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quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Hoje na História do Mundo: 23 de Setembro

DESCOBERTA DE NETUNO

    Em 1846, o astrônomo Johann Gottfried Galle é o primeiro ser humano a observar o planeta Netuno, cuja existência havia sido matematicamente prevista por Urban-Jean-Joseph Le Verrier e John Couch Adams.


O planeta é batizado com o nome do deus romano do mar, Netuno (Poseidon na mitologia grega), filho de Cronos, o Tempo (Saturno para os romanos), e irmão de Zeus, Júpiter na mitologia romana. Júpiter, deus do céu e da terra, Netuno, rei dos mares, e Plutão, o deus dos infernos, governam o mundo.

Netuno é o oitavo e último planeta do Sistema Solar desde que Plutão foi rebaixado a planeta-anão. Está a 4,5 bilhões de quilômetros do Sol. Com 50 mil km de diâmetro, é um dos quatro planetas-gigantes, ao lado de Júpiter, Saturno e Urano. Com densidade 25% maior, tem mais massa do que Urano. Tem 14 luas, mas só duas são conhecidas antes da missão da Voyager 2, em 1989.

É mais um planeta azul, formado principalmente por hidrogênio, hélio, água e compostos voláteis. Não tem superfície sólida. O calor que vem do interior deixa a temperatura um pouco mais alta do que em Urano. Talvez isso seja responsável por fenômenos atmosféricos. Os ventos de Netuno são os mais velozes do Sistema Solar. Por causa da distância, só pode ser observado por telescópio.

A órbita de Netuno é um círculo quase perfeito. Assim, a distância em relação ao Sol praticamente não varia ao longo da revolução em torno do Sol, que leva quase 164 anos.

BILLY THE KID PRESO

    Em 1875, Billy the Kid, um dos mais famosos pistoleiros do Faroeste dos Estados Unidos, é preso pela primeira vez, por furtar roupas de uma lavanderia.

Ele foge da cadeia e vira uma lenda no Velho Oeste, onde ganha a reputação de marginal e assassino, acusado por 21 homicídios.

William Henry McCarty nasce por volta de 1860 em Indiana ou Nova York. Não se sabe ao certo nem quando nem onde. Ele não se relaciona com o pai. Mora com a mãe em Indiana, no Kansas, no Colorado e no Novo México.

Depois de morte da mãe, em 1864, começa uma vida de crimes que termina em 14 de julho de 1881, quando o xerife Pat Garrett o mata em Forte Summer, no Novo México.

REINO DA ARÁBIA SAUDITA

    Em 1932, por decreto real do sultão Abdulaziz ben Abdul Rahman, os reinos de Hejaz e Nadj e dependências se unem para formar o Reino da Arábia Saudita.

A região de Hejaz, no Oeste do país, ao longo do Mar Vermelho, é o berço do Islã. É onde ficam as cidades sagradas de Meca e Medina. A Hégira, a fuga de Maomé de Meca para Medina, em 622, é o marco de fundação do islamismo. Essas duas cidades são as mais importantes da religião muçulmana.

Do outro lado do país, no Leste, ao longo do Golfo Pérsico, estão os campos de petróleo que fazem da Arábia Saudita o segundo maior produtor mundial e o maior exportador de petróleo.

A Dinastia Saud tem uma ligação histórica com o wahabismo, uma versão puritana e ultraconservadora do Islã dominante na Arábia Saudita. Com a riqueza do petróleo, a partir dos anos 1970, os sauditas exportam sua ideologia, que serve de base o jihadismo sunita d'al Caeda e do Estado Islâmico.

O regime é feudal. Não há Constituição escrita. A família real manda em tudo. A religião tem um papel importante no controle social. Há uma polícia religiosa.

Hoje, o país é governado pelo príncipe herdeiro Mohamed ben Salman, acusado de mandar esquartejar o jornalista saudita Jamal Khashoggi, que morava em Washington, no Consulado Saudita em Istambul, na Turquia, em 2 de outubro de 2018. 

É o homem que quer modernizar o país. Deixou as mulheres dirigir, mas aumentou a repressão contra as mulheres. Está investindo uma fortuna no futebol, atraindo craques como Cristiano Ronaldo e Neymar. Se suceder o pai, será o primeiro rei saudita que não é filho de Abdulaziz. 

MORTE DE FREUD

    Em 1939, morre em Londres o Dr. Sigmund Freud, neuropsiquiatra, fundador da psicanálise, um dos pensadores mais influentes do século 20.

Filho do segundo casamento de Jakob, um comerciante judeu, Freud nasce em 6 de maio de 1856 em Freiburgo, na Morávia, na época parte do Império Austro-Húngaro, hoje território da República Tcheca.

Em 1859, por razões econômicas, a família se muda para Leipzig e no ano seguinte para Viena, onde Freud vive por 78 anos até fugir da anexação da Áustria pela Alemanha Nazista, em 1938. Não gosta do antissemitismo da capital imperial, mas reconhece sua importância política, histórica e cultural.

Sob a inspiração de uma leitura pública de um texto do escritor alemão Wolfgang Goethe, Freud estuda medicina na Universidade de Viena e, em 1882, faz residência no Hospital Geral de Viena. Em 1885, é nomeado professor assistente de neuropatologia. 

Nesta época, se interessa pelos efeitos farmacológicos da cocaína, mas as experiências fracassam.

Seu Projeto para uma Psicologia Científica, texto de 1895, mostra a intenção de encontrar bases fisiológicas e materiais para suas teorias da mente. A obra de Freud inclui teorias da mente humana, uma terapia para tratar os problemas mentais, e uma interpretação da cultura e da sociedade. Em 1896, cria o termo psicanálise.

Freud se associa ao Dr. Josef Breuer, que ao tratar de um caso de histeria, em vez de usar a hipnose, deixa a paciente falar livremente para tentar extrair algo útil ao diagnóstico e percebe que o simples ato de falar dava um certo alívio à paciente. Um ato catártico gera uma descarga e afrouxa os bloqueios emocionais que estão na raiz do comportamento patológico.

Só dez anos depois, ao examinar a livre associação de ideias, Freud se dá conta da importância de estimular esse fluxo do pensamento para tentar chegar às raízes inconscientes dos distúrbios mentais.

Com base em sua experiência clínica no tratamento da histeria, Freud conclui que os sentimentos recalcados têm natureza sexual. Trazer estes conflitos internos à consciência através da livre associação de ideias é a maneira de aliviar os sintomas, vistos como uma reação adaptativa do paciente à repressão dos desejos diante da realidade.

Em julho de 1897, Freud começa a desenvolver outro método: a interpretação dos sonhos, que considera "a estrada real para o conhecimento do inconsciente". O livro A Interpretação dos Sonhos, publicado em 1899, é uma de suas obras-primas. 

A partir de 1902, começa a se reunir na antessala do consultório de Freud o grupo que depois forma a Sociedade Psicanalística de Viena, com Carl Gustav Jung, Otto Rank, Ernest Jones, Alfred Adler, entre outros.

