Mostrando postagens com marcador Pablo Picasso. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Pablo Picasso. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 8 de abril de 2026

Hoje na História do Mundo: 8 de Abril

NASCIMENTO DE BUDA

    Neste dia, os budistas de alguns países, entre eles o Japão, comemoram o nascimento do príncipe Sidarta Gautama, o fundador do budismo, que teria vivido na Índia de 563 a 483 antes de Cristo.

Originalmente os budistas festejavam o aniversário de Buda no século 11 AC. Na era moderna, os estudiosos concluíram que provavelmente ele nasceu em maio de 6 AC. 

Quando Sidarta nasce, os brahmas, membros da casta superior do hinduísmo, preveem que ele será um grande rei ou um professor iluminado, se crescer isolado do mundo exterior. O rei Sudodana tenta proteger o filho de todas formas. O príncipe casa e tem um filho.

Aos 29 anos, Sidarta resolve conhecer o mundo e começa a fazer excursões de carruagem. Numa delas, ele viu um idoso, um homem doente e um cadáver. Como era protegido dos males do mundo, o cocheiro teve de explicar o que significavam.

Sidarta então conhece um monge. Fica impressionado ao ver um homem sereno e em paz num mundo conturbado e se interessa pela espiritualidade.

JOMO KENYATTA PRESO

    Em 1953, durante a Revolta dos Mau Mau (1952-60), a maior da descolonização do Império Britânico, as autoridades coloniais prendem Jomo Kenyatta, que sai da cadeia em 1961 para liderar a independência do Quênia em 1963.

O grupo Mau Mau é uma organização clandestina criada pela tribo kikuyu, a mais importante do Quênia, que domina a política do país até hoje. Com as tribos meru e embu, e unidades dos povos kamba e massai, os kikuyus formam o Exército por Terra e Liberdade do Quênia.

A revolta é marcada pela brutalidade dos dois lados, que não aceitam a neutralidade e tratam quem não adere como inimigo. Poucos anos depois do fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45), um juiz de Nairóbi denuncia a existência de campos de concentração no Quênia. Os rebeldes, por sua vez, atacam mulheres, crianças e idosos africanos, não somente as forças imperiais.

A captura do líder rebelde, marechal Dedan Kimathi, em 21 de outubro de 1956, acaba praticamente com a revolta e marca o fim das operações militares britânicas, mas os merus mantêm a resistência.

 Ao todo, cerca de 3 mil soldados e policiais quenianos e 20 mil civis quenianos, 200 soldados britânicos e 32 colonos brancos morrem na rebelião.

MORTE DE PABLO PICASSO

    Em 1973, morre aos 91 anos em Mougins, na França, o pintor, escultor, ceramista, cenógrafo, poeta e dramaturgo espanhol Pablo Ruiz Picasso, o maior artista plástico do século 20.


Picasso nasce em Málaga, na Andaluzia, em 25 de outubro de 1881. A família se muda para Corunha, capital da Galícia, e depois para Barcelona. Em 1897, ele vai para Madri, onde se matricula na Academia Real de Belas Artes de São Fernando, mas uma doença, a escarlatina, o faz voltar para Barcelona,

Em 1900, Picasso faz a primeira visita a Paris, a capital cultural da Europa, onde conhece os poetas André Breton e Guillaume Apolinaire e a escritora Gertrud Stein. Em 1904, muda-se para lá.

Seu talento explode na fase azul (1901-5), seguida da rosa (1905-6). Em 1906, inicia uma nova fase, o protocubismo, antecedente do cubismo, sob a influência das artes grega, ibérica e africana. Aliás, cubismo é um termo pejorativo usado por críticos que não gostam de sua obra.

 A Guerra Civil Espanhola (1936-39) o politiza. Picasso entra para o Partido Comunista e cria uma de uma de suas obras-primas, o mural Guernica, sobre o bombardeio da Força Aérea da Alemanha Nazista, a Luftwaffe, que destrói a cidade Guernica, no País Basco em 26 de abril de 1937. Em três horas de ataque, morrem 1.645 pessoas.

O mural, hoje em exposição num pavilhão anexo ao Museu do Prado, em Madri, fica em Paris. Só vai para a Espanha depois da redemocratização do país.

Durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45), Picasso fica em Paris durante a ocupação nazista. Quando um oficial alemão revista seu apartamento e vê uma foto do mural Guernica, pergunta: "Foi você que fez isto?" Depois de pensar rapidamente, o artista responde: "Não. Foram vocês."

MORTE DE MARGARET THATCHER

    Em 2013, morre Margaret Hilda Thatcher, a primeira primeira-ministra britânica, líder da uma revolução ou contrarrevolução conservadora que acaba com o consenso social-democrata do pós-guerra e, ao lado do presidente norte-americano Ronald Reagan, impõe o neoliberalismo e adota uma política de linha dura durante a Guerra Fria que lhe vale a alcunha de Dama de Ferro.

a

Filha de um dono de armazém, Margaret Hilda Roberts nasce em Grantham, na Inglaterra, em 13 de outubro de 1925. Ela se forma em química na Universidade de Oxford e entra para o Partido Conservador. 

Em 1959, é eleita pela primeira vez para a Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico, pelo distrito de Finchley, no Norte de Londres. Em 1970, Thatcher é nomeada ministra da Educação do governo Edward Heath (1970-74). 

Com a derrota conservadora nas eleições de 1974, Thatcher desafia Heath e se torna líder do partido e da oposição em 1975. Por criticar a União Soviética, um artigo no jornal Estrela Vermelha, do Exército Vermelho, lhe dá o apelido de Dama de Ferro.

Depois de uma profunda crise econômica causada pelos dois choques nos preços do petróleo, e uma onda de greves no Inverno do Descontentamento, os conservadores vencem as eleições. 

Em 4 de maio de 1979, ela torna a primeira primeira-ministra do Reino Unido e declara, parafraseando uma oração de São Francisco de Assis: "Onde houver discórdia, que eu leve a união. Onde houver dúvida, que eu leve a fé. Onde houver erro, que eu leve a verdade. Onde houver desespero, que eu leve a esperança."

