Mostrando postagens com marcador Barack Obama. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Barack Obama. Mostrar todas as postagens

sábado, 29 de agosto de 2026

Hoje na História do Mundo: 29 de Agosto

FIM DO IMPÉRIO INCA

    Em 1533, o conquistador espanhol do Peru, Francisco Pizarro, executa o 13º e último imperador inca, Ataualpa, marco do fim de 300 anos da maior civilização pré-colombiana da América do Sul. Os incas ergueram um império com 14 milhões de súditos que, no seu auge, ia do Sul da Colômbia ao Norte do Chile.

Eles constroem sua civilização, o Império Inca ou Tahuantinsuyo, seu nome na língua quêchua, no altiplano da Cordilheira dos Andes, inicialmente no Peru. Não têm escrita, mas criam um governo sofisticado, com método estatístico, um sistema agrícola brilhante, grandes obras públicas e construções monumentais. Até hoje, a engenharia não explica como moveram pedras de toneladas.

Cinco anos antes de chegada dos conquistadores, uma disputa pela sucessão causa uma guerra civil ruinosa. Em 1532, Ataualpa vence o irmão Huáscar numa batalha perto de Cusco, a capital do império. Está consolidando o poder quando Pizarro chega com 180 homens.

Filho da aristocracia espanhola, Pizarro trabalha como criador de porcos quando jovem. Em 1502, se torna um soldado e vai para Hispaniola, a ilha hoje dividida entre Haiti e República Dominicana, onde Cristóvão Colombo começa a colonização da América em 1492.

Pizarro serve ao conquistador Alejandro de Ojeda na expedição à Colômbia, em 1510, e a Vasco Núñez Balboa quando este descobre o Oceano Pacífico, no Panamá, em 1513. 

Ao saber da grande riqueza do Império Inca, Pizarro se une a Diego de Almagro. Em 1524, eles saem do atual Panamá, mas só vão até onde hoje é o Equador. Na segunda expedição, entram no que hoje é território peruano, batizam a terra de Peru e a reivindicam para a coroa espanhola.

De volta ao Panamá, Pizarro planeja conquistar o Peru, mas não tem o apoio do governo colonial espanhol na América. Depois da conquista do México por Hernán Cortez, em 1521, Pizarro vai à Espanha em 1528 e consegue apoio do imperador Carlos I da Espanha e Carlos V do Sacro Império Romano-Germânico, que sonha em criar uma monarquia universal.

Em 15 de dezembro de 1532, o pequeno exército de Pizarro, com 180 soldados, chega a Cajamarca, onde Ataualpa relaxa em águas termais antes de marchar rumo a Cusco, a capital do irmão. O conquistador convida o imperador para uma festa.

Com um exército de 30 mil homens, logo depois de vencer a maior batalha da história inca, Ataualpa não teme os homens de Pizarro. É alvo de uma emboscada.

Ataualpa vai ao local do encontro com um séquito de milhares de homens aparentemente desarmados. Pizarro envia um padre como emissário e intima Ataualpa a aceitar a soberania do imperador Carlos V e o cristianismo. 

Quando o imperador inca rejeita e joga a Bíblia no chão, Pizarro ordena o ataque com arcabuzes, canhões e cavalaria, armas que os incas desconhecem. Milhares de incas são massacrados e Ataualpa é preso.

Mesmo pagando o maior resgate da história, Ataualpa é processado pela morte do irmão, por conspirar contra a coroa espanhola e outros delitos menores. Amarrado a um poste, tem a última escolha: ser queimado vivo ou se converter ao cristianismo e morrer pelo garrote vil. Na esperança de preservar seu corpo para mumificação, escolhe o garrote.

INÍCIO DA GUERRA DOS SETE ANOS

    Em 1756, a tentativa do Império Austríaco dos Habsburgo de reconquistar a Silésia, uma província oriental alemã tomada por Frederico II, da Prússia, na Guerra da Sucessão Austríaca (1740-48), dá início à Guerra dos Sete Anos (1756-63).

É a última grande guerra na Europa antes da Revolução Francesa. A Áustria, a França, a Rússia, a Saxônia e a Suécia enfrentam a Prússia, o Reino Unido, Portugal e Hanôver, que saem vencedores. Na América do Norte, a Guerra Franco-Indígena (1754-63) começa dois anos antes com uma guerra indígena em que algonquinos e hurões se aliam aos franceses e os iroqueses aos britânicos.

Em consequência da derrota, o Império Francês perde suas possessões na Índia e a maior parte das colônias na América do Norte para o Império Britânico. É uma guerra mundial, assim como a Guerra dos Trinta Anos (1618-48), quando a Holanda invade o Nordeste do Brasil.

A Guerra dos Sete Anos é uma das causas da independência dos Estados Unidos (1776) e da Revolução Francesa de 1789. Quando a coroa britânica aumenta impostos para recuperar as finanças abaladas pela guerra, os colonos norte-americanos, que sustentaram o esforço de guerra do Império Britânico com vidas e recursos materiais, se rebelam. Na França, além do custo econômico da guerra, invernos rigorosos reduzem a produção de alimentos e provocam fome. 

CHINA CEDE HONG KONG

    Em 1842, no fim da Primeira Guerra do Ópio (1839-42), no Tratado de Nanquim, o imperador Dauguang, da Dinastia Ching (manchu), cede Hong Kong e paga indenização de US$ 21 milhões ao Império Britânico pelas vidas perdidas, abre cinco portos ao comércio, limita as tarifas de importação e exportação, e dá aos britânicos que cometam crimes em território chinês o direito de serem julgados por tribunais do Reino Unido.

É a primeira derrota e o primeiro tratado desigual do que os chineses chamam de "século da humilhação" diante dos imperialismos ocidental e japonês.

O tratado é assinado pelos cônsules negociadores Henry Pottinger, Chi Ying e Yi Libu a bordo do navio Cornwallis. As negociações começam depois que os britânicos tomam o porto de Zhenjiang em 23 de junho de 1839. São rápidas por causa da pouca experiência dos chineses em política externa e acordos comerciais. As cidades abertas a súditos da rainha Vitória são Cantão, Fuzhou, Ningbo, Xangai e Xiamei.

A China perde a Segunda Guerra do Ópio (1856-60) e a Primeira Guerra Sino-Japonesa (1894-95) para o Japão, que invade a Manchúria em 1931 e as principais cidades da China em 1937 na Segunda Guerra Sino-Japonesa. A ocupação vai até o fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45).

O "século da humilhação" termina com a vitória da revolução comunista liderada por Mao Tsé-tung em 1º de outubro de 1949. Mao vai a Moscou assinar o Tratado de Aliança, Cooperação e Amizade com a União Soviética, em 14 de fevereiro de 1950, mas precisa esperar 50 dias no gelado inverno russo para ser recebido por Josef Stalin, que dita os termos do acordo.

