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segunda-feira, 12 de outubro de 2026

Hoje na História do Mundo: 12 de Outubro

COLOMBO DESCOBRE AMÉRICA

    Em 1492, o navegador genovês Cristóvão Colombo, a serviço da coroa da Espanha, chega às ilhas Bahamas pensando estar na Índia e reivindica as terras para os reis católicos, Fernando de Aragão e Isabel de Castela.

Colombo nasce em Gênova, hoje parte da Itália, em 1451. Marinheiro e empreendedor naval, acredita que a Terra é redonda e sonha em chegar a Catai (China), à Índia e às Ilhas das Especiarias (Indonésia) navegando no rumo oeste. Os europeus desconhecem a América e o Oceano Pacífico.

Na época, o caminho para as Índias está bloqueado pela tomada de Constantinopla pelos turcos do Império Otomano, em 29 de maio de 1453, que só dão passagem a mercadores de Veneza. Os portugueses dobram o Cabo da Boa Esperança, no Sul da África, em 1488 e Vasco da Gama chega à Índia em 1498.

O descobridor apresenta seus planos ao rei Dom João II, de Portugal, que rejeita a ideia. Os reis da Espanha também não se interessam nas primeiras tentativas.

A vitória sobre os árabes com a conquista de Granada e o fim do Império Andaluz, em 2 de janeiro de 1492, dá um impulso ao colonialismo espanhol. Os reis Fernando e Isabel decidem bancar a viagem.

Três pequenos navios – Santa Maria, Pinta e Niña – saem do porto de Palos, perto de Cádiz, no Sul da Espanha, em 3 de agosto, e aportam nas Bahamas, provavelmente na ilha de Watling, em 12 de outubro.

No mesmo mês, Colombo chega a Cuba imaginando se tratar da China. Em dezembro, encontra Hispaniola, a ilha hoje dividida entre o Haiti e a República Dominicana, acreditando estar no Japão e funda uma colônia com 39 de seus homens.

Ao todo, Colombo faz quatro viagens ao Novo Mundo, mas morre em 1506 acreditando ter chegado às Índias. O continente se chama América em homenagem ao navegador florentino Américo Vespúcio, que participa das expedições exploradoras portuguesas de 1501 e 1503, depois do Descobrimento do Brasil, e descreve o continente como Novo Mundo.

Por causa do genocídio dos índios e da escravidão, hoje em dia, Colombo está sendo cancelado e suas estátuas derrubadas em vários lugares, especialmente nos Estados Unidos. A data é comemorada como Dia dos Povos Indígenas.

PRIMEIRA OKTOBERFEST

    Em 1810, o príncipe herdeiro da Baviera, futuro rei Luís I, casa com a princesa Therese von Sachsen Hildburghausen e a família real convida o povo de Munique para a festa, que inclui corridas de cavalos.

A comemoração é repetida no ano seguinte, dando origem à Oktoberfest, celebrada anualmente do fim de setembro ao primeiro domingo de outubro, com consumo anual estimado de 3,79 milhões de litros de cerveja.

Blumenau, em Santa Catarina, faz a maior Oktoberfest fora da Alemanha.

URSS LIDERA CORRIDA ESPACIAL

    Em 1964, depois de lançar o primeiro satélite artificial da Terra, o Sputnik e de enviar o primeiro homem (Yuri Gagarin) e a primeira mulher ao espaço (Valentina Tereshkova), a União Soviética põe em órbita a primeira nave espacial, a Voshkod 1, com mais de uma pessoa a bordo: Vladimir Komarov, Konstantin Feoktistov e Boris Yegorov.

A missão dura dois dias e é a primeira realizada sem trajes espaciais. Komarov seria a primeira vítima da corrida espacial, em 24 de abril de 1967, quando o paraquedas principal de amortecimento da queda da Soyuz 1 não abre e a nave se espatifa no solo.

TERROR CONTRA O USS COLE

    Em 2000, dois terroristas suicidas ligados à rede Al Caeda vão numa lancha de borracha até o navio norte-americano USS Cole, ancorado no porto de Áden, no Iêmen, e detonam uma bomba que mata 17 marinheiros e deixa outros 38 feridos.

O Cole para em Áden, na ponta sul da  Península Arábica, para reabastecer e voltar a patrulhar as sanções contra o Iraque de Saddam Hussein. Fica apenas quatro horas no porto, o que indica que os terroristas tinham informações precisas sobre o navio.

Os peritos norte-americanos que investigam o atentado buscam ligações dos terroristas com Ossama ben Laden, acusado pelos Estados Unidos pelos atentados contra as embaixadas norte-americanas no Quênia e na Tanzânia, em agosto de 1998, que mataram 224 pessoas, inclusive 22 norte-americanos.

Em resposta aos atentados na África, o presidente Bill Clinton ordena os bombardeios de uma fábricas de remédios no Sudão e às bases d'al Caeda no Afeganistão, uma das causas dos atentados de 11 de setembro de 2001 nos EUA.

INFERNO NO PARAÍSO

    Em 2002, um ano, um mês e um dia depois dos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos, três bombas abalam a paz da paradisíaca ilha de Báli, na Indonésia, matando 202 pessoas e ferindo outras 200.

A primeira explosão, de uma bomba de 1,2 mil quilos, é diante da boate Sari Club. Aparentemente, tem como alvo turistas australianos. A Austrália forma a maioria da força de paz que garante a independência do Timor Leste da Indonésia em 1999, despertando a ira dos extremistas muçulmanos.

Outra bomba, escondida numa mochila, explode num bar. A terceira é detonada diante do consulado norte-americano.

O grupo terrorista Jemaah Islamiah reivindica autoria das três explosões. O mesmo grupo ataca o Hotel Marriott em Jacarta, a capital indonésia, em 2003, a Embaixada da Austrália na Indonésia em 2004 e faz atentados terroristas suicidas contra três restaurantes de Báli em 1º de outubro de 2005, quando morrem 22 pessoas.