Faz o contrário, em larga medida. Em 1980 e 1981, os prisioneiros do Exército Republicano Irlandês (IRA), que lutavam contra o domínio britânico sobre a Irlanda do Norte, se rebelam para exigir tratamento de presos políticos. Dez morrem durante uma greve de fome.

Thatcher promete fazer recuar as fronteiras do Estado, ou seja, diminuir a intervenção governamental na economia. Ela começa o programa de privatizações no início dos anos 1980, mas é a vitória contra a Argentina na Guerra das Malvinas, em 1982, que lhe dá a maior vitória eleitoral, em 1983.

Dama de Ferro acelera o programa de privatizações, sobrevive a uma tentativa de assassinato num atentado do IRA durante a Convenção Anual do Partido Conservador realizada em Brighton, no Sul da Inglaterra, em 12 de outubro de 1984.

De 6 de março de 1984 a 3 de março de 1985, decidida a reduzir o poder dos sindicatos, Thatcher enfrenta e vence uma greve de mineiros contra o fechamento de minas de carvão, a maior paralisação de trabalhadores no Reino Unido desde a greve geral de 1926.

A primeira-ministra obtém sua terceira vitória eleitoral em 1987. No terceiro mandato, se torna cada vez mais eurocética e perde prestígio ao substituir o imposto predial por um imposto comunitário cobrado de acordo com o número de pessoas numa residência e não pelo valor do imóvel. Em novembro de 1990, uma rebelião na bancada conservadora a derruba.

O Partido Conservador nunca se recupera desse regicídio. A ala eurocética, à direita do partido, inicia uma campanha para retirar o país da União Europeia. Isto finalmente acontece no plebiscito de 23 de junho de 2016, uma catástrofe para o Reino Unido cujas consequências nefastas são cada vez mais evidentes.

ESTE BLOG DEPENDE DA AJUDA DE SEUS LEITORES. CONTRIBUIÇÕES VIA PIX PELO CNPJ 25.182.225/0001-37

sábado, 25 de outubro de 2025

Hoje na História do Mundo: 25 de Outubro

BATALHA DE AGINCOURT

Em 1415, durante a Guerra dos Cem Anos (1337-1453), dois meses depois de cruzar o Canal da Mancha com 11 mil soldados, o jovem rei Henrique V, da Inglaterra, de 27 anos, derrota um exército de 20 mil homens da França na região da Normandia.

Cerca de 6 mil franceses e 400 ingleses morrem em combate. Henrique V casa com a filha do rei da França e herda a coroa. Só depois de execução da jovem Joana d'Arc, em 30 de maio de 1431, a França ganha força para recuperar a independência.

Os ingleses usam arcos longos que aumentam o alcance se suas flechas, testado na Batalha de Aljubarrota, em 1385, quando Portugal, com apoio da Inglaterra, enfrenta Castela, aliada da França, e garante.sua independência.

A Batalha de Agincourt é o tema central da peça Henrique V, de William Shakespeare, de que há dois filmes de mesmo nome, com Lawrence Olivier e Kenneth Branagh como o rei da Inglaterra.

NASCIMENTO DE PICASSO

    Em 1881, Pablo Picasso, o maior artista plástico do século 20, nasce em Málaga, na Andaluzia, no Sul da Espanha.

O pai, professor de desenho, introduz o filho nas artes plásticas. Picasso faz sua primeira exposição aos 13 anos.

É um artista de múltiplos talentos: pintor, escultor, ceramista, cenógrafo, poeta e dramaturgo. Co-fundador do cubismo, com Georges Braque, inventa a colagem e cria o mural Guernica retratando os horrores do bombardeio da Força Aérea da Alemanha Nazista, a Luftwaffe, à cidade basca durante a Guerra Civil Espanhola (1936-39).

Para fugir da Guerra Civil e da ditadura do generalíssimo Francisco Franco (1939-75), Picasso se refugia na França, onde passa a maior parte da vida e só autoriza que Guernica seja levado para a Espanha depois da democratização do país.

PRIMEIRO ATAQUE KAMIKAZE

    Em 1944, durante a Batalha do Golfo de Leyte, pela primeira vez pilotos da Força Aérea do Japão fazem ações suicidas contra a Marinha dos Estados Unidos durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45).

A palavra japonesa kamikaze significa “vento divino”. Era usada em referência a um tufão que impediu a invasão do Japão pelo Império Mongol em 1281.

Durante a Segunda Guerra Mundial, é usada para falar das Unidades Especiais de Ataque da Força Aérea do Japão que fazem ataques suicidas contra navios inimigos.

Cerca de 3,8 mil pilotos kamikazes morrem na guerra, matando cerca de 7 mil marinheiros inimigos.

CHINA NA ONU

    Em 1971, depois de visita do assessor de segurança nacional dos Estados Unidos Henry Kissinger a Beijim, a República Popular da China assume a cadeira da China nas Nações Unidas e no Conselho de Segurança.

Quando termina a Segunda Guerra Mundial (1939-45) e nasce a Organização das Nações Unidas (ONU), a China entra para o Conselho de Segurança como membro permanente com direito de veto por ser considerada vencedora. Havia sido invadida pelo Japão em 1937. Está sob o governo nacionalista do Kuomintang (KMT), de Chiang Kai-Shek.

Com a vitória da Revolução Comunista, em 1º de outubro de 1949, o governo do KMT foge para Taiwan, onde mantém o nome de República da China, com reivindicação de soberania sobre todo o território chinês.

O regime comunista chinês sempre defende a política de que só existe uma China e que Taiwan não passa de uma província rebelde. Com a reaproximação entre os EUA e a China durante a détente dos anos 1970, a China comunista finalmente assume a cadeira da China na ONU e no Conselho de Segurança. 

Os dois países, hoje as superpotências dominantes da política internacional, só reatam formalmente as relações diplomáticas em 1º de janeiro de 1979.

