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quarta-feira, 7 de outubro de 2026

Hoje na História do Mundo: 7 de Outubro

BATALHA DE LEPANTO

    Em 1571, forças cristãs aliadas vencem o Império Otomano (turco) na Batalha de Lepanto, uma batalha naval pelo controle do Leste do Mar Mediterrâneo, a maior travada no Ocidente desde a Antiguidade.

So o comando de João da Áustria, a Liga Santa, formada pela República de Veneza, o Reino da Espanha, os Cavaleiros de Malta e os Estados Pontifícios, vence os turcos no Mar Jônico ao largo de Lepanto, no Golfo de Patras, no Sudoeste da Grécia. É uma batalha da infantaria sobre plataformas navais.

Veneza tenta conter a expansão otomana no Mediterrâneo Oriental até 1540, quando faz um acordo de paz humilhante com o imperador Suleiman I. Seu sucessor, Selim II, está decidido a tomar a ilha de Chipre, uma possessão veneziana.

Quando Veneza se nega a ceder o Chipre, o Império Otomano invade. Veneza, então, faz um apelo ao papa Pio V (1566-72), que desde o início de seu pontificado tenta articular uma aliança católica. Mas a França e o Sacro Império Romano-Germânico estão mais preocupados com o impacto da Reforma Protestante. O rei Felipe II, da Espanha, enfrenta revoltas na Andalusia e na Holanda. Veneza rejeita a influência espanhola na Itália.

Em 1570, o papa alerta os governantes católicos de que a invasão otomana a Chipre é iminente e envia João da Áustria à Itália, onde ele obtém o apoio dos Cavaleiros de Malta, que recebem ajuda econômica do Vaticano, e das marinhas da Espanha, de Veneza e dos Estados Pontifícios. Forma uma esquadra com 208 galés e seis galeaças.

A esquadra parte de Messina, na Sicília, em 16 de setembro de 1571. Em 7 de outubro, enfrenta 230 galés turcas. Os escritores Miguel de Cervantes e Luís de Camões lutaram na Batalha de Lepanto. Depois do combate, o mar fica manchado de vermelho. A expansão otomana no Mediterrâneo está contida.

NASCE A ALEMANHA ORIENTAL

    Em 1949, durante a Guerra Fria, cinco meses depois que os Estados Unidos, a França e o Reino criam a República Federal da Alemanha, a Alemanha Ocidental, é proclamada a República Democrática da Alemanha, mais conhecida como Alemanha Oriental, na região ocupada pela União Soviética no fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45).

Com a reconstrução do lado ocidental e a ditadura comunista do lado oriental, milhares de alemães-orientais começam a "votar com os pés" e fugir para o Ocidente. Na noite de 12 para 13 de outubro, a Alemanha Oriental inicia a construção do Muro de Berlim, a cicatriz viva da divisão do mundo na Guerra Fria.

A Alemanha Oriental é o país mais rico do Bloco Soviético.

A abertura do muro, em 9 de novembro de 1989, é um março do fim do conflito Leste-Oeste. Leva à reunificação da Alemanha em 3 de outubro de 1990.

GINSBERG LÊ UIVO EM PÚBLICO

    Em 1955, o poeta beat Allen Ginsberg lê pela primeira vez em público o poema Howl (Uivo), na Six Gallery, em São Francisco.

É um sucesso imediato. A literatura beat expressa a rebelião da juventude dos anos 1950 e dá o tom para a poesia confessional dos anos 1960.

Ginsberg nasce em 1926, filho de um professor do ensino médio e de uma mãe marxista que mais tarde tem problemas mentais. O pai o introduz à literatura de poetas como Edgar Allan Poe, Charles Dickens, John Keats e John Milton.

Na Universidade de Colúmbia, antes de ser expulso, conhece Jack Kerouac, William Burroughs e Neal Cassady, figuras centrais do movimento beat.

Preso por drogas que um amigo viciado deixa em sua casa, Ginsberg alega problemas mentais para não ser condenado e passa oito meses internado numa clínica psiquiátrica.

Depois de se mudar para São Francisco da Califórnia, escreve Howl (Uivo) em dois meses. O poema é publicado pelo também poeta Lawrence Ferlinghetti e sua livraria e editora City Lights, outro ícone do movimento beat.

Por causa da publicação, Ferlinghetti é processado por obscenidade. Graças ao depoimento de nove críticos literários sobre o valor do livro, o editor é absolvido.

Ícone da contracultura, Ginsberg entra para a lista de subversivos de John Edgar Hoover, diretor-geral do FBI (Federal Bureau of Investigation), a policia federal dos EUA. Vai a Cuba, onde fica decepcionado com a perseguição aos gays e denuncia o autoritarismo e a repressão do regime de Fidel Castro. Também faz campanha contra a participação norte-americana na Guerra do Vietnã (1955-75).

SEGUNDO DEBATE KENNEDY x NIXON

   Em 1960, no segundo de quatro debates na televisão entre os candidatos à Presidência dos Estados Unidos, o senador John Kennedy e o vice-presidente Richard Nixon discutem política externa em plena Guerra Fria, com destaque para a Revolução Cubana e a derrubada de um avião-espião norte-americano U-2 na União Soviética.

Kennedy acusa o governo Dwight Eisenhower (1953-61) de tímidez e indecisão ao enfrentar a ameaça soviética, enquanto Nixon descreve o jovem oponente como ingênuo e pronto para ceder à URSS e à China.

Os primeiros debates televisionados são considerados decisivos para a vitória de Kennedy, mais telegênico e mais confiável na visão dos telespectadores. O sociólogo canadense Marshall McLuhan compara Kennedy ao xerife bonachão em que uma pequena cidade confia e Nixon ao advogado da estrada de ferro que vai ferrar a cidade.

No poder, Kennedy enfrenta seu maior desafio na Crise dos Mísseis em Cuba, de 14 a 27 de outubro de 1962, quando mundo esteve mais perto do que nunca de uma guerra nuclear. É assassinado em 22 de novembro de 1963.

Nixon é eleito em 1968, no auge da Guerra do Vietnã. Em 1972, vai à URSS e à China, iniciando o período da détente na Guerra Fria.