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quarta-feira, 7 de outubro de 2026

Hoje na História do Mundo: 7 de Outubro

BATALHA DE LEPANTO

    Em 1571, forças cristãs aliadas vencem o Império Otomano (turco) na Batalha de Lepanto, uma batalha naval pelo controle do Leste do Mar Mediterrâneo, a maior travada no Ocidente desde a Antiguidade.

So o comando de João da Áustria, a Liga Santa, formada pela República de Veneza, o Reino da Espanha, os Cavaleiros de Malta e os Estados Pontifícios, vence os turcos no Mar Jônico ao largo de Lepanto, no Golfo de Patras, no Sudoeste da Grécia. É uma batalha da infantaria sobre plataformas navais.

Veneza tenta conter a expansão otomana no Mediterrâneo Oriental até 1540, quando faz um acordo de paz humilhante com o imperador Suleiman I. Seu sucessor, Selim II, está decidido a tomar a ilha de Chipre, uma possessão veneziana.

Quando Veneza se nega a ceder o Chipre, o Império Otomano invade. Veneza, então, faz um apelo ao papa Pio V (1566-72), que desde o início de seu pontificado tenta articular uma aliança católica. Mas a França e o Sacro Império Romano-Germânico estão mais preocupados com o impacto da Reforma Protestante. O rei Felipe II, da Espanha, enfrenta revoltas na Andalusia e na Holanda. Veneza rejeita a influência espanhola na Itália.

Em 1570, o papa alerta os governantes católicos de que a invasão otomana a Chipre é iminente e envia João da Áustria à Itália, onde ele obtém o apoio dos Cavaleiros de Malta, que recebem ajuda econômica do Vaticano, e das marinhas da Espanha, de Veneza e dos Estados Pontifícios. Forma uma esquadra com 208 galés e seis galeaças.

A esquadra parte de Messina, na Sicília, em 16 de setembro de 1571. Em 7 de outubro, enfrenta 230 galés turcas. Os escritores Miguel de Cervantes e Luís de Camões lutaram na Batalha de Lepanto. Depois do combate, o mar fica manchado de vermelho. A expansão otomana no Mediterrâneo está contida.

NASCE A ALEMANHA ORIENTAL

    Em 1949, durante a Guerra Fria, cinco meses depois que os Estados Unidos, a França e o Reino criam a República Federal da Alemanha, a Alemanha Ocidental, é proclamada a República Democrática da Alemanha, mais conhecida como Alemanha Oriental, na região ocupada pela União Soviética no fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45).

Com a reconstrução do lado ocidental e a ditadura comunista do lado oriental, milhares de alemães-orientais começam a "votar com os pés" e fugir para o Ocidente. Na noite de 12 para 13 de outubro, a Alemanha Oriental inicia a construção do Muro de Berlim, a cicatriz viva da divisão do mundo na Guerra Fria.

A Alemanha Oriental é o país mais rico do Bloco Soviético.

A abertura do muro, em 9 de novembro de 1989, é um março do fim do conflito Leste-Oeste. Leva à reunificação da Alemanha em 3 de outubro de 1990.

GINSBERG LÊ UIVO EM PÚBLICO

    Em 1955, o poeta beat Allen Ginsberg lê pela primeira vez em público o poema Howl (Uivo), na Six Gallery, em São Francisco.

É um sucesso imediato. A literatura beat expressa a rebelião da juventude dos anos 1950 e dá o tom para a poesia confessional dos anos 1960.

Ginsberg nasce em 1926, filho de um professor do ensino médio e de uma mãe marxista que mais tarde tem problemas mentais. O pai o introduz à literatura de poetas como Edgar Allan Poe, Charles Dickens, John Keats e John Milton.

Na Universidade de Colúmbia, antes de ser expulso, conhece Jack Kerouac, William Burroughs e Neal Cassady, figuras centrais do movimento beat.

Preso por drogas que um amigo viciado deixa em sua casa, Ginsberg alega problemas mentais para não ser condenado e passa oito meses internado numa clínica psiquiátrica.

Depois de se mudar para São Francisco da Califórnia, escreve Howl (Uivo) em dois meses. O poema é publicado pelo também poeta Lawrence Ferlinghetti e sua livraria e editora City Lights, outro ícone do movimento beat.

Por causa da publicação, Ferlinghetti é processado por obscenidade. Graças ao depoimento de nove críticos literários sobre o valor do livro, o editor é absolvido.

Ícone da contracultura, Ginsberg entra para a lista de subversivos de John Edgar Hoover, diretor-geral do FBI (Federal Bureau of Investigation), a policia federal dos EUA. Vai a Cuba, onde fica decepcionado com a perseguição aos gays e denuncia o autoritarismo e a repressão do regime de Fidel Castro. Também faz campanha contra a participação norte-americana na Guerra do Vietnã (1955-75).

SEGUNDO DEBATE KENNEDY x NIXON

   Em 1960, no segundo de quatro debates na televisão entre os candidatos à Presidência dos Estados Unidos, o senador John Kennedy e o vice-presidente Richard Nixon discutem política externa em plena Guerra Fria, com destaque para a Revolução Cubana e a derrubada de um avião-espião norte-americano U-2 na União Soviética.

Kennedy acusa o governo Dwight Eisenhower (1953-61) de tímidez e indecisão ao enfrentar a ameaça soviética, enquanto Nixon descreve o jovem oponente como ingênuo e pronto para ceder à URSS e à China.

Os primeiros debates televisionados são considerados decisivos para a vitória de Kennedy, mais telegênico e mais confiável na visão dos telespectadores. O sociólogo canadense Marshall McLuhan compara Kennedy ao xerife bonachão em que uma pequena cidade confia e Nixon ao advogado da estrada de ferro que vai ferrar a cidade.

No poder, Kennedy enfrenta seu maior desafio na Crise dos Mísseis em Cuba, de 14 a 27 de outubro de 1962, quando mundo esteve mais perto do que nunca de uma guerra nuclear. É assassinado em 22 de novembro de 1963.

Nixon é eleito em 1968, no auge da Guerra do Vietnã. Em 1972, vai à URSS e à China, iniciando o período da détente na Guerra Fria.

