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sábado, 29 de agosto de 2026

Hoje na História do Mundo: 29 de Agosto

FIM DO IMPÉRIO INCA

    Em 1533, o conquistador espanhol do Peru, Francisco Pizarro, executa o 13º e último imperador inca, Ataualpa, marco do fim de 300 anos da maior civilização pré-colombiana da América do Sul. Os incas ergueram um império com 14 milhões de súditos que, no seu auge, ia do Sul da Colômbia ao Norte do Chile.

Eles constroem sua civilização, o Império Inca ou Tahuantinsuyo, seu nome na língua quêchua, no altiplano da Cordilheira dos Andes, inicialmente no Peru. Não têm escrita, mas criam um governo sofisticado, com método estatístico, um sistema agrícola brilhante, grandes obras públicas e construções monumentais. Até hoje, a engenharia não explica como moveram pedras de toneladas.

Cinco anos antes de chegada dos conquistadores, uma disputa pela sucessão causa uma guerra civil ruinosa. Em 1532, Ataualpa vence o irmão Huáscar numa batalha perto de Cusco, a capital do império. Está consolidando o poder quando Pizarro chega com 180 homens.

Filho da aristocracia espanhola, Pizarro trabalha como criador de porcos quando jovem. Em 1502, se torna um soldado e vai para Hispaniola, a ilha hoje dividida entre Haiti e República Dominicana, onde Cristóvão Colombo começa a colonização da América em 1492.

Pizarro serve ao conquistador Alejandro de Ojeda na expedição à Colômbia, em 1510, e a Vasco Núñez Balboa quando este descobre o Oceano Pacífico, no Panamá, em 1513. 

Ao saber da grande riqueza do Império Inca, Pizarro se une a Diego de Almagro. Em 1524, eles saem do atual Panamá, mas só vão até onde hoje é o Equador. Na segunda expedição, entram no que hoje é território peruano, batizam a terra de Peru e a reivindicam para a coroa espanhola.

De volta ao Panamá, Pizarro planeja conquistar o Peru, mas não tem o apoio do governo colonial espanhol na América. Depois da conquista do México por Hernán Cortez, em 1521, Pizarro vai à Espanha em 1528 e consegue apoio do imperador Carlos I da Espanha e Carlos V do Sacro Império Romano-Germânico, que sonha em criar uma monarquia universal.

Em 15 de dezembro de 1532, o pequeno exército de Pizarro, com 180 soldados, chega a Cajamarca, onde Ataualpa relaxa em águas termais antes de marchar rumo a Cusco, a capital do irmão. O conquistador convida o imperador para uma festa.

Com um exército de 30 mil homens, logo depois de vencer a maior batalha da história inca, Ataualpa não teme os homens de Pizarro. É alvo de uma emboscada.

Ataualpa vai ao local do encontro com um séquito de milhares de homens aparentemente desarmados. Pizarro envia um padre como emissário e intima Ataualpa a aceitar a soberania do imperador Carlos V e o cristianismo. 

Quando o imperador inca rejeita e joga a Bíblia no chão, Pizarro ordena o ataque com arcabuzes, canhões e cavalaria, armas que os incas desconhecem. Milhares de incas são massacrados e Ataualpa é preso.

Mesmo pagando o maior resgate da história, Ataualpa é processado pela morte do irmão, por conspirar contra a coroa espanhola e outros delitos menores. Amarrado a um poste, tem a última escolha: ser queimado vivo ou se converter ao cristianismo e morrer pelo garrote vil. Na esperança de preservar seu corpo para mumificação, escolhe o garrote.

INÍCIO DA GUERRA DOS SETE ANOS

    Em 1756, a tentativa do Império Austríaco dos Habsburgo de reconquistar a Silésia, uma província oriental alemã tomada por Frederico II, da Prússia, na Guerra da Sucessão Austríaca (1740-48), dá início à Guerra dos Sete Anos (1756-63).

É a última grande guerra na Europa antes da Revolução Francesa. A Áustria, a França, a Rússia, a Saxônia e a Suécia enfrentam a Prússia, o Reino Unido, Portugal e Hanôver, que saem vencedores. Na América do Norte, a Guerra Franco-Indígena (1754-63) começa dois anos antes com uma guerra indígena em que algonquinos e hurões se aliam aos franceses e os iroqueses aos britânicos.

Em consequência da derrota, o Império Francês perde suas possessões na Índia e a maior parte das colônias na América do Norte para o Império Britânico. É uma guerra mundial, assim como a Guerra dos Trinta Anos (1618-48), quando a Holanda invade o Nordeste do Brasil.

A Guerra dos Sete Anos é uma das causas da independência dos Estados Unidos (1776) e da Revolução Francesa de 1789. Quando a coroa britânica aumenta impostos para recuperar as finanças abaladas pela guerra, os colonos norte-americanos, que sustentaram o esforço de guerra do Império Britânico com vidas e recursos materiais, se rebelam. Na França, além do custo econômico da guerra, invernos rigorosos reduzem a produção de alimentos e provocam fome. 

CHINA CEDE HONG KONG

    Em 1842, no fim da Primeira Guerra do Ópio (1839-42), no Tratado de Nanquim, o imperador Dauguang, da Dinastia Ching (manchu), cede Hong Kong e paga indenização de US$ 21 milhões ao Império Britânico pelas vidas perdidas, abre cinco portos ao comércio, limita as tarifas de importação e exportação, e dá aos britânicos que cometam crimes em território chinês o direito de serem julgados por tribunais do Reino Unido.

É a primeira derrota e o primeiro tratado desigual do que os chineses chamam de "século da humilhação" diante dos imperialismos ocidental e japonês.

