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sexta-feira, 31 de julho de 2026

Hoje na História do Mundo: 31 de julho

 MORRE FUNDADOR DA ORDEM DOS JESUÍTAS

    Em 1556, morre em Roma, na Itália, Inácio de Loyola, fundador da Companhia de Jesus, a ordem dos jesuítas, que congrega missionários e educadores, dentro da Contrarreforma, a reação da Igreja Católica Apostólica Romana à Reforma Protestante, e tem papel fundamental na colonização da América Latina.

Inácio nasce no castelo da família Loyola em 1491. Treinado como cavaleiro, é ferido nas duas pernas durante o cerco de Pamplona pela França em maio de 1521. Durante a convalescença, lê a Bíblia e histórias de santos. Decide então levar uma vida austera como os santos católicos.

Em 1522, Inácio de Loyola peregrina a Montserrat, onde há uma escultura da Virgem Maria e do Menino Jesus supostamente esculpida por São Lucas. No ano seguinte, vive como um mendigo e reza sete horas por dia. Em 1523, vai a Jerusalém.

De volta à Espanha, em 1524, decida-se aos estudos em Barcelona e na Universidade de Alcalá para preparar sua missão espiritual. O movimento jesuíta nasce em 1534, quando Inácio de Loyola e seguidores fazem votos de pobreza e castidade, e fazem planos para ir a Jerusalém converter os muçulmanos.

Como as guerras do Império Otomano tornam inviável a missão em Jerusalém, eles vão a Roma e pedem permissão ao papa para criar uma ordem religiosa. Em setembro de 1540, o papa Paulo III aprova o projeto. Quando o fundador morre, a ordem tem mais de mil padres.

A Igreja Católica canoniza Santo Inácio de Loyola em 1622. Durante a onda nacionalista do século 18, vários países proíbem a atuação da Companhia de Jesus, inclusive Portugal, em 1579, por ordem do então primeiro-ministro, o Marquês do Pombal.

Sob pressão da Dinastia de Bourbon, o papa Clemente XVI extingue a ordem dos jesuítas em 1773. Em 1814, o papa Pio VII reabilita os jesuítas.

FIM DA SEGUNDA GUERRA ANGLO-HOLANDESA

    Em 1667, o Tratado de Breda acaba com a Segunda Guerra Anglo-Holandesa (1665-67) e transfere o controle da Nova Holanda para a Inglaterra, que a transforma em Nova Jérsei e Nova York.

O acordo de paz é assinado entre a Inglaterra, de um lado, e a Holanda, a França e a Dinamarca, do outro. A Holanda tem vantagem na guerra, travada sobretudo no mar. É forçada a negociar a paz quando a França de Luís XIV, o Rei Sol, invade os Países Baixos Espanhóis, hoje Bélgica e Luxemburgo, na Guerra da Devolução (1667-68).

Sob pressão da Holanda, a Inglaterra muda as leis de navegação para permitir que navios holandeses transportem produtos ingleses no Rio Reno e incorporar vários aspectos das regras holandesas de comércio, inclusive o conceito de contrabando.

A posição dominante da Holanda no comércio internacional não é abalada. Os ingleses não conseguem conquistar parte do comércio de especiarias (cravo, canela, noz moscada e pimenta do reino). Mas recebem a Nova Holanda (Nova Jérsei e Nova York) e retomam da França as ilhas de Antigua, Montserrat e São Cristóvão, no Mar do Caribe. 

A Holanda fica com a Guiana Holandesa e as Índias Orientais Holandesas (hoje Indonésia). A França mantém a Guiana Francesa e retoma da Inglaterra a região da Acádia, que incluía o que hoje são as províncias canadenses do Quebec, da Nova Escócia, da Nova Brunswick, a ilha Príncipe Eduardo e parte do estado do Maine, hoje território dos Estados Unidos.

FURACÕES AFUNDAM GALÕES CHEIOS DE OURO 

    Em 1715, um furacão arrasa a costa da Flórida e afunda onze galeões da Frota da Prata da Espanha carregados de tesouros da América.

Cerca de mil pessoas morrem. O ouro e a prata só são recuperados 250 anos mais tarde.

Desde a descoberta de metais preciosos na América, a Espanha manda ao Novo Mundo navios fortificados para resistir à pirataria, mas eles pouco podem fazer contra as tempestades.

A frota espanhola zarpa de Cuba sete dias antes. Quando está na costa da Flórida, entre Cabo Canaveral e Forte Pierce, o furacão ganha força e destrói 11 dos 12 navios.

FIDEL TRANSFERE PODERES AO IRMÃO

    Em 2006, o ditador cubano Fidel Castro sofre uma hemorragia intestinal, vai para o hospital e transfere os poderes a seu irmão, o vice-presidente Raúl Castro.


Fidel deixa oficialmente a Presidência em 24 de fevereiro de 2008 e a liderança do Partido Comunista em 19 de abril de 2011, cinco anos e meio antes de morrer, em 25 de novembro de 2016.

Fidel é um jovem advogado quando assalta o Quartel Moncada, em Santiago de Cuba, em 26 de julho de 1952. Preso, ao se defender, pronuncia uma frase histórica: "A história me absolverá."

Anistiado, ele foge para o México e volta com um grupo de rebeldes que inicia uma guerrilha na Sierra Maestra que marcha até Havana e toma o poder em 1º de janeiro de 1959. Fidel implanta o regime comunista e fica no poder por cinco décadas. Ao sair, diz que não pode se apegar a cargos.

ASSASSINADO LÍDER DO HAMAS

    Em 2024, o dirigente máximo do Movimento de Resistência Islâmica (Hamas), Ismail Haniya, morre atentado em Teerã, onde era hóspede oficial da República Islâmica do Irã para assistir à posse do presidente Masoud Pezeshkian. O regime fundamentalista iraniano acusa Israel, que está em guerra com o Hamas desde o ataque terrorista do grupo em 7 de outubro de 2023.

Em 24 horas, Israel ataca dois líderes de grupos do chamado Eixo da Resistência apoiados, financiados e armados pelo Irã. Fuad Chukr é descrito pelas Forças Armadas israelenses o como "principal comandante militar" da milícia fundamentalista xiita libanesa Hesbolá (Partido de Deus). Morre em bombardeio no bairro de Dahiya, um reduto do Hesbolá no Sul de Beirute. Ao que tudo indica, Israel também mata o líder supremo do Hamas na capital do Irã, mas não assume a autoria.

Desde o ataque terrorista de 7 de outubro de 2023, Israel jura de morte e mata os principais líderes do Hamas: Haniya, o líder máximo; Mohamed Deif, o comandante militar do grupo, morto em bombardeio na Faixa de Gaza; e Yahya Sinwar, o líder do Hamas em Gaza, considerado o principal responsável pelo 7 de outubro, também em Gaza.

Os três líderes do Hamas tinham ordem de prisão do Tribunal Penal Internacional (TPI) por crimes de guerra. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e o então ministro da Defesa de Israel, Yoav Gallant, ainda têm, pelo mesmo motivo.

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quinta-feira, 31 de julho de 2025

Hoje na História do Mundo: 31 de julho

MORRE FUNDADOR DA ORDEM DOS JESUÍTAS

    Em 1556, morre em Roma, na Itália, Inácio de Loyola, fundador da Companhia de Jesus, a ordem dos jesuítas, que congrega missionários e educadores, dentro da Contrarreforma, a reação da Igreja Católica Apostólica Romana à Reforma Protestante, e tem papel fundamental na colonização da América Latina.

Inácio nasce no castelo da família Loyola em 1491. Treinado como cavaleiro, é ferido nas duas pernas durante o cerco de Pamplona pela França em maio de 1521. Durante a convalescença, lê a Bíblia e histórias de santos. Decide então levar uma vida austera como os santos católicos.

Em 1522, Inácio de Loyola peregrina a Montserrat, onde há uma escultura da Virgem Maria e do Menino Jesus supostamente esculpida por São Lucas. No ano seguinte, vive como um mendigo e reza sete horas por dia. Em 1523, vai a Jerusalém.

De volta à Espanha, em 1524, decida-se aos estudos em Barcelona e na Universidade de Alcalá para preparar sua missão espiritual. O movimento jesuíta nasce em 1534, quando Inácio de Loyola e seguidores fazem votos de pobreza e castidade, e fazem planos para ir a Jerusalém converter os muçulmanos.