INVASÃO DE GRANADA

    Em 1983, no governo Ronald Reagan (1981-89), os Estados Unidos invadem Granada sob o pretexto de proteger os cidadãos norte-americanos residentes na ilha depois de um golpe dentro do regime comunista.

A ilha de Granada, situada a 160 quilômetros ao norte da Venezuela, conquista a independência do Império Britânico em 1974. Os comunistas do Movimento Nova Joia, liderados por Maurice Bishop, tomam o poder num golpe em 1979.

Numa disputa de poder dentro do regime, em setembro de 1983, o primeiro-ministro Bishop é pressionado a partilhar o poder com o vice-primeiro-ministro Bernard Coard. Bishop concorda inicialmente, mas volta atrás e o Comitê Central o coloca em prisão domiciliar.

Ele é popular. Uma multidão de partidários rejeita sua queda e entra em conflito com militares. Pelo menos 19 militares e civis morrem em confrontos em 19 de outubro, inclusive Bishop e sua mulher.

O governo Ronald Reagan (1981-89), visceralmente anticomunista, recebe um pedido de ajuda da Organização dos Estados do Caribe Oriental e alega a necessidade de proteger cerca de 600 norte-americanos que estudavam medicina na ilha para justificar a invasão.

Os EUA têm o apoio de seis países caribenhos, que colaboram com 353 soldados. Os norte-americanos são 7,3 mil, contra 1,2 mil soldados de Granada, que tem assessores militares de Cuba, da União Soviética, da Alemanha Oriental e da Líbia.

ESTE BLOG DEPENDE DE SEUS LEITORES. CONTRIBUIÇÕES VIA PIX PELO CNPJ 25.182.225/0001-37

quarta-feira, 10 de setembro de 2025

Hoje na História do Mundo: 10 de Setembro

 PRESIDENTE DA COLÔNIA DE JAMESTOWN

    Em 1608, depois de sobreviver a captura pelos indígenas, provavelmente por influência da princesa Pocahontas, filha do cacique, John Smith se torna o primeiro presidente da colônia da Jamestown, o primeiro assentamento permanente da Inglaterra na América.

John Smith nasce em Willoughby em 6 de janeiro de 1580 na fazenda da famílila. Aos 16 ou 17 anos, vai lutar contra a Espanha na Guerra da Independência da Holanda, a Guerra dos 80 Anos (1568-1648). De volta à Inglaterra, passa dois anos estudando livros clássicos militares. 

Em 1601, Smith vai para a Hungria, onde se alista como mercenário da Áustria na guerra contra o Império Otomano. Capturado pelo inimigo, é levado para a Turquia, de onde foge para a Rússia em 1604 ou 1605.

Ao voltar para a Inglaterra, ele se junta a um grupo que se prepara para fundar a primeira colônia inglesa na América. Quando a Virginia Company consegue uma carta real, Smith e outros 100 colonos liderados por Christopher Newport zarpam em 20 de dezembro de 1606. Eles chegam à Baía de Chesapeake em 27 de abril de 1607. Em 14 de maio, desembarcam onde fundam Jamestown.

Smith é indicado pela Virginia Company para o grupo de sete pessoas que governa a colônia e vira seu primeiro presidente. É também escritor e cartógrafo. Faz uma série de viagens e produz um mapa detalhado da costa da Virgínia. Seus textos descrevendo e exaltando as belezas da América ajudam a atrair colonos.

Numa dessas viagens, sofre uma emboscada e é capturado pelos índios Powhatan, entregue ao cacique. De acordo com o relato do próprio Smith, é salvo por interferência da princesa Pocahontas.

Quando se torna presidente, Smith mantém um comércio com os índígenas para garantir o suprimento de milho aos colonos e adota uma política linha-dura: "Quem não trabalha não come", à exceção das pessoas com deficiência. Sempre evita o confronto com os nativos.

Depois de se ferir num incêndio em setembro de 1609, Smith tem de voltar à Inglaterra. Em 1614, vai para a região da Nova Inglaterra, no que é hoje o Nordeste dos EUA, e mapeia a região da Baía de Penobscot e o Cabo Cod. Os Peregrinos do Mayflower, que chegam onde hoje é Massachusetts em 11 de novembro de 1620, usam mapas de John Smith.

No Massacre de Jamestown, em 22 de março de 1622, os indígenas atacam os europeus e matam 347 pessoas, um quarto da população da colônia. 

FIM DA GUERRA DO NORTE

    Em 1721, o Tratado de Nystad põe fim à Grande Guerra do Norte (1700-21), em que a Rússia, a Dinamarca-Noruega e a Polônia-Saxônia desafiam a supremacia da Suécia na região do Mar Báltico. O conflito termina com o declínio da Suécia e a ascensão da Rússia de Pedro I, o Grande, como a maior potência da região.

A morte do rei Carlos XI, da Suécia, leva ao trono seu filho Carlos XII, de apenas 14 anos. A Dinamarca-Noruega vê uma boa oportunidade para formar uma aliança contra a Suécia.

No início da guerra, Augusto II, rei da Polônia e eleitor da Saxônia, ataca Livônia em fevereiro de 1700. Em março, Frederico IV, da Dinamarca e da Noruega, entra em Schleswig-Holstein, hoje um estado da Alemanha. Pedro I, da Rússia, cerca Narva em outubro.

Carlos XII contra-ataca. O primeiro alvo é a Dinamarca. Ele chega perto de Copenhague e obriga o país a deixar a aliança anti-sueca no Tratado de Traventhal, de agosto de 1700. Ao ocupar a Curlândia, força Augusto II a recuar para a Polônia. E vence a Rússia, rompendo o cerco de Narva em 30 de novembro de 1700.

Com a determinação de derrubar Augusto II, Carlos XII fica seis anos em guerra contra ele. Quando os suecos invadem a Saxônia, Augusto entrega a coroa da Polônia e rompe a aliança com a Rússia no Tratado de Altranstädt, em setembro de 1706. O próximo alvo é a Rússia.

