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quinta-feira, 10 de setembro de 2026

Hoje na História do Mundo: 10 de Setembro

PRESIDENTE DA COLÔNIA DE JAMESTOWN

    Em 1608, depois de sobreviver a captura pelos indígenas, provavelmente por influência da princesa Pocahontas, filha do cacique, John Smith se torna o primeiro presidente da colônia da Jamestown, o primeiro assentamento permanente da Inglaterra na América.

John Smith nasce em Willoughby em 6 de janeiro de 1580 na fazenda da famílila. Aos 16 ou 17 anos, vai lutar contra a Espanha na Guerra da Independência da Holanda, a Guerra dos 80 Anos (1568-1648). De volta à Inglaterra, passa dois anos estudando livros clássicos militares. 

Em 1601, Smith vai para a Hungria, onde se alista como mercenário da Áustria na guerra contra o Império Otomano. Capturado pelo inimigo, é levado para a Turquia, de onde foge para a Rússia em 1604 ou 1605.

Ao voltar para a Inglaterra, ele se junta a um grupo que se prepara para fundar a primeira colônia inglesa na América. Quando a Virginia Company consegue uma carta real, Smith e outros 100 colonos liderados por Christopher Newport zarpam em 20 de dezembro de 1606. Eles chegam à Baía de Chesapeake em 27 de abril de 1607. Em 14 de maio, desembarcam onde fundam Jamestown.

Smith é indicado pela Virginia Company para o grupo de sete pessoas que governa a colônia e vira seu primeiro presidente. É também escritor e cartógrafo. Faz uma série de viagens e produz um mapa detalhado da costa da Virgínia. Seus textos descrevendo e exaltando as belezas da América ajudam a atrair colonos.

Numa dessas viagens, sofre uma emboscada, é capturado pelos índios Powhatan e entregue ao cacique. De acordo com o relato do próprio Smith, é salvo por interferência da princesa Pocahontas.

Quando se torna presidente, Smith mantém um comércio com os indígenas para garantir o suprimento de milho aos colonos e adota uma política linha-dura: "Quem não trabalha não come", à exceção das pessoas com deficiência. Sempre evita o confronto com os nativos.

Depois de se ferir num incêndio em setembro de 1609, Smith tem de voltar à Inglaterra. Em 1614, vai para a região da Nova Inglaterra, no que é hoje o Nordeste dos EUA, e mapeia a região da Baía de Penobscot e o Cabo Cod. Os Peregrinos do Mayflower, que chegam onde hoje é Massachusetts em 11 de novembro de 1620, usam mapas de John Smith.

No Massacre de Jamestown, em 22 de março de 1622, os indígenas atacam os europeus e matam 347 pessoas, um quarto da população da colônia. 

FIM DA GUERRA DO NORTE

    Em 1721, o Tratado de Nystad põe fim à Grande Guerra do Norte (1700-21), em que a Rússia, a Dinamarca-Noruega e a Polônia-Saxônia desafiam a supremacia da Suécia na região do Mar Báltico. O conflito termina com o declínio da Suécia e a ascensão da Rússia de Pedro I, o Grande, como a maior potência da região.

A morte do rei Carlos XI, da Suécia, leva ao trono seu filho Carlos XII, de apenas 14 anos. A Dinamarca-Noruega vê uma boa oportunidade para formar uma aliança contra a Suécia.

No início da guerra, Augusto II, rei da Polônia e eleitor da Saxônia, ataca Livônia em fevereiro de 1700. Em março, Frederico IV, da Dinamarca e da Noruega, entra em Schleswig-Holstein, hoje um estado da Alemanha. Pedro I, da Rússia, cerca Narva em outubro.

Carlos XII contra-ataca. O primeiro alvo é a Dinamarca. Ele chega perto de Copenhague e obriga o país a deixar a aliança anti-sueca no Tratado de Traventhal, de agosto de 1700. Ao ocupar a Curlândia, força Augusto II a recuar para a Polônia. E vence a Rússia, rompendo o cerco de Narva em 30 de novembro de 1700.

Com a determinação de derrubar Augusto II, Carlos XII fica seis anos em guerra contra ele. Quando os suecos invadem a Saxônia, Augusto entrega a coroa da Polônia e rompe a aliança com a Rússia no Tratado de Altranstädt, em setembro de 1706. O próximo alvo é a Rússia.

Pedro, o Grande, um pioneiro do Império Russo, sonha em europeizar o país e em ter acesso a portos de águas mornas. Para consolidar a presença no Báltico, o czar funda São Petersburgo em 1703 e obriga a nobreza russa a contratar arquitetos da Europa Ocidental para construir mansões e palácios, o que torna a cidade uma joia arquitetônica chamada de Veneza do Norte, capital da Rússia e berço das revoluções de 1917.

Quando Carlos II, da Suécia, ataca a Rússia, no fim de 1707, Pedro o Grande obtém uma vitória decisiva na Batalha de Poltava, em 8 de julho de 1709. Carlos foge para a Turquia, onde pede ao Império Otomano que se junte à aliança. Os otomanos entram rapidamente. Depois da vitória na Batalha do Rio Pruth (1711), ficam satisfeitos com o acesso ao Mar de Azov e saem da guerra,

Em maio de 1713, a coalizão vence a Suécia em Holstein. Em 1714, a Rússia vence a Batalha Naval de Hanko, toma as Ilhas Aland e ameaça Estocolmo. Em novembro daquele ano, Carlos XII recua para o território sueco.

A esta altura da guerra, a Suécia perde a maioria de suas possessões na orla do Mar Báltico. Frederico Guilherme I, da Prússia, e George I, da Inglaterra, e eleitor de Hanôver, se juntam à coalizão. Primeiro, exigem concessões territoriais em troca de neutralidade. Carlos XII rejeita as exigências.

O rei da Suécia abre negociações de paz em 1717-18, enquanto aumenta seu exército para 60 mil homens. Em setembro de 1718, invade a Noruega, onde morre na Batalha de Frederikshald, em novembro de 1718.

