte e saem do conflito em 1973.

A guerra termina com a vitória do Vietnã do Norte, comunista, em 30 de abril de 1975.

PAZ NO ESPAÇO EXTERIOR

    Em 1966, a Assembleia Geral das Nações Unidas aprova o Tratado do Espaço Sideral ou do Espaço Exterior, um acordo internacional para proibir a militarização do espaço.

Os Estados Unidos e a União Soviética, as duas superpotências que dominam o mundo durante a Guerra Fria, encaminham suas propostas, que são conciliadas no texto aprovado pela Assembleia Geral. 

O Tratado sobre os Princípios que Regem a Atividade dos Estados na Exploração e Uso do Espaço Exterior, inclusive na Lua e outros corpos celestes, é aberto para assinatura em 27 de janeiro de 1967. Entra em vigor em 10 de outubro do mesmo ano.

REINO UNIDO ACEITA DEVOLVER HONG KONG

    Em 1984, a primeira-ministra britânica, Margaret Thatcher, e o líder chinês Deng Xiaoping chegam a um acordo para que o Reino Unido devolva Hong Kong à China em 1º de julho de 1997.

No início das negociações, a primeira-ministra britânica chegou a falar em prorrogar o Tratado de Nanquim (1842) e a Convenção de Beijim (1860), pelos quais o Império Britânico tomou a colônia no fim das Guerras do Ópio (1839-42 e 1856-60) sob o pretexto da abrir a China ao livre comércio, inclusive de ópio.

Depois de 22 rodadas de negociações ao longo de dois anos, Thatcher aceita ceder a que era considerada a última joia do Império Britânico. Em troca, Deng cria a fórmula "um país com dois sistemas", prometendo manter o sistema capitalista e as liberdades democráticas em Hong Kong durante pelo menos 50 anos.

Thatcher está entusiasmada com as reformas lançadas por Deng em 13 de dezembro de 1978 na esperança de que a abertura econômica e a adesão da China ao capitalismo levem a uma liberalização do regime comunista chinês. Mas o massacre do movimento dos estudantes pela paz e a democracia na Praça da Paz Celestial, em Beijim, em 4 de junho, acaba com a chance de uma abertura política.

Diante de ondas de protestos no território, que tem status de região administrativa especial da República Popular da China, o ditador Xi Jinping, no poder desde 2012, impôs uma Lei de Segurança Nacional que na prática acaba com a autonomia de Hong Kong e enterra a fórmula "um país com dois sistemas", criada também tendo em vista a reintegração de Taiwan, que Xi ameaça fazer à força. 

terça-feira, 19 de dezembro de 2023

Hoje na História do Mundo: 19 de Dezembro

GUERRA DA INDOCHINA

    Em 1946, o Viet Minh, o movimento nacionalista de esquerda liderado por Ho Chi Minh, inicia a Primeira Guerra da Indochina (1946-54) na luta pela independência da França.

O Império Francês toma a Indochina e a torna um protetorado em 1883. Durante a Segunda Guerra Mundial, o Império do Japão toma boa parte do Sudeste da Ásia. Quando o Japão se rende oficialmente, em 2 de setembro de 1945, Ho Chi Minh declara independência.

Como a França não aceita, o Viet Minh trava uma guerra de guerrilhas que termina com a vitória na Batalha de Dien Bien Phu, em 7 de maio de 1954. Um acordo de paz assinado em Genebra em 21 de julho de 1954 divide o Vietnã entre o Norte comunista e o Sul, apoiado pelos Estados Unidos.

Em 1955, haveria eleições para unificar o país. Diante da expectativa de vitória comunista, os EUA suspendem as eleições e começa a Segunda Guerra da Indochina ou Guerra do Vietnã (1955-75). Os EUA começam a enviar assessores militares ainda no governo Dwight Eisenhower (1953-61) e entram diretamente na guerra em 1964. Fazem um acordo de paz com o Vietnã do Norte e saem do conflito em 1973.

A guerra termina com a vitória do Vietnã do Norte, comunista, em 30 de abril de 1975.

PAZ NO ESPAÇO EXTERIOR

    Em 1966, a Assembleia Geral das Nações Unidas aprova o Tratado do Espaço Sideral ou do Espaço Exterior, um acordo internacional para proibir a militarização do espaço.

Os Estados Unidos e a União Soviética, as duas superpotências que dominam o mundo durante a Guerra Fria, encaminham suas propostas, que são conciliadas no texto aprovado pela Assembleia Geral. 

O Tratado sobre os Princípios que Regem a Atividade dos Estados na Exploração e Uso do Espaço Exterior, inclusive na Lua e outros corpos celestes, é aberto para assinatura em 27 de janeiro de 1967. Entra em vigor em 10 de outubro do mesmo ano.