Pedro, o Grande, um pioneiro do Império Russo, sonha em europeizar o país e em ter acesso a portos de águas mornas. Para consolidar a presença no Báltico, o czar funda São Petersburgo em 1703 e obriga a nobreza russa a contratar arquitetos da Europa Ocidental para construir mansões e palácios, o que torna a cidade uma joia arquitetônica chamada de Veneza do Norte, capital da Rússia e berço das revoluções de 1917.

Quando Carlos II, da Suécia, ataca a Rússia, no fim de 1707, Pedro o Grande obtém uma vitória decisiva na Batalha de Poltava, em 8 de julho de 1709. Carlos foge para a Turquia, onde pede ao Império Otomano que se junte à aliança. Os otomanos entram rapidamente. Depois da vitória na Batalha do Rio Pruth (1711), ficam satisfeitos com o acesso ao Mar de Azov e saem da guerra,

Em maio de 1713, a coalizão vence a Suécia em Holstein. Em 1714, a Rússia vence a Batalha Naval de Hanko, toma as Ilhas Aland e ameaça Estocolmo. Em novembro daquele ano, Carlos XII recua para o território sueco.

A esta altura da guerra, a Suécia perde a maioria de suas possessões na orla do Mar Báltico. Frederico Guilherme I, da Prússia, e George I, da Inglaterra, e eleitor de Hanôver, se juntam à coalizão. Primeiro, exigem concessões territoriais em troca de neutralidade. Carlos XII rejeita as exigências.

O rei da Suécia abre negociações de paz em 1717-18, enquanto aumenta seu exército para 60 mil homens. Em setembro de 1718, invade a Noruega, onde morre na Batalha de Frederikshald, em novembro de 1718.

Como Carlos XII não deixa descendentes, a coroa passa para sua irmã, Ulrika Eleonora, casa com Frederico da Hesse-Kassel, que se torna Frederico I, da Suécia, e negocia uma série de tratados de paz de 1719-21.

Pelos Tratados de Estocolmo (1719-20), a Suécia, a Saxônia e a Polônia voltam às fronteiras anterioes à guerra. A Dinamarca devolve suas conquistas à Suécia em troca de uma grande soma em dinheiro. A Suécia cede Bremen a Hanôver, e a região de Szczecin e parte da Pomerânia Sueca à Prússia.

No Tratado de Nystad, que encerra as hostilidades entre Rússia e Suécia, os suecos cedem a Íngria, a Estônia, a Livônia e uma parte da Karélia finlandesa.

PRIMEIRO MOTORISTA BÊBADO PRESO

    Em 1897, um motorista de táxi de Londres de 25 anos chamado George Smith é a primeira pessoa presa por dirigir embriagada, depois de bater com seu carro num prédio na New Bond Street 165.


Ao chegar ao local do acidente, o policial Russell prende o motorista. Smith reconhece a culpa e paga multa de 1,25 libra.

ÚLTIMO GUILHOTINADO

    Em 1977, Hamida Djandoubi, um imigrante tunisiano de 28 anos condenado por assassinato, violação sexual e tortura, é a última pessoa a guilhotinada na França, na prisão de Baumetes, em Marselha, às 4h47.


Durante a Revolução Francesa (1789-99), o médico e revolucionário Joseph-Ignace Guilhotin consegue aprovar uma lei para exigir que todas as execuções sejam feitas cientificamente por uma máquina. 

O primeiro teste da máquina de matar, com uma grande lâmina que despenca sobre o pescoço da vítima, é em cadáveres. Em 25 de abril de 1792, a primeira vítima é executada.

Mais de 10 mil pessoas perdem a cabeça na guilhotina durante a revolução, inclusive o Dr. Guilhotin, o rei Luís XVI, a rainha Maria Antonieta e os líderes revolucionários Georges-Jacques Danton e Maximiliano Robespierre.

Hamida Dajandoubi nasce na Tunísia em 1949 e chega a Marselha em 1968 na primeira vez que sai do país. Ele trabalha na indústria como operário de manutenção de máquinas. Três anos mais tarde, perde uma perna num acidental industrial.

Nesta época, quando está no hospital, conhece Élizabeth Bousquet , de 18 anos, que se torna sua companheira. Amputado, fica mais cruel e agressivo.

Numa noite em 1973, Hamida obriga a mulher a manter relações sexuais com oito homens em troca de dinheiro. Élizabeth o denuncia à polícia por proxenetismo. Condenado a meses de prisão, ele promete vingança.

Apesar de viver com outras duas mulheres que explora como prostitutas, Hamida volta a atacar Élizabeth. Na noite de 3 para 4 de julho de 1974, ele a submete a uma longa sessão de tortura com bastão. Além da violação sexual, queima as pontas dos seios da ex-mulher com cigarros acesos.

Nua e inconsciente, Hamida leva a mulher para uma cabana de pedras a 40 quilômetros de Marselha, onda a estrangula diante de Annie e Amaria. O juiz Robert Badinter o considera "desequilibrado". A promotoria vê como "uma alma demoníaca" com "uma inteligência superior à normal, mas um risco social colossal".

Quatro anos depois, em 9 de outubro de 1981, a pena de morte é abolida na França.

MURAL GUERNICA VAI PARA A ESPANHA

    Em 1981, o mural Guernica, do pintor espanhol Pablo Picasso vai para a Espanha, o que o artista só havia autorizado quando a democracia fosse restaurada.

A cidade de Guernica, no País Basco, é arrasada em 26 de abril de 1937, durante a Guerra Civil Espanhola (1936-39) por um bombardeio da Luftwaffe, a Força Aérea da Alemanha Nazista, que testa suas armas para a Segunda Guerra Mundial (1939-45). Em três horas de ataque, morrem mais de mil pessoas.

Quando o governo republicano espanhol convida Picasso para criar um mural para a Exposição Internacional de 1937 em Paris, ele resolve pintar os horrores da guerra. 

Em 1939, quando o ditador Francisco Franco vence a Guerra Civil Espanhola (1936-39) e começa a Segunda Guerra Mundial, Picasso doa o mural ao Museu de Arte Moderna de Nova York (MoMA) com a recomendação expressa de que a obra só vá para a Espanha depois da redemocratização do país.