Como Carlos XII não deixa descendentes, a coroa passa para sua irmã, Ulrika Eleonora, casa com Frederico da Hesse-Kassel, que se torna Frederico I, da Suécia, e negocia uma série de tratados de paz de 1719-21.

Pelos Tratados de Estocolmo (1719-20), a Suécia, a Saxônia e a Polônia voltam às fronteiras anteriores à guerra. A Dinamarca devolve suas conquistas à Suécia em troca de uma grande soma em dinheiro. A Suécia cede Bremen a Hanôver, e a região de Szczecin e parte da Pomerânia Sueca à Prússia.

No Tratado de Nystad, que encerra as hostilidades entre Rússia e Suécia, os suecos cedem a Íngria, a Estônia, a Livônia e uma parte da Karélia finlandesa.

PRIMEIRO MOTORISTA BÊBADO PRESO

    Em 1897, um motorista de táxi de Londres de 25 anos chamado George Smith é a primeira pessoa presa por dirigir embriagada, depois de bater com seu carro num prédio na New Bond Street 165.


Ao chegar ao local do acidente, o policial Russell prende o motorista. Smith reconhece a culpa e paga multa de 1,25 libra.

ÚLTIMO GUILHOTINADO

    Em 1977, Hamida Djandoubi, um imigrante tunisiano de 28 anos condenado por assassinato, violação sexual e tortura, é a última pessoa a guilhotinada na França, na prisão de Baumetes, em Marselha, às 4h47.


Durante a Revolução Francesa (1789-99), o médico e revolucionário Joseph-Ignace Guilhotin consegue aprovar uma lei para exigir que todas as execuções sejam feitas cientificamente por uma máquina. 

O primeiro teste da máquina de matar, com uma grande lâmina que despenca sobre o pescoço da vítima, é em cadáveres. Em 25 de abril de 1792, a primeira vítima é executada.

Mais de 10 mil pessoas perdem a cabeça na guilhotina durante a revolução, inclusive o Dr. Guilhotin, o rei Luís XVI, a rainha Maria Antonieta e os líderes revolucionários Georges-Jacques Danton e Maximiliano Robespierre.

Hamida Dajandoubi nasce na Tunísia em 1949 e chega a Marselha em 1968 na primeira vez que sai do país. Ele trabalha na indústria como operário de manutenção de máquinas. Três anos mais tarde, perde uma perna num acidental industrial.

Nesta época, quando está no hospital, conhece Élizabeth Bousquet , de 18 anos, que se torna sua companheira. Amputado, fica mais cruel e agressivo.

Numa noite em 1973, Hamida obriga a mulher a manter relações sexuais com oito homens em troca de dinheiro. Élizabeth o denuncia à polícia por proxenetismo. Condenado a meses de prisão, ele promete vingança.

Apesar de viver com outras duas mulheres que explora como prostitutas, Hamida volta a atacar Élizabeth. Na noite de 3 para 4 de julho de 1974, ele a submete a uma longa sessão de tortura com bastão. Além da violação sexual, queima as pontas dos seios da ex-mulher com cigarros acesos.

Nua e inconsciente, Hamida leva a mulher para uma cabana de pedras a 40 quilômetros de Marselha, onda a estrangula diante de Annie e Amaria. O juiz Robert Badinter o considera "desequilibrado". A promotoria vê como "uma alma demoníaca" com "uma inteligência superior à normal, mas um risco social colossal".

Quatro anos depois, em 9 de outubro de 1981, a pena de morte é abolida na França.

MURAL GUERNICA VAI PARA A ESPANHA

    Em 1981, o mural Guernica, do pintor espanhol Pablo Picasso vai para a Espanha, o que o artista só havia autorizado quando a democracia fosse restaurada.

A cidade de Guernica, no País Basco, é arrasada em 26 de abril de 1937, durante a Guerra Civil Espanhola (1936-39) por um bombardeio da Luftwaffe, a Força Aérea da Alemanha Nazista, que testa suas armas para a Segunda Guerra Mundial (1939-45). Em três horas de ataque, morrem mais de mil pessoas.

Quando o governo republicano espanhol convida Picasso para criar um mural para a Exposição Internacional de 1937 em Paris, ele resolve pintar os horrores da guerra. 

Em 1939, quando o ditador Francisco Franco vence a Guerra Civil Espanhola (1936-39) e começa a Segunda Guerra Mundial, Picasso doa o mural ao Museu de Arte Moderna de Nova York (MoMA) com a recomendação expressa de que a obra só vá para a Espanha depois da redemocratização do país.

Picasso morre na França em 1973. A morte de Franco, dois anos depois, é o marco do fim da ditadura na Espanha, Em 1981, um advogado de Picasso autoriza o envio da obra.

A ida do mural, instalado inicialmente num pavilhão construído especialmente no Museu do Prado, em Madri, é um sinal de confiança na democracia restaurada. Hoje, está no Museu Rainha Sofia.

quinta-feira, 20 de agosto de 2026

Hoje na História do Mundo: 20 de Agosto

INÍCIO DA ESCRAVIDÃO NOS EUA

     Em 1619, os primeiros escravos africanos são vendidos na colônia de Jamestown, na Virgínia, no início da escravidão no que hoje são os Estados Unidos.


São mais de 20 angolanos capturados por traficantes de escravos portugueses atacados por piratas em busca de ouro. Quando os piratas veem que são escravos, os vendem aos colonos norte-americanos.

A colônia de Jamestown, fundada em 1607 e batizada em homenagem ao rei Jaime I da Inglaterra e Jaime VI na Escócia, tem cerca de 700 habitantes em 1619.

Os escravos são capturados pelos traficantes portugueses nos reinos africanos do Kongo e de Ndongo e embarcados no navio San Juan Bautista, que os levaria a Veracruz, na colônia espanhola da Nova Espanha, hoje México.

Na travessia do Oceano Atlântico, cerca de 150 dos 350 escravos morrem. Dois navios piratas, o Leão Branco e o Tesoureiro, atacam o navio negreiro e tomam 60 escravos. O Leão Branco troca-os por comida em Jamestown.