Como as guerras do Império Otomano tornam inviável a missão em Jerusalém, eles vão a Roma e pedem permissão ao papa para criar uma ordem religiosa. Em setembro de 1540, o papa Paulo III aprova o projeto. Quando o fundador morre, a ordem tem mais de mil padres.

A Igreja Católica canoniza Santo Inácio de Loyola em 1622. Durante a onda nacionalista do século 18, vários países proíbem a atuação da Companhia de Jesus, inclusive Portugal, em 1579, por ordem do então primeiro-ministro, o Marquês do Pombal.

Sob pressão da Dinastia de Bourbon, o papa Clemente XVI extingue a ordem dos jesuítas em 1773. Em 1814, o papa Pio VII reabilita os jesuítas.

FIM DA SEGUNDA GUERRA ANGLO-HOLANDESA

    Em 1667, o Tratado de Breda acaba com a Segunda Guerra Anglo-Holandesa (1665-67) e transfere o controle da Nova Holanda para a Inglaterra, que a transforma em Nova Jérsei e Nova York.

O acordo de paz é assinado entre a Inglaterra, de um lado, e a Holanda, a França e a Dinamarca, do outro. A Holanda tem vantagem na guerra, travada sobretudo no mar. É forçada a negociar a paz quando a França de Luís XIV, o Rei Sol, invade os Países Baixos Espanhóis, hoje Bélgica e Luxemburgo, na Guerra da Devolução (1667-68).

Sob pressão da Holanda, a Inglaterra muda as leis de navegação para permitir que navios holandeses transportem produtos ingleses no Rio Reno e incorporar vários aspectos das regras holandesas de comércio, inclusive o conceito de contrabando.

A posição dominante da Holanda no comércio internacional não é abalada. Os ingleses não conseguem conquistar parte do comércio de especiarias (cravo, canela, noz moscada e pimenta do reino). Mas recebem a Nova Holanda (Nova Jérsei e Nova York) e retomam da França as ilhas de Antigua, Montserrat e São Cristóvão, no Mar do Caribe. 

A Holanda fica com a Guiana Holandesa e as Índias Orientais Holandesas (hoje Indonésia). A França mantém a Guiana Francesa e retoma da Inglaterra a região da Acádia, que incluía o que hoje são as províncias canadenses do Quebec, da Nova Escócia, da Nova Brunswick, a ilha Príncipe Eduardo e parte do estado do Maine, hoje território dos Estados Unidos.

FURACÕES AFUNDAM GALÕES CHEIOS DE OURO 

    Em 1715, um furacão arrasa a costa da Flórida e afunda onze galeões da Frota da Prata da Espanha carregados de tesouros da América.

Cerca de mil pessoas morrem. O ouro e a prata só são recuperados 250 anos mais tarde.

Desde a descoberta de metais preciosos na América, a Espanha manda ao Novo Mundo navios fortificados para resistir à pirataria, mas eles pouco podem fazer contra as tempestades.

A frota espanhola zarpa de Cuba sete dias antes. Quando está na costa da Flórida, entre Cabo Canaveral e Forte Pierce, o furacão ganha força e destrói 11 dos 12 navios.

FIDEL TRANSFERE PODERES AO IRMÃO

    Em 2006, o ditador cubano Fidel Castro sofre uma hemorragia intestinal, vai para o hospital e transfere os poderes a seu irmão, o vice-presidente Raúl Castro.


Fidel deixa oficialmente a Presidência em 24 de fevereiro de 2008 e a liderança do Partido Comunista em 19 de abril de 2011, cinco anos e meio antes de morrer, em 25 de novembro de 2016.

Fidel é um jovem advogado quando assalta o Quartel Moncada, em Santiago de Cuba, em 26 de julho de 1952. Preso, ao se defender, pronuncia uma frase histórica: "A história me absolverá."

Anistiado, ele foge para o México e volta com um grupo de rebeldes que inicia uma guerrilha na Sierra Maestra que marcha até Havana e toma o poder em 1º de janeiro de 1959. Fidel implanta o regime comunista e fica no poder por cinco décadas.

ASSASSINADO LÍDER DO HAMAS

    Em 2024, o dirigente máximo do Movimento de Resistência Islâmica (Hamas), Ismail Haniya, morre atentado em Teerã, onde era hóspede oficial da República Islâmica do Irã para assistir à posse do presidente Masoud Pezeshkian. O regime fundamentalista iraniano acusa Israel, que está em guerra com o Hamas desde o ataque terrorista do grupo em 7 de outubro de 2023.

Em 24 horas, Israel ataca dois líderes de grupos do chamado Eixo da Resistência apoiados, financiados e armados pelo Irã. Fuad Chukr é descrito pelas Forças Armadas israelenses o como "principal comandante militar" da milícia fundamentalista xiita libanesa Hesbolá (Partido de Deus). Morre em bombardeio no bairro de Dahiya, um reduto do Hesbolá no Sul de Beirute. Ao que tudo indica, Israel também o líder supremo do Hamas na capital do Irã, mas não assume a autoria.

Desde o ataque terrorista de 7 de outubro de 2023, Israel jura de morte e mata os principais líderes do Hamas: Haniya, o líder máximo; Mohamed Deif, o comandante militar do grupo, morto em bombardeio na Faixa de Gaza; e Yahya Sinwar, o líder do Hamas em Gaza, considerado o principal responsável pelo 7 de outubro, também em Gaza.

Os três líderes do Hamas tinham ordem de prisão do Tribunal Penal Internacional (TPI) por crimes de guerra. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e o então ministro da Defesa de Israel, Yoav Gallant, ainda têm, pelo mesmo motivo.

quarta-feira, 31 de julho de 2024

Hoje na História do Mundo: 31 de julho

MORRE FUNDADOR DA ORDEM DOS JESUÍTAS

    Em 1556, morre em Roma, na Itália, Inácio de Loyola, fundador da Companhia de Jesus, a ordem dos jesuítas, que congrega missionários e educadores, dentro da Contrarreforma, a reação da Igreja Católica Apostólica Romana à Reforma Protestante, e tem papel fundamental na colonização da América Latina.

Inácio nasce no castelo da família Loyola em 1491. Treinado como cavaleiro, é ferido nas duas pernas durante o cerco de Pamplona pela França em maio de 1521. Durante a convalescença, lê a Bíblia e histórias de santos. Decide então levar uma vida austera como os santos católicos.

Em 1522, Inácio de Loyola peregrina a Montserrat, onde há uma escultura da Virgem Maria e do Menino Jesus supostamente esculpida por São Lucas. No ano seguinte, vive como um mendigo e reza sete horas por dia. Em 1523, vai a Jerusalém.

De volta à Espanha, em 1524, decida-se aos estudos em Barcelona e na Universidade de Alcalá para preparar sua missão espiritual. O movimento jesuíta nasce em 1534, quando Inácio de Loyola e seguidores fazem votos de pobreza e castidade, e fazem planos para ir a Jerusalém converter os muçulmanos.

Como as guerras do Império Otomano tornam inviável a missão em Jerusalém, eles vão a Roma e pedem permissão ao papa para criar uma ordem religiosa. Em setembro de 1540, o papa Paulo III aprova o projeto. Quando o fundador morre, a ordem tem mais de mil padres.

A Igreja Católica canoniza Santo Inácio de Loyola em 1622. Durante a onda nacionalista do século 18, vários países proíbem a atuação da Companhia de Jesus, inclusive Portugal, em 1579, por ordem do então primeiro-ministro, o Marquês do Pombal.

Sob pressão da Dinastia de Bourbon, o papa Clemente XVI extingue a ordem dos jesuítas em 1773. Em 1814, o papa Pio VII reabilita os jesuítas.

FIM DA SEGUNDA GUERRA ANGLO-HOLANDESA

    Em 1667, o Tratado de Breda acaba com a Segunda Guerra Anglo-Holandesa (1665-67) e transfere o controle da Nova Holanda para a Inglaterra, que a transforma em Nova Jérsei e Nova York.

O acordo de paz é assinado entre a Inglaterra, de um lado, e a Holanda, a França e a Dinamarca, do outro. A Holanda tem vantagem na guerra, travada sobretudo no mar. É forçada a negociar a paz quando a França de Luís XIV, o Rei Sol, invade os Países Baixos Espanhóis, hoje Bélgica e Luxemburgo, na Guerra da Devolução (1667-68).

