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quinta-feira, 7 de maio de 2026

Hoje na História do Mundo: 7 de Maio

TEATRO REAL

    Em 1663, é aberto o Teatro Real, mais conhecido hoje como Teatro Drury Lane, construído pelo pelo dramaturgo Thomas Killigrew para sua companhia de teatro, é aberto em Londres durante o período da Restauração da monarquia depois de breve experiência republicana da Inglaterra (1649-60).

É o mais antigo teatro em uso na Inglaterra. Fecha em 1665 e 1666. É destruído pelo fogo em 1672 e reconstruído na atual localização, provavelmente pelo arquiteto Christopher Wren, responsável pelo projeto da Catedral de São Paulo.

NASCIMENTO DE TCHAIKOVSKY

    Em 1840, nasce em Votkinsk, na Rússia, Piotr Ilich Tchaikovsky, o compositor russo mais popular, autor de clássicos como O Lago dos CisnesSuíte Quebra Nozes e A Bela Adormecida.
Desde criança, Tchaikovsky revela talento para a música. Aos 4 anos, faz sua primeira composição. Aos 5 anos, começa a estudar piano. Como a música praticamente não existe como carreira na Rússia daquela época, ele é educado para ser funcionário público.

Quando finalmente o pai percebe o talento musical do filho, contrata um professor profissional. Tchaikovsky viaja pela Europa. Vai à Alemanha, à França e ao Reino Unido. Na volta, entra para o recém-fundado Conservatório de São Petersburgo, onde se forma em 1865.

Sua música mescla a tradição musical russa com a música clássica do Ocidente. Sua obra inclui 7 sinfonias, 11 óperas, 3 balés, 5 suítes, 3 concertos para piano, um concerto para violino, 11 aberturas, 4 cantatas, 20 canções para coral, 3 para quarteto de cordas, uma para um sexteto de cordas e mais de 100 músicas e peças para piano.

BATALHA DO ATLÂNTICO

    Em 1915, durante a Primeira Guerra Mundial (1914-18), um submarino da Alemanha afunda o navio de passageiros britânico Lusitania. A guerra dos submarinos alemães contra o transporte marítimo no Oceano Atlântico é a principal causa da entrada dos Estados Unidos na guerra.
A Primeira Batalha do Atlântico é uma campanha naval entre o Império da Alemanha contra o Reino Unido e a França, aos quais os EUA se juntam em 1917. O principal objetivo da Alemanha é impedir a chegada de suprimentos aos inimigos.

Em resposta, a Marinha Real britânica bloqueia os portos alemães para impedir a entrada de suprimentos. A Alemanha tem uma frota maior de submarinos e bombardeia indiscriminadamente navios mercantes e de passageiros. Os navios vão em pequenas frotas e os aliados desenvolvem equipamentos como radar e sonar para se proteger.

O Lusitânia é o maior navio do mundo quando fabricado, em 1907. Tem o recorde de velocidade da travessia do Atlântico na época, 24 nós ou 44,45 km/h.

No ataque ao Lusitania, 1.198 das 1.959 pessoas a bordo morrem afogadas, inclusive 128 norte-americanos. É o sinal de que a Batalha do Atlântico vira uma guerra indiscriminada. Isto ajuda a virar a opinião pública dos EUA, que historicamente é contra o envolvimento do país em guerras na Europa.

Ao todo, cerca de 5 mil navios civis são atacados pela Alemanha no Oceano Atlântico. Cem navios de guerra dos aliados e 178 submarinos alemães vão a pique na guerra.

Outra causa importante da entrada dos EUA na guerra é o Telegrama Zimmermann, uma mensagem telegráfica secreta enviada em janeiro de 1917 pelo ministro do Exterior da Alemanha, Arthur Zimmermann, ao embaixador alemão na Cidade do México, Heinrich von Eckardt, propondo uma aliança com o México para ajudar o país a recuperar os territórios conquistados pelos EUA na Guerra Mexicano-Americana (1846-48). Em abril de 1917, os EUA declaram guerra à Alemanha.

A entrada dos EUA na guerra é decisiva para a vitória dos aliados. Em março de 1918, a Rússia, derrotada na frente oriental, está em revolução, e a Alemanha leva vantagem na frente ocidental até os EUA entrarem em combate.

NASCIMENTO DE EVITA

    Em 1919, nasce em Los Toldos, na Argentina, María Eva Duarte. Como segunda mulher do general Juan Domingo Perón, Eva Perón ou Evita se torna uma grande líder popular, a Mãe dos Pobres e dos Descamisados. Até hoje, o casal domina e assombra a política argentina.
Filha ilegítima de uma cozinheira, Evita nasce pobre no interior da província de Buenos Aires. Aos 16 anos, vai para a capital argentina, onde trabalha como modelo e atriz de teatro, cinema e radioteatro.

Ela conhece Perón num evento beneficente no ginásio de esportes Luna Park em 22 de janeiro de 1944, quando ele é vice-presidente, ministro do Trabalho e ministro da Guerra. 

Outra atriz sentada ao lado do coronel Perón se levanta e Evita não perde a oportunidade. Senta ao lado dele e diz uma frase histórica: "Coronel, obrigada por existir." Eles viram amantes.

Sob pressão da ala conservadora do Exército, Perón é demitido em 9 de outubro de 1945 e preso quatro dias depois. Uma onda de protestos populares organizados pela Confederação Geral do Trabalho (CGT) com a participação de Evita, então apenas uma atriz, força a sua libertação em 17 de outubro, festejado como o Dia da Lealdade, a data magna do peronismo.

Naquele dia, Perón faz seu primeiro discurso triunfante na janela da Casa Rosada diante de uma multidão reunida na Praça de Maio, ao lado de Evita, com quem se casa quatro dias depois.

Com os votos de mais de 1,5 milhão de argentinos, 53% do eleitorado, Perón é eleito presidente da Argentina em 24 de fevereiro de 1946.

Evita cuida das obras sociais do governo. É ministra do Trabalho e do Bem-Estar Social e preside a Fundação Eva Perón, criada em 1948, com orçamento anual de US$ 50 milhões, que distribui generosamente dinheiro, empregos e moradia para os descamisados, os migrantes vindos do interior.

Em entrevista ao escritor Tomás Eloy Martínez, em 1970, Perón declara que “Evita foi uma criação minha”, negando que a imagem de sua segunda mulher tenha se tornado maior do que a dele. Essa posição é defendida hoje por peronistas que acusam a oligarquia argentina de inflar o mito de Evita para torná-la maior do que o caudilho.

A primeira-dama é fundamental na campanha para a introdução do voto feminino, em 1947. Chega a ser cotada como candidata a vice-presidente, mas enfrenta forte resistência dos conservadores e militares.

Um grande comício realizado pela CGT em 22 de agosto de 1951 é insuficiente para virar o jogo. Depois de uma tentativa de golpe em 28 de setembro, a candidatura Evita é abandonada.

SANTA EVITA
Uma espécie de Cinderela vingadora, Eva Perón morre de câncer no útero menos de um ano depois, em 26 de julho de 1952, no auge de sua popularidade. É convertida numa santa.