Em 1904, Freud lança Psicopatologia da Vida Cotidiana, uma exame sobre como erros comuns, esquecimentos, trocas de nome, geralmente têm um significado mais profundo. No ano seguinte, publica um ensaio sobre as relações do riso com o inconsciente.

Mas são os estudos de sexologia que dão projeção a Freud e provocam as reações mais fortes, como a existência de uma sexualidade infantil desde o nascimento, a começar pela fase oral, quando o bebê mama nos seios da mãe. Daí vem o conceito do Complexo de Édipo, o personagem do escritor grego Sófocles que mata o pai. A criança gostaria de se livrar do pai para ficar com a mãe só para ela.

Na teoria freudiana, a mente humana é formada pelo id, o substrato instintivo da psique, onde estão os desejos, os instintos de vida e de morte, o amor e a agressividade; o ego é a parte consciente, responsável por interpretar a realidade, a memória, as emoções e as percepções, pelas relações do indivíduo com o ambiente; o superego é o princípio do dever, desenvolvido a partir de 5 ou 6 anos, quando a criança começa a internalizar as normas e as obrigações sociais e aprende a se autorreprimir.

Freud também escreveu sobre cultura, a civilização e a religião. Considera Deus uma criação mítica com a sensação de fragilidade e desamparo das crianças em busca de um protetor onipotente. Civilização e seus Descontentes, escrito durante a ascensão do nazifascismo na Europa e do início de sua luta contra um câncer na garganta, é um livro declaradamente pessimista, que vê a repressão como elemento central da civilização.

Em Eros e Civilização: una interpretação filosófica do pensamento de Freud, tendo observado os movimentos jovens dos anos 1960, o filósofo marxista Herbert Marcuse argumenta, reexaminando a obra de Freud, que é possível criar uma civilização não repressiva, uma sociedade não alienada, um princípio da realidade que não esteja em conflito permanente com o princípio do prazer.

TERCEIRA ELEIÇÃO DE PERÓN

    Em 1973, 18 anos depois de ser deposto por um golpe militar e fugido da Argentina e três meses depois de voltar ao país, com 62% dos votos, aos 67 anos, o general e líder populista Juan Domingo Perón é eleito presidente pela terceira vez, com sua terceira mulher, María Estela Martínez de Perón, a Isabelita, como vice-presidente.

O caos que tomava conta da Argentina fica evidente Batalha de Ezeiza, quando grupos armados da direita e da esquerda peronistas se enfrentaram no aeroporto internacional de Buenos Aires, com 13 mortes, no dia da volta do caudilho à Argentina, 20 de junho de 1973, quase 18 anos depois do golpe que o depôs, em 16 de setembro de 1955.

No peronismo, cabiam correntes ideológicas da Aliança Anticomunista Argentina (AAA), a temida Triple A, de extrema direita, aos Montoneros, um grupo guerrilheiro de extrema esquerda.

Perón morre em 1º de julho de 1974 e Isabelita o sucede. Mas ela não era nem de longe a carismática María Eva Duarte de Perón, a Evita, segunda mulher do caudilho, que não foi candidata a vice na primeira reeleição, em 1951, por pressão dos militares e conservadores.

Outro golpe militar depõe Isabelita em 24 de março de 1976, início da ditadura mais sangrenta da história recente argentina, com total de mortes na guerra suja estimado em 12 mil, que só acaba 1983, depois da humilhante derrota para o Reino Unido na Guerra das Malvinas (1982).

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quarta-feira, 16 de setembro de 2026

Hoje na História do Mundo: 16 de Setembro

GRANDE INQUISIDOR

    Em 1498, morre em Ávila, na Espanha, aos 78 anos o Grande Inquisidor espanhol Tomás de Torquemada, o maior símbolo do fanatismo religioso e do terror do Santo Ofício.

Torquemada nasce em Valladolid, no reino de Castela, em 14 de outubro de 1420. Sobrinho de Juan de Torquemada, um cardeal e teólogo dominicano, Tomás entra para a ordem dominicana. Em 1452, ele se torna prior do Convento de Santa Cruz, em Segóvia.

Na época, a Península Ibérica tem mais cristãos novos, judeus convertidos, do que qualquer outra região, fruto da relativa tolerância do Império Andaluz, que durou mais de 700 anos.

Aliado da polícia religiosa dos reis católicos, Fernando II, de Aragão, e Isabel I, de Castela, de quem é confessor, e convencido de que judeus e muçulmanos, mesmo convertidos, são uma ameaça à fé cristã, Torquemada os persegue e influencia políticas públicas discriminatórias.

É "o martelo dos hereges, a luz da Espanha, o salvador do seu país, a honra de sua ordem", nas palavras do cronista espanhol da época Sebastián de Olmedo.

Em agosto de 1483, Torquemada é nomeado Grande Inquisidor de Castela e Leão e, a partir de 17 de outubro, também em Aragão, na Catalunha, em Valência e em Mayorca. Nesta função, ele reorganiza a Inquisição na Espanha, instalada em 1478 em Castela, e cria tribunais em Sevilha, Cidade Real, Córdoba, Jaén e Saragoça.

O Grande Inquisidor promulga, em 1484, 28 artigos de orientação aos inquisidores, que deveriam investigar não apenas crimes de heresia e apostasia, mas também bruxaria, sodomia, poligamia, blasfêmia, usura e outras ofensas. Outros artigos são acrescentados até 1498. A tortura é usada para obter confissões. Tudo em nome de Deus.

Cerca de 2 mil pessoas são queimadas na fogueira durante o reino do terror de Torquemada. Sua hostilidade aos judeus certamente influencia na decisão dos reis católicos de expulsar os judeus da Espanha, em 31 de março de 1492. Em junho de 1494, o papa Alexandre VI nomeia quatro inquisidores assistentes para controlar o Grande Inquisidor.

PEREGRINOS DO MAYFLOWER

    Em 1620, o navio Mayflower sai de Plymouth, na Inglaterra, rumo à colônia da Virgínia, fundada em 1607, com 102 pessoas a bordo, mas tempestades e erros de navegação desviam a embarcação para a costa de Massachusetts, onde eles chegam no Cabo Cod em 21 de novembro.

Os peregrinos do Mayflower, puritanos que fogem das guerras religiosas na Europa, estão entre os fundadores dos Estados Unidos. Na véspera do Natal, desembarcam na baía que batizam de Plymouth, mesmo nome da cidade inglesa de onde zarparam.

Antes de descer em terra firme para se estabelecer na América, os colonos assinam um documento de 200 palavras, o Compacto Mayflower, um dos primeiros instrumentos de governança do que seriam os EUA.

O Mayflower fica na América até abril de 1621, quando volta para a Inglaterra. Depois de outras viagens, é desmantelado. Em 1957, uma réplica do Mayflower fabricada na Inglaterra refaz a viagem em 53 dias.

Depois de resistir durante um ao inverno rigoroso e aos indígenas, com quem a início têm boa relação, os colonos festejam e agradecem a Deus no que é hoje o Dia Nacional de Ação de Graças, uma das datas mais importantes do país.