REINO UNIDO ACEITA DEVOLVER HONG KONG

    Em 1984, a primeira-ministra britânica, Margaret Thatcher, e o líder chinês Deng Xiaoping chegam a um acordo para que o Reino Unido devolva Hong Kong à China em 1º de julho de 1997.

No início das negociações, a primeira-ministra britânica chegou a falar em prorrogar o Tratado de Nanquim (1842) e a Convenção de Beijim (1860), pelos quais o Império Britânico tomou a colônia no fim das Guerras do Ópio (1839-42 e 1856-60) sob o pretexto da abrir a China ao livre comércio, inclusive de ópio.

Depois de 22 rodadas de negociações ao longo de dois anos, Thatcher aceita ceder a que era considerada a última joia do Império Britânico. Em troca, Deng cria a fórmula "um país com dois sistemas", prometendo manter o sistema capitalista e as liberdades democráticas em Hong Kong durante pelo menos 50 anos.

Thatcher está entusiasmada com as reformas lançadas por Deng em 13 de dezembro de 1978 na esperança de que a abertura econômica e a adesão da China ao capitalismo levem a uma liberalização do regime comunista chinês. Mas o massacre do movimento dos estudantes pela paz e a democracia na Praça da Paz Celestial, em Beijim, em 4 de junho, acabou com a chance de uma abertura política.

Diante de ondas de protestos no território, que tem status de região administrativa especial da República Popular da China, o ditador Xi Jinping, no poder desde 2012, impôs uma Lei de Segurança Nacional que na prática acaba com a autonomia de Hong Kong e enterra a fórmula "um país com dois sistemas", criada também tendo em vista a reintegração de Taiwan, que Xi ameaça fazer à força.

quinta-feira, 18 de maio de 2023

Hoje na História do Mundo: 18 de Maio

 MOVIMENTO PELA DEMOCRACIA NA CHINA

    Em 1989, um milhão de pessoas marcham pelas ruas de Beijim num movimento pela liberdade e a democracia para liberalizar o regime comunista da China. A revolta é esmagada no Massacre na Praça da Paz Celestial na noite de 3 para 4 de junho.

As reformas anunciadas pelo líder Deng Xiaoping em 13 de dezembro de 1978 abriram a economia e liberalizaram o regime depois do longo trauma que foi a Grande Revolução Cultural Proletária (1966-76).

O movimento iniciado por estudantes sai às ruas em 15 de abril, quando morre o ex-secretário-geral do Partido Comunista Hu Yaobang (1981-87), um grande responsável pelas reformas políticas e econômicas sob a liderança de Deng, favorável a liberalizar o regime.

Quando o movimento cresce, apresenta suas demandas:

  1. Reconhecer como corretas as visões de Hu Yaobang sobre democracia e liberdade.
  2. Admitir que as campanhas contra a "poluição espiritual" e a "liberalização burguesa" são erradas.
  3. Publicar informações sobre a renda dos altos dirigentes e de suas famílias.
  4. Acabar com a censura e autorizar a publicação de jornais de grupos privados.
  5. Mais dinheiro para a educação e aumento dos salários dos intelectuais.
  6. Fim das restrições a manifestações em Beijim.
  7. Fazer uma cobertura objetiva do movimento estudantil na mídia oficial.

O então secretário-geral do PC, Zhao Ziyang, defende o diálogo com os estudantes, enquanto o primeiro-ministro linha-dura Li Peng exige uma condenação oficial das manifestações. Quando Zhao viaja à Coreia do Norte, em 23 de abril, Li toma a iniciativa.

Em 25 de abril, o primeiro-ministro e o presidente Yang Shangkun se reúnem na casa de Deng, que aprova a linha dura. No dia seguinte, o Diário do Povo, jornal oficial do PC, publica editorial de primeira página de lavra de Li sob o título: "É preciso adotar uma posição clara contra os distúrbios". Descreve o movimento como contra o partido e contra o governo.

Com a volta de Zhao, o governo retoma a tolerância. Em 13 de maio, dois dias antes do início de uma visita do líder soviético Mikhail Gorbachev, os estudantes começam uma greve de fome. Quando Zhao diz a Gorbachev que o líder supremo é Deng, este toma como uma tentativa de lhe atribuir toda a responsabilidade pela revolta dos estudantes.

Numa reunião do Comitê Permanente do Politburo do Comitê Central na casa de Deng, em 17 de maio, a alta cúpula do regime comunista chinês decide decretar lei marcial e convocar o Exército para tomar a capital. 

No dia 18, quando um milhão saem às ruas da capital, Li encontra os estudantes numa reunião marcada pela confrontação, sem qualquer avanço. Diante das câmeras, o primeiro-ministro mostra mais preocupação com a saúde dos estudantes em greve de fome.