Sob pressão da Holanda, a Inglaterra muda das leis de navegação para permitir que navios holandeses transportem produtos ingleses no Rio Reno e incorporar vários aspectos das regras holandesas de comércio, inclusive o conceito de contrabando.

A posição dominante da Holanda no comércio internacional não é abalada. Os ingleses não conseguem conquistar parte do comércio de especiarias (cravo, canela, noz moscada e pimenta do reino). Mas recebem a Nova Holanda (Nova Jérsei e Nova York) e retomam da França as ilhas do Mar do Caribe de Antigua, Montserrat e São Cristóvão. 

A Holanda fica com a Guiana Holandesa e as Índias Orientais Holandesas (hoje Indonésia). A França mantém a Guiana Francesa e retoma da Inglaterra a região da Acádia, que incluía o que hoje são as províncias canadenses do Quebec, da Nova Escócia, da Nova Brunswick, a ilha Príncipe Eduardo e parte do estado do Maine, hoje território dos Estados Unidos.

FURACÕES AFUNDAM GALÕES CHEIOS DE OURO 

    Em 1715, um furacão arrasa a costa da Flórida e afunda onze galeões espanhóis carregados de tesouros da América, a Frota da Prata da Espanha.

Cerca de mil pessoas morrem. O ouro e a prata só são recuperados 250 anos mais tarde.

Desde a descoberta de metais preciosos na América, a Espanha manda ao Novo Mundo navios fortificados para resistir à pirataria, mas eles pouco podem fazer contra as tempestades.

A frota espanhola zarpa de Cuba sete dias antes. Quando está na costa da Flórida, entre Cabo Canaveral e Forte Pierce, o furacão ganha força e destrói 11 dos 12 navios.

FIDEL TRANSFERE PODERES AO IRMÃO

    Em 2006, o ditador cubano Fidel Castro sofre uma hemorragia intestinal, vai para o hospital e transfere os poderes a seu irmão,  o vice-presidente Raúl Castro.


Fidel deixa oficialmente a Presidência em 24 de fevereiro de 2008 e a liderança do Partido Comunista em 19 de abril de 2011, cinco anos e meio antes de morrer, em 25 de novembro de 2016.

Fidel é um jovem advogado quando assalta o Quartel Moncada, em Santiago de Cuba, em 26 de julho de 1952. Preso, ao se defender, pronuncia uma frase histórica: "A história me absolverá."

Anistiado, ele foge para o México e volta com um grupo de rebeldes que inicia uma guerrilha na Sierra Maestra que marcha até Havana e toma o poder em 1º de janeiro de 1959. Fidel implanta o regime comunista e fica no poder por cinco décadas. 

segunda-feira, 31 de julho de 2023

Hoje na História do Mundo: 31 de julho

 MORRE FUNDADOR DA ORDEM DOS JESUÍTAS

    Em 1556, morre em Roma, na Itália, Inácio de Loyola, fundador da Companhia de Jesus, a ordem dos jesuítas, que congrega missionários e educadores, dentro da Contrarreforma, a reação da Igreja Católica Apostólica Romana à Reforma Protestante, e tem papel fundamental na colonização da América Latina.

Inácio nasce no castelo da família Loyola em 1491. Treinado como cavaleiro, é ferido nas duas pernas durante o cerco de Pamplona pela França em maio de 1521. Durante a convalescença, lê a Bíblia e histórias de santos. Decide então levar uma vida austera como os santos católicos.

Em 1522, Inácio de Loyola peregrina a Montserrat, onde há uma escultura da Virgem Maria e do Menino Jesus supostamente esculpida por São Lucas. No ano seguinte, vive como um mendigo e reza sete horas por dia. Em 1523, vai a Jerusalém.

De volta à Espanha, em 1524, decida-se aos estudos em Barcelona e na Universidade de Alcalá para preparar sua missão espiritual. O movimento jesuíta nasce em 1534, quando Inácio de Loyola e seguidores fazem votos de pobreza e castidade, e fazem planos para ir a Jerusalém converter os muçulmanos.

Como as guerras do Império Otomano tornam inviável a missão em Jerusalém, eles vão a Roma e pedem permissão ao papa para criar uma ordem religiosa. Em setembro de 1540, o papa Paulo III aprova o projeto. Quando o fundador morre, a ordem tem mais de mil padres.

A Igreja Católica canoniza Santo Inácio de Loyola em 1622. Durante a onda nacionalista do século 18, vários países proíbem a atuação da Companhia de Jesus, inclusive Portugal, em 1579, por ordem do então primeiro-ministro, o Marquês do Pombal.

Sob pressão da Dinastia de Bourbon, o papa Clemente XVI extingue a ordem dos jesuítas em 1773. Em 1814, o papa Pio VII reabilita os jesuítas.

FURACÕES AFUNDAM GALÕES CHEIOS DE OURO 

    Em 1715, um furacão arrasa a costa da Flórida e afunda onze galeões espanhóis carregados de tesouros da América, a Frota da Prata da Espanha.

Cerca de mil pessoas morrem. O ouro e a prata só são recuperados 250 anos mais tarde.

Desde a descoberta de metais preciosos na América, a Espanha manda ao Novo Mundo navios fortificados para resistir à pirataria, mas eles pouco podem fazer contra as tempestades.

A frota espanhola zarpa de Cuba sete dias antes. Quando está na costa da Flórida, entre Cabo Canaveral e Forte Pierce, o furacão ganha força e destrói 11 dos 12 navios.

FIDEL TRANSFERE PODERES AO IRMÃO

    Em 2006, o ditador cubano Fidel Castro sofre uma hemorragia intestinal, vai para o hospital e transfere os poderes a seu irmão,  o vice-presidente Raúl Castro.


Fidel deixa oficialmente a Presidência em 24 de fevereiro de 2008 e a liderança do Partido Comunista em 19 de abril de 2011, cinco anos e meio antes de morrer, em 25 de novembro de 2016.

Fidel é um jovem advogado quando assalta o Quartel Moncada, em Santiago de Cuba, em 26 de julho de 1952. Preso, ao se defender, pronuncia uma frase histórica: "A história me absolverá."

Anistiado, ele foge para o México e volta com um grupo de rebeldes que inicia uma guerrilha na Sierra Maestra que marcha até Havana e toma o poder em 1º de janeiro de 1959. Fidel implanta o regime comunista e fica no poder por cinco décadas.

domingo, 31 de julho de 2022

Hoje na História do Mundo: 31 de julho

MORRE FUNDADOR DA ORDEM DOS JESUÍTAS

    Em 1556, morre em Roma, na Itália, Inácio de Loyola, fundador da Companhia de Jesus, a ordem dos jesuítas, que congrega missionários e educadores, dentro da Contrarreforma, a reação da Igreja Católica Apostólica Romana à Reforma Protestante, e tem papel fundamental na colonização da América Latina.

Inácio nasce no castelo da família Loyola em 1491. Treinado como cavaleiro, é ferido nas duas pernas durante o cerco de Pamplona pela França em maio de 1521. Durante a convalescença, lê a Bíblia e histórias de santos. Decide então levar uma vida austera como os santos católicos.

Em 1522, Inácio de Loyola peregrina a Montserrat, onde há uma escultura da Virgem Maria e do Menino Jesus supostamente esculpida por São Lucas. No ano seguinte, vive como um mendigo e reza sete horas por dia. Em 1523, vai a Jerusalém.

De volta à Espanha, em 1524, decida-se aos estudos em Barcelona e na Universidade de Alcalá para preparar sua missão espiritual. O movimento jesuíta nasce em 1534, quando Inácio de Loyola e seguidores fazem votos de pobreza e castidade, e fazem planos para ir a Jerusalém converter os muçulmanos.

Como as guerras do Império Otomano tornam inviável a missão em Jerusalém, eles vão a Roma e pedem permissão ao papa para criar uma ordem religiosa. Em setembro de 1540, o papa Paulo III aprova o projeto. Quando o fundador morre, a ordem tem mais de mil padres.

A Igreja Católica canoniza Santo Inácio de Loyola em 1622. Durante a onda nacionalista do século 18, vários países proíbem a atuação da Companhia de Jesus, inclusive Portugal, em 1579, por ordem do então primeiro-ministro, o Marquês do Pombal.