Seu funeral dura quatro dias para que todos possam dar adeus à mãe dos pobres. De maio de 1952 a julho de 1954, dois anos depois de sua morte, o Vaticano recebe mais de 40 mil cartas pedindo a canonização de Evita.

Mais da metade das meninas nascidas em algumas províncias argentinas naquela época foram batizadas Eva ou María Eva. As adolescentes pintavam o cabelo de louro. Evita ditava a moda.

DISPUTA PELO CADÁVER
Quando Evita morre, o plano é construir um memorial em sua homenagem. Ela seria enterrada na base de um monumento aos descamisados. Como o líder da revolução comunista na Rússia, Vladimir Lenin, seu corpo embalsamado ficaria em exposição ao público.

Antes da conclusão da obra, Perón é derrubado por golpe militar, a Revolução Libertadora de 16 de setembro de 1955. Foge sem se preocupar com a múmia de Evita, que desaparece da sede da CGT, em Buenos Aires, onde ficara. De 1955 a 1971, o peronismo é proscrito na Argentina. É proibido ter fotos de Eva e Juan Perón em casa e até mesmo citar seus nomes.

Em 1957, com a ajuda do Vaticano, o cadáver de Evita é retirado da Argentina e enterrado com nome falso na Itália.

Só em 1971 os militares revelam que a ex-primeira-dama está enterrada numa cripta em Milão, na Itália, com o nome de María Maggi. Naquele ano, o corpo é exumado e entregue ao general Perón no exílio na Espanha.

Depois da morte de Perón, em 1974, a terceira mulher do caudilho, María Estela Martínez de Perón, a Isabelita, assume o governo e repatria o cadáver de Evita, que fica um tempo ao lado dos restos de Perón na Quinta de Olivos, residência oficial dos presidentes da Argentina. Sem o talento político de EvitaIsabelita não se sustenta no cargo.

Com o golpe militar de março de 1976, mais uma vez os peronistas temem pelo destino dos restos mortais da grande líder de massas. Em outubro daquele ano, sob a supervisão da ditadura, o cadáver de Evita é levado de Olivos para o Cemitério da Recoleta, onde estão enterrados os grandes líderes da oligarquia argentina, e sepultado no mausoléu da família Duarte.

Até hoje, os dois cadáveres têm presença dominante. Ainda assombram e dominam a política argentina. O atual presidente, Javier Milei, de extrema direita, quer erradicar o peronismo, mas o aumento da desigualdade social joga a favor de Perón. 

RENDIÇÃO DA ALEMANHA

    Em 1945, uma delegação da Alemanha Nazista chefiada pelo general Alfred Jodl vai até quartel-general do comandante militar aliado, general Dwight Eisenhower, para assinar os documentos de rendição. A Segunda Guerra Mundial (1939-45) na Europa termina no dia seguinte.

A guerra começa com a invasão da Polônia por ordem do ditador nazista Adolf Hitler, em 1º de setembro de 1939. Dias antes, em 23 de agosto, Hitler faz um pacto de não agressão com o ditador soviético, Josef Stalin. Eles dividem a Polônia.

Depois da rendição da França, em 22 de junho de 1940, e da derrota na Batalha da Inglaterra, em outubro do mesmo ano, a Alemanha rompe o pacto e invade e União Soviética em 22 de junho de 1941.

Os Estados Unidos entram na guerra em 7 de dezembro de 1941, quando a Força Aérea do Japão bombardeia a Frota do Pacífico dos EUA, baseada em Pearl Harbor, no Havaí.

A Alemanha perde a Batalha de Moscou, travada de 2 de outubro de 1941 a 7 de janeiro de 1942, e seu Exército da África sofre uma grande derrota na Batalha de Al Alamein, no Egito, em 11 de novembro de 1942.

Na frente oriental, a ofensiva alemã na Europa Oriental é contida com a derrota na Batalha de Stalingrado, em 2 de fevereiro de 1943. A partir daí, o Exército Vermelho lança uma contraofensiva que vai até Berlim, em 8 de maio, Dia da Vitória na Europa.

Os aliados ocidentais invadem a Sicília, na Itália, em 9 de julho de 1943 e a Normandia, na França, em 6 de junho de 1944. Depois da Batalha de Ardenne, no Norte da França, de 16 de dezembro de 1944 a 25 de janeiro de 1945, o caminho está aberto na frente ocidental e os aliados convergem para a Alemanha.

FIM DA INDOCHINA FRANCESA

    Em 1954, depois de 57 dias de cerco, os guerrilheiros comunistas do Viet Minh, sob o comando do general Vo Nguyen Giap, obtém uma vitória decisiva contra a França na Batalha de Dien Bien Phu, no Nordeste do Vietnã, e acabam com a Indochina Francesa, fundada em 1887, que colonizava o Laos, o Camboja e o Vietnã.

Horas depois da rendição incondicional do Japão, fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45), em 2 de setembro de 1945, o líder comunista Ho Chi Minh proclama a independência da República Democrática do Vietnã.

Em 1946, quando a França tenta reimpor o regime colonial, começa a Primeira Guerra da Indochina (1946-54). Quando termina, o acordo de paz mediado pelas Nações Unidas divide o Vietnã ao longo do paralelo 17º Norte em Vietnã do Norte e do Sul, e propõe a realização de eleições em dois anos para unificar o país.

Como os comunistas liderados por Ho Chi Minh são favoritos, os Estados Unidos, superpotência líder do mundo capitalista durante a Guerra Fria, herdam o espaço geopolítico dos decadentes impérios britânico e francês – e vetam as eleições. 

Em 1º de novembro de 1955, começa a Segunda Guerra da Indochina ou Guerra do Vietnã (1955-75), que termina em 30 de abril de 1975, com a queda de Saigon, hoje Cidade de Ho Chi Minh, e do regime-fantoche sustentado pelos EUA depois de milhões de mortes.

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quinta-feira, 2 de abril de 2026

Hoje na História do Mundo: 2 de Abril

PRIMEIRO EUROPEU NA FLÓRIDA

    Em 1513, o explorador espanhol Juan Ponce de León é o primeiro europeu a desembarcar na costa da Flórida.

Ponce de León nasce em Santervás de Campos em 8 de abril de 1460 numa família nobre. Ele serve o Exército da Espanha. Chega à América pela primeira vez na segunda viagem de Cristóvão Colombo. Depois de descobrir a América com uma flotilha de três navios, Colombo sai de Cádiz em 24 de setembro de 1493 com 17 navios e cerca de 1,5 mil homens.

No início do século 16, Ponce de León é um alto funcionário militar do governo de Hispaniola, a ilha hoje dividida entre Haiti e República Dominica, a primeira colônia espanhola na América. Em 1509, é nomeado o primeiro governador de Porto Rico, mas perde o cargo dois anos depois para Diego Colón, filho de Colombo.

Ele explora a costa da Flórida, batiza o atual estado norte-americano e mapeia a costa até os caios no extremo sul, o ponto mais ao sul do território continental dos Estados Unidos, e depois segue em rumo norte pela costa oeste da Flórida até a Baía Apalache.

De volta à Espanha em 1514, Ponce de León é renomeado governador de Porto Rico com autorização para explorar a Flórida. Em 1521, ele faz a primeira tentativa de colonização europeia de um território que hoje faz parte dos EUA. O projeto é abandonado pela violenta reação dos índios calusas.

