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sábado, 29 de agosto de 2026

Hoje na História do Mundo: 29 de Agosto

FIM DO IMPÉRIO INCA

    Em 1533, o conquistador espanhol do Peru, Francisco Pizarro, executa o 13º e último imperador inca, Ataualpa, marco do fim de 300 anos da maior civilização pré-colombiana da América do Sul. Os incas ergueram um império com 14 milhões de súditos que, no seu auge, ia do Sul da Colômbia ao Norte do Chile.

Eles constroem sua civilização, o Império Inca ou Tahuantinsuyo, seu nome na língua quêchua, no altiplano da Cordilheira dos Andes, inicialmente no Peru. Não têm escrita, mas criam um governo sofisticado, com método estatístico, um sistema agrícola brilhante, grandes obras públicas e construções monumentais. Até hoje, a engenharia não explica como moveram pedras de toneladas.

Cinco anos antes de chegada dos conquistadores, uma disputa pela sucessão causa uma guerra civil ruinosa. Em 1532, Ataualpa vence o irmão Huáscar numa batalha perto de Cusco, a capital do império. Está consolidando o poder quando Pizarro chega com 180 homens.

Filho da aristocracia espanhola, Pizarro trabalha como criador de porcos quando jovem. Em 1502, se torna um soldado e vai para Hispaniola, a ilha hoje dividida entre Haiti e República Dominicana, onde Cristóvão Colombo começa a colonização da América em 1492.

Pizarro serve ao conquistador Alejandro de Ojeda na expedição à Colômbia, em 1510, e a Vasco Núñez Balboa quando este descobre o Oceano Pacífico, no Panamá, em 1513. 

Ao saber da grande riqueza do Império Inca, Pizarro se une a Diego de Almagro. Em 1524, eles saem do atual Panamá, mas só vão até onde hoje é o Equador. Na segunda expedição, entram no que hoje é território peruano, batizam a terra de Peru e a reivindicam para a coroa espanhola.

De volta ao Panamá, Pizarro planeja conquistar o Peru, mas não tem o apoio do governo colonial espanhol na América. Depois da conquista do México por Hernán Cortez, em 1521, Pizarro vai à Espanha em 1528 e consegue apoio do imperador Carlos I da Espanha e Carlos V do Sacro Império Romano-Germânico, que sonha em criar uma monarquia universal.

Em 15 de dezembro de 1532, o pequeno exército de Pizarro, com 180 soldados, chega a Cajamarca, onde Ataualpa relaxa em águas termais antes de marchar rumo a Cusco, a capital do irmão. O conquistador convida o imperador para uma festa.

Com um exército de 30 mil homens, logo depois de vencer a maior batalha da história inca, Ataualpa não teme os homens de Pizarro. É alvo de uma emboscada.

Ataualpa vai ao local do encontro com um séquito de milhares de homens aparentemente desarmados. Pizarro envia um padre como emissário e intima Ataualpa a aceitar a soberania do imperador Carlos V e o cristianismo. 

Quando o imperador inca rejeita e joga a Bíblia no chão, Pizarro ordena o ataque com arcabuzes, canhões e cavalaria, armas que os incas desconhecem. Milhares de incas são massacrados e Ataualpa é preso.

Mesmo pagando o maior resgate da história, Ataualpa é processado pela morte do irmão, por conspirar contra a coroa espanhola e outros delitos menores. Amarrado a um poste, tem a última escolha: ser queimado vivo ou se converter ao cristianismo e morrer pelo garrote vil. Na esperança de preservar seu corpo para mumificação, escolhe o garrote.

INÍCIO DA GUERRA DOS SETE ANOS

    Em 1756, a tentativa do Império Austríaco dos Habsburgo de reconquistar a Silésia, uma província oriental alemã tomada por Frederico II, da Prússia, na Guerra da Sucessão Austríaca (1740-48), dá início à Guerra dos Sete Anos (1756-63).

É a última grande guerra na Europa antes da Revolução Francesa. A Áustria, a França, a Rússia, a Saxônia e a Suécia enfrentam a Prússia, o Reino Unido, Portugal e Hanôver, que saem vencedores. Na América do Norte, a Guerra Franco-Indígena (1754-63) começa dois anos antes com uma guerra indígena em que algonquinos e hurões se aliam aos franceses e os iroqueses aos britânicos.

Em consequência da derrota, o Império Francês perde suas possessões na Índia e a maior parte das colônias na América do Norte para o Império Britânico. É uma guerra mundial, assim como a Guerra dos Trinta Anos (1618-48), quando a Holanda invade o Nordeste do Brasil.

A Guerra dos Sete Anos é uma das causas da independência dos Estados Unidos (1776) e da Revolução Francesa de 1789. Quando a coroa britânica aumenta impostos para recuperar as finanças abaladas pela guerra, os colonos norte-americanos, que sustentaram o esforço de guerra do Império Britânico com vidas e recursos materiais, se rebelam. Na França, além do custo econômico da guerra, invernos rigorosos reduzem a produção de alimentos e provocam fome. 

CHINA CEDE HONG KONG

    Em 1842, no fim da Primeira Guerra do Ópio (1839-42), no Tratado de Nanquim, o imperador Dauguang, da Dinastia Ching (manchu), cede Hong Kong e paga indenização de US$ 21 milhões ao Império Britânico pelas vidas perdidas, abre cinco portos ao comércio, limita as tarifas de importação e exportação, e dá aos britânicos que cometam crimes em território chinês o direito de serem julgados por tribunais do Reino Unido.

É a primeira derrota e o primeiro tratado desigual do que os chineses chamam de "século da humilhação" diante dos imperialismos ocidental e japonês.

O tratado é assinado pelos cônsules negociadores Henry Pottinger, Chi Ying e Yi Libu a bordo do navio Cornwallis. As negociações começam depois que os britânicos tomam o porto de Zhenjiang em 23 de junho de 1839. São rápidas por causa da pouca experiência dos chineses em política externa e acordos comerciais. As cidades abertas a súditos da rainha Vitória são Cantão, Fuzhou, Ningbo, Xangai e Xiamei.