EUA ATACAM AFEGANISTÃO

    Em 2001, um mês depois dos atentados de 11 de setembro, os Estados Unidos e aliados bombardeiam a invadem o Afeganistão para derrubar o regime extremista muçulmano da Milícia dos Talebã (Estudantes) e caçar a liderança da rede terrorista Al Caeda, responsável pelos ataques a Nova York e ao Pentágono.

O regime afegão cai em três semanas. Em dezembro, os EUA cercam os líderes d'al Caeda na Batalha de Tora Bora, mas Ossma ben Laden foge para o Paquistão, onde é morto por um comando de elite na Marinha norte-americana em 2 de maio de 2011.

A guerra mais longa da história dos EUA só termina em 15 de agosto de 2021, com a retirada das últimas forças internacionais e a volta dos Talebã ao poder. Pelo menos 2.448 soldados e 3.486 civis norte-americanos, 1.444 soldados de países aliados e 66 mil soldados e policiais afegãos morrem nesse período, num total estimado em mais de 240 mil mortes.

SCHWARZENEGGER GOVERNADOR

    Em 2003, o ator e fisiculturista Arnold Schwarzenegger é eleito governador da Califórnia, o estado mais rico e populoso dos Estados Unidos e a quinta maior economia do mundo, centro mundial da revolução tecnológica da informática.

Apesar da inexperiência política, ele ganha a eleição para substituir o governador Gray Davis, o primeiro governador norte-americano a perder o mandato num referendo revogatório desde 1921.

Schwarzenegger nasce em Thal, na Áustria, em 30 julho de 1947 e começa a fazer musculação na adolescência. Aos 20 anos, ganha o título de Mr. Universo. Em 1968, migra para os EUA.

Seu sucesso como ator de cinema começa em 1982, com Conan, o Bárbaro. Seu personagem definitivo é O Exterminador do Futuro.

Em 1986, ele casa com a jornalista de televisão Maria Kennedy Schriver, sobrinha do presidente John Kennedy, mas entra na política pelo Partido Republicano. Governa a Califórnia por dois mandatos até 2011, quando se separa de Maria Shriver.

HAMAS BARBARIZA ISRAEL

    Em 2023, um ataque de 6 mil terroristas liderado pelo Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) mata cerca de 1,2 mil pessoas e sequestra outras 251 em Israel, que contra-ataca a Faixa de Gaza numa guerra em que mais de 74 mil palestinos morrem, de acordo com dados do Hamas contestados por estimativas independentes.

A guerra se propaga para outras frentes. Em semanas, o conflito de baixa intensidade entre Israel e a milícia extremista xiita libanesa Hesbolá (Partido de Deus) no Norte de Israel e o Sul do Líbano vira uma guerra total.

Cento e dez reféns são trocados por prisioneiros palestinos durante uma trégua no fim de novembro. Os últimos reféns vivos são libertados em 13 de outubro de 2025. Os últimos restos mortais de reféns são entregues em 26 de janeiro de 2026. Três dias depois, a Cruz Vermelha Internacional anuncia que a libertação dos reféns está concluída.

A Corte Internacional da Justiça das Nações Unidas julga uma denúncia de genocídio feita pela África do Sul contra Israel, com o apoio do Brasil, enquanto o Tribunal Penal Internacional pediu a prisão de três líderes do Hamas agora mortos por Israel e do primeiro-ministro e do ministro da Defesa de Israel.

Com as derrotas do Hamas e do Hesbolá, a queda da ditadura de Bachar Assad na Síria e os bombardeios que destroem as defesas antiaéreas do Irã, Israel torna-se potência hegemônica no Oriente. Só depois de dois anos de guerra, o presidente Donald Trump pressiona o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu a acabar com a guerra.

Em consequência desta guerra, em 28 de fevereiro deste ano, os EUA e Israel atacam o Irã. Os bombardeios e contra-ataques cessaram nos últimos meses, mas este conflito ainda não tem solução.

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sexta-feira, 31 de julho de 2026

Hoje na História do Mundo: 31 de julho

 MORRE FUNDADOR DA ORDEM DOS JESUÍTAS

    Em 1556, morre em Roma, na Itália, Inácio de Loyola, fundador da Companhia de Jesus, a ordem dos jesuítas, que congrega missionários e educadores, dentro da Contrarreforma, a reação da Igreja Católica Apostólica Romana à Reforma Protestante, e tem papel fundamental na colonização da América Latina.

Inácio nasce no castelo da família Loyola em 1491. Treinado como cavaleiro, é ferido nas duas pernas durante o cerco de Pamplona pela França em maio de 1521. Durante a convalescença, lê a Bíblia e histórias de santos. Decide então levar uma vida austera como os santos católicos.

Em 1522, Inácio de Loyola peregrina a Montserrat, onde há uma escultura da Virgem Maria e do Menino Jesus supostamente esculpida por São Lucas. No ano seguinte, vive como um mendigo e reza sete horas por dia. Em 1523, vai a Jerusalém.

De volta à Espanha, em 1524, decida-se aos estudos em Barcelona e na Universidade de Alcalá para preparar sua missão espiritual. O movimento jesuíta nasce em 1534, quando Inácio de Loyola e seguidores fazem votos de pobreza e castidade, e fazem planos para ir a Jerusalém converter os muçulmanos.

Como as guerras do Império Otomano tornam inviável a missão em Jerusalém, eles vão a Roma e pedem permissão ao papa para criar uma ordem religiosa. Em setembro de 1540, o papa Paulo III aprova o projeto. Quando o fundador morre, a ordem tem mais de mil padres.

A Igreja Católica canoniza Santo Inácio de Loyola em 1622. Durante a onda nacionalista do século 18, vários países proíbem a atuação da Companhia de Jesus, inclusive Portugal, em 1579, por ordem do então primeiro-ministro, o Marquês do Pombal.

Sob pressão da Dinastia de Bourbon, o papa Clemente XVI extingue a ordem dos jesuítas em 1773. Em 1814, o papa Pio VII reabilita os jesuítas.

FIM DA SEGUNDA GUERRA ANGLO-HOLANDESA

    Em 1667, o Tratado de Breda acaba com a Segunda Guerra Anglo-Holandesa (1665-67) e transfere o controle da Nova Holanda para a Inglaterra, que a transforma em Nova Jérsei e Nova York.