A última aparição de Zhao é na madrugada do dia 19, quando ele fala com os estudantes ao lado de Wen Jiabao, que seria primeiro-ministro de Hu Jintao (2003-13). À noite, numa reunião da alta cúpula, Deng declara ter se arrependido de nomear Hu e Zhao para a liderança do partido. Zhao cai e passa o resto da vida em prisão domiciliar.

Em 20 de maio, o governo decreta lei marcial e convoca 30 divisões, num total de 250 mil soldados, para ocupar Beijim. Em 3 de junho, autoriza a ação para retirar os estudantes acampados na praça central da capital centenas. O total de mortes é estimado entre centenas e 10 mil.

As reformas políticas são enterradas definitivamente. A ascensão de Xi Jinping, em 2012, torna a ditadura mais personalista e contrária a qualquer dissidência. A liberdade acadêmica daquele período não existe mais. 

Com a imposição de uma Lei de Segurança Nacional, o fim da autonomia regional e das liberdades democráticas em Hong Kong, todos os livros e publicações sobre o movimento pela liberdade e democracia, que era lembrado com vigília no território, desapareceram das livrarias e bibliotecas.

sexta-feira, 10 de março de 2023

Xi Jinping é reeleito presidente da China

Como esperado, o Congresso Nacional do Povo da China acaba de reeleger, por unanimidade, o ditador Xi Jinping para um terceiro e inédito mandato presidencial. Xi quebra assim a regra estabelecida pelo líder Deng Xiaoping, o arquiteto das reformas que transformaram o país numa superpotência, que previa direção colegiada do governo e do Partido Comunista e troca dos dirigentes depois de no máximo dois mandatos.

Xi é um dos principezinhos, como são chamados os filhos dos dirigentes que participaram da revolução vitoriosa em 1º de outubro de 1949. Seu pai foi vice-primeiro-ministro, vice-presidente do Congresso e chefe de propaganda do partido. Xi nasce em Beijim em 15 de junho de 1953.  Mas nem sempre teve uma vida de privilégios e poder. 

Leia mais e veja o juramento de Xi Jinping em Quarentena News.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2022

Hoje na História do Mundo: 19 de Dezembro

 REINO UNIDO ACEITA DEVOLVER HONG KONG

    Em 1984, a primeira-ministra britânica, Margaret Thatcher, e o líder chinês Deng Xiaoping chegam a um acordo para que o Reino Unido devolva Hong Kong à China em 1º de julho de 1997.

No início das negociações, a primeira-ministra britânica chegou a falar em prorrogar o Tratado de Nanquim (1842) e a Convenção de Beijim (1860), pelos quais o Império Britânico tomou a colônia no fim das Guerras do Ópio (1839-42 e 1856-60) sob o pretexto da abrir a China ao livre comércio de ópio.

Depois de 22 rodadas de negociações ao longo de dois anos, Thatcher aceita ceder a que era considerada a última joia do Império Britânico. Em troca, Deng cria a fórmula "um país com dois sistemas", prometendo manter o sistema capitalista e as liberdades democráticas em Hong Kong durante pelo menos 50 anos.

Thatcher está entusiasmada com as reformas lançadas por Deng em 13 de dezembro de 1978 na esperança de que a abertura econômica e a adesão da China ao capitalismo levem a uma liberalização do regime comunista chinês. Mas o massacre do movimento dos estudantes pela paz e a democracia na Praça da Paz Celestial, em Beijim, em 4 de junho, acabou com a chance de uma abertura política.

Diante de ondas de protestos no território, que tem status de região administrativa especial da República Popular da China, o ditador Xi Jinping, no poder desde 2012, impôs uma Lei de Segurança Nacional que na prática acaba com a autonomia de Hong Kong e enterra a fórmula "um país com dois sistemas", criada também tendo em vista a reintegração de Taiwan, que Xi ameaça fazer à força.

domingo, 16 de outubro de 2022

PC da China vai coroar Xi Jinping como ditador perpétuo

Cerca de 2,3 mil delegados participaram hoje da abertura do 20º Congresso do Partido Comunista da China, que deve consagrar o líder Xi Jinping como ditador perpétuo, acabando com a regra sucessória criada por Deng Xiaoping, o articulador das reformas que transformaram o país na segunda maior economia do mundo.

Até 22 de outubro, os congressistas vão aprovar os nomes escolhidos pela cúpula do partido para o Comitê Central, o Politburo e o Comitê Permanente do Politburo, o seleto grupo de novos imperadores que governam o país. Não são eleições. É um jogo de cartas marcadas.

No discurso de abertura, o ditador destacou a erradicação da pobreza, a luta contra a pandemia, o combate à corrupção e à poluição, e o aumento de 100% no produto interno bruto para US$ 17 trilhões como as grandes conquistas de seus dez anos no poder. 