Em 1º de julho de 1997, o Reino Unido devolve Hong Kong à China com a promessa de que o regime chinês manteria a autonomia do território durante 50, mas o ditador Xi Jinping rompe o compromisso ao impor uma Lei de Segurança Nacional draconiana em 30 de junho de 2020. Acaba assim com a fórmula "um país, dois sistemas", criada pelo então líder supremo Deng Xiaoping tendo em vista também a reunificação com Taiwan.

BOMBA NUCLEAR SOVIÉTICA

    Em 1949, a União Soviética explode sua primeira bomba atômica, chamada de Primeiro Raio, num remoto campo de testes em Semipalatinisk, no Casaquistão, acabando com o monópolio dos Estados Unidos em armas nucleares.

Desde 1939, o físico soviético Gueorgui Flyorov suspeita que as potências ocidentais estão desenvolvendo uma superbomba. Ele escreve uma carta ao ditador Josef Stalin propondo que a URSS faça a bomba atômica. O projeto é adiado pela invasão da Alemanha Nazista à URSS, em 22 de junho de 1941. No início, se limita a espionagem do Projeto Manhattan nos EUA.

Com a explosão das bombas de Hiroxima e Nagasáki pelos EUA no Japão em 6 a 9 de agosto de 1945, a URSS acelera o projeto com a captura de cientistas ligados ao projeto da bomba atômica da Alemanha e a espionagem nos EUA.

Para avaliar o impacto da explosão atômica de plutônio, feita com base na bomba de Nagasáki (Homem Gordo), os cientistas soviéticos constroem edifícios, pontes e outras estruturas urbanas. Também colocam mamíferos perto do local da explosão para ver o efeito da radiação. 

A bomba tem a força de 20 quilotons (20 mil toneladas de dinamite), mas ou menos a mesma potência da Trinity (Trindade), a primeira bomba detonada experimentalmente pelos EUA, em Alamogordo, no Novo México, em 16 de julho de 1945.

Começa o equilíbrio do terror nuclear.

FURACÃO KATRINA ARRASA

    Em 2005, o furacão de Katrina, de categoria 5 sobre o Oceano Atlântico e 3 ao chegar em terra, arrasa uma região do Sul dos Estados Unidos, especialmente a cidade de Nova Orleans, que é alagada em 80% de sua área, causando a morte de 1.836 pessoas, principalmente nos estados da Louisiana e do Mississípi, e prejuízos de mais de US$ 125 bilhões.

Outras 135 pessoas estão desaparecidas até hoje. Mesmo sendo apenas o terceiro furacão mais forte da temporada, é o terceiro pior da história dos EUA. Com a enchente, Nova Orleans vira uma terra sem lei. Gangues invadem casas abandonadas para roubar e atacam moradores que ficam na cidade.

Diante da omissão do governo George W. Bush com uma população flagelada majoritariamente negra, o jovem senador Barack Obama se destaca na linha de frente da ajuda às vítimas.

ESTE BLOG DEPENDE DA AJUDA DE SEUS LEITORES. CONTRIBUIÇÕES VIA PIX PELO CNPJ 25.182.225/0001-37 

terça-feira, 4 de agosto de 2026

Hoje na História do Mundo: 4 de Agosto

FIM DOS PRIVILÉGIOS FEUDAIS

    Em 1789, no início da Revolução Francesa, a nobreza reunida na Assembleia Nacional da França renuncia a seus privilégios.

O marco do início da revolução é a Tomada da Bastilha, a prisão de Paris que vira símbolo da opressão do regime monárquico, em 14 de julho. Ao abrir mão de seus privilégios, a aristocracia tenta chegar a uma acomodação com a nova ordem emergente. 

EUA FICAM NEUTROS NO INÍCIO DA PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL

    Em 1914, os Estados Unidos declaram sua neutralidade diante do começo da guerra na Europa opondo França, Reino Unido, Rússia e Sérvia, de um lado; e a Alemanha e a Áustria-Hungria, do outro.

Os EUA entram na guerra em 1917, depois de vários ataques de submarinos alemães ao comércio transatlântico. 

Para justificar a intervenção militar na Europa, o presidente Woodrow Wilson declara aos norte-americanos que "é a guerra para acabar com todas as guerras." Mas a Conferência de Paz de Versalhes é conhecida como a paz para acabar com todas as pazes.

JESSE OWENS DESTRÓI MITO DA SUPERIORIDADE ARIANA

    Em 1936, o atleta negro norte-americano Jesse Owens, conquista a segunda de quatro medalhas de ouro ao vencer a prova de salto em distância na Olimpíada de Berlim, organizada pelo regime nazista para comprovar a tese da superioridade da raça branca e ariana.

O salto campeão tem 8,06 metros. Owens bate o recorde em 1935 com 8,13m, marca que só é superada 25 anos depois, em 1960.

Ao ganhar quatro medalhas de ouro, Owens destrói o mito fundador do Nazismo. No primeiro dia de competição, 2 de agosto, Hitler cumprimenta todos os medalhistas de ouro alemães e alguns finlandeses. Deixa o Estádio Olímpico antes do salto do afro-americana Cornelius Johnson, campeão do salto em altura.

Owens volta como herói aos EUA, onde os negros enfrentam a segregação racial, que só acaba com a aprovação da Lei dos Direitos Civis, em 1964. Chega a dizer que foi mais bem tratado pelos nazistas.

EUA ATRAEM BRACEROS DO MÉXICO PARA AGRICULTURA

    Em 1942, com medo de uma falta de mão de obra no campo durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45), os Estados Unidos fazem um acordo sobre trabalho agrícola com o México para atrair mexicanos para a lavoura.

O Programa Bracero, como fica conhecido, dura até 1964. É o maior programa de trabalhadores convidados da história dos EUA. 

Os mexicanos têm direito a um salário mínimo, segurança, casa e comida. Muitos patrões desrespeitam o acordo, ao pagar abaixo do mínimo ou não pagar e oferecer casa e comida ruins. Isso gera greves, protestos e processos.

Como os trabalhadores mexicanos se tornam importante para a economia de estados como a Califórnia, o programa sobrevive à guerra. Em 22 anos, são mais de 4,6 milhões de contratos de trabalho. Até hoje, os imigrantes latino-americanos são parte importante da mão de obra do Sudoeste dos EUA.

NAZISTAS PRENDEM ANNE FRANK

    Em 1944, a Gestapo, a polícia política do regime nazista, prende a jovem judia alemã Anne Frank, de 15 anos, escondida com a família e outros judeus desde 1942 num anexo secreto de uma casa em Amsterdã, na Holanda ocupada pela Alemanha durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45).

O Diário de Anne Frank, um relato da vida nesta reclusão voluntária para tentar escapar do terror nazista, é um dos livros mais importantes do século 20. Ela e a irmã morrem num surto de tifo no campo de concentração de Bergen Belsen, em Hanôver, na Alemanha, pouco antes do fim da guerra, em fevereiro ou março de 1945.

Onze milhões de pessoas morrem no Holocausto, entre as quais 6 milhões de judeus, 1,5 milhão de ciganos, comunistas, socialistas, homossexuais, dissidentes e quem quer que o Nazismo considere inimigo.