EUA ATACAM AFEGANISTÃO

    Em 2001, um mês depois dos atentados de 11 de setembro, os Estados Unidos e aliados bombardeiam a invadem o Afeganistão para derrubar o regime extremista muçulmano da Milícia dos Talebã (Estudantes) e caçar a liderança da rede terrorista Al Caeda, responsável pelos ataques a Nova York e ao Pentágono.

O regime afegão cai em três semanas. Em dezembro, os EUA cercam os líderes d'al Caeda na Batalha de Tora Bora, mas Ossma ben Laden foge para o Paquistão, onde é morto por um comando de elite na Marinha norte-americana em 2 de maio de 2011.

A guerra mais longa da história dos EUA só termina em 15 de agosto de 2021, com a retirada das últimas forças internacionais e a volta dos Talebã ao poder. Pelo menos 2.448 soldados e 3.486 civis norte-americanos, 1.444 soldados de países aliados e 66 mil soldados e policiais afegãos morrem nesse período, num total estimado em mais de 240 mil mortes.

SCHWARZENEGGER GOVERNADOR

    Em 2003, o ator e fisiculturista Arnold Schwarzenegger é eleito governador da Califórnia, o estado mais rico e populoso dos Estados Unidos e a quinta maior economia do mundo, centro mundial da revolução tecnológica da informática.

Apesar da inexperiência política, ele ganha a eleição para substituir o governador Gray Davis, o primeiro governador norte-americano a perder o mandato num referendo revogatório desde 1921.

Schwarzenegger nasce em Thal, na Áustria, em 30 julho de 1947 e começa a fazer musculação na adolescência. Aos 20 anos, ganha o título de Mr. Universo. Em 1968, migra para os EUA.

Seu sucesso como ator de cinema começa em 1982, com Conan, o Bárbaro. Seu personagem definitivo é O Exterminador do Futuro.

Em 1986, ele casa com a jornalista de televisão Maria Kennedy Schriver, sobrinha do presidente John Kennedy, mas entra na política pelo Partido Republicano. Governa a Califórnia por dois mandatos até 2011, quando se separa de Maria Shriver.

HAMAS BARBARIZA ISRAEL

    Em 2023, um ataque de 6 mil terroristas liderado pelo Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) mata cerca de 1,2 mil pessoas e sequestra outras 251 em Israel, que contra-ataca a Faixa de Gaza numa guerra em que mais de 74 mil palestinos morrem, de acordo com dados do Hamas contestados por estimativas independentes.

A guerra se propaga para outras frentes. Em semanas, o conflito de baixa intensidade entre Israel e a milícia extremista xiita libanesa Hesbolá (Partido de Deus) no Norte de Israel e o Sul do Líbano vira uma guerra total.

Cento e dez reféns são trocados por prisioneiros palestinos durante uma trégua no fim de novembro. Os últimos reféns vivos são libertados em 13 de outubro de 2025. Os últimos restos mortais de reféns são entregues em 26 de janeiro de 2026. Três dias depois, a Cruz Vermelha Internacional anuncia que a libertação dos reféns está concluída.

A Corte Internacional da Justiça das Nações Unidas julga uma denúncia de genocídio feita pela África do Sul contra Israel, com o apoio do Brasil, enquanto o Tribunal Penal Internacional pediu a prisão de três líderes do Hamas agora mortos por Israel e do primeiro-ministro e do ministro da Defesa de Israel.

Com as derrotas do Hamas e do Hesbolá, a queda da ditadura de Bachar Assad na Síria e os bombardeios que destroem as defesas antiaéreas do Irã, Israel torna-se potência hegemônica no Oriente. Só depois de dois anos de guerra, o presidente Donald Trump pressiona o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu a acabar com a guerra.

Em consequência desta guerra, em 28 de fevereiro deste ano, os EUA e Israel atacam o Irã. Os bombardeios e contra-ataques cessaram nos últimos meses, mas este conflito ainda não tem solução.

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domingo, 20 de setembro de 2026

Hoje na História do Mundo: 20 de Setembro

PRIMEIRA VIAGEM AO REDOR DA TERRA

     Em 1519, a serviço da coroa espanhola, o navegador português Fernão de Magalhães sai de Sanlúcar de Barrameda com cinco navios e 234 homens em busca de uma passagem no sul do Oceano Atlântico para chegar às Ilhas das Especiarias, hoje Indonésia.

A frota faz escala no Rio de Janeiro em 13 de dezembro e segue rumo ao sul. Explora o Rio da Prata, mas não encontra saída para o Mar do Sul, nome dado por Vasco Núñez de Balboa quando descobre para os europeus, em 1513, o maior oceano no planeta.

Ao chegar a Porto São Julião, no Sul da Argentina, Magalhães espera cinco meses. Em 21 de outubro de 1520, descobre o estreito batizado com seu nome e entra no oceano que chamou de Pacífico, em contraste com o Atlântico, que os marinheiros chamavam de Mar Tenebroso. O Pacífico está calmo por causa do fenômeno El Niño.

Magalhães morre em combate em Mactán, na região de Cebu, nas Filipinas, em 27 de abril de 1521. O subcomandante, o espanhol Juan Sebastián Elcano completa a viagem na nau Vitória e aporta em Sanlúcar de Barrameda em 8 de setembro de 1522.

BATALHA DE EUROPEUS NA AMÉRICA

    Em 1565, forças da Espanha sob o comando de Pedro Menéndez de Avilés tomam a colônia de protestantes huguenotes da França em Forte Caroline, perto de onde hoje é a cidade de Jacksonville, na Flórida, e matam 135 franceses, na primeira batalha travada por europeus em solo americano. 

A maioria dos mortos é massacrada por ordem de Menéndez sob o pretexto de se tratar de hereges por serem protestantes. O comandante René Goulaine de Laudonnière e outros 40 huguenotes escapam.

Os huguenotes fundam a colônia em 1564 num ponto estratégico da costa da Flórida. O rei Felipe II (imagem), talvez o mais poderoso da história da Espanha, considera um desafio à autoridade do país sobre o Novo Mundo. Envia Menéndez de Avilés para destruir o assentamento francês e criar uma colônia espanhola.