Ferido, ele vai para Cuba, onde morre em Havana em julho de 1521. Ponce de León está enterrado na Catedral de San Juan Bautista, em São João de Porto Rico.

CAPITAL DO SUL CAI

    Em 1865, diante do avanço das forças da União (Norte), as tropas do Sul se retiram de Richmond, na Virgínia, capital dos Estados Confederados da América, que se rendem em 9 de abril, no fim da Guerra da Secessão (1861-65).

A Guerra Civil norte-americana começa em 12 de abril de 1861, depois que vários estados do Sul deixam a União e formam a Confederação em 8 de fevereiro de 1861, antes da posse em março do presidente Abraham Lincoln, que é a favor de abolir a escravatura. Com 620 mil mortes, é a mais sangrenta das guerras da história dos EUA.

Richmond se torna capital da Confederação em 8 de maio de 1861. Antes, era Montgomery, no Alabama. A União faz várias tentativas de capturar a capital inimiga. 

Em 1862, o general George McClellan sobe o Rio James até os subúrbios da cidade, mas é repelido pelo comandante militar do Sul, general Robert Lee, na Batalha dos Sete Dias, de 25 de junho a 1º de julho.

O general Ulysses Grant, o comandante militar do Norte, cerca a vizinha Petersburgo em 1864-5. No início da abril de 1865, os sulistas fogem de Richmond e tocam fogo nos suprimentos para que nào caiam nas mãos do inimigo.

WILSON DECLARA GUERRA

    Em 1917, o presidente Woodrow Wilson pede ao Congresso dos Estados Unidos que declare guerra à Alemanha para entrar na Primeira Guerra Mundial (1914-18), o que é fundamental para a vitória dos aliados ocidentais.

Duas questões levam os EUA à guerra: os ataques de submarinos alemães ao comércio transatlântico e o Telegrama Zimmermann, de 16 de janeiro de 1917, em que o ministro do Exterior alemão, Arthur Zimmermann, oferece ajuda para o México reconquistar os territórios tomados pelos EUA na Guerra Mexicano-Americana (1846-48), que junto com o Texas eram mais de 40% do território mexicano, em troca da aliança na guerra.

Para romper o isolacionismo dos EUA e a decisão histórica de não se envolver em guerras no exterior, especialmente na Europa, como queria o primeiro presidente, George Washington, Wilson argumenta que "é a guerra para acabar com todas as guerras".

No fim da guerra, Wilson apresenta seu plano de paz de 14 pontos, que serve de base para a Conferência de Paz de Versalhes, em 1919, conhecida como "a paz para acabar com todas as pazes" por causa das exigências exageradas de reparação e da humilhação da Alemanha, o que alimenta o revanchismo nazista e causa a Segunda Guerra Mundial (1939-45).

Como o Senado dos EUA não ratifica a Convenção da Liga das Nações, por acreditar que a participação afetaria a soberania do país, a primeira organização internacional de caráter universal dedicada à paz mundial nasce sem o país mais importante e não consegue evitar invasão da China pelo Japão, a invasão da Etiópia pela Itália Fascista e a anexação da Áustria e da Tcheco-Eslováquia pela Alemanha Nazista. 

MALVINAS ARGENTINAS

    Em 1982, em meio à guerra suja contra as esquerdas, sob pressão internacional por causa das violações dos direitos humanos, a ditadura militar da Argentina invade as Ilhas Malvinas, que os ingleses chamam de Falklands, uma colônia do Império Britânico desde 1833, perdida no Sul do Oceano Atlântico.

Nos anos 1970, há uma possibilidade de negociação de soberania, a exemplo do acertado em 1984 pelo Reino Unido para devolver Hong Kong à China, mas a violência do regime militar instalado em Buenos Aires em 24 de março de 1976, acusado da morte de até 30 mil pessoas, inibe qualquer iniciativa.

A Argentina proclama a independência em 1816. Quatro anos depois, reivindica a soberania sobre as Malvinas. Chega a erguer um forte na Ilha do Leste, em 1832, destruído pela Marinha Real.

Em 1981, em plebiscito, os 1,8 mil kelpers, nome dos colonos britânicos, decidem manter o vínculo com a coroa britânica. No mesmo ano, em 22 de dezembro, o comandante do Exército, general Leopoldo Fortunato Galtieri, assume a Presidência da Argentina.

Para dar um golpe dentro do golpe e se tornar ditador, Galtieri promete à Marinha, a mais poderosa força armada argentina, tomar as Malvinas, pressupondo que o Império Britânico não iria à guerra por "umas ilhotas". 

As forças de assalto anfíbio da Argentina logo dominam a pequena guarnição de fuzileiros navais britânicos em Porto Stanley, a capital das Falklands. No dia seguinte, tomam as ilhas Sanduíche e a Geórgia do Sul. 

Mas grandes potências não costumam ser humilhadas. A primeira-ministra britânica, Margaret Thatcher, envia uma força-tarefa de 30 navios de guerra, que percorrem 13 mil quilômetros para chegar às Malvinas.

Em 25 de abril, os britânicos reconquistam a Geórgia do Sul e prendem o governador militar argentino, o capitão Alfredo Astiz, mais conhecido como o Anjo da Morte, um notório torturador e assassino, responsável pela morte de Dagmar Hagelin, uma adolescente sueco-argentina de 17 anos, e de freiras francesas, quando servia na Escola Superior de Mecânica da Armada (ESMA), o pior centro de detenção e tortura da ditadura militar. 

Depois da guerra, Thatcher ignora os pedidos de extradição da Suécia e solta o Anjo da Morte, processado e condenado na Argentina quando os processos sào reabertos, a partir de 2005, no governo Néstor Kirchner (2003-7).

As tropas britânicas desembarcam na Malvina do Leste em 21 de maio. Os argentinos se rendem em 14 de junho. Ao todo, 649 argentinos, 255 militares e três civis britânicos morrem na Guerra das Malvinas. Desmoralizada, a junta militar argentina convoca eleições e devolve o poder aos civis em 10 de dezembro de 1983.

Thatcher obtém, em 1983, sua maior vitória eleitoral e a mais ampla maioria na Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico desde 1935. A partir daí, adota suas medidas mais radicais, enfrenta e derrota uma grave de mineiros de um ano e amplia o programa de privatização.

MORTE DE JOÃO PAULO II

    Em 2005, João Paulo II, o papa que mais viajou na história e o primeiro não italiano desde o século 16, morre no fim de um pontificado de 26 anos e meio em que fez história ao lutar contra o comunismo na Europa Oriental e na sua nativa Polônia. 

Karol Jozef Wojtila nasce em Wadowice em 18 de maio de 1920. É arcebispo de Cracóvia, uma capital imperial polonesa, quando ascende ao trono de São Pedro. Por não ser italiano, tem a missão de levar a mensagem da Igreja Católica pelo mundo, o que explica o grande número de viagens a 129 países.