NASCE BARACK OBAMA

    Em 1961, Barack Hussein Obama, o primeiro presidente negro da história dos Estados Unidos, nasce em Honolulu, no Havaí, filho de pai queniano e mãe norte-americana.

Durante seus dois governos (2009-17), supremacistas brancos como Donald Trump questionam sua nacionalidade, insinuando que Obama não nasceu nos EUA. Sendo assim, não poderia ser presidente.

Obama é editor da revista acadêmica da Faculdade de Direito da Universidade de Harvard, ativista social e organizador comunitário em Chicago antes de se eleger senador estadual do estado de Illinois, senador federal e presidente dos EUA.

CENTENÁRIO DA RAINHA-MÃE

    Em 2000, o Reino Unido festeja os 100 anos de Elizabeth, a rainha-mãe. 

Mãe da rainha Elizabeth II e avó de Carlos III, ela reina ao lado do marido, o rei George VI, inclusive durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45), quando o país é bombardeado pela Alemanha Nazista.

ESTE BLOG DEPENDE DA AJUDA DE SEUS LEITORES. CONTRIBUIÇÕES VIA PIX PELO CNPJ 25.182.225/0001-37

sábado, 18 de julho de 2026

Hoje na História do Mundo: 18 de Julho

 NASCE O LÍDER QUE VENCE O APARTHEID

   Em 1918, nasce em Mevzo Nelson Rolihlahla Mandela, o líder que negocia o fim do regime segregacionista do apartheid e se torna o primeiro presidente eleito democraticamente da história da África do Sul.

Mandela estuda em direito e advoga em causas anticolonialistas e de defesa dos direitos da maioria negra. Em 1943, entra para o Congresso Nacional Africano (CNA). Sob a influência das ideias de Henry David Thoreau, Leon Tolstoy e Mohandas Gandhi, defende a luta pacífica contra o apartheid.

Depois do Massacre de Sharpeville, em 1960, quando 69 negros são fuzilados pela polícia, o CNA adere à luta armada. Mandela vira comandante da Umkhonto we Siswe (A Lança da Nação), braço armado do movimento antiapartheid.

Preso em 1962, a promotoria pede pena de morte, mas ele é condenado à prisão perpétua em 1964, depois de um discurso de três horas inspirado por Fidel Castro quando o então rebelde afirmou num tribunal que "a história me absolverá". 

Mesmo na cadeia, o regime mantém contato com Mandela nos momentos de crise, mas ele se nega a negociar enquanto está preso. Parte do princípio de que só homens livres podem negociar.

Quando o ditador Frederik de Klerk decide negociar o fim do regime e a transferência do poder para a maioria negra, Mandela é libertado, em 11 de fevereiro de 1990. Depois de três anos de negociações, a África do Sul realiza suas primeiras eleições democráticas em abril de 1994.

Mandela toma posse em 10 de maio de 1994, cumpre apenas um mandato de cinco anos, um raro exemplo na África, e se torna uma reserva moral da nação até sua morte, em 5 de dezembro de 2013. É um dos maiores líderes mundiais da segunda metade do século 20.

HITLER LANÇA LIVRO

    Em 1925, Adolf Hitler lança seu livro Mein Kampf (Minha Luta), um guia do seu programa político para implantar o Terceiro Reich escrito na prisão de Landsberg quando ele está condenado a cinco anos de prisão (cumpre apenas nove meses) pela fracassada tentativa de tomar o poder na Baviera no Golpe da Cervejaria, em Munique, em 9 de novembro de 1923.

Na primeira parte do livro, chamada de Uma Avaliação, em mais de 400 páginas, o futuro ditador nazista faz uma diatribe sobre os problemas que cercam a Alemanha: a França, que gostaria de dividir a Alemanha; a falta de Lebensraum (espaço vital) e a necessidade de se expandir ao leste; e a influência nefasta de raças mestiças e inferiores.

Para Hitler, o Estado não é apenas uma organização política e econômica; é racial. Ele vê a pureza racial como uma necessidade absoluta para revitalizar a Alemanha, humilhada na Conferência de Paz de Versalhes depois da derrota na Primeira Guerra Mundial (1914-18), "porque o homem não perece como resultado de guerras perdidas, mas da perda da pureza sanguínea".

Dentro da autoritária tradição prussiana, o controle do poder deve ser total: "Não deve haver decisões majoritárias. (...) Com certeza, todo homem tem assessores, mas a decisão deve ser tomada por um homem só."

O segundo volume de Mein Kampf, publicado em 1927, trata do nacional-socialismo, o Nazismo. As vendas são medíocres até a ascensão do nazismo ao poder, em 1933, depois de vencer sem maioria absoluta duas eleições em 1932, em plena Grande Depressão (1929-39), quando a taxa de desemprego na Alemanha passa de 30%.

Hitler vira chanceler (primeiro-ministro) da Alemanha em 30 de janeiro de 1933. Em 27 de fevereiro, os nazistas tocam fogo no Reichstag, o Parlamento, e acusam os comunistas. É o grande golpe da ascensão do Nazismo. 

Novas eleições são realizadas em 5 de março. Os nazistas conquistam 44% dos votos e 288 das 647 cadeiras. Em 23 de março, o Parlamento aprova a Lei Habilitante, que vigora até o fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45). Hitler ganha poderes especiais para fazer a transição da República de Weimar para o regime nazista. Pode proibir partidos e censurar publicações.

Com a morte do presidente, marechal Paul von Hindenburg, em 2 de agosto de 1934, o governo nazista convoca um referendo. Em 19 de agosto, 90% dos votantes aprovam a fusão dos cargos de chanceler e presidente. 

Hitler se torna o Führer, o líder supremo de um regime totalitário que só termina no fim da Segunda Guerra Mundial na Europa, com a queda de Berlim, em 8 de maio de 1945. O Führer se suicida dias antes, em 30 de abril.

GOLPE DE FRANCO

    Em 1936, um dia depois do início da Guerra Civil Espanhola, o general Francisco Franco adere à revolta do militares direitistas no Marrocos Espanhol que logo se espalha para a metrópole.

Das Ilhas Canárias, o general Francisco Franco divulga mensagem de rádio convocando todas as unidades do Exército a se sublevar contra o governo republicano da Frente Popular, de esquerda.

Nos primeiros três dias, os rebeldes tomam o Marrocos, parte do Norte da Espanha e várias cidades do Sul. Franco vai para o Marrocos e prepara o poderoso Exército da África para invadir a Espanha.

A Alemanha e a Itália apoiam Franco com armas, tanques e aviões de guerra, enquanto a União Soviética apoia os republicanos. No mundo inteiro, socialistas e anarquistas se mobilizam em Brigadas Internacionais para lutar pela República. Conseguem defender Madri até o fim da guerra civil.

Barcelona é tomada em janeiro de 1939. Madri cai em 28 de março daquele ano, quando os republicanos se rendem em Madri. A guerra civil acaba em 1º de abril. 

Mais de um milhão de pessoas morrem no pior conflito da história da Espanha. Franco é ditador do país até a morte, em 20 de novembro de 1975.