O tráfico de escravos captura mais de 12 milhões de africanos. A maior parte (5 milhões) vem para o Brasil, outros 3 milhões para a região do Mar do Caribe e 600 mil para os EUA.

DESCOBERTA DO ALASCA

    Em 1741, em viagem a serviço da Rússia, o explorador dinamarquês Vitus Bering encontra  o Alasca.

Bering nasce em Horsens, na Dinamarca, em 1681. Depois de uma viagem às Índias Orientais, ele entra para a frota do czar Pedro I, o Grande, como subtenente.

Em 1724, o czar o nomeia capitão de uma expedição para determinar se a Ásia está ligada à América do Norte ou se existe uma passagem que permita chegar a China contornando os limites da Sibéria.

A expedição parte da Península de Kamchatka em 13 de julho de 1728. Em agosto, passa pelo Estreito de Bering e chega ao Oceano Glacial Ártico. O mau tempo não deixa avistar a América do Norte, mas ele conclui que os dois continentes não estão ligados por terra.

Durante o reinado da imperatriz Ana, Bering integra a Grande Expedição do Norte (1733-43), que mapeia a costa ártica da Sibéria. Em 4 de junho de 1741, ele zarpa de Kamchatka com o navio Saint Peter, enquanto Alexei Chirikov comanda o Saint Paul. Uma tempestade afasta os dois navios. 

Chirikov descobre várias Ilhas Aleutas e Bering chega ao Golfo do Alasca em 20 de agosto. Com escorbuto, Bering perde a capacidade de comandar o navio, destruído durante uma tempestade no porto da Ilha de Bering em novembro. Ele morre em 19 de dezembro de 1741 na Ilha de Bering, batizada em sua homenagem, assim como o estreito por onde se acredita que o homem chegou à America há 24 mil anos. Os sobreviventes conseguem chegar à Sibéria e falar das possibilidades do comércio de peles do Alasca e das Aleutas.

Em 1784, o comerciante de peles russo Grigory Chelikhov funda na ilha de Kodiak a Baía de Três Santos, o primeiro assentamento permanente da Rússia no Alasca. Depois da derrota na Guerra da Crime (1853-56), a Rússia vende o Alasca para os Estados Unidos em 1867.

O negócio é defendido pelo secretário de Estado, William Seward, que enfrenta forte oposição por se tratar de um deserto gelado.

Seward oferece US$ 7,2 milhões e os EUA assumem o controle do território em 18 de outubro de 1867. O negócio é chamado de "loucura de Seward".

A descoberta de ouro no Território de Yukon, no Canadá, em 16 de agosto de 1896 deflagra uma corrida do ouro que inclui o Alasca, a maior da história da América. Cerca de 100 mil garimpeiros vão para a região. A "loucura de Seward" se paga com alto lucro.

QUEDA DE BRUXELAS

    Em 1914, a Alemanha toma Bruxelas, a capital da Bélgica, na invasão inicial da Primeira Guerra Mundial (1914-18).

Com a Europa em crise depois do assassinato do herdeiro do trono do Império Austro-Húngaro, Francisco Ferdinando, em Sarajevo, na Bósnia-Herzegovina, em 28 de junho, a Bélgica reafirma sua neutralidade em 24 de agosto.

A guerra começa em 28 de julho, quando a Áustria-Hungria ataca a Sérvia. A Alemanha, aliada da Áustria-Hungria, invade Luxemburgo em 2 de agosto e exige passagem livre para suas tropas pelo território belga para atacar a França.

Diante da recusa, a Alemanha declara guerra à Belgica e invade o país em 4 de agosto, Começa a Batalha de Liège, que cai em 7 de agosto. Depois das batalhas de Mons e de Charleroi, os exércitos alemães seguem em marcha rumo à França. 

ASSASSINATO DE TROTSKY

    Em 1940, o agente stalinista Jaime Ramón Mercader ataca com uma picareta de alpinismo o líder revolucionário comunista Leon Davidovich Bronstein, mais conhecido como Leon Trotsky, que morre no dia seguinte, na sua casa no exílio na Cidade do México.

Trotsky nasce em Ianovka, na Ucrânia, numa família judaica em 7 de novembro de 1879. Vira marxista na adolescência e larga a Universidade de Odessa para organizar o Sindicato dos Trabalhadores do Sul da Rússia. 

Em 1898, é preso por suas atividades políticas. Dois anos depois, é enviado para a Sibéria. Em 1902, foge usando um passaporte falso em nome de Leon Trotsky.

Ele volta à Rússia para participar da Revolução de 1905. É preso e enviado de novo à Sibéria. Em 1907, escapa mais uma vez. Em mais uma década no exílio, Trotsky vive na Suíça, na França, na Espanha e em Nova York antes de voltar à Rússia em 1917, depois que a Revolução de Fevereiro derruba a monarquia.

Como líder do Soviete de Petrogrado, Trotsky tem um papel decisivo na Revolução de Outubro, que leva os bolcheviques ao poder. Nomeado comissário de Relações Exteriores, negocia a paz de Brest-Litovsk com a Alemanha para tirar a Rússia da Primeira Guerra Mundial (1914-18).

Comissário do Povo para Assuntos Militares e Navais, cria e chefia o Exército Vermelho durante a guerra civil que se segue à Revolução Comunista. Também funda o Politburo do Comitê Central do Partido Comunista e se torna um de seus sete membros.

Depois da morte de Lenin, em 21 de janeiro de 1924, Trotsky perde a disputa pelo poder com Josef Stalin. Em 1925, deixa de ser comissário da Guerra e, em 1927, é afastado do Politburo.

Expulso da União Soviética em fevereiro de 1929, torna-se o maior crítico do stalinismo até ser morto pelo comunista espanhol Ramón Mercader, um agente internacional do Comissariado do Povo para Assuntos Internos (NKVD), a polícia política da URSS no período stalinista.

INDEPENDÊNCIA DO SENEGAL

    Em 1960, a República do Senegal se separa da Federação do Mali e se torna totalmente independente.