O tratado é assinado pelos cônsules negociadores Henry Pottinger, Chi Ying e Yi Libu a bordo do navio Cornwallis. As negociações começam depois que os britânicos tomam o porto de Zhenjiang em 23 de junho de 1839. São rápidas por causa da pouca experiência dos chineses em política externa e acordos comerciais. As cidades abertas a súditos da rainha Vitória são Cantão, Fuzhou, Ningbo, Xangai e Xiamei.

A China perde a Segunda Guerra do Ópio (1856-60) e a Primeira Guerra Sino-Japonesa (1894-95) para o Japão, que invade a Manchúria em 1931 e as principais cidades da China em 1937 na Segunda Guerra Sino-Japonesa. A ocupação vai até o fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45).

O "século da humilhação" termina com a vitória da revolução comunista liderada por Mao Tsé-tung em 1º de outubro de 1949. Mao vai a Moscou assinar o Tratado de Aliança, Cooperação e Amizade com a União Soviética, em 14 de fevereiro de 1950, mas precisa esperar 50 dias no gelado inverno russo para ser recebido por Josef Stalin, que dita os termos do acordo.

Em 1º de julho de 1997, o Reino Unido devolve Hong Kong à China com a promessa de que o regime chinês manteria a autonomia do território durante 50, mas o ditador Xi Jinping rompe o compromisso ao impor uma Lei de Segurança Nacional draconiana em 30 de junho de 2020. Acaba assim com a fórmula "um país, dois sistemas", criada pelo então líder supremo Deng Xiaoping tendo em vista também a reunificação com Taiwan.

BOMBA NUCLEAR SOVIÉTICA

    Em 1949, a União Soviética explode sua primeira bomba atômica, chamada de Primeiro Raio, num remoto campo de testes em Semipalatinisk, no Casaquistão, acabando com o monópolio dos Estados Unidos em armas nucleares.

Desde 1939, o físico soviético Gueorgui Flyorov suspeita que as potências ocidentais estão desenvolvendo uma superbomba. Ele escreve uma carta ao ditador Josef Stalin propondo que a URSS faça a bomba atômica. O projeto é adiado pela invasão da Alemanha Nazista à URSS, em 22 de junho de 1941. No início, se limita a espionagem do Projeto Manhattan nos EUA.

Com a explosão das bombas de Hiroxima e Nagasáki pelos EUA no Japão em 6 a 9 de agosto de 1945, a URSS acelera o projeto com a captura de cientistas ligados ao projeto da bomba atômica da Alemanha e a espionagem nos EUA.

Para avaliar o impacto da explosão atômica de plutônio, feita com base na bomba de Nagasáki (Homem Gordo), os cientistas soviéticos constroem edifícios, pontes e outras estruturas urbanas. Também colocam mamíferos perto do local da explosão para ver o efeito da radiação. 

A bomba tem a força de 20 quilotons (20 mil toneladas de dinamite), mas ou menos a mesma potência da Trinity (Trindade), a primeira bomba detonada experimentalmente pelos EUA, em Alamogordo, no Novo México, em 16 de julho de 1945.

Começa o equilíbrio do terror nuclear.

FURACÃO KATRINA ARRASA

    Em 2005, o furacão de Katrina, de categoria 5 sobre o Oceano Atlântico e 3 ao chegar em terra, arrasa uma região do Sul dos Estados Unidos, especialmente a cidade de Nova Orleans, que é alagada em 80% de sua área, causando a morte de 1.836 pessoas, principalmente nos estados da Louisiana e do Mississípi, e prejuízos de mais de US$ 125 bilhões.

Outras 135 pessoas estão desaparecidas até hoje. Mesmo sendo apenas o terceiro furacão mais forte da temporada, é o terceiro pior da história dos EUA. Com a enchente, Nova Orleans vira uma terra sem lei. Gangues invadem casas abandonadas para roubar e atacam moradores que ficam na cidade.

Diante da omissão do governo George W. Bush com uma população flagelada majoritariamente negra, o jovem senador Barack Obama se destaca na linha de frente da ajuda às vítimas.

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domingo, 16 de novembro de 2025

Hoje na História do Mundo: 16 de Novembro

 NASCE O SEGUNDO IMPERADOR ROMANO

    Em 42 antes de Cristo, nasce em Roma Tibério Cláudio Nero, o segundo imperador romano, filho adotivo de Otávio César Augusto, o primeiro imperador.

Filho de Tibério Cláudio Nero e Lívia Drusa, uma bela mulher que se divorcia e casa com Otávio em 38 AC, quando o padrasto ainda não é imperador. Mais tarde, casa-se com Júlia, a Velha, filha de Otávio.

Grande general, Tibério Cláudio Nero César estabelece a fronteira norte do império com as campanhas na Panônia, Ilíria, Récia e Germânia. O naturalista Plínio, o Velho, o descreveu como "o mais triste dos homens". 

Durante seu reinado, que vai de 14 a 37 depois de Cristo, Jesus é crucificado.

EMBOSCADA PARA O INCA

    Em 1532, com apenas 200 homens, o conquistador espanhol Francisco Pizarro arma uma emboscada para capturar Ataualpa, o último imperador do Império Inca, que tem um exército de 80 mil homens.

O Império Inca está saindo de uma guerra civil. Ataualpa, filho mais jovem do inca Huayna Capac, acaba de depor o meio-irmão Huáscar num conflito que divide o império, quando Pizarro chega, em 1531, em nome de Carlos V, da Espanha, imperador do Sacro Império Romano-Germânico, o monarca mais poderoso na época.

Ao saber da guerra, Pizarro recruta soldados de Huáscar e manda o irmão Hernán convidar Ataualpa para uma festa em homenagem a sua entronização na cidade de Cajamarca e convencer o inca a ir desarmado.