FDR INDICADO PARA INÉDITO TERCEIRO MANDATO

    Em 1940, o Partido Democrata nomeia o presidente Franklin Delano Roosevelt, eleito em 1932 para combater a Grande Depressão (1929-39), para concorrer a um inédito terceiro mandato.

FDR concorreria a um quarto mandato em 1944. É o único presidente da história dos Estados Unidos a servir mais de dois mandatos.

Franklin Roosevelt nasce em 30 de janeiro de 1882 em Hyde Park, no estado de Nova York. Antes de chegar à Casa Branca, é senador estadual (1911-13), secretário adjunto da Marinha (1913-20) e governador de Nova York (1929-32).

Na campanha presidencial, promete o New Deal, um novo pacto social para enfrentar a depressão econômica. Reeleito com vitória esmagadora em 1936, é criticado por tentar um terceiro mandato, mas entende que é seu dever diante da Segunda Guerra Mundial (1939-45) na Europa, onde a Alemanha nazista está vencendo.

Reeleito mais uma vez em 1944, FDR morre em 12 de abril de 1945, quando a guerra na Europa está praticamente ganha. O vice-presidente Harry Truman o sucede e é eleito presidente em 1948.

Em 22 de março de 1947, o Congresso aprova a 22ª Emenda à Constituição dos EUA, ratificada em 1951, para proibir qualquer pessoa de exercer a Presidência por mais de dois mandatos.

PESADELO DE TED KENNEDY

    Em 1969, ao sair de uma festa, o senador Edward Kennedy cai de carro de uma ponte de madeira em Chappaquiddick, no estado de Massachusetts. Ted consegue escapar, mas sua acompanhante, Mary Jo Kopechne, com quem tem um caso, morre afogada. 


Ted Kennedy é o herdeiro político dos irmãos John Kennedy, presidente assassinado em 22 de novembro de 1963 em Dallas, no Texas, e Robert Kennedy, morto depois de assegurar a candidatura do Partido Democrata à Casa Branca, em 6 de junho de 1968. Até então, Ted é o favorito para disputar a candidatura democrata à eleição de 1972.

O senador é condenado a dois meses de prisão por omissão de socorro ao abandonar a cena do acidente, com direito a suspensão da pena. Pede desculpas e retoma as atividades no Senado até sua morte, em 25 de agosto de 2009, como um dos senadores mais ativos e mais liberais. 

Em 1980, disputa as eleições primárias do Partido Democrata com o presidente Jimmy Carter e perde. A candidatura presidencial é enterrada com Mary Jo.

GINASTA NOTA DEZ PERFEITA

    Em 1976, na Olimpíada de Montreal, no Canadá, aos 14 anos a ginasta romena Nadia Comaneci faz uma apresentação espetacular nas barras assimétricas e recebe a primeira nota 10 perfeita da história olímpica.

Nadia nasce em Onesti, na Romênia, em 12 de novembro de 1961. É aluna do famoso treinador de ginástica romeno Bela Karolyi, que a descobre fazendo piruetas na escola com 6 anos. 

Ao todo, Nadia Comaneci conquista nove medalhas olímpicas, cinco de ouro. Em Montreal, ganha ouro nas barras assimétricas, na barra e a competição geral individual, prata com a equipe da Romênia e bronze no solo. É bicampeã olímpica na trave e tricampeã europeia na competição geral individual. A ditadura comunista de Nicolae Ceausescu a proclama "heroína do trabalho socialista".

Em 1989, pouco antes da revolução que derruba o regime comunista, Nadia foge para o Ocidente e vai morar nos Estados Unidos. Ela volta a Bucareste em 1994 para se casar com o ex-ginasta norte-americano Bart Conner e desde 2001 tem cidadania norte-americana.

Uma das maiores ginastas da história, Nadia Comaneci participa de várias entidades e associações esportivas. Recordista mundial na sua categoria, desde 1993 Nadia está no International Gymnastics Hall of Fame. No vídeo, as sete apresentações que mereceram 10 perfeito.

PROFESSOR OBAMA LANÇA LIVRO

    Em 1995, Barack Obama, na época um pouco conhecido professor de direito, lança o livro Sonhos do Meu Pai: uma história de raça e herança. Treze anos depois, torna-se o primeiro negro eleito para presidir os Estados Unidos.

Obama nasce em 4 de agosto de 1961 em Honolulu, no Havaí, filho de mãe americana, Ann Dunham, e pai queniano, Barack Obama Sr. O casal se conhece quando os dois estudam na Universidade do Havaí e se separa no fim daquele ano.

O pai se forma no Havaí, faz mestrado na Universidade de Harvard, se divorcia em 1964 e volta para o Quênia. Só encontra o filho uma vez antes de morrer em acidente de automóvel, em 1982. 

A mãe se casa de novo com um indonésio e vai morar na Indonésia em 1967. Obama volta aos EUA em 1971 para morar com os avós maternos em Honolulu e só aí começa a se dar conta do racismo da sociedade norte-americana. 

Na introdução do livro, Obama se descreve como "um garoto em busca de seu pai e através desta busca procurar um sentido para a vida como um negro norte-americano". Por não ser descendente de escravos, ele não tem o pessimismo derrotista e tenta escapar da autodestruição da comunidade negra com drogas e criminalidade.

Depois de ser organizador comunitário em Chicago, Obama se candidata ao Senado por Illinois em 2004 e ganha renome nacional ao fazer o discurso de apresentação do candidato à Casa Branca, John Kerry, na Convenção Nacional do Partido Democrata em 2004. No ano seguinte, se destaca na ajuda aos flagelados pelo furacão Katrina.

Em 2008, vence as eleições primárias democratas e é eleito presidente. É reeleito em 2012.

ESTE BLOG DEPENDE DA AJUDA DE SEUS LEITORES. CONTRIBUIÇÕES VIA PIX PELO CNPJ 25.182.225/0001-37

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Último dos acordos do fim da Guerra Fria caduca

Pela primeira vez desde 1972, não há nenhum acordo nuclear em vigor entre as superpotências. O Novo Tratado de Redução de Armas Estratégicos (Novo START ou START-3), assinado em 2010 pelos presidentes dos Estados Unidos, Barack Obama, e da Rússia, Dimitri Medvedev, expirou hoje.

Este acordo foi prorrogado por cinco anos em 2021, por iniciativa do então presidente norte-americano, Joe Biden, para dar tempo a uma negociação. Agora, o ditador russo, Vladimir Putin, propôs uma extensão informal por mais um ano. O presidente Donald Trump declarou que prefere negociar um acordo "melhor".

O acordo mais antigo era o Tratado sobre Mísseis Antibalísticos (ABM, do inglês), assinado em 1972 pelo presidente Richard Nixon e o líder soviético Leonid Brejnev, para proibir o desenvolvimento e instalação de mísseis antimísseis, de defesa. Era conhecido como MAD, que significa louco em inglês e, no caso, Destruição Mutuamente Assegurada. Criou o equilíbrio do terror nuclear.