Picasso morre na França em 1973. A morte de Franco, dois anos depois, é o marco do fim da ditadura na Espanha, Em 1981, um advogado de Picasso autoriza o envio da obra.

A ida do mural, instalado inicialmente num pavilhão construído especialmente no Museu do Prado, em Madri, é um sinal de confiança na democracia restaurada. Hoje, está no Museu Rainha Sofia.

terça-feira, 8 de abril de 2025

Hoje na História do Mundo: 8 de Abril

 NASCIMENTO DE BUDA

    Neste dia, os budistas comemoram o nascimento do príncipe Sidarta Gautama, o fundador do budismo, que teria vivido na Índia de 563 a 483 antes de Cristo.

Originalmente os budistas festejavam o aniversário de Buda no século 11 AC. Na era moderna, os estudiosos concluíram que provavelmente ele nasceu em maio de 6 AC. 

Quando Sidarta nasce, os brahmas, membros da casta superior do hinduísmo, preveem que ele será um grande rei ou um professor iluminado, se crescer isolado do mundo exterior. O rei Sudodana tenta proteger o filho de todas formas. O príncipe casa e tem um filho.

Aos 29 anos, Sidarta resolve conhecer o mundo e começa a fazer excursões de carruagem. Numa delas, ele viu um idoso, um homem doente e um cadáver. Como era protegido dos males do mundo, o cocheiro teve de explicar o que significavam.

Sidarta então conhece um monge. Fica impressionado ao ver um homem sereno e em paz num mundo conturbado e se interessa pela espiritualidade.

JOMO KENYATTA PRESO

    Em 1953, durante a Revolta dos Mau Mau (1952-60), a maior da descolonização do Império Britânico, as autoridades coloniais prendem Jomo Kenyatta, que sai da cadeia em 1961 para liderar a independência do Quênia em 1963.

O grupo Mau Mau é uma organização clandestina criada pela tribo kikuyu, a mais importante do Quênia, que domina a política do país até hoje. Com as tribos meru e embu, e unidades dos povos kamba e massai, os kikuyus formam o Exército por Terra e Liberdade do Quênia.

A revolta é marcada pela brutalidade dos dois lados, que não aceitam a neutralidade e tratam quem não adere como inimigo. Poucos anos depois do fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45), um juiz de Nairóbi denuncia a existência de campos de concentração no Quênia. Os rebeldes, por sua vez, atacam mulheres, crianças e idosos africanos, não somente as forças imperiais.

A captura do líder rebelde, marechal Dedan Kimathi, em 21 de outubro de 1956, acaba praticamente com a revolta e marca o fim das operações militares britânicas, mas os merus mantêm a resistência.

 Ao todo, cerca de 3 mil soldados e policiais quenianos e 20 mil civis quenianos, 200 soldados britânicos e 32 colonos brancos morrem na rebelião.

MORTE DE PABLO PICASSO

    Em 1973, morre aos 91 anos em Mougins, na França, o pintor, escultor, ceramista, cenógrafo, poeta e dramaturgo espanhol Pablo Ruiz Picasso, o maior artista plástico do século 20.


Picasso nasce em Málaga, na Andaluzia, em 25 de outubro de 1881. A família se muda para Corunha, capital da Galícia, e depois para Barcelona. Em 1897, ele vai para Madri, onde se matricula na Academia Real de Belas Artes de São Fernando, mas uma doença, a escarlatina, o faz voltar para Barcelona,

Em 1900, Picasso faz a primeira visita a Paris, a capital cultural da Europa, onde conhece os poetas André Breton e Guillaume Apolinaire e a escritora Gertrud Stein. Em 1904, muda-se para lá.

Seu talento explode na fase azul (1901-5), seguida da rosa (1905-6). Em 1906, inicia uma nova fase, o protocubismo, antecedente do cubismo, sob a influência das artes grega, ibérica e africana. Aliás, cubismo é um termo pejorativo usado por críticos que não gostam de sua obra.

 A Guerra Civil Espanhola (1936-39) o politiza. Picasso entra para o Partido Comunista e cria uma de uma de suas obras-primas, o mural Guernica, sobre o bombardeio da Força Aérea da Alemanha Nazista, a Luftwaffe, que destrói a cidade Guernica, no País Basco em 26 de abril de 1937. Em três horas de ataque, morrem 1.645 pessoas.

O mural, hoje em exposição num pavilhão anexo ao Museu do Prado, em Madri, fica em Paris. Só vai para a Espanha depois da redemocratização do país.

Durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45), Picasso fica em Paris durante a ocupação nazista. Quando um oficial alemão revista seu apartamento e vê uma foto do mural Guernica, pergunta: "Foi você que fez isto?" Depois de pensar rapidamente, o artista responde: "Não. Foram vocês."

MORTE DE MARGARET THATCHER

    Em 2013, morre Margaret Hilda Thatcher, a primeira primeira-ministra britânica, líder da uma revolução ou contrarrevolução conservadora que acaba com o consenso social-democrata do pós-guerra e, ao lado do presidente norte-americano Ronald Reagan, impõe o neoliberalismo e adota uma política de linha dura durante a Guerra que lhe vale a alcunha de Dama de Ferro.

a
Filha de um dono de armazém, Margaret Hilda Roberts nasce em Grantham, na Inglaterra, em 13 de outubro de 1925. Ela se forma em química na Universidade de Oxford e entra para o Partido Conservador. 

Em 1959, é eleita pela primeira vez para a Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico, pelo distrito de Finchley, no Norte de Londres. Em 1970, Thatcher é nomeada ministra da Educação do governo Edward Heath (1970-74). 

Com a derrota conservadora nas eleições de 1974, Thatcher desafia Heath e se torna líder do partido e da oposição em 1975. Por criticar a União Soviética, um artigo no jornal Estrela Vermelha, do Exército Vermelho, lhe dá o apelido de Dama de Ferro.