No fim do século 19, o que hoje é o Senegal é integrado à África Ocidental Francesa. Em 1946, o país é elevado à categoria de território ultramarino francês. A antiga colônia se torna uma república autônoma em 1958. 

Um ano depois, adere ao Sudão Francês, hoje Mali, para formar a Federação do Mali, que proclama a independência em junho de 1960. Em 20 de agosto, o Senegal se separa e Leopold Sédar Senghor (foto) se torna seu primeiro presidente.

INVASÃO DA TCHECO-ESLOVÁQUIA

    Em 1968, 200 mil soldados e 5 mil tanques do Pacto de Varsóvia, a aliança militar liderada pela União Soviética, invadem a Tcheco-Eslováquia e acabam com a Primavera de Praga, uma tentativa do líder Alexander Dubcek de humanizar o regime comunista.

Os comunistas tomam o poder na Tcheco-Eslováquia em 1948, num golpe apoiado pelo ditador soviético Josef Stalin, e impõem um regime stalinista, padrão na Europa Oriental, ocupada pelo Exército Vermelho no fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45).

A linha dura domina o país até os anos 1960, quando há uma liberalização do regime que atinge o auge sob Dubcek, eleito primeiro-secretário do Partido Comunista em 5 de janeiro de 1968. As tentativas de descentralizar a administração e a economia, e de democratizar o regime criando um "socialismo com face humana" desagradam ao Kremlin.

Os tcheco-eslovacos protestam e resistem à invasão. Vários jovens se autoimolam e morrem queimados na luta pela liberdade, mas são impotentes contra os tanques soviéticos. 

A Tcheco-Eslováquia permanece sob o controle da URSS até a queda do regime comunista na Revolução de Veludo, em novembro de 1989. Os tanques soviéticos só deixam o país em 1991, quando acaba a URSS.

No Divórcio de Veludo, em 1º de janeiro de 1993, o país se divide em República Tcheca e Eslováquia.

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sexta-feira, 14 de agosto de 2026

Hoje na História do Mundo: 14 de Agosto

RÚSSIA COLONIZA O ALASCA

     Em 1784, o comerciante de peles russo Grigory Chelikhov funda na ilha de Kodiak a Baía de Três Santos, o primeiro assentamento permanente da Rússia no Alasca. 

Chelikhov mora lá dois anos com a mulher e cerca de 200 homens. Os índios aleutas sofrem com as doenças transmitidas pelos eurasianos.

Os europeus descobrem o Alasca em 1741, quando uma expedição da Rússia sob o comando do navegador dinamarquês Vitus Bering avista a parte continental do Alasca. A colônia fundada em 1784 serve de base para a exploração e os negócios com peles.

Quando Chelikhov volta à Rússia, em 1786, envia Alexander Baranov em 1790 para cuidar dos negócios no Alasca. Baranov cria em 1799 a Companhia Russo-Americana e amplia a área de atuação da empresa em 1812 até o que hoje é o Norte da Califórnia. Diante da reação de norte-americanos e britânicos, recua até a atual fronteira sul do Alasca.

Depois da derrota na Guerra da Crimeia (1853-56) para uma aliança da França, do Reino Unido, da Sardenha e do Império Otomano, a Rússia está quebrada e decide vender o território. Oferece ao presidente James Buchanan (1857-61), mas o início da Guerra da Secessão (1861-65) paralisa as negociações com os Estados Unidos.

Com o fim da guerra civil, em 30 de março de 1867, o secretário de Estado norte-americano, William Seward, compra o Alasca por US$ 7,2 milhões de dólares, cerca de oito décimos de centavo por hectare. Apesar do preço irrisório, Seward é ridiculizado no Congresso. O Senado aprova o negócio em abril por apenas um voto.

A descoberta de ouro em 1896 provoca uma onda migratória. Desde a maior corrida do ouro da história da América, o Alasca, rico em recursos naturais, contribui para a prosperidade dos EUA.

CATEDRAL DE COLÔNIA

    Em 1880, a construção da Catedral de Colônia, na Alemanha, um dos maiores exemplos da arquitetura gótica, iniciada em 1248, finalmente chega ao fim.

Quando o imperador alemão Frederico Barba Ruiva saqueia Milão, em 1164, leva para Colônia o que seriam os restos mortais dos Reis Magos: Baltazar, Gaspar e Melchior. Colônia vira um local de peregrinação. A catedral anterior se torna pequena para tantos fiéis.

A obra começa no século 13 e leva mais de 600 anos para ser concluída. Quando fica pronta, é o prédio mais alto do mundo. Hoje, é a quinta igreja mais alta do mundo. As duas torres têm 157 metros de altura. A nave tem 144m de comprimento. A largura máxima é de 86 metros. 

EUA CRIAM PREVIDÊNCIA SOCIAL

    Em 1935, durante a Grande Depressão (1929-39), o presidente Franklin Delano Roosevelt sanciona a Lei da Seguridade Social, que cria a previdência social nos Estados Unidos  garantindo pensão aos aposentados e uma renda mínima para desempregados.

Roosevelt é eleito em 1932, no auge da Depressão, quando o desemprego nos EUA chega a 25%, com a promessa do New Deal, um novo pacto social para amenizar o impacto da crise e recuperar a economia do país.

Ao assinar a lei, FDR manifesta "preocupação com os jovens que se perguntam qual será seu quinhão quando envelhecerem". Mesmo reconhecendo que "não podemos nunca proteger 100% dos cidadãos contra 100% dos riscos e vicissitudes", Roosevelt quer garantir uma velhice sem miséria. 

A previdência social cria uma rede de proteção social para aposentados e deficientes, além de auxílios e benefícios sociais. Com a ascensão do neoliberalismo econômico a partir do governo Ronald Reagan (1981-89), a direita conservadora passa a atacar a previdência social como fonte de acomodação e desestímulo aos trabalhadores.

CARTA DO ATLÂNTICO

    Em 1941, durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45), o presidente dos Estados Unidos, Franklin Roosevelt, e o primeiro-ministro do Império Britânico, Winston Churchill, lançam a Carta do Atlântico, uma declaração conjunta com os princípios da ordem internacional que desejam construir no pós-guerra. Entre eles, está a proibição de conquista territorial e mudança de fronteiras sem o consentimento dos povos.

