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quinta-feira, 13 de novembro de 2025

Hoje na História do Mundo: 13 de Novembro

 MASSACRE DO DIA DE SÃO BRICE

    Em 1002, acontece um massacre de dinamarqueses na Inglaterra ordenado pelo rei Etelredo II, também conhecido como Etelredo, o Despreparado. Em resposta à invasão e aos frequentes ataques dos vikings, o rei ordena a execução de todos os dinamarqueses que vivem no país.

Etelredo nasce em 968, filho do rei Edgar (959-975). Ascende ao trono em 978 com o assassinato de seu meio-irmão, o rei Eduardo, o Mártir. Sob suspeita de ter participado da morte do irmão, é alvo de desconfiança e deslealdade que minam sua autoridade. Assim, quando os vikings dinamarqueses invadem, em 980, não há uma defesa unificada do país.

Com quase todo o país arrasado, seus esforços de paz fracassam e o invasor cada mais mais feroz e ousado, Etelredo ordena o massacre. No fim de 1013, o rei dinamarquês Sweyn I é reconhecido como rei da Inglaterra. Etelredo foge para a Normandia. Ele recupera o trono em 1014 e governa até a morte, em 23 de abril de 1016.

Etelredo tem 16 filhos de dois casamentos, com Elgiva de York e Ema da Normandia, tia-avó de Guilherme, Duque da Normandia, que reivindica a coroa, invade a Inglaterra em 1066 e entra para a história como Guilherme I, o Conquistador.

A Conquista Normanda é um marco na história da Inglaterra. Está na origem de séculos de guerras e reivindicações de soberania entre a França e a Inglaterra que só acabam com a aliança na Entente Cordiale, em 1904, para fazer frente à ascensão da Alemanha.

ILHA DO TESOURO

    Em 1850, nasce em Edimburgo, na Escócia, o escritor, poeta e ensaísta Robert Louis Stevenson, autor de clássicos da literatura como  A Ilha do Tesouro O Médico e o Monstro.

Um dos escritores britânicos mais importantes do século 19 e um dos autores mais traduzidos do mundo, é também um ativista político, crítico social e humanista.

Filho de um engenheiro civil de sucesso, ele tem problemas de saúde. Aos 17 anos, entra para a Universidade de Edimburgo para estudar direito. Depois de se formar, em 1873, ele se muda para Londres para fugir do círculo familiar e da moral puritana.

Em 1876, Stevenson conhece na França uma norte-americana 10 anos mais velha, Fany Van de Grift Osbourne, com quem se casa em São Francisco da Califórnia em 1880. Publica sem primeiro livro, uma narrativa de viagem, em 1878.

Com tuberculose, é internado em 1881 em Davos, na Suíça. O sucesso vem em 1886, com o lançamento de O Médico e o Monstro. Em 1888, aventura-se com a mulher e o enteado numa viagem de veleiro pelo Sul do Oceano Pacífico, onde se apaixona pela natureza tropical e decide morar em Apia, nas Ilhas Samoa. Em 1894, publica Noites das Ilhas, um de meus livros favoritos, e morre prematuramente em 3 de dezembro.

ERUPÇÃO DO NEVADO DEL RUIZ

    Em 1985, uma erupção do Nevado del Ruiz, o vulcão mas ativo da Cordilheira dos Andes na Colômbia, gera uma avalanche de lava, lama e gelo da neve do topo da montanha que vai até 100 quilômetros de distância e mata mais de 23 mil pessoas. É a segunda erupção vulcânica mais mortal do século 20.

Uma chuva torrencial piora a situação e causa enchentes. A cidade mais atingida é Armero, onde morrem três quartos dos 28,7 mil habitantes.

O Nevado del Ruiz, de 5.370 metros de altura, dá os primeiros sinais de que vai entrar em erupção um ano antes. A maioria dos moradores dos vales sobreviveria se morasse em lugares mais altos.

QUEDA DE CABUL

    Em 2001, depois da invasão do Afeganistão pelos Estados Unidos para punir os responsáveis pelos atentados terroristas de 11 de setembro, a Aliança do Norte toma o poder em Cabul.

Quando fica evidente que a rede terrorista Al Caeda é responsável pelos ataques ao World Trade Center, em Nova York, e ao Pentágono, a sede do Departamento da Defesa dos EUA, com o aval do Conselho de Segurança das Nações Unidas e o apoio dos aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), os EUA atacam o Afeganistão, a partir de 7 de outubro de 2001. 

Os objetivos são caçar os terroristas d'al Caeda e derrubar o regime da milícia fundamentalista dos Talebã, que acolhia os campos de treinamento do terror. O regime cai em 28 de ourubro. A Aliança do Norte, inimiga dos Talebã, é usada como força terrestre aliada para tomar Cabul.

TERROR EM PARIS

    Em 2015, o grupo terrorista Estado Islâmico comete uma série de atentados que matam 132 pessoas e ferem outras 416 em Paris e na cidade-satélite de St.-Denis, no maior ataque à França depois da Segunda Guerra Mundial (1939-45).

Às 21h15 pela hora local, três terroristas suicidas se detonam do lado de fora depois de não conseguir entrar no Estádio da França, em St.-Denis, onde jogam Alemanha e França, com o presença do presidente francês, François Hollande.

Outro grupo ataca bares, cafés e restaurantes, enquanto um terceiro comando terrorista invade o teatro Bataclan, onde há um concerto de rock. Os jihadistas tomam reféns, enfrentam a polícia e se explodem como homens-bomba, matando 90 pessoas.

O Estado Islâmico nasce como Al Caeda no Iraque, depois da intervenção militar dos Estados Unidos para derrubar Saddam Hussein, em 2003, e da alienação da minoria sunita. Na guerra civil da Síria, vira Estado Islâmico do Iraque e do Levante, rompe com a rede terrorista Al Caeda, toma Mossul, uma das maiores cidades iraquianas, e proclama a fundação de um califado de jurisdição universal, em 2014.