No início de setembro de 1565, o conquistador espanhol funda a primeira cidade europeia na América do Norte. Duas semanas depois, derrota os franceses se e torna o primeiro governador europeu da Flórida. Volta à Espanha em 1567 e é nomeado governador de Cuba.

PORTUGAL EXECUTA JESUÍTA

    Em 1761, Portugal executa o jesuíta Gabriel Malagrida na fogueira por envolvimento na Conspiração dos Távora, um acontecimento da história do país que permite ao poderoso Marquês do Pombal, Sebastião José de Carvalho e Mello, primeiro-ministro do rei José I, esmagar a parte da nobreza que se opõe a ele e a expulsar os jesuítas do Império Português.

Na noite de 3 de setembro de 1758, três homens armados atacam a carruagem real. Em dezembro, começa uma investigação com plenos poderes, inclusive de torturar suspeitos. O Marquês de Távora, a mulher e os dois filhos e 12 jesuítas são presos.

O Duque de Aveiro, que confessa sob tortura, e os quatro Távora são executados cruelmente em 12 de janeiro de 1579. Os jesuítas suspeitos são condenados e todos os outros expulsos do Império Português, inclusive do Brasil, em 3 de setembro, um ano depois do ataque ao rei. Malagrida é considerado culpado de heresia e traição. Pega pena de morte.

Até o fim do reinado de Dom José I (1750-77), o Marquês do Pombal, um déspota esclarecido, é a figura dominante da política em Portugal. É o período em que o Brasil se torna Vice-Reino, em 1763, quando a capital é transferida de Salvador para o Rio de Janeiro. A descoberta de ouro em Minas Gerais muda o eixo econômico do país para o Sudeste.

Quando Dona Maria I (1777-1816), a Rainha Louca, ascende ao trono com a morte do pai, o caso é reaberto. Pombal é acusado de abuso de poder por impor um reino do terror sem precedentes, com práticas extrajudiciais. Como já é idoso, a única punição é ser banido de Lisboa.

CONVENÇÃO NACIONAL

    Em 1792, durante a Revolução Francesa (1789-99), a Convenção Nacional substitui a Assembleia Legislativa, num marco do início da Primeira República. Suas primeiras decisões são proclamar a República e promulgar uma nova Constituição.

A revolta popular começa depois da derrota da França para o Império Britânico na Guerra dos Sete Anos (1756-63) e de invernos rigorosos que causam quebras de safra e fome. O marco do início da revolução é a tomada da Bastilha, a prisão que é um símbolo do antigo regime, em 14 de julho de 1789.

O Período da Convenção é o segundo da Revolução Francesa. Vai até 26 de outubro de 1795. Os girondinos, moderados, dominam a primeira parte, mas perdem a força com derrotas nas guerras contrarrevolucionárias de outros países europeus.

De 31 de maio a 2 de junho de 1793, uma insurreição popular leva a um expurgo dos girondinos. Os jacobinos, muito mais radicais, tomam o poder sob a liderança de Jean-Paul Marat, Georges-Jacques Danton e Maximiliano Robespierre.

Os jacobinos comandam o Período de Terror, de 5 de setembro de 1793 a 27 de julho de 1794, quando o Comitê de Salvação Pública e os tribunais revolucionários condenam milhares à morte. Até ser deposto e guilhotinado, Maximiliano de Robespierre mandava mais do o rei.

Das 50 mil mortes estimadas em dez anos de Revolução Francesa, cerca de 10 mil são durante o Período do Terror. O rei Luís XVI e rainha Maria Antonieta são guilhotinados em 1793.

GUERRA DA CRIMEIA

    Em 1854, o Reino Unido e a França vencem a Rússia na Batalha do Rio Alma. Isto ameaça a base naval russa de Sebastopol e toda a estratégia da Rússia na Guerra da Crimeia (1853-56).

A guerra tem origem no conflito entre grandes potências no Oriente Médio. A Rússia exige o direito de proteger cristãos ortodoxos dentro do Império Otomano, muçulmano. Quando os turcos tomam Constantinopla, em 29 de maio de 1453, no fim da Idade Média, Moscou se apresenta como terceira Roma e o chefe do Principado ou Ducado de Moscou passa a se chamar czar (césar).

O Reino Unido e a França apoiam o Império Otomano, que rejeita a pressão da Rússia. Esta por sua vez ocupa principados no Rio Danúbio. Em 4 de outubro de 1853, a Turquia declara guerra à Rússia. As esquadras britânica e francesa entram no Mar Negro em 3 de janeiro de 1854.

As tropas aliadas desembarcam na Crimeia em setembro de 1854 e impõem um cerco de um ano até a queda de Sebastopol. Quando a Áustria ameaça entrar na guerra, a Rússia aceita as exigências dos aliados.

O Tratado de Paris, de 30 de março de 1856, garante a integridade do Império Otomano. A Rússia é obrigada a ceder o Sul da Bessarábia, na foz do Rio Danúbio. O Mar Negro é declarado neutro e o Danúbio é aberto à navegação de todos os países.

Por causa da derrota, o czar Alexandre II (1855-81) sente a necessidade de fazer reformas para modernizar a Rússia. Em 1861, acaba com a servidão.

A Áustria-Hungria fica mais dependente da França e do Reino Unido, que não a socorrem em 1859 e 1866, em guerras que levam às unificações, respectivamente, da Itália e da Alemanha 

ROMA INCORPORADA À ITÁLIA

    Em 1870, as forças do Reino da Itália, unificado em 1861, tomam e anexam Roma, e limitam a autoridade do Papa ao Vaticano. É o fim dos Estados Pontifícios.

O revolucionário italiano Giuseppe Garibaldi, que luta na Revolução Farroupilha (1835-45), tenta tomar Roma em 1862 e 1867. A retirada de uma guarnição francesa que protege o papa Pio IX permite a conquista da cidade em 1870. 

Cerca de 50 mil italianos enfrentam 13.157 soldados papais. Num combate na Porta Pia, uma das antigas entradas da cidade, morrem 49 soldados italianos e 19 da força papal.