João Paulo II é um papa conservador que alinha claramente a Igreja Católica ao Ocidente na reta final da Guerra Fria e combate a "opção preferencial sobre os pobres" da Teologia da Libertação na América Latina. Ele se aproxima de outras igrejas, mas é contra métodos anticoncepcionais e a ordenação de mulheres, além de ser considerado leniente na investigação sobre os abusos sexuais cometidos dentro da Igreja.

Seis dias depois de sua morte, dois milhões de pessoas participam do funeral, um dos maiores da história, na Cidade do Vaticano.
 
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quinta-feira, 26 de março de 2026

Hoje na História do Mundo: 26 de Março

LEI DO ASSASSINATO

     Em 1752, entra em vigor no Reino Unido a Lei do Assassinato, que impõe penas rigorosas para condenados por homicídio, inclusive o uso de seus cadáveres para dissecação.

Os legisladores esperam que isto ajude a atender à necessidade de cadáveres para estudo e treinamento de cirurgiões. Na época, ladrões roubavam corpos para vender.

A Lei do Assassinato fracassa e é substituída em 1832 pela Lei da Anatomia,

VACINA CONTRA PÓLIO

    Em 1953, o médico norte-americano Jonas Salk anuncia que testou com sucesso uma vacina contra a poliomielite, doença causadora da paralisia infantil.

No ano anterior, uma epidemia de pólio atinge 58 mil pessoas e causa 3 mil mortes nos Estados Unidos.

O primeiro grande surto de poliomielite nos EUA é registrado no estado de Vermont, em 1894. No início do século 20, há milhares de casos por ano, principalmente em crianças, mas também em adultos.

O futuro presidente Franklin Delano Roosevelt teve pólio aos 39 anos, em 1921, e ficou parcialmente paralítico.

Depois, o dr. Albert Sabin cria a vacina oral contra a poliomielite e campanhas de vacinação erradicam a doença em praticamente todo o mundo. Os únicos países onde há focos importantes da doença são o Afeganistão e o Paquistão, onde os Estados Unidos usaram campanhas de vacinação para descobrir o esconderijo do terrorista Ossama ben Laden.

Com as campanhas antivacinas, hoje há um sério risco de volta da doença.

INDEPENDÊNCIA DE BANGLADESH

    Em 1971, a Liga Awami forma um governo no exílio em Calcutá, hoje Kolkota, na Índia, e proclama a independência de Bangladesh, na época conhecido como Paquistão Oriental.

O futuro país passa a fazer parte do Império Britânico em 1858, quando este assume o controle da Índia. Quando a Índia e o Paquistão conquistam a independência, em 1947, vira o Paquistão Oriental. 

A declaração de independência marca o início de uma guerra civil de nove meses em que recebe o apoio da Índia, inimiga histórica do Paquistão, o que deflagra a Guerra Indo-Paquistanesa de 1971. A vitória vem em 16 de dezembro, depois de 3 milhões de mortes, da fuga de 8 a 10 milhões de pessoas para a Índia e do estupro de 200 mil mulheres.

A guerra leva à fome de grande parte da população de um dos países mais pobres do mundo, levando o ex-beatle George Harrison a organizar o Concerto para Bangladesh para arrecadar dinheiro para as vítimas da guerra.

Com cerca de 171,5 milhões de habitantes, Bangladesh é o oitavo maior país do mundo em população e o quarto com maior número de muçulmanos depois da Indonésia, do Paquistão e da Índia.

ACORDOS DE CAMP DAVID

    Em 1979, o presidente do Egito, Anuar Sadat, e o primeiro-ministro de Israel, Menachem Begin, assinam os Acordos de Camp David, mediados pelo presidente dos Estados Unidos, Jimmy Carter.

Quando as Nações Unidas aprovam a criação do Estado de Israel, em 29 de novembro de 1947, e o país é fundado, em 14 de maio de 1948, os países árabes não aceitam. A Guerra da Independência de Israel vai até 10 março de 1949.

A derrota árabe humilhante causa a Revolução dos Coronéis e a queda do rei Faruk no Egito. Ascende ao poder no Cairo o coronel Gamal Abdel Nasser, que se torna o grande líder do nacionalismo pan-árabe ao enfrentar as potências coloniais europeias e nacionalizar o Canal de Suez.

Com o apoio da França e do Reino Unido, em 19 de outubro de 1956, Israel declara guerra ao Egito. Em plena crise internacional porque a União Soviética ataca a Hungria para acabar com uma revolta contra o regime stalinista, os Estados Unidos suspendem o apoio do Fundo Monetário Internacional às economias britânica e francesa, ainda abaladas pela Segunda Guerra Mundial (1939-45).

Os invasores se retiram. O Egito fica com o Canal de Suez e Nasser sai fortalecido.

Em 1967, Nasser fecha o Estreito de Tiran aos navios israelenses. Quando manda a força de paz da ONU sair da Península do Sinai, Israel vê o risco de uma guerra iminente e ataca as forças aéreas do Egito, da Jordânia e da Síria em terra, deflagrando a Guerra dos Seis Dias.

De 5 a 10 de junho de 1967, Israel obtém uma vitória esmagadora e ocupa a Faixa de Gaza e a Península o Sinai, que pertenciam ao Egito; as Colinas do Golã, da Síria; e a Cisjordânia, inclusive o setor oriental (árabe) de Jerusalém, que eram parte da Jordânia.

Para tentar retomar os territórios ocupados, a Guerra do Yom Kippur começa, em 6 de outubro de 1973, com a maior empreitada militar árabe da era moderna. Mais de 100 mil soldados egípcios cruzam o Canal de Suez para entrar no Sinai.

Na época, Israel tem o apoio incondicional dos EUA, que fazem a maior ponte aérea militar da história. Entregam 22,325 mil toneladas de equpamento militar, armas e munições a Israel diretamente no campo de batalha.

Quando Israel cerca o 3º Exército do Egito no Sinai e está prestes a destruí-lo, a URSS ameaça entrar na guerra e entra em alerta nuclear.

Mesmo assim, a conselho do secretário de Estado norte-americano Henry Kissinger, para recuperar o Sinai, Sadat abandona a aliança com a URSS, que deixa de ser uma grande potência no Oriente Médio. O líder egípcio se aproxima dos EUA e faz uma visita de surpresa a Israel de 19 a 21 de novembro da 1977, a primeira de um líder árabe, e discursa no Parlamento para promover a paz.

Os acordos de paz são negociados em Camp David, na casa de campo da Presidência dos EUA, de 5 a 17 de setembro de 1978. O tratado de paz entre Israel e o Egito é assinado formalmente em Washington em 26 de março de 1979.

NASCE O MERCOSUL

    Em 1991, os presidentes do Brasil, Fernando Collor de Mello; do Paraguai, general Andrés Rodríguez; da Argentina, Carlos Menem; e do Uruguai, Luis Alberto Lacalle; assinam o Tratado de Assunção, que cria o Mercado Comum do Sul (Mercosul).

A reaproximação entre Brasil e Argentina começa antes mesmo da redemocratização dos países. Durante o governo do general João Figueiredo, os dois países chegam a um acordo sobre a exploração energética da Bacia do Prata. Os argentinos temem que a Hidrelétrica de Itaipu esgote o potencial energético do Rio Paraná.