Quando o Estado Islâmico começa a matar reféns ocidentais, os EUA, a França e o Reino Unido passam a bombardear o califado. Os atentados em Paris são a retaliação dos jihadistas.

A capital francesa é alvo do terrorismo de extremistas muçulmanos em 7 de janeiro de 2015, quando é atacado o jornal satírico Charlie Hebdo, que publicara caricaturas do profeta Maomé, e mais ações nos dias seguintes, com um total de 16 mortes. Esses ataques são de jihadistas ligada a Al Caeda.

Desde então, a França, que tem a maior população muçulmana da Europa depois da Rússia, cerca de 5 milhões de habitantes, é alvo de atentados terroristas. Em outubro de 2020, três pessoas, inclusive a brasileira Simone Barreto Silva, são mortas num ataque a uma igreja. Em 2022, o professor Samuel Paty é degolado depois de ser acusado de islamofobia por uma estudante de 13 anos que depois confessa a mentira.

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domingo, 29 de junho de 2025

Hoje na História do Mundo: 29 de Junho

ALEMANHA TOMA RIGA E CERCA MINSK

     Em 1941, durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45), a Alemanha Nazista invade a União Soviética em três frentes, toma Riga, a capital da Letônia, no Norte, e cerca o exército inimigo em Minsk, a capital da Bielorrússia.

Apesar do Pacto Germano-Soviético, um tratado de não agressão assinado em 23 de agosto de 1939 para adiar um confronto direto, dividir a Polônia e deixar a URSS tomar as repúblicas bálticas (Estônia, Letônia e Lituânia), o ditador Josef Stalin considera inevitável a guerra contra a Alemanha por causa da incompatibilidade ideológica entre comunismo e nazismo. Mas acredita que Adolf Hitler não ordenaria a invasão antes de conquistar o Reino Unido. É surpreendido.

Depois de perder a Batalha da Inglaterra, uma batalha aérea travada de 10 de julho a 31 de outubro de 1940, com o resto da Europa Ocidental sob seu controle, Hitler se volta para a frente oriental. Ao invadir a URSS, comete seu maior erro, que custa a derrota e a vida. Como Napoleão Bonaparte em 1812, subestima a capacidade de resistência e luta do povo russo.

Em 22 de junho de 1941, 150 divisões alemãs entram na pátria do comunismo com a cobertura da Luftwaffe, a Força Aérea nazista, que tem superioridade aérea, e avançam em três frentes: ao norte, rumo a Leningrado, hoje São Petersburgo; no centro, em direção a Moscou; ao sul, para Kiev, a capital da Ucrânia.

Com a ajuda de seus aliados finlandeses e romenos, a blitzkrieg, a guerra-relâmpago baseada na aviação e em tanques de alta velocidade, logo conquista uma grande área do território soviético. Em 29 de junho, caem Riga e Ventspils, na Letônia, 200 aviões soviéticos são abatidos e os alemães fecham o cerco a três exércitos inimigos.

É um duelo entre os maiores ditadores da história. De um lado, os generais alemães advertem Hitler de que não têm condições de cuidar de prisioneiros durante a invasão da URSS. Os inimigos presos seriam sumariamente executados. Por outro lado, Stalin não aceita a rendição nem o recuo. Quem recua é executado.

Em meados de outubro, Moscou e Leningrado estão sitiadas. O Cerco de Leningrado é uma das grandes batalhas da Segunda Guerra Mundial. Dura quase 900 dias, de 8 de Setembro de 1941 a 27 de Janeiro de 1944. A cidade passa fome. Os pais não deixam os filhos saírem de casa porque há um mercado negro de carne humana. 

A perda da Batalha de Moscou, travada de 30 de setembro de 1941 a 20 de abril de 1942, é a primeira derrota alemã na guerra.

A ofensiva nazista é contida na frente sul, na Batalha de Stalingrado, talvez a mais importante da história, travada de 23 de agosto de 1942 a 2 de fevereiro de 1943, com quase 2 milhões de mortes. A partir daí, o Exército Vermelho lança a contraofensiva que termina em Berlim em 8 de maio de 1945, fim da guerra na Europa.

BRASIL CAMPEÃO DO MUNDO

    Em 1958, a seleção brasileira conquista sua primeira Copa do Mundo ao vencer a Suécia em Estocolmo por 5-2, com craques como Pelé, de apenas 17 anos, Garrincha, Didi, eleito o melhor da Copa, e Nílton Santos. Com 6 gols, Pelé é a revelação.

Na estreia, em 8 de junho, o Brasil vence a Áustria por 3-0, com dois gols de Mazzola e um de Nílton Santos. O segundo jogo, em 11 de junho, é um empate de 0-0 com a Inglaterra. O terceiro adversário é a União Soviética, com seu "futebol científico".

Em conversa com Didi no hotel o técnico Vicente Feola aparenta tranquilidade. Didi não tem a mesma segurança e adverte: "Está todo o mundo com medo. Se o senhor não botar o Mané e o Pelé, será muito difícil." O Brasil precisa da vitória.

Ao dar as instruções no hotel, Garrincha disse sua frase mais famosa: "O senhor combinou com os russos?" Não precisa. O jogo, disputado em 15 de junho, revela Pelé e Garrincha ao mundo. Garrincha acaba com seu marcador, Kusnetsov e é chamado de "melhor reserva do mundo".

Com três minutos, talvez os mais eletrizantes da história do futebol, o Brasil chuta duas bolas na trave e abre o placar. No final, ganha por 2-0.

Contra o País de Gales, em 19 de junho, Pelé marca o gol mais importante de sua carreira, furando uma retranca obstinada: 1-0.