O acordo de paz é assinado entre a Inglaterra, de um lado, e a Holanda, a França e a Dinamarca, do outro. A Holanda tem vantagem na guerra, travada sobretudo no mar. É forçada a negociar a paz quando a França de Luís XIV, o Rei Sol, invade os Países Baixos Espanhóis, hoje Bélgica e Luxemburgo, na Guerra da Devolução (1667-68).

Sob pressão da Holanda, a Inglaterra muda as leis de navegação para permitir que navios holandeses transportem produtos ingleses no Rio Reno e incorporar vários aspectos das regras holandesas de comércio, inclusive o conceito de contrabando.

A posição dominante da Holanda no comércio internacional não é abalada. Os ingleses não conseguem conquistar parte do comércio de especiarias (cravo, canela, noz moscada e pimenta do reino). Mas recebem a Nova Holanda (Nova Jérsei e Nova York) e retomam da França as ilhas de Antigua, Montserrat e São Cristóvão, no Mar do Caribe. 

A Holanda fica com a Guiana Holandesa e as Índias Orientais Holandesas (hoje Indonésia). A França mantém a Guiana Francesa e retoma da Inglaterra a região da Acádia, que incluía o que hoje são as províncias canadenses do Quebec, da Nova Escócia, da Nova Brunswick, a ilha Príncipe Eduardo e parte do estado do Maine, hoje território dos Estados Unidos.

FURACÕES AFUNDAM GALÕES CHEIOS DE OURO 

    Em 1715, um furacão arrasa a costa da Flórida e afunda onze galeões da Frota da Prata da Espanha carregados de tesouros da América.

Cerca de mil pessoas morrem. O ouro e a prata só são recuperados 250 anos mais tarde.

Desde a descoberta de metais preciosos na América, a Espanha manda ao Novo Mundo navios fortificados para resistir à pirataria, mas eles pouco podem fazer contra as tempestades.

A frota espanhola zarpa de Cuba sete dias antes. Quando está na costa da Flórida, entre Cabo Canaveral e Forte Pierce, o furacão ganha força e destrói 11 dos 12 navios.

FIDEL TRANSFERE PODERES AO IRMÃO

    Em 2006, o ditador cubano Fidel Castro sofre uma hemorragia intestinal, vai para o hospital e transfere os poderes a seu irmão, o vice-presidente Raúl Castro.


Fidel deixa oficialmente a Presidência em 24 de fevereiro de 2008 e a liderança do Partido Comunista em 19 de abril de 2011, cinco anos e meio antes de morrer, em 25 de novembro de 2016.

Fidel é um jovem advogado quando assalta o Quartel Moncada, em Santiago de Cuba, em 26 de julho de 1952. Preso, ao se defender, pronuncia uma frase histórica: "A história me absolverá."

Anistiado, ele foge para o México e volta com um grupo de rebeldes que inicia uma guerrilha na Sierra Maestra que marcha até Havana e toma o poder em 1º de janeiro de 1959. Fidel implanta o regime comunista e fica no poder por cinco décadas. Ao sair, diz que não pode se apegar a cargos.

ASSASSINADO LÍDER DO HAMAS

    Em 2024, o dirigente máximo do Movimento de Resistência Islâmica (Hamas), Ismail Haniya, morre atentado em Teerã, onde era hóspede oficial da República Islâmica do Irã para assistir à posse do presidente Masoud Pezeshkian. O regime fundamentalista iraniano acusa Israel, que está em guerra com o Hamas desde o ataque terrorista do grupo em 7 de outubro de 2023.

Em 24 horas, Israel ataca dois líderes de grupos do chamado Eixo da Resistência apoiados, financiados e armados pelo Irã. Fuad Chukr é descrito pelas Forças Armadas israelenses o como "principal comandante militar" da milícia fundamentalista xiita libanesa Hesbolá (Partido de Deus). Morre em bombardeio no bairro de Dahiya, um reduto do Hesbolá no Sul de Beirute. Ao que tudo indica, Israel também mata o líder supremo do Hamas na capital do Irã, mas não assume a autoria.

Desde o ataque terrorista de 7 de outubro de 2023, Israel jura de morte e mata os principais líderes do Hamas: Haniya, o líder máximo; Mohamed Deif, o comandante militar do grupo, morto em bombardeio na Faixa de Gaza; e Yahya Sinwar, o líder do Hamas em Gaza, considerado o principal responsável pelo 7 de outubro, também em Gaza.

Os três líderes do Hamas tinham ordem de prisão do Tribunal Penal Internacional (TPI) por crimes de guerra. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e o então ministro da Defesa de Israel, Yoav Gallant, ainda têm, pelo mesmo motivo.

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sexta-feira, 24 de abril de 2026

Trump busca acordo para dar à derrota aparência de vitória

Depois de vários ultimatos sem consequências, o presidente Donald Trump se rendeu à realidade e admitiu que não tem condições de decidir quando termina a guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã. No momento há uma trégua, uma guerra econômica em torno do bloqueio do Estreito de Ormuz, sem perspectivas de paz.

Trump perdeu a guerra, no sentido de que não atingiu nenhum de seus objetivos políticos, mas quer sair cantando vitória. O regime teocrático iraniano não caiu e está mais determinado do que nunca a fazer armas nucleares. O Irã ainda tem a metade de seu arsenal de mísseis e as milícias aliadas no Oriente Médio resistem.

A guerra elevou os preços internacionais do petróleo para um patamar de mais de US$ 100 por barril com forte impacto sobre a economia mundial, especialmente para os países em desenvolvimento da África e da Ásia. Além do petróleo e do gás natural, passam pelo Estreito de Ormuz fertilizantes e outros produtos essenciais. Mais de 700 milhões de pessoas sofrem de desnutrição crônica. Com esta guerra, outras 45 milhões devem ter fome aguda.
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domingo, 22 de março de 2026

Hoje na História do Mundo: 22 de Março

MASSACRE DE JAMESTOWN

    Em 1622, o cacique Opechancanough lidera um ataque-surpresa das tribos da Confederação Powhatan contra Jamestown, capital da colônia da Virgínia, e massacra 347 pessoas, um quarto da população dos colonos.

