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terça-feira, 9 de junho de 2026

Hoje na História do Mundo: 9 de Junho

 FRANCÊS NO QUEBEC

     Em 1534, o navegador francês Jacques Cartier torna-se o primeiro europeu a encontrar o Rio São Lourenço, no que hoje é a província do Quebec, a região francófona do Canadá.

Cartier é enviado pelo rei Francisco I, da França, para explorar a América do Norte em busca de riquezas naturais. É uma região inóspita e gelada. A descoberta de um vale fértil e quente perto do Golfo de São Lourenço estimula o rei a mandar nova expedição exploradora no ano seguinte. Em 1535, Cartier vai até onde hoje fica a cidade de Montreal.

NAZISTAS AVANÇAM RUMO AO ATLÂNTICO

    Em 1940, as forças da Alemanha Nazista sob o comando do general Erwin Rommel cruzam o Rio Sena e avançam em direção ao Oceano Atlântico.
Rommel nasce em Heideinheim, na Alemanha, em 15 de novembro de 1891, filho de um professor e da filha de um alto oficial. Ele entra para o Regime de Infantaria de Württemberg em 1910. Na Primeira Guerra Mundial (1914-18), luta na França, na Romênia e na Itália, onde se destaca por coragem e bravura.

Depois da anexação da Áustria pela Alemanha, março de 1938, Rommel é nomeado diretor de uma escola para oficiais em Wiener Neustadt, perto de Viena.

Quando começa a Segunda Guerra Mundial (1939-45), ele se torna comandante das forças que protegem o quartel-general de Hitler e se aproxima pessoalmente do Führer. Depois da invasão da Polônia, marco do início da guerra, em 1º de setembro de 1939, há uma relativa trégua até a Alemanha lançar sua ofensiva na frente ocidental com a invasão da Noruega em 9 de abril de 1940.

Em seguida, os nazistas invadem a Holanda, a Bélgica e a França, em maio. Como comandante da 7ª Divisão de Tanques Panzer, Rommel recebe a missão de avançar até o Atlântico. Sem condições de defender a França, o Reino Unido recua com a Retirada de Dunquerque.

Menos de um ano depois, em fevereiro de 1941, Rommel é nomeado comandante do Afrika Korps, o exército africano de Hitler. Ele fica conhecido como a Raposa do Deserto, vira herói e é promovido a marechal de campo.

No verão de 1942, Hitler ordena um ataque ao Cairo e ao Canal de Suez, mas o Afrika Korps é derrotado pelo Exército Real britânico na Segunda Batalha de El-Alamein, a cerca de 100 quilômetros de Alexandria. Em 1943, ele é chamado de volta para a Alemanha.

Em 1944, Rommel é encarregado pela Muralha do Atlântico, a série defesas construídas pela Alemanha para proteger o litoral da França da invasão aliada que acaba acontecendo em 6 de junho, o Dia D.

McCARTHY DESMORALIZADO    

    Em 1954, num debate dramático, o advogado do Exército dos Estados Unidos Joseph Welch pergunta ao senador republicano Joseph McCarthy, durante uma audiência sobre uma suposta infiltração comunista nas Forças Armadas: "O Sr. não tem senso de decência?"

McCarthy fica famoso ao denunciar, em fevereiro de 1950, a infiltração de "centenas de notórios comunistas no Departamento de Estado".

Sua campanha contra a Ameaça Vermelha, no início da Guerra Fria, denuncia a suposta infiltração comunista em todos os setores da vida pública dos EUA, do governo federal a Hollywood. A confrontação com Welch diante das câmeras da televisão, que transmitem a audiência, é a desmoralização final do macartismo.

O senador lança sua campanha no governo democrata de Harry Truman (1945-53). Com a posse do republicano Dwight Eisenhower (1953-61), o comandante militar aliado na Segunda Guerra Mundial (1939-45), McCarthy se torna um estorvo para o partido. Os ataques contra a CIA e o Exército o desmoralizam totalmente.

ISRAEL OCUPA TERRITÓRIOS ÁRABES

    Em 1967, Israel captura a Península do Sinai, a Faixa de Gaza, a Cisjordânia, inclusive o setor oriental (árabe) de Jerusalém, e as Colinas do Golã numa vitória esmagadora sobre o Egito, a Síria e a Jordânia na Guerra dos Seis Dias.

Gaza e o Sinai pertenciam ao Egito, a Cisjordânia à Jordânia e as Colinas do Golã à Síria. A guerra termina no dia seguinte, mas a questão dos territórios árabes ocupados continua até hoje. É um dos principais obstáculos à paz entre árabes e israelenses.

Depois de nova derrota na Guerra do Yom Kippur (1973), a maior empreitada militar árabe da era moderna, o presidente do Egito, Anuar Sadat, rompe a aliança com a União Soviética e se aproxima dos Estados Unidos para fazer a paz com Israel, em 1979, e recuperar o Sinai.

O Egito e a Jordânia abrem mão da Faixa de Gaza e da Cisjordânia para que seja criada uma pátria para o povo palestino. As Colinas do Golã são anexadas ilegalmente por Israel em 1981, o que só é reconhecido pelos EUA, no primeiro governo Donald Trump, em 25 de março de 2019.

O atual governo de extrema direita de Israel tem a clara intenção de anexar a Cisjordânia e a Faixa de Gaza, enterrando de vez a proposta de criação de uma pátria independente para o povo palestino.

GRANDE VITÓRIA DE THATCHER

    Em 1983, um ano depois da ganhar a Guerra das Malvinas contra a ditadura militar da Argentina, com a oposição dividida, a primeira-ministra britânica Margaret Thatcher obtém sua maior vitória eleitoral e começa a radicalizar seu programa de reformas neoliberais.

Margaret Hilda Thatcher é a primeira mulher a se tornar primeira-ministra britânica e a pessoa que chefia o governo do país por mais tempo no século 20. Ela chega ao poder em maio de 1979, depois do chamado Inverno do Descontentamento, marcado por uma série de greves, agitação social e desemprego resultantes da primeira crise do petróleo.

A Dama de Ferro, apelido que ganha da imprensa soviética em 1976 depois de um discurso anticomunista como líder da oposição, promete resgatar a moralidade pública e reduzir a participação do Estado na economia.

Além de cortar impostos, uma de suas principais bandeiras é a privatização de empresas estatais, que ela considera mais ineficientes do que o setor privado. Thatcher quer transformar a Grã-Bretanha num país de acionistas. Começa esse processo em 1981 sob forte oposição dos sindicados, ligados ao Partido Trabalhista.

Estão lançadas as bases do thatcherismo, que incluem recuo da máquina estatal, disciplina fiscal, cortes de impostos, privatizações, respeito à autoridade e à ordem pública, e um feroz anticomunismo. Poucos primeiros-ministros dão nome a uma filosofia política.

Em seu radicalismo, Margaret Thatcher chegou a dizer: "Não existe isso que chamam de sociedade. Há homens, mulheres e famílias".

O total de desempregados no Reino Unido sobe para 3 milhões, e o número de pobres aumenta quatro vezes, aprofundando a desigualdade social, uma das marcas perversas do neoconservadorismo. Impopular, Thatcher conta com uma ajuda inesperada.