A China perde a Segunda Guerra do Ópio (1856-60) e a Primeira Guerra Sino-Japonesa (1894-95) para o Japão, que invade a Manchúria em 1931 e as principais cidades da China em 1937 na Segunda Guerra Sino-Japonesa. A ocupação vai até o fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45).

O "século da humilhação" termina com a vitória da revolução comunista liderada por Mao Tsé-tung em 1º de outubro de 1949. Mao vai a Moscou assinar o Tratado de Aliança, Cooperação e Amizade com a União Soviética, em 14 de fevereiro de 1950, mas precisa esperar 50 dias no gelado inverno russo para ser recebido por Josef Stalin, que dita os termos do acordo.

Em 1º de julho de 1997, o Reino Unido devolve Hong Kong à China com a promessa de que o regime chinês manteria a autonomia do território durante 50, mas o ditador Xi Jinping rompe o compromisso ao impor uma Lei de Segurança Nacional draconiana em 30 de junho de 2020. Acaba assim com a fórmula "um país, dois sistemas", criada pelo então líder supremo Deng Xiaoping tendo em vista também a reunificação com Taiwan.

BOMBA NUCLEAR SOVIÉTICA

    Em 1949, a União Soviética explode sua primeira bomba atômica, chamada de Primeiro Raio, num remoto campo de testes em Semipalatinisk, no Casaquistão, acabando com o monópolio dos Estados Unidos em armas nucleares.

Desde 1939, o físico soviético Gueorgui Flyorov suspeita que as potências ocidentais estão desenvolvendo uma superbomba. Ele escreve uma carta ao ditador Josef Stalin propondo que a URSS faça a bomba atômica. O projeto é adiado pela invasão da Alemanha Nazista à URSS, em 22 de junho de 1941. No início, se limita a espionagem do Projeto Manhattan nos EUA.

Com a explosão das bombas de Hiroxima e Nagasáki pelos EUA no Japão em 6 a 9 de agosto de 1945, a URSS acelera o projeto com a captura de cientistas ligados ao projeto da bomba atômica da Alemanha e a espionagem nos EUA.

Para avaliar o impacto da explosão atômica de plutônio, feita com base na bomba de Nagasáki (Homem Gordo), os cientistas soviéticos constroem edifícios, pontes e outras estruturas urbanas. Também colocam mamíferos perto do local da explosão para ver o efeito da radiação. 

A bomba tem a força de 20 quilotons (20 mil toneladas de dinamite), mas ou menos a mesma potência da Trinity (Trindade), a primeira bomba detonada experimentalmente pelos EUA, em Alamogordo, no Novo México, em 16 de julho de 1945.

Começa o equilíbrio do terror nuclear.

FURACÃO KATRINA ARRASA

    Em 2005, o furacão de Katrina, de categoria 5 sobre o Oceano Atlântico e 3 ao chegar em terra, arrasa uma região do Sul dos Estados Unidos, especialmente a cidade de Nova Orleans, que é alagada em 80% de sua área, causando a morte de 1.836 pessoas, principalmente nos estados da Louisiana e do Mississípi, e prejuízos de mais de US$ 125 bilhões.

Outras 135 pessoas estão desaparecidas até hoje. Mesmo sendo apenas o terceiro furacão mais forte da temporada, é o terceiro pior da história dos EUA. Com a enchente, Nova Orleans vira uma terra sem lei. Gangues invadem casas abandonadas para roubar e atacam moradores que ficam na cidade.

Diante da omissão do governo George W. Bush com uma população flagelada majoritariamente negra, o jovem senador Barack Obama se destaca na linha de frente da ajuda às vítimas.

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sexta-feira, 24 de julho de 2026

Hoje na História do Mundo: 24 de Julho

MARIA I DA ESCÓCIA ABDICA

   Em 1567, Maria Stuart, Maria I da Escócia é obrigada a abdicar em favor de seu filho Jaime VI, de apenas um ano de idade.

Maria ascende ao trono com apenas seis dias, em 1542, com a morte de seu pai, Jaime V.

Forçada a abdicar por uma revolta na Escócia, ela tenta recuperar o trono, não consegue e foge para a Inglaterra, onde é vista como uma ameaça por sua prima protestante Elizabeth I porque havia reivindicado a coroa inglesa e era considerada pelos católicos como a legítima rainha da Inglaterra.

Depois de ficar 18 anos e meio detida, Maria I, Rainha da Escócia, é condenada sob a acusação de conspirar para matar Elizabeth I e executada em 1586.

Como Elizabeth I, a Rainha Virgem, não tem filhos, Jaime VI, da Escócia, herda o trono da Inglaterra em 1603 como Jaime I e faz um túmulo para a mãe na Abadia de Westminster tão imponente quanto o da rival.

MÓRMONS FUNDAM CIDADE DO LAGO SALGADO

   Em 1847, depois de 17 meses e milhares de quilômetros de viagem, 148 peregrinos mórmons liderados por Brigham Young fundam em Utah a Cidade do Lago Salgado. Em breve, chegam milhares de fiéis da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias.

A grande migração é decidida depois do assassinato no fundador da seita, Joseph Smith. Ele nasce em Vermont em 1805. Aos 18 anos, diz ter recebido a visita de um anjo chamado Moroni que lhe revela um texto sagrado desaparecido, que teria sido escrito e gravado em placas de ouro por nativos norte-americanos no século 4, com relato sobre uma colônia israelita que teria existido na América em tempos ancestrais.

Durante anos, Smith dita o texto para sua mulher e outros escribas. Em 1830, é publicado o Livro de Mórmon. No mesmo ano, ele funda a Igreja de Cristo, que depois muda de nome para Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias.