GRITO DE DOLORES

    Em 1810, o padre católico Miguel Higaldo y Costilla dá o Grito de Dolores, uma declaração lida na cidade de Dolores, hoje parte do estado de Guanajuato, pedindo o fim de 300 anos de dominação espanhola, marco do início da Guerra da Independência do México.

Miguel Hidaldo participa de uma conspiração contra a coroa espanhola durante a ocupação da Espanha por Napoleão Bonaparte na Guerra Peninsular (1807-14). Com o colapso da administração central do Império Espanhol, as colônias latino-americanas proclamam a independência.

Quando a conspiração é traída, ele decide agir imediatamente. Depois de armar populares, ao lado de Ignacio Allende e Juan Aldama, o padre Miguel Hidalgo convoca à rebelião armada contra o Vice-Reino da Nova Espanha, que era o nome da administração colonial do México. 

O texto exato do Grito de Hidalgo não é preservado para a história. Há várias reconstruções. Com certeza, diz: "Longa vida a Nossa Senhora de Guadalupe!", a padroeira do México. "Morte ao mau governo! Morte aos gapuchines!" (espanhóis).

HIdalgo consegue formar um exército popular. Depois de saques, pilhagens e derramamento de sangue, a revolta é derrotada e Higaldo é executado em 30 de julho de 1811. Mas o Grito de Dolores é a faísca que deflagra a Guerra da Independência do México, que vai até 27 de setembro de 1821.

GANDHI INICIA GREVE DE FOME

    Em 1932, preso na cadeia de Yerwada, em Pune, Mohandas Gandhi, o Mahatma (Grande Espírito), o grande herói da independência da Índia, começa uma greve de fome em protesto contra a decisão do Império Britânico de separar o sistema eleitoral por castas.

Sob influências das ideias do escritor e naturalista norte-americano Henry David Thoreau, pioneiro da desobediência civil, e do escritor russo Leon Tolstói, Gandhi lança nos anos 1920 campanhas de resistência pacífica na luta contra o imperialismo, a satiagraha (insistência na verdade).

É preso, solto e convidado para representar o Partido do Congresso numa conferência em Londres. Ao voltar à Índia, em janeiro de 1932, começa nova campanha de desobediência civil.

Com a "greve de fome até a morte", Gandhi repudia a Constituição imposta pelo império, que dá às castas inferiores, aos intocáveis, uma representação política separada por 70 anos. Gandhi alega que a medida consolida a discriminação social no país.

Gandhi vem de uma casta superior, de mercadores, mas defende a emancipação dos harijans (filhos de Deus).

A Índia conquista a independência em 15 de agosto de 1947 e se separa do Paquistão. Gandhi inicia sua última greve de fome em 12 de janeiro de 1948 para pressionar hindus e muçulmanos a cessarem a violência em Nova Déli, a capital do país. 

Menos de duas semanas depois de encerrar o jejum, o extremista hindu Nathuram Godse mata Gandhi com três tiros no peito. Godse era membro do grupo extremista Rashtriya Swayamsevak Sangh (RSS), ao qual é ligado o atual primeiro-ministro ultranacionalista hindu Narendra Modi, um neofascista que persegue muçulmanos e ameaça a maior democracia do mundo.

GOLPE DERRUBA PERÓN

    Em 1955, um golpe militar liderado pelo general Eduardo Lonardi, chamado de Revolução Libertadora, derruba o presidente e general Juan Domingo Perón, um líder populista que até hoje domina a política argentina.

Reeleito com 62,5% dos votos em 11 de novembro de 1951, Perón tem um segundo governo muito mais difícil do que o primeiro, quando se beneficia da riqueza acumulada exportando lã e alimentos durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45). 

Com a crise econômica e sem a carismática e angelical María Eva Duarte de Perón, a Evita, sua segunda mulher, que morre de câncer em 26 de julho de 1952, o caudilho enfrenta a oposição crescente de estudantes, do empresariado e da Igreja Católica.

Depois do golpe, Lonardi, reconhecendo a força do peronismo, tenta fazer um acordo. É afastado e substituído pelo general linha-dura Pedro Aramburu por adiar a desperonização. O Partido Justicialista (peronista) é dissolvido e há intervenção nos sindicatos. É proibido até ter fotos de Perón e Evita em casa.

Perón volta em 1973, é reeleito presidente e governa até a morte, em 1º de maio de 1974. É substituído pela vice-presidente María Estela Martínez de Perón, a Isabelita. Sem o carisma de Evita, com aumento da atividade das guerrilhas de esquerda e dos grupos paramilitares de direita, o país afunda no caos.

Um novo golpe militar, em 24 de março de 1976, derruba Isabelita e leva à mais sangrenta ditadura da história argentina, com pelo menos 12 mil mortes, que só acaba em 1983, depois da humilhante derrota para o Reino Unido na Guerra das Malvinas (1982).

MORRE MARIA CALLAS

    Em 1977, a soprano norte-americana de origem grega Maria Callas, uma das maiores cantoras de ópera da história, morre do coração em Paris aos 53 anos. Suas cinzas são jogadas no Mar Egeu.

Soprano absoluta, Callas é chamada de Divina pela voz, pela técnica musical e pela interpretação dramática.

Maria Cecilia Sofia Anna Kalogeropoulus nasce em Nova York em 2 de dezembro de 1923, filha de imigrantes. Em dificuldades econômicas, a mãe volta em 1937 para a Grécia, onde Maria estuda canto no Conservatório de Atenas com Elvira de Hidalgo.

Ela se apresenta na Ópera de Atenas na peça Tosca, de Puccini, em 1941. Nos anos 1950, canta regularmente nos grandes teatros de ópera, o Scala, de Milão; o Metropolitan, de Nova York; e a Ópera Real de Covent Garden, no centro de Londres.

A grande diva é temperamental em seu perfeccionismo. Suas brigas públicas ganham tanto espaço no jornal quanto os sucessos operísticos.

 

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domingo, 26 de julho de 2026

Hoje na História do Mundo: 26 de Julho

NASCE UM REI DO ROCK

    Em 1943, nasce em Dartford, Kent, na Inglaterra, Michael Philip Jagger, mais conhecido como Mick Jagger, cantor, compositor e líder dos Rolling Stones, que faz 82 anos rocking and rolling.

A banda inspirada pelo blues dos Estados Unidos nasce em 1962, batizada por Brian Jones, rivaliza com os Beatles e bate todos os recordes de longevidade do rock.


 
SEGURANÇA NACIONAL NA GUERRA FRIA

    Em 1947, o presidente Harry Truman sanciona a Lei de Segurança Nacional dos Estados Unidos criando a Força Aérea, o Conselho de Segurança Nacional e a CIA (Agência Central de Inteligência).

No início da Guerra Fria contra a União Soviética, os EUA reforçam o aparelho de segurança nacional, com uma estrutura que seria copiada pela ditadura militar brasileira com o CSN e o SNI (Serviço Nacional de Informações).