Sob pressão da Dinastia de Bourbon, o papa Clemente XVI extingue a ordem dos jesuítas em 1773. Em 1814, o papa Pio VII reabilitou os jesuítas.

FURACÕES AFUNDAM GALÕES CHEIOS DE OURO 

    Em 1715, um furacão arrasa a costa da Flórida e afunda dez galeões espanhóis carregados de tesouros da América. Cerca de mil pessoas morreram. O ouro e a prata só são recuperados 250 anos mais tarde.

Desde a descoberta de metais preciosos na América, a Espanha manda ao Novo Mundo navios fortificados para resistir à pirataria, mas eles pouco podiam fazer contra as tempestades.

A frota espanhola zarpa de Cuba. Quando estava na costa da Flórida, entre Cabo Canaveral e Forte Pierce, o furacão ganhou força e destruiu os navios.

FIDEL TRANSFERE PODERES AO IRMÃO

    Em 2006, o ditador cubano Fidel Castro sofre uma hemorragia intestinal, vai para o hospital e transfere os poderes a seu irmão,  o vice-presidente Raúl Castro. 

Fidel deixa oficialmente a Presidência em 24 de fevereiro de 2008 e a liderança do Partido Comunista em 19 de abril de 2011, cinco anos e meio antes de morrer.

Fidel era um jovem advogado quando assaltou o Quartel de Moncada, em Santiago de Cuba, em 26 de julho de 1952. Preso, ao se defender, pronunciou uma frase histórica: "A história me absolverá."

Anistiado, ele foge para o México e volta com um grupo de rebeldes que inicia uma guerrilha na Sierra Maestra que marcha até Havana e toma o poder em 1º de janeiro de 1959. 

terça-feira, 25 de junho de 2019

Ex-diretor de inteligência da Venezuela faz sérias acusações a Maduro

O general Manuel Ricardo Christopher Figuera, ex-diretor do Serviço Bolivariano de Inteligência (Sebin), chegou ontem aos Estados Unidos e fez sérias denúncias contra o regime chavista da Venezuela, noticiou hoje o jornal americano The Washington Post.

De acordo com o general, o palácio presidencial de Miraflores está tomado por agentes cubanos, corruptos e ladrões. O ex-ditador cubano Raúl Castro é um dos principais conselheiros do ditador venezuelano. O filho de Maduro lucra com a exploração ilegal de ouro. O vice-presidente Tareck Aissimi, acusado de tráfico de drogas nos Estados Unidos, faz lavagem de dinheiro.

Figuera também denunciou que a milícia fundamentalista xiita libanesa Hesbolá (Partido de Deus) levanta dinheiro na Venezuela para suas ações terroristas. O Exército de Libertação Nacional, uma guerrilha comunista colombiana, ofereceu ajuda a Maduro contra ameaças externas.

A economia da Venezuela está à beira do colapso. Mais de 4 milhões de venezuelanos fugiram do país nos últimos anos. A organização não governamental Foro Penal denuncia que há 688 presos políticos no país.

Mais impressionante é que Maduro ainda não tenha caído. Meu comentário:

quarta-feira, 18 de abril de 2018

Ascensão de Díaz-Canel marca fim da era Castro em Cuba

O vice-presidente Miguel Díaz Canel foi eleito hoje pela Assembleia Nacional como candidato único à Presidência de Cuba. Amanhã, será empossado por Raúl Castro, que substituiu o irmão Fidel a partir de 2006. A dinastia dos Castro governou Cuba durante quase 60 anos, desde a vitória da revolução, em 1º de janeiro de 1959.

É também uma mudança de gerações. Díaz-Canel, faz 58 anos amanhã. Não era nascido quando os guerrilheiros tomaram Havana. Como primeiro-secretário do Partido Comunista, Raúl será o poder por trás do trono até 2021.

É o lento adeus da geração revolucionária. Desde a morte de Fidel, Raúl é o último símbolo de uma era que se recusava a passar. Se for escolhido líder do partido, o novo presidente terá então plenos poderes.

Díaz-Canel começa amanhã um mandado de cinco anos, com direito a uma reeleição, uma regra estabelecida por Raúl. É um engenheiro eletrônico que subiu discretamente na hierarquia do partido. Será encarregado de tocar à frente a tímida abertura econômica ensaiada por Raúl na expectativa de manter o poder absoluto do regime comunista, o que é altamente improvável.

Como nunca deu entrevistas a estrangeiros, suas ideias são praticamente desconhecidas. "Não se sabe o que pensa e, além do mais, se em dez anos Raúl Castro não foi capaz de impulsionar as reformas por causa da resistência dos setores conservadores, não sei como poderá fazê-lo Díaz-Canel, que não tem sua legitimidade histórica e provavelmente não terá apoio unânime do Exército e do partido", raciocina o economista cubano Carmelo Mesa-Largo, professor da Universidade de Pittsburgh, na Pensilvânia, nos Estados Unidos.

O novo presidente enfrenta grandes desafios econômicos, a começar pela necessidade de unificar o câmbio, observa o cientista político Michael Bustamante, professor da Universidade Internacional da Flórida: "É um risco porque a desvalorização pode afetar muito a população. Mas, se conseguir levar adiante, é uma oportunidade para se legitimar diante da população."

Durante o governo Raúl Castro, depois de negociações mediadas pelo Vaticano e o papa Francisco, em 17 de dezembro de 2014, o ditador cubano e o então presidente americano, Barack Obama, anunciaram o reatamento de relações entre os EUA e Cuba.

Em 20 de junho de 2015, as duas embaixadas foram reabertas. Obama afrouxou alguns aspectos do embargo econômico em vigor desde fevereiro de 1962, facilitando viagens e remessas de dinheiro.

O governo Donald Trump não rompeu relações, mas reduziu o pessoal da embaixada depois que vários diplomatas e funcionários sentiram sintomas atribuído a um suposto ataque com ondas sonoras que não se sabe de quem partiu.

Para agradar a sua base conservadora, o atual presidente praticamente congelou o reatamento com Cuba. Sem uma abertura política, Trump e o Partido Republicano querem manter a linha dura contra o inimigo histórico.

quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

Raúl Castro deixa Presidência de Cuba em abril de 2018

É o fim de uma era. O ditador Raúl Castro anunciou ha pouco que deixa em abril de 2018 a Presidência de Cuba. Acaba o domínio absoluto dos irmãos Castro sobre a política cubana, que começou com a vitória da revolução, em 1º de janeiro de 1959, e a ascensão do comandante Fidel Castro ao poder.

Depois de quase 60 anos, sai o ditador, mas não termina a ditadura. O substituto de Raúl será eleito em fevereiro de 2018 pela Assembleia Nacional do Poder Popular, em tese, o "órgão supremo do poder do Estado", com 614 deputados eleitos pelo sistema distrital para mandatos de cinco anos. É totalmente controlada pelo regime comunista. Não há oposição democrática no parlamento em Cuba.

Na prática, a Assembleia prorrogou hoje por dois meses o mandato de Raúl sob a alegação de que o país precisa se recuperar dos danos causados pelo furacão Irma.

O sucessor deve ser o vice-presidente Miguel Díaz-Canel Bermúdez. Quando Raúl Castro foi eleito formalmente pela Assembleia Nacional, em 24 de fevereiro de 2008, prometeu governar por dois mandatos de cinco anos. Já governava Cuba desde 31 de julho de 2006, quando Fidel sofreu uma hemorragia abdominal e se afastou dos cargos que ocupava.

Por iniciativa do presidente Barack Obama, com mediação do Vaticano, durante o governo de Raúl, os Estados Unidos reataram relações diplomáticas com Cuba, rompidas desde 1961, em resposta à estatização de propriedades de americanos na ilha. Na mesma época, o regime cubano se aproximou da União Soviética e aderiu ao comunismo.

O embargo econômico, iniciado com as primeiras medidas em 1960, seria endurecido em fevereiro de 1962. Em 1961, exilados cubanos tentaram invadir o país com o apoio da Agência Central de Inteligência (CIA), um dos serviços secretos dos EUA. Fidel pediu proteção à URSS.