Ataualpa vai com 5 mil homens desarmados. Pizarro envia o frei Vicente de Valverde, que dá uma Bíblia ao imperador inca e o intima a se converter ao cristianismo e se submeter ao imperador Carlos V. O inca se recusa e joga a Bíblia no chão.

As tropas da Pizarro então abrem fogo, encurralam os incas nas ruelas de Cajamarca e massacram os 5 mil soldados de Ataualpa em uma hora.

Por achar que Ataualpa tem mais valor vivo do que morto, Pizarro salva a vida do imperador, que oferece uma sala cheia de ouro e prata como resgate. O conquistador aceita, mas denuncia Ataualpa por incitar à rebelião.

Condenado, Ataualpa seria queimado vivo numa fogueira, a pena de morte dos espanhóis para pagãos. Valverde oferece clemência se ele se converter. O imperador aceita, mas é estrangulado em 29 de agosto de 1533.

CACHOEIRA DE VITÓRIA

    Em 1855, o explorador britânico David Livingstone é o primeiro europeu a chegar à Cachoeira de Vitória, no coração da África.

O Dr. Livingstone, médico, cientista, missionário, explorador e abolicionista escocês, viaja por todo o Deserto do Kalahari, percorre o Rio Zambeze e descobre as espetaculares Cataratas de Vitória, em 16 de novembro de 1855, batizando-as em homenagem à Rainha da Inglaterra.

A área é preservada hoje como Parque Nacional Mosi-oa-Tunya (Fumo que Troveja), o nome local da cachoeira, na Zâmbia. Desde 1989, é patrimônio cultural da humanidade mantido pela Unesco (Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura).

Ao chegar à foz do Zambeze, no Oceano Índico, em 1842, o Dr. Livingstone se torna o primeiro ocidental a cruzar a África Meridional de costa a costa. Em 15 anos, atravessa duas vezes o Deserto de Kalahari, vai de Angola a Moçambique pelo Zambeze, descobre as cataratas de Vitória e é o primeiro europeu a atravessar o Lago Tanganica. Cruza o Quênia, a Tanzânia e Uganda.

Em 1866, o Dr. Livingstone sai do porto de Zanzibar, no Oceano Índico, para chegar ao Lago Niassa. Abandonado por guias africanos que roubam a comida e os medicamentos, enfraquecido pela malária, chega à aldeia Ujiji, no lago Tanganica.

Desaparecido há anos, é dado como morto na Inglaterra quando quando o jornal nova-iorquino New York Herald encarrega o repórter Henry Stanley de encontrá-lo, em março de 1871. Com um batalhão de 200 guias e carregadores, encontra o Dr. Livingstone entre 24 e 28 de outubro, de acordo com o diário do explorador, ou 10 de novembro de 1871. 

Ao encontrar o explorador, Stanley diz uma frase que entrou para a história: “Dr. Livingstone, eu presumo?” A resposta: “Sim, eu me sinto muito grato por recebê-lo”. Stanley insiste para que volte para a Inglaterra, mas Livingstone tinha dedicado sua vida à África. Frágil e doente depois de muitas malárias, David Livingstone morre na aldeia do chefe chitambo, na Rodésia do Norte, hoje Zâmbia, em 1º de maior de 1873.

NASCIMENTO DE CHINUA ACHEBE

    Em 1930, nasce em Ogidi, na Nigéria, Albert Chinualomogu Achebe, um dos maiores escritores africanos, grande crítico da imposição dos valores ocidentais na África pelo colonialismo europeu.

Depois de estudar inglês e literatura no University College, hoje Universidade de Idaban, Achebe trabalha na rádio e televisão Nigeria Broadcasting Corporation em Lagos. 

Seu livro mais famoso, O Mundo se Despedaça, retrata a desorientação social e psicológica de sociedades tradicionais desarticuladas pelos conquistadores. O personagem central não aceita a noa ordem, embora a antiga seja destruída.

Membro da etnia ibo, a terceira maior dos mais de 300 povos nigerianos, ele apoia a guerra civil de Biafra (1967-70), uma tragédia africana em que um milhão morrem, tema do livro Houve Uma Vez um País: uma história pessoal de Biafra.

Ele morre em Boston, nos Estados Unidos, em 21 de março de 2013.

MULHER NO PODER EM PAÍS MUÇULMANO

    Em 1988, Benazir Bhutto se torna a primeira mulher a governar um país muçulmano na era moderna.

Filha mais velha do primeiro-ministro Zulfikar Ali Bhutto, Benazir estuda nas universidades de Harvard, nos Estados Unidos, e de Oxford, na Inglaterra. Quando o general Zia ul-Haq dá um golpe e o pai é executado, em 1979, Benazir se torna sua herdeira política.

Com a morte de Zia num acidente de avião com suspeita de sabotagem, em 17 de agosto de 1988, e a redemocratização do Paquistão, Benazir lidera e leva à vitória o Partido Popular Paquistanês (PPP), conquistando seu lugar na história.

Benazir governa de 2 de dezembro de 1988 a 6 de agosto de 1990 e de 18 de outubro de 1993 a 5 de novembro de 1996. Com a derrota nas eleições de 1997, Benazir vai para o exterior. Por uma década, vive entre Londres e Dubai. Volta ao Paquistão em 2007 para disputar as eleições de 2008. Durante a campanha eleitoral, é assassinada num atentado terrorista atribuído a extremistas muçulmanos, em 27 de dezembro de 2007.