Depois de uma profunda crise econômica causada pelos dois choques nos preços do petróleo, e uma onda de greves no Inverno do Descontentamento, os conservadores vencem as eleições. 

Em 4 de maio de 1979, ela torna a primeira primeira-ministra do Reino Unido e declara, parafraseando uma oração de São Francisco de Assis: "Onde houver discórdia, que eu leve a união. Onde houver dúvida, que eu leve a fé. Onde houver erro, que eu leve a verdade. Onde houver desespero, que eu leve a esperança."

Faz o contrário, em larga medida. Em 1980 e 1981, os prisioneiros do Exército Republicano Irlandês (IRA), que lutava contra o domínio britânico sobre a Irlanda do Norte, se rebelam para exigir tratamento de presos políticos. Dez morrem durante uma greve de fome.

Thatcher promete fazer recuar as fronteiras do Estado, ou seja, diminuir a intervenção governamental na economia. Ela começa o programa de privatizações no início dos anos 1980, mas é a vitória contra a Argentina na Guerra das Malvinas, em 1982, que lhe dá a maior vitória eleitoral, em 1983.

Dama de Ferro acelera o programa de privatizações, sobrevive a uma tentativa de assassinato num atentado do IRA durante a Convenção Anual do Partido Conservador, realizada em Brighton, no Sul da Inglaterra, em 12 de outubro de 1984.

De 6 de março de 1984 a 3 de março de 1985, decidida a reduzir o poder dos sindicatos, Thatcher enfrenta e vence uma greve de mineiros contra o fechamento de minas de carvão, a maior paralisação de trabalhadores no Reino Unido desde a greve geral de 1926.

A primeira-ministra obtém sua terceira vitória eleitoral em 1987. No terceiro mandato, se torna cada vez mais eurocética e perde prestígio ao substituir o imposto predial por um imposto comunitário cobrado de acordo com o número de pessoas numa residência e não pelo valor do imóvel. Em novembro de 1990, uma rebelião na bancada conservadora a derruba.

O Partido Conservador nunca se recupera desse regicídio. A ala eurocética, à direita do partido, inicia uma campanha para retirar o país da União Europeia. Isto finalmente acontece no plebiscito de 23 de junho de 2016, uma catástrofe para o Reino Unido cujas consequências nefastas são cada vez mais evidentes.

sexta-feira, 25 de outubro de 2024

Hoje na História do Mundo: 25 de Outubro

  BATALHA DE AGINCOURT

    Em 1415, durante a Guerra dos Cem Anos (1337-1453), dois meses depois de cruzar o Canal da Mancha com 11 mil soldados, o jovem rei Henrique V, da Inglaterra, de 27 anos, derrota um exército de 20 mil homens da França na região da Normandia.

Cerca de 6 mil franceses e 400 ingleses morrem em combate. Henrique V casa com a filha do rei da França e herda a coroa. Só depois de execução da jovem Joana d'Arc, em 30 de maio de 1431, a França ganha força para recuperar a independência.

A Batalha de Agincourt é o tema central da peça Henrique V, de William Shakespeare, de que há dois filmes de mesmo nome, com Lawrence Olivier e Kenneth Branagh como o rei da Inglaterra.

NASCIMENTO DE PICASSO

    Em 1881, Pablo Picasso, o maior artista plástico do século 20, nasce em Málaga, na Andaluzia, no Sul da Espanha.

O pai, professor de desenho, introduz o filho nas artes plásticas. Picasso faz sua primeira exposição aos 13 anos.

É um artista de múltiplos talentos: pintor, escultor, ceramista, cenógrafo, poeta e dramaturgo. Co-fundador do cubismo, com Georges Braque, inventa a colagem e cria o mural Guernica retratando os horrores do bombardeio da Força Aérea da Alemanha Nazista à cidade basca durante a Guerra Civil Espanhola (1936-39).

Para fugir da Guerra Civil e da ditadura do generalíssimo Francisco Franco (1939-75), Picasso se refugia na França, onde passa a maior parte da vida e só autoriza que Guernica seja levado para a Espanha depois da democratização do país..

PRIMEIRO ATAQUE KAMIKAZE

    Em 1944, durante a Batalha do Golfo de Leyte, pela primeira vez pilotos da Força Aérea do Japão fazem ações suicidas contra a Marinha dos Estados Unidos durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45).

A palavra japonesa kamikaze significa “vento divino”. Era usada em referência a um tufão que impediu a invasão do Japão pelo Império Mongol em 1281.

Durante a Segunda Guerra Mundial, é usada para falar das Unidades Especiais de Ataque da Força Aérea do Japão que fazem ataques suicidas contra navios inimigos.

Cerca de 3,8 mil pilotos kamikazes morrem na guerra, matando cerca de 7 mil marinheiros inimigos.

CHINA NA ONU

    Em 1971, depois de visita do assessor de segurança nacional dos Estados Unidos Henry Kissinger a Beijim, a República Popular da China assume a cadeira da China nas Nações Unidas e no Conselho de Segurança.

Quando termina a Segunda Guerra Mundial (1939-45) e nasce a Organização das Nações Unidas (ONU), a China entra para o Conselho de Segurança como membro permanente com direito de veto por ser considerada vencedora. Havia sido invadida pelo Japão em 1937. Está sob o governo nacionalista do Kuomintang (KMT), de Chiang Kai-Shek.

Com a vitória da Revolução Comunista, em 1º de outubro de 1949, o governo do KMT foge para Taiwan, onde mantém o nome de República da China, com reivindicação de soberania sobre todo o território chinês.

O regime comunista chinês sempre defende a política de que só existe uma China e que Taiwan não passa de uma província rebelde. Com a reaproximação entre os EUA e a China durante a détente dos anos 1970, a China comunista finalmente assume a cadeira da China na ONU e no Conselho de Segurança. 

Os dois países, hoje as superpotências dominantes da política internacional, só reatam formalmente as relações diplomáticas a partir de 1º de janeiro de 1979.

INVASÃO DE GRANADA

    Em 1983, no governo Ronald Reagan (1981-89), os Estados Unidos invadem Granada sob o pretexto de proteger os cidadãos norte-americanos residentes na ilha depois de um golpe dentro do regime comunista.