MORTE DE EVITA

    Em 1952, María Eva Duarte de Perón, a Evita, a mulher mais importante da história argentina, segunda esposa do caudilho Juan Domingo Perón, morre de câncer aos 33 anos e é mitificada como a mãe dos pobres e descamisados. Os dois são até hoje as personagens dominantes da política argentina.

Filha ilegítima de uma cozinheira, Evita nasce pobre em 1919 em Los Toldos, no interior da província de Buenos Aires. Aos 16 anos, vai para a capital argentina, onde trabalha como modelo, atriz de teatro, cinema e radioteatro.

Ela conhece Perón num evento beneficente no Luna Park em 22 de janeiro de 1944, quando ele era vice-presidente, ministro do Trabalho e ministro da Guerra. 

Outra atriz sentada ao lado do coronel Perón se levanta e Evita não perde a oportunidade. Senta ao lado dele e diz uma frase histórica: "Coronel, obrigada por existir." Eles viram amantes.

Sob pressão da ala conservadora do Exército, Perón é demitido em 9 de outubro de 1945 e preso quatro dias depois. Uma onda de protestos populares organizados pela Confederação Geral do Trabalho (CGT) com a participação de Evita, então apenas uma atriz, força a sua libertação em 17 de outubro, festejado como o Dia da Lealdade, uma data magna do peronismo.

Naquele dia, Perón faz seu primeiro discurso triunfante na janela da Casa Rosada diante de uma multidão reunida na Praça de Maio, ao lado de Evita, com quem se casa quatro dias depois.

Com os votos de mais de 1,5 milhão de argentinos, 53% do eleitorado, Perón é eleito presidente da Argentina em 24 de fevereiro de 1946.

Evita cuida das obras sociais do governo. É ministra do Trabalho e do Bem-Estar Social e preside a Fundação Eva Perón, criada em 1948, com orçamento anual de US$ 50 milhões, que distribui generosamente dinheiro, empregos e moradia para os descamisados, os migrantes vindos do interior.

Em entrevista ao escritor Tomás Eloy Martínez, em 1970, Perón declara que “Evita foi uma criação minha”, negando que a imagem de sua segunda mulher tenha se tornado maior do que a dele. Essa posição é defendida hoje por peronistas que acusam a oligarquia argentina de inflar o mito de Evita para torná-la maior do que o caudilho.

A primeira-dama é fundamental na campanha para a introdução do voto feminino, em 1947. Chega a ser cotada como candidata a vice-presidente, mas enfrenta forte resistência dos conservadores e militares.

Um grande comício realizado pela CGT em 22 de agosto de 1951 é insuficiente para virar o jogo. Depois de uma tentativa de golpe em 28 de setembro, a candidatura de Evita é abandonada. Em 11 de novembro de 1951, Perón é reeleito com 63,5% dos votos.

SANTA EVITA
Uma espécie de cinderela vingadora, Eva Perón morre de câncer no útero menos de um ano depois, em 26 de julho de 1952, no auge de sua popularidade. É convertida numa santa.

Seu funeral dura quatro dias para que todos possam dar adeus à mãe dos pobres. De maio de 1952 a julho de 1954, dois anos depois de sua morte, o Vaticano recebe mais de 40 mil cartas pedindo a canonização de Evita.

Mais da metade das meninas nascidas em algumas províncias argentinas naquela época foram batizadas Eva ou María Eva. As adolescentes pintavam o cabelo de louro. Evita ditava a moda.

DISPUTA PELO CADÁVER
Quando Evita morre, o plano é construir um memorial em sua homenagem. Ela seria enterrada na base de um monumento aos descamisados. Como o líder da revolução comunista na Rússia, Vladimir Lenin, seu corpo embalsamado ficaria em exposição ao público.

Antes da conclusão da obra, Perón é derrubado por golpe militar, a Revolução Libertadora de 16 de setembro de 1955. Foge sem se preocupar com a múmia de Evita, que desaparece da sede da CGT, em Buenos Aires, onde ficara. De 1955 a 1971, o peronismo é proscrito na Argentina. É proibido ter fotos de Eva e Juan Perón em casa e até mesmo citar seus nomes.

Em 1957, com a ajuda do Vaticano, o cadáver de Evita é retirado da Argentina e enterrado com nome falso na Itália.

Só em 1971 os militares revelam que a ex-primeira-dama está enterrada numa cripta em Milão, na Itália, com o nome de María Maggi. Naquele ano, o corpo é exumado e entregue ao general Perón no exílio na Espanha.

Depois da morte de Perón, em 1974, a terceira mulher do caudilho, María Estela Martínez de Perón, a Isabelita, assume o governo e repatria os restos mortais de Evita, que fica um tempo ao lado dos restos de Perón na Quinta de Olivos, residência oficial dos presidentes da Argentina. Sem o talento político de Evita, Isabelita não se sustenta no cargo.

Com o golpe militar de março de 1976, mais uma vez os peronistas temem pelo destino dos restos mortais da grande líder de massas. Em outubro daquele ano, sob a supervisão da ditadura, o cadáver de Evita é levado de Olivos para o Cemitério da Recoleta, onde estão enterrados os grandes líderes da oligarquia argentina, e sepultado no mausoléu da família Duarte.

Até hoje, os dois cadáveres assombram e dominam a política argentina.

ASSALTO AO QUARTEL DE MONCADA

    Em 1953, o jovem advogado Fidel Castro e outros 165 homens assaltam o Quartel de Moncada, em Santiago de Cuba, no primeiro salvo a Revolução Cubana. A maioria dos rebeldes morre.

Fidel é preso e condenado a 15 anos de prisão. Durante o julgamento, profere uma frase famosa: "A história me absolverá."

Anistiado em 1955, Fidel vai para o México, de onde volta no iate Granma com 83 homens e inicia, em 2 de dezembro de 1956, e inicia na Sierra Maestra uma guerrilha contra a ditadura de Fulgencio Batista, vitoriosa em 1º de janeiro de 1959.

Em abril de 1961, exilados cubanos tentam a Invasão da Baía dos Porcos, com o apoio da CIA (Agência Central de Inteligência dos EUA). O fracasso aproxima ainda mais Cuba da União Soviética, que tenta instalar mísseis nucleares na ilha.

A Crise dos Mísseis em Cuba, de 14 a 27 de outubro de 1962, é o momento mais tenso da Guerra Fria. Nunca o mundo fica tão perto de uma guerra nuclear entre as duas superpotências. 

Os EUA estão prestes a invadir Cuba quando o líder soviético, Nikita Kruschev, aceita retirar os mísseis. Em troca, o presidente norte-americano, John Kennedy, retira mísseis obsoletos da Turquia e faz um acordo tácito para não invadir a ilha, que deixa de servir de base para ataques aos EUA.

Com o fim da URSS, em 1991, Cuba passa anos de grave crise econômica até receber o apoio da Venezuela de Hugo Chávez (1999-2013). Hoje, com o declínio do regime chavista sob Nicolás Maduro, enfrenta séria crise, com escassez de remédios e alimentos em plena pandemia, que seca o setor de turismo, uma das principais fontes de moedas fortes em Cuba.