Em 2002, o presidente George Walker Bush retirou os EUA do ABM sob a alegação de ameaças a aliados dos EUA, citando o Irã, que acusara de fazer parte de um "eixo do mal" junto com o Iraque e a Coreia do Norte. Quando invadiu o Iraque, em 20 de março de 2003, a Coreia do Norte e o Irã aceleraram seus programas nucleares.

Em 8 de dezembro de 1987, o presidente Ronald Reagan e o líder soviético Mikhail Gorbachev, assinaram o primeiro acordo que abolia toda uma classe de armas atômicas. O Tratado sobre Forças Nucleares Intermediárias (INF) extinguiu os mísseis nucleares baseados em terra com alcance de 500 a 5,5 mil quilômetros.

Trump tirou os EUA do INF em 2 de fevereiro de 2019, sob a alegação de que a Rússia teria violado o acordo ao desenvolver um novo míssil, 9M729, chamado pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), a aliança militar ocidental, de SSC-8.

O Tratado sobre Forças Convencionais na Europa (CFE) foi assinado em Paris em 19 de novembro de 1990 entre a OTAN e o Pacto de Varsóvia, a aliança militar do Bloco Soviético.

Putin anunciou que a Rússia não cumpriria mais o acordo em 2007 e saiu formalmente em 7 de novembro de 2023, oito meses e meio depois da invasão da Ucrânia. O acordo não permitiria a concentração de 200 mil soldados russos junto à fronteira ucraniana como Putin ordenou ao preparar a invasão de 24 de fevereiro de 2022, um marco importante no aumento do risco nuclear.

A Rússia e os EUA têm mais de 5 mil ogivas nucleares cada. O START-3 permitia que cada superpotência tivesse até 1.550 ogivas em condições operacionais, mais do que suficientes para extinguir a espécie humana.

Uma das dificuldades para uma nova negociação é que a China, vista hoje pelos EUA como a maior inimiga, precisa ser incluída. O regime comunista chinês tem hoje 600 ogivas nucleares e planos para chegar a mil. É a terceira maior potência nuclear.

Logo atrás, vem a França, com 290 ogivas, e o Reino Unido, com 255, nem todas em condições operacionais. Com a invasão da Ucrânia pela Rússia e a ameaça de Trump de não socorrer os aliados europeus em caso de guerra, a Europa está se rearmando. 

Se Trump mantivesse o compromisso com a OTAN, não precisaria tomar a Groenlândia como vem ameaçando. Poderia negociar com a Dinamarca a instalação de bases militares na ilha. A ocupação da Groenlândia destruiria a OTAN, cujo princípio básico é que um ataque contra é um ataque contra todos.

Essas cinco grandes potências com direito de veto na Organização das Nações Unidas são os únicos países com direito de possuir armas atômicas com base no Tratado de Não Proliferação Nuclear (NPT), de 1968. Mas não são as únicas.

A Índia e o Paquistão, inimigos históricos, desenvolvem armas nucleares desde os anos 1970. Em maio de 1998, assumiram o status de potências nucleares ao testar armas atômicas. Cada um tem pouco mais de 150 ogivas nucleares.

Israel nunca admitiu publicamente ser uma potência nuclear, mas tem a bomba atômica desde 1966 ou 1967. Teria hoje cerca de 90 ogivas nucleares.

A Coreia do Norte fez em 2006 seu primeiro teste nuclear de um total de seis até hoje. O ditador Kim Jong Un sucedeu o pai, Kim Jong Il, que explodiu a bomba, em dezembro de 2011, pouco depois da morte do ditador da Líbia, Muamar Kadafi, que abrira mão de suas armas de destruição em massa num acordo com o Ocidente em 2003. O terceiro Kim aposta nas armas nucleares como garantia de sobrevivência de seu regime, um dos mais fechados do mundo.

No seu primeiro governo, Trump encontrou Kim Jong Un três vezes depois de se ameaçarem com bombardeios nucleares, mas as negociações não evoluíram e a Coreia do Norte se aproximou da Rússia, enviando inclusive soldados para lutar ao lado das forças russas na guerra contra a Ucrânia.

O objetivo dessas negociações seria acabar com o programa nuclear da Coreia do Norte, que provavelmente exigiria em troca a retirada das forças que os EUA mantêm na Coreia do Sul desde a Guerra da Coreia (1950-53), na última fronteira da Guerra Fria. Pela estimativa do Instituto Internacional de Estudos da Paz de Estocolmo (SIPRI), a Coreia do Norte tem pelo menos 50 ogivas nucleares e urânio enriquecido e plutônio suficientes para chegar a 70 a 90 ogivas.

Outro foco de tensão nuclear é o Irã, que iniciou o programa nuclear em 1957, durante o regime do xá Reza Pahlevi. Em 1968, assinou o TNP, assumindo o compromisso de só usá-lo para gerar energia para fins pacíficos. 

O Supremo Líder da Revolução Iraniana, aiatolá Ruhollah Khomeini, considerava a bomba atômica uma arma não islâmica porque mata inocentes. Em 1987, durante bombardeios a cidades durante a Guerra Irã-Iraque (1980-88), autorizou o desenvolvimento de armas nucleares.

Em 2015, o governo Barack Obama (2009-17), as grandes potências do Conselho de Segurança da ONU e a Alemanha negociaram o Plano de Ação Conjunto Global (JCPOA), um acordo para congelar por 10 anos o programa nuclear iraniano na expectativa de no fim desse prazo o regime iraniano fosse menos extremista. 

Sob pressão de Israel, Trump retirou os EUA do acordo em 8 de maio de 2018, ironicamente o Dia da Vitória na Europa na Segunda Guerra Mundial (1939-45) sob o argumento de que o acordo se baseava "numa grande ficção, que um regime assassino desejava um programa nuclear pacífico".

Em 22 de julho de 2025, os EUA fizeram um grande bombardeio às principais instalações nucleares do Irã. Trump declarou que o programa nuclear iraniano estava erradicado, mas ninguém acredito nisso. Caminhões foram vistos ao redor dos alvos antes do ataque, provavelmente para retirar o material nuclear. E a tecnologia, o conhecimento sobre como fazer a bomba, não pode ser destruída com ataques.

Neste momento, os EUA concentram uma grande frota de guerra perto do Irã e pressionam o regime a fazer um novo acordo que inclua o abandono do programa de armas atômicas, limites ao desenvolvimento de mísseis e o fim do apoio a milícias no Oriente Médio. O Irã só aceita negociar a questão nuclear.

A realidade é que o mundo se tornou um lugar mais perigoso desde a invasão da Ucrânia e muito mais a partir de hoje. O Relógio do Juízo Final, criado em 1947 pelo Boletim de Cientistas Nucleares, está mais perto do que nunca da meia-noite, a um minuto e 25 segundos da hora fatal.