Mas a política de covid zero e as intervenções no mercado para garantir a supremacia do partido desaceleram o crescimento. Uma ditadura cada vez mais unipessoal numa superpotência em ascensão e o Sonho Chinês de transformar as relações internacionais com base nos princípios e valores do regime comunista criam um mundo mais incerto e perigoso. Meu comentário:

domingo, 19 de dezembro de 2021

Hoje na História do Mundo: 19 de Dezembro

 REINO UNIDO ACEITA DEVOLVER HONG KONG

    Em 1984, a primeira-ministra britânica, Margaret Thatcher, e o líder chinês Deng Xiaoping chegam a um acordo para que o Reino Unido devolva Hong Kong à China em 1º de julho de 1997.

quinta-feira, 1 de julho de 2021

PC centenário abraçou capitalismo para resgatar a grandeza da China

O Partido Comunista da China festejou cem anos hoje com três metas importantes cumpridas: restaurar a independência, a união e a preeminência do país nas relações internacionais depois de um século de submissão a potências estrangeiras e de décadas de tumulto desde a vitória, em 1949, da revolução liderada por Mao Tsé-tung. 

Com as reformas lançadas em 1978 pelo líder Deng Xiaoping e a adesão à economia de mercado, realizou o maior desenvolvimento econômico da história e marcha para se tornar a maior economia do mundo ainda nesta década.

Se Deng teve de enfrentar a velha guarda para aposentar o stalinismo econômico e adotar o capitalismo, que chamou de "economia de mercado socialista", o comunismo sobrevive como forma de governar. O partido tem hoje 92 milhões de filiados, mais do dobro da era de Mao, e o Congresso Nacional do Povo mais de 100 bilionários. 

Com seus longos braços, ou tentáculos, e as novas tecnologias de comunicação e de controle, o partido se confunde com o Estado e vigia a vida pública e privada de seus cidadãos nos mínimos detalhes. O PC é uma alavanca de ascensão social.

Na prática, o PC chinês criou uma ditadura militar fascista que reescreve sua própria história para apagar os momentos mais trágicos: a Grande Fome causada pelo fracasso do Grande Salto para a Frente (1958-60), a Grande Revolução Cultural Proletária (1966-76), o Massacre na Praça da Paz Celestial e sua responsabilidade na pandemia do coronavírus de 2019. Até a data de fundação do partido mudou. Na realidade, foi em 23 de julho.

IMPÉRIO DO CENTRO

A China era o Império do Centro, a potência dominante na Ásia desde a unificação do país pelo imperador Chin (daí China) na fim da Guerra dos Sete Reinos, em 221 antes de Cristo. Com sua cultura superior, sua filosofia, suas artes, sua medicina, mesmo quando foi dominada pelo Império Mongol, de 1271 a 1368, absorveu e sinificou o invasor.

Esta introversão, o senso de superioridade e a autossuficiência, além do desprezo do filósofo Confúcio pelos comerciantes, que considerava a escória da sociedade, a Dinastia Ming recolheu a frota mercante chinesa quando o Ocidente iniciava sua expansão colonial marítima, no fim do século 15. 

O Império Chinês ficou fora da Revolução Comercial, origem do capitalismo. Descobriu a pólvora e inventou a imprensa, mas não desenvolveu estas tecnologias como fez a Europa para dominar o mundo.

No fim do século 18, a China e a Índia eram responsáveis por 25% da produção industrial do mundo. Perderam o trem da história quando os britânicos desenvolveram a tecnologia da máquina a vapor e mecanizaram a produção.

Com a Revolução Industrial, o Reino Unido se tornou a maior potência econômica do planeta. Depois da vitória nas guerras napoleônicas, o Império Britânico se volta a Ásia, onde já dominava a Índia. Aumentou a pressão sobre a China, que só tinha um porto aberto ao mundo, Cantão.

HUMILHAÇÃO HISTÓRICA

Nas Guerras do Ópio (1839-42 e 1856-60), Império Britânico impôs o livre comércio à China, inclusive de ópio, o que é visto pelo regime comunista como uma humilhação histórica totalmente inaceitável. 

Ao festejar hoje o centenário do partido, o ditador Xi Jinping negou qualquer pretensão imperialista e advertiu que a China não aceitará ameaças e intimidações e quem a enfrentar vai bater numa muralha de 1,4 bilhão de chineses. Foi o momento de maior aplauso dos 70 mil convidados para a cerimônia na Praça da Paz Celestial, em Beijim.

O declínio se acentuou com a derrota na Guerra Sino-Japonesa (1894-95), que acaba com a ordem sinocêntrica na Ásia. O Japão se abrira ao mundo depois que o almirante americano William Perry ameaçou bombardear o porto de Tóquio, em 1853, o que acabou com a era do xogunato em 1868. Para não ser dominado pelo imperialismo, o Japão se ocidentalizou e derrotou a China e a Rússia.