Jamestown, fundada em 14 de maio de 1607, é o primeiro assentamento inglês na América. É um empreendimento privado da Virginia Company com uma carta régia de Jaime I, da Inglaterra, para criar a empresa. Na época, toda a costa atlântica ao norte da Flórida é chamada de Virgínia, uma homenagem à rainha Elizabeth I, da Inglaterra, a Rainha Virgem, que não teve filhos. Sabia que um marido minaria seu poder.

As relações com os nativos inicialmente variam entre amizade e hostilidade. Na Primeira Guerra Powhatan (1609-14), o cacique Pownhatan tenta expulsar os europeus com a fome. Entre 1609 e 1611, a colônia quase é abandonada.

Com a introdução da cultura do tabaco, a partir de 1613, a colônia começa a prosperar. John Rolfe, o pioneiro da produção de tabaco, casa com a princesa Pocahontas, filha do cacique.

No verão de 1619, a colônia cria o primeiro governo representativo na América, com a eleição de uma Assembleia Geral de 22 burgueses e seis indicados pela companhia. Só os homens com propriedades têm direito de voto.

É em Jamestown que chegam os primeiros escravos africanos ao que hoje é os EUA. Em 20 de agosto de 1619, 20 dos 50 angolanos de um navio negreiro português atacado por dois navios piratas ingleses são vendidos em Jamestown. É o marco do início da escravidão no país.

Em 1620, a expansão da área agrícola para produzir tabaco e a infiltração dos colonos em regiões de caça dos indígenas provocam atritos na região da Baía de Chesapeke que explodem em 1622.

Os powhatans chegam desarmados a Jamestown, com veados, perus, frutas, peixes e outros mantimentos como se fossem para vender. Pegam todas as ferramentas e armas disponíveis e matam todos os colonos europeus, homens, mulheres e crianças de todas as idades. É o início da Segunda Guerra Powhatan (1622-32).

Na Terceira Guerra Powhatan (1644-46), Opechancanough é capturado e morto. Uma linha divisória, uma fronteira, é traçada entre a colônia e as terras indígenas. Exige autorização para ser cruzada.

LEI DO SELO

    Em 1765, o Parlamento Britânico aprova uma lei para recuperar as finanças do Reino Unido, pagar as dívidas e defender os territórios tomados da França na Guerra dos Sete Anos (1756-63).

A Lei do Selo cria um imposto direto sobre todos os materiais impressos para uso legal ou comercial nas colônias britânicas na América do Norte, de jornais e panfletos a cartas de jogar.

Os colonos já pagam tarifas mais altas para importar têxteis, vinho, café e açúcar, por força da Lei do Açúcar (1764). A Lei da Moeda (1764) causa forte queda no valor do papel moeda usado nas colônias. A Lei do Aquartelamento (1765) obriga os colonos a dar casa e comida aos soldados britânicos em caso de necessidade.

Como haviam pago um preço alto em vidas e recursos durante a guerra, os colonos estão convencidos de que já deram sua cota de sacrifício ao Império Britânico. Como não têm direito de voto no Parlamento de Westminster, articulam o movimento "Não à taxação sem representação." 

Em outubro de 1765, nove das 13 colônias mandam delegados para o Congresso da Lei do Selo, que produz a Declaração de Direitos e Reclamações. Sob pressão, o governo revoga a lei no ano seguinte. Mas a semente da rebeldia e da liberdade estava plantada. Em 4 de julho de 1776, os EUA declararam a independência, reconhecida em 1783 pelo Reino Unido e a França.

LIGA ÁRABE

    Em 1945, a Arábia Saudita, o Egito, o Iêmen, o Iraque, o Líbano, a Síria e a Transjordânia (hoje Jordânia) fundam no Cairo a Liga Árabe, a organização regional dos países árabes e do pan-arabismo.

Desde então, entraram a Líbia (1953), o Sudão (1956), o Marrocos e a Tunísia (1958), o Kuwait (1961), a Argélia (1962), o Catar, os Emirados Árabes Unidos e Omã (1971), a Mauritânia (1973), a Somália (1974), a Organização para a Libertação da Palestina (1976), Djibúti (1977) e as Ilhas Comores (1993).

Os objetivos são fortalecer a cooperação em programas econômicos, políticos, sociais e culturais, e mediar conflitos entre os países árabes e com outros países. Cada país-membro tem um voto no Conselho da Liga. As decisões só são obrigatórias para quem vota a favor. 

ISRAEL MATA LÍDER DO HAMAS

    Em 2004, a Força Aérea de Israel mata com um ataque de míssil na Cidade de Gaza o fundador e líder do Movimento de Resistência Islâmica (Hamas), xeique Ahmed Yassin.

Ahmed Yassin Hassan Yassin nasce em Al-Jure, na Faixa de Gaza, em 1º de janeiro de 1937, ainda na época do mandato britânico sobre a Palestina. Quando estuda no Cairo, a capital do Egito, entra em contato com a Irmandade Muçulmana, o mais antigo grupo fundamentalista islâmico, fundado em 1928 no Egito por Hassan al-Bana.

O Hamas é filho da Irmandade Muçulmana. Nasce em 10 de dezembro de 1987, no início da Primeira Intifada, a revolta das pedras contra a ocupação israelense.

RÚSSIA APOIA TRUMP

    Em 2019, o procurador especial Robert Mueller entrega ao procurador-geral e ministro da Justiça dos Estados Unidos, William Barr, seu relatório concluindo que a Rússia "interferiu sistemática e amplamente na eleição presidencial de 2016" para apoiar Donald Trump e declara que, "embora este relatório não conclua que o presidente cometeu crime, também não o exonera."

Mueller, ex-diretor do FBI (Federal Bureau of Investigation), a polícia federal norte-americana, constata a interferência da Rússia, especialmente através de uma fábrica de mentiras do GRU (Departamento Central de Inteligência), o serviço de espionagem militar da Rússia, em São Petersburgo, e descobre contatos de membros da campanha de Trump com funcionários e espiões russos, mas não consegue provar que houve conluio entre a campanha de Trump e a Rússia. 

O Departamento da Justiça divulga uma versão editada do relatório como uma "medida protetiva" com base nos privilégios do presidente.

Durante as investigações, num encontro com o ditador russo, Vladimir Putin, o então presidente Trump declara que acredita nas palavras de Putin de que não houve interferência, contrariando as conclusões dos serviços de inteligência dos EUA.