A carta é escrita durante a Conferência do Atlântico, quando Churchill e Roosevelt se encontram a bordo do navio britânico Príncipe de Gales, em Argentina, na Terra Nova, no Canadá. Os EUA ainda não estão em guerra. A União Soviética, invadida pela Alemanha Nazista em 22 de junho de 1941, não participa. 

Os principais pontos da carta são:

  1. Os EUA e o Reino não buscam nenhum ganho territorial.
  2. As mudanças territoriais devem ter o consentimento dos povos envolvidos.
  3. Todos os povos têm direito à autodeterminação.
  4. As barreiras comerciais devem ser eliminadas.
  5. É necessária uma cooperação econômica global para promover o bem-estar social.
  6. Deve haver garantia de viver livre de medo e de privações.
  7. Deve haver liberdade de navegação nos mares.
  8. Depois da guerra, as nações agressoras serão desarmadas.
Quando os EUA entram na guerra, com o ataque do Japão a Pearl Harbor, no Havaí, em 7 de dezembro de 1941, a Conferência de Arcádia aprova em 1º de janeiro de 1942 a Declaração das Nações Unidas, assinada pelos quatro grandes aliados (EUA, URSS, Reino Unido e China), nove aliados dos EUA na América Central e no Caribe, quatro domínios britânicos, a Índia Britânica e oito governos aliados no exílio, num total de 26 países. O Brasil assina em 1943.

A Declaração das Nações Unidas, precursora da Carta das Nações Unidos, que cria a Organização das Nações Unidas no pós-guerra, em 1945, inclui no preâmbulo uma adesão aos princípios da Carta do Atlântico.

Todos os signatários se comprometem a "empregar todos os seus recursos militares e econômicos contra os membros do Pacto Tripartite [Alemanha, Itália e Japão] e seus adeptos" e "a cooperar com os governos signatários deste acordo e a não fazer um armistício ou paz com o inimigos separadamente."

PRESO CARLOS, O CHACAL 

   Em 1994, o serviço secreto da França prende em Cartum, a capital do Sudão, o terrorista venezuelano Illich Ramírez Sánchez, mais conhecido como Carlos, o Chacal.

Como o país não tem tratado de extradição com a França, os agentes sedam e sequestram Carlos. O governo sudanês alega que ajudou e pede para ser excluído pelos Estados Unidos da lista de países que apoiam o terrorismo.

Carlos é ligado à Frente Popular para a Libertação da Palestina (FPLP), à Organização Árabe para a Luta Armada e ao Exército Vermelho. É acusado de uma série de atentados realizados entre 1973 e 1992. Em 1974, toma o embaixador da França e outras 10 pessoas como reféns em Haia, na Holanda, para exigir a libertação de Yutaka Furuya, do Exército Vermelho Japonês.

Em 27 de junho de 1975, cercado pela polícia francesa em Paris, Carlos mata dois policiais e um informante, e consegue fugir. Julgado à revelia, é condenado à prisão perpétua por estes assassinatos em junho de 1992.

Sua ação mais espetacular acontece em 21 de dezembro de 1975, quando toma 70 altos funcionários como reféns durante uma reunião da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) em Viena, a capital da Áustria. Carlos e seu grupo recebem um resgate estimados em US$ 25 milhões a US$ 50 milhões e escapam, depois de matar três reféns.

Na prisão, Carlos pega mais uma pena de prisão perpétua em 2011, por ataques que mataram 11 pessoas e feriram outras 150 na França, e uma terceira em 2017.

HOMEM-RELÂMPAGO

    Em 2016, na Olimpíada do Rio de Janeiro, o atleta jamaicano Usain Bolt torna-se o primeiro corredor a vencer a prova dos 100 metros rasos em três olimpíadas. Nos mesmos Jogos, Bolt é tricampeão olímpico dos 200m, outro feito sem precedentes.

Em 2009, Bolt reduz seu próprio recorde mundial nos 100 metros em rasos em 11 décimos de segundo, com o tempo de 9,58seg, no Estádio Olímpico de Berlim, onde na Olimpíada de 1936 o negro americano Jesse Owens conquista quatro medalhas de ouro e destrói o mito nazista da superioridade da raça ariana (branca).

Bolt bate o recorde mundial na Olimpíada de 2008, em Beijim, na China, com o tempo de 9,69seg. É o primeiro homem a correr 100m em menos de 9,7seg. Em Berlim, é o primeiro a baixar a marca para menos de 9,6seg.

O homem mais rápido da história promete reduzir o tempo para 9,4seg. Deixa as pistas no Campeonato Mundial de Atletismo de 2017 sem conseguir, mas o recorde mundial é seu até hoje.

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sexta-feira, 17 de julho de 2026

Hoje na História do Mundo: 17 de Julho

 COMEÇA A GUERRA CIVIL ESPANHOLA

    Em 1936, uma rebelião de militares nacionalistas contra o governo republicano da Espanha marca o início da Guerra Civil Espanhola. O conflito armado termina em 1º de abril de 1939 com a vitória das forças do generalíssimo Francisco Franco, que impõe uma ditadura militar fascista até sua morte, em 1975.

Em fevereiro de 1936, são realizadas eleições com a Espanha dividida entre o Bloco Nacionalista, de direita, e a Frente Popular, de esquerda.

A esquerda vence, mas não consegue estabilizar o país. O comandante do Exército, general Francisco Franco, que não é filiado a nenhum partido político, defende a decretação de estado de emergência. É afastado do comando do Exército e enviado para uma guarnição menor nas Ilhas Canárias.

Por algum tempo, Franco se recusa a entrar para a conspiração contra o governo esquerdista, mas acaba aderindo.

Em 18 de julho de 1936, Franco divulga um manifesto apoiando a rebelião militar. No dia seguinte, vai para o Marrocos, onde assume o controle de uma das principais forças do Exército da Espanha.