De 14 a 27 de outubro de 1962, a Crise dos Mísseis soviéticos a serem instalados em Cuba deixou o mundo mais perto do que nunca de uma guerra nuclear. O presidente John Kennedy conseguiu controlar os falcões com o apoio do irmão, Robert Kennedy, ministro da Justiça. Impôs um bloqueio aeronaval e exigiu a retirada dos mísseis, mas não mandou invadir Cuba.

O líder soviético Nikita Kruschev concordou em retirar os mísseis e instalar uma linha direta entre o Kremlin e a Casa Branca. Era a consolidação, sob o terror nuclear, da "coexistência pacífica" entre capitalismo e socialismo durante a Guerra Fria. Em contrapartida, os EUA assumiram um compromisso informal de não invadir Cuba.

Em 17 de novembro de 2014, simultaneamente, Obama e Raúl anunciaram o reatamento das relações. Sob Donald Trump, houve um recuo evidente na reaproximação entre Cuba e os EUA. Mas é inevitável.

A saída de cena dos irmãos Castro (Fidel morreu em 25 de novembro de 2016) acelera a transição e o fim do regime socialista. Sem um Castro no poder, Cuba não será a mesma.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Obama acaba com direito automático de asilo para cubanos nos EUA

Em mais um passo para normalizar as relações com Cuba, o presidente Barack Obama revogou ontem com efeito imediato uma política de imigração de mais de duas décadas conhecida como pé molhado, pé seco, que garantia automaticamente o direito de asilo nos Estados Unidos para cubanos que pisassem em solo americano.

O fim da medida era uma antiga reivindicação do regime comunista de Cuba e também da comunidade asilada nos EUA, que não quer ser confundida com os atuais migrantes, que considera migrantes econômico e não refugiados políticos.

Só em 2016, mais de 50 mil cubanos que chegaram sem visto foram admitidos nos EUA, informou o jornal The Washington Post. Desde a vitória da revolução liderada por Fidel Castro, em 1º de janeiro de 1959, cerca de 2 milhões de cubanos fugiram para os EUA

Sob o pretexto de que era uma política "formulada para outra era", a Guerra Fria, Obama tenta consolidar o reatamento das relações com Cuba, anunciado em dezembro de 2014, que está sob a ameaça.

A equipe de segurança nacional linha-dura do presidente eleito, Donald Trump, que assume o cargo em 20 de janeiro, promete revisar os acordos com Cuba e o Irã, este último para congelar por 10 anos o programa nuclear iraniano, evitando que o país desenvolva armas atômicas.

O atual presidente também acabou com a tramitação rápida de pedidos de entrada de pessoal médico cubano em missões internacionais interessado em se refugiar nos EUA.

"A mudança na política essencialmente acaba com a Lei de Ajuste em Cuba, de 1966, que presumia que os cubanos eram refugiados políticos que precisavam de proteção e permitia aos que permanecessem nos EUA por mais de um ano o direito de pedir de residência legal", observaram Julie Hirschfeld Davis e Frances Robles no jornal The New York Times.

Como o reatamento com Cuba não foi aprovado pelo Congresso, onde o Partido Republicano tinha e manteve a maioria na Câmara e no Senado, o presidente Trump está numa posição que lhe permite anular os acordos se o regime comunista cubano rejeitar sua proposta de renegociação. Basta revogar os decretos de Obama.

A reforma do regime comunista cubano está em andamento com as políticas de Raúl Castro que autorizaram a criação de pequenos negócios como bares, restaurantes, oficinas mecânicas e outros tipos de serviços.

O futuro de Cuba está numa reforma rumo à economia de mercado mais no estilo da Europa Oriental do que de países como a China e o Vietnã, que mantiveram o modo de governar comunista enquanto adotam a economia de mercado.

Se o governo Trump jogar duro como tudo indica, para agradar a sua base parlamentar de ultradireita, na contramão de Obama, tende a retardar a abertura política e econômica do regime cubano, que terá uma mudança de gerações em 2018, quando Raúl promete entregar o poder depois de 59 anos de ditadura dos irmãos Castro.

terça-feira, 5 de abril de 2016

Cuba prendeu 498 dissidentes durante a visita de Obama

A Comissão de Direitos Humanos e Reconciliação Nacional de Cuba denunciou ontem 1.416 prisões arbitrárias por motivos políticos no mês de março, sendo 498 durante a visita que o presidente do Estados Unidos, Barack Obama, fez à ilha nos dias 20 a 22.

"Nos dias da visita histórica e amistosa do presidente Barack Obama a Cuba, o governo da ilha, em vez de garantir uma atmosfera de tranquilidade pública, deflagrou uma onda de repressão política e incontáveis ações de intimidação", acusou a Comissão de Direitos Humanos.

O número de presos em março foi o maior desde novembro de 2015, quando houve 1.447 detenções arbitrárias.

Além das prisões, houve 76 casos de agressão física a dissidentes no mês passado. Desde o início do ano, houve 3.971 prisões políticas em Cuba. O regime comunista acusa os dissidentes de serem "mercenários" e "contrarrevolucionários".

Na entrevista coletiva, ao lado de Obama, o ditador cubano, Raúl Castro, negou a existência de presos políticos na ilha, prometendo libertar todos "antes do início da noite" se alguém lhe entregasse uma lista.

segunda-feira, 21 de março de 2016

Raúl Castro nega existência de presos políticos em Cuba

Durante entrevista coletiva hoje em Havana ao lado do presidente Barack Obama, o ditador Raúl Castro negou que existam presos políticos em Cuba: "Dê-me uma lista e eles estarão soltos antes que chegue a noite."

Na conversa reservada dos dois líderes, Raúl afirmou que as relações bilaterais não serão normalizadas até que os Estados Unidos devolvam a Baía de Guantânamo, onde o governo americano mantém uma base militar desde a guerra contra a Espanha, em 1898, que levou à independência de Cuba. Na entrevista, insistiu também na revogação do embargo econômico em vigor desde 1962.

O presidente americano manifestou a certeza de que o novo relacionamento levará ao fim do embargo econômico à ilha. Como depende do Congresso, hoje dominado pela oposição conservadora, não fez previsão de data. E declarou: "O futuro de Cuba será definido pelos cubanos."

Ao ser questionado sobre a situação dos direitos humanos em Cuba, Raúl apontou problemas sociais nos EUA, como a falta de saúde e educação gratuitas para todos, a pobreza e a discriminação racial. A declaração de Raúl negando a existência de presos políticos no país foi reproduzida pelo jornal venezuelano El Nacional.

Obama admitiu que as diferenças de mais de 50 anos entre os dois países não serão resolvidas numa visita e defendeu o reatamento como benéfico para os dois povos: "É um novo dia nas relações entre EUA e Cuba."

Amanhã, ele se reúne com dissidentes, inclusive da Comissão de Direitos Humanos e Reconciliação Nacional e do grupo dissidente das Damas de Branco, que teve várias militantes detidas no domingo, e faz um discurso a ser transmitido ao vivo pela televisão estatal cubana.

Depois, Obama viaja para a Argentina, num sinal de apoio dos EUA ao novo presidente, Mauricio Macri.

Presidente dos EUA inicia visita histórica a Cuba

Depois de mais de 50 anos de afastamento por causa da Guerra Fria, o presidente Barack Obama recebeu ontem uma recepção calorosa em Havana selando o reatamento entre os Estados Unidos e Cuba. Mas horas antes o regime comunista de Cuba prendeu dezenas de manifestantes que participavam da marcha das Damas de Branco, mães, filhas, mulheres e irmãs de presos políticos.

É a segunda visita de um presidente americano a Cuba no exercício do mandato. Calvin Coolidge esteve lá em janeiro de 1928, numa viagem marcada por bebedeiras, orgias e fracassos diplomáticos.

Ao longo do caminho de saída do aeroporto, o atual presidente foi saudado aos gritos de "USA! USA!" em vez do "Yankees, go home!" que marcava a visita de autoridades dos EUA na América Latina durante a Guerra Fria.

Obama se encontra amanhã com o presidente Raúl Castro, sacramentando o reatamento de relações diplomáticas anunciado pelos dois em 17 de dezembro de 2014. Hoje ele esteve com o arcebispo de Havana, Jaime Ortega, um dos mediadores do reatamento, e visitou a Velha Havana com a mulher, Michelle, e as filhas, Malia e Sasha.