O ataque começa às cinco da manhã. Um hora depois, os primeiros emissários chegam à residência papel para negociar os termos da rendição  Pio IX se recusa a aceitar os termos e se entrincheira como um prisioneiro no Vaticano. Ordena aos católicos que rejeitem o novo Estado italiano e excomunga o rei Vítor Emanuel II.

Em outubro, um plebiscito decide que Roma será a capital da Itália.

PRIMEIRO FESTIVAL DE CANNES

    Em 1946, começa o primeiro Festival de Cinema de Cannes, uma cidade praiana da Riviera Francesa, no Mar Mediterrâneo. Deveria ter sido em 1939, mas a Segunda Guerra Mundial (1939-45) adia os planos.

O primeiro festival internacional de cinema é realizado em Veneza, na Itália, em 1932. Com a ascensão do Nazifascismo, em 1938, os ditadores italiano Benito Mussolini e alemão Adolf Hitler interferem na escolha e premiação dos filmes. 

A França decide, então, organizar seu próprio festival, que começa em 1º de setembro de 1939, dia do início da guerra, com a invasão da Polônia pela Alemanha. Só um filme é apresentado, O Corcunda de Notre Dame, do diretor americano William Dieterle. Dois dias depois, a França e o Reino Unido declaram guerra à Alemanha.

Quando finalmente o festival é realizado, em 1946, participam filmes como Farrapo Humano, do austríaco-americano Billy Wilder; Cidade Aberta, do italiano Roberto Rosselini; A Batalha dos Trilhões, do francês René Clement; e Desencanto, do inglês David Lean.

Como o objetivo maior é estimular a criatividade, nove filmes ganham o grande prêmio.

BILLIE JEAN VENCE A BATALHA DOS SEXOS

    Em 1973, aos 29 anos, a tenista americana Billie Jean King vence o ex-número um do mundo Bobby Riggs, de 55 anos, por 3-0 (6-4, 6-3, 6-3) no Astródomo de Houston, no Texas, na Batalha dos Sexos.

Apesar da idade, Riggs, machista assumido, está convencido de que ainda é capaz de vencer qualquer mulher. Mais de 30 mil pessoas assistem ao jogo no estádio e 50 milhões pela televisão.

Billie Jean entra no estádio no estilo de Cleópatra, a rainha do Egito que foi amante dos generais romanos Júlio César e Marco Aurélio, numa liteira dourada carregada por homens vestidos como os escravos da Antiguidade. Riggs chega num riquixá puxado por modelos femininas.

Uma das maiores tenistas da história, Billie Jean ganha aos 17 anos o torneio de duplas femininas do Campeonato de Wimbledon, o primeiro de seus 20 títulos na mais tradicional competição do tênis. Em 1971, é a primeira atleta mulher a ganhar mais de US$ 100 mil em prêmios num ano.

"NÃO PERGUNTE, NÃO CONTE"

    Em 2011, termina a política adotada em 1º de outubro de 1993, no governo Bill Clinton (1993-2001), para permitir a participação de LGBTs nas Forças Armadas dos Estados Unidos de nome Não pergunte, não conte. pela qual os gays podem servir como militares desde que mantenham a privacidade de sua vida sexual.

O veto a militares gays nos EUA é imposto durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45). Clinton promete resolver o problema. Enfrenta forte oposição no Congresso, dentro de seu próprio partido, e entre os militares. A exigência de privacidade é a maneira de obter a aprovação da proposta.

Em dezembro de 2010, a Câmara de Representantes e o Senado dos EUA repeliram a política, dando plena liberdade aos LGBTs+ nas Forças Armadas. No segundo governo Donald Trump, há claramente uma política antigays e antitransgêneros.

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quinta-feira, 10 de setembro de 2026

Hoje na História do Mundo: 10 de Setembro

PRESIDENTE DA COLÔNIA DE JAMESTOWN

    Em 1608, depois de sobreviver a captura pelos indígenas, provavelmente por influência da princesa Pocahontas, filha do cacique, John Smith se torna o primeiro presidente da colônia da Jamestown, o primeiro assentamento permanente da Inglaterra na América.

John Smith nasce em Willoughby em 6 de janeiro de 1580 na fazenda da famílila. Aos 16 ou 17 anos, vai lutar contra a Espanha na Guerra da Independência da Holanda, a Guerra dos 80 Anos (1568-1648). De volta à Inglaterra, passa dois anos estudando livros clássicos militares. 

Em 1601, Smith vai para a Hungria, onde se alista como mercenário da Áustria na guerra contra o Império Otomano. Capturado pelo inimigo, é levado para a Turquia, de onde foge para a Rússia em 1604 ou 1605.

Ao voltar para a Inglaterra, ele se junta a um grupo que se prepara para fundar a primeira colônia inglesa na América. Quando a Virginia Company consegue uma carta real, Smith e outros 100 colonos liderados por Christopher Newport zarpam em 20 de dezembro de 1606. Eles chegam à Baía de Chesapeake em 27 de abril de 1607. Em 14 de maio, desembarcam onde fundam Jamestown.

Smith é indicado pela Virginia Company para o grupo de sete pessoas que governa a colônia e vira seu primeiro presidente. É também escritor e cartógrafo. Faz uma série de viagens e produz um mapa detalhado da costa da Virgínia. Seus textos descrevendo e exaltando as belezas da América ajudam a atrair colonos.

Numa dessas viagens, sofre uma emboscada, é capturado pelos índios Powhatan e entregue ao cacique. De acordo com o relato do próprio Smith, é salvo por interferência da princesa Pocahontas.

Quando se torna presidente, Smith mantém um comércio com os indígenas para garantir o suprimento de milho aos colonos e adota uma política linha-dura: "Quem não trabalha não come", à exceção das pessoas com deficiência. Sempre evita o confronto com os nativos.

Depois de se ferir num incêndio em setembro de 1609, Smith tem de voltar à Inglaterra. Em 1614, vai para a região da Nova Inglaterra, no que é hoje o Nordeste dos EUA, e mapeia a região da Baía de Penobscot e o Cabo Cod. Os Peregrinos do Mayflower, que chegam onde hoje é Massachusetts em 11 de novembro de 1620, usam mapas de John Smith.