No Dia de São João, 24 de junho, o Brasil vence a semifinal contra a favorita França por 5-2, com dois gols anulados, de Zagallo e Garrincha, pelo juiz Benjamin Griffiths, do País de Gales, muito criticado pela imprensa brasileira. É o jogo do melhor ataque contra a melhor defesa. O Brasil leva seus primeiros gols. Vavá, Didi e Pelé (3) marcam para o Brasil. Just Fontaine, o maior artilheiro de uma Copa do Mundo, com 13 gols, e Roger Piantoni, descontam para a França.

A final é disputada no Dia de São Pedro, 29 de junho. A Suécia sai na frente aos 4 minutos, com gol de Nils Liedholm, de 35 anos, o jogador mais velho a marcar numa final de Copa do Mundo. Didi, o líder da equipe, pega a bola no fundo da rede e caminha até o centro do campo com uma ideia na cabeça: passar a bola para o Mané.

Com dois gols de Vavá em cruzamentos de Garrincha, o Brasil vira no primeiro tempo. Aos 10 minutos do segundo tempo, Pelé dá um chapéu num zagueiro se torna o jogador mais jovem a marcar numa final de Copa. Zagallo aumenta para 4-1. Simonsen desconta para a Suécia e Pelé fecha o placar de cabeça no último lance do jogo. Brasil 5-2.  

MICK E KEITH NO BANCO DOS RÉUS

    Em 1967, Mick Jagger e Keith Richards, os líderes dos Rolling Stones, são levados a julgamento por uso de drogas depois de uma batida policial numa casa de Richards.


A promotora atribui o fato de Marianne Faithful, namorada de Jagger, vestir apenas uma pele de urso ao uso de maconha. Keith considera normal e responde: "Não somos velhos. Não estamos preocupados com um moralismo mesquinho." Vira um dos porta-vozes da geração rebelde dos anos 1960.

Mick é preso com quatro comprimidos de anfetamina que havia comprado na Itália. É condenado a três meses de cadeia com direito a recorrer em liberdade. 

O caso de Keith é mais grave. Ele é acusado de deixar usarem sua casa para consumo de drogas. É condenado e sentenciado a um ano de prisão. 

No dia da sentença, sai direto do tribunal para a prisão de Wormwood Scrubs. É recebido pelos outros presos como um astro do rock. E só fica uma noite. No dia seguinte, consegue liberdade mediante pagamento de fiança.

Mais tarde, o caso é anulado porque a tentativa de associar a seminudez de Marianne Faithful ao consumo de drogas é considerada preconceituosa.

Anos depois, ao falar sobre o consumo de substâncias ilícitas, Keith declara: "Nunca tive problemas com drogas. Tive problemas com a polícia."

PUNIÇÃO CRUEL E INCOMUM

    Em 1972, por 5 a 4, a Suprema Corte considera inconstitucional a pena de morte do jeito em que é aplicada, por violar a Emenda nº 8 à Constituição dos Estados Unidos como "punição cruel e incomum".

Não é uma vitória dos defensores da abolição da pena capital. O supremo tribunal federal norte-americano sugere que pode aceitá-la se houver padrões uniformes para júris e juízes decidirem e métodos menos cruéis de execução.

Com 66% dos americanos a favor da pena de morte na época, em 1976, a Suprema Corte restabelece a pena morte. O primeiro executado, no ano seguinte, é Gary Gilmore, condenado no ultraconservador estado de Utah por matar um casal de idosos que se nega a lhe emprestar um carro.

ISABELITA ASSUME A PRESIDÊNCIA

    Em 1974, a vice-presidente María Estela Martínez de Perón, a Isabelita, assume a Presidência da Argentina diante do estado terminal do marido Juan Domingo Perón, o líder populista que até hoje, 51 anos depois de sua morte, em 1º de julho daquele ano, domina a política do país.

O coronel Perón participa de um golpe militar em 1943. Vira ministro do Trabalho e depois vice-presidente e ministro da Guerra. Afastado em 9 de outubro de 1945 num golpe dentro do golpe, volta nos braços do povo (sonho de todo populista) sob pressão dos sindicatos e de sua carismática amante, a atriz María Eva Duarte, a Evita. 

Em 17 de outubro, a data magna do peronismo, o Dia da Lealdade, Perón é solto e faz seu primeiro discurso do balcão da Casa Rosada para uma multidão estimada em 300 mil pessoas. Quatro dias depois, Perón, que é viúvo, casa com Evita, formando o casal que até hoje domina a política argentina.

Com a promessa de um salariaço aos trabalhadores, Perón é eleito presidente com 52,4% dos votos em 1946. O aumento no salário salarial deflagra uma grande alta no consumo: as vendas de fogões aumentam 106%, de geladeiras 218%, de calçados 133%, de discos fonográficos 200% e de rádios 600%, incentivadas por programas de redistribuição da renda e de crédito barato. Entre 1945 e 1948, a economia cresce a um recorde de 8,5% ao ano, enquanto os salários reais aumentam 46%.

Perón é reeleito com 62% votos em 1951. Evita chega a ser cotada para vice. Sob pressão conservadora, não é indicada. Ela morre aos 33 anos, em 26 de julho de 1952, de câncer de útero, como a primeira mulher de Perón, Aurelia Tizón.

A terceira mulher de Perón, Isabelita, 35 anos mais moça do que ele, é bailarina no Panamá quando conhece o general, no Natal de 1955. Perón está exilado depois do golpe militar de 16 de setembro daquele ano, que os golpistas chamam de Revolução Libertadora.

Atraído por sua beleza, o general vê nela a companheira de que sente falta desde a morte da segunda mulher, sua grande paixão. Perón volta à Argentina em 1973 e ganha a eleição para um terceiro governo de menos de nove meses em meio a uma crise econômica e política, com uma guerra civil entre grupos guerrilheiros de esquerda e grupos paramilitares de extrema direita.

A tentativa de transformar Isabelita numa segunda Evita, dando-lhe a vice-presidência e o governo quando Perón morre, leva a uma tragédia, ao golpe militar de 24 de março de 1976 e à ditadura sanguinária que mata 30 mil argentinos até ser derrotada e humilhada pelos britânicos na Guerra das Malvinas (1982). A democracia volta à Argentina com a eleição de Raúl Alfonsín, empossado em 10 de dezembro de 1983.