Fidel fica no poder até 31 de julho de 2006, quando sofre uma grave hemorragia intestinal e transfere o comando da revolução para seu irmão Raúl Castro, que por sua vez é sucedido por Miguel Díaz Canel, presidente desde 19 de abril de 2018 e líder do Partido Comunista desde 19 de abril de 2021.

EGITO TOMA CANAL DE SUEZ

    Em 1956, o ditador do Egito, Gamal Abdel Nasser, ocupa e nacionaliza a empresa que opera o Canal de Suez, torna-se o líder do pan-arabismo e provoca uma guerra em que Israel, a França e o Reino Unido invadem partes do território egípcio.

O canal de 163 quilômetros ligando o Mar Mediterrâneo ao Mar Vermelho é construído entre 1859 e 1869. Tem importância estratégica porque permite que embarcações vão da Europa à Ásia sem ter de contornar a África pelo Cabo da Boa Esperança. 

No fim da obra, que custa a vida de 125 mil egípcios, o canal é propriedade do Egito e da França. A dívida externa do Egito força o país a vender sua parte do canal ao Reino Unido. Tropas britânicas se instalam na região em 1882 para proteger a nova propriedade.

A Crise de Suez começa quando os Estados Unidos e o Reino Unido se negam a financiar a construção da Barragem de Assuã porque Nasser se aproxima da União Soviética e da Tcheco-Eslováquia para comprar as armas que o Ocidente não quis lhe vender e reconhece a República Popular da China, a China Comunista.

O ditador egípcio toma o canal por acreditar que a cobrança de pedágio dos navios que o atravassem dará o dinheiro necessário para construir a barragem. Anuncia a nacionalização do canal num discurso em Alexandria em 26 de julho de 1956. Também fecha o Estreito de Tiran e o Golfo de Ácaba.

Em 29 de outubro, Israel invade o canal com o apoio da França e do Reino Unido para reabrir o estreito e o golfo, cujo fechamento isola o porto israelense de Eilat. Forças britânicas e francesas também entram na região ao lado de Israel.

Sob pressão dos EUA, da URSS e das Nações Unidas, os três invasores se retiram e a guerra acaba em 7 de novembro. Em plena Revolução Húngara de 1956 contra a dominação soviética, o governo Dwight Eisenhower não quer outro conflito. Retira o apoio do Fundo Monetário Internacional (FMI) às economias da França e do Reino Unido, ainda abaladas pela Segunda Guerra Mundial (1939-45). É uma humilhação e um marco da derrocada final dos impérios Britânico e Francês.

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quinta-feira, 9 de julho de 2026

Hoje na História do Mundo: 9 de Julho

CATARINA A GRANDE, CZARINA DA RÚSSIA

    Em 1762, Catarina II, a Grande, se torna czarina depois de dar um golpe contra o marido, Pedro III. Ela governa até a morte, em 17 de novembro de 1796, num despotismo iluminado, um reinado inspirado pelo Iluminismo, de expansão do império e renascimento da cultura, da ciência e das artes.

A princesa Sophie Friederike Auguste von Anhalt Zerbst Dornburg nasce em 2 de maio de 1729 em Stettin, na Província da Pomerânia, no Reino da Prússia, parte do Sacro Império Romano-Germânico. Dois primos, Gustavo III e Carlos XIII se tornam reis da Suécia.

Ela adota o nome de Catarina quando se converte à Igreja Cristã Ortodoxa Russa, em 28 de junho de 1744. No ano seguinte, em 21 de agosto de 1745, Catarina se casa com o príncipe Pedro. O casamento leva anos a se consumar. Isto a faz se aproximar de nobres e grupos políticos que não gostam de seu marido.

Leitora ávida de livros, especialmente em francês, Catarina conhece as ideias do filósofo liberal francês Voltaire, uma de suas grandes influências, futuro conselheiro da Imperatriz de Todas as Rússias. Nos Anais, do historiador romano Tácito, ela aprende que o poder não se exerce por idealismo, mas por "motivos e interesses secretos".

Catarina confessa em suas memórias que perde a virgindade com Serguei Saltikov e diz que seu filho é dele, mas na versão final, para evitar problemas na sucessão, afirma que o futuro czar Paulo I, é filho de Pedro III. Ela tem casos amorosos escandalosos com vários nobres da corte: Stanislaus Augustus Toniakowski, Grigory Orlov, Alexander Vasilchikov, Grigory Potenkim e Ivan Korsakov, entre outros.

Com a morte da imperatriz Elizabeth, em 5 de janeiro de 1762, seu marido ascende ao trono como Pedro III. Apesar da má reputação, em seu curto reinado de seis meses, o czar faz reformas importantes: instaura a liberdade religiosa, incentiva a educação, tenta reformar o Exército, abole a polícia secreta, conhecida por sua violência extrema, e proíbe os proprietários de terras de matar servos sem julgamento.

A mulher o considera "bêbado" e "idiota". Diz que "não há nada pior do que ter um marido infantil". Diante da ameaça de golpe, ele tenta fugir, mas é preso e forçado a abdicar em 9 de julho de 1762, depois que o Exército, a Marinha e o Senado declaram apoio a Catarina. Peter III morre, provavelmente assassinado, mas não se conhecem os detalhes de sua morte.

O czar Pedro I, o Grande, considerado o fundador do Império Russo, chega até o Mar Negro, com as campanhas de Azov (1695-96), durante a Guerra Russo-Turca (1686-1700). A Rússia se torna a potência dominante nos Bálcãs em outra Guerra Russo-Turca (1768-74), quando o país se torna "protetor do cristãos ortodoxos" no Império Otomano.

No fim desta guerra, estoura a Guerra Camponesa, Rebelião dos Cossacos ou Rebelião de Pugachev (1773-75), liderada por Yemelian Pugachev, que anuncia a formação de um governo paralelo em nome do czar Pedro III e proclama o fim da servidão. Depois de uma reação inicial fraca, a revolta é esmagada no fim de 1774. Pugachev é preso e executado em 21 de janeiro de 1775 em Moscou.

Outra marca do reinado de Catarina II é a divisão da Polônia, que acontece em três etapas, em 1774, 1792, quando a Comunidade Polaco-Lituana é dividida entre Rússia e Prússia, e em 1795, quando o país é dividido entre Áustria, Rússia e Prússia. A Polônia e a Lituânia deixam de existir como países independentes por 123 anos, até o fim da Primeira Guerra Mundial (1914-18).

Fã da ciência e do Iluminismo, a imperatriz se vacina contra a varíola para dar o exemplo a seus súditos. A retrógrada rainha portuguesa Dona Maria I, a Louca, não faz isso e perde o primogênito para a doença.

Duante o reinado de Catarina a Grande, o Império Russo conquista 520 mil quilômetros quadrados, inclusive a Crimeia, a Nova Rússia (nome que o ditador Vladimir Putin usa para falar da Ucrânia), a Rússia Branca, a Lituânia e a Curlândia, e funda cidades como Odessa, Sebastopol e Kherson. A colonização do Alasca, vendido aos Estados Unidos em 30 de março de 1867, começa sob Catarina II.