Na terça-feira, Obama se reúne com dissidentes, inclusive com Berta Soler, líder das Damas de Branco. A prisão, observa o jornal The New York Times, é uma amostra dos desafios que o presidente terá ao negociar com os irmãos Raúl e Fidel sem esquecer os compromissos com a defesa dos direitos humanos e da liberdade de expressão.

Também na terça-feira, o presidente americano fará um discurso no Grande Teatro Alicia Alonso transmitido ao vivo pela televisão cubana.

"Esperávamos uma trégua", admitiu o presidente da Comissão de Direitos Humanos e Reconciliação Nacional, Elizardo Sánchez, lembrando que as prisões aconteceram "no momento em que Obama estava no ar rumo a Cuba".

A segurança e o controle são as marcas da visita. Quando Obama assistir depois de amanhã um jogo de beisebol entre a seleção cubana e o Tampa Bay, da Flórida, todo o estádio será tomado por convidados oficiais.

No sábado, Sánchez foi preso e separado da mulher durante três horas e meia no aeroporto de Havana. A polícia disse que estava "retido", não "detido". Enquanto copiavam todos os seus documentos, o presidente da Comissão de Direitos Humanos foi proibido de telefonar.

"É este o clima de intimidação criado pelo governo para a visita de Obama", comentou ele. "Vemos hoje uma repressão preventiva para que nada aconteça enquanto Obama estiver aqui".

Cuba tinha uma relação colonial com os EUA, que entraram em guerra com a Espanha para dar independência à ilha.

Em 1959, a revolução liderada por Fidel Castro e Ernesto Che Guevara derrubou o ditador Fulgencio Batista, apoiado pelos EUA. No ano seguinte, Fidel confiscou as propriedades de americanos na ilha e se aproximou da União Soviética. O presidente Dwight Eisenhower congelou os bens de cubanos nos EUA, impôs um embargo econômico e cortou relações diplomáticas, em 1960.

A fracassada invasão da Baía dos Porcos, em abril de 1961, quando exilados cubanos tentaram invadir a ilha com o apoio da CIA (Agência Central de Inteligência), aumentou a hostilidade, que chegou ao máximo de 14 a 27 de outubro de 1962. O mundo nunca esteve tão perto de uma guerra nuclear.

Os EUA descobriram que a URSS estava instalando mísseis nucleares em Cuba. Isso daria aos soviéticos capacidade de lançar um primeiro ataque que poderia ser decisivo numa guerra nuclear, neutralizando a superioridade americana em mísseis de longo alcance.

No momento mais quente da Guerra Fria, o presidente John Kennedy impôs um bloqueio naval a Cuba ameaçando revistar qualquer navio para impedir a entrada de mísseis nucleares e componentes na ilha. Um submarino soviético preparou o disparo de um míssil, mas seu comandante foi prudente e evitou a Terceira Guerra Mundial.

Quando os EUA estavam prestes a invadir Cuba, a URSS recuou e fez um acordo tácito de retirada dos mísseis em troca do fim do apoio a tentativas de invasão.

Os EUA também retiraram mísseis nucleares de curto alcance de uma base militar da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), mas eles eram obsoletos e seriam desativados de qualquer jeito. Fizeram mais para dar uma justificativa para o recuo do líder soviético Nikita Kruschev.

Não adiantou. Dois anos depois, em 1964, Kruschev foi derrubado por Leonid Brejnev, que reinaria supremo até 1982, período de estagnação e prelúdio do fim do comunismo soviético.

Antes da Crise dos Mísseis, em 7 de fevereiro de 1962, o embargo econômico dos EUA a Cuba passou a ser total. Desde 1992, o embargo é lei aprovada pelo Congresso. Com a Lei Helms-Burton, desde 1996, só pode ser revogado quando todos os presos políticos forem libertados e forem realizadas eleições livres, democráticas e pluripartidárias na ilha.

Com o fim da URSS, em 1991, Cuba perdeu seu maior patrocinador, que lhe dava cerca de US$ 5 bilhões por ano em petróleo barato, assistência e serviços médicos, por exemplo.

No ano 2000, Fidel fechou um acordo com o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, que substituiu a URSS. Passou a fornecer petróleo barato em troca do intercâmbio de médicos e outros profissionais cubanos, inclusive do setor de segurança. Com a crise terminal do regime chavista, o reatamento com os EUA dá uma boia de salvação ao regime comunista. Ao mesmo tempo, leva de volta à ilha o poder subversivo do dólar.

Depois de deixar o poder por força de uma hemorragia intestinal em 31 de julho de 2006, Fidel Castro passou definitivamente a presidência ao irmão em fevereiro de 2008. Raúl promete cumprir dois mandatos e transferir o poder há uma nova geração. É nesta mudança de gerações que Obama aposta.

Com a crise econômica e a necessidade do regime comunista de demitir 1 milhão de funcionários públicos Raúl autorizou a volta de pequenas empresas. Bares, restaurantes, lojinhas, oficinas mecânicas marcam a volta ainda tímida mas definitiva do capitalismo à ilha.

Em seu último Discurso sobre o Estado de União, Obama pediu ao Congresso o fim do embargo, mas a oposição republicana não aceita isso antes da democratização do país. O presidente americano tenta consolidar o reatamento de relações com o fortalecimento dos laços culturais e econômicos entre os dois países.

No ano passado, as embaixadas foram reabertas. Há poucos dias, os EUA suspenderam restrições de viagem. Os voos comerciais diretos foram retomados em fevereiro de 2016. No segundo semestre deste ano, a expectativa é de que haja cerca de 100 voos diários entre EUA e Cuba.

Com medo de que o pleno restabelecimento de relações altere a política de asilo dos EUA para cubanos, aumentou a tentativa de atravessar em barcos precários os 144 entre e ilha e o continente. Na sexta-feira, a Guarda Costeira dos EUA resgatou 18 cubanos no Estreito da Flórida. Outros nove morreram afogados.

domingo, 20 de março de 2016

Obama não deve repetir visita de Coolidge a Cuba, diz Miami Herald

O presidente Barack Obama chega hoje a Havana numa visita para sacramentar o reatamento dos Estados Unidos com Cuba. Ele é mais popular na ilha do que os irmãos Fidel e Raúl Castro, mas deve evitar as gafes do único presidente americano a visitar Cuba no exercício do cargo até hoje, Calvin Coolidge.

A viagem de Coolidge foi marcada por orgias de sexo e drogas de membros da delegação dos EUA. Cal Silencioso era um presidente em fim de mandato em busca de algum sucesso em política externa, lembra o jornal The Miami Herald. E chegou de navio de guerra.

Como Cuba protestava contra o aumento das tarifas de importação de açúcar e a América Latina contra as intervenções militares dos EUA no Haiti, na Nicarágua e na República Dominicana, Coolidge foi à reunião da União Pan-Americana, antecessora da Organização dos Estados Americanos (OEA) em janeiro de 1928.

Seu plano era iniciar uma campanha mundial para renunciar à guerra como instrumento de política externa. Oito anos antes, o Senado havia vetado a participação dos EUA na Liga das Nações, a primeira organização interestatal de caráter universal para defender a paz mundial. Fracassou em tudo.

Os EUA não baixaram as tarifas, quebrando a promessa feita ao presidente cubano, Gerardo Machado. Os fuzileiros navais invadiram a Nicarágua de novo e o tratado de paz, conhecido como Pacto Briand-Kellogg, aprovado por mais de 60 países, não conseguiu evitar a Segunda Guerra Mundial. Tornou-se num dos acordos mais inúteis da história diplomática.

Em plena Lei Seca, que proibia a venda de bebidas alcoólicas nos EUA, a festa começou em Key West, a cidade do extremo sul da Flórida, onde não havia Lei Seca. Pelo menos um repórter ainda estava tão bêbado na manhã seguinte que caiu no mar ao embarcar no navio.

Na volta aos EUA, toda a delegação, inclusive os repórteres que cobriam viagem, foram avisados de não teriam de passar pela alfândega. Vendedores de bebidas improvisaram uma loja no hotel onde os americanos estavam hospedados. Alguns compraram malas extras para levar bebidas alcoólicas.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Ditadura comunista aumenta repressão em Cuba

Enquanto aproveita o reatamento das relações com os Estados Unidos para tentar recuperar a economia, e nesta semana o ditador Raúl Castro esteve em Paris, o regime comunista de Cuba aumenta a repressão às oposições mostrando que a abertura econômica não será acompanhada de uma abertura política, informa o jornal francês Le Monde.