A invasão das Ilhas Malvinas pela ditadura militar da Argentina em 2 de abril de 1982 é um teste decisivo para sua determinação. Uma força-tarefa é deslocada para a guerra a 10 mil quilômetros de distância da Inglaterra. Em 14 de junho, as ilhas são retomadas depois da morte de 649 argentinos e 258 britânicos.

Humilhada, a ditadura militar argentina cai. Fortalecida, Thatcher obtém sua maior vitória eleitoral wn 1983. Com maioria de 144 deputados na Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico, parte para o enfrentamento com os sindicatos para impor sua ideologia econômica neoliberal. Uma greve de 11 meses contra o fechamento de 20 minas estatais deficitárias deixa o Reino Unido sem carvão em 1984 e 1985.

Sem o apoio da opinião pública, a greve fracassa. Os mineiros e o sindicalismo em geral perdem força.

Também em 1984, Margaret Thatcher sobrevive a um atentado a bomba do Exército Republicano Irlandês (IRA) contra a convenção anual do Partido Conservador. É uma tentativa de vingar as mortes de 10 militantes republicanos irlandeses em greve fome que exigiam reconhecimento como presos políticos, em 1981. Inflexível, a Dama de Ferro os considera criminosos comuns.

No mesmo ano, Thatcher convida o futuro líder soviético Mikhail Gorbachev para ir a Londres. É a primeira a identificá-lo no Ocidente como "alguém com quem se pode negociar".

Naquela época, ela considera o líder negro sul-africano Nelson Mandela, que ainda estava preso, como "terrorista". Mais tarde, viria a defender o amigo e admirador general Augusto Pinochet, o ditador   preso em Londres em 1998 por crimes cometidos quando governa o Chile, de 1973 a 1990.

Sob Thatcher, amplos setores da economia britânica, aviação, metalurgia, telecomunicações, água, energia e o sistema ferroviário, foram entregues à iniciativa privada. São mudanças permanentes, observa o jornal The New York Times. Modernizam a Grã-Bretanha, mas aprofundam a desigualdade.

A ex-primeira-ministra também é uma grande adversária do aumento dos poderes da Comunidade Europeia, hoje União Europeia. Chega a bater na mesa com sua bolsa para pedir a devolução de parte da contribuição britânica para a política comum de subsídios agrícolas do bloco europeu, já que o Reino Unido tem uma agricultura muito menor do que países como a França e a Alemanha.

"Não estou pedindo o dinheiro dos outros. Estou pedindo nosso dinheiro de volta", afirmou.

Em 1987, depois de sua terceira vitória eleitoral consecutiva, Thatcher se torna ainda mais antieuropeia, preocupando um de seus maiores aliados, o centro financeiro de Londres, que temia perder a primazia para Paris ou Frankfurt na união monetária europeia porque o Reino Unido não adotaria o euro.

Uma de suas principais bandeiras, entusiasticamente adotada pelo Partido Conservador, é repatriar poderes da UE para o Parlamento Britânico. Diante do avanço do euroceticismo e da crise da Zona do Euro, o primeiro-ministro e líder do partido, David Cameron, promete convocar um plebiscito sobre a permanência do país na UE até 2017. Convoca e perde em 23 de junho de 2016, o que leva o Reino Unido a deixar a UE.

O risco de isolamento na Europa e a substituição do imposto predial e territorial por um imposto por pessoa, independentemente da renda pessoal e do tamanho da propriedade, sela sua impopularidade. Em novembro de 1990, o ex-ministro Michel Heseltine, um europeísta, desafia a liderança da Margaret Thacher.

Sem conseguir uma vitória consistente, com mais de dois terços dos votos da bancada do partido na Câmara dos Comuns, Thatcher pede demissão. Vira Baronesa Thatcher e vai para a Câmara dos Lordes. Enquanto sua saúde permite, influencia a vida política do país.

O regicídio, como o episódio é conhecido na Grã-Bretanha, abre uma guerra interna de que o Partido Conservador não se recuperou até hoje. O compromisso com a defesa de Londres como um dos maiores centros financeiros do mundo entra em choque com a rejeição à integração europeia.

Talvez seu maior legado seja a profunda reforma política e econômica, que vai muito além do Reino Unido. Antes de Thatcher, a maioria das companhias aéreas e as empresas telefônicas de fora dos EUA eram estatais.

Para voltar ao poder com Tony Blair, em 1997, o Partido Trabalhista faz uma ampla mudança, abrindo mão do socialismo e da estatização dos meios de produção, que são excluídos do programa partidário para reconquistar a classe média. Essa é a grande vitória ideológica de Thatcher, fazer o principal adversário abraçar a economia de mercado.

Do ponto de vista econômico, o neoliberalismo que defende com tanto vigor ao lado de Reagan é a ideologia dominante da economia internacional por quase três décadas. Com suas políticas de desregulamentação e redução da atividade do Estado, é a principal causa da grande crise econômico-financeira internacional de 2008-9.

Acima de tudo, Thatcher ajuda a acabar com a Guerra Fria, resgata o prestígio da economia de mercado e recupera o orgulho do Reino Unido, mas a um custo social elevado que divide o país, aumenta a desigualdade social e o afasta do resto da Europa.

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segunda-feira, 4 de maio de 2026

Hoje na História do Mundo: 4 de Maio

 CONSTRUÇÃO DO CANAL DO PANAMÁ

    Em 1905, os Estados Unidos iniciam a segunda tentativa de abrir um canal entre os oceanos Atlântico e Pacífico no Istmo do Panamá, depois do fracasso que companhia francesa que construiu o Canal de Suez.

O sonho de construir um canal através do Istmo do Panamá vem desde 1534, quando Carlos V, rei da Espanha e imperador do Sacro Império Romano-Germânico, fala na ideia. Em 14 de agosto de 1843, o Banco Barings, de Londres, fecha contrato com a República de Nova Granada para abrir um canal no Istmo da Darién (Panamá). Mas o projeto nunca sai do papel.

Em 1846, os EUA negociam com Nova Granada o direito de trânsito e intervenção militar no istmo. Quatro anos depois, começam a construção da Ferrovia do Panamá.

A obra é tentada para valer por Ferdinand de Lesseps, o construtor do Canal de Suez. Ele obtém permissão da Colômbia em 1878. O trabalho se inicia em 1880, mas o terreno, relevo e clima criam desafios formidáveis. Chuvas torrenciais, desmoronamentos e a alta incidência de doenças tropicais como malária e febre amarela levam a empresa à falência.

O presidente Theodore Roosevelt, considerado o pai do imperialismo norte-americano, decide concluir a obra. Em 1903, os EUA fecham o Tratado Hey-Herran, mas o Senado da Colômbia não o ratifica. Com a Colômbia fragilizada depois da Guerra dos Mil Dias (1899-1902), os EUA intervêm militarmente e promovem a independência do Panamá.

A construção termina em 10 de outubro de 1913, quando o presidente norte-americano Woodrow Wilson detona uma carga de dinamite para desobstruir o último obstáculo. A inauguração do canal de 82 quilômetros acontece em 14 de agosto de 1914.