ESTE BLOG DEPENDE DA AJUDA DE SEUS LEITORES. CONTRIBUIÇÕES VIA PIX PELO CNPJ 25.182.225/0001-37

sexta-feira, 29 de agosto de 2025

Hoje na História do Mundo: 29 de Agosto

 FIM DO IMPÉRIO INCA

    Em 1533, o conquistador espanhol do Peru, Francisco Pizarro, executa o 13º e último imperador inca, Ataualpa, marco do fim de 300 anos da maior civilização pré-colombiana da América do Sul. Os incas ergueram um império com 14 milhões de súditos que, no seu auge, ia do Sul da Colômbia ao Norte do Chile.

Eles constroem sua civilização, o Império Inca ou Tahuantinsuyo, seu nome na língua quêchua, no altiplano da Cordilheira dos Andes, inicialmente no Peru. Não têm escrita, mas criam um governo sofisticado, com método estatístico, um sistema agrícola brilhante, grandes obras públicas e construções monumentais. Até hoje, a engenharia não explica como moveram pedras de toneladas.

Cinco anos antes de chegada dos conquistadores, uma disputa pela sucessão causa uma guerra civil ruinosa. Em 1532, Ataualpa vence o irmão Huáscar numa batalha perto de Cusco, a capital do império. Está consolidando o poder quando Pizarro chega com 180 homens.

Filho da aristocracia espanhola, Pizarro trabalha como criador de porcos quando jovem. Em 1502, se torna um soldado e vai para Hispaniola, a ilha hoje dividida entre Haiti e República Dominicana, onde Cristóvão Colombo começa a colonização da América em 1492.

Pizarro serve ao conquistador Alejandro de Ojeda na expedição à Colômbia, em 1510, e a Vasco Núñez Balboa quando este descobre o Oceano Pacífico, no Panamá, em 1513. 

Ao saber da grande riqueza do Império Inca, Pizarro se une a Diego de Almagro. Em 1524, eles saem do atual Panamá, mas só vão até onde hoje é o Equador. Na segunda expedição, entram no que hoje é território peruano, batizam a terra de Peru e a reivindicam para a coroa espanhola.

De volta ao Panamá, Pizarro planeja conquistar o Peru, mas não tem o apoio do governo colonial espanhol na América. Depois da conquista do México por Hernán Cortez, em 1521, Pizarro vai à Espanha em 1528 e consegue apoio do imperador Carlos V, do Sacro Império Romano-Germânico, que sonha em criar uma monarquia universal.

Em 15 de dezembro de 1532, o pequeno exército de Pizarro, com 180 soldados, chega a Cajamarca, onde Ataualpa relaxa em águas termais antes de marchar rumo a Cusco, a capital do irmão. O conquistador convida o imperador para uma festa.

Com um exército de 30 mil homens, logo depois de vencer a maior batalha da história inca, Ataualpa não teme os homens de Pizarro. É alvo de uma emboscada.

Ataualpa vai ao local do encontro com um séquito de milhares de homens aparentemente desarmados. Pizarro envia um padre como emissário e intima Ataualpa a aceitar a soberania do imperador Carlos V e o cristianismo. 

Quando o imperador inca rejeita e joga a Bíblia no chão, Pizarro ordena o ataque com arcabuzes, canhões e cavalaria, armas que os incas desconhecem. Milhares de incas são massacrados e Ataualpa é preso.

Mesmo pagando o maior resgate da história, Ataualpa é processado pela morte do irmão, por conspirar contra a coroa espanhola e outros delitos menores. Amarrado a um poste, tem a última escolha: ser queimado vivo ou se converter ao cristianismo e morrer pelo garrote vil. Na esperança de preservar seu corpo para mumificação, escolhe o garrote.

INÍCIO DA GUERRA DOS SETE ANOS

    Em 1756, a tentativa do Império Austríaco dos Habsburgo de reconquistar a Silésia, uma província oriental alemã tomada por Frederico II, da Prússia, na Guerra da Sucessão Austríaca (1740-48), dá início à Guerra dos Sete Anos (1756-63).

É a última grande guerra na Europa antes da Revolução Francesa. A Áustria, a França, a Rússia, a Saxônia e a Suécia enfrentam a Prússia, o Reino Unido, Portugal e Hanôver, que saem vencedores. Na América do Norte, a Guerra Franco-Indígena (1754-63) começa dois anos antes com uma guerra indígena em que algonquinos e hurões se aliam aos franceses e os iroqueses aos britânicos.

Em consequência da derrota, o Império Francês perde suas possessões na Índia e a maior parte das colônias na América do Norte para o Império Britânico. É uma guerra mundial, assim como a Guerra dos Trinta Anos (1618-48), quando a Holanda invade o Nordeste do Brasil.

A Guerra dos Sete Anos é uma das causas da independência dos Estados Unidos (1776) e da Revolução Francesa de 1789. Quando a coroa britânica aumenta impostos para recuperar as finanças abaladas pela guerra, os colonos norte-americanos, que sustentaram o esforço de guerra do Império Britânico com vidas e recursos materiais, se rebelam. Na França, além do custo econômico da guerra, invernos rigorosos reduzem a produção de alimentos e provocam a fome. 

CHINA CEDE HONG KONG

    Em 1842, no fim da Primeira Guerra do Ópio (1839-42), no Tratado de Nanquim, o imperador Dauguang, da Dinastia Ching (manchu), cede Hong Kong e paga indenização de US$ 21 milhões ao Império Britânico pelas vidas perdidas, abre cinco portos ao comércio, limita as tarifas de importação e exportação, e dá aos britânicos que cometam crimes em território chinês o direito de serem julgados por tribunais do Reino Unido.

É a primeira derrota e o primeiro tratado desigual do que os chineses chamam de "século da humilhação" diante dos imperialismos ocidental e japonês.

O tratado é assinado pelos cônsules negociadores Henry Pottinger, Chi Ying e Yi Libu a bordo do navio Cornwallis. As negociações começam depois que os britânicos tomam o porto de Zhenjiang em 23 de junho de 1839. São rápidas por causa da pouca experiência dos chineses em política externa e acordos comerciais. As cidades abertas a súditos da rainha Vitória são Cantão, Fuzhou, Ningbo, Xangai e Xiamei.

A China perde a Segunda Guerra do Ópio (1856-60) e a Primeira Guerra Sino-Japonesa (1894-95) para o Japão, que invade a Manchúria em 1931 e as principais cidades da China em 1937 na Segunda Guerra Sino-Japonesa. A ocupação vai até o fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45).

O "século da humilhação" termina com a vitória da revolução comunista liderada por Mao Tsé-tung em 1º de outubro de 1949. Mao vai a Moscou assinar o Tratado de Aliança, Cooperação e Amizade com a União Soviética, em 14 de fevereiro de 1950, mas precisa esperar 50 dias no gelado inverno russo para ser recebido por Josef Stalin, que dita os termos do acordo.

Em 1º de julho de 1997, o Reino Unido devolve Hong Kong à China com a promessa de que o regime chinês manteria a autonomia do território durante 50, mas o ditador Xi Jinping rompe o compromisso ao impor uma Lei de Segurança Nacional draconiana em 30 de junho de 2020. Acaba assim com a fórmula "um país, dois sistemas", criada pelo então líder supremo Deng Xiaoping tendo em vista também a reunificação com Taiwan.