FIM DO IMPÉRIO

Em 1911, cai a Dinastia Qing, que era manchu. Nasce a República da China, sob a liderança de Sun Yat-sen, até hoje considerado o Pai da Pátria. Mas ele foi logo afastado do poder e o colapso do centro deixou a maior parte do país sob o controle de senhores da guerra.

Um dos mais influentes intelectuais chineses daquela época foi Liang Qichao, considerado o pai do jornalismo chinês moderno. Foi o primeiro a descrever a China como o "doente da Ásia" e a rejeitar a tradição confucionista para despertar o país de "um sonho de 4 mil anos".

Suas ideias influenciaram a pregação maoísta de acabar com as Quatro Velharias (velhas ideias, velha cultura, velhos hábitos e velhos) no auge do radicalismo da Revolução Cultural. Seus editorias e reflexões no exílio no Japão educaram toda uma geração de jovens patriotas sofrendo com o destino do país, inclusive Mao e Chen Duxiu, dois dos 13 fundadores do PC chinês.

A herança maldita de Liang foi o destrutivismo. Para criar "novos cidadãos" com uma "consciência nacional" para "salvar o país", é preciso "derrubar tudo e criar um novo mundo. Não pode haver construção sem destruir tudo."

MOVIMENTO 4 DE MAIO

Liang foi o padrinho intelectual do Movimento 4 de Maio, um mobilização política e cultural anti-imperialista. Em 4 de maio de 1919, os estudantes protestaram contra o Tratado de Paz de Versalhes, que permitiu ao Japão manter o controle sobre a província de Xandong, no Leste da China.

O PC é filho do 4 de Maio. Em 1939, Mao declarou: "O Movimento 4 de Maio marcou 20 anos atrás uma nota etapa na revolução democrático-burguesa na luta contra o imperialismo e o feudalismo na China. Com o crescimento e o desenvolvimento de novas forças sociais naquele período, um novo campo entra na revolução democrático-burguesa, a classe trabalhadora, as massas de estudantes e a nova burguesia nacional. Neste sentido, o Movimento 4 de Maio foi um passo à frente da Revolução de 1911", que derrubou o império.

Como uma sociedade agrária e atrasada, a China não tinha um operariado industrial como a Rússia em 1917. O debate sobre como implantar o comunismo na China esteve no centro de disputa de poder entre Leon Trotsky e Josef Stalin na União Soviética depois da morte de Vladimir Lenin, em 1924.

Trotsky era a favor de fazer logo a revolução. Stalin não via condições. Ao assumir o controle da URSS, levou o PC chinês a adotar política de frente popular em aliança com o Partido Nacionalista do Povo, o Kuomintang (KMT), liderado por Chiang Kai-shek. O resultado foi mais uma tragédia na história da China.

GUERRA CIVIL

No massacre de Xangai, em 12 de abril de 1927, mais de 5 mil soldados do Exército do KMT mataram entre 5 e 10 mil comunistas, enquanto outras unidades atacavam os senhores da guerra na Expedição do Norte. Era o início da guerra civil chinesa entre nacionalistas e comunistas que levou Mao ao poder em 1º de outubro de 1949.

Durante 370 dias, de 16 de outubro de 1934 a 22 de outubro de 1935, o Exército Vermelho da República Soviética da China (fundada por Mao em 1931), sob o comando de Mao e Chu Enlai, empreendeu a Longa Marcha, uma fuga de 9 mil quilômetros para leste e para o norte para não ser aniquilado pelo KMT.

Em 1937, o Império do Japão, que invadira a Manchúria em 1931, tomou o resto da China, na realidade, a parte litorânea, onde estão as grandes cidades como Xangai, Beijim e Nanquim. O invasor, um inimigo comum, uniu os chineses durante uma Segunda Guerra Mundial mais longa do que a da Europa.

A guerra de guerrilhas contra o Japão preparou o exército comunista. Em 31 de março de 1946, recomeça a guerra civil, depois do fracasso de negociações mediadas pelo general americano George Marshall. A URSS forneceu apoio limitado aos comunistas, enquanto os EUA deram grande ajuda de centenas de milhões de dólares em armas, munições, outros equipamentos militares e suprimentos.

No primeiro ano, os nacionalistas obtiveram algumas vitórias, mas seu governo era impopular e a força moral da tropa estava muito abaixo do fervor ideológico da revolução. Em novembro de 1948, Lin Piao tomou a Manchúria, onde os nacionalistas perderam meio milhão de soldados. Os comunistas também conquistaram Xandong.

VITÓRIA DA REVOLUÇÃO

Beijim caiu em janeiro de 1949. Xangai e Nanquim em abril. Em 1º de outubro, Mao proclama a fundação da República Popular da China, com a promessa de não submeter mais o país às humilhações do século anterior e de não aceitar status de inferioridade. A fuga de Chiang de Xunquim para Taiwan, em 7 de dezembro, consolidou a vitória da revolução. Mas o Camarada Stalin jogou duro.