A integração regional do Cone Sul da América Latina avança com os encontros de cúpula dos presidentes José Sarney e Raúl Alfonsín depois da redemocratização do Brasil e da Argentina. Em 1985, eles assinam o Tratado de Iguaçu. 

O diálogo leva a um acordo nuclear para evitar uma corrida armamentista na região. Em 18 de julho de 1991, é assinado o Acordo de Guadalajara, pelo qual Brasil e Argentina se comprometem a usar a energia nuclear somente para fins pacíficos.

Com a crise da dívida externa e a hiperinflação que atinge os dois países nos anos 1980, quando a Argentina lança o Plano Austral e o Brasil o Plano Cruzado, a integração regional é vista como uma maneira de aumentar o poder de barganha em negociações internacionais. Não melhora as condições de renegociação das dívidas, mas fortalece o comércio regional, que sobe em cinco anos de US$ 1 bilhão para US$ 20 bilhões. Os presidentes Fernando Collor de Mello e Carlos Menem aproveitam o acordo para baixar tarifas de importação e promover a abertura comercial.

A meta de zerar as tarifas de importações e eliminar as barreiras não tarifárias até 31 de dezembro de 1994 nunca foi atingida. A Bolívia (1996), o Chile (1996), o Peru (2003), a Colômbia (2004), o Equador (2004), a Guiana (2013), e o Suriname (2013) são países associados. Fazem parte da zona de livre comércio, mas não da união aduaneira, que pressupõe a aplicação de uma tarifa externa comum na compra de produtos de fora do bloco.

A entrada da Venezuela como membro pleno em 31 de julho de 2012, sem adotar previamente as regras do bloco, criou um Mercosul mais político, menos voltado para a integração econômica. Em dezembro de 2016, a Venezuela é suspensa sob a acusação de violar a cláusula democrática do bloco.

Em julho de 2024, a Bolívia passa a ser membro pleno. Tem um prazo de quatro anos para se adequar à legislação do Mercosul.

MIKE TYSON SENTENCIADO

    Em 1992, o boxeador peso-pesado Mike Tyson é sentenciado a seis anos de prisão após ser condenado por crime de estupro em Indianápolis, no estado de Indiana.

Tyson nasce no Brooklyn, em Nova York, em 30 de junho de 1966, e desde muito cedo passa a fazer parte de gangues de rua. Em 1978, com 12 anos, 80 quilos e uma musculatura formidável, é enviado para o reformatório, onde o aficcionado de boxe Bobby Stewart vê potencial para uma carreira no boxe. 

Aos 20 anos, em 22 de novembro de 1986, ele se torna o mais jovem campeão mundial da categoria peso-pesado com um estilo extremamente agressivo em que avança em linha reta e tenta demolir o adversário no primeiro assalto.

Em 1988, Tyson casa com a atriz Robin Givens. Ela o acusa de abuso e o casal se divorcia no ano seguinte. Uma série de acusações de assédio e violência sexual é apresentada contra o boxeador.

Contra todas as expectativas, em 11 de fevereiro de 1990, ele perde o título mundial para James Buster Douglas. Em 1991, Tyson é acusado de estuprar uma candidata a miss. É condenado e preso em 1992.

Três anos depois, Tyson sai da prisão e recupera dois títulos de campeão mundial com vitórias fáceis sobre Frank Bruno e Bruce Seldon. Em 9 de novembro de 1996, sofre sua segunda derrota, desta vez para Evander Holyfield, duas vezes campeão mundial, por nocaute técnico no 11º assalto. 

Na revanche, em 28 de junho de 1997, Tyson é desclassificado depois de morder duas vezes a orelha  de Holyfield e perde a licença para boxear. Ele volta a lutar e a vencer em 16 de janeiro de 1999. Em 7 de fevereiro do mesmo ano, é condenado a um ano de prisão, dois de liberdade condicional, 200 horas de serviço comunitário e multa de US$ 2,5 mil por agredir dois idosos depois de um acidente de automóvel em 1998.

Sua última vitória como lutador profissional acontece em 2003 em apenas 49 segundos. No fim daquele ano, Tyson declara falência com dívidas de US$ 34 milhões depois de ganhar US$ 400 milhões na carreira.

PUTIN ELEITO PRESIDENTE

    Em 2000, Vladimir Putin é eleito presidente da Rússia pela primeira vez, depois de se tornar primeiro-ministro de Boris Yeltsin em 9 de agosto de 1999 e de substituir Yeltsin, que renuncia em 31 de dezembro do mesmo ano.

Putin nasce em Leningrado, hoje São Petersburgo, em 7 de outubro de 1952. Ele estuda direito na Universidade de Leningrado e trabalha durante 15 anos como agente da polícia política soviética KGB (Comitê de Defesa do Estado). Serve 6 anos em Dresden, na Alemanha Oriental.

Quando as revoluções democráticas acabam com o comunismo na Europa Oriental, a sede do escritório em Dresden é cercada. Putin ameaça atirar nos manifestantes e pede ajuda ao governo alemão-oriental, que responde: "Só podemos agir com autorização de Moscou, e Moscou está em silêncio."

Mais tarde, no poder, faz questão de que Moscou nunca fique em silêncio.

Essa frase marca sua vida política. De volta a Leningrado, Putin trabalha com Anatoly Sobchak, prefeito de São Petersburgo. Em 1994, numa conferência internacional, declara que o fim da União Soviética é "a maior tragédia geopolítica da segunda metade do século 20."

Quando Sobchak perde a reeleição, em 1996, Putin profere outra de suas máximas: "Não se deve realizar uma eleição sem antes saber o resultado."

Putin vai então para Moscou e trabalha com Anatoli Chubais, vice-primeiro-ministro responsável pelas privatizações. De 25 de julho de 1998 a 29 de março de 1999, dirige o Serviço Federal de Segurança, herdeiro do KGB, seu último trampolim para o poder.

Assim que ascende ao poder, ainda como primeiro-ministro, depois de ações de extremistas muçulmanos na república russa do Daguestão e de atentados terroristas mal esclarecidos atribuídos a rebeldes chechenos. Putin inicia a Segunda Guerra da Chechênia (1999-2009) para consolidar o poder.

O presidente russo começa a se afastar do Ocidente na Conferência de Segurança de Munique, em 2007. No ano seguinte, invade a ex-república soviética da Geórgia e assume o controle das regiões da Abecásia e da Ossétia do Sul, anexações não reconhecidas internacionalmente.

Depois de ser primeiro-ministro de Dimitri Medvedev (2008-12), Putin volta à Presidência com a convicção de que as revoluções coloridas na antiga URSS e a Primavera Árabe são conspirações do Ocidente das quais pode ser o próximo alvo.

Quando o presidente da Ucrânia, Viktor Yanukovich, cai numa revolta popular contra o rompimento de negociações com a União Europeia, em fevereiro de 2014, a Rússia ocupa a Península da Crimeia, anexada ilegalmente no mês seguinte.

Em 6 de abril de 2014, começa uma revolta fomentada pelo Kremlin no Leste da Ucrânia. Após anos de impasse, em 24 de fevereiro de 2022, Putin inicia uma guerra total contra a Ucrânia que espera ganhar em uma semana e já tem mais de 4 anos. A estimativa é que 1,8 milhão de pessoas tenham sido mortas ou feridas nesta guerra.