Em 1977, o presidente Jimmy Carter faz um acordo com o ditador Omar Torrijos para devolver o canal ao Panamá em 1999, o que traz grande prosperidade do país.

Nos primeiros 100 anos, mais de 820 mil navios passaram pelo Canal do Panamá.

Desde que tomou posse para um segundo mandato, o presidente Donald Trump fala em retomar o controle do canal pelos EUA.

MOVIMENTO QUATRO DE MAIO

    Em 1919, manifestações de estudantes contra a decisão do Tratado de Versalhes de entregar ao Japão territórios chineses em Shandong antes ocupados pela Alemanha marcam o início de um movimento político e cultural anti-imperialista. O Partido Comunista da China, fundado em 1921, é filho do Movimento Quatro de Maio.

A China era o Império do Meio ou do Centro, o centro do mundo na Ásia desde sua unificação, em 221 antes de Cristo. O Império Chinês entra em declínio com a derrota para o Império Britânico nas Guerras do Ópio (1839-42 e 1856-60) e para o Japão na Primeira Guerra Sino-Japonesa (1894-95), que acaba com a ordem sino-cêntrica e torna o Japão o país mais poderoso do Leste da Ásia. A China perde também a Guerra dos Boxers (1899-1901), uma luta anti-imperialista.

A Revolução Xinhai derruba o império em 1911. O início da era republicana é turbulento. A China é um dos países mais pobres do mundo, com renda média por pessoa de 100 dólares por ano. O interior do país é dominado por senhores da guerra. 

Nos anos 1920, começa uma guerra civil entre os comunistas e os nacionalistas do Kuomintang (KMT), liderado por Chiang Kai-shek, que é interrompida pela Segunda Guerra Mundial (1939-45) e recomeça depois da guerra até a vitória dos partidários de Mao Tsé-tung em 1º de outubro de 1949.

Com as reformas de Deng Xiaoping, a China passa pelo maior e mais rápido desenvolvimento econômico da história. Hoje é a segunda maior economia do mundo e disputa a liderança global com os Estados Unidos.

MORTE NO CAMPUS

    Em 1970, 28 soldados da Guarda Nacional disparam 67 vezes em 13 segundos contra manifestantes que protestam pacificamente contra a participação dos Estados Unidos na Guerra do Vietnã na Universidade Estadual de Kent, em Ohio. Eles matam quatro estudantes e ferem outros oito, inclusive um que fica paraplégico.

O Massacre de 4 de Maio ou da Universidade Estadual de Kent é um marco na luta contra a participação dos EUA na Guerra do Vietnã e, no caso, também contra a presença da Guarda Nacional no campus. Os estudantes protestam contra a intensificação da guerra contra o Camboja, anunciada em 30 de abril pelo presidente Richard Nixon.

Mais de 4 milhões de estudantes de milhares de escolas e universidades participam de protestos nos dias seguinte. É um momento decisivo na virada da opinião pública contra a guerra. O cantor e compositor Neil Young compõe a música Ohio.

As manifestações contra a guerra de Israel na Faixa de Gaza depois do ataque terrorista do Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) em 7 de outubro de 2023 são as maiores em universidades dos EUA desde a Guerra do Vietnã. Servem de pretexto para a ofensiva do governo Donald Trump às universidades sob a alegação de combater o antissemitismo.

THATCHER CHEGA AO PODER

    Em 1979, depois de uma onda de greves conhecida como inverno do descontentamento em que o lixo se acumulou nas ruas e cadáveres ficaram insepultos pela paralisação lixeiros e coveiros, o Partido Conservador vence as eleições no Reino Unido e sua líder, Margaret Thatcher se torna a primeira primeira-ministra da Europa.

A crise do petróleo deflagrada pelo embargo da venda do petróleo árabe a países que apoiam Israel na Guerra do Yom Kippur, em 1973, causa recessão, desemprego e grandes filas nos postos de gasolina na Europa e na América. É o fim da era do petróleo barato.

No Reino Unido, o Partido Trabalhista volta ao poder em 1974 sob a liderança de Harold Wilson, que havia governado o país de 1964 a 1970, nos gloriosos anos 1960, quando Londres era um centro da música popular, da moda e da cultura.

Wilson critica os termos do acordo para a entrada do Reino Unido na então Comunidade Econômica Europeia, em 1973. No poder, renegocia o acordo e consegue aprová-lo num referendo em 1975, mas a decisão divide o partido e ele renuncia em favor de James Callaghan, um líder trabalhista fraco.

Com a economia em crise, o Reino Unido pede ajuda ao Fundo Monetário Internacional (FMI) para defender a outrora poderosa libra esterlina. A onda de greves do inverno do descontentamento e o desemprego desmoralizam o governo trabalhista e abrem o caminho para Margaret Thatcher.

Margaret Hilda Roberts nasce em 1925, filha de um dono de armazém e vereador que se tornaria prefeito. Ela se forma em química na Universidade de Oxford. É eleita para a Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico pela primeira vez em 1959 pelo distrito de Finchley, no Norte de Londres. 

De 1970-74, Thatcher é ministra da Educação e da Ciência do governo Edward Heath. Após a derrota conservadora em 1974, Thatcher vence Heath na disputa pela liderança do partido no ano seguinte. É a primeira mulher a chefiar um grande partido britânico e a primeira primeira-ministra. Por suas posições conservadoras e seu anticomunismo, ganha a alcunha de Dama de Ferro da imprensa da União Soviética depois de um discurso como líder da oposição.

Além de cortar impostos, uma de suas principais bandeiras é a privatização de empresas estatais, que ela considera mais ineficientes do que o setor privado. Thatcher quer transformar a Grã-Bretanha num país de acionistas. Começa esse processo em 1981 sob forte oposição dos sindicados, ligados ao Partido Trabalhista.

Estão lançadas as bases do thatcherismo, que incluem recuo da máquina estatal, disciplina fiscal, cortes de impostos, privatizações, respeito à autoridade e à ordem pública, e um feroz anticomunismo. Poucos primeiros-ministros dão nome a uma filosofia política.

Em seu radicalismo, Margaret Thatcher chega a dizer: "Não existe isso que chamam de sociedade. Há homens, mulheres e famílias".

O total de desempregados no Reino Unido sobe para 3 milhões, e o número de pobres aumenta quatro vezes, aprofundando a desigualdade social, uma das marcas perversas do neoconservadorismo. Impopular, Thatcher conta com uma ajuda inesperada.

A invasão das Ilhas Malvinas pela ditadura militar da Argentina em 2 de abril de 1982 é um teste para sua determinação. Uma força-tarefa é enviada para a guerra a 10 mil quilômetros de distância da Inglaterra. Em 14 de junho, as ilhas são retomadas depois da morte de 649 argentinos e 258 britânicos.

Humilhada, a ditadura militar argentina cai. Fortalecida, Thatcher obtém em 1983 sua maior vitória eleitoral. Com maioria de 144 deputados no Parlamento Britânico, parte para o enfrentamento com os sindicatos para impor sua ideologia econômica neoliberal. Uma greve de 11 meses contra o fechamento de 20 minas estatais deficitárias deixa o Reino Unido sem carvão em 1984 e 1985.