A religião logo atrai devotos, mas provoca críticas por adotar práticas como a poligamia. Em 1844, Smith anuncia sua candidatura à Presidência dos EUA, o que aumenta a reação contra sua seita. Depois de destruir a gráfica de um jornal que critica sua religião, Smith convoca uma milícia para defendê-lo na cidade de Nauvu, em Illinois.

Acusados de traição e conspiração, ele e o irmão são presos e mortos por uma malta que invade a prisão em 27 de junho de 1844. Dois anos depois, seu sucessor, Brigham Young, lidera uma fuga para o Oeste para escapar da perseguição e funda a Cidade do Lago Salgado.

Em 1850, o presidente Millard Fillmore nomeia Young governador do território de Utah. que tem autonomia relativa durante sete anos, até que chegam a Washington notícias de violação da lei federal com a prática de poligamia.

O presidente James Buchanan afasta Young, que tinha 20 esposas, em 1857, e envia forças do Exército dos EUA para impor a autoridade federal. Young morre em 1877 e é sucedido por John Taylor como chefe da igreja.

Com um novo líder, Wilford Woodruff, a igreja mórmon abandona a poligamia em 1890. Seis anos depois, Utah se torna o 45º estado da União.

Hoje o Lago Salgado está ameaçado de secar por causa da drenagem de água para agricultura, indústria e abastecimento da cidade, do aquecimento global e das secas mais frequentes.

DESCOBERTA DE MACHU PICCHU

   Em 1911, o arqueólogo norte-americano Hiram Bingham descobre Machu Picchu, no Peru, uma cidade sagrada do Império Inca que se torna um dos principais destinos turísticos do mundo.

Com a conquista espanhola, a civilização inca desaparece. Só os moradores da região conhecem a cidade. Bingham e sua equipe exploram o vale do Rio Urubamba no lombo de mulas quando um camponês lhe fala das ruínas de Machu Picchu (Velho Pico, em quêchua, a língua indígena).

Um garoto de 11 anos o guia na etapa final da trilha, em meio ao frio do inverno na Cordilheira dos Andes. A cidade se estende por 5 quilômetros, tem mais de 3 mil degraus de pedra e recebe 300 mil turistas por ano.

LIBERTAÇÃO DE MAJDANEK

    Em 1944, o Exército Vermelho da União Soviética liberta o campo de concentração e centro de extermínio de Majdanek, nos arredores de Lublin, na Polônia, seis meses da libertação de Auschwitz.

Pelo

Majdanek recebe os primeiros presos, na maioria prisioneiros de guerra soviéticos, em outubro de 1941, depois que a Alemanha Nazista invade a URSS, em junho daquele ano. Quase todos morrem de fome ou de frio.

Depois que os nazistas aprovam a "solução final da questão judaico", a tentativa de exterminar os judeus da Europa, na Conferência de Wannsee, em Berlim em 20 da janeiro de 1942, Majdanek vira um centro de extermínio de judeus, primeiro da Boêmia e da Morávia, regiões que hoje são da República Tcheca, e depois da Polônia, da Holanda e da Grécia.

Como Auschwitz, Majdanek é um centro de extermínio e um campo de concentração e de trabalhos forçados. Com sete câmaras de gás e duas forcas de madeira, é um dos maiores entre os 44 mil campos e outros locais de encarceramento como guetos criados pelos nazistas. Em setembro de 1943, os nazistas instalam um grande crematório com cinco fornos.

No início, os prisioneiros são mortos por pelotões de fuzilamento numa floresta próxima. Depois, passa a haver execuções em massa em câmaras de gás e os corpos são incinerados. Alguns campos auxiliares como Travniki surgem ao redor de Majdanek.

Durante quatro anos, ao redor de 500 mil pessoas de 28 países e 54 nacionalidades passam por Majdanek. Pelo menos 80 mil pessoas morrem no campo principal, 60% de fome, frio, tortura ou doença e 40% executadas. Entre 15 e 20 mil judeus são mortos nos campos secundários de Trawnicki e Poniatowa. 

Ao todo, entre 95 e 130 mil pessoas morrem no complexo de campos de Majdanek. Primeiro, as câmaras de gás usavam monóxido de carbono, como em Belzec. Mais tarde, adotam o cianeto de hidrogênio, um sal do ácido cianídrico.

VOLTA DA APOLO 11

    Em 1969, a nave espacial Apolo 11 volta à Terra depois de levar os primeiros astronautas a pisar na Lua, Neil Armstrong e Edward Aldrin.

No início dos anos 1960, o presidente John Kennedy decide que os Estados Unidos, que saem atrás da União Soviética na corrida espacial, vão mandar um homem à Lua antes do fim da década. 

A Apolo 11 parte de Cabo Canaveral, na Flórida, em 16 de julho. Depois de viajar 384 mil quilômetros em 76 horas, a espaçonave entra na órbita da Lua.

No dia seguinte, o módulo lunar Águia se separa da nave-mãe, onde fica o terceiro astronauta, Michael Collins (no centro da foto), e desce com os astronautas Neil Armstrong (esquerda) e Edward Aldrin (direita). Três horas e dois minutos depois, pousa no Mar da Tranquilidade e a missão manda a mensagem histórica: "A Águia pousou." 

Dezessete minutos mais tarde, Armstrong toca o solo do satélite da Terra e pronuncia outra frase histórica: "Um pequeno passo para o homem, um salto gigantesco para a humanidade." 

Aldrin desce 15 minutos depois. Os dois hasteiam a bandeira dos EUA, tiram fotos e recolhem amostras da superfície lunar. Duas horas e 58 minutos depois que Armstrong pisa na Lua, os dois voltam ao módulo e sobem rumo à Apolo 11, que chega à Terra em 24 de julho.

SUPREMA CORTE MANDA NIXON ENTREGAR FITAS

    Em 1974, durante o Escândalo de Watergate, a Suprema Corte dos Estados Unidos decide que o presidente tem de entregar as fitas com as gravações das reuniões no Salão Oval da Casa Branca ao procurador especial Leon Jaworski. É um golpe fatal.