INDEPENDÊNCIA DA ARGENTINA

      Em 1816, o Congresso Geral Constituinte, reunido em San Miguel de Tucumán, proclama a independência da Argentina. A declaração não define um sistema de governo, se será uma monarquia ou república.

A América Latina se torna independente em consequência da invasão de Napoleão Bonaparte à Península Ibérica, sob a inspiração da independência dos Estados Unidos e da Revolução Francesa, mas o Congresso de Viena (1815) restaura as monarquias europeias depois do fim das guerras napoleônicas. Então, há dúvidas.

As vitórias da resistência crioula às invasões britânicas de 1806 e 1807 acendem a chama da independência nos países do Rio do Prata. As invasões napoleônicas acabam com o poder imperial da Espanha e seu representante, o vice-rei em Buenos Aires. 

Em 13 de maio de 1810, chega a Buenos Aires a notícia de que Sevilha caíra em poder de Napoleão. Era o último bastião da monarquia espanhola. A Revolução de Maio vai de 18 a 25 de maio. É a primeira revolta bem-sucedida na independência da América do Sul. O movimento pela independência convoca o Cabildo Aberto, destitui o vice-rei em 22 de maio e cria uma junta de governo sob a presidência de Cornelio Saavedra.

Quando o Congresso se reúne em Tucumán, as Províncias Unidas do Prata estão divididas por causa da posição hegemônica assumida por Buenos Aires desde a Revolução de Maio, com resistência de outras províncias, especialmente de José Artigas, o grande herói do Uruguai, que quer criar uma federação platina.

Além do risco de guerra civil, há a ameaça de uma invasão da Espanha, que recupera a soberania com o fim da Guerra Peninsular (1808-14) contra Napoleão Bonaparte. É preciso organizar o país e o apresentar ao mundo como uma sociedade civilizada. Declarar a independência e redigir uma Constituição são fundamentais.

PRIMEIRO TORNEIO DE WIMBLEDON

    Em 1877, começa em Londres o primeiro Campeonato de Wimbledon, o mais tradicional torneio de tênis do mundo. 

A primeira edição tem 21 tenistas amadores que disputam o título de campeão masculino de simples, a única categoria em disputa. Na final, Spencer Gore vence William Marshall por 3-0 (6-1, 6-2, 6-4) com um jogo forte na rede. No ano seguinte, perde para Frank Hadow, especialista numa nova técnica: o lobe.

O tênis tem origem num jogo francês do século 13, jeu de paume, o jogo da palma, que evolui para um esporte de bolinha e raquete disputado em quadra fechada, o tênis real. Por fim, se transforma no tênis na grama.

O All England Croquet and Lawn Tennis Club, fundado em 1868, organiza o torneio desde 1877. A grama sagrada de Wimbledon é sede do único torneio importante disputado hoje na grama.

CEM METROS NADO LIVRE EM MENOS DE UM MINUTO

    Em 1922, o norte-americano Johnny Weissmüller nada 100 metros em menos de um minuto. O tempo de 58,6 segundos é o novo recorde mundial.

Janus Peter Weissmüller nasce em Szabadfalva, hoje parte da Romênia, no então Império Austro-Húngaro, em 2 de junho de 1904. No ano seguinte, seu pai e sua mãe emigram para os Estados Unidos. A família chega ao Nova York, vai para Windbar, na Pensilvânia, e depois para Chicago. Na praia de Fullerton, no Lago Michigan, Johnny recebe as primeiras aulas de natação.

Além de recordes, conquista cinco medalhes de ouro. Ganha os 100 metros nado livre e o revezamento 4 x 200 m nas olimpíadas de Paris, em 1924, e Amsterdã, em 1928. Em Paris, também ganha o ouro nos 400 m nado livre e uma medalha de bronze no polo aquático.

Depois da carreira de nadador, Johnny Weissmüller entra para o cinema. Seu grande papel foi como Tarzan – o homem macaco, no primeiro filme de uma série em que um super-herói branco faz proezas na África, personagem criado pelo escritor norte-americano Edgar Rice Burroughs. 

Na mesmo linha, de um super-herói branco mais forte, mais inteligente e mais eficiente do que os nativos e não europeus (há indianos), estrela mais tarde o seriado de televisão Jim das Selvas.

FIM DO GRATEFUL DEAD

    Em 1995, a banda de rock psicodélico Grateful Dead, nascida na comunidade hippie de Haight-Ashbury, em São Francisco da Califórnia, faz em Chicago seu último show. O cantor, compositor, guitarrista e líder da banda, Jerry Garcia, o Capitão Barato, morre no mês seguinte.

O Grateful Dead toma este nome no fim de 1965. A formação original tem Jerry Garcia, Bob Weir (guitarra e voz), Ron Pigpen McKernan (teclados), Phil Lesh (baixo) e Bill Kreutzmann (bateria). Depois, entram Mickey Hart (bateria), Tom Constanten (teclado), Keith Godchaux (teclado), Donna Godchaux (voz) e Brent Mydland (teclado e voz).

Uma das grandes bandas do rock ácido de São Francisco, ao lado do Jefferson Airplane, o Grateful Dead mistura rock, jazz, bluegrass, blues e folk music – e se torna uma das bandas de maior sucesso da história apresentações ao vivo. De 24 a 31 de dezembro, o Dead faz concertos grátis em São Francisco. Suas turnês de verão nos Estados Unidos faturam em média mais de US$ 500 mil por show.

Como uma banda contracultural, o Dead sempre autoriza e estimula seus fãs, inclusive uma legião de seguidores fanáticos, a gravar seus concertos. Seus discos de estúdio nunca tiveram o mesmo sucesso dos shows. "Não há nada como um concerto do Grateful Dead", afirmam os fãs.

Tive a oportunidade assistir a um show memorável de quatro horas do Grateful Dead no Ventura County Fairgrounds, perto de Los Angeles, em julho de 1982, que terminou com It's All Over Now, de Bob Dylan.

UNIÃO AFRICANA

   Em 2002, nasce a União Africana (UA), sucessora da Organização de Unidade Africana (OUA), numa conferência em Durban, na África do Sul, com o objetivo é promover a cooperação, a integração e o desenvolvimento econômico dos 55 países do continente.

A OUA é fundada em 25 de maio de 1963, em Adis Abeba, na Etiópia, pelo imperador Hailé Salassié. Na época, os 32 países fundadores decidem não discutir as fronteiras traçadas pelo imperialismo por duas razões: seria motivo para guerras sem fim e o objetivo maior era integrar o continente.

Em quase 40 anos, a OUA não consegue cumprir seus objetivos, como evitar guerra, porque opera por consenso, o que gera uma paralisia. A UA é criada numa conferência realizada em Adis Abeba, em 26 de maio de 2001.

O modelo da UA é a União Europeia, para criar "uma África integrada, próspera e pacífica". Em 2018, 45 dos 55 países-membros assinam o Acordo de Livre Comércio Continental Africano. A área de livre comércio começa a funcionar em 1º de janeiro de 2021.