Sem o apoio da opinião pública, a greve fracassa. Os mineiros e o sindicalismo em geral perdem força.

Também em 1984, Margaret Thatcher sobrevive a um atentado a bomba do Exército Republicano Irlandês (IRA) contra a convenção anual do Partido Conservador. É uma tentativa de vingar as mortes de 10 militantes republicanos irlandeses em greve fome que exigiam reconhecimento como presos políticos, em 1981. Inflexível, a Dama de Ferro os considerava criminosos comuns.

No mesmo ano, Thatcher convida o futuro líder soviético Mikhail Gorbachev para ir a Londres. É a primeira a identificá-lo no Ocidente como "alguém com quem se pode negociar".

Naquela época, ela considera o líder negro sul-africano Nelson Mandela, que ainda está preso, como "terrorista". Mais tarde, defende o amigo e admirador general Augusto Pinochet, o ditador preso em Londres em 1998 por crimes cometidos quando governou o Chile, de 1973 a 1990.

Sob Thatcher, amplos setores da economia britânica, aviação, metalurgia, telecomunicações, água, energia e o sistema ferroviário, são entregues à iniciativa privada. São mudanças permanentes, observa o jornal The New York Times. Modernizam a Grã-Bretanha, mas aprofundam a desigualdade.

A ex-primeira-ministra também é uma grande adversária do aumento dos poderes da Comunidade Europeia, hoje União Europeia. Chega a bater na mesa com sua bolsa para pedir a devolução de parte da contribuição britânica para a política comum de subsídios agrícolas do bloco europeu, já que o Reino Unido tem uma agricultura muito menor do que países como a França e a Alemanha.

"Não estou pedindo o dinheiro dos outros. Estou pedindo nosso dinheiro de volta", afirmou.

Em 1987, depois de sua terceira vitória eleitoral consecutiva, Thatcher se torna ainda mais antieuropeia, preocupando um de seus maiores aliados, o centro financeiro de Londres, que teme perder a primazia para Paris ou Frankfurt na união monetária europeia porque o Reino Unido não adota o euro.

Uma de suas principais bandeiras, entusiasticamente adotada pelo Partido Conservador, é repatriar poderes da UE para o Parlamento Britânico. Diante do avanço do euroceticismo e da crise da Zona do Euro, o atual primeiro-ministro e líder do partido, David Cameron, prometeu convocar um plebiscito sobre a permanência do país na UE até 2017. Por 52% a 48%, em 23 de junho de 2016, o Reino Unido decidiu sair da UE

O risco de isolamento na Europa e a substituição do imposto predial e territorial por um imposto por pessoa, independentemente da renda pessoal e do tamanho da propriedade, selam sua impopularidade. Em novembro de 1990, o ex-ministro Michel Heseltine, um europeísta, desafia a liderança da Margaret Thatcher.

Sem uma vitória consistente, com mais de dois terços dos votos da bancada do partido na Câmara dos Comuns, Thatcher pede demissão. Vira Baronesa Thatcher e vai para a Câmara dos Lordes. Enquanto sua saúde permite, influencia a vida política do país.

regicídio, como o episódio é conhecido na Grã-Bretanha, abre uma guerra interna de que o Partido Conservador não se recuperou até hoje e que levou ao plebiscito para sair da UE. O compromisso com a defesa de Londres como um dos maiores centros financeiros do mundo entra em choque com a rejeição à integração europeia.

Talvez seu maior legado seja a profunda reforma política e econômica, que vai muito além do Reino Unido. Antes de Thatcher, a maioria das companhias aéreas e as empresas telefônicas de fora dos EUA eram estatais.

Para voltar ao poder com Tony Blair, em 1997, o Partido Trabalhista faz uma ampla mudança, abrindo mão do socialismo e da estatização dos meios de produção, que são excluídos do programa partidário para reconquistar a classe média. Essa é a grande vitória ideológica de Thatcher, fazer o principal adversário abraçar a economia de mercado.

Do ponto de vista econômico, o neoliberalismo que defendeu com tanto vigor ao lado de Ronald Reagan é a ideologia dominante da economia internacional por quase três décadas. Com suas políticas de desregulamentação e redução da atividade do Estado, é a principal causa da grande crise econômico-financeira internacional de 2008-9 e da grande concentração da riqueza nas últimas décadas, em que surgem cada vez mais bilionários enquanto a renda das classes médias está estagnada.

Acima de tudo, Thatcher ajuda a acabar com a Guerra Fria, resgata o prestígio da economia de mercado e recupera o orgulho do Reino Unido, mas a um custo social elevado que divide o país, aumenta a desigualdade social e o afasta do resto da Europa.

ACORDOS DE OSLO

    Em 1994, o primeiro-ministro trabalhista de Israel, Yitzhak Rabin, e o presidente da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), Yasser Arafat, assinam no Cairo, a capital do Egito, o acordo que cria a Autoridade Nacional Palestina (ANP) e devolve aos árabes o controle parcial sobre a Faixa de Gaza e Jericó.

Quando a Assembleia Geral das Nações Unidas aprova a divisão do território histórico da Palestina entre um país árabe e um judeu, em 29 de novembro de 1947, os países árabes não aceitam. Com a fundação de Israel, em 14 de maio de 1948, os países árabes invadem o novo país, dando início a uma guerra sem fim.

O povo palestino é formado pelos árabes expulsos de suas terras quando Israel nasce e seus descendentes. A diáspora palestina fica ainda pior depois da Guerra dos Seis Dias (1967), quando Israel ocupa a Península do Sinai e a Faixa de Gaza, do Egito; as Colinas do Golã, da Síria; e a Cisjordânia, inclusive o setor oriental da Jerusalém, da Jordânia.

O Egito recupera o Sinai com os Acordos de Camp David (1979) e a questão palestina fica para trás. As negociações árabe-israelenses recomeçam na Conferência de Madri, em 30 e 31 de outubro de 1991, quando há uma atitude favorável a Israel por não ter reagido aos ataques de Saddam Hussein durante a Guerra do Golfo (1991) para expulsar os iraquianos do Kuwait.

As negociações não avançam. A cada reunião, os dois lados dão declarações acusatórias. Os palestinos não fazem nada sem consultar a Organização para a Libertação da Palestina (OLP), de Yasser Arafat. Então, o governo trabalhista de Yitzhak Rabin e Shimon Peres decide fazer negociações secretas organizadas pela Noruega.

Esse processo leva à declaração de princípios e ao histórico aperto de mãos entre Rabin e Arafat na Casa Branca em 13 de setembro de 1993 e aos acordos de Oslo. O assassinato de Rabin por um extremista religioso judeu, em 4 de novembro de 1995, e a ascensão do primeiro-ministro conservador Benjamin Netanyahu ao poder no ano seguinte causam uma estagnação no processo de paz.

Historicamente, o Partido Likud, de Netanyahu, usa as negociações como uma forma de ganhar tempo enquanto amplia a colonização da Cisjordânia para criar uma política de fato consumado.