Na madrugada de 17 de junho de 1972, a polícia de Washington prende cinco arrombadores por invadir a sede do diretório nacional do Partido Democrata, no Edifício Watergate. Quatro trabalharam como agentes da CIA (Agência Central de Inteligência) contra o regime comunista de Fidel Castro em Cuba. Três são cubanos.

Quando o repórter Carl Bernstein, do jornal The Washington Post, vai ao tribunal, desconfia porque alguns dos advogados mais caros da capital dos EUA não defenderiam cinco ladrõezinhos ou criminosos comuns. Era o grupo de encanadores da Casa Branca.

Aí começa uma das mais importantes investigações jornalísticas da história. Com a ajuda de uma fonte citada como Garganta Profunda (título de um filme pornô da época), que muitos depois se revelou como Mark Felt, subdiretor do FBI, a polícia federal dos EUA, Carl Berstein e Bob Woodward, os dois do Post, descobrem uma conspiração que leva até o presidente dos EUA.

O sistema de gravação de conversas é instalado no Salão Oval, o gabinete do presidente dos EUA, em fevereiro de 1971 e desativado em 18 de julho de 1973, dois dias depois da revelação de sua existência por Alexander Butterfield, um assessor da Casa Branca, em depoimento na comissão parlamentar de inquérito sobre o Escândalo de Watergate .

Nixon não é o primeiro presidente dos EUA a gravar suas reuniões. Começa com Franklin Delano Roosevelt em 1940. A recusa de Nixon em aceitar a intimação do Congresso é uma das bases do processo de impeachment que causa a renúncia do presidente em 9 de agosto de 1974.

Todos os envolvidos no Escândalo de Watergate são condenados e presos, menos Nixon, que recebe o perdão presidencial de seu sucessor, Gerald Ford.

Em 19 de agosto de 2013, a Biblioteca Presidencial Richard Nixon divulga as últimas 340 horas das gravações, de 9 de abril a 12 de julho de 1973. Eles revelam que logo depois de prometer à população que não acobertaria o escândalo Nixon pressiona o ministro da Justiça a não indicar um procurador especial para o caso e instrui um ex-assessor a se esquivar de perguntas alegando razões de segurança nacional.

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domingo, 16 de novembro de 2025

Hoje na História do Mundo: 16 de Novembro

 NASCE O SEGUNDO IMPERADOR ROMANO

    Em 42 antes de Cristo, nasce em Roma Tibério Cláudio Nero, o segundo imperador romano, filho adotivo de Otávio César Augusto, o primeiro imperador.

Filho de Tibério Cláudio Nero e Lívia Drusa, uma bela mulher que se divorcia e casa com Otávio em 38 AC, quando o padrasto ainda não é imperador. Mais tarde, casa-se com Júlia, a Velha, filha de Otávio.

Grande general, Tibério Cláudio Nero César estabelece a fronteira norte do império com as campanhas na Panônia, Ilíria, Récia e Germânia. O naturalista Plínio, o Velho, o descreveu como "o mais triste dos homens". 

Durante seu reinado, que vai de 14 a 37 depois de Cristo, Jesus é crucificado.

EMBOSCADA PARA O INCA

    Em 1532, com apenas 200 homens, o conquistador espanhol Francisco Pizarro arma uma emboscada para capturar Ataualpa, o último imperador do Império Inca, que tem um exército de 80 mil homens.

O Império Inca está saindo de uma guerra civil. Ataualpa, filho mais jovem do inca Huayna Capac, acaba de depor o meio-irmão Huáscar num conflito que divide o império, quando Pizarro chega, em 1531, em nome de Carlos V, da Espanha, imperador do Sacro Império Romano-Germânico, o monarca mais poderoso na época.

Ao saber da guerra, Pizarro recruta soldados de Huáscar e manda o irmão Hernán convidar Ataualpa para uma festa em homenagem a sua entronização na cidade de Cajamarca e convencer o inca a ir desarmado.

Ataualpa vai com 5 mil homens desarmados. Pizarro envia o frei Vicente de Valverde, que dá uma Bíblia ao imperador inca e o intima a se converter ao cristianismo e se submeter ao imperador Carlos V. O inca se recusa e joga a Bíblia no chão.

As tropas da Pizarro então abrem fogo, encurralam os incas nas ruelas de Cajamarca e massacram os 5 mil soldados de Ataualpa em uma hora.

Por achar que Ataualpa tem mais valor vivo do que morto, Pizarro salva a vida do imperador, que oferece uma sala cheia de ouro e prata como resgate. O conquistador aceita, mas denuncia Ataualpa por incitar à rebelião.

Condenado, Ataualpa seria queimado vivo numa fogueira, a pena de morte dos espanhóis para pagãos. Valverde oferece clemência se ele se converter. O imperador aceita, mas é estrangulado em 29 de agosto de 1533.

CACHOEIRA DE VITÓRIA

    Em 1855, o explorador britânico David Livingstone é o primeiro europeu a chegar à Cachoeira de Vitória, no coração da África.

O Dr. Livingstone, médico, cientista, missionário, explorador e abolicionista escocês, viaja por todo o Deserto do Kalahari, percorre o Rio Zambeze e descobre as espetaculares Cataratas de Vitória, em 16 de novembro de 1855, batizando-as em homenagem à Rainha da Inglaterra.

A área é preservada hoje como Parque Nacional Mosi-oa-Tunya (Fumo que Troveja), o nome local da cachoeira, na Zâmbia. Desde 1989, é patrimônio cultural da humanidade mantido pela Unesco (Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura).