No Massacre de Jamestown, em 22 de março de 1622, os indígenas atacam os europeus e matam 347 pessoas, um quarto da população da colônia. 

FIM DA GUERRA DO NORTE

    Em 1721, o Tratado de Nystad põe fim à Grande Guerra do Norte (1700-21), em que a Rússia, a Dinamarca-Noruega e a Polônia-Saxônia desafiam a supremacia da Suécia na região do Mar Báltico. O conflito termina com o declínio da Suécia e a ascensão da Rússia de Pedro I, o Grande, como a maior potência da região.

A morte do rei Carlos XI, da Suécia, leva ao trono seu filho Carlos XII, de apenas 14 anos. A Dinamarca-Noruega vê uma boa oportunidade para formar uma aliança contra a Suécia.

No início da guerra, Augusto II, rei da Polônia e eleitor da Saxônia, ataca Livônia em fevereiro de 1700. Em março, Frederico IV, da Dinamarca e da Noruega, entra em Schleswig-Holstein, hoje um estado da Alemanha. Pedro I, da Rússia, cerca Narva em outubro.

Carlos XII contra-ataca. O primeiro alvo é a Dinamarca. Ele chega perto de Copenhague e obriga o país a deixar a aliança anti-sueca no Tratado de Traventhal, de agosto de 1700. Ao ocupar a Curlândia, força Augusto II a recuar para a Polônia. E vence a Rússia, rompendo o cerco de Narva em 30 de novembro de 1700.

Com a determinação de derrubar Augusto II, Carlos XII fica seis anos em guerra contra ele. Quando os suecos invadem a Saxônia, Augusto entrega a coroa da Polônia e rompe a aliança com a Rússia no Tratado de Altranstädt, em setembro de 1706. O próximo alvo é a Rússia.

Pedro, o Grande, um pioneiro do Império Russo, sonha em europeizar o país e em ter acesso a portos de águas mornas. Para consolidar a presença no Báltico, o czar funda São Petersburgo em 1703 e obriga a nobreza russa a contratar arquitetos da Europa Ocidental para construir mansões e palácios, o que torna a cidade uma joia arquitetônica chamada de Veneza do Norte, capital da Rússia e berço das revoluções de 1917.

Quando Carlos II, da Suécia, ataca a Rússia, no fim de 1707, Pedro o Grande obtém uma vitória decisiva na Batalha de Poltava, em 8 de julho de 1709. Carlos foge para a Turquia, onde pede ao Império Otomano que se junte à aliança. Os otomanos entram rapidamente. Depois da vitória na Batalha do Rio Pruth (1711), ficam satisfeitos com o acesso ao Mar de Azov e saem da guerra,

Em maio de 1713, a coalizão vence a Suécia em Holstein. Em 1714, a Rússia vence a Batalha Naval de Hanko, toma as Ilhas Aland e ameaça Estocolmo. Em novembro daquele ano, Carlos XII recua para o território sueco.

A esta altura da guerra, a Suécia perde a maioria de suas possessões na orla do Mar Báltico. Frederico Guilherme I, da Prússia, e George I, da Inglaterra, e eleitor de Hanôver, se juntam à coalizão. Primeiro, exigem concessões territoriais em troca de neutralidade. Carlos XII rejeita as exigências.

O rei da Suécia abre negociações de paz em 1717-18, enquanto aumenta seu exército para 60 mil homens. Em setembro de 1718, invade a Noruega, onde morre na Batalha de Frederikshald, em novembro de 1718.

Como Carlos XII não deixa descendentes, a coroa passa para sua irmã, Ulrika Eleonora, casa com Frederico da Hesse-Kassel, que se torna Frederico I, da Suécia, e negocia uma série de tratados de paz de 1719-21.

Pelos Tratados de Estocolmo (1719-20), a Suécia, a Saxônia e a Polônia voltam às fronteiras anteriores à guerra. A Dinamarca devolve suas conquistas à Suécia em troca de uma grande soma em dinheiro. A Suécia cede Bremen a Hanôver, e a região de Szczecin e parte da Pomerânia Sueca à Prússia.

No Tratado de Nystad, que encerra as hostilidades entre Rússia e Suécia, os suecos cedem a Íngria, a Estônia, a Livônia e uma parte da Karélia finlandesa.

PRIMEIRO MOTORISTA BÊBADO PRESO

    Em 1897, um motorista de táxi de Londres de 25 anos chamado George Smith é a primeira pessoa presa por dirigir embriagada, depois de bater com seu carro num prédio na New Bond Street 165.


Ao chegar ao local do acidente, o policial Russell prende o motorista. Smith reconhece a culpa e paga multa de 1,25 libra.

ÚLTIMO GUILHOTINADO

    Em 1977, Hamida Djandoubi, um imigrante tunisiano de 28 anos condenado por assassinato, violação sexual e tortura, é a última pessoa a guilhotinada na França, na prisão de Baumetes, em Marselha, às 4h47.


Durante a Revolução Francesa (1789-99), o médico e revolucionário Joseph-Ignace Guilhotin consegue aprovar uma lei para exigir que todas as execuções sejam feitas cientificamente por uma máquina. 

O primeiro teste da máquina de matar, com uma grande lâmina que despenca sobre o pescoço da vítima, é em cadáveres. Em 25 de abril de 1792, a primeira vítima é executada.

Mais de 10 mil pessoas perdem a cabeça na guilhotina durante a revolução, inclusive o Dr. Guilhotin, o rei Luís XVI, a rainha Maria Antonieta e os líderes revolucionários Georges-Jacques Danton e Maximiliano Robespierre.

Hamida Dajandoubi nasce na Tunísia em 1949 e chega a Marselha em 1968 na primeira vez que sai do país. Ele trabalha na indústria como operário de manutenção de máquinas. Três anos mais tarde, perde uma perna num acidental industrial.