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sexta-feira, 29 de agosto de 2025

Hoje na História do Mundo: 29 de Agosto

 FIM DO IMPÉRIO INCA

    Em 1533, o conquistador espanhol do Peru, Francisco Pizarro, executa o 13º e último imperador inca, Ataualpa, marco do fim de 300 anos da maior civilização pré-colombiana da América do Sul. Os incas ergueram um império com 14 milhões de súditos que, no seu auge, ia do Sul da Colômbia ao Norte do Chile.

Eles constroem sua civilização, o Império Inca ou Tahuantinsuyo, seu nome na língua quêchua, no altiplano da Cordilheira dos Andes, inicialmente no Peru. Não têm escrita, mas criam um governo sofisticado, com método estatístico, um sistema agrícola brilhante, grandes obras públicas e construções monumentais. Até hoje, a engenharia não explica como moveram pedras de toneladas.

Cinco anos antes de chegada dos conquistadores, uma disputa pela sucessão causa uma guerra civil ruinosa. Em 1532, Ataualpa vence o irmão Huáscar numa batalha perto de Cusco, a capital do império. Está consolidando o poder quando Pizarro chega com 180 homens.

Filho da aristocracia espanhola, Pizarro trabalha como criador de porcos quando jovem. Em 1502, se torna um soldado e vai para Hispaniola, a ilha hoje dividida entre Haiti e República Dominicana, onde Cristóvão Colombo começa a colonização da América em 1492.

Pizarro serve ao conquistador Alejandro de Ojeda na expedição à Colômbia, em 1510, e a Vasco Núñez Balboa quando este descobre o Oceano Pacífico, no Panamá, em 1513. 

Ao saber da grande riqueza do Império Inca, Pizarro se une a Diego de Almagro. Em 1524, eles saem do atual Panamá, mas só vão até onde hoje é o Equador. Na segunda expedição, entram no que hoje é território peruano, batizam a terra de Peru e a reivindicam para a coroa espanhola.

De volta ao Panamá, Pizarro planeja conquistar o Peru, mas não tem o apoio do governo colonial espanhol na América. Depois da conquista do México por Hernán Cortez, em 1521, Pizarro vai à Espanha em 1528 e consegue apoio do imperador Carlos V, do Sacro Império Romano-Germânico, que sonha em criar uma monarquia universal.

Em 15 de dezembro de 1532, o pequeno exército de Pizarro, com 180 soldados, chega a Cajamarca, onde Ataualpa relaxa em águas termais antes de marchar rumo a Cusco, a capital do irmão. O conquistador convida o imperador para uma festa.

Com um exército de 30 mil homens, logo depois de vencer a maior batalha da história inca, Ataualpa não teme os homens de Pizarro. É alvo de uma emboscada.

Ataualpa vai ao local do encontro com um séquito de milhares de homens aparentemente desarmados. Pizarro envia um padre como emissário e intima Ataualpa a aceitar a soberania do imperador Carlos V e o cristianismo. 

Quando o imperador inca rejeita e joga a Bíblia no chão, Pizarro ordena o ataque com arcabuzes, canhões e cavalaria, armas que os incas desconhecem. Milhares de incas são massacrados e Ataualpa é preso.

Mesmo pagando o maior resgate da história, Ataualpa é processado pela morte do irmão, por conspirar contra a coroa espanhola e outros delitos menores. Amarrado a um poste, tem a última escolha: ser queimado vivo ou se converter ao cristianismo e morrer pelo garrote vil. Na esperança de preservar seu corpo para mumificação, escolhe o garrote.

INÍCIO DA GUERRA DOS SETE ANOS

    Em 1756, a tentativa do Império Austríaco dos Habsburgo de reconquistar a Silésia, uma província oriental alemã tomada por Frederico II, da Prússia, na Guerra da Sucessão Austríaca (1740-48), dá início à Guerra dos Sete Anos (1756-63).

É a última grande guerra na Europa antes da Revolução Francesa. A Áustria, a França, a Rússia, a Saxônia e a Suécia enfrentam a Prússia, o Reino Unido, Portugal e Hanôver, que saem vencedores. Na América do Norte, a Guerra Franco-Indígena (1754-63) começa dois anos antes com uma guerra indígena em que algonquinos e hurões se aliam aos franceses e os iroqueses aos britânicos.

Em consequência da derrota, o Império Francês perde suas possessões na Índia e a maior parte das colônias na América do Norte para o Império Britânico. É uma guerra mundial, assim como a Guerra dos Trinta Anos (1618-48), quando a Holanda invade o Nordeste do Brasil.

A Guerra dos Sete Anos é uma das causas da independência dos Estados Unidos (1776) e da Revolução Francesa de 1789. Quando a coroa britânica aumenta impostos para recuperar as finanças abaladas pela guerra, os colonos norte-americanos, que sustentaram o esforço de guerra do Império Britânico com vidas e recursos materiais, se rebelam. Na França, além do custo econômico da guerra, invernos rigorosos reduzem a produção de alimentos e provocam a fome. 

CHINA CEDE HONG KONG

    Em 1842, no fim da Primeira Guerra do Ópio (1839-42), no Tratado de Nanquim, o imperador Dauguang, da Dinastia Ching (manchu), cede Hong Kong e paga indenização de US$ 21 milhões ao Império Britânico pelas vidas perdidas, abre cinco portos ao comércio, limita as tarifas de importação e exportação, e dá aos britânicos que cometam crimes em território chinês o direito de serem julgados por tribunais do Reino Unido.

É a primeira derrota e o primeiro tratado desigual do que os chineses chamam de "século da humilhação" diante dos imperialismos ocidental e japonês.

O tratado é assinado pelos cônsules negociadores Henry Pottinger, Chi Ying e Yi Libu a bordo do navio Cornwallis. As negociações começam depois que os britânicos tomam o porto de Zhenjiang em 23 de junho de 1839. São rápidas por causa da pouca experiência dos chineses em política externa e acordos comerciais. As cidades abertas a súditos da rainha Vitória são Cantão, Fuzhou, Ningbo, Xangai e Xiamei.