ATLANTIS SE ACOPLA À ESTAÇÃO MIR

    Em 1995, a nave espacial norte-americana Atlantis se acopla à estação espacial russa Mir para formar o maior satélite artificial da Terra. É um momento histórico de cooperação entre os antigos inimigos da Guerra Fria.


São seis da manhã pelo horário da costa leste dos Estados Unidos quando a nave com seis tripulantes se aproxima da estação espacial a cerca de 392 quilômetros da Terra, na altura da fronteira entre a Rússia e a Mongólia. Os três cosmonautas russos transmitem canções folclóricas da Rússia como um gesto de boas-vindas.

O comandante da Atlantis, Robert Gibson, manobra durante duas horas para realizar o acoplamento. Tem de aproximar a nave de 100 toneladas até uma distância de menos de três polegadas (7,62 centímetros) a uma velocidade de não mais do que 3 cm/seg.

Na época, o diretor da NASA (Administração Nacional de Aeronáutica e Espaço dos EUA), Daniel Goldin, saúda o encontro no espaço como marco do "início de uma nova era de cooperação e amizade" entre a Rússia e os EUA. O projeto tem mais 11 missões. É decisivo para a construção da Estação Espacial Internacional que está em órbita hoje.

CALIFADO UNIVERSAL

    Em 2014, o líder da organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante, Abu Baker al-Baghdadi, proclama na Grande Mesquita de Mossul, no Iraque, a fundação de um califado com jurisdição universal baseado inicialmente nos territórios conquistados pelo grupo na Síria e no Iraque, mas destinado a converter o mundo inteiro ao fundamentalismo islâmico sunita, ao salafismo. Muda o nome do grupo terrorista para Estado Islâmico.

O Estado Islâmico é filho da rede Al Caeda no Iraque, fruto da infiltração do grupo terrorista de Ossama ben Laden no país depois da invasão norte-americana de março de 2003. Em 15 de outubro de 2006, vira Estado Islâmico do Iraque. Com a guerra civil iniciada em março de 2011 na Síria e a expansão de sua área de atuação, em 8 de abril de 2013, torna-se Estado Islâmico do Iraque e do Levante.

A conquista de Mossul, a terceira maior cidade do Iraque e origem da palavra muçulmano, em 10 de junho de 2014, leva o califado a sua maior expansão, com controle de uma área com pelo menos 8 milhões de pessoas na Síria e no Iraque, onde implanta um reino do terror, com escravização de mulheres, execução sumária de homossexuais e soldados inimigos.

Em agosto de 2014, quando o Estado Islâmico comete genocídio contra o povo yazidi no Iraque e degola o norte-americano James Foley, o presidente Barack Obama declara guerra ao grupo terrorista. Sob pressão de bombardeios dos Estados Unidos, da Rússia, da França e do Reino Unido, em 13 de novembro de 2015, os jihadistas aterrorizam Paris e matam 130 pessoas.

O último bastião do Estado Islâmico é derrotado em 23 de março de 2019 na Batalha de Baghuz Fauqani. Al-Baghdadi é morto em 27 de outubro de 2019 numa operação militar de forças especiais dos EUA. Mas o Estado Islâmico sobrevive nas prisões, na clandestinidade e em outros países como o Afeganistão, na Rússia e na África. 

domingo, 8 de dezembro de 2024

Ditadura de Bachar Assad cai na Síria

Numa ofensiva impressionante, em 11 dias, os rebeldes extremistas muçulmanos do grupo Hayat Tahrir al-Sham (Organização para a Libertação do Levante) tomaram as cidades mais importantes da Síria. Nesta noite, entraram na capital, Damasco.

 Aparentemente o ditador Bachar Assad fugiu para o Iraque. Seu avião desapareceu dos radares e teria caído, mas isso não foi confirmado. O Comando Geral do Exército ordenou a rendição e a dissolução das últimas unidades. Os rebeldes fizeram um pronunciamento em cadeia nacional de rádio e televisão anunciando a queda do regime.

O primeiro-ministro Mohammed Ghazi Jalali declarou que o governo está pronto a estender a mão à oposição e a entregar o poder a um governo de transição.

A ditadura truculenta família Assad governava a Síria há quase 54 anos. O pai do ditador deposto foi ministro da Defesa e comandante da Força Aérea antes de tomar o poder, em 1971. Aliado da União Soviética durante a Guerra Fria, lutou ao lado dos Estados Unidos na Guerra do Golfo de 1991 para expulsar o Iraque de Saddam Hussein do Kuwait.

Bachar Assad estudou medicina na Universidade de Damasco e fez pós-graduação em oftalmologia em Londres, onde trabalhava até a morte do irmão mais velho, em 1994, quando foi convocado para voltar à Síria e assumir a posição de herdeiro. A esperança de que fosse um reformista durou pouco.

Quando a Primavera Árabe chegou à Síria, em março de 2011, as manifestações de protestos pacíficas foram duramente reprimidas. O ditador libertou os extremistas muçulmanos presos para alegar que combatia terroristas. Logo, os grupos jihadistas, entre eles Al Caeda e o Estado Islâmico, e tornaram as principais forças rebeldes.

Havia uma expectativa de que Bachar Assad cairia. A Guerra Civil Síria começou a mudar com a intervenção militar da Rússia, a partir de 30 de setembro de 2015. O apoio do Irã e da milícia extremista xiita libanesa Hesbolá (Partido de Deus) também foi importante

Em 2020, o regime controlava dois terços do país. O Nordeste é dominado até hoje por uma milícia árabe-curda que foi a principal força terrestre da guerra dos EUA contra o Estado Islâmico. Milícias ligadas a Al Caeda apoiadas pela Turquia resistiam na província de Idlibe. Foi de lá que partiram os rebeldes que derrubaram o regime.