A ilha de Granada, situada a 160 quilômetros ao norte da Venezuela, conquista a independência do Império Britânico em 1974. Os comunistas do Movimento Nova Joia, liderados por Maurice Bishop, tomam o poder num golpe em 1979.

Numa disputa de poder dentro do regime, em setembro de 1983, o primeiro-ministro Bishop é pressionado a partilhar o poder com o vice-primeiro-ministro Bernard Coard. Bishop concorda inicialmente, mas volta atrás e o Comitê Central o coloca em prisão domiciliar.

Ele é popular. Uma multidão de partidários rejeita sua queda e entra em conflito com militares. Pelo menos 19 militares e civis morrem em confrontos em 19 de outubro, inclusive Bishop e sua mulher.

O governo Ronald Reagan (1981-89), visceralmente anticomunista, recebe um pedido de ajuda da Organização dos Estados do Caribe Oriental e alega a necessidade de proteger cerca de 600 norte-americanos que estudavam medicina na ilha para justificar a invasão.

Os EUA têm o apoio de seis países caribenhos, que colaboram com 353 soldados. Os norte-americanos são 7,3 mil, contra 1,2 mil soldados de Granada, que tem assessores militares de Cuba, da União Soviética, da Alemanha Oriental e da Líbia.

terça-feira, 10 de setembro de 2024

Hoje na História do Mundo: 10 de Setembro

 PRESIDENTE DA COLÔNIA DE JAMESTOWN

    Em 1608, depois de sobreviver a captura pelos indígenas, provavelmente por influência da princesa Pocahontas, filha do cacique, John Smith se torna o primeiro presidente da colônia da Jamestown, o primeiro assentamento permanente da Inglaterra na América.

John Smith nasce em Willoughby em 6 de janeiro de 1580 na fazenda da famílila. Aos 16 ou 17 anos, vai lutar contra a Espanha na Guerra da Independência da Holanda, a Guerra dos 80 Anos (1568-1648). De volta à Inglaterra, passa dois anos estudando livros clássicos militares. 

Em 1601, Smith vai para a Hungria, onde se alista como mercenário da Áustria na guerra contra o Império Otomano. Capturado pelo inimigo, é levado para a Turquia, de onde foge para a Rússia em 1604 ou 1605.

Ao voltar para a Inglaterra, ele se junta a um grupo que se prepara para fundar a primeira colônia inglesa na América. Quando a Virginia Company consegue uma carta real, Smith e outros 100 colonos liderados por Christopher Newport zarpam em 20 de dezembro de 1606. Eles chegam à Baía de Chesapeake em 27 de abril de 1607. Em 14 de maio, desembarcam onde fundam Jamestown.

Smith é indicado pela Virginia Company para o grupo de sete pessoas que governa a colônia e vira seu primeiro presidente. É também escritor e cartógrafo. Faz uma série de viagens e produz um mapa detalhado da costa da Virgínia. Seus textos descrevendo e exaltando as belezas da América ajudam a atrair colonos.

Numa dessas viagens, sofre uma emboscada e é capturado pelos índios Powhatan, entregue ao cacique. De acordo com o relato do próprio Smith, é salvo por interferência da princesa Pocahontas.

Quando se torna presidente, Smith mantém um comércio com os índígenas para garantir o suprimento de milho aos colonos e adota uma política linha-dura: "Quem não trabalha não come", à exceção das pessoas com deficiência. Sempre evita o confronto com os nativos.

Depois de se ferir num incêndio em setembro de 1609, Smith tem de voltar à Inglaterra. Em 1614, vai para a região da Nova Inglaterra, no que é hoje o Nordeste dos EUA, e mapeia a região da Baía de Penobscot e o Cabo Cod. Os Peregrinos do Mayflower, que chegam onde hoje é Massachusetts em 11 de novembro de 1620, usam mapas de John Smith.

FIM DA GUERRA DO NORTE

    Em 1721, o Tratado de Nystad põe fim à Grande Guerra do Norte (1700-21), em que a Rússia, a Dinamarca-Noruega e a Polônia-Saxônia desafiam a supremacia da Suécia na região do Mar Báltico. O conflito termina com o declínio da Suécia e a ascensão da Rússia de Pedro I, o Grande, como a maior potência da região.

A morte do rei Carlos XI, da Suécia, leva ao trono seu filho Carlos XII, de apenas 14 anos. A Dinamarca-Noruega vê uma boa oportunidade para formar uma aliança contra a Suécia.

No início da guerra, Augusto II, rei da Polônia e eleitor da Saxônia, ataca Livônia em fevereiro de 1700. Em março, Frederico IV, da Dinamarca e da Noruega, entra em Schleswig-Holstein, hoje parte da Alemanha. Pedro I, da Rússia, cerca Narva em outubro.

Carlos XII contra-ataca. O primeiro alvo é a Dinamarca. Ele chega perto de Copenhague e obriga o país a deixar a aliança anti-sueca no Tratado de Traventhal, de agosto de 1700. Ao ocupar a Curlândia, força Augusto II a recuar para a Polônia. E vence a Rússia, rompendo o cerco de Narva em 30 de novembro de 1700.

Com a determinação de derrubar Augusto II, Carlos XII fica seis anos em guerra contra ele. Quando os suecos invadem a Saxônia, Augusto entrega a coroa da Polônia e rompe a aliança com a Rússia no Tratado de Altranstädt, em setembro de 1706. O próximo alvo é a Rússia.

Pedro, o Grande, um pioneiro do Império Russo, sonha em europeizar o país e em ter acesso a portos de águas mornas. Para consolidar a presença no Báltico, o czar funda São Petersburgo em 1703 e obriga a nobreza russa a contratar arquitetos da Europa Ocidental para construir mansões e palácios, o que torna a cidade uma joia arquitetônica, capital da Rússia e berço das revoluções de 1917.