O general Ariel Sharon, um dos mais violentos da história de Israel, sai do Likud e funda o partido Kadima (Avante) para negociar a paz, mas sofre um AVC e não se recupera. Seu sucessor, Ehud Olmert, cai num escândalo de corrupção.

O Likud volta ao poder em 2009 com Netanyahu, o primeiro-ministro com mais tempo no poder em Israel, superando o fundador do país, David Ben Gurion. O resultado é esta guerra sem fim, agravada pela formação do governo mais extremista da história de Israel em dezembro de 2022 e especialmente pelo ataque terrorista do Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) e aliados em 7 de outubro de 2023.

A guerra sem fim passou de um conflito de baixa intensidade para uma guerra para valer, com o uso de todas as armas, menos as bombas atômicas, que Israel também tem. No momento, há uma trégua, a segunda parte do plano de paz, que prevê o desarmamento do Hamas e a retirada de Israel, não avança.

Com esta guerra total, Netanyahu cria um ambiente insuportável para que os palestinos aceitem a ideia ventilada pelo presidente Donald Trump de uma emigração voluntária para esvaziar o território numa limpeza étnica que acabaria com qualquer chance de fundação de um Estado palestino no território histórico da Palestina, como previa a resolução da ONU que cria Israel, em 29 de novembro de 1947.

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domingo, 3 de maio de 2026

Hoje na História do Mundo: 3 de Maio

COLOMBO CHEGA À JAMAICA

    Em 1494, na sua segunda viagem à América, o navegador genovês Cristóvão Colombo chega à Jamaica, que batiza como Santiago.


Colombo nasce em Gênova, hoje parte da Itália, em 1451. Marinheiro e empreendedor naval, acredita que a Terra é redonda e sonha em chegar a Catai (China), à Índia e às Ilhas das Especiarias (Indonésia) navegando no rumo oeste. Os europeus desconhecem a América e o Oceano Pacífico.

Na época, o caminho para as Índias está bloqueado pela tomada de Constantinopla pelos turcos do Império Otomano, em 29 de maio de 1453. Os portugueses dobram o Cabo da Boa Esperança, no Sul da África, em 1488 e Vasco da Gama chega à Índia em 1498.

O descobridor apresenta seus planos ao rei Dom João II, de Portugal, que rejeita a ideia. Os reis da Espanha também não se interessam nas primeiras tentativas.

A vitória sobre os árabes com a conquista de Granada e o fim do Império Andaluz, em janeiro de 1492, dá um impulso ao colonialismo espanhol. Os reis Fernando e Isabel decidem bancar a viagem.

Três pequenos navios – Santa Maria, Pinta e Niña – saem do porto de Palos, perto de Cádiz, no Sul da Espanha, em 3 de agosto, e aportam nas Bahamas, provavelmente na ilha de Watling, em 12 de outubro.

No mesmo mês, Colombo chega a Cuba imaginando se tratar da China. Em dezembro, encontra Hispaniola, a ilha hoje dividida entre o Haiti e a República Dominicana, acreditando estar no Japão e funda uma colônia com 39 de seus homens.

Ao todo, Colombo faz quatro viagens ao Novo Mundo, mas morre em 1506 acreditando ter chegado às Índias. O continente se chama América em homenagem ao navegador florentino Américo Vespúcio, que participa das expedições exploradoras portuguesas de 1501 e 1503 na costa do Brasil e descreve o continente como Novo Mundo.

A segunda viagem de Colombo tem o objetivo de iniciar a colonização. Ele descobre a Jamaica e funda uma colônia em Hispaniola.

Por causa do genocídio dos índios e da escravidão, hoje em dia, Colombo está sendo cancelado e suas estátuas derrubadas em vários lugares, especialmente nos Estados Unidos. A data do "descobrimento" da América pelos europeus é comemorada hoje como Dia dos Povos Indígenas. Cerca de metade morreu até 1580, num choque de civilizações, genocídio e doenças para as quais os nativos não têm defesas.

Um novo estudo genético realizado por cientistas espanhóis conclui que Colombo era espanhol e judeu. 

TRIBUNAL DE TÓQUIO

    Em 1946, o Tribunal Militar Internacional para o Extremo Oriente, mais conhecido como o Tribunal de Tóquio, começa a julgar 28 oficiais e altos funcionários do Japão acusados de crimes contra a paz, crimes de guerra e crimes contra a humanidade antes e durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45), a partir da invasão da Manchúria em 1931. Segue o modelo do Tribunal Militar Internacional de Nurembergue, na Alemanha, que julga os líderes nazistas.

Depois da derrota do Japão e da ocupação do arquipélago pelos Estados Unidos, o comandante supremo das Forças Aliadas, general Douglas MacArthur, cria o tribunal para julgar os crimes da Guerra do Pacífico.

Uma carta define a composição, a jurisdição e o procedimento do tribunal com base na corte de Nurembergue. Os juízes, procuradores e funcionários do Tribunal de Tóquio vêm dos 11 países que lutaram contra o Japão na guerra: Austrália, Canadá, China, EUA, Filipinas, França, Índia, Holanda, Nova Zelândia, Reino Unido e União Soviética.

Os réus são 28 líderes políticos e militares japoneses, inclusive ex-primeiros-ministros, ministros do Exterior e altos comandantes militares. Eles são alvo de 55 acusações de guerra de agressão, assassinato, vários crimes de guerra e crimes contra a humanidade, como a tortura e os trabalhos forçados de prisioneiros, detenção e internação de civis nos territórios ocupados.

Dois réus morrem durante o julgamento. A sentença sai em 12 de novembro de 1948. Shimei Okawa, é considerado incapaz de responder ao processo. Todos os demais réus são condenados. Sete pegam a pena de morte e 16 a prisão perpétua. Milhares de criminosos de patentes inferiores e colaboradores são julgados por tribunais locais na Ásia e no Pacífico até 1949.

PRIMEIRO SPAM

    Em 1978, usuários da ARPANET recebem um anúncio que é considerado o primeiro e-mail indesejado (spam).

A estimativa hoje é que 160 bilhões de e-mails de spam sejam enviados todo dia, 46% do total de 347 bilhões de e-mails enviados em média a cada dia.

ASCENSÃO DE THATCHER

    Em 1979, o Partido Conservador vence as eleições no Reino Unido. No dia seguinte, sua líder, Margaret Thatcher, se torna a primeira primeira-ministra da Europa.

Margaret Hilda Roberts nasce em 13 de outubro de 1925 em Grantham, na Inglaterra, filha de um dono de armazém e vereador que seria prefeito da cidade. É a primeira mulher a se tornar primeira-ministra britânica e a pessoa que chefia o governo do país por mais tempo desde 1827. Ela chega ao poder depois do chamado Inverno do Descontentamento, marcado por uma onda de greves, agitação social e desemprego resultantes da primeira crise do petróleo.

Dama de Ferro, apelido que ganha da imprensa soviética em 1976 depois de um discurso anticomunista como líder da oposição, promete resgatar a moralidade pública e reduzir a participação do Estado na economia.