Ao chegar à foz do Zambeze, no Oceano Índico, em 1842, o Dr. Livingstone se torna o primeiro ocidental a cruzar a África Meridional de costa a costa. Em 15 anos, atravessa duas vezes o Deserto de Kalahari, vai de Angola a Moçambique pelo Zambeze, descobre as cataratas de Vitória e é o primeiro europeu a atravessar o Lago Tanganica. Cruza o Quênia, a Tanzânia e Uganda.

Em 1866, o Dr. Livingstone sai do porto de Zanzibar, no Oceano Índico, para chegar ao Lago Niassa. Abandonado por guias africanos que roubam a comida e os medicamentos, enfraquecido pela malária, chega à aldeia Ujiji, no lago Tanganica.

Desaparecido há anos, é dado como morto na Inglaterra quando quando o jornal nova-iorquino New York Herald encarrega o repórter Henry Stanley de encontrá-lo, em março de 1871. Com um batalhão de 200 guias e carregadores, encontra o Dr. Livingstone entre 24 e 28 de outubro, de acordo com o diário do explorador, ou 10 de novembro de 1871. 

Ao encontrar o explorador, Stanley diz uma frase que entrou para a história: “Dr. Livingstone, eu presumo?” A resposta: “Sim, eu me sinto muito grato por recebê-lo”. Stanley insiste para que volte para a Inglaterra, mas Livingstone tinha dedicado sua vida à África. Frágil e doente depois de muitas malárias, David Livingstone morre na aldeia do chefe chitambo, na Rodésia do Norte, hoje Zâmbia, em 1º de maior de 1873.

NASCIMENTO DE CHINUA ACHEBE

    Em 1930, nasce em Ogidi, na Nigéria, Albert Chinualomogu Achebe, um dos maiores escritores africanos, grande crítico da imposição dos valores ocidentais na África pelo colonialismo europeu.

Depois de estudar inglês e literatura no University College, hoje Universidade de Idaban, Achebe trabalha na rádio e televisão Nigeria Broadcasting Corporation em Lagos. 

Seu livro mais famoso, O Mundo se Despedaça, retrata a desorientação social e psicológica de sociedades tradicionais desarticuladas pelos conquistadores. O personagem central não aceita a noa ordem, embora a antiga seja destruída.

Membro da etnia ibo, a terceira maior dos mais de 300 povos nigerianos, ele apoia a guerra civil de Biafra (1967-70), uma tragédia africana em que um milhão morrem, tema do livro Houve Uma Vez um País: uma história pessoal de Biafra.

Ele morre em Boston, nos Estados Unidos, em 21 de março de 2013.

MULHER NO PODER EM PAÍS MUÇULMANO

    Em 1988, Benazir Bhutto se torna a primeira mulher a governar um país muçulmano na era moderna.

Filha mais velha do primeiro-ministro Zulfikar Ali Bhutto, Benazir estuda nas universidades de Harvard, nos Estados Unidos, e de Oxford, na Inglaterra. Quando o general Zia ul-Haq dá um golpe e o pai é executado, em 1979, Benazir se torna sua herdeira política.

Com a morte de Zia num acidente de avião com suspeita de sabotagem, em 17 de agosto de 1988, e a redemocratização do Paquistão, Benazir lidera e leva à vitória o Partido Popular Paquistanês (PPP), conquistando seu lugar na história.

Benazir governa de 2 de dezembro de 1988 a 6 de agosto de 1990 e de 18 de outubro de 1993 a 5 de novembro de 1996. Com a derrota nas eleições de 1997, Benazir vai para o exterior. Por uma década, vive entre Londres e Dubai. Volta ao Paquistão em 2007 para disputar as eleições de 2008. Durante a campanha eleitoral, é assassinada num atentado terrorista atribuído a extremistas muçulmanos, em 27 de dezembro de 2007.

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sexta-feira, 29 de agosto de 2025

Hoje na História do Mundo: 29 de Agosto

 FIM DO IMPÉRIO INCA

    Em 1533, o conquistador espanhol do Peru, Francisco Pizarro, executa o 13º e último imperador inca, Ataualpa, marco do fim de 300 anos da maior civilização pré-colombiana da América do Sul. Os incas ergueram um império com 14 milhões de súditos que, no seu auge, ia do Sul da Colômbia ao Norte do Chile.

Eles constroem sua civilização, o Império Inca ou Tahuantinsuyo, seu nome na língua quêchua, no altiplano da Cordilheira dos Andes, inicialmente no Peru. Não têm escrita, mas criam um governo sofisticado, com método estatístico, um sistema agrícola brilhante, grandes obras públicas e construções monumentais. Até hoje, a engenharia não explica como moveram pedras de toneladas.

Cinco anos antes de chegada dos conquistadores, uma disputa pela sucessão causa uma guerra civil ruinosa. Em 1532, Ataualpa vence o irmão Huáscar numa batalha perto de Cusco, a capital do império. Está consolidando o poder quando Pizarro chega com 180 homens.

Filho da aristocracia espanhola, Pizarro trabalha como criador de porcos quando jovem. Em 1502, se torna um soldado e vai para Hispaniola, a ilha hoje dividida entre Haiti e República Dominicana, onde Cristóvão Colombo começa a colonização da América em 1492.

Pizarro serve ao conquistador Alejandro de Ojeda na expedição à Colômbia, em 1510, e a Vasco Núñez Balboa quando este descobre o Oceano Pacífico, no Panamá, em 1513. 

Ao saber da grande riqueza do Império Inca, Pizarro se une a Diego de Almagro. Em 1524, eles saem do atual Panamá, mas só vão até onde hoje é o Equador. Na segunda expedição, entram no que hoje é território peruano, batizam a terra de Peru e a reivindicam para a coroa espanhola.

De volta ao Panamá, Pizarro planeja conquistar o Peru, mas não tem o apoio do governo colonial espanhol na América. Depois da conquista do México por Hernán Cortez, em 1521, Pizarro vai à Espanha em 1528 e consegue apoio do imperador Carlos V, do Sacro Império Romano-Germânico, que sonha em criar uma monarquia universal.