Com a Rússia concentrada na guerra contra a Ucrânia e o Hesbolá debiitado pela guerra contra Israel, os rebeldes chegaram à vitória.

Em 13 anos e 9 meses de guerra civil, 618 mil sírios foram mortos. Cerca de 6,6 milhões fugiram do país. A onda de refugiados chegou à Europa. É um dos principais fatores da ascensão de partidos de extrema direita no continente.

quarta-feira, 13 de novembro de 2024

Hoje na História do Mundo: 13 de Novembro

MASSACRE DO DIA DE SÃO BRICE

    Em 1002, acontece um massacre de dinamarqueses na Inglaterra ordenado pelo rei Etelredo II, também conhecido como Etelredo, o Despreparado. Em resposta à invasão e aos frequentes ataques dos vikings, o rei ordena a execução de todos os dinamarqueses que vivem no país.

Etelredo nasce em 968, filho do rei Edgar (959-975). Ascende ao trono em 978 com o assassinato de seu meio-irmão, o rei Eduardo, o Mártir. Sob suspeita de ter participado da morte do irmão, é alvo de desconfiança e deslealdade que minam sua autoridade. Assim, quando os vikings dinamarqueses invadem, em 980, não há uma defesa unificada do país.

Com quase todo o país arrasado, seus esforços de paz fracassam e o invasor cada mais mais feroz e ousado, Etelredo ordena o massacre. No fim de 1013, o rei dinamarquês Sweyn I é reconhecido como rei da Inglaterra. Etelredo foge para a Normandia. Ele recupera o trono em 1014 e governa até a morte, em 23 de abril de 1016.

Etelredo tem 16 filhos de dois casamentos, com Elgiva de York e Ema da Normandia, tia-avó de Guilherme, Duque da Normandia, que reivindica a coroa, invade a Inglaterra em 1066 e entra para a história como Guilherme I, o Conquistador.

A Conquista Normanda é um marco na história da Inglaterra. Está na origem de séculos de guerras e reivindicações de soberania entre a França e a Inglaterra que só acabam com a aliança na Entente Cordiale, em 1904, para fazer frente à ascensão da Alemanha.

ILHA DO TESOURO

    Em 1850, nasce em Edimburgo, na Escócia, o escritor, poeta e ensaísta Robert Louis Stevenson, autor de clássicos da literatura como  A Ilha do Tesouro e O Médico e o Monstro.

Um dos escritores britânicos mais importantes do século 19 e um dos autores mais traduzidos do mundo, é também um ativista político, crítico social e humanista.

Filho de um engenheiro civil de sucesso, ele tem problemas de saúde. Aos 17 anos, entra para a Universidade de Edimburgo para estudar direito. Depois de se formar, em 1873, ele se muda para Londres para fugir do círculo familiar e da moral puritana.

Em 1876, Stevenson conhece na França uma norte-americana 10 anos mais velha, Fany Van de Grift Osbourne, com quem se casa em São Francisco da Califórnia em 1880. Publica sem primeiro livro, uma narrativa de viagem, em 1878.

Com tuberculose, é internado em 1881 em Davos, na Suíça. O sucesso vem em 1886, com o lançamento de O Médico e o Monstro. Em 1888, aventura-se com a mulher e o enteado numa viagem de veleiro pelo Sul do Oceano Pacífico, onde se apaixona pela natureza tropical e decide morar em Apia, nas Ilhas Samoa. Em 1894, publica Noites das Ilhas, um de meus livros favoritos, e morre prematuramente em 3 de dezembro.

ERUPÇÃO DO NEVADO DEL RUIZ

    Em 1985, uma erupção do Nevado del Ruiz, o vulcão mas ativo da Cordilheira dos Andes na Colômbia, gera uma avalanche de lava, lama e gelo da neve do topo da montanha que vai até 100 quilômetros de distância e mata mais de 23 mil pessoas. É a segunda erupção vulcânica mais mortal do século 20.

Uma chuva torrencial piora a situação e causa enchentes. A cidade mais atingida é Armero, onde morrem três quartos dos 28,7 mil habitantes.

O Nevado del Ruiz, de 5.370 metros de altura, dá os primeiros sinais de que vai entrar em erupção um ano antes. A maioria dos moradores dos vales sobreviveria se morasse em lugares mais altos.

QUEDA DE CABUL

    Em 2001, depois da invasão do Afeganistão pelos Estados Unidos para punir os responsáveis pelos atentados terroristas de 11 de setembro, a Aliança do Norte toma o poder em Cabul.

Quando fica evidente que a rede terrorista Al Caeda é responsável pelos ataques ao World Trade Center, em Nova York, e ao Pentágono, a sede do Departamento da Defesa dos EUA, com o aval do Conselho de Segurança das Nações Unidas e o apoio dos aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), os EUA atacam o Afeganistão, a partir de 7 de outubro de 2001. 

Os objetivos são caçar os terroristas d'al Caeda e derrubar o regime da milícia fundamentalista dos Talebã, que acolhia os campos de treinamento do terror. O regime cai em 28 de ourubro. A Aliança do Norte, inimiga dos Talebã, é usada como força terrestre aliada para tomar Cabul.

TERROR EM PARIS

    Em 2015, o grupo terrorista Estado Islâmico comete uma série de atentados que matam 130 pessoas e ferem outras 416 em Paris e na cidade-satélite de St.-Denis, no maior ataque à França depois da Segunda Guerra Mundial (1939-45).

Às 21h15 pela hora local, três terroristas suicidas se detonam do lado de fora depois de não conseguir entrar no Estádio da França, em St.-Denis, onde jogam Alemanha e França, com o presença do presidente francês, François Hollande.

Outro grupo ataca bares, cafés e restaurantes, enquanto um terceiro comando terrorista invade o teatro Bataclan, onde há um concerto de rock. Os jihadistas tomam reféns, enfrentam a polícia e se explodem como homens-bomba, matando 89 pessoas.