As forças franquistas invadem a Espanha e marcham até Madri, mas são detidas nos arredores da capital espanhola. Quando preparam o assalto final à cidade, os militares decidem nomear um comandante em chefe da revolta. 

Em 1º de outubro de 1936, Franco é nomeado chefe de Estado do governo nacionalista. Apesar do apoio dos ditadores da Alemanha, Adolf Hitler, e da Itália, Benito Mussolini, leva quase três anos para assumir o controle sobre todo o país, em 1º de abril de 1939. Seu regime executa dezenas de milhares de espanhóis durante e logo após a guerra civil.

Apesar da simpatia pelos países do Eixo, a Espanha franquista fica neutra na Segunda Guerra Mundial. No pós-guerra a Espanha fascista é marginalizada pela recém-criada Organização das Nações Unidas (ONU). A reabilitação vem em 1953, quando, no auge da Guerra Fria, os Estados Unidos fazem um acordo militar de 10 anos com Franco.

Para tentar preservar a ditadura depois de sua morte, em 1947, Franco organiza um plebiscito que declara que a Espanha é uma monarquia, com ele como regente até o fim da vida. Em 1969, ele designa o príncipe Juan Carlos como sucessor.

Depois da morte do ditador, o rei Juan Carlos desmonta o regime autoritário, resiste à tentativa de golpe do coronel Antonio Tejero Molina, em 23 de fevereiro de 1981, e transforma a Espanha numa monarquia constitucional.

ABERTA A DISNEYLÂNDIA

     Em 1955, Walt Disney inaugura seu primeiro parque temático, a Disneylândia, construída numa área de 64 hectares em Anaheim, na Grande Los Angeles, na Califórnia, por US$ 17 milhões.

Disney nasce em Chicago em 1901 e funda seu primeiro estúdio em 1928, quando lança o primeiro desenho animado sonoro com o personagem-símbolo da Disneylândia, o camundongo Mickey. É um sucesso que continua até hoje com os outros filmes de animação de Disney.

ACOPLAMENTO EUA-URSS

    Em 1975, em plena Guerra Fria, as superpotências se encontram no espaço pela primeira vez, quando a nave espacial americana Apolo 18 se acopla à espaçonave soviética Soyuz 19.

O secretário-geral das Nações Unidas, Kurt Waldheim, elogia os Estados Unidos e a União Soviética pelo espírito de paz e cooperação. 

É o período da détente, um degelo na Guerra Fria que termina com a invasão soviética ao Afeganistão em 24 de dezembro de 1979. Durante 44 horas, astronautas e cosmonautas fazem experiências e compartilham refeições.

Três anos depois da sexta viagem de americanos à Lua, é a última missão do Projeto Apolo. O acoplamento é um teste para possíveis missões de resgate no espaço. Hoje, começa a era do turismo espacial.

GUERRA NA UCRÂNIA DERRUBA AVIÃO DE PASSAGEIROS

   Em 2014, rebeldes ucranianos apoiados pela Rússia derrubam um avião de passageiros Boeing 777 da companhia aérea Air Malaysia na rota Amsterdã-Kuala Lumpur no espaço aéreo da Ucrânia, matando todas as 298 pessoas a bordo.

Várias companhias europeias alteram a rota dos seus voos por causa da guerra na Ucrânia, mas não a Air Malaysia. Os serviços secretos ocidentais gravam uma comunicação de um oficial russo que manda os rebeldes examinar os destroços do avião e fica indignado ao saber que havia aviões civis cruzando uma zona de guerra.

A Rússia alega que o avião é abatido pelos rebeldes, mas os rebeldes não têm força aérea e não derrubariam um avião russo. Daria pretexto para uma intervenção militar em grande escala, como acontece desde 24 de fevereiro de 2022. 

É o segundo avião da Air Malaysia a desaparecer em 2014. Em 8 de março, outro Boeing 777 some no Oceano Índico depois de ser desviado da rota Kuala Lumpur-Beijim, provavelmente pelo piloto, num mistério não esclarecido até hoje.

AMBULANTE NEGRO MORRE ASFIXIADO

       Em 2014, um policial de Nova York asfixia e mata com um golpe chamado de gravata o vendedor ambulante negro Eric Garner, suspeito de vender cigarros contrabandeados, que reclama várias vezes dizendo: "Eu não consigo respirar."

Garner, de 43 anos, pai de seis filhos, é conhecido como o "pacificador da vizinhança" na ilha de Staten e também por vender cigarros ilegalmente no terminal de ferryboats.

Os agentes Daniel Panteleo e Justin D'Amico atendem a um chamado por causa de uma suposta briga iniciada por Garner, discutem com o ambulante e Pantaleo aplica o golpe, proibido pelo Departamento de Polícia de Nova York.

Quando as imagens são divulgadas e viralizam nas redes sociais, deflagram uma onda de protestos. A decisão de um júri popular de não denunciar o policial assassino, em 3 de dezembro, causa uma revolta ainda maior.

"Eu não consigo respirar" vira slogan para o movimento contra o racismo e a violência policial Vidas Pretas Importam. A frase é repetida várias vezes por George Floyd, morto em 25 de maio de 2020 pelo policial Derek Chauvin, que o asfixia com um joelho no pescoço durante 9min25seg.

O homicídio brutal provoca uma onda de protestos em dezenas de países. Chauvin é condenado a 22 anos e meio. Os três policiais que o acompanham e nada fazem para salvar Floyd também são condenados.

MORRE LÍDER HISTÓRICO DO MOVIMENTO NEGRO

    Em 2020, morre o deputado e líder dos direitos civis John Lewis, um dos organizadores da Marcha sobre Washington por Empregos e pela Liberdade, liderada pelo reverendo Martin Luther King Jr., em 1963.

Sob a inspiração de Luther King, Lewis lidera o movimento contra a segregação racial em Nashville, no Tennessee. Durante uma marcha de Selma a Montgomery, no Alabama, a violenta repressão policial no Domingo Sangrento, 7 de março de 1965, fratura o crânio do jovem líder negro.