Em 15 de dezembro de 1532, o pequeno exército de Pizarro, com 180 soldados, chega a Cajamarca, onde Ataualpa relaxa em águas termais antes de marchar rumo a Cusco, a capital do irmão. O conquistador convida o imperador para uma festa.

Com um exército de 30 mil homens, logo depois de vencer a maior batalha da história inca, Ataualpa não teme os homens de Pizarro. É alvo de uma emboscada.

Ataualpa vai ao local do encontro com um séquito de milhares de homens aparentemente desarmados. Pizarro envia um padre como emissário e intima Ataualpa a aceitar a soberania do imperador Carlos V e o cristianismo. 

Quando o imperador inca rejeita e joga a Bíblia no chão, Pizarro ordena o ataque com arcabuzes, canhões e cavalaria, armas que os incas desconhecem. Milhares de incas são massacrados e Ataualpa é preso.

Mesmo pagando o maior resgate da história, Ataualpa é processado pela morte do irmão, por conspirar contra a coroa espanhola e outros delitos menores. Amarrado a um poste, tem a última escolha: ser queimado vivo ou se converter ao cristianismo e morrer pelo garrote vil. Na esperança de preservar seu corpo para mumificação, escolhe o garrote.

INÍCIO DA GUERRA DOS SETE ANOS

    Em 1756, a tentativa do Império Austríaco dos Habsburgo de reconquistar a Silésia, uma província oriental alemã tomada por Frederico II, da Prússia, na Guerra da Sucessão Austríaca (1740-48), dá início à Guerra dos Sete Anos (1756-63).

É a última grande guerra na Europa antes da Revolução Francesa. A Áustria, a França, a Rússia, a Saxônia e a Suécia enfrentam a Prússia, o Reino Unido, Portugal e Hanôver, que saem vencedores. Na América do Norte, a Guerra Franco-Indígena (1754-63) começa dois anos antes com uma guerra indígena em que algonquinos e hurões se aliam aos franceses e os iroqueses aos britânicos.

Em consequência da derrota, o Império Francês perde suas possessões na Índia e a maior parte das colônias na América do Norte para o Império Britânico. É uma guerra mundial, assim como a Guerra dos Trinta Anos (1618-48), quando a Holanda invade o Nordeste do Brasil.

A Guerra dos Sete Anos é uma das causas da independência dos Estados Unidos (1776) e da Revolução Francesa de 1789. Quando a coroa britânica aumenta impostos para recuperar as finanças abaladas pela guerra, os colonos norte-americanos, que sustentaram o esforço de guerra do Império Britânico com vidas e recursos materiais, se rebelam. Na França, além do custo econômico da guerra, invernos rigorosos reduzem a produção de alimentos e provocam a fome. 

CHINA CEDE HONG KONG

    Em 1842, no fim da Primeira Guerra do Ópio (1839-42), no Tratado de Nanquim, o imperador Dauguang, da Dinastia Ching (manchu), cede Hong Kong e paga indenização de US$ 21 milhões ao Império Britânico pelas vidas perdidas, abre cinco portos ao comércio, limita as tarifas de importação e exportação, e dá aos britânicos que cometam crimes em território chinês o direito de serem julgados por tribunais do Reino Unido.

É a primeira derrota e o primeiro tratado desigual do que os chineses chamam de "século da humilhação" diante dos imperialismos ocidental e japonês.

O tratado é assinado pelos cônsules negociadores Henry Pottinger, Chi Ying e Yi Libu a bordo do navio Cornwallis. As negociações começam depois que os britânicos tomam o porto de Zhenjiang em 23 de junho de 1839. São rápidas por causa da pouca experiência dos chineses em política externa e acordos comerciais. As cidades abertas a súditos da rainha Vitória são Cantão, Fuzhou, Ningbo, Xangai e Xiamei.

A China perde a Segunda Guerra do Ópio (1856-60) e a Primeira Guerra Sino-Japonesa (1894-95) para o Japão, que invade a Manchúria em 1931 e as principais cidades da China em 1937 na Segunda Guerra Sino-Japonesa. A ocupação vai até o fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45).

O "século da humilhação" termina com a vitória da revolução comunista liderada por Mao Tsé-tung em 1º de outubro de 1949. Mao vai a Moscou assinar o Tratado de Aliança, Cooperação e Amizade com a União Soviética, em 14 de fevereiro de 1950, mas precisa esperar 50 dias no gelado inverno russo para ser recebido por Josef Stalin, que dita os termos do acordo.

Em 1º de julho de 1997, o Reino Unido devolve Hong Kong à China com a promessa de que o regime chinês manteria a autonomia do território durante 50, mas o ditador Xi Jinping rompe o compromisso ao impor uma Lei de Segurança Nacional draconiana em 30 de junho de 2020. Acaba assim com a fórmula "um país, dois sistemas", criada pelo então líder supremo Deng Xiaoping tendo em vista também a reunificação com Taiwan.

BOMBA NUCLEAR SOVIÉTICA

    Em 1949, a União Soviética explode sua primeira bomba atômica, chamada de Primeiro Raio, num remoto campo de testes em Semipalatinisk, no Casaquistão, acabando com o monópolio dos Estados Unidos em armas nucleares.

Desde 1939, o físico soviético Gueorgui Flyorov suspeita que as potências ocidentais estão desenvolvendo uma superbomba. Ele escreve uma carta ao ditador Josef Stalin propondo que a URSS faça a bomba atômica. O projeto é adiado pela invasão da Alemanha Nazista à URSS, em 22 de junho de 1941. No início, se limita a espionagem do Projeto Manhattan nos EUA.

Com a explosão das bombas de Hiroxima e Nagasáki pelos EUA no Japão em 6 a 9 de agosto de 1945, a URSS acelera o projeto com a captura de cientistas ligados ao projeto da bomba atômica da Alemanha e a espionagem nos EUA.