O Estado Islâmico nasce como Al Caeda no Iraque, depois da intervenção militar dos Estados Unidos para derrubar Saddam Hussein, em 2003, e da alienação da minoria sunita. Na guerra civil da Síria, vira Estado Islâmico do Iraque e do Levante, rompe com a rede terrorista Al Caeda, toma Mossul, uma das maiores cidades iraquianas, e proclama a fundação de um califado de jurisdição universal, em 2014.

Quando o Estado Islâmico começa a matar reféns ocidentais, os EUA, a França e o Reino Unido começam a bombardear o califado. Os atentados em Paris são a retaliação dos jihadistas.

A capital francesa é alvo do terrorismo de extremistas muçulmanos em 7 de janeiro de 2015, quando é atacado o jornal satírico Charlie Hebdo, que publicara caricaturas do profeta Maomé, e mais ações nos dias seguintes, com um total de 16 mortes. Esses ataques são de jihadistas ligada a Al Caeda.

Desde então, a França, que tem a maior população muçulmana da Europa depois da Rússia, cerca de 5 milhões de habitantes, é alvo de atentados terroristas. Em outubro de 2020, três pessoas, inclusive a brasileira Simone Barreto Silva, são mortas num ataque a uma igreja. Em 2022, o professor Samuel Paty é degolado depois de ser acusado de islamofobia por uma estudante de 13 anos que depois confessa a mentira.

sábado, 29 de junho de 2024

Hoje na História do Mundo: 29 de Junho

 ALEMANHA TOMA RIGA E CERCA MINSK

     Em 1941, durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45), uma semana depois de invadir a União Soviética em três frentes, a Alemanha Nazista toma Riga, a capital da Letônia, no Norte, e cerca o exército inimigo em Minsk, a capital da Bielorrússia.

Apesar do Pacto Germano-Soviético, um tratado de não agressão assinado em 23 de agosto de 1939 para adiar um confronto direto, dividir a Polônia e deixar a URSS tomar as repúblicas bálticas (Estônia, Letônia e Lituânia) e a Finlândia, o ditador Josef Stalin considera inevitável a guerra contra a Alemanha por causa da incompatibilidade ideológica entre comunismo e nazismo. Mas acredita que Adolf Hitler não ordenaria a invasão antes de conquistar o Reino Unido. É surpreendido.

Depois de perder a Batalha da Inglaterra, uma batalha aérea travada de 10 de julho a 31 de outubro de 1940, com o resto da Europa Ocidental sob seu controle, Hitler se volta para a frente oriental. Ao invadir a URSS, comete seu maior erro, que custa a derrota e a vida. Como Napoleão Bonaparte em 1812, subestima a capacidade de resistência e luta do povo russo.

Em 22 de junho de 1941, 150 divisões alemãs entram na pátria do comunismo com a cobertura da Luftwaffe, a Força Aérea nazista, que tinha superioridade aérea, e avançam em três frentes: ao norte, rumo a Leningrado, hoje São Petersburgo; no centro, em direção a Moscou; ao sul, para Kiev, a capital da Ucrânia.

Com a ajuda de seus aliados finlandeses e romenos, a blitzkrieg, a guerra-relâmpago baseada na aviação e em tanques de alta velocidade, logo conquista uma grande área do território soviético. Em 29 de junho, caem Riga e Ventspils, na Letônia, 200 aviões soviéticos são abatidos e os alemães fecham o cerco a três exércitos inimigos.

É um duelo entre os maiores ditadores da história. De um lado, os generais alemães advertem Hitler de que não têm condições de cuidar de prisioneiros durante a invasão da URSS. Os inimigos presos seriam sumariamente executados. Por outro lado, Stalin não aceita a rendição nem o recuo. Quem recuasse seria executado.

Em meados de outubro, Moscou e Leningrado estão sitiadas. O Cerco de Leningrado foi uma das grandes batalhas da Segunda Guerra Mundial. Durou quase 900 dias, de 8 de Setembro de 1941 a 27 de Janeiro de 1944. A cidade passa fome. Os pais não deixam os filhos saírem de casa porque há um mercado negro de carne humana. 

A perda da Batalha de Moscou, travada de 30 de setembro de 1941 a 20 de abril de 1942, é a primeira derrota alemã na guerra.

A ofensiva nazista é contida na frente sul, na Batalha de Stalingrado, talvez a mais importante da história, travada de 23 de agosto de 1942 a 2 de fevereiro de 1943, com quase 2 milhões de mortes. A partir daí, o Exército Vermelho lança a contraofensiva que termina em Berlim em 8 de maio de 1945, fim da guerra na Europa.

BRASIL CAMPEÃO DO MUNDO

    Em 1958, a seleção brasileira conquista sua primeira Copa do Mundo ao vencer a Suécia em Estocolmo por 5-2, com craques como Pelé, de apenas 17 anos, Garrincha, Didi, eleito o melhor da Copa, e Nílton Santos. Com 6 gols, Pelé é a revelação.

Na estreia, em 8 de junho, o Brasil vence a Áustria por 3-0, com dois gols de Mazzola e um de Nílton Santos. O segundo jogo, em 11 de junho, é um empate de 0-0 com a Inglaterra. O terceiro adversário é a União Soviética, com seu "futebol científico".

Em conversa com Didi no hotel, o técnico Vicente Feola aparenta tranquilidade. Didi não tem a mesma segurança e adverte: "Está todo o mundo com medo. Se o senhor não botar o Mané e o Pelé, será muito difícil." O Brasil precisa da vitória.

Ao dar as instruções no hotel, Garrincha disse sua frase mais famosa: "O senhor combinou com os russos?" Não precisa. O jogo, disputado em 15 de junho, revela Pelé e Garrincha ao mundo. Garrincha acaba com seu marcador, Kusnetsov e é chamado de "melhor reserva do mundo.