A China perde a Segunda Guerra do Ópio (1856-60) e a Primeira Guerra Sino-Japonesa (1894-95) para o Japão, que invade a Manchúria em 1931 e as principais cidades da China em 1937 na Segunda Guerra Sino-Japonesa. A ocupação vai até o fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45).

O "século da humilhação" termina com a vitória da revolução comunista liderada por Mao Tsé-tung em 1º de outubro de 1949. Mao vai a Moscou assinar o Tratado de Aliança, Cooperação e Amizade com a União Soviética, em 14 de fevereiro de 1950, mas precisa esperar 50 dias no gelado inverno russo para ser recebido por Josef Stalin, que dita os termos do acordo.

Em 1º de julho de 1997, o Reino Unido devolve Hong Kong à China com a promessa de que o regime chinês manteria a autonomia do território durante 50, mas o ditador Xi Jinping rompe o compromisso ao impor uma Lei de Segurança Nacional draconiana em 30 de junho de 2020. Acaba assim com a fórmula "um país, dois sistemas", criada pelo então líder supremo Deng Xiaoping tendo em vista também a reunificação com Taiwan.

BOMBA NUCLEAR SOVIÉTICA

    Em 1949, a União Soviética explode sua primeira bomba atômica, chamada de Primeiro Raio, num remoto campo de testes em Semipalatinisk, no Casaquistão, acabando com o monópolio dos Estados Unidos em armas nucleares.

Desde 1939, o físico soviético Gueorgui Flyorov suspeita que as potências ocidentais estão desenvolvendo uma superbomba. Ele escreve uma carta ao ditador Josef Stalin propondo que a URSS faça a bomba atômica. O projeto é adiado pela invasão da Alemanha Nazista à URSS, em 22 de junho de 1941. No início, se limita a espionagem do Projeto Manhattan nos EUA.

Com a explosão das bombas de Hiroxima e Nagasáki pelos EUA no Japão em 6 a 9 de agosto de 1945, a URSS acelera o projeto com a captura de cientistas ligados ao projeto da bomba atômica da Alemanha e a espionagem nos EUA.

Para avaliar o impacto da explosão atômica de plutônio, feita com base na bomba de Nagasáki (Homem Gordo), os cientistas soviéticos constroem edifícios, pontes e outras estruturas urbanas. Também colocam mamíferos perto do local da explosão para ver o efeito da radiação. 

A bomba tem a força de 20 quilotons (20 mil toneladas de dinamite), mas ou menos a mesma potência da Trinity (Trindade), a primeira bomba detonada experimentalmente pelos EUA, em Alamogordo, no Novo México, em 16 de julho de 1945.

Começa o equilíbrio do terror nuclear.

FURACÃO KATRINA ARRASA

    Em 2005, o furacão de Katrina, de categoria 5 sobre o Oceano Atlântico e 3 ao chegar em terra, arrasa uma região do Sul dos Estados Unidos, especialmente a cidade de Nova Orleans, que é alagada em 80% de sua área, causando a morte de 1.836 pessoas, principalmente nos estados da Louisiana e do Mississípi, e prejuízos de mais de US$ 125 bilhões.

Outras 135 pessoas estão desaparecidas até hoje. Mesmo sendo apenas o terceiro furacão mais forte da temporada, é o terceiro pior da história dos EUA. Com a enchente, Nova Orleans vira uma terra sem lei. Gangues invadem casas abandonadas para roubar e atacam moradores que ficam na cidade.

Diante da omissão do governo George W. Bush com uma população flagelada majoritariamente negra, o jovem senador Barack Obama se destaca na linha de frente da ajuda às vítimas.

sábado, 16 de novembro de 2024

Hoje na História do Mundo: 16 de Novembro

NASCE O SEGUNDO IMPERADOR ROMANO

    Em 42 antes de Cristo, nasce em Roma Tibério Cláudio Nero, o segundo imperador romano, filho adotivo de Otávio César Augusto, o primeiro imperador.

Filho de Tibério Cláudio Nero e Lívia Drusa, uma bela mulher que se divorcia e casa com Otávio em 38 AC, quando o padrasto ainda não é imperador. Mais tarde, casa-se com Júlia, a Velha, filha de Otávio.

Grande general, Tibério Cláudio Nero César estabelece a fronteira norte do império com as campanhas na Panônia, Ilírico, Récia e Germânia. O naturalista Plínio, o Velho, o descreveu como "o mais triste dos homens". 

Durante seu reinado, que vai de 14 a 37 depois de Cristo, Jesus é crucificado.

EMBOSCADA PARA O INCA

    Em 1532, com apenas 200 homens, o conquistador espanhol Francisco Pizarro arma uma emboscada para capturar Ataualpa, o último imperador do Império Inca, que tem um exército de 80 mil homens.

O Império Inca está saindo de uma guerra civil. Ataualpa, filho mais jovem do inca Huayna Capac, acaba de depor o meio-irmão Huáscar num conflito que divide o império, quando Pizarro chega, em 1531, em nome de Carlos V, da Espanha, imperador do Sacro Império Romano-Germânico, o monarca mais poderoso na época.

Ao saber da guerra, Pizarro recruta soldados de Huáscar e manda o irmão Hernán convidar Ataualpa para uma festa em homenagem a sua entronização na cidade de Cajamarca e convencer o inca a ir desarmado.

Ataualpa vai com 5 mil homens desarmados. Pizarro envia o frei Vicente de Valverde, que dá uma Bíblia ao imperador inca e o intima a se converter ao cristianismo e se submeter ao imperador Carlos V. O inca se recusa e joga a Bíblia no chão.