Além de cortar impostos, uma de suas principais bandeiras é a privatização de empresas estatais, que ela considera mais ineficientes do que o setor privado. Thatcher quer transformar a Grã-Bretanha num país de acionistas. Começa esse processo em 1981 sob forte oposição dos sindicados, ligados ao Partido Trabalhista.

Estão lançadas as bases do thatcherismo, que incluem recuo da máquina estatal, disciplina fiscal, cortes de impostos, privatizações, respeito à autoridade e à ordem pública, e um feroz anticomunismo. Poucos primeiros-ministros dão nome a uma filosofia política.

Em seu radicalismo, Margaret Thatcher chega a dizer: "Não existe isso que chamam de sociedade. Há homens, mulheres e famílias".

O total de desempregados no Reino Unido sobe para 3 milhões, e o número de pobres aumenta quatro vezes, aprofundando a desigualdade social, uma das marcas perversas do neoconservadorismo. Impopular, Thatcher conta com uma ajuda inesperada.

A invasão das Ilhas Malvinas pela ditadura militar da Argentina em 2 de abril de 1982 é um teste para sua determinação. Uma força-tarefa é enviada para a guerra a 10 mil quilômetros de distância da Inglaterra. Em 14 de junho, as ilhas são retomadas depois da morte de 649 argentinos e 258 britânicos.

Humilhada, a ditadura militar argentina cai. Fortalecida, Thatcher obtém em 1983 sua maior vitória eleitoral. Com maioria de 144 deputados no Parlamento Britânico, parte para o enfrentamento com os sindicatos para impor sua ideologia econômica neoliberal. Uma greve de mineiros de  11 meses contra o fechamento de 20 minas estatais deficitárias deixa o Reino Unido sem carvão em 1984 e 1985.

Sem o apoio da opinião pública, a greve fracassa. Os mineiros e o sindicalismo em geral perdem força.

Também em 1984, Margaret Thatcher sobrevive a um atentado a bomba do Exército Republicano Irlandês (IRA) contra a convenção anual do Partido Conservador. É uma tentativa de vingar as mortes de 10 militantes republicanos irlandeses em greve fome por exigir reconhecimento como presos políticos, em 1981. Inflexível, a Dama de Ferro os considerava criminosos comuns.

No mesmo ano, Thatcher convida o futuro líder soviético Mikhail Gorbachev para ir a Londres. É a primeira a identificá-lo no Ocidente como "alguém com quem se pode negociar".

Naquela época, ela considera o líder negro sul-africano Nelson Mandela, que ainda estava preso, como "terrorista". Mais tarde, defende o amigo e admirador general Augusto Pinochet, o ditador preso em Londres em 1998 por crimes cometidos quando governou o Chile, de 1973 a 1990.

Sob Thatcher, amplos setores da economia britânica, aviação, metalurgia, telecomunicações, água, energia e o sistema ferroviário, são entregues à iniciativa privada. São mudanças permanentes, observa o jornal The New York Times. Modernizam a Grã-Bretanha, mas aprofundam a desigualdade.

A ex-primeira-ministra também é uma grande adversária do aumento dos poderes da Comunidade Europeia, hoje União Europeia. Chega a bater na mesa com sua bolsa para pedir a devolução de parte da contribuição britânica para a política agrícola comum de subsídios do bloco europeu, já que o Reino Unido tem uma agricultura muito menor do que países como a França e a Alemanha.

"Não estou pedindo o dinheiro dos outros. Estou pedindo nosso dinheiro de volta", afirma.

Em 1987, depois de sua terceira vitória eleitoral consecutiva, Thatcher se torna ainda mais antieuropeia, preocupando um de seus maiores aliados, o centro financeiro de Londres, que teme perder a primazia para Paris ou Frankfurt na união monetária europeia porque o Reino Unido não adota o euro.

Uma de suas principais bandeiras, entusiasticamente adotada pelo Partido Conservador, é repatriar poderes da UE para o Parlamento Britânico. Diante do avanço do euroceticismo e da crise da Zona do Euro, o primeiro-ministro e líder do partido, David Cameron, promete convocar um plebiscito sobre a permanência do país na UE até 2017. Por 52% a 48%, em 23 de junho de 2016, o Reino Unido decide sair da UE.

O risco de isolamento na Europa e a substituição do imposto predial e territorial por um imposto por pessoa, independentemente da renda pessoal e do tamanho da propriedade, selam sua impopularidade. Em novembro de 1990, o ex-ministro Michel Heseltine, um europeísta, desafia a liderança da Margaret Thatcher.

Sem uma vitória consistente, que exigiria mais de dois terços dos votos da bancada do partido na Câmara dos Comuns, Thatcher pede demissão. Vira Baronesa Thatcher e vai para a Câmara dos Lordes. Enquanto sua saúde permite, influencia a vida política do país.

regicídio, como o episódio é conhecido na Grã-Bretanha, abre uma guerra interna de que o Partido Conservador não se recupera até hoje e que leva ao plebiscito para sair da UE. O compromisso com a defesa de Londres como um dos maiores centros financeiros do mundo entra em choque com a rejeição à integração europeia.

Talvez seu maior legado seja a profunda reforma política e econômica, que vai muito além do Reino Unido. Antes de Thatcher, a maioria das companhias aéreas e as empresas telefônicas de fora dos EUA eram estatais.

Para voltar ao poder com Tony Blair, em 1997, o Partido Trabalhista faz uma ampla mudança, abrindo mão do socialismo e da estatização dos meios de produção, que são excluídos do programa partidário para reconquistar a classe média. Essa é a grande vitória ideológica de Thatcher, fazer o principal adversário abraçar a economia de mercado.

Do ponto de vista econômico, o neoliberalismo que defendeu com tanto vigor ao lado de Ronald Reagan é a ideologia dominante da economia internacional por quase três décadas. Com suas políticas de desregulamentação e redução da atividade do Estado, é a principal causa da grande crise econômico-financeira internacional de 2008-9.

Acima de tudo, Thatcher ajuda a acabar com a Guerra Fria, resgata o prestígio da economia de mercado e recupera o orgulho do Reino Unido, mas a um custo social elevado que divide o país, aumenta a desigualdade social e o afasta do resto da Europa.

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quarta-feira, 8 de abril de 2026

Hoje na História do Mundo: 8 de Abril

NASCIMENTO DE BUDA

    Neste dia, os budistas de alguns países, entre eles o Japão, comemoram o nascimento do príncipe Sidarta Gautama, o fundador do budismo, que teria vivido na Índia de 563 a 483 antes de Cristo.

Originalmente os budistas festejavam o aniversário de Buda no século 11 AC. Na era moderna, os estudiosos concluíram que provavelmente ele nasceu em maio de 6 AC. 

Quando Sidarta nasce, os brahmas, membros da casta superior do hinduísmo, preveem que ele será um grande rei ou um professor iluminado, se crescer isolado do mundo exterior. O rei Sudodana tenta proteger o filho de todas formas. O príncipe casa e tem um filho.

Aos 29 anos, Sidarta resolve conhecer o mundo e começa a fazer excursões de carruagem. Numa delas, ele viu um idoso, um homem doente e um cadáver. Como era protegido dos males do mundo, o cocheiro teve de explicar o que significavam.