Lewis não se intimida. A marcha é concluída dias depois pelo Dr. King. Em agosto de 1965, o Congresso aprova a Lei dos Direitos de Voto, garantindo o direito de voto para os afroamericanos, parcialmente revogada recentemente pela Suprema Corte.

Com a derrota de Donald Trump na eleição de 2020, os estados de maioria republicana aprovam uma série de reformas para dificultar o voto das minorias, redesenhando distritos eleitorais, reduzindo horários e o número de locais de votação para garantir a supremacia branca.

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quinta-feira, 9 de julho de 2026

Hoje na História do Mundo: 9 de Julho

CATARINA A GRANDE, CZARINA DA RÚSSIA

    Em 1762, Catarina II, a Grande, se torna czarina depois de dar um golpe contra o marido, Pedro III. Ela governa até a morte, em 17 de novembro de 1796, num despotismo iluminado, um reinado inspirado pelo Iluminismo, de expansão do império e renascimento da cultura, da ciência e das artes.

A princesa Sophie Friederike Auguste von Anhalt Zerbst Dornburg nasce em 2 de maio de 1729 em Stettin, na Província da Pomerânia, no Reino da Prússia, parte do Sacro Império Romano-Germânico. Dois primos, Gustavo III e Carlos XIII se tornam reis da Suécia.

Ela adota o nome de Catarina quando se converte à Igreja Cristã Ortodoxa Russa, em 28 de junho de 1744. No ano seguinte, em 21 de agosto de 1745, Catarina se casa com o príncipe Pedro. O casamento leva anos a se consumar. Isto a faz se aproximar de nobres e grupos políticos que não gostam de seu marido.

Leitora ávida de livros, especialmente em francês, Catarina conhece as ideias do filósofo liberal francês Voltaire, uma de suas grandes influências, futuro conselheiro da Imperatriz de Todas as Rússias. Nos Anais, do historiador romano Tácito, ela aprende que o poder não se exerce por idealismo, mas por "motivos e interesses secretos".

Catarina confessa em suas memórias que perde a virgindade com Serguei Saltikov e diz que seu filho é dele, mas na versão final, para evitar problemas na sucessão, afirma que o futuro czar Paulo I, é filho de Pedro III. Ela tem casos amorosos escandalosos com vários nobres da corte: Stanislaus Augustus Toniakowski, Grigory Orlov, Alexander Vasilchikov, Grigory Potenkim e Ivan Korsakov, entre outros.

Com a morte da imperatriz Elizabeth, em 5 de janeiro de 1762, seu marido ascende ao trono como Pedro III. Apesar da má reputação, em seu curto reinado de seis meses, o czar faz reformas importantes: instaura a liberdade religiosa, incentiva a educação, tenta reformar o Exército, abole a polícia secreta, conhecida por sua violência extrema, e proíbe os proprietários de terras de matar servos sem julgamento.

A mulher o considera "bêbado" e "idiota". Diz que "não há nada pior do que ter um marido infantil". Diante da ameaça de golpe, ele tenta fugir, mas é preso e forçado a abdicar em 9 de julho de 1762, depois que o Exército, a Marinha e o Senado declaram apoio a Catarina. Peter III morre, provavelmente assassinado, mas não se conhecem os detalhes de sua morte.

O czar Pedro I, o Grande, considerado o fundador do Império Russo, chega até o Mar Negro, com as campanhas de Azov (1695-96), durante a Guerra Russo-Turca (1686-1700). A Rússia se torna a potência dominante nos Bálcãs em outra Guerra Russo-Turca (1768-74), quando o país se torna "protetor do cristãos ortodoxos" no Império Otomano.

No fim desta guerra, estoura a Guerra Camponesa, Rebelião dos Cossacos ou Rebelião de Pugachev (1773-75), liderada por Yemelian Pugachev, que anuncia a formação de um governo paralelo em nome do czar Pedro III e proclama o fim da servidão. Depois de uma reação inicial fraca, a revolta é esmagada no fim de 1774. Pugachev é preso e executado em 21 de janeiro de 1775 em Moscou.

Outra marca do reinado de Catarina II é a divisão da Polônia, que acontece em três etapas, em 1774, 1792, quando a Comunidade Polaco-Lituana é dividida entre Rússia e Prússia, e em 1795, quando o país é dividido entre Áustria, Rússia e Prússia. A Polônia e a Lituânia deixam de existir como países independentes por 123 anos, até o fim da Primeira Guerra Mundial (1914-18).

Fã da ciência e do Iluminismo, a imperatriz se vacina contra a varíola para dar o exemplo a seus súditos. A retrógrada rainha portuguesa Dona Maria I, a Louca, não faz isso e perde o primogênito para a doença.

Duante o reinado de Catarina a Grande, o Império Russo conquista 520 mil quilômetros quadrados, inclusive a Crimeia, a Nova Rússia (nome que o ditador Vladimir Putin usa para falar da Ucrânia), a Rússia Branca, a Lituânia e a Curlândia, e funda cidades como Odessa, Sebastopol e Kherson. A colonização do Alasca, vendido aos Estados Unidos em 30 de março de 1867, começa sob Catarina II.

INDEPENDÊNCIA DA ARGENTINA

      Em 1816, o Congresso Geral Constituinte, reunido em San Miguel de Tucumán, proclama a independência da Argentina. A declaração não define um sistema de governo, se será uma monarquia ou república.

A América Latina se torna independente em consequência da invasão de Napoleão Bonaparte à Península Ibérica, sob a inspiração da independência dos Estados Unidos e da Revolução Francesa, mas o Congresso de Viena (1815) restaura as monarquias europeias depois do fim das guerras napoleônicas. Então, há dúvidas.

As vitórias da resistência crioula às invasões britânicas de 1806 e 1807 acendem a chama da independência nos países do Rio do Prata. As invasões napoleônicas acabam com o poder imperial da Espanha e seu representante, o vice-rei em Buenos Aires. 