Quando Carlos II, da Suécia, ataca a Rússia, no fim de 1707, Pedro o Grande obtém uma vitória decisiva na Batalha de Poltava, em 8 de julho de 1709. Carlos foge para a Turquia, onde pede ao Império Otomano que se junte à aliança. Os otomanos entram rapidamente. Depois da vitória na Batalha do Rio Pruth (1711), ficam satisfeitos com o acesso ao Mar de Azov e saem da guerra,

Em maio de 1713, a coalizão vence a Suécia em Holstein. Em 1714, a Rússia vence a Batalha Naval de Hanko, toma as Ilhas Aland e ameaça Estocolmo. Em novembro daquele ano, Carlos XII recua para o território sueco.

A esta altura da guerra, a Suécia perde a maioria de suas possessões na orla do Mar Báltico. Frederico Guilherme I, da Prússia, e George I, da Inglaterra, e eleitor de Hanôver, se juntam à coalizão. Primeiro, exigem concessões territoriais em troca de neutralidade. Carlos XII rejeita. as exigências.

O rei da Suécia abre negociações de paz em 1717-18, enquanto aumenta seu exército para 60 mil homens. Em setembro de 1718, invade a Noruega, onde morre na Batalha de Frederikshald, em novembro de 1718.

Como Carlos XII não deixa descendentes, a coroa passa para sua irmã, Ulrika Eleonora, casa com Frederico da Hesse-Kassel, que se torna Frederico I, da Suécia, e negocia uma série de tratados de paz de 1719-21.

Pelos Tratados de Estocolmo (1719-20), a Suécia, a Saxônia e a Polônia voltam às fronteiras anterioes à guerra. A Dinamarca devolve suas conquistas à Suécia em troca de uma grande soma em dinheiro. A Suécia cede Bremen a Hanôver, e a região de Szczecin e parte da Pomerânia Sueca à Prússia.

No Tratado de Nystad, que encerra as hostilidades entre Rússia e Suécia, os suecos cedem a Íngria, a Estônia, a Livônia uma parte da Karélia finlandesa.

PRIMEIRO MOTORISTA BÊBADO PRESO

    Em 1897, um motorista de táxi de Londres de 25 anos chamado George Smith é a primeira pessoa presa por dirigir embriagada, depois de bater com seu carro num prédio na New Bond Street 165.


Ao chegar ao local do acidente, o policial Russell prende o motorista. Smith reconhece a culpa e paga multa de 1,25 libra.

ÚLTIMO GUILHOTINADO

    Em 1977, Hamida Djandoubi, um imigrante tunisiano de 28 anos condenado por assassinato, violação sexual e tortura, é a última pessoa a guilhotinada na França, na prisão de Baumetes, em Marselha, às 4h47.


Durante a Revolução Francesa (1789-99), o médico e revolucionário Joseph-Ignace Guilhotin consegue aprovar uma lei para exigir que todas as execuções sejam feitas cientificamente por uma máquina. 

O primeiro teste da máquina de matar, com uma grande lâmina que despenca sobre o pescoço da vítima, é em cadáveres. Em 25 de abril de 1792, a primeira vítima é executada.

Mais de 10 mil pessoas perdem a cabeça na guilhotina durante a revolução, inclusive Guilhotin, o rei Luís XVI, a rainha Maria Antonieta e os líderes revolucionários Georges-Jacques Danton e Maximiliano Robespierre.

Hamida Dajandoubi nasce na Tunísia em 1949 e chega a Marselha em 1968 na primeira vez que sai do país. Ele trabalha na indústria como operário de manutenção de máquinas. Três anos mais tarde, perde uma perna num acidental industrial.

Nesta época, quando está no hospital, conhece Élizabeth Bousquet , de 18 anos, que se torna sua companheira. Amputado, fica mais cruel e agressivo.

Numa noite em 1973, Hamida obriga a mulher a manter relações sexuais com oito homens em troca de dinheiro. Élizabeth o denuncia à política por proxenetismo. Condenado a meses de prisão, promete vingança.

Apesar de viver com outras duas mulheres que explora como prostitutas, Hamida volta a atacar Élizabeth. Na noite de 3 para 4 de julho de 1974, ele a submete a uma longa sessão de tortura com bastão. Além da violação sexual, queima as pontas dos seios da ex-mulher com cigarros acesos.

Nua e inconsciente, Hamida leva a mulher para uma cabana de pedras a 40 quilômetros de Marselha, onda a estrangula diante de Annie e Amaria. O juiz Robert Badinter o considera "desequilibrado". A promotoria vê como "uma alma demoníaca", "uma inteligência superior à normal, mas um risco social colossal".

Quatro anos depois, em 9 de outubro de 1981, a pena de morte é abolida na França.

MURAL GUERNICA VAI PARA A ESPANHA

    Em 1981, o mural Guernica, do pintor espanhol Pablo Picasso vai para a Espanha, o que o artista só havia autorizado quando a democracia fosse restaurada.

A cidade de Guernica, no País Basco, é arrasada em 26 de abril de 1937, durante a Guerra Civil Espanhola (1936-39) por um bombardeio da Luftwaffe, a Força Aérea da Alemanha Nazista, que testa suas armas para a Segunda Guerra Mundial (1939-45). Em três horas de ataque, morrem mais de mil pessoas.

Quando o governo republicano espanhol convida Picasso para criar um mural para a Exposição Internacional de 1937 em Paris, ele resolve pintar os horrores da guerra. 

Em 1939, quando o ditador Francisco Franco vence a Guerra Civil Espanhola (1936-39) e começa a Segunda Guerra Mundial, Picasso doa o mural ao Museu de Arte Moderna de Nova York (MoMA) com a recomendação expressa de que a obra só vá para a Espanha depois da redemocratização do país.

Picasso morre na França em 1973. A morte de Franco, dois anos depois, é o marco do fim da ditadura na Espanha, Em 1981, um advogado de Picasso autoriza o envio da obra.

A ida do mural, instalado inicialmente num pavilhão construído especialmente no Museu do Prado, em Madri, é um sinal de confiança na democracia restaurada. Hoje, está no Museu Rainha Sofia.