Nesta época, quando está no hospital, conhece Élizabeth Bousquet , de 18 anos, que se torna sua companheira. Amputado, fica mais cruel e agressivo.

Numa noite em 1973, Hamida obriga a mulher a manter relações sexuais com oito homens em troca de dinheiro. Élizabeth o denuncia à polícia por proxenetismo. Condenado a meses de prisão, ele promete vingança.

Apesar de viver com outras duas mulheres que explora como prostitutas, Hamida volta a atacar Élizabeth. Na noite de 3 para 4 de julho de 1974, ele a submete a uma longa sessão de tortura com bastão. Além da violação sexual, queima as pontas dos seios da ex-mulher com cigarros acesos.

Nua e inconsciente, Hamida leva a mulher para uma cabana de pedras a 40 quilômetros de Marselha, onda a estrangula diante de Annie e Amaria. O juiz Robert Badinter o considera "desequilibrado". A promotoria vê como "uma alma demoníaca" com "uma inteligência superior à normal, mas um risco social colossal".

Quatro anos depois, em 9 de outubro de 1981, a pena de morte é abolida na França.

MURAL GUERNICA VAI PARA A ESPANHA

    Em 1981, o mural Guernica, do pintor espanhol Pablo Picasso vai para a Espanha, o que o artista só havia autorizado quando a democracia fosse restaurada.

A cidade de Guernica, no País Basco, é arrasada em 26 de abril de 1937, durante a Guerra Civil Espanhola (1936-39) por um bombardeio da Luftwaffe, a Força Aérea da Alemanha Nazista, que testa suas armas para a Segunda Guerra Mundial (1939-45). Em três horas de ataque, morrem mais de mil pessoas.

Quando o governo republicano espanhol convida Picasso para criar um mural para a Exposição Internacional de 1937 em Paris, ele resolve pintar os horrores da guerra. 

Em 1939, quando o ditador Francisco Franco vence a Guerra Civil Espanhola (1936-39) e começa a Segunda Guerra Mundial, Picasso doa o mural ao Museu de Arte Moderna de Nova York (MoMA) com a recomendação expressa de que a obra só vá para a Espanha depois da redemocratização do país.

Picasso morre na França em 1973. A morte de Franco, dois anos depois, é o marco do fim da ditadura na Espanha, Em 1981, um advogado de Picasso autoriza o envio da obra.

A ida do mural, instalado inicialmente num pavilhão construído especialmente no Museu do Prado, em Madri, é um sinal de confiança na democracia restaurada. Hoje, está no Museu Rainha Sofia.

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sábado, 29 de agosto de 2026

Hoje na História do Mundo: 29 de Agosto

FIM DO IMPÉRIO INCA

    Em 1533, o conquistador espanhol do Peru, Francisco Pizarro, executa o 13º e último imperador inca, Ataualpa, marco do fim de 300 anos da maior civilização pré-colombiana da América do Sul. Os incas ergueram um império com 14 milhões de súditos que, no seu auge, ia do Sul da Colômbia ao Norte do Chile.

Eles constroem sua civilização, o Império Inca ou Tahuantinsuyo, seu nome na língua quêchua, no altiplano da Cordilheira dos Andes, inicialmente no Peru. Não têm escrita, mas criam um governo sofisticado, com método estatístico, um sistema agrícola brilhante, grandes obras públicas e construções monumentais. Até hoje, a engenharia não explica como moveram pedras de toneladas.

Cinco anos antes de chegada dos conquistadores, uma disputa pela sucessão causa uma guerra civil ruinosa. Em 1532, Ataualpa vence o irmão Huáscar numa batalha perto de Cusco, a capital do império. Está consolidando o poder quando Pizarro chega com 180 homens.

Filho da aristocracia espanhola, Pizarro trabalha como criador de porcos quando jovem. Em 1502, se torna um soldado e vai para Hispaniola, a ilha hoje dividida entre Haiti e República Dominicana, onde Cristóvão Colombo começa a colonização da América em 1492.

Pizarro serve ao conquistador Alejandro de Ojeda na expedição à Colômbia, em 1510, e a Vasco Núñez Balboa quando este descobre o Oceano Pacífico, no Panamá, em 1513. 

Ao saber da grande riqueza do Império Inca, Pizarro se une a Diego de Almagro. Em 1524, eles saem do atual Panamá, mas só vão até onde hoje é o Equador. Na segunda expedição, entram no que hoje é território peruano, batizam a terra de Peru e a reivindicam para a coroa espanhola.

De volta ao Panamá, Pizarro planeja conquistar o Peru, mas não tem o apoio do governo colonial espanhol na América. Depois da conquista do México por Hernán Cortez, em 1521, Pizarro vai à Espanha em 1528 e consegue apoio do imperador Carlos I da Espanha e Carlos V do Sacro Império Romano-Germânico, que sonha em criar uma monarquia universal.

Em 15 de dezembro de 1532, o pequeno exército de Pizarro, com 180 soldados, chega a Cajamarca, onde Ataualpa relaxa em águas termais antes de marchar rumo a Cusco, a capital do irmão. O conquistador convida o imperador para uma festa.

Com um exército de 30 mil homens, logo depois de vencer a maior batalha da história inca, Ataualpa não teme os homens de Pizarro. É alvo de uma emboscada.

Ataualpa vai ao local do encontro com um séquito de milhares de homens aparentemente desarmados. Pizarro envia um padre como emissário e intima Ataualpa a aceitar a soberania do imperador Carlos V e o cristianismo. 

Quando o imperador inca rejeita e joga a Bíblia no chão, Pizarro ordena o ataque com arcabuzes, canhões e cavalaria, armas que os incas desconhecem. Milhares de incas são massacrados e Ataualpa é preso.

Mesmo pagando o maior resgate da história, Ataualpa é processado pela morte do irmão, por conspirar contra a coroa espanhola e outros delitos menores. Amarrado a um poste, tem a última escolha: ser queimado vivo ou se converter ao cristianismo e morrer pelo garrote vil. Na esperança de preservar seu corpo para mumificação, escolhe o garrote.