Para avaliar o impacto da explosão atômica de plutônio, feita com base na bomba de Nagasáki (Homem Gordo), os cientistas soviéticos constroem edifícios, pontes e outras estruturas urbanas. Também colocam mamíferos perto do local da explosão para ver o efeito da radiação. 

A bomba tem a força de 20 quilotons (20 mil toneladas de dinamite), mas ou menos a mesma potência da Trinity (Trindade), a primeira bomba detonada experimentalmente pelos EUA, em Alamogordo, no Novo México, em 16 de julho de 1945.

Começa o equilíbrio do terror nuclear.

FURACÃO KATRINA ARRASA

    Em 2005, o furacão de Katrina, de categoria 5 sobre o Oceano Atlântico e 3 ao chegar em terra, arrasa uma região do Sul dos Estados Unidos, especialmente a cidade de Nova Orleans, que é alagada em 80% de sua área, causando a morte de 1.836 pessoas, principalmente nos estados da Louisiana e do Mississípi, e prejuízos de mais de US$ 125 bilhões.

Outras 135 pessoas estão desaparecidas até hoje. Mesmo sendo apenas o terceiro furacão mais forte da temporada, é o terceiro pior da história dos EUA. Com a enchente, Nova Orleans vira uma terra sem lei. Gangues invadem casas abandonadas para roubar e atacam moradores que ficam na cidade.

Diante da omissão do governo George W. Bush com uma população flagelada majoritariamente negra, o jovem senador Barack Obama se destaca na linha de frente da ajuda às vítimas.

quinta-feira, 24 de julho de 2025

Hoje na História do Mundo: 24 de Julho

 MARIA I DA ESCÓCIA ABDICA

   Em 1567, Maria Stuart, Maria I da Escócia é obrigada a abdicar em favor de seu filho Jaime VI, de apenas um ano de idade.

Maria ascende ao trono com apenas seis dias, em 1542, com a morte de seu pai, Jaime V.

Forçada a abdicar por uma revolta na Escócia, ela tenta recuperar o trono, não consegue e foge para a Inglaterra, onde é vista como uma ameaça por sua prima protestante Elizabeth I porque havia reivindicado a coroa inglesa e era considerada pelos católicos como a legítima rainha da Inglaterra.

Depois de ficar 18 anos e meio detida, Maria I, Rainha da Escócia, é condenada sob a acusação de conspirar para matar Elizabeth I e executada em 1586.

Como Elizabeth I, a Rainha Virgem, não tem filhos, Jaime VI, da Escócia, herda o trono da Inglaterra em 1603 como Jaime I e faz um túmulo para a mãe na Abadia de Westminster tão imponente quanto o da rival.

MÓRMONS FUNDAM CIDADE DO LAGO SALGADO

   Em 1847, depois de 17 meses e milhares de quilômetros de viagem, 148 peregrinos mórmons liderados por Brigham Young fundam em Utah a Cidade do Lago Salgado. Em breve, chegam milhares de fiéis da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias.

A grande migração é decidida depois do assassinato no fundador da seita, Joseph Smith. Ele nasce em Vermont em 1805. Aos 18 anos, diz ter recebido a visita de um anjo chamado Moroni que lhe revela um texto sagrado desaparecido, que teria sido escrito e gravado em placas de ouro por nativos norte-americanos no século 4, com relato sobre uma colônia israelita que teria existido na América em tempos ancestrais.

Durante anos, Smith dita o texto para sua mulher e outros escribas. Em 1830, é publicado o Livro de Mórmon. No mesmo ano, ele funda a Igreja de Cristo, que depois muda de nome para Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias.

A religião logo atrai devotos, mas provoca críticas por adotar práticas como a poligamia. Em 1844, Smith anuncia sua candidatura à Presidência dos EUA, o que aumenta a reação contra sua seita. Depois de destruir a gráfica de um jornal que critica sua religião, Smith convoca uma milícia para defendê-lo na cidade de Nauvu, em Illinois.

Acusados de traição e conspiração, ele e o irmão são presos e mortos por uma malta que invade a prisão em 27 de junho de 1844. Dois anos depois, seu sucessor, Brigham Young, lidera uma fuga para o Oeste para escapar da perseguição e funda a Cidade do Lago Salgado.

Em 1850, o presidente Millard Fillmore nomeia Young governador do território de Utah. que tem autonomia relativa durante sete anos, até que chegam a Washington notícias de violação da lei federal com a prática de poligamia.

O presidente James Buchanan afasta Young, que tinha 20 esposas, em 1857, e envia forças do Exército dos EUA para impor a autoridade federal. Young morre em 1877 e é sucedido por John Taylor como chefe da igreja.

Com um novo líder, Wilford Woodruff, a igreja mórmon abandona a poligamia em 1890. Seis anos depois, Utah se torna o 45º estado da União.

Hoje o Lago Salgado está ameaçado de secar por causa da drenagem de água para agricultura, indústria e abastecimento da cidade, do aquecimento global e das secas mais frequentes.

DESCOBERTA DE MACHU PICCHU

   Em 1911, o arqueólogo norte-americano Hiram Bingham descobre Machu Picchu, no Peru, uma cidade sagrada do Império Inca que se torna um dos principais destinos turísticos do mundo.


Com a conquista espanhola, a civilização inca desaparece. Só os moradores da região conhecem a cidade. Bingham e sua equipe exploram o vale do Rio Urubamba no lombo de mulas quando um camponês lhe fala das ruínas de Machu Picchu (Velho Pico, em quêchua, a língua indígena).

Um garoto de 11 anos o guia na etapa final da trilha, em meio ao frio do inverno na Cordilheira dos Andes. A cidade se estende por 5 quilômetros, tem mais de 3 mil degraus de pedra e recebe 300 mil turistas por ano.

LIBERTAÇÃO DE MAJDANEK

    Em 1944, o Exército Vermelho da União Soviética liberta o campo de concentração e centro de extermínio de Majdanek, nos arredores de Lublin, na Polônia, seis meses da libertação de Auschwitz.