Mao chegou a Moscou em 16 de dezembro de 1949. No mesmo dia, se encontrou por duas horas com Stalin, que não acreditava que os EUA iriam à guerra contra a Revolução Chinesa. Em 2 de janeiro, Mao avisou ao partido que Stalin estava disposto a convidar o primeiro-ministro e ministro do Exterior. Chu Enlai, para ir a Moscou e assinar um tratado de cooperação e defesa.

Chu levou 11 dias para ir de trem até Moscou. O Tratado de Amizade, Aliança e Assistência Mútua, favorável à URSS, foi assinado em 14 de fevereiro de 1950. Mao visitou o túmulo de Lenin, Leningrado, Gorki, fábricas de armas, o metrô de Moscou e uma fazenda coletiva.

GUERRA DA COREIA

A revolução seria testada com a Guerra da Coreia, iniciada quando a Coreia do Norte, comunista, invade o Sul em 25 de junho de 1950. Como a URSS estava boicotando o Conselho de Segurança das Nações Unidas por causa da exclusão da China, não vetou e os EUA aprovaram uma resolução autorizando uma força internacional a reunificar a Península Coreana.

Para evitar a presença de um aliado dos EUA junto à sua fronteira, em outubro de 1950, o 4º Exército da China, sob o comando de Lin Piao, cruzou o Rio Yalu e entrou na guerra. Houve uma guerra entre China e EUA dentro da Guerra da Coreia e a China ganhou, no sentindo de que conseguiu o objetivo político de empurrar as forças americanas para o sul do paralelo 38º N e restaurar a situação anterior à guerra. Nunca mais os dois países entraram em guerra, mas o risco aumenta com a ascensão da China e o declínio relativo dos EUA.

DESESTALINIZAÇÃO

Quando o novo secretário-geral Nikita Kruschev denunciou os crimes de Stalin no 20º Congresso do Partido Comunista Soviético, em fevereiro de 1956, houve uma liberalização dos regimes comunistas. Em maio, a China lançou a Campanha das 100 Flores, um movimento para dar mais liberdade a artistas e intelectuais e estimular a criatividade: "Deixe brotar 100 flores e centenas de escolas de pensamento competir."

A revolta de 23 de outubro de 1956 na Hungria e a invasão soviética em 4 de novembro acabaram com a breve liberalização dos regimes comunistas. Na China, durou até junho de 1957 e foi seguida de uma dura repressão aos críticos do partido.

A resposta de Mao, o Grande Timoneiro, foi o Grande Salto para a Frente (1958-60), uma tentativa desastrosa de coletivizar a agricultura e instalar usinas siderúrgicas em fazendas coletivas numa aliança operário-camponesa. O aço produzido era de péssima qualidade e a produção agrícola desabou, gerando a Grande Fome (1958-62), talvez o maior desastre do reinado de Mao, com um total estimado de 45 milhões mortes.

O momento mais crítico da Guerra Fria, a Crise dos Mísseis em Cuba, em outubro de 1962, quando o mundo esteve mais perto do que nunca de uma guerra nuclear, acabou consolidando a coexistência pacífica entre os EUA e a Rússia, fragilizando a posição da China que romperia com a URSS em 1964, quando um golpe derrubou Kruschev e levou Leonid Brejnev ao poder no Kremlin.

Em 1964, a China explodiu sua primeira bomba atômica, afirmando o status de grande potência.

REVOLUÇÃO CULTURAL

No mesmo ano, começa a intervenção militar dos EUA na Guerra do Vietnã, aumentando a percepção de isolamento e cerco do regime comunista chinês. A sensação de insegurança e o conflito político interno levaram Mao a lançar, em 16 de maio de 1966, a Revolução Cultural, um movimento violento de radicalização política e perseguição a inimigos que derrubou altos dirigentes do partido inclusive Deng e tentou marginalizar o primeiro-ministro Chu.

Milhões de chineses foram humilhados publicamente, presos, torturadores, expurgados, condenados a trabalhos forçados, tiveram propriedades confiscadas, executados e perseguidos até o suicídio. O total de mortos é estimado entre 500 mil e 2 milhões.

Tesouros e relíquias e prédios históricos e culturais foram destruídos por representar o passado imperial. Em total inversão de valores, o trânsito andava no sinal vermelho e parava no verde.

Um dos extremistas, o marechal Lin Piao, foi nomeado sucessor de Mao em abril de 1969, mas morreu num acidente suspeito quando fugia do país em setembro de 1971.

Em 1969, a tensão com a URSS levou a uma guerra de fronteiras de que os EUA se aproveitaram para aprofundar o fosso entre as potências comunistas.

REATAMENTO COM EUA

No mesmo ano, Mao convidou uma equipe de pingue-pongue para visitar a China, iniciando o degelo com os EUA. Em julho de 1971, o assessor de Segurança Nacional da Casa Branca visitou a China, preparando a viagem do presidente Richard Nixon, em fevereiro de 1972.