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segunda-feira, 29 de junho de 2026

Hoje na História do Mundo: 29 de Junho

ALEMANHA TOMA RIGA E CERCA MINSK

     Em 1941, durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45), a Alemanha Nazista invade a União Soviética em três frentes, toma Riga, a capital da Letônia, no Norte, e cerca o exército inimigo em Minsk, a capital da Bielorrússia.

Apesar do Pacto Germano-Soviético, um tratado de não agressão assinado em 23 de agosto de 1939 para adiar um confronto direto, dividir a Polônia e deixar a URSS tomar as repúblicas bálticas (Estônia, Letônia e Lituânia), o ditador Josef Stalin considera inevitável a guerra contra a Alemanha por causa da incompatibilidade ideológica entre comunismo e nazismo. Mas acredita que Adolf Hitler não ordenaria a invasão antes de conquistar o Reino Unido. É surpreendido.

Depois de perder a Batalha da Inglaterra, uma batalha aérea travada de 10 de julho a 31 de outubro de 1940, com o resto da Europa Ocidental sob seu controle, Hitler se volta para a frente oriental. Ao invadir a URSS, comete seu maior erro, que custa a derrota e a vida. Como Napoleão Bonaparte em 1812, subestima a capacidade de resistência e luta do povo russo.

Em 22 de junho de 1941, 150 divisões alemãs entram na pátria do comunismo com a cobertura da Luftwaffe, a Força Aérea nazista, que tem superioridade aérea, e avançam em três frentes: ao norte, rumo a Leningrado, hoje São Petersburgo; no centro, em direção a Moscou; ao sul, para Kiev, a capital da Ucrânia.

Com a ajuda de seus aliados finlandeses e romenos, a blitzkrieg, a guerra-relâmpago baseada na aviação e em tanques de alta velocidade, logo conquista uma grande área do território soviético. Em 29 de junho, caem Riga e Ventspils, na Letônia, 200 aviões soviéticos são abatidos e os alemães fecham o cerco a três exércitos inimigos.

É um duelo entre os maiores ditadores da história. De um lado, os generais alemães advertem Hitler de que não têm condições de cuidar de prisioneiros durante a invasão da URSS. Os inimigos presos seriam sumariamente executados. Por outro lado, Stalin não aceita a rendição nem o recuo. Quem recua é executado.

Em meados de outubro, Moscou e Leningrado estão sitiadas. O Cerco de Leningrado é uma das grandes batalhas da Segunda Guerra Mundial. Dura quase 900 dias, de 8 de Setembro de 1941 a 27 de Janeiro de 1944. A cidade passa fome. Os pais não deixam os filhos saírem de casa porque há um mercado negro de carne humana. 

A perda da Batalha de Moscou, travada de 30 de setembro de 1941 a 20 de abril de 1942, é a primeira derrota alemã na guerra.

A ofensiva nazista é contida na frente sul, na Batalha de Stalingrado, talvez a mais importante da história, travada de 23 de agosto de 1942 a 2 de fevereiro de 1943, com quase 2 milhões de mortes. A partir daí, o Exército Vermelho lança a contraofensiva que termina em Berlim em 8 de maio de 1945, fim da guerra na Europa.

BRASIL CAMPEÃO DO MUNDO

    Em 1958, a seleção brasileira conquista sua primeira Copa do Mundo ao vencer a Suécia em Estocolmo por 5-2, com craques como Pelé, de apenas 17 anos, Garrincha, Didi, eleito o melhor da Copa, e Nílton Santos. Com 6 gols, Pelé é a revelação.

Na estreia, em 8 de junho, o Brasil vence a Áustria por 3-0, com dois gols de Mazzola e um de Nílton Santos. O segundo jogo, em 11 de junho, é um empate de 0-0 com a Inglaterra. O terceiro adversário é a União Soviética, com seu "futebol científico".

Em conversa com Didi no hotel o técnico Vicente Feola aparenta tranquilidade. Didi não tem a mesma segurança e adverte: "Está todo o mundo com medo. Se o senhor não botar o Mané e o Pelé, será muito difícil." O Brasil precisa da vitória.

Ao dar as instruções no hotel, Garrincha disse sua frase mais famosa: "O senhor combinou com os russos?" Não precisa. O jogo, disputado em 15 de junho, revela Pelé e Garrincha ao mundo. Garrincha acaba com seu marcador, Kusnetsov e é chamado de "melhor reserva do mundo".

Com três minutos, talvez os mais eletrizantes da história do futebol, o Brasil chuta duas bolas na trave e abre o placar. No final, ganha por 2-0.

Contra o País de Gales, em 19 de junho, Pelé marca o gol mais importante de sua carreira, furando uma retranca obstinada: 1-0.

No Dia de São João, 24 de junho, o Brasil vence a semifinal contra a favorita França por 5-2, com dois gols anulados, de Zagallo e Garrincha, pelo juiz Benjamin Griffiths, do País de Gales, muito criticado pela imprensa brasileira. É o jogo do melhor ataque contra a melhor defesa. O Brasil leva seus primeiros gols. Vavá, Didi e Pelé (3) marcam para o Brasil. Just Fontaine, o maior artilheiro de uma Copa do Mundo, com 13 gols, e Roger Piantoni, descontam para a França.

A final é disputada no Dia de São Pedro, 29 de junho. A Suécia sai na frente aos 4 minutos, com gol de Nils Liedholm, de 35 anos, o jogador mais velho a marcar numa final de Copa do Mundo. Didi, o líder da equipe, pega a bola no fundo da rede e caminha até o centro do campo com uma ideia na cabeça: passar a bola para o Mané.

Com dois gols de Vavá em cruzamentos de Garrincha, o Brasil vira no primeiro tempo. Aos 10 minutos do segundo tempo, Pelé dá um chapéu num zagueiro se torna o jogador mais jovem a marcar numa final de Copa. Zagallo aumenta para 4-1. Simonsen desconta para a Suécia e Pelé fecha o placar de cabeça no último lance do jogo. Brasil 5-2.  

MICK E KEITH NO BANCO DOS RÉUS

    Em 1967, Mick Jagger e Keith Richards, os líderes dos Rolling Stones, são levados a julgamento por uso de drogas depois de uma batida policial numa casa de Richards.


A promotora atribui o fato de Marianne Faithful, namorada de Jagger, vestir apenas uma pele de urso ao uso de maconha. Keith considera normal e responde: "Não somos velhos. Não estamos preocupados com um moralismo mesquinho." Vira um dos porta-vozes da geração rebelde dos anos 1960.

Mick é preso com quatro comprimidos de anfetamina que havia comprado na Itália. É condenado a três meses de cadeia com direito a recorrer em liberdade. 

O caso de Keith é mais grave. Ele é acusado de deixar usarem sua casa para consumo de drogas. É condenado e sentenciado a um ano de prisão. 

No dia da sentença, sai direto do tribunal para a prisão de Wormwood Scrubs. É recebido pelos outros presos como um astro do rock. E só fica uma noite. No dia seguinte, consegue liberdade mediante pagamento de fiança.

Mais tarde, o caso é anulado porque a tentativa de associar a seminudez de Marianne Faithful ao consumo de drogas é considerada preconceituosa.