BOMBA NUCLEAR SOVIÉTICA

    Em 1949, a União Soviética explode sua primeira bomba atômica, chamada de Primeiro Raio, num remoto campo de testes em Semipalatinisk, no Casaquistão, acabando com o monópolio dos Estados Unidos em armas nucleares.

Desde 1939, o físico soviético Gueorgui Flyorov suspeita que as potências ocidentais estão desenvolvendo uma superbomba. Ele escreve uma carta ao ditador Josef Stalin propondo que a URSS faça a bomba atômica. O projeto é adiado pela invasão da Alemanha Nazista à URSS, em 22 de junho de 1941. No início, se limita a espionagem do Projeto Manhattan nos EUA.

Com a explosão das bombas de Hiroxima e Nagasáki pelos EUA no Japão em 6 a 9 de agosto de 1945, a URSS acelera o projeto com a captura de cientistas ligados ao projeto da bomba atômica da Alemanha e a espionagem nos EUA.

Para avaliar o impacto da explosão atômica de plutônio, feita com base na bomba de Nagasáki (Homem Gordo), os cientistas soviéticos constroem edifícios, pontes e outras estruturas urbanas. Também colocam mamíferos perto do local da explosão para ver o efeito da radiação. 

A bomba tem a força de 20 quilotons (20 mil toneladas de dinamite), mas ou menos a mesma potência da Trinity (Trindade), a primeira bomba detonada experimentalmente pelos EUA, em Alamogordo, no Novo México, em 16 de julho de 1945.

Começa o equilíbrio do terror nuclear.

FURACÃO KATRINA ARRASA

    Em 2005, o furacão de Katrina, de categoria 5 sobre o Oceano Atlântico e 3 ao chegar em terra, arrasa uma região do Sul dos Estados Unidos, especialmente a cidade de Nova Orleans, que é alagada em 80% de sua área, causando a morte de 1.836 pessoas, principalmente nos estados da Louisiana e do Mississípi, e prejuízos de mais de US$ 125 bilhões.

Outras 135 pessoas estão desaparecidas até hoje. Mesmo sendo apenas o terceiro furacão mais forte da temporada, é o terceiro pior da história dos EUA. Com a enchente, Nova Orleans vira uma terra sem lei. Gangues invadem casas abandonadas para roubar e atacam moradores que ficam na cidade.

Diante da omissão do governo George W. Bush com uma população flagelada majoritariamente negra, o jovem senador Barack Obama se destaca na linha de frente da ajuda às vítimas.

sexta-feira, 18 de julho de 2025

Hoje na História do Mundo: 18 de Julho

  NASCE O LÍDER QUE VENCE O APARTHEID

   Em 1918, nasce em Mevzo Nelson Rolihlahla Mandela, o líder que negocia o fim do regime segregacionista do apartheid e se torna o primeiro presidente eleito democraticamente da história da África do Sul.

Mandela estuda em direito e advoga em causas anticolonialistas e de defesa dos direitos da maioria negra. Em 1943, entra para o Congresso Nacional Africano (CNA). Sob a influência das ideias de Henry David Thoreau, Leon Tolstoy e Mohandas Gandhi, defende a luta pacífica contra o apartheid.

Depois do Massacre de Sharpeville, em 1960, quando 69 negros são fuzilados pela polícia, o CNA adere à luta armada. Mandela vira comandante da Umkhonto we Siswe (A Lança da Nação), braço armado do movimento antiapartheid.

Preso em 1962, a promotoria pede pena de morte, mas ele é condenado à prisão perpétua em 1964, depois de um discurso de três horas inspirado por Fidel Castro quando o então rebelde afirmou num tribunal que "a história me absolverá". 

Mesmo na cadeia, o regime mantém contato com Mandela nos momentos de crise, mas ele se nega a negociar enquanto está preso. Parte do princípio de que só homens livres podem negociar.

Quando o ditador Frederik de Klerk decide negociar o fim do regime e a transferência do poder para a maioria negra, Mandela é libertado, em 11 de fevereiro de 1990. Depois de três anos de negociações, a África do Sul realiza suas primeiras eleições democráticas em abril de 1994.

Mandela toma posse em 10 de maio de 1994, cumpre apenas um mandato de cinco anos, um raro exemplo na África, e se torna uma reserva moral da nação até sua morte, em 5 de dezembro de 2013. É um dos maiores líderes mundiais da segunda metade do século 20.

HITLER LANÇA LIVRO

    Em 1925, Adolf Hitler lança seu livro Mein Kampf (Minha Luta), um guia do seu programa político para implantar o Terceiro Reich escrito na prisão de Landsberg quando ele está condenado a cinco anos de prisão (cumpre apenas nove meses) pela fracassada tentativa de tomar o poder na Baviera no Golpe da Cervejaria, em Munique, em 9 de novembro de 1923.

Na primeira parte do livro, chamada de Uma Avaliação, em mais de 400 páginas, o futuro ditador nazista faz uma diatribe sobre os problemas que cercam a Alemanha: a França, que gostaria de dividir a Alemanha; a falta de Lebensraum (espaço vital) e a necessidade de se expandir ao leste; e a influência nefasta de raças mestiças e inferiores.

Para Hitler, o Estado não é apenas uma organização política e econômica; é racial. Ele vê a pureza racial como uma necessidade absoluta para revitalizar a Alemanha, humilhada na Conferência de Paz de Versalhes depois da derrota na Primeira Guerra Mundial (1914-18), "porque o homem não perece como resultado de guerras perdidas, mas da perda da pureza sanguínea".

Dentro da autoritária tradição prussiana, o controle do poder deve ser total: "Não deve haver decisões majoritárias. (...) Com certeza, todo homem tem assessores, mas a decisão deve ser tomada por um homem só."

O segundo volume de Mein Kampf, publicado em 1927, trata do nacional-socialismo, o Nazismo. As vendas são medíocres até a ascensão do nazismo ao poder, em 1933, depois de vencer sem maioria absoluta as eleições de 1932, em plena Grande Depressão (1929-39), quando a taxa de desemprego na Alemanha passa de 30%.

Hitler vira chanceler (primeiro-ministro) da Alemanha em 30 de janeiro de 1933. Em 27 de fevereiro, os nazistas tocam fogo no Reichstag, o Parlamento, e acusam os comunistas. É o grande golpe da ascensão do Nazismo. 

Novas eleições são realizadas em 5 de março. Os nazistas conquistam 44% dos votos e 288 das 647 cadeiras. Em 23 de março, o Parlamento aprova a Lei Habilitante, que vigora até o fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45). Hitler ganha poderes especiais para fazer a transição da República de Weimar para o regime nazista.

Com a morte do presidente, marechal Paul von Hindenburg, em 2 de agosto de 1934, o governo nazista convoca um referendo. Em 19 de agosto, 90% dos votantes aprovam a fusão dos cargos de chanceler e presidente. 

Hitler se torna o Führer, o líder supremo de um regime totalitário que só termina no fim da Segunda Guerra Mundial na Europa, com a queda de Berlim, em 8 de maio de 1945. O Führer se suicida dias antes, em 30 de abril.