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terça-feira, 24 de março de 2026

Hoje na História do Mundo: 24 de Março

 NAT KING COLE EM PRIMEIRO

    Em 1945, a revista norte-americana Billboard lança sua lista de álbuns mais vendidos e o cantor e pianista Nat King Cole é o primeiro a ficar em primeiro lugar.

Cole nasce em 17 de março de 1919 em Montgomery, no estado do Alabama, e cresce em Chicago. Aos 12 anos, toca órgão e canta na igreja onde o pai é pastor. Cinco anos depois, ele cria seu primeiro grupo de jazz.

Em 1937, começa a tocar em grupo de jazz de Los Angeles. Logo, forma o Nat King Cole Trio. A popularidade de Cole o torna o primeiro negro norte-americano a apresentar um programa de televisão. 

O Nat King Cole Show estreia na rede NBC em 1956, mas é cancelado um ano depois por falta de patrocinadores porque as empresas não querem associar suas marcas a um negro. O racismo da época o impede de ter um sucesso ainda maior, mas não evita que trabalhe em vários filmes de Hollywood.

GUERRA SUJA ARGENTINA

    Em 1976, um golpe militar derruba a presidente María Estela Martínez de Perón, a Isabelita, viúva de Juan Domingo Perón, e dá início ao "Processo de Reorganização Nacional", uma guerra suja contra a esquerda na Argentina que mata um total de mais de 8,9 mil pessoas.

A primeira junta militar é formada pelo general Jorge Rafael Videla, comandante do Exército; almirante Emilio Eduardo Massera, comandante da Marinha; e general-brigadeiro Orlando Ramón Agosti, comandante da Força Aérea. A desculpa para a repressão é o combate à guerrilha.

Depois da morte de Perón por causas naturais em 1º de julho de 1974, ele é sucedido por Isabelita, que não tem o carisma nem o talento político de sua segunda mulher, María Eva Duarte de Perón, a Evita.

Fraca politicamente, Isabelita é assessorada por um grupo de assessores militares que lança, em 5 de fevereiro de 1975, a Operação Independência, de combate às guerrilhas esquerdistas. Eles dividem o país em cinco regiões militares e dão autonomia aos comandantes para desencadear a repressão e eliminar os guerrilheiros.

A repressão vai muito além dos guerrilheiros. Tenta eliminar toda uma corrente de pensamento, num politicídio, com prisões ilegais, sequestros, desaparecimento de pessoas e execuções sumárias, inclusive os voos da morte, em que opositores são drogados e jogados no mar.

Pela Escola de Mecânica da Armada (ESMA), o principal centro de detenção e tortura, passam 5 mil pessoas que são mortas. Cerca de 500 bebês filhos de presos assassinados são sequestrados e adotados por famílias ligadas ao regime.

Em 30 de abril de 1977, Azucena Villaflor e outras mães de desaparecidos protestam na Plaza de Mayo, diante da Casa Rosada, a sede do governo. Nasce o movimento das Mães da Praça de Maio, que dá origem ao movimento das Avós da Praça de Maio, que consegue recuperar mais de 130 netos.

A ditadura sanguinária começa a cair em 2 de abril de 1982, quando o general-presidente Leopoldo Fortunato Galtieri, que dera um golpe dentro do golpe, manda invadir as Ilhas Malvinas, possessão do Império Britânico, que as chama de Falklands.

O general delinquente não imagina que a primeira-ministra britânica, Margaret Thatcher, envie uma força-tarefa que derrota e humilha os militares argentinos. Eles massacram seu próprio povo, mas fracassam em sua aventura militar.

Depois de 10 semanas e das mortes de 649 argentinos e 258 britânicos (3 civis), a Argentina se rende em 14 de junho. Os militares continuam no poder até 10 de dezembro de 1983, quando entregam o poder ao presidente democraticamente eleito Raúl Alfonsín (1983-89).

Alfonsín manda investigar o desaparecimento de pessoas e o relatório enviado à Justiça serve de ponto de partida para o Julgamento das Juntas, dos nove comandantes das três juntas militares que governaram a Argentina depois do golpe, concluído em 1985.

Sob a pressão de revoltas de militares de baixo escalão, o governo Alfonsín cede e aprova as leis Ponto Final e de Obediência Devida, para julgar somente as juntas pelos crimes da ditadura. Em 8 de outubro de 1989, assume o presidente Carlos Menem (1989-99), que indulta os comandantes no fim de dezembro de 1990.

Em 2003, no governo Néstor Kirchner (2003-7), as leis que acabam com os processos e os indultos são anulados e as investigações reabertas. Desde então, mais de 1,7 mil repressores são condenados.

No 50º aniversário do golpe, o presidente neofascista Javier Milei tenta apagar a memória e responsabilizar os guerrilheiros de esquerda pela guerra suja argentina. Pode dar indulto a repressores.

ARCEBISPO ASSASSINADO

    Em 1980, Dom Óscar Romero, arcebispo de San Salvador, um crítico das violações dos direitos humanos pela ditadura e os grupos paramilitares de El Salvador durante a guerra civil contra a Frente Farabundo Martí de Libertação Nacional (FMLN), é assassinado durante a missa de domingo. Ele é canonizado em 2018.

Óscar Arnulfo Romero Galdámez é considerado conservador antes de ser nomeado arcebispo, em 1977, mas denuncia a ditadura do general Carlos Humberto Romero, que não tinha relação de parentesco com ele, e se nega a apoiar a junta militar que substitui o general deposto.

Sua defesa dos pobres, as grandes vítimas da violência política, provoca ameaças de morte. Sua defesa dos direitos humanos vale a indicação de deputados dos Estados Unidos e do Reino Unido ao Prêmio Nobel da Paz de 1979.

Depois do fim da Guerra Civil Salvadorenha (1979-92), a Comissão da Verdade de El Salvador conclui que Dom Romero foi morto por um esquadrão da morte liderado pelo ex-major Roberto D'Aubuisson.

PETRÓLEO NO MAR DO ALASCA

    Em 1989, o navio-tanque Exxon Valdez, da companhia petrolífera Exxon, bate num recife na Enseada Príncipe William, no sul do estado do Alasca, e derrama 41,6 milhões de litros de petróleo no mar, no pior acidente da indústria petrolífera na história dos Estados Unidos.

As tentativas de conter o vazamento são inúteis. O petróleo bruto se espalha até uma distância de 160 quilômetros, poluindo mais de 1,1 mil km de costa e matando milhares de aves e mamíferos.

Mais tarde, sabe-se que o capitão Joseph Hazelwood está bebendo na hora do acidente e manda um marinheiro sem qualificação pilotar o petroleiro. 

Em março de 1990, ele é condenado por contravenção penal a mil horas de trabalho comunitário e multa de US$ 50 mil. A pena é anulada em julho de 1992 com base numa lei federal que livra de processo quem relatar um vazamento de petróleo.