Trump simpatiza com Putin, ameaça não defender os países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) e a bancada trumpista na Câmara dos Representantes leva seis meses para aprovar um pedido de ajuda militar de US$ 61 bilhões à Ucrânia. 

O primeiro-ministro de extrema direita da Hungria, Viktor Orbán, maior aliado de Putin na União Europeia (UE), sai de um encontro com Trump dizendo que, se for reeleito, Trump não dará um centavo a mais à Ucrânia. Reeleito, o presidente anuncia que pode dar empréstimos a juro zero, mas a Ucrânia terá de pagar pelas armas. 

De volta à Casa Branca, Trump exige o direito de explorar a metade dos recursos minerais da Ucrânia, humilha publicamente o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky e faz vários concessões ao ditador russo antes do início das negociações. A Rússia rejeita sua proposta de trégua. As negociações não avançam. Mesmo que levem a um cessar-fogo, a paz está muito distante. Nenhum presidente ucraniano, nem de qualquer outro país, pode ceder 20% de seu território a um agressor, a não ser à força.

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quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

Retrospectiva 2025: Onze meses que abalaram o mundo

    Em pouco menos de um ano, o presidente Donald Trump declarou guerra comercial ao resto do mundo, hostilizou aliados como vassalos recalcitrantes, flertou com ditadores, mobilizou o Exército e a Guarda Nacional para combater a imigração, bombardeou o programa nuclear do Irã, o Estado Islâmico na Síria e na África, os rebeldes hutis no Iêmen, barcos que acusa de tráfico de drogas perto das costas da Venezuela e da Colômbia, e um porto venezuelano com um drone nos últimos dias. Para cercar o ditador Nicolás Maduro, reuniu a maior frota de guerra reunida no Mar do Caribe desde a Crise dos Mísseis em Cuba, em 1962.

A China foi a grande vencedora da guerra comercial, Resistiu à chantagem de Trump, mostrou força e terminou o ano com um saldo comercial recorde de mais de US$ 1 trilhão.

O Japão tem a primeira mulher na chefia do governo. A primeira-ministra de ultradireita Sanae Takaichi, a Margaret Tharcher japonesa, é baterista de heavy metal. Começou ameaçando a China de intervir numa guerra sobre Taiwan.

 A guerra na Faixa de Gaza chegou a uma trégua frágil. Israel ataca quando quer na Faixa de Gaza e no Líbano, enquanto o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) reassume o controle das áreas de onde o Exército de Israel se retirou.

Não há muita chance de paz na Ucrânia. O ditador russo Vladimir Putin exige uma virtual rendição ucraniana, com exigências territoriais que nenhum líder da Ucrânia pode conceder, a não ser à força. Putin aposta na vitória a longo prazo, em conquistar no campo de batalha o que está pedindo.

Na América Latina, a direita se reelegeu no Equador e voltou ao poder na Bolívia e no Chile. É favorita no ano que vem no Peru e na Colômbia.

Com a morte do papa Francisco, o cardeal norte-americano Robert Provost, que morou 10 anos no Peru e tem cidadania peruana, foi eleito papa e assumiu o nome de Leão XIV, homenagem ao papa Leão XIII, que criou o socialismo cristão com a encíclica Rerum Novarum no fim do século 19.


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quarta-feira, 22 de outubro de 2025

EUA tentam manter acordo para acabar com guerra em Gaza

O vice-presidente James David Vance se encontrou hoje com o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. Amanhã, o secretário de Estado, Marco Rubio, chega a Israel. Os negociadores Steve Witkoff e Jared Kushner estão lá. É o esforço concentrado dos Estados Unidos para salvar o acordo proposto pelo presidente Donald Trump para acabar com a guerra na Faixa de Gaza e negociado também por Catar, Egito e Turquia.

Por enquanto, não há acordo de paz, apenas uma trégua frágil violada várias vezes desde que entrou em vigor em 10 de outubro. 

Cerca de 100 palestinos foram mortos desde então. Há três dias, o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) acusou Israel de 80 violações do cessar-fogo. Só em 19 de outubro, 44 palestinos teriam sido mortos. Ao todo, estima-se que mais de 67 mil palestinos morreram na guerra em Gaza.

Israel alega que o Hamas matou dois soldados e está executando adversários políticos numa tentativa de retomar o controle do território nas áreas de onde Israel se retirou. O Hamas se defendeu dizendo que os soldados foram mortos por uma patrulha que estava sem contato com o comando da organização.

Hoje, a Corte Internacional de Justiça das Nações Unidas declarou que Israel, como força de ocupação, precisa facilitar imediatamente a entrada e a distribuição de ajuda humanitária e garantir que as necessidades básicas dos palestinos sejam atendidas. 

Como força de ocupação, acrescenta o tribunal da ONU, Israel tem o "dever legal incondicional" de "concordar com e facilitar esquemas de ajuda" realizados pela ONU e por organizações humanitárias imparcial, inclusive a Agência da ONU para os Refugiados Palestinos, que Israel acusa de estar infiltrada pelo Hamas, e a Cruz Vermelha Internacional, que se chama Crescente Vermelho nos países muçulmanos.

O tribunal da ONU julga uma acusação de genocídio feita pela África do Sul contra Israel no fim de 2023. Aceitou a denúncia, mas não mandou parar a guerra, apenas recomendou expressamente que Israel proteja a população civil e permita a entrada de ajuda humanitária em quantidade suficiente, o que Israel não fez.


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terça-feira, 7 de outubro de 2025

Hoje na História do Mundo: 7 de Outubro

BATALHA DE LEPANTO

    Em 1571, forças cristãs aliadas vencem o Império Otomano (turco) na Batalha de Lepanto, uma batalha naval pelo controle do Leste do Mar Mediterrâneo, a maior travada no Ocidente desde a Antiguidade.

So o comando de João da Áustria, a Liga Santa, formada pela República de Veneza, o Reino da Espanha, os Cavaleiros de Malta e os Estados Pontifícios, vence os turcos no Mar Jônico ao largo de Lepanto, no Golfo de Patras, no Sudoeste da Grécia. É uma batalha da infantaria sobre plataformas navais.

Veneza tenta conter a expansão otomana no Mediterrâneo Oriental até 1540, quando faz um acordo de paz humilhante com o imperador Suleiman I. Seu sucessor, Selim II, está decidido a tomar a ilha de Chipre, uma possessão veneziana.