Com três minutos, talvez os mais eletrizantes da história do futebol, o Brasil chuta duas bolas na trave e abre o placar. No final, ganha por 2-0.

Contra o País de Gales, em 19 de junho, Pelé marca o gol mais importante de sua carreira, furando uma retranca obstinada.

No Dia de São João, 24 de junho, o Brasil vence a semifinal contra a favorita França por 5-2, com dois gols anulados, de Zagalo e Garrincha, pelo juiz Benjamin Griffiths, do País de Gales, muito criticado pela imprensa brasileira. É o jogo do melhor ataque contra a melhor defesa. O Brasil leva seus primeiros gols. Vavá, Didi e Pelé (3) marcam para o Brasil. Just Fontaine, o maior artilheiro de uma Copa do Mundo, com 13 gols, e Roger Piantoni, descontam para a França.

A final é disputada no Dia de São Pedro, 29 de junho. A Suécia sai na frente aos 4 minutos, com gol de Nils Liedholm, de 35 anos, o jogador mais velho a marcar numa final de Copa do Mundo. Didi, o líder da equipe pega a bola no fundo da rede e caminha até o centro do campo com uma ideia na cabeça: passar a bola para o Mané.

Com dois gols de Vavá em cruzamentos de Garrincha, o Brasil vira no primeiro tempo. Aos 10 minutos do segundo tempo, Pelé dá um chapéu num zagueiro se torna o jogador mais jovem a marcar numa final de Copa. Zagallo aumenta para 4-1. Simonsen desconta para a Suécia e Pelé fecha o placar de cabeça no último lance do jogo. Brasil 5-2.  

MICK E KEITH NO BANCO DOS RÉUS

    Em 1967, Mick Jagger e Keith Richards, os líderes dos Rolling Stones, são levados a julgamento por uso de drogas depois de uma batida policial numa casa de Richards.


A promotora atribuiu o fato de Marianne Faithful, namorada de Jagger, vestir apenas uma pele de urso ao uso de maconha. Keith considera normal e responde: "Não somos velhos. Não estamos preocupados com um moralismo mesquinho." Vira um dos porta-vozes da geração rebelde dos anos 1960.

Mick é preso com quatro comprimidos de anfetamina que havia comprado na Itália. É condenado a três meses de cadeia com direito a recorrer em liberdade. 

O caso de Keith é mais grave. Ele é acusado de deixar usarem sua casa para consumo de drogas, condenado e sentenciado a um ano de prisão. 

No dia da sentença, sai direto do tribunal para a prisão de Wormwood Scrubs. É recebido pelos outros presos como um astro do rock. E só fica uma noite. No dia seguinte, consegue liberdade mediante pagamento de fiança.

Mais tarde, o caso é anulado porque a tentativa de associar a seminudez de Marianne Faithful ao consumo de drogas é considerada preconceituosa.

Anos depois, ao falar sobre o consumo de substâncias ilícitas, Keith declara: "Nunca tive problemas com drogas. Tive problemas com a polícia."

PUNIÇÃO CRUEL E INCOMUM

    Em 1972, por 5 a 4, a Suprema Corte considera inconstitucional a pena de morte do jeito em que é aplicada, por violar a Emenda nº 8 à Constituição dos Estados Unidos como "punição cruel e incomum".

Não é uma vitória dos defensores da abolição da pena capital. O supremo tribunal federal norte-americano sugere que pode aceitá-la se houver padrões uniformes para júris e juízes decidirem e métodos menos cruéis de execução.

Com 66% dos americanos a favor da pena de morte na época, em 1976, a Suprema Corte restabelece a pena morte. O primeiro executado, no ano seguinte, é Gary Gilmore, condenado no ultraconservador estado de Utah por matar um casal de idosos que se nega a lhe emprestar um carro.

ISABELITA ASSUME A PRESIDÊNCIA

    Em 1974, a vice-presidente María Estela Martínez de Perón, a Isabelita, assume a Presidência da Argentina diante do estado terminal do marido Juan Domingo Perón, o líder populista que até hoje, 50 anos depois de sua morte, em 1º de julho daquele ano, domina a política do país.

O coronel Perón participa de um golpe militar em 1943. Vira ministro do Trabalho e depois vice-presidente e ministro da Guerra. Afastado em 9 de outubro de 1945 num golpe dentro do golpe, volta nos braços do povo (sonho de todo populista) sob pressão dos sindicatos e de sua carismática amante, a atriz María Eva Duarte, a Evita. 

Em 17 de outubro, a data magna do peronismo, Perón é solto e faz seu primeiro discurso do balcão da Casa Rosada para uma multidão estimada em 300 mil pessoas. Quatro dias depois, Perón, que é viúvo, casa com Evita, formando o casal que até hoje domina a política argentina.

Com a promessa de um salariaço aos trabalhadores, Perón é eleito presidente com 52,4% dos votos em 1946. O aumento no salário salarial deflagra uma grande alta no consumo: as vendas de fogões aumentam 106%, de geladeiras 218%, de calçados 133%, de discos fonográficos 200% e de rádios 600%, incentivadas por programas de redistribuição da renda e de crédito barato. Entre 1945 e 1948, a economia cresce a um recorde de 8,5% ao ano, enquanto os salários reais aumentam 46%.

Perón é reeleito com 62% votos em 1951. Evita chega a ser cotada para vice. Sob pressão conservadora, não é indicada. Ela morre aos 33 anos, em 26 de julho de 1952, de câncer de útero, como a primeira mulher de Perón, Aurelia Tizón.

A terceira mulher de Perón, Isabelita, 35 anos mais moça do que ele, é bailarina no Panamá quando conhece o general, no Natal de 1955. Perón está exilado depois do golpe militar de 16 de setembro daquele ano, que os golpistas chamam de Revolução Libertadora.