O Serviço Nacional de Segurança dos Transportes dos EUA impõe à Exxon uma multa de US$ 100 milhões e US$ 1 bilhão a serem pagos em 10 anos para despoluir o meio ambiente. A Exxon e o estado do Alasca rejeitam o acordo e a questão é encerrada com o pagamento pela empresa de apenas US$ 25 milhões.

GUERRA DO KOSSOVO

    Em 1999, a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) inicia uma campanha de bombardeios aéreos de 78 dias contra a Iugoslávia, reduzida a Sérvia e Montenegro, e a posições militares sérvias que perseguem a maioria de origem albanesa na província do Kossovo.

A região ocupa um lugar especial da história da Sérvia. Na Batalha do Kossovo, em 15 de junho de 1389, o Império Otomano derrota o rei Lazar e conquista a Sérvia, que só recupera a independência em 1867. Quando retoma o Kossovo, em 1913, a província é povoada por albaneses.

Em 1974, o ditador da Iugoslávia, Josip Broz Tito, dá autonomia ao Kossovo dentro da Sérvia. Com a morte de Tito, em 1980, e o declínio da ideologia comunista, em 1987, Slobodan Milosevic é eleito líder da Liga Comunista da Sérvia com a promessa de restaurar o controle sobre o Kossovo.

Eleito presidente da Sérvia em 1989, Milosevic acaba com a autonomia do Kossovo em 1990. Com o renascimento do nacionalismo sérvio, a Croácia e a Eslovênia declaram independência em 1991. O Exército Federal da Iugoslávia intervém. A guerra da Eslovênia acaba logo, mas a da Croácia se arrasta por anos.

Em 1992, a independência da Bósnia-Herzegovina deflagra a pior das guerras que dividem a Iugoslávia, que dura mais de três anos e mata mais de 100 mil pessoas. A Iugoslávia fica reduzida a Sérvia e Montenegro.

O Exército de Libertação do Kossovo nasce em 1996 para lutar contra a dominação sérvia. Chega a controlar a metade da província quando a Sérvia reage e inicia uma campanha de purificação étnica que leva à intervenção da OTAN, a aliança militar liderada pelos EUA, que não perde nenhum soldado em combate durante a campanha aérea.

Milosevic cai em 5 de outubro de 2000 numa revolta popular na Sérvia. É preso e entregue ao Tribunal Penal Internacional para Crimes de Guerra na Antiga Iugoslávia. Morre em 11 de março de 2006, antes do fim do processo em que era acusados de mais de 60 crimes de genocídio, crimes de guerra e crimes contra a humanidade.

GENOCIDA DA BÓSNIA

    Em 2016, o Tribunal Penal Internacional para a Antiga Iugoslávia, com sede em Haia, na Holanda, condena a 40 anos de prisão por crimes de guerra, inclusive genocídio, o psiquiatra Radovan Karadzic, líder da autoproclamada República Sérvia durante a Guerra da Independência da Bósnia-Herzegovina (1992-95). Em 2019, a pena é ampliada para prisão perpétua.

A Bósnia tem a população mais dividida religiosa etnicamente da antiga Iugoslávia: 44% bósnios muçulmanos; 31% sérvios, que são cristãos ortodoxos; e 16% croatas, que são católicos. 

Com o apoio do presidente da Sérvia, Slobodan Milosevic, do Exército Federal da Iugoslávia e do comandante militar sérvio-bósnio, general Ratko Mladic, os sérvios cercam Sarajevo, a capital do país, e fazem uma campanha de "limpeza étnica" para expulsar quem não é sérvio das áreas sob seu controle.

Em 1995, o tribunal o acusa crimes guerra e crimes contra a vida, inclusive genocídio, assassinato, tortura, estupro e limpeza étnica. O caso mais notório foi o Massacre de Srebrenica, de 11 a 25 de julho de 1995, quando pelo menos 8.373 bósnios muçulmanos, toda a população masculina adulta da cidade, morre.

Karadzic foge para a Sérvia depois da guerra e trabalha numa clínica de medicina alternativa em Belgrado até ser preso em julho de 2008 e enviado ao tribunal de Haia.

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domingo, 1 de março de 2026

Hoje na História do Mundo: 1º de Março

CAÇA ÀS BRUXAS

    Em 1692, Sarah Goode, Sarah Osbornee e Tituba, uma escrava de Barbados, são acusadas de bruxaria na vila de Salém, na Colônia da Baía de Massachusetts, parte do Império Britânico. No mesmo dia, Tituba, provavelmente sob tortura confessa o crime, o que leva as autoridades a iniciar uma caça às "feiticeiras" de Salém.

O problema começou um mês antes, quando Elizabeth Parris, de 9 anos, e Abigail Williams, de 11 anos, filha e sobrinha do reverendo Samuel Parris, começam a sofrer distúrbios e doenças misteriosas. Um médico atribui os problemas a bruxaria.

Sob pressão dos adultos, as duas crianças e outros residentes de Salém acusam mais de 150 homens e mulheres de práticas satânicas.

NASCIMENTO DE CHOPIN

    Em 1810, o músico polonês radicado na França Frédéric François Chopin, um dos maiores compositores de todos os tempos, o poeta do piano, nasce em Zelazowa Mola, filho de um imigrante francês que trabalha como tutor da aristocracia na Polônia.

Quando Frédéric tem oito meses, o pai, Nicholas, se torna professor de francês do Liceu de Varsóvia. Chopin estuda no liceu de 1823 a 1826.

Sempre muito atento quando a mãe ou a irmã toca piano, aos seis anos ele tenta reproduzir o que ouve. No ano seguinte, começa a estudar piano. Aos oito anos, faz a primeira apresentação em público num concerto beneficente. Três anos depois, toca para o czar Alexandre I, da Rússia, que vai à abertura do Parlamento em Varsóvia.

Na segunda metade do século 18, há três divisões da Polônia entre a Rússia, a Prússia e a Áustria. Em 1795, a Polônia deixa de existir. Só recupera a independência em 1918, depois da Primeira Guerra Mundial (1914-18). É nessa Polônia ocupada que Chopin nasce e cresce.

O menino-prodígio também compõe. Aos sete anos, escreve a primeira Polonaise. Aos 16 anos, Chopin entra para o recém-criado Conservatório de Varsóvia, sob a direção do compositor polonês Joseph Elsner, com quem Chopin havia estudado. 

Elsner compreende que precisa lhe dar total liberdade de criação, em vez de submetê-lo ao rigor acadêmico. Chopin estuda harmonia e composição, e tem ampla liberdade para se desenvolver como pianista.

Chopin vai a Berlim em 1828 e se apresenta pela primeira vez em Viena, capital do Império Austríaco, um dos grandes centros culturais do mundo, especialmente para música clássica, em 1829. Quando sai da Polônia, em 1830, para estudar na Alemanha e na Itália, estoura uma revolta polonesa contra a Rússia. Ele está em Viena quando recebe a notícia.

Em julho de 1831, Chopin vai para Paris, onde encontra o ambiental ideal para o florescimento de sua arte. Logo estabelece ligações com os imigrantes e refugiados poloneses e com compositores como Franz Liszt, Hector Berlioz, Vincenzo Bellini e Felix Mendelssohn.