Quando Veneza se nega a ceder o Chipre, o Império Otomano invade. Veneza, então, faz um apelo ao papa Pio V (1566-72), que desde o início de seu pontificado tenta articular uma aliança católica. Mas a França e o Sacro Império Romano-Germânico estão mais preocupados com o impacto da Reforma Protestante. O rei Felipe II, da Espanha, enfrenta revoltas na Andalusia e na Holanda. Veneza rejeita a influência espanhola na Itália.

Em 1570, o papa alerta os governantes católicos de que a invasãp otomana a Chipre é iminente e envia João da Áustria à Itália, onde ele obtém o apoio dos Cavaleiros de Malta, que recebem ajuda econômica do Vaticano, e das marinhas da Espanha, de Veneza e dos Estados Pontifícios. Forma uma esquadra com 208 galés e seis galeaças.

A esquadra parte de Messina, na Sicília, em 16 de setembro de 1571. Em 7 de outubro, enfrenta 230 galés turcas. Depois da batalha, o mar fica manchado de vermelho. A expansão otomana no Mediterrâneo está contida.

NASCE A ALEMANHA ORIENTAL

    Em 1949, durante a Guerra Fria, cinco meses depois que os Estados Unidos, a França e o Reino criam a República Federal da Alemanha, a Alemanha Ocidental, é proclamada a República Democrática da Alemanha, mais conhecida como Alemanha Oriental, na região ocupada pela União Soviética no fim da Segunda Guerra Mundial (1939-45).

Com a reconstrução do lado ocidental e a ditadura comunista do lado oriental, milhares de alemães-orientais começam a "votar com os pés" e fugir para o Ocidente. Na noite de 12 para 13 de outubro, a Alemanha Oriental inicia a construção do Muro de Berlim, a cicatriz viva da divisão do mundo na Guerra Fria.

A Alemanha Oriental é o país mais rico do Bloco Soviético.

A abertura do muro, em 9 de novembro de 1989, é um março do fim do conflito Leste-Oeste. Leva à reunificação da Alemanha em 3 de outubro de 1990.

GINSBERG LÊ UIVO EM PÚBLICO

    Em 1955, o poeta beat Allen Ginsberg lê pela primeira vez em público o poema Howl (Uivo), na Six Gallery, em São Francisco.

É um sucesso imediato. A literatura beat expressa a rebelião da juventude dos anos 1950 e dá o tom para a poesia confessional dos anos 1960.

Ginsberg nasce em 1926, filho de um professor do ensino médio e de uma mãe marxista que mais tarde tem problemas mentais. O pai o introduz à literatura de poetas como Edgar Allan Poe, Charles Dickens, John Keats e John Milton.

Na Universidade de Colúmbia, antes de ser expulso, conhece Jack Kerouac, William Burroughs e Neal Cassady, figuras centrais do movimento beat.

Preso por drogas que um amigo viciado deixa em sua casa, Ginsberg alega problemas mentais para não ser condenado e passa oito meses internado numa clínica psiquiátrica.

Depois de se mudar para São Francisco da Califórnia, escreve Howl (Uivo) em dois meses. O poema é publicado pelo também poeta Lawrence Ferlinghetti e sua livraria e editora City Lights, outro ícone do movimento beat.

Por causa da publicação, Ferlinghetti é processado por obscenidade. Graças ao depoimento de nove críticos literários sobre o valor do livro, o editor é absolvido.

Ícone da contracultura, Ginsberg entra para a lista de subversivos de John Edgar Hoover, diretor-geral do FBI (Federal Bureau of Investigation), a policia federal dos EUA. Vai a Cuba, onde fica decepcionado com a perseguição aos gays e denuncia o autoritarismo e a repressão do regime de Fidel Castro. Também faz campanha contra a participação norte-americana na Guerra do Vietnã (1955-75).

SEGUNDO DEBATE KENNEDY x NIXON

   Em 1960, no segundo de quatro debates na televisão entre os candidatos à Presidência dos Estados Unidos, o senador John Kennedy e o vice-presidente Richard Nixon discutem política externa em plena Guerra Fria, com destaque para a Revolução Cubana e a derrubada de um avião-espião norte-americano U-2 na União Soviética.

Kennedy acusa o governo Dwight Eisenhower (1953-61) de tímidez e indecisão ao enfrentar a ameaça soviética, enquanto Nixon descreve o jovem oponente como ingênuo e pronto para ceder à URSS e à China.

Os primeiros debates televisionados são considerados decisivos para a vitória de Kennedy, mais telegênico e mais confiável na visão dos telespectadores. O sociólogo canadense Marshall McLuhan compara Kennedy ao xerife bonachão em que uma pequena cidade confia e Nixon ao advogado da estrada de ferro que vai ferrar a cidade.

No poder, Kennedy enfrenta seu maior desafio na Crise dos Mísseis em Cuba, de 14 a 27 de outubro de 1962, quando mundo esteve mais perto do que nunca de uma guerra nuclear. É assassinado em 22 de novembro de 1963.

Nixon é eleito em 1968, no auge da Guerra do Vietnã. Em 1972, vai à URSS e à China, iniciando o período da détente na Guerra Fria.

EUA ATACAM AFEGANISTÃO

    Em 2001, um mês depois dos atentados de 11 de setembro, os Estados Unidos e aliados bombardeiam a invadem o Afeganistão para derrubar o regime extremista muçulmano da Milícia dos Talebã (Estudantes) e caçar a liderança da rede terrorista Al Caeda, responsável pelos ataques a Nova York e ao Pentágono.

O regime afegão cai em três semanas. Em dezembro, os EUA cercam os líderes d'al Caeda na Batalha de Tora Bora, mas Ossma ben Laden foge para o Paquistão, onde é morto por um comando de elite na Marinha norte-americana em 2 de maio de 2011.

A guerra mais longa da história dos EUA só termina em 15 de agosto de 2021, com a retirada das últimas forças internacionais e a volta dos Talebã ao poder. Pelo menos 2.448 soldados e 3.486 civis norte-americanos, 1.444 soldados de países aliados e 66 mil soldados e policiais afegãos morrem nesse período, num total estimado em mais de 240 mil mortes.