Atraído por sua beleza, o general vê nela a companheira de que sente falta desde a morte da segunda mulher, Evita, sua grande paixão. Perón volta à Argentina em 1973 e ganha a eleição para um terceiro governo de menos de nove meses em meio a uma crise econômica e política, com uma guerra civil entre grupos guerrilheiros de extrema esquerda e grupos paramilitares de extrema direita.

A tentativa de transformar Isabelita numa segunda Evita, dando-lhe a vice-presidência e o governo quando Perón morre, leva a uma tragédia, ao golpe militar de 24 de março de 1976 e à ditadura sanguinária que matou 30 mil argentinos até ser derrotada e humilhada pelos britânicos na Guerra das Malvinas (1982). A democracia volta à Argentina com a eleição de Raúl Alfonsín, empossado em 10 de dezembro de 1983.

ATLANTIS SE ACOPLA À ESTAÇÃO MIR

    Em 1995, a nave espacial americana Atlantis se acopla à estação espacial russa Mir para formar o maior satélite artificial da Terra. É um momento histórico de cooperação entre os antigos inimigos da Guerra Fria.


 
São seis da manhã pelo horário da costa leste dos Estados Unidos quando a nave com seis tripulantes se aproxima da estação espacial a cerca de 392 quilômetros da Terra, na altura da fronteira entre a Rússia e a Mongólia. Os três cosmonautas russos transmitem canções folclóricas da Rússia como um gesto de boas-vindas.

O comandante da Atlantis, Robert Gibson, manobra durante duas horas para realizar o acoplamento. Tem de aproximar a nave de 100 toneladas até uma distância de menos de três polegadas (7,62 centímetros) a uma velocidade de não mais do que 3 cm/seg.

Na época, o diretor da NASA (Administração Nacional de Aeronáutica e Espaço dos EUA), Daniel Goldin, saúda o encontro no espaço como marco do "início de uma nova era de cooperação e amizade" entre a Rússia e os EUA. O projeto tem mais 11 missões. É decisivo para a construção da Estação Espacial Internacional que está em órbita hoje.

CALIFADO UNIVERSAL

    Em 2014, o líder da organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante, Abu Baker al-Baghdadi, proclama na Grande Mesquita de Mossul, no Iraque, a fundação de um califado com jurisdição universal baseado inicialmente nos territórios conquistados pelo grupo na Síria e no Iraque, mas destinado a converter o mundo inteiro ao fundamentalismo islâmico sunita, ao salafismo. Muda o nome do grupo terrorista para Estado Islâmico.

O Estado Islâmico é filho da rede Al Caeda no Iraque, fruto da infiltração do grupo terrorista de Ossama ben Laden no país depois da invasão norte-americana de março de 2003. Em 15 de outubro de 2006, vira Estado Islâmico do Iraque. Com a guerra civil iniciada em março de 2011 na Síria e a expansão de sua área de atuação, em 8 de abril de 2013, torna-se Estado Islâmico do Iraque e do Levante.

A conquista de Mossul, a terceira maior cidade do Iraque e origem da palavra muçulmano, em 10 de junho de 2014, leva o califado a sua maior expansão, com controle de uma área com pelo menos 8 milhões de pessoas na Síria e no Iraque, onde implanta um reino do terror, com escravização de mulheres, execução sumária de homossexuais e soldados inimigos.

Em agosto de 2014, quando o Estado Islâmico comete genocídio contra o povo yazidi no Iraque e degola o norte-americano James Foley, o presidente Barack Obama declara guerra ao grupo terrorista. Sob pressão de bombardeios dos Estados Unidos, da Rússia, da França e do Reino Unido, em 13 de novembro de 2015, os jihadistas aterrorizam Paris e matam 130 pessoas.

O último bastião do Estado Islâmico é derrotado em 23 de março de 2019 na Batalha de Baghuz Fauqani. Al-Baghdadi é morto em 27 de outubro de 2019 numa operação militar de forças especiais dos EUA. Mas o Estado Islâmico sobrevive nas prisões, na clandestinidade e em outros países como o Afeganistão, na Rússia e na África.

quinta-feira, 4 de janeiro de 2024

Guerra completa 90 dias e Israel fala em mais seis meses

Depois de 90 dias e da morte de 22.438 palestinos na Faixa de Gaza, ainda está longe o fim da guerra de Israel contra o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) e aliados, que mataram 1.139 israelenses e estrangeiros e sequestraram cerca de 250 pessoas no ataque terrorista de 7 de outubro. Altos funcionários israelenses preveem que a guerra dure pelo menos mais seis vezes. O país está cada vez mais isolado internacionalmente e o risco de ampliação do conflito é cada vez maior.

O grupo terrorista Estado Islâmico assumiu a autoria do atentado que matou 84 pessoas no Irã, de acordo com números revisados divulgados pela República Islâmica. O atentado não teve nada a ver com a guerra, apesar das acusações da ditadura dos aiatolás aos Estados Unidos e Israel no primeiro momento.

Tanto o Irã quanto o Estado Islâmico são fundamentalistas muçulmanos, mas o Irã é xiita e o Estado Islâmico sunita. São inimigos.

Numa reunião ministerial para discutir o futuro de Gaza, os ministros de extrema direita atacaram aos berros o comandante em chefe das Forças de Defesa de Israel, general Herzi Halevi. Os ultradireitistas falam abertamento em reocupar e recolonizar Gaza, expulsando a maioria dos palestinos. A Arábia Saudita advertiu que isto é inaceitável.

Israel intensificou os ataques à milícia fundamentalista xiita Hesbolá (Partido de Deus) desde a morte, em 2 de janeiro, do vice-líder político do Hamas, Saleh al-Arouri, num bombardeio de drones israelenses em Beirute. O líder do Hesbolá, xeique Hassan Nasrallah, faz nesta sexta-feira um segundo pronunciamento depois da morte de Al-Arouri num reduto do Hesbolá que abrigava o escritório do Hamas no Líbano. Até agora, ele evitou uma guerra total.