Pelo
Majdanek recebe os primeiros presos, na maioria prisioneiros de guerra soviéticos, em outubro de 1941, depois que a Alemanha Nazista invade a URSS, em junho daquele ano. Quase todos morrem de fome ou de frio.

Depois que os nazistas aprovam a "solução final da questão judaico", a tentativa de exterminar os judeus da Europa, na Conferência de Wannsee, em Berlim em 20 da janeiro de 1942, Majdanek vira um centro de extermínio de judeus, primeiro da Boêmia e da Morávia, regiões que hoje são da República Tcheca, e depois da Polônia, da Holanda e da Grécia.

Como Auschwitz, Majdanek é um centro de extermínio e um campo de concentração e de trabalhos forçados. Com sete câmaras de gás e duas forcas de madeira, é um dos maiores entre os 44 mil campos e outros locais de encarceramento como guetos criados pelos nazistas. Em setembro de 1943, os nazistas instalam um grande crematório com cinco fornos.

No início, os prisioneiros são mortos por pelotões de fuzilamento numa floresta próxima. Depois, passa a haver execuções em massa em câmaras de gás e os corpos são incinerados. Alguns campos auxiliares como Travniki surgem ao redor de Majdanek.

Durante quatro anos, ao redor de 500 mil pessoas de 28 países e 54 nacionalidades passam por Majdanek. Pelo menos 80 mil pessoas morrem no campo principal, 60% de fome, frio, tortura ou doença e 40% executadas. Entre 15 e 20 mil judeus são mortos nos campos secundários de Trawnicki e Poniatowa. 

Ao todo, entre 95 e 130 mil pessoas morrem no complexo de campos de Majdanek. Primeiro, as câmaras de gás usavam monóxido de carbono, como em Belzec. Mais tarde, adotam o cianeto de hidrogênio, um sal do ácido cianídrico.

VOLTA DA APOLO 11

    Em 1969, a nave espacial Apolo 11 volta à Terra depois de levar os primeiros astronautas a pisar na Lua, Neil Armstrong e Edward Aldrin.

No início dos anos 1960, o presidente John Kennedy decide que os Estados Unidos, que saem atrás da União Soviética na corrida espacial, vão mandar um homem à Lua antes do fim da década. 

A Apolo 11 parte de Cabo Canaveral, na Flórida, em 16 de julho. Depois de viajar 384 mil quilômetros em 76 horas, a espaçonave entra na órbita da Lua.

No dia seguinte, o módulo lunar Águia se separa da nave-mãe, onde fica o terceiro astronauta, Michael Collins (no centro da foto), e desce com os astronautas Neil Armstrong (esquerda) e Edward Aldrin (direita). Três horas e dois minutos depois, pousa no Mar da Tranquilidade e a missão manda a mensagem histórica: "A Águia pousou." 

Dezessete minutos mais tarde, Armstrong toca o solo do satélite da Terra e pronuncia outra frase histórica: "Um pequeno passo para o homem, um salto gigantesco para a humanidade." 

Aldrin desce 15 minutos depois. Os dois hasteiam a bandeira dos EUA, tiram fotos e recolhem amostras da superfície lunar. Duas horas e 58 minutos depois que Armstrong pisa na Lua, os dois voltam ao módulo e sobem rumo à Apolo 11, que chega à Terra em 24 de julho.

SUPREMA CORTE MANDA NIXON ENTREGAR FITAS

    Em 1974, durante o Escândalo de Watergate, a Suprema Corte dos Estados Unidos decide que o presidente tem de entregar as fitas com as gravações das reuniões no Salão Oval da Casa Branca ao procurador especial Leon Jaworski. É um golpe fatal.

Na madrugada de 17 de junho de 1972, a polícia de Washington prende cinco arrombadores por invadir a sede do diretório nacional do Partido Democrata, no Edifício Watergate. Quatro trabalharam como agentes da CIA (Agência Central de Inteligência) contra o regime comunista de Fidel Castro em Cuba. Três são cubanos.

Quando o repórter Carl Bernstein, do jornal The Washington Post, vai ao tribunal, desconfia porque alguns dos advogados mais caros da capital dos EUA não defenderiam cinco ladrõezinhos ou criminosos comuns. Era o grupo de encanadores da Casa Branca.

Aí começa uma das mais importantes investigações jornalísticas da história. Com a ajuda de uma fonte citada como Garganta Profunda (título de um filme pornô da época), que muitos depois se revelou como Mark Felt, subdiretor do FBI, a polícia federal dos EUA, Carl Berstein e Bob Woodward, os dois do Post, descobrem uma conspiração que leva até o presidente dos EUA.

O sistema de gravação de conversas é instalado no Salão Oval, o gabinete do presidente dos EUA, em fevereiro de 1971 e desativado em 18 de julho de 1973, dois dias depois da revelação de sua existência por Alexander Butterfield, um assessor da Casa Branca, em depoimento na comissão parlamentar de inquérito sobre o Escândalo de Watergate .

Nixon não é o primeiro presidente dos EUA a gravar suas reuniões. Começa com Franklin Delano Roosevelt em 1940. A recusa de Nixon em aceitar a intimação do Congresso é uma das bases do processo de impeachment que causa a renúncia do presidente em 9 de agosto de 1974.

Todos os envolvidos no Escândalo de Watergate são condenados e presos, menos Nixon, que recebe o perdão presidencial de seu sucessor, Gerald Ford.

Em 19 de agosto de 2013, a Biblioteca Presidencial Richard Nixon divulga as últimas 340 horas das gravações, de 9 de abril a 12 de julho de 1973. Eles revelam que logo depois de prometer à população que não acobertaria o escândalo Nixon pressiona o ministro da Justiça a não indicar um procurador especial para o caso e instrui um ex-assessor a se esquivar de perguntas alegando razões de segurança nacional.