SCHWARZENEGGER GOVERNADOR

    Em 2003, o ator e fisiculturista Arnold Schwarzenegger é eleito governador da Califórnia, o estado mais rico e populoso dos Estados Unidos e a quinta maior economia do mundo, centro mundial da revolução tecnológica da informática.

Apesar da inexperiência política, ele ganha a eleição para substituir o governador Gray Davis, o primeiro governador norte-americano a perder o mandato num referendo revogatório desde 1921.

Schwarzenegger nasce em Thal, na Áustria, em 30 julho de 1947 e começa a fazer musculação na adolescência. Aos 20 anos, ganha o título de Mr. Universo. Em 1968, migra para os EUA.

Seu sucesso como ator de cinema começa em 1982, com Conan, o Bárbaro. Seu personagem definitivo é em O Exterminador do Futuro.

Em 1986, ele casa com a jornalista de televisão Maria Kennedy Schriver, sobrinha do presidente John Kennedy, mas entra na política pelo Partido Republicano. Governa a Califórnia por dois mandatos até 2011, quando se separa de Maria Shriver.

HAMAS BARBARIZA ISRAEL

    Em 2023, um ataque terrorista liderado pelo Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) mata cerca de 1,2 mil pessoas e sequestra outras 257 em Israel, que contra-ataca a Faixa de Gaza numa guerra em que mais de 40 mil palestinos morrem, de acordo com dados do Hamas contestados por estimativas independentes.

A guerra se propaga para outras frentes. Nas últimas semanas, o conflito de baixa intensidade entre Israel e a milícia extremista xiita libanesa Hesbolá (Partido de Deus) no Norte de Israel e o Sul do Líbano vira uma guerra total.

Cento e dez reféns são trocados por prisioneiros palestinos durante uma trégua no fim de novembro. Uma nova negociação para libertar reféns está estagnada há meses porque Israel só aceita uma trégua temporária e o Hamas exige um cessar-fogo definitivo

A Corte Internacional da Justiça das Nações Unidas julga uma denúncia de genocídio feita pela África do Sul contra Israel, com o apoio do Brasil, enquanto o Tribunal Penal Internacional examina pedidos de prisão de três líderes do Hamas, dois agora mortos por Israel, e do primeiro-ministro e do ministro da Defesa de Israel.

Com as derrotas do Hamas e do Hesbolá, a queda da ditadura de Bachar Assad na Síria e os bombardeios que destroem as defesas antiaéreas do Irã, Israel torna-se potência hegemônica no Oriente. Só agora, depois de dois anos de guerra, o presidente Donald Trump está pressionando o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu a acabar com a guerra.

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terça-feira, 8 de julho de 2025

Israel quer confinar palestinos em campo de concentração em Gaza

 Enquanto o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, declarava na Casa Branca que os palestinos que quiserem podem ficar na Faixa de Gaza, o ministro da Defesa, Israel Katz, anunciou ontem a intenção de concentrar a população palestina, de mais de 2 milhões de pessoas, numa zona na cidade de Rafá, junto à fronteira com Egito, dando-lhes a opção de sair do território. 

Seria uma limpeza étnica, que pode ser enquadrada como crime de guerra ou crime contra a humanidade, depois do uso da fome como arma de guerra, o que caracteriza genocídio, como afirmou o historiador Omer Bartov, ex-soldado do Exército de Israel, hoje professor e especialista no Holocaustro da Universidade Brown, nos Estados Unidos em entrevista à televisão britânica BBC.

Sem dar maiores detalhes, o presidente Donald Trump afirmou que vários países do Oriente Médio estariam dispostos a receber palestinos, mas nada indica que os principais aliados árabes dos Estados Unidos – Egito, Jordânia e as monarquias petroleiras do Golfo Pérsico – concordem em esvaziar Gaza para fazer o jogo de Israel.

A grande questão no momento é como chegar a um cessar-fogo com o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) capaz de levar à libertação dos reféns israelenses e ao fim da guerra iniciada pelo grupo terrorista em 7 de outubro de 2023, quando cerca de 1,2 mil israelenses e estrangeiros foram mortos e mais de 250 sequestrados. 

A grande dúvida é sobre o futuro de Gaza. Desde que Trump falou em transformar o território numa Riviera do Oriente Médio de propriedade dos EUA com empreendimentos imobiliários à beira-mar, em 5 de fevereiro, o governo de extrema direita de Israel dificultou ainda mais a ajuda humanitária. Usa a fome como arma de guerra, tornando a situação insuportável, o que é considerado genocídio nos termos da Convenção para Prevenção e Punição do Crime de Genocídio, para forçar a emigração dos palestinos. O jornal liberal israelense revelou em 27 de junho que os soldados têm ordem de atirar para matar quem está na fila da comida.

sábado, 22 de março de 2025

Hoje na História do Mundo: 22 de Março

 MASSACRE DE JAMESTOWN

    Em 1622, o cacique Opechancanough lidera um ataque-surpresa das tribos da Confederação Powhatan contra Jamestown, capital da colônia da Virgínia, e massacra 347 pessoas, um quarto da população dos colonos.

Jamestown, fundada em 14 de maio de 1607, é o primeiro assentamento inglês na América. É um empreendimento privado da Virginia Company com uma carta régia de Jaime I, da Inglaterra, para criar a empresa. Na época, toda a costa atlântica ao norte da Flórida é chamada de Virgínia, uma homenagem à rainha Elizabeth I, da Inglaterra, a Rainha Virgem, que não teve filhos. Sabia que um marido minaria seu poder.

As relações com os nativos inicialmente variam entre amizade e hostilidade. Na Primeira Guerra Powhatan (1609-14), o cacique Pownhatan tenta expulsar os europeus com a fome. Entre 1609 e 1611, a colônia quase é abandonada.

 Com a introdução da cultura do tabaco, a partir de 1613, a colônia começa a prosperar. John Rolfe, o pioneiro da produção de tabaco, casa com a princesa Pocahontas, filha do cacique.

No verão de 1619, a colônia cria o primeiro governo representativo na América, com a eleição de uma Assembleia Geral de 22 burgueses e seis indicados pela companhia. Só os homens com propriedades têm direito de voto.