Em 2015, o número de prisões e interpelações de dissidentes bateu recorde. Só em novembro, foram 1.447. O método mais comum é prender temporariamente, como num sequestro-relâmpago, para intimidar e não provocar grande reação.

Na França, Raúl assinou acordos nas áreas de turismo, transporte ferroviário e um comércio mais equilibrado. O presidente François Hollande reiterou o apelo aos Estados Unidos feito em maio passado em Havana para a suspensão total e imediata do embargo econômico à ilha, que vem desde 1960, é praticamente total desde 1962 e lei do Congresso desde 1992, então depende de deputados e senadores para ser revogado.

Com a atual composição do Congresso dos EUA, dominado pela oposição conservadora, o embargo não tem chance de ser suspenso. A lei exige abertura política e realização de eleições livres na ilha, o que não está nos planos dos irmãos Fidel e Raúl Castro.

Os irmãos Castro governam Cuba desde 1959. Raúl sucedeu o irmão em 2006 e promete entregar o poder a uma nova geração em 2018.

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Kerry festeja em Havana o reatamento com Cuba

Os mesmos fuzileiros navais em que 1961 retiraram a bandeira dos Estados Unidos da embaixada em Cuba quando os dois países romperam relações diplomáticas hastearam a bandeira hoje em Havana diante do secretário de Estado americano, John Kerry, para festejar o reatamento.

"Estamos aqui porque os presidentes Barack Obama e Raúl Castro resolveram deixar de ser reféns da história", declarou Kerry, o primeiro secretário de Estado a visitar Cuba desde antes da revolução liderada por Fidel Castro.

A luta agora é pelo fim do embargo econômico imposto na mesma época para sufocar o regime comunista cubano e pela abertura política em Cuba, onde há centenas de presos políticos. Raúl Castro ensaiou uma abertura econômica autorizando a abertura de microempresas individuais ou familiares, mas não liberalizou o regime político.

quarta-feira, 22 de julho de 2015

Mais de 70% são a favor do reatamento e fim do embargo a Cuba

Setenta e três por cento dos americanos são favoráveis ao restabelecimento de relações diplomáticas com Cuba e 72% querem o fim do embargo econômico à ilha, indica uma sondagem feita pelo Centro de Pesquisas Pew.

Nos últimos meses, houve um aumento do apoio ao reatamento, selado ontem com a reabertura das embaixadas em Havana e Washington. Em janeiro de 2015, 63% eram a favor do reatamento e 66% favoráveis a acabar com o boicote econômico imposto contra o regime comunista cubano depois da estatização de propriedades de americanos na ilha.

Depois de 54 anos de ruptura, o presidente Barack Obama e o ditador Raúl Castro anunciaram em 17 de dezembro de 2014 uma reconciliação que marca o fim da Guerra Fria na América Latina. O fim do embargo depende de decisão do Congresso dos EUA, onde a oposição conservadora tem maioria na Câmara e no Senado.

Entre os democratas, 83% aprovam a iniciativa do presidente Obama e 82% o fim do embargo. Entre os independentes, 75% apoiam o reatamento. No eleitorado republicano, o apoio ao fim do boicote econômico cresceu de 47% em janeiro para 59%.

Cerca de 74% dos negros e hispânicos, e 72% dos brancos, querem o fim das restrições econômicas; 43% acreditam que Cuba vai ser tornar "mais democrática" nos próximos anos.

A pesquisa ouviu 2.002 adultos de 14 a 20 de julho de 2015.

quarta-feira, 15 de julho de 2015

Raúl Castro pede a Obama fim do embargo econômico

O ditador Raúl Castro insistiu hoje em que "não é possível conceber" relações normais com os Estados Unidos enquanto continuar o embargo econômico imposto depois da estatização de propriedades de americanos em Cuba depois da revolução comunista liderada por Fidel Castro.

"Esperamos que Obama continue usando suas prerrogativas de chefe do Executivo para desmantelar aspectos desta política que causa danos e privações a nosso povo", declarou Raúl em discurso no encerramento da primeira sessão plenária anual da Assembleia Nacional, o parlamento fantoche da ilha, citado pelo sítio de notícias Infolatam.

Em 1º de julho de 2015, ao anunciar a reabertura das embaixadas em 20 de julho, Obama pediu ao Congresso dos EUA que suspenda o embargo econômico.

Desde 1992, o que era apenas uma série de decretos do Executivo se tornou lei aprovada pela Câmara e o Senado que exige a democratização de Cuba, com eleições pluripartidárias para normalizar as relações econômicas entre os dois países.

O reatamento foi anunciado simultaneamente em 17 de dezembro de 2014, depois de 55 anos de ruptura e de um ano e meio de negociações secretas.

Raúl Castro foi além do bloqueio. Cobrou a devolução da base naval de Guantânamo, ocupada antes da Guerra da Independência de Cuba (1898), onde o governo George W. Bush criou em 2002 um centro de detenção ilegal para os prisioneiros da guerra contra o terrorismo.

Em sua primeira campanha presidencial, Obama prometeu fechar a prisão de Guantânamo. Não conseguiu por causa da dificuldade de processar suspeitos detidos ilegalmente nos tribunais dos EUA.

O dirigente cubano também pediu "o fim das transmissões ilegais de rádio e televisão para a ilha, que se eliminem os programas dirigidos a promover a subversão e a destabilização, e se compense o povo cubano pelos prejuízos humanos e econômicos causados pelas políticas dos EUA."

quarta-feira, 1 de julho de 2015

EUA e Cuba reabrem embaixadas ainda neste mês

O presidente Barack Obama anunciou há pouco que os Estados Unidos vão reabrir sua embaixada em Havana a partir de 20 de julho de 2015, reatando formalmente as relações com Cuba, rompidas há 54 anos. A reabertura será feita com a presença do secretário de Estado americano, John Kerry. O governo cubano confirmou.

Durante entrevista nos jardins da Casa Branca, Obama afirmou que o isolamento de Cuba foi improdutivo, não derrubou o regime comunista e só causou mais sofrimento ao povo cubano.

Em nota, o Ministério do Exterior de Cuba citou uma carta do presidente Obama para confirmar a reabertura das embaixadas em Havana e Washington em 20 de julho ou nos dias seguintes.

Obama e o dirigente cubano Raúl Castro anunciaram o reatamento em 17 de dezembro de 2014, depois de um ano e meio de negociações secretas apoiadas pelo Vaticano e o papa Francisco.

Ao longo dos últimos 54 anos, os EUA mantiveram uma seção de negócios dentro da Embaixada da Suécia. Com cerca de 50 funcionários, era maior do que a maioria das embaixadas em Havana. Na prática, os EUA e Cuba tinham muitos problemas comuns a tratar, como tráfico de drogas, navegação no Estreito da Flórida, refugiados e a base naval de Guantânamo, e mantinham relações informalmente em várias áreas.

O embargo econômico em vigor desde 1960 só pode ser revogado pelo Congresso dos EUA, onde a maioria da oposição republicana é contra antes da democratização de Cuba. Mas a reaproximação é irreversível e Obama pediu ao Congresso o fim do embargo.

segunda-feira, 11 de maio de 2015

Hollande faz visita histórica a Cuba e pede fim do embargo

O presidente da França, François Hollande, faz hoje uma visita histórica a Cuba, com direito a um raro encontro com o comandante Fidel Castro. É o primeiro chefe de Estado de uma potência ocidental a visitar a ilha depois do reatamento do regime comunista com os Estados Unidos e a primeira visita de um presidente francês a Cuba. Mas chega à ilha que era vista pela esquerda europeia como um paraíso socialista mais interessado em fazer negócios, observa o jornal Le Monde.

De olho na abertura econômica do regime e no fim do embargo americano, "a França é a primeira, em nome da Europa e dos países ocidentais, a poder dizer aos cubanos que estamos a seu lado se eles decidirem eles mesmos atravessar as etapas necessárias rumo à abertura", declarou Hollande aos jornalistas que o acompanham. Na agenda, nenhum encontro com dissidentes.

Em Havana, o presidente francês prometeu se empenhar pelo fim do embargo econômico imposto pelos EUA depois da desapropriação de propriedades de americanos pela revolução cubana. Desde 1991, a França vota todos os anos pelo fim do embargo na Assembleia Geral das Nações Unidas.