Sidarta então conhece um monge. Fica impressionado ao ver um homem sereno e em paz num mundo conturbado e se interessa pela espiritualidade.

JOMO KENYATTA PRESO

    Em 1953, durante a Revolta dos Mau Mau (1952-60), a maior da descolonização do Império Britânico, as autoridades coloniais prendem Jomo Kenyatta, que sai da cadeia em 1961 para liderar a independência do Quênia em 1963.

O grupo Mau Mau é uma organização clandestina criada pela tribo kikuyu, a mais importante do Quênia, que domina a política do país até hoje. Com as tribos meru e embu, e unidades dos povos kamba e massai, os kikuyus formam o Exército por Terra e Liberdade do Quênia.

A revolta é marcada pela brutalidade dos dois lados, que não aceitam a neutralidade e tratam quem não adere como inimigo. Poucos anos depois do fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45), um juiz de Nairóbi denuncia a existência de campos de concentração no Quênia. Os rebeldes, por sua vez, atacam mulheres, crianças e idosos africanos, não somente as forças imperiais.

A captura do líder rebelde, marechal Dedan Kimathi, em 21 de outubro de 1956, acaba praticamente com a revolta e marca o fim das operações militares britânicas, mas os merus mantêm a resistência.

 Ao todo, cerca de 3 mil soldados e policiais quenianos e 20 mil civis quenianos, 200 soldados britânicos e 32 colonos brancos morrem na rebelião.

MORTE DE PABLO PICASSO

    Em 1973, morre aos 91 anos em Mougins, na França, o pintor, escultor, ceramista, cenógrafo, poeta e dramaturgo espanhol Pablo Ruiz Picasso, o maior artista plástico do século 20.


Picasso nasce em Málaga, na Andaluzia, em 25 de outubro de 1881. A família se muda para Corunha, capital da Galícia, e depois para Barcelona. Em 1897, ele vai para Madri, onde se matricula na Academia Real de Belas Artes de São Fernando, mas uma doença, a escarlatina, o faz voltar para Barcelona,

Em 1900, Picasso faz a primeira visita a Paris, a capital cultural da Europa, onde conhece os poetas André Breton e Guillaume Apolinaire e a escritora Gertrud Stein. Em 1904, muda-se para lá.

Seu talento explode na fase azul (1901-5), seguida da rosa (1905-6). Em 1906, inicia uma nova fase, o protocubismo, antecedente do cubismo, sob a influência das artes grega, ibérica e africana. Aliás, cubismo é um termo pejorativo usado por críticos que não gostam de sua obra.

 A Guerra Civil Espanhola (1936-39) o politiza. Picasso entra para o Partido Comunista e cria uma de uma de suas obras-primas, o mural Guernica, sobre o bombardeio da Força Aérea da Alemanha Nazista, a Luftwaffe, que destrói a cidade Guernica, no País Basco em 26 de abril de 1937. Em três horas de ataque, morrem 1.645 pessoas.

O mural, hoje em exposição num pavilhão anexo ao Museu do Prado, em Madri, fica em Paris. Só vai para a Espanha depois da redemocratização do país.

Durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45), Picasso fica em Paris durante a ocupação nazista. Quando um oficial alemão revista seu apartamento e vê uma foto do mural Guernica, pergunta: "Foi você que fez isto?" Depois de pensar rapidamente, o artista responde: "Não. Foram vocês."

MORTE DE MARGARET THATCHER

    Em 2013, morre Margaret Hilda Thatcher, a primeira primeira-ministra britânica, líder da uma revolução ou contrarrevolução conservadora que acaba com o consenso social-democrata do pós-guerra e, ao lado do presidente norte-americano Ronald Reagan, impõe o neoliberalismo e adota uma política de linha dura durante a Guerra Fria que lhe vale a alcunha de Dama de Ferro.

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Filha de um dono de armazém, Margaret Hilda Roberts nasce em Grantham, na Inglaterra, em 13 de outubro de 1925. Ela se forma em química na Universidade de Oxford e entra para o Partido Conservador. 

Em 1959, é eleita pela primeira vez para a Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico, pelo distrito de Finchley, no Norte de Londres. Em 1970, Thatcher é nomeada ministra da Educação do governo Edward Heath (1970-74). 

Com a derrota conservadora nas eleições de 1974, Thatcher desafia Heath e se torna líder do partido e da oposição em 1975. Por criticar a União Soviética, um artigo no jornal Estrela Vermelha, do Exército Vermelho, lhe dá o apelido de Dama de Ferro.

Depois de uma profunda crise econômica causada pelos dois choques nos preços do petróleo, e uma onda de greves no Inverno do Descontentamento, os conservadores vencem as eleições. 

Em 4 de maio de 1979, ela torna a primeira primeira-ministra do Reino Unido e declara, parafraseando uma oração de São Francisco de Assis: "Onde houver discórdia, que eu leve a união. Onde houver dúvida, que eu leve a fé. Onde houver erro, que eu leve a verdade. Onde houver desespero, que eu leve a esperança."

Faz o contrário, em larga medida. Em 1980 e 1981, os prisioneiros do Exército Republicano Irlandês (IRA), que lutavam contra o domínio britânico sobre a Irlanda do Norte, se rebelam para exigir tratamento de presos políticos. Dez morrem durante uma greve de fome.

Thatcher promete fazer recuar as fronteiras do Estado, ou seja, diminuir a intervenção governamental na economia. Ela começa o programa de privatizações no início dos anos 1980, mas é a vitória contra a Argentina na Guerra das Malvinas, em 1982, que lhe dá a maior vitória eleitoral, em 1983.

Dama de Ferro acelera o programa de privatizações, sobrevive a uma tentativa de assassinato num atentado do IRA durante a Convenção Anual do Partido Conservador realizada em Brighton, no Sul da Inglaterra, em 12 de outubro de 1984.

De 6 de março de 1984 a 3 de março de 1985, decidida a reduzir o poder dos sindicatos, Thatcher enfrenta e vence uma greve de mineiros contra o fechamento de minas de carvão, a maior paralisação de trabalhadores no Reino Unido desde a greve geral de 1926.

A primeira-ministra obtém sua terceira vitória eleitoral em 1987. No terceiro mandato, se torna cada vez mais eurocética e perde prestígio ao substituir o imposto predial por um imposto comunitário cobrado de acordo com o número de pessoas numa residência e não pelo valor do imóvel. Em novembro de 1990, uma rebelião na bancada conservadora a derruba.

O Partido Conservador nunca se recupera desse regicídio. A ala eurocética, à direita do partido, inicia uma campanha para retirar o país da União Europeia. Isto finalmente acontece no plebiscito de 23 de junho de 2016, uma catástrofe para o Reino Unido cujas consequências nefastas são cada vez mais evidentes.

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sexta-feira, 19 de dezembro de 2025

Hoje na História do Mundo: 19 de Dezembro

CONTO DE NATAL

    Em 1843, Um Conto de Natal, de Charles Dickens é publicado pela primeira vez e logo se transforma num clássico da literatura.