As tropas da Pizarro então abrem fogo, encurralam os incas nas ruelas de Cajamarca e massacram os 5 mil soldados de Ataualpa em uma hora.

Por achar que Ataualpa tem mais valor vivo do que morto, Pizarro salva a vida do imperador, que oferece uma sala cheia de ouro e prata como resgate. O conquistador aceita, mas denuncia Ataualpa por incitar à rebelião.

Condenado, Ataualpa seria queimado vivo numa fogueira, a pena de morte dos espanhóis para pagãos. Valverde oferece clemência se ele se converter. O imperador aceita, mas é estrangulado em 29 de agosto de 1533.

CACHOEIRA DE VITÓRIA

    Em 1855, o explorador britânico David Livingstone é o primeiro europeu a chegar à Cachoeira de Vitória, no coração da África.

O Dr. Livingstone, médico, cientista, missionário, explorador e abolicionista escocês, viaja por todo o Deserto do Kalahari, percorre o Rio Zambeze e descobre as espetaculares Cataratas de Vitória, em 16 de novembro de 1855, batizando-as em homenagem à Rainha da Inglaterra.

A área é preservada hoje como Parque Nacional Mosi-oa-Tunya (Fumo que Troveja), o nome local da cachoeira, na Zâmbia. Desde 1989, é patrimônio cultural da humanidade mantido pela Unesco (Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura).

Ao chegar à foz do Zambeze, no Oceano Índico, em 1842, o Dr. Livingstone se torna o primeiro ocidental a cruzar a África Meridional de costa a costa. Em 15 anos, atravessa duas vezes o Deserto de Kalahari, vai de Angola a Moçambique pelo Zambeze, descobre as cataratas de Vitória e é o primeiro europeu a atravessar o Lago Tanganica. Cruza o Quênia, a Tanzânia e Uganda.

Em 1866, o Dr. Livingstone sai do porto de Zanzibar, no Oceano Índico, para chegar ao Lago Niassa. Abandonado por guias africanos que roubam a comida e os medicamentos, enfraquecido pela malária, chega à aldeia Ujiji, no lago Tanganica.

Desaparecido há anos, é dado como morto na Inglaterra quando quando o jornal nova-iorquino New York Herald encarrega o repórter Henry Stanley de encontrá-lo, em março de 1871. Com um batalhão de 200 guias e carregadores, encontra o Dr. Livingstone entre 24 e 28 de outubro, de acordo com o diário do explorador, ou 10 de novembro de 1871. 

Ao encontrar o explorador, Stanley diz uma frase que entrou para a história: “Dr. Livingstone, eu presumo?” A resposta: “Sim, eu me sinto muito grato por recebê-lo”. Stanley insiste para que volte para a Inglaterra, mas Livingstone tinha dedicado sua vida à África. Frágil e doente depois de muitas malárias, David Livingstone morre na aldeia do chefe chitambo, na Rodésia do Norte, hoje Zâmbia, em 1º de maior de 1873. 

MULHER NO PODER EM PAÍS MUÇULMANO

    Em 1988, Benazir Bhutto se torna a primeira mulher a governar um país muçulmano na era moderna.

Filha mais velha do primeiro-ministro Zulfikar Ali Bhutto, Benazir estuda nas universidades de Harvard, nos Estados Unidos, e de Oxford, na Inglaterra. Quando o general Zia ul-Haq deu um golpe, em 1979, e o pai foi executado, em 1979, Benazir se tornou sua herdeira política.

Com a morte de Zia num acidente de avião com suspeita de sabotagem, em 17 de agosto de 1988, e a redemocratização do Paquistão, Benazir lidera e leva à vitória o Partido Popular Paquistanês, conquistando seu lugar na história.

Benazir governa de 2 de dezembro de 1988 a 6 de agosto de 1990 e de 18 de outubro de 1993 a 5 de novembro de 1996. Com a derrota nas eleições de 1997, Benazir vai para o exterior. Por uma década, vive entre Londres e Dubai. Volta ao Paquistão em 2007 para disputar as eleições de 2008. Durante a campanha eleitoral, é assassinada num atentado terrorista atribuído a extremistas muçulmanos, em 27 de dezembro de 2007.

quinta-feira, 29 de agosto de 2024

Hoje na História do Mundo: 29 de Agosto

 FIM DO IMPÉRIO INCA

    Em 1533, o conquistador espanhol do Peru, Francisco Pizarro, executa o 13º e último imperador inca, Ataualpa, marco do fim de 300 anos da maior civilização pré-colombiana da América do Sul. Os incas ergueram um império com 14 milhões de súditos que, no seu auge, ia do Sul da Colômbia ao Norte do Chile.

Eles constroem sua civilização, o Império Inca ou Tahuantinsuyo, seu nome na língua quêchua, no altiplano da Cordilheira dos Andes, inicialmente no Peru. Não têm escrita, mas criam um governo sofisticado, com método estatístico, um sistema agrícola brilhante, grandes obras públicas e construções monumentais. Até hoje a engenharia não explica como moveram pedras de toneladas.

Cinco anos antes de chegada dos conquistadores, uma disputa pela sucessão causa uma guerra civil ruinosa. Em 1532, Ataualpa vence o irmão Huáscar numa batalha perto de Cusco, a capital do império. Está consolidando o poder quando Pizarro chega com 180 homens.

Filho da aristocracia espanhola, Pizarro trabalha como criador de porcos quando jovem. Em 1502, se torna um soldado e vai para Hispaniola, a ilha hoje dividida entre Haiti e República Dominicana, onde Cristóvão Colombo começa a colonização da América em 1492.