Antes disso, ainda em 1971, o regime comunista assumiu a vaga da China no Conselho de Segurança da ONU, até então ocupada por Taiwan. As relações com os EUA seriam restabelecidas em 1979.

Com a morte de Mao, em 9 de setembro de 1976, acaba a Revolução Cultural. A Gangue dos Quatro, inclusive a viúva do Grande Timoneiro, Jiang Qing, é presa. Se acordasse dez anos depois no mausoléu na Praça da Paz Celestinal, Mao não reconheceria o país, com lojas do McDonald's e do Kentucky Fried Chicken ao redor da praça e sua quarta mulher na cadeia.

O país e o partido estão destroçados. Reabilitado, Deng percebe que a única ideia capaz de unir o PC e o país é a modernização. Resgata o Programa das Quatro Modernizações (agricultura, indústria, defesa, e ciência e tecnologia), lançado por Chu em 1963 e abortado pela Revolução Cultural.

ERA DAS REFORMAS

Deng assume a liderança do partido. Em 13 de dezembro de 1978, lança o programa de reformas e abertura econômica com um discurso que defende uma democracia interna, dentro do partido, para permitir um debate que leve ao desenvolvimento sem abrir mão do monopólio de poder do partido.

Em 1984, quando negociou a devolução de Hong Kong à China, a primeira-ministra britânica, Margaret Thatcher, alimentou a esperança de que a liberalização da economia levasse a uma liberalização política do regime. Ledo engano. A Revolução Francesa de 1789 foi feita pela burguesia em ascensão em busca de poder político. A burguesia e a classe média chinesas não vão contestar o regime que as enriqueceu. Talvez façam isso quando houver uma crise econômica, o que inevitavelmente virá.

O grande desafio à liderança do partido na era das reformas veio do movimento pela liberdade e democracia na Praça da Paz Celestial, iniciado em 15 de abril de 1989, com a morte do ex-secretário-geral do PC reformista Hu Yaobang. Na véspera do enterro, em 21 de abril, 100 mil estudantes marcharam até a praça para exigir liberdade, democracia, transparência governamental, liberdade de imprensa e liberdade de manifestação.

Enquanto o secretário-geral reformista, Zhao Ziyang, defendia o diálogo, o primeiro-ministro linha-dura Li Peng decretou a lei marcial e convocou o Exército para acabar com o movimento, com o apoio decisivo do supremo líder, Deng Xiaoping, na época presidente da Comissão Militar Central.

MASSACRE NA PRAÇA

Numa reunião decisiva na cada de Deng, Zhao alegou que tinha "1,2 bilhão de chineses", a população do país, a seu lado". Deng respondeu: "Não tem, não, e eu tenho 320 milhões", o contingente do Exército Popular de Libertação. 

Na noite de 3 para 4 de junho de 1989, os militares massacraram os estudantes e outras pessoas que aderiram ao movimento. O total de mortes foi estimado entre 800 e 10 mil. Zhao caiu em desgraça e morreu em prisão domiciliar.

Uma visita de Deng à zona de processamento de exportações de Xenzen, em 1992, reafirmou o apoio às reformas econômicas. A abertura política foi descartada definitivamente, mas Deng criou uma direção colegiada sob o comando do Comitê Permanente do Politburo do Comitê Central - os nove e depois sete imperadores  que mandam no país - e uma regra de que cada secretário-geral do partido e presidente governaria a China por dois mandatos de cinco anos. O atual ditador, Xi Jinping, aboliu esta regra de sucessão para se eternizar no poder.

Em Governando a China, o sinólogo americano Kenneth Lieberthal observa que há 2 mil anos os chineses criaram uma burocracia capaz de administrar seu vasto país, mas até hoje não conseguiram organizar um sistema político capaz de administrar a luta de suas elites pelo poder. A ditadura unipessoal de Xi reduz os pesos e contrapesos do sistema e gera o risco de conflitos no futuro, especialmente na sucessão.

A entrada na Organização Mundial do Comércio (OMC) acelerou ainda mais o crescimento chinês, a taxas acima de 10% ao ano até a crise mundial de 2008, tornando o país na maior potência industrial do planeta desde 2010, responsável hoje por 28,7% do total. Em 2009, a China se tornou a maior parceira comercial do Brasil. As importações chinesas foram um fator decisivo para o crescimento no governo Lula (2003-10).

EXERCENDO O PODER

Deng aconselhava os chineses a trabalhar duro, não mostrar sinais interiores de riqueza e não se envolver em conflitos internacionais. A China precisava acumular riqueza e poder. Xi, que chegou ao poder em 2012, concluiu que o país já tem essa massa crítica e precisa impor sua vontade, sem ceder a pressões internacionais.