Anos depois, ao falar sobre o consumo de substâncias ilícitas, Keith declara: "Nunca tive problemas com drogas. Tive problemas com a polícia."

PUNIÇÃO CRUEL E INCOMUM

    Em 1972, por 5 a 4, a Suprema Corte considera inconstitucional a pena de morte do jeito em que é aplicada, por violar a Emenda nº 8 à Constituição dos Estados Unidos como "punição cruel e incomum".

Não é uma vitória dos defensores da abolição da pena capital. O supremo tribunal federal norte-americano sugere que pode aceitá-la se houver padrões uniformes para júris e juízes decidirem e métodos menos cruéis de execução.

Com 66% dos americanos a favor da pena de morte na época, em 1976, a Suprema Corte restabelece a pena morte. O primeiro executado, no ano seguinte, é Gary Gilmore, condenado no ultraconservador estado de Utah por matar um casal de idosos que se nega a lhe emprestar um carro.

ISABELITA ASSUME A PRESIDÊNCIA

    Em 1974, a vice-presidente María Estela Martínez de Perón, a Isabelita, assume a Presidência da Argentina diante do estado terminal do marido Juan Domingo Perón, o líder populista que até hoje, 51 anos depois de sua morte, em 1º de julho daquele ano, domina a política do país.

O coronel Perón participa de um golpe militar em 1943. Vira ministro do Trabalho e depois vice-presidente e ministro da Guerra. Afastado em 9 de outubro de 1945 num golpe dentro do golpe, volta nos braços do povo (sonho de todo populista) sob pressão dos sindicatos e de sua carismática amante, a atriz María Eva Duarte, a Evita. 

Em 17 de outubro, a data magna do peronismo, o Dia da Lealdade, Perón é solto e faz seu primeiro discurso do balcão da Casa Rosada para uma multidão estimada em 300 mil pessoas. Quatro dias depois, Perón, que é viúvo, casa com Evita, formando o casal que até hoje domina a política argentina.

Com a promessa de um salariaço aos trabalhadores, Perón é eleito presidente com 52,4% dos votos em 1946. O aumento no salário salarial deflagra uma grande alta no consumo: as vendas de fogões aumentam 106%, de geladeiras 218%, de calçados 133%, de discos fonográficos 200% e de rádios 600%, incentivadas por programas de redistribuição da renda e de crédito barato. Entre 1945 e 1948, a economia cresce a um recorde de 8,5% ao ano, enquanto os salários reais aumentam 46%.

Perón é reeleito com 62% votos em 1951. Evita chega a ser cotada para vice. Sob pressão conservadora, não é indicada. Ela morre aos 33 anos, em 26 de julho de 1952, de câncer de útero, como a primeira mulher de Perón, Aurelia Tizón.

A terceira mulher de Perón, Isabelita, 35 anos mais moça do que ele, é bailarina no Panamá quando conhece o general, no Natal de 1955. Perón está exilado depois do golpe militar de 16 de setembro daquele ano, que os golpistas chamam de Revolução Libertadora.

Atraído por sua beleza, o general vê nela a companheira de que sente falta desde a morte da segunda mulher, sua grande paixão. Perón volta à Argentina em 1973 e ganha a eleição para um terceiro governo de menos de nove meses em meio a uma crise econômica e política, com uma guerra civil entre grupos guerrilheiros de esquerda e grupos paramilitares de extrema direita.

A tentativa de transformar Isabelita numa segunda Evita, dando-lhe a vice-presidência e o governo quando Perón morre, leva a uma tragédia, ao golpe militar de 24 de março de 1976 e à ditadura sanguinária que mata 30 mil argentinos até ser derrotada e humilhada pelos britânicos na Guerra das Malvinas (1982). A democracia volta à Argentina com a eleição de Raúl Alfonsín, empossado em 10 de dezembro de 1983.

ATLANTIS SE ACOPLA À ESTAÇÃO MIR

    Em 1995, a nave espacial norte-americana Atlantis se acopla à estação espacial russa Mir para formar o maior satélite artificial da Terra. É um momento histórico de cooperação entre os antigos inimigos da Guerra Fria.


São seis da manhã pelo horário da costa leste dos Estados Unidos quando a nave com seis tripulantes se aproxima da estação espacial a cerca de 392 quilômetros da Terra, na altura da fronteira entre a Rússia e a Mongólia. Os três cosmonautas russos transmitem canções folclóricas da Rússia como um gesto de boas-vindas.

O comandante da Atlantis, Robert Gibson, manobra durante duas horas para realizar o acoplamento. Tem de aproximar a nave de 100 toneladas até uma distância de menos de três polegadas (7,62 centímetros) a uma velocidade de não mais do que 3 cm/seg.

Na época, o diretor da NASA (Administração Nacional de Aeronáutica e Espaço dos EUA), Daniel Goldin, saúda o encontro no espaço como marco do "início de uma nova era de cooperação e amizade" entre a Rússia e os EUA. O projeto tem mais 11 missões. É decisivo para a construção da Estação Espacial Internacional que está em órbita hoje.

CALIFADO UNIVERSAL

    Em 2014, o líder da organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante, Abu Baker al-Baghdadi, proclama na Grande Mesquita de Mossul, no Iraque, a fundação de um califado com jurisdição universal baseado inicialmente nos territórios conquistados pelo grupo na Síria e no Iraque, mas destinado a converter o mundo inteiro ao fundamentalismo islâmico sunita, ao salafismo. Muda o nome do grupo terrorista para Estado Islâmico.

O Estado Islâmico é filho da rede Al Caeda no Iraque, fruto da infiltração do grupo terrorista de Ossama ben Laden no país depois da invasão norte-americana de março de 2003. Em 15 de outubro de 2006, vira Estado Islâmico do Iraque. Com a guerra civil iniciada em março de 2011 na Síria e a expansão de sua área de atuação, em 8 de abril de 2013, torna-se Estado Islâmico do Iraque e do Levante.

A conquista de Mossul, a terceira maior cidade do Iraque e origem da palavra muçulmano, em 10 de junho de 2014, leva o califado a sua maior expansão, com controle de uma área com pelo menos 8 milhões de pessoas na Síria e no Iraque, onde implanta um reino do terror, com escravização de mulheres, execução sumária de homossexuais e soldados inimigos.

Em agosto de 2014, quando o Estado Islâmico comete genocídio contra o povo yazidi no Iraque e degola o norte-americano James Foley, o presidente Barack Obama declara guerra ao grupo terrorista. Sob pressão de bombardeios dos Estados Unidos, da Rússia, da França e do Reino Unido, em 13 de novembro de 2015, os jihadistas aterrorizam Paris e matam 130 pessoas.

O último bastião do Estado Islâmico é derrotado em 23 de março de 2019 na Batalha de Baghuz Fauqani. Al-Baghdadi é morto em 27 de outubro de 2019 numa operação militar de forças especiais dos EUA. Mas o Estado Islâmico sobrevive nas prisões, na clandestinidade e em outros países como o Afeganistão, na Rússia e na África.

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