Pizarro serve ao conquistador Alejandro de Ojeda na expedição à Colômbia, em 1510, e a Vasco Núñez Balboa quando este descobre o Oceano Pacífico, no Panamá, em 1513. 

Ao saber da grande riqueza do Império Inca, Pizarro se une a Diego de Almagro. Em 1524, eles saem do atual Panamá, mas só vão até onde hoje é o Equador. Na segunda expedição, entram no que hoje é território peruano, batizam a terra de Peru e a reivindicam para a coroa espanhola.

De volta ao Panamá, Pizarro planeja conquistar o Peru, mas não tem o apoio do governo colonial espanhol na América. Depois da conquista do México por Hernán Cortez, em 1521, Pizarro vai à Espanha em 1528 e consegue apoio do imperador Carlos V, do Sacro Império Romano-Germânico, que sonha em criar uma monarquia universal.

Em 15 de dezembro de 1532, o pequeno exército de Pizarro, com 180 soldados, chega a Cajamarca, onde Ataualpa relaxa em águas termais antes de marchar rumo a Cusco, a capital do irmão. O conquistador convida o imperador para uma festa.

Com um exército de 30 mil homens, logo depois de vencer a maior batalha da história inca, Ataualpa não teme os homens de Pizarro. É alvo de uma emboscada.

Ataualpa vai ao local do encontro com um séquito de milhares de homens aparentemente desarmados. Pizarro envia um padre como emissário e intima Ataualpa a aceitar a soberania do imperador Carlos V e o cristianismo. 

Quando o imperador inca rejeita e joga a Bíblia no chão, Pizarro ordena o ataque com arcabuzes, canhões e cavalaria, armas que os incas desconhecem. Milhares de incas são massacrados e Ataualpa é preso.

Mesmo pagando o maior resgate da história, Ataualpa é processado pela morte do irmão, por conspirar contra a coroa espanhola e outros delitos menores. Amarrado a um poste, tem a última escolha: ser queimado vivo ou se converter ao cristianismo e morrer pelo garrote vil. Na esperança de preservar seu corpo para mumificação, escolhe o garrote.

INÍCIO DA GUERRA DOS SETE ANOS

    Em 1756, a tentativa do Império Austríaco dos Habsburgo de reconquistar a Silésia, uma província oriental alemã tomada por Frederico II, da Prússia, na Guerra da Sucessão Austríaca (1740-48), dá início à Guerra dos Sete Anos (1756-63).

É a última grande guerra na Europa antes da Revolução Francesa. A Áustria, a França, a Rússia, a Saxônia e a Suécia enfrentam a Prússia, o Reino Unido, Portugal e Hanôver, que saem vencedores. Na América do Norte, a Guerra Franco-Indígena (1754-63) começa dois anos antes com uma guerra indígena em que algonquinos e hurões se aliam aos franceses e os iroqueses aos britânicos.

Em consequência da derrota, o Império Francês perde suas possessões na Índia e a maior das colônias na América do Norte para o Império Britânico. É uma guerra mundial, assim como a Guerra dos Trinta Anos (1618-48), quando a Holanda invade o Nordeste do Brasil.

A Guerra dos Sete Anos é uma das causas da independência dos Estados Unidos (1776) e da Revolução Francesa de 1789. Quando a coroa britânica aumenta impostos para recuperar as finanças abaladas pela guerra, os colonos norte-americanos, que sustentaram o esforço de guerra do Império Britânico com vidas e recursos materiais, se rebelam. Na França, além do custo econômico da guerra, invernos rigorosos reduzem a produção de alimentos e provocam a fome. 

CHINA CEDE HONG KONG

    Em 1842, no fim da Primeira Guerra do Ópio (1839-42), no Tratado de Nanquim, o imperador Dauguang, da Dinastia Ching (manchu), cede Hong Kong e paga indenização de US$ 21 milhões ao Império Britânico pelas vidas perdidas, abre cinco portos ao comércio, limita as tarifas de importação e exportação, e dá aos britânicos que cometam crimes em território chinês o direito de serem julgados por tribunais do Reino Unido.

É a primeira derrota e o primeiro tratado desigual do que os chineses chamam de "século da humilhação" diante dos imperialismos ocidental e japonês.

O tratado é assinado pelos cônsules negociadores Henry Pottinger, Chi Ying e Yi Libu a bordo do navio Cornwallis. As negociações começam depois que os britânicos tomam o porto de Zhenjiang em 23 de junho de 1839. São rápidas por causa da pouca experiência dos chineses em política externa e acordos comerciais. As cidades abertas a súditos da rainha Vitória são Cantão, Fuzhou, Ningbo, Xangai e Xiamei.

A China perde a Segunda Guerra do Ópio (1856-60) e a Primeira Guerra Sino-Japonesa (1894-95) para o Japão, que invade a Manchúria em 1931 e as principais cidades da China em 1937. A ocupação vai até o fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45).

O "século da humilhação" termina com a vitória da revolução comunista liderada por Mao Tsé-tung em 1º de outubro de 1949. Mao vai a Moscou assinar o Tratado de Aliança, Cooperação e Amizade com a União Soviética, em 14 de fevereiro de 1950, mas precisa esperar 50 dias no gelado inverno russo para ser recebido por Josef Stalin, que dita os termos do acordo.

Em 1º de julho de 1997, o Reino Unido devolve Hong Kong à China com a promessa de que o regime chinês manteria a autonomia do território durante 50, mas o ditador Xi Jinping rompe o compromisso ao impor uma Lei de Segurança Nacional draconiana em 30 de junho de 2020. Acaba assim com a fórmula "um país, dois sistemas", criada pelo então líder Deng Xiaoping tendo em vista também a reunificação com Taiwan.