O novo líder lançou um megaprograma de infraestrutura, a Iniciativa Um Cinturão Uma Estrada, a Nova Rota da Seda, com investimentos de US$ 11 trilhões em 138 países acusado de neocolonialismo por supostamente submeter países em desenvolvimento através da dívida.

No discurso dos 100 anos, Xi reafirmou a determinação de reunificação com Taiwan, à força se necessário. Ele é o líder chinês que acumulou mais poder desde Mao. A diferença é que hoje o país é muito mais poderoso, com muito mais recursos e um produto interno bruto anual estimado em US$ 16 trilhões.

O partido sempre encontrou um jeito de se legitimar. Na era de Mao, foi através do confronto ideológico. Com as reformas, com a promessa de riqueza e prosperidade crescentes. Na pandemia, apesar da imagem abalada, se apresenta como mais eficiente do que as potências ocidentais no combate ao coronavírus, depois de tentar esconder a notícia e negar a realidade no primeiro momento, como é próprio dos regimes autoritários.

Uma ditadura é um governo em guerra civil contra seu próprio povo. A repressão dura e rigorosa a qualquer dissidência revela uma insegurança do partido.

COMPETIÇÃO ESTRATÉGICA

A guerra comercial com os EUA, deflagrada pelo presidente Donald Trump, é muito mais do que aumentar tarifas protecionistas. É um conflito estratégico, econômico, político, ideológico, científico, tecnológico e militar pela supremacia mundial capaz de levar a uma nova guerra fria. Até agora, o governo Joe Biden não mudou significativamente as políticas de Trump em relação à China.

Os EUA e seus aliados acusam a China de violações dos direitos humanos ao manter 1 milhão de muçulmanos em centros de reeducação na província de Xinjiang, de sufocar a cultura lamaísta do Tibete e de acabar com a democracia em Hong Kong, submetida desde o ano passado a uma Lei de Segurança Nacional draconiana que na prática acaba com o compromisso de manter dois sistemas dentro do país.

No plano internacional, a China tem conflitos territoriais com vizinhos no Mar do Sul da China: Brunei, Filipinas, Indonésia, Malásia, Taiwan e Vietnã. O regime comunista reivindica 90% do mar. Aterra ilhas e atóis para construir bases militares a fim de garantir sua posição. Em 15 de junho do ano passado, o choque mais violento com a Índia em 45 anos terminou com a morte de 20 soldados indianos nas montanhas do Himalaia.

Esta agressividade levou os EUA a formar o quadrilátero com a Austrália, a Índia e o Japão, do qual se aproximou o Vietnã. O objetivo inequívoco é contrabalançar o poderio chinês e conter a China. Talvez seja tarde mais.

Estrategistas chineses alegam que a China aprendeu as lições com a Alemanha e a União Soviética. Não vai entrar em conflito com o Ocidente. Disseram isso numa Conferência do Forte de Copacabana.

Afinal, a China se tornou uma superpotência por força de seu poder econômico, enquanto os EUA e a URSS viraram superpotências com a vitória na Segunda Guerra Mundial.

ARMADILHA DE TUCÍDIDES

Acomodar a ascensão da China e o declínio relativo dos EUA é o grande desafio das relações internacionais nas próximas décadas. O professor Graham Allison desenvolve na Universidade de Harvard o Projeto Armadilha de Tucídides. Na História da Guerra do Peloponeso, o historiador grego Tucídides concluiu que Esparta foi à guerra que acabou com o período clássico da Grécia Antiga porque Atenas estava se tornando poderosa demais depois da vitória dos gregos contra o Império Persa.

A preocupação de Allison, autor de The Essence of Decision, um clássico de relações internacionais sobre a Crise dos Mísseis em Cuba, é com os riscos de transição hegemônica. Quando uma potência cresce e a outra declina, o risco de conflito é enorme. 

De 16 transições hegemônicas desde o século 15, só em quatro casos não houve guerra: quando a Espanha superou Portugal como maior potência naval, no fim do século 15; quando os EUA superaram o Reino Unido para se tornar a maior economia do mundo, no fim do século 19 e início do século 20; na Guerra Fria, quando houve conflitos em países periféricos com 100 milhões de mortes, mas não guerras diretas entre as superpotências; e na reunificação da Alemanha, em 1990.

O conflito não é inevitável. A interdependência econômica é enorme. A China depende de boas relações com o resto do mundo para manter a prosperidade. Mas o risco também é enorme e a guerra pode ser deflagrada por uma sério de equívocos trágicos, como na Primeira Guerra Mundial (1914-18), o conflito que forjou o século 20. A construção recente de 119 silos para mísseis nucleares estratégicos capazes de atingir o território americano inquieta os EUA. 

O desafio chinês é muito maior do que o da URSS, por causa do tamanho de sua população e do seu desenvolvimento econômico e tecnológico, que inevitavelmente vai se refletir em poderio militar.