Também conhece Aurora Dudevant, uma escritora que usa o pseudônimo de George Sand, com quem começa um relacionamento amoroso em 1838. Eles alugam uma casa em Mayorca, uma das Ilhas Baleares, da Espanha, onde Chopin fica doente. Quando o dono da casa ouve rumores de tuberculose, manda eles saírem.

Durante 10 anos, Chopin luta contra a tuberculose. Faz a última apresentação no Guildhall, em Londres, em 16 de novembro de 1848, para arrecadar dinheiro para os exilados poloneses. Morre em Paris em 17 de outubro de 1849.


FIM DA GUERRA DO PARAGUAI

    Em 1870, com a morte do ditador Francisco Solano López na Batalha de Cerro Corá, termina a Guerra do Paraguai ou a Guerra da Tríplice Aliança de Brasil, Argentina e Uruguai contra o Paraguai, que a chama de Guerra Grande.

Maior conflito armado internacional da história da América Latina, a Guerra do Paraguai começa em 12 de outubro de 1864. Neste ano, o Brasil invade o Uruguai, intervém na Guerra do Uruguai, uma guerra civil, ao lado do Partido Colorado na luta contra o Partido Blanco. Cai o presidente Bernardo Berro, alvo da Cruzada Libertadora lançada no ano anterior pelo líder colorado, general Venancio Flores.

Berro é aliado de Solano López e dos federalistas argentinos. Além do Brasil, Flores tem o apoio de Bartolomeu Mitre, presidente da Argentina, um unitário que se opõe aos federalistas.

Em 11 de novembro, o Paraguai apreende o navio brasileiro Marquês de Olinda. Ele transporta o presidente da província do Mato Grosso, que morre numa prisão paraguaia. Um mês depois, em 14 de dezembro, o Paraguai invade o Sul do Mato Grosso.

López sonha em criar um Grande Paraguai, conquistando o Uruguai, o Mato Grosso, o Rio Grande do Sul e as províncias argentinas de Missiones e Corrientes. Em 1865, o Paraguai invade Corrientes e o Rio Grande do Sul, e a Argentina entra na guerra.

O Paraguai invade Corrientes em 13 de abril. A Argentina, o Brasil e o Uruguai firmam o Tratado da Tríplice Aliança em 1º de maio de 1865. O tratado prevê que "o Paraguai deve ser responsabilizado por todas as consequências do conflito, pagar todas as dívidas de guerra" e "ficar sem qualquer fortaleza e força militar".

Solano López conta com o apoio do general federalista Justo José de Urquiza, inimigo de Mitre na política argentina, mas Urquiza prefere apoiar seu país a um líder estrangeiro.

Em 11 de junho de 1865, uma esquadra brasileira sob o comando do almirante Francisco Manuel Barroso, destrói a poderosa marinha paraguaia na Batalha Naval do Riachuelo e impede o Paraguai de ocupar permanentemente o território argentino. 

Ao dar o controle da navegação na Bacia do Rio da Prata aos aliados, é a batalha decisiva da guerra. Os paraguaios avançam até o Rio Grande do Sul. Tomam São Borja, Itaqui e Uruguaiana. O Barão de Porto Alegre sai da capital da província para enfrentar o inimigo. Em 18 de setembro de 1865, a guarnição paraguaia se rende.

Em 16 de abril de 1866, os aliados invadem o Paraguai. Depois de duas vitórias do general brasileiro Manuel Luís Osório, os paraguaios contêm a contraofensiva na primeira grande batalha terrestre da guerra, em Estero Bellaco, em 2 de maio.

Vitorioso, Solano López aposta numa vitória na Batalha de Tuiuti. Em 24 de maio de 1866, 25 mil paraguaios enfrentam 35 mil aliados no combate mais sangrento da guerra, que termina com 6 mil vítimas entre os aliados e 12 mil entre os paraguaios.

O Paraguai se recupera e vence as forças de Mitre e Flores na Batalha do Boqueirão, mas perde a Batalha do Curuzu para o general brasileiro Porto Alegre.

Em 12 de setembro de 1866, depois de perder a Batalha do Curuzu, Solano López convida Mitre e Flores para uma conferência de paz em Yatayty Cora. Há uma "discussão acalorada". Percebendo que a guerra está perdida, Solano López quer negociar a paz. Mitre exige que ele cumpra o que está no Tratado da Tríplice Aliança, que inviabiliza a paz com Solano López no poder. Ele não aceita.

Dias depois, na Batalha de Curupaiti, em 22 de setembro de 1866, os aliados atacam as forças paraguaias frontalmente e sofrem sua maior derrota, o que atrasa a ofensiva por 10 meses, até 18 de julho de 1867.

O Brasil decide então criar um comando unificado das forças brasileiras. O imperador nomeia o general Luís Alves de Lima e Silva, o Marquês e futuro Duque de Caxias, como comandante em 10 de outubro de 1866. Com a saída de Mitre em fevereiro de 1867, Caxias se torna o comandante geral aliado. Obtém vitórias decisivas como em Humaitá. Em 1869, passa o comando para o Conde d'Eu, marido da Princesa Isabel.

Ao todo, o Império do Brasil manda 150 mil homens para a guerra, dos quais 50 mil morrem. Com mais 10 mil civis mortos, 60 mil brasileiros morrem na Guerra do Paraguai. A Argentina e o Uruguai perdem a metade de suas tropas, e o Paraguai 300 mil pessoas entre mortos em combate, de fome e de doenças causadas pela guerra. Só 10% da população adulta masculina do Paraguai sobrevivem.

Por causa da invasão e tentativa de conquistar o território brasileiro, o imperador Dom Pedro II só aceita a rendição incondicional de Solano López. A Guerra do Paraguai marca a entrada dos militares na política brasileira.

PRIMEIRO PARQUE NACIONAL

    Em 1872, o Congresso dos Estados Unidos aprova a criação do Parque Nacional de Yellowstone, o primeiro parque nacional do país e talvez do mundo, dividido entre os estados de Montanha, Wyoming e Idaho.

Com quase 9 mil quilômetros quadrados, Yellowstone não é só o mais antigo e mais conhecido parque nacional dos EUA. É também o maior. Alguns naturalistas alegam que não é o mais antigo do mundo por causa do Parque Nacional Bogd Khan, na Mongólia, que seria de 1778.

Yellowstone é declarado reserva da biosfera em 1976 pela UNESCO (Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura) e patrimônio da humanidade em 1978. Fica numa região com atividade sísmica e geológica há dezenas de milhares de ano. Tem a maior quantidade de fontes geotérmicas do mundo.

PROIBIDA EXECUÇÃO DE MENORES

    Em 2005, por 5-4, a Suprema Corte dos Estados Unidos decide que é inconstitucional executar condenados que cometeram crimes antes dos 18 anos de idade.


O tribunal considera que a execução de menores viola das emendas nºs 8 e 14 à Constituição dos EUA. A Emenda nº 8 proíbe a "punição cruel e incomum". A Emenda nº 14 garante a proteção igual para todos.

No voto vencedor, o ministro-relator Anthony Kennedy escreve que, "quando um jovem criminoso comete um crime odioso, o Estado pode tirar algumas liberdades básicas, mas não pode extinguir sua vida e o potencial de alcançar uma compreensão madura de sua própria humanidade."