GOLPE DE FRANCO

    Em 1936, um dia depois do início da Guerra Civil Espanhola, o general Francisco Franco adere à revolta do militares direitistas no Marrocos Espanhol que logo se espalha para a metrópole.

Das Ilhas Canárias, o general Francisco Franco divulga mensagem de rádio convocando todas as unidades do Exército a se sublevar contra o governo republicano da Frente Popular, de esquerda.

Nos primeiros três dias, os rebeldes tomam o Marrocos, parte do Norte da Espanha e várias cidades do Sul. Franco vai para o Marrocos e prepara o poderoso Exército da África para invadir a Espanha.

A Alemanha e a Itália apoiam Franco com armas, tanques e aviões de guerra, enquanto a União Soviética apoia os republicanos. No mundo inteiro, socialistas e anarquistas se mobilizam em Brigadas Internacionais para lutar pela República. Conseguem defender Madri até o fim da guerra civil.

Barcelona é tomada em janeiro de 1939. Madri cai em 28 de março daquele ano, quando os republicanos se rendem em Madri. A guerra civil acaba em 1º de abril. 

Mais de um milhão de pessoas morrem no pior conflito da história da Espanha. Franco é ditador do país até a morte, em 20 de novembro de 1975.

FDR INDICADO PARA INÉDITO TERCEIRO MANDATO

    Em 1940, o Partido Democrata nomeia o presidente Franklin Delano Roosevelt, eleito em 1932 para combater a Grande Depressão (1929-39), para concorrer a um inédito terceiro mandato.

FDR concorreria a um quarto mandato em 1944. É o único presidente da história dos Estados Unidos a servir mais de dois mandatos.

Franklin Roosevelt nasce em 30 de janeiro de 1882 em Hyde Park, no estado de Nova York. Antes de chegar à Casa Branca, é senador estadual (1911-13), secretário adjunto da Marinha (1913-20) e governador de Nova York (1929-32).

Na campanha presidencial, promete o New Deal, um novo pacto social para enfrentar a depressão econômica. Reeleito com vitória esmagadora em 1936, é criticado por tentar um terceiro mandato, mas entende que é seu dever diante da Segunda Guerra Mundial (1939-45) na Europa, onde a Alemanha nazista está vencendo.

Reeleito mais uma vez em 1944, FDR morre em 12 de abril de 1945, quando a guerra na Europa está praticamente ganha. O vice-presidente Harry Truman o sucede e é eleito presidente em 1948.

Em 22 de março de 1947, o Congresso aprova a 22ª Emenda à Constituição dos EUA, ratificada em 1951, para proibir qualquer pessoa de exercer a Presidência por mais de dois mandatos.

PESADELO DE TED KENNEDY

    Em 1969, ao sair de uma festa, o senador Edward Kennedy cai de carro de uma ponte de madeira em Chappaquiddick, no estado de Massachusetts. Ted consegue escapar, mas sua acompanhante, Mary Jo Kopechne, com quem tinha um caso, morre afogada. 


Ted Kennedy é o herdeiro político dos irmãos John Kennedy, presidente assassinado em 22 de novembro de 1963 em Dallas, no Texas, e Robert Kennedy, morto depois de assegurar a candidatura do Partido Democrata à Casa Branca, em 6 de junho de 1968. Até então, Ted é o favorito para disputar a candidatura democrata à eleição de 1972.

O senador é condenado a dois meses de prisão por omissão de socorro ao abandonar a cena do acidente, com direito a suspensão da pena. Pede desculpas e retoma as atividades no Senado até sua morte, em 25 de agosto de 2009, como um dos senadores mais ativos e mais liberais. 

Em 1980, disputa as eleições primárias do Partido Democrata com o presidente Jimmy Carter e perde. A candidatura presidencial é enterrada com Mary Jo.

GINASTA NOTA DEZ PERFEITA

    Em 1976, na Olimpíada de Montreal, no Canadá, aos 14 anos a ginasta romena Nadia Comaneci faz uma apresentação espetacular nas barras assimétricas e recebe a primeira nota 10 perfeita da história olímpica.

Nadia nasce em Onesti, na Romênia, em 12 de novembro de 1961. É aluna do famoso treinador de ginástica romeno Bela Karolyi, que a descobre fazendo piruetas na escola com 6 anos. 

Ao todo, Nadia Comaneci conquista nove medalhas olímpicas, cinco de ouro. Em Montreal, ganha ouro nas barras assimétricas, na barra e a competição geral individual, prata com a equipe da Romênia e bronze no solo. É bicampeã olímpica na trave e tricampeã europeia na competição geral individual. A ditadura comunista de Nicolae Ceausescu a proclama "heroína do trabalho socialista".

Em 1989, pouco antes da revolução que derruba o regime comunista, Nadia foge para o Ocidente e vai morar nos Estados Unidos. Ela volta a Bucareste em 1994 para se casar com o ex-ginasta norte-americano Bart Conner e desde 2001 tem cidadania norte-americana.

Uma das maiores ginastas da história, Nadia Comaneci participa de várias entidades e associações esportivas. Recordista mundial na sua categoria, desde 1993 Nadia está no International Gymnastics Hall of Fame. No vídeo, as sete apresentações que mereceram 10 perfeito.

PROFESSOR OBAMA LANÇA LIVRO

    Em 1995, Barack Obama, na época um pouco conhecido professor de direito, lança o livro Sonhos do Meu Pai: uma história de raça e herança. Treze anos depois, torna-se o primeiro negro eleito para presidir os Estados Unidos.

Obama nasce em 4 de agosto de 1961 em Honolulu, no Havaí, filho de mãe americana, Ann Dunham, e pai queniano, Barack Obama Sr. O casal se conhece quando os dois estudam na Universidade do Havaí e se separa no fim daquele ano.

O pai se forma no Havaí, faz mestrado na Universidade de Harvard, se divorcia em 1964 e volta para o Quênia. Só encontra o filho uma vez antes de morrer em acidente de automóvel, em 1982. 

A mãe se casa de novo com um indonésio e vai morar na Indonésia em 1967. Obama volta aos EUA em 1971 para morar com os avós maternos em Honolulu e só aí começa a se dar conta do racismo da sociedade norte-americana. 

Na introdução do livro, Obama se descreve como "um garoto em busca de seu pai e através desta busca procurar um sentido para a vida como um negro norte-americano". Por não ser descendente de escravos, ele não tem o pessimismo derrotista e tenta escapar da autodestruição da comunidade negra com drogas e criminalidade.

Depois de ser organizador comunitário em Chicago, em 2004, Obama se candidata ao Senado por Illinois e ganha renome nacional ao fazer o discurso de apresentação do candidato à Casa Branca, John Kerry, na Convenção Nacional do Partido Democrata em 2004. No ano seguinte, se destaca na ajuda aos flagelados pelo furacão Katrina.

Em 2008, vence as eleições primárias democratas e é eleito presidente. É reeleito em 2012.