BOMBA NUCLEAR SOVIÉTICA

    Em 1949, a União Soviética explode sua primeira bomba atômica, chamada de Primeiro Raio, num remoto campo de testes em Semipalatinisk, no Casaquistão, acabando com o monópolio dos Estados Unidos em armas nucleares.

Desde 1939, o físico soviético Gueorgui Flyorov suspeita que as potências ocidentais estão desenvolvendo uma superbomba. Ele escreve uma carta ao ditador Josef Stalin propondo que a URSS faça a bomba atômica. O projeto é adiado pela invasão da Alemanha Nazista à URSS, em 22 de junho de 1941. No início, se limita a espionagem do Projeto Manhattan nos EUA.

Com a explosão das bombas de Hiroxima e Nagasáki pelos EUA no Japão em 6 a 9 de agosto de 1945, a URSS acelera o projeto com a captura de cientistas ligados ao projeto da bomba atômica da Alemanha e a espionagem nos EUA.

Para avaliar o impacto da explosão atômica de plutônio, feita com base na bomba de Nagasáki (Homem Gordo), os cientistas soviéticos constroem edifícios, pontes e outras estruturas urbanas. Também colocam mamíferos perto do local da explosão para ver o efeito da radiação. 

A bomba tem a força de 20 quilotons (20 mil toneladas de dinamite), mas ou menos a mesma potência da Trinity (Trindade), a primeira bomba detonada experimentalmente pelos EUA, em Alamogordo, no Novo México, em 16 de julho de 1945.

Começa o equilíbrio do terror nuclear.

FURACÃO KATRINA ARRASA

    Em 2005, o furacão de Katrina, de categoria 5 sobre o Oceano Atlântico e 3 ao chegar em terra, arrasa uma região do Sul dos Estados Unidos, especialmente a cidade de Nova Orleans, que é alagada em 80% de sua área, causando a morte de 1.836 pessoas, principalmente nos estados da Louisiana e do Mississípi, e prejuízos de mais de US$ 125 bilhões.

Outras 135 pessoas estão desaparecidas até hoje. Mesmo sendo apenas o terceiro furacão mais forte da temporada, é o terceiro pior da história dos EUA. Com a enchente, Nova Orleans vira uma terra sem lei. Gangues invadem casas abandonadas para roubar e atacam moradores que ficam na cidade.

Diante da omissão do governo George W. Bush com uma população flagelada majoritariamente negra, o jovem senador Barack Obama se destaca na linha de frente da ajuda às vítimas.

quinta-feira, 16 de novembro de 2023

Hoje na História do Mundo: 16 de Novembro

EMBOSCADA PARA O INCA

    Em 1532, com apenas 200 homens, o conquistador espanhol Francisco Pizarro arma uma emboscada para capturar Ataualpa, o último imperador do Império Inca, que tem um exército de 80 mil homens.

O Império Inca está saindo de uma guerra civil. Ataualpa, filho mais jovem do inca Huayna Capac, acaba de depor o meio-irmão Huascar num conflito que divide o império, quando Pizarro chega, em 1531, em nome de Carlos V, da Espanha, imperador do Sacro Império Romano-Germânico, o monarca mais poderoso na época.

Ao saber da guerra, Pizarro recruta soldados de Huáscar e manda o irmão Hernán convidar Ataualpa para uma festa em homenagem a sua entronização na cidade de Cajamarca e convencer o inca a ir desarmado.

Ataualpa vai com 5 mil homens desarmados. Pizarro envia o frei Vicente de Valverde, que dá uma Bíblia ao imperador inca e o intima a se converter ao cristianismo e se submeter ao imperador Carlos V. O inca se recusa e joga a Bíblia no chão.

As tropas da Pizarro então abrem fogo, encurralam os incas nas ruelas de Cajamarca e massacram os 5 mil soldados de Ataualpa em uma hora.

Por achar que Ataualpa tem mais valor vivo do que morto, Pizarro salva a vida do imperador, que oferece uma sala cheia de ouro e prata como resgate. O conquistador aceita, mas denuncia Ataualpa por incitar à rebelião.

Condenado, Ataualpa seria queimado vivo numa fogueira, a pena de morte dos espanhóis para pagãos. Valverde oferece clemência se ele se converter. O imperador aceita, mas é estrangulado em 29 de agosto de 1533.

CACHOEIRA DE VITÓRIA

    Em 1855, o explorador britânico David Livingstone é o primeiro europeu a chegar à Cachoeira de Vitória, no coração da África.

MULHER NO PODER EM PAÍS MUÇULMANO

    Em 1988, Benazir Bhutto se torna a primeira mulher a governar um país muçulmano na era moderna.

Filha mais velha do primeiro-ministro Zulfikar Ali Bhutto, Benazir estou nas universidades de Harvard, nos Estados Unidos, e de Oxford, na Inglaterra. Quando o general Zia ul-Haq deu um golpe, em 1979, e o pai foi executado, em 1979, Benazir se tornou sua herdeira política.

Com a morte de Zia num acidente de avião com suspeita de sabotagem, em 17 de agosto de 1988, e a redemocratização do Paquistão, Benazir liderou e levou à vitória o Partido Popular Paquistanês e conquistou seu lugar na história.

Benazir governa de 2 de dezembro de 1988 a 6 de agosto de 1990 e de 18 de outubro de 1993 a 5 de novembro de 1996. Com a derrota nas eleições de 1997, Benazir vai para o exterior. Por uma década, vive entre Londres e Dubai. Volta ao Paquistão em 2007 para disputar as eleições de 2008. Durante a campanha eleitoral, é assassinada num atentado terrorista atribuído a extremistas muçulmanos, em 27 de dezembro de 2007.