Durante uma noite de frio e neve, Londres se prepara para celebrar o Natal, menos o velho Ebenezer Scrooge, um negociante rico, pão-duro, rabugento e solitário. Ele recebe a visita redentora do fantasma de Jacob Marley, seu ex-sócio falecido, que lamenta ter passado a vida inteira se preocupando só com dinheiro.

Depois de receber visitas de outros fantasmas, Scrooge entende o espírito natalino e se torna uma pessoa generosa.

Dickens escreve Um Conto de Natal para chamar a atenção dos britânicos para as condições de vida dos trabalhadores pobres. Seu pai era um trabalhador com um salário razoável que cometia extravagâncias. Em 1824, quando Dickens tem 12 anos, o pai é preso por dívidas e ele vai trabalhar numa fábrica. O episódio marca profundamente a vida do autor.

GUERRA DA INDOCHINA

    Em 1946, o Viet Minh, o movimento nacionalista de esquerda liderado por Ho Chi Minh, inicia a Primeira Guerra da Indochina (1946-54) na luta pela independência da França.

O Império Francês toma a Indochina e a torna um protetorado em 1883. Durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45), o Império do Japão toma boa parte do Sudeste da Ásia. Quando o Japão se rende oficialmente, em 2 de setembro de 1945, Ho Chi Minh declara independência.

Como a França não aceita, o Viet Minh trava uma guerra de guerrilhas que termina com a vitória na Batalha de Dien Bien Phu, em 7 de maio de 1954. Um acordo de paz assinado em Genebra em 21 de julho de 1954 divide o Vietnã entre o Norte comunista e o Sul, apoiado pelos Estados Unidos.

Em 1955, haveria eleições para unificar o país. Diante da expectativa de vitória comunista, os EUA suspendem as eleições e começa a Segunda Guerra da Indochina ou Guerra do Vietnã (1955-75). Os EUA começam a enviar assessores militares ainda no governo Dwight Eisenhower (1953-61) e entram diretamente na guerra em 1964. Fazem um acordo de paz com o Vietnã do Norte e saem do conflito em 1973.

A guerra termina com a vitória do Vietnã do Norte, comunista, em 30 de abril de 1975.

PAZ NO ESPAÇO EXTERIOR

    Em 1966, a Assembleia Geral das Nações Unidas aprova o Tratado do Espaço Sideral ou do Espaço Exterior, um acordo internacional para proibir a militarização do espaço.

Os Estados Unidos e a União Soviética, as duas superpotências que dominam o mundo durante a Guerra Fria, encaminham suas propostas, que são conciliadas no texto aprovado pela Assembleia Geral. 

O Tratado sobre os Princípios que Regem a Atividade dos Estados na Exploração e Uso do Espaço Exterior, inclusive na Lua e outros corpos celestes, é aberto para assinatura em 27 de janeiro de 1967. Entra em vigor em 10 de outubro do mesmo ano.

REINO UNIDO ACEITA DEVOLVER HONG KONG

    Em 1984, a primeira-ministra britânica, Margaret Thatcher, e o líder chinês Deng Xiaoping chegam a um acordo para que o Reino Unido devolva Hong Kong à China em 1º de julho de 1997.

No início das negociações, a primeira-ministra britânica chegou a falar em prorrogar o Tratado de Nanquim (1842) e a Convenção de Beijim (1860), pelos quais o Império Britânico tomou a colônia no fim das Guerras do Ópio (1839-42 e 1856-60) sob o pretexto da abrir a China ao livre comércio, inclusive de ópio.

Depois de 22 rodadas de negociações ao longo de dois anos, Thatcher aceita ceder a que era considerada a última joia do Império Britânico. Em troca, Deng cria a fórmula "um país com dois sistemas", prometendo manter o sistema capitalista e as liberdades democráticas em Hong Kong durante pelo menos 50 anos.

Thatcher está entusiasmada com as reformas lançadas por Deng em 13 de dezembro de 1978 na esperança de que a abertura econômica e a adesão da China ao capitalismo levem a uma liberalização do regime comunista chinês. Mas o massacre do movimento dos estudantes pela paz e a democracia na Praça da Paz Celestial, em Beijim, em 4 de junho, acaba com a chance de uma abertura política.

Diante de ondas de protestos no território, que tem status de região administrativa especial da República Popular da China, o ditador Xi Jinping, no poder desde 2012, impôs uma Lei de Segurança Nacional que na prática acaba com a autonomia de Hong Kong e enterra a fórmula "um país com dois sistemas", criada também tendo em vista a reintegração de Taiwan, que Xi ameaça fazer à força.

MULHER NO PODER NA COREIA DO SUL

    Em 2012, Park Geun Hye é a primeira mulher eleita presidente da Coreia do Sul. Ela também se torna, em 2017, a primeira líder do país eleita democraticamente afastada num processo de impeachment.

Ela nasce em Daegu, na Coreia do Sul, em 2 de fevereiro de 1952, filha do ditador Park Chung Hee, que governa o país de 1961 até a morte, em 1979. Vai com a família para Seul nos anos 1950. Cresce na Casa Azul, o palácio presidencial sul-coreano.

Em 1974, ela vira primeira-dama depois que a mãe morre numa tentativa de assassinato do pai por um agente da Coreia do Norte. Cinco anos depois, o pai é assassinado pelo diretor da Agência Central de Inteligência da Coreia (KCIA), Kim Jae Kyu.

Park Geun Hye é eleita em 1998  deputada da Assembleia Nacional pelo conservador Grande Partido Nacional. É reeleita quatro vezes antes de se candidatar à Presidência. Na campanha, ela resgata o lema do pai, "vamos viver bem", pede desculpas aos que sofreram sob seu regime e promete retomar os altos índices de crescimento econômico.

Seu governo é marcado pelo naufrágio do ferryboat Sewol, com mais de 300 mortes, em abril de 3024, em que a guarda costeira é acusada de negligência no socorro às vítimas.

O escândalo que a derruba estoura em 2016. O maior jornal sul-coreano, Chosun Ilbo, revela que o governo ameaça grandes empresas com auditorias se não contribuírem para duas fundações, supostamente instituições beneficentes, sem fins lucrativos, ligadas a Choi Soon Sil, amiga, confidente, guia espiritual da presidente e líder de uma seita chamada Igreja da Vida Eterna. As empresas doam US$ 70 milhões às fundações.

Choi é presa em novembro de 2016. Em 9 de dezembro do mesmo ano, a Assembleia Nacional aprova o impeachment. Pela Constituição da Coreia do Sul, a Corte Suprema tem de confirmar o impeachment por dois terços dos votos. Em 10 de março de 2017, por unanimidade, o Supremo confirma a decisão dos deputados.

A ex-presidente é presa, processada e condenada a 24 anos de prisão e multa de US$ 17 milhões em 6 de abril de 2018. A sentença depois é ampliada para 33 anos de prisão. Em novo julgamento, em 2020, a pena é reduzida para 20 anos. Em 2021, o presidente Moon Jae In lhe dá o indulto presidencial. Park sai da cadeia em 31 de dezembro daquele ano.

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