Em 13 de maio de 1810, chega a Buenos Aires a notícia de que Sevilha caíra em poder de Napoleão. Era o último bastião da monarquia espanhola. A Revolução de Maio vai de 18 a 25 de maio. É a primeira revolta bem-sucedida na independência da América do Sul. O movimento pela independência convoca o Cabildo Aberto, destitui o vice-rei em 22 de maio e cria uma junta de governo sob a presidência de Cornelio Saavedra.

Quando o Congresso se reúne em Tucumán, as Províncias Unidas do Prata estão divididas por causa da posição hegemônica assumida por Buenos Aires desde a Revolução de Maio, com resistência de outras províncias, especialmente de José Artigas, o grande herói do Uruguai, que quer criar uma federação platina.

Além do risco de guerra civil, há a ameaça de uma invasão da Espanha, que recupera a soberania com o fim da Guerra Peninsular (1808-14) contra Napoleão Bonaparte. É preciso organizar o país e o apresentar ao mundo como uma sociedade civilizada. Declarar a independência e redigir uma Constituição são fundamentais.

PRIMEIRO TORNEIO DE WIMBLEDON

    Em 1877, começa em Londres o primeiro Campeonato de Wimbledon, o mais tradicional torneio de tênis do mundo. 

A primeira edição tem 21 tenistas amadores que disputam o título de campeão masculino de simples, a única categoria em disputa. Na final, Spencer Gore vence William Marshall por 3-0 (6-1, 6-2, 6-4) com um jogo forte na rede. No ano seguinte, perde para Frank Hadow, especialista numa nova técnica: o lobe.

O tênis tem origem num jogo francês do século 13, jeu de paume, o jogo da palma, que evolui para um esporte de bolinha e raquete disputado em quadra fechada, o tênis real. Por fim, se transforma no tênis na grama.

O All England Croquet and Lawn Tennis Club, fundado em 1868, organiza o torneio desde 1877. A grama sagrada de Wimbledon é sede do único torneio importante disputado hoje na grama.

CEM METROS NADO LIVRE EM MENOS DE UM MINUTO

    Em 1922, o norte-americano Johnny Weissmüller nada 100 metros em menos de um minuto. O tempo de 58,6 segundos é o novo recorde mundial.

Janus Peter Weissmüller nasce em Szabadfalva, hoje parte da Romênia, no então Império Austro-Húngaro, em 2 de junho de 1904. No ano seguinte, seu pai e sua mãe emigram para os Estados Unidos. A família chega ao Nova York, vai para Windbar, na Pensilvânia, e depois para Chicago. Na praia de Fullerton, no Lago Michigan, Johnny recebe as primeiras aulas de natação.

Além de recordes, conquista cinco medalhes de ouro. Ganha os 100 metros nado livre e o revezamento 4 x 200 m nas olimpíadas de Paris, em 1924, e Amsterdã, em 1928. Em Paris, também ganha o ouro nos 400 m nado livre e uma medalha de bronze no polo aquático.

Depois da carreira de nadador, Johnny Weissmüller entra para o cinema. Seu grande papel foi como Tarzan – o homem macaco, no primeiro filme de uma série em que um super-herói branco faz proezas na África, personagem criado pelo escritor norte-americano Edgar Rice Burroughs. 

Na mesmo linha, de um super-herói branco mais forte, mais inteligente e mais eficiente do que os nativos e não europeus (há indianos), estrela mais tarde o seriado de televisão Jim das Selvas.

FIM DO GRATEFUL DEAD

    Em 1995, a banda de rock psicodélico Grateful Dead, nascida na comunidade hippie de Haight-Ashbury, em São Francisco da Califórnia, faz em Chicago seu último show. O cantor, compositor, guitarrista e líder da banda, Jerry Garcia, o Capitão Barato, morre no mês seguinte.

O Grateful Dead toma este nome no fim de 1965. A formação original tem Jerry Garcia, Bob Weir (guitarra e voz), Ron Pigpen McKernan (teclados), Phil Lesh (baixo) e Bill Kreutzmann (bateria). Depois, entram Mickey Hart (bateria), Tom Constanten (teclado), Keith Godchaux (teclado), Donna Godchaux (voz) e Brent Mydland (teclado e voz).

Uma das grandes bandas do rock ácido de São Francisco, ao lado do Jefferson Airplane, o Grateful Dead mistura rock, jazz, bluegrass, blues e folk music – e se torna uma das bandas de maior sucesso da história apresentações ao vivo. De 24 a 31 de dezembro, o Dead faz concertos grátis em São Francisco. Suas turnês de verão nos Estados Unidos faturam em média mais de US$ 500 mil por show.

Como uma banda contracultural, o Dead sempre autoriza e estimula seus fãs, inclusive uma legião de seguidores fanáticos, a gravar seus concertos. Seus discos de estúdio nunca tiveram o mesmo sucesso dos shows. "Não há nada como um concerto do Grateful Dead", afirmam os fãs.

Tive a oportunidade assistir a um show memorável de quatro horas do Grateful Dead no Ventura County Fairgrounds, perto de Los Angeles, em julho de 1982, que terminou com It's All Over Now, de Bob Dylan.

UNIÃO AFRICANA

   Em 2002, nasce a União Africana (UA), sucessora da Organização de Unidade Africana (OUA), numa conferência em Durban, na África do Sul, com o objetivo é promover a cooperação, a integração e o desenvolvimento econômico dos 55 países do continente.

A OUA é fundada em 25 de maio de 1963, em Adis Abeba, na Etiópia, pelo imperador Hailé Salassié. Na época, os 32 países fundadores decidem não discutir as fronteiras traçadas pelo imperialismo por duas razões: seria motivo para guerras sem fim e o objetivo maior era integrar o continente.

Em quase 40 anos, a OUA não consegue cumprir seus objetivos, como evitar guerra, porque opera por consenso, o que gera uma paralisia. A UA é criada numa conferência realizada em Adis Abeba, em 26 de maio de 2001.

O modelo da UA é a União Europeia, para criar "uma África integrada, próspera e pacífica". Em 2018, 45 dos 55 países-membros assinam o Acordo de Livre Comércio Continental Africano. A área de livre comércio começa a funcionar em 1º de janeiro de 2021.

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