INÍCIO DA GUERRA DOS SETE ANOS

    Em 1756, a tentativa do Império Austríaco dos Habsburgo de reconquistar a Silésia, uma província oriental alemã tomada por Frederico II, da Prússia, na Guerra da Sucessão Austríaca (1740-48), dá início à Guerra dos Sete Anos (1756-63).

É a última grande guerra na Europa antes da Revolução Francesa. A Áustria, a França, a Rússia, a Saxônia e a Suécia enfrentam a Prússia, o Reino Unido, Portugal e Hanôver, que saem vencedores. Na América do Norte, a Guerra Franco-Indígena (1754-63) começa dois anos antes com uma guerra indígena em que algonquinos e hurões se aliam aos franceses e os iroqueses aos britânicos.

Em consequência da derrota, o Império Francês perde suas possessões na Índia e a maior parte das colônias na América do Norte para o Império Britânico. É uma guerra mundial, assim como a Guerra dos Trinta Anos (1618-48), quando a Holanda invade o Nordeste do Brasil.

A Guerra dos Sete Anos é uma das causas da independência dos Estados Unidos (1776) e da Revolução Francesa de 1789. Quando a coroa britânica aumenta impostos para recuperar as finanças abaladas pela guerra, os colonos norte-americanos, que sustentaram o esforço de guerra do Império Britânico com vidas e recursos materiais, se rebelam. Na França, além do custo econômico da guerra, invernos rigorosos reduzem a produção de alimentos e provocam fome. 

CHINA CEDE HONG KONG

    Em 1842, no fim da Primeira Guerra do Ópio (1839-42), no Tratado de Nanquim, o imperador Dauguang, da Dinastia Ching (manchu), cede Hong Kong e paga indenização de US$ 21 milhões ao Império Britânico pelas vidas perdidas, abre cinco portos ao comércio, limita as tarifas de importação e exportação, e dá aos britânicos que cometam crimes em território chinês o direito de serem julgados por tribunais do Reino Unido.

É a primeira derrota e o primeiro tratado desigual do que os chineses chamam de "século da humilhação" diante dos imperialismos ocidental e japonês.

O tratado é assinado pelos cônsules negociadores Henry Pottinger, Chi Ying e Yi Libu a bordo do navio Cornwallis. As negociações começam depois que os britânicos tomam o porto de Zhenjiang em 23 de junho de 1839. São rápidas por causa da pouca experiência dos chineses em política externa e acordos comerciais. As cidades abertas a súditos da rainha Vitória são Cantão, Fuzhou, Ningbo, Xangai e Xiamei.

A China perde a Segunda Guerra do Ópio (1856-60) e a Primeira Guerra Sino-Japonesa (1894-95) para o Japão, que invade a Manchúria em 1931 e as principais cidades da China em 1937 na Segunda Guerra Sino-Japonesa. A ocupação vai até o fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45).

O "século da humilhação" termina com a vitória da revolução comunista liderada por Mao Tsé-tung em 1º de outubro de 1949. Mao vai a Moscou assinar o Tratado de Aliança, Cooperação e Amizade com a União Soviética, em 14 de fevereiro de 1950, mas precisa esperar 50 dias no gelado inverno russo para ser recebido por Josef Stalin, que dita os termos do acordo.

Em 1º de julho de 1997, o Reino Unido devolve Hong Kong à China com a promessa de que o regime chinês manteria a autonomia do território durante 50, mas o ditador Xi Jinping rompe o compromisso ao impor uma Lei de Segurança Nacional draconiana em 30 de junho de 2020. Acaba assim com a fórmula "um país, dois sistemas", criada pelo então líder supremo Deng Xiaoping tendo em vista também a reunificação com Taiwan.

BOMBA NUCLEAR SOVIÉTICA

    Em 1949, a União Soviética explode sua primeira bomba atômica, chamada de Primeiro Raio, num remoto campo de testes em Semipalatinisk, no Casaquistão, acabando com o monópolio dos Estados Unidos em armas nucleares.

Desde 1939, o físico soviético Gueorgui Flyorov suspeita que as potências ocidentais estão desenvolvendo uma superbomba. Ele escreve uma carta ao ditador Josef Stalin propondo que a URSS faça a bomba atômica. O projeto é adiado pela invasão da Alemanha Nazista à URSS, em 22 de junho de 1941. No início, se limita a espionagem do Projeto Manhattan nos EUA.

Com a explosão das bombas de Hiroxima e Nagasáki pelos EUA no Japão em 6 a 9 de agosto de 1945, a URSS acelera o projeto com a captura de cientistas ligados ao projeto da bomba atômica da Alemanha e a espionagem nos EUA.

Para avaliar o impacto da explosão atômica de plutônio, feita com base na bomba de Nagasáki (Homem Gordo), os cientistas soviéticos constroem edifícios, pontes e outras estruturas urbanas. Também colocam mamíferos perto do local da explosão para ver o efeito da radiação. 

A bomba tem a força de 20 quilotons (20 mil toneladas de dinamite), mas ou menos a mesma potência da Trinity (Trindade), a primeira bomba detonada experimentalmente pelos EUA, em Alamogordo, no Novo México, em 16 de julho de 1945.

Começa o equilíbrio do terror nuclear.

FURACÃO KATRINA ARRASA

    Em 2005, o furacão de Katrina, de categoria 5 sobre o Oceano Atlântico e 3 ao chegar em terra, arrasa uma região do Sul dos Estados Unidos, especialmente a cidade de Nova Orleans, que é alagada em 80% de sua área, causando a morte de 1.836 pessoas, principalmente nos estados da Louisiana e do Mississípi, e prejuízos de mais de US$ 125 bilhões.

Outras 135 pessoas estão desaparecidas até hoje. Mesmo sendo apenas o terceiro furacão mais forte da temporada, é o terceiro pior da história dos EUA. Com a enchente, Nova Orleans vira uma terra sem lei. Gangues invadem casas abandonadas para roubar e atacam moradores que ficam na cidade.

Diante da omissão do governo George W. Bush com uma população flagelada majoritariamente negra, o jovem senador Barack Obama se destaca na linha de frente da ajuda às vítimas.

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