"Vocês sabem que a França é a favor de suspender o embargo que trava o desenvolvimento cubano", afirmou Hollande diante de uma plateia de estudantes cuidadosamente selecionados pelo regime comunista na Universidade de Havana. Isso depende do Congresso dos EUA, cada vez mais reacionário.

Depois do fim da União Soviética, em 1991, Cuba enfrentou uma situação econômica muito difícil, aliviada pela ascensão de Hugo Chávez ao poder na Venezuela, em 1999. Com a crise econômica venezuelana, o regime comunista cubano iniciou uma abertura econômica sob Raúl Castro, que sucedeu Fidel em 2006.

Hoje há mais de 500 mil microempresas que o governo autorizou a funcionar para poder demitir 1 milhão de funcionários públicos num programa chamado oficialmente de "atualização" da economia. Décima maior parceira comercial de Cuba, a França quer aumentar sua participação no mercado cubano, que se reintegra plenamente ao sistema capitalista.

Ontem, depois de participar das comemorações do Dia da Vitória na Segunda Guerra Mundial em Moscou, o ditador Raúl Castro visitou o Vaticano para agradecer a mediação do papa Francisco e da Igreja Católica no reatamento das relações com os EUA. Educado pelos jesuítas como o irmão Fidel, Raúl disse que com o atual papa pensa até em voltar à igreja.

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Guerra Fria nos trópicos quase provocou um conflito nuclear

O mundo nunca esteve tão perto de uma guerra nuclear quanto de 14 a 27 de outubro de 1962. Na Crise dos Mísseis da União Soviética, os Estados Unidos fizeram um bloqueio naval a Cuba e ameaçaram interceptar qualquer navio soviético capaz de levar armas nucleares à ilha. Foi o momento mais tenso de uma relação tumultuada.

Cuba foi descoberta por Cristóvão Colombo, que desembarcou em Bariay, hoje parte da província de Holguín, em 28 de outubro de 1492, 16 dias depois da descoberta da América. A ilha virou uma colônia espanhola e foi palco de várias rebeliões de escravos.

Durante a Guerra dos Sete Anos (1756-63), em 1762, o Império Britânico tomou a ilha, mas seus soldados foram dizimados por doenças tropicais. No acordo de paz, Cuba foi trocada pela Flórida, que passou a ser possessão britânica.

A Primeira Guerra da Independência de Cuba durou dez anos, de 1868 a 1878. No ano seguinte, começou uma segunda revolta, derrotada em 1880. A independência viria na Guerra Hispano-Americana (1898), quando os EUA tomaram Cuba e as Filipinas, no início do imperialismo americano.

Os EUA invadiram Cuba e instalaram a base naval em Guantânamo, um enclave americano onde o presidente George W. Bush (2001-9) montou um centro de detenção ilegal em 2002 para negar aos presos na guerra contra o terrorismo os direitos garantidos na Convenção de Genebra sobre prisioneiros de guerra. Obama prometeu acabar com a prisão, mas não conseguiu por falta de apoio no Congresso.

Ao impor condições para a retirada, no início do século 20, os EUA garantiram o controle sobre a ilha. Durante o período que os cubanos chamam de República, o país deixou de ser a Colônia do domínio espanhol para ter uma relação neocolonial com os EUA, o que levou ao terceiro e atual período, da Revolução.

Em 1952, ex-presidente Fulgencio Batista deu um golpe militar e se tornou ditador com o apoio dos EUA. No ano seguinte, em 26 de julho, cerca de 160 revolucionários liderados por Fidel Castro atacaram o quartel de Moncada, em Santiago de Cuba. Foram derrotados e presos.

No tribunal, Fidel lançou seu desafio: "A história me absolverá." Fidel e o irmão Raúl foram anistiados por Batista em 1955. No fim de 1956, os revolucionários voltam a Cuba no navio Granma. Eles conquistam seus primeiras vitórias em janeiro de 1957. Em 1º de janeiro de 1959, a revolução vitoriosa toma Havana.

Aí está a origem da ruptura com os EUA. Com a estatização de empresas e propriedades de americanos, em 5 de julho de 1960, aumento dos impostos de importação e dos negócios com a União Soviética, o presidente Dwight Eisenhower começa a treinar exilados cubanos para atacar a ilha e, em 19 de outubro de 1960, proíbe a exportação de produtos americanos para a ilha, com a exceção de remédios e alimentos. Era o início do boicote econômico.

Em 3 de janeiro de 1961, os dois países romperam as relações diplomáticas.

A frustrada tentativa de invasão da Baía dos Porcos, em 15 de abril de 1961, no governo John Kennedy (1961-63), coloca os dois países em pé de guerra. Em 31 de janeiro de 1962, o governo cubano foi excluído da Organização dos Estados Americanos (OEA) e só agora, no Panamá, foi reintegrado à comunidade pan-americana. Uma semana depois, Kennedy decretou um embargo econômico total à ilha.

Sob permanente ameaça de invasão, Cuba pediu à URSS a instalação de mísseis nucleares em seu território. Em 14 de outubro de 1962, um avião-espião dos EUA fotografou os silos em construção para abrigar os mísseis nucleares. Começava a maior crise da era nuclear.

Nunca o mundo esteve tão perto de uma guerra nuclear como naquelas duas semanas de 14 a 27 de outubro. Kennedy decretou um bloqueio aeronaval de Cuba ameaçando abordar todo navio soviético para impedir a entrada de armas nucleares na ilha.

A invasão era iminente quando um jornalista-espião cubano soube da notícia, avisou o Kremlin e o primeiro-ministro Nikita Kruschev concordou em retirar os mísseis da ilha em troca de um acordo tácito para os EUA não atacarem Cuba e da retirada de mísseis americanos obsoletos da Turquia para dar uma desculpa a Kruschev.

Desde então, o embargo econômico é o maior contencioso entre os dois países, usado pelo regime comunista para justificar o fracasso de suas políticas econômicas.

Em 1980, durante uma crise econômica, Fidel Castro anunciou que quem quisesse poderia sair do país. Cerca de 125 mil cubanos fugiram através do Porto Mariel.

Com o fim da União Soviética, em 1991, e a resistência de Fidel em promover uma abertura democrática, o Congresso dos EUA aprovou a Lei da Democracia em Cuba, proposta do deputado democrata Robert Torricelli, também conhecida como Lei Torricelli.

O embargo passou a ser lei aprovada pelo Congresso. Só pode ser levantado quando houver eleições democráticas em Cuba, com a participação.

No primeiro governo Bill Clinton (1993-97), houve uma tentativa de abrir diálogo com o regime cubano. Acabou quando a Força Aérea de Cuba derrubou, em 24 de fevereiro de 1996, dois aviões civis dos Hermanos al Rescate (Irmãos ao Resgate). A organização de exilados cubanos criada para salvar balseiros que se arriscavam na travessia do Estreito da Flórida para vencer os 144 quilômetros que separam os dois países invadira o espaço aérea cubano para jogar panfletos..

A resposta americana veio com a Lei de Solaridade Democrática e da Liberdade em Cuba, mais conhecida como Lei Helms-Burton, de março de 1996, que agravou ainda mais o embargo, adotando cláusulas de extraterritorialidade contrárias ao direito internacional.

Desde então, as empresas estrangeiras que fizerem negócios com Cuba passam a ser penalizadas. Isso as obriga a escolher entre o gigantesco mercado dos EUA e a pequena ilha. Já foram proibidos de entrar nos EUA por fazer negócios com propriedades expropriadas de americanos, empresários e executivos do Canadá, Israel, Itália, México e Reino Unido

Pela mesma lei, os EUA devem se opor à participação de Cuba nas instituições financeiras internacionais. Uma televisão do governo americano passa a transmitir diretamente para a ilha.

Ficou proibido o reconhecimento de um governo de transição de que Fidel ou Raúl Castro participem e de qualquer governo que não reconheça dívidas em relação a governos a cidadãos americanos que superassem o equivalente a US$ 50 mil em 1959.

Foi a última tentativa de usar o boicote econômico para derrotar Fidel. A vitória de Hugo Chávez na Venezuela em 1998 deu uma boia de salvação para o regime comunista cubano ao fornecer petróleo subsidiado, como fazia a URSS.