É em Jamestown que chegam os primeiros escravos africanos ao que hoje é os EUA. Em 20 de agosto de 1619, 20 dos 50 angolanos de um navio negreiro português atacado por dois navios piratas ingleses são vendidos em Jamestown. É o marco do início da escravidão no país.

Em 1620, a expansão da área agrícola para produzir tabaco e a infiltração dos colonos em regiões de caça dos indígenas provocam atritos na região da Baía de Chesapeke que explodem em 1622.

Os powhatans chegam desarmados a Jamestown, com veados, perus, frutas, peixes e outros mantimentos como se fossem para vender. Pegam todas as ferramentas e armas disponíveis e matam todos os colonos europeus, homens, mulheres e crianças de todas as idades. É o início da Segunda Guerra Powhatan (1622-32).

Na Terceira Guerra Powhatan (1644-46), Opechancanough é capturado e morto. Uma linha divisória, uma fronteira, é traçada entre a colônia e as terras indígenas. Exige autorização para ser cruzada.

LEI DO SELO

    Em 1765, o Parlamento Britânico aprova uma lei para recuperar as finanças do Reino Unido, pagar as dívidas e defender os territórios tomados da França na Guerra dos Sete Anos (1756-63).

A Lei do Selo cria um imposto direto sobre todos os materiais impressos para uso legal ou comercial nas colônias britânicas na América do Norte, de jornais e panfletos a cartas de jogar.

Os colonos já pagam tarifas mais altas para importar têxteis, vinho, café e açúcar, por força da Lei do Açúcar (1764). A Lei da Moeda (1764) causa forte queda no valor do papel moeda usado nas colônias. A Lei do Aquartelamento (1765) obriga os colonos a dar casa e comida aos soldados britânicos em caso de necessidade.

Como haviam pago um preço alto em vidas e recursos durante a guerra, os colonos estão convencidos de que já deram sua cota de sacrifício ao Império Britânico. Como não têm direito de voto no Parlamento de Westminster, articulam o movimento "Não à taxação sem representação." 

Em outubro de 1765, nove das 13 colônias mandam delegados para o Congresso da Lei do Selo, que produz a Declaração de Direitos e Reclamações. Sob pressão, o governo revoga a lei no ano seguinte. Mas a semente da rebeldia e da liberdade estava plantada. Em 4 de julho de 1776, os EUA declararam a independência, reconhecida em 1783 pelo Reino Unido e a França.

LIGA ÁRABE

    Em 1945, a Arábia Saudita, o Egito, o Iêmen, o Iraque, o Líbano, a Síria e a Transjordânia (hoje Jordânia) fundam no Cairo a Liga Árabe, a organização regional dos países árabes e do pan-arabismo.

Desde então, entraram a Líbia (1953), o Sudão (1956), o Marrocos e a Tunísia (1958), o Kuwait (1961), a Argélia (1962), o Catar, os Emirados Árabes Unidos e Omã (1971), a Mauritânia (1973), a Somália (1974), a Organização para a Libertação da Palestina (1976), Djibúti (1977) e as Ilhas Comores (1993).

Os objetivos são fortalecer a cooperação em programas econômicos, políticos, sociais e culturais, e mediar conflitos entre os países árabes e com outros países. Cada país-membro tem um voto no Conselho da Liga. As decisões só são obrigatórias para quem vota a favor. 

ISRAEL MATA LÍDER DO HAMAS

    Em 2004, a Força Aérea de Israel mata com um ataque de míssil na Cidade de Gaza o fundador e líder do Movimento de Resistência Islâmica (Hamas), xeique Ahmed Yassin.

Ahmed Yassin Hassan Yassin nasce em Al-Jure, na Faixa de Gaza, em 1º de janeiro de 1937, ainda na época do mandato britânico sobre a Palestina. Quando estuda no Cairo, a capital do Egito, entra em contato com a Irmandade Muçulmana, o mais antigo grupo fundamentalista islâmico, fundado em 1928 no Egito por Hassan al-Bana.

O Hamas é filho da Irmandade Muçulmana. Nasce em 10 de dezembro de 1987, no início da Primeira Intifada, a revolta das pedras contra a ocupação israelense.

RÚSSIA APOIA TRUMP

    Em 2019, o procurador especial Robert Mueller entrega ao procurador-geral e ministro da Justiça dos Estados Unidos, William Barr, seu relatório concluindo que a Rússia "interferiu sistemática e amplamente na eleição presidencial de 2016" para apoiar Donald Trump e declara que, "embora este relatório não conclua que o presidente cometeu crime, também não o exonera."

Mueller, ex-diretor do FBI (Federal Bureau of Investigation), a polícia federal norte-americana, constata a interferência da Rússia, especialmente através de uma fábrica de mentiras do GRU (Departamento Central de Inteligência), o serviço de espionagem militar da Rússia, em São Petersburgo, e descobre contatos de membros da campanha de Trump com funcionários e espiões russos, mas não consegue provar que houve conluio entre a campanha de Trump e a Rússia. 

O Departamento da Justiça divulga uma versão editada do relatório como uma "medida protetiva" com base nos privilégios do presidente.

Durante as investigações, num encontro com o ditador russo, Vladimir Putin, o então presidente Trump declara que acredita nas palavras de Putin de que não houve interferência, contrariando as conclusões dos serviços de inteligência dos EUA.

Trump simpatiza com Putin, ameaça não defender os países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) e a bancada trumpista na Câmara dos Representantes leva seis meses para aprovar um pedido de ajuda militar de US$ 61 bilhões à Ucrânia. 

O primeiro-ministro de extrema direita da Hungria, Viktor Orbán, maior aliado de Putin na União Europeia (UE), sai de um encontro com Trump dizendo que, se for reeleito, Trump não dará um centavo a mais à Ucrânia. O ex-presidente anuncia que pode dar empréstimos a juro zero, mas a Ucrânia terá de pagar pelas armas. 

De volta à Casa Branca, Trump exige o direito de explorar a metade dos recursos minerais da Ucrânia, humilha publicamente o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky e faz vários concessões ao ditador russo antes do início das negociações. A Rússia rejeita sua proposta de trégua. As negociações não avançam. Mesmo que levem a um cessar-fogo, a paz está muito distante. Nenhum presidente ucraniano, nem de qualquer outro país, pode ceder 19% de seu território a